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REVISTA Edição digital #76
Bonaventure
Apocalipse, flashes de um retorno
Sujeitos que encontraram um modo próprio de dizer
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da cidade e do estado do Paraná, dentre eles o Museu Oscar Niemeyer, o maior museu de arte da América Latina.
Vivemos um momento de transformação, em que as fronteiras entre o humano e suas tecnologias, o natural e o artificial, tornam-se cada vez mais fluidas. Diante desse cenário, a edição deste ano apresenta o título LIMIARES, propondo um espaço de passagem e reflexão sobre as mudanças que atravessam o presente e apontam para novos modos de existir e de criar. A edição será conduzida pelas curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, bem como por uma equipe multicultural de curadores convidados.
O conceito curatorial entende este momento limiar em que vivemos também como um espaço fértil no qual a arte atua como mediadora entre mundos. Habitar essa fronteira e criar a partir da incerteza orientam uma proposta que se assume como um espaço de troca entre diferentes áreas do conhecimento e culturas. Para as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, “mais do que um conceito, LIMIARES é uma atitude curatorial: habitar a fronteira, permanecer no entre, criar a partir da incerteza, gerando novos caminhos”.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba promove o diálogo entre artistas, pesquisadores, cientistas e estudantes, convidando o público a refletir sobre como estar presente em um mundo em fluxo acelerado e a imaginar novas formas de coexistência. Acesse o statement curatorial aqui.
Marcando o aguardado retorno ao formato presencial após a edição totalmente online de 2021, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba apresentará exposições de grandes artistas de diferentes origens e que atuam em múltiplos suportes, do material ao virtual. É um retorno necessário ao circuito mundial da arte, que reforça o posicionamento da América Latina como uma potência cultural. Na sua última edição presencial, em 2019, a Bienal Internacional de Curitiba atraiu mais de um milhão de visitantes.
Serviço
Exposição | 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba
De 14 de junho a 15 de novembro
Locais
Museu Oscar Niemeyer, Museu Paranaense, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu da Imagem e do Som, Museu Alfredo Andersen, Museu da Fotografia, Museu da Gravura/Memorial de Curitiba, Museu Municipal de Arte, terminais de ônibus e outros espaços de Curitiba.
Período
Local
16ª Bienal Internacional de Curitiba - Sede Principal
Rua Marechal Hermes, 999 — Centro Cívico, Curitiba - PR
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Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades
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Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades a construir coletivamente uma pintura em constante transformação.
Criado em 2021, o projeto “Uma Obra” investiga diferentes formas de aproximação entre público e arte, explorando as múltiplas interpretações, conexões e experiências que podem surgir a partir de uma única obra de arte. Em suas duas primeiras edições, apresentou trabalhos do acervo da Pinacoteca. Agora, pela primeira vez, o projeto dá origem a uma obra inédita, concebida especialmente para essa mostra. Desenvolvido pela Área de Ação Educativa em parceria com a Área de Pesquisa e Curadoria da Pinacoteca, o projeto evidencia um modelo de trabalho cada vez mais presente na instituição, que aproxima processos educativos e curatoriais desde a concepção das exposições.
A nova edição surge em diálogo com “Para Crianças: experiências com arte desde 1968”, em cartaz na Pina Contemporânea de maio até 18 de outubro de 2026, e integra um movimento mais amplo da instituição de aprofundar suas ações voltadas à infância. A proposta parte da percepção de que crianças pequenas ainda encontram diferentes barreiras de acesso aos espaços museológicos e busca criar experiências que dialoguem com suas formas de descobrir, explorar e se relacionar com o mundo.
Para desenvolver o projeto, o museu convidou Gui Teixeira, artista que investiga as relações entre arte e pedagogia, brincadeira, participação e criação coletiva. Em sua produção, o público é frequentemente convidado a construir, reorganizar e transformar elementos da própria obra, tornando-se parte ativa da experiência artística.
O resultado desse encontro é “Pintura sem fim”. Na instalação, uma grande parede revestida por carpete recebe centenas de peças de feltro colorido que podem ser livremente manipuladas pelos visitantes. Ao combinar formas, cores e tamanhos diversos, o público cria figuras, paisagens, personagens, composições abstratas ou aquilo que sua imaginação permitir.
Como sugere o próprio título, a obra nunca alcança uma forma definitiva. Cada nova intervenção transforma aquilo que foi construído anteriormente, fazendo do trabalho um processo contínuo de invenção compartilhada. Mais do que observar uma obra pronta, os visitantes são convidados a participar de sua construção.
Embora pensada a partir das experiências da primeira infância, a instalação foi concebida para acolher públicos de diferentes idades e incentivar encontros entre crianças, jovens e adultos.
“Uma Obra: Pintura sem fim” é correalizada pelo Instituto Tecendo Infâncias.
Serviço
Exposição | Uma Obra: Pintura sem fim
De 4 de julho a 31 de janeiro de 2028
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a habitam. A afirmação sintetiza aspectos centrais de sua produção, marcada pela observação da natureza, do corpo e dos ciclos da vida, em diálogo com materiais naturais e referências da paisagem mineira. Esse universo poderá ser visto nessa mostra que o Itaú Cultural (IC) apresenta em três andares do espaço expositivo.
Com curadoria de Franklin Espath Pedroso, a exposição reúne cerca de 150 desenhos inéditos, 10 filmes experimentais e uma instalação derivada de Campos peregrinos, trabalho apresentado por ela em Glasgow, na Escócia, em 2025. É a primeira vez que a artista reúne sua produção audiovisual em uma exposição. A concepção, realização e projeto de acessibilidade são da equipe do Itaú Cultural. O curador também assina o projeto expográfico ao lado de Leila Scaf Rodrigues.
Solange nasceu em Ferros (MG), em 1961, e desenvolve há mais de quatro décadas uma obra que articula desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo. Ela é reconhecida por pesquisas que incorporam materiais naturais e procedimentos ligados à observação da paisagem e dos processos de transformação da matéria.
Nos últimos anos, o seu trabalho tem alcançado ampla presença internacional. Atualmente, Solange se prepara para participar da Bienal de Toronto, no Canadá, em setembro. Ainda monta uma exposição individual, que abrirá em outubro na Fundación Botín, na Espanha. A artista também foi convidada pela Fondation Cartier, na França, para realizar uma grande mostra de sua obra em 2027. No Brasil, ao reunir obras inéditas, trabalhos recentes e uma seleção significativa de filmes, a exposição no IC oferece um panorama de aspectos centrais de sua produção e de seu percurso artístico.
A Exposição
Um dos destaques de Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação ocupa quase todo o primeiro andar do espaço expositivo do Itaú Cultural. Trata-se da instalação Campos peregrinos, um desdobramento da obra criada para o centro de arte contemporânea Tramway, em Glasgow – um espaço instalado em um antigo depósito de bondes, que se tornou referência cultural europeia, oferecendo exposições visuais e apresentações de dança e teatro.
A versão apresentada no Itaú Cultural reúne peças em bronze e cerâmica a materiais como capim-membeca, paina, camomila, macela, folhas secas, algodão, folhas e fubá, elementos recorrentes na investigação desenvolvida por Solange a partir de referências dos cerrados e das matas brasileiras. A obra propõe uma experiência sensorial que ultrapassa o olhar, envolvendo cheiros, texturas, dimensões e sons emanados pelos materiais que compõem a instalação.
Neste mesmo piso, é apresentado o seu novo filme, Desjardim, realizado especialmente para a mostra. Parceria de Solange com o cineasta João Vargas Penna e com o músico Livio Tragtenberg, a produção cria conexões sensíveis em obras, com melhores condições técnicas e de produção.
Em contraste com as instalações e os desenhos de grandes dimensões realizados pela artista nos últimos anos, o piso -1 do Itaú Cultural apresenta trabalhos que evidenciam uma dimensão mais íntima de sua obra ao reunir aproximadamente 150 desenhos inéditos feitos em escalas menores. Realizados desde os anos 1990 até a atualidade, eles revelam animais, vegetação, corpos, paisagens e seres imaginários em trabalhos produzidos com materiais diversos, como pigmentos, carvão, óleo, jenipapo, argila, urucum, Merthiolate e gordura.
Ao longo do tempo, esses materiais passaram por seus próprios processos de transformação, incorporando à obra questões centrais para a pesquisa da autora: a matéria, a passagem do tempo e os ciclos da natureza. Entre o animal, o vegetal e o mineral, os desenhos apresentam formas híbridas e paisagens em permanente mutação, sintetizando temas que atravessam mais de quatro décadas de produção.
Por sua vez, o piso -2 apresenta uma cronologia da vida e obra da artista e tem como destaque uma seleção de 9 filmes experimentais produzidos ao longo de sua trajetória, reunidos pela primeira vez em uma mostra dedicada a ela. Embora menos conhecidos do público do que suas esculturas, desenhos e instalações, os trabalhos evidenciam uma investigação constante da imagem em movimento como extensão de sua pesquisa artística.
As obras acompanham processos de transformação da matéria e a ação do tempo sobre elementos como minerais, metais, água e fogo. Corpos, paisagens naturais, jardins, cavernas, espaços domésticos e sítios históricos aparecem com frequência, não apenas como cenários, mas como agentes que participam da construção das imagens. Em alguns trabalhos, registros de ações e performances também destacam a dimensão corporal presente em sua produção.
Serviço
Exposição | Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação
De 4 de agosto a 1º de novembro
Terça a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá uma exposição à altura de sua trajetória: ‘O Brasil de Tarsila’ inaugura, em agosto, um novo espaço expositivo em São Paulo, o Nubank Arte Lab, o maior e mais moderno local de exposições e experiências imersivas do Brasil, com uma estrutura altamente tecnológica, sensorial e interativa.
Localizado no Conjunto Nacional, o empreendimento foi concebido pela Aventura — sob a liderança dos co-CEOs Aniela Jordan, Luiz Calainho e Giulia Jordan — e pela Deeplab Project, de Felipe Reif, com o Nubank, que assume o naming rights do espaço, com inauguração prevista para 15 de agosto.
Já ‘O Brasil de Tarsila‘ é apresentado pelo Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio master da EMS, apoio da Alelo, IRB(Re) e BNY. O projeto é uma realização da Tarsila S.A., liderada por Paola do Amaral Montenegro, e a Live Idea, de João Giani, em coprodução com a Deeplab e a Aventura.
Sobre a exposição
Ao longo de mais de dez salas, o universo visual de Tarsila será revisitado por meio de projeções monumentais de 360 graus, cenografia imersiva, trilha sonora e dispositivos interativos com direito a efeitos especiais e até aromas que vão guiar o visitante em uma jornada sensorial de grande escala por cerca de 40 obras da artista, entre pinturas icônicas, desenhos, esboços e ilustrações.
Mais do que contemplar suas obras, o público será convidado a interagir, explorar e mergulhar em ambientes que revelam suas referências, sua trajetória e o contexto artístico que marcou sua produção.
A proposta dialoga com uma linguagem contemporânea já consagrada internacionalmente por exposições imersivas dedicadas a artistas como Monet e Van Gogh, que transformaram a interação entre o público e as artes visuais. Agora, é a vez de uma artista brasileira ocupar esse espaço.
Todo o conteúdo audiovisual da mostra foi desenvolvido por artistas visuais e não por inteligência artificial, garantindo consistência estética e respeito às obras originais. A proposta é utilizar a tecnologia como meio de ampliação da experiência artística, e não como substituição da criação.
‘O Brasil de Tarsila’ busca aproximar novos públicos da arte e formar futuros visitantes de museus e apreciadores das artes visuais. A exposição foi concebida para receber famílias, despertar a curiosidade de crianças e jovens e abrir portas para pessoas que talvez nunca tenham tido contato direto com a obra de Tarsila.
A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro e Juliana Miraldi. Paola, gestora da Tarsila do Amaral S.A., atuou diretamente na construção dos enquadramentos narrativos da exposição, assegurando fidelidade à trajetória e ao legado da artista. Já Juliana Miraldi, pesquisadora e curadora de exposições imersivas, estrutura a dimensão conceitual da mostra ao integrar pesquisa acadêmica em artes visuais com as linguagens contemporâneas da arte digital.
A mostra reunirá releituras imersivas de trabalhos emblemáticos como Abaporu, Antropofagia, A Cuca, Operários e O Sono, além de outras obras importantes como São Paulo, Religiões Brasileiras, Figura só e Autorretrato (Le Manteau Rouge). Também integram o percurso desenhos e registros de viagens realizados pela artista, revelando paisagens e referências que marcaram profundamente sua produção.
‘O Brasil de Tarsila’ realizará um grande mergulho no imaginário da artista, recheado por cores vibrantes, paisagens e personagens brasileiros, convidando o público a atravessar suas formas dentro de uma experiência sensorial que conecta Arte e Tecnologia.
Serviço
Exposição | O Brasil de Tarsila
De 15 de agosto a 15 de fevereiro
Quarta a segunda e feriados, das 10h às 22h
Ingressos
De sexta a domingo e feriados – Inteira: R$ 100,00 | Meia-entrada: R$ 50,00
Segundas, quarta e quintas – Inteira: R$ 80,00 | Meia-entrada: R$ 40,00
Período
Local
Nubank Arte Lab
Conjunto Nacional, Avenida Paulista 2.073 – São Paulo, SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a exposição reúne 187 trabalhos de 148 artistas provenientes de 20 países. A mostra analisa como colonização, migração, movimentos de resistência e projetos de nação contribuíram para a criação de diferentes narrativas sobre a América Latina.
Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, obras do período pré-colonial ao contemporâneo dialogam a partir de problemas compartilhados, como a colonização, o extrativismo, os projetos de progresso, as formas de organização coletiva, as migrações, as diásporas e as aspirações de futuro. Pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, instalações, têxteis e vídeos revelam o uso de imaginários e símbolos para inventar, governar e disputar a região ao longo do tempo.
“A América Latina está interligada por múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense. Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas e ritmos complexos que respondem a muitos intercâmbios. A região é uma zona de conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, diz Amanda Carneiro.
A exposição está organizada em cinco núcleos: O mundo ao revés, Retórica do progresso, Sociedades americanas, Estamos em salsa e A queda do céu.
O mundo ao revés parte do conceito andino pachakuti, que nomeia uma inversão radical da ordem do mundo. Para inúmeros povos indígenas, a invasão europeia das Américas produziu uma ruptura dessa natureza, alterando relações com o território, o tempo e o conhecimento. O conjunto de obras reflete como a colonização inventou um mito de paraíso tropical repleto de riquezas naturais que estaria à disposição para ser explorado pela Europa, e a versão latino-americana do Barroco.
Já Retórica do progresso examina como projetos de urbanização e industrialização moldaram uma narrativa latino-americana do século 20, revelando promessas e contradições. A cidade, a fábrica, a rodovia, a arquitetura e o planejamento urbano despontam como uma vitrine de uma modernidade anunciada, mas também como instrumentos de controle, desigualdade e devastação ambiental. A expografia permite que uma das janelas do Edifício Pietro Maria Bardi revele a vista da Avenida Paulista, estabelecendo um diálogo entre a capital paulista e a exposição. Nesse núcleo, a obra comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da artista mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa parte do piso do espaço expositivo. A instalação reproduz em grande escala um dos primeiros mapas europeus feitos de Tenochtitlan — então capital do Império Asteca e atual Cidade do México. Deball evidencia como a cartografia colaborou para classificar, administrar e dominar o território indígena. A mostra apresenta ainda outras obras comissionadas de JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado.
Em Sociedades americanas, a exposição olha para formas de organização comunitárias, como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares, que pensam a construção de alternativas concretas às promessas não cumpridas do desenvolvimento.
Estamos em salsa faz referência à canção homônima lançada em 1978 pelo músico nova-iorquino de origem porto-riquenha Wayne Gorbea. Formada por matrizes afro-caribenhas, o estilo musical surge do encontro entre migrantes, gravadoras, bailes e comunidades latinas, consolidando-se em Nova York. Obras como Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, abordam as relações entre dependência econômica e repertório cultural por meio de produtos como Coca-Cola, petróleo, banana, dendê, milho e taco. Meireles grava mensagens políticas sobre garrafas retornáveis e as devolve às prateleiras, infiltrando sua crítica na logística do varejo. Caro, por sua vez, subverte a logomarca do refrigerante, forçando a identidade de seu país a se moldar aos signos de uma mercadoria global.
O último núcleo, A queda do céu, é nomeado em referência ao livro escrito por Davi Kopenawa e Bruce Albert. No livro, publicado em 2010, os autores revelam como a destruição da floresta amazônica pela invasão garimpeira desencadeia uma catástrofe que ultrapassa a noção de crise ambiental e nomeia o colapso concreto das relações que mantêm a vida de pé. O núcleo articula o sonho e o mito, compreendidos como formas de conhecimento alternativas às utopias de progresso. A coexistência e a sobreposição de territórios e linhas do tempo também orientaram a expografia da mostra. O público pode seguir a sequência proposta para percorrer a exposição ou pode estabelecer seus próprios caminhos, criando associações e leituras diversas. A pintura Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio Oiticica, foi uma referência para painéis, blocos de cores e cortes diagonais que evitam uma separação rígida entre as seções, favorecendo a continuidade e o diálogo entre diferentes trabalhos.
Histórias latino-americanas é o tema do ciclo curatorial de 2026. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.
A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).
Acessibilidade
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail [email protected], além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
Catálogo
Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial e textos de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro e Julieta González.
Loja MASP
Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.
Realização
Histórias latino-americanas é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio master de Nubank e patrocínio Vivo.
Serviço
Exposição | Histórias latino-americanas
De 4 de setembro até 31 de janeiro
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Período
Local
Edifício Pietro Maria Bardi - MASP
Av. Paulista, 1500 - Bela Vista, São Paulo - SP
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Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções
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Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções e às histórias do Brasil. Localizado na Praça da República, no centro da capital paulista, próximo a outros negócios de Olivier, o Arquivo Anquier chega para ampliar esse território de encontros e despertar novas sensações. Pensado como um espaço vivo, aberto a exposições, experiências e atividades culturais, o projeto pretende também contribuir para o movimento de redescoberta do Centro de São Paulo, convidando paulistanos e visitantes a olhar novamente para a região, caminhar por suas ruas e reencontrar o coração da cidade.
“Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil” será a exposição inaugural do espaço, marcada para 16 de setembro, a partir das 12h. Com 55 fotografias autorais, ela convida o público a percorrer diferentes paisagens, personagens, cotidianos e tradições brasileiras registradas pelo olhar sensível de Olivier. Faz parte do primeiro arquivo real a sair do gigantesco baú imaginário do “Diário do Olivier”, programa criado e apresentado por ele em 1998, pelo canal GNT, e que percorreu o território brasileiro durante 20 anos em busca da essência do país e de seu povo. Olivier atravessou estradas, cidades, vilarejos e lugares pouco conhecidos de um Brasil que escolheu descobrir de perto, levando milhões de telespectadores junto com ele – muitas vezes a bordo de seu inseparável Fusca verde. Mais do que revisitar uma trajetória, o Arquivo Anquier nasce do desejo de abrir essas histórias ao público: imagens, objetos, personagens, encontros, descobertas e memórias guardadas ao longo de décadas e que agora ganham novas leituras.
O Primeiro Arquivo: “Diário do Olivier”
O primeiro arquivo, dedicado ao “Diário do Olivier”, revela uma faceta de Olivier Anquier que, apesar de acompanhá-lo desde a infância, permaneceu discretamente escondida do grande público: a de fotógrafo. A fotografia, no entanto, não surgiu com o programa. Ela acompanha Olivier desde a primeira infância, inicialmente através do olhar e das câmeras de seu pai, o médico François Anquier, e permaneceu presente ao longo de toda a sua vida de maneira íntima, quase tímida, raramente exposta como parte de sua trajetória pública. Agora, pela primeira vez, esse olhar deixa o arquivo pessoal e ocupa as paredes de uma exposição.
O projeto acontece também após Olivier receber sua primeira chancela como fotógrafo, ao ser convidado para ocupar integralmente a edição nº 46 da revista C, publicação da Galeria Carcará, dedicada à fotografia autoral brasileira.
“Essa é a primeira vez que abro meu baú de memórias, experiências e fotografias para o público. Sinto que chegou o momento de compartilhar em detalhes histórias que vivi nesses 20 anos de Diário do Olivier e lugares fascinantes que conheci pelo Brasil. Quero que todos tenham orgulho do nosso país; o país que me deu tudo e ao qual sou muito grato.”, afirma Olivier Anquier.
Um Arquivo que continua circulando
Após o encerramento de “Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil”, as fotografias e os objetos apresentados na exposição serão leiloados em formatos presencial e virtual. A iniciativa amplia o alcance do projeto para além do espaço expositivo e oferece ao público a possibilidade de adquirir peças que fizeram parte dessa história. O lendário Fusca verde também terá um destino especial: parte da renda obtida com sua venda será revertida à organização religiosa Missão Belém, ligada ao Centro de São Paulo e que atende e acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade.
Serviço
Exposição | Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil
De 16 de setembro e 06 de dezembro
Quarta a sexta-feira, das 12h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 21h.
Período
Local
Arquivo Anquier
Praça da República, 36 - Loja 1, República, São Paulo - SP
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“Nós, Jovens” reúne reproduções de vinte obras criadas por adolescentes que cumprem medida socioeducativa em São Paulo e por jovens em uma instituição de custódia em West Yorkshire, na Inglaterra,
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“Nós, Jovens” reúne reproduções de vinte obras criadas por adolescentes que cumprem medida socioeducativa em São Paulo e por jovens em uma instituição de custódia em West Yorkshire, na Inglaterra, durante oficinas de experimentação plástica realizadas entre abril e julho de 2026.
Ao todo, foram doze oficinas realizadas simultaneamente em dois países: no Brasil, na Fundação CASA Juquiá, no bairro do Brás, e na Inglaterra, na HM Young Offender Institution Wetherby. Cada instituição contou com a participação de dez a vinte e cinco adolescentes. O ponto de partida foram as músicas favoritas dos jovens, que serviram de inspiração para a criação de imagens autorais com serigrafia, colagem e outras técnicas gráficas.
Os depoimentos que acompanham as imagens da exposição foram escritos pelos próprios artistas e acrescentam novas camadas de sentido aos trabalhos.
Serviço
Exposição | Nós, Jovens
De 7 de outubro a 1 de junho
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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A Casa Yara DW, em Pinheiros, apresenta, de 10 de outubro a 21 de novembro de 2026, Amigo do Sol, Amante da Lua, exposição individual do artista paulistano Thiago Nevs
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A Casa Yara DW, em Pinheiros, apresenta, de 10 de outubro a 21 de novembro de 2026, Amigo do Sol, Amante da Lua, exposição individual do artista paulistano Thiago Nevs (São Paulo, 1985), com curadoria da historiadora da arte e pesquisadora Érica Burini. A mostra reúne cerca de 12 obras inéditas, produzidas a partir de 2022, e introduz a marchetaria na pesquisa do artista. Apresentados em pares, os trabalhos colocam pintura e marchetaria em diálogo, explorando contrastes entre cores, materiais e modos de construir uma imagem.
Na leitura de Burini, os contrastes ganham destaque com a introdução da marchetaria na produção de Nevs. Eles aparecem no encontro entre o colorido das pinturas e os tons naturais dos materiais empregados na técnica, que combina recortes para formar desenhos sobre uma superfície. A disposição em pares permite observar como um mesmo repertório ganha novas cores e texturas. Para a curadora, essa paleta mais restrita traz às imagens uma tonalidade sépia, próxima à de fotografias antigas, acrescentando outra relação com a memória à produção do artista.
Esses encontros também dão sentido ao título da exposição. Dia e noite, claro e escuro, ornamento popular e geometria construtiva. Na mostra, Nevs amplia esse diálogo entre técnicas artesanais tradicionais e estruturas compositivas contemporâneas, dando continuidade à investigação dos saberes e das imagens que circulam fora dos espaços formais da arte.
Filetes de carrocerias de caminhão, frases de lameiros, grafite e cartazes feitos por letristas estão entre as referências dessa pesquisa. Criado na periferia de São Paulo e filho de caminhoneiro, Nevs aproxima essas manifestações de sua própria história e de observações realizadas em viagens pelo Brasil e pela América Latina. Seu interesse se volta aos desenhos, letras e adornos que conferem identidade a veículos, fachadas e espaços de passagem.
A mostra dá continuidade a questões presentes em Panorama, realizada na Chocolate Notebooks, em 2021, e Sobre-Carga, apresentada na Usina Luis Maluf, em 2022. Nessas exposições, o artista explorou a pintura ornamental de carrocerias e incorporou lonas, cordas e objetos do universo dos caminhões a pinturas, esculturas e instalações.
No encerramento de Amigo do Sol, Amante da Lua, em 21 de novembro, a Casa Yara DW promove um bate papo aberto ao público com a participação do artista.
Serviço
Exposição | Amigo do Sol, Amante da Lua
De 10 de outubro a 21 de novembro
Segunda a sexta, das 9h às 18h
Período
Local
Casa Yara DW
Rua Costa Carvalho, 52 – Pinheiros, São Paulo – SP
Destaques
Quando o Cariri se vê
Jogar e Construir
O teatro detrás das grades
Carolina Ruas e os novos caminhos da cultura no Espírito Santo
Um século de rupturas e reinvenção
Inhotim celebra 20 anos e convida professores a uma reflexão crítica sobre seu acervo
























