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REVISTA
Edição digital #74
Entre a arte e os arenitos, um museu sem limites
Casa Brasil é inaugurada com obras decoloniais e feministas
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto para o alargamento dos horizontes do mundo das artes quanto para a evolução da luta contra o racismo.
Em sua trajetória, o baiano Mestre Didi (1917-2013) percorreu e distendeu os domínios das artes e da religiosidade. As muitas habilidades artísticas e artesanais de Didi lhe conferiram o lugar de mestre, assim como sua vocação e sua atuação religiosa o colocaram em cargos de destaque nos cultos. E é esse itinerário que ganha o Itaú Cultural (IC) no período de 8 de abril a 5 de julho de 2026.
Além das criações de Didi no campo das artes visuais, a individual aborda sua produção textual/literária e sua participação no desenvolvimento de relevantes organizações e eventos, no Brasil e em outros países, voltados para a pesquisa e a promoção das culturas africanas e afrodiaspóricas. O espaço expositivo também explora as conexões entre Didi e outros criadores, como o seu contemporâneo Abdias Nascimento – tema de mostra do projeto Ocupação Itaú Cultural em 2016.
No dia 7 de abril, às 19h, acontece a abertura de Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira. Para celebrar esse momento, o terreiro Ilê Asipá apresenta Oro Ojés, cerimônia tradicional realizada em todas as festividades do espaço fundado pelo próprio Didi, em Salvador.
Serviço
Exposição | Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira
De 8 de abril a 5 de julho
Terça a sábado, das 11h às 20h, domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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A iGaleria, no Iguatemi Alphaville, apresenta a exposição “Poética Fractal”, da artista plástica Elza Aidar, com curadoria de Claudia Paronetti. A mostra reúne obras que exploram a arte têxtil como
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A iGaleria, no Iguatemi Alphaville, apresenta a exposição “Poética Fractal”, da artista plástica Elza Aidar, com curadoria de Claudia Paronetti. A mostra reúne obras que exploram a arte têxtil como linguagem contemporânea, alinhada a uma tendência global que reposiciona o uso do tecido no campo conceitual.
Na produção de Elza, o patchwork é elevado a um nível de complexidade pouco usual. Fragmentos minuciosos de tecidos são organizados como unidades cromáticas, funcionando como pinceladas que constroem imagens com forte carga sensorial e poética.
O processo exige precisão técnica e um tempo de execução prolongado, refletindo uma prática quase meditativa. A artista utiliza tecidos selecionados ao longo de anos de pesquisa, incluindo materiais adquiridos em viagens internacionais, o que amplia a diversidade de texturas e narrativas presentes nas obras.
Segundo a curadora Claudia Paronetti, a arte têxtil contemporânea “deixa de ser apenas técnica ou decorativa e passa a ocupar um lugar conceitual, em que materiais, tramas e processos revelam narrativas ligadas à memória e à identidade”.
“Apreciar a exposição ‘Poética Fractal’ é descobrir, em cada detalhe, novas possibilidades de olhar e sentir. Queremos convidar o público a reservar um momento do seu passeio para se aproximar da arte por meio de uma experiência sensível e envolvente. A iGaleria segue como um espaço que amplia repertórios e transforma a visita ao Iguatemi Alphaville em uma vivência cultural acolhedora, inspiradora e cheia de significado”, comenta Verônica Marandini, gerente de marketing do Iguatemi Alphaville.
As obras dialogam com referências impressionistas na construção de cor e atmosfera, mas se afastam dessa tradição ao fragmentar a imagem e propor uma leitura mais atual e sensorial. O tecido assume protagonismo não apenas como suporte, mas como elemento estruturante da obra.
Outro aspecto relevante nas criações da artista é o uso de materiais diversos, incluindo fios e tecidos reciclados, o que aproxima o trabalho de discussões sobre sustentabilidade e ressignificação de materiais.
Serviço
Exposição | Poética Fractal
De 28 de abril a 27 de junho
Segunda a sexta, das 9h30 às 18h30; sábados, das 10h às 15h
Período
Local
IGaleria
Iguatemi Alphaville (3º andar). Alameda Araguaia, 681 – Alphaville Industrial, Barueri, SP
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A Galeria Marilia Razuk apresenta a exposição corpo assentado, cabeça voando, com curadoria de Camila Bechelany e Leo Felipe. A mostra reúne um conjunto de obras do acervo da galeria
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A Galeria Marilia Razuk apresenta a exposição corpo assentado, cabeça voando, com curadoria de Camila Bechelany e Leo Felipe. A mostra reúne um conjunto de obras do acervo da galeria que têm no desenho não apenas uma técnica, mas uma prática expandida, um campo de pensamento, gesto e inscrição no mundo.
A linguagem surge como um impulso espontâneo, quase coreográfico, próximo à dança. Embora muitas vezes percebido como uma habilidade inata, ele se constrói no tempo, no exercício contínuo de situar o corpo e experimentar o espaço. Tem a ver com querer se inscrever no mundo, assentar-se, situar-se. Ao mesmo tempo, o desenho é uma prática para se perder, para deixar-se levar com ou sem rumo, alternando o ritmo sobre as superfícies à volta.
A exposição propõe pensar a linha em sua natureza ambígua, entre imagem e escrita, entre registro e invenção. Trata-se de uma linguagem elementar e, ao mesmo tempo, ilimitada em suas possibilidades.
corpo assentado, cabeça voando convida o público a percorrer essas diferentes formas de desenhar, entendendo o traço não como ponto de partida ou etapa preparatória, mas como expressão autônoma, capaz de sustentar, por si só, a complexidade do fazer artístico.
Reunindo artistas de diferentes gerações e abordagens, a mostra evidencia o desenho como um território de experimentação contínua, no qual pensamento e matéria se encontram.
Participam da exposição: Amilcar de Castro, Ana Dias Batista, Ana Matheus Abbade, André Dahmer, Cabelo, Claudio Cretti, Débora, Bolzsoni, Flora Rebollo e Flavushh, Jaider Esbell, João Loureiro, Johanna Calle, José Leonilson, Luiza Sigulem, Manuel Brandazza, Maria Laet, Mariana Serri, Marilá Dardot, Paulo Nazareth, Renata Haar, Thiago Barbalho e Waldomiro Mugrelise.
Serviço
Exposição | corpo assentado, cabeça voando
De 09 de maio a 06 de junho
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Anexo Galeria Marília Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 131 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli,
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, a mostra reúne cerca de 100 obras de 60 artistas de diferentes partes do mundo, propondo um amplo panorama do Surrealismo e de seus desdobramentos na arte moderna e contemporânea. A entrada é gratuita.
Instalada em uma ampla casa na Rua Minas Gerais, esquina com a Praça Marechal Cordeiro de Farias, a nova sede da Pinakotheke conta com 700 m² de terreno, sendo 180 m² dedicados às áreas expositivas e 370 m² de espaço externo. O novo endereço marca uma importante reorganização institucional da Pinakotheke, fundada no Rio de Janeiro em 1979 por Max Perlingeiro, além de consolidar uma nova identidade visual e um projeto de expansão nacional e internacional.
A exposição é organizada em núcleos dedicados a artistas europeus, latino-americanos, norte-americanos e caribenhos, reunindo nomes históricos como Salvador Dalí, René Magritte, Pablo Picasso, Giorgio de Chirico, Joan Miró, Louise Bourgeois, Marcel Duchamp, Leonora Carrington, Roberto Matta e Diego Rivera. Entre os brasileiros, destacam-se obras de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Flávio de Carvalho, Cícero Dias, Farnese de Andrade, Tunga e Erika Verzutti.
Além das pinturas, esculturas, gravuras e fotografias, a mostra contará com salas especiais dedicadas a Maria Martins e Louise Bourgeois, além da exibição de vídeos de artistas contemporâneas como Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. O percurso inclui ainda trechos de filmes clássicos ligados ao imaginário surrealista, como “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí, e “Le Sang d’un poète”, de Jean Cocteau.
Ao longo da exposição, será lançado o livro bilíngue “Surrealismos: arte para além da razão”, publicado pela Pinakotheke Editora, com mais de 300 páginas e textos de pesquisadores e críticos convidados. A Pinakotheke São Paulo fica na Rua Minas Gerais, 246, em Higienópolis, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h.
Serviço
Exposição | Surrealismos: arte para além da razão
De 18 de maio a 15 de agosto
Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Pinakotheke São Paulo Higienópolis
Rua Minas Gerais, 246, Higienópolis, São Paulo - SP
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A Galeria Carmo Johnson, em São Paulo, recebe a 3ª Mostra Etnomídia Indígena. Sob o tema “Festival de Impressos Indígenas”, o evento adota o formato de feira-festival consolidando-se como um
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A Galeria Carmo Johnson, em São Paulo, recebe a 3ª Mostra Etnomídia Indígena. Sob o tema “Festival de Impressos Indígenas”, o evento adota o formato de feira-festival consolidando-se como um espaço importante para a expansão da criatividade, da memória e da resiliência de diversos territórios brasileiros.
O evento funciona como uma feira-exposição de artes e, atuando como uma plataforma para que a produção intelectual e artística de diversos povos ocupe o centro do debate cultural em São Paulo. Por isso a ideia de impressos e impressões são o foco desta Edição, que reúne a materialidade da cultura indígena manifestada em múltiplas formas, como a literatura, a moda, impressos e as artes visuais.
Ao transitar por esses diferentes campos, a mostra busca expandir o conceito de criatividade e fortalecer a memória dos povos originários, permitindo que o público compreenda a arte a partir da perspectiva de cada participante. Dois núcleos, fortalecem esse diálogo: um que traz obras de artes visuais expostas como em exposições, e outro, com os diversos impressos a disposição do público, como nas feiras independentes de impressos.
A coordenação geral do Projeto, Naine Terena reforça que esta terceira edição, ‘brinca’ com a ideia das exposições de arte em diálogo com as feiras independentes de impressos, para que se tenha a dimensão das produções indígenas. Para ela, este é também um campo de expansão da atuação indígena, já que a Mostra conta com a presença forte de profissionais oriundos de diversos povos. Naine ressalta a consolidação do projeto ao lembrar que esta é a terceira etapa de um caminho de investigação sobre a mídia indígena e seus desdobramentos. Enquanto as duas edições anteriores tiveram como temas o audiovisual e as “entidades virtualizadas” no século XXI, o atual foca na tangibilidade da impressão e da escrita.
Gustavo Caboco, curador do festival, explica que o conceito de “impresso” na mostra é deslocado de sua definição técnica ocidental para uma dimensão territorial e corpórea. Ele detalha que “no mundo das artes, ‘impresso’ se relaciona às técnicas de gravura. Mas, num festival de impressos indígenas a materialidade se une à memória e o sentido da palavra impresso ganha múltiplos sentidos”.
Caboco defende que as obras apresentadas, sejam elas em tecidos, vídeos ou palha, são, na verdade, impressões dos corpos e dos territórios de povos como os Guarani Ñandeva, Boe, Patamona, Manoki, Myky, Wapixana e Terena. A arte, neste contexto, é o registro físico de uma vivência ancestral transportada para o presente.
Ao final, o curador define as impressões indígenas como “territórios férteis”. Ele pontua que, ao levar essas obras para escolas, universidades ou galerias, os artistas estão carregando a memória de seus territórios originários em suas falas e ações, transformando cada peça exposta em um documento vivo da existência e resistência indígena.
Um dos grandes destaques desta edição é a expografia. Naine Terena explica que é um desejo antigo, também fazer com que o espaço de uma exposição pudesse se assemelhar com a organização espacial e social de alguns povos e aldeias indígenas, trazendo a possibilidade de apresentar como tais representações se dão no dia a dia desses povos.
Pensando nisso, os estudos assinados por Libério Uiagumeareu, do Povo Boe Bororo Naine Terena e Gustavo Caboco, analisaram a planta da Galeria Carmo Johnson em relação a uma aldeia Boe Bororo, fazendo nascer uma organização do espaço não meramente estético, mas que replica a complexa organização social e geográfica de uma aldeia Boe, criando uma tradução física da cosmologia indígena, nominada como ‘PA MUGA’, por Libério.
“Conhecendo cada artista, depois a obra e mensagem da peça, nós em cima disso trabalhamos essa aldeia e esse espaço. E denominamos Ce Muga e Pa Muga. Ce Muga no caso, seria o nosso espaço de exposição, no caso o nosso espaço indígena, e Pa Muga seria o nosso espaço como um todo desse diálogo do não indígena com o indígena, o nosso espaço macro”, explica ele.
Participantes
Entre os nomes confirmados está o Coletivo REMBYAPÓ, formado por Ara Guarani, Sônia Guarani e Claudiomiro Guarani, que vivem no Espírito Santo, que trazem um conjunto de pinturas e objetos instalativos, que fazem referência a cultura e vida do seu povo. Edson Benites (Gerpa filho), letrista profissional com quatro décadas de atuação em pintura manual, e a artista Miguela Moura, são de Mato Grosso do Sul e produzem uma grande painel, o’ Jegua marangatu – grafismo sagrado’.
Somando-se a eles, o artista plástico Isaías Miliano, das etnias Macuxi e Patamona e o Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky. Formado por jovens realizadores de Mato Grosso. O grupo carrega no nome a síntese de sua missão: Ijã (história/caminho) e Mytyli (novo). Para os integrantes, o uso do cinema é uma ferramenta para narrar trajetórias ancestrais sob uma perspectiva jovem, guiada pela premissa de que toda história atravessa um caminho que deve ser percorrido com atenção para que ninguém se perca.
A 3ª Mostra Etnomídia Indígena é uma realização da Oraculo Comunicação, com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras.
Serviço
Exposição | Festival de Impressos Indígenas
De 30 de maio a 20 de junho
Terça a Sexta, 11h às 17h, sábados sob agendamento
Período
Local
Galeria Carmo Johnson Projects
Rua Anunze, 249 - Boaçava, Alto de Pinheiros, São Paulo - SP
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Com 147 artistas de 22 países, o Festival Vórtice chega à sua 5ª edição consolidando-se como uma das principais iniciativas dedicadas às relações entre arte contemporânea, corpo e sexualidade na
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Com 147 artistas de 22 países, o Festival Vórtice chega à sua 5ª edição consolidando-se como uma das principais iniciativas dedicadas às relações entre arte contemporânea, corpo e sexualidade na América Latina. O festival ocupa novamente o Espaço República na Av. São Luís, 86, na República, em sua maior edição até agora.
Criado em 2022 pelos artistas e curadores Leonardo Maciel e Paulo Cibella, o festival nasceu a partir da vontade de aproximar artistas que investigam desejo, afeto e erotismo em diferentes linguagens visuais. Ao longo de cinco edições, o projeto ampliou significativamente sua dimensão, tornando-se um espaço de circulação e encontro entre artistas emergentes, nomes históricos, colecionadores, pesquisadores e público interessado na produção contemporânea ligada à sexualidade.
Nesta edição, o festival recebeu 323 inscrições em chamada aberta — um crescimento de 47,5% em relação ao ano anterior — e apresenta trabalhos em pintura, fotografia, escultura, bordado, instalação, publicação, cinema, videoarte e performance. Entre os participantes de destaque desta edição estão Bruce LaBruce (Canadá), Alex Flemming (SP), Lisa Wang (Estados Unidos), Łukasz Leja (Polônia), Bubby Costa (SP), Issa Tall (Senegal), Cole Fawcett (Canadá), Jorge Bortoli (RS), Maria La Sangre (Chile), George Striftaris (Grécia) e Vlad Zorin (Rússia).
Parte da ampliação internacional desta edição é resultado das viagens de pesquisa realizadas pelo Vórtice nos últimos meses, com passagens por Alemanha, França, México e Estados Unidos, incluindo visitas a galerias, feiras, instituições e ateliês. Aproximadamente 30% dos artistas participantes são internacionais, refletindo um movimento crescente de intercâmbio e aproximação entre diferentes cenas da arte contemporânea.
Sem partir de uma única linha curatorial ou abordagem estética, o festival reúne trabalhos que atravessam questões ligadas ao fetiche, intimidade, fantasia, memória e representação do corpo. Em vez de estabelecer um discurso homogêneo, a mostra propõe um panorama amplo da produção contemporânea relacionada à sexualidade, aproximando diferentes gerações, linguagens e contextos culturais.
As obras apresentadas no festival poderão ser adquiridas presencialmente ou por meio da Galeria Vórtice, disponível em vorticecultural.com/galeria. Além da exposição, o festival contará com uma programação paralela de performances, conversas, sessões de cinema e feira de publicações ao longo do período expositivo.
Sobre o Vórtice Cultural
O Vórtice Cultural é uma iniciativa artística independente, com plena autonomia curatorial, dedicada à formação, ao desenvolvimento profissional, à institucionalização e à internacionalização de artistas. Fundado em 2022 e liderado por Leonardo Maciel e Paulo Cibella, o Vórtice fomenta a cultura por diversas frentes e já trabalhou com mais de 520 artistas de cerca de 30 países, consolidando-se como um polo de lançamentos, circulação, pesquisa e experimentação.
Serviço
Exposição | 5ª edição do Festival Vórtice
De 30 de maio e 27 de junho
Terça a sábado, das 13h às 19h
Período
Local
Espaço República
Avenida São Luís 86, República – São Paulo - SP
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A Casa de Cultura do Parque, em parceria com BARU Consultoria e Instituto Foz, realiza no dia 30 de maio de 2026 o encontro “Mulheres: futuros possíveis, futuros sonhados”, programação gratuita e aberta ao público, voltada ao debate
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A Casa de Cultura do Parque, em parceria com BARU Consultoria e Instituto Foz, realiza no dia 30 de maio de 2026 o encontro “Mulheres: futuros possíveis, futuros sonhados”, programação gratuita e aberta ao público, voltada ao debate sobre os desafios e perspectivas das mulheres no Brasil contemporâneo.
Reunindo mulheres com diferentes trajetórias e áreas de atuação, o evento propõe um espaço de escuta e construção coletiva, reforçando o papel da cultura, da comunicação e da participação pública na promoção de uma sociedade mais justa e igualitária. Entre as participantes: Marina Silva, ambientalista e política brasileira, ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, premiada pelo Goldman Environmental Prize e o Champions of the Earth da ONU e atualmente Deputada Federal; a atriz e roteirista Maria Bopp; as comunicadoras Ryane Leão e Dani Arrais; Luiza Nassif Pires, economista feminista, professora da UNICAMP e diretora do MADE-USP; entre outras. A facilitação geral é de Mari Santos, líder de criatividade e estrategista.
Mais do que um ciclo de conversas, “Mulheres: futuros possíveis, futuros sonhados” se apresenta como uma plataforma de encontro e imaginação política, capaz de inspirar ações concretas para a construção de um futuro mais democrático, plural e comprometido com a igualdade de gênero no Brasil.
BOAS-VINDAS
14h – 14h15
Regina Pinho de Almeida, Diretora Executiva da Casa de Cultura do Parque
e Esther Leblanc, Diretora Executiva do Instituto Foz.
ABERTURA
14h15 – 15h
Mulheres: futuros possíveis, futuros sonhados, com Marina Silva.
CONVERSA 1
15h – 16h
Onde estamos e onde queremos ir, com Marina Helou, Allyne Andrade e Kamila Camilo.
Facilitação: Esther Leblanc.
CONVERSA 2
16h15 – 17h15
Quem cuida de quem cuida: como pensar cidades cuidadoras?, com Luiza Nassif Pires, Ediane Maria e Ana Carolina Andrada.
Facilitação: Maiana Brandão.
CONVERSA 3
17h30 – 18h30
Como comunicar quando temos tanto a dizer?, com Ryane Leão e Maria Bopp.
Facilitação: Dani Arrais.
SHOW
19h – 20h
AVIA Acústico, por Josyara
O projeto é realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú, e Institutos Mandarina e Somos Um.
Serviço
Exposição | Mulheres: futuros possíveis, futuros sonhados
De 30 de maio
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010























