Exposição "Festival de Impressos Indígenas"

sab30mai(mai 30)11:00sab20jun(jun 20)17:00Exposição "Festival de Impressos Indígenas"Mostra traz para todos os públicos, a literatura, impressos, moda, artes visuais, entre outras produções indígenas.Galeria Carmo Johnson Projects, Rua Anunze, 249 - Boaçava, Alto de Pinheiros, São Paulo - SP

Detalhes

A Galeria Carmo Johnson, em São Paulo, recebe a 3ª Mostra Etnomídia Indígena. Sob o tema “Festival de Impressos Indígenas”, o evento adota o formato de feira-festival consolidando-se como um espaço importante para a expansão da criatividade, da memória e da resiliência de diversos territórios brasileiros.

O evento funciona como uma feira-exposição de artes e, atuando como uma plataforma para que a produção intelectual e artística de diversos povos ocupe o centro do debate cultural em São Paulo. Por isso a ideia de impressos e impressões são o foco desta Edição, que reúne a materialidade da cultura indígena manifestada em múltiplas formas, como a literatura, a moda, impressos e as artes visuais.

Ao transitar por esses diferentes campos, a mostra busca expandir o conceito de criatividade e fortalecer a memória dos povos originários, permitindo que o público compreenda a arte a partir da perspectiva de cada participante. Dois núcleos, fortalecem esse diálogo: um que traz obras de artes visuais expostas como em exposições, e outro, com os diversos impressos a disposição do público, como nas feiras independentes de impressos.

A coordenação geral do Projeto, Naine Terena reforça que esta terceira edição, ‘brinca’ com a ideia das exposições de arte em diálogo com as feiras independentes de impressos, para que se tenha a dimensão das produções indígenas. Para ela, este é também um campo de expansão da atuação indígena, já que a Mostra conta com a presença forte de profissionais oriundos de diversos povos. Naine ressalta a consolidação do projeto ao lembrar que esta é a terceira etapa de um caminho de investigação sobre a mídia indígena e seus desdobramentos. Enquanto as duas edições anteriores tiveram como temas o audiovisual e as “entidades virtualizadas” no século XXI, o atual foca na tangibilidade da impressão e da escrita.

Gustavo Caboco, curador do festival, explica que o conceito de “impresso” na mostra é deslocado de sua definição técnica ocidental para uma dimensão territorial e corpórea. Ele detalha que “no mundo das artes, ‘impresso’ se relaciona às técnicas de gravura. Mas, num festival de impressos indígenas a materialidade se une à memória e o sentido da palavra impresso ganha múltiplos sentidos”.

Caboco defende que as obras apresentadas, sejam elas em tecidos, vídeos ou palha, são, na verdade, impressões dos corpos e dos territórios de povos como os Guarani Ñandeva, Boe, Patamona, Manoki, Myky, Wapixana e Terena. A arte, neste contexto, é o registro físico de uma vivência ancestral transportada para o presente.
Ao final, o curador define as impressões indígenas como “territórios férteis”. Ele pontua que, ao levar essas obras para escolas, universidades ou galerias, os artistas estão carregando a memória de seus territórios originários em suas falas e ações, transformando cada peça exposta em um documento vivo da existência e resistência indígena.

Um dos grandes destaques desta edição é a expografia. Naine Terena explica que é um desejo antigo, também fazer com que o espaço de uma exposição pudesse se assemelhar com a organização espacial e social de alguns povos e aldeias indígenas, trazendo a possibilidade de apresentar como tais representações se dão no dia a dia desses povos.

Pensando nisso,  os estudos assinados por Libério Uiagumeareu, do Povo Boe Bororo Naine Terena e Gustavo Caboco, analisaram a planta da Galeria Carmo Johnson em relação a uma aldeia Boe Bororo, fazendo nascer uma  organização do espaço não meramente estético, mas que replica a complexa organização social e geográfica de uma aldeia Boe, criando uma tradução física da cosmologia indígena, nominada como ‘PA MUGA’, por Libério.

“Conhecendo cada artista, depois a obra e mensagem da peça, nós em cima disso trabalhamos essa aldeia e esse espaço. E denominamos Ce Muga e Pa Muga. Ce Muga no caso, seria o nosso espaço de exposição, no caso o nosso espaço indígena, e Pa Muga seria o nosso espaço como um todo desse diálogo do não indígena com o indígena, o nosso espaço macro”, explica ele.

Participantes
Entre os nomes confirmados está o Coletivo REMBYAPÓ, formado por Ara Guarani, Sônia Guarani e Claudiomiro Guarani, que vivem no Espírito Santo, que trazem um conjunto de pinturas e objetos instalativos, que fazem referência a cultura e vida do seu povo. Edson Benites (Gerpa filho), letrista profissional com quatro décadas de atuação em pintura manual, e a artista Miguela Moura, são de Mato Grosso do Sul e produzem uma grande painel, o’ Jegua marangatu – grafismo sagrado’.

Somando-se a eles, o artista plástico Isaías Miliano, das etnias Macuxi e Patamona e o Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky. Formado por jovens realizadores de Mato Grosso. O grupo carrega no nome a síntese de sua missão: Ijã (história/caminho) e Mytyli (novo). Para os integrantes, o uso do cinema é uma ferramenta para narrar trajetórias ancestrais sob uma perspectiva jovem, guiada pela premissa de que toda história atravessa um caminho que deve ser percorrido com atenção para que ninguém se perca.
A 3ª Mostra Etnomídia Indígena é uma realização da Oraculo Comunicação, com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras.

Serviço
Exposição | Festival de Impressos Indígenas
De 30 de maio a 20 de junho
Terça a Sexta, 11h às 17h, sábados sob agendamento

Período

30 de maio de 2026 11:00 - 20 de junho de 2026 17:00(GMT-03:00)

Local

Galeria Carmo Johnson Projects

Rua Anunze, 249 - Boaçava, Alto de Pinheiros, São Paulo - SP

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