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REVISTA Edição digital #76
Inhotim de cima e por dentro
Quando o Cariri se vê
Bonaventure
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da cidade e do estado do Paraná, dentre eles o Museu Oscar Niemeyer, o maior museu de arte da América Latina.
Vivemos um momento de transformação, em que as fronteiras entre o humano e suas tecnologias, o natural e o artificial, tornam-se cada vez mais fluidas. Diante desse cenário, a edição deste ano apresenta o título LIMIARES, propondo um espaço de passagem e reflexão sobre as mudanças que atravessam o presente e apontam para novos modos de existir e de criar. A edição será conduzida pelas curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, bem como por uma equipe multicultural de curadores convidados.
O conceito curatorial entende este momento limiar em que vivemos também como um espaço fértil no qual a arte atua como mediadora entre mundos. Habitar essa fronteira e criar a partir da incerteza orientam uma proposta que se assume como um espaço de troca entre diferentes áreas do conhecimento e culturas. Para as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, “mais do que um conceito, LIMIARES é uma atitude curatorial: habitar a fronteira, permanecer no entre, criar a partir da incerteza, gerando novos caminhos”.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba promove o diálogo entre artistas, pesquisadores, cientistas e estudantes, convidando o público a refletir sobre como estar presente em um mundo em fluxo acelerado e a imaginar novas formas de coexistência. Acesse o statement curatorial aqui.
Marcando o aguardado retorno ao formato presencial após a edição totalmente online de 2021, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba apresentará exposições de grandes artistas de diferentes origens e que atuam em múltiplos suportes, do material ao virtual. É um retorno necessário ao circuito mundial da arte, que reforça o posicionamento da América Latina como uma potência cultural. Na sua última edição presencial, em 2019, a Bienal Internacional de Curitiba atraiu mais de um milhão de visitantes.
Serviço
Exposição | 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba
De 14 de junho a 15 de novembro
Locais
Museu Oscar Niemeyer, Museu Paranaense, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu da Imagem e do Som, Museu Alfredo Andersen, Museu da Fotografia, Museu da Gravura/Memorial de Curitiba, Museu Municipal de Arte, terminais de ônibus e outros espaços de Curitiba.
Período
Local
16ª Bienal Internacional de Curitiba - Sede Principal
Rua Marechal Hermes, 999 — Centro Cívico, Curitiba - PR
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Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades
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Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades a construir coletivamente uma pintura em constante transformação.
Criado em 2021, o projeto “Uma Obra” investiga diferentes formas de aproximação entre público e arte, explorando as múltiplas interpretações, conexões e experiências que podem surgir a partir de uma única obra de arte. Em suas duas primeiras edições, apresentou trabalhos do acervo da Pinacoteca. Agora, pela primeira vez, o projeto dá origem a uma obra inédita, concebida especialmente para essa mostra. Desenvolvido pela Área de Ação Educativa em parceria com a Área de Pesquisa e Curadoria da Pinacoteca, o projeto evidencia um modelo de trabalho cada vez mais presente na instituição, que aproxima processos educativos e curatoriais desde a concepção das exposições.
A nova edição surge em diálogo com “Para Crianças: experiências com arte desde 1968”, em cartaz na Pina Contemporânea de maio até 18 de outubro de 2026, e integra um movimento mais amplo da instituição de aprofundar suas ações voltadas à infância. A proposta parte da percepção de que crianças pequenas ainda encontram diferentes barreiras de acesso aos espaços museológicos e busca criar experiências que dialoguem com suas formas de descobrir, explorar e se relacionar com o mundo.
Para desenvolver o projeto, o museu convidou Gui Teixeira, artista que investiga as relações entre arte e pedagogia, brincadeira, participação e criação coletiva. Em sua produção, o público é frequentemente convidado a construir, reorganizar e transformar elementos da própria obra, tornando-se parte ativa da experiência artística.
O resultado desse encontro é “Pintura sem fim”. Na instalação, uma grande parede revestida por carpete recebe centenas de peças de feltro colorido que podem ser livremente manipuladas pelos visitantes. Ao combinar formas, cores e tamanhos diversos, o público cria figuras, paisagens, personagens, composições abstratas ou aquilo que sua imaginação permitir.
Como sugere o próprio título, a obra nunca alcança uma forma definitiva. Cada nova intervenção transforma aquilo que foi construído anteriormente, fazendo do trabalho um processo contínuo de invenção compartilhada. Mais do que observar uma obra pronta, os visitantes são convidados a participar de sua construção.
Embora pensada a partir das experiências da primeira infância, a instalação foi concebida para acolher públicos de diferentes idades e incentivar encontros entre crianças, jovens e adultos.
“Uma Obra: Pintura sem fim” é correalizada pelo Instituto Tecendo Infâncias.
Serviço
Exposição | Uma Obra: Pintura sem fim
De 4 de julho a 31 de janeiro de 2028
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a habitam. A afirmação sintetiza aspectos centrais de sua produção, marcada pela observação da natureza, do corpo e dos ciclos da vida, em diálogo com materiais naturais e referências da paisagem mineira. Esse universo poderá ser visto nessa mostra que o Itaú Cultural (IC) apresenta em três andares do espaço expositivo.
Com curadoria de Franklin Espath Pedroso, a exposição reúne cerca de 150 desenhos inéditos, 10 filmes experimentais e uma instalação derivada de Campos peregrinos, trabalho apresentado por ela em Glasgow, na Escócia, em 2025. É a primeira vez que a artista reúne sua produção audiovisual em uma exposição. A concepção, realização e projeto de acessibilidade são da equipe do Itaú Cultural. O curador também assina o projeto expográfico ao lado de Leila Scaf Rodrigues.
Solange nasceu em Ferros (MG), em 1961, e desenvolve há mais de quatro décadas uma obra que articula desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo. Ela é reconhecida por pesquisas que incorporam materiais naturais e procedimentos ligados à observação da paisagem e dos processos de transformação da matéria.
Nos últimos anos, o seu trabalho tem alcançado ampla presença internacional. Atualmente, Solange se prepara para participar da Bienal de Toronto, no Canadá, em setembro. Ainda monta uma exposição individual, que abrirá em outubro na Fundación Botín, na Espanha. A artista também foi convidada pela Fondation Cartier, na França, para realizar uma grande mostra de sua obra em 2027. No Brasil, ao reunir obras inéditas, trabalhos recentes e uma seleção significativa de filmes, a exposição no IC oferece um panorama de aspectos centrais de sua produção e de seu percurso artístico.
A Exposição
Um dos destaques de Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação ocupa quase todo o primeiro andar do espaço expositivo do Itaú Cultural. Trata-se da instalação Campos peregrinos, um desdobramento da obra criada para o centro de arte contemporânea Tramway, em Glasgow – um espaço instalado em um antigo depósito de bondes, que se tornou referência cultural europeia, oferecendo exposições visuais e apresentações de dança e teatro.
A versão apresentada no Itaú Cultural reúne peças em bronze e cerâmica a materiais como capim-membeca, paina, camomila, macela, folhas secas, algodão, folhas e fubá, elementos recorrentes na investigação desenvolvida por Solange a partir de referências dos cerrados e das matas brasileiras. A obra propõe uma experiência sensorial que ultrapassa o olhar, envolvendo cheiros, texturas, dimensões e sons emanados pelos materiais que compõem a instalação.
Neste mesmo piso, é apresentado o seu novo filme, Desjardim, realizado especialmente para a mostra. Parceria de Solange com o cineasta João Vargas Penna e com o músico Livio Tragtenberg, a produção cria conexões sensíveis em obras, com melhores condições técnicas e de produção.
Em contraste com as instalações e os desenhos de grandes dimensões realizados pela artista nos últimos anos, o piso -1 do Itaú Cultural apresenta trabalhos que evidenciam uma dimensão mais íntima de sua obra ao reunir aproximadamente 150 desenhos inéditos feitos em escalas menores. Realizados desde os anos 1990 até a atualidade, eles revelam animais, vegetação, corpos, paisagens e seres imaginários em trabalhos produzidos com materiais diversos, como pigmentos, carvão, óleo, jenipapo, argila, urucum, Merthiolate e gordura.
Ao longo do tempo, esses materiais passaram por seus próprios processos de transformação, incorporando à obra questões centrais para a pesquisa da autora: a matéria, a passagem do tempo e os ciclos da natureza. Entre o animal, o vegetal e o mineral, os desenhos apresentam formas híbridas e paisagens em permanente mutação, sintetizando temas que atravessam mais de quatro décadas de produção.
Por sua vez, o piso -2 apresenta uma cronologia da vida e obra da artista e tem como destaque uma seleção de 9 filmes experimentais produzidos ao longo de sua trajetória, reunidos pela primeira vez em uma mostra dedicada a ela. Embora menos conhecidos do público do que suas esculturas, desenhos e instalações, os trabalhos evidenciam uma investigação constante da imagem em movimento como extensão de sua pesquisa artística.
As obras acompanham processos de transformação da matéria e a ação do tempo sobre elementos como minerais, metais, água e fogo. Corpos, paisagens naturais, jardins, cavernas, espaços domésticos e sítios históricos aparecem com frequência, não apenas como cenários, mas como agentes que participam da construção das imagens. Em alguns trabalhos, registros de ações e performances também destacam a dimensão corporal presente em sua produção.
Serviço
Exposição | Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação
De 4 de agosto a 1º de novembro
Terça a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções
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Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções e às histórias do Brasil. Localizado na Praça da República, no centro da capital paulista, próximo a outros negócios de Olivier, o Arquivo Anquier chega para ampliar esse território de encontros e despertar novas sensações. Pensado como um espaço vivo, aberto a exposições, experiências e atividades culturais, o projeto pretende também contribuir para o movimento de redescoberta do Centro de São Paulo, convidando paulistanos e visitantes a olhar novamente para a região, caminhar por suas ruas e reencontrar o coração da cidade.
“Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil” será a exposição inaugural do espaço, marcada para 16 de setembro, a partir das 12h. Com 55 fotografias autorais, ela convida o público a percorrer diferentes paisagens, personagens, cotidianos e tradições brasileiras registradas pelo olhar sensível de Olivier. Faz parte do primeiro arquivo real a sair do gigantesco baú imaginário do “Diário do Olivier”, programa criado e apresentado por ele em 1998, pelo canal GNT, e que percorreu o território brasileiro durante 20 anos em busca da essência do país e de seu povo. Olivier atravessou estradas, cidades, vilarejos e lugares pouco conhecidos de um Brasil que escolheu descobrir de perto, levando milhões de telespectadores junto com ele – muitas vezes a bordo de seu inseparável Fusca verde. Mais do que revisitar uma trajetória, o Arquivo Anquier nasce do desejo de abrir essas histórias ao público: imagens, objetos, personagens, encontros, descobertas e memórias guardadas ao longo de décadas e que agora ganham novas leituras.
O Primeiro Arquivo: “Diário do Olivier”
O primeiro arquivo, dedicado ao “Diário do Olivier”, revela uma faceta de Olivier Anquier que, apesar de acompanhá-lo desde a infância, permaneceu discretamente escondida do grande público: a de fotógrafo. A fotografia, no entanto, não surgiu com o programa. Ela acompanha Olivier desde a primeira infância, inicialmente através do olhar e das câmeras de seu pai, o médico François Anquier, e permaneceu presente ao longo de toda a sua vida de maneira íntima, quase tímida, raramente exposta como parte de sua trajetória pública. Agora, pela primeira vez, esse olhar deixa o arquivo pessoal e ocupa as paredes de uma exposição.
O projeto acontece também após Olivier receber sua primeira chancela como fotógrafo, ao ser convidado para ocupar integralmente a edição nº 46 da revista C, publicação da Galeria Carcará, dedicada à fotografia autoral brasileira.
“Essa é a primeira vez que abro meu baú de memórias, experiências e fotografias para o público. Sinto que chegou o momento de compartilhar em detalhes histórias que vivi nesses 20 anos de Diário do Olivier e lugares fascinantes que conheci pelo Brasil. Quero que todos tenham orgulho do nosso país; o país que me deu tudo e ao qual sou muito grato.”, afirma Olivier Anquier.
Um Arquivo que continua circulando
Após o encerramento de “Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil”, as fotografias e os objetos apresentados na exposição serão leiloados em formatos presencial e virtual. A iniciativa amplia o alcance do projeto para além do espaço expositivo e oferece ao público a possibilidade de adquirir peças que fizeram parte dessa história. O lendário Fusca verde também terá um destino especial: parte da renda obtida com sua venda será revertida à organização religiosa Missão Belém, ligada ao Centro de São Paulo e que atende e acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade.
Serviço
Exposição | Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil
De 16 de setembro e 06 de dezembro
Quarta a sexta-feira, das 12h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 21h.
Período
Local
Arquivo Anquier
Praça da República, 36 - Loja 1, República, São Paulo - SP
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A artista plástica paulistana Claudia Marchetti retoma a pintura com O Vaso de Ojuara, exposição que reúne 12 trabalhos inéditos no programa Zip’Up, que ocupa o andar superior da Zipper
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A artista plástica paulistana Claudia Marchetti retoma a pintura com O Vaso de Ojuara, exposição que reúne 12 trabalhos inéditos no programa Zip’Up, que ocupa o andar superior da Zipper Galeria, a partir de 8 de outubro. O texto de apresentação é assinado pela crítica e jornalista Paula Alzugaray.
A relação da artista com o litoral norte começou ainda na infância, quando frequentava São Sebastião, área que na época tinha forte presença da Mata Atlântica, antes das mudanças provocadas pela crise ambiental e pela especulação imobiliária, que impactaram as comunidades caiçaras e ribeirinhas. Anos mais tarde, na pandemia, voltou a viver ali e permaneceu durante dois anos. Foi nesse período que a pintura tomou mais intensidade em sua produção.
Inspirada também pela experiência como escritora, Marchetti criou Ojuara, menina caiçara que reúne histórias de seu povo e das transformações do território. Cercada por cobras, jarros, ovos e peixes, a personagem incorpora elementos de seu imaginário e de sua vivência, que a artista leva para a pintura. Como observa Paula Alzugaray no texto de apresentação da mostra, “a ficção inspira a renovação de sua atividade artística e a pintura ressurge como matriz de um propósito maior que o pessoal, o de conectar-se a um meio ambiente e uma causa social junto às comunidades tradicionais ameaçadas”.
É nesse contexto que surge Mar de Lama (2026), uma das obras da exposição. Nela, Marchetti retrata as transformações que testemunhou no litoral norte de São Paulo após as chuvas de 2023, que provocaram deslizamentos e alteraram a paisagem da região. A pintura registra visualmente o acontecimento e as marcas que ali permaneceram.
O vaso que dá título à mostra nasce dessa mesma pesquisa. Para Marchetti, a imagem remete ao útero, ao que contém e gera, e conversa com os elementos que aparecem em suas telas. São formas que aparecem de maneira recorrente e se relacionam com a natureza e com referências culturais encontradas pelo território.
Ao incorporar essas questões mais recentes, o conjunto apresentado na galeria, mantém ao mesmo tempo, uma ligação direta com a pintura que Claudia desenvolvia antes de se afastar de sua prática pictórica. A figuração de formas simples e esquemáticas continua presente, agora atravessada pelo repertório que marca sua criação. Há, assim, uma continuidade visível entre os trabalhos de duas décadas atrás e aqueles que marcam sua retomada.
Esse vínculo com o lugar também se estende ao trabalho que Marchetti desenvolve junto à comunidade local. Parte da renda obtida com a venda das obras da exposição será destinada ao Instituto Verdescola, organização sem fins lucrativos que atua em São Sebastião na formação de crianças e jovens, onde Claudia faz trabalho voluntário com oficinas de artes visuais.
Como galerista, tem cerca de 40 anos de atuação no campo da arte. Formada pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e mestre em Artes Visuais pela Goldsmiths College, em Londres, participou de diversas exposições em que conheceu e popularizou no Brasil obras de alguns ícones da arte contemporânea, como Sarah Morris, Ai Weiwei e Ian Davenport. Mais tarde, fundou a ArteEdições, projeto voltado à ampliação e democratização do acesso ao mercado de arte contemporânea.
A artista lançou Ojuara – A Chuva na Mata Atlântica na ArtRio 2026, pelo selo Celeste. Escrito e ilustrado por Claudia, o livro infantil amplia para a literatura o imaginário que desenvolve em suas pinturas, retomando a personagem e os elementos que marcam sua trajetória.
Serviço
Exposição | O Vaso de Ojuara
De 08 de outubro a 18 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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A diversidade de paisagens, culturas e modos de vida do Brasil ganha quatro perspectivas na exposição “Belezas Brasileiras“, que abre em 13 de outubro, no MIS, instituição da Secretaria da
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A diversidade de paisagens, culturas e modos de vida do Brasil ganha quatro perspectivas na exposição “Belezas Brasileiras“, que abre em 13 de outubro, no MIS, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com entrada gratuita. Os ensaios percorrem a Caatinga, a Serra da Mantiqueira, a paisagem urbana paulistana e cenas do cotidiano, convidando o público a reconhecer a beleza tanto em territórios marcantes quanto nos detalhes que passam despercebidos.
Com apresentação da JOVI e realização da Mobgraphia, a mostra reúne Adriano Gambarini, Ricardo Rojas e Toni Pires, convidados pela Mobgraphia, e Gabriel Bonatto, vencedor do Concurso JOVI de Fotografia Mobile, realizado pela organização.
Todos os trabalhos foram produzidos com o Kit JOVI de Fotografia Profissional X300 Ultra. O equipamento estabelece um ponto de partida comum, enquanto a experiência e as escolhas de cada fotógrafo dão origem a diferentes linguagens e narrativas sobre o país.Com 35 anos de atuação na fotografia de natureza e vida selvagem, Adriano Gambarini explora paisagens, fauna, cores e texturas da Caatinga. O ensaio inclui uma experiência singular em sua trajetória: fotografar uma ave silvestre em vida livre com uma lente de 400 mm acoplada a um celular.
Em “Entre o que cresce e o que se ergue”, Toni Pires investiga as relações entre vegetação e arquitetura em São Paulo. Galhos atravessam a geometria dos edifícios, copas redesenham o céu e reflexos aproximam árvores e fachadas. A palavra “PARE”, registrada no asfalto em uma das imagens, traduz o convite a interromper a pressa e observar a cidade.
Ricardo Rojas, fotógrafo e fundador da Mobgraphia, apresenta a Serra da Mantiqueira como território de pertencimento. Fogões a lenha, alambiques, animais, produtos locais e pequenas casas nas montanhas revelam as relações entre natureza, cultura e modos de vida.
Gabriel Bonatto encontra no cotidiano a matéria de seu ensaio. Com cores vivas e uma abordagem que aproxima o documental e o artístico, registra habitantes, animais e trabalho manual, destacando a beleza das cenas próximas e a relação entre as pessoas e seu entorno.
Ao colocar esses olhares lado a lado, “Belezas Brasileiras” apresenta a fotografia feita com celular como meio de expressão autoral e convida à valorização do patrimônio natural e cultural brasileiro. A beleza aparece nas paisagens, nos gestos e nas formas de viver, atravessada pela relação de cada fotógrafo com aquilo que escolhe registrar.
Serviço
Exposição | Belezas Brasileiras
De 13 de outubro a 20 de novembro
Terças a sextas, das 10h às 19h | Permanência até 1h após o último horário
Sábados, das 10h às 20h | Permanência até 1h após o último horário
Domingos e feriados, das 10h às 18h | Permanência até 1h após o último horário
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
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A Garrido Galeria, no Recife, apresenta a exposição “Onde o céu e o mar se tocam”, que reúne, pela primeira vez, os programas da galeria pernambucana e da Cave, de
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A Garrido Galeria, no Recife, apresenta a exposição “Onde o céu e o mar se tocam”, que reúne, pela primeira vez, os programas da galeria pernambucana e da Cave, de Fortaleza. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra foi inaugurada em 16 de outubro e apresenta obras de mais de 40 artistas, entre nomes representados pelas duas galerias, convidados e trabalhos de seus acervos. A iniciativa estabelece conexões entre diferentes gerações, territórios e linguagens da produção artística brasileira.
A exposição acontece em um momento de movimentação do circuito de arte no Nordeste, marcado pela realização da ART.PE 2026, entre 14 e 18 de outubro, no Recife Expo Center. As duas galerias participaram da feira, ampliando a colaboração entre seus programas e fortalecendo as conexões entre artistas, galeristas e públicos de diferentes regiões do país.
A parceria entre Garrido e Cave é resultado de uma relação construída ao longo dos últimos anos pelos galeristas Armando Garrido e Pedro Diógenes. Desde 2020, os dois compartilham o interesse pelo desenvolvimento de artistas em início de carreira e pela valorização da produção artística realizada fora do eixo Sul-Sudeste. O coletivo Acidum Project, representado por ambas as galerias, é um dos pontos de encontro dessa colaboração.
Entre os artistas presentes estão Bárbara Banida, Bruno Vilela, Charles Lessa, Chico da Silva, Delson Uchôa, Francisco Brennand, Gi Monteiro, Heitor Dutra, Jane Batista, Leonilson, Letícia Lopes e Véio, entre outros. A seleção aproxima nomes históricos e artistas contemporâneos, reunindo produções de Pernambuco, Ceará e outras regiões brasileiras.
A proposta curatorial busca questionar imagens estereotipadas do Nordeste, frequentemente associado ao sol, às praias e às cores intensas. Em vez dessas representações, Lucas Dilacerda propõe outras possibilidades de olhar para a região, explorando sombras, profundidades, cenas noturnas e atmosferas de mistério. O azul-escuro do céu e do mar, assim como as diferentes possibilidades de interpretação do branco, orientam uma leitura da paisagem que se distancia dos cartões-postais tradicionais.
As obras abordam questões relacionadas a corpo, natureza, memória, ancestralidade, espiritualidade, ecologia, gênero, raça, tecnologia e cultura popular, além de aproximar linguagens e categorias como arte e artesanato, tradição e contemporaneidade, figuração e abstração. Para o curador, o objetivo não é identificar uma estética nordestina comum, mas evidenciar a diversidade de experiências e pesquisas artísticas que partem desse território sem se limitar a ele.
Ao reunir duas galerias de diferentes capitais nordestinas, “Onde o céu e o mar se tocam” também propõe uma reflexão sobre a descentralização do circuito brasileiro de arte. A colaboração busca fortalecer redes de produção, circulação e reconhecimento artístico fora dos centros tradicionalmente dominantes, ampliando as possibilidades de encontro entre artistas, instituições e públicos.
Serviço
Exposição | Onde o céu e o mar se tocam
De 16 de outubro a 10 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h
Período
Local
Garrido Galeria + Cave
Rua Samuel de Farias, 245, Casa Forte, Recife - PE
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre o que se observa de um certo cenário e o que se mostra em imagem como fragmento dessa escolha, pode-se divisar o que a memória cria de maneira consciente e também quase sem querer. A exposição Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, na Cerrado Cultural apresenta um conjunto da produção desse artista que construiu um modo particular de visualizar seus motivos de pintura. Em sua trajetória, esteve comprometido com o olhar para um mundo próximo, vivencial e corriqueiro, encontrando nesse universo diferentes possibilidades para a pintura.
O recorte dessa mostra reúne obras realizadas entre os anos 1920 e 1980 e busca evidenciar características fundamentais de seu processo, que, colocadas em relação, permitem acompanhar as transformações no modo como Volpi construía suas imagens. Primeiro a partir daquilo que observava diretamente, depois a partir do que guardava na memória e, gradualmente, reelaborava imaginativamente. Com isso, o percurso da exposição possibilita perceber as diferentes dimensões que sua produção revela e que, ao longo do tempo, foram sendo reconhecidas e nomeadas pelos valores associados a uma arte modernista, colorista, abstrata e de caráter genuinamente brasileiro e popular.
Os lugares do olhar de Volpi que trazemos aqui dizem respeito, em um primeiro momento, a uma atenção dada por ele ao ofício prático em sua história de vida. Nascido em Lucca, na Itália, em 1896, chega com cerca de dois anos ao Brasil e desenvolve na juventude um aprendizado profissionalizante que o leva a exercer atividades como entalhador, marceneiro, encadernador e sobretudo como pintor decorativo. Nesta atividade, realiza painéis e murais residenciais na cidade de São Paulo, onde viveu praticamente toda sua vida, até falecer aos 92 anos. É instigante perceber, portanto, o princípio autodidata na pintura artística que desenvolve a partir de 1920, levando-o por uma experimentação figurativa e a interesses também na representação de marinhas, paisagens e cenas corriqueiras que realizava, naquele momento, por meio da prática de observação direta e sensibilidade na exploração de materiais e técnicas.
Uma transformação na pintura de Volpi irá ocorrer a partir de uma experiência do lugar da luz da pequena cidade. E é nesse momento que a paisagem de Itanhaém se torna uma referência nesse percurso de construção de si mesmo como artista da pintura. Ao frequentar a região, para onde sua esposa havia se mudado por questões de saúde, Volpi encontra uma antiga cidade do litoral paulista, fundada no século XVI, ainda pouco urbanizada e inserida em uma área costeira marcada por rios, praias, morros, vegetação diversa, atividades rurais e artísticas locais de caráter popular.
Mais do que registrar lugares ou situações, Volpi construiu diferentes horizontes da linguagem pictórica. Nessa produção, experimenta tanto a pintura a óleo, na qual explora o brilho, a transparência e a fusão entre os tons, quanto as obras em têmpera, que integram sua produção madura, e nas quais produz uma superfície mais seca e opaca, em que a textura do material se torna também uma característica marcante em seus trabalhos.
É o que se pode perceber em obras aqui apresentadas como Cidade do interior e Bandeirinhas estruturadas com mastro. É na relação com a matéria que se evidencia também um aspecto fundamental de seu olhar para as maneiras de fazer. Trata-se do vestígio do trabalho manual, que permanece na superfície e registra os movimentos da pincelada, a partir dos quais Volpi passou a compor campos de cor, criar contornos irregulares e explorar relações entre equilíbrio, contraste e ritmo. Na preparação artesanal da têmpera que ele mesmo desenvolvia, passou a estabelecer uma relação direta com os processos da matéria da pintura, desenvolvendo, por meio desses procedimentos, uma autonomia cada vez maior na construção de sua própria linguagem.
Assim, casarios, figuras em contraluz, relevos enviesados e frontões triangulares são redimensionados em relações de luz e, depois, em problemas de cor, forma, linha, ritmo e superfície. A curadoria parte, portanto, da intenção de pontuar aspectos desse percurso, entre a experiência do mundo visível e a elaboração da pintura. Mais do que acompanhar uma passagem da representação à abstração, interessa perceber como esses motivos se transformam e adquirem novos sentidos pelo lugar da reimaginação, quando a vivência passa a responder às questões da arte. É nessa dinâmica que o entendemos como o artista da complexidade do simples, de uma elaboração sofisticada a partir de elementos singelos, por meio dos quais se revelam, nas bandeirinhas, as festas populares, e, nas fachadas, a experiência das cidades e dos povoados do interior brasileiro.
Ao reunir obras provenientes de diferentes coleções, a exposição incorpora também trabalhos realizados em variadas técnicas de gravura e impressão. Esse movimento se articula ao interesse cultural da mostra em promover a pesquisa, aproximar acervos e ampliar sua visibilidade, abrindo espaço para novos encontros com a obra de artistas fundamentais para a história da arte brasileira. Em Brasília, esse reencontro com Volpi ganha um sentido particular, tendo em vista que sua obra esteve presente na história da cidade desde os primeiros anos de sua construção, por meio do mural realizado para a Capela Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, apagado em 1962, em um contexto de incompreensão quanto à sua relevância. Mais de quatro décadas depois de sua última exposição individual na cidade, esta mostra propõe uma nova aproximação com seu trabalho, oferecendo ao público, nos diferentes lugares que atravessam sua produção, também os caminhos de construção de seu olhar.
Cinara Barbosa
Curadora
Serviço
Exposição | Alfredo Volpi – Os lugares do olhar
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é a partir deste tempo que Kuenan Mayu, artista Magüta (Tikuna) e Tariana, às margens do rio Ta’tü, aprendeu a pensar o mundo, não como uma narrativa fechada, mas como um ciclo contínuo de nascimento, transformação e encantamento.
Partindo de uma observação demorada sobre as séries “Eware” e “Pu’tchi”, o ritmo poético desta exposição deságua em um terceiro momento, preciosamente no diálogo entre as duas séries e na retroalimentação que nelas ocorre antes mesmo de serem nomeadas. Eware fundamenta a visão de mundo Magüta, ao passo que Pu’tchi dá continuidade ao percurso e abre novas questões. Eware é o lugar aonde se retorna após o encantamento, e carrega em sua cosmovisão a coexistência entre seres vegetais, humanos, não humanos e espirituais.
Se em Eware mergulhamos na origem, na história de Ngutapa e Mapana, dos joelhos que ao explodirem geram dois filhos e de Yo’í que pesca um povo inteiro das águas sagradas do rio, a série Pu’tchi se desloca para outro território: o das subjetividades e das corporalidades nomeadas como “dois espíritos”, para as quais não há palavra equivalente em português, embora, com muita desconfiança em relação à tradução, se possa dizer bicha.
Em Tawemücü Pu’tchi, com trabalhos inéditos apresentados pela primeira vez em Brasília, território de importância para sua formação, Kuenan reúne dezesseis obras em formatos variados, nos quais signos, elementos e perguntas se entrelaçam para pensar relações entre desejo, espírito e uma ancestralidade que não se restringe à espécie humana, mas que atravessa corpos, árvores, peixes e encantados. Seres organizados não pelo regime da separabilidade, mas pela transformação infinita e interespecífica.
Sobre a entrecasca sagrada do Ngõ’e (tururi), com pigmentos como urucum, jenipapo e pacová, a artista aplica a técnica aprendida através da observação de suas anciãs, uma materialidade que é, ela mesma, receptáculo espiritual, e cujas cores se modificam com o tempo, em um processo similar ao corpo em permanente mutação. A lua ocupa lugar inefável na série, assim como orienta a extração do tururi, que deve ser retirado apenas em sua fase cheia. De início apresentada de forma separada, logo depois se unindo ao sol, culminando em uma espécie de eclipse, em correspondência a toda criatura que se permite viver o mistério da transformação. Uma lua bicha, Tawemücü Pu’tchi na língua materna. A junção dos elementos, a intersecção entre o divino e o sexual, em que as imagens de transição são, assim, naturais e espirituais, em uma reconfiguração e estado de passagem, um modo de existir sem fixação, que se move entre tempos e mundos, em constância.
Mandú
Curador
Serviço
Exposição | Kuenan Mayu – Tawemücü Pu’tchi
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
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“Hyundai Translocal Series: Via Satélite – Diálogos com Nam June Paik – Charlotte Moorman e Vivian Caccuri” celebra um dos nomes mais importantes da arte contemporânea mundial na segunda metade
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“Hyundai Translocal Series: Via Satélite – Diálogos com Nam June Paik – Charlotte Moorman e Vivian Caccuri” celebra um dos nomes mais importantes da arte contemporânea mundial na segunda metade do século 20, o sul-coreano Nam June Paik (1932-2006), considerado o pai da videoarte, pioneiro no uso da televisão e do vídeo como meio artístico e figura central na fusão entre arte, tecnologia e comunicação de massa.
A exposição coloca Paik em diálogo com a artista americana Charlotte Moorman (1933-1991), violoncelista e artista performática que colaborou com Paik em diversos trabalhos durante décadas, e a brasileira Vivian Caccuri (1986), consagrada por investigar o som em suas instalações e performances como meio para reorganizar a percepção e tensionar experiências cotidianas.
Esta é a primeira de duas exposições que a Pinacoteca dedicará ao projeto. Em 28 de novembro, abre a segunda mostra na Grande Galeria, também na Pina Contemporânea: “Hyundai Translocal Series: Via Satélite – Diálogos com Nam June Paik – biarritzzz, Christine Sun Kim, Jane Jin Kaisen e Vivian Caccuri”.
OBRAS DESTAQUES
Uma das obras exibidas na Galeria Praça é a famosa TV Cello (1971), uma escultura-vídeo de Nam June Paik concebida para ser tocada por Charlotte Moorman. A obra reúne três televisores de diferentes dimensões, cordas, voluta, cravelhas, fios e circuitos eletrônicos, integrados ao instrumento e protegidos por uma película de acrílico transparente que funciona como uma espécie de pele.
Já Vivian Caccuri cria uma obra inédita para a exposição da Pinacoteca, Medusa e Clepsidra (2026), uma instalação sonora que transforma em matéria e em som o fluxo sanguíneo; uma matéria que, embora faça parte de nossa experiência corporal, permanece inaudível, exceto, segundo a filosofia budista, em estados elevados de meditação.
Serviço
Exposição | Hyundai Translocal Series: Via Satélite – Diálogos com Nam June Paik – Charlotte Moorman e Vivian Caccuri
De 17 de outubro a 14 de março
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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A artista brasileira Rosana Paulino apresenta “Florescer a luz do Sol, sonhar a luz da lua”, sua primeira exposição individual em Paris, na filial francesa da galeria
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A artista brasileira Rosana Paulino apresenta “Florescer a luz do Sol, sonhar a luz da lua”, sua primeira exposição individual em Paris, na filial francesa da galeria Mendes Wood DM. A mostra reúne pinturas e desenhos inéditos da série Senhora das plantas, dando continuidade à pesquisa da artista sobre a representação das mulheres negras, a ancestralidade afro-brasileira e as relações entre corpo, natureza e espiritualidade.
Nas obras, figuras femininas se fundem a árvores, raízes, folhas e flores, criando imagens que questionam representações historicamente associadas às mulheres negras. Ao desenvolver novos arquétipos femininos, Paulino busca ampliar as possibilidades de representação dessas mulheres, frequentemente retratadas pela cultura visual brasileira a partir de estereótipos ligados ao passado colonial.
A exposição destaca plantas presentes nas tradições populares e afro-brasileiras, como o mulungu, a trombeta-de-anjo e a comigo-ninguém-pode, associadas tanto à proteção e à cura quanto ao perigo e à toxicidade. Essa dualidade atravessa as pinturas, nas quais a natureza aparece como espaço de resistência, transformação e sobrevivência.
Outro eixo central da mostra é a relação entre dia e noite. Em pinturas de grande formato, figuras femininas surgem em paisagens iluminadas pelo sol ou envolvidas pela escuridão, evocando mitos de criação, ciclos da vida e forças da natureza. Por meio dessas imagens, apresentadas na Mendes Wood DM Paris, Rosana Paulino propõe novas narrativas sobre a experiência das mulheres negras, relacionando memória histórica, ancestralidade e possibilidades de emancipação.
Serviço
Exposição | Florescer a luz do Sol, sonhar a luz da lua
De 19 de outubro a 19 de dezembro
Terça-feira a sábado, das 11h às 19h
Período
Local
Mendes Wood DM Paris
25 Place des Vosges, Paris, França
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Como parte da programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o MIS recebe a exposição Steps, de Abbas Kiarostami (1940-2016). A mostra reúne fotografias de escadarias, a
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Como parte da programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o MIS recebe a exposição Steps, de Abbas Kiarostami (1940-2016).
A mostra reúne fotografias de escadarias, a maioria delas registradas na Itália, em centros históricos onde os degraus deixam de ser apenas um detalhe arquitetônico e se tornam as próprias ruas: talhados nas encostas, marcados por séculos de passagem e dobrando esquinas em direção à sombra. As imagens, todas em preto e branco, fazem parte de uma das últimas séries fotográficas concluídas por Kiarostami.
Não há ninguém nessas escadas. Assim como as portas e os muros de suas outras séries tardias, elas carregam as marcas de todos os que passaram e aguardam, com enorme paciência, aqueles que ainda virão. Kiarostami tinha especial interesse por esse tipo de imagem: um lugar capaz de contar uma história sem a presença de personagens. O olhar sobe ou desce, e a imaginação acompanha.
Ao longo de sua trajetória, Kiarostami nunca deixou de buscar novas maneiras de apresentar uma obra, seja ao extrair um único verso de um poema clássico para que pudesse ser lido isoladamente, seja ao investigar até onde uma fotografia poderia se transformar.
Nos últimos anos de sua vida, essa curiosidade se voltou para a série Steps. Kiarostami observou que uma exposição fotográfica alcançava um público restrito, em poucas cidades e durante algumas semanas. Um filme, por outro lado, poderia levar aquelas mesmas imagens muito mais longe.
Foi assim que surgiu Take Me Home, filme de dezesseis minutos construído a partir das fotografias das escadarias. A elas, Kiarostami acrescentou um elemento inesperado: uma bola de futebol, deixada cair por uma criança no alto de um lance de degraus, que desce de fotografia em fotografia, de escadaria em escadaria, em uma queda que parece nunca terminar. A bola sintetiza o universo de Kiarostami: um mundo silencioso e aparentemente imóvel que ganha movimento a partir de um pequeno gesto de brincadeira.
A obra foi concluída por seu filho, Ahmad Kiarostami, e estreou no Festival de Veneza, em setembro de 2016. Esta é a primeira vez que a coleção completa e Take Me Home são apresentados juntos, como Kiarostami os imaginou: sessenta fotografias e o filme criado para que essas imagens pudessem continuar em movimento.
Serviço
Exposição | Steps
De 20 de outubro a 08 de novembro
Terças a sextas, das 10h às 19h | Permanência até 1h após o último horário
Sábados, das 10h às 20h | Permanência até 1h após o último horário
Domingos e feriados, das 10h às 18h | Permanência até 1h após o último horário
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
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Há sentimentos que não encontram palavras, experiências difíceis de traduzir e momentos em que o silêncio parece ser a melhor forma de expressão. É desse território íntimo que nasce O
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Há sentimentos que não encontram palavras, experiências difíceis de traduzir e momentos em que o silêncio parece ser a melhor forma de expressão. É desse território íntimo que nasce O que não sei dizer, nova exposição individual de André Mogle, apresentada na Galeria Kovak&Vieira, em São Paulo. Com curadoria de Renata Rocco, a mostra reúne pinturas recentes do artista, marcadas por um olhar introspectivo sobre a vida, as emoções e a busca por equilíbrio.
Esta é a quarta exposição individual de Mogle na galeria e representa um momento particular de sua trajetória. Depois de experiências vividas em diferentes lugares do Brasil e do mundo ao longo do último ano, o artista volta seu olhar para dentro, transformando em pintura um acúmulo de sentimentos, acontecimentos e situações complexas. Mais do que representar emoções, suas obras procuram dar forma àquilo que ainda não pode ser nomeado.
A exposição tem como fio condutor a ideia de solitude – mas não de solidão – espaço onde o artista encontra possibilidades de compreender suas experiências e estabelecer uma relação mais serena com o mundo.
“Mogle reconhece este como um momento de solitude. E essa palavra interessa justamente porque não é sinônimo de solidão. Ao contrário, em solitude há uma escolha: a permanência consigo mesmo, isto é, um estar só que não significa necessariamente ausência, mas presença”, observa a curadora Renata Rocco.
Nas pinturas, o personagem criado por Mogle – sua figura recorrente de rosto esverdeado – atravessa situações que remetem a sentimentos e experiências universais, como nas obras A Balança da Vida, O Palco da Noite, O Peso que Cabe num Fio e Silêncio, nas quais surgem questões relacionadas ao tempo, às escolhas, às fragilidades e à necessidade de encontrar algum equilíbrio diante das incertezas.
A produção recente também inclui trabalhos como Se Precisar Recomece, A Liberdade é Solitária, Não Cheguei Sozinho, Nem Tão Só e A Chuva Passa. São títulos que, por si, sugerem pequenas narrativas sobre a condição humana, os afetos, a passagem do tempo e a possibilidade de recomeçar.
Para Renata Rocco, a força dessas pinturas está justamente na capacidade de comunicar sem necessariamente oferecer explicações. “O personagem criado por Mogle leva mensagens que não precisam ser grandiosas para serem universais, apresentando possibilidades de paz e de algum equilíbrio”, escreve a curadora.
O texto curatorial estabelece ainda um diálogo com a obra de Clarice Lispector, evocando a coragem de enfrentar a própria solidão e encontrar plenitude nessa experiência. A referência literária acompanha a proposta da exposição, que valoriza o silêncio não como vazio, mas como espaço de descoberta.
“Só a arte me sacia”, afirma André Mogle, sintetizando a relação visceral que mantém com a pintura. Para o artista, criar é também uma maneira de lidar com aquilo que não consegue expressar de outra forma, sem a obrigação de encontrar respostas definitivas.
Ao convidar o público a desacelerar e olhar para dentro, O que não sei dizer propõe uma experiência de contemplação e identificação. Em tempos marcados pelo excesso de informações e pela necessidade constante de expressão, a exposição sugere que nem tudo precisa ser explicado – e que a arte pode oferecer um lugar de acolhimento para aquilo que permanece sem palavras.
“Talvez seja isso que estas pinturas nos ofereçam: não respostas, mas lugares onde podemos permanecer em silêncio e plenos por algum tempo”, completa Rocco.
Serviço
Exposição | O que não sei dizer
De 20 de outubro a 16 de novembro
Segunda a sexta, das 12h às 19h; sábados, das 12h às 17h
Período
Local
Galeria Kovak & Vieira
Rua Conêgo Eugênio Leite, 150 – Jardins - São Paulo - SP
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O público de Belo Horizonte terá a oportunidade de conhecer de perto obras de um dos artistas mais influentes da história da arte no mundo. Em comemoração aos 80
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O público de Belo Horizonte terá a oportunidade de conhecer de perto obras de um dos artistas mais influentes da história da arte no mundo. Em comemoração aos 80 anos do Sesc, o Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc em Minas, apresenta a exposição “Picasso, a construção de um gênio”, que reúne 120 obras, entre elas 80 originais de Pablo Picasso, um dos criadores do Cubismo. Parte do acervo é inédita no Brasil e estará disponível para visitação gratuita no Sesc Palladium, de 24 de outubro a 13 de dezembro, de terça a domingo e feriados, das 9h às 20h.
Os ingressos serão disponibilizados a partir de 20 de outubro via Sympla. Os lotes serão liberados semanalmente, sempre às terças-feiras, às 13h, ao longo do período da mostra. A retirada presencial na bilheteria do Sesc Palladium estará condicionada à disponibilidade de vagas. As visitas ocorrerão com entradas a cada 30 minutos, com tolerância de até 15 minutos do horário indicado no ingresso.
Reconhecido por revolucionar a arte do século XX e por criar, ao lado do francês Georges Braque, o Cubismo, movimento que rompeu com as formas tradicionais de representação e abriu caminho para novas experiências visuais, Picasso transformou o modo de representar o mundo e influenciou gerações de artistas em diferentes linguagens, da pintura ao design e da fotografia ao cinema. A exposição propõe uma imersão em seu processo criativo por meio de gravuras, cerâmicas, fotografias e obras de artistas fundamentais em sua trajetória.
A mostra reúne um conjunto de obras que destaca diferentes momentos da carreira do artista espanhol e amplia a compreensão sobre sua produção ao apresentar outros nomes da arte e intelectuais que participaram de seu ambiente criativo. Além das obras de Picasso, o percurso expositivo apresenta trabalhos das artistas Dora Maar e Françoise Gilot, nomes fundamentais para compreender a trajetória do pintor.
Para o presidente do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac, Nadim Donato, a iniciativa reforça Belo Horizonte como um importante destino para a circulação de exposições internacionais e amplia o acesso da população a acervos de relevância mundial. “Celebrar os 80 anos do Sesc em Minas com uma exposição dedicada a Pablo Picasso, um dos artistas mais importantes e influentes da história da arte, reforça nosso compromisso de democratizar o acesso à cultura, especialmente para os trabalhadores e trabalhadoras do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e suas famílias. Trazer gratuitamente para Belo Horizonte um acervo internacional dessa relevância só é possível graças ao investimento dos empresários e empresárias do setor, que acreditam no papel transformador da cultura. É uma oportunidade para que milhares de pessoas tenham contato com obras que marcaram a arte do século XX e seguem inspirando diferentes gerações”, afirma.
Um artista que mudou os rumos da arte
Poucos artistas exerceram impacto tão profundo na cultura ocidental quanto Pablo Picasso. Nascido em Málaga, na Espanha, em 1881, criou obras que transformaram a história da arte moderna e permanecem influenciando a produção contemporânea em diferentes áreas. Em mais de 70 anos de carreira, produziu cerca de 50 mil obras, incluindo pinturas, desenhos, esculturas, gravuras e cerâmicas. Seus retratos fragmentados, as múltiplas perspectivas e a constante experimentação de técnicas e suportes transformaram seu trabalho em uma referência mundial e ajudaram a redefinir os rumos da arte moderna.
Entre suas obras mais conhecidas estão “Guernica” (1937), considerada um dos maiores manifestos artísticos contra a guerra; “Les Demoiselles d’Avignon” (1907), marco fundamental da arte moderna; “A Mulher que Chora” (1937); e “O Velho Guitarrista” (1903), uma das principais obras da Fase Azul. Até hoje, Picasso é um dos artistas mais reconhecidos do mundo, com obras presentes nos principais museus e entre as mais valiosas da história da arte.
Obras inéditas e percursos criativos
O percurso da exposição apresenta diferentes momentos da carreira do artista. Entre os destaques está “Le Repas Frugal” (1904), considerada sua primeira grande gravura e uma das mais importantes do século XX. Criada quando tinha apenas 22 anos, durante um período de dificuldades financeiras em Paris, a obra revela aspectos da fase inicial de sua trajetória.
A mostra segue com a série completa “Suite des Saltimbanques”, inspirada no universo dos artistas circenses com quem Picasso se identificava no início da carreira; a coleção “Tauromaquia”, produzida entre 1957 e 1959 e dedicada às tradicionais touradas espanholas; e as gravuras relacionadas a “Le Chef-d’œuvre inconnu” (A Obra-Prima Ignorada), inspiradas no conto de Honoré de Balzac sobre criação artística e a busca pela perfeição.
O público também terá acesso a uma faceta menos conhecida de sua produção por meio de 12 cerâmicas produzidas entre 1948 e 1959, no ateliê Madoura, em Vallauris, na França. Nesse período, o artista expandiu sua linguagem para objetos do cotidiano, explorando novas possibilidades de forma, volume e cor.
As fotografias de Robert Capa, um dos maiores fotojornalistas do século XX, completam o trajeto ao apresentar registros da vida de Picasso na França e aproximar o público da dimensão humana do atrista.
O olhar se desloca do mito
Mais do que apresentar um dos principais nomes da arte moderna, a exposição lança luz sobre o ambiente humano e artístico que cercou sua produção. A curadoria busca compreender o artista a partir das relações criativas, intelectuais e afetivas que marcaram sua trajetória.
“O aspecto mais inovador do projeto é apresentar Picasso não de forma isolada, mas em diálogo com a rede humana e artística que marcou sua vida. Françoise Gilot e Dora Maar ocupam um lugar central nesse percurso, não como personagens secundárias, mas como artistas e intelectuais com obra própria. A exposição oferece ao público uma imagem mais ampla e complexa de Picasso ao revelar o ambiente criativo que o cercava”, afirma o curador da exposição, Luca Baroni.
Essa proposta se materializa na presença de 31 obras de Dora Maar e Françoise Gilot, artistas importantes para compreender o universo criativo do pintor espanhol.
Já Françoise Gilot aparece com 16 litografias da série “Pages d’Amour” (1951). Pintora e escritora francesa reconhecida internacionalmente, ela construiu uma trajetória artística independente e contribuiu para ampliar a compreensão sobre as relações entre criação artística, contexto histórico e produção feminina na arte do século XX.
Ao reunir trabalhos dessas artistas ao lado da produção de Picasso, a exposição amplia a compreensão sobre sua obra e sublinha como seu universo criativo foi construído por diálogos, influências e diferentes perspectivas.
Diversidade e acessibilidade
A diversidade de linguagens é um dos elementos centrais da exposição. Ao reunir gravuras, fotografias, cerâmicas e obras produzidas em diferentes técnicas, a mostra apresenta Picasso como um artista que explorou múltiplas formas de expressão ao longo da carreira.
Pensada para receber públicos diversos, a exposição reúne textos em linguagem acessível, recursos digitais, materiais educativos e ferramentas de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Também serão oferecidas visitas mediadas para estudantes de escolas públicas e privadas, mediante agendamento.
Ao final do percurso, uma instalação interativa permitirá que os visitantes produzam registros fotográficos inspirados no universo da exposição.
O acervo apresentado reúne obras provenientes de duas coleções privadas italianas administradas pela The Art Company. Parte das peças está depositada no MARV – Museo d’Arte Rubini Vesin, localizado na cidade de Gradara, na Itália.
Serviço
Exposição | Picasso, a construção de um gênio
De 24 de outubro a 13 de dezembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Sesc Palladium
Av. Augusto de Lima, 420 - Centro, Belo Horizonte - MG
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Em Quintal, Rosana Palazyan compartilha simbolicamente a mangueira que considera sua confidente de infância, recriando-a em uma instalação que incorpora sonhos e ensinamentos de pessoas com quem conversou durante a
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Em Quintal, Rosana Palazyan compartilha simbolicamente a mangueira que considera sua confidente de infância, recriando-a em uma instalação que incorpora sonhos e ensinamentos de pessoas com quem conversou durante a preparação da mostra. A árvore, de aproximadamente 60 anos, acompanhou a infância e a adolescência da artista no bairro da Abolição, subúrbio do Rio de Janeiro, e ganha nova forma na exposição individual na Galeria Anita Schwartz, na Gávea, com curadoria de Ulisses Carrilho. A instalação reúne tecidos translúcidos, bordados, botões antigos, caroços de manga e uma máquina de costura que pertenceu ao avô da artista.
De ascendência armênia, Rosana utiliza, desde o final dos anos 1980, fios, tecidos e objetos cotidianos para tratar de experiências de violência, exclusão e perda. Em 2015, integrou o Pavilhão da Armênia na 56ª Bienal de Veneza, vencedor do Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional. Em Quintal, a artista se volta para a história familiar e aborda questões relacionadas ao tempo, à maturidade, aos sonhos e aos ensinamentos que atravessam diferentes momentos da vida.
A exposição nasceu do retorno de Rosana, em 2020, à casa onde cresceu, para fazer companhia à mãe, Rebeca, hoje com 95 anos. A convivência e o reencontro com a história familiar deram origem a trabalhos que também incorporam sonhos e ensinamentos recolhidos em conversas com pessoas de diferentes idades. “Costumo dizer que conto histórias particulares que chegam no coletivo. E histórias coletivas que chegam muito perto no particular”, afirma Rosana, que há décadas desenvolve trabalhos a partir de relatos pessoais.
O quintal da Abolição já aparecia na obra de Rosana muito antes desta exposição. As estrelas cadentes que observava na infância inspiraram trabalhos sobre os sonhos de adolescentes em conflito com a lei. As sombras projetadas nas paredes, as formigas e as borboletas também estiveram presentes em diferentes momentos de sua produção. Em Quintal, a artista retoma essas referências e apresenta o lugar onde surgiram muitas das imagens que marcaram sua trajetória.
A árvore dos sonhos
A instalação central reúne três séries: Botões/sonhos, Visitantes da mangueira e Sementes/ensinamentos. Na primeira, Rosana incorpora aos bordados uma coleção de botões que pertenceu ao avô, alfaiate, e foi ampliada pela avó e pela mãe. Os objetos remetem aos botões das flores da mangueira, que antecedem o surgimento dos frutos, e acompanham sonhos relatados por pessoas com quem a artista conversou durante a preparação da mostra. “Eu queria que viesse o sonho dali, daqueles botões que ainda não eram frutos. Ainda iam acontecer”, explica Rosana.
O interesse pelos sonhos acompanha a artista desde 1998, quando começou a ouvir crianças em situação de rua. A pesquisa se estendeu a adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e a pessoas em situação de rua, cujos relatos inspiraram trabalhos apresentados na Bienal de São Paulo, em 2004. Em Quintal, Rosana amplia essa escuta para pessoas de seu círculo de relações e para familiares de amigos que não conhecia previamente. Entre as conversas, estão relatos de uma mãe e de uma avó, que revelaram desejos, lembranças e ensinamentos até então desconhecidos por suas famílias.
Em Visitantes da mangueira, pássaros e um morcego ganham forma em bordados realizados à mão com uma antiga máquina de costura da família. Apesar de trabalhar com bordado desde 1989, Rosana nunca havia costurado à máquina. Para criar as obras, conduziu manualmente os tecidos, sobrepondo linhas de diferentes cores e combinando as duas técnicas.
Na terceira série, Sementes/ensinamentos, caroços de manga recebem tiras de organza com frases recolhidas nas conversas. As palavras são escritas com sumo de romã e lápis aquarela. Fruto associado à vida e à prosperidade na cultura armênia, a romã estabelece uma ligação entre a ancestralidade da artista e a mangueira de sua infância: “Eu misturei a romã com a manga”, resume.
Memórias de família e passagem do tempo
Além da instalação central, a exposição apresenta trabalhos relacionados a diferentes períodos da história familiar e a acontecimentos recentes. Um deles, Casa, reúne desenho e bordado em uma criação compartilhada por Rosana e sua mãe, Rebeca. Em Proteção, elementos vegetais compõem um díptico que prolonga a presença da natureza na exposição.
Em Visita do dia, Rosana recupera registros feitos durante a pandemia, quando passou a fotografar e desenhar pássaros e insetos que apareciam no quintal, relacionando essas observações às notícias publicadas no mesmo período.
Em outro díptico, a artista utiliza tecidos bordados pela avó para tratar do genocídio armênio de 1915 e de episódios recentes de violência, como o deslocamento forçado de armênios de Nagorno-Karabakh, em 2023, e a guerra em Gaza, acontecimentos que Rosana acompanhou desde seu retorno à casa da infância.
Para Ulisses Carrilho, o quintal representa um espaço de passagem entre a intimidade doméstica e o mundo exterior. “O quintal não é exatamente a casa, embora pertença a ela; não é exatamente a rua, embora se abra para o mundo”, escreve o curador, que identifica na mangueira uma representação de território construída a partir de histórias, afetos, deslocamentos e perdas.
O bordado como linguagem
Rosana Palazyan começou a trabalhar com bordado no final dos anos 1980, quando estudava na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Naquele período, o contato com a obra de Arthur Bispo do Rosário foi decisivo para que ampliasse sua pesquisa, até então concentrada na pintura.
A avó de Rosana ensinou bordado em um campo de refugiados na Grécia. A artista não chegou a aprender a técnica com ela mas, durante a infância e a adolescência, observava-a diariamente. Esse contato fez com que o gesto estivesse presente e Rosana começou a bordar após a morte da avó, em um período também marcado pelo contato com a obra de Bispo do Rosário.
De acordo com o curador, a delicadeza dos materiais é uma escolha fundamental na obra de Palazyan, que utiliza fios, tecidos e pequenos objetos para abordar questões de grande dimensão histórica e social. “Em vez de aumentar o volume da história, ela diminui sua escala até que possamos escutá-la. A Grande História passa pelo fio. O trauma passa pelo tecido. A violência passa por uma palavra”, escreve Carrilho.
O tempo é uma questão central em Quintal: o tempo dos materiais, dos objetos, da casa, da mãe, da natureza e da vida. A maturidade também ocupa um lugar fundamental na exposição, que aborda os sonhos e os ensinamentos diante das transformações que atravessam as diferentes fases da existência. “Nessa exposição, eu queria tratar da questão do envelhecimento como um tabu. E qual o lugar do sonho diante de universos e realidades em que se imagina que eles possam não existir”, indaga Rosana. Os ensinamentos recolhidos nas conversas também integram essa reflexão, trazendo à tona desejos e perspectivas que nem sempre são reconhecidos nos diferentes contextos sociais.
Na Galeria Anita Schwartz, na Zona Sul do Rio, a mangueira do subúrbio reaparece feita de fios, tecidos e vestígios de outras épocas. Entre os objetos, as memórias e as histórias recolhidas pela artista, Quintal reúne diferentes gerações em torno de uma árvore que continua a produzir sentidos, mesmo longe de suas raízes.
Serviço
Exposição | Quintal
De 28 de outubro a 28 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 12h às 18h.
Período
Local
Anita Schwartz Galeria de Arte
Rua José Roberto Macedo Soares, 30, Gávea, 22470-100, Rio de Janeiro - RJ
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O Museu da Imagem e do Som (MIS) inaugura a exposição Caleidoscópio Xapiri Yanomami do jornalista, fotógrafo e escritor Leão Serva. Com curadoria de Ricardo Corrêa, a mostra ocupa
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O Museu da Imagem e do Som (MIS) inaugura a exposição Caleidoscópio Xapiri Yanomami do jornalista, fotógrafo e escritor Leão Serva. Com curadoria de Ricardo Corrêa, a mostra ocupa a sala Maureen Bisilliat e reúne cerca de trinta fotografias realizadas na comunidade de Xihopi, na região do rio Demini, durante as comemorações dos trinta anos da homologação da Terra Indígena Yanomami, em 2022.
Na ocasião, trinta xamãs participaram de uma pajelança para celebrar as três décadas da homologação do território. Serva acompanhou o ritual e registrou os gestos, as danças e os movimentos com que os xamãs expressam suas experiências com os xapiri, espíritos ancestrais que, na cosmologia Yanomami, contribuem para sustentar o céu e manter o equilíbrio do mundo.
Os registros, feitos com um celular, combinam longas exposições e sobreposições, criando imagens em que os corpos se fragmentam e os movimentos se desdobram. Sem uso de inteligência artificial ou Photoshop, o trabalho procura dar forma visual à dimensão extraordinária da coreografia dos xamãs, em uma aproximação fotográfica de uma experiência que ultrapassa o que a câmera pode documentar.
No texto curatorial, intitulado Fragmentado, Ricardo Corrêa conta que o aspecto incomum das imagens provocou em algumas pessoas a dúvida sobre se os arquivos haviam sido corrompidos durante o envio. Para o curador, porém, é justamente o encontro entre a técnica e o ritual que dá força ao trabalho: “A técnica ‘imperfeita’, sem controle exato do resultado, se encontra com um fenômeno Yanomami, quase inatingível para a compreensão limitada pelo senso comum”.
Serviço
Exposição | Caleidoscópio Xapiri Yanomami
De 28 de outubro a 06 de dezembro
Terças a sextas, das 10h às 19h | Permanência até 1h após o último horário
Sábados, das 10h às 20h | Permanência até 1h após o último horário
Domingos e feriados, das 10h às 18h | Permanência até 1h após o último horário
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
Destaques
Jogar e Construir
Apocalipse, flashes de um retorno
O teatro detrás das grades
Carolina Ruas e os novos caminhos da cultura no Espírito Santo
Um século de rupturas e reinvenção
“Eu vivo desenhando mentalmente, vivo desenhando e imaginando”
























