Agenda de arte contemporânea da ARTE!Brasileiros reúne exposições, eventos culturais, mostras, feiras, cursos e atividades em museus, galerias e centros culturais de todo o Brasil.
Agenda de Arte, Exposições e Eventos Culturais
outubro
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da cidade e do estado do Paraná, dentre eles o Museu Oscar Niemeyer, o maior museu de arte da América Latina.
Vivemos um momento de transformação, em que as fronteiras entre o humano e suas tecnologias, o natural e o artificial, tornam-se cada vez mais fluidas. Diante desse cenário, a edição deste ano apresenta o título LIMIARES, propondo um espaço de passagem e reflexão sobre as mudanças que atravessam o presente e apontam para novos modos de existir e de criar. A edição será conduzida pelas curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, bem como por uma equipe multicultural de curadores convidados.
O conceito curatorial entende este momento limiar em que vivemos também como um espaço fértil no qual a arte atua como mediadora entre mundos. Habitar essa fronteira e criar a partir da incerteza orientam uma proposta que se assume como um espaço de troca entre diferentes áreas do conhecimento e culturas. Para as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, “mais do que um conceito, LIMIARES é uma atitude curatorial: habitar a fronteira, permanecer no entre, criar a partir da incerteza, gerando novos caminhos”.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba promove o diálogo entre artistas, pesquisadores, cientistas e estudantes, convidando o público a refletir sobre como estar presente em um mundo em fluxo acelerado e a imaginar novas formas de coexistência. Acesse o statement curatorial aqui.
Marcando o aguardado retorno ao formato presencial após a edição totalmente online de 2021, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba apresentará exposições de grandes artistas de diferentes origens e que atuam em múltiplos suportes, do material ao virtual. É um retorno necessário ao circuito mundial da arte, que reforça o posicionamento da América Latina como uma potência cultural. Na sua última edição presencial, em 2019, a Bienal Internacional de Curitiba atraiu mais de um milhão de visitantes.
Serviço
Exposição | 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba
De 14 de junho a 15 de novembro
Locais
Museu Oscar Niemeyer, Museu Paranaense, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu da Imagem e do Som, Museu Alfredo Andersen, Museu da Fotografia, Museu da Gravura/Memorial de Curitiba, Museu Municipal de Arte, terminais de ônibus e outros espaços de Curitiba.
Período
Local
16ª Bienal Internacional de Curitiba - Sede Principal
Rua Marechal Hermes, 999 — Centro Cívico, Curitiba - PR
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Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades
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Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades a construir coletivamente uma pintura em constante transformação.
Criado em 2021, o projeto “Uma Obra” investiga diferentes formas de aproximação entre público e arte, explorando as múltiplas interpretações, conexões e experiências que podem surgir a partir de uma única obra de arte. Em suas duas primeiras edições, apresentou trabalhos do acervo da Pinacoteca. Agora, pela primeira vez, o projeto dá origem a uma obra inédita, concebida especialmente para essa mostra. Desenvolvido pela Área de Ação Educativa em parceria com a Área de Pesquisa e Curadoria da Pinacoteca, o projeto evidencia um modelo de trabalho cada vez mais presente na instituição, que aproxima processos educativos e curatoriais desde a concepção das exposições.
A nova edição surge em diálogo com “Para Crianças: experiências com arte desde 1968”, em cartaz na Pina Contemporânea de maio até 18 de outubro de 2026, e integra um movimento mais amplo da instituição de aprofundar suas ações voltadas à infância. A proposta parte da percepção de que crianças pequenas ainda encontram diferentes barreiras de acesso aos espaços museológicos e busca criar experiências que dialoguem com suas formas de descobrir, explorar e se relacionar com o mundo.
Para desenvolver o projeto, o museu convidou Gui Teixeira, artista que investiga as relações entre arte e pedagogia, brincadeira, participação e criação coletiva. Em sua produção, o público é frequentemente convidado a construir, reorganizar e transformar elementos da própria obra, tornando-se parte ativa da experiência artística.
O resultado desse encontro é “Pintura sem fim”. Na instalação, uma grande parede revestida por carpete recebe centenas de peças de feltro colorido que podem ser livremente manipuladas pelos visitantes. Ao combinar formas, cores e tamanhos diversos, o público cria figuras, paisagens, personagens, composições abstratas ou aquilo que sua imaginação permitir.
Como sugere o próprio título, a obra nunca alcança uma forma definitiva. Cada nova intervenção transforma aquilo que foi construído anteriormente, fazendo do trabalho um processo contínuo de invenção compartilhada. Mais do que observar uma obra pronta, os visitantes são convidados a participar de sua construção.
Embora pensada a partir das experiências da primeira infância, a instalação foi concebida para acolher públicos de diferentes idades e incentivar encontros entre crianças, jovens e adultos.
“Uma Obra: Pintura sem fim” é correalizada pelo Instituto Tecendo Infâncias.
Serviço
Exposição | Uma Obra: Pintura sem fim
De 4 de julho a 31 de janeiro de 2028
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a habitam. A afirmação sintetiza aspectos centrais de sua produção, marcada pela observação da natureza, do corpo e dos ciclos da vida, em diálogo com materiais naturais e referências da paisagem mineira. Esse universo poderá ser visto nessa mostra que o Itaú Cultural (IC) apresenta em três andares do espaço expositivo.
Com curadoria de Franklin Espath Pedroso, a exposição reúne cerca de 150 desenhos inéditos, 10 filmes experimentais e uma instalação derivada de Campos peregrinos, trabalho apresentado por ela em Glasgow, na Escócia, em 2025. É a primeira vez que a artista reúne sua produção audiovisual em uma exposição. A concepção, realização e projeto de acessibilidade são da equipe do Itaú Cultural. O curador também assina o projeto expográfico ao lado de Leila Scaf Rodrigues.
Solange nasceu em Ferros (MG), em 1961, e desenvolve há mais de quatro décadas uma obra que articula desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo. Ela é reconhecida por pesquisas que incorporam materiais naturais e procedimentos ligados à observação da paisagem e dos processos de transformação da matéria.
Nos últimos anos, o seu trabalho tem alcançado ampla presença internacional. Atualmente, Solange se prepara para participar da Bienal de Toronto, no Canadá, em setembro. Ainda monta uma exposição individual, que abrirá em outubro na Fundación Botín, na Espanha. A artista também foi convidada pela Fondation Cartier, na França, para realizar uma grande mostra de sua obra em 2027. No Brasil, ao reunir obras inéditas, trabalhos recentes e uma seleção significativa de filmes, a exposição no IC oferece um panorama de aspectos centrais de sua produção e de seu percurso artístico.
A Exposição
Um dos destaques de Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação ocupa quase todo o primeiro andar do espaço expositivo do Itaú Cultural. Trata-se da instalação Campos peregrinos, um desdobramento da obra criada para o centro de arte contemporânea Tramway, em Glasgow – um espaço instalado em um antigo depósito de bondes, que se tornou referência cultural europeia, oferecendo exposições visuais e apresentações de dança e teatro.
A versão apresentada no Itaú Cultural reúne peças em bronze e cerâmica a materiais como capim-membeca, paina, camomila, macela, folhas secas, algodão, folhas e fubá, elementos recorrentes na investigação desenvolvida por Solange a partir de referências dos cerrados e das matas brasileiras. A obra propõe uma experiência sensorial que ultrapassa o olhar, envolvendo cheiros, texturas, dimensões e sons emanados pelos materiais que compõem a instalação.
Neste mesmo piso, é apresentado o seu novo filme, Desjardim, realizado especialmente para a mostra. Parceria de Solange com o cineasta João Vargas Penna e com o músico Livio Tragtenberg, a produção cria conexões sensíveis em obras, com melhores condições técnicas e de produção.
Em contraste com as instalações e os desenhos de grandes dimensões realizados pela artista nos últimos anos, o piso -1 do Itaú Cultural apresenta trabalhos que evidenciam uma dimensão mais íntima de sua obra ao reunir aproximadamente 150 desenhos inéditos feitos em escalas menores. Realizados desde os anos 1990 até a atualidade, eles revelam animais, vegetação, corpos, paisagens e seres imaginários em trabalhos produzidos com materiais diversos, como pigmentos, carvão, óleo, jenipapo, argila, urucum, Merthiolate e gordura.
Ao longo do tempo, esses materiais passaram por seus próprios processos de transformação, incorporando à obra questões centrais para a pesquisa da autora: a matéria, a passagem do tempo e os ciclos da natureza. Entre o animal, o vegetal e o mineral, os desenhos apresentam formas híbridas e paisagens em permanente mutação, sintetizando temas que atravessam mais de quatro décadas de produção.
Por sua vez, o piso -2 apresenta uma cronologia da vida e obra da artista e tem como destaque uma seleção de 9 filmes experimentais produzidos ao longo de sua trajetória, reunidos pela primeira vez em uma mostra dedicada a ela. Embora menos conhecidos do público do que suas esculturas, desenhos e instalações, os trabalhos evidenciam uma investigação constante da imagem em movimento como extensão de sua pesquisa artística.
As obras acompanham processos de transformação da matéria e a ação do tempo sobre elementos como minerais, metais, água e fogo. Corpos, paisagens naturais, jardins, cavernas, espaços domésticos e sítios históricos aparecem com frequência, não apenas como cenários, mas como agentes que participam da construção das imagens. Em alguns trabalhos, registros de ações e performances também destacam a dimensão corporal presente em sua produção.
Serviço
Exposição | Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação
De 4 de agosto a 1º de novembro
Terça a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções
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Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções e às histórias do Brasil. Localizado na Praça da República, no centro da capital paulista, próximo a outros negócios de Olivier, o Arquivo Anquier chega para ampliar esse território de encontros e despertar novas sensações. Pensado como um espaço vivo, aberto a exposições, experiências e atividades culturais, o projeto pretende também contribuir para o movimento de redescoberta do Centro de São Paulo, convidando paulistanos e visitantes a olhar novamente para a região, caminhar por suas ruas e reencontrar o coração da cidade.
“Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil” será a exposição inaugural do espaço, marcada para 16 de setembro, a partir das 12h. Com 55 fotografias autorais, ela convida o público a percorrer diferentes paisagens, personagens, cotidianos e tradições brasileiras registradas pelo olhar sensível de Olivier. Faz parte do primeiro arquivo real a sair do gigantesco baú imaginário do “Diário do Olivier”, programa criado e apresentado por ele em 1998, pelo canal GNT, e que percorreu o território brasileiro durante 20 anos em busca da essência do país e de seu povo. Olivier atravessou estradas, cidades, vilarejos e lugares pouco conhecidos de um Brasil que escolheu descobrir de perto, levando milhões de telespectadores junto com ele – muitas vezes a bordo de seu inseparável Fusca verde. Mais do que revisitar uma trajetória, o Arquivo Anquier nasce do desejo de abrir essas histórias ao público: imagens, objetos, personagens, encontros, descobertas e memórias guardadas ao longo de décadas e que agora ganham novas leituras.
O Primeiro Arquivo: “Diário do Olivier”
O primeiro arquivo, dedicado ao “Diário do Olivier”, revela uma faceta de Olivier Anquier que, apesar de acompanhá-lo desde a infância, permaneceu discretamente escondida do grande público: a de fotógrafo. A fotografia, no entanto, não surgiu com o programa. Ela acompanha Olivier desde a primeira infância, inicialmente através do olhar e das câmeras de seu pai, o médico François Anquier, e permaneceu presente ao longo de toda a sua vida de maneira íntima, quase tímida, raramente exposta como parte de sua trajetória pública. Agora, pela primeira vez, esse olhar deixa o arquivo pessoal e ocupa as paredes de uma exposição.
O projeto acontece também após Olivier receber sua primeira chancela como fotógrafo, ao ser convidado para ocupar integralmente a edição nº 46 da revista C, publicação da Galeria Carcará, dedicada à fotografia autoral brasileira.
“Essa é a primeira vez que abro meu baú de memórias, experiências e fotografias para o público. Sinto que chegou o momento de compartilhar em detalhes histórias que vivi nesses 20 anos de Diário do Olivier e lugares fascinantes que conheci pelo Brasil. Quero que todos tenham orgulho do nosso país; o país que me deu tudo e ao qual sou muito grato.”, afirma Olivier Anquier.
Um Arquivo que continua circulando
Após o encerramento de “Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil”, as fotografias e os objetos apresentados na exposição serão leiloados em formatos presencial e virtual. A iniciativa amplia o alcance do projeto para além do espaço expositivo e oferece ao público a possibilidade de adquirir peças que fizeram parte dessa história. O lendário Fusca verde também terá um destino especial: parte da renda obtida com sua venda será revertida à organização religiosa Missão Belém, ligada ao Centro de São Paulo e que atende e acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade.
Serviço
Exposição | Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil
De 16 de setembro e 06 de dezembro
Quarta a sexta-feira, das 12h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 21h.
Período
Local
Arquivo Anquier
Praça da República, 36 - Loja 1, República, São Paulo - SP
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A artista plástica paulistana Claudia Marchetti retoma a pintura com O Vaso de Ojuara, exposição que reúne 12 trabalhos inéditos no programa Zip’Up, que ocupa o andar superior da Zipper
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A artista plástica paulistana Claudia Marchetti retoma a pintura com O Vaso de Ojuara, exposição que reúne 12 trabalhos inéditos no programa Zip’Up, que ocupa o andar superior da Zipper Galeria, a partir de 8 de outubro. O texto de apresentação é assinado pela crítica e jornalista Paula Alzugaray.
A relação da artista com o litoral norte começou ainda na infância, quando frequentava São Sebastião, área que na época tinha forte presença da Mata Atlântica, antes das mudanças provocadas pela crise ambiental e pela especulação imobiliária, que impactaram as comunidades caiçaras e ribeirinhas. Anos mais tarde, na pandemia, voltou a viver ali e permaneceu durante dois anos. Foi nesse período que a pintura tomou mais intensidade em sua produção.
Inspirada também pela experiência como escritora, Marchetti criou Ojuara, menina caiçara que reúne histórias de seu povo e das transformações do território. Cercada por cobras, jarros, ovos e peixes, a personagem incorpora elementos de seu imaginário e de sua vivência, que a artista leva para a pintura. Como observa Paula Alzugaray no texto de apresentação da mostra, “a ficção inspira a renovação de sua atividade artística e a pintura ressurge como matriz de um propósito maior que o pessoal, o de conectar-se a um meio ambiente e uma causa social junto às comunidades tradicionais ameaçadas”.
É nesse contexto que surge Mar de Lama (2026), uma das obras da exposição. Nela, Marchetti retrata as transformações que testemunhou no litoral norte de São Paulo após as chuvas de 2023, que provocaram deslizamentos e alteraram a paisagem da região. A pintura registra visualmente o acontecimento e as marcas que ali permaneceram.
O vaso que dá título à mostra nasce dessa mesma pesquisa. Para Marchetti, a imagem remete ao útero, ao que contém e gera, e conversa com os elementos que aparecem em suas telas. São formas que aparecem de maneira recorrente e se relacionam com a natureza e com referências culturais encontradas pelo território.
Ao incorporar essas questões mais recentes, o conjunto apresentado na galeria, mantém ao mesmo tempo, uma ligação direta com a pintura que Claudia desenvolvia antes de se afastar de sua prática pictórica. A figuração de formas simples e esquemáticas continua presente, agora atravessada pelo repertório que marca sua criação. Há, assim, uma continuidade visível entre os trabalhos de duas décadas atrás e aqueles que marcam sua retomada.
Esse vínculo com o lugar também se estende ao trabalho que Marchetti desenvolve junto à comunidade local. Parte da renda obtida com a venda das obras da exposição será destinada ao Instituto Verdescola, organização sem fins lucrativos que atua em São Sebastião na formação de crianças e jovens, onde Claudia faz trabalho voluntário com oficinas de artes visuais.
Como galerista, tem cerca de 40 anos de atuação no campo da arte. Formada pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e mestre em Artes Visuais pela Goldsmiths College, em Londres, participou de diversas exposições em que conheceu e popularizou no Brasil obras de alguns ícones da arte contemporânea, como Sarah Morris, Ai Weiwei e Ian Davenport. Mais tarde, fundou a ArteEdições, projeto voltado à ampliação e democratização do acesso ao mercado de arte contemporânea.
A artista lançou Ojuara – A Chuva na Mata Atlântica na ArtRio 2026, pelo selo Celeste. Escrito e ilustrado por Claudia, o livro infantil amplia para a literatura o imaginário que desenvolve em suas pinturas, retomando a personagem e os elementos que marcam sua trajetória.
Serviço
Exposição | O Vaso de Ojuara
De 08 de outubro a 18 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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A Garrido Galeria, no Recife, apresenta a exposição “Onde o céu e o mar se tocam”, que reúne, pela primeira vez, os programas da galeria pernambucana e da Cave, de
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A Garrido Galeria, no Recife, apresenta a exposição “Onde o céu e o mar se tocam”, que reúne, pela primeira vez, os programas da galeria pernambucana e da Cave, de Fortaleza. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra foi inaugurada em 16 de outubro e apresenta obras de mais de 40 artistas, entre nomes representados pelas duas galerias, convidados e trabalhos de seus acervos. A iniciativa estabelece conexões entre diferentes gerações, territórios e linguagens da produção artística brasileira.
A exposição acontece em um momento de movimentação do circuito de arte no Nordeste, marcado pela realização da ART.PE 2026, entre 14 e 18 de outubro, no Recife Expo Center. As duas galerias participaram da feira, ampliando a colaboração entre seus programas e fortalecendo as conexões entre artistas, galeristas e públicos de diferentes regiões do país.
A parceria entre Garrido e Cave é resultado de uma relação construída ao longo dos últimos anos pelos galeristas Armando Garrido e Pedro Diógenes. Desde 2020, os dois compartilham o interesse pelo desenvolvimento de artistas em início de carreira e pela valorização da produção artística realizada fora do eixo Sul-Sudeste. O coletivo Acidum Project, representado por ambas as galerias, é um dos pontos de encontro dessa colaboração.
Entre os artistas presentes estão Bárbara Banida, Bruno Vilela, Charles Lessa, Chico da Silva, Delson Uchôa, Francisco Brennand, Gi Monteiro, Heitor Dutra, Jane Batista, Leonilson, Letícia Lopes e Véio, entre outros. A seleção aproxima nomes históricos e artistas contemporâneos, reunindo produções de Pernambuco, Ceará e outras regiões brasileiras.
A proposta curatorial busca questionar imagens estereotipadas do Nordeste, frequentemente associado ao sol, às praias e às cores intensas. Em vez dessas representações, Lucas Dilacerda propõe outras possibilidades de olhar para a região, explorando sombras, profundidades, cenas noturnas e atmosferas de mistério. O azul-escuro do céu e do mar, assim como as diferentes possibilidades de interpretação do branco, orientam uma leitura da paisagem que se distancia dos cartões-postais tradicionais.
As obras abordam questões relacionadas a corpo, natureza, memória, ancestralidade, espiritualidade, ecologia, gênero, raça, tecnologia e cultura popular, além de aproximar linguagens e categorias como arte e artesanato, tradição e contemporaneidade, figuração e abstração. Para o curador, o objetivo não é identificar uma estética nordestina comum, mas evidenciar a diversidade de experiências e pesquisas artísticas que partem desse território sem se limitar a ele.
Ao reunir duas galerias de diferentes capitais nordestinas, “Onde o céu e o mar se tocam” também propõe uma reflexão sobre a descentralização do circuito brasileiro de arte. A colaboração busca fortalecer redes de produção, circulação e reconhecimento artístico fora dos centros tradicionalmente dominantes, ampliando as possibilidades de encontro entre artistas, instituições e públicos.
Serviço
Exposição | Onde o céu e o mar se tocam
De 16 de outubro a 10 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h
Período
Local
Garrido Galeria + Cave
Rua Samuel de Farias, 245, Casa Forte, Recife - PE
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre o que se observa de um certo cenário e o que se mostra em imagem como fragmento dessa escolha, pode-se divisar o que a memória cria de maneira consciente e também quase sem querer. A exposição Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, na Cerrado Cultural apresenta um conjunto da produção desse artista que construiu um modo particular de visualizar seus motivos de pintura. Em sua trajetória, esteve comprometido com o olhar para um mundo próximo, vivencial e corriqueiro, encontrando nesse universo diferentes possibilidades para a pintura.
O recorte dessa mostra reúne obras realizadas entre os anos 1920 e 1980 e busca evidenciar características fundamentais de seu processo, que, colocadas em relação, permitem acompanhar as transformações no modo como Volpi construía suas imagens. Primeiro a partir daquilo que observava diretamente, depois a partir do que guardava na memória e, gradualmente, reelaborava imaginativamente. Com isso, o percurso da exposição possibilita perceber as diferentes dimensões que sua produção revela e que, ao longo do tempo, foram sendo reconhecidas e nomeadas pelos valores associados a uma arte modernista, colorista, abstrata e de caráter genuinamente brasileiro e popular.
Os lugares do olhar de Volpi que trazemos aqui dizem respeito, em um primeiro momento, a uma atenção dada por ele ao ofício prático em sua história de vida. Nascido em Lucca, na Itália, em 1896, chega com cerca de dois anos ao Brasil e desenvolve na juventude um aprendizado profissionalizante que o leva a exercer atividades como entalhador, marceneiro, encadernador e sobretudo como pintor decorativo. Nesta atividade, realiza painéis e murais residenciais na cidade de São Paulo, onde viveu praticamente toda sua vida, até falecer aos 92 anos. É instigante perceber, portanto, o princípio autodidata na pintura artística que desenvolve a partir de 1920, levando-o por uma experimentação figurativa e a interesses também na representação de marinhas, paisagens e cenas corriqueiras que realizava, naquele momento, por meio da prática de observação direta e sensibilidade na exploração de materiais e técnicas.
Uma transformação na pintura de Volpi irá ocorrer a partir de uma experiência do lugar da luz da pequena cidade. E é nesse momento que a paisagem de Itanhaém se torna uma referência nesse percurso de construção de si mesmo como artista da pintura. Ao frequentar a região, para onde sua esposa havia se mudado por questões de saúde, Volpi encontra uma antiga cidade do litoral paulista, fundada no século XVI, ainda pouco urbanizada e inserida em uma área costeira marcada por rios, praias, morros, vegetação diversa, atividades rurais e artísticas locais de caráter popular.
Mais do que registrar lugares ou situações, Volpi construiu diferentes horizontes da linguagem pictórica. Nessa produção, experimenta tanto a pintura a óleo, na qual explora o brilho, a transparência e a fusão entre os tons, quanto as obras em têmpera, que integram sua produção madura, e nas quais produz uma superfície mais seca e opaca, em que a textura do material se torna também uma característica marcante em seus trabalhos.
É o que se pode perceber em obras aqui apresentadas como Cidade do interior e Bandeirinhas estruturadas com mastro. É na relação com a matéria que se evidencia também um aspecto fundamental de seu olhar para as maneiras de fazer. Trata-se do vestígio do trabalho manual, que permanece na superfície e registra os movimentos da pincelada, a partir dos quais Volpi passou a compor campos de cor, criar contornos irregulares e explorar relações entre equilíbrio, contraste e ritmo. Na preparação artesanal da têmpera que ele mesmo desenvolvia, passou a estabelecer uma relação direta com os processos da matéria da pintura, desenvolvendo, por meio desses procedimentos, uma autonomia cada vez maior na construção de sua própria linguagem.
Assim, casarios, figuras em contraluz, relevos enviesados e frontões triangulares são redimensionados em relações de luz e, depois, em problemas de cor, forma, linha, ritmo e superfície. A curadoria parte, portanto, da intenção de pontuar aspectos desse percurso, entre a experiência do mundo visível e a elaboração da pintura. Mais do que acompanhar uma passagem da representação à abstração, interessa perceber como esses motivos se transformam e adquirem novos sentidos pelo lugar da reimaginação, quando a vivência passa a responder às questões da arte. É nessa dinâmica que o entendemos como o artista da complexidade do simples, de uma elaboração sofisticada a partir de elementos singelos, por meio dos quais se revelam, nas bandeirinhas, as festas populares, e, nas fachadas, a experiência das cidades e dos povoados do interior brasileiro.
Ao reunir obras provenientes de diferentes coleções, a exposição incorpora também trabalhos realizados em variadas técnicas de gravura e impressão. Esse movimento se articula ao interesse cultural da mostra em promover a pesquisa, aproximar acervos e ampliar sua visibilidade, abrindo espaço para novos encontros com a obra de artistas fundamentais para a história da arte brasileira. Em Brasília, esse reencontro com Volpi ganha um sentido particular, tendo em vista que sua obra esteve presente na história da cidade desde os primeiros anos de sua construção, por meio do mural realizado para a Capela Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, apagado em 1962, em um contexto de incompreensão quanto à sua relevância. Mais de quatro décadas depois de sua última exposição individual na cidade, esta mostra propõe uma nova aproximação com seu trabalho, oferecendo ao público, nos diferentes lugares que atravessam sua produção, também os caminhos de construção de seu olhar.
Cinara Barbosa
Curadora
Serviço
Exposição | Alfredo Volpi – Os lugares do olhar
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é a partir deste tempo que Kuenan Mayu, artista Magüta (Tikuna) e Tariana, às margens do rio Ta’tü, aprendeu a pensar o mundo, não como uma narrativa fechada, mas como um ciclo contínuo de nascimento, transformação e encantamento.
Partindo de uma observação demorada sobre as séries “Eware” e “Pu’tchi”, o ritmo poético desta exposição deságua em um terceiro momento, preciosamente no diálogo entre as duas séries e na retroalimentação que nelas ocorre antes mesmo de serem nomeadas. Eware fundamenta a visão de mundo Magüta, ao passo que Pu’tchi dá continuidade ao percurso e abre novas questões. Eware é o lugar aonde se retorna após o encantamento, e carrega em sua cosmovisão a coexistência entre seres vegetais, humanos, não humanos e espirituais.
Se em Eware mergulhamos na origem, na história de Ngutapa e Mapana, dos joelhos que ao explodirem geram dois filhos e de Yo’í que pesca um povo inteiro das águas sagradas do rio, a série Pu’tchi se desloca para outro território: o das subjetividades e das corporalidades nomeadas como “dois espíritos”, para as quais não há palavra equivalente em português, embora, com muita desconfiança em relação à tradução, se possa dizer bicha.
Em Tawemücü Pu’tchi, com trabalhos inéditos apresentados pela primeira vez em Brasília, território de importância para sua formação, Kuenan reúne dezesseis obras em formatos variados, nos quais signos, elementos e perguntas se entrelaçam para pensar relações entre desejo, espírito e uma ancestralidade que não se restringe à espécie humana, mas que atravessa corpos, árvores, peixes e encantados. Seres organizados não pelo regime da separabilidade, mas pela transformação infinita e interespecífica.
Sobre a entrecasca sagrada do Ngõ’e (tururi), com pigmentos como urucum, jenipapo e pacová, a artista aplica a técnica aprendida através da observação de suas anciãs, uma materialidade que é, ela mesma, receptáculo espiritual, e cujas cores se modificam com o tempo, em um processo similar ao corpo em permanente mutação. A lua ocupa lugar inefável na série, assim como orienta a extração do tururi, que deve ser retirado apenas em sua fase cheia. De início apresentada de forma separada, logo depois se unindo ao sol, culminando em uma espécie de eclipse, em correspondência a toda criatura que se permite viver o mistério da transformação. Uma lua bicha, Tawemücü Pu’tchi na língua materna. A junção dos elementos, a intersecção entre o divino e o sexual, em que as imagens de transição são, assim, naturais e espirituais, em uma reconfiguração e estado de passagem, um modo de existir sem fixação, que se move entre tempos e mundos, em constância.
Mandú
Curador
Serviço
Exposição | Kuenan Mayu – Tawemücü Pu’tchi
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
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A artista brasileira Rosana Paulino apresenta “Florescer a luz do Sol, sonhar a luz da lua”, sua primeira exposição individual em Paris, na filial francesa da galeria
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A artista brasileira Rosana Paulino apresenta “Florescer a luz do Sol, sonhar a luz da lua”, sua primeira exposição individual em Paris, na filial francesa da galeria Mendes Wood DM. A mostra reúne pinturas e desenhos inéditos da série Senhora das plantas, dando continuidade à pesquisa da artista sobre a representação das mulheres negras, a ancestralidade afro-brasileira e as relações entre corpo, natureza e espiritualidade.
Nas obras, figuras femininas se fundem a árvores, raízes, folhas e flores, criando imagens que questionam representações historicamente associadas às mulheres negras. Ao desenvolver novos arquétipos femininos, Paulino busca ampliar as possibilidades de representação dessas mulheres, frequentemente retratadas pela cultura visual brasileira a partir de estereótipos ligados ao passado colonial.
A exposição destaca plantas presentes nas tradições populares e afro-brasileiras, como o mulungu, a trombeta-de-anjo e a comigo-ninguém-pode, associadas tanto à proteção e à cura quanto ao perigo e à toxicidade. Essa dualidade atravessa as pinturas, nas quais a natureza aparece como espaço de resistência, transformação e sobrevivência.
Outro eixo central da mostra é a relação entre dia e noite. Em pinturas de grande formato, figuras femininas surgem em paisagens iluminadas pelo sol ou envolvidas pela escuridão, evocando mitos de criação, ciclos da vida e forças da natureza. Por meio dessas imagens, apresentadas na Mendes Wood DM Paris, Rosana Paulino propõe novas narrativas sobre a experiência das mulheres negras, relacionando memória histórica, ancestralidade e possibilidades de emancipação.
Serviço
Exposição | Florescer a luz do Sol, sonhar a luz da lua
De 19 de outubro a 19 de dezembro
Terça-feira a sábado, das 11h às 19h
Período
Local
Mendes Wood DM Paris
25 Place des Vosges, Paris, França
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O público de Belo Horizonte terá a oportunidade de conhecer de perto obras de um dos artistas mais influentes da história da arte no mundo. Em comemoração aos 80
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O público de Belo Horizonte terá a oportunidade de conhecer de perto obras de um dos artistas mais influentes da história da arte no mundo. Em comemoração aos 80 anos do Sesc, o Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc em Minas, apresenta a exposição “Picasso, a construção de um gênio”, que reúne 120 obras, entre elas 80 originais de Pablo Picasso, um dos criadores do Cubismo. Parte do acervo é inédita no Brasil e estará disponível para visitação gratuita no Sesc Palladium, de 24 de outubro a 13 de dezembro, de terça a domingo e feriados, das 9h às 20h.
Os ingressos serão disponibilizados a partir de 20 de outubro via Sympla. Os lotes serão liberados semanalmente, sempre às terças-feiras, às 13h, ao longo do período da mostra. A retirada presencial na bilheteria do Sesc Palladium estará condicionada à disponibilidade de vagas. As visitas ocorrerão com entradas a cada 30 minutos, com tolerância de até 15 minutos do horário indicado no ingresso.
Reconhecido por revolucionar a arte do século XX e por criar, ao lado do francês Georges Braque, o Cubismo, movimento que rompeu com as formas tradicionais de representação e abriu caminho para novas experiências visuais, Picasso transformou o modo de representar o mundo e influenciou gerações de artistas em diferentes linguagens, da pintura ao design e da fotografia ao cinema. A exposição propõe uma imersão em seu processo criativo por meio de gravuras, cerâmicas, fotografias e obras de artistas fundamentais em sua trajetória.
A mostra reúne um conjunto de obras que destaca diferentes momentos da carreira do artista espanhol e amplia a compreensão sobre sua produção ao apresentar outros nomes da arte e intelectuais que participaram de seu ambiente criativo. Além das obras de Picasso, o percurso expositivo apresenta trabalhos das artistas Dora Maar e Françoise Gilot, nomes fundamentais para compreender a trajetória do pintor.
Para o presidente do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac, Nadim Donato, a iniciativa reforça Belo Horizonte como um importante destino para a circulação de exposições internacionais e amplia o acesso da população a acervos de relevância mundial. “Celebrar os 80 anos do Sesc em Minas com uma exposição dedicada a Pablo Picasso, um dos artistas mais importantes e influentes da história da arte, reforça nosso compromisso de democratizar o acesso à cultura, especialmente para os trabalhadores e trabalhadoras do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e suas famílias. Trazer gratuitamente para Belo Horizonte um acervo internacional dessa relevância só é possível graças ao investimento dos empresários e empresárias do setor, que acreditam no papel transformador da cultura. É uma oportunidade para que milhares de pessoas tenham contato com obras que marcaram a arte do século XX e seguem inspirando diferentes gerações”, afirma.
Um artista que mudou os rumos da arte
Poucos artistas exerceram impacto tão profundo na cultura ocidental quanto Pablo Picasso. Nascido em Málaga, na Espanha, em 1881, criou obras que transformaram a história da arte moderna e permanecem influenciando a produção contemporânea em diferentes áreas. Em mais de 70 anos de carreira, produziu cerca de 50 mil obras, incluindo pinturas, desenhos, esculturas, gravuras e cerâmicas. Seus retratos fragmentados, as múltiplas perspectivas e a constante experimentação de técnicas e suportes transformaram seu trabalho em uma referência mundial e ajudaram a redefinir os rumos da arte moderna.
Entre suas obras mais conhecidas estão “Guernica” (1937), considerada um dos maiores manifestos artísticos contra a guerra; “Les Demoiselles d’Avignon” (1907), marco fundamental da arte moderna; “A Mulher que Chora” (1937); e “O Velho Guitarrista” (1903), uma das principais obras da Fase Azul. Até hoje, Picasso é um dos artistas mais reconhecidos do mundo, com obras presentes nos principais museus e entre as mais valiosas da história da arte.
Obras inéditas e percursos criativos
O percurso da exposição apresenta diferentes momentos da carreira do artista. Entre os destaques está “Le Repas Frugal” (1904), considerada sua primeira grande gravura e uma das mais importantes do século XX. Criada quando tinha apenas 22 anos, durante um período de dificuldades financeiras em Paris, a obra revela aspectos da fase inicial de sua trajetória.
A mostra segue com a série completa “Suite des Saltimbanques”, inspirada no universo dos artistas circenses com quem Picasso se identificava no início da carreira; a coleção “Tauromaquia”, produzida entre 1957 e 1959 e dedicada às tradicionais touradas espanholas; e as gravuras relacionadas a “Le Chef-d’œuvre inconnu” (A Obra-Prima Ignorada), inspiradas no conto de Honoré de Balzac sobre criação artística e a busca pela perfeição.
O público também terá acesso a uma faceta menos conhecida de sua produção por meio de 12 cerâmicas produzidas entre 1948 e 1959, no ateliê Madoura, em Vallauris, na França. Nesse período, o artista expandiu sua linguagem para objetos do cotidiano, explorando novas possibilidades de forma, volume e cor.
As fotografias de Robert Capa, um dos maiores fotojornalistas do século XX, completam o trajeto ao apresentar registros da vida de Picasso na França e aproximar o público da dimensão humana do atrista.
O olhar se desloca do mito
Mais do que apresentar um dos principais nomes da arte moderna, a exposição lança luz sobre o ambiente humano e artístico que cercou sua produção. A curadoria busca compreender o artista a partir das relações criativas, intelectuais e afetivas que marcaram sua trajetória.
“O aspecto mais inovador do projeto é apresentar Picasso não de forma isolada, mas em diálogo com a rede humana e artística que marcou sua vida. Françoise Gilot e Dora Maar ocupam um lugar central nesse percurso, não como personagens secundárias, mas como artistas e intelectuais com obra própria. A exposição oferece ao público uma imagem mais ampla e complexa de Picasso ao revelar o ambiente criativo que o cercava”, afirma o curador da exposição, Luca Baroni.
Essa proposta se materializa na presença de 31 obras de Dora Maar e Françoise Gilot, artistas importantes para compreender o universo criativo do pintor espanhol.
Já Françoise Gilot aparece com 16 litografias da série “Pages d’Amour” (1951). Pintora e escritora francesa reconhecida internacionalmente, ela construiu uma trajetória artística independente e contribuiu para ampliar a compreensão sobre as relações entre criação artística, contexto histórico e produção feminina na arte do século XX.
Ao reunir trabalhos dessas artistas ao lado da produção de Picasso, a exposição amplia a compreensão sobre sua obra e sublinha como seu universo criativo foi construído por diálogos, influências e diferentes perspectivas.
Diversidade e acessibilidade
A diversidade de linguagens é um dos elementos centrais da exposição. Ao reunir gravuras, fotografias, cerâmicas e obras produzidas em diferentes técnicas, a mostra apresenta Picasso como um artista que explorou múltiplas formas de expressão ao longo da carreira.
Pensada para receber públicos diversos, a exposição reúne textos em linguagem acessível, recursos digitais, materiais educativos e ferramentas de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Também serão oferecidas visitas mediadas para estudantes de escolas públicas e privadas, mediante agendamento.
Ao final do percurso, uma instalação interativa permitirá que os visitantes produzam registros fotográficos inspirados no universo da exposição.
O acervo apresentado reúne obras provenientes de duas coleções privadas italianas administradas pela The Art Company. Parte das peças está depositada no MARV – Museo d’Arte Rubini Vesin, localizado na cidade de Gradara, na Itália.
Serviço
Exposição | Picasso, a construção de um gênio
De 24 de outubro a 13 de dezembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Sesc Palladium
Av. Augusto de Lima, 420 - Centro, Belo Horizonte - MG
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores ícones da música brasileira, oferece uma visão detalhada sobre os 12 LPs que marcaram a carreira solo do maestro, gravados entre 1963 e 1994, desde o primeiro álbum, The Composer of Desafinado Plays, até Antonio Brasileiro, passando por marcos como Wave, Matita Perê, Urubu e outros.
A exposição, que promete ser uma experiência imersiva, convida os visitantes a explorarem a trajetória artística de Tom Jobim por meio de documentos, fotos, gravações, partituras e objetos pessoais pertencentes ao acervo do Instituto. O conceito da exposição surgiu em 2020, durante a pandemia, a partir de uma série de entrevistas virtuais entre Paulo Jobim, filho do maestro e morto recentemente, e Aluísio Didier, curador da mostra e amigo de Tom, que assumiu a direção do instituto neste mesmo ano. Essas conversas, realizadas via Zoom, revelaram detalhes inéditos sobre o processo criativo do compositor e agora se transformaram em documentários, que revelam o processo por trás de cada álbum, oferecendo uma perspectiva íntima e pessoal sobre o legado musical de Jobim. Os vídeos com as conversas foram editados pelo cineasta Cayo Oliveira, também produtor da exposição, e serão apresentados pela primeira vez.
A curadoria de Didier ilumina momentos importantes da carreira do compositor como seu encontro com Vinícius de Moraes, que resultou em clássicos eternos da Bossa Nova e sua colaboração com João Gilberto no LP Chega de Saudade.
Tom Jobim: Discos Solo é uma homenagem a um artista que não apenas transcendeu fronteiras, mas que continua a influenciar gerações de músicos e fãs ao redor do mundo. A exposição não só celebra a obra solo do maestro, como também convida o público a revisitar e redescobrir a profundidade e a beleza de sua música.
Histórias inusitadas
Na exposição, histórias inusitadas do maestro irão divertir os visitantes. Entre elas, duas bastante icônicas, lembradas por Paulo Jobim e Didier nos documentários.
Autor de várias canções com nomes de mulheres, Tom foi procurado por um pesquisador com um projeto de livro sobre as músicas e suas musas inspiradoras: Luiza, personagem interpretada por Vera Fischer na novela Brilhante; Gabriela, personagem de Jorge Amado; O samba de Maria Luiza, a filha caçula, entre outras.
No entanto, o tal pesquisador também pergunta pela “musa” Carla que inspirara a canção do mesmo nome. Tom se surpreende e questiona: “Que Carla?” O pesquisador insiste: “Ora, a da música dos anos 50, “Carla, meu amor”, responde o rapaz. Acontece que a canção se chamava “Cala, meu amor”.
“O pesquisador já havia até se encontrado com a mulher que tinha sido a fonte de inspiração”, diverte -se Paulinho, em um dos bate-papo com Didier.
***
Músicos são sempre cobrados pela crítica ou pelos fãs por novidades, novas músicas, por uma atualização de sua arte, um diálogo com influências, novas tecnologias. Com Tom, sempre fiel ao “velho” piano acústico ou ao violão, não foi diferente. No disco Tide, podemos ouvi-lo no piano elétrico Fender Rhodes, hoje um clássico, mas na época, um som diferente, um passo à frente dos instrumentos acústicos. Na época as pessoas se perguntaram: “O que houve, Tom cedendo a um som mais pop?” Sim e não. Se o resultado ficou ótimo na faixa “Takatanga”, o fato se deveu a um copo de uísque derrubado dentro do piano acústico do estúdio, que impossibilitou o instrumento para a gravação. “Jobim, sem opção, aceita arriscar-se no Fender Rhodes e parece que gostou, pois no LP seguinte, Stone Flower, repete a experiência em várias faixas”, conta Didier.
Serviço
Exposição | Tom Jobim: Discos Solo
De 09 de outubro (exposição permanete)
Diariamente (exceto na quarta-feira), de 9h às 17h
Período
Local
Instituto Antonio Carlos Jobim
Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro - RJ
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos sociais, de ritos da umbanda e paisagens rurais, e cuja vida reflete diversos aspectos da modernidade no país.
A mostra Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro.
Paulo Pedro Leal passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século 20, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, Afogamento de mendigos (1965) Naufrágio (1953) ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra.
Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, Jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
Serviço
Exposição | Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio
De 11 de abril a 08 de novembro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado,
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.
“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press — estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos.
A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.
Complexidade e beleza
Visitantes poderão apreciar obras de múltiplas cores, estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos; as gravuras de Beatriz desenvolvidas ao lado de Jean-Paul Rusell.
A produção da artista é marcada por uma linguagem de complexidade e beleza, e pela coerência no modo como consegue transitar entre diferentes técnicas, partindo sempre da pintura até chegar nas gravuras.
Em suas obras aparecem também formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas, incrementando a tradição geométrica brasileira. Na exposição é possível também perceber o modo como Milhazes monta e remonta as formas, as cores e os espaços aparentemente vazios, como os que aparecem em O pato (1996) e Noite de verão (2006).
Serviço
Exposição | Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo
De 16 de maio a 14 de março de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Estação
Lg. General Osório, 66, São Paulo - SP
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias e um vídeo. A curadoria é de Fernanda Pitta, docente do MAC USP. A ideia da exposição nasceu em 1978, quando Nelson Felix, visitando a região andina, percebeu uma coincidência entre as línguas Aimara (falada na região) e o Aramaico (da tradição semítica, do oriente médio): escritas em espanhol elas se tornam palíndromos (Aemara e Aramea). Felix passou a carregar esse pensamento por décadas, até encontrar em Beijo de Língua, a forma para materializá-la como uma das maiores exposições já realizadas pelo artista. “É uma exposição de esculturas, principalmente”, diz Nelson.
No núcleo central da mostra, Felix apresenta três esculturas criadas a partir de chapas de mármore. Escultura para Homero, Escultura para Santa Teresa e Escultura para Bertrand articulam três campos centrais em seu trabalho: sacrifício, tolerância e amor. O artista escolheu textos de três autores – Bertrand Russel, Homero e Santa Teresa D’Ávila, e alguns trechos são escritos nas línguas Aimara e Aramaico nas chapas de mármore, criando uma superfície rendada na pedra. Beijo de Língua tem três esculturas, formadas por duas chapas de mármore cada uma. As duas chapas, coladas, têm o mesmo texto, em duas versões: de um lado em Aimara e do outro, em Aramaico.
– Colo estas duas chapas com os textos, aliás, é a primeira vez que uso cola em meu trabalho. Aqui a cola é material tão importante como o próprio mármore, ou o bronze ou mesmo os elementos vegetais que uso. Assim, nos caracteres, surgem vazamentos mútuos, as línguas se tocam, é para mim, um beijo – afirma o artista.
“As superfícies se tocam, mas mantêm intervalos onde os idiomas não coincidem. A cola evidencia a operação que sustenta a união sem eliminar a diferença. O texto passa a atuar como matéria, inscrita e articulada na estrutura da obra”, observa a curadora Fernanda Pitta.
Já Carta de amor, trabalho apresentado em 2022 em forma contínua, como um projeto, agora ganha duas novas versões, escultóricas: Pétala e Caule. As obras apresentam diversos materiais: mármore, bronze, ferro, cabo de aço, cacto e fio de seda. As séries de desenhos revelam diferentes facetas do trabalho de Felix, com referências de obras anteriores, e estudos do trabalho atual. Na série 7 noites vazias e 21 dias como 21 anos (2024) podemos ver um mesmo gesto, feito com bastão de óleo, que nunca é igual a si mesmo. A obra gráfica Tartaruga de Homero (2024), série com três trabalhos, traz referências do verso de Homero (Hino Homérico a Hermes), em que Hermes mata uma tartaruga e cria a primeira cítara. Para Felix, na criação deste instrumento, acontece o nascimento da música.
Para a curadora da exposição, “a partir do movimento de retomada e rearticulação contínua de ideias, materiais e procedimentos, as obras de Nelson Felix deixam de operar de forma isolada e passam a constituir um conjunto de relações, formando um conjunto aberto, em que as obras se relacionam por aproximações e distâncias, entre línguas e sistemas de pensamento, como o Aramaico e o Aimara, eixo central da exposição.”
Exposição | Beijo de Língua
De 30 de maio a 20 de novembro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade dos japoneses, refletindo diversas percepções evocadas no imaginário como paz, purificação, leveza, silêncio e até precisão. É esta cor que assume o papel de fio condutor da exposição “Shiro: uma escala de nuances” (shiro significa “branco”, em tradução do japonês), que estreia no dia 2 de junho na Japan House São Paulo (JHSP). A mostra inédita segue em cartaz no andar térreo da instituição até 25 de outubro, com entrada gratuita.
Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão, passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata, durante o Clube de Leitura JHSP + Quatro Cinco Um em junho do ano passado, que descreve as vastas paisagens brancas do norte do país e o processo de alvejamento de um tecido na neve. “Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”, afirma Natasha.
Dividida em quatro grandes núcleos temáticos correspondentes a cada elemento, a expografia convida os visitantes a um mergulho pelas nuances simbólicas da cor. Logo na entrada, uma tabela cromática com uma seleção de 19 tons de branco catalogados no Japão representa as diversas nuances que uma única cor pode ter, a partir das centenas de cores tradicionais do Japão.
No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo. A obra de aproximadamente três metros de altura também trabalha a relação do papel com luz e sombra a partir de um espelho em sua base. Neste núcleo, o público também poderá conhecer o processo de produção do Kurotani Washi (papel japonês tradicional feito à mão), desde a colheita dos ramos de Kōzo (amoreira) – base para a fabricação deste elemento – até sua finalização. Amostras de três tipos de fibras que dão origem ao washi: Kōzo, Mitsumata e Gampi também estarão em exibição.
Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação “untitled-grandmother”. A delicada obra site-specific de quase 4 metros de diâmetro reflete sobre memória afetiva e os laços construídos (e desconstruídos) dentro dessa relação familiar. Amostras de casulos do bicho-da-seda, fios e tecido da província japonesa de Gunma, referência na produção de seda, também serão apresentados neste núcleo, acompanhados por uma breve introdução em vídeo dessa confecção no Japão.
Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Para representar essa vastidão, foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama, além de um vídeo demonstrando o processo de criação. Nesses trabalhos, é possível ver como o artista compreende a paisagem tomada pela neve como uma tela em branco, para ir caminhando instintivamente sobre ela com um par de pequenos esquis, guiado apenas pelas imagens em sua mente sem o uso de ferramentas de medição. Desse processo, resultam quilômetros de linhas que formam desenhos complexos, possíveis de serem contemplados em sua magnitude apenas do alto. Efêmeras, as “Snow Art” de Kajiyama costumam ocupar áreas de aproximadamente 100m² cada. “Suas criações ocorrem desde antes do amanhecer, no silêncio congelante, enquanto o céu começa a mudar de cor e continuam pela tarde, às vezes estendendo-se por vários dias. Segundo o artista, cada passo que ele dá para compactar a neve representa sua filosofia de esculpir a própria vida com uma mentalidade positiva, mesmo diante das adversidades”, explica a curadora.
A neve é um elemento tão presente no dia a dia do Japão, que os japoneses até desenvolveram um glossário dedicado a descrever suas diversas formas – seja a neve fina que parece pó, seja a neve macia que se assemelha a um mochi (bolinho de arroz glutinoso).
Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Por isso, desde tempos antigos, a produção de sal é feita por um método que consiste em duas etapas: a concentração da água do mar em salinas, e o processo de evaporação por meio da fervura. Esse método permanece em prática até hoje, mesmo que a produção seja feita majoritariamente de forma industrializada. Além de ser utilizado como tempero e conservante, o sal também é um objeto ritualístico na tradição xintoísta. A prática popular de criar pequenos montes de sal e deixá-los perto das entradas das casas, estabelecimentos ou santuários, como forma de atrair boa sorte e afastar os maus espíritos é chamada de morishio ou morijio. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.
A exposição também integra o programa JHSP Acessível, oferecendo WebApp com conteúdos acessíveis e textos traduzidos em inglês, espanhol e japonês, bem como recursos táteis, audiodescrição e vídeos em Libras para proporcionar acessibilidade a todos os visitantes.
Exposição | Shiro: uma escala de nuances
De 02 de junho a 25 de outubro
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Período
Local
Japan House São Paulo
Avenida Paulista, 52 – Bela Vista, São Paulo - SP
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Desde os primeiros retratos de colonizadores europeus no século XVI, a paisagem brasileira foi deliberadamente apresentada ao mundo por um olhar estrangeiro que instituiu um imaginário exótico sobre o país
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Desde os primeiros retratos de colonizadores europeus no século XVI, a paisagem brasileira foi deliberadamente apresentada ao mundo por um olhar estrangeiro que instituiu um imaginário exótico sobre o país que perdura até os dias de hoje. Do Éden intocado de exuberância infinita ao território selvagem a ser domesticado, a perspectiva colonial reduziu as subjetividades de uma nação tão complexa, miscigenada e de tamanho continental, cuja história antecede em muito a invasão portuguesa.
A mostra coletiva Brasil em Camadas, contudo, propõe romper com essa tradição de distanciamento, partindo de um ponto de vista situado no território em questão e descartando a paisagem-espetáculo. Um Brasil observado por quem o habita, com suas dores e conflitos, mas também com seus prazeres, afetos e imaginações.
O percurso começa justamente com o gênero que mais contribuiu para a formação desse imaginário exotizado: a paisagem. Nas telas de Miguel Chiquitano, o tema remete à tradição que fascinou os viajantes europeus durante o período colonial, mas a densidade da vegetação, o detalhamento das folhagens e atenção às cores, denunciam que a composição só poderia ser construída a partir da convivência próxima com a floresta, vínculo que dificilmente se daria de um olhar de fora. Suas pinturas eliminam a linha do horizonte, e sem ele. E sem horizonte, não há distância: a contemplação é conduzida para dentro da mata, para o emaranhado de raízes e sombras.
A revisão decolonial segue na obra “Mundus Hodiernus”, de Camille Kachani, na qual o artista reconstrói um mapa múndi, inspirado pelo contato com um do século XVII que representava o chamado “mundo moderno”. Os vastos oceanos azuis são compostos por cordas náuticas, miçangas e fragmentos de azulejos encontrados em antiquários de Lisboa, alguns datados de cerca de 1750. Por meio desses materiais, Kachani revisita os processos de colonização, pondo em questão a ideia de “história oficial” e revelando como a cartografia participou da construção de narrativas que organizaram e hierarquizaram o mundo.
Nas fotografias de João Castilho, a cor ocre-avermelhada, próxima da ferrugem e do minério, afasta a flora brasileira do exotismo tropical vendido no imaginário exterior. Já a escultura de Marco Tulio Resende, composta por madeira e barro de diferentes municípios mineiros, evidencia as potencialidades discursivas das matérias, que são carregadas de trabalho e memória.
Adiante, as fotografias da série “Cabanagem”, de André Penteado, trazem à superfície conflitos históricos brasileiros pouco populares. O título remete à Revolta da Cabanagem (1835-1840), que ocorreu na Província do Grão-Pará, uma das rebeliões mais violentas da história do país, quando populações negras, indígenas e ribeirinhas se levantaram contra domínio econômico dos portugueses na região amazônica, que persistiu mesmo após a independência do Brasil. Após os revolucionários matarem o governador da província e tomarem o poder por um ano, o movimento foi violentamente reprimido pelo governo imperial, resultando em mais de 30 mil mortes. Apesar de seu perfil popular e de sua escala, a sua história é virtualmente desconhecida no Brasil. Ao visitar igrejas coloniais em áreas amazônicas que testemunharam parte dos conflitos, o artista encontrou um santo envolto em papel pardo e outro com a face desfigurada, que deram origem aos registros.
A camada do conflito reaparece em chave mais recente na xerografia “Sufoco” (1979), de Mario Ramiro, realizada quando o país ainda vivia sob os efeitos da ditadura militar. Pioneiro do uso de impressões xerográficas e logo depois integrante do coletivo 3NÓS3, Ramiro registra um corpo comprimido contra a superfície da máquina, num gesto em que a precariedade técnica do meio se faz medida do cerceamento político. A imagem multiplicada em série inscreve na própria reprodução a sensação de asfixia que dá título ao trabalho.
No presente, a construção do território avança para o espaço urbano nas pinturas de Ian Salamente. Em um contexto em que as periferias brasileiras são fetichizadas, o artista as toma como pretexto para composições marcadas pelo afeto. Inspirados por familiares, amigos e vizinhos, os personagens que habitam suas pinturas aparecem em gestos cotidianos de cuidado e convivência. O pequeno monte de sal ao fundo faz referência à cidade natal do artista, Cabo Frio, cuja história foi construída pela produção de sal, atividade central da economia local por gerações.
Essa atenção ao Brasil habitado se prolonga nas pinturas de Rodrigo Cunha, que recolhe o país na escala do cotidiano e do interior doméstico. Em telas de tonalidades rebaixadas, figuras solitárias surpreendidas em poses contidas dividem o quadro com paisagens emolduradas dentro da própria pintura, de modo que a vista ampla, quando comparece, já está reduzida à condição de imagem pendurada na parede.
Outras obras da exposição levam a paisagem para o campo da fabulação. Em suas composições digitais, Marcelo Tinoco parte da fotografia para reinventar tais cenários naturais por meio de cores intensificadas, contornos acentuados e intervenções que misturam realidade e fantasia. Nas pinturas de Felipe Góes, pinceladas expressivas e paletas vibrantes criam paisagens de “não-lugares”, que fazem da natureza uma experiência sensorial. Já Flávia Junqueira constrói suas instalações justamente em lugares associados ao imaginário turístico brasileiro, como o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ou o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, grandes “cartões-postais” do Brasil, mas deslocados em uma dimensão lúdica com seus icônicos balões e cataventos.
Por fim, a fotografia de Rodrigo Braga projeta a paisagem para um horizonte mítico. Nascido na região amazônica, o artista desenvolve há mais de vinte e cinco anos uma pesquisa sobre as relações entre os seres vivos e o ambiente que os circunda. Na imagem, o ovo, figura arquetípica associada ao nascimento e à transformação, aparece como metáfora de um tempo presente em combustão, marcado por tensões e urgências, mas ainda capaz de gestar futuros possíveis.
Em conjunto, as obras discorrem sobre como as imagens do país foram historicamente construídas e continuamente reinventadas. Se por séculos o Brasil foi servido como iguaria à fome colonial, nessa exposição os artistas reivindicam a posição de quem observa a partir de dentro. Dessa posição, emerge a densidade de um território assumido em sua própria complexidade.
Serviço
Exposição | Brasil em Camadas
De 18 Junho a 18 Dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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A Zipper Galeria apresenta Aquilo Que Não Cabe, primeira ocupação do salão principal por Jessica Costa, com curadoria de Carollina Lauriano. A mostra parte de uma pergunta sobre a forma,
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A Zipper Galeria apresenta Aquilo Que Não Cabe, primeira ocupação do salão principal por Jessica Costa, com curadoria de Carollina Lauriano. A mostra parte de uma pergunta sobre a forma, a de saber quanto volume ela pode ter antes de deixar de ser tolerada.
A trajetória de Jessica Costa começa na moda, primeiro em uma fábrica de fios e depois na confecção artesanal de roupas. O ensino dessas técnicas a levou a aprofundar a pesquisa teórica sobre o têxtil e, daí, a adotar a tapeçaria como linguagem. Dessa formação permanece o corpo como medida, de modo que a figura humana segue organizando seu imaginário mesmo após a migração para as artes visuais.
A exposição nasceu de uma visita da curadora ao ateliê da artista, onde se encontrava sua primeira escultura. A conversa em torno do volume e da forma arredondada daquela peça resultou na proposta que orienta a mostra: pensar a redução.
Curadora e artista compartilham também um passado na moda, campo que, para Lauriano, se apresenta como espaço de expressão da individualidade ao mesmo tempo em que carrega valores opressivos, evidentes para quem está fora do “padrão”. A moda funciona, assim, como porta de entrada para uma pesquisa poética que alcança a vigilância do corpo em escala social mais ampla.
Entre as séries que integram a exposição, destaca-se o conjunto de quatro esculturas de tapeçaria sobre pedestais. De formas abstratas que guardam a observação do corpo, as peças diminuem em gradação, e a redução se faz parte por parte, com cada segmento da estrutura tratado como um membro que perde circunferência. O procedimento vem da modelagem de vestuário, em que graduar tamanhos é rotina. Sobre os pedestais, as esculturas ultrapassam a escala humana e convocam a estatuária greco-romana, referência de monumentalidade afastada do cotidiano. A lã aproxima o que o mármore mantém à distância.
A lógica da série surgiu do próprio fazer, já que cada peça toma como referência a anterior, sequência que a artista associou às fotografias de emagrecimento que circulam nas redes sociais.
“Durante a confecção de cada escultura, minha referência é sempre a forma anterior. Isso me remeteu às imagens de antes e depois que acompanham os processos de emagrecimento, em que uma fotografia é colocada ao lado da outra”, diz Jessica Costa.
Nas três tapeçarias emolduradas, a moldura reaparece como figura da contenção. Se na série Sobejos a tapeçaria já escapava pelas laterais do retângulo, aqui o avanço se torna tridimensional e se projeta para fora do plano. As obras partilham a mesma composição cromática, enquanto o desenho varia em ganho e perda de volume.
Voluptuosa encerra o percurso com quatro esculturas de parede que nascem de um quadrado e crescem para fora dele. O ponto de partida é a lingerie, peça do vestuário que dá contorno ao corpo. A artista trabalhou com espuma expansiva e pressionou o material, ainda maleável, com tiras de sutiã, de modo que a forma escapasse pelos intervalos das marcações.
Reunidas, as obras tratam da vigilância da forma num momento em que o debate público sobre o corpo feminino passa pelos medicamentos para emagrecer e pelo uso que a sociedade faz desse recurso. A exposição desloca o assunto para o campo estético, onde a forma é percebida antes de ser julgada, e a tapeçaria responde a ele com volume e demora.
“Esta exposição trata da forma que ocupa o espaço e de como ela é percebida no campo estético. Desloco uma questão profunda, a vigilância dos corpos, para a minha linguagem e faço essa reflexão por meio da tapeçaria”, afirma a artista.
Essa demora tem medida concreta no ateliê. Cada obra soma cerca de doze etapas manuais, das quais a tapeçaria é a última e a única que chega ao olhar do público. O que se vê é a superfície de um processo longo, que dá ao volume o tempo de se formar. Na leitura da curadoria, é desse modo que o conjunto procura saídas para as “armadilhas do padrão”, ao conceder à forma o espaço que a norma lhe recusa.
Serviço
Exposição | Aquilo que não cabe
De 08 de outubro a 18 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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O Museu do Ipiranga apresenta a exposição inédita Liberdade: bairro plural. A mostra propõe um novo olhar sobre um dos bairros mais conhecidos de São Paulo e convida o público
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O Museu do Ipiranga apresenta a exposição inédita Liberdade: bairro plural. A mostra propõe um novo olhar sobre um dos bairros mais conhecidos de São Paulo e convida o público a refletir sobre O que é um bairro? O que é um bairro étnico? E o que torna um bairro plural?
Ao longo de mais de dois séculos, a região foi ocupada e transformada por diferentes grupos sociais e étnicos, tornando-se um território marcado por encontros, trocas culturais, permanências, deslocamentos e disputas de memória.
Com curadoria dos historiadores Paulo Garcez Marins, Mônica Raisa Schpun, Aline Montenegro Magalhães, Francisco Andrade e David Ribeiro, a exposição está organizada em três módulos e apresenta a Liberdade como um território em constante transformação.
Durante a visita mediada, o público é convidado a percorrer a exposição com educadores do Museu, aprofundando temas, contextos históricos e questões apresentadas pela mostra.
Serviço
Exposição | Liberdade: bairro plural
De 7 de julho a 31 de janeiro
Terça a domingo, das 10h às 17h
Duração: 1 hora
Período
Local
Museu do Ipiranga
R. dos Patriotas, 100 - IpirangaSão Paulo - SP
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra grandiosa que atravessa gerações e ocupa um lugar singular na cultura do país.
Idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), a exposição chega ao Museu das Favelas em sua primeira itinerância, reunindo mais de 650 itens do acervo pessoal de Alcione — entre fotografias raras, vídeos, prêmios, figurinos e objetos marcantes. Com Amor, Alcione convida o público a percorrer momentos da trajetória artística e biográfica da cantora, percorrendo temas como família, fé, carnaval, migração e identidades negra e nordestina, evidenciando como a trajetória de Alcione dialoga com experiências coletivas e processos históricos que constituem a cultura brasileira.
Serviço
Exposição | Com Amor, Alcione
De 10 de julho a 06 de dezembro
Terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h
Período
Local
Museu das Favelas
Largo Páteo do Colégio, 148 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP
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“Nazareth Pacheco: Jogos de Contaminação” reúne trabalhos realizados pela artista desde o fim dos anos 1980, acompanhando sua produção e suas pesquisas ao longo de quatro décadas, além de incluir duas obras na área externa feitas para esta exposição.
Na fortuna crítica sobre a produção da artista, é recorrente a menção à influência inicial do pós-minimalismo, à serialização como procedimento operacional e ao interesse pela experimentação de materiais e pelo confronto com suas propriedades e usos. Destaca-se, igualmente, o modo como sua obra se vincula à sua biografia, à investigação do próprio corpo e do feminino, desde sua dimensão íntima à política.
Sua produção é também frequentemente associada a relações de contraste e reflexo entre beleza e violência, sedução e repulsa, prazer e dor, proteção e aprisionamento, controle e vulnerabilidade, intimidade e exposição, fragilidade e resistência.
Para Nazareth Pacheco, esses binômios não operam como opostos. Eles evidenciam o caráter simultâneo e indissociável de seus dois polos, dando a ver a tensão e as inversões que mantêm a partida em movimento e o corpo-jogador no páreo. Como no Ping-Pong, a atenção é capturada pela dinâmica do bater e rebater, que aqui se instaura entre artista, matéria, assunto, espaço e público. Em interação, fazem suas apostas, instauram suas regras e, volta e meia, as transgridem.
Nesse sentido, o jogo, para a artista, funciona como procedimento crítico: operação capaz de converter signos culturalmente estabilizados em experiências ambíguas e perturbadoras, revelando as violências sutis inscritas nos dispositivos de normalização e captura do corpo e do desejo.
O que se compreende, com a partida já em curso, é que tornar o corpo mulher talvez seja a jogada mais arriscada: a grande aposta. Em um território marcado pela intimidade, esse corpo, fragmentado e sempre em formação, é constantemente atravessado por mecanismos de normatização, captura e resistência. Já ao redor do Quarto, impenetrável, aquilo que antes parecia restrito ao espaço privado nos lembra que os jogos de poder contaminam-se e proliferam na esfera social e coletiva.
Essas tensões são visíveis também nos materiais que a artista mobiliza e na maneira como subverte seus usos habituais: da borracha, do bronze e do latão à cera, ao acrílico, às miçangas, às agulhas, lâminas e outros objetos cortantes, cirúrgicos, além do próprio sangue. Suas superfícies sedutoras e reluzentes devolvem ao espectador uma imagem invertida e instável de si mesmo e do entorno. Materiais, corpos, sentidos e posições transformam-se mutuamente ao longo da partida. Entre parceiros e adversários, atração e confronto, cada aproximação revela que a experiência com a obra é sempre também uma experiência de contaminação.
Amanda Tavares, curadora
Serviço
Exposição | Jogos de Contaminação
De 18 de julho a 31 de outubro
Terça a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia - MuBE
Rua Alemanha, 221 - Jardim Europa, São Paulo - SP
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Exposição “Entre o Instante e a Eternidade” reúne alguns trabalhos do artista que ninguém nunca viu. A segunda exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos será aberta no Museu Histórico
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Exposição “Entre o Instante e a Eternidade” reúne alguns trabalhos do artista que ninguém nunca viu.
A segunda exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos será aberta no Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis. Com curadoria de Luciana Paulo Corrêa e Monique Fonseca, “Entre o Instante e a Eternidade” vai reunir algumas obras do artista que nunca foram expostas ao público. A abertura será às 10h30, e a entrada é gratuita.
Realizadas em suportes como tela, papel kraft e plástico, as 18 obras pictóricas pertencentes ao acervo da Fundação Hassis evidenciam a diversidade de materiais explorados pelo artista. As pinturas revelam diferentes momentos da produção de Hassis e ampliam as possibilidades de leitura da obra.
Segundo a curadora Monique Fonseca, cerca de 80% das obras nunca foram exibidas antes e são resultado de pesquisa aprofundada no acervo da Fundação. “O processo de seleção das obras envolveu uma ampla pesquisa com o propósito de revelar trabalhos pouco conhecidos e oferecer novas leituras sobre a produção do artista. Esta é uma oportunidade singular de conhecer facetas ainda pouco exploradas de Hassis”, compartilha.
Embora marcada pelo ineditismo, a exposição também contempla temas emblemáticos da trajetória do artista. Entre eles, obras dedicadas a Florianópolis e à sua paisagem, como “Vento Sul e Chuva”, pintada em 1957 e considerada uma obra símbolo. Também estão presentes séries que abordam Carnaval, religiosidade e outros temas recorrentes.
Ao propor o título “Entre o Instante e a Eternidade”, a curadoria reconhece o lugar singular que Hassis ocupa: uma obra que não pertence apenas ao passado, mas que continua a alcançar o presente com a mesma força. Para Monique Fonseca, a expectativa é que o público se surpreenda ao visitar a mostra. “A exposição não foi concebida como retrospectiva, mas como experiência que mostra a atualidade de Hassis. E se ao final da visita o público sentir que esteve diante de um artista cuja obra permanece viva, capaz de emocionar, provocar e encantar cem anos depois de seu nascimento, teremos alcançado nosso principal objetivo”, afirma.
Essa não será a primeira vez que obras de Hassis serão apresentadas no Museu Histórico de Santa Catarina. O artista já participou de duas individuais no local, em 1990, com “Contestado – Terra Contestada”, e em 1991, com “Farra do Boi”.
Serviço
Exposição | Entre o Instante e a Eternidade
De 25 de julho a 28 de março de 2027
Terça a sexta, das 10h às 18h, e aos sábados e domingos, das 10h às 17h
Período
Local
Museu Histórico de Santa Catarina
Palácio Cruz e Sousa - Praça XV de Novembro, 227 - Centro, Florianópolis - SC
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição coletiva “Rajada encarnada”, como parte de seu II Ciclo Expositivo do ano. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a coletiva reúne trabalhos
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição coletiva “Rajada encarnada”, como parte de seu II Ciclo Expositivo do ano. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a coletiva reúne trabalhos de Ana Prata, Anderson Borba, Maria Andrade, Pedro França e Rodrigo Andrade.
A mostra propõe uma reflexão sobre procedimentos e operações que constituem a prática artística e a obra de arte, destacando diferentes linguagens, modos de construção e materialidades que reverberam intensidades. No texto crítico, Thais Rivitti aponta que não cabe formular uma ideia geral ou um endereçamento conceitual capaz de dar conta do conjunto apresentado, uma vez que a exposição convida o público a observar de perto como os artistas trabalham e constroem sua pesquisa ao longo do tempo.
“Deixar um pouco de lado as referências circunstanciais que cada trabalho inevitavelmente guarda e atentar para seus modos de construção. Acompanhar o olhar, deslizando entre as obras, percorrendo superfícies, enroscando em emaranhados nodosos, dando de cara com materialidades mais duras e opacas, oscilando junto às vibrações mais frenéticas. Assim, é possível ver os trabalhos conversando entre si”, descreve a crítica de arte e curadora.
A exposição conta com dois grandes trabalhos de Pedro França (Rio de Janeiro, 1984) que partem de um suporte fragmentado, composto pela colagem de pedaços menores de papel. Sua estratégia de construção é a do acúmulo, na qual os desenhos do artista, transferidos para a tela por meio da técnica da monotipia, vão se sobrepondo, criando densidade e peso pela insistência e abundância das linhas e marcas importantes do labor do artista: áreas rasgadas, sobreposições, colagens.
Nos trabalhos de Anderson Borba (Santos, 1972), em oposição ao acúmulo, a ação muitas vezes começa com a subtração de matéria, por meio do desbaste da madeira, o gesto de entalhar, perfurar e escavar. Suas esculturas também evidenciam uma atenção especial às superfícies, aproximando-se de questões da própria pintura: além do volume e peso, sua obra investiga as formas de percepção da matéria.
No campo da pintura — embora os artistas entrelaçem linguagens a todo momento — as pinturas leves e atmosféricas de Maria Andrade (São Paulo, 1967) são conduzidas pela cor. Na série escolhida para a exposição, ela instala pequenas asas de metal nos trabalhos, criando um território em suspensão que oscila entre a ideia de tornar os objetos flutuantes e presos no espaço.
Já Ana Prata (Sete Lagoas, 1980) aproxima-se do mundo cotidiano — com fragmentos da arquitetura, revestimentos, móveis e objetos domésticos — para deslocar suas condições habituais e ampliar não somente sua presença no campo visual, mas também a condição de isolamento dos objetos no vazio. Também utilizando o mundo como um repertório plástico, Rodrigo Andrade (São Paulo, 1962) dá atenção à tinta como matéria. Em sua longa trajetória no campo da pintura, a tinta se torna um material quase escultórico, com densidade e peso, criando superfícies ásperas ou lisas, que se apresentam de formas diferentes ao espectador.
Além da coletiva, o II Ciclo Expositivo inclui as individuais “Política da superfície”, de Ana Raylander Mártis dos Anjos (Gabinete) e “Mitologias do mistério”, de Omep (Projeto 280X1020). Para o curador Claudio Cretti, “este ciclo propõe tensionar as dimensões constitutivas da prática artística contemporânea, ampliando as possibilidades de leitura do mundo e evidenciando, nessas fricções, a potência da oposição”.
Ainda no dia 25 de julho, o programa de Performances da Casa apresenta “O amor é floresta”, uma performance instalativa de Rodrigo Munhoz a.k.a. Amor Experimental em que plantas urbanas, conectadas a captadores, convertem o toque em som.
O II Ciclo Expositivo é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú, apoio de Casal Garcia e Interfood e apoio de mídia de Catraca Livre.
Serviço
Exposição | Rajada encarnada
De 25 de julho a 25 de outubro
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, a Galeria Marília Razuk apresenta Quarto, mostra coletiva que dá continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e suas
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, a Galeria Marília Razuk apresenta Quarto, mostra coletiva que dá continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e suas dimensões simbólicas e afetivas A exposição será realizada no Anexo Galeria Marilia Razuk, número 62 da Rua Jerônimo da Veiga, um espaço destinado a projetos especiais.
Partindo da ideia deste quarto como um ambiente íntimo e privado, a exposição propõe uma aproximação sensível com esse território onde o indivíduo se encontra consigo mesmo e, ocasionalmente, com o outro. As obras reunidas refletem sobre estados de solidão, relações de companhia amorosa e/ou sexual, além de explorar o universo onírico, os devaneios e as construções subjetivas que emergem nesse espaço.
Cristina Tolovi pontua: “Quarto parte de um espaço que todos conhecemos, mas que raramente pensamos: o lugar onde a subjetividade se forma. A exposição reúne obras que abordam esse território íntimo como refúgio, mas também como um campo ativo de construção, onde desejos, memórias e tensões ganham forma.”
A mostra desdobra questões já abordadas na coletiva Sala de Jantar, também realizada no Anexo Galeria Marilia Razuk, em maio de 2025, e que teve como ponto de partida o emblemático trabalho Hôtel du Pavot, Chambre 202, de Dorothea Tanning, estabelecendo conexões entre o surrealismo e suas investigações sobre o inconsciente e o espaço doméstico.
Reunindo artistas como Alan Chu, Ana Dias Batista, Ana Sant´Anna, A Transälien, Bruno Faria, Carolina Colichio, Débora Bolzsoni, Estúdio Rain, Juliana Sedó, Karola Braga, Lyz Parayzo, Marcus Deusdedit, Maria Tereza Bomfim, Mónica Heller, Patricia Faragone, Regina Vater, Rodrigo Bueno, Rose Afefé, Seba Calfuqueo e Thiago Honório, a coletiva propõe um percurso imersivo por diferentes abordagens contemporâneas que investigam a intimidade, o corpo, o desejo e os espaços de recolhimento.
“Passada a sala de jantar, uma caminhada por um corredor escuro leva até o quarto. Se, antes, procuramos dar o primeiro passo dentro da intimidade associada ao espaço doméstico, agora, damos os outros. Chegamos ao espaço que mais pode revelar sobre seu dono ou dona. Na sala de jantar, havia pequenas revelações, mas elas eram controladas, e se misturavam frequentemente a estratégias exibicionistas relativas a como alguém gostaria de ser visto”, conta Luana Fortes. Ainda segundo Luana, no quarto, há pouco espaço para estratégia. Por isso, esta exposição se aproxima sobre aspectos mais sutis do momento em que as pessoas se recolhem nos quartos onde dormem.
Quarto convida o público a atravessar um território sensível onde o privado se torna compartilhável e onde o quarto, mais do que um espaço físico, se revela como um campo de projeção subjetiva, memória e imaginação.
Serviço
Exposição | Quarto
De 09 de Maio a 08 de Agosto
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Anexo Galeria Marília Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 131 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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Florianópolis recebe uma mostra totalmente interativa pensada para aproximar o público do universo poético de Hassis. “Hassis Brincante“, exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos e celebra o centenário
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Florianópolis recebe uma mostra totalmente interativa pensada para aproximar o público do universo poético de Hassis. “Hassis Brincante“, exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos e celebra o centenário do artista, abre para visitação na Fundação Hassis, localizada no bairro Itaguaçu, região continental da Capital de SC. A entrada é gratuita.
Idealizada pela curadora Monique Fonseca, a exposição propõe um percurso sensorial que convida visitantes de todas as idades a experimentar, imaginar e criar. Segundo ela, a proposta nasceu do desejo de transformar a relação do público com a obra do artista por meio de uma experiência que refletisse o próprio universo de Hassis. “Em vez de uma exposição apenas contemplativa, propus um percurso que pudesse ser vivido com o corpo, a imaginação e a curiosidade”, compartilha.
A partir dessa perspectiva, a curadora definiu núcleos temáticos que atravessam a produção do artista: o mar, o circo, os heróis, as brincadeiras, os mistérios do cotidiano e “A Porta”, obra permanente da Fundação Hassis. Esses temas se tornaram o ponto de partida para a criação de sete estações interativas, concebidas como interpretações sensíveis do universo de Hassis.
“Mais do que observar referências à obra de Hassis, o visitante é convidado a explorar, brincar, imaginar e criar. A exposição propõe uma relação ativa com o universo do artista, transformando a visita em uma experiência de descoberta, participação e construção de novas memórias”, explica a curadora que começou a concepção da mostra há mais de um ano, durante o planejamento das celebrações do centenário de Hassis.
Entre as obras que dialogam com os núcleos da mostra estão “O Pescador” (1988), “A Porta” (1967), a Série “O Circo” (1989), a Série “HQ” (1988) e a coletânea “Hassis Mar”, que inspiram as estações da exposição.
Interatividade e sustentabilidade
A escolha dos materiais também reforça o caráter educativo e sustentável da mostra. Todas as instalações foram confeccionadas em papelão, além de adesivos, peças magnéticas e suportes interativos. “O papelão foi escolhido por sua versatilidade e por reforçar o compromisso da mostra com a sustentabilidade. É um material que desperta a criatividade e demonstra que experiências artísticas significativas podem nascer da simplicidade”, destaca a curadora.
Para Monique, os suportes da mostra fazem parte da narrativa curatorial. Pois, ao utilizar materiais recicláveis e elementos interativos, a exposição convida cada visitante a assumir uma postura ativa, explorando, imaginando e criando. Essa escolha também dialoga com o título da exposição, “Hassis Brincante”. “O termo ‘brincante’, sintetiza a relação de Hassis com o circo, as brincadeiras de rua, o cotidiano da cidade e os personagens que povoam sua obra”, completa a curadora.
Serviço
Exposição | Hassis Brincante
De 25 de julho a 30 de janeiro de 2027
Segunda a sexta das 13h30 às 17h30 e aos sábados das 10h às 15h
Período
Local
Fundação Hassis
Luiz da Costa Freysleben, 87 - Itaguaçu, Florianópolis - SC
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá uma exposição à altura de sua trajetória: ‘O Brasil de Tarsila’ inaugura, em agosto, um novo espaço expositivo em São Paulo, o Nubank Arte Lab, o maior e mais moderno local de exposições e experiências imersivas do Brasil, com uma estrutura altamente tecnológica, sensorial e interativa.
Localizado no Conjunto Nacional, o empreendimento foi concebido pela Aventura — sob a liderança dos co-CEOs Aniela Jordan, Luiz Calainho e Giulia Jordan — e pela Deeplab Project, de Felipe Reif, com o Nubank, que assume o naming rights do espaço, com inauguração prevista para 15 de agosto.
Já ‘O Brasil de Tarsila‘ é apresentado pelo Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio master da EMS, apoio da Alelo, IRB(Re) e BNY. O projeto é uma realização da Tarsila S.A., liderada por Paola do Amaral Montenegro, e a Live Idea, de João Giani, em coprodução com a Deeplab e a Aventura.
Sobre a exposição
Ao longo de mais de dez salas, o universo visual de Tarsila será revisitado por meio de projeções monumentais de 360 graus, cenografia imersiva, trilha sonora e dispositivos interativos com direito a efeitos especiais e até aromas que vão guiar o visitante em uma jornada sensorial de grande escala por cerca de 40 obras da artista, entre pinturas icônicas, desenhos, esboços e ilustrações.
Mais do que contemplar suas obras, o público será convidado a interagir, explorar e mergulhar em ambientes que revelam suas referências, sua trajetória e o contexto artístico que marcou sua produção.
A proposta dialoga com uma linguagem contemporânea já consagrada internacionalmente por exposições imersivas dedicadas a artistas como Monet e Van Gogh, que transformaram a interação entre o público e as artes visuais. Agora, é a vez de uma artista brasileira ocupar esse espaço.
Todo o conteúdo audiovisual da mostra foi desenvolvido por artistas visuais e não por inteligência artificial, garantindo consistência estética e respeito às obras originais. A proposta é utilizar a tecnologia como meio de ampliação da experiência artística, e não como substituição da criação.
‘O Brasil de Tarsila’ busca aproximar novos públicos da arte e formar futuros visitantes de museus e apreciadores das artes visuais. A exposição foi concebida para receber famílias, despertar a curiosidade de crianças e jovens e abrir portas para pessoas que talvez nunca tenham tido contato direto com a obra de Tarsila.
A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro e Juliana Miraldi. Paola, gestora da Tarsila do Amaral S.A., atuou diretamente na construção dos enquadramentos narrativos da exposição, assegurando fidelidade à trajetória e ao legado da artista. Já Juliana Miraldi, pesquisadora e curadora de exposições imersivas, estrutura a dimensão conceitual da mostra ao integrar pesquisa acadêmica em artes visuais com as linguagens contemporâneas da arte digital.
A mostra reunirá releituras imersivas de trabalhos emblemáticos como Abaporu, Antropofagia, A Cuca, Operários e O Sono, além de outras obras importantes como São Paulo, Religiões Brasileiras, Figura só e Autorretrato (Le Manteau Rouge). Também integram o percurso desenhos e registros de viagens realizados pela artista, revelando paisagens e referências que marcaram profundamente sua produção.
‘O Brasil de Tarsila’ realizará um grande mergulho no imaginário da artista, recheado por cores vibrantes, paisagens e personagens brasileiros, convidando o público a atravessar suas formas dentro de uma experiência sensorial que conecta Arte e Tecnologia.
Serviço
Exposição | O Brasil de Tarsila
De 15 de agosto a 15 de fevereiro
Quarta a segunda e feriados, das 10h às 22h
Ingressos
De sexta a domingo e feriados – Inteira: R$ 100,00 | Meia-entrada: R$ 50,00
Segundas, quarta e quintas – Inteira: R$ 80,00 | Meia-entrada: R$ 40,00
Período
Local
Nubank Arte Lab
Conjunto Nacional, Avenida Paulista 2.073 – São Paulo, SP
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Vonta de vi dada dada, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. Reunindo
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Vonta de vi dada dada, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo.
Reunindo um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, a mostra amplia a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos. Distribuídas entre os dois espaços, esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila assumem configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas, florestas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuos.
No centro da exposição está uma nova série de esculturas murais que Neto denomina InsePás: estruturas tensionadas e celulares que se expandem pelas paredes, tetos e cantos da arquitetura como organismos vivos ou fluxos de energia atravessando o espaço. Desenvolvidos a partir de pesquisas anteriores sobre suspensão, equilíbrio e estruturas relacionais, esses trabalhos aprofundam a compreensão do artista da escultura como algo ativado pelo encontro, e não como forma estática. Em diálogo com eles, a exposição inclui uma escultura de grande escala em aço corten cuja estrutura ramificada evoca simultaneamente uma paisagem montanhosa e um corpo vivo sustentado por relações de equilíbrio e apoio mútuo.
Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado. Em vez de estabelecer separações entre natureza e cultura, ou entre arquitetura e corpo, a exposição propõe um ambiente em que formas humanas e não humanas coexistem em constante intercâmbio, reafirmando a compreensão de Neto de que a vida se sustenta por meio das relações, da reciprocidade e da vitalidade compartilhada entre todos os seres.
Serviço
Exposição | Vonta de vi dada dada
De 22 de agosto a 24 de outubro
Terça a sexta das 10h às 19h, sábado das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta O homem nu, a primeira mostra panorâmica da obra de Efrain Almeida (1964 – 2024) na galeria desde seu falecimento. Reunindo trabalhos produzidos entre
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A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta O homem nu, a primeira mostra panorâmica da obra de Efrain Almeida (1964 – 2024) na galeria desde seu falecimento. Reunindo trabalhos produzidos entre 1995 e 2024, a exposição oferece uma vista ampla de sua trajetória e propõe uma leitura de sua produção a partir das relações entre corpo, espiritualidade e desejo. Nascido em Boa Viagem, Ceará, o artista desenvolveu uma obra profundamente marcada pelos materiais, pelos saberes e pelas tradições culturais da região do Cariri, transitando entre escultura, instalação, pintura, bordado e aquarela. Ao longo de quase três décadas, articulou diferentes geografias, crenças, identidades e tradições materiais por meio de uma linguagem visual na qual madeira, tecido, bronze e papel tornam-se suportes para experiências ao mesmo tempo íntimas e universais.
A exposição é centrada nas esculturas de Almeida, ao lado de aquarelas, pinturas a óleo e bordados. Entre os motivos recorrentes estão corpos e fragmentos do corpo, vestimentas, autorretratos e animais nativos do Nordeste brasileiro, especialmente aves. Em sua obra, referências ao imaginário católico convivem com a sensualidade do corpo nu, que adquire dimensões tanto eróticas quanto sagradas. Em O Outsider (2017), um autorretrato bordado surge sobre uma camisa de seda translúcida, cuja transparência e aparente leveza reforçam uma recorrente sensação de transitoriedade, onde o rosto aparece como um emblema num suporte esvoaçante.
Embora profundamente enraizada nas experiências, paisagens e tradições do interior do Ceará, a obra de Almeida nunca se restringe ao registro autobiográfico ou regional. Sua produção transforma referências locais em imagens capazes de evocar experiências universais, fazendo da memória, da espiritualidade, da fragilidade do corpo e do desejo questões compartilhadas. Essa passagem entre o íntimo e o coletivo, entre o local e o universal, encontra paralelo na própria escala de suas esculturas: executadas com notável precisão e frequentemente em pequenas dimensões, elas estabelecem uma relação expansiva com o espaço expositivo, reorganizando a percepção do ambiente e exigindo do espectador uma aproximação atenta. Uma atenção semelhante se estende às representações de animais, observadas com delicadeza e frequentemente apresentadas de modo deslocado na arquitetura. Entre elas, Lázaro (2005), escultura em madeira de um cão que estende a língua em direção à parede da galeria, faz referência à figura bíblica do mendigo cujas feridas eram lambidas apenas por cães, condensando em um único gesto dimensões de cuidado, abandono e ternura que atravessam toda a obra do artista.
A exposição se desdobra em uma ocupação na casa 29, espaço para projetos especiais da galeria Sardenberg
Serviço
Exposição | O homem nu
De 22 de agosto a 24 de outubro
Terça a sexta das 10h às 19h, sábado das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Cantaria, primeira exposição individual de Daniel Jorge em São Paulo. Ocupando o galpão da Barra Funda, a mostra
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Cantaria, primeira exposição individual de Daniel Jorge em São Paulo. Ocupando o galpão da Barra Funda, a mostra reúne obras inéditas entre esculturas, relevos de parede, instalação e performance, e é acompanhada por um ensaio inédito docurador e pesquisador Carlos Quijon Jr.
O título da exposição nomeia o ofício do canteiro, o saber técnico da pedra talhada, que o artista aprendeu. A palavra guarda também o canto, som de ritual e de trabalho que acompanha quem talha. É desse cruzamento entre mão e voz, precisão e improviso, que a prática de Jorge se forma. Nas obras, a matéria não chega sozinha, mas acompanhada do trabalho, das trocas e das histórias que a trouxeram até ali.
Nascido em Recreio, no interior de Minas Gerais, criado na Curumau, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e radicado em Salvador, Jorge trabalha com o que essas três geografias lhe deram. A pedra-sabão, rocha densa e macia que serviu ao Barroco mineiro, chega ao ateliê por relações de trocacom trabalhadores e pequenas comunidades de Minas Gerais. “Cada pedra carrega uma cadeia de corpos dentro da obra”, diz o artista.
Para Jorge a obra se dá em, “testar até onde a matéria pode ir, e deixá-la responder”.A resposta está, por exemplo, no processo de pigmentação que o artista desenvolveu. O carvão, produzido no ateliê a partir de madeiras coletadas na cidade e ali queimadas, é veículo e reagente ao mesmo tempo; o pigmento azul é feito de resíduo gráfico adquirido em trocas com as gráficas da cidade. Misturado ao carvão e depositado sobre a pedra-sabão, o azul torna aparentes os quartzitos que a atravessam, e a superfície ganha pontos brilhantes que nenhum gesto poderia planejar. O piche, emulsão asfáltica que pavimenta as estradas e impermeabiliza as lajes das casas da periferia, entra como camada de negro profundo que pigmenta e adiciona uma fina camada de pele sobre a pedra.
O ferro coletado pelo artista ora carrega um processo natural de oxidação, ora é oxidado com sal, água e vinagre, técnica que pessoas escravizadas em fuga usavam para escurecer as ferramentas e camuflá-las na mata durante as travessias para os quilombos. Incrustadas na pedra entalhada, aspontas de ferro se erguem como torres, lanças, pregos. Não são ornamento: guardam a memória dafuga e organizam o trabalho, naquilo que o artista chama de “vingança simbólica”, exercida no gesto.
Sobre a pedra, Jorge realiza o gesto da escarificação: talhos, incisões, arranhões. Sua pesquisa reúneos muitos sentidos desse gesto, da marca corporal que, entre povos como Mursi, Iorubá e Nuba, inscreve pertencimento na pele, à quebra da casca da semente para que ela germine, até a incisão médica que vacina e cura. Nas superfícies escultóricas, o motivo reaparece em campos de perfurações, sulcos ordenados e protuberâncias. É o que conduz o artista ao quelóide, a pele que insiste em retornar ao seu plano original: a matéria que até então era subtraída passa a seraglutinada, criando pequenos relevos antropomórficos em algumas das peças.
Na exposição, as obras pendem do teto, encostam na parede, pousam direto no chão. Em Balanced Manumission (2024), esferas de pedra e correntes de ferro não estão presas a nada: apenas se equilibram, o peso de uma segurando o da outra. Em Boiar é entregar o peso à correnteza (2026), um bloco de pedra-sabão atravessado por grandes orifícios repousa no chão, circundado por uma corrente que carrega na ponta um cavalo marinho; o título ensina o gesto: boiar não é esforço, é entrega. E em Orifício (2024), uma pedra cinza e escarificada se incrusta numa parede em U que organiza o percurso da primeira sala: é como se a obra se tornasse um hospedeiro na parede do espaço, nos confundindo em torno da equação da matéria que se perde entre adição e subtração atornando parte. O movimento se repete em diversos trabalhos da mostra: o artista borra o caminhoque nos permitiria dizer se a forma resulta de uma subtração ou de uma adição de matéria.
A mostra culmina na instalação-performanceCondição de Assentamento(2026), em que quarenta enove pedras-sabão se distribuem pelo chão, ocupando uma sala inteira da galeria. Realizada antes daabertura da exposição, a performance faz do próprio trabalho do artista um modo de ocupar oespaço: Jorge divide as pedras com cunhas, pigmenta-as com carvão, piche e resíduo gráfico azul,escarifica-as. Encerrado o gesto, o artista se retira, e as pedras permanecem como constelaçãodurante todo o período expositivo.
Para o artista, “o direito à subjetividade, ao deslocamento, à abstração, à ambiguidade, direitos sistematicamente cooptados de certos corpos no Brasil, são reivindicados aqui como infraestrutura material da obra, não como pauta”. O que se revela em Cantaria é uma prática sustentada por mais-velhos, trabalhadores e amizades, ou, nas palavras de Quijon, “uma ecologia que prospera em chão irregular”.
Serviço
Exposição | Cantaria
De 22 de agosto a 6 de novembro
Terça a sexta, das 11h às 19h; sábado, das das 10h às 17h
Período
Local
Mendes Wood DM
Rua Barra Funda, 216, São Paulo – SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a exposição reúne 187 trabalhos de 148 artistas provenientes de 20 países. A mostra analisa como colonização, migração, movimentos de resistência e projetos de nação contribuíram para a criação de diferentes narrativas sobre a América Latina.
Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, obras do período pré-colonial ao contemporâneo dialogam a partir de problemas compartilhados, como a colonização, o extrativismo, os projetos de progresso, as formas de organização coletiva, as migrações, as diásporas e as aspirações de futuro. Pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, instalações, têxteis e vídeos revelam o uso de imaginários e símbolos para inventar, governar e disputar a região ao longo do tempo.
“A América Latina está interligada por múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense. Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas e ritmos complexos que respondem a muitos intercâmbios. A região é uma zona de conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, diz Amanda Carneiro.
A exposição está organizada em cinco núcleos: O mundo ao revés, Retórica do progresso, Sociedades americanas, Estamos em salsa e A queda do céu.
O mundo ao revés parte do conceito andino pachakuti, que nomeia uma inversão radical da ordem do mundo. Para inúmeros povos indígenas, a invasão europeia das Américas produziu uma ruptura dessa natureza, alterando relações com o território, o tempo e o conhecimento. O conjunto de obras reflete como a colonização inventou um mito de paraíso tropical repleto de riquezas naturais que estaria à disposição para ser explorado pela Europa, e a versão latino-americana do Barroco.
Já Retórica do progresso examina como projetos de urbanização e industrialização moldaram uma narrativa latino-americana do século 20, revelando promessas e contradições. A cidade, a fábrica, a rodovia, a arquitetura e o planejamento urbano despontam como uma vitrine de uma modernidade anunciada, mas também como instrumentos de controle, desigualdade e devastação ambiental. A expografia permite que uma das janelas do Edifício Pietro Maria Bardi revele a vista da Avenida Paulista, estabelecendo um diálogo entre a capital paulista e a exposição. Nesse núcleo, a obra comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da artista mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa parte do piso do espaço expositivo. A instalação reproduz em grande escala um dos primeiros mapas europeus feitos de Tenochtitlan — então capital do Império Asteca e atual Cidade do México. Deball evidencia como a cartografia colaborou para classificar, administrar e dominar o território indígena. A mostra apresenta ainda outras obras comissionadas de JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado.
Em Sociedades americanas, a exposição olha para formas de organização comunitárias, como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares, que pensam a construção de alternativas concretas às promessas não cumpridas do desenvolvimento.
Estamos em salsa faz referência à canção homônima lançada em 1978 pelo músico nova-iorquino de origem porto-riquenha Wayne Gorbea. Formada por matrizes afro-caribenhas, o estilo musical surge do encontro entre migrantes, gravadoras, bailes e comunidades latinas, consolidando-se em Nova York. Obras como Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, abordam as relações entre dependência econômica e repertório cultural por meio de produtos como Coca-Cola, petróleo, banana, dendê, milho e taco. Meireles grava mensagens políticas sobre garrafas retornáveis e as devolve às prateleiras, infiltrando sua crítica na logística do varejo. Caro, por sua vez, subverte a logomarca do refrigerante, forçando a identidade de seu país a se moldar aos signos de uma mercadoria global.
O último núcleo, A queda do céu, é nomeado em referência ao livro escrito por Davi Kopenawa e Bruce Albert. No livro, publicado em 2010, os autores revelam como a destruição da floresta amazônica pela invasão garimpeira desencadeia uma catástrofe que ultrapassa a noção de crise ambiental e nomeia o colapso concreto das relações que mantêm a vida de pé. O núcleo articula o sonho e o mito, compreendidos como formas de conhecimento alternativas às utopias de progresso. A coexistência e a sobreposição de territórios e linhas do tempo também orientaram a expografia da mostra. O público pode seguir a sequência proposta para percorrer a exposição ou pode estabelecer seus próprios caminhos, criando associações e leituras diversas. A pintura Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio Oiticica, foi uma referência para painéis, blocos de cores e cortes diagonais que evitam uma separação rígida entre as seções, favorecendo a continuidade e o diálogo entre diferentes trabalhos.
Histórias latino-americanas é o tema do ciclo curatorial de 2026. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.
A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).
Acessibilidade
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail [email protected], além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
Catálogo
Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial e textos de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro e Julieta González.
Loja MASP
Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.
Realização
Histórias latino-americanas é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio master de Nubank e patrocínio Vivo.
Serviço
Exposição | Histórias latino-americanas
De 4 de setembro até 31 de janeiro
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Período
Local
Edifício Pietro Maria Bardi - MASP
Av. Paulista, 1500 - Bela Vista, São Paulo - SP
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A Sala de Vídeo do edifício Pina Luz exibe a videoinstalação Urubu (2021), de Luiz Roque (Cachoeira do Sul, 1979). Durante a
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A Sala de Vídeo do edifício Pina Luz exibe a videoinstalação Urubu (2021), de Luiz Roque (Cachoeira do Sul, 1979).
Durante a pandemia do Covid-19, a cidade ficou silenciosa e muito mais vazia do que de costume. De dentro das casas, as pessoas experienciaram o confinamento e as incertezas diante de uma doença que tirou tantas vidas. Enquanto isso, um urubu voa por entre os prédios, carregando metáforas de liberdade e de morte, na videoinstalação.
Da janela do seu apartamento, no centro de São Paulo, Luiz Roque captura o filme em Super 8 e sem som. A câmera acompanha o movimento da ave, enquanto o tempo parece suspenso. Feita quase sem cortes, a edição reforça a ideia de um ciclo de vida e morte que não se conclui. O silêncio que atravessa o filme não é apenas a ausência de som, mas dita a atmosfera do tempo, anunciando a transformação de um mundo. Diante das janelas fechadas e da cidade esvaziada, o silêncio perguntar: o que resta? Será que ainda há vida lá fora?
Assim, na figura do urubu, Roque ressignifica o imaginário da morte. O que antes anunciava o fim torna-se símbolo da metamorfose, que faz emergir, para além do agouro, a própria condição da vida.
Serviço
Exposição | Urubu
De 5 de setembro a 31 de janeiro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900–1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos
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A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900–1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos artistas mais inquietantes do modernismo brasileiro.
Nery apropriou-se de linguagens como a ilustração, o cubismo e o surrealismo, alterando-as a partir de suas próprias inquietações. Em pinturas, desenhos e poemas, o corpo tornou-se o lugar onde ele investigou a instabilidade da identidade, a fusão entre os gêneros, a corrupção da matéria e o desejo religioso de superar os limites do espaço e do tempo.
A mostra reúne cerca de 230 obras, entre desenhos, pinturas, retratos, autorretratos e composições com figuras humanas sensuais, muitas vezes andróginas, algumas ameaçadoras, que operam na fronteira entre o afeto e a violência, o desejo carnal e o trauma da finitude.
Desde sempre compreendido como uma das vozes mais singulares da arte brasileira, Nery tem sua trajetória revista pela Pinacoteca nessa mostra panorâmica que apresenta suas contradições, sua densidade teórica e a radicalidade de suas invenções.
Serviço
Exposição | Ismael Nery: armadilha moderna
De 5 de setembro a 31 de janeiro de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual
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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual Luana Vitra, no Projeto Octógono, espaço central do edifício Pina Luz. Com curadoria de Pollyana Quintella, a mostra exibe uma instalação monumental concebida especialmente para o local.
Em Bandeira Branca, Luana Vitra parte das terras-raras, conjunto de dezessete elementos químicos decisivos para as tecnologias que organizam o mundo contemporâneo, da transição energética às comunicações, para refletir sobre as continuidades entre extrativismo, colonialismo e as formas de vida que deles emergem.
“Aqui, a matéria mineral funciona como registro de processos que costumam se manter invisíveis, nos levando a observar o que sustenta a cadeia produtiva da tecnologia contemporânea. Ao suspender um arco sobre uma bandeira que nunca se rende de fato, a artista parece recusar tanto a solução quanto a derrota; a obra permanece em estado de uma espécie de trégua provisória, como esse presente que habitamos. Afinal, quem controla a matéria, controla o tempo por vir”, analisa Pollyana Quintella, curadora da Pinacoteca.
A obra Bandeira Branca conta com o patrocínio da CHANEL. Desde 2025, Pinacoteca e CHANEL desenvolvem em parceria um programa anual de residência dedicado a capacitar e impulsionar a trajetória criativa de mulheres artistas. A cada ano, a residência seleciona uma artista mulher de destaque — trabalhando em qualquer disciplina ou linguagem —, oferecendo a ela mentoria dedicada por meio dos Art Partners da CHANEL e uma plataforma para aprofundar sua prática.
A residência conta com uma exposição individual dedicada na Pinacoteca, proporcionando visibilidade e suporte fundamentais para as vozes criativas femininas. O projeto estreou no ano passado com a artista Juliana dos Santos (1987, São Paulo), que expôs Temporã na Pina Contemporânea.
Nascida em um estado atravessado por séculos de economias mineradoras e extrativismo, Vitra se interessa pelas propriedades concretas dos minerais, sua capacidade de conduzir, pesar, proteger, contaminar ou resistir, e pelas histórias que essas matérias condensam. Ferro, cobre e chumbo são, ao mesmo tempo, elementos físicos e signos de processos extrativos, industriais, coloniais e espirituais. Ao mobilizá-los, Luana Vitra aproxima corpo e território, sugerindo que a exposição humana está inscrita em uma matéria mineral mais ampla, feita de memória, violência, energia e transformação.
“Bandeira Branca é uma obra onde penso sobre as guerras que foram travadas no passado, as que estamos vivendo agora e as que ainda estão por vir. Elas são essencialmente materialistas: a matéria é o objeto de desejo, é através das matérias que se conquista, e a matéria é o prêmio do vencedor. Se pensarmos nos conflitos coloniais, foi o domínio da pólvora que nos levou a esse desenho de mundo que temos hoje, ao mesmo tempo é o desejo pelas matérias que desenha os maiores desastres do nosso futuro. Nessa instalação, me relaciono especificamente com as terras-raras, esse conjunto de dezessete elementos que condensa o tempo de tudo que vivemos e nos lança a uma malha de reflexão do por vir. Ter uma bomba-relógio nas mãos é também ter uma máquina do tempo, que pode nos ajudar a imaginar qual a trégua possível para essa luta que a tanto tempo travamos entre nós e contra a terra”, explica Luana Vitra.
Serviço
Exposição | Bandeira Branca
De 05 de setembro a 31 de janeiro
Quarta a segunda, das 10h às 18h
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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A Galeria Karla Osorio apresenta a exposição individual de Daisy Xavier, com curadoria de Victor Gorgulho. A mostra “Magic and Murder” apresenta cerca de
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A Galeria Karla Osorio apresenta a exposição individual de Daisy Xavier, com curadoria de Victor Gorgulho. A mostra “Magic and Murder” apresenta cerca de 20 obras da artista carioca, entre inéditas e históricas. Com trajetória extensa e consolidada desde os anos 80 no cenário da arte contemporânea brasileira, Daisy reforça sua versatilidade poética em obras recentes Segundo o curador, telas da artista “nos colocam defronte a formas que fluem pelo tecido como se percorressem um delicado campo entre a figuração e a abstração – onde aquilo que observamos, à primeira vista, logo ganha outros contornos em uma experiência que dilata a expectação”.
Sobre a exposição – por Victor Gorgulho
Esta é a segunda exposição individual de Daisy Xavier (Rio de Janeiro, 1952) em Brasília, que junta obras inéditas com outras históricas, realizadas sobre a superfície da tela, do linho e do papel, apresenta a pesquisa da artista em torno de espécies botânicas com seivas capazes de tanto matar quanto curar. Em uma mesma dose, cura e morte se disfarçam na exuberância destas espécies de distintas e variadas origens. O título MAGIC & MURDER se refere ao livro homônimo que batiza o atual grupo de trabalhos de Xavier, artista que transita com destreza pelo campo da pintura, da escultura, do desenho e mais. Integram também a mostra esculturas em madeira que estabelecem um vívido diálogo com as telas da artista.
Lançando mão de materiais como tinta à óleo, a acrílica, o Ecoline e o nanquim, o presente grupo de obras de Xavier inicia-se em composições densamente ocupadas por flores, vegetais, plantas, partículas, seres naturais, micro-organismos e criaturas-não-humanas que nos conduzem ao universo que Daisy procura instaurar. Suas telas, no entanto, passam por uma espécie de depuração, que vem tanto do olhar da própria artista quanto dos materiais que parecem ceder à superfície em que esses seres são representados.
Por vezes, Xavier utiliza folhas coletadas em viagens como as próprias matérias da pintura em si, inscritas, seladas em suas telas. Em outros trabalhos, as mesmas folhas aparecem como matrizes para a transferência de suas formas em si, demarcando um território visual no perímetro pictórico em que vemos a explosão de cores, formas e linhas – estas últimas capazes de formarem um labirinto infindo de conexões sob as formas vegetais que saltam destes trabalhos.
De repente, instaura-se também a escuridão, a trama, o risco e as formas que, mesmo entrelaçadas em insuspeitadas torções, revelam-se vítimas e algozes da pré e da pós-história. O que veio antes? A cura ou o veneno, a exuberância ou a escuridão? Xavier não nos dá respostas mas, a seu modo, nos aponta caminhos possíveis: formas que se pretendem naturais, orgânicas feito troncos, são esculpidas em madeiras provenientes de restos de móveis antigos.
Serviço
Exposição | Magic and Murder
De 12 de setembro a 31 outubro
segunda a sexta, das 9h às 18h, sábados, das 9h às 14h
Período
Local
Galeria Karla Osorio
SMDB Conjunto 31 Lote 1B - Lago Sul / Brasília – DF
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Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar
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Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar os limites da representação estética por meio de um exercício radical de imaginação. O partido curatorial examina de que modo a reviravolta epistemológica das últimas décadas — impulsionada pelas demandas por reparação racial e pelas conquistas das políticas afirmativas — reconfigurou a arte brasileira, a ponto de estas não apenas inscreverem os debates raciais no campo da linguagem e da estética, como também serem expressivamente influenciadas e expandidas por eles. Tal formulação destaca a vocação deste Panorama como uma plataforma de pensamento crítico que especula sobre o futuro, ao mesmo tempo em que cria uma experiência histórica de lugar: onde estamos, onde chegamos e para onde queremos ir, além de tudo o que já foi dito, feito, visto, escrito e imaginado
Inspirado no título e questão filosófica formulada por Denise Ferreira da Silva, uma das principais teóricas feministas negras da contemporaneidade, a exposição convida a imaginar “se seria possível lançar mão de uma sensibilidade que presuma e antecipe o que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global”. A partir deste diálogo com a filósofa, Diane Lima desenvolve um projeto que, ao “ler a arte como confronto”, reflete sobre como os artistas têm performado em seus procedimentos poéticos e composicionais, exercícios radicais de imaginação e experimentação, que evidenciam um movimento contínuo e coletivo de liberação. A exposição busca complexificar o regime racial estético e, portanto, a própria definição de arte brasileira: aquilo que sabemos sobre ela, seu passado, nossos modos de olhá-la, descrevê-la e, sobretudo, as práticas artísticas das próximas gerações.
Serviço
Exposição | Depois que Tudo Foi Dito
De 12 de Setembro a 24 de janeiro
Terça a sexta, das 9h às 20h sábado, das 10h às 20h, domingo e feriados, das 10h às 18h
Período
Local
Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM SP)
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Vila Mariana, São Paulo – SP
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A Galeria 18 abre “Desculpe, Rafael“, exposição individual de Felipe Scandelari. A mostra reúne cerca de 15 pinturas a óleo nas quais o artista aproxima imagens clássicas
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A Galeria 18 abre “Desculpe, Rafael“, exposição individual de Felipe Scandelari. A mostra reúne cerca de 15 pinturas a óleo nas quais o artista aproxima imagens clássicas da vida contemporânea para refletir sobre tradição, permanência e transformação.
Scandelari parte de obras de grandes mestres e de diferentes momentos da história da arte europeia, com atenção especial ao Renascimento. Em vez de simplesmente reproduzir essas referências, o artista preserva suas estruturas, composições e narrativas, atualizando personagens, cenários e símbolos. Santos, deuses e heróis dão lugar a amigos e familiares, armaduras são substituídas por bermudas e a vegetação tropical invade paisagens originalmente europeias.
A exposição reúne trabalhos que dialogam com artistas como Botticelli, Artemisia Gentileschi e Paolo Uccello, entre outros. Nestas obras, o contraste entre o rigor técnico e a irreverência dos elementos contemporâneos ocupam um lugar central. O domínio do desenho, da hierarquia de planos, da anatomia, da luz e cor dá forma a cenas nas quais o banal se torna sublime e o cotidiano assume o lugar do sagrado.
Muitas das imagens hoje consideradas ícones da história da arte, em suas épocas, faziam parte da vida cotidiana. Elas transmitiam narrativas, valores e modelos de representação a diferentes públicos. Ao substituir seus signos por elementos de seu próprio universo, Scandelari recupera essa dimensão comunicativa e aproxima do presente um repertório que, para muitos, parece distante e erudito.
“Desculpe, Rafael” parte de uma questão central: como uma tradição permanece viva? As pinturas de Scandelari sugerem que sua continuidade não depende da repetição fiel de modelos, mas da capacidade de transformá-los, adaptá-los e fazê-los produzir sentido em um novo contexto. Aqui, a tradição não é destruída pela mudança: é justamente por meio dela que continua existindo.
Serviço
Exposição | Desculpe, Rafael
De 12 de setembro a 24 de outubro
Terça a Sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galeria 18
Rua Simpatia 23, Vila Madalena – São Paulo - SP
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A Galeria Marilia Razuk será preenchida com o mais novo trabalho de Carolina Colichio. Intitulada “Cavalinhas e Falésias”, a mostra apresenta peças produzidas em alumínio fundido –
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A Galeria Marilia Razuk será preenchida com o mais novo trabalho de Carolina Colichio. Intitulada “Cavalinhas e Falésias”, a mostra apresenta peças produzidas em alumínio fundido – técnica utilizada pela primeira vez por Colichio – coordenadas com processos que já pautam suas criações como a cerâmica, a porcelana, os esmaltes e o milenar método de pintura, a encáustica. Colichio transita entre escultura, pintura e instalações e tem sua pesquisa artística criada a partir da prática diária de observação e do deslocamento entre a cidade e a natureza, investigando as conexões sutis entre o ambiente urbano e o tempo profundo do planeta.
Em “Cavalinhas e Falésias”, com texto crítico de Pollyana Quintela, as superfícies porosas e crateradas das obras feitas em alumínio fundido, remetem tanto à erosão das rochas quanto a formação de corais, como explica Pollyana: “as peças funcionam como pequenas topografias autônomas, capazes de evocar ao mesmo tempo um fragmento de falésia, um recorte de placa tectônica, a marca de um impacto ou até um destroço lunar, sem origem certa, como se tivessem pousado ali vindas de outro tempo ou de outro lugar.”
A cavalinha, uma das plantas mais antigas do planeta, remonta ao período Carbonífero, há mais de trezentos milhões de anos e ainda possui o mesmo aspecto escultural e minimalista, lembrando um pequeno bambu ou até mesmo um aspargo. Colichio exibe essa planta ao lado de seus brotos reais, transformando a própria peça em um lugar onde uma espécie ancestral cresce sobre um solo que já é, ele mesmo, ficção geológica. Em outros cenários na mostra, reconhecidas conchas, remetem a rochas; hastes de porcelana se aglomeram no teto e descem em cachos até se desfazerem nas pontas em finas gavinhas de metal; folhas são fósseis e brotos de samambaia se confundem com criaturas marinhas.
Assim é o trabalho de Carolina Colichio: uma viagem no tempo, mas não apenas no tempo já reconhecido e historiado da civilização humana, mas em um tempo antes, das primeiras formas de vida marinha, organismos moles e sem esqueleto que precedem em centenas de milhões de anos qualquer concha ou vértebra. “A produção de Carolina Colichio se instala exatamente na dobra em que o efêmero e o geológico se tocam, e onde, por um instante, o visitante pode sentir sob os pés o peso de um tempo maior, que não é o seu, mas que o constitui”, finaliza Pollyana Quintela.
Serviço
Exposição | Cavalinhas e Falésias
De 12 de setembro a 3 de novembro
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Galeria Marilia Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 62 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A Galeria Marilia Razuk apresenta “Longitudes” da artista colombiana Johanna Calle. Acerca do título da exposição, “longitude remete tanto a um termo geográfico quanto a um cartográfico e envolve um sistema de
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A Galeria Marilia Razuk apresenta “Longitudes” da artista colombiana Johanna Calle. Acerca do título da exposição, “longitude remete tanto a um termo geográfico quanto a um cartográfico e envolve um sistema de medição que utiliza graus ou minutos, respectivamente, para determinar uma localização”, conta a artista. Entre muitos outros, os sistemas empregados para medições geográficas variam de varas, pés, milhas, milhas náuticas e léguas até passos ou quilômetros. A capacidade de localizar e delimitar uma área tornou possível definir territórios, fronteiras, países, cidades e propriedades privadas. Em última análise, o conceito de longitudes — enquanto projeto de pesquisa estética — aborda a necessidade urgente de saber onde estamos situados ou localizados.
“Antes de o sistema métrico ser adotado na Europa Central, em 1872, as distâncias eram medidas em Schritte (passos) e Klafter (braças)”, explica Johanna. A confluência dos métodos de medições deu origem à essa mostra em que a artista traz dezenas de obras que compõem três conjuntos criados entre 2024 e 2026 São eles: Enclaves (2024–2026), Grafías (2025) e Bratislava (2026). Neste último, os desenhos são executados com tinta sobre papel milimetrado da década de 1970. Segundo Johanna, “o papel foi adquirido na cidade outrora conhecida como Prešporok — um lugar onde as denominações históricas Pressburg e Pozsony permanecem oficialmente reconhecidas até hoje. Nomes, fronteiras e a ideologia das pessoas mudaram, mas o ato de medir, não.”
Serviço
Exposição | Longitudes
De 12 de setembro a 12 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Galeria Marilia Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 62 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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O teatro do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto recebe a última atividade da Ocupação Curador Negro Studio, em diálogo com a exposição “A cor do samba“, de Bernardo Magina, que
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O teatro do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto recebe a última atividade da Ocupação Curador Negro Studio, em diálogo com a exposição “A cor do samba“, de Bernardo Magina, que traduz letras de samba em cor, em cartaz até o dia 25 de outubro.
O evento “O Samba, Poesia e Filosofia”, comandado por Vanessa Pereira, conversa com Luana Génot, do ID_BR, e Júlio Menezes Silva, do IPEAFRO, sobre samba como inteligência negra na construção do Brasil.
Entre uma fala e outra, cavaquinho e banjo trazem os sambas para a roda. O encontro fecha a programação da Ocupação Curador Negro Studio, com curadoria de Osmar Paulino e Jaqueline Calazans.
Sobre a mostra
A mostra individual de Bernardo Magina inaugura as atividades do projeto Ocupação Curador Negro, de cultura e arte/raça e território, na instituição. Com curadoria de Osmar Paulino-curador negro e assistência de Jack Calazans, a mostra reúne cerca de dez pinturas, intervenções em pandeiros e outros trabalhos desenvolvidos a partir de arquivos e pesquisas do artista sobre as dimensões políticas, sociais, históricas e afetivas do samba.
Bernardo Magina cria uma espécie de analogia cromática, aproximando o repertório popular de questões caras à história da arte e estabelecendo diálogos com períodos e movimentos, como neoconcretismo. Para algumas obras, o artista desenvolveu um alfabeto de cores: sílabas dos refrões foram transformadas em códigos cromáticos e estruturas visuais. Nem todas as pinturas, no entanto, apresentam essas letras de forma explícita: em muitas delas, a investigação se concentra sobretudo na cadência rítmica.
Serviço
Exposição | A cor do samba
De 12 de setembro a 24 de outubro
Quarta a sexta-feira, de 14h às 22h e sábado e domingo, das 15h às 22h
Período
Local
Espaço Municipal Cultural Sérgio Porto
Rua Humaitá, 163 - Humaitá, Rio de Janeiro - RJ
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Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual no quinto andar da Fábrica Bhering. Com
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Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, “Entre a favela, o inferno e o céu” apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma instalação inédita.
A mostra é parte de um projeto mais amplo de Lopes, contemplado com uma bolsa de dois anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais de diferentes favelas e complexos, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e desenvolvidas a partir desses territórios. Além da exposição, o projeto contempla a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento, e passa a se chamar Estúdio Maré.
Percurso de ‘Entre a favela, o inferno e o céu’
Treze fotografias digitais de 150 x 100cm cada, impressas sobre tecido e suspensas por cabos de aço, formam a instalação inédita “Círculo de fogo” (2026). A sobreposição de imagens dos alunos do Núcleo de Formação em Dança do Centro de Arte da Maré faz alusão ao espectro das cores do fogo. O trabalho ocupa o espaço central da galeria e cria um caminho visual a ser percorrido pelos visitantes. “Gosto de brincar com o fogo e da conexão entre a luz do fogo e a fotografia”, conta o artista.
Outro destaque da exposição é a fotografia panorâmica “Dois de janeiro” (2018), de 36 x 110cm, que registra um arco-íris duplo. Captada em 2 de janeiro, em dois anos consecutivos, a imagem cria uma conexão afetiva, porém efêmera, entre duas comunidades cujo controle territorial está nas mãos de grupos rivais. É uma nova forma de se construir narrativas sobre os territórios, para além da violência e das desigualdades sociais.
Em preto e branco, a fotografia digital “Nas águas desta baía há muito tempo” (2024), o artista toma emprestado o título de um livro de Nei Lopes para mostrar a área do antigo Pier Maria Angu, na Favela da Kelson. Antigamente próspero, o espaço segue como uma área de pesca e lazer, apesar da poluição das águas e dos sinais de degradação do espaço. A obra também evidencia como questões sociais e territoriais interferem no acesso à cidade e aos espaços de lazer.
Outra imagem em preto e branco que fala de memória e história é “Itaparica e Vera Cruz” (2022), de 400 x 60 cm, que registra o trajeto que cruza a Baía de Todos-os-Santos, principal palco da Batalha de Itaparica (1823), marco das lutas pela Independência da Bahia e do Brasil. O trabalho amplia a pesquisa do artista para além do território carioca.
Já a fotografia “Beleza extraordinária” (2021) registra uma rua antes movimentada, agora deserta, com lixo acumulado. Lopes destaca texturas e contrastes, a partir de elementos cotidianos como aves, nuvens, luz, asfalto e resíduos.
Em “Tudo que habita é luz” (2025), um tríptico de 150 x 250 cm cada, Lopes reúne paisagens de diferentes favelas em uma composição vertical. A sobreposição e a disposição das imagens fazem referência à própria verticalização das comunidades, ao mesmo tempo fragmentada e conectada. Na imagem central, um menino carrega o bastão do Reisado do Maracatu, introduzindo na composição uma dimensão ligada à cultura popular, à tradição e à continuidade de saberes.
“Yaya” (2016) é uma fotografia que faz parte do conjunto de registros que Lopes fez durante anos no Ceasa, a central de abastecimento do Rio de Janeiro. São caixotes de plástico para peixe, nas cores azul e laranja têm a palavra Yaya, na lateral. O que interessou a Lopes foi a forma de empilhamento, a multiplicidade, o acúmulo de itens. Fotografar a repetição, a aglomeração das coisas com texturas, cores e formas diversas, mas que criam uma unidade escultórica, é um de seus métodos de observação dos gestos cotidianos.
Desde 2014, Douglas Lopes vem construindo sua trajetória de forma independente, buscando inserir sua fotografia em diferentes circuitos de circulação. Em sua pesquisa, ele inverte o olhar da chamada “fotografia antropológica”: com lugar de fala, ele constrói uma narrativa em que os lugares e seus habitantes não aparecem apenas como objetos de observação, mas como protagonistas de suas próprias histórias.
A partir de um olhar atento às contradições da cidade, ele encontra outras narrativas possíveis para lugares frequentemente vistos de fora. A exposição reflete sobre questões sociais e políticas, ao mesmo tempo em que usa a potência da fotografia para imaginar outra vida urbana no Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição | Entre a favela, o inferno e o céu
De 16 de setembro a 18 de fevereiro
Segunda a sábado, 9 às 18h
Período
Local
Fábrica Bhering
R. Orestes, 28 - Santo Cristo, Rio de Janeiro - SP
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São Paulo recebe o Brasinês: Festival Internacional Sino-Brasileiro, evento que propõe um encontro entre a cultura brasileira e a tradição chinesa por meio das artes visuais, da
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São Paulo recebe o Brasinês: Festival Internacional Sino-Brasileiro, evento que propõe um encontro entre a cultura brasileira e a tradição chinesa por meio das artes visuais, da literatura, da gastronomia e de experiências sensoriais. Brasinês é um neologismo formado a partir das palavras “brasileiro” e “chinês”.
Realizado no Ano Cultural Brasil-China, o festival tem como tema central o Cavalo de Fogo, associado a um ciclo de 60 anos na astrologia chinesa e escolhido como símbolo de movimento, transformação, energia e renovação. A proposta é criar uma experiência contemporânea de intercâmbio cultural, aproximando diferentes linguagens, artistas e imaginários dos dois países.
Exposição reúne mais de 100 obras de diferentes períodos e culturas
O principal destaque do festival é a exposição “O Cavalo na Arte Sino-Brasileira”, em cartaz no Museu da Energia de São Paulo, instalado no antigo palacete do barão do café Henrique Dumont, irmão do pai da aviação, Santos Dumont.
Com curadoria de Anna Paola Baptista e Clay D’Paula, a mostra reúne mais de 100 obras, com um recorte que vai da Dinastia Han (206 a.C. a 220 d.C.) às artes visuais contemporâneas, incluindo raridades trazidas às Américas e trabalhos de artistas brasileiros e chineses.
A escolha do espaço, além de contribuir para a revitalização do centro da cidade de São Paulo ao levar arte de alta qualidade para a região, reforça o conceito da mostra: antes da eletricidade, o cavalo era uma das principais forças de movimento utilizadas pelo ser humano, enquanto o fogo representa uma das primeiras formas de energia dominadas pela humanidade. A partir dessa conexão entre força, transformação e energia, a exposição investiga como o cavalo foi representado e interpretado ao longo da história.
Cultura brasileira e chinesa inseridas em diversas formas de arte
O Brasinês também contará com saraus de literatura e encontros de poesia, experiências gastronômicas que aproximam sabores brasileiros e chineses, atividades sensoriais e imersivas e programação para toda a família.
“O Ano Cultural Brasil-China 2026 é uma oportunidade especial para aproximar ainda mais os dois países por meio da cultura, ampliando o conhecimento mútuo e valorizando a diversidade e a criatividade de brasileiros e chineses. Para a CTG Brasil, apoiar uma iniciativa desse porte é uma forma de contribuir para esse intercâmbio e, ao mesmo tempo, reforçar nosso compromisso de longo prazo com o Brasil. Além disso, é especialmente significativo que essa exposição aconteça no Museu da Energia, espaço que conta com o patrocínio da CTG Brasil e que tem justamente o propósito de aproximar as pessoas da cultura, da história e do conhecimento. Receber uma exposição dedicada à arte sino-brasileira em um espaço como esse, cria uma conexão muito simbólica entre Brasil e China e amplia o acesso do público a essa troca cultural”, afirma Ronan Max Prochnow, gerente de Sustentabilidade & ESG da CTG Brasil.
“A Gree tem uma relação construída com o Brasil há mais de duas décadas. Nossa presença aqui não se resume à operação, à fábrica ou aos produtos que oferecemos ao consumidor. Também queremos participar da vida do país, conhecer suas diferentes culturas e construir relações de longo prazo com os brasileiros. O ‘Brasinês’ tem um significado especial justamente porque nos permite aproximar as duas culturas que fazem parte da nossa história”, afirma Bela FuYao, Diretora de Marketing da Gree do Brasil.
“A proposta é transformar o festival em uma experiência cultural ampla, em que o público possa vivenciar diferentes manifestações artísticas e culturais e, ao mesmo tempo, descobrir novas possibilidades de diálogo entre a China e o Brasil”, encerra Clay D’Paula.
A exposição O Cavalo na Arte Sino-Brasileira é apresentada pelo Ministério da Cultura e pela CTG Brasil, com o apoio da Lei Rouanet e do Museu da Energia de São Paulo, além de outros patrocínios diretos.
Serviço
Exposição | Festival Internacional Sino-Brasileiro
De 18 de setembro a 22 de novembro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado, Domingo das 10:00h às 18:00h
Período
Local
Museu da Energia
Alameda Cleveland, 601 - Campos Elíseos, São Paulo - SP
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O IMS Paulista abre a exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, dedicada à trajetória do artista luso-brasileiro Fernando Lemos. O artista integrou o movimento
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O IMS Paulista abre a exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, dedicada à trajetória do artista luso-brasileiro Fernando Lemos. O artista integrou o movimento surrealista português no final dos anos 1940 e, em 1953, emigrou para o Brasil, onde viveu até 2019, ano de sua morte. “O Brasil deu-me tudo que me foi roubado e não me devolveram”, afirmou em entrevista ao jornal português Expresso. Em celebração ao centenário de nascimento de Fernando Lemos, a mostra percorre mais de 70 anos de sua produção e apresenta ao público o arquivo do artista, sob a guarda do IMS desde 2019, somado ao material conservado com a família. São cerca de 400 itens, entre fotografias, desenhos, projetos e documentos — muitos inéditos —, que permitem acompanhar a trajetória de Lemos e a maneira como desdobrou as ideias surrealistas ao longo da vida. “Sempre procurei criar imagens que trouxessem à superfície minha reflexão sobre a desocultação. […] Só me interessei pelo surrealismo porque o sonho era exatamente o único território em que não havia nada oculto. O sonho era para revelar, para despertar, não para esconder. A fotografia é uma desocultação. Toda a nossa ação na arte é desocultamento, ou seja, a procura daquilo que não existe, que está invisível, sob a forma de palimpsesto”, resumiu.
A abertura acontece no dia 19 de setembro, às 10h, e contará com uma conversa com o curador e convidados, além do lançamento do catálogo da exposição.
Com curadoria de Thyago Nogueira, a mostra revê a obra do artista a partir da ideia de “desocultação”, conceito-chave para unir sua produção em fotografia, desenho e poesia. “Lemos pensou a desocultação surrealista como uma forma de acessar os mistérios da alma humana, mas também de driblar a arte burguesa e a repressão portuguesa de Salazar. O estudo de seu arquivo mostrou que, ao longo da vida, ele desdobrou essa ideia numa forma de ética e de prática artística, a fim de dar clareza às linguagens, expondo suas estruturas sintáticas ou aproximando elementos semelhantes e contrastantes a fim de construir novos sentidos”, avalia o curador. “Essa prática uniu sua fotografia, seu desenho e sua poesia de uma forma ainda pouco estudada”, conclui. O título da exposição é uma estrofe do poema “Quanto mais desejo”, de Fernando Lemos, que fez da poesia uma forma de narrar a própria vida. O poema trata da importância do desejo na criação artística e em sua relação com o mundo e é um exemplo legível de como Lemos manipulou elementos simples de cada linguagem em busca de ampliar os sentidos.
Quanto mais desejo
mais invento o que vejo
Quanto mais vejo
mais invento o que desejo
Quanto mais invento
mais desejo o que vejo.
Lemos fez da arte uma prática cotidiana, trabalhando dia e noite em projetos independentes e comissionados. “Recolhia objetos na rua, pintava guardanapos e expunha ideias como quem desenha no espaço. Produziu uma quantidade imensa de desenhos e esboços, que guardou consigo. Apresentar essa dimensão íntima e informal da arte é também um dos desafios deste projeto”, afirma o curador. A expografia da exposição, toda feita em vitrines, foi pensada para expor a variedade de objetos e realçar a diversidade material das obras que integram o acervo
do artista, além de sugerir a ideia de um ateliê de trabalho.
Ao longo da vida, Lemos atravessou duas ditaduras: uma em Portugal, outra no Brasil. O medo da repressão, que o obrigou a fugir de Portugal, fez nascer uma personalidade combativa, que lutava por direitos e se manifestava diante de injustiças. Além do trabalho de ateliê, Lemos integrou organizações de resistência, participou de campanhas políticas e atuou em instituições culturais para ampliar o acesso à arte e à cultura como passos fundamentais no fortalecimento das democracias.
Núcleos expositivos
As mais de 400 obras da exposição estão agrupadas em diferentes núcleos, que se cruzam e se complementam. Em “Desocultações”, estão reunidas as fotografias da juventude de Lemos, realizadas entre 1949 e 1952, ainda em Lisboa. Nesse período, o artista se aproximou do Partido Comunista e do movimento surrealista, integrando um grupo de jovens que promovia ações de oposição ao conservadorismo crescente da arte burguesa e à repressão do Estado Novo, instaurado em 1933.
Desde jovem, Fernando Lemos encontrou no surrealismo francês um campo fértil para sua arte, interessando-se pelas imagens do inconsciente, pela escrita automática e pelos princípios de ocultação e desocultação. Desdobrou essas ideias em dezenas de retratos de múltipla exposição, em preto e branco e médio formato, registrando uma geração de artistas e pensadores que tentavam resistir ao avanço da ditadura portuguesa. “Quando fotografamos uma pessoa, não estamos fotografando uma coisa fixa, uma máscara. Afinal, numa fração de segundo, tudo muda. Mudamos nossa expressão a todo instante, subitamente, várias vezes. Então o retrato deve ser múltiplo para dar mais vida à imagem. Nós não somos uma máscara”, declarou em entrevista à revista ZUM (disponível AQUI).
Exilado no Brasil a partir de 1953, Lemos ainda fotografou as escritoras Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles e os artistas Wyllis de Castro e Hércules Barsotti, mas aos poucos se afastou da fotografia. As imagens surrealistas foram retomadas apenas nos anos 1990, depois de uma grande exposição na Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Lisboa. “Os retratos que fiz tornaram-se uma galeria de figuras importantes que àquela altura não podiam fazer nada. Não era só arte, era uma luta antifascista, antissalazarista, que custou a vida de muitos”, relembrou.
A produção de desenhos é um dos destaques da exposição e aparece em núcleos como “Coreografias”, “Ritmos & melodias” e “Caligrafias”. Ao longo dos anos 1950 e 1960, Lemos se inseriu na cena artística brasileira graças a participações em salões e bienais. Sua atuação se desdobrou em diferentes linguagens, como a pintura, a moda e o design, mas foram o desenho e a poesia que ocuparam lugar central em sua vida.
No núcleo “Coreografias”, destaca-se um conjunto de desenhos que explora o corpo e o retrato. Ao chegar ao Rio de Janeiro, em 1953, Lemos retomou o interesse pela figuração e produziu um conjunto notável, chamado Desenhos inocentes, em que examina a anatomia humana em cenas repletas de humor e sensualidade. “Ritmos & melodias”, também centrado no desenho, reúne trabalhos que se afastam da figuração para construir modulações rítmicas e melódicas a partir de traços e pinceladas. O interesse pela construção modular e sintética também se desdobrou em trabalhos de design gráfico e estamparia, incluindo logotipos, como o do Memorial da América Latina, e tecidos para a Rhodia.
Em “Caligrafias”, Lemos se debruça sobre a fronteira que separa a escrita e o desenho, explorando elementos sígnicos que sugerem alfabetos misteriosos e cifrados. O interesse pela autonomia do desenho deu origem a uma de suas séries mais importantes, conhecida como Memórias (1984). Impressa em chapas de alumínio, a série é uma autobiografia gráfica, que reúne fragmentos do alfabeto visual de Lemos em uma composição com temas militares, orientais, eróticos e musicais.
Em um conjunto conhecido como Desenhos deficientes (s/d), Lemos desmonta o símbolo internacional de deficiência para inseri-lo em ações e atividades. Por trás do exercício despretensioso, surge um estudo crítico e provocador sobre a experiência do cadeirante a partir de sua própria vivência, tratando de sexo e morte, medo e delírio, vigilância e perseguição, sem qualquer dose de moralismo, condescendência ou autocomiseração.
O núcleo “Arte no front” apresenta a atuação política e social do artista. Desde sua chegada ao Brasil, Lemos conciliou a produção individual com uma intensa participação em projetos coletivos.
Nos anos 1950, Lemos trabalhou na exposição do Quarto Centenário de São Paulo (1954) e colaborou com ilustrações em revistas como Manchete e jornais como O Estado de S. Paulo. Em 1956, integrou a equipe do jornal Portugal Democrático, editado por exilados políticos portugueses radicados no Brasil. Lemos produziu caricaturas e charges para a publicação, que foi um órgão fundamental na resistência à ditadura e às ocupações coloniais portuguesas.
A atuação de Lemos também se estendeu à produção editorial e à educação infantil. Com o escritor Sidónio Muralha, fundou a editora Giroflé, que se dedicou à publicação de livros para crianças, elaborados por grandes artistas e escritores, como Cecília Meirelles e Maria Bonomi. Lemos defendia a alfabetização visual das crianças e a produção de material didático que estimulasse o interesse por desenho. O projeto pioneiro contava com apoio de empresários e intelectuais, como Max Feffer, Fanny Abramovich e Darcy Ribeiro, mas foi encerrado em 1964, logo após o golpe militar que instalou a ditadura no Brasil.
O próprio Lemos ilustrou diversos livros infantis, entre eles Sexo e educação é natural, escrito por Sabá Gervásio e destinado a crianças de 4 a 8 anos. O livro foi publicado em 1969, logo após a promulgação do AI-5. A atenção do artista ao universo infantil é destaque da exposição, revelando uma parte menos conhecida de seu trabalho e o interesse em aproximar a arte das novas gerações.
Nos anos 1960, Lemos dirigiu o estúdio de criação Maitiry e codirigiu a fotografia do filme Compasso de espera (1969/1973), de Antunes Filho, marco da luta antirracista. Com o avanço da luta democrática, sua atuação se tornou ainda mais engajada. Em 1978, produziu um cartaz em favor da anistia de presos políticos. Em 1985, juntou-se a artistas na campanha de Fernando Henrique Cardoso para a prefeitura de São Paulo, na primeira eleição municipal direta no período pós-ditadura. Ao lado de artistas e intelectuais, estruturou as pesquisas do Idart e dirigiu o Centro Cultural São Paulo (1983).
Mais tarde, colaborou com a campanha para a sensibilização sobre a aids, promovida pelo Sesc São Paulo (1995); com a exposição 50 anos de Hiroshima, organizada pelo Greenpeace no Sesc Pompeia, para homenagear as vítimas da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos contra o Japão (1995); e, em 1997, criou o slogan “Por amor a ti, Timor amordaçado” para o Movimento 25 de Abril pela Libertação do Timor-Leste, mobilizando políticos, artistas e intelectuais pelo fim da ocupação da Indonésia na ex-colônia portuguesa, entre muitas outras iniciativas.
“A exposição se baseia no arquivo íntimo do artista, o material que estava com ele quando partiu. É uma rara oportunidade de entender a gênese de seu pensamento através do trânsito fértil que une esboços e obras prontas, sem a necessidade de estabelecer fronteiras precisas”, afirma o curador.
A exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo faz parte das comemorações do centenário de nascimento de Fernando Lemos no Brasil e em Portugal, um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o Instituto Moreira Salles.
A exposição conta com assistência curatorial de Laura Sapucaia, pesquisa adicional de Ângelo Manjabosco e Carolina Natividade da Cruz, consultoria do acervo da família por Rosely Nakagawa e depoimentos inéditos de Ana Maria Belluzzo, Chico Homem de Melo, Rui Moreira Leite e Beatrix Overmeer.
Serviço
Exposição | Quanto mais desejo
De 19 de setembro a 7 de fevereiro
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A Zona Leste de São Paulo ganha um novo espaço dedicado à cultura, à arte e à convivência. Com programação gratuita, o novo equipamento amplia o acesso
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A Zona Leste de São Paulo ganha um novo espaço dedicado à cultura, à arte e à convivência. Com programação gratuita, o novo equipamento amplia o acesso à cultura na região e abre suas portas ao público com a instalação inédita House of avaf (2026), idealizada pelo coletivo artístico assume vivid astro focus (avaf). O projeto tem curadoria de Lia Vissotto e cenografia de Tiago Guimarães.
Inspirada no jogo House of Cards (1952), concebido pelos designers norte-americanos Charles e Ray Eames, a obra de avaf ganha escala ao reunir 63 cartas de baralho expandidas e sobrepostas. O conjunto articula uma retrospectiva visual imersiva e tridimensional, que repassa mais de 20 anos de produção de avaf, cobrindo suportes como pintura, néon, tapeçaria, vídeo, papel de parede e performance.
Na instalação, as cartas abandonam o formato plano e constroem um labirinto sensorial que convida o público à interatividade. A obra utiliza um pantone de mais de 1.400 tonalidades de tinta acrílica, desenvolvido por avaf ao longo de uma década de pesquisa pictórica, resultando em uma paleta vibrante que envolve fisicamente o visitante.
“Vivenciar a organização do conjunto da obra de avaf na disposição em que aqui se apresenta se assemelha a adentrar um labirinto de fantasias, uma experiência onírica resultante de uma estética sexy, viva e pulsante. Não se trata de se achar ou se perder, mas sobretudo de se deixar sentir e celebrar”, comenta Lia Vissotto.
Para Taís Lara, diretora do Centro Cultural, “House of avaf inaugura a programação de Artes Visuais do Centro Cultural SESI Itaquera a partir de uma referência fundamental para a história do design e da arquitetura: a obra de Charles e Ray Eames. Ao trazer esse universo para uma linguagem contemporânea, marcada pela sobreposição de cores, formas, imagens e diferentes referências visuais, avaf propõe um espaço para ser percorrido, vivido e apropriado pelo público. Essa aproximação entre arte, design e vida cotidiana é especialmente significativa para um novo centro cultural que nasce com a proposta de ampliar o acesso à produção artística contemporânea, dialogar com diferentes públicos e estabelecer uma relação próxima com o território”.
A escolha da obra para compor o evento de abertura do Centro Cultural SESI Itaquera marca o compromisso do novo equipamento em aproximar o público da produção contemporânea. avaf atua na investigação de códigos culturais e questões de gênero e política por meio de arranjos de cores e formas, propondo uma experiência de imersão visual no novo espaço da capital paulista.
House of avaf é uma exposição com produção da Phi Projetos e Cinnamon.
Serviço
Instalação | House of avaf
De 19 de setembro a 14 de fevereiro
Terça, quinta, sexta e sábado, das 10h às 19h; quarta e domingo, das 10h às 15h
Período
Local
Centro Cultural SESI Itaquera
Avenida Miguel Ignácio Curi, 2438, na Vila Carmosina - São Paulo - SP
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Carnaval como método investiga os processos criativos que estruturam os desfiles das escolas de samba, trazendo para o espaço expositivo do MAM Rio estratégias próprias do
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Carnaval como método investiga os processos criativos que estruturam os desfiles das escolas de samba, trazendo para o espaço expositivo do MAM Rio estratégias próprias do trabalho dos artistas na concepção e realização do Carnaval.
A mostra é construída a partir do comissionamento de obras inéditas a seis carnavalescos em atividade, convidados a conceber projetos específicos para o Salão Monumental do museu. A eles, soma-se a apresentação de trabalhos históricos que Maria Augusta Rodrigues, Rosa Magalhães e Joãosinho Trinta realizaram para a avenida. Completando o projeto, uma seleção de pinturas de autoria de compositores, sambistas e outros artistas do carnaval e do universo do samba mostra que os processos de criação são múltiplos e cruzam formatos e disciplinas.
As obras transformam o espaço expositivo em um campo de experimentação inspirado nas dinâmicas criativas do Carnaval, ao mesmo tempo que invertem a lógica do desfile: enquanto na avenida a escola percorre o espaço diante dos públicos, no museu, os públicos se movimentam na exposição, construindo sua experiência no deslocamento entre obras e instalações.
Em vez de transpor o desfile para o museu, os artistas adaptam sua linguagem e metodologia para o contexto expositivo, preservando as dinâmicas coletivas caraterísticas da festa. Assim afirmam o carnaval enquanto prática artística e ampliam os modos de pesquisa e reflexão sobre os processos que lhe dão forma.
Carnaval como método retoma relações históricas que o MAM Rio estabeleceu com o carnaval e as escolas de samba, mas dessa vez reconhecendo explicitamente sua centralidade. E assim propõe um questionamento de distinções, categorias e hierarquias historicamente estabelecidas pelos museus e pelos discursos dominantes da história da arte, contribuindo para o reconhecimento dos carnavalescos como protagonistas da produção artística no Brasil.
Serviço
Exposição | Carnaval como método
De 19 de setembro a 21 de fevereiro
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h; aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual
Período
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Diálogos entre escritoras, performances e visitas guiadas por professores da Casa do Saber fazem parte da programação paralela da 6ª Mostra Contemporâneas Vivara. Intitulada “Que afeto é
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Diálogos entre escritoras, performances e visitas guiadas por professores da Casa do Saber fazem parte da programação paralela da 6ª Mostra Contemporâneas Vivara. Intitulada “Que afeto é esse?”, a edição 2026 reúne obras de 16 artistas, todas mulheres, em uma casa no Jardim Europa, em São Paulo. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas pelo site contemporaneasvivara.com.br.
Visitas guiadas especiais com professores da Casa do Saber
Em um novo formato de visitação, professores da Casa do Saber compartilham com o público a leitura que fazem das obras da exposição a partir de seus próprios repertórios. São conversas presenciais, para grupos com vagas limitadas. O objetivo é levar o questionamento da exposição para outras áreas do conhecimento: psicologia e psicanálise, urbanismo, teologia, entre outras.
Professores confirmados: Christian Dunker, Ed René Kivitz, Giselle Beiguelman, Luís Fernando Tófoli, Catharina Doria, Joice Berth, Hanna Limulja, Ingrid Gerolimich e Geni Núñez.
Em qualquer horário de visitação, também é possível fazer uma visita acompanhada por áudios gravados pelos professores. Ali eles compartilham suas próprias reflexões sobre afetos a partir da leitura de obras da exposição.
Afetadas | Ciclo de diálogos entre escritoras
Partindo da leitura de textos próprios e de autoras consagradas como Clarice Lispector, Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles, entre outras, escritoras contemporâneas conversam sobre literatura, arte e as forças que nos alteram nos dias de hoje. São sete encontros com duração de duas horas e mediação da jornalista e crítica literária Giuliana Bergamo, responsável pela curadoria da programação.
Escritoras confirmadas: Aline Bei, Andrea Del Fuego, Natalia Timerman, Paulliny Tort, Mel Duarte, Isabela Noronha, Amara Moira, Bianca Santana, Cidinha da Silva, Gabriela Aguerre, Liana Ferraz, Mariana Salomão Carrara, Natália Zuccala e Verônica Stigger.
Performances
A programação inclui ainda três apresentações da performance “Afé”, com a multiartista Tatt, e a palestra-performance “A vergonha da vergonha: o que é ser uma pessoa”, com a pesquisadora e escritora Sofia Nestrovski.
Sobre a mostra
A Mostra Contemporâneas Vivara é uma iniciativa da Produtora Tête-à-Tête que tem por objetivo fomentar e valorizar a produção artística de trabalhos desenvolvidos por mulheres em diversas linguagens (grafitagem, artes visuais, audiovisual, literatura e poesia, entre outras). Está em curso agora a produção da sexta edição, com previsão de abertura em 23 de setembro, em São Paulo.
A proposta curatorial é ampliar o sentido da palavra afeto a partir da pergunta que dá título à exposição: “Que afeto é esse?”. Para além do vínculo entre duas pessoas ou de um sinônimo para sentimentos, na mostra o termo é encarado como uma força de interação que promove transformação. É aquilo que altera a maneira como percebemos o mundo, agimos e nos relacionamos.
Quem dá as boas-vindas aos visitantes da exposição é Maria, uma escultura-móvel humanoide concebida pela artista D’Anunziata. Criada a partir de reflexões sobre a crescente convivência entre seres humanos e inteligências artificiais, a robô inaugura uma pergunta central: como compreender aquilo que afeta os seres humanos?
“Que afeto é esse?” é resultado de uma curadoria difusa, orquestrada pela diretora artística da exposição, Stefania Dzwigalska. Para a concepção do projeto, ela se cercou do apoio de um time de especialistas. A pesquisa sobre o tema da exposição foi realizada por uma parceria entre Stefania e a artista D’Anunziata. A consultoria artística é de Marc Pottier e a curadoria da programação paralela é de Giuliana Bergamo, com consultoria da Casa do Saber.
Confira agenda completa, com datas e horários:
Visitas guiadas com a Casa do Saber
24/09, às 16h
Giselle Beiguelman — A máquina afetada
O digital raramente esfria o afeto. Ao contrário, quase sempre o superaquece: a indignação que viraliza, a intimidade que se acelera, o luto que sobrevive num perfil que continua ativo. E ao mesmo tempo o reformata, criando uma sintaxe própria (o emoji, o áudio, o tempo entre mensagens). O encontro trata dessa ambiguidade: o que se inscreve e o que se perde quando um afeto passa a viver na tela, entre a memória e o esquecimento programado.
26/09, às 16h
Christian Dunker — Um vocabulário dos afetos
Chamamos de “afeto” quase tudo o que sentimos e, ao usar a palavra à exaustão, a esvaziamos. Afetos não são substâncias guardadas dentro de nós, mas algo que circula entre o corpo, o outro e a cena e que, de saída, é indeterminado; que se transforma quando encontra um nome. Se os afetos são infinitos e mudam de uma cultura e de uma época para outra, nomeá-los é um trabalho que não é neutro: toda época torna certos afetos disponíveis, outros hegemônicos, outros obrigatórios. Ter um vocabulário dos afetos é, no fim, uma forma de não ser governado por eles.
01/10, às 11h
Ed René Kivitz — O afeto e o sagrado
Há uma dimensão do afeto que a ciência e a técnica não alcançam, e que a palavra carrega desde sempre: o que comove o espírito. Kivitz — voz do cristianismo para além do templo — trata do amor como compaixão, graça e escândalo: aquilo que move alguém a se voltar para o outro, e que confronta o poder em vez de acomodá-lo. Num ciclo atravessado por máquina, código e química, ele abre o registro do sagrado sem transformá-lo em pregação.
02/10, às 16h
Luís Fernando Tófoli — Os afetos alterados
O afeto vive na fronteira entre o que sentimos e o que se passa no corpo, entre o sentido e a sinapse. Mais do que como, a questão principal é o que substâncias e experiências não ordinárias podem nos ensinar sobre nossos afetos e o que isso revela sobre suas naturezas não apenas química, mas também simbólica. Como os afetos se relacionam com a nossa consciência e como estados alterados de consciência reorganizam o que sentimos? Em última instância, é possível (ou correto) pensar os afetos apenas como algo químico?
08/10, 11h
Catharina Doria — Ensinar afeto a uma máquina?
Sentimos através das máquinas todos os dias, mas o que acontece quando se decide ensiná-las a sentir de volta? E, antes disso, vale a pergunta: por que faríamos algo assim? O que exatamente se codifica quando um sistema é treinado para reconhecer emoção, e o que se apaga nessa tradução? O que do humano e o que ganha contornos inesperados e muitas vezes enviesados, evidenciando a falsa neutralidade da ideia de técnica?
10/10, às 16h
Joice Berth — A casa que nos constrói
A exposição ocupa uma casa, e este encontro interroga a escolha. Há uma dupla leitura do lugar onde o sujeito se fixa e se liga: a casa como primeira arquitetura afetiva (onde se aprende a conviver, lembrar e pertencer) e como território político, porque é a cidade que decide quem tem direito a um lugar. O afeto que nos prende a um espaço fala, ao mesmo tempo, de um investimento íntimo e de uma questão material.
14/10, às 16h
Hanna Limulja — Sonhar é conhecer e se afetar
Em muitas tradições, sonhar não é fechar-se no próprio inconsciente: é deslocar-se, encontrar o outro, conhecer o mundo. A partir da vida onírica yanomami, o sonho como uma forma de saber e de vínculo, o oposto de uma ideia puramente mecânica de consolidação de memória. Depois de o ciclo atravessar corpo, casa, máquina e química, ela abre a forma mais antiga e mais ampla de ser afetado: aquela que não se traduz em código nem em diagnóstico.
17/10, às 16h
Ingrid Gerolimich — Sobre o aprendizado dos afetos
Os primeiros vínculos instalam uma gramática silenciosa: a forma como fomos cuidados e amados enviesa o modo como amamos, buscamos e recusamos. Essa herança por vezes se torna destino e mostra que boa parte do que chamamos de amor é uma construção social e histórica, não uma natureza. A pergunta que ela sustenta é sobre o que converte a repetição em escolha: como transformar o afeto que se herda no automático em algo que se possa, enfim, decidir?
18/10, às 11h
Geni Núñez — Afetos como tecnologia colonial
E se aquilo que chamamos de amor não fosse natural nem universal, mas uma tecnologia? Algo que se aprende, se organiza e se herda? O encontro pensa a monogamia e as formas ocidentais de vínculo como dispositivos que organizam corpos e territórios, e recoloca o afeto a partir de cosmologias indígenas. Não como oposição fetichizada e exotizada, mas como pergunta sobre o que fomos ensinados a chamar de amor (e por que só de um jeito).
AFETADAS | CICLO DE DIÁLOGOS ENTRE ESCRITORAS
Aline Bei — Escritora e atriz, autora de “O peso do pássaro morto” e “Pequena Coreografia do Adeus” (mais de 200 mil cópias vendidas); seu livro mais recente, “Uma delicada coleção de ausências” (2025), foi eleito um dos melhores do ano por Quatro Cinco Um, Piauí e O Globo.
Amara Moira — Travesti, feminista e doutora em literatura pela Unicamp, autora de “E se eu fosse puta”, “Vidas Trans” e “Neca: romance em bajubá” (finalista do Prêmio São Paulo de Literatura); também tradutora e ex-coordenadora do Museu da Diversidade Sexual.
Andréa del Fuego — Escritora e mestra em Filosofia pela USP, autora de “Os Malaquias” (Prêmio José Saramago) e “A Pediatra”, publicada em vários países e recentemente adaptada para o teatro.
Bianca Santana — Escritora, jornalista e professora, doutora pela USP, colunista da Folha e autora de “Apolinária”, “Quando me descobri negra” e “Continuo preta: a vida de Sueli Carneiro”.
Cidinha da Silva — Escritora e ensaísta com 24 livros publicados, incluindo os premiados “Um Exu em Nova York” e “O mar de Manu”; lançou recentemente “Só bato em cachorro grande…” e “Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras”.
Isabela Noronha — Autora infantojuvenil vencedora do Prêmio Barco a Vapor e do prêmio Curtis Brown, com títulos como “Carlabê” e “Maria Pereira, a bruxinha brasileira” (2026); mestre em Criação Literária em Londres.
Liana Ferraz — Escritora, atriz e colunista da revista Claudia, autora de best-sellers como “Sede de me beber inteira” e do romance “Um prefácio para Olívia Guerra”, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.
Mariana Salomão Carrara — Escritora e Defensora Pública, autora de romances indicados ao Jabuti e vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura; lançou em 2026 “Cláudia Vera Feliz Natal”.
Mel Duarte — Poeta, compositora e produtora cultural com duas décadas de carreira, primeira mulher a vencer o Rio Poetry Slam na FLUP; autora de “Colmeia” e co-fundadora dos coletivos “Poetas Ambulantes” e “Slam das Minas SP”.
Natalia Timerman — Escritora e médica psiquiatra pela UNIFESP, autora de “Desterros”, “Antes que apague” e “Copo Vazio” (adaptado para o teatro); selecionada para residência literária em Nova York em 2025.
Natália Zuccala — Escritora, professora e psicanalista, autora dos romances “Ainda não” (2026), “Estela a esta hora” e “Cheia” (finalista do Prêmio São Paulo de Literatura).
Paulliny Tort — Jornalista e escritora, autora de “Erva brava” (Prêmio APCA, finalista do Jabuti) e do recém-lançado “Os imortais”.
Sofia Nestrovski — Escritora e tradutora (Virginia Woolf, Darwin), autora de “A história invisível” e apresentadora do podcast “Vinte mil léguas”, que também virou livro.
Veronica Stigger — Escritora, curadora e crítica de arte, com 14 livros de ficção publicados e curadoria de exposições no MAM, IMS e Sesc Pinheiros.
23/09, às 16h
O outro, com Mariana Salomão Carrara e Paulliny Tort
25/09, às 16h
A palavra, com Amara Moira e Mel Duarte
29/09, às 16h
O invisível, com Cidinha da Silva e Isabela Noronha
06/10, às 11h
A linhagem, com Gabriela Aguerre e Liana Ferraz
09/10, às 11h
A origem, com Bianca Santana e Natalia Timerman
22/10, às 11h
A arte, com Veronica Stigger e Natália Zuccala
24/10, às 16h
O riso, com Aline Bei e Andrea del Fuego
Performances
03/10, 17/10 e 25/10, sempre às 18h
“Afé”, com Tatt: artista transdisciplinar e pesquisadora, com obras entre performance, poesia, artes plásticas e videoarte; há mais de 18 anos investiga o Feminino como potência criativa, cruzando Semiótica, Psicanálise e Alquimia.
Em três apresentações, a multiartista Tatt propõe um contato íntimo com a fé. Para ela, trata-se de uma força profundamente feminina e transgressora que é capaz de transformar o real.
14/10, às 11h
“A vergonha da vergonha: o que é ser uma pessoa”, com Sofia Nestrovski: escritora e tradutora, mestre em Letras pela USP; autora de “A história invisível” e apresentadora, com Leda Cartum, do podcast “Vinte mil léguas”, que também virou livro semifinalista do Jabuti.
A ciência, desde Darwin, vem colocando a ideia de nossa humanidade em disputa. O imaginário científico é povoado de histórias sobre macacos, mitocôndrias e minhocas — mas nos educa pouco para pensar no que faz da gente, gente. Nesta palestra-performance, em que a escritora e pesquisa Sofia Nestrovski combina ciência e arte, a timidez se torna uma chave para se olhar para dentro e pensar no lugar que nossa espécie ocupa no mundo.
Serviço
Exposição | Que afeto é esse
De 23 de setembro ao dia 25 de outubro
Segunda à sexta, das 11h às 19h
Período
Local
Casa Conteúdo
Rua Groenlândia, 1089, Jardim Europa - São Paulo - SP
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A exposição Imprudentemente Poéticos chega ao Centro de Arte Popular (CAP), em Belo Horizonte, em versão ampliada, reunindo
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A exposição Imprudentemente Poéticos chega ao Centro de Arte Popular (CAP), em Belo Horizonte, em versão ampliada, reunindo obras de artistas visuais inspiradas na literatura do escritor português Valter Hugo Mãe. Com curadoria de Rui Neuenschwander, a mostra estabelece um diálogo entre literatura e artes visuais, explorando temas recorrentes na escrita do autor, como identidade, pertencimento, infância, memória, morte, amor e exílio. A proposta é traduzir em diferentes linguagens e técnicas as atmosferas melancólicas, oníricas, líricas e, por vezes, brutais que atravessam seus livros.
Realizada originalmente em Gonçalves, na Serra da Mantiqueira, a exposição ganha duas obras inéditas em sua passagem pela capital mineira. Pachamanca apresenta Para a Terceira Margem, Uma Ponte, acrílica sobre tela inspirado em Educação da Tristeza, no qual articula símbolos relacionados à ancestralidade, identidade e afetividade. Já Diego Carneiro participa com Massa Crítica, trabalho em técnica mista sobre tela desenvolvido a partir da leitura de O Século dos Imbecis, livro mais recente do escritor português.
A mostra também destaca a participação de dois artistas radicados em Belo Horizonte. Roberto Alvarenga de Paula Junior, conhecido como Tuscha, apresenta Honra, inspirada em As Doenças do Brasil, e O Perdão é Um Pássaro Que Pousa, criada a partir de Homens Imprudentemente Poéticos. Rogério Blach participa com Chão, obra inspirada em Deus na Escuridão, na qual utiliza a técnica japonesa de cerâmica raku para evocar memórias da infância e referências à paisagem vulcânica da Ilha da Madeira, cenário do romance.
Completam a exposição trabalhos de Alexandra Ward, Cynthia Gavião, Eliana Carvalho, Elias Mota, Jonas Meirelles, Ju Violeta, Manu Maltez, Paulo Otero, Popoke, Revista Comando, Ruzembergue Carvalho, Thais Beltrame e William Mophos. Cada artista escolheu uma obra literária como ponto de partida para sua criação, construindo interpretações que ampliam as possibilidades de leitura do universo de Valter Hugo Mãe.
Ao reunir diferentes gerações, trajetórias e linguagens artísticas, Imprudentemente Poéticos propõe uma experiência de aproximação entre palavra e imagem, na qual a literatura se transforma em matéria para novas narrativas visuais.
Serviço
Exposição | Imprudentemente Poéticos
De 25 de setembro a 22 de novembro
Terça a sexta, das 12h às 18h30, sábados e domingos, das 11h às 17h
Período
Local
Centro de Arte Popular (CAP)
Circuito da Praça da Liberdade, Rua Gonçalves Dias, 1608, bairro de Lourdes/Funcionários, Belo Horizonte - MG
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Casa Triângulo tem o prazer em apresentar Lava-Olhos de Emergência, a nova exposição de Lucas Simões na galeria, com textos de Pollyana Quintella e Ciro Miguel. A
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Casa Triângulo tem o prazer em apresentar Lava-Olhos de Emergência, a nova exposição de Lucas Simões na galeria, com textos de Pollyana Quintella e Ciro Miguel. A mostra reúne esculturas e instalações que exploram a transformação das formas quando elas atravessam diferentes contextos, tempos e repertórios culturais.
Há mais de dez anos, Simões desenvolve uma pesquisa sobre as relações entre matéria, forma e memória. Em seu trabalho, elementos da arquitetura, imagens, objetos e estruturas são deslocados de seus contextos originais e reorganizados a partir das marcas que carregam e das novas associações que passam a estabelecer.
Entre as referências presentes na exposição está uma fotografia de Mário Fontenelle, realizada em 1957 durante a construção de Brasília. O registro do encontro dos eixos Monumental e Rodoviário, ainda sobre a terra batida do Cerrado, inspira uma escultura em que uma estrutura diagonal suspensa atravessa a galeria, alternando entre opacidade e transparência.
A arquitetura moderna brasileira também está presente em Aparelhagem, políptico que parte da silhueta das colunas do Palácio da Alvorada, de Oscar Niemeyer. A forma, que ao longo do tempo passou a integrar diferentes elementos da cultura visual brasileira, é relacionada pelo artista às aparelhagens das festas de tecnobrega do Pará. A obra aproxima, assim, dois universos aparentemente distantes e observa como uma mesma estrutura pode adquirir novos sentidos quando apropriada por diferentes contextos.
Em Luscofusco, Simões trabalha a partir de imagens encontradas em livros de arte e arquitetura. Reproduzidas sucessivamente por meio de escaneamentos, impressões e reduções, elas perdem gradualmente sua definição e tornam-se quase vestígios das referências originais.
O título da exposição faz referência ao equipamento utilizado em laboratórios e oficinas para lavar os olhos em situações de emergência. A expressão também sugere uma maneira de olhar para aquilo que parece conhecido: interromper a familiaridade para perceber novamente. Nesse sentido, as obras de Simões não apenas recuperam formas reconhecíveis, mas investigam o que acontece quando elas são deslocadas, apropriadas e transformadas.
Em Lava-Olhos de Emergência, diferentes tempos e repertórios convivem no espaço da galeria. Arquitetura moderna, cultura popular e mitologias antigas tornam-se pontos de partida para uma reflexão sobre a permanência e a transformação das formas — sobre aquilo que elas carregam de sua origem e sobre tudo aquilo que passam a significar ao longo do caminho.
Serviço
Exposição | Lava-Olhos de Emergência
De 26 de setembro a 07 de novembro
Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h
Período
Local
Casa Triângulo
Rua Estados Unidos, 1324, São Paulo - SP
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Anualmente a arte contemporânea conta com um privilegiado espaço para fomentar o encontro entre cultura, mercado e ação de cunho social com a FASSP | Feira de
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Anualmente a arte contemporânea conta com um privilegiado espaço para fomentar o encontro entre cultura, mercado e ação de cunho social com a FASSP | Feira de Arte Social de São Paulo, no Centro Brasileiro Britânico (CBB). Promovida pela ONG Vida-Casa de Apoio, cuja presidente do Conselho é Ana Catarina Mendes e realizada pela Inn Produção, braço cultural da INN Gallery , das sócias Carmen Pousada e Flávia Coelho, a feira reúne aproximadamente 50 artistas, entre nomes reconhecidos no circuito cultural e acadêmico, artistas em ascensão no mercado e por novos talentos com a pioneira proposta de gerar recursos para a instituição que atua desde 1987 na região de Cotia para atender crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.
A FASSP nasce da tradicional Mostra de Arte Contemporânea, realizada há mais de três décadas, e amplia essa trajetória ao criar uma plataforma que aproxima artistas, curadores, colecionadores, parceiros e público.
O CBB onde tradicionalmente acontece a feira é numa edificação imponente, com arquitetura assinada pelo renomado escritório Botti Rubin Arquitetos Associados e se destaca por seu projeto contemporâneo e pelo grande átrio envidraçado criando um espaço de grande amplitude e luminosidade.
O conceito escolhido para a edição de 2026 – Alicerces – parte de uma pergunta: o que sustenta aquilo que construímos? Antes das paredes, das formas e dos espaços que habitamos, existem estruturas responsáveis por distribuir pesos, absorver tensões e permitir que algo permaneça de pé. Na vida coletiva, também dependemos de estruturas muitas vezes invisíveis.
É a partir dessa perspectiva que “Alicerces” ultrapassa a ideia de tema curatorial e propõe uma reflexão sobre o papel da arte e da cultura. “Cultura não é ornamento, sensibilidade não é acessório e cuidado não é fragilidade: são forças capazes de criar vínculos e transformar realidades”, argumenta Flávia Coelho.
A matéria deixa, assim, de ser apenas suporte para a criação e passa a dialogar com experiências humanas, memórias e relações que também nos constituem. “Assim como uma obra ou uma construção, também somos feitos de camadas, vínculos, marcas e elementos que, muitas vezes invisíveis, nos sustentam”, explica Flávia.
Alguns artistas desta edição
Entre os artistas participantes estão nomes reconhecidos como Paulo Mittelman e Manoel Veiga, além de artistas que vêm ganhando destaque no circuito, como Rodolpho Rivolta, Gabriel Nehemy, Leila Alberti e Ivania Tanaka. Nesta edição há trabalhos de novos talentos tais como Barbara Grings, Adriana Piraino, entre outros.
“A FASSP pretende dar visibilidade à diversidade da produção artística contemporânea em São Paulo e de outros estados brasileiros, criando oportunidades para artistas em diferentes momentos de suas trajetórias”, diz Flávia Coelho.
O evento também abre espaço para uma nova geração ligada a importantes núcleos de formação e pesquisa em artes visuais, reunindo artistas que passaram ou estão vinculados a iniciativas como Casa Tato, Residência Fonte e Hermes Artes Visuais, entre outras instituições.
Força tarefa: Organização, Seleção e Curadoria
A Inn Gallery, por meio do selo Cultural Inn Produção, é responsável pelo apoio na seleção dos artistas convidados, além da estruturação, produção e operacionalização da FASSP. Com experiência no mercado das artes, as sócias Carmen e Flávia buscam reunir diferentes gerações e trajetórias da arte contemporânea brasileira, aproximando artistas dos compradores/colecionadores e fomentando a formação de novos públicos.
A curadoria geral da edição está a cargo de Luís Sandes, curador, crítico e pesquisador de arte contemporânea brasileira. Doutor em História da Arte pela USP, Sandes realizou curadorias no Brasil e no exterior e tem artigos e textos publicados em veículos e publicações especializadas.
Luís Sandes destaca a importância de eventos como este no calendário das artes em São Paulo: “Em primeiro lugar, porque é uma iniciativa com preocupação social. Isto é, o interesse é levantar fundos para uma causa nobre, que é a de assistir crianças, adolescentes e idosos. Diante disso, essa exposição coletiva abre espaço, num endereço importante, para artistas diversos, sejam eles já mais estabelecidos, sejam eles mais iniciantes. Também o critério geográfico é alargado, já que artistas de diversas regiões do país têm participado da FAASP. Essa exposição coletiva articula uma causa social com uma diversidade de artistas que utilizam variados suportes”.
Segunda fase da FAASP irá focar em apenas quatro artistas
A FASSP 2026 terá um desdobramento da etapa inicial a partir de 17 de outubro, novamente no Centro Brasileiro Britânico (CBB), em Pinheiros, que será marcada por uma exposição de quatro artistas — Ângela Fernandes, Cássia Cola, Luciana Luchesi e Silvana Ravena —, sob curadoria de Agnaldo Farias. A proposta é apresentar as obras em um formato que se aproxima de exposições individuais, permitindo que cada artista tenha seu trabalho destacado e aprofundado dentro do próprio espaço do CBB.
O novo ciclo amplia a programação da feira e reforça sua proposta de apresentar diferentes linguagens, trajetórias e perspectivas da produção artística contemporânea.
E por último, para finalizar a temporada FAASP 2026 será ainda realizado no final de outubro um leilão cuja data será anunciada pelo Instagram oficial da Feira @fassp.oficial
Serviço
Exposição | Alicerces
De 26 de setembro a 12 de outubro – 2ª Fase, de 17 a 30 de outubro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, domingo e feriado, das 10h às 16h
Período
Local
Centro Brasileiro Britânico
Rua Ferreira de Araújo, 741 - Pinheiros - São Paulo - SP
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A Luisa Strina apresenta nome ar, nova exposição de Jarbas Lopes. Acompanhados de ensaios críticos de Érica Burini e Luiz Villares, os trabalhos inéditos articulam a sensibilidade
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A Luisa Strina apresenta nome ar, nova exposição de Jarbas Lopes. Acompanhados de ensaios críticos de Érica Burini e Luiz Villares, os trabalhos inéditos articulam a sensibilidade ecológica do artista em uma investigação das relações entre corpo,
natureza e cultura.
Desde os anos 1990, Jarbas Lopes desenvolve uma produção que valoriza o fazer manual e colaborativo, aproximando escalas, materiais e linguagens distintas. nome ar propõe uma atenção renovada a esses processos, estimulando uma maior consciência do próprio corpo, do entorno e da experiência sensorial da natureza.
Essa investigação se manifesta tanto nos materiais orgânicos empregados nos novos trabalhos quanto nas formas de relação que eles estabelecem com o público. Colchões feitos de juta e folhas de bambu convidam os visitantes a se deitar, enquanto telhas de papel e goma de tapioca revestem as paredes da galeria.
Em uma nova série de desenhos, Lopes mastiga o carvão antes de lançá-lo sobre o papel, fazendo do próprio corpo parte da produção das imagens. A dimensão corporal se estende também à performance que o artista realiza na abertura da exposição, composta por uma série de movimentos que ativam o espaço expositivo e introduzem um caráter teatral à mostra. “Somos parte da natureza; logo, já somos cultura”, afirma Luiz Villares em seu ensaio, citando Mário Pedrosa. “A arte de Jarbas Lopes reconhece essa inspiração e conexão contínua e fluida entre a arte e a natureza.”
Outros trabalhos ampliam esse trânsito entre materiais, técnicas e formas de conhecimento: livros encapsulados e tensionados por elásticos, telas tramadas, cavaletes de madeira e desenhos com caneta esferográfica. Segundo Érica Burini, Lopes entende a técnica como uma tática da vida humana que se sobrepõe ao natural: “Em sua obra, produz proximidades entre polos que parecem, a princípio, distantes: como a sabedoria da multiplicidade da mandioca, que é unida à técnica de construção civil industrial e à sensibilidade construtiva; assim como o saber fazer colchões de fibras naturais é combinado ao saber descansar e ao cubo branco.”
Serviço
Exposição | nome ar
De 1º de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 10h às 17h
Período
Local
Galeria Luisa Strina
ua Padre João Manuel 755, Cerqueira César, São Paulo
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Em Reconvexo, Fabiana Preti investiga as relações entre geometria, cor, matéria e espaço a partir de um conjunto de trabalhos que desloca a abstração do plano para
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Em Reconvexo, Fabiana Preti investiga as relações entre geometria, cor, matéria e espaço a partir de um conjunto de trabalhos que desloca a abstração do plano para uma experiência espacial e sensível e em diálogo com a obra do Neoconcreto Hélio Oiticica. Partindo do neologismo criado por Caetano Veloso, o título da exposição anuncia uma lógica de contrastes e complementaridades — côncavo e convexo, frente e verso, plano e volume, rigidez e delicadeza — que atravessa as obras e articula diferentes linguagens, como pintura, escultura, bordado e instalação.
A exposição apresenta uma produção marcada pelo trânsito entre dimensões. Formas que inicialmente se constituem na pintura ganham corpo em estruturas de madeira; módulos se desdobram no espaço; a geometria passa a incorporar torções, ritmos e deslocamentos que dependem também do movimento do olhar e da presença do espectador. Nesse percurso, Fabiana Preti aproxima o rigor da construção abstrata da dimensão sensível do fazer manual, incorporando ao processo a repetição, a imperfeição e a imprevisibilidade próprias do gesto.
Esse procedimento pode ser percebido em séries de Preti como Chorinho e Borboletário, nas quais seções de cor e estruturas modulares estabelecem ritmos visuais que se constroem pela repetição. É nesse campo que a produção de Preti encontra ressonância com questões centrais da obra de Hélio Oiticica. Seu trabalho aproxima-se da investigação neoconcreta sobre a passagem da obra como objeto de contemplação para a obra como experiência. “Se Oiticica expandiu a cor para o ambiente e para a ação do corpo, Preti desloca estruturas pictóricas para a tridimensionalidade, fazendo com que a cor e a geometria adquiram presença física e passem a operar também como matéria e espaço”, menciona o curador.
Em Reconvexo, essa investigação também se articula a uma reflexão sobre materialidade e fazer. A artista aproxima procedimentos tradicionalmente associados ao artesanal de uma pesquisa rigorosa sobre a forma, tensionando categorias como artístico e artesanal, formal e sensível, precisão e acaso. O gesto manual não aparece como elemento secundário, mas como força estruturante da obra, capaz de introduzir variações, ritmos e desvios na construção geométrica.
A exposição revisita, desse modo, questões fundamentais da abstração moderna brasileira a partir de uma perspectiva contemporânea, atenta às relações entre matéria, corpo, espaço e fazer. Nas obras de Fabiana Preti, a geometria não se apresenta como forma estática, mas como organismo em transformação: dobra-se, projeta-se, repete-se, desloca-se e produz diferentes modos de encontro com o espectador.
Reconvexo propõe, portanto, uma experiência na qual a forma não termina em sua superfície. Ao ocupar o espaço e convocar o corpo, as obras fazem da matéria um lugar de passagem entre construção e sensibilidade, ordem e movimento, permanência e transformação. A exposição convida o espectador a perceber a obra não apenas como aquilo que se vê, mas como aquilo que acontece no encontro entre forma, espaço e presença.
Reconvexo é um projeto selecionado na 5ª edição do Programa Hélio Oiticica, com o objetivo de ativar e atualizar o legado artístico e conceitual do artista
Serviço
Exposição | Reconvexo
De 03 de outubro a 01 de novembro
Segunda à Sábado das 10h às 18h
Período
Local
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica
Rua Luís de Camões 68, Praça Tiradentes, Centro, Rio de Janeiro - RJ
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A Sardenberg tem a satisfação de apresentar Entrar na Roda, segunda exposição individual de Janina McQuoid na galeria. O título evoca as brincadeiras infantis de roda,
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A Sardenberg tem a satisfação de apresentar Entrar na Roda, segunda exposição individual de Janina McQuoid na galeria. O título evoca as brincadeiras infantis de roda, o gesto de integrar uma dinâmica coletiva e a roda como mecanismo de movimento. Participar, mover-se e encontrar apoio se entrelaçam nas obras, nas quais sustentar um corpo constitui uma ação central. Figuras, rodas e volumes envolvidos experimentam maneiras de ocupar o espaço e permanecer. Como projeções de um corpo feminino e artístico, essas construções investigam um lugar no mundo. Pintar, amarrar, modelar e revestir são modos de constituí-lo, negociando seus limites e suas possibilidades de movimento.
Papel machê, madeira, alumínio, tecido, gesso, cera e fios compõem anatomias cujas articulações permanecem à vista. As superfícies guardam os gestos da fabricação em espessuras, dobras e remendos. Sobre elas, a pintura estabelece relações próprias. Uma cor reúne materiais distintos; uma pincelada atravessa um relevo; uma mancha interrompe a continuidade de uma forma. Essa elaboração cromática interfere na percepção do peso e dos contornos.
Em Varal, o rosa percorre o apoio inclinado e se expande pela estrutura superior, articulando elementos projetados em diversas direções. Conforme o ponto de vista, o conjunto se concentra ou se abre. Em Roda gigante, acentos vermelhos pontuam o círculo escuro, enquanto pinceladas claras e passagens azuladas e ocres introduzem variações nos volumes. A pintura acompanha a modelagem e oferece outros percursos ao olhar, distribuindo o giro sugerido pela roda em ritmos e intervalos.
Macabéa torna especialmente sensível a transformação da escultura pelo deslocamento do observador. De perfil, quase se reduz a uma linha sinuosa; de frente, abre-se numa trama que deixa o espaço passar. Conhecê-la exige tempo, percorrer suas faces e rever aquilo que parecia definido. O título evoca a personagem de A hora da estrela, de Clarice Lispector, e a questão de como uma vida encontra lugar e reconhecimento. A aproximação com as figuras alongadas de Alberto Giacometti passa pela intensidade humana que poucos elementos podem adquirir. Em Janina, essa presença se constitui também nos vazios.
Artista/mãe reúne criação e movimento numa bicicleta que avança sobre tubos de tinta. As rodas desiguais encontram um terreno feito dos materiais do trabalho artístico. A pintura está na superfície da escultura e no chão que ela precisa atravessar. Para avançar, esse corpo precisa encontrar apoio e equilíbrio sobre os próprios materiais de trabalho.
As reflexões da historiadora da arte feminista Griselda Pollock sobre a subjetividade feminina e materna ajudam a pensar esse corpo a partir das relações que o constituem. Em Artista/mãe, o vínculo entre mãe e filho pode ser pensado na distribuição dos apoios, na necessidade de ajustar o próprio movimento à presença de outro. Criar e sustentar uma vida envolvem tempos que se cruzam e transformam as condições do trabalho. Essa experiência adquire uma dimensão escultórica na negociação entre pesos, distâncias e espaços compartilhados.
A inteligência construtiva da brincadeira aproxima essas obras do circo de Alexander Calder, cujos personagens e aparelhos fazem do equilíbrio um acontecimento. Em Janina, rodas e estruturas inclinadas convidam a imaginar o que essas figuras poderiam fazer. A aparência de improvisação torna sensível o trabalho de ajustar as partes e encontrar uma posição possível. Já as figuras atravessadas por fios de Germaine Richier, como Le Diabolo, permitem pensar como a anatomia se prolonga nas linhas que ligam suas extremidades. O corpo ocupa o espaço também por aquilo que mantém separado e conectado.
Os procedimentos de envolver e ligar encontram uma interlocução em Eva Hesse. Em Janina, enrolar produz espessura, e as amarrações registram o tempo dedicado a reunir as partes. Essas operações guardam uma ambivalência. Um nó sustenta e comprime; um revestimento protege e oculta. Em Borda, o ocre aproxima massa, amarrações e base, enquanto áreas verdes e acinzentadas perturbam essa unidade. Seu volume evoca O enigma de Isidore Ducasse, de Man Ray. A pintura participa desse enigma, tornando incertos os limites entre as matérias e a identidade daquilo que vemos.
Entrar na Roda faz da sustentação uma experiência física, perceptiva e relacional. Cada ligação permite uma postura e estabelece um limite. Entre o impulso de avançar e o esforço de permanecer, Janina dá forma às condições de uma existência que precisa continuamente compor seu espaço e seu tempo com os de outros.
Serviço
Exposição | Entrar na Roda
De 03 de outubro a 07 de novembro
Terça a sexta, das 10h às 18h; Sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Sardenberg
Travessa Dona Paula, 29 / 134 - Consolação - São Paulo - SP
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A Sardenberg tem o prazer de apresentar Estranha Natureza, de Adriana Coppio. Plantas, insetos, construções e figuras humanas oferecem a proximidade de um mundo conhecido. Aos poucos, as formas admitem
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A Sardenberg tem o prazer de apresentar Estranha Natureza, de Adriana Coppio. Plantas, insetos, construções e figuras humanas oferecem a proximidade de um mundo conhecido. Aos poucos, as formas admitem outras leituras. Um tronco sugere um corpo, um inseto se confunde com um galho, uma reunião de crianças adquire a gravidade de uma aparição. O reconhecimento abre uma pergunta. “Estranha” designa tanto aquilo que vemos quanto o movimento de um olhar que começa a rever suas certezas.
Nas pinturas em acrílica de Coppio, a cor participa dessa dúvida. Amarelos e ocres aproximam matérias distintas, verdes se adensam nas sombras, rosas ganham intensidade junto aos azuis. A luz parece emergir do fundo da tela ou concentrar-se numa superfície, conferindo-lhe uma presença inesperada. O olhar acompanha essas relações, descobre semelhanças e depois as desfaz. Uma planta pode sugerir alguém sem deixar de ser planta. A imagem sustenta ambas as percepções.
Em Exuberância em Azul, o azul ocupa grande parte da tela e altera a escala perceptiva do vaso. O recipiente alaranjado e as flores rosas avançam contra esse campo, enquanto diagonais escuras o atravessam. Os galhos e suas sombras oferecem configurações diferentes de um mesmo organismo. A intensidade cromática confere à planta uma presença que encontra ressonância no protagonismo do vegetal em Tarsila do Amaral. Coppio preserva as irregularidades e texturas do crescimento, fazendo a cor conviver com a observação minuciosa da matéria.
Em Florida, os tons quentes do vaso, do tronco e do piso estabelecem continuidades, interrompidas pelos claros da parede. Ao fundo, uma flor esculpida encontra sua contraparte na planta viva. A repetição do motivo aproxima ornamento e organismo, mas seus tempos divergem. Uma forma foi fixada na arquitetura; a outra permanece sujeita ao crescimento. Na base avolumada da rosa-do-deserto, podemos reconhecer membros ou um corpo recolhido. Essa anatomia possível aproxima a pintura das continuidades entre corpo e natureza exploradas por Maria Martins. Em Coppio, a metamorfose permanece suspensa no olhar, que pode reconhecer uma figura humana e voltar a perceber a planta.
Sua toxicidade acrescenta uma tensão à cena. Cultivada pela beleza, ela participa da intimidade doméstica sem se tornar inteiramente inofensiva. O vaso acomoda essa convivência entre atração e risco. Também a flor esculpida merece atenção, pois a pintura dá espessura ao que facilmente seria percebido como simples decoração. Diante dela, podemos perguntar quanto de nosso julgamento já estava decidido ao classificarmos alguma coisa como ornamental. O olhar chega às imagens com valores aprendidos, que elas podem colocar em questão.
Em Anjos, os claros dos trajes aproximam as crianças numa forma coletiva, enquanto os rostos preservam diferenças e expressões particulares. As asas permitem reconhecer uma encenação religiosa. A frontalidade e a quietude, porém, emprestam ao grupo a solenidade de uma aparição. Esse encontro entre infância, intimidade e imagem sagrada permite uma aproximação com Farnese de Andrade, em cujos objetos bonecos e referências devocionais adquirem uma presença inquietante. A afinidade se estende aos insetos pintados por Coppio, cujas configurações sugerem máscaras ou rostos. Entre a criança vestida de anjo e o inseto que parece devolver nosso olhar, a pintura mantém aberta a dúvida sobre o que constitui uma presença.
A infância comparece na possibilidade de experimentar outra identidade, de vestir uma imagem e oferecer-se ao olhar dos outros. Há uma afinidade com os livros de histórias, nos quais o extraordinário pode surgir dentro de um ambiente familiar. O inquietante se insinua nessa proximidade.
Em Hierofania, os ocres aproximam o tronco e a construção, tornando difícil estabelecer onde termina uma matéria e começa a outra. A copa se abre em verdes e amarelos contra o céu. A árvore que brota da igreja parece participar de sua arquitetura, ao mesmo tempo que a transforma. O título orienta nossa atenção para uma manifestação do sagrado; a pintura mantém em aberto seu lugar. Ele pode estar no edifício, no crescimento vegetal ou na relação que nosso olhar estabelece entre ambos.
Num presente que solicita identificação e resposta imediatas, essas pinturas prolongam o intervalo entre ver e decidir. Sua pertinência está na experiência de perceber que a primeira identificação permanece insuficiente e que precisamos voltar à imagem. A cor nos aproxima, uma semelhança nos detém, um detalhe modifica o conjunto. Em Estranha Natureza, a familiaridade não encerra o encontro. Quanto mais olhamos, mais percebemos o que ainda escapa.
Serviço
Exposição | Estranha Natureza
De 26 de outubro a 26 de novembro
Terça a sexta, das 10h às 18h; Sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Sardenberg
Travessa Dona Paula, 29 / 134 - Consolação - São Paulo - SP
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A artista Gabriela Sacchetto apresenta a exposição “Na Vizinhança das Coisas”, que reúne cerca de 30 trabalhos novos dedicados à observação da paisagem urbana. A partir de cenas encontradas em
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A artista Gabriela Sacchetto apresenta a exposição “Na Vizinhança das Coisas”, que reúne cerca de 30 trabalhos novos dedicados à observação da paisagem urbana. A partir de cenas encontradas em caminhadas e deslocamentos cotidianos, a artista transforma elementos aparentemente banais da cidade, como fachadas, torres, telhados e galpões, em pequenas pinturas que convidam o público a olhar com mais atenção para o entorno.
Uma característica de sua produção é o uso de tacos, rodapés e fragmentos de madeira reaproveitados como suporte. As formas, rachaduras e marcas desses materiais participam da composição das imagens, criando relações entre a paisagem representada e os vestígios de uso presentes na própria madeira.
A exposição também apresenta trabalhos realizados durante uma residência artística na Dinamarca, onde Gabriela encontrou outras condições de luz e paisagem. Enquanto as pinturas inspiradas em São Paulo apresentam tons ocres e terrosos, as obras produzidas no exterior exploram brancos frios e verdes acinzentados.
Ao reunir esses diferentes registros, “Na Vizinhança das Coisas” propõe uma reflexão sobre as maneiras de perceber e habitar os espaços, valorizando detalhes da cidade que frequentemente passam despercebidos.
Serviço
Exposição | Na Vizinhança das Coisas
De 3 de outubro a 14 de novembro
Terça-feira a sábado, das 11h às 17h
Período
Local
ArteFASAM Galeria
Rua Rodrigues Caldas, 726 Salas 1305 e 1306 Santo Agostinho - Belo Horizonte - MG
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Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não
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Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não representou uma ruptura, muito pelo contrário: a abertura de um novo campo de investigação. Agora, na exposição “Rodrigo de Castro: A Ordem Sensível”, o artista percorre o caminho inverso.
“As esculturas nasceram, num primeiro momento, da observação das telas. A vontade de fazer com que a cor ocupasse o espaço me levou a pesquisar uma maneira de construir essa cor como escultura. Então, as esculturas se alimentavam, vamos dizer assim, do pensamento das pinturas. Eu percebo que agora acontece um diálogo no sentido inverso: a observação das esculturas me levou a trazer para o plano as complexidades que as esculturas criaram no espaço. Complexidades no sentido de que o espectador não consegue observar a escultura apenas com um olhar, é necessário se deslocar ao redor dela. A obra vai se revelando nas suas diferentes formas e incidências de luz que modificam completamente a ocupação da cor naquele espaço. Então, essas observações das esculturas abriram um caminho diferente, um novo caminho de pesquisa para levar como fonte daquela cor no espaço as maneiras de realizar isso na pintura. Há uma convergência maior entre cor, espaço e luz, fazendo fluir um diálogo mais intenso entre o que é pintura e o que é escultura porque na verdade é tudo fruto de um mesmo pensamento”, diz Rodrigo de Castro.
Com curadoria assinada, mais uma vez, por Vanda Klabin, a mostra reúne trabalhos em que Rodrigo de Castro amplia sua pesquisa sobre estrutura, equilíbrio, ritmo e percepção. Se na escultura a pintura encontrou o espaço, agora é a pintura que parece carregar consigo algo da experiência tridimensional, como se planos, linhas, cores e formas passassem a se relacionar a partir de uma nova consciência do espaço.
As pinturas recentes revelam um diálogo diferente da exposição anterior: as linhas que antes criavam novos espaços dividindo as áreas de cor passam a gerar um movimento na tela, um tempo diferente de observação da obra. Percebe-se uma nova maneira de se alcançar o equilíbrio, pela harmonia entre as cores que formam a obra. E como há uma dinâmica maior entre o diálogo das diversas áreas de cor da obra, o tempo de observação também se modifica.
“A exposição de Rodrigo de Castro apresenta uma seleção de sua produção mais recente e explora a articulação espacial da geometria e da cor. A relação fluida entre os campos cromáticos e a ordenação geométrica rigorosa do espaço constitui um campo permanente de investigação do artista. Sua gramática pictórica, construída ao longo de décadas de atividade contínua, transformou-se em um fértil território de pesquisa, no qual a cor não cumpre função descritiva nem decorativa: ela é o próprio agente estruturante da obra. Cada superfície resulta de um jogo rigoroso de derivações geométricas, em que planos, linhas e áreas cromáticas são dispostos segundo uma lógica que se afasta deliberadamente da comodidade da simetria e dos esquemas matemáticos preestabelecidos.
Mineiro de Belo Horizonte e radicado em São Paulo, Rodrigo de Castro formulou um vocabulário visual próprio, herdeiro das tradições construtivas brasileiras, sem jamais se submeter a filiações estritas. Sua obra dialoga com a economia formal do legado construtivista, mas opera de modo autônomo, em uma temporalidade que lhe é peculiar, atenta à manipulação sensível dos meios plásticos que elegeu. Cores e estruturas geométricas constituem o centro gravitacional de sua produção artística. Seus acordes cromáticos irradiam uma singular combinação que inunda o nosso olhar”, explica a curadora, Vanda Klabin.
Serviço
Exposição | A Ordem Sensível
De 15 de outubro a 14 de novembro
Terça-feira a sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galeria Patricia Costa
Av. Atlântica, 4.240/lojas 224 e 225 – Copacabana - Rio de Janeiro - RJ
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Um dos nomes responsáveis por concretizar projetos de algumas das principais figuras do modernismo e da arquitetura brutalista do país, Victor Foroni, artista com formação em engenharia
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Um dos nomes responsáveis por concretizar projetos de algumas das principais figuras do modernismo e da arquitetura brutalista do país, Victor Foroni, artista com formação em engenharia mecânica pela Escola Politécnica da USP, desde cedo frequentava o ateliê do pintor Alfredo Volpi no bairro do Cambuci-SP devido sua ascendência italiana e pela proximidade de um tio artista que o levava para conferir as produções de perto, ainda quando criança. Nesta mesma época, ganhou de presente um livro de matemática de um outro tio que o incentivava a estudar o tema, e a partir daí se tornou matemático e começou a desenhar e projetar móveis que chamavam atenção pelas finalizações e resultados fora do padrão.
Os estudos evoluíram e após a formação em engenharia nasceu a construtora Método, que realizou projetos que despertou atenção de Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha e Ruy Ohtake, que logo o convidaram para auxiliar na finalização de trabalhos icônicos, como o Sesc Pompéia, Edifício Forma, Museu da Escultura e Hotel Unique através de sua construtora, por conta de sua criatividade e pelas soluções inventivas que se destacavam.
Paralelamente a profissão de engenheiro/empresário, Foroni iniciou no mundo das artes por meio do teatro, e logo de cara já descobriu outra paixão, e que anos mais tarde se tornou combustível para que o artista ampliasse o campo de atuação para as artes visuais com a produção de esculturas e pinturas a base de tinta acrílica sobre tela.
Por influência dos pais, vindo de uma família rural por parte da mãe e criadores de cavalos pelo pai, foi natural que Foroni também despertasse interesse pelo universo equestre e com isso adquiriu uma enorme propriedade de mais de um milhão de metros quadrados na cidade de Boituva, localizado a cerca de 1h30 da capital paulista, para transformar o espaço em um haras para que pudesse seguir os passos do pai e criar cavalos de hipismo, e que depois decidiu aproveitar a enorme área verde do local para se dedicar também a criação de plantas, palmeiras e árvores.
Ao realizar diversas atividades simultâneas, Foroni deu uma pausa na produção de suas pinturas e esculturas e só foi retomar os trabalhos nas artes visuais no início dos anos 2000.
Hoje, passadas quatro décadas após Foroni adquirir o haras, o local ganhará um novo significado: está prestes a se tornar um instituto que levará seu nome e que irá abrigar, a partir de 2027, diversas atividades culturais abertas ao público e gratuítas, a começar pela própria exposição Estrutura do Imaginário, prevista para inaugurar no dia 03 de outubro deste ano.
Na mostra Estrutura do Imaginário, o artista apresenta pinturas e esculturas que são reverberações da sua mente estruturada. Nas obras, produzidas desde 2012, cor e forma estão a serviço do seu pensamento plástico. Nas cores vivas e vibrantes, com certa influência de Mondrian, pode-se aperceber o entusiasmo com que Foroni executa tudo a que se propõe. Os trabalhos impressos partem de pinturas feitas diretamente em tela, também presentes na exposição. A obra é fotografada, a imagem é levada para o computador e, então, replicada, combinada e rearranjada por Foroni em busca da beleza. O resultado são trabalhos visuais que possuem ressonâncias da tradição construtiva e da Op Art.
Em certo grau, a visualidade desses quadros também está relacionada a processos da construção civil. Assim, optou-se por apresentá-las na área anteriormente dedicada aos dos cavalos, sem maquiar a arquitetura. As esculturas, a maioria distribuídas em meio às plantas do espaço externo, são diversas, com formas e escalas múltiplas. Foroni parte de formas descomplicadas, de linhas retas e planos, fruto de equações matemáticas de primeiro grau. Após transformá-las, atinge resultados surpreendentes. Já o uso da cor é minimalista, com poucas misturas.
Foroni gosta da simplicidade, algo que o encanta.A sua arte é fruto de sua personalidade, e, a despeito de certa racionalidade, há nas obras uma visceralidade inata. A sua força advém de um forte desejo de habitar o mundo de um modo marcante, incisivo. Em algumas das esculturas, é possível notar influências de Amílcar de Castro (1920– 2002) e de Franz Weissmann (1911–2005), dois artistas que Foroni admira e que estão presentes em sua coleção particular. Sua admiração se estende ainda a Hélio Oiticica (1937–1980). A exposição conta, também, com maquetes de possíveis futuras esculturas. Se quando Foroni era criança, sua mãe o chamava de “arteiro”, agora, a brincadeira é a sério. A arte que produz, movido pela satisfação pessoal e pelo prazer de fazer, carrega o que todo bom artista deve trazer e que as crianças costumam ter: a capacidade de experimentar sem medo.
Serviço
Exposição | Estrutura do Imaginário
De 03 de outubro a 10 fevereiro
Das 14h às 18h
Período
Local
Instituto Victor Foroni
Rodovia Boituva-Cerquilho (ou Rod. Btv-Quarenta), 2337 - Fazenda Santo Antônio), Boituva - SP
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Com pinturas, vídeos e estudos, a artista Vívian Amorim apresenta em “Arcanos do Inconsciente” uma investigação que une dança intuitiva, imaginação simbólica e a vivência dos arcanos
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Com pinturas, vídeos e estudos, a artista Vívian Amorim apresenta em “Arcanos do Inconsciente” uma investigação que une dança intuitiva, imaginação simbólica e a vivência dos arcanos maiores do tarô.
Mostra reúne 22 pinturas em tinta acrílica, dois vídeos das danças realizadas e estudos produzidos em aquarela, tinta acrílica, caneta hidrográfica e giz pastel oleoso. As telas são criações simbólicas desenvolvidas a partir de movimentos de danças intuitivas e da leitura e vivência dos arcanos maiores do tarô. O conjunto das obras forma um caminho que narra a construção de cada arcano pessoal ao longo dos últimos anos, propondo um convite ao movimento do inconsciente e do próprio corpo.
Vívian explica que o projeto parte do estudo do movimento do corpo dentro da dança, seguido pela combinação desse movimento com características dos arcanos maiores, utilizando uma simbologia única. “É um trabalho simbólico. O conjunto de telas é um caminho narrando esse lugar de ter vivido a construção de cada arcano pessoal nesses últimos anos. É um convite ao movimento do inconsciente e do próprio corpo”, compartilha a artista.
A exposição inédita e de curta temporada, que começou a ser desenvolvida em 2023, conta com uma obra que foi exibida na Suíça em 2026. “Apresentei o estudo de ‘A marisqueira – o trabalho da Morte’ no processo de seleção para ingresso na Lucerne University of Applied Sciences and Arts (HSLU), em março de 2026. Dois anos antes, em outubro de 2024, tive a oportunidade de participar de uma mostra coletiva na Escola Panorama, em Florianópolis, com a obra ‘Desconcerto Epifânico’. Apenas essas duas obras foram apresentadas anteriormente, em tamanhos menores do que as versões que serão exibidas agora, as demais são todas inéditas”, destaca a artista.
Com curadoria de Amanda Estima, psicóloga, especialista em psicologia junguiana, a mostra tem expografia assinada por Renata Amorim e Lesse Pierre, trilha sonora composta por Kayan Zimmermann e produção da própria artista com assistência de Renata Amorim.
“O espaço expositivo propõe uma exposição dinâmica. Espero que o público se permita envolver com os movimentos das obras, que interaja com a instalação que encerra a exposição, que se divirta com as cartas e personalidades de cada obra”, completa a artista.
Serviço
Exposição | Arcanos do Inconsciente
De 4 e 13 de outubro
Terça a domingo, das 10h às 21h
Período
Local
Centro Integrado de Cultura - CIC
Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, bairro Agronômica, Florianópolis/SC
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A artista Lilian Camelli apresenta a exposição individual “Ruídos do Silêncio”, na Sala Sebastião Barbosa da Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia. Com curadoria de Danilo Garcia e apoio da
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A artista Lilian Camelli apresenta a exposição individual “Ruídos do Silêncio”, na Sala Sebastião Barbosa da Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia. Com curadoria de Danilo Garcia e apoio da Contempo Galeria, a mostra reúne pinturas que exploram ambientes domésticos, espaços vazios e cenas cotidianas, abordando questões relacionadas à memória, à ausência e à intimidade.
Nas obras, quartos, corredores, janelas e objetos assumem protagonismo, compondo imagens que sugerem acontecimentos e histórias não reveladas. A artista parte de elementos familiares para construir atmosferas de silêncio e expectativa, nas quais a ausência de figuras ou de informações explícitas abre espaço para diferentes interpretações.
A exposição se desenvolve justamente na relação entre aquilo que está visível e o que permanece oculto. Os ambientes retratados não apresentam narrativas fechadas, mas fragmentos que convidam o observador a imaginar o que aconteceu ou o que pode estar prestes a acontecer. Dessa forma, a pintura se torna um espaço de projeção de memórias e experiências individuais.
Para o curador Danilo Garcia, a intimidade presente nos trabalhos de Camelli não aparece como uma confissão, mas como algo fragmentado e parcialmente inacessível. Quanto menos a imagem revela, mais o público é convidado a procurar sentidos e construir suas próprias leituras. Com entrada gratuita, “Ruídos do Silêncio” permanece em cartaz até 5 de novembro, na Vila Cultural Cora Coralina.
Serviço
Exposição | Ruídos do Silêncio
De 06 de outubro a 5 de novembro
Segunda a domingo, das 9h às 16h, com permanência até as 17h
Período
Local
Vila Cultural Cora Coralina
R. 3, s/n - St. Central - Goiânia, GO
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A Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, apresenta a exposição “Vik Muniz – REVER: imagem e reflexão”, que reúne 60 fotografias produzidas ao longo de três décadas de trajetória do
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A Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, apresenta a exposição “Vik Muniz – REVER: imagem e reflexão”, que reúne 60 fotografias produzidas ao longo de três décadas de trajetória do artista brasileiro. Com curadoria de Daniel Rangel, a mostra ocupa a Grande Sala do espaço cultural e propõe um percurso por diferentes momentos de sua produção, marcada pela experimentação com materiais e pela investigação das relações entre imagem, percepção e representação.
Reconhecido internacionalmente, Vik Muniz desenvolve trabalhos a partir de materiais pouco convencionais, como chocolate, sucata, poeira, pigmentos e cinzas. Esses elementos são utilizados na construção de imagens que, posteriormente, são registradas por meio da fotografia, estabelecendo relações entre o objeto original, sua representação e a maneira como o público percebe aquilo que vê.
Entre os destaques da exposição estão releituras de obras de importantes artistas da história da arte e trabalhos da série “Museu de Cinzas”, desenvolvida a partir do incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. As obras abordam questões relacionadas à memória, à preservação e à transformação de materiais em imagens.
Realizada pelo Serviço Social do Comércio em Goiás (Sesc-GO), a exposição convida o público a observar como materiais cotidianos podem adquirir novos significados por meio da criação artística. A visitação é gratuita e segue até 31 de janeiro de 2027, na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia.
Serviço
Exposição | REVER: imagem e reflexão
De 06 de outubro a 31 de janeiro
Segunda a domingo, das 9h às 16h, com permanência até as 17h
Período
Local
Vila Cultural Cora Coralina
R. 3, s/n - St. Central - Goiânia, GO
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A exposição coletiva “Das paisagens, dessas que vêm aos lábios” reúne trabalhos das artistas Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti na Sala Antônio Poteiro da Vila Cultural Cora Coralina,
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A exposição coletiva “Das paisagens, dessas que vêm aos lábios” reúne trabalhos das artistas Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti na Sala Antônio Poteiro da Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra apresenta esculturas, pinturas e instalações que investigam as relações entre corpo, território e paisagem, propondo outras maneiras de perceber e experimentar os espaços que habitamos.
A exposição parte da compreensão de que a paisagem não se limita àquilo que pode ser observado à distância. Nas obras, ela aparece como uma experiência corporal e sensível, atravessada por memórias, afetos e relações com o ambiente. As artistas exploram a ideia de que os territórios também são percebidos por meio do contato, da matéria e das experiências acumuladas ao longo do tempo.
Para desenvolver essas questões, as três artistas trabalham com diferentes materiais, como argila, vidro, latão, óleo sobre madeira e cimento. As escolhas materiais estabelecem relações entre elementos naturais e processos de transformação, aproximando questões ambientais, experiências individuais e modos de ocupação do espaço.
Em “Das paisagens, dessas que vêm aos lábios”, o público é convidado a pensar a paisagem como algo que se atravessa, se carrega e se incorpora à própria existência. Ao aproximar diferentes linguagens e pesquisas artísticas, a exposição propõe reflexões sobre as relações entre o corpo e o mundo, deslocando a paisagem da condição de cenário para compreendê-la como parte constitutiva da vida. A visitação é gratuita e segue até 31 de janeiro de 2027.
Serviço
Exposição | Das paisagens, dessas que vêm aos lábios
De 06 de outubro a 31 de janeiro
Segunda a domingo, das 9h às 16h, com permanência até as 17h
Período
Local
Vila Cultural Cora Coralina
R. 3, s/n - St. Central - Goiânia, GO
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Bárbara Banida e Emer Freire inauguram apresentam a exposição “Mecanosfera”, com curadoria de Lucas Dilacerda, na Claraboia. Realizada em parceria com a Cave, a mostra discute o pós-humanismo e o
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Bárbara Banida e Emer Freire inauguram apresentam a exposição “Mecanosfera”, com curadoria de Lucas Dilacerda, na Claraboia. Realizada em parceria com a Cave, a mostra discute o pós-humanismo e o vitalismo material através de instalações, cerâmicas, pinturas, esculturas e sons.
O título parte do conceito de mecanosfera, desenvolvido pelos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, que compreende o mundo como um conjunto de agenciamentos maquínicos, biológicos, tecnológicos, sociais e naturais. Nessa perspectiva, o humano deixa de ocupar uma posição central e a realidade passa a ser entendida como uma rede de conexões na qual não há separação rígida entre tecnologia e natureza ou entre o biológico e o social.
“Esta exposição aproxima as poéticas de Bárbara Banida e Emer Freire por meio do erotismo material. Aqui, vemos seres híbridos, mas não é o hibridismo que nos interessa, e sim o grau zero da vida, ponto ápice do desejo, sem linguagem e sem separabilidade: o instante fulgor no infinito onde não há formas determinadas, na qual tudo que existe é, ao mesmo tempo, o mínimo de determinação e o máximo de possibilidades”, afirma Lucas Dilacerda, que assina a curadoria da exposição.
Na produção de Bárbara Banida, essa reflexão se desenvolve a partir de Erotar, planeta ficcional criado pela artista em estado de regeneração. Suas esculturas em cerâmica assumem a forma de criaturas híbridas e paisagens de geografias imaginárias, em uma pesquisa que se contrapõe aos discursos de fim do mundo e ao pessimismo ambiental.
Emer Freire, por sua vez, constrói sistemas por meio do acoplamento de elementos industriais e orgânicos. Ao reunir diferentes materialidades, sua pesquisa questiona divisões estabelecidas entre elas e investiga formas de coexistência entre matérias distintas.
A aproximação entre os dois artistas conduz a uma reflexão sobre as formas como a humanidade historicamente se relacionou com diferentes vidas no planeta e sobre o que a própria matéria pode sugerir em termos de outras relações e futuros possíveis.
“Mecanosfera acontece como dois planetas que se alinham. As poéticas de Bárbara Banida e Emer Freire se aproximam pelo espanto diante da matéria e pelo desejo de imaginar o que ela pode se tornar quando suas divisões deixam de funcionar. Se em Bárbara esse encontro acontece pelo romance, pela força erótica que faz vulcões desejarem estrelas, cometas beijarem a terra e o barro lembrar que nunca esteve separado da Natureza; em Emer ele acontece pelo terror da ficção científica, diante de máquinas, fósseis e matérias alienígenas que já não conseguimos reconhecer como naturais ou artificiais, vivas ou mortas. Bárbara olha para o cosmos e fabula mundos onde a matéria se apaixona; Emer olha para os resíduos deste mundo e constrói agenciamentos em que a matéria reaprende a viver. Uma produz mitologias de atração, o outro cria ecologias de contaminação. Mas romance e terror conduzem ao mesmo lugar: ao desconhecido que surge quando aquilo que parecia separado volta a se encontrar.”, conclui Lucas Dilacerda.
Serviço
Exposição | Mecanosfera
De 6 de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
CLARABOIA
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 Jardim América, São Paulo - SP
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A exposição “Suspensa Voluta”, de Pedro Azaleia, reúne pinturas recentes do artista construídas a partir de suas caminhadas e deslocamentos pela cidade. Fachadas, ornamentos arquitetônicos, plantas e
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A exposição “Suspensa Voluta”, de Pedro Azaleia, reúne pinturas recentes do artista construídas a partir de suas caminhadas e deslocamentos pela cidade. Fachadas, ornamentos arquitetônicos, plantas e outras formas encontradas no caminho tornam-se pontos de partida para uma investigação sobre paisagem urbana, memória e passagem do tempo. Nas telas, elementos de diferentes origens se encontram e se sobrepõem, criando uma atmosfera noturna e enigmática, na qual a cidade aparece menos como cenário e mais como um território repleto de vestígios a serem observados.
Durante seus percursos por centros históricos, Azaleia volta a atenção para detalhes de edifícios antigos, muitos deles abandonados, como volutas, colunas, frisos e gradis. O artista identifica formas semelhantes também na natureza, seja nos movimentos de uma planta, no corpo de uma jiboia ou em estruturas de fungos. Essas aproximações atravessam suas pinturas, colocando lado a lado arquitetura e elementos naturais e revelando padrões visuais que parecem se repetir em contextos distintos. Em vez de representar uma natureza idealizada, o artista investiga como ela persiste e se manifesta no interior da experiência urbana.
Esse processo de observação encontra correspondência na própria construção das obras. No ateliê, Azaleia acumula diversas camadas de tinta sobre a tela e, posteriormente, rasura essa superfície com estilete, retirando matéria para fazer surgir linhas e figuras. Pintar passa, assim, tanto pela adição quanto pela subtração. A cor também ocupa um lugar central: em vez de funcionar apenas como recurso para criar luz, sombra ou volume, ela é tratada como matéria. As combinações cromáticas partem ainda de uma investigação da história da pintura e de artistas como Paul Gauguin, cujas paletas são observadas, decompostas e reconstruídas pelo artista.
A relação com a cidade também aparece na dimensão gráfica de seu trabalho. Antes da pintura, Azaleia desenvolveu uma experiência com a pichação durante seus deslocamentos de skate pelo espaço urbano. Algo dessa escrita permanece na maneira como risca e rasura as superfícies das telas. Assim como os muros acumulam inscrições, apagamentos e marcas de diferentes momentos, suas pinturas funcionam como uma espécie de palimpsesto: cada nova camada convive com rastros das anteriores. Elementos arquitetônicos e naturais surgem ainda a partir de diferentes pontos de vista, rompendo com uma perspectiva única e fazendo com que tempos, espaços e imagens coexistam sobre o mesmo plano.
Em “Suspensa Voluta”, observar uma pintura torna-se, portanto, um exercício de procurar pistas sem necessariamente encontrar uma resposta definitiva. As obras aproximam temporalidades históricas, botânicas e urbanas e transformam fragmentos encontrados pelo artista em imagens que oscilam entre reconhecimento e estranhamento. Ruínas, plantas, ornamentos, cores e inscrições formam uma espécie de labirinto visual no qual passado e presente permanecem sobrepostos. Mais do que reconstruir aquilo que desapareceu, Azaleia parece interessado nos vestígios deixados por essas transformações — pintando, como sugere o texto curatorial, como quem faz “botânica no asfalto”.
Serviço
Exposição | Suspensa Voluta
De 06 de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
CLARABOIA
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 Jardim América, São Paulo - SP
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A exposição “Umbra”, de Gi Monteiro, reúne trabalhos que partem das curvas, torções e movimentos da matéria para investigar processos de transformação, nascimento e continuidade. Na pesquisa
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A exposição “Umbra”, de Gi Monteiro, reúne trabalhos que partem das curvas, torções e movimentos da matéria para investigar processos de transformação, nascimento e continuidade. Na pesquisa da artista, a linha reta dá lugar à dobra, entendida não apenas como forma, mas como modo de pensar aquilo que escapa à estabilidade e à precisão. Formas orgânicas, fluxos e movimentos atravessam as obras e estabelecem aproximações entre corpo, natureza e diferentes estados da matéria.
Essa investigação aparece na série “Nevoeiro”, iniciada em 2025, na qual Gi combina desenho e recorte sobre lona negra de algodão. Traços longos e curvilíneos dão origem a formas fechadas e áreas de cores sutis, quase metálicas, que emergem sobre o fundo escuro. A artista parte da própria condição do nevoeiro — matéria visível, mas difícil de apreender — para explorar relações entre presença e desaparecimento, proximidade e distância, materialidade e imaginação.
A ideia de algo que existe em estado de potência também atravessa a série “Sementes”. Nesses trabalhos, a artista se interessa pela semente como forma que contém uma vida ainda por acontecer. Já em “Recém nascida”, sua atenção se desloca para outro momento de passagem: o nascimento e o primeiro contato de um corpo com o espaço exterior. As duas séries aproximam germinação, hereditariedade, mutação e transformação, pensando a vida como um processo que não acontece de maneira linear.
As formas curvas e retorcidas que aparecem nos trabalhos reforçam essas relações. Elas podem remeter tanto às estruturas de plantas e organismos quanto à circulação do sangue, ao DNA, às ondas e às volutas da arquitetura barroca. A dança, prática que também integra o processo criativo de Gi Monteiro, acrescenta a dimensão do corpo e do movimento a essa pesquisa, na qual uma forma parece continuamente se transformar em outra.
Em “Umbra”, sementes, nevoeiros e corpos recém-nascidos se encontram justamente em momentos nos quais algo deixa de ser o que era sem ainda ter assumido uma nova forma. Sobre fundos escuros, as imagens parecem surgir gradualmente, entre aparição e desaparecimento, latência e transformação. Em vez de uma trajetória em linha reta, Gi Monteiro propõe pensar esses processos por meio de desvios, expansões, contrações e dobras, fazendo da instabilidade uma condição para o surgimento de novas formas.
Serviço
Exposição | Umbra
De 06 de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
CLARABOIA
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 Jardim América, São Paulo - SP
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Como habitar a Terra sem continuar ocupando-a como quem possui, domina e extrai? É a pergunta que atravessa “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, exposição individual de
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Como habitar a Terra sem continuar ocupando-a como quem possui, domina e extrai? É a pergunta que atravessa “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, exposição individual de Damiana Bregalda que será apresentada pela primeira vez no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC), em Florianópolis, com curadoria de Juliana Crispe.
Damiana explica que o título da exposição concentra dois aspectos fundamentais da sua pesquisa. De um lado, a pele e o corpo, aquilo que toca e constitui, de outro, a terra, compreendida não como recurso, mas como território vivo, atravessado por memórias, histórias, conflitos, relações e possibilidades de existência. “A ideia de ‘pouso’ aparece como um gesto de suspensão, desaceleração e atenção. Já o ‘risco’ diz respeito tanto à vulnerabilidade quanto à possibilidade de deslocar certezas e experimentar outras formas de habitar a Terra”, explica a artista.
A exposição reúne 16 obras de diferentes linguagens: quatro instalações, uma série de quatro monotipias, quatro vídeo-performances, duas publicações de artista, uma série de seis foto-performances, duas fotografias e dois trabalhos sonoros. O conjunto é resultado de mais de dez anos de pesquisa artística e antropológica, realizada a partir de deslocamentos por diferentes territórios e de investigações sobre o corpo, a terra, o tempo e os modos de habitar o mundo.
Embora alguns trabalhos já tenham sido apresentados anteriormente, em exposições individuais e coletivas, “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos” é inédita como exposição, tanto pelo título quanto pela configuração do conjunto. A mostra aproxima diferentes momentos de uma pesquisa que se estende por mais de uma década e que reúne trabalhos iniciados em 2013 e produções recentes.
Entre os trabalhos de longa duração está “Diário de pousos”, iniciado em 2013 e apresentado agora ao público pela primeira vez. No projeto, a artista coleta folhas e flores no momento exato em que se desprendem das árvores e registra o local e o horário de cada pouso, transformando esses acontecimentos mínimos em uma investigação sobre o tempo, o deslocamento e a relação.
Já a série “Ara Maí: semear em terras devastadas (2026)” foi desenvolvida nos últimos dois anos, durante a pesquisa de pós-doutorado (2024–2026) no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), com bolsa de pós-doutorado concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Tantos os trabalhos “Ara Maí” quanto as monotipias foram realizadas em três paisagens distintas de Santa Catarina: uma pedreira e uma plantação de monocultura de pinus elliottii em Florianópolis e uma mina de carvão em Criciúma.
A relação entre corpo, território e disputa também aparece nas vídeo-performances “É preciso correr o risco – na pele” e “É preciso correr o risco – na terra”. Nesta última, a artista percorre uma área destinada à monocultura de soja em Paraí, que fica no Rio Grande do Sul, onde semeia o Avaxi Para’í, variedade de milho cultivada pelos Guarani. O gesto estabelece uma tensão entre a lógica da monocultura e outras formas relacionais de produção e cuidado da vida.
Habitar o mundo
A partir da relação entre corpo, território, memória, tempo e matéria, a exposição aborda questões como a crise climática, a devastação ambiental, a monocultura, a exploração dos territórios e os efeitos ainda presentes da colonialidade sobre os corpos humanos e sobre a própria terra. Em diálogo com saberes e experiências de povos originários e quilombolas, a pesquisa também aborda diferentes formas de habitar e produzir mundo. A partir de sua posição enquanto mulher branca, a artista interroga as heranças coloniais que atravessam sua própria história e investiga possibilidades de escuta de outros modos de existência e relação com a Terra.
A artista não pretende oferecer respostas prontas, mas criar situações para que o público possa parar, observar, escutar e questionar algumas das certezas que organizam nossa relação com a Terra. “A exposição propõe pensar a crise ecológica a partir de uma perspectiva decolonial. Em diálogo com Malcom Ferdinand e sua Uma ecologia decolonial, compreendemos que a devastação ambiental não pode ser dissociada da história do colonialismo, da escravidão, do racismo, da apropriação territorial e dos modelos de exploração que transformaram a natureza em propriedade e mercadoria. A crise climática possui uma história, e essa história também é colonial”, destaca a curadora Juliana Crispe.
O gesto de semear aparece em diferentes trabalhos da mostra e ganha um sentido particular diante dos cenários de devastação apresentados pela artista. “Interessa pensar a Terra como um mundo compartilhado entre humanos e não humanos. Por isso, o gesto de semear aparece como uma possibilidade poética e política: não como uma promessa ingênua de recuperar uma natureza intocada, mas como uma maneira de imaginar outros modos de habitar”, explicam a curadora e a artista.
A mostra marca também a primeira exposição de Damiana no MIS-SC. Para a artista, ocupar o espaço tem um significado especial justamente pelo caráter público e pelo acesso gratuito. “Tenho uma expectativa muito grande de que o espaço do MIS possa funcionar não apenas como lugar de apresentação das obras, mas como um espaço de encontro, pausa e reflexão”, afirma.
A expectativa é que a experiência não termine necessariamente ao deixar a sala expositiva. “Gostaria que o público pudesse sair da exposição levando alguma pergunta consigo. Talvez a pergunta sobre como estamos habitando a Terra e que outras formas de relação com ela ainda podemos imaginar. Da pele à terra é um convite para suspender, pousar, escutar e semear”, completa a artista.
A exposição individual “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, da artista Damiana Bregalda, foi viabilizada pela Lei nº 15.503, de 29 de junho de 2011. A visitação gratuita poderá ser feita até 29 de novembro de 2026, de terça a domingo, das 10h às 21h, no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC), que fica no Centro Integrado de Cultura (CIC), localizado na Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600, no bairro Agronômica, em Florianópolis/SC.
Serviço
Exposição | Da pele à terra: percursos de pousos e riscos
De 6 de outubro a 29 de novembro
Terça a domingo, das 10h às 21h
Período
Local
Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC)
Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis - SC
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Exposição Muitas Infâncias: Linhas de Fuga do Olhar reúne trabalhos da artista Tim Diederichsen e de crianças e jovens dos projetos “Museu Menor’ e ‘Sonhos, Desejos e Esperanças das Crianças
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Exposição Muitas Infâncias: Linhas de Fuga do Olhar reúne trabalhos da artista Tim Diederichsen e de crianças e jovens dos projetos “Museu Menor’ e ‘Sonhos, Desejos e Esperanças das Crianças no Brasil’ na Galeria Lama, em Florianópolis; espaço vai receber visitas de grupos escolares ao longo da mostra coletiva
O que acontece quando a infância é vista por diferentes caminhos? É a partir dessa pergunta que a exposição “Muitas Infâncias: Linhas de Fuga do Olhar”, de Tim Diederichsen, com curadoria de Marcello Carpes, abre no dia 6 de outubro, a partir das 19h, na Galeria Lama, em Florianópolis. Com 69 obras, a mostra parte da produção da artista para propor um olhar sobre a infância como espaço de invenção, experimentação e multiplicidade.
A exposição coloca a produção de Tim Diederichsen em diálogo com dois projetos convidados. Um deles é o ‘Museu Menor’, viabilizado por Fabíola Burigo a partir de sua experiência como professora de Artes no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O outro é ‘Sonhos, Desejos e Esperanças das Crianças no Brasil’, projeto artístico-pedagógico internacional com apoio de Gilka Girardello e Mônica Fantin, que cria espaços para que crianças expressem seus sonhos, desejos e perspectivas sobre o futuro.
Na exposição, os trabalhos de Tim Diederichsen, realizados em aquarela, papel machê e cerâmica, estabelecem esse diálogo com desenhos, palavras e outras produções de crianças e jovens dos projetos convidados. A proposta da coletiva não é apresentar uma única ideia de infância, mas reconhecer diferentes maneiras de ser, imaginar, criar e perceber o mundo.
A curadoria de Marcello Carpes reúne diferentes contextos e experiências de infância e parte da ideia de “linhas de fuga” presente no título da mostra. São aquilo que escapa às formas fixas de olhar e compreender a infância. Inspirada na potência inventiva do pensamento das crianças, a exposição convida o público a deslocar certezas e experimentar outras formas de olhar, abrindo espaço para a imaginação, a diferença e o inesperado.
Visitas para escolas e grupos
Para aproximar esse debate de crianças e educadores, a Galeria Lama amplia a programação da exposição e passa a receber escolas públicas e particulares, projetos educativos e outros grupos interessados. As visitas mediadas acontecem nas quintas-feiras (15, 22 e 29 de outubro e 5 de novembro), em dois horários: das 10h às 11h e das 14h às 15h. Os agendamentos podem ser feitos pelo e-mail [email protected].
Segundo o galerista Deivid Vieira, responsável pela Galeria Lama, a iniciativa busca transformar a exposição em um espaço de encontro, escuta e experiência, aproximando diferentes públicos da produção artística e permitindo que cada grupo construa sua própria relação com as obras. “Como propõe a própria exposição, as obras não procuram explicar a infância, mas permitir que ela exista em sua multiplicidade, entre desenhos, palavras, sonhos, memórias, experiências e possibilidades de futuro”, destaca.
Serviço
Exposição | Muitas Infâncias: Linhas de Fuga do Olhar
De 06 de outubro a 07 de novembro
Terça a sábado, das 18h às 00h
Período
Local
Galeria Lama
Calçadão João Pinto, 198 Centro, Florianópolis - SC
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“Nós, Jovens” reúne reproduções de vinte obras criadas por adolescentes que cumprem medida socioeducativa em São Paulo e por jovens em uma instituição de custódia em West Yorkshire, na Inglaterra,
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“Nós, Jovens” reúne reproduções de vinte obras criadas por adolescentes que cumprem medida socioeducativa em São Paulo e por jovens em uma instituição de custódia em West Yorkshire, na Inglaterra, durante oficinas de experimentação plástica realizadas entre abril e julho de 2026.
Ao todo, foram doze oficinas realizadas simultaneamente em dois países: no Brasil, na Fundação CASA Juquiá, no bairro do Brás, e na Inglaterra, na HM Young Offender Institution Wetherby. Cada instituição contou com a participação de dez a vinte e cinco adolescentes. O ponto de partida foram as músicas favoritas dos jovens, que serviram de inspiração para a criação de imagens autorais com serigrafia, colagem e outras técnicas gráficas.
Os depoimentos que acompanham as imagens da exposição foram escritos pelos próprios artistas e acrescentam novas camadas de sentido aos trabalhos.
Serviço
Exposição | Nós, Jovens
De 7 de outubro a 1 de junho
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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Há formas que desaparecem com a maré e outras que atravessam o tempo. Entre a areia, o fogo, a terra e o bronze, “ETERnos da Terra” nasce justamente desse intervalo
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Há formas que desaparecem com a maré e outras que atravessam o tempo. Entre a areia, o fogo, a terra e o bronze, “ETERnos da Terra” nasce justamente desse intervalo entre o que é passageiro e o que permanece. E o resultado disso estará presente na primeira exposição em conjunto dos artistas Miu e Pedro Caetano, com curadoria de Meg Tomio Roussenq, na Galeria Berlin, em Florianópolis.
Inédita, a exposição nasce de uma investigação sobre natureza, matéria, tempo e permanência. “Existe um diálogo entre aquilo que é efêmero e aquilo que permanece: a marca feita na areia e levada pela maré, a cerâmica que atravessa o fogo e guarda o gesto, e o bronze, que leva esse mesmo gesto para uma matéria capaz de atravessar o tempo”, destaca Miu.
Construída ao longo de aproximadamente um ano e meio, desde abril de 2025, a exposição reúne, na grande maioria, obras criadas especialmente para o projeto. Segundo a artista, a exposição vai reunir esculturas em bronze e cerâmica entre elas os “Seres” e as “Dançarinas”, fotografias das esculturas e das ‘land arts’ realizadas na praia, além de uma grande instalação de terra, como um canteiro, onde algumas obras parecem emergir da terra enquanto outras repousam ou “dormem” sobre ela.
A exposição também terá um vídeo criado por Pedro, que acompanha parte do processo de criação de Miu, desde o trabalho com o barro no ateliê e as queimas em forno a lenha até a realização das ‘land arts’, intervenções realizadas na praia e na neve.
Ao todo, “ETERnos da Terra” terá 16 esculturas em bronze, três em cerâmica, oito fotografias em grandes formatos e cerca de 20 fotografias menores, além de uma grande luminária fotográfica suspensa no teto e uma instalação de terra que vai ocupar o centro de uma das salas da galeria.
“Esse projeto vem muito do meu desejo de eternizar as formas que crio”, conta Miu. A cerâmica, para ela, já representa uma permanência maior do que as obras realizadas na areia, mas continua sendo uma matéria frágil. O bronze surge, então, como uma possibilidade de levar essas formas adiante. “Gosto da ideia de que ele conserva o meu gesto, quase como se congelasse um movimento e permitisse que ele atravesse o tempo”, compartilha.
A expografia da exposição na Galeria Berlin foi pensada a partir das características de cada uma das três salas expositivas. O percurso começa em um ambiente mais claro e aberto, onde estarão o texto curatorial, esculturas de parede, fotografias das intervenções na areia e uma grande luminária suspensa, com a imagem de um ipê impressa.
Na segunda sala, o clima muda. Mais escura e introspectiva, ela recebe uma grande instalação de terra, concebida como um canteiro. Sobre e dentro dela, as esculturas aparecem como se emergissem da terra, repousassem ou estivessem adormecidas. Já as fotografias que acompanham esse espaço também terão um tom mais contemplativo.
A terceira sala ocupa um meio-termo entre as duas anteriores, com uma atmosfera mais equilibrada.Nela estarão esculturas variadas dispostas sobre pedestais e fotografias que contam um pouco das experiências vividas por Miu e Pedro ao longo da trajetória com as ‘land arts’.
Para Miu, as características do espaço também foram fundamentais para a construção da exposição. “Vejo o Berlim como um espaço aberto às artes em suas diferentes linguagens, e isso me agrada muito”, afirma. Para ela, as características distintas das salas permitiram construir atmosferas próprias para cada momento da mostra.
“Está sendo uma honra poder criar dentro desse espaço e transformar cada sala em uma experiência diferente. Acho que o público poderá entrar um pouco no universo que eu e o Pedro construímos juntos e, espero que possam sair de lá com um olhar mais atento, amoroso e profundo para a natureza”, completa.
Serviço
Exposição | ETERnos da Terra
De 7 de outubro a 28 de novembro
Terça a sábado, das 13h30 às 23h
Período
Local
Galeria Berlin
Rua Vítor Konder, 409, no Centro de Florianópolis - SC
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A mostra O mundo em trânsito de Marcone Moreira propõe uma imersão no universo visual e simbólico do artista maranhense, radicado no Pará, cuja obra reflete
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A mostra O mundo em trânsito de Marcone Moreira propõe uma imersão no universo visual e simbólico do artista maranhense, radicado no Pará, cuja obra reflete o diálogo entre a paisagem amazônica, o cotidiano popular e as tensões de um mundo em constante transformação; além de ser um importante marco em sua trajetória, sendo a primeira exposição institucional no estado onde nasceu, o Maranhão.
A abertura acontece no dia 07 de outubro, às 18h30, no CHÃO SLZ, com a presença do artista. A noite reúne a visita à exposição e uma conversa entre Marcone Moreira e Dinho Araújo, que aproxima o público dos processos, materiais e percursos que atravessam a obra do artista.
A arte como arqueologia do presente
Marcone Moreira constrói sua trajetória a partir da paisagem de Marabá (PA) — cidade situada entre os rios Tocantins e Itacaiúnas, ponto de partida para uma poética visual que une o popular e o contemporâneo.
Segundo o curador Eucanaã Ferraz, a exposição percorre a noção de “mundo em trânsito”, em que materiais, linguagens e tempos se cruzam em constante mutação.
A mostra se estrutura sobre a ideia de que a paisagem e a ruína são faces de um mesmo movimento: o da transformação e da sobrevivência.
“Marcone traduz a Amazônia não como cenário exótico, mas como território simbólico e universal
— lugar de cruzamentos, ausências e reinvenções”, explica o curador.
Entre linguagens, suportes e sentidos
A exposição reúne trabalhos de diferentes momentos da carreira do artista, traçando um panorama de sua pesquisa em torno dos materiais, da paisagem e das transformações sociais e simbólicas da Amazônia.
Entre as séries apresentadas estão Cruzamentos, composições feitas a partir de madeiras e parafusos de carrocerias de caminhões, que evocam o deslocamento entre rios e estradas, vida e morte, ausência e presença. Nas séries Páginas e Rotas, o artista cria arranjos cromáticos com madeiras de embarcações desgastadas, estabelecendo um diálogo entre o construtivismo brasileiro e o imaginário popular amazônico.
As pinturas de Travessias trazem figuras solitárias em embarcações, como metáforas da travessia humana entre o trabalho e a magia, a história e o mito. Nas obras instalativas, está Vertebral, uma grande escultura formada por hélices fundidas em alumínio, dispostas em movimentos sinuosos que remetem à força e à vitalidade da sucuri, símbolo ancestral da floresta e do corpo vivo da natureza; e Exaustos, instalação composta por porretes e cepos de madeira usados na quebra do babaçu e da castanha-do-pará.
Uma Amazônia plural e contemporânea
A exposição é um desdobramento de “Entre Ruínas: o mundo em trânsito de Marcone Moreira”, apresentada em 2025 na CAIXA Cultural de São Paulo, e propõe uma leitura da Amazônia como metáfora do Brasil contemporâneo, que é múltiplo, fragmentado, por vezes devastado, mas ainda pleno de potência criativa e ancestralidade.
A mostra convida o público a refletir sobre as relações entre paisagem e identidade, matéria e memória, levando a arte de Marcone Moreira a ser compreendida como um testemunho sensível de nosso tempo.
Serviço
Exposição | O mundo em trânsito
De 07 de outubro a 07 de novembro
Terça a sábado, das 14h às 19h
Período
Local
CHÃO SLZ
Rua do Giz, 167 – Praia Grande – São Luís - MA
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Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir
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Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir dessas questões que Ana Calzavara constrói “Desenredo“, sua segunda exposição individual na Maneco Müller | Multiplo Galeria, que abre no dia 8 de outubro, no Leblon. Fruto de uma intensa temporada de trabalho em Lisboa, a série inédita de pinturas a óleo aprofunda a investigação poética da artista sobre a experiência do olhar e a forma como apreendemos as imagens em um cotidiano atravessado por telas e fluxos incessantes de informação. Partindo dessa fragmentação, as pinturas de Calzavara buscam justamente o contrário: captar do espectador um olhar mais duradouro e concentrado, no qual a atenção seja, de alguma forma, recuperada.
“Desenredo” reúne conjuntos de paisagens, cenas que captaram o olhar da artista ao longo de uma temporada de dois meses na capital portuguesa. As pinturas aparecem em grupos, em conjuntos, como padrões, mas fragmentados, em pedaços que se misturam, se mesclam e se contaminam. Nada é linear, nem óbvio. A imagem existe numa espécie de jogo de aparecimento-desaparecimento, presença-ausência, permanência-mudança, clareza-ilegibilidade, continuidade-descontinuidade, que é como vemos o mundo hoje (“estamos cegos de tanto ver”). Outra característica da obra dela, presente nesses trabalhos, é o desejo de reter a imagem efêmera e incontrolável, aquilo que some no instante seguinte, o que é quase impossível de capturar, seja do mundo físico ou virtual. O texto crítico da mostra é de Pedro Duarte.
Em “Substâncias de sombra”, primeiras pinturas da série, raios de sol atravessam os ramos de uma árvore, mas o que vemos são apenas silhuetas. Em “Brilhos”, o que vai para a tela é a bioluminescência das microalgas e plânctons da foz do Tejo, a luz mágica e fugidia na ondulação. Em “Riscos”, é o pisca-pisca dos vagalumes numa floresta em Sintra. “Dados” traz padrões de azulejos do século XVI em combinação com QR Codes, como códigos digitais impregnados de significados, mas sujos, desbotados, desgastados pelo tempo, incompatíveis com a tecnologia de leitura de dados. Em “Estilhaços”, ela reproduz aquelas imagens indecifráveis que surgem nas telas no momento de um curto-circuito de dados, os “glitches”, remetendo ao estado de “burnout” da nossa atenção. Em “Véu e cinzas”, vemos uma floresta calcinada, encoberta de fumaça, numa grande tela de 1,50 X 2,00 m, montada a partir de pequenas telas coladas, como um painel de azulejos.
Segundo a artista, o nome da exposição, “Desenredo”, remete a esse embaralhamento do olhar, a uma narrativa que explodiu, se despedaçou e não é mais linear. “A exposição traz essa experiência da fragmentação, mas numa tentativa de subvertê-la. Quero provocar o espectador para olhar o mundo de uma forma diferente da que estamos acostumados. A exposição nasce do desejo de renovar a experiência do espectador com a imagem, de fazer com que essa imagem se relacione com ele de uma forma mais persistente, que não seja descartada, que traga uma reflexão”, explica a artista.
Segundo Maneco Müller, sócio da galeria, Ana Calzavara é uma artista de raro talento, que não separa a vida da arte e nem se alinha a nenhum modismo ou estilo. “Ela faz uma pintura de alto valor crítico, resultado de uma pesquisa extensa e profunda, aliada a um grande domínio da técnica”, diz ele, lembrando que a artista é bacharel em Artes Visuais pelo Unicamp, pós-graduada em pintura pela Byam Shaw School of Art, Londres; mestre (2006), doutora (2012) e pós-doutora (2018) em Poéticas Visuais pela ECA/USP. “Em termos poéticos, ‘Desenredo’ é, no fundo, uma grande exposição sobre o desconhecido, sobre o momento que estamos vivendo, onde tudo está enevoado e não sabemos como caminhar nesse mundo sem chão”, complementa.
“Ana Calzavara é uma artista cuja produção acompanhamos com muito entusiasmo. A força e a qualidade de seu trabalho nos levaram a realizar essa segunda exposição na galeria em apenas dois anos, o que diz muito sobre a força que vemos em sua obra e sobre o lugar que ela vem conquistando no cenário contemporâneo”, diz Stella Freitas, sócia de Maneco na galeria. A exposição pode ser visitada até 21 de novembro, com entrada gratuita.
Serviço
Exposição | Desenredo
De 08 de outubro a 21 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 18h30 (sábados, sob agendamento)
Período
Local
Galeria Maneco Müller | Mul.ti.plo
Rua Dias Ferreira, 417/206 - Leblon – Rio de Janeiro - RJ
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O Ateliê397 inaugura, em 8 de outubro, a exposição Horizontes do Solo, com trabalhos de Bárbara Banida, Cláudio Cretti e
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O Ateliê397 inaugura, em 8 de outubro, a exposição Horizontes do Solo, com trabalhos de Bárbara Banida, Cláudio Cretti e Pedro França e curadoria de Érica Burini. A mostra é fruto da primeira edição da Residência Instituto Olho d’Água (IOD’A), realizada em fevereiro de 2026, em Coronel José Dias, no Piauí. As obras investigam as relações entre o passado arqueológico, as memórias das comunidades e a vida contemporânea no território do Parque Nacional Serra da Capivara e em suas imediações.
Concebida por Márcia Lerro Pimenta e Marian Rodrigues e realizada em parceria com o Instituto Olho d’Água, a residência reuniu os três artistas e a curadora em uma experiência de pesquisa e convivência. O programa incluiu visitas aos sítios arqueológicos e a instituições como o Museu do Homem Americano, além do contato com moradores e com as atividades do instituto, dedicado ao fortalecimento da identidade cultural dos povos da região.
A exposição parte da ideia do solo como um espaço no qual diferentes tempos se encontram. Em diálogo com o pensamento do antropólogo Tim Ingold, o texto crítico de Burini propõe olhar para esse chão como uma superfície em transformação, marcada por vestígios e pela interpenetração entre passado e presente. Nesse contexto, os artistas desenvolveram trabalhos que aproximam as pinturas rupestres, a fauna e a flora da Caatinga, a pesquisa científica e os saberes das comunidades locais.
Esse encontro também envolve os conflitos decorrentes da criação do parque, em 1979. A proteção do patrimônio arqueológico e ambiental foi acompanhada pela desapropriação de famílias tradicionais, que perderam suas casas e o acesso às áreas de cultivo e coleta. Reaproximar essas comunidades do território é uma das frentes de atuação do Instituto Olho d’Água, que oferece espaços de convivência, leitura e criação, com atividades de cerâmica, bordado, arqueologia, capoeira e teatro, entre outras.
Cláudio Cretti apresenta um trabalho escultórico com objetos coletados em conversas com a população, além desenhos inspirados pela experiência na residência. Pedro França produziu, em colaboração com Gilvonete Paes, professor no IOD’A, e alunos atendidos pelo Instituto, um painel de cerâmica em forma circular, como uma grande panela ou cratera, que reúne ossos, aviões, bolos, dinossauros, videogames e outros sonhos, modelados em um processo coletivo. Já Bárbara Banida investigou as memórias das mulheres atendidas pelo IOD’A através de canções e memórias relatadas, que foram gravadas e unidas em uma instalação montada com gavetas e objetos guardados — um altar de miudezas. Ela também traz pinturas feitas com óxidos de ferro, componente principal das tintas utilizadas nas pinturas rupestres.
Dois conjuntos de vídeos ampliam o contexto das obras. O filme Dez mil anos de arte rupestre no Piauí, dirigido por Anne-Marie Pessis e filmado em 16 mm em 1984, apresenta pinturas e gravuras rupestres da Serra da Capivara. Com texto de Niède Guidon, narração de Catherine Railliet e trilha sonora de Bernadette Arnaud, a produção examina diferentes tradições gráficas e suas sobreposições nos sítios arqueológicos.
Já os vídeos do projeto Cabine de Memórias, realizado pelo Instituto Olho d’Água, apresentam depoimentos de moradores tradicionais do território. As lembranças de infância, do cultivo, das brincadeiras, das canções e das festas registram modos de vida ligados à região e contribuem para a preservação de seu patrimônio material e imaterial.
Ao reunir produção artística, registros arqueológicos e histórias de vida, Horizontes do Solo propõe imaginar um futuro que reconheça os diferentes saberes e experiências de quem compartilha um mesmo chão.
Serviço
Exposição | Horizontes do Solo
De 8 de outubro a 21 de novembro
Quarta a sábado, das 14h às 18h
Período
Local
Ateliê397
Travessa Dona Paula, 119A – Higienópolis, São Paulo - SP
Detalhes
A Casa Yara DW, em Pinheiros, apresenta, de 10 de outubro a 21 de novembro de 2026, Amigo do Sol, Amante da Lua, exposição individual do artista paulistano Thiago Nevs
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A Casa Yara DW, em Pinheiros, apresenta, de 10 de outubro a 21 de novembro de 2026, Amigo do Sol, Amante da Lua, exposição individual do artista paulistano Thiago Nevs (São Paulo, 1985), com curadoria da historiadora da arte e pesquisadora Érica Burini. A mostra reúne cerca de 12 obras inéditas, produzidas a partir de 2022, e introduz a marchetaria na pesquisa do artista. Apresentados em pares, os trabalhos colocam pintura e marchetaria em diálogo, explorando contrastes entre cores, materiais e modos de construir uma imagem.
Na leitura de Burini, os contrastes ganham destaque com a introdução da marchetaria na produção de Nevs. Eles aparecem no encontro entre o colorido das pinturas e os tons naturais dos materiais empregados na técnica, que combina recortes para formar desenhos sobre uma superfície. A disposição em pares permite observar como um mesmo repertório ganha novas cores e texturas. Para a curadora, essa paleta mais restrita traz às imagens uma tonalidade sépia, próxima à de fotografias antigas, acrescentando outra relação com a memória à produção do artista.
Esses encontros também dão sentido ao título da exposição. Dia e noite, claro e escuro, ornamento popular e geometria construtiva. Na mostra, Nevs amplia esse diálogo entre técnicas artesanais tradicionais e estruturas compositivas contemporâneas, dando continuidade à investigação dos saberes e das imagens que circulam fora dos espaços formais da arte.
Filetes de carrocerias de caminhão, frases de lameiros, grafite e cartazes feitos por letristas estão entre as referências dessa pesquisa. Criado na periferia de São Paulo e filho de caminhoneiro, Nevs aproxima essas manifestações de sua própria história e de observações realizadas em viagens pelo Brasil e pela América Latina. Seu interesse se volta aos desenhos, letras e adornos que conferem identidade a veículos, fachadas e espaços de passagem.
A mostra dá continuidade a questões presentes em Panorama, realizada na Chocolate Notebooks, em 2021, e Sobre-Carga, apresentada na Usina Luis Maluf, em 2022. Nessas exposições, o artista explorou a pintura ornamental de carrocerias e incorporou lonas, cordas e objetos do universo dos caminhões a pinturas, esculturas e instalações.
No encerramento de Amigo do Sol, Amante da Lua, em 21 de novembro, a Casa Yara DW promove um bate papo aberto ao público com a participação do artista.
Serviço
Exposição | Amigo do Sol, Amante da Lua
De 10 de outubro a 21 de novembro
Segunda a sexta, das 9h às 18h
Período
Local
Casa Yara DW
Rua Costa Carvalho, 52 – Pinheiros, São Paulo – SP
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A plataforma de arte contemporânea ORA inaugura a primeira exposição individual Arqueologia da superfície em São Paulo da artista Cristina Vasconcelos. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra intitulada “Arqueologia
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A plataforma de arte contemporânea ORA inaugura a primeira exposição individual Arqueologia da superfície em São Paulo da artista Cristina Vasconcelos. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra intitulada “Arqueologia da superfície”, reúne cerca de 20 obras, entre instalações, vídeos, pinturas, assemblages, sons e esculturas, e propõe uma escuta sensível da matéria como forma de cartografar um mundo em ruínas e repovoamentos.
Na contramão de um tempo regido pela produtividade e velocidade, Cristina desenvolve uma poética radical que recusa a centralidade do humano. Seus trabalhos funcionam como mapas espirituais de um mundo sem humanos, seja situado em um passado longínquo ou em um futuro pós-apocalíptico. “Arqueologia da superfície” é o nome que a artista dá à própria metodologia, em que escava as camadas sensíveis da realidade, em busca de vestígios materiais e imateriais de outras existências possíveis na Terra.
“Quero que o público perceba que há uma sabedoria silenciosa na matéria, que o mundo fala, mesmo quando parece devastado. Vivemos um tempo de velocidade e saturação de imagens; minha proposta é ir na contramão disso, propor uma pausa, um ressignificar, um encontro com o silêncio e com o invisível”, afirma Cristina.
Utilizando materiais como barro, vidro, ferrugem, areia, grafite, concreto, aço inox, látex oxidado, resina, silicone, porcelana fria e pigmentos minerais, a artista ativa uma relação de escuta com a matéria, entendendo cada uma como arquivo vivo que carrega em si memórias, afetos e processos de transformação: “esses materiais são, para mim, corpos vivos em mutação e alquimia. Eles carregam memória, energia e tempo. Não os escolho pela aparência ou pela função estética, mas pelo que comunicam silenciosamente”, explica.
Segundo o curador Lucas Dilacerda, “a artista opera como uma sismógrafa, captando vibrações do tempo e do espaço, nos enviando mensagens que não se traduzem em palavras, mas em imagens que oscilam entre o sublime e o espasmo, entre o espiritual e o geológico”.
“Arqueologia da superfície” é, portanto, um chamado para desacelerar, desenterrar e escutar os sinais da Terra, num momento em que a crise ecológica, política e sensível exige novas cosmologias. Nessa mostra, arte e matéria se encontram como testemunhas de um mundo que ainda insiste em sobreviver.
Com esta exposição, a ORA reafirma seu compromisso em destacar artistas que transitam entre práticas contemporâneas, territórios e materialidades. Ao apresentar a pesquisa de Cristina Vasconcelos, a plataforma amplia seu escopo curatorial, consolidando-se como espaço de experimentação e pensamento crítico no cenário da arte contemporânea brasileira.
Serviço
Exposição | Arqueologia da superfície
De 10 de outubro a 7 de novembro
Terça à sábado, das 11h às 18h
Período
Local
ORA
Rua Bento Freitas 306 - subsolo, República, São Paulo - SP
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Elas criaram tecidos, pesquisaram materiais, desenharam objetos e ajudaram a transformar a relação entre arte e vida cotidiana. A influência das mulheres da Bauhaus, porém, nem sempre veio acompanhada do
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Elas criaram tecidos, pesquisaram materiais, desenharam objetos e ajudaram a transformar a relação entre arte e vida cotidiana. A influência das mulheres da Bauhaus, porém, nem sempre veio acompanhada do reconhecimento de sua autoria.
É a partir dessas trajetórias que Andrea Natali constrói “Geometrias do Invisível“, sua primeira exposição individual, que reúne 22 peças de seda pintadas especialmente para a mostra, além de lambe-lambes com composições próprias desenvolvidas a partir dessa pesquisa. Com entrada gratuita, a exposição abriu no dia 15 de outubro, no Espaço República, em São Paulo, e permanece em cartaz até o dia 29 deste mês.
As mulheres da Bauhaus
Entre as homenageadas estão Gunta Stölzl, Anni Albers, Benita Koch-Otte, Lilly Reich, Margaretha Reichardt, Lucia Moholy, Marianne Brandt e Alma Siedhoff-Buscher, mulheres que fizeram parte da Bauhaus, escola fundada na Alemanha, em 1919, e que ajudaram a reformular o design moderno.
Com mais de cem anos de história, a Bauhaus propõe integrar arte, arquitetura e design. A abertura à presença feminina convivia, porém, com restrições que direcionavam muitas mulheres à tecelagem e a atividades consideradas mais apropriadas a elas. Mesmo dentro dessas limitações, suas pesquisas ampliaram as possibilidades dos materiais e influenciaram a criação moderna.
A descoberta dessas trajetórias mudou o próprio rumo da exposição. O projeto começou a ser desenvolvido em dezembro do ano passado. “No começo, era uma homenagem aos artistas da Bauhaus em geral. Até que eu cheguei às mulheres e me apaixonei”, conta Andrea. “Quero trazer a importância delas para o que foi a Bauhaus.”
Para o curador Renato Dib, a pesquisa revela justamente a dimensão menos visível dessa história. “O invisível deixa de ser vazio e revela a influência de mulheres cujas ideias continuam a atravessar a arte e a vida cotidiana”, afirma.
Seda, luz e transparência
Na exposição, os tecidos de seda ficam suspensos, formando um ambiente de cores e transparências no qual o visitante circula entre as peças. A passagem da luz e as sobreposições alteram a percepção dos desenhos conforme o público se desloca.
“Mergulhamos em um universo de cores e formas que se modificam na nossa caminhada por ali e criam novos diálogos. Transparências se sobrepõem para criar novos desenhos”, afirma Dib.
Andrea utiliza aquarela sobre seda e um espessante que permite controlar a tinta e desenhar diretamente no tecido sem que ela se espalhe. A técnica faz parte de um repertório construído ao longo de 35 anos de trabalho, entre experimentações e cursos, como o de batique que estudou na ilha de Java, na Indonésia.
Da seda às ruas
A pesquisa também deixa o espaço expositivo para ocupar as paredes da cidade. Os lambe-lambes desenvolvidos por Andrea estão espalhados em diferentes bairros da região central de São Paulo e combinam referências às mulheres da Bauhaus, formas geométricas e elementos da fotografia da artista, incluindo imagens de escadas. “Colá-los na cidade é também ampliar a presença dessas mulheres e dar visibilidade às histórias que alimentam meu trabalho”, diz Andrea.
Ao longo da preparação da mostra, a artista desenvolveu mais de 300 composições. Dessas, Dib selecionou 20 para a exposição, explorando recursos como repetição, fragmentação e acúmulo de camadas.
Uma trajetória entre moda e arte
A relação de Andrea Natali com a seda começou muito antes dessa exposição. Ela começou a pintar o material no início dos anos 1990, quando estudava arquitetura e recebeu um convite para trabalhar em um ateliê que atendia uma loja de peças únicas nos Jardins. Depois, passou a desenvolver estampas, tingimentos e cartelas de cores para marcas como Daslu, Mixed e Osklen.
Conhecida profissionalmente como Deinha, a artista também trabalhou com aerografia e tie-dye, técnica que combina dobraduras, amarrações e tingimento. Suas criações chegaram à moda praia, às roupas de ginástica e aos desfiles, desde a época do Phytoervas Fashion, incluindo peças produzidas exclusivamente para as passarelas.
A abertura de “Geometrias do Invisível” foi marcada para coincidir com a São Paulo Fashion Week, que acontece de 14 a 18 de outubro, retomando essa ligação entre arte, moda e vestuário.
Embora tenha reduzido a produção para o mercado de moda, Andrea mantém trabalhos para a estilista Angela Motta. Suas criações integram peças da marca usadas por Glorinha Kalil, Gloria Coelho e Consuelo Blocker.
Fotografia e o retorno à produção autoral
A fotografia acompanha Andrea desde os dez anos, quando ganhou do pai sua primeira câmera. Durante a pandemia, aprofundou a produção autoral e passou a fotografar diariamente a escadaria do prédio onde mora, procurando novos ângulos para um mesmo lugar.
Foi também nesse período que retomou a seda que mantinha guardada e começou a pintar lenços, posteriormente criando peças com releituras de Kandinsky. A retomada ajudou a aproximar novamente diferentes linguagens que já faziam parte de sua trajetória.
A decisão de realizar a primeira individual ganhou força depois que Andrea transferiu seu ateliê de casa para o Espaço República, atraída pela efervescência cultural do bairro. Após participar de cerca de 30 exposições coletivas, escolheu a pintura em seda como ponto de partida para esse novo momento.
“Eu comecei pintando seda pura e é assim que eu quero fazer a minha primeira individual. É o resgate da minha arte, da minha essência”, afirma Andrea.
Da exposição para a moda
A pesquisa sobre as mulheres da Bauhaus também tem um desdobramento fora da galeria. Andrea prepara, em parceria com o estilista Gabriel Pascolato, uma coleção cápsula de oito peças, cada uma dedicada a uma das artistas homenageadas na exposição.
Gabriel é o responsável pelo desenho das roupas, enquanto Andrea faz a pintura manual de cada peça. O lançamento está previsto para acontecer ainda em 2026.
Serviço
Exposição | Geometrias do Invisível
De 16 a 29 de outubro
Segunda a sábado, das 12h às 18h. Fechado aos domingos.
Período
Local
Espaço República
Avenida São Luís 86, República – São Paulo - SP
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A Lemos de Sá Galeria de Arte, em Belo Horizonte, apresenta “DIÁRIOS”, exposição individual de Marco Tulio Resende, com curadoria de Alexandre Madalena. A mostra celebra os 50 anos de
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A Lemos de Sá Galeria de Arte, em Belo Horizonte, apresenta “DIÁRIOS”, exposição individual de Marco Tulio Resende, com curadoria de Alexandre Madalena. A mostra celebra os 50 anos de carreira do artista e reúne obras inéditas em preto e branco, incluindo pinturas, instalações e um conjunto de 102 diários produzidos ao longo de sua trajetória.
A exposição destaca o desenho como elemento central da pesquisa de Marco Tulio, presente em seus cadernos como forma de registrar pensamentos, experiências, memórias e processos criativos. Ao longo de cinco décadas, o artista construiu um extenso arquivo visual que revela a transformação de ideias e imagens por meio da prática cotidiana.
Nas obras apresentadas, o desenho ultrapassa os limites do papel e se desdobra em diferentes suportes, materiais e escalas. A escolha pelo preto e branco valoriza linhas, texturas, sombras e contrastes, evidenciando as relações entre gesto, matéria e espaço.
Realizada no ano em que a Lemos de Sá Galeria completa 35 anos, “DIÁRIOS” propõe uma reflexão sobre tempo, memória e criação artística, convidando o público a acompanhar os diferentes caminhos percorridos pelo desenho na produção de Marco Tulio Resende.
A exposição foi inaugurada em 17 de outubro de 2026 e permanece aberta à visitação de 19 de outubro de 2026 a 13 de fevereiro de 2027.
Serviço
Exposição | DIÁRIOS
De 17 de outubro a 17 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h ás 17h; sábados, das 10h ás 13h
Período
Local
Lemos de Sá Galeria de Arte
Rua Germano Chatti 255 Mangabeiras BH - MG
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A exposição “Ficção”, de Rodrigo Bivar, reúne pinturas e trabalhos que exploram as relações entre figuração e abstração, investigando as possibilidades da cor, da forma e da composição. A mostra
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A exposição “Ficção”, de Rodrigo Bivar, reúne pinturas e trabalhos que exploram as relações entre figuração e abstração, investigando as possibilidades da cor, da forma e da composição. A mostra apresenta diferentes momentos da pesquisa do artista, que parte de imagens do cotidiano e avança para a criação de formas orgânicas e geométricas, construindo universos visuais próprios.
Após anos trabalhando com pinturas figurativas baseadas em fotografias, Bivar passou a experimentar, por volta de 2015, composições abstratas marcadas por planos e faixas de cor. Gradualmente, essas estruturas deram lugar a formas orgânicas, que sugerem personagens, movimentos e expressões. Em pequenas pinturas, o artista sobrepõe camadas, apaga e redesenha contornos, criando figuras que parecem pertencer a um alfabeto imaginário.
Na série “Alegrias ou Perturbações do Contorno”, Bivar utiliza recortes de papel Paraná, pintura e molduras coloridas para investigar os limites entre figura e fundo. Os materiais e as cores passam a integrar a composição, aproximando a pintura de um objeto tridimensional e questionando as fronteiras tradicionais do quadro.
A exposição inclui ainda uma obra site-specific, criada especialmente para o espaço, na qual pequenas pinturas são dispostas sobre o desenho de uma grande mata. Ao aproximar paisagem, personagens, figuração e abstração, o trabalho sintetiza a pesquisa de Bivar e convida o público a perceber a pintura como um campo de experimentação, invenção e construção de novos mundos.
Serviço
Exposição | Ficção
De 17 de outubro a 28 de novembro
De terça a sexta, das 11h às 19h; sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Zielinsky
Travessa Dona Paula, 33 Higienópolis, São Paulo - SP
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A exposição “Presente Contínuo” reúne, de um lado, obras doadas por artistas que fizeram residência aqui: testemunhos materiais de passagens, memórias, trocas e afetos acumulados ao longo dos anos. De
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A exposição “Presente Contínuo” reúne, de um lado, obras doadas por artistas que fizeram residência aqui: testemunhos materiais de passagens, memórias, trocas e afetos acumulados ao longo dos anos. De outro, dá visibilidade às práticas de quem hoje ocupa os ateliês do espaço. Nesse ponto de encontro, passado e agora convergem em dois modos de “presente”, e reafirmam o Fonte como um ecossistema vivo de apoio à criação contemporânea, impulsionando diálogos e futuros possíveis.
Artistas participantes:
Adrian Balseca, Ana Thomé, André Felipe Cardoso, Caio Borges, Daniel Toledo, Elvira Amor, Felipe Alvarez Parisi, Fuentesal Arenillas, Gui Borsatto, Gustavo Prata, Hudson Senna, Inês Moura, Luah Souza, Lyz Parayzo, Marcelo Amorim, Nino Cais, Ósi Magalhães, Sandra Gamarra Heshiki, Simone Fontana Reis, Simone Moraes e Zé Tepedino.
Serviço
Exposição | Presente Contínuo
De 17 de outubro a 07 de novembro
Quinta a sábado das 14h às 19h
Período
Local
Fonte
Rua Mourato Coelho 751, Vila Madalena, São Paulo - SP
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O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro, apresenta “As Palavras”, exposição individual de Suely Farhi, com curadoria de Luiza Interlenghi. Em cartaz até 22
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O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro, apresenta “As Palavras”, exposição individual de Suely Farhi, com curadoria de Luiza Interlenghi. Em cartaz até 22 de novembro de 2026, a mostra reúne dez instalações realizadas desde 1994, incluindo obras inéditas e trabalhos revisitados. Pela primeira vez, a artista apresenta um conjunto de sua produção dedicado ao universo feminino, explorando as relações entre palavra, imagem, corpo e espaço.
Entre os destaques está a instalação inédita “Elogios às marias-sem-vergonha”, composta por vasos de vidro transparentes, de diferentes formatos e tamanhos, preenchidos com água e marcados por palavras que valorizam características associadas às mulheres. A disposição dos objetos convida o público a se movimentar pelo espaço para descobrir os diferentes adjetivos. Outra obra inédita, “Suspiros alfabéticos”, apresenta 26 desenhos feitos a partir das letras do alfabeto, organizados em um painel de dez metros de comprimento, estabelecendo relações entre escrita, som e corpo feminino.
A exposição também apresenta “O terceiro lado”, obra de 2006 atualizada para a mostra. O trabalho utiliza duas moedas com inscrições que fazem referência aos estigmas e silenciamentos impostos às mulheres, além de um terceiro espaço vazio que sugere novas possibilidades de interpretação. Já em “Geral da Geralda”, uma vassoura de piaçava parece sustentar uma parede, deslocando um objeto doméstico de sua função habitual para provocar reflexões sobre apoio, força e equilíbrio.
Outros trabalhos ampliam a investigação da artista sobre linguagem e percepção. A instalação “A noite dos desejos” (1994), remontada especialmente para a exposição, cria uma atmosfera de escuridão pontuada por pequenas luzes que surgem e desaparecem. O vídeo-poema “Barriga” (2010), apresentado pela primeira vez, explora as transformações das palavras e seus significados por meio de imagens em movimento. A mostra inclui ainda desenhos-escritas e a obra “Encontro dos extremos”, que aproxima as letras A e Z em duas taças de champanhe apoiadas uma na outra.
Formada em arquitetura, Suely Farhi desenvolve uma pesquisa artística que aproxima linguagem, objetos e ambientes. Em “As Palavras”, a artista utiliza a disposição das obras, a iluminação e os vazios dos espaços expositivos para criar experiências que convidam o visitante a refletir sobre os sentidos da linguagem, as relações de poder e as possibilidades de transformação presentes no cotidiano.
Serviço
Exposição | As Palavras
De 23 de outubro a 22 de novembro
Terça a domingo, das 11h às 19h
Período
Local
Centro Cultural Justiça Federal
Avenida Rio Branco 241, Cinelândia - Riod e Janeiro - RJ
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A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano inaugura a exposição África – Ancestralidade e Sincretismos. Com curadoria de Renato Araújo e Rafael Schunk a mostra reúne, ao total, 94 peças,
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A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano inaugura a exposição África – Ancestralidade e Sincretismos. Com curadoria de Renato Araújo e Rafael Schunk a mostra reúne, ao total, 94 peças, entre máscaras, esculturas, bustos e objetos associados à religiosidade e às tradições ancestrais de diferentes povos e regiões do continente africano. O destaque é a coleção de arte africana de Marco Antônio de Biaggi, que ganha destaque na mostra com 70 peças; formada ao longo de décadas e apresentada ao público pela primeira vez. O percurso expositivo também inclui obras das coleções Ivani e Jorge Yunes e César De La Croix, Paris.
A exposição parte de dois eixos curatoriais complementares: 1. a diversidade, expressa na variedade de povos, regiões e manifestações culturais representados nas obras, e 2. a unidade, que se revela nas conexões entre essas tradições e na formação cultural do Brasil e das Américas. Nesse contexto, o sincretismo surge como resultado do encontro entre matrizes africanas, indígenas e europeias, em um processo que aproximou diferentes culturas sem apagar suas particularidades.
As raízes africanas da cultura brasileira
As obras evidenciam a diversidade de tradições artísticas, conhecimentos e práticas religiosas de diferentes povos africanos que atravessaram o Atlântico e foram transmitidos entre gerações ao longo das últimas décadas, deixando marcas enraizadas na sociedade brasileira. Entre os destaques estão os povos Bantu, especialmente os Bakongo, originários de regiões do Congo e de Angola, cujas contribuições abrangem conhecimentos de metalurgia e agricultura, além de manifestações religiosas e culturais presentes em expressões como as congadas.
A mostra também aborda a influência dos Iorubás, da África Ocidental, cujas tradições estão presentes no candomblé, na música, nos saberes medicinais e nas artes afro-brasileiras. Outros povos representados, como Ashanti, Maconde, Luba, Hemba, Baga, Bamana, Dogon e Senufo, ampliam o panorama da diversidade cultural do continente. “Buscamos reunir obras de diferentes localidades para apresentar parte da riqueza cultural da África. Ao mesmo tempo, quando esses objetos são colocados em diálogo, podemos perceber como essa diversidade encontrou, no Brasil e nas Américas, pontos de contato que contribuíram para a formação de uma cultura marcada pelo sincretismo”, explica Renato Araújo, curador e pesquisador da Associação Museu Afro Brasil desde 2009.
A escolha das obras a serem expostas também contempla a diversidade de materiais, técnicas e funções dos objetos, que incluem peças em madeira, bronze e fibras naturais, máscaras, esculturas devocionais e objetos ritualísticos. “A seleção do conjunto de obras permite explorar tanto a riqueza formal dessas produções quanto suas relações com a história dos povos africanos e com a diáspora que contribuiu para a formação da sociedade brasileira”, destaca Rafael Schunk, curador e mestre em artes visuais.
Sincretismo: adaptação e resistência cultural
A mostra investiga, também, o sincretismo afro-brasileiro como um processo de transformação e resistência diante das restrições impostas às práticas religiosas de matriz africana. Em um contexto histórico marcado pela escravização e pela perseguição a essas manifestações de fé, diferentes tradições encontraram caminhos para preservar vínculos ancestrais e estabelecer novas relações simbólicas.
Para Renato Araújo, o sincretismo revela a capacidade de adaptação das tradições africanas diante das tentativas de impedir sua continuidade. “A resistência diante da opressão cria o sincretismo: duas tradições encontram um ponto em comum. Quando o culto a determinadas divindades africanas era proibido, estabeleceram-se correspondências com santos católicos que apresentavam características semelhantes. Dessa forma, o que era uma restrição também se tornou uma estratégia de preservação cultural e de manutenção dos vínculos com a ancestralidade”, explica.
Esse cruzamento de referências pode ser observado em diferentes objetos presentes na exposição, como cruzes etíopes, balangandãs com pingentes de significado religioso e esculturas de santos. Mais do que uma simples combinação de crenças, essas expressões evidenciam a capacidade de reinvenção das tradições africanas e sua permanência na formação religiosa e cultural brasileira.
A presença da estética africana na arte e na cultura
Outro aspecto abordado pela mostra é a presença das formas e linguagens visuais africanas na história da arte. A exploração de linhas, volumes e soluções formais, assim como a dimensão simbólica dos objetos, atravessou fronteiras e influenciou diferentes movimentos artísticos, especialmente a arte moderna europeia.
No contexto brasileiro, essas obras também permitem reconhecer uma herança que integra a própria identidade do país. “Esses objetos têm uma dimensão histórica, identitária e, sobretudo, íntima para nós. Os africanos não são ‘outros’ na formação brasileira: suas culturas fazem parte de quem somos.”, afirma Renato Araújo. Ao preservar os contextos históricos, sociais e espirituais dos objetos, a exposição convida o público a ir além de sua apreciação estética e a reconhecer as obras como expressões de saberes, crenças e visões de mundo transmitidos entre gerações.
Ancestralidade e origens da humanidade
A relação entre passado e presente atravessa toda a exposição, que propõe uma reflexão sobre a presença das culturas africanas na identidade brasileira e sobre a ancestralidade como experiência compartilhada pela humanidade.
“A principal reflexão que esperamos que os visitantes façam ao olhar cada obra da exposição é uma pergunta a si próprio: há cerca de 250 mil a 300 mil anos não existiam seres humanos fora da África. Foi desse continente que vieram os ancestrais de todos os mais de 8 bilhões de habitantes do planeta, desde as crianças que estão nascendo agora nos hospitais, todos os descendentes futuros deles remete historicamente ao mesmo lugar: a África. Sendo assim, quanto esse misterioso continente teria a ver conosco e na verdade ainda nem sabemos?”, conclui o pesquisador e curador Renato Araújo.
Serviço
Exposição | África – Ancestralidade e Sincretismos
De 24 de outubro a março de 2027
Terça a domingo, das 10h às 17h30. Valet no local (R$ 30,00).
Período
Local
Fundação Maria Luisa e Oscar Americano
Av. Morumbi, 4077 - São Paulo - SP
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a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, em São Paulo, inaugura a exposição Recortes da Vestimenta no Brasil, sob curadoria de Celso Lima — historiador, artista e pesquisador têxtil. A
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a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, em São Paulo, inaugura a exposição Recortes da Vestimenta no Brasil, sob curadoria de Celso Lima — historiador, artista e pesquisador têxtil. A mostra reúne cerca de 170 peças originais, dos diferentes períodos da história o Brasil, cedidas por 10 coleções, articulando uma abordagem crítica e abrangente sobre os papéis culturais e socioeconômicos da roupa no país.
A exposição percorre a estética dos povos originários, inserida em seus diversos biomas, o impacto da chegada dos europeus e de seus padrões culturais, as influências dos povos africanos e, posteriormente, as transformações decorrentes da industrialização e da difusão do prêt-à-porter. Ao longo da história da humanidade, as vestimentas transformaram-se em signos culturais, demarcadores das diferentes camadas sociais, econômicas e políticas, nos mais variados tempos e lugares. Seus significados enquanto produtos passaram a ser determinados também por valores afirmativos de identidade e pertencimento.
Peças e paralelos históricos
A mostra traz ao público uma diversidade de suportes e objetos: ferramentas e materiais de costura, peças tradicionais como bonecas de roca com chitas e rendas, adornos, cestarias e cerâmicas indígenas, joias das libertas – de marcante valor político –, vestidos estampados por Aldemir Martins no projeto Rhodia, embornais originais bordados do cangaço e roupas de segurança do trabalho.
A exposição traz ainda vestes de matrizes religiosas diversas, como o boubou iorubá com estamparia em índigo adire (técnica de estamparia e tingimento oriundas da África Ocidental), casulas e estolas católicas do período colonial, além de peças e registros do vestuário de figuras como as imperatrizes Leopoldina e Teresa Cristina e do imperador D. Pedro II.
A mostra aborda também a tradição da confecção doméstica das roupas, apresentando modelos históricos de máquinas de costura e as transformações dessa prática ao longo do tempo. É nesse contexto que o cotidiano de Maria Luisa Americano (1917–1972), a quem a exposição presta homenagem, ganha especial significado. Em sua residência, como em muitas casas de seu tempo, havia uma sala dedicada a essa atividade. Todas as quintas-feiras, reunia-se ali um grupo de amigas para a confecção de roupas, sobretudo peças destinadas às comunidades necessitadas.
“Recuperar a roupa por sua funcionalidade e como cultura memorial, estabelecendo novos hábitos para o vestir aliados a uma indústria democratizante e sustentável, é um dos grandes desafios das sociedades atuais”, destaca o curador Celso Lima.
A complexa teia de influências estéticas, absorvidas e misturadas ao longo da história da vestimenta no Brasil, ajuda a compreender a dificuldade de encontrar uma resposta definitiva para a pergunta onipresente: “Com que roupa eu vou?”
Serviço
Exposição | Recortes da Vestimenta no Brasil
De 20 de setembro a março de 2027
Terça a domingo, das 10h às 17h30. Valet no local (R$ 30,00).
Período
Local
Fundação Maria Luisa e Oscar Americano
Av. Morumbi, 4077 - São Paulo - SP
novembro
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da cidade e do estado do Paraná, dentre eles o Museu Oscar Niemeyer, o maior museu de arte da América Latina.
Vivemos um momento de transformação, em que as fronteiras entre o humano e suas tecnologias, o natural e o artificial, tornam-se cada vez mais fluidas. Diante desse cenário, a edição deste ano apresenta o título LIMIARES, propondo um espaço de passagem e reflexão sobre as mudanças que atravessam o presente e apontam para novos modos de existir e de criar. A edição será conduzida pelas curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, bem como por uma equipe multicultural de curadores convidados.
O conceito curatorial entende este momento limiar em que vivemos também como um espaço fértil no qual a arte atua como mediadora entre mundos. Habitar essa fronteira e criar a partir da incerteza orientam uma proposta que se assume como um espaço de troca entre diferentes áreas do conhecimento e culturas. Para as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, “mais do que um conceito, LIMIARES é uma atitude curatorial: habitar a fronteira, permanecer no entre, criar a partir da incerteza, gerando novos caminhos”.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba promove o diálogo entre artistas, pesquisadores, cientistas e estudantes, convidando o público a refletir sobre como estar presente em um mundo em fluxo acelerado e a imaginar novas formas de coexistência. Acesse o statement curatorial aqui.
Marcando o aguardado retorno ao formato presencial após a edição totalmente online de 2021, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba apresentará exposições de grandes artistas de diferentes origens e que atuam em múltiplos suportes, do material ao virtual. É um retorno necessário ao circuito mundial da arte, que reforça o posicionamento da América Latina como uma potência cultural. Na sua última edição presencial, em 2019, a Bienal Internacional de Curitiba atraiu mais de um milhão de visitantes.
Serviço
Exposição | 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba
De 14 de junho a 15 de novembro
Locais
Museu Oscar Niemeyer, Museu Paranaense, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu da Imagem e do Som, Museu Alfredo Andersen, Museu da Fotografia, Museu da Gravura/Memorial de Curitiba, Museu Municipal de Arte, terminais de ônibus e outros espaços de Curitiba.
Período
Local
16ª Bienal Internacional de Curitiba - Sede Principal
Rua Marechal Hermes, 999 — Centro Cívico, Curitiba - PR
Detalhes
Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades
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Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades a construir coletivamente uma pintura em constante transformação.
Criado em 2021, o projeto “Uma Obra” investiga diferentes formas de aproximação entre público e arte, explorando as múltiplas interpretações, conexões e experiências que podem surgir a partir de uma única obra de arte. Em suas duas primeiras edições, apresentou trabalhos do acervo da Pinacoteca. Agora, pela primeira vez, o projeto dá origem a uma obra inédita, concebida especialmente para essa mostra. Desenvolvido pela Área de Ação Educativa em parceria com a Área de Pesquisa e Curadoria da Pinacoteca, o projeto evidencia um modelo de trabalho cada vez mais presente na instituição, que aproxima processos educativos e curatoriais desde a concepção das exposições.
A nova edição surge em diálogo com “Para Crianças: experiências com arte desde 1968”, em cartaz na Pina Contemporânea de maio até 18 de outubro de 2026, e integra um movimento mais amplo da instituição de aprofundar suas ações voltadas à infância. A proposta parte da percepção de que crianças pequenas ainda encontram diferentes barreiras de acesso aos espaços museológicos e busca criar experiências que dialoguem com suas formas de descobrir, explorar e se relacionar com o mundo.
Para desenvolver o projeto, o museu convidou Gui Teixeira, artista que investiga as relações entre arte e pedagogia, brincadeira, participação e criação coletiva. Em sua produção, o público é frequentemente convidado a construir, reorganizar e transformar elementos da própria obra, tornando-se parte ativa da experiência artística.
O resultado desse encontro é “Pintura sem fim”. Na instalação, uma grande parede revestida por carpete recebe centenas de peças de feltro colorido que podem ser livremente manipuladas pelos visitantes. Ao combinar formas, cores e tamanhos diversos, o público cria figuras, paisagens, personagens, composições abstratas ou aquilo que sua imaginação permitir.
Como sugere o próprio título, a obra nunca alcança uma forma definitiva. Cada nova intervenção transforma aquilo que foi construído anteriormente, fazendo do trabalho um processo contínuo de invenção compartilhada. Mais do que observar uma obra pronta, os visitantes são convidados a participar de sua construção.
Embora pensada a partir das experiências da primeira infância, a instalação foi concebida para acolher públicos de diferentes idades e incentivar encontros entre crianças, jovens e adultos.
“Uma Obra: Pintura sem fim” é correalizada pelo Instituto Tecendo Infâncias.
Serviço
Exposição | Uma Obra: Pintura sem fim
De 4 de julho a 31 de janeiro de 2028
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a habitam. A afirmação sintetiza aspectos centrais de sua produção, marcada pela observação da natureza, do corpo e dos ciclos da vida, em diálogo com materiais naturais e referências da paisagem mineira. Esse universo poderá ser visto nessa mostra que o Itaú Cultural (IC) apresenta em três andares do espaço expositivo.
Com curadoria de Franklin Espath Pedroso, a exposição reúne cerca de 150 desenhos inéditos, 10 filmes experimentais e uma instalação derivada de Campos peregrinos, trabalho apresentado por ela em Glasgow, na Escócia, em 2025. É a primeira vez que a artista reúne sua produção audiovisual em uma exposição. A concepção, realização e projeto de acessibilidade são da equipe do Itaú Cultural. O curador também assina o projeto expográfico ao lado de Leila Scaf Rodrigues.
Solange nasceu em Ferros (MG), em 1961, e desenvolve há mais de quatro décadas uma obra que articula desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo. Ela é reconhecida por pesquisas que incorporam materiais naturais e procedimentos ligados à observação da paisagem e dos processos de transformação da matéria.
Nos últimos anos, o seu trabalho tem alcançado ampla presença internacional. Atualmente, Solange se prepara para participar da Bienal de Toronto, no Canadá, em setembro. Ainda monta uma exposição individual, que abrirá em outubro na Fundación Botín, na Espanha. A artista também foi convidada pela Fondation Cartier, na França, para realizar uma grande mostra de sua obra em 2027. No Brasil, ao reunir obras inéditas, trabalhos recentes e uma seleção significativa de filmes, a exposição no IC oferece um panorama de aspectos centrais de sua produção e de seu percurso artístico.
A Exposição
Um dos destaques de Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação ocupa quase todo o primeiro andar do espaço expositivo do Itaú Cultural. Trata-se da instalação Campos peregrinos, um desdobramento da obra criada para o centro de arte contemporânea Tramway, em Glasgow – um espaço instalado em um antigo depósito de bondes, que se tornou referência cultural europeia, oferecendo exposições visuais e apresentações de dança e teatro.
A versão apresentada no Itaú Cultural reúne peças em bronze e cerâmica a materiais como capim-membeca, paina, camomila, macela, folhas secas, algodão, folhas e fubá, elementos recorrentes na investigação desenvolvida por Solange a partir de referências dos cerrados e das matas brasileiras. A obra propõe uma experiência sensorial que ultrapassa o olhar, envolvendo cheiros, texturas, dimensões e sons emanados pelos materiais que compõem a instalação.
Neste mesmo piso, é apresentado o seu novo filme, Desjardim, realizado especialmente para a mostra. Parceria de Solange com o cineasta João Vargas Penna e com o músico Livio Tragtenberg, a produção cria conexões sensíveis em obras, com melhores condições técnicas e de produção.
Em contraste com as instalações e os desenhos de grandes dimensões realizados pela artista nos últimos anos, o piso -1 do Itaú Cultural apresenta trabalhos que evidenciam uma dimensão mais íntima de sua obra ao reunir aproximadamente 150 desenhos inéditos feitos em escalas menores. Realizados desde os anos 1990 até a atualidade, eles revelam animais, vegetação, corpos, paisagens e seres imaginários em trabalhos produzidos com materiais diversos, como pigmentos, carvão, óleo, jenipapo, argila, urucum, Merthiolate e gordura.
Ao longo do tempo, esses materiais passaram por seus próprios processos de transformação, incorporando à obra questões centrais para a pesquisa da autora: a matéria, a passagem do tempo e os ciclos da natureza. Entre o animal, o vegetal e o mineral, os desenhos apresentam formas híbridas e paisagens em permanente mutação, sintetizando temas que atravessam mais de quatro décadas de produção.
Por sua vez, o piso -2 apresenta uma cronologia da vida e obra da artista e tem como destaque uma seleção de 9 filmes experimentais produzidos ao longo de sua trajetória, reunidos pela primeira vez em uma mostra dedicada a ela. Embora menos conhecidos do público do que suas esculturas, desenhos e instalações, os trabalhos evidenciam uma investigação constante da imagem em movimento como extensão de sua pesquisa artística.
As obras acompanham processos de transformação da matéria e a ação do tempo sobre elementos como minerais, metais, água e fogo. Corpos, paisagens naturais, jardins, cavernas, espaços domésticos e sítios históricos aparecem com frequência, não apenas como cenários, mas como agentes que participam da construção das imagens. Em alguns trabalhos, registros de ações e performances também destacam a dimensão corporal presente em sua produção.
Serviço
Exposição | Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação
De 4 de agosto a 1º de novembro
Terça a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções
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Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções e às histórias do Brasil. Localizado na Praça da República, no centro da capital paulista, próximo a outros negócios de Olivier, o Arquivo Anquier chega para ampliar esse território de encontros e despertar novas sensações. Pensado como um espaço vivo, aberto a exposições, experiências e atividades culturais, o projeto pretende também contribuir para o movimento de redescoberta do Centro de São Paulo, convidando paulistanos e visitantes a olhar novamente para a região, caminhar por suas ruas e reencontrar o coração da cidade.
“Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil” será a exposição inaugural do espaço, marcada para 16 de setembro, a partir das 12h. Com 55 fotografias autorais, ela convida o público a percorrer diferentes paisagens, personagens, cotidianos e tradições brasileiras registradas pelo olhar sensível de Olivier. Faz parte do primeiro arquivo real a sair do gigantesco baú imaginário do “Diário do Olivier”, programa criado e apresentado por ele em 1998, pelo canal GNT, e que percorreu o território brasileiro durante 20 anos em busca da essência do país e de seu povo. Olivier atravessou estradas, cidades, vilarejos e lugares pouco conhecidos de um Brasil que escolheu descobrir de perto, levando milhões de telespectadores junto com ele – muitas vezes a bordo de seu inseparável Fusca verde. Mais do que revisitar uma trajetória, o Arquivo Anquier nasce do desejo de abrir essas histórias ao público: imagens, objetos, personagens, encontros, descobertas e memórias guardadas ao longo de décadas e que agora ganham novas leituras.
O Primeiro Arquivo: “Diário do Olivier”
O primeiro arquivo, dedicado ao “Diário do Olivier”, revela uma faceta de Olivier Anquier que, apesar de acompanhá-lo desde a infância, permaneceu discretamente escondida do grande público: a de fotógrafo. A fotografia, no entanto, não surgiu com o programa. Ela acompanha Olivier desde a primeira infância, inicialmente através do olhar e das câmeras de seu pai, o médico François Anquier, e permaneceu presente ao longo de toda a sua vida de maneira íntima, quase tímida, raramente exposta como parte de sua trajetória pública. Agora, pela primeira vez, esse olhar deixa o arquivo pessoal e ocupa as paredes de uma exposição.
O projeto acontece também após Olivier receber sua primeira chancela como fotógrafo, ao ser convidado para ocupar integralmente a edição nº 46 da revista C, publicação da Galeria Carcará, dedicada à fotografia autoral brasileira.
“Essa é a primeira vez que abro meu baú de memórias, experiências e fotografias para o público. Sinto que chegou o momento de compartilhar em detalhes histórias que vivi nesses 20 anos de Diário do Olivier e lugares fascinantes que conheci pelo Brasil. Quero que todos tenham orgulho do nosso país; o país que me deu tudo e ao qual sou muito grato.”, afirma Olivier Anquier.
Um Arquivo que continua circulando
Após o encerramento de “Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil”, as fotografias e os objetos apresentados na exposição serão leiloados em formatos presencial e virtual. A iniciativa amplia o alcance do projeto para além do espaço expositivo e oferece ao público a possibilidade de adquirir peças que fizeram parte dessa história. O lendário Fusca verde também terá um destino especial: parte da renda obtida com sua venda será revertida à organização religiosa Missão Belém, ligada ao Centro de São Paulo e que atende e acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade.
Serviço
Exposição | Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil
De 16 de setembro e 06 de dezembro
Quarta a sexta-feira, das 12h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 21h.
Período
Local
Arquivo Anquier
Praça da República, 36 - Loja 1, República, São Paulo - SP
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A artista plástica paulistana Claudia Marchetti retoma a pintura com O Vaso de Ojuara, exposição que reúne 12 trabalhos inéditos no programa Zip’Up, que ocupa o andar superior da Zipper
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A artista plástica paulistana Claudia Marchetti retoma a pintura com O Vaso de Ojuara, exposição que reúne 12 trabalhos inéditos no programa Zip’Up, que ocupa o andar superior da Zipper Galeria, a partir de 8 de outubro. O texto de apresentação é assinado pela crítica e jornalista Paula Alzugaray.
A relação da artista com o litoral norte começou ainda na infância, quando frequentava São Sebastião, área que na época tinha forte presença da Mata Atlântica, antes das mudanças provocadas pela crise ambiental e pela especulação imobiliária, que impactaram as comunidades caiçaras e ribeirinhas. Anos mais tarde, na pandemia, voltou a viver ali e permaneceu durante dois anos. Foi nesse período que a pintura tomou mais intensidade em sua produção.
Inspirada também pela experiência como escritora, Marchetti criou Ojuara, menina caiçara que reúne histórias de seu povo e das transformações do território. Cercada por cobras, jarros, ovos e peixes, a personagem incorpora elementos de seu imaginário e de sua vivência, que a artista leva para a pintura. Como observa Paula Alzugaray no texto de apresentação da mostra, “a ficção inspira a renovação de sua atividade artística e a pintura ressurge como matriz de um propósito maior que o pessoal, o de conectar-se a um meio ambiente e uma causa social junto às comunidades tradicionais ameaçadas”.
É nesse contexto que surge Mar de Lama (2026), uma das obras da exposição. Nela, Marchetti retrata as transformações que testemunhou no litoral norte de São Paulo após as chuvas de 2023, que provocaram deslizamentos e alteraram a paisagem da região. A pintura registra visualmente o acontecimento e as marcas que ali permaneceram.
O vaso que dá título à mostra nasce dessa mesma pesquisa. Para Marchetti, a imagem remete ao útero, ao que contém e gera, e conversa com os elementos que aparecem em suas telas. São formas que aparecem de maneira recorrente e se relacionam com a natureza e com referências culturais encontradas pelo território.
Ao incorporar essas questões mais recentes, o conjunto apresentado na galeria, mantém ao mesmo tempo, uma ligação direta com a pintura que Claudia desenvolvia antes de se afastar de sua prática pictórica. A figuração de formas simples e esquemáticas continua presente, agora atravessada pelo repertório que marca sua criação. Há, assim, uma continuidade visível entre os trabalhos de duas décadas atrás e aqueles que marcam sua retomada.
Esse vínculo com o lugar também se estende ao trabalho que Marchetti desenvolve junto à comunidade local. Parte da renda obtida com a venda das obras da exposição será destinada ao Instituto Verdescola, organização sem fins lucrativos que atua em São Sebastião na formação de crianças e jovens, onde Claudia faz trabalho voluntário com oficinas de artes visuais.
Como galerista, tem cerca de 40 anos de atuação no campo da arte. Formada pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e mestre em Artes Visuais pela Goldsmiths College, em Londres, participou de diversas exposições em que conheceu e popularizou no Brasil obras de alguns ícones da arte contemporânea, como Sarah Morris, Ai Weiwei e Ian Davenport. Mais tarde, fundou a ArteEdições, projeto voltado à ampliação e democratização do acesso ao mercado de arte contemporânea.
A artista lançou Ojuara – A Chuva na Mata Atlântica na ArtRio 2026, pelo selo Celeste. Escrito e ilustrado por Claudia, o livro infantil amplia para a literatura o imaginário que desenvolve em suas pinturas, retomando a personagem e os elementos que marcam sua trajetória.
Serviço
Exposição | O Vaso de Ojuara
De 08 de outubro a 18 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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A Garrido Galeria, no Recife, apresenta a exposição “Onde o céu e o mar se tocam”, que reúne, pela primeira vez, os programas da galeria pernambucana e da Cave, de
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A Garrido Galeria, no Recife, apresenta a exposição “Onde o céu e o mar se tocam”, que reúne, pela primeira vez, os programas da galeria pernambucana e da Cave, de Fortaleza. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra foi inaugurada em 16 de outubro e apresenta obras de mais de 40 artistas, entre nomes representados pelas duas galerias, convidados e trabalhos de seus acervos. A iniciativa estabelece conexões entre diferentes gerações, territórios e linguagens da produção artística brasileira.
A exposição acontece em um momento de movimentação do circuito de arte no Nordeste, marcado pela realização da ART.PE 2026, entre 14 e 18 de outubro, no Recife Expo Center. As duas galerias participaram da feira, ampliando a colaboração entre seus programas e fortalecendo as conexões entre artistas, galeristas e públicos de diferentes regiões do país.
A parceria entre Garrido e Cave é resultado de uma relação construída ao longo dos últimos anos pelos galeristas Armando Garrido e Pedro Diógenes. Desde 2020, os dois compartilham o interesse pelo desenvolvimento de artistas em início de carreira e pela valorização da produção artística realizada fora do eixo Sul-Sudeste. O coletivo Acidum Project, representado por ambas as galerias, é um dos pontos de encontro dessa colaboração.
Entre os artistas presentes estão Bárbara Banida, Bruno Vilela, Charles Lessa, Chico da Silva, Delson Uchôa, Francisco Brennand, Gi Monteiro, Heitor Dutra, Jane Batista, Leonilson, Letícia Lopes e Véio, entre outros. A seleção aproxima nomes históricos e artistas contemporâneos, reunindo produções de Pernambuco, Ceará e outras regiões brasileiras.
A proposta curatorial busca questionar imagens estereotipadas do Nordeste, frequentemente associado ao sol, às praias e às cores intensas. Em vez dessas representações, Lucas Dilacerda propõe outras possibilidades de olhar para a região, explorando sombras, profundidades, cenas noturnas e atmosferas de mistério. O azul-escuro do céu e do mar, assim como as diferentes possibilidades de interpretação do branco, orientam uma leitura da paisagem que se distancia dos cartões-postais tradicionais.
As obras abordam questões relacionadas a corpo, natureza, memória, ancestralidade, espiritualidade, ecologia, gênero, raça, tecnologia e cultura popular, além de aproximar linguagens e categorias como arte e artesanato, tradição e contemporaneidade, figuração e abstração. Para o curador, o objetivo não é identificar uma estética nordestina comum, mas evidenciar a diversidade de experiências e pesquisas artísticas que partem desse território sem se limitar a ele.
Ao reunir duas galerias de diferentes capitais nordestinas, “Onde o céu e o mar se tocam” também propõe uma reflexão sobre a descentralização do circuito brasileiro de arte. A colaboração busca fortalecer redes de produção, circulação e reconhecimento artístico fora dos centros tradicionalmente dominantes, ampliando as possibilidades de encontro entre artistas, instituições e públicos.
Serviço
Exposição | Onde o céu e o mar se tocam
De 16 de outubro a 10 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h
Período
Local
Garrido Galeria + Cave
Rua Samuel de Farias, 245, Casa Forte, Recife - PE
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre o que se observa de um certo cenário e o que se mostra em imagem como fragmento dessa escolha, pode-se divisar o que a memória cria de maneira consciente e também quase sem querer. A exposição Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, na Cerrado Cultural apresenta um conjunto da produção desse artista que construiu um modo particular de visualizar seus motivos de pintura. Em sua trajetória, esteve comprometido com o olhar para um mundo próximo, vivencial e corriqueiro, encontrando nesse universo diferentes possibilidades para a pintura.
O recorte dessa mostra reúne obras realizadas entre os anos 1920 e 1980 e busca evidenciar características fundamentais de seu processo, que, colocadas em relação, permitem acompanhar as transformações no modo como Volpi construía suas imagens. Primeiro a partir daquilo que observava diretamente, depois a partir do que guardava na memória e, gradualmente, reelaborava imaginativamente. Com isso, o percurso da exposição possibilita perceber as diferentes dimensões que sua produção revela e que, ao longo do tempo, foram sendo reconhecidas e nomeadas pelos valores associados a uma arte modernista, colorista, abstrata e de caráter genuinamente brasileiro e popular.
Os lugares do olhar de Volpi que trazemos aqui dizem respeito, em um primeiro momento, a uma atenção dada por ele ao ofício prático em sua história de vida. Nascido em Lucca, na Itália, em 1896, chega com cerca de dois anos ao Brasil e desenvolve na juventude um aprendizado profissionalizante que o leva a exercer atividades como entalhador, marceneiro, encadernador e sobretudo como pintor decorativo. Nesta atividade, realiza painéis e murais residenciais na cidade de São Paulo, onde viveu praticamente toda sua vida, até falecer aos 92 anos. É instigante perceber, portanto, o princípio autodidata na pintura artística que desenvolve a partir de 1920, levando-o por uma experimentação figurativa e a interesses também na representação de marinhas, paisagens e cenas corriqueiras que realizava, naquele momento, por meio da prática de observação direta e sensibilidade na exploração de materiais e técnicas.
Uma transformação na pintura de Volpi irá ocorrer a partir de uma experiência do lugar da luz da pequena cidade. E é nesse momento que a paisagem de Itanhaém se torna uma referência nesse percurso de construção de si mesmo como artista da pintura. Ao frequentar a região, para onde sua esposa havia se mudado por questões de saúde, Volpi encontra uma antiga cidade do litoral paulista, fundada no século XVI, ainda pouco urbanizada e inserida em uma área costeira marcada por rios, praias, morros, vegetação diversa, atividades rurais e artísticas locais de caráter popular.
Mais do que registrar lugares ou situações, Volpi construiu diferentes horizontes da linguagem pictórica. Nessa produção, experimenta tanto a pintura a óleo, na qual explora o brilho, a transparência e a fusão entre os tons, quanto as obras em têmpera, que integram sua produção madura, e nas quais produz uma superfície mais seca e opaca, em que a textura do material se torna também uma característica marcante em seus trabalhos.
É o que se pode perceber em obras aqui apresentadas como Cidade do interior e Bandeirinhas estruturadas com mastro. É na relação com a matéria que se evidencia também um aspecto fundamental de seu olhar para as maneiras de fazer. Trata-se do vestígio do trabalho manual, que permanece na superfície e registra os movimentos da pincelada, a partir dos quais Volpi passou a compor campos de cor, criar contornos irregulares e explorar relações entre equilíbrio, contraste e ritmo. Na preparação artesanal da têmpera que ele mesmo desenvolvia, passou a estabelecer uma relação direta com os processos da matéria da pintura, desenvolvendo, por meio desses procedimentos, uma autonomia cada vez maior na construção de sua própria linguagem.
Assim, casarios, figuras em contraluz, relevos enviesados e frontões triangulares são redimensionados em relações de luz e, depois, em problemas de cor, forma, linha, ritmo e superfície. A curadoria parte, portanto, da intenção de pontuar aspectos desse percurso, entre a experiência do mundo visível e a elaboração da pintura. Mais do que acompanhar uma passagem da representação à abstração, interessa perceber como esses motivos se transformam e adquirem novos sentidos pelo lugar da reimaginação, quando a vivência passa a responder às questões da arte. É nessa dinâmica que o entendemos como o artista da complexidade do simples, de uma elaboração sofisticada a partir de elementos singelos, por meio dos quais se revelam, nas bandeirinhas, as festas populares, e, nas fachadas, a experiência das cidades e dos povoados do interior brasileiro.
Ao reunir obras provenientes de diferentes coleções, a exposição incorpora também trabalhos realizados em variadas técnicas de gravura e impressão. Esse movimento se articula ao interesse cultural da mostra em promover a pesquisa, aproximar acervos e ampliar sua visibilidade, abrindo espaço para novos encontros com a obra de artistas fundamentais para a história da arte brasileira. Em Brasília, esse reencontro com Volpi ganha um sentido particular, tendo em vista que sua obra esteve presente na história da cidade desde os primeiros anos de sua construção, por meio do mural realizado para a Capela Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, apagado em 1962, em um contexto de incompreensão quanto à sua relevância. Mais de quatro décadas depois de sua última exposição individual na cidade, esta mostra propõe uma nova aproximação com seu trabalho, oferecendo ao público, nos diferentes lugares que atravessam sua produção, também os caminhos de construção de seu olhar.
Cinara Barbosa
Curadora
Serviço
Exposição | Alfredo Volpi – Os lugares do olhar
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é a partir deste tempo que Kuenan Mayu, artista Magüta (Tikuna) e Tariana, às margens do rio Ta’tü, aprendeu a pensar o mundo, não como uma narrativa fechada, mas como um ciclo contínuo de nascimento, transformação e encantamento.
Partindo de uma observação demorada sobre as séries “Eware” e “Pu’tchi”, o ritmo poético desta exposição deságua em um terceiro momento, preciosamente no diálogo entre as duas séries e na retroalimentação que nelas ocorre antes mesmo de serem nomeadas. Eware fundamenta a visão de mundo Magüta, ao passo que Pu’tchi dá continuidade ao percurso e abre novas questões. Eware é o lugar aonde se retorna após o encantamento, e carrega em sua cosmovisão a coexistência entre seres vegetais, humanos, não humanos e espirituais.
Se em Eware mergulhamos na origem, na história de Ngutapa e Mapana, dos joelhos que ao explodirem geram dois filhos e de Yo’í que pesca um povo inteiro das águas sagradas do rio, a série Pu’tchi se desloca para outro território: o das subjetividades e das corporalidades nomeadas como “dois espíritos”, para as quais não há palavra equivalente em português, embora, com muita desconfiança em relação à tradução, se possa dizer bicha.
Em Tawemücü Pu’tchi, com trabalhos inéditos apresentados pela primeira vez em Brasília, território de importância para sua formação, Kuenan reúne dezesseis obras em formatos variados, nos quais signos, elementos e perguntas se entrelaçam para pensar relações entre desejo, espírito e uma ancestralidade que não se restringe à espécie humana, mas que atravessa corpos, árvores, peixes e encantados. Seres organizados não pelo regime da separabilidade, mas pela transformação infinita e interespecífica.
Sobre a entrecasca sagrada do Ngõ’e (tururi), com pigmentos como urucum, jenipapo e pacová, a artista aplica a técnica aprendida através da observação de suas anciãs, uma materialidade que é, ela mesma, receptáculo espiritual, e cujas cores se modificam com o tempo, em um processo similar ao corpo em permanente mutação. A lua ocupa lugar inefável na série, assim como orienta a extração do tururi, que deve ser retirado apenas em sua fase cheia. De início apresentada de forma separada, logo depois se unindo ao sol, culminando em uma espécie de eclipse, em correspondência a toda criatura que se permite viver o mistério da transformação. Uma lua bicha, Tawemücü Pu’tchi na língua materna. A junção dos elementos, a intersecção entre o divino e o sexual, em que as imagens de transição são, assim, naturais e espirituais, em uma reconfiguração e estado de passagem, um modo de existir sem fixação, que se move entre tempos e mundos, em constância.
Mandú
Curador
Serviço
Exposição | Kuenan Mayu – Tawemücü Pu’tchi
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
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A artista brasileira Rosana Paulino apresenta “Florescer a luz do Sol, sonhar a luz da lua”, sua primeira exposição individual em Paris, na filial francesa da galeria
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A artista brasileira Rosana Paulino apresenta “Florescer a luz do Sol, sonhar a luz da lua”, sua primeira exposição individual em Paris, na filial francesa da galeria Mendes Wood DM. A mostra reúne pinturas e desenhos inéditos da série Senhora das plantas, dando continuidade à pesquisa da artista sobre a representação das mulheres negras, a ancestralidade afro-brasileira e as relações entre corpo, natureza e espiritualidade.
Nas obras, figuras femininas se fundem a árvores, raízes, folhas e flores, criando imagens que questionam representações historicamente associadas às mulheres negras. Ao desenvolver novos arquétipos femininos, Paulino busca ampliar as possibilidades de representação dessas mulheres, frequentemente retratadas pela cultura visual brasileira a partir de estereótipos ligados ao passado colonial.
A exposição destaca plantas presentes nas tradições populares e afro-brasileiras, como o mulungu, a trombeta-de-anjo e a comigo-ninguém-pode, associadas tanto à proteção e à cura quanto ao perigo e à toxicidade. Essa dualidade atravessa as pinturas, nas quais a natureza aparece como espaço de resistência, transformação e sobrevivência.
Outro eixo central da mostra é a relação entre dia e noite. Em pinturas de grande formato, figuras femininas surgem em paisagens iluminadas pelo sol ou envolvidas pela escuridão, evocando mitos de criação, ciclos da vida e forças da natureza. Por meio dessas imagens, apresentadas na Mendes Wood DM Paris, Rosana Paulino propõe novas narrativas sobre a experiência das mulheres negras, relacionando memória histórica, ancestralidade e possibilidades de emancipação.
Serviço
Exposição | Florescer a luz do Sol, sonhar a luz da lua
De 19 de outubro a 19 de dezembro
Terça-feira a sábado, das 11h às 19h
Período
Local
Mendes Wood DM Paris
25 Place des Vosges, Paris, França
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O público de Belo Horizonte terá a oportunidade de conhecer de perto obras de um dos artistas mais influentes da história da arte no mundo. Em comemoração aos 80
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O público de Belo Horizonte terá a oportunidade de conhecer de perto obras de um dos artistas mais influentes da história da arte no mundo. Em comemoração aos 80 anos do Sesc, o Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc em Minas, apresenta a exposição “Picasso, a construção de um gênio”, que reúne 120 obras, entre elas 80 originais de Pablo Picasso, um dos criadores do Cubismo. Parte do acervo é inédita no Brasil e estará disponível para visitação gratuita no Sesc Palladium, de 24 de outubro a 13 de dezembro, de terça a domingo e feriados, das 9h às 20h.
Os ingressos serão disponibilizados a partir de 20 de outubro via Sympla. Os lotes serão liberados semanalmente, sempre às terças-feiras, às 13h, ao longo do período da mostra. A retirada presencial na bilheteria do Sesc Palladium estará condicionada à disponibilidade de vagas. As visitas ocorrerão com entradas a cada 30 minutos, com tolerância de até 15 minutos do horário indicado no ingresso.
Reconhecido por revolucionar a arte do século XX e por criar, ao lado do francês Georges Braque, o Cubismo, movimento que rompeu com as formas tradicionais de representação e abriu caminho para novas experiências visuais, Picasso transformou o modo de representar o mundo e influenciou gerações de artistas em diferentes linguagens, da pintura ao design e da fotografia ao cinema. A exposição propõe uma imersão em seu processo criativo por meio de gravuras, cerâmicas, fotografias e obras de artistas fundamentais em sua trajetória.
A mostra reúne um conjunto de obras que destaca diferentes momentos da carreira do artista espanhol e amplia a compreensão sobre sua produção ao apresentar outros nomes da arte e intelectuais que participaram de seu ambiente criativo. Além das obras de Picasso, o percurso expositivo apresenta trabalhos das artistas Dora Maar e Françoise Gilot, nomes fundamentais para compreender a trajetória do pintor.
Para o presidente do Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac, Nadim Donato, a iniciativa reforça Belo Horizonte como um importante destino para a circulação de exposições internacionais e amplia o acesso da população a acervos de relevância mundial. “Celebrar os 80 anos do Sesc em Minas com uma exposição dedicada a Pablo Picasso, um dos artistas mais importantes e influentes da história da arte, reforça nosso compromisso de democratizar o acesso à cultura, especialmente para os trabalhadores e trabalhadoras do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e suas famílias. Trazer gratuitamente para Belo Horizonte um acervo internacional dessa relevância só é possível graças ao investimento dos empresários e empresárias do setor, que acreditam no papel transformador da cultura. É uma oportunidade para que milhares de pessoas tenham contato com obras que marcaram a arte do século XX e seguem inspirando diferentes gerações”, afirma.
Um artista que mudou os rumos da arte
Poucos artistas exerceram impacto tão profundo na cultura ocidental quanto Pablo Picasso. Nascido em Málaga, na Espanha, em 1881, criou obras que transformaram a história da arte moderna e permanecem influenciando a produção contemporânea em diferentes áreas. Em mais de 70 anos de carreira, produziu cerca de 50 mil obras, incluindo pinturas, desenhos, esculturas, gravuras e cerâmicas. Seus retratos fragmentados, as múltiplas perspectivas e a constante experimentação de técnicas e suportes transformaram seu trabalho em uma referência mundial e ajudaram a redefinir os rumos da arte moderna.
Entre suas obras mais conhecidas estão “Guernica” (1937), considerada um dos maiores manifestos artísticos contra a guerra; “Les Demoiselles d’Avignon” (1907), marco fundamental da arte moderna; “A Mulher que Chora” (1937); e “O Velho Guitarrista” (1903), uma das principais obras da Fase Azul. Até hoje, Picasso é um dos artistas mais reconhecidos do mundo, com obras presentes nos principais museus e entre as mais valiosas da história da arte.
Obras inéditas e percursos criativos
O percurso da exposição apresenta diferentes momentos da carreira do artista. Entre os destaques está “Le Repas Frugal” (1904), considerada sua primeira grande gravura e uma das mais importantes do século XX. Criada quando tinha apenas 22 anos, durante um período de dificuldades financeiras em Paris, a obra revela aspectos da fase inicial de sua trajetória.
A mostra segue com a série completa “Suite des Saltimbanques”, inspirada no universo dos artistas circenses com quem Picasso se identificava no início da carreira; a coleção “Tauromaquia”, produzida entre 1957 e 1959 e dedicada às tradicionais touradas espanholas; e as gravuras relacionadas a “Le Chef-d’œuvre inconnu” (A Obra-Prima Ignorada), inspiradas no conto de Honoré de Balzac sobre criação artística e a busca pela perfeição.
O público também terá acesso a uma faceta menos conhecida de sua produção por meio de 12 cerâmicas produzidas entre 1948 e 1959, no ateliê Madoura, em Vallauris, na França. Nesse período, o artista expandiu sua linguagem para objetos do cotidiano, explorando novas possibilidades de forma, volume e cor.
As fotografias de Robert Capa, um dos maiores fotojornalistas do século XX, completam o trajeto ao apresentar registros da vida de Picasso na França e aproximar o público da dimensão humana do atrista.
O olhar se desloca do mito
Mais do que apresentar um dos principais nomes da arte moderna, a exposição lança luz sobre o ambiente humano e artístico que cercou sua produção. A curadoria busca compreender o artista a partir das relações criativas, intelectuais e afetivas que marcaram sua trajetória.
“O aspecto mais inovador do projeto é apresentar Picasso não de forma isolada, mas em diálogo com a rede humana e artística que marcou sua vida. Françoise Gilot e Dora Maar ocupam um lugar central nesse percurso, não como personagens secundárias, mas como artistas e intelectuais com obra própria. A exposição oferece ao público uma imagem mais ampla e complexa de Picasso ao revelar o ambiente criativo que o cercava”, afirma o curador da exposição, Luca Baroni.
Essa proposta se materializa na presença de 31 obras de Dora Maar e Françoise Gilot, artistas importantes para compreender o universo criativo do pintor espanhol.
Já Françoise Gilot aparece com 16 litografias da série “Pages d’Amour” (1951). Pintora e escritora francesa reconhecida internacionalmente, ela construiu uma trajetória artística independente e contribuiu para ampliar a compreensão sobre as relações entre criação artística, contexto histórico e produção feminina na arte do século XX.
Ao reunir trabalhos dessas artistas ao lado da produção de Picasso, a exposição amplia a compreensão sobre sua obra e sublinha como seu universo criativo foi construído por diálogos, influências e diferentes perspectivas.
Diversidade e acessibilidade
A diversidade de linguagens é um dos elementos centrais da exposição. Ao reunir gravuras, fotografias, cerâmicas e obras produzidas em diferentes técnicas, a mostra apresenta Picasso como um artista que explorou múltiplas formas de expressão ao longo da carreira.
Pensada para receber públicos diversos, a exposição reúne textos em linguagem acessível, recursos digitais, materiais educativos e ferramentas de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Também serão oferecidas visitas mediadas para estudantes de escolas públicas e privadas, mediante agendamento.
Ao final do percurso, uma instalação interativa permitirá que os visitantes produzam registros fotográficos inspirados no universo da exposição.
O acervo apresentado reúne obras provenientes de duas coleções privadas italianas administradas pela The Art Company. Parte das peças está depositada no MARV – Museo d’Arte Rubini Vesin, localizado na cidade de Gradara, na Itália.
Serviço
Exposição | Picasso, a construção de um gênio
De 24 de outubro a 13 de dezembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Sesc Palladium
Av. Augusto de Lima, 420 - Centro, Belo Horizonte - MG
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores ícones da música brasileira, oferece uma visão detalhada sobre os 12 LPs que marcaram a carreira solo do maestro, gravados entre 1963 e 1994, desde o primeiro álbum, The Composer of Desafinado Plays, até Antonio Brasileiro, passando por marcos como Wave, Matita Perê, Urubu e outros.
A exposição, que promete ser uma experiência imersiva, convida os visitantes a explorarem a trajetória artística de Tom Jobim por meio de documentos, fotos, gravações, partituras e objetos pessoais pertencentes ao acervo do Instituto. O conceito da exposição surgiu em 2020, durante a pandemia, a partir de uma série de entrevistas virtuais entre Paulo Jobim, filho do maestro e morto recentemente, e Aluísio Didier, curador da mostra e amigo de Tom, que assumiu a direção do instituto neste mesmo ano. Essas conversas, realizadas via Zoom, revelaram detalhes inéditos sobre o processo criativo do compositor e agora se transformaram em documentários, que revelam o processo por trás de cada álbum, oferecendo uma perspectiva íntima e pessoal sobre o legado musical de Jobim. Os vídeos com as conversas foram editados pelo cineasta Cayo Oliveira, também produtor da exposição, e serão apresentados pela primeira vez.
A curadoria de Didier ilumina momentos importantes da carreira do compositor como seu encontro com Vinícius de Moraes, que resultou em clássicos eternos da Bossa Nova e sua colaboração com João Gilberto no LP Chega de Saudade.
Tom Jobim: Discos Solo é uma homenagem a um artista que não apenas transcendeu fronteiras, mas que continua a influenciar gerações de músicos e fãs ao redor do mundo. A exposição não só celebra a obra solo do maestro, como também convida o público a revisitar e redescobrir a profundidade e a beleza de sua música.
Histórias inusitadas
Na exposição, histórias inusitadas do maestro irão divertir os visitantes. Entre elas, duas bastante icônicas, lembradas por Paulo Jobim e Didier nos documentários.
Autor de várias canções com nomes de mulheres, Tom foi procurado por um pesquisador com um projeto de livro sobre as músicas e suas musas inspiradoras: Luiza, personagem interpretada por Vera Fischer na novela Brilhante; Gabriela, personagem de Jorge Amado; O samba de Maria Luiza, a filha caçula, entre outras.
No entanto, o tal pesquisador também pergunta pela “musa” Carla que inspirara a canção do mesmo nome. Tom se surpreende e questiona: “Que Carla?” O pesquisador insiste: “Ora, a da música dos anos 50, “Carla, meu amor”, responde o rapaz. Acontece que a canção se chamava “Cala, meu amor”.
“O pesquisador já havia até se encontrado com a mulher que tinha sido a fonte de inspiração”, diverte -se Paulinho, em um dos bate-papo com Didier.
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Músicos são sempre cobrados pela crítica ou pelos fãs por novidades, novas músicas, por uma atualização de sua arte, um diálogo com influências, novas tecnologias. Com Tom, sempre fiel ao “velho” piano acústico ou ao violão, não foi diferente. No disco Tide, podemos ouvi-lo no piano elétrico Fender Rhodes, hoje um clássico, mas na época, um som diferente, um passo à frente dos instrumentos acústicos. Na época as pessoas se perguntaram: “O que houve, Tom cedendo a um som mais pop?” Sim e não. Se o resultado ficou ótimo na faixa “Takatanga”, o fato se deveu a um copo de uísque derrubado dentro do piano acústico do estúdio, que impossibilitou o instrumento para a gravação. “Jobim, sem opção, aceita arriscar-se no Fender Rhodes e parece que gostou, pois no LP seguinte, Stone Flower, repete a experiência em várias faixas”, conta Didier.
Serviço
Exposição | Tom Jobim: Discos Solo
De 09 de outubro (exposição permanete)
Diariamente (exceto na quarta-feira), de 9h às 17h
Período
Local
Instituto Antonio Carlos Jobim
Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro - RJ
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos sociais, de ritos da umbanda e paisagens rurais, e cuja vida reflete diversos aspectos da modernidade no país.
A mostra Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro.
Paulo Pedro Leal passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século 20, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, Afogamento de mendigos (1965) Naufrágio (1953) ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra.
Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, Jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
Serviço
Exposição | Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio
De 11 de abril a 08 de novembro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado,
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.
“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press — estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos.
A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.
Complexidade e beleza
Visitantes poderão apreciar obras de múltiplas cores, estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos; as gravuras de Beatriz desenvolvidas ao lado de Jean-Paul Rusell.
A produção da artista é marcada por uma linguagem de complexidade e beleza, e pela coerência no modo como consegue transitar entre diferentes técnicas, partindo sempre da pintura até chegar nas gravuras.
Em suas obras aparecem também formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas, incrementando a tradição geométrica brasileira. Na exposição é possível também perceber o modo como Milhazes monta e remonta as formas, as cores e os espaços aparentemente vazios, como os que aparecem em O pato (1996) e Noite de verão (2006).
Serviço
Exposição | Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo
De 16 de maio a 14 de março de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Estação
Lg. General Osório, 66, São Paulo - SP
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias e um vídeo. A curadoria é de Fernanda Pitta, docente do MAC USP. A ideia da exposição nasceu em 1978, quando Nelson Felix, visitando a região andina, percebeu uma coincidência entre as línguas Aimara (falada na região) e o Aramaico (da tradição semítica, do oriente médio): escritas em espanhol elas se tornam palíndromos (Aemara e Aramea). Felix passou a carregar esse pensamento por décadas, até encontrar em Beijo de Língua, a forma para materializá-la como uma das maiores exposições já realizadas pelo artista. “É uma exposição de esculturas, principalmente”, diz Nelson.
No núcleo central da mostra, Felix apresenta três esculturas criadas a partir de chapas de mármore. Escultura para Homero, Escultura para Santa Teresa e Escultura para Bertrand articulam três campos centrais em seu trabalho: sacrifício, tolerância e amor. O artista escolheu textos de três autores – Bertrand Russel, Homero e Santa Teresa D’Ávila, e alguns trechos são escritos nas línguas Aimara e Aramaico nas chapas de mármore, criando uma superfície rendada na pedra. Beijo de Língua tem três esculturas, formadas por duas chapas de mármore cada uma. As duas chapas, coladas, têm o mesmo texto, em duas versões: de um lado em Aimara e do outro, em Aramaico.
– Colo estas duas chapas com os textos, aliás, é a primeira vez que uso cola em meu trabalho. Aqui a cola é material tão importante como o próprio mármore, ou o bronze ou mesmo os elementos vegetais que uso. Assim, nos caracteres, surgem vazamentos mútuos, as línguas se tocam, é para mim, um beijo – afirma o artista.
“As superfícies se tocam, mas mantêm intervalos onde os idiomas não coincidem. A cola evidencia a operação que sustenta a união sem eliminar a diferença. O texto passa a atuar como matéria, inscrita e articulada na estrutura da obra”, observa a curadora Fernanda Pitta.
Já Carta de amor, trabalho apresentado em 2022 em forma contínua, como um projeto, agora ganha duas novas versões, escultóricas: Pétala e Caule. As obras apresentam diversos materiais: mármore, bronze, ferro, cabo de aço, cacto e fio de seda. As séries de desenhos revelam diferentes facetas do trabalho de Felix, com referências de obras anteriores, e estudos do trabalho atual. Na série 7 noites vazias e 21 dias como 21 anos (2024) podemos ver um mesmo gesto, feito com bastão de óleo, que nunca é igual a si mesmo. A obra gráfica Tartaruga de Homero (2024), série com três trabalhos, traz referências do verso de Homero (Hino Homérico a Hermes), em que Hermes mata uma tartaruga e cria a primeira cítara. Para Felix, na criação deste instrumento, acontece o nascimento da música.
Para a curadora da exposição, “a partir do movimento de retomada e rearticulação contínua de ideias, materiais e procedimentos, as obras de Nelson Felix deixam de operar de forma isolada e passam a constituir um conjunto de relações, formando um conjunto aberto, em que as obras se relacionam por aproximações e distâncias, entre línguas e sistemas de pensamento, como o Aramaico e o Aimara, eixo central da exposição.”
Exposição | Beijo de Língua
De 30 de maio a 20 de novembro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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Desde os primeiros retratos de colonizadores europeus no século XVI, a paisagem brasileira foi deliberadamente apresentada ao mundo por um olhar estrangeiro que instituiu um imaginário exótico sobre o país
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Desde os primeiros retratos de colonizadores europeus no século XVI, a paisagem brasileira foi deliberadamente apresentada ao mundo por um olhar estrangeiro que instituiu um imaginário exótico sobre o país que perdura até os dias de hoje. Do Éden intocado de exuberância infinita ao território selvagem a ser domesticado, a perspectiva colonial reduziu as subjetividades de uma nação tão complexa, miscigenada e de tamanho continental, cuja história antecede em muito a invasão portuguesa.
A mostra coletiva Brasil em Camadas, contudo, propõe romper com essa tradição de distanciamento, partindo de um ponto de vista situado no território em questão e descartando a paisagem-espetáculo. Um Brasil observado por quem o habita, com suas dores e conflitos, mas também com seus prazeres, afetos e imaginações.
O percurso começa justamente com o gênero que mais contribuiu para a formação desse imaginário exotizado: a paisagem. Nas telas de Miguel Chiquitano, o tema remete à tradição que fascinou os viajantes europeus durante o período colonial, mas a densidade da vegetação, o detalhamento das folhagens e atenção às cores, denunciam que a composição só poderia ser construída a partir da convivência próxima com a floresta, vínculo que dificilmente se daria de um olhar de fora. Suas pinturas eliminam a linha do horizonte, e sem ele. E sem horizonte, não há distância: a contemplação é conduzida para dentro da mata, para o emaranhado de raízes e sombras.
A revisão decolonial segue na obra “Mundus Hodiernus”, de Camille Kachani, na qual o artista reconstrói um mapa múndi, inspirado pelo contato com um do século XVII que representava o chamado “mundo moderno”. Os vastos oceanos azuis são compostos por cordas náuticas, miçangas e fragmentos de azulejos encontrados em antiquários de Lisboa, alguns datados de cerca de 1750. Por meio desses materiais, Kachani revisita os processos de colonização, pondo em questão a ideia de “história oficial” e revelando como a cartografia participou da construção de narrativas que organizaram e hierarquizaram o mundo.
Nas fotografias de João Castilho, a cor ocre-avermelhada, próxima da ferrugem e do minério, afasta a flora brasileira do exotismo tropical vendido no imaginário exterior. Já a escultura de Marco Tulio Resende, composta por madeira e barro de diferentes municípios mineiros, evidencia as potencialidades discursivas das matérias, que são carregadas de trabalho e memória.
Adiante, as fotografias da série “Cabanagem”, de André Penteado, trazem à superfície conflitos históricos brasileiros pouco populares. O título remete à Revolta da Cabanagem (1835-1840), que ocorreu na Província do Grão-Pará, uma das rebeliões mais violentas da história do país, quando populações negras, indígenas e ribeirinhas se levantaram contra domínio econômico dos portugueses na região amazônica, que persistiu mesmo após a independência do Brasil. Após os revolucionários matarem o governador da província e tomarem o poder por um ano, o movimento foi violentamente reprimido pelo governo imperial, resultando em mais de 30 mil mortes. Apesar de seu perfil popular e de sua escala, a sua história é virtualmente desconhecida no Brasil. Ao visitar igrejas coloniais em áreas amazônicas que testemunharam parte dos conflitos, o artista encontrou um santo envolto em papel pardo e outro com a face desfigurada, que deram origem aos registros.
A camada do conflito reaparece em chave mais recente na xerografia “Sufoco” (1979), de Mario Ramiro, realizada quando o país ainda vivia sob os efeitos da ditadura militar. Pioneiro do uso de impressões xerográficas e logo depois integrante do coletivo 3NÓS3, Ramiro registra um corpo comprimido contra a superfície da máquina, num gesto em que a precariedade técnica do meio se faz medida do cerceamento político. A imagem multiplicada em série inscreve na própria reprodução a sensação de asfixia que dá título ao trabalho.
No presente, a construção do território avança para o espaço urbano nas pinturas de Ian Salamente. Em um contexto em que as periferias brasileiras são fetichizadas, o artista as toma como pretexto para composições marcadas pelo afeto. Inspirados por familiares, amigos e vizinhos, os personagens que habitam suas pinturas aparecem em gestos cotidianos de cuidado e convivência. O pequeno monte de sal ao fundo faz referência à cidade natal do artista, Cabo Frio, cuja história foi construída pela produção de sal, atividade central da economia local por gerações.
Essa atenção ao Brasil habitado se prolonga nas pinturas de Rodrigo Cunha, que recolhe o país na escala do cotidiano e do interior doméstico. Em telas de tonalidades rebaixadas, figuras solitárias surpreendidas em poses contidas dividem o quadro com paisagens emolduradas dentro da própria pintura, de modo que a vista ampla, quando comparece, já está reduzida à condição de imagem pendurada na parede.
Outras obras da exposição levam a paisagem para o campo da fabulação. Em suas composições digitais, Marcelo Tinoco parte da fotografia para reinventar tais cenários naturais por meio de cores intensificadas, contornos acentuados e intervenções que misturam realidade e fantasia. Nas pinturas de Felipe Góes, pinceladas expressivas e paletas vibrantes criam paisagens de “não-lugares”, que fazem da natureza uma experiência sensorial. Já Flávia Junqueira constrói suas instalações justamente em lugares associados ao imaginário turístico brasileiro, como o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ou o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, grandes “cartões-postais” do Brasil, mas deslocados em uma dimensão lúdica com seus icônicos balões e cataventos.
Por fim, a fotografia de Rodrigo Braga projeta a paisagem para um horizonte mítico. Nascido na região amazônica, o artista desenvolve há mais de vinte e cinco anos uma pesquisa sobre as relações entre os seres vivos e o ambiente que os circunda. Na imagem, o ovo, figura arquetípica associada ao nascimento e à transformação, aparece como metáfora de um tempo presente em combustão, marcado por tensões e urgências, mas ainda capaz de gestar futuros possíveis.
Em conjunto, as obras discorrem sobre como as imagens do país foram historicamente construídas e continuamente reinventadas. Se por séculos o Brasil foi servido como iguaria à fome colonial, nessa exposição os artistas reivindicam a posição de quem observa a partir de dentro. Dessa posição, emerge a densidade de um território assumido em sua própria complexidade.
Serviço
Exposição | Brasil em Camadas
De 18 Junho a 18 Dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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A Zipper Galeria apresenta Aquilo Que Não Cabe, primeira ocupação do salão principal por Jessica Costa, com curadoria de Carollina Lauriano. A mostra parte de uma pergunta sobre a forma,
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A Zipper Galeria apresenta Aquilo Que Não Cabe, primeira ocupação do salão principal por Jessica Costa, com curadoria de Carollina Lauriano. A mostra parte de uma pergunta sobre a forma, a de saber quanto volume ela pode ter antes de deixar de ser tolerada.
A trajetória de Jessica Costa começa na moda, primeiro em uma fábrica de fios e depois na confecção artesanal de roupas. O ensino dessas técnicas a levou a aprofundar a pesquisa teórica sobre o têxtil e, daí, a adotar a tapeçaria como linguagem. Dessa formação permanece o corpo como medida, de modo que a figura humana segue organizando seu imaginário mesmo após a migração para as artes visuais.
A exposição nasceu de uma visita da curadora ao ateliê da artista, onde se encontrava sua primeira escultura. A conversa em torno do volume e da forma arredondada daquela peça resultou na proposta que orienta a mostra: pensar a redução.
Curadora e artista compartilham também um passado na moda, campo que, para Lauriano, se apresenta como espaço de expressão da individualidade ao mesmo tempo em que carrega valores opressivos, evidentes para quem está fora do “padrão”. A moda funciona, assim, como porta de entrada para uma pesquisa poética que alcança a vigilância do corpo em escala social mais ampla.
Entre as séries que integram a exposição, destaca-se o conjunto de quatro esculturas de tapeçaria sobre pedestais. De formas abstratas que guardam a observação do corpo, as peças diminuem em gradação, e a redução se faz parte por parte, com cada segmento da estrutura tratado como um membro que perde circunferência. O procedimento vem da modelagem de vestuário, em que graduar tamanhos é rotina. Sobre os pedestais, as esculturas ultrapassam a escala humana e convocam a estatuária greco-romana, referência de monumentalidade afastada do cotidiano. A lã aproxima o que o mármore mantém à distância.
A lógica da série surgiu do próprio fazer, já que cada peça toma como referência a anterior, sequência que a artista associou às fotografias de emagrecimento que circulam nas redes sociais.
“Durante a confecção de cada escultura, minha referência é sempre a forma anterior. Isso me remeteu às imagens de antes e depois que acompanham os processos de emagrecimento, em que uma fotografia é colocada ao lado da outra”, diz Jessica Costa.
Nas três tapeçarias emolduradas, a moldura reaparece como figura da contenção. Se na série Sobejos a tapeçaria já escapava pelas laterais do retângulo, aqui o avanço se torna tridimensional e se projeta para fora do plano. As obras partilham a mesma composição cromática, enquanto o desenho varia em ganho e perda de volume.
Voluptuosa encerra o percurso com quatro esculturas de parede que nascem de um quadrado e crescem para fora dele. O ponto de partida é a lingerie, peça do vestuário que dá contorno ao corpo. A artista trabalhou com espuma expansiva e pressionou o material, ainda maleável, com tiras de sutiã, de modo que a forma escapasse pelos intervalos das marcações.
Reunidas, as obras tratam da vigilância da forma num momento em que o debate público sobre o corpo feminino passa pelos medicamentos para emagrecer e pelo uso que a sociedade faz desse recurso. A exposição desloca o assunto para o campo estético, onde a forma é percebida antes de ser julgada, e a tapeçaria responde a ele com volume e demora.
“Esta exposição trata da forma que ocupa o espaço e de como ela é percebida no campo estético. Desloco uma questão profunda, a vigilância dos corpos, para a minha linguagem e faço essa reflexão por meio da tapeçaria”, afirma a artista.
Essa demora tem medida concreta no ateliê. Cada obra soma cerca de doze etapas manuais, das quais a tapeçaria é a última e a única que chega ao olhar do público. O que se vê é a superfície de um processo longo, que dá ao volume o tempo de se formar. Na leitura da curadoria, é desse modo que o conjunto procura saídas para as “armadilhas do padrão”, ao conceder à forma o espaço que a norma lhe recusa.
Serviço
Exposição | Aquilo que não cabe
De 08 de outubro a 18 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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O Museu do Ipiranga apresenta a exposição inédita Liberdade: bairro plural. A mostra propõe um novo olhar sobre um dos bairros mais conhecidos de São Paulo e convida o público
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O Museu do Ipiranga apresenta a exposição inédita Liberdade: bairro plural. A mostra propõe um novo olhar sobre um dos bairros mais conhecidos de São Paulo e convida o público a refletir sobre O que é um bairro? O que é um bairro étnico? E o que torna um bairro plural?
Ao longo de mais de dois séculos, a região foi ocupada e transformada por diferentes grupos sociais e étnicos, tornando-se um território marcado por encontros, trocas culturais, permanências, deslocamentos e disputas de memória.
Com curadoria dos historiadores Paulo Garcez Marins, Mônica Raisa Schpun, Aline Montenegro Magalhães, Francisco Andrade e David Ribeiro, a exposição está organizada em três módulos e apresenta a Liberdade como um território em constante transformação.
Durante a visita mediada, o público é convidado a percorrer a exposição com educadores do Museu, aprofundando temas, contextos históricos e questões apresentadas pela mostra.
Serviço
Exposição | Liberdade: bairro plural
De 7 de julho a 31 de janeiro
Terça a domingo, das 10h às 17h
Duração: 1 hora
Período
Local
Museu do Ipiranga
R. dos Patriotas, 100 - IpirangaSão Paulo - SP
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra grandiosa que atravessa gerações e ocupa um lugar singular na cultura do país.
Idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), a exposição chega ao Museu das Favelas em sua primeira itinerância, reunindo mais de 650 itens do acervo pessoal de Alcione — entre fotografias raras, vídeos, prêmios, figurinos e objetos marcantes. Com Amor, Alcione convida o público a percorrer momentos da trajetória artística e biográfica da cantora, percorrendo temas como família, fé, carnaval, migração e identidades negra e nordestina, evidenciando como a trajetória de Alcione dialoga com experiências coletivas e processos históricos que constituem a cultura brasileira.
Serviço
Exposição | Com Amor, Alcione
De 10 de julho a 06 de dezembro
Terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h
Período
Local
Museu das Favelas
Largo Páteo do Colégio, 148 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP
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Exposição “Entre o Instante e a Eternidade” reúne alguns trabalhos do artista que ninguém nunca viu. A segunda exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos será aberta no Museu Histórico
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Exposição “Entre o Instante e a Eternidade” reúne alguns trabalhos do artista que ninguém nunca viu.
A segunda exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos será aberta no Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis. Com curadoria de Luciana Paulo Corrêa e Monique Fonseca, “Entre o Instante e a Eternidade” vai reunir algumas obras do artista que nunca foram expostas ao público. A abertura será às 10h30, e a entrada é gratuita.
Realizadas em suportes como tela, papel kraft e plástico, as 18 obras pictóricas pertencentes ao acervo da Fundação Hassis evidenciam a diversidade de materiais explorados pelo artista. As pinturas revelam diferentes momentos da produção de Hassis e ampliam as possibilidades de leitura da obra.
Segundo a curadora Monique Fonseca, cerca de 80% das obras nunca foram exibidas antes e são resultado de pesquisa aprofundada no acervo da Fundação. “O processo de seleção das obras envolveu uma ampla pesquisa com o propósito de revelar trabalhos pouco conhecidos e oferecer novas leituras sobre a produção do artista. Esta é uma oportunidade singular de conhecer facetas ainda pouco exploradas de Hassis”, compartilha.
Embora marcada pelo ineditismo, a exposição também contempla temas emblemáticos da trajetória do artista. Entre eles, obras dedicadas a Florianópolis e à sua paisagem, como “Vento Sul e Chuva”, pintada em 1957 e considerada uma obra símbolo. Também estão presentes séries que abordam Carnaval, religiosidade e outros temas recorrentes.
Ao propor o título “Entre o Instante e a Eternidade”, a curadoria reconhece o lugar singular que Hassis ocupa: uma obra que não pertence apenas ao passado, mas que continua a alcançar o presente com a mesma força. Para Monique Fonseca, a expectativa é que o público se surpreenda ao visitar a mostra. “A exposição não foi concebida como retrospectiva, mas como experiência que mostra a atualidade de Hassis. E se ao final da visita o público sentir que esteve diante de um artista cuja obra permanece viva, capaz de emocionar, provocar e encantar cem anos depois de seu nascimento, teremos alcançado nosso principal objetivo”, afirma.
Essa não será a primeira vez que obras de Hassis serão apresentadas no Museu Histórico de Santa Catarina. O artista já participou de duas individuais no local, em 1990, com “Contestado – Terra Contestada”, e em 1991, com “Farra do Boi”.
Serviço
Exposição | Entre o Instante e a Eternidade
De 25 de julho a 28 de março de 2027
Terça a sexta, das 10h às 18h, e aos sábados e domingos, das 10h às 17h
Período
Local
Museu Histórico de Santa Catarina
Palácio Cruz e Sousa - Praça XV de Novembro, 227 - Centro, Florianópolis - SC
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Florianópolis recebe uma mostra totalmente interativa pensada para aproximar o público do universo poético de Hassis. “Hassis Brincante“, exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos e celebra o centenário
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Florianópolis recebe uma mostra totalmente interativa pensada para aproximar o público do universo poético de Hassis. “Hassis Brincante“, exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos e celebra o centenário do artista, abre para visitação na Fundação Hassis, localizada no bairro Itaguaçu, região continental da Capital de SC. A entrada é gratuita.
Idealizada pela curadora Monique Fonseca, a exposição propõe um percurso sensorial que convida visitantes de todas as idades a experimentar, imaginar e criar. Segundo ela, a proposta nasceu do desejo de transformar a relação do público com a obra do artista por meio de uma experiência que refletisse o próprio universo de Hassis. “Em vez de uma exposição apenas contemplativa, propus um percurso que pudesse ser vivido com o corpo, a imaginação e a curiosidade”, compartilha.
A partir dessa perspectiva, a curadora definiu núcleos temáticos que atravessam a produção do artista: o mar, o circo, os heróis, as brincadeiras, os mistérios do cotidiano e “A Porta”, obra permanente da Fundação Hassis. Esses temas se tornaram o ponto de partida para a criação de sete estações interativas, concebidas como interpretações sensíveis do universo de Hassis.
“Mais do que observar referências à obra de Hassis, o visitante é convidado a explorar, brincar, imaginar e criar. A exposição propõe uma relação ativa com o universo do artista, transformando a visita em uma experiência de descoberta, participação e construção de novas memórias”, explica a curadora que começou a concepção da mostra há mais de um ano, durante o planejamento das celebrações do centenário de Hassis.
Entre as obras que dialogam com os núcleos da mostra estão “O Pescador” (1988), “A Porta” (1967), a Série “O Circo” (1989), a Série “HQ” (1988) e a coletânea “Hassis Mar”, que inspiram as estações da exposição.
Interatividade e sustentabilidade
A escolha dos materiais também reforça o caráter educativo e sustentável da mostra. Todas as instalações foram confeccionadas em papelão, além de adesivos, peças magnéticas e suportes interativos. “O papelão foi escolhido por sua versatilidade e por reforçar o compromisso da mostra com a sustentabilidade. É um material que desperta a criatividade e demonstra que experiências artísticas significativas podem nascer da simplicidade”, destaca a curadora.
Para Monique, os suportes da mostra fazem parte da narrativa curatorial. Pois, ao utilizar materiais recicláveis e elementos interativos, a exposição convida cada visitante a assumir uma postura ativa, explorando, imaginando e criando. Essa escolha também dialoga com o título da exposição, “Hassis Brincante”. “O termo ‘brincante’, sintetiza a relação de Hassis com o circo, as brincadeiras de rua, o cotidiano da cidade e os personagens que povoam sua obra”, completa a curadora.
Serviço
Exposição | Hassis Brincante
De 25 de julho a 30 de janeiro de 2027
Segunda a sexta das 13h30 às 17h30 e aos sábados das 10h às 15h
Período
Local
Fundação Hassis
Luiz da Costa Freysleben, 87 - Itaguaçu, Florianópolis - SC
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá uma exposição à altura de sua trajetória: ‘O Brasil de Tarsila’ inaugura, em agosto, um novo espaço expositivo em São Paulo, o Nubank Arte Lab, o maior e mais moderno local de exposições e experiências imersivas do Brasil, com uma estrutura altamente tecnológica, sensorial e interativa.
Localizado no Conjunto Nacional, o empreendimento foi concebido pela Aventura — sob a liderança dos co-CEOs Aniela Jordan, Luiz Calainho e Giulia Jordan — e pela Deeplab Project, de Felipe Reif, com o Nubank, que assume o naming rights do espaço, com inauguração prevista para 15 de agosto.
Já ‘O Brasil de Tarsila‘ é apresentado pelo Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio master da EMS, apoio da Alelo, IRB(Re) e BNY. O projeto é uma realização da Tarsila S.A., liderada por Paola do Amaral Montenegro, e a Live Idea, de João Giani, em coprodução com a Deeplab e a Aventura.
Sobre a exposição
Ao longo de mais de dez salas, o universo visual de Tarsila será revisitado por meio de projeções monumentais de 360 graus, cenografia imersiva, trilha sonora e dispositivos interativos com direito a efeitos especiais e até aromas que vão guiar o visitante em uma jornada sensorial de grande escala por cerca de 40 obras da artista, entre pinturas icônicas, desenhos, esboços e ilustrações.
Mais do que contemplar suas obras, o público será convidado a interagir, explorar e mergulhar em ambientes que revelam suas referências, sua trajetória e o contexto artístico que marcou sua produção.
A proposta dialoga com uma linguagem contemporânea já consagrada internacionalmente por exposições imersivas dedicadas a artistas como Monet e Van Gogh, que transformaram a interação entre o público e as artes visuais. Agora, é a vez de uma artista brasileira ocupar esse espaço.
Todo o conteúdo audiovisual da mostra foi desenvolvido por artistas visuais e não por inteligência artificial, garantindo consistência estética e respeito às obras originais. A proposta é utilizar a tecnologia como meio de ampliação da experiência artística, e não como substituição da criação.
‘O Brasil de Tarsila’ busca aproximar novos públicos da arte e formar futuros visitantes de museus e apreciadores das artes visuais. A exposição foi concebida para receber famílias, despertar a curiosidade de crianças e jovens e abrir portas para pessoas que talvez nunca tenham tido contato direto com a obra de Tarsila.
A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro e Juliana Miraldi. Paola, gestora da Tarsila do Amaral S.A., atuou diretamente na construção dos enquadramentos narrativos da exposição, assegurando fidelidade à trajetória e ao legado da artista. Já Juliana Miraldi, pesquisadora e curadora de exposições imersivas, estrutura a dimensão conceitual da mostra ao integrar pesquisa acadêmica em artes visuais com as linguagens contemporâneas da arte digital.
A mostra reunirá releituras imersivas de trabalhos emblemáticos como Abaporu, Antropofagia, A Cuca, Operários e O Sono, além de outras obras importantes como São Paulo, Religiões Brasileiras, Figura só e Autorretrato (Le Manteau Rouge). Também integram o percurso desenhos e registros de viagens realizados pela artista, revelando paisagens e referências que marcaram profundamente sua produção.
‘O Brasil de Tarsila’ realizará um grande mergulho no imaginário da artista, recheado por cores vibrantes, paisagens e personagens brasileiros, convidando o público a atravessar suas formas dentro de uma experiência sensorial que conecta Arte e Tecnologia.
Serviço
Exposição | O Brasil de Tarsila
De 15 de agosto a 15 de fevereiro
Quarta a segunda e feriados, das 10h às 22h
Ingressos
De sexta a domingo e feriados – Inteira: R$ 100,00 | Meia-entrada: R$ 50,00
Segundas, quarta e quintas – Inteira: R$ 80,00 | Meia-entrada: R$ 40,00
Período
Local
Nubank Arte Lab
Conjunto Nacional, Avenida Paulista 2.073 – São Paulo, SP
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Cantaria, primeira exposição individual de Daniel Jorge em São Paulo. Ocupando o galpão da Barra Funda, a mostra
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Cantaria, primeira exposição individual de Daniel Jorge em São Paulo. Ocupando o galpão da Barra Funda, a mostra reúne obras inéditas entre esculturas, relevos de parede, instalação e performance, e é acompanhada por um ensaio inédito docurador e pesquisador Carlos Quijon Jr.
O título da exposição nomeia o ofício do canteiro, o saber técnico da pedra talhada, que o artista aprendeu. A palavra guarda também o canto, som de ritual e de trabalho que acompanha quem talha. É desse cruzamento entre mão e voz, precisão e improviso, que a prática de Jorge se forma. Nas obras, a matéria não chega sozinha, mas acompanhada do trabalho, das trocas e das histórias que a trouxeram até ali.
Nascido em Recreio, no interior de Minas Gerais, criado na Curumau, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e radicado em Salvador, Jorge trabalha com o que essas três geografias lhe deram. A pedra-sabão, rocha densa e macia que serviu ao Barroco mineiro, chega ao ateliê por relações de trocacom trabalhadores e pequenas comunidades de Minas Gerais. “Cada pedra carrega uma cadeia de corpos dentro da obra”, diz o artista.
Para Jorge a obra se dá em, “testar até onde a matéria pode ir, e deixá-la responder”.A resposta está, por exemplo, no processo de pigmentação que o artista desenvolveu. O carvão, produzido no ateliê a partir de madeiras coletadas na cidade e ali queimadas, é veículo e reagente ao mesmo tempo; o pigmento azul é feito de resíduo gráfico adquirido em trocas com as gráficas da cidade. Misturado ao carvão e depositado sobre a pedra-sabão, o azul torna aparentes os quartzitos que a atravessam, e a superfície ganha pontos brilhantes que nenhum gesto poderia planejar. O piche, emulsão asfáltica que pavimenta as estradas e impermeabiliza as lajes das casas da periferia, entra como camada de negro profundo que pigmenta e adiciona uma fina camada de pele sobre a pedra.
O ferro coletado pelo artista ora carrega um processo natural de oxidação, ora é oxidado com sal, água e vinagre, técnica que pessoas escravizadas em fuga usavam para escurecer as ferramentas e camuflá-las na mata durante as travessias para os quilombos. Incrustadas na pedra entalhada, aspontas de ferro se erguem como torres, lanças, pregos. Não são ornamento: guardam a memória dafuga e organizam o trabalho, naquilo que o artista chama de “vingança simbólica”, exercida no gesto.
Sobre a pedra, Jorge realiza o gesto da escarificação: talhos, incisões, arranhões. Sua pesquisa reúneos muitos sentidos desse gesto, da marca corporal que, entre povos como Mursi, Iorubá e Nuba, inscreve pertencimento na pele, à quebra da casca da semente para que ela germine, até a incisão médica que vacina e cura. Nas superfícies escultóricas, o motivo reaparece em campos de perfurações, sulcos ordenados e protuberâncias. É o que conduz o artista ao quelóide, a pele que insiste em retornar ao seu plano original: a matéria que até então era subtraída passa a seraglutinada, criando pequenos relevos antropomórficos em algumas das peças.
Na exposição, as obras pendem do teto, encostam na parede, pousam direto no chão. Em Balanced Manumission (2024), esferas de pedra e correntes de ferro não estão presas a nada: apenas se equilibram, o peso de uma segurando o da outra. Em Boiar é entregar o peso à correnteza (2026), um bloco de pedra-sabão atravessado por grandes orifícios repousa no chão, circundado por uma corrente que carrega na ponta um cavalo marinho; o título ensina o gesto: boiar não é esforço, é entrega. E em Orifício (2024), uma pedra cinza e escarificada se incrusta numa parede em U que organiza o percurso da primeira sala: é como se a obra se tornasse um hospedeiro na parede do espaço, nos confundindo em torno da equação da matéria que se perde entre adição e subtração atornando parte. O movimento se repete em diversos trabalhos da mostra: o artista borra o caminhoque nos permitiria dizer se a forma resulta de uma subtração ou de uma adição de matéria.
A mostra culmina na instalação-performanceCondição de Assentamento(2026), em que quarenta enove pedras-sabão se distribuem pelo chão, ocupando uma sala inteira da galeria. Realizada antes daabertura da exposição, a performance faz do próprio trabalho do artista um modo de ocupar oespaço: Jorge divide as pedras com cunhas, pigmenta-as com carvão, piche e resíduo gráfico azul,escarifica-as. Encerrado o gesto, o artista se retira, e as pedras permanecem como constelaçãodurante todo o período expositivo.
Para o artista, “o direito à subjetividade, ao deslocamento, à abstração, à ambiguidade, direitos sistematicamente cooptados de certos corpos no Brasil, são reivindicados aqui como infraestrutura material da obra, não como pauta”. O que se revela em Cantaria é uma prática sustentada por mais-velhos, trabalhadores e amizades, ou, nas palavras de Quijon, “uma ecologia que prospera em chão irregular”.
Serviço
Exposição | Cantaria
De 22 de agosto a 6 de novembro
Terça a sexta, das 11h às 19h; sábado, das das 10h às 17h
Período
Local
Mendes Wood DM
Rua Barra Funda, 216, São Paulo – SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a exposição reúne 187 trabalhos de 148 artistas provenientes de 20 países. A mostra analisa como colonização, migração, movimentos de resistência e projetos de nação contribuíram para a criação de diferentes narrativas sobre a América Latina.
Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, obras do período pré-colonial ao contemporâneo dialogam a partir de problemas compartilhados, como a colonização, o extrativismo, os projetos de progresso, as formas de organização coletiva, as migrações, as diásporas e as aspirações de futuro. Pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, instalações, têxteis e vídeos revelam o uso de imaginários e símbolos para inventar, governar e disputar a região ao longo do tempo.
“A América Latina está interligada por múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense. Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas e ritmos complexos que respondem a muitos intercâmbios. A região é uma zona de conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, diz Amanda Carneiro.
A exposição está organizada em cinco núcleos: O mundo ao revés, Retórica do progresso, Sociedades americanas, Estamos em salsa e A queda do céu.
O mundo ao revés parte do conceito andino pachakuti, que nomeia uma inversão radical da ordem do mundo. Para inúmeros povos indígenas, a invasão europeia das Américas produziu uma ruptura dessa natureza, alterando relações com o território, o tempo e o conhecimento. O conjunto de obras reflete como a colonização inventou um mito de paraíso tropical repleto de riquezas naturais que estaria à disposição para ser explorado pela Europa, e a versão latino-americana do Barroco.
Já Retórica do progresso examina como projetos de urbanização e industrialização moldaram uma narrativa latino-americana do século 20, revelando promessas e contradições. A cidade, a fábrica, a rodovia, a arquitetura e o planejamento urbano despontam como uma vitrine de uma modernidade anunciada, mas também como instrumentos de controle, desigualdade e devastação ambiental. A expografia permite que uma das janelas do Edifício Pietro Maria Bardi revele a vista da Avenida Paulista, estabelecendo um diálogo entre a capital paulista e a exposição. Nesse núcleo, a obra comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da artista mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa parte do piso do espaço expositivo. A instalação reproduz em grande escala um dos primeiros mapas europeus feitos de Tenochtitlan — então capital do Império Asteca e atual Cidade do México. Deball evidencia como a cartografia colaborou para classificar, administrar e dominar o território indígena. A mostra apresenta ainda outras obras comissionadas de JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado.
Em Sociedades americanas, a exposição olha para formas de organização comunitárias, como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares, que pensam a construção de alternativas concretas às promessas não cumpridas do desenvolvimento.
Estamos em salsa faz referência à canção homônima lançada em 1978 pelo músico nova-iorquino de origem porto-riquenha Wayne Gorbea. Formada por matrizes afro-caribenhas, o estilo musical surge do encontro entre migrantes, gravadoras, bailes e comunidades latinas, consolidando-se em Nova York. Obras como Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, abordam as relações entre dependência econômica e repertório cultural por meio de produtos como Coca-Cola, petróleo, banana, dendê, milho e taco. Meireles grava mensagens políticas sobre garrafas retornáveis e as devolve às prateleiras, infiltrando sua crítica na logística do varejo. Caro, por sua vez, subverte a logomarca do refrigerante, forçando a identidade de seu país a se moldar aos signos de uma mercadoria global.
O último núcleo, A queda do céu, é nomeado em referência ao livro escrito por Davi Kopenawa e Bruce Albert. No livro, publicado em 2010, os autores revelam como a destruição da floresta amazônica pela invasão garimpeira desencadeia uma catástrofe que ultrapassa a noção de crise ambiental e nomeia o colapso concreto das relações que mantêm a vida de pé. O núcleo articula o sonho e o mito, compreendidos como formas de conhecimento alternativas às utopias de progresso. A coexistência e a sobreposição de territórios e linhas do tempo também orientaram a expografia da mostra. O público pode seguir a sequência proposta para percorrer a exposição ou pode estabelecer seus próprios caminhos, criando associações e leituras diversas. A pintura Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio Oiticica, foi uma referência para painéis, blocos de cores e cortes diagonais que evitam uma separação rígida entre as seções, favorecendo a continuidade e o diálogo entre diferentes trabalhos.
Histórias latino-americanas é o tema do ciclo curatorial de 2026. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.
A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).
Acessibilidade
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail [email protected], além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
Catálogo
Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial e textos de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro e Julieta González.
Loja MASP
Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.
Realização
Histórias latino-americanas é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio master de Nubank e patrocínio Vivo.
Serviço
Exposição | Histórias latino-americanas
De 4 de setembro até 31 de janeiro
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Período
Local
Edifício Pietro Maria Bardi - MASP
Av. Paulista, 1500 - Bela Vista, São Paulo - SP
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A Sala de Vídeo do edifício Pina Luz exibe a videoinstalação Urubu (2021), de Luiz Roque (Cachoeira do Sul, 1979). Durante a
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A Sala de Vídeo do edifício Pina Luz exibe a videoinstalação Urubu (2021), de Luiz Roque (Cachoeira do Sul, 1979).
Durante a pandemia do Covid-19, a cidade ficou silenciosa e muito mais vazia do que de costume. De dentro das casas, as pessoas experienciaram o confinamento e as incertezas diante de uma doença que tirou tantas vidas. Enquanto isso, um urubu voa por entre os prédios, carregando metáforas de liberdade e de morte, na videoinstalação.
Da janela do seu apartamento, no centro de São Paulo, Luiz Roque captura o filme em Super 8 e sem som. A câmera acompanha o movimento da ave, enquanto o tempo parece suspenso. Feita quase sem cortes, a edição reforça a ideia de um ciclo de vida e morte que não se conclui. O silêncio que atravessa o filme não é apenas a ausência de som, mas dita a atmosfera do tempo, anunciando a transformação de um mundo. Diante das janelas fechadas e da cidade esvaziada, o silêncio perguntar: o que resta? Será que ainda há vida lá fora?
Assim, na figura do urubu, Roque ressignifica o imaginário da morte. O que antes anunciava o fim torna-se símbolo da metamorfose, que faz emergir, para além do agouro, a própria condição da vida.
Serviço
Exposição | Urubu
De 5 de setembro a 31 de janeiro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900–1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos
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A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900–1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos artistas mais inquietantes do modernismo brasileiro.
Nery apropriou-se de linguagens como a ilustração, o cubismo e o surrealismo, alterando-as a partir de suas próprias inquietações. Em pinturas, desenhos e poemas, o corpo tornou-se o lugar onde ele investigou a instabilidade da identidade, a fusão entre os gêneros, a corrupção da matéria e o desejo religioso de superar os limites do espaço e do tempo.
A mostra reúne cerca de 230 obras, entre desenhos, pinturas, retratos, autorretratos e composições com figuras humanas sensuais, muitas vezes andróginas, algumas ameaçadoras, que operam na fronteira entre o afeto e a violência, o desejo carnal e o trauma da finitude.
Desde sempre compreendido como uma das vozes mais singulares da arte brasileira, Nery tem sua trajetória revista pela Pinacoteca nessa mostra panorâmica que apresenta suas contradições, sua densidade teórica e a radicalidade de suas invenções.
Serviço
Exposição | Ismael Nery: armadilha moderna
De 5 de setembro a 31 de janeiro de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual
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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual Luana Vitra, no Projeto Octógono, espaço central do edifício Pina Luz. Com curadoria de Pollyana Quintella, a mostra exibe uma instalação monumental concebida especialmente para o local.
Em Bandeira Branca, Luana Vitra parte das terras-raras, conjunto de dezessete elementos químicos decisivos para as tecnologias que organizam o mundo contemporâneo, da transição energética às comunicações, para refletir sobre as continuidades entre extrativismo, colonialismo e as formas de vida que deles emergem.
“Aqui, a matéria mineral funciona como registro de processos que costumam se manter invisíveis, nos levando a observar o que sustenta a cadeia produtiva da tecnologia contemporânea. Ao suspender um arco sobre uma bandeira que nunca se rende de fato, a artista parece recusar tanto a solução quanto a derrota; a obra permanece em estado de uma espécie de trégua provisória, como esse presente que habitamos. Afinal, quem controla a matéria, controla o tempo por vir”, analisa Pollyana Quintella, curadora da Pinacoteca.
A obra Bandeira Branca conta com o patrocínio da CHANEL. Desde 2025, Pinacoteca e CHANEL desenvolvem em parceria um programa anual de residência dedicado a capacitar e impulsionar a trajetória criativa de mulheres artistas. A cada ano, a residência seleciona uma artista mulher de destaque — trabalhando em qualquer disciplina ou linguagem —, oferecendo a ela mentoria dedicada por meio dos Art Partners da CHANEL e uma plataforma para aprofundar sua prática.
A residência conta com uma exposição individual dedicada na Pinacoteca, proporcionando visibilidade e suporte fundamentais para as vozes criativas femininas. O projeto estreou no ano passado com a artista Juliana dos Santos (1987, São Paulo), que expôs Temporã na Pina Contemporânea.
Nascida em um estado atravessado por séculos de economias mineradoras e extrativismo, Vitra se interessa pelas propriedades concretas dos minerais, sua capacidade de conduzir, pesar, proteger, contaminar ou resistir, e pelas histórias que essas matérias condensam. Ferro, cobre e chumbo são, ao mesmo tempo, elementos físicos e signos de processos extrativos, industriais, coloniais e espirituais. Ao mobilizá-los, Luana Vitra aproxima corpo e território, sugerindo que a exposição humana está inscrita em uma matéria mineral mais ampla, feita de memória, violência, energia e transformação.
“Bandeira Branca é uma obra onde penso sobre as guerras que foram travadas no passado, as que estamos vivendo agora e as que ainda estão por vir. Elas são essencialmente materialistas: a matéria é o objeto de desejo, é através das matérias que se conquista, e a matéria é o prêmio do vencedor. Se pensarmos nos conflitos coloniais, foi o domínio da pólvora que nos levou a esse desenho de mundo que temos hoje, ao mesmo tempo é o desejo pelas matérias que desenha os maiores desastres do nosso futuro. Nessa instalação, me relaciono especificamente com as terras-raras, esse conjunto de dezessete elementos que condensa o tempo de tudo que vivemos e nos lança a uma malha de reflexão do por vir. Ter uma bomba-relógio nas mãos é também ter uma máquina do tempo, que pode nos ajudar a imaginar qual a trégua possível para essa luta que a tanto tempo travamos entre nós e contra a terra”, explica Luana Vitra.
Serviço
Exposição | Bandeira Branca
De 05 de setembro a 31 de janeiro
Quarta a segunda, das 10h às 18h
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar
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Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar os limites da representação estética por meio de um exercício radical de imaginação. O partido curatorial examina de que modo a reviravolta epistemológica das últimas décadas — impulsionada pelas demandas por reparação racial e pelas conquistas das políticas afirmativas — reconfigurou a arte brasileira, a ponto de estas não apenas inscreverem os debates raciais no campo da linguagem e da estética, como também serem expressivamente influenciadas e expandidas por eles. Tal formulação destaca a vocação deste Panorama como uma plataforma de pensamento crítico que especula sobre o futuro, ao mesmo tempo em que cria uma experiência histórica de lugar: onde estamos, onde chegamos e para onde queremos ir, além de tudo o que já foi dito, feito, visto, escrito e imaginado
Inspirado no título e questão filosófica formulada por Denise Ferreira da Silva, uma das principais teóricas feministas negras da contemporaneidade, a exposição convida a imaginar “se seria possível lançar mão de uma sensibilidade que presuma e antecipe o que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global”. A partir deste diálogo com a filósofa, Diane Lima desenvolve um projeto que, ao “ler a arte como confronto”, reflete sobre como os artistas têm performado em seus procedimentos poéticos e composicionais, exercícios radicais de imaginação e experimentação, que evidenciam um movimento contínuo e coletivo de liberação. A exposição busca complexificar o regime racial estético e, portanto, a própria definição de arte brasileira: aquilo que sabemos sobre ela, seu passado, nossos modos de olhá-la, descrevê-la e, sobretudo, as práticas artísticas das próximas gerações.
Serviço
Exposição | Depois que Tudo Foi Dito
De 12 de Setembro a 24 de janeiro
Terça a sexta, das 9h às 20h sábado, das 10h às 20h, domingo e feriados, das 10h às 18h
Período
Local
Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM SP)
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Vila Mariana, São Paulo – SP
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A Galeria Marilia Razuk será preenchida com o mais novo trabalho de Carolina Colichio. Intitulada “Cavalinhas e Falésias”, a mostra apresenta peças produzidas em alumínio fundido –
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A Galeria Marilia Razuk será preenchida com o mais novo trabalho de Carolina Colichio. Intitulada “Cavalinhas e Falésias”, a mostra apresenta peças produzidas em alumínio fundido – técnica utilizada pela primeira vez por Colichio – coordenadas com processos que já pautam suas criações como a cerâmica, a porcelana, os esmaltes e o milenar método de pintura, a encáustica. Colichio transita entre escultura, pintura e instalações e tem sua pesquisa artística criada a partir da prática diária de observação e do deslocamento entre a cidade e a natureza, investigando as conexões sutis entre o ambiente urbano e o tempo profundo do planeta.
Em “Cavalinhas e Falésias”, com texto crítico de Pollyana Quintela, as superfícies porosas e crateradas das obras feitas em alumínio fundido, remetem tanto à erosão das rochas quanto a formação de corais, como explica Pollyana: “as peças funcionam como pequenas topografias autônomas, capazes de evocar ao mesmo tempo um fragmento de falésia, um recorte de placa tectônica, a marca de um impacto ou até um destroço lunar, sem origem certa, como se tivessem pousado ali vindas de outro tempo ou de outro lugar.”
A cavalinha, uma das plantas mais antigas do planeta, remonta ao período Carbonífero, há mais de trezentos milhões de anos e ainda possui o mesmo aspecto escultural e minimalista, lembrando um pequeno bambu ou até mesmo um aspargo. Colichio exibe essa planta ao lado de seus brotos reais, transformando a própria peça em um lugar onde uma espécie ancestral cresce sobre um solo que já é, ele mesmo, ficção geológica. Em outros cenários na mostra, reconhecidas conchas, remetem a rochas; hastes de porcelana se aglomeram no teto e descem em cachos até se desfazerem nas pontas em finas gavinhas de metal; folhas são fósseis e brotos de samambaia se confundem com criaturas marinhas.
Assim é o trabalho de Carolina Colichio: uma viagem no tempo, mas não apenas no tempo já reconhecido e historiado da civilização humana, mas em um tempo antes, das primeiras formas de vida marinha, organismos moles e sem esqueleto que precedem em centenas de milhões de anos qualquer concha ou vértebra. “A produção de Carolina Colichio se instala exatamente na dobra em que o efêmero e o geológico se tocam, e onde, por um instante, o visitante pode sentir sob os pés o peso de um tempo maior, que não é o seu, mas que o constitui”, finaliza Pollyana Quintela.
Serviço
Exposição | Cavalinhas e Falésias
De 12 de setembro a 3 de novembro
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Galeria Marilia Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 62 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A Galeria Marilia Razuk apresenta “Longitudes” da artista colombiana Johanna Calle. Acerca do título da exposição, “longitude remete tanto a um termo geográfico quanto a um cartográfico e envolve um sistema de
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A Galeria Marilia Razuk apresenta “Longitudes” da artista colombiana Johanna Calle. Acerca do título da exposição, “longitude remete tanto a um termo geográfico quanto a um cartográfico e envolve um sistema de medição que utiliza graus ou minutos, respectivamente, para determinar uma localização”, conta a artista. Entre muitos outros, os sistemas empregados para medições geográficas variam de varas, pés, milhas, milhas náuticas e léguas até passos ou quilômetros. A capacidade de localizar e delimitar uma área tornou possível definir territórios, fronteiras, países, cidades e propriedades privadas. Em última análise, o conceito de longitudes — enquanto projeto de pesquisa estética — aborda a necessidade urgente de saber onde estamos situados ou localizados.
“Antes de o sistema métrico ser adotado na Europa Central, em 1872, as distâncias eram medidas em Schritte (passos) e Klafter (braças)”, explica Johanna. A confluência dos métodos de medições deu origem à essa mostra em que a artista traz dezenas de obras que compõem três conjuntos criados entre 2024 e 2026 São eles: Enclaves (2024–2026), Grafías (2025) e Bratislava (2026). Neste último, os desenhos são executados com tinta sobre papel milimetrado da década de 1970. Segundo Johanna, “o papel foi adquirido na cidade outrora conhecida como Prešporok — um lugar onde as denominações históricas Pressburg e Pozsony permanecem oficialmente reconhecidas até hoje. Nomes, fronteiras e a ideologia das pessoas mudaram, mas o ato de medir, não.”
Serviço
Exposição | Longitudes
De 12 de setembro a 12 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Galeria Marilia Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 62 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual no quinto andar da Fábrica Bhering. Com
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Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, “Entre a favela, o inferno e o céu” apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma instalação inédita.
A mostra é parte de um projeto mais amplo de Lopes, contemplado com uma bolsa de dois anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais de diferentes favelas e complexos, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e desenvolvidas a partir desses territórios. Além da exposição, o projeto contempla a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento, e passa a se chamar Estúdio Maré.
Percurso de ‘Entre a favela, o inferno e o céu’
Treze fotografias digitais de 150 x 100cm cada, impressas sobre tecido e suspensas por cabos de aço, formam a instalação inédita “Círculo de fogo” (2026). A sobreposição de imagens dos alunos do Núcleo de Formação em Dança do Centro de Arte da Maré faz alusão ao espectro das cores do fogo. O trabalho ocupa o espaço central da galeria e cria um caminho visual a ser percorrido pelos visitantes. “Gosto de brincar com o fogo e da conexão entre a luz do fogo e a fotografia”, conta o artista.
Outro destaque da exposição é a fotografia panorâmica “Dois de janeiro” (2018), de 36 x 110cm, que registra um arco-íris duplo. Captada em 2 de janeiro, em dois anos consecutivos, a imagem cria uma conexão afetiva, porém efêmera, entre duas comunidades cujo controle territorial está nas mãos de grupos rivais. É uma nova forma de se construir narrativas sobre os territórios, para além da violência e das desigualdades sociais.
Em preto e branco, a fotografia digital “Nas águas desta baía há muito tempo” (2024), o artista toma emprestado o título de um livro de Nei Lopes para mostrar a área do antigo Pier Maria Angu, na Favela da Kelson. Antigamente próspero, o espaço segue como uma área de pesca e lazer, apesar da poluição das águas e dos sinais de degradação do espaço. A obra também evidencia como questões sociais e territoriais interferem no acesso à cidade e aos espaços de lazer.
Outra imagem em preto e branco que fala de memória e história é “Itaparica e Vera Cruz” (2022), de 400 x 60 cm, que registra o trajeto que cruza a Baía de Todos-os-Santos, principal palco da Batalha de Itaparica (1823), marco das lutas pela Independência da Bahia e do Brasil. O trabalho amplia a pesquisa do artista para além do território carioca.
Já a fotografia “Beleza extraordinária” (2021) registra uma rua antes movimentada, agora deserta, com lixo acumulado. Lopes destaca texturas e contrastes, a partir de elementos cotidianos como aves, nuvens, luz, asfalto e resíduos.
Em “Tudo que habita é luz” (2025), um tríptico de 150 x 250 cm cada, Lopes reúne paisagens de diferentes favelas em uma composição vertical. A sobreposição e a disposição das imagens fazem referência à própria verticalização das comunidades, ao mesmo tempo fragmentada e conectada. Na imagem central, um menino carrega o bastão do Reisado do Maracatu, introduzindo na composição uma dimensão ligada à cultura popular, à tradição e à continuidade de saberes.
“Yaya” (2016) é uma fotografia que faz parte do conjunto de registros que Lopes fez durante anos no Ceasa, a central de abastecimento do Rio de Janeiro. São caixotes de plástico para peixe, nas cores azul e laranja têm a palavra Yaya, na lateral. O que interessou a Lopes foi a forma de empilhamento, a multiplicidade, o acúmulo de itens. Fotografar a repetição, a aglomeração das coisas com texturas, cores e formas diversas, mas que criam uma unidade escultórica, é um de seus métodos de observação dos gestos cotidianos.
Desde 2014, Douglas Lopes vem construindo sua trajetória de forma independente, buscando inserir sua fotografia em diferentes circuitos de circulação. Em sua pesquisa, ele inverte o olhar da chamada “fotografia antropológica”: com lugar de fala, ele constrói uma narrativa em que os lugares e seus habitantes não aparecem apenas como objetos de observação, mas como protagonistas de suas próprias histórias.
A partir de um olhar atento às contradições da cidade, ele encontra outras narrativas possíveis para lugares frequentemente vistos de fora. A exposição reflete sobre questões sociais e políticas, ao mesmo tempo em que usa a potência da fotografia para imaginar outra vida urbana no Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição | Entre a favela, o inferno e o céu
De 16 de setembro a 18 de fevereiro
Segunda a sábado, 9 às 18h
Período
Local
Fábrica Bhering
R. Orestes, 28 - Santo Cristo, Rio de Janeiro - SP
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São Paulo recebe o Brasinês: Festival Internacional Sino-Brasileiro, evento que propõe um encontro entre a cultura brasileira e a tradição chinesa por meio das artes visuais, da
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São Paulo recebe o Brasinês: Festival Internacional Sino-Brasileiro, evento que propõe um encontro entre a cultura brasileira e a tradição chinesa por meio das artes visuais, da literatura, da gastronomia e de experiências sensoriais. Brasinês é um neologismo formado a partir das palavras “brasileiro” e “chinês”.
Realizado no Ano Cultural Brasil-China, o festival tem como tema central o Cavalo de Fogo, associado a um ciclo de 60 anos na astrologia chinesa e escolhido como símbolo de movimento, transformação, energia e renovação. A proposta é criar uma experiência contemporânea de intercâmbio cultural, aproximando diferentes linguagens, artistas e imaginários dos dois países.
Exposição reúne mais de 100 obras de diferentes períodos e culturas
O principal destaque do festival é a exposição “O Cavalo na Arte Sino-Brasileira”, em cartaz no Museu da Energia de São Paulo, instalado no antigo palacete do barão do café Henrique Dumont, irmão do pai da aviação, Santos Dumont.
Com curadoria de Anna Paola Baptista e Clay D’Paula, a mostra reúne mais de 100 obras, com um recorte que vai da Dinastia Han (206 a.C. a 220 d.C.) às artes visuais contemporâneas, incluindo raridades trazidas às Américas e trabalhos de artistas brasileiros e chineses.
A escolha do espaço, além de contribuir para a revitalização do centro da cidade de São Paulo ao levar arte de alta qualidade para a região, reforça o conceito da mostra: antes da eletricidade, o cavalo era uma das principais forças de movimento utilizadas pelo ser humano, enquanto o fogo representa uma das primeiras formas de energia dominadas pela humanidade. A partir dessa conexão entre força, transformação e energia, a exposição investiga como o cavalo foi representado e interpretado ao longo da história.
Cultura brasileira e chinesa inseridas em diversas formas de arte
O Brasinês também contará com saraus de literatura e encontros de poesia, experiências gastronômicas que aproximam sabores brasileiros e chineses, atividades sensoriais e imersivas e programação para toda a família.
“O Ano Cultural Brasil-China 2026 é uma oportunidade especial para aproximar ainda mais os dois países por meio da cultura, ampliando o conhecimento mútuo e valorizando a diversidade e a criatividade de brasileiros e chineses. Para a CTG Brasil, apoiar uma iniciativa desse porte é uma forma de contribuir para esse intercâmbio e, ao mesmo tempo, reforçar nosso compromisso de longo prazo com o Brasil. Além disso, é especialmente significativo que essa exposição aconteça no Museu da Energia, espaço que conta com o patrocínio da CTG Brasil e que tem justamente o propósito de aproximar as pessoas da cultura, da história e do conhecimento. Receber uma exposição dedicada à arte sino-brasileira em um espaço como esse, cria uma conexão muito simbólica entre Brasil e China e amplia o acesso do público a essa troca cultural”, afirma Ronan Max Prochnow, gerente de Sustentabilidade & ESG da CTG Brasil.
“A Gree tem uma relação construída com o Brasil há mais de duas décadas. Nossa presença aqui não se resume à operação, à fábrica ou aos produtos que oferecemos ao consumidor. Também queremos participar da vida do país, conhecer suas diferentes culturas e construir relações de longo prazo com os brasileiros. O ‘Brasinês’ tem um significado especial justamente porque nos permite aproximar as duas culturas que fazem parte da nossa história”, afirma Bela FuYao, Diretora de Marketing da Gree do Brasil.
“A proposta é transformar o festival em uma experiência cultural ampla, em que o público possa vivenciar diferentes manifestações artísticas e culturais e, ao mesmo tempo, descobrir novas possibilidades de diálogo entre a China e o Brasil”, encerra Clay D’Paula.
A exposição O Cavalo na Arte Sino-Brasileira é apresentada pelo Ministério da Cultura e pela CTG Brasil, com o apoio da Lei Rouanet e do Museu da Energia de São Paulo, além de outros patrocínios diretos.
Serviço
Exposição | Festival Internacional Sino-Brasileiro
De 18 de setembro a 22 de novembro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado, Domingo das 10:00h às 18:00h
Período
Local
Museu da Energia
Alameda Cleveland, 601 - Campos Elíseos, São Paulo - SP
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O IMS Paulista abre a exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, dedicada à trajetória do artista luso-brasileiro Fernando Lemos. O artista integrou o movimento
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O IMS Paulista abre a exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, dedicada à trajetória do artista luso-brasileiro Fernando Lemos. O artista integrou o movimento surrealista português no final dos anos 1940 e, em 1953, emigrou para o Brasil, onde viveu até 2019, ano de sua morte. “O Brasil deu-me tudo que me foi roubado e não me devolveram”, afirmou em entrevista ao jornal português Expresso. Em celebração ao centenário de nascimento de Fernando Lemos, a mostra percorre mais de 70 anos de sua produção e apresenta ao público o arquivo do artista, sob a guarda do IMS desde 2019, somado ao material conservado com a família. São cerca de 400 itens, entre fotografias, desenhos, projetos e documentos — muitos inéditos —, que permitem acompanhar a trajetória de Lemos e a maneira como desdobrou as ideias surrealistas ao longo da vida. “Sempre procurei criar imagens que trouxessem à superfície minha reflexão sobre a desocultação. […] Só me interessei pelo surrealismo porque o sonho era exatamente o único território em que não havia nada oculto. O sonho era para revelar, para despertar, não para esconder. A fotografia é uma desocultação. Toda a nossa ação na arte é desocultamento, ou seja, a procura daquilo que não existe, que está invisível, sob a forma de palimpsesto”, resumiu.
A abertura acontece no dia 19 de setembro, às 10h, e contará com uma conversa com o curador e convidados, além do lançamento do catálogo da exposição.
Com curadoria de Thyago Nogueira, a mostra revê a obra do artista a partir da ideia de “desocultação”, conceito-chave para unir sua produção em fotografia, desenho e poesia. “Lemos pensou a desocultação surrealista como uma forma de acessar os mistérios da alma humana, mas também de driblar a arte burguesa e a repressão portuguesa de Salazar. O estudo de seu arquivo mostrou que, ao longo da vida, ele desdobrou essa ideia numa forma de ética e de prática artística, a fim de dar clareza às linguagens, expondo suas estruturas sintáticas ou aproximando elementos semelhantes e contrastantes a fim de construir novos sentidos”, avalia o curador. “Essa prática uniu sua fotografia, seu desenho e sua poesia de uma forma ainda pouco estudada”, conclui. O título da exposição é uma estrofe do poema “Quanto mais desejo”, de Fernando Lemos, que fez da poesia uma forma de narrar a própria vida. O poema trata da importância do desejo na criação artística e em sua relação com o mundo e é um exemplo legível de como Lemos manipulou elementos simples de cada linguagem em busca de ampliar os sentidos.
Quanto mais desejo
mais invento o que vejo
Quanto mais vejo
mais invento o que desejo
Quanto mais invento
mais desejo o que vejo.
Lemos fez da arte uma prática cotidiana, trabalhando dia e noite em projetos independentes e comissionados. “Recolhia objetos na rua, pintava guardanapos e expunha ideias como quem desenha no espaço. Produziu uma quantidade imensa de desenhos e esboços, que guardou consigo. Apresentar essa dimensão íntima e informal da arte é também um dos desafios deste projeto”, afirma o curador. A expografia da exposição, toda feita em vitrines, foi pensada para expor a variedade de objetos e realçar a diversidade material das obras que integram o acervo
do artista, além de sugerir a ideia de um ateliê de trabalho.
Ao longo da vida, Lemos atravessou duas ditaduras: uma em Portugal, outra no Brasil. O medo da repressão, que o obrigou a fugir de Portugal, fez nascer uma personalidade combativa, que lutava por direitos e se manifestava diante de injustiças. Além do trabalho de ateliê, Lemos integrou organizações de resistência, participou de campanhas políticas e atuou em instituições culturais para ampliar o acesso à arte e à cultura como passos fundamentais no fortalecimento das democracias.
Núcleos expositivos
As mais de 400 obras da exposição estão agrupadas em diferentes núcleos, que se cruzam e se complementam. Em “Desocultações”, estão reunidas as fotografias da juventude de Lemos, realizadas entre 1949 e 1952, ainda em Lisboa. Nesse período, o artista se aproximou do Partido Comunista e do movimento surrealista, integrando um grupo de jovens que promovia ações de oposição ao conservadorismo crescente da arte burguesa e à repressão do Estado Novo, instaurado em 1933.
Desde jovem, Fernando Lemos encontrou no surrealismo francês um campo fértil para sua arte, interessando-se pelas imagens do inconsciente, pela escrita automática e pelos princípios de ocultação e desocultação. Desdobrou essas ideias em dezenas de retratos de múltipla exposição, em preto e branco e médio formato, registrando uma geração de artistas e pensadores que tentavam resistir ao avanço da ditadura portuguesa. “Quando fotografamos uma pessoa, não estamos fotografando uma coisa fixa, uma máscara. Afinal, numa fração de segundo, tudo muda. Mudamos nossa expressão a todo instante, subitamente, várias vezes. Então o retrato deve ser múltiplo para dar mais vida à imagem. Nós não somos uma máscara”, declarou em entrevista à revista ZUM (disponível AQUI).
Exilado no Brasil a partir de 1953, Lemos ainda fotografou as escritoras Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles e os artistas Wyllis de Castro e Hércules Barsotti, mas aos poucos se afastou da fotografia. As imagens surrealistas foram retomadas apenas nos anos 1990, depois de uma grande exposição na Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Lisboa. “Os retratos que fiz tornaram-se uma galeria de figuras importantes que àquela altura não podiam fazer nada. Não era só arte, era uma luta antifascista, antissalazarista, que custou a vida de muitos”, relembrou.
A produção de desenhos é um dos destaques da exposição e aparece em núcleos como “Coreografias”, “Ritmos & melodias” e “Caligrafias”. Ao longo dos anos 1950 e 1960, Lemos se inseriu na cena artística brasileira graças a participações em salões e bienais. Sua atuação se desdobrou em diferentes linguagens, como a pintura, a moda e o design, mas foram o desenho e a poesia que ocuparam lugar central em sua vida.
No núcleo “Coreografias”, destaca-se um conjunto de desenhos que explora o corpo e o retrato. Ao chegar ao Rio de Janeiro, em 1953, Lemos retomou o interesse pela figuração e produziu um conjunto notável, chamado Desenhos inocentes, em que examina a anatomia humana em cenas repletas de humor e sensualidade. “Ritmos & melodias”, também centrado no desenho, reúne trabalhos que se afastam da figuração para construir modulações rítmicas e melódicas a partir de traços e pinceladas. O interesse pela construção modular e sintética também se desdobrou em trabalhos de design gráfico e estamparia, incluindo logotipos, como o do Memorial da América Latina, e tecidos para a Rhodia.
Em “Caligrafias”, Lemos se debruça sobre a fronteira que separa a escrita e o desenho, explorando elementos sígnicos que sugerem alfabetos misteriosos e cifrados. O interesse pela autonomia do desenho deu origem a uma de suas séries mais importantes, conhecida como Memórias (1984). Impressa em chapas de alumínio, a série é uma autobiografia gráfica, que reúne fragmentos do alfabeto visual de Lemos em uma composição com temas militares, orientais, eróticos e musicais.
Em um conjunto conhecido como Desenhos deficientes (s/d), Lemos desmonta o símbolo internacional de deficiência para inseri-lo em ações e atividades. Por trás do exercício despretensioso, surge um estudo crítico e provocador sobre a experiência do cadeirante a partir de sua própria vivência, tratando de sexo e morte, medo e delírio, vigilância e perseguição, sem qualquer dose de moralismo, condescendência ou autocomiseração.
O núcleo “Arte no front” apresenta a atuação política e social do artista. Desde sua chegada ao Brasil, Lemos conciliou a produção individual com uma intensa participação em projetos coletivos.
Nos anos 1950, Lemos trabalhou na exposição do Quarto Centenário de São Paulo (1954) e colaborou com ilustrações em revistas como Manchete e jornais como O Estado de S. Paulo. Em 1956, integrou a equipe do jornal Portugal Democrático, editado por exilados políticos portugueses radicados no Brasil. Lemos produziu caricaturas e charges para a publicação, que foi um órgão fundamental na resistência à ditadura e às ocupações coloniais portuguesas.
A atuação de Lemos também se estendeu à produção editorial e à educação infantil. Com o escritor Sidónio Muralha, fundou a editora Giroflé, que se dedicou à publicação de livros para crianças, elaborados por grandes artistas e escritores, como Cecília Meirelles e Maria Bonomi. Lemos defendia a alfabetização visual das crianças e a produção de material didático que estimulasse o interesse por desenho. O projeto pioneiro contava com apoio de empresários e intelectuais, como Max Feffer, Fanny Abramovich e Darcy Ribeiro, mas foi encerrado em 1964, logo após o golpe militar que instalou a ditadura no Brasil.
O próprio Lemos ilustrou diversos livros infantis, entre eles Sexo e educação é natural, escrito por Sabá Gervásio e destinado a crianças de 4 a 8 anos. O livro foi publicado em 1969, logo após a promulgação do AI-5. A atenção do artista ao universo infantil é destaque da exposição, revelando uma parte menos conhecida de seu trabalho e o interesse em aproximar a arte das novas gerações.
Nos anos 1960, Lemos dirigiu o estúdio de criação Maitiry e codirigiu a fotografia do filme Compasso de espera (1969/1973), de Antunes Filho, marco da luta antirracista. Com o avanço da luta democrática, sua atuação se tornou ainda mais engajada. Em 1978, produziu um cartaz em favor da anistia de presos políticos. Em 1985, juntou-se a artistas na campanha de Fernando Henrique Cardoso para a prefeitura de São Paulo, na primeira eleição municipal direta no período pós-ditadura. Ao lado de artistas e intelectuais, estruturou as pesquisas do Idart e dirigiu o Centro Cultural São Paulo (1983).
Mais tarde, colaborou com a campanha para a sensibilização sobre a aids, promovida pelo Sesc São Paulo (1995); com a exposição 50 anos de Hiroshima, organizada pelo Greenpeace no Sesc Pompeia, para homenagear as vítimas da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos contra o Japão (1995); e, em 1997, criou o slogan “Por amor a ti, Timor amordaçado” para o Movimento 25 de Abril pela Libertação do Timor-Leste, mobilizando políticos, artistas e intelectuais pelo fim da ocupação da Indonésia na ex-colônia portuguesa, entre muitas outras iniciativas.
“A exposição se baseia no arquivo íntimo do artista, o material que estava com ele quando partiu. É uma rara oportunidade de entender a gênese de seu pensamento através do trânsito fértil que une esboços e obras prontas, sem a necessidade de estabelecer fronteiras precisas”, afirma o curador.
A exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo faz parte das comemorações do centenário de nascimento de Fernando Lemos no Brasil e em Portugal, um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o Instituto Moreira Salles.
A exposição conta com assistência curatorial de Laura Sapucaia, pesquisa adicional de Ângelo Manjabosco e Carolina Natividade da Cruz, consultoria do acervo da família por Rosely Nakagawa e depoimentos inéditos de Ana Maria Belluzzo, Chico Homem de Melo, Rui Moreira Leite e Beatrix Overmeer.
Serviço
Exposição | Quanto mais desejo
De 19 de setembro a 7 de fevereiro
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
Detalhes
A Zona Leste de São Paulo ganha um novo espaço dedicado à cultura, à arte e à convivência. Com programação gratuita, o novo equipamento amplia o acesso
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A Zona Leste de São Paulo ganha um novo espaço dedicado à cultura, à arte e à convivência. Com programação gratuita, o novo equipamento amplia o acesso à cultura na região e abre suas portas ao público com a instalação inédita House of avaf (2026), idealizada pelo coletivo artístico assume vivid astro focus (avaf). O projeto tem curadoria de Lia Vissotto e cenografia de Tiago Guimarães.
Inspirada no jogo House of Cards (1952), concebido pelos designers norte-americanos Charles e Ray Eames, a obra de avaf ganha escala ao reunir 63 cartas de baralho expandidas e sobrepostas. O conjunto articula uma retrospectiva visual imersiva e tridimensional, que repassa mais de 20 anos de produção de avaf, cobrindo suportes como pintura, néon, tapeçaria, vídeo, papel de parede e performance.
Na instalação, as cartas abandonam o formato plano e constroem um labirinto sensorial que convida o público à interatividade. A obra utiliza um pantone de mais de 1.400 tonalidades de tinta acrílica, desenvolvido por avaf ao longo de uma década de pesquisa pictórica, resultando em uma paleta vibrante que envolve fisicamente o visitante.
“Vivenciar a organização do conjunto da obra de avaf na disposição em que aqui se apresenta se assemelha a adentrar um labirinto de fantasias, uma experiência onírica resultante de uma estética sexy, viva e pulsante. Não se trata de se achar ou se perder, mas sobretudo de se deixar sentir e celebrar”, comenta Lia Vissotto.
Para Taís Lara, diretora do Centro Cultural, “House of avaf inaugura a programação de Artes Visuais do Centro Cultural SESI Itaquera a partir de uma referência fundamental para a história do design e da arquitetura: a obra de Charles e Ray Eames. Ao trazer esse universo para uma linguagem contemporânea, marcada pela sobreposição de cores, formas, imagens e diferentes referências visuais, avaf propõe um espaço para ser percorrido, vivido e apropriado pelo público. Essa aproximação entre arte, design e vida cotidiana é especialmente significativa para um novo centro cultural que nasce com a proposta de ampliar o acesso à produção artística contemporânea, dialogar com diferentes públicos e estabelecer uma relação próxima com o território”.
A escolha da obra para compor o evento de abertura do Centro Cultural SESI Itaquera marca o compromisso do novo equipamento em aproximar o público da produção contemporânea. avaf atua na investigação de códigos culturais e questões de gênero e política por meio de arranjos de cores e formas, propondo uma experiência de imersão visual no novo espaço da capital paulista.
House of avaf é uma exposição com produção da Phi Projetos e Cinnamon.
Serviço
Instalação | House of avaf
De 19 de setembro a 14 de fevereiro
Terça, quinta, sexta e sábado, das 10h às 19h; quarta e domingo, das 10h às 15h
Período
Local
Centro Cultural SESI Itaquera
Avenida Miguel Ignácio Curi, 2438, na Vila Carmosina - São Paulo - SP
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Carnaval como método investiga os processos criativos que estruturam os desfiles das escolas de samba, trazendo para o espaço expositivo do MAM Rio estratégias próprias do
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Carnaval como método investiga os processos criativos que estruturam os desfiles das escolas de samba, trazendo para o espaço expositivo do MAM Rio estratégias próprias do trabalho dos artistas na concepção e realização do Carnaval.
A mostra é construída a partir do comissionamento de obras inéditas a seis carnavalescos em atividade, convidados a conceber projetos específicos para o Salão Monumental do museu. A eles, soma-se a apresentação de trabalhos históricos que Maria Augusta Rodrigues, Rosa Magalhães e Joãosinho Trinta realizaram para a avenida. Completando o projeto, uma seleção de pinturas de autoria de compositores, sambistas e outros artistas do carnaval e do universo do samba mostra que os processos de criação são múltiplos e cruzam formatos e disciplinas.
As obras transformam o espaço expositivo em um campo de experimentação inspirado nas dinâmicas criativas do Carnaval, ao mesmo tempo que invertem a lógica do desfile: enquanto na avenida a escola percorre o espaço diante dos públicos, no museu, os públicos se movimentam na exposição, construindo sua experiência no deslocamento entre obras e instalações.
Em vez de transpor o desfile para o museu, os artistas adaptam sua linguagem e metodologia para o contexto expositivo, preservando as dinâmicas coletivas caraterísticas da festa. Assim afirmam o carnaval enquanto prática artística e ampliam os modos de pesquisa e reflexão sobre os processos que lhe dão forma.
Carnaval como método retoma relações históricas que o MAM Rio estabeleceu com o carnaval e as escolas de samba, mas dessa vez reconhecendo explicitamente sua centralidade. E assim propõe um questionamento de distinções, categorias e hierarquias historicamente estabelecidas pelos museus e pelos discursos dominantes da história da arte, contribuindo para o reconhecimento dos carnavalescos como protagonistas da produção artística no Brasil.
Serviço
Exposição | Carnaval como método
De 19 de setembro a 21 de fevereiro
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h; aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual
Período
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A exposição Imprudentemente Poéticos chega ao Centro de Arte Popular (CAP), em Belo Horizonte, em versão ampliada, reunindo
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A exposição Imprudentemente Poéticos chega ao Centro de Arte Popular (CAP), em Belo Horizonte, em versão ampliada, reunindo obras de artistas visuais inspiradas na literatura do escritor português Valter Hugo Mãe. Com curadoria de Rui Neuenschwander, a mostra estabelece um diálogo entre literatura e artes visuais, explorando temas recorrentes na escrita do autor, como identidade, pertencimento, infância, memória, morte, amor e exílio. A proposta é traduzir em diferentes linguagens e técnicas as atmosferas melancólicas, oníricas, líricas e, por vezes, brutais que atravessam seus livros.
Realizada originalmente em Gonçalves, na Serra da Mantiqueira, a exposição ganha duas obras inéditas em sua passagem pela capital mineira. Pachamanca apresenta Para a Terceira Margem, Uma Ponte, acrílica sobre tela inspirado em Educação da Tristeza, no qual articula símbolos relacionados à ancestralidade, identidade e afetividade. Já Diego Carneiro participa com Massa Crítica, trabalho em técnica mista sobre tela desenvolvido a partir da leitura de O Século dos Imbecis, livro mais recente do escritor português.
A mostra também destaca a participação de dois artistas radicados em Belo Horizonte. Roberto Alvarenga de Paula Junior, conhecido como Tuscha, apresenta Honra, inspirada em As Doenças do Brasil, e O Perdão é Um Pássaro Que Pousa, criada a partir de Homens Imprudentemente Poéticos. Rogério Blach participa com Chão, obra inspirada em Deus na Escuridão, na qual utiliza a técnica japonesa de cerâmica raku para evocar memórias da infância e referências à paisagem vulcânica da Ilha da Madeira, cenário do romance.
Completam a exposição trabalhos de Alexandra Ward, Cynthia Gavião, Eliana Carvalho, Elias Mota, Jonas Meirelles, Ju Violeta, Manu Maltez, Paulo Otero, Popoke, Revista Comando, Ruzembergue Carvalho, Thais Beltrame e William Mophos. Cada artista escolheu uma obra literária como ponto de partida para sua criação, construindo interpretações que ampliam as possibilidades de leitura do universo de Valter Hugo Mãe.
Ao reunir diferentes gerações, trajetórias e linguagens artísticas, Imprudentemente Poéticos propõe uma experiência de aproximação entre palavra e imagem, na qual a literatura se transforma em matéria para novas narrativas visuais.
Serviço
Exposição | Imprudentemente Poéticos
De 25 de setembro a 22 de novembro
Terça a sexta, das 12h às 18h30, sábados e domingos, das 11h às 17h
Período
Local
Centro de Arte Popular (CAP)
Circuito da Praça da Liberdade, Rua Gonçalves Dias, 1608, bairro de Lourdes/Funcionários, Belo Horizonte - MG
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Casa Triângulo tem o prazer em apresentar Lava-Olhos de Emergência, a nova exposição de Lucas Simões na galeria, com textos de Pollyana Quintella e Ciro Miguel. A
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Casa Triângulo tem o prazer em apresentar Lava-Olhos de Emergência, a nova exposição de Lucas Simões na galeria, com textos de Pollyana Quintella e Ciro Miguel. A mostra reúne esculturas e instalações que exploram a transformação das formas quando elas atravessam diferentes contextos, tempos e repertórios culturais.
Há mais de dez anos, Simões desenvolve uma pesquisa sobre as relações entre matéria, forma e memória. Em seu trabalho, elementos da arquitetura, imagens, objetos e estruturas são deslocados de seus contextos originais e reorganizados a partir das marcas que carregam e das novas associações que passam a estabelecer.
Entre as referências presentes na exposição está uma fotografia de Mário Fontenelle, realizada em 1957 durante a construção de Brasília. O registro do encontro dos eixos Monumental e Rodoviário, ainda sobre a terra batida do Cerrado, inspira uma escultura em que uma estrutura diagonal suspensa atravessa a galeria, alternando entre opacidade e transparência.
A arquitetura moderna brasileira também está presente em Aparelhagem, políptico que parte da silhueta das colunas do Palácio da Alvorada, de Oscar Niemeyer. A forma, que ao longo do tempo passou a integrar diferentes elementos da cultura visual brasileira, é relacionada pelo artista às aparelhagens das festas de tecnobrega do Pará. A obra aproxima, assim, dois universos aparentemente distantes e observa como uma mesma estrutura pode adquirir novos sentidos quando apropriada por diferentes contextos.
Em Luscofusco, Simões trabalha a partir de imagens encontradas em livros de arte e arquitetura. Reproduzidas sucessivamente por meio de escaneamentos, impressões e reduções, elas perdem gradualmente sua definição e tornam-se quase vestígios das referências originais.
O título da exposição faz referência ao equipamento utilizado em laboratórios e oficinas para lavar os olhos em situações de emergência. A expressão também sugere uma maneira de olhar para aquilo que parece conhecido: interromper a familiaridade para perceber novamente. Nesse sentido, as obras de Simões não apenas recuperam formas reconhecíveis, mas investigam o que acontece quando elas são deslocadas, apropriadas e transformadas.
Em Lava-Olhos de Emergência, diferentes tempos e repertórios convivem no espaço da galeria. Arquitetura moderna, cultura popular e mitologias antigas tornam-se pontos de partida para uma reflexão sobre a permanência e a transformação das formas — sobre aquilo que elas carregam de sua origem e sobre tudo aquilo que passam a significar ao longo do caminho.
Serviço
Exposição | Lava-Olhos de Emergência
De 26 de setembro a 07 de novembro
Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h
Período
Local
Casa Triângulo
Rua Estados Unidos, 1324, São Paulo - SP
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A Luisa Strina apresenta nome ar, nova exposição de Jarbas Lopes. Acompanhados de ensaios críticos de Érica Burini e Luiz Villares, os trabalhos inéditos articulam a sensibilidade
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A Luisa Strina apresenta nome ar, nova exposição de Jarbas Lopes. Acompanhados de ensaios críticos de Érica Burini e Luiz Villares, os trabalhos inéditos articulam a sensibilidade ecológica do artista em uma investigação das relações entre corpo,
natureza e cultura.
Desde os anos 1990, Jarbas Lopes desenvolve uma produção que valoriza o fazer manual e colaborativo, aproximando escalas, materiais e linguagens distintas. nome ar propõe uma atenção renovada a esses processos, estimulando uma maior consciência do próprio corpo, do entorno e da experiência sensorial da natureza.
Essa investigação se manifesta tanto nos materiais orgânicos empregados nos novos trabalhos quanto nas formas de relação que eles estabelecem com o público. Colchões feitos de juta e folhas de bambu convidam os visitantes a se deitar, enquanto telhas de papel e goma de tapioca revestem as paredes da galeria.
Em uma nova série de desenhos, Lopes mastiga o carvão antes de lançá-lo sobre o papel, fazendo do próprio corpo parte da produção das imagens. A dimensão corporal se estende também à performance que o artista realiza na abertura da exposição, composta por uma série de movimentos que ativam o espaço expositivo e introduzem um caráter teatral à mostra. “Somos parte da natureza; logo, já somos cultura”, afirma Luiz Villares em seu ensaio, citando Mário Pedrosa. “A arte de Jarbas Lopes reconhece essa inspiração e conexão contínua e fluida entre a arte e a natureza.”
Outros trabalhos ampliam esse trânsito entre materiais, técnicas e formas de conhecimento: livros encapsulados e tensionados por elásticos, telas tramadas, cavaletes de madeira e desenhos com caneta esferográfica. Segundo Érica Burini, Lopes entende a técnica como uma tática da vida humana que se sobrepõe ao natural: “Em sua obra, produz proximidades entre polos que parecem, a princípio, distantes: como a sabedoria da multiplicidade da mandioca, que é unida à técnica de construção civil industrial e à sensibilidade construtiva; assim como o saber fazer colchões de fibras naturais é combinado ao saber descansar e ao cubo branco.”
Serviço
Exposição | nome ar
De 1º de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 10h às 17h
Período
Local
Galeria Luisa Strina
ua Padre João Manuel 755, Cerqueira César, São Paulo
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Em Reconvexo, Fabiana Preti investiga as relações entre geometria, cor, matéria e espaço a partir de um conjunto de trabalhos que desloca a abstração do plano para
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Em Reconvexo, Fabiana Preti investiga as relações entre geometria, cor, matéria e espaço a partir de um conjunto de trabalhos que desloca a abstração do plano para uma experiência espacial e sensível e em diálogo com a obra do Neoconcreto Hélio Oiticica. Partindo do neologismo criado por Caetano Veloso, o título da exposição anuncia uma lógica de contrastes e complementaridades — côncavo e convexo, frente e verso, plano e volume, rigidez e delicadeza — que atravessa as obras e articula diferentes linguagens, como pintura, escultura, bordado e instalação.
A exposição apresenta uma produção marcada pelo trânsito entre dimensões. Formas que inicialmente se constituem na pintura ganham corpo em estruturas de madeira; módulos se desdobram no espaço; a geometria passa a incorporar torções, ritmos e deslocamentos que dependem também do movimento do olhar e da presença do espectador. Nesse percurso, Fabiana Preti aproxima o rigor da construção abstrata da dimensão sensível do fazer manual, incorporando ao processo a repetição, a imperfeição e a imprevisibilidade próprias do gesto.
Esse procedimento pode ser percebido em séries de Preti como Chorinho e Borboletário, nas quais seções de cor e estruturas modulares estabelecem ritmos visuais que se constroem pela repetição. É nesse campo que a produção de Preti encontra ressonância com questões centrais da obra de Hélio Oiticica. Seu trabalho aproxima-se da investigação neoconcreta sobre a passagem da obra como objeto de contemplação para a obra como experiência. “Se Oiticica expandiu a cor para o ambiente e para a ação do corpo, Preti desloca estruturas pictóricas para a tridimensionalidade, fazendo com que a cor e a geometria adquiram presença física e passem a operar também como matéria e espaço”, menciona o curador.
Em Reconvexo, essa investigação também se articula a uma reflexão sobre materialidade e fazer. A artista aproxima procedimentos tradicionalmente associados ao artesanal de uma pesquisa rigorosa sobre a forma, tensionando categorias como artístico e artesanal, formal e sensível, precisão e acaso. O gesto manual não aparece como elemento secundário, mas como força estruturante da obra, capaz de introduzir variações, ritmos e desvios na construção geométrica.
A exposição revisita, desse modo, questões fundamentais da abstração moderna brasileira a partir de uma perspectiva contemporânea, atenta às relações entre matéria, corpo, espaço e fazer. Nas obras de Fabiana Preti, a geometria não se apresenta como forma estática, mas como organismo em transformação: dobra-se, projeta-se, repete-se, desloca-se e produz diferentes modos de encontro com o espectador.
Reconvexo propõe, portanto, uma experiência na qual a forma não termina em sua superfície. Ao ocupar o espaço e convocar o corpo, as obras fazem da matéria um lugar de passagem entre construção e sensibilidade, ordem e movimento, permanência e transformação. A exposição convida o espectador a perceber a obra não apenas como aquilo que se vê, mas como aquilo que acontece no encontro entre forma, espaço e presença.
Reconvexo é um projeto selecionado na 5ª edição do Programa Hélio Oiticica, com o objetivo de ativar e atualizar o legado artístico e conceitual do artista
Serviço
Exposição | Reconvexo
De 03 de outubro a 01 de novembro
Segunda à Sábado das 10h às 18h
Período
Local
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica
Rua Luís de Camões 68, Praça Tiradentes, Centro, Rio de Janeiro - RJ
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A Sardenberg tem a satisfação de apresentar Entrar na Roda, segunda exposição individual de Janina McQuoid na galeria. O título evoca as brincadeiras infantis de roda,
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A Sardenberg tem a satisfação de apresentar Entrar na Roda, segunda exposição individual de Janina McQuoid na galeria. O título evoca as brincadeiras infantis de roda, o gesto de integrar uma dinâmica coletiva e a roda como mecanismo de movimento. Participar, mover-se e encontrar apoio se entrelaçam nas obras, nas quais sustentar um corpo constitui uma ação central. Figuras, rodas e volumes envolvidos experimentam maneiras de ocupar o espaço e permanecer. Como projeções de um corpo feminino e artístico, essas construções investigam um lugar no mundo. Pintar, amarrar, modelar e revestir são modos de constituí-lo, negociando seus limites e suas possibilidades de movimento.
Papel machê, madeira, alumínio, tecido, gesso, cera e fios compõem anatomias cujas articulações permanecem à vista. As superfícies guardam os gestos da fabricação em espessuras, dobras e remendos. Sobre elas, a pintura estabelece relações próprias. Uma cor reúne materiais distintos; uma pincelada atravessa um relevo; uma mancha interrompe a continuidade de uma forma. Essa elaboração cromática interfere na percepção do peso e dos contornos.
Em Varal, o rosa percorre o apoio inclinado e se expande pela estrutura superior, articulando elementos projetados em diversas direções. Conforme o ponto de vista, o conjunto se concentra ou se abre. Em Roda gigante, acentos vermelhos pontuam o círculo escuro, enquanto pinceladas claras e passagens azuladas e ocres introduzem variações nos volumes. A pintura acompanha a modelagem e oferece outros percursos ao olhar, distribuindo o giro sugerido pela roda em ritmos e intervalos.
Macabéa torna especialmente sensível a transformação da escultura pelo deslocamento do observador. De perfil, quase se reduz a uma linha sinuosa; de frente, abre-se numa trama que deixa o espaço passar. Conhecê-la exige tempo, percorrer suas faces e rever aquilo que parecia definido. O título evoca a personagem de A hora da estrela, de Clarice Lispector, e a questão de como uma vida encontra lugar e reconhecimento. A aproximação com as figuras alongadas de Alberto Giacometti passa pela intensidade humana que poucos elementos podem adquirir. Em Janina, essa presença se constitui também nos vazios.
Artista/mãe reúne criação e movimento numa bicicleta que avança sobre tubos de tinta. As rodas desiguais encontram um terreno feito dos materiais do trabalho artístico. A pintura está na superfície da escultura e no chão que ela precisa atravessar. Para avançar, esse corpo precisa encontrar apoio e equilíbrio sobre os próprios materiais de trabalho.
As reflexões da historiadora da arte feminista Griselda Pollock sobre a subjetividade feminina e materna ajudam a pensar esse corpo a partir das relações que o constituem. Em Artista/mãe, o vínculo entre mãe e filho pode ser pensado na distribuição dos apoios, na necessidade de ajustar o próprio movimento à presença de outro. Criar e sustentar uma vida envolvem tempos que se cruzam e transformam as condições do trabalho. Essa experiência adquire uma dimensão escultórica na negociação entre pesos, distâncias e espaços compartilhados.
A inteligência construtiva da brincadeira aproxima essas obras do circo de Alexander Calder, cujos personagens e aparelhos fazem do equilíbrio um acontecimento. Em Janina, rodas e estruturas inclinadas convidam a imaginar o que essas figuras poderiam fazer. A aparência de improvisação torna sensível o trabalho de ajustar as partes e encontrar uma posição possível. Já as figuras atravessadas por fios de Germaine Richier, como Le Diabolo, permitem pensar como a anatomia se prolonga nas linhas que ligam suas extremidades. O corpo ocupa o espaço também por aquilo que mantém separado e conectado.
Os procedimentos de envolver e ligar encontram uma interlocução em Eva Hesse. Em Janina, enrolar produz espessura, e as amarrações registram o tempo dedicado a reunir as partes. Essas operações guardam uma ambivalência. Um nó sustenta e comprime; um revestimento protege e oculta. Em Borda, o ocre aproxima massa, amarrações e base, enquanto áreas verdes e acinzentadas perturbam essa unidade. Seu volume evoca O enigma de Isidore Ducasse, de Man Ray. A pintura participa desse enigma, tornando incertos os limites entre as matérias e a identidade daquilo que vemos.
Entrar na Roda faz da sustentação uma experiência física, perceptiva e relacional. Cada ligação permite uma postura e estabelece um limite. Entre o impulso de avançar e o esforço de permanecer, Janina dá forma às condições de uma existência que precisa continuamente compor seu espaço e seu tempo com os de outros.
Serviço
Exposição | Entrar na Roda
De 03 de outubro a 07 de novembro
Terça a sexta, das 10h às 18h; Sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Sardenberg
Travessa Dona Paula, 29 / 134 - Consolação - São Paulo - SP
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A Sardenberg tem o prazer de apresentar Estranha Natureza, de Adriana Coppio. Plantas, insetos, construções e figuras humanas oferecem a proximidade de um mundo conhecido. Aos poucos, as formas admitem
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A Sardenberg tem o prazer de apresentar Estranha Natureza, de Adriana Coppio. Plantas, insetos, construções e figuras humanas oferecem a proximidade de um mundo conhecido. Aos poucos, as formas admitem outras leituras. Um tronco sugere um corpo, um inseto se confunde com um galho, uma reunião de crianças adquire a gravidade de uma aparição. O reconhecimento abre uma pergunta. “Estranha” designa tanto aquilo que vemos quanto o movimento de um olhar que começa a rever suas certezas.
Nas pinturas em acrílica de Coppio, a cor participa dessa dúvida. Amarelos e ocres aproximam matérias distintas, verdes se adensam nas sombras, rosas ganham intensidade junto aos azuis. A luz parece emergir do fundo da tela ou concentrar-se numa superfície, conferindo-lhe uma presença inesperada. O olhar acompanha essas relações, descobre semelhanças e depois as desfaz. Uma planta pode sugerir alguém sem deixar de ser planta. A imagem sustenta ambas as percepções.
Em Exuberância em Azul, o azul ocupa grande parte da tela e altera a escala perceptiva do vaso. O recipiente alaranjado e as flores rosas avançam contra esse campo, enquanto diagonais escuras o atravessam. Os galhos e suas sombras oferecem configurações diferentes de um mesmo organismo. A intensidade cromática confere à planta uma presença que encontra ressonância no protagonismo do vegetal em Tarsila do Amaral. Coppio preserva as irregularidades e texturas do crescimento, fazendo a cor conviver com a observação minuciosa da matéria.
Em Florida, os tons quentes do vaso, do tronco e do piso estabelecem continuidades, interrompidas pelos claros da parede. Ao fundo, uma flor esculpida encontra sua contraparte na planta viva. A repetição do motivo aproxima ornamento e organismo, mas seus tempos divergem. Uma forma foi fixada na arquitetura; a outra permanece sujeita ao crescimento. Na base avolumada da rosa-do-deserto, podemos reconhecer membros ou um corpo recolhido. Essa anatomia possível aproxima a pintura das continuidades entre corpo e natureza exploradas por Maria Martins. Em Coppio, a metamorfose permanece suspensa no olhar, que pode reconhecer uma figura humana e voltar a perceber a planta.
Sua toxicidade acrescenta uma tensão à cena. Cultivada pela beleza, ela participa da intimidade doméstica sem se tornar inteiramente inofensiva. O vaso acomoda essa convivência entre atração e risco. Também a flor esculpida merece atenção, pois a pintura dá espessura ao que facilmente seria percebido como simples decoração. Diante dela, podemos perguntar quanto de nosso julgamento já estava decidido ao classificarmos alguma coisa como ornamental. O olhar chega às imagens com valores aprendidos, que elas podem colocar em questão.
Em Anjos, os claros dos trajes aproximam as crianças numa forma coletiva, enquanto os rostos preservam diferenças e expressões particulares. As asas permitem reconhecer uma encenação religiosa. A frontalidade e a quietude, porém, emprestam ao grupo a solenidade de uma aparição. Esse encontro entre infância, intimidade e imagem sagrada permite uma aproximação com Farnese de Andrade, em cujos objetos bonecos e referências devocionais adquirem uma presença inquietante. A afinidade se estende aos insetos pintados por Coppio, cujas configurações sugerem máscaras ou rostos. Entre a criança vestida de anjo e o inseto que parece devolver nosso olhar, a pintura mantém aberta a dúvida sobre o que constitui uma presença.
A infância comparece na possibilidade de experimentar outra identidade, de vestir uma imagem e oferecer-se ao olhar dos outros. Há uma afinidade com os livros de histórias, nos quais o extraordinário pode surgir dentro de um ambiente familiar. O inquietante se insinua nessa proximidade.
Em Hierofania, os ocres aproximam o tronco e a construção, tornando difícil estabelecer onde termina uma matéria e começa a outra. A copa se abre em verdes e amarelos contra o céu. A árvore que brota da igreja parece participar de sua arquitetura, ao mesmo tempo que a transforma. O título orienta nossa atenção para uma manifestação do sagrado; a pintura mantém em aberto seu lugar. Ele pode estar no edifício, no crescimento vegetal ou na relação que nosso olhar estabelece entre ambos.
Num presente que solicita identificação e resposta imediatas, essas pinturas prolongam o intervalo entre ver e decidir. Sua pertinência está na experiência de perceber que a primeira identificação permanece insuficiente e que precisamos voltar à imagem. A cor nos aproxima, uma semelhança nos detém, um detalhe modifica o conjunto. Em Estranha Natureza, a familiaridade não encerra o encontro. Quanto mais olhamos, mais percebemos o que ainda escapa.
Serviço
Exposição | Estranha Natureza
De 26 de outubro a 26 de novembro
Terça a sexta, das 10h às 18h; Sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Sardenberg
Travessa Dona Paula, 29 / 134 - Consolação - São Paulo - SP
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A artista Gabriela Sacchetto apresenta a exposição “Na Vizinhança das Coisas”, que reúne cerca de 30 trabalhos novos dedicados à observação da paisagem urbana. A partir de cenas encontradas em
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A artista Gabriela Sacchetto apresenta a exposição “Na Vizinhança das Coisas”, que reúne cerca de 30 trabalhos novos dedicados à observação da paisagem urbana. A partir de cenas encontradas em caminhadas e deslocamentos cotidianos, a artista transforma elementos aparentemente banais da cidade, como fachadas, torres, telhados e galpões, em pequenas pinturas que convidam o público a olhar com mais atenção para o entorno.
Uma característica de sua produção é o uso de tacos, rodapés e fragmentos de madeira reaproveitados como suporte. As formas, rachaduras e marcas desses materiais participam da composição das imagens, criando relações entre a paisagem representada e os vestígios de uso presentes na própria madeira.
A exposição também apresenta trabalhos realizados durante uma residência artística na Dinamarca, onde Gabriela encontrou outras condições de luz e paisagem. Enquanto as pinturas inspiradas em São Paulo apresentam tons ocres e terrosos, as obras produzidas no exterior exploram brancos frios e verdes acinzentados.
Ao reunir esses diferentes registros, “Na Vizinhança das Coisas” propõe uma reflexão sobre as maneiras de perceber e habitar os espaços, valorizando detalhes da cidade que frequentemente passam despercebidos.
Serviço
Exposição | Na Vizinhança das Coisas
De 3 de outubro a 14 de novembro
Terça-feira a sábado, das 11h às 17h
Período
Local
ArteFASAM Galeria
Rua Rodrigues Caldas, 726 Salas 1305 e 1306 Santo Agostinho - Belo Horizonte - MG
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Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não
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Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não representou uma ruptura, muito pelo contrário: a abertura de um novo campo de investigação. Agora, na exposição “Rodrigo de Castro: A Ordem Sensível”, o artista percorre o caminho inverso.
“As esculturas nasceram, num primeiro momento, da observação das telas. A vontade de fazer com que a cor ocupasse o espaço me levou a pesquisar uma maneira de construir essa cor como escultura. Então, as esculturas se alimentavam, vamos dizer assim, do pensamento das pinturas. Eu percebo que agora acontece um diálogo no sentido inverso: a observação das esculturas me levou a trazer para o plano as complexidades que as esculturas criaram no espaço. Complexidades no sentido de que o espectador não consegue observar a escultura apenas com um olhar, é necessário se deslocar ao redor dela. A obra vai se revelando nas suas diferentes formas e incidências de luz que modificam completamente a ocupação da cor naquele espaço. Então, essas observações das esculturas abriram um caminho diferente, um novo caminho de pesquisa para levar como fonte daquela cor no espaço as maneiras de realizar isso na pintura. Há uma convergência maior entre cor, espaço e luz, fazendo fluir um diálogo mais intenso entre o que é pintura e o que é escultura porque na verdade é tudo fruto de um mesmo pensamento”, diz Rodrigo de Castro.
Com curadoria assinada, mais uma vez, por Vanda Klabin, a mostra reúne trabalhos em que Rodrigo de Castro amplia sua pesquisa sobre estrutura, equilíbrio, ritmo e percepção. Se na escultura a pintura encontrou o espaço, agora é a pintura que parece carregar consigo algo da experiência tridimensional, como se planos, linhas, cores e formas passassem a se relacionar a partir de uma nova consciência do espaço.
As pinturas recentes revelam um diálogo diferente da exposição anterior: as linhas que antes criavam novos espaços dividindo as áreas de cor passam a gerar um movimento na tela, um tempo diferente de observação da obra. Percebe-se uma nova maneira de se alcançar o equilíbrio, pela harmonia entre as cores que formam a obra. E como há uma dinâmica maior entre o diálogo das diversas áreas de cor da obra, o tempo de observação também se modifica.
“A exposição de Rodrigo de Castro apresenta uma seleção de sua produção mais recente e explora a articulação espacial da geometria e da cor. A relação fluida entre os campos cromáticos e a ordenação geométrica rigorosa do espaço constitui um campo permanente de investigação do artista. Sua gramática pictórica, construída ao longo de décadas de atividade contínua, transformou-se em um fértil território de pesquisa, no qual a cor não cumpre função descritiva nem decorativa: ela é o próprio agente estruturante da obra. Cada superfície resulta de um jogo rigoroso de derivações geométricas, em que planos, linhas e áreas cromáticas são dispostos segundo uma lógica que se afasta deliberadamente da comodidade da simetria e dos esquemas matemáticos preestabelecidos.
Mineiro de Belo Horizonte e radicado em São Paulo, Rodrigo de Castro formulou um vocabulário visual próprio, herdeiro das tradições construtivas brasileiras, sem jamais se submeter a filiações estritas. Sua obra dialoga com a economia formal do legado construtivista, mas opera de modo autônomo, em uma temporalidade que lhe é peculiar, atenta à manipulação sensível dos meios plásticos que elegeu. Cores e estruturas geométricas constituem o centro gravitacional de sua produção artística. Seus acordes cromáticos irradiam uma singular combinação que inunda o nosso olhar”, explica a curadora, Vanda Klabin.
Serviço
Exposição | A Ordem Sensível
De 15 de outubro a 14 de novembro
Terça-feira a sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galeria Patricia Costa
Av. Atlântica, 4.240/lojas 224 e 225 – Copacabana - Rio de Janeiro - RJ
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Um dos nomes responsáveis por concretizar projetos de algumas das principais figuras do modernismo e da arquitetura brutalista do país, Victor Foroni, artista com formação em engenharia
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Um dos nomes responsáveis por concretizar projetos de algumas das principais figuras do modernismo e da arquitetura brutalista do país, Victor Foroni, artista com formação em engenharia mecânica pela Escola Politécnica da USP, desde cedo frequentava o ateliê do pintor Alfredo Volpi no bairro do Cambuci-SP devido sua ascendência italiana e pela proximidade de um tio artista que o levava para conferir as produções de perto, ainda quando criança. Nesta mesma época, ganhou de presente um livro de matemática de um outro tio que o incentivava a estudar o tema, e a partir daí se tornou matemático e começou a desenhar e projetar móveis que chamavam atenção pelas finalizações e resultados fora do padrão.
Os estudos evoluíram e após a formação em engenharia nasceu a construtora Método, que realizou projetos que despertou atenção de Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha e Ruy Ohtake, que logo o convidaram para auxiliar na finalização de trabalhos icônicos, como o Sesc Pompéia, Edifício Forma, Museu da Escultura e Hotel Unique através de sua construtora, por conta de sua criatividade e pelas soluções inventivas que se destacavam.
Paralelamente a profissão de engenheiro/empresário, Foroni iniciou no mundo das artes por meio do teatro, e logo de cara já descobriu outra paixão, e que anos mais tarde se tornou combustível para que o artista ampliasse o campo de atuação para as artes visuais com a produção de esculturas e pinturas a base de tinta acrílica sobre tela.
Por influência dos pais, vindo de uma família rural por parte da mãe e criadores de cavalos pelo pai, foi natural que Foroni também despertasse interesse pelo universo equestre e com isso adquiriu uma enorme propriedade de mais de um milhão de metros quadrados na cidade de Boituva, localizado a cerca de 1h30 da capital paulista, para transformar o espaço em um haras para que pudesse seguir os passos do pai e criar cavalos de hipismo, e que depois decidiu aproveitar a enorme área verde do local para se dedicar também a criação de plantas, palmeiras e árvores.
Ao realizar diversas atividades simultâneas, Foroni deu uma pausa na produção de suas pinturas e esculturas e só foi retomar os trabalhos nas artes visuais no início dos anos 2000.
Hoje, passadas quatro décadas após Foroni adquirir o haras, o local ganhará um novo significado: está prestes a se tornar um instituto que levará seu nome e que irá abrigar, a partir de 2027, diversas atividades culturais abertas ao público e gratuítas, a começar pela própria exposição Estrutura do Imaginário, prevista para inaugurar no dia 03 de outubro deste ano.
Na mostra Estrutura do Imaginário, o artista apresenta pinturas e esculturas que são reverberações da sua mente estruturada. Nas obras, produzidas desde 2012, cor e forma estão a serviço do seu pensamento plástico. Nas cores vivas e vibrantes, com certa influência de Mondrian, pode-se aperceber o entusiasmo com que Foroni executa tudo a que se propõe. Os trabalhos impressos partem de pinturas feitas diretamente em tela, também presentes na exposição. A obra é fotografada, a imagem é levada para o computador e, então, replicada, combinada e rearranjada por Foroni em busca da beleza. O resultado são trabalhos visuais que possuem ressonâncias da tradição construtiva e da Op Art.
Em certo grau, a visualidade desses quadros também está relacionada a processos da construção civil. Assim, optou-se por apresentá-las na área anteriormente dedicada aos dos cavalos, sem maquiar a arquitetura. As esculturas, a maioria distribuídas em meio às plantas do espaço externo, são diversas, com formas e escalas múltiplas. Foroni parte de formas descomplicadas, de linhas retas e planos, fruto de equações matemáticas de primeiro grau. Após transformá-las, atinge resultados surpreendentes. Já o uso da cor é minimalista, com poucas misturas.
Foroni gosta da simplicidade, algo que o encanta.A sua arte é fruto de sua personalidade, e, a despeito de certa racionalidade, há nas obras uma visceralidade inata. A sua força advém de um forte desejo de habitar o mundo de um modo marcante, incisivo. Em algumas das esculturas, é possível notar influências de Amílcar de Castro (1920– 2002) e de Franz Weissmann (1911–2005), dois artistas que Foroni admira e que estão presentes em sua coleção particular. Sua admiração se estende ainda a Hélio Oiticica (1937–1980). A exposição conta, também, com maquetes de possíveis futuras esculturas. Se quando Foroni era criança, sua mãe o chamava de “arteiro”, agora, a brincadeira é a sério. A arte que produz, movido pela satisfação pessoal e pelo prazer de fazer, carrega o que todo bom artista deve trazer e que as crianças costumam ter: a capacidade de experimentar sem medo.
Serviço
Exposição | Estrutura do Imaginário
De 03 de outubro a 10 fevereiro
Das 14h às 18h
Período
Local
Instituto Victor Foroni
Rodovia Boituva-Cerquilho (ou Rod. Btv-Quarenta), 2337 - Fazenda Santo Antônio), Boituva - SP
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Com pinturas, vídeos e estudos, a artista Vívian Amorim apresenta em “Arcanos do Inconsciente” uma investigação que une dança intuitiva, imaginação simbólica e a vivência dos arcanos
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Com pinturas, vídeos e estudos, a artista Vívian Amorim apresenta em “Arcanos do Inconsciente” uma investigação que une dança intuitiva, imaginação simbólica e a vivência dos arcanos maiores do tarô.
Mostra reúne 22 pinturas em tinta acrílica, dois vídeos das danças realizadas e estudos produzidos em aquarela, tinta acrílica, caneta hidrográfica e giz pastel oleoso. As telas são criações simbólicas desenvolvidas a partir de movimentos de danças intuitivas e da leitura e vivência dos arcanos maiores do tarô. O conjunto das obras forma um caminho que narra a construção de cada arcano pessoal ao longo dos últimos anos, propondo um convite ao movimento do inconsciente e do próprio corpo.
Vívian explica que o projeto parte do estudo do movimento do corpo dentro da dança, seguido pela combinação desse movimento com características dos arcanos maiores, utilizando uma simbologia única. “É um trabalho simbólico. O conjunto de telas é um caminho narrando esse lugar de ter vivido a construção de cada arcano pessoal nesses últimos anos. É um convite ao movimento do inconsciente e do próprio corpo”, compartilha a artista.
A exposição inédita e de curta temporada, que começou a ser desenvolvida em 2023, conta com uma obra que foi exibida na Suíça em 2026. “Apresentei o estudo de ‘A marisqueira – o trabalho da Morte’ no processo de seleção para ingresso na Lucerne University of Applied Sciences and Arts (HSLU), em março de 2026. Dois anos antes, em outubro de 2024, tive a oportunidade de participar de uma mostra coletiva na Escola Panorama, em Florianópolis, com a obra ‘Desconcerto Epifânico’. Apenas essas duas obras foram apresentadas anteriormente, em tamanhos menores do que as versões que serão exibidas agora, as demais são todas inéditas”, destaca a artista.
Com curadoria de Amanda Estima, psicóloga, especialista em psicologia junguiana, a mostra tem expografia assinada por Renata Amorim e Lesse Pierre, trilha sonora composta por Kayan Zimmermann e produção da própria artista com assistência de Renata Amorim.
“O espaço expositivo propõe uma exposição dinâmica. Espero que o público se permita envolver com os movimentos das obras, que interaja com a instalação que encerra a exposição, que se divirta com as cartas e personalidades de cada obra”, completa a artista.
Serviço
Exposição | Arcanos do Inconsciente
De 4 e 13 de outubro
Terça a domingo, das 10h às 21h
Período
Local
Centro Integrado de Cultura - CIC
Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, bairro Agronômica, Florianópolis/SC
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A artista Lilian Camelli apresenta a exposição individual “Ruídos do Silêncio”, na Sala Sebastião Barbosa da Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia. Com curadoria de Danilo Garcia e apoio da
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A artista Lilian Camelli apresenta a exposição individual “Ruídos do Silêncio”, na Sala Sebastião Barbosa da Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia. Com curadoria de Danilo Garcia e apoio da Contempo Galeria, a mostra reúne pinturas que exploram ambientes domésticos, espaços vazios e cenas cotidianas, abordando questões relacionadas à memória, à ausência e à intimidade.
Nas obras, quartos, corredores, janelas e objetos assumem protagonismo, compondo imagens que sugerem acontecimentos e histórias não reveladas. A artista parte de elementos familiares para construir atmosferas de silêncio e expectativa, nas quais a ausência de figuras ou de informações explícitas abre espaço para diferentes interpretações.
A exposição se desenvolve justamente na relação entre aquilo que está visível e o que permanece oculto. Os ambientes retratados não apresentam narrativas fechadas, mas fragmentos que convidam o observador a imaginar o que aconteceu ou o que pode estar prestes a acontecer. Dessa forma, a pintura se torna um espaço de projeção de memórias e experiências individuais.
Para o curador Danilo Garcia, a intimidade presente nos trabalhos de Camelli não aparece como uma confissão, mas como algo fragmentado e parcialmente inacessível. Quanto menos a imagem revela, mais o público é convidado a procurar sentidos e construir suas próprias leituras. Com entrada gratuita, “Ruídos do Silêncio” permanece em cartaz até 5 de novembro, na Vila Cultural Cora Coralina.
Serviço
Exposição | Ruídos do Silêncio
De 06 de outubro a 5 de novembro
Segunda a domingo, das 9h às 16h, com permanência até as 17h
Período
Local
Vila Cultural Cora Coralina
R. 3, s/n - St. Central - Goiânia, GO
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A Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, apresenta a exposição “Vik Muniz – REVER: imagem e reflexão”, que reúne 60 fotografias produzidas ao longo de três décadas de trajetória do
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A Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, apresenta a exposição “Vik Muniz – REVER: imagem e reflexão”, que reúne 60 fotografias produzidas ao longo de três décadas de trajetória do artista brasileiro. Com curadoria de Daniel Rangel, a mostra ocupa a Grande Sala do espaço cultural e propõe um percurso por diferentes momentos de sua produção, marcada pela experimentação com materiais e pela investigação das relações entre imagem, percepção e representação.
Reconhecido internacionalmente, Vik Muniz desenvolve trabalhos a partir de materiais pouco convencionais, como chocolate, sucata, poeira, pigmentos e cinzas. Esses elementos são utilizados na construção de imagens que, posteriormente, são registradas por meio da fotografia, estabelecendo relações entre o objeto original, sua representação e a maneira como o público percebe aquilo que vê.
Entre os destaques da exposição estão releituras de obras de importantes artistas da história da arte e trabalhos da série “Museu de Cinzas”, desenvolvida a partir do incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. As obras abordam questões relacionadas à memória, à preservação e à transformação de materiais em imagens.
Realizada pelo Serviço Social do Comércio em Goiás (Sesc-GO), a exposição convida o público a observar como materiais cotidianos podem adquirir novos significados por meio da criação artística. A visitação é gratuita e segue até 31 de janeiro de 2027, na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia.
Serviço
Exposição | REVER: imagem e reflexão
De 06 de outubro a 31 de janeiro
Segunda a domingo, das 9h às 16h, com permanência até as 17h
Período
Local
Vila Cultural Cora Coralina
R. 3, s/n - St. Central - Goiânia, GO
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A exposição coletiva “Das paisagens, dessas que vêm aos lábios” reúne trabalhos das artistas Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti na Sala Antônio Poteiro da Vila Cultural Cora Coralina,
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A exposição coletiva “Das paisagens, dessas que vêm aos lábios” reúne trabalhos das artistas Anália Moraes, Maria Andrade e Raquel Garbelotti na Sala Antônio Poteiro da Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra apresenta esculturas, pinturas e instalações que investigam as relações entre corpo, território e paisagem, propondo outras maneiras de perceber e experimentar os espaços que habitamos.
A exposição parte da compreensão de que a paisagem não se limita àquilo que pode ser observado à distância. Nas obras, ela aparece como uma experiência corporal e sensível, atravessada por memórias, afetos e relações com o ambiente. As artistas exploram a ideia de que os territórios também são percebidos por meio do contato, da matéria e das experiências acumuladas ao longo do tempo.
Para desenvolver essas questões, as três artistas trabalham com diferentes materiais, como argila, vidro, latão, óleo sobre madeira e cimento. As escolhas materiais estabelecem relações entre elementos naturais e processos de transformação, aproximando questões ambientais, experiências individuais e modos de ocupação do espaço.
Em “Das paisagens, dessas que vêm aos lábios”, o público é convidado a pensar a paisagem como algo que se atravessa, se carrega e se incorpora à própria existência. Ao aproximar diferentes linguagens e pesquisas artísticas, a exposição propõe reflexões sobre as relações entre o corpo e o mundo, deslocando a paisagem da condição de cenário para compreendê-la como parte constitutiva da vida. A visitação é gratuita e segue até 31 de janeiro de 2027.
Serviço
Exposição | Das paisagens, dessas que vêm aos lábios
De 06 de outubro a 31 de janeiro
Segunda a domingo, das 9h às 16h, com permanência até as 17h
Período
Local
Vila Cultural Cora Coralina
R. 3, s/n - St. Central - Goiânia, GO
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Bárbara Banida e Emer Freire inauguram apresentam a exposição “Mecanosfera”, com curadoria de Lucas Dilacerda, na Claraboia. Realizada em parceria com a Cave, a mostra discute o pós-humanismo e o
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Bárbara Banida e Emer Freire inauguram apresentam a exposição “Mecanosfera”, com curadoria de Lucas Dilacerda, na Claraboia. Realizada em parceria com a Cave, a mostra discute o pós-humanismo e o vitalismo material através de instalações, cerâmicas, pinturas, esculturas e sons.
O título parte do conceito de mecanosfera, desenvolvido pelos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, que compreende o mundo como um conjunto de agenciamentos maquínicos, biológicos, tecnológicos, sociais e naturais. Nessa perspectiva, o humano deixa de ocupar uma posição central e a realidade passa a ser entendida como uma rede de conexões na qual não há separação rígida entre tecnologia e natureza ou entre o biológico e o social.
“Esta exposição aproxima as poéticas de Bárbara Banida e Emer Freire por meio do erotismo material. Aqui, vemos seres híbridos, mas não é o hibridismo que nos interessa, e sim o grau zero da vida, ponto ápice do desejo, sem linguagem e sem separabilidade: o instante fulgor no infinito onde não há formas determinadas, na qual tudo que existe é, ao mesmo tempo, o mínimo de determinação e o máximo de possibilidades”, afirma Lucas Dilacerda, que assina a curadoria da exposição.
Na produção de Bárbara Banida, essa reflexão se desenvolve a partir de Erotar, planeta ficcional criado pela artista em estado de regeneração. Suas esculturas em cerâmica assumem a forma de criaturas híbridas e paisagens de geografias imaginárias, em uma pesquisa que se contrapõe aos discursos de fim do mundo e ao pessimismo ambiental.
Emer Freire, por sua vez, constrói sistemas por meio do acoplamento de elementos industriais e orgânicos. Ao reunir diferentes materialidades, sua pesquisa questiona divisões estabelecidas entre elas e investiga formas de coexistência entre matérias distintas.
A aproximação entre os dois artistas conduz a uma reflexão sobre as formas como a humanidade historicamente se relacionou com diferentes vidas no planeta e sobre o que a própria matéria pode sugerir em termos de outras relações e futuros possíveis.
“Mecanosfera acontece como dois planetas que se alinham. As poéticas de Bárbara Banida e Emer Freire se aproximam pelo espanto diante da matéria e pelo desejo de imaginar o que ela pode se tornar quando suas divisões deixam de funcionar. Se em Bárbara esse encontro acontece pelo romance, pela força erótica que faz vulcões desejarem estrelas, cometas beijarem a terra e o barro lembrar que nunca esteve separado da Natureza; em Emer ele acontece pelo terror da ficção científica, diante de máquinas, fósseis e matérias alienígenas que já não conseguimos reconhecer como naturais ou artificiais, vivas ou mortas. Bárbara olha para o cosmos e fabula mundos onde a matéria se apaixona; Emer olha para os resíduos deste mundo e constrói agenciamentos em que a matéria reaprende a viver. Uma produz mitologias de atração, o outro cria ecologias de contaminação. Mas romance e terror conduzem ao mesmo lugar: ao desconhecido que surge quando aquilo que parecia separado volta a se encontrar.”, conclui Lucas Dilacerda.
Serviço
Exposição | Mecanosfera
De 6 de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
CLARABOIA
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 Jardim América, São Paulo - SP
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A exposição “Suspensa Voluta”, de Pedro Azaleia, reúne pinturas recentes do artista construídas a partir de suas caminhadas e deslocamentos pela cidade. Fachadas, ornamentos arquitetônicos, plantas e
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A exposição “Suspensa Voluta”, de Pedro Azaleia, reúne pinturas recentes do artista construídas a partir de suas caminhadas e deslocamentos pela cidade. Fachadas, ornamentos arquitetônicos, plantas e outras formas encontradas no caminho tornam-se pontos de partida para uma investigação sobre paisagem urbana, memória e passagem do tempo. Nas telas, elementos de diferentes origens se encontram e se sobrepõem, criando uma atmosfera noturna e enigmática, na qual a cidade aparece menos como cenário e mais como um território repleto de vestígios a serem observados.
Durante seus percursos por centros históricos, Azaleia volta a atenção para detalhes de edifícios antigos, muitos deles abandonados, como volutas, colunas, frisos e gradis. O artista identifica formas semelhantes também na natureza, seja nos movimentos de uma planta, no corpo de uma jiboia ou em estruturas de fungos. Essas aproximações atravessam suas pinturas, colocando lado a lado arquitetura e elementos naturais e revelando padrões visuais que parecem se repetir em contextos distintos. Em vez de representar uma natureza idealizada, o artista investiga como ela persiste e se manifesta no interior da experiência urbana.
Esse processo de observação encontra correspondência na própria construção das obras. No ateliê, Azaleia acumula diversas camadas de tinta sobre a tela e, posteriormente, rasura essa superfície com estilete, retirando matéria para fazer surgir linhas e figuras. Pintar passa, assim, tanto pela adição quanto pela subtração. A cor também ocupa um lugar central: em vez de funcionar apenas como recurso para criar luz, sombra ou volume, ela é tratada como matéria. As combinações cromáticas partem ainda de uma investigação da história da pintura e de artistas como Paul Gauguin, cujas paletas são observadas, decompostas e reconstruídas pelo artista.
A relação com a cidade também aparece na dimensão gráfica de seu trabalho. Antes da pintura, Azaleia desenvolveu uma experiência com a pichação durante seus deslocamentos de skate pelo espaço urbano. Algo dessa escrita permanece na maneira como risca e rasura as superfícies das telas. Assim como os muros acumulam inscrições, apagamentos e marcas de diferentes momentos, suas pinturas funcionam como uma espécie de palimpsesto: cada nova camada convive com rastros das anteriores. Elementos arquitetônicos e naturais surgem ainda a partir de diferentes pontos de vista, rompendo com uma perspectiva única e fazendo com que tempos, espaços e imagens coexistam sobre o mesmo plano.
Em “Suspensa Voluta”, observar uma pintura torna-se, portanto, um exercício de procurar pistas sem necessariamente encontrar uma resposta definitiva. As obras aproximam temporalidades históricas, botânicas e urbanas e transformam fragmentos encontrados pelo artista em imagens que oscilam entre reconhecimento e estranhamento. Ruínas, plantas, ornamentos, cores e inscrições formam uma espécie de labirinto visual no qual passado e presente permanecem sobrepostos. Mais do que reconstruir aquilo que desapareceu, Azaleia parece interessado nos vestígios deixados por essas transformações — pintando, como sugere o texto curatorial, como quem faz “botânica no asfalto”.
Serviço
Exposição | Suspensa Voluta
De 06 de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
CLARABOIA
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 Jardim América, São Paulo - SP
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A exposição “Umbra”, de Gi Monteiro, reúne trabalhos que partem das curvas, torções e movimentos da matéria para investigar processos de transformação, nascimento e continuidade. Na pesquisa
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A exposição “Umbra”, de Gi Monteiro, reúne trabalhos que partem das curvas, torções e movimentos da matéria para investigar processos de transformação, nascimento e continuidade. Na pesquisa da artista, a linha reta dá lugar à dobra, entendida não apenas como forma, mas como modo de pensar aquilo que escapa à estabilidade e à precisão. Formas orgânicas, fluxos e movimentos atravessam as obras e estabelecem aproximações entre corpo, natureza e diferentes estados da matéria.
Essa investigação aparece na série “Nevoeiro”, iniciada em 2025, na qual Gi combina desenho e recorte sobre lona negra de algodão. Traços longos e curvilíneos dão origem a formas fechadas e áreas de cores sutis, quase metálicas, que emergem sobre o fundo escuro. A artista parte da própria condição do nevoeiro — matéria visível, mas difícil de apreender — para explorar relações entre presença e desaparecimento, proximidade e distância, materialidade e imaginação.
A ideia de algo que existe em estado de potência também atravessa a série “Sementes”. Nesses trabalhos, a artista se interessa pela semente como forma que contém uma vida ainda por acontecer. Já em “Recém nascida”, sua atenção se desloca para outro momento de passagem: o nascimento e o primeiro contato de um corpo com o espaço exterior. As duas séries aproximam germinação, hereditariedade, mutação e transformação, pensando a vida como um processo que não acontece de maneira linear.
As formas curvas e retorcidas que aparecem nos trabalhos reforçam essas relações. Elas podem remeter tanto às estruturas de plantas e organismos quanto à circulação do sangue, ao DNA, às ondas e às volutas da arquitetura barroca. A dança, prática que também integra o processo criativo de Gi Monteiro, acrescenta a dimensão do corpo e do movimento a essa pesquisa, na qual uma forma parece continuamente se transformar em outra.
Em “Umbra”, sementes, nevoeiros e corpos recém-nascidos se encontram justamente em momentos nos quais algo deixa de ser o que era sem ainda ter assumido uma nova forma. Sobre fundos escuros, as imagens parecem surgir gradualmente, entre aparição e desaparecimento, latência e transformação. Em vez de uma trajetória em linha reta, Gi Monteiro propõe pensar esses processos por meio de desvios, expansões, contrações e dobras, fazendo da instabilidade uma condição para o surgimento de novas formas.
Serviço
Exposição | Umbra
De 06 de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
CLARABOIA
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 Jardim América, São Paulo - SP
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Como habitar a Terra sem continuar ocupando-a como quem possui, domina e extrai? É a pergunta que atravessa “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, exposição individual de
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Como habitar a Terra sem continuar ocupando-a como quem possui, domina e extrai? É a pergunta que atravessa “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, exposição individual de Damiana Bregalda que será apresentada pela primeira vez no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC), em Florianópolis, com curadoria de Juliana Crispe.
Damiana explica que o título da exposição concentra dois aspectos fundamentais da sua pesquisa. De um lado, a pele e o corpo, aquilo que toca e constitui, de outro, a terra, compreendida não como recurso, mas como território vivo, atravessado por memórias, histórias, conflitos, relações e possibilidades de existência. “A ideia de ‘pouso’ aparece como um gesto de suspensão, desaceleração e atenção. Já o ‘risco’ diz respeito tanto à vulnerabilidade quanto à possibilidade de deslocar certezas e experimentar outras formas de habitar a Terra”, explica a artista.
A exposição reúne 16 obras de diferentes linguagens: quatro instalações, uma série de quatro monotipias, quatro vídeo-performances, duas publicações de artista, uma série de seis foto-performances, duas fotografias e dois trabalhos sonoros. O conjunto é resultado de mais de dez anos de pesquisa artística e antropológica, realizada a partir de deslocamentos por diferentes territórios e de investigações sobre o corpo, a terra, o tempo e os modos de habitar o mundo.
Embora alguns trabalhos já tenham sido apresentados anteriormente, em exposições individuais e coletivas, “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos” é inédita como exposição, tanto pelo título quanto pela configuração do conjunto. A mostra aproxima diferentes momentos de uma pesquisa que se estende por mais de uma década e que reúne trabalhos iniciados em 2013 e produções recentes.
Entre os trabalhos de longa duração está “Diário de pousos”, iniciado em 2013 e apresentado agora ao público pela primeira vez. No projeto, a artista coleta folhas e flores no momento exato em que se desprendem das árvores e registra o local e o horário de cada pouso, transformando esses acontecimentos mínimos em uma investigação sobre o tempo, o deslocamento e a relação.
Já a série “Ara Maí: semear em terras devastadas (2026)” foi desenvolvida nos últimos dois anos, durante a pesquisa de pós-doutorado (2024–2026) no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), com bolsa de pós-doutorado concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Tantos os trabalhos “Ara Maí” quanto as monotipias foram realizadas em três paisagens distintas de Santa Catarina: uma pedreira e uma plantação de monocultura de pinus elliottii em Florianópolis e uma mina de carvão em Criciúma.
A relação entre corpo, território e disputa também aparece nas vídeo-performances “É preciso correr o risco – na pele” e “É preciso correr o risco – na terra”. Nesta última, a artista percorre uma área destinada à monocultura de soja em Paraí, que fica no Rio Grande do Sul, onde semeia o Avaxi Para’í, variedade de milho cultivada pelos Guarani. O gesto estabelece uma tensão entre a lógica da monocultura e outras formas relacionais de produção e cuidado da vida.
Habitar o mundo
A partir da relação entre corpo, território, memória, tempo e matéria, a exposição aborda questões como a crise climática, a devastação ambiental, a monocultura, a exploração dos territórios e os efeitos ainda presentes da colonialidade sobre os corpos humanos e sobre a própria terra. Em diálogo com saberes e experiências de povos originários e quilombolas, a pesquisa também aborda diferentes formas de habitar e produzir mundo. A partir de sua posição enquanto mulher branca, a artista interroga as heranças coloniais que atravessam sua própria história e investiga possibilidades de escuta de outros modos de existência e relação com a Terra.
A artista não pretende oferecer respostas prontas, mas criar situações para que o público possa parar, observar, escutar e questionar algumas das certezas que organizam nossa relação com a Terra. “A exposição propõe pensar a crise ecológica a partir de uma perspectiva decolonial. Em diálogo com Malcom Ferdinand e sua Uma ecologia decolonial, compreendemos que a devastação ambiental não pode ser dissociada da história do colonialismo, da escravidão, do racismo, da apropriação territorial e dos modelos de exploração que transformaram a natureza em propriedade e mercadoria. A crise climática possui uma história, e essa história também é colonial”, destaca a curadora Juliana Crispe.
O gesto de semear aparece em diferentes trabalhos da mostra e ganha um sentido particular diante dos cenários de devastação apresentados pela artista. “Interessa pensar a Terra como um mundo compartilhado entre humanos e não humanos. Por isso, o gesto de semear aparece como uma possibilidade poética e política: não como uma promessa ingênua de recuperar uma natureza intocada, mas como uma maneira de imaginar outros modos de habitar”, explicam a curadora e a artista.
A mostra marca também a primeira exposição de Damiana no MIS-SC. Para a artista, ocupar o espaço tem um significado especial justamente pelo caráter público e pelo acesso gratuito. “Tenho uma expectativa muito grande de que o espaço do MIS possa funcionar não apenas como lugar de apresentação das obras, mas como um espaço de encontro, pausa e reflexão”, afirma.
A expectativa é que a experiência não termine necessariamente ao deixar a sala expositiva. “Gostaria que o público pudesse sair da exposição levando alguma pergunta consigo. Talvez a pergunta sobre como estamos habitando a Terra e que outras formas de relação com ela ainda podemos imaginar. Da pele à terra é um convite para suspender, pousar, escutar e semear”, completa a artista.
A exposição individual “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, da artista Damiana Bregalda, foi viabilizada pela Lei nº 15.503, de 29 de junho de 2011. A visitação gratuita poderá ser feita até 29 de novembro de 2026, de terça a domingo, das 10h às 21h, no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC), que fica no Centro Integrado de Cultura (CIC), localizado na Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600, no bairro Agronômica, em Florianópolis/SC.
Serviço
Exposição | Da pele à terra: percursos de pousos e riscos
De 6 de outubro a 29 de novembro
Terça a domingo, das 10h às 21h
Período
Local
Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC)
Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis - SC
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Exposição Muitas Infâncias: Linhas de Fuga do Olhar reúne trabalhos da artista Tim Diederichsen e de crianças e jovens dos projetos “Museu Menor’ e ‘Sonhos, Desejos e Esperanças das Crianças
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Exposição Muitas Infâncias: Linhas de Fuga do Olhar reúne trabalhos da artista Tim Diederichsen e de crianças e jovens dos projetos “Museu Menor’ e ‘Sonhos, Desejos e Esperanças das Crianças no Brasil’ na Galeria Lama, em Florianópolis; espaço vai receber visitas de grupos escolares ao longo da mostra coletiva
O que acontece quando a infância é vista por diferentes caminhos? É a partir dessa pergunta que a exposição “Muitas Infâncias: Linhas de Fuga do Olhar”, de Tim Diederichsen, com curadoria de Marcello Carpes, abre no dia 6 de outubro, a partir das 19h, na Galeria Lama, em Florianópolis. Com 69 obras, a mostra parte da produção da artista para propor um olhar sobre a infância como espaço de invenção, experimentação e multiplicidade.
A exposição coloca a produção de Tim Diederichsen em diálogo com dois projetos convidados. Um deles é o ‘Museu Menor’, viabilizado por Fabíola Burigo a partir de sua experiência como professora de Artes no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O outro é ‘Sonhos, Desejos e Esperanças das Crianças no Brasil’, projeto artístico-pedagógico internacional com apoio de Gilka Girardello e Mônica Fantin, que cria espaços para que crianças expressem seus sonhos, desejos e perspectivas sobre o futuro.
Na exposição, os trabalhos de Tim Diederichsen, realizados em aquarela, papel machê e cerâmica, estabelecem esse diálogo com desenhos, palavras e outras produções de crianças e jovens dos projetos convidados. A proposta da coletiva não é apresentar uma única ideia de infância, mas reconhecer diferentes maneiras de ser, imaginar, criar e perceber o mundo.
A curadoria de Marcello Carpes reúne diferentes contextos e experiências de infância e parte da ideia de “linhas de fuga” presente no título da mostra. São aquilo que escapa às formas fixas de olhar e compreender a infância. Inspirada na potência inventiva do pensamento das crianças, a exposição convida o público a deslocar certezas e experimentar outras formas de olhar, abrindo espaço para a imaginação, a diferença e o inesperado.
Visitas para escolas e grupos
Para aproximar esse debate de crianças e educadores, a Galeria Lama amplia a programação da exposição e passa a receber escolas públicas e particulares, projetos educativos e outros grupos interessados. As visitas mediadas acontecem nas quintas-feiras (15, 22 e 29 de outubro e 5 de novembro), em dois horários: das 10h às 11h e das 14h às 15h. Os agendamentos podem ser feitos pelo e-mail [email protected].
Segundo o galerista Deivid Vieira, responsável pela Galeria Lama, a iniciativa busca transformar a exposição em um espaço de encontro, escuta e experiência, aproximando diferentes públicos da produção artística e permitindo que cada grupo construa sua própria relação com as obras. “Como propõe a própria exposição, as obras não procuram explicar a infância, mas permitir que ela exista em sua multiplicidade, entre desenhos, palavras, sonhos, memórias, experiências e possibilidades de futuro”, destaca.
Serviço
Exposição | Muitas Infâncias: Linhas de Fuga do Olhar
De 06 de outubro a 07 de novembro
Terça a sábado, das 18h às 00h
Período
Local
Galeria Lama
Calçadão João Pinto, 198 Centro, Florianópolis - SC
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“Nós, Jovens” reúne reproduções de vinte obras criadas por adolescentes que cumprem medida socioeducativa em São Paulo e por jovens em uma instituição de custódia em West Yorkshire, na Inglaterra,
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“Nós, Jovens” reúne reproduções de vinte obras criadas por adolescentes que cumprem medida socioeducativa em São Paulo e por jovens em uma instituição de custódia em West Yorkshire, na Inglaterra, durante oficinas de experimentação plástica realizadas entre abril e julho de 2026.
Ao todo, foram doze oficinas realizadas simultaneamente em dois países: no Brasil, na Fundação CASA Juquiá, no bairro do Brás, e na Inglaterra, na HM Young Offender Institution Wetherby. Cada instituição contou com a participação de dez a vinte e cinco adolescentes. O ponto de partida foram as músicas favoritas dos jovens, que serviram de inspiração para a criação de imagens autorais com serigrafia, colagem e outras técnicas gráficas.
Os depoimentos que acompanham as imagens da exposição foram escritos pelos próprios artistas e acrescentam novas camadas de sentido aos trabalhos.
Serviço
Exposição | Nós, Jovens
De 7 de outubro a 1 de junho
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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Há formas que desaparecem com a maré e outras que atravessam o tempo. Entre a areia, o fogo, a terra e o bronze, “ETERnos da Terra” nasce justamente desse intervalo
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Há formas que desaparecem com a maré e outras que atravessam o tempo. Entre a areia, o fogo, a terra e o bronze, “ETERnos da Terra” nasce justamente desse intervalo entre o que é passageiro e o que permanece. E o resultado disso estará presente na primeira exposição em conjunto dos artistas Miu e Pedro Caetano, com curadoria de Meg Tomio Roussenq, na Galeria Berlin, em Florianópolis.
Inédita, a exposição nasce de uma investigação sobre natureza, matéria, tempo e permanência. “Existe um diálogo entre aquilo que é efêmero e aquilo que permanece: a marca feita na areia e levada pela maré, a cerâmica que atravessa o fogo e guarda o gesto, e o bronze, que leva esse mesmo gesto para uma matéria capaz de atravessar o tempo”, destaca Miu.
Construída ao longo de aproximadamente um ano e meio, desde abril de 2025, a exposição reúne, na grande maioria, obras criadas especialmente para o projeto. Segundo a artista, a exposição vai reunir esculturas em bronze e cerâmica entre elas os “Seres” e as “Dançarinas”, fotografias das esculturas e das ‘land arts’ realizadas na praia, além de uma grande instalação de terra, como um canteiro, onde algumas obras parecem emergir da terra enquanto outras repousam ou “dormem” sobre ela.
A exposição também terá um vídeo criado por Pedro, que acompanha parte do processo de criação de Miu, desde o trabalho com o barro no ateliê e as queimas em forno a lenha até a realização das ‘land arts’, intervenções realizadas na praia e na neve.
Ao todo, “ETERnos da Terra” terá 16 esculturas em bronze, três em cerâmica, oito fotografias em grandes formatos e cerca de 20 fotografias menores, além de uma grande luminária fotográfica suspensa no teto e uma instalação de terra que vai ocupar o centro de uma das salas da galeria.
“Esse projeto vem muito do meu desejo de eternizar as formas que crio”, conta Miu. A cerâmica, para ela, já representa uma permanência maior do que as obras realizadas na areia, mas continua sendo uma matéria frágil. O bronze surge, então, como uma possibilidade de levar essas formas adiante. “Gosto da ideia de que ele conserva o meu gesto, quase como se congelasse um movimento e permitisse que ele atravesse o tempo”, compartilha.
A expografia da exposição na Galeria Berlin foi pensada a partir das características de cada uma das três salas expositivas. O percurso começa em um ambiente mais claro e aberto, onde estarão o texto curatorial, esculturas de parede, fotografias das intervenções na areia e uma grande luminária suspensa, com a imagem de um ipê impressa.
Na segunda sala, o clima muda. Mais escura e introspectiva, ela recebe uma grande instalação de terra, concebida como um canteiro. Sobre e dentro dela, as esculturas aparecem como se emergissem da terra, repousassem ou estivessem adormecidas. Já as fotografias que acompanham esse espaço também terão um tom mais contemplativo.
A terceira sala ocupa um meio-termo entre as duas anteriores, com uma atmosfera mais equilibrada.Nela estarão esculturas variadas dispostas sobre pedestais e fotografias que contam um pouco das experiências vividas por Miu e Pedro ao longo da trajetória com as ‘land arts’.
Para Miu, as características do espaço também foram fundamentais para a construção da exposição. “Vejo o Berlim como um espaço aberto às artes em suas diferentes linguagens, e isso me agrada muito”, afirma. Para ela, as características distintas das salas permitiram construir atmosferas próprias para cada momento da mostra.
“Está sendo uma honra poder criar dentro desse espaço e transformar cada sala em uma experiência diferente. Acho que o público poderá entrar um pouco no universo que eu e o Pedro construímos juntos e, espero que possam sair de lá com um olhar mais atento, amoroso e profundo para a natureza”, completa.
Serviço
Exposição | ETERnos da Terra
De 7 de outubro a 28 de novembro
Terça a sábado, das 13h30 às 23h
Período
Local
Galeria Berlin
Rua Vítor Konder, 409, no Centro de Florianópolis - SC
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A mostra O mundo em trânsito de Marcone Moreira propõe uma imersão no universo visual e simbólico do artista maranhense, radicado no Pará, cuja obra reflete
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A mostra O mundo em trânsito de Marcone Moreira propõe uma imersão no universo visual e simbólico do artista maranhense, radicado no Pará, cuja obra reflete o diálogo entre a paisagem amazônica, o cotidiano popular e as tensões de um mundo em constante transformação; além de ser um importante marco em sua trajetória, sendo a primeira exposição institucional no estado onde nasceu, o Maranhão.
A abertura acontece no dia 07 de outubro, às 18h30, no CHÃO SLZ, com a presença do artista. A noite reúne a visita à exposição e uma conversa entre Marcone Moreira e Dinho Araújo, que aproxima o público dos processos, materiais e percursos que atravessam a obra do artista.
A arte como arqueologia do presente
Marcone Moreira constrói sua trajetória a partir da paisagem de Marabá (PA) — cidade situada entre os rios Tocantins e Itacaiúnas, ponto de partida para uma poética visual que une o popular e o contemporâneo.
Segundo o curador Eucanaã Ferraz, a exposição percorre a noção de “mundo em trânsito”, em que materiais, linguagens e tempos se cruzam em constante mutação.
A mostra se estrutura sobre a ideia de que a paisagem e a ruína são faces de um mesmo movimento: o da transformação e da sobrevivência.
“Marcone traduz a Amazônia não como cenário exótico, mas como território simbólico e universal
— lugar de cruzamentos, ausências e reinvenções”, explica o curador.
Entre linguagens, suportes e sentidos
A exposição reúne trabalhos de diferentes momentos da carreira do artista, traçando um panorama de sua pesquisa em torno dos materiais, da paisagem e das transformações sociais e simbólicas da Amazônia.
Entre as séries apresentadas estão Cruzamentos, composições feitas a partir de madeiras e parafusos de carrocerias de caminhões, que evocam o deslocamento entre rios e estradas, vida e morte, ausência e presença. Nas séries Páginas e Rotas, o artista cria arranjos cromáticos com madeiras de embarcações desgastadas, estabelecendo um diálogo entre o construtivismo brasileiro e o imaginário popular amazônico.
As pinturas de Travessias trazem figuras solitárias em embarcações, como metáforas da travessia humana entre o trabalho e a magia, a história e o mito. Nas obras instalativas, está Vertebral, uma grande escultura formada por hélices fundidas em alumínio, dispostas em movimentos sinuosos que remetem à força e à vitalidade da sucuri, símbolo ancestral da floresta e do corpo vivo da natureza; e Exaustos, instalação composta por porretes e cepos de madeira usados na quebra do babaçu e da castanha-do-pará.
Uma Amazônia plural e contemporânea
A exposição é um desdobramento de “Entre Ruínas: o mundo em trânsito de Marcone Moreira”, apresentada em 2025 na CAIXA Cultural de São Paulo, e propõe uma leitura da Amazônia como metáfora do Brasil contemporâneo, que é múltiplo, fragmentado, por vezes devastado, mas ainda pleno de potência criativa e ancestralidade.
A mostra convida o público a refletir sobre as relações entre paisagem e identidade, matéria e memória, levando a arte de Marcone Moreira a ser compreendida como um testemunho sensível de nosso tempo.
Serviço
Exposição | O mundo em trânsito
De 07 de outubro a 07 de novembro
Terça a sábado, das 14h às 19h
Período
Local
CHÃO SLZ
Rua do Giz, 167 – Praia Grande – São Luís - MA
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Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir
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Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir dessas questões que Ana Calzavara constrói “Desenredo“, sua segunda exposição individual na Maneco Müller | Multiplo Galeria, que abre no dia 8 de outubro, no Leblon. Fruto de uma intensa temporada de trabalho em Lisboa, a série inédita de pinturas a óleo aprofunda a investigação poética da artista sobre a experiência do olhar e a forma como apreendemos as imagens em um cotidiano atravessado por telas e fluxos incessantes de informação. Partindo dessa fragmentação, as pinturas de Calzavara buscam justamente o contrário: captar do espectador um olhar mais duradouro e concentrado, no qual a atenção seja, de alguma forma, recuperada.
“Desenredo” reúne conjuntos de paisagens, cenas que captaram o olhar da artista ao longo de uma temporada de dois meses na capital portuguesa. As pinturas aparecem em grupos, em conjuntos, como padrões, mas fragmentados, em pedaços que se misturam, se mesclam e se contaminam. Nada é linear, nem óbvio. A imagem existe numa espécie de jogo de aparecimento-desaparecimento, presença-ausência, permanência-mudança, clareza-ilegibilidade, continuidade-descontinuidade, que é como vemos o mundo hoje (“estamos cegos de tanto ver”). Outra característica da obra dela, presente nesses trabalhos, é o desejo de reter a imagem efêmera e incontrolável, aquilo que some no instante seguinte, o que é quase impossível de capturar, seja do mundo físico ou virtual. O texto crítico da mostra é de Pedro Duarte.
Em “Substâncias de sombra”, primeiras pinturas da série, raios de sol atravessam os ramos de uma árvore, mas o que vemos são apenas silhuetas. Em “Brilhos”, o que vai para a tela é a bioluminescência das microalgas e plânctons da foz do Tejo, a luz mágica e fugidia na ondulação. Em “Riscos”, é o pisca-pisca dos vagalumes numa floresta em Sintra. “Dados” traz padrões de azulejos do século XVI em combinação com QR Codes, como códigos digitais impregnados de significados, mas sujos, desbotados, desgastados pelo tempo, incompatíveis com a tecnologia de leitura de dados. Em “Estilhaços”, ela reproduz aquelas imagens indecifráveis que surgem nas telas no momento de um curto-circuito de dados, os “glitches”, remetendo ao estado de “burnout” da nossa atenção. Em “Véu e cinzas”, vemos uma floresta calcinada, encoberta de fumaça, numa grande tela de 1,50 X 2,00 m, montada a partir de pequenas telas coladas, como um painel de azulejos.
Segundo a artista, o nome da exposição, “Desenredo”, remete a esse embaralhamento do olhar, a uma narrativa que explodiu, se despedaçou e não é mais linear. “A exposição traz essa experiência da fragmentação, mas numa tentativa de subvertê-la. Quero provocar o espectador para olhar o mundo de uma forma diferente da que estamos acostumados. A exposição nasce do desejo de renovar a experiência do espectador com a imagem, de fazer com que essa imagem se relacione com ele de uma forma mais persistente, que não seja descartada, que traga uma reflexão”, explica a artista.
Segundo Maneco Müller, sócio da galeria, Ana Calzavara é uma artista de raro talento, que não separa a vida da arte e nem se alinha a nenhum modismo ou estilo. “Ela faz uma pintura de alto valor crítico, resultado de uma pesquisa extensa e profunda, aliada a um grande domínio da técnica”, diz ele, lembrando que a artista é bacharel em Artes Visuais pelo Unicamp, pós-graduada em pintura pela Byam Shaw School of Art, Londres; mestre (2006), doutora (2012) e pós-doutora (2018) em Poéticas Visuais pela ECA/USP. “Em termos poéticos, ‘Desenredo’ é, no fundo, uma grande exposição sobre o desconhecido, sobre o momento que estamos vivendo, onde tudo está enevoado e não sabemos como caminhar nesse mundo sem chão”, complementa.
“Ana Calzavara é uma artista cuja produção acompanhamos com muito entusiasmo. A força e a qualidade de seu trabalho nos levaram a realizar essa segunda exposição na galeria em apenas dois anos, o que diz muito sobre a força que vemos em sua obra e sobre o lugar que ela vem conquistando no cenário contemporâneo”, diz Stella Freitas, sócia de Maneco na galeria. A exposição pode ser visitada até 21 de novembro, com entrada gratuita.
Serviço
Exposição | Desenredo
De 08 de outubro a 21 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 18h30 (sábados, sob agendamento)
Período
Local
Galeria Maneco Müller | Mul.ti.plo
Rua Dias Ferreira, 417/206 - Leblon – Rio de Janeiro - RJ
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O Ateliê397 inaugura, em 8 de outubro, a exposição Horizontes do Solo, com trabalhos de Bárbara Banida, Cláudio Cretti e
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O Ateliê397 inaugura, em 8 de outubro, a exposição Horizontes do Solo, com trabalhos de Bárbara Banida, Cláudio Cretti e Pedro França e curadoria de Érica Burini. A mostra é fruto da primeira edição da Residência Instituto Olho d’Água (IOD’A), realizada em fevereiro de 2026, em Coronel José Dias, no Piauí. As obras investigam as relações entre o passado arqueológico, as memórias das comunidades e a vida contemporânea no território do Parque Nacional Serra da Capivara e em suas imediações.
Concebida por Márcia Lerro Pimenta e Marian Rodrigues e realizada em parceria com o Instituto Olho d’Água, a residência reuniu os três artistas e a curadora em uma experiência de pesquisa e convivência. O programa incluiu visitas aos sítios arqueológicos e a instituições como o Museu do Homem Americano, além do contato com moradores e com as atividades do instituto, dedicado ao fortalecimento da identidade cultural dos povos da região.
A exposição parte da ideia do solo como um espaço no qual diferentes tempos se encontram. Em diálogo com o pensamento do antropólogo Tim Ingold, o texto crítico de Burini propõe olhar para esse chão como uma superfície em transformação, marcada por vestígios e pela interpenetração entre passado e presente. Nesse contexto, os artistas desenvolveram trabalhos que aproximam as pinturas rupestres, a fauna e a flora da Caatinga, a pesquisa científica e os saberes das comunidades locais.
Esse encontro também envolve os conflitos decorrentes da criação do parque, em 1979. A proteção do patrimônio arqueológico e ambiental foi acompanhada pela desapropriação de famílias tradicionais, que perderam suas casas e o acesso às áreas de cultivo e coleta. Reaproximar essas comunidades do território é uma das frentes de atuação do Instituto Olho d’Água, que oferece espaços de convivência, leitura e criação, com atividades de cerâmica, bordado, arqueologia, capoeira e teatro, entre outras.
Cláudio Cretti apresenta um trabalho escultórico com objetos coletados em conversas com a população, além desenhos inspirados pela experiência na residência. Pedro França produziu, em colaboração com Gilvonete Paes, professor no IOD’A, e alunos atendidos pelo Instituto, um painel de cerâmica em forma circular, como uma grande panela ou cratera, que reúne ossos, aviões, bolos, dinossauros, videogames e outros sonhos, modelados em um processo coletivo. Já Bárbara Banida investigou as memórias das mulheres atendidas pelo IOD’A através de canções e memórias relatadas, que foram gravadas e unidas em uma instalação montada com gavetas e objetos guardados — um altar de miudezas. Ela também traz pinturas feitas com óxidos de ferro, componente principal das tintas utilizadas nas pinturas rupestres.
Dois conjuntos de vídeos ampliam o contexto das obras. O filme Dez mil anos de arte rupestre no Piauí, dirigido por Anne-Marie Pessis e filmado em 16 mm em 1984, apresenta pinturas e gravuras rupestres da Serra da Capivara. Com texto de Niède Guidon, narração de Catherine Railliet e trilha sonora de Bernadette Arnaud, a produção examina diferentes tradições gráficas e suas sobreposições nos sítios arqueológicos.
Já os vídeos do projeto Cabine de Memórias, realizado pelo Instituto Olho d’Água, apresentam depoimentos de moradores tradicionais do território. As lembranças de infância, do cultivo, das brincadeiras, das canções e das festas registram modos de vida ligados à região e contribuem para a preservação de seu patrimônio material e imaterial.
Ao reunir produção artística, registros arqueológicos e histórias de vida, Horizontes do Solo propõe imaginar um futuro que reconheça os diferentes saberes e experiências de quem compartilha um mesmo chão.
Serviço
Exposição | Horizontes do Solo
De 8 de outubro a 21 de novembro
Quarta a sábado, das 14h às 18h
Período
Local
Ateliê397
Travessa Dona Paula, 119A – Higienópolis, São Paulo - SP
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A Casa Yara DW, em Pinheiros, apresenta, de 10 de outubro a 21 de novembro de 2026, Amigo do Sol, Amante da Lua, exposição individual do artista paulistano Thiago Nevs
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A Casa Yara DW, em Pinheiros, apresenta, de 10 de outubro a 21 de novembro de 2026, Amigo do Sol, Amante da Lua, exposição individual do artista paulistano Thiago Nevs (São Paulo, 1985), com curadoria da historiadora da arte e pesquisadora Érica Burini. A mostra reúne cerca de 12 obras inéditas, produzidas a partir de 2022, e introduz a marchetaria na pesquisa do artista. Apresentados em pares, os trabalhos colocam pintura e marchetaria em diálogo, explorando contrastes entre cores, materiais e modos de construir uma imagem.
Na leitura de Burini, os contrastes ganham destaque com a introdução da marchetaria na produção de Nevs. Eles aparecem no encontro entre o colorido das pinturas e os tons naturais dos materiais empregados na técnica, que combina recortes para formar desenhos sobre uma superfície. A disposição em pares permite observar como um mesmo repertório ganha novas cores e texturas. Para a curadora, essa paleta mais restrita traz às imagens uma tonalidade sépia, próxima à de fotografias antigas, acrescentando outra relação com a memória à produção do artista.
Esses encontros também dão sentido ao título da exposição. Dia e noite, claro e escuro, ornamento popular e geometria construtiva. Na mostra, Nevs amplia esse diálogo entre técnicas artesanais tradicionais e estruturas compositivas contemporâneas, dando continuidade à investigação dos saberes e das imagens que circulam fora dos espaços formais da arte.
Filetes de carrocerias de caminhão, frases de lameiros, grafite e cartazes feitos por letristas estão entre as referências dessa pesquisa. Criado na periferia de São Paulo e filho de caminhoneiro, Nevs aproxima essas manifestações de sua própria história e de observações realizadas em viagens pelo Brasil e pela América Latina. Seu interesse se volta aos desenhos, letras e adornos que conferem identidade a veículos, fachadas e espaços de passagem.
A mostra dá continuidade a questões presentes em Panorama, realizada na Chocolate Notebooks, em 2021, e Sobre-Carga, apresentada na Usina Luis Maluf, em 2022. Nessas exposições, o artista explorou a pintura ornamental de carrocerias e incorporou lonas, cordas e objetos do universo dos caminhões a pinturas, esculturas e instalações.
No encerramento de Amigo do Sol, Amante da Lua, em 21 de novembro, a Casa Yara DW promove um bate papo aberto ao público com a participação do artista.
Serviço
Exposição | Amigo do Sol, Amante da Lua
De 10 de outubro a 21 de novembro
Segunda a sexta, das 9h às 18h
Período
Local
Casa Yara DW
Rua Costa Carvalho, 52 – Pinheiros, São Paulo – SP
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A plataforma de arte contemporânea ORA inaugura a primeira exposição individual Arqueologia da superfície em São Paulo da artista Cristina Vasconcelos. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra intitulada “Arqueologia
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A plataforma de arte contemporânea ORA inaugura a primeira exposição individual Arqueologia da superfície em São Paulo da artista Cristina Vasconcelos. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra intitulada “Arqueologia da superfície”, reúne cerca de 20 obras, entre instalações, vídeos, pinturas, assemblages, sons e esculturas, e propõe uma escuta sensível da matéria como forma de cartografar um mundo em ruínas e repovoamentos.
Na contramão de um tempo regido pela produtividade e velocidade, Cristina desenvolve uma poética radical que recusa a centralidade do humano. Seus trabalhos funcionam como mapas espirituais de um mundo sem humanos, seja situado em um passado longínquo ou em um futuro pós-apocalíptico. “Arqueologia da superfície” é o nome que a artista dá à própria metodologia, em que escava as camadas sensíveis da realidade, em busca de vestígios materiais e imateriais de outras existências possíveis na Terra.
“Quero que o público perceba que há uma sabedoria silenciosa na matéria, que o mundo fala, mesmo quando parece devastado. Vivemos um tempo de velocidade e saturação de imagens; minha proposta é ir na contramão disso, propor uma pausa, um ressignificar, um encontro com o silêncio e com o invisível”, afirma Cristina.
Utilizando materiais como barro, vidro, ferrugem, areia, grafite, concreto, aço inox, látex oxidado, resina, silicone, porcelana fria e pigmentos minerais, a artista ativa uma relação de escuta com a matéria, entendendo cada uma como arquivo vivo que carrega em si memórias, afetos e processos de transformação: “esses materiais são, para mim, corpos vivos em mutação e alquimia. Eles carregam memória, energia e tempo. Não os escolho pela aparência ou pela função estética, mas pelo que comunicam silenciosamente”, explica.
Segundo o curador Lucas Dilacerda, “a artista opera como uma sismógrafa, captando vibrações do tempo e do espaço, nos enviando mensagens que não se traduzem em palavras, mas em imagens que oscilam entre o sublime e o espasmo, entre o espiritual e o geológico”.
“Arqueologia da superfície” é, portanto, um chamado para desacelerar, desenterrar e escutar os sinais da Terra, num momento em que a crise ecológica, política e sensível exige novas cosmologias. Nessa mostra, arte e matéria se encontram como testemunhas de um mundo que ainda insiste em sobreviver.
Com esta exposição, a ORA reafirma seu compromisso em destacar artistas que transitam entre práticas contemporâneas, territórios e materialidades. Ao apresentar a pesquisa de Cristina Vasconcelos, a plataforma amplia seu escopo curatorial, consolidando-se como espaço de experimentação e pensamento crítico no cenário da arte contemporânea brasileira.
Serviço
Exposição | Arqueologia da superfície
De 10 de outubro a 7 de novembro
Terça à sábado, das 11h às 18h
Período
Local
ORA
Rua Bento Freitas 306 - subsolo, República, São Paulo - SP
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A Lemos de Sá Galeria de Arte, em Belo Horizonte, apresenta “DIÁRIOS”, exposição individual de Marco Tulio Resende, com curadoria de Alexandre Madalena. A mostra celebra os 50 anos de
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A Lemos de Sá Galeria de Arte, em Belo Horizonte, apresenta “DIÁRIOS”, exposição individual de Marco Tulio Resende, com curadoria de Alexandre Madalena. A mostra celebra os 50 anos de carreira do artista e reúne obras inéditas em preto e branco, incluindo pinturas, instalações e um conjunto de 102 diários produzidos ao longo de sua trajetória.
A exposição destaca o desenho como elemento central da pesquisa de Marco Tulio, presente em seus cadernos como forma de registrar pensamentos, experiências, memórias e processos criativos. Ao longo de cinco décadas, o artista construiu um extenso arquivo visual que revela a transformação de ideias e imagens por meio da prática cotidiana.
Nas obras apresentadas, o desenho ultrapassa os limites do papel e se desdobra em diferentes suportes, materiais e escalas. A escolha pelo preto e branco valoriza linhas, texturas, sombras e contrastes, evidenciando as relações entre gesto, matéria e espaço.
Realizada no ano em que a Lemos de Sá Galeria completa 35 anos, “DIÁRIOS” propõe uma reflexão sobre tempo, memória e criação artística, convidando o público a acompanhar os diferentes caminhos percorridos pelo desenho na produção de Marco Tulio Resende.
A exposição foi inaugurada em 17 de outubro de 2026 e permanece aberta à visitação de 19 de outubro de 2026 a 13 de fevereiro de 2027.
Serviço
Exposição | DIÁRIOS
De 17 de outubro a 17 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h ás 17h; sábados, das 10h ás 13h
Período
Local
Lemos de Sá Galeria de Arte
Rua Germano Chatti 255 Mangabeiras BH - MG
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A exposição “Ficção”, de Rodrigo Bivar, reúne pinturas e trabalhos que exploram as relações entre figuração e abstração, investigando as possibilidades da cor, da forma e da composição. A mostra
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A exposição “Ficção”, de Rodrigo Bivar, reúne pinturas e trabalhos que exploram as relações entre figuração e abstração, investigando as possibilidades da cor, da forma e da composição. A mostra apresenta diferentes momentos da pesquisa do artista, que parte de imagens do cotidiano e avança para a criação de formas orgânicas e geométricas, construindo universos visuais próprios.
Após anos trabalhando com pinturas figurativas baseadas em fotografias, Bivar passou a experimentar, por volta de 2015, composições abstratas marcadas por planos e faixas de cor. Gradualmente, essas estruturas deram lugar a formas orgânicas, que sugerem personagens, movimentos e expressões. Em pequenas pinturas, o artista sobrepõe camadas, apaga e redesenha contornos, criando figuras que parecem pertencer a um alfabeto imaginário.
Na série “Alegrias ou Perturbações do Contorno”, Bivar utiliza recortes de papel Paraná, pintura e molduras coloridas para investigar os limites entre figura e fundo. Os materiais e as cores passam a integrar a composição, aproximando a pintura de um objeto tridimensional e questionando as fronteiras tradicionais do quadro.
A exposição inclui ainda uma obra site-specific, criada especialmente para o espaço, na qual pequenas pinturas são dispostas sobre o desenho de uma grande mata. Ao aproximar paisagem, personagens, figuração e abstração, o trabalho sintetiza a pesquisa de Bivar e convida o público a perceber a pintura como um campo de experimentação, invenção e construção de novos mundos.
Serviço
Exposição | Ficção
De 17 de outubro a 28 de novembro
De terça a sexta, das 11h às 19h; sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Zielinsky
Travessa Dona Paula, 33 Higienópolis, São Paulo - SP
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A exposição “Presente Contínuo” reúne, de um lado, obras doadas por artistas que fizeram residência aqui: testemunhos materiais de passagens, memórias, trocas e afetos acumulados ao longo dos anos. De
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A exposição “Presente Contínuo” reúne, de um lado, obras doadas por artistas que fizeram residência aqui: testemunhos materiais de passagens, memórias, trocas e afetos acumulados ao longo dos anos. De outro, dá visibilidade às práticas de quem hoje ocupa os ateliês do espaço. Nesse ponto de encontro, passado e agora convergem em dois modos de “presente”, e reafirmam o Fonte como um ecossistema vivo de apoio à criação contemporânea, impulsionando diálogos e futuros possíveis.
Artistas participantes:
Adrian Balseca, Ana Thomé, André Felipe Cardoso, Caio Borges, Daniel Toledo, Elvira Amor, Felipe Alvarez Parisi, Fuentesal Arenillas, Gui Borsatto, Gustavo Prata, Hudson Senna, Inês Moura, Luah Souza, Lyz Parayzo, Marcelo Amorim, Nino Cais, Ósi Magalhães, Sandra Gamarra Heshiki, Simone Fontana Reis, Simone Moraes e Zé Tepedino.
Serviço
Exposição | Presente Contínuo
De 17 de outubro a 07 de novembro
Quinta a sábado das 14h às 19h
Período
Local
Fonte
Rua Mourato Coelho 751, Vila Madalena, São Paulo - SP
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O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro, apresenta “As Palavras”, exposição individual de Suely Farhi, com curadoria de Luiza Interlenghi. Em cartaz até 22
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O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro, apresenta “As Palavras”, exposição individual de Suely Farhi, com curadoria de Luiza Interlenghi. Em cartaz até 22 de novembro de 2026, a mostra reúne dez instalações realizadas desde 1994, incluindo obras inéditas e trabalhos revisitados. Pela primeira vez, a artista apresenta um conjunto de sua produção dedicado ao universo feminino, explorando as relações entre palavra, imagem, corpo e espaço.
Entre os destaques está a instalação inédita “Elogios às marias-sem-vergonha”, composta por vasos de vidro transparentes, de diferentes formatos e tamanhos, preenchidos com água e marcados por palavras que valorizam características associadas às mulheres. A disposição dos objetos convida o público a se movimentar pelo espaço para descobrir os diferentes adjetivos. Outra obra inédita, “Suspiros alfabéticos”, apresenta 26 desenhos feitos a partir das letras do alfabeto, organizados em um painel de dez metros de comprimento, estabelecendo relações entre escrita, som e corpo feminino.
A exposição também apresenta “O terceiro lado”, obra de 2006 atualizada para a mostra. O trabalho utiliza duas moedas com inscrições que fazem referência aos estigmas e silenciamentos impostos às mulheres, além de um terceiro espaço vazio que sugere novas possibilidades de interpretação. Já em “Geral da Geralda”, uma vassoura de piaçava parece sustentar uma parede, deslocando um objeto doméstico de sua função habitual para provocar reflexões sobre apoio, força e equilíbrio.
Outros trabalhos ampliam a investigação da artista sobre linguagem e percepção. A instalação “A noite dos desejos” (1994), remontada especialmente para a exposição, cria uma atmosfera de escuridão pontuada por pequenas luzes que surgem e desaparecem. O vídeo-poema “Barriga” (2010), apresentado pela primeira vez, explora as transformações das palavras e seus significados por meio de imagens em movimento. A mostra inclui ainda desenhos-escritas e a obra “Encontro dos extremos”, que aproxima as letras A e Z em duas taças de champanhe apoiadas uma na outra.
Formada em arquitetura, Suely Farhi desenvolve uma pesquisa artística que aproxima linguagem, objetos e ambientes. Em “As Palavras”, a artista utiliza a disposição das obras, a iluminação e os vazios dos espaços expositivos para criar experiências que convidam o visitante a refletir sobre os sentidos da linguagem, as relações de poder e as possibilidades de transformação presentes no cotidiano.
Serviço
Exposição | As Palavras
De 23 de outubro a 22 de novembro
Terça a domingo, das 11h às 19h
Período
Local
Centro Cultural Justiça Federal
Avenida Rio Branco 241, Cinelândia - Riod e Janeiro - RJ
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A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano inaugura a exposição África – Ancestralidade e Sincretismos. Com curadoria de Renato Araújo e Rafael Schunk a mostra reúne, ao total, 94 peças,
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A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano inaugura a exposição África – Ancestralidade e Sincretismos. Com curadoria de Renato Araújo e Rafael Schunk a mostra reúne, ao total, 94 peças, entre máscaras, esculturas, bustos e objetos associados à religiosidade e às tradições ancestrais de diferentes povos e regiões do continente africano. O destaque é a coleção de arte africana de Marco Antônio de Biaggi, que ganha destaque na mostra com 70 peças; formada ao longo de décadas e apresentada ao público pela primeira vez. O percurso expositivo também inclui obras das coleções Ivani e Jorge Yunes e César De La Croix, Paris.
A exposição parte de dois eixos curatoriais complementares: 1. a diversidade, expressa na variedade de povos, regiões e manifestações culturais representados nas obras, e 2. a unidade, que se revela nas conexões entre essas tradições e na formação cultural do Brasil e das Américas. Nesse contexto, o sincretismo surge como resultado do encontro entre matrizes africanas, indígenas e europeias, em um processo que aproximou diferentes culturas sem apagar suas particularidades.
As raízes africanas da cultura brasileira
As obras evidenciam a diversidade de tradições artísticas, conhecimentos e práticas religiosas de diferentes povos africanos que atravessaram o Atlântico e foram transmitidos entre gerações ao longo das últimas décadas, deixando marcas enraizadas na sociedade brasileira. Entre os destaques estão os povos Bantu, especialmente os Bakongo, originários de regiões do Congo e de Angola, cujas contribuições abrangem conhecimentos de metalurgia e agricultura, além de manifestações religiosas e culturais presentes em expressões como as congadas.
A mostra também aborda a influência dos Iorubás, da África Ocidental, cujas tradições estão presentes no candomblé, na música, nos saberes medicinais e nas artes afro-brasileiras. Outros povos representados, como Ashanti, Maconde, Luba, Hemba, Baga, Bamana, Dogon e Senufo, ampliam o panorama da diversidade cultural do continente. “Buscamos reunir obras de diferentes localidades para apresentar parte da riqueza cultural da África. Ao mesmo tempo, quando esses objetos são colocados em diálogo, podemos perceber como essa diversidade encontrou, no Brasil e nas Américas, pontos de contato que contribuíram para a formação de uma cultura marcada pelo sincretismo”, explica Renato Araújo, curador e pesquisador da Associação Museu Afro Brasil desde 2009.
A escolha das obras a serem expostas também contempla a diversidade de materiais, técnicas e funções dos objetos, que incluem peças em madeira, bronze e fibras naturais, máscaras, esculturas devocionais e objetos ritualísticos. “A seleção do conjunto de obras permite explorar tanto a riqueza formal dessas produções quanto suas relações com a história dos povos africanos e com a diáspora que contribuiu para a formação da sociedade brasileira”, destaca Rafael Schunk, curador e mestre em artes visuais.
Sincretismo: adaptação e resistência cultural
A mostra investiga, também, o sincretismo afro-brasileiro como um processo de transformação e resistência diante das restrições impostas às práticas religiosas de matriz africana. Em um contexto histórico marcado pela escravização e pela perseguição a essas manifestações de fé, diferentes tradições encontraram caminhos para preservar vínculos ancestrais e estabelecer novas relações simbólicas.
Para Renato Araújo, o sincretismo revela a capacidade de adaptação das tradições africanas diante das tentativas de impedir sua continuidade. “A resistência diante da opressão cria o sincretismo: duas tradições encontram um ponto em comum. Quando o culto a determinadas divindades africanas era proibido, estabeleceram-se correspondências com santos católicos que apresentavam características semelhantes. Dessa forma, o que era uma restrição também se tornou uma estratégia de preservação cultural e de manutenção dos vínculos com a ancestralidade”, explica.
Esse cruzamento de referências pode ser observado em diferentes objetos presentes na exposição, como cruzes etíopes, balangandãs com pingentes de significado religioso e esculturas de santos. Mais do que uma simples combinação de crenças, essas expressões evidenciam a capacidade de reinvenção das tradições africanas e sua permanência na formação religiosa e cultural brasileira.
A presença da estética africana na arte e na cultura
Outro aspecto abordado pela mostra é a presença das formas e linguagens visuais africanas na história da arte. A exploração de linhas, volumes e soluções formais, assim como a dimensão simbólica dos objetos, atravessou fronteiras e influenciou diferentes movimentos artísticos, especialmente a arte moderna europeia.
No contexto brasileiro, essas obras também permitem reconhecer uma herança que integra a própria identidade do país. “Esses objetos têm uma dimensão histórica, identitária e, sobretudo, íntima para nós. Os africanos não são ‘outros’ na formação brasileira: suas culturas fazem parte de quem somos.”, afirma Renato Araújo. Ao preservar os contextos históricos, sociais e espirituais dos objetos, a exposição convida o público a ir além de sua apreciação estética e a reconhecer as obras como expressões de saberes, crenças e visões de mundo transmitidos entre gerações.
Ancestralidade e origens da humanidade
A relação entre passado e presente atravessa toda a exposição, que propõe uma reflexão sobre a presença das culturas africanas na identidade brasileira e sobre a ancestralidade como experiência compartilhada pela humanidade.
“A principal reflexão que esperamos que os visitantes façam ao olhar cada obra da exposição é uma pergunta a si próprio: há cerca de 250 mil a 300 mil anos não existiam seres humanos fora da África. Foi desse continente que vieram os ancestrais de todos os mais de 8 bilhões de habitantes do planeta, desde as crianças que estão nascendo agora nos hospitais, todos os descendentes futuros deles remete historicamente ao mesmo lugar: a África. Sendo assim, quanto esse misterioso continente teria a ver conosco e na verdade ainda nem sabemos?”, conclui o pesquisador e curador Renato Araújo.
Serviço
Exposição | África – Ancestralidade e Sincretismos
De 24 de outubro a março de 2027
Terça a domingo, das 10h às 17h30. Valet no local (R$ 30,00).
Período
Local
Fundação Maria Luisa e Oscar Americano
Av. Morumbi, 4077 - São Paulo - SP
Detalhes
a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, em São Paulo, inaugura a exposição Recortes da Vestimenta no Brasil, sob curadoria de Celso Lima — historiador, artista e pesquisador têxtil. A
Detalhes
a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, em São Paulo, inaugura a exposição Recortes da Vestimenta no Brasil, sob curadoria de Celso Lima — historiador, artista e pesquisador têxtil. A mostra reúne cerca de 170 peças originais, dos diferentes períodos da história o Brasil, cedidas por 10 coleções, articulando uma abordagem crítica e abrangente sobre os papéis culturais e socioeconômicos da roupa no país.
A exposição percorre a estética dos povos originários, inserida em seus diversos biomas, o impacto da chegada dos europeus e de seus padrões culturais, as influências dos povos africanos e, posteriormente, as transformações decorrentes da industrialização e da difusão do prêt-à-porter. Ao longo da história da humanidade, as vestimentas transformaram-se em signos culturais, demarcadores das diferentes camadas sociais, econômicas e políticas, nos mais variados tempos e lugares. Seus significados enquanto produtos passaram a ser determinados também por valores afirmativos de identidade e pertencimento.
Peças e paralelos históricos
A mostra traz ao público uma diversidade de suportes e objetos: ferramentas e materiais de costura, peças tradicionais como bonecas de roca com chitas e rendas, adornos, cestarias e cerâmicas indígenas, joias das libertas – de marcante valor político –, vestidos estampados por Aldemir Martins no projeto Rhodia, embornais originais bordados do cangaço e roupas de segurança do trabalho.
A exposição traz ainda vestes de matrizes religiosas diversas, como o boubou iorubá com estamparia em índigo adire (técnica de estamparia e tingimento oriundas da África Ocidental), casulas e estolas católicas do período colonial, além de peças e registros do vestuário de figuras como as imperatrizes Leopoldina e Teresa Cristina e do imperador D. Pedro II.
A mostra aborda também a tradição da confecção doméstica das roupas, apresentando modelos históricos de máquinas de costura e as transformações dessa prática ao longo do tempo. É nesse contexto que o cotidiano de Maria Luisa Americano (1917–1972), a quem a exposição presta homenagem, ganha especial significado. Em sua residência, como em muitas casas de seu tempo, havia uma sala dedicada a essa atividade. Todas as quintas-feiras, reunia-se ali um grupo de amigas para a confecção de roupas, sobretudo peças destinadas às comunidades necessitadas.
“Recuperar a roupa por sua funcionalidade e como cultura memorial, estabelecendo novos hábitos para o vestir aliados a uma indústria democratizante e sustentável, é um dos grandes desafios das sociedades atuais”, destaca o curador Celso Lima.
A complexa teia de influências estéticas, absorvidas e misturadas ao longo da história da vestimenta no Brasil, ajuda a compreender a dificuldade de encontrar uma resposta definitiva para a pergunta onipresente: “Com que roupa eu vou?”
Serviço
Exposição | Recortes da Vestimenta no Brasil
De 20 de setembro a março de 2027
Terça a domingo, das 10h às 17h30. Valet no local (R$ 30,00).
Período
Local
Fundação Maria Luisa e Oscar Americano
Av. Morumbi, 4077 - São Paulo - SP
Detalhes
A exposição GUARDAR corresponde a uma fração daquilo que o casal amealhou ao longo de três décadas. A curadoria de Paulo Venancio Filho optou por um recorte privilegiando as raízes
Detalhes
A exposição GUARDAR corresponde a uma fração daquilo que o casal amealhou ao longo de três décadas. A curadoria de Paulo Venancio Filho optou por um recorte privilegiando as raízes da arte construtiva internacional e seus desdobramentos, assim como livros de artistas, arte cinética e a utilização visual da palavra nas obras de arte.
Ao longo do processo, Chrysostomo nos revelou algo surpreendente: ainda muito jovem, em 1985, a sua primeira percepção da possibilidade de um colecionador privado constituir uma ampla coleção foi ao visitar, por três vezes, no Paço Imperial, a exposição “Seis décadas de arte moderna na Coleção Roberto Marinho”.
O Rio de Janeiro atravessava um período difícil nas artes plásticas pois o Museu de Arte Moderna, recém-restaurado, ainda não estava em pleno vapor, e o Museu Nacional de Belas Artes se dedicava prioritariamente à reforma de suas salas e à conservação de seu acervo. O Paço Imperial veio ocupar um lugar proeminente e a visitação de “Seis décadas (…)”, com uma intensa programação paralela, atingiu a impressionante marca de cerca de 1.000 espectadores por dia.
Outra importante consequência foi a de evidenciar que a vocação principal do antigo palácio deveria ser a de abrigar exposições de artes visuais. A reconstituição criativa de seus espaços, liderada por Glauco Campello, devolveu à cidade, como um centro cultural no coração do Rio de Janeiro, imponentes ambientes no prédio que foi palco de alguns dos mais importantes acontecimentos da história do Brasil.
Hoje, quarenta e um anos depois, no mesmo mês de novembro, na Casa do Cosme Velho, a bela mostra de Marcia e Luiz segue à risca os versos de Antonio Cícero: “Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la”. Tornadas visíveis, as obras poderão iluminar os visitantes e por eles serem iluminadas.
Lauro Cavalcanti
Diretor-Executivo | Casa Roberto Marinho
Serviço
Exposição | GUARDAR
De 19 de novembro a 14 de março
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Casa Roberto Marinho
Rua Cosme Velho, 1105 Rio de Janeiro - RJ
