Agenda de arte contemporânea da ARTE!Brasileiros reúne exposições, eventos culturais, mostras, feiras, cursos e atividades em museus, galerias e centros culturais de todo o Brasil.
Agenda de Arte, Exposições e Eventos Culturais
julho
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli,
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, a mostra reúne cerca de 100 obras de 60 artistas de diferentes partes do mundo, propondo um amplo panorama do Surrealismo e de seus desdobramentos na arte moderna e contemporânea. A entrada é gratuita.
Instalada em uma ampla casa na Rua Minas Gerais, esquina com a Praça Marechal Cordeiro de Farias, a nova sede da Pinakotheke conta com 700 m² de terreno, sendo 180 m² dedicados às áreas expositivas e 370 m² de espaço externo. O novo endereço marca uma importante reorganização institucional da Pinakotheke, fundada no Rio de Janeiro em 1979 por Max Perlingeiro, além de consolidar uma nova identidade visual e um projeto de expansão nacional e internacional.
A exposição é organizada em núcleos dedicados a artistas europeus, latino-americanos, norte-americanos e caribenhos, reunindo nomes históricos como Salvador Dalí, René Magritte, Pablo Picasso, Giorgio de Chirico, Joan Miró, Louise Bourgeois, Marcel Duchamp, Leonora Carrington, Roberto Matta e Diego Rivera. Entre os brasileiros, destacam-se obras de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Flávio de Carvalho, Cícero Dias, Farnese de Andrade, Tunga e Erika Verzutti.
Além das pinturas, esculturas, gravuras e fotografias, a mostra contará com salas especiais dedicadas a Maria Martins e Louise Bourgeois, além da exibição de vídeos de artistas contemporâneas como Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. O percurso inclui ainda trechos de filmes clássicos ligados ao imaginário surrealista, como “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí, e “Le Sang d’un poète”, de Jean Cocteau.
Ao longo da exposição, será lançado o livro bilíngue “Surrealismos: arte para além da razão”, publicado pela Pinakotheke Editora, com mais de 300 páginas e textos de pesquisadores e críticos convidados. A Pinakotheke São Paulo fica na Rua Minas Gerais, 246, em Higienópolis, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h.
Serviço
Exposição | Surrealismos: arte para além da razão
De 18 de maio a 15 de agosto
Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Pinakotheke São Paulo Higienópolis
Rua Minas Gerais, 246, Higienópolis, São Paulo - SP
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade dos japoneses, refletindo diversas percepções evocadas no imaginário como paz, purificação, leveza, silêncio e até precisão. É esta cor que assume o papel de fio condutor da exposição “Shiro: uma escala de nuances” (shiro significa “branco”, em tradução do japonês), que estreia no dia 2 de junho na Japan House São Paulo (JHSP). A mostra inédita segue em cartaz no andar térreo da instituição até 25 de outubro, com entrada gratuita.
Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão, passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata, durante o Clube de Leitura JHSP + Quatro Cinco Um em junho do ano passado, que descreve as vastas paisagens brancas do norte do país e o processo de alvejamento de um tecido na neve. “Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”, afirma Natasha.
Dividida em quatro grandes núcleos temáticos correspondentes a cada elemento, a expografia convida os visitantes a um mergulho pelas nuances simbólicas da cor. Logo na entrada, uma tabela cromática com uma seleção de 19 tons de branco catalogados no Japão representa as diversas nuances que uma única cor pode ter, a partir das centenas de cores tradicionais do Japão.
No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo. A obra de aproximadamente três metros de altura também trabalha a relação do papel com luz e sombra a partir de um espelho em sua base. Neste núcleo, o público também poderá conhecer o processo de produção do Kurotani Washi (papel japonês tradicional feito à mão), desde a colheita dos ramos de Kōzo (amoreira) – base para a fabricação deste elemento – até sua finalização. Amostras de três tipos de fibras que dão origem ao washi: Kōzo, Mitsumata e Gampi também estarão em exibição.
Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação “untitled-grandmother”. A delicada obra site-specific de quase 4 metros de diâmetro reflete sobre memória afetiva e os laços construídos (e desconstruídos) dentro dessa relação familiar. Amostras de casulos do bicho-da-seda, fios e tecido da província japonesa de Gunma, referência na produção de seda, também serão apresentados neste núcleo, acompanhados por uma breve introdução em vídeo dessa confecção no Japão.
Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Para representar essa vastidão, foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama, além de um vídeo demonstrando o processo de criação. Nesses trabalhos, é possível ver como o artista compreende a paisagem tomada pela neve como uma tela em branco, para ir caminhando instintivamente sobre ela com um par de pequenos esquis, guiado apenas pelas imagens em sua mente sem o uso de ferramentas de medição. Desse processo, resultam quilômetros de linhas que formam desenhos complexos, possíveis de serem contemplados em sua magnitude apenas do alto. Efêmeras, as “Snow Art” de Kajiyama costumam ocupar áreas de aproximadamente 100m² cada. “Suas criações ocorrem desde antes do amanhecer, no silêncio congelante, enquanto o céu começa a mudar de cor e continuam pela tarde, às vezes estendendo-se por vários dias. Segundo o artista, cada passo que ele dá para compactar a neve representa sua filosofia de esculpir a própria vida com uma mentalidade positiva, mesmo diante das adversidades”, explica a curadora.
A neve é um elemento tão presente no dia a dia do Japão, que os japoneses até desenvolveram um glossário dedicado a descrever suas diversas formas – seja a neve fina que parece pó, seja a neve macia que se assemelha a um mochi (bolinho de arroz glutinoso).
Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Por isso, desde tempos antigos, a produção de sal é feita por um método que consiste em duas etapas: a concentração da água do mar em salinas, e o processo de evaporação por meio da fervura. Esse método permanece em prática até hoje, mesmo que a produção seja feita majoritariamente de forma industrializada. Além de ser utilizado como tempero e conservante, o sal também é um objeto ritualístico na tradição xintoísta. A prática popular de criar pequenos montes de sal e deixá-los perto das entradas das casas, estabelecimentos ou santuários, como forma de atrair boa sorte e afastar os maus espíritos é chamada de morishio ou morijio. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.
A exposição também integra o programa JHSP Acessível, oferecendo WebApp com conteúdos acessíveis e textos traduzidos em inglês, espanhol e japonês, bem como recursos táteis, audiodescrição e vídeos em Libras para proporcionar acessibilidade a todos os visitantes.
Exposição | Shiro: uma escala de nuances
De 02 de junho a 25 de outubro
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Período
Local
Japan House São Paulo
Avenida Paulista, 52 – Bela Vista, São Paulo - SP
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A exposição propõe um encontro inédito entre obras do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e obras do acervo do Sesc Bom Retiro, a partir do deslocamento
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A exposição propõe um encontro inédito entre obras do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e obras do acervo do Sesc Bom Retiro, a partir do deslocamento das obras do MAM São Paulo para visitarem um edifício inteiramente ocupado por um acervo que se apresenta de múltiplas maneiras. Ao levar as obras do MAM São Paulo para esse contexto, a curadoria evidencia diferentes formas de mostrar, organizar e tornar públicos os acervos, colocando em relação práticas institucionais, regimes de visibilidade e modos de mediação.
A proposta se estrutura em torno de duas perguntas centrais: o que acontece quando se decide guardar, cuidar e tornar público um conjunto de obras? E o que há para perceber e conhecer em uma obra de arte? Essas questões orientam o percurso expositivo e atravessam as decisões espaciais, narrativas e educativas do projeto. O acervo é compreendido como uma construção histórica e social, cuja existência se realiza plenamente no encontro com o público, quando as obras circulam, são recontextualizadas e ativam novas leituras.
Ao colocar acervos em diálogo, a exposição propõe uma reflexão sobre a função social das instituições culturais e sobre a fruição estética como experiência em relação. A materialidade das obras, os contextos de produção e os dispositivos de mediação e acessibilidade ampliam as possibilidades de percepção e conhecimento. Mire Veja convida o público a experimentar os acervos como um campo vivo, em constante atualização, a partir de seu corpo, de sua linguagem e de suas próprias experiências de vida.
Artistas
Alberto da Veiga Guignard
Alfredo Ceschiatti
Amelia Toledo
Antonio Henrique Amaral
Artur Barrio
Brígida Baltar
Cao Guimarães
Carlos Zilio
Cássio Vasconcellos
Claudio Tozzi
Cleber Machado
Eduardo Coimbra
Emanoel Araujo
Franz Weissmann
German Lorca
Giuliana Giorgi
Heitor dos Prazeres
Iran do Espírito Santo Labö & Rafaela Kennedy
Laura Vinci
Lenora de Barros
Lothar Charoux
Motta & Lima
Nelson Leirner
Paulo Bruscky
Paulo Nenflidio
Pedro Motta
Rodrigo Andrade
Rodrigo Braga
Rosângela Rennó
Rubens Gerchman
Sara Ramo
Xadalu Tupã Jekupé
Zimar
Mirela Estelles é mediadora cultural e investiga os desdobramentos da narração de histórias na educação em museus e exposições de arte. Estudou Comunicação das Artes do Corpo na PUC-SP e especializou-se em Linguagens da Arte no Centro Universitário MariAntonia, onde iniciou as pesquisas e atividades do projeto Histórias para Ver e Ouvir (2011–). Com experiência em arte contemporânea, educação, livro e leitura, culturas da infância, patrimônio imaterial e públicos de museus, realiza a curadoria de exposições e projetos educativos em escolas, livrarias, bibliotecas, museus e outras instituições culturais, com atenção aos aspectos de acessibilidade e diversidade na gestão cultural de equipes multidisciplinares. Atualmente, coordena a área de educação do Museu de Arte Moderna de São Paulo, onde atua desde 2009.
Valquíria Prates investiga a mediação cultural das artes visuais e da literatura em diálogo com pesquisa, escrita, curadoria e educação. É graduada em Letras e Pedagogia, mestre em Políticas Públicas de Acessibilidade pela USP e doutora em Artes pela Unesp, com a tese Como Fazer Junto: a Arte e a Educação na Mediação Cultural. Seu trabalho articula saberes acadêmicos e práticas colaborativas em diferentes territórios e contextos sociais. Atualmente, desenvolve projetos com o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Instituto Moreira Salles, a Fundação Roberto Marinho, Inhotim, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará e o Instituto de Arte Contemporânea de Ouro Preto.
O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo) é uma instituição dedicada à arte moderna e contemporânea. Fundado em 1948, mantém um acervo voltado à produção brasileira dos séculos XX e XXI. Além de exposições, atua em pesquisa, conservação e ações educativas.
Serviço
Exposição | Mire e Veja – MAM São Paulo Visita o Sesc Bom Retiro
De 01 de julho a 27 de setembro
Terça a sexta, das 9h às 20h sábado, das 10h às 20h, domingo e feriados, das 10h às 18h
Período
Local
Sesc Bom Retiro
Alameda Nothmann, 185 – Bom Retiro – São Paulo - SP
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A Almeida & Dale inaugura Omẽ Mahsã – Seres invisíveis, nova exposição individual de Daiara Tukano. A mostra apresenta cerca de vinte pinturas inéditas — incluindo uma obra com mais
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A Almeida & Dale inaugura Omẽ Mahsã – Seres invisíveis, nova exposição individual de Daiara Tukano. A mostra apresenta cerca de vinte pinturas inéditas — incluindo uma obra com mais de três metros de comprimento — e um conjunto de trabalhos em nanquim sobre papel que tomam a cosmologia do povo Yepá Mahsã como eixo de investigação, reunindo representações de animais, seres e entidades ligados ao ar.
As obras mostram representações de padrões ritmados, chamados Hori, além de representações de ventos e aves, relacionados a importantes narrativas do povo Yepá Mahsã, também chamado de Tukano. Nelas, Daiara articula um estudo sobre a cultura de seu povo e experimentações com as formas e a luz, buscando compreender a densidade de suas vibrações.
A exposição dá continuidade à pesquisa da artista pelas relações entre imagem, transformação e ancestralidade. Em suas pinturas, formas geométricas, ritmos visuais e campos luminosos tornam visíveis conhecimentos transmitidos entre gerações, ao mesmo tempo em que investigam a densidade e a vibração das imagens. Entre referências às pinturas corporais, cestarias, cerâmicas e outros objetos tradicionais, a artista constrói composições que evocam a história de transformação que estrutura a cosmologia Tukano.
O retorno de Daiara Tukano a São Paulo acontece em um momento de intensa circulação de sua produção artística e curatorial. Nos últimos anos, a artista realizou projetos em cidades como Brasília, Rio de Janeiro, Roma e Paris, consolidando uma atuação que articula arte, pesquisa e ativismo em defesa dos direitos dos povos indígenas.
Recentemente, Daiara recebeu a Medalha Rui Barbosa de 2025, honraria concedida a personalidades e instituições que se destacam pela contribuição à cultura brasileira. Em 2026, realizou um mural em homenagem a Ailton Krenak no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, apresentado durante a Virada da Sustentabilidade. Entre seus projetos mais recentes está a concepção da exposição Ohpeko Dihtara – Travessias da Guanabara, em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, reunindo obras de artistas indígenas de diferentes povos originários do Brasil.
Pertencente ao clã Erëmiri Hãusiro Parameri do povo Yepá Mahsã, Daiara Tukano é artista, comunicadora, ativista dos direitos indígenas e pesquisadora em direitos humanos. Vencedora do Prêmio PIPA Online em 2021 e do Prêmio Prince Claus em 2022, participou de exposições em instituições como MASP, Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte do Rio, El Museo del Barrio, em Nova York, Hayward Gallery, em Londres, e Centre de Cultura Contemporània de Barcelona. Suas obras integram coleções como Harvard Art Museums, MASP, Pinacoteca de São Paulo, El Museo del Barrio e Museo delle Civiltà.
Serviço
Exposição | Omẽ Mahsã – Seres invisíveis
De 04 de julho a 01 de agosto
Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h Sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Almeida & Dale Fradique
Rua Fradique Coutinho 1360 | 1430, São Paulo - SP
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra grandiosa que atravessa gerações e ocupa um lugar singular na cultura do país.
Idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), a exposição chega ao Museu das Favelas em sua primeira itinerância, reunindo mais de 650 itens do acervo pessoal de Alcione — entre fotografias raras, vídeos, prêmios, figurinos e objetos marcantes. Com Amor, Alcione convida o público a percorrer momentos da trajetória artística e biográfica da cantora, percorrendo temas como família, fé, carnaval, migração e identidades negra e nordestina, evidenciando como a trajetória de Alcione dialoga com experiências coletivas e processos históricos que constituem a cultura brasileira.
Serviço
Exposição | Com Amor, Alcione
De 10 de julho a 06 de dezembro
Terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h
Período
Local
Museu das Favelas
Largo Páteo do Colégio, 148 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP
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O MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da USP) possui um importante conjunto de 561 desenhos de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Reunidos pelo próprio artista, abarcando sua produção de 1920
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O MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da USP) possui um importante conjunto de 561 desenhos de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Reunidos pelo próprio artista, abarcando sua produção de 1920 a 1950. A exposição Di Cavalcanti: militante, boêmio, brasileiro, que o Museu apresenta a partir de 8 de novembro, traz 115 desenhos desse conjunto.
A curadoria de Helouise Costa e Marcelo Bortoloti observa que, embora mais conhecido como pintor “, Di Cavalcanti iniciou-se na arte por meio do desenho e fez dele um espaço de liberdade temática e estilística, de diálogo com outros artistas e rica experimentação”.
Em uma projeção audiovisual, todos os 561 desenhos serão apresentados ao público. Além dos desenhos pertencentes ao MAC USP serão apresentadas obras vindas do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB USP), Museu de Arte Brasileira (FAAP), Biblioteca Mário de Andrade, Pinacoteca de São Paulo e coleções particulares.
Serviço
Exposição | DI CAVALCANTI: militante, boêmio, brasileiro
De 08 de novembro a 18 de outubro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de construção de conhecimento, aproximando práticas artísticas, educativas e comunitárias.
Com a curadoria de Luciara Ribeiro, Naine Terena e Khadyg Fares, a Trienal propõe uma escuta atenta ao território sorocabano, atravessando suas camadas históricas, visuais e sociais.
O título do caminho um rezo une o conceito de “caminho como rezo”, difundido pelo professor e artista Tadeu Kaingang, à noção andina de “Thaki”, descrita pela socióloga Silvia Rivera Cusicanqui, e à ideia de “confluências afropindorâmicas”, do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), orientando uma reconexão com experiências culturais, educacionais e de memória que articulam corpo, território e vida social.
São, ao todo, 188 obras (das quais 26 foram comissionadas) desenvolvidas a partir de experiências negras, indígenas, periféricas e dissidentes, que ocupam tanto a unidade, quanto espaços da cidade, como a Capela João de Camargo, o Clube 28 de Setembro, o Monumento Pelourinho e o Monumento à Mãe Preta.
Assim como nas edições anteriores, Frestas se afirma como uma iniciativa que descentraliza o circuito de arte contemporânea, reconhecendo Sorocaba e o interior paulista como território de confluência entre relações artísticas e comunitárias.
Serviço
Exposição | do caminho um rezo
De 27 de fevereiro a 16 de agosto
Terças a sextas, 9h às 21h30. Sábados, 10h às 20h. Domingos e feriados, 10h às 18h30. Exceto dia 3/4
Período
Local
Sesc Sorocaba
R. Barão de Piratininga, 555 - Jardim Faculdade, Sorocaba - SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta La Chola Poblete: Pop andino, primeira exposição individual da artista La Chola Poblete (Guaymallén, Argentina, 1989) no Brasil.
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O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta La Chola Poblete: Pop andino, primeira exposição individual da artista La Chola Poblete (Guaymallén, Argentina, 1989) no Brasil. A mostra reúne trabalhos que partem da arte pop e a ressignificam em um contexto latino-americano, articulando discussões sobre gênero, sexualidade, identidades cholas e os efeitos do colonialismo.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Leandro Muniz, curador assistente, MASP, a exposição “reflete sobre os legados coloniais na América Latina, partindo da biografia da artista para discutir as presenças indígenas, populares e híbridas na Argentina”, como afirma Muniz.
Chola é um termo marcado pelo uso recorrente como injúria racial contra mulheres de ascendência indígena em países da região dos Andes, como Argentina, Peru, Equador e Bolívia. Ao incorporá-lo em seu nome e discuti-lo em sua obra, La Chola Poblete desmonta estigmas e estereótipos por meio de sua reapropriação e rearticulação. Na série de aquarelas Vírgenes cholas [Virgens cholas] (2022 — em processo), a artista une divindades andinas e católicas, referências à música e à moda, frases de protestos políticos e dados autobiográficos. Juntos, esses elementos assumem uma dimensão coletiva ao evidenciar conflitos e potencialidades vividas por artistas oriundos de grupos historicamente marginalizados.
Nos cartazes PAP ART / Pop Andino (2023), dispostos em uma das paredes de abertura da exposição, La Chola Poblete constrói uma persona de cantora em turnê, em diálogo com a cultura pop e a lógica da divulgação musical. Entre suas referências, está a capa do álbum ARTPOP, de Lady Gaga. A narrativa sobre a chola como uma figura a ser admirada também atravessa o Manifesto Pop Andino (2023) — obra sonora que dá título à exposição —, disponível nas principais plataformas de áudio e que se inicia com a frase: “Meu gênero é artista”. Ao mobilizar o formato do manifesto, Poblete reposiciona referências consagradas da história da arte, reinscrevendo-as a partir de sua própria experiência.
Em Il Martirio di Chola, fotoperformance na qual mobiliza códigos do retrato barroco, como a pose em três quartos e o fundo escuro, La Chola Poblete incorpora signos da identidade chola, como a bolsa de aguayo, um tecido tradicional andino, e as tranças, equiparando os sofrimentos das cholas aos de Cristo. O título em italiano remete à tradição clássica da pintura europeia, inserindo a artista no cânone da história da arte ocidental. Ao articular referências do barroco e do pop, dois períodos marcados pela circulação massiva de imagens, a artista se apropria criticamente desses legados para tensionar narrativas canônicas e marginalizadas.
La Chola Poblete: Pop andino integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A programação do ano inclui mostras de Sandra Gamarra Heshiki, Claudia Alarcón & Silät, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e a grande coletiva Histórias latino-americanas, além das Salas de vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel, Oscar Muñoz e Regina José Galindo.
Serviço
Exposição | Chola Poblete: Pop andino
De 06 de março a 02 de agosto
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres,
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999 reúne 106 livros do acervo da Biblioteca de Fotografia, incluindo títulos recém-incorporados a partir da aquisição de uma coleção junto à 10×10 Photobooks, organização fundada em 2012 por Russet Lederman e Olga Yatskevich. Sediada em Nova York, a 10×10 Photobooks se dedica à pesquisa e ao compartilhamento de fotolivros, promovendo exibições, publicando livros a respeito e incentivando sua apreciação e compreensão.
Russet e Olga, que assinam a curadoria da mostra, comentam o projeto: “Embora os estudos sobre a história dos fotolivros tenham começado há apenas 37 anos, eles foram escritos majoritariamente por homens e têm focado em publicações de autoria masculina. Como organização sem fins lucrativos cuja missão é compartilhar fotolivros de forma global e incentivar sua apreciação e compreensão, a equipe da 10×10 discute com frequência como a história do fotolivro foi – e continua sendo – escrita a partir de uma perspectiva enviesada, e que uma ‘nova’ história precisa emergir.”
No dia da abertura, haverá uma conversa aberta ao público na Biblioteca de Fotografia do IMS, às 18h30, com a participação de Russet. A entrada é grátis, com retirada de senhas 60 minutos antes.
“A exposição reforça o papel do IMS como centro de referência para o estudo dos fotolivros e para a circulação de projetos de relevância internacional. Ao trazer ao público brasileiro obras que atravessam mais de um século e meio de produção, O que elas viram amplifica o debate sobre a contribuição das mulheres na história da fotografia e cria novas oportunidades de pesquisa”, diz Miguel Del Castillo, coordenador da Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles.
Todos os livros em exibição poderão ser manuseados pelos visitantes da mostra, que está dividida em dez seções – elas funcionam como marcadores cronológicos, mas principalmente ressaltam o momento histórico, sociopolítico e de conquistas de gênero em que essas mulheres produziram suas obras: “1843-1919: Pioneiras”; “1920-1935: A nova mulher”; “1936-1945: Levantando suas vozes”; “1946-1955: Das cinzas à família”; “1956-1964: Livros como bombas”; “1965-1969: Nostalgia, pop e revolução”; “1970-1975: Sororidade em florescimento”; “1976-1979: Políticas sexuais”; “1980-1989: Um despertar global”; e “1990-1999: Em busca de uma fotodemocracia”.
“Pioneiras”, por exemplo, inclui o trabalho da inglesa Anna Atkins, que, em 1843, publicou por conta própria Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, originalmente escrito à mão e ilustrado com 307 cianotipias das mais diversas algas britânicas. Na mostra, ela está presente em uma edição contemporânea da publicação. Também nesta seção se encontra o mais antigo exemplar em exibição, Dream Children (1901), da norte-americana Elizabeth B. Brownell (1860-1909), em que textos em prosa e poesia de 28 autores são ilustrados com cenas cuidadosamente compostas no estilo de tableaux vivant, popular na fotografia do fim do século XIX e início do século XX.
Nas seções seguintes, aparecem obras como African Journey [Jornada africana] (1945), da antropóloga Eslanda Cardozo Goode Robeson (1895-1965). Parte do segmento “Levantando suas vozes”, a publicação é um dos primeiros livros sobre a África produzido por uma pesquisadora negra norte-americana – e sucesso à época de seu lançamento, devido ao crescente interesse de pessoas afro-americanas pela política e pela cultura africanas durante a década de 1940, quando pan-africanistas defendiam um vínculo inquebrantável entre a diáspora africana e o continente.
Já na seção “Sororidade em florescimento”, chama atenção o fotolivro Les Tortures volontaires [As torturas voluntárias] (1974), da francesa Annette Messager (1943), uma coleção de imagens recortadas de revistas e anúncios que mostram mulheres submetendo-se a diversos procedimentos cosméticos ou rotinas de beleza, pontuando como os corpos das mulheres são um lugar de violência.
Entre os numerosos destaques, o público poderá também ver Passion [Paixão] (1989), da camaronense Angèle Etoundi Essamba (1962), no segmento “Um despertar global”. Essamba subverte as representações estereotipadas produzidas por fotógrafos ocidentais dos corpos femininos negros com poderosos retratos em que sobressaem orgulho, força e consciência. A seleção inclui ainda Hiromix (1998), da japonesa Hiromix (1976), um retrato profundamente pessoal da cultura jovem japonesa dos anos 1990, com fotografias estreladas, em sua maioria, pela própria autora, que busca capturar a beleza juvenil, a exuberância e os prazeres sem amarras da experiência urbana de uma jovem mulher. Hiromix está na seção “Em busca de uma fotodemocracia”, que fecha a exposição.
Três brasileiras já estavam na seleção original das curadoras: Claudia Andujar (1931) com Amazônia (1979), livro que registra o período que ela passou com os Yanomami, fotografando suas cerimônias culturais, ritos xamânicos e tradições; Maureen Bisilliat (1931) comparece com o livro A João Guimarães Rosa (1969), em que fotografa o sertão mineiro inspirada pelo romance Grande sertão: veredas; e Gretta Sarfaty (1947), que rompeu padrões nos anos 1970 ao ironizar a própria imagem, com Autophotos (1978), reunindo três séries fotográficas da pioneira da body art e do feminismo no Brasil.
“Mas, como estamos no Brasil, achamos interessante ampliar um pouco a quantidade de fotógrafas brasileiras contempladas na seleção”, diz Miguel Del Castillo. “Fiz uma sugestão a partir do acervo do IMS, de livros importantes, publicados nesse período de tempo”. Foi assim que outros quatro volumes foram incorporados à versão brasileira da exposição: Dor (1998), de Vilma Slomp (1952); Quem você pensa que ela é? (1995), de Claudia Jaguaribe (1955); Pinturas e platibandas (1987), de Anna Mariani (1935-2022); e Entre (1974), de Stefania Bril (1922-1992).
O IMS recebe uma exposição que já teve versões em formatos variados exibidas em instituições de prestígio em todo o mundo, como o Getty Research Institute, em Los Angeles (2025), o Museo Reina Sofía, em Madri (2024), o Rijksmuseum, em Amsterdã (2022) e a New York Public Library (2022). O catálogo da mostra (no original, What They Saw: Historical Photobooks by Women, 1843–1999), de autoria das duas curadoras, recebeu em 2021 o PhotoBook Award de melhor catálogo do ano, prêmio concedido durante a feira Paris Photo, e estará disponível para consulta na exposição e para venda na Livraria da Travessa do IMS Paulista.
Em cartaz até 2 de agosto, a exposição convida o público a refletir sobre os processos de construção da história e as possibilidades de constantemente reescrevê-la, como pontuam as curadoras: “O que elas viram buscou incluir um grupo diverso de publicações ilustradas com fotografias feitas por mulheres. Para que a história do fotolivro se torne mais inclusiva, é necessário que todas as pessoas (homens, mulheres, não binárias, brancas, negras, asiáticas, africanas, latinas, indígenas, ocidentais, orientais etc.) contribuam. Vemos esta sala de leitura sobre o papel das mulheres na produção, disseminação e autoria de fotolivros como um passo necessário para desescrever a atual história do fotolivro e reescrever uma história do fotolivro que seja mais equitativa e inclusiva.”
Serviço
Exposição | O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999
De 17 de março a 02 de agosto
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos sociais, de ritos da umbanda e paisagens rurais, e cuja vida reflete diversos aspectos da modernidade no país.
A mostra Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro.
Paulo Pedro Leal passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século 20, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, Afogamento de mendigos (1965) Naufrágio (1953) ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra.
Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, Jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
Serviço
Exposição | Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio
De 11 de abril a 08 de novembro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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A exposição apresenta um recorte introdutório da obra paisagística de Roberto Burle Marx e seus colaboradores, com foco no uso de algumas espécies vegetais. Burle Marx se notabilizou por criar
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A exposição apresenta um recorte introdutório da obra paisagística de Roberto Burle Marx e seus colaboradores, com foco no uso de algumas espécies vegetais. Burle Marx se notabilizou por criar um paisagismo tropical a partir das observações que fazia in loco, em expedições pelo Brasil e em viagens internacionais para o reconhecimento da vegetação de cada lugar, sempre acompanhado por um grupo de amigos botânicos, arquitetos, artistas e jardineiros, além da equipe de paisagistas de seu escritório. Assim, utilizou plantas nativas numa época em que a tradição era importar espécies vegetais de fora do país para desenhar áreas verdes segundo modelos tradicionais franceses e ingleses.
No entanto, Burle Marx nunca aplicou esses princípios de forma sectária, incorporando, em muitos de seus jardins, espécies exóticas tropicais que se adaptavam bem a determinados contextos locais. Nesse sentido, o artista-paisagista combinou a reversão dos estigmas de um país colonizado com a incorporação de elementos exógenos, numa atitude claramente cosmopolita, que pode ser associada à recusa de concepções fixas de identidade nacional. Assim, ao estabelecer uma associação entre plantas e seres humanos, ou entre natureza e sociedade, propomos, nesta exposição, a aproximação entre o legado estético e cultural de Burle Marx e certos princípios progressistas da judeidade, ligados à diáspora e à criação de identidades definidas pelo movimento constante.
Nesta mostra, transcendemos a apresentação meramente sequencial das composições paisagísticas de Burle Marx e sua equipe, e procuramos iluminar a relação entre certos projetos — públicos e privados — e a presença recorrente de determinadas espécies vegetais, reconstruindo um léxico básico com o qual o paisagista trabalhou, sempre de forma coletiva.
“A realização desta exposição neste espaço tem o propósito de ampliar a compreensão sobre o legado de Burle Marx, ao propor uma chave de leitura pouco revisitada em seu trabalho: sua herança judaica. A convite do MUJ, o pesquisador e artista Daniel Jablonski investiga como essa relação, transmitida pela via paterna, se inscreve em uma dimensão pouco visível — mas que atravessa sua maneira de estar no mundo. Uma perspectiva que dialoga com o entendimento do museu, que compreende a experiência judaica como parte de uma história mais ampla de migrações, travessias e múltiplas formas de continuidade.”
Marilia Neustein
Diretora-Executiva do Museu Judaico de São Paulo
“Ao longo de sete décadas, Roberto Burle Marx e seus colaboradores constituíram um acervo paisagístico com mais de 150 mil itens, reunindo projetos urbanísticos, estudos, croquis, desenhos, fotografias, documentos, publicações, peças de arte e outros materiais. Fundado 2019 como uma organização da sociedade civil, o BMI é é fruto do compromisso inicial dos atuais sócios do Escritório Burle Marx em preservar, difundir e ressignificar o legado de conceitos e realizações que esse arquivo histórico congrega.”
Isabela Ono
Diretora-Executiva do Instituto Burle Marx
Serviço
Exposição | Burle Marx: plantas em movimento
De 30 de abril a 02 de agosto
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado, Domingo das 10:00h às 18:00h
Período
Local
Museu Judaico de São Paulo
Rua Martinho Prado, 128, Centro São Paulo - SP
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical – Recanto no Sesc Pinheiros, com curadoria de Orlando Maneschy e curadoria adjunta de Keyla Sobral. Com cerca de 280 obras, a mostra propõe uma imersão no imaginário de um Brasil plural, múltiplo e em constante reinvenção, compondo um mosaico que vai de imagens históricas a produções contemporâneas e que se voltam às experiências singulares em territórios distintos e entendimentos de mundo.
Delírio Tropical – Recanto constrói uma narrativa que articula diferentes manifestações visuais artísticas — da fotografia ao vídeo, passando por cartazes, lambes, revistas, esculturas, pinturas e objetos. A mostra propõe uma reflexão sobre o papel das imagens na construção do entendimento do país e de suas múltiplas identidades, a partir de uma curadoria que reúne artistas comprometidos com suas experiências, territórios e modos de existência, incluindo perspectivas culturais das várias regiões do país, ao lado de uma diversidade de vozes contemporâneas.
O conjunto expositivo inclui obras de artistas como Anna Maria Maiolino, Ayrson Heráclito, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Hal Wildson, Índigo Braga, Rosângela Rennó e Karim Aïnouz.
“Buscamos reunir artistas que olham para o Brasil a partir de seus territórios, que usam a imagem como elemento decisivo na construção de discursos, ressaltando uma ideia de país diverso”, afirma o curador Orlando Maneschy. “A exposição é um convite a romper com olhares estereotipados e a se abrir para experiências que nos deslocam e nos transformam”, completa Maneschy.
Originalmente apresentada na Pinacoteca do Ceará como parte do Fotofestival Solar, a exposição chega ao Sesc Pinheiros como itinerância, ampliando o acesso a um conjunto de obras que tensionam estereótipos e revelam um Brasil marcado por disputas simbólicas, afetos, violências, resistências e desejos. Na capital paulista, a mostra conta com uma obra inédita de Keyla Sobral e expografia pensada para as especificidades do Sesc Pinheiros.
Um caminho visual por múltiplos Brasis
A mostra parte da ideia de que a imagem, em suas múltiplas formas de circulação — do das capas de discos ao GIF, da fotografia ao impresso que atravessa o cotidiano — é um elemento central na construção do imaginário brasileiro. Com artistas de diferentes contextos, a seleção de obras apresenta um país em construção e diverso, atravessado por tensões entre memória e atualidade, sem buscar um discurso fechado, mas aberto à reflexão. Nesse percurso, imagens históricas e contemporâneas se aproximam para retomar questões que seguem latentes, sugerindo continuidades entre passado e presente.
Mais do que um recorte autoral, Delírio Tropical – Recanto sugere um campo de escuta em que os trabalhos dialogam entre si e constroem, coletivamente, uma leitura possível do Brasil, entre tantas outras plausíveis, que não quer ser totalizante e, inclusive, assume ausências e lacunas. A curadoria se organiza como uma articulação desses olhares, e o resultado é um caminho por um Brasil em que diferentes corpos, identidades e narrativas emergem não como representação, mas como presença, ativando outras formas de ver, imaginar e se relacionar com o país.
A expografia conduz o visitante por um fluxo imersivo que começa em um ambiente de caráter quase ritualístico, evocando a ruptura com visões cristalizadas, e avança por núcleos que abordam temas como identidade, memória, mídia, território e poder. Ao longo do trajeto, obras de distintas épocas e contextos entram em diálogo, criando conexões inesperadas e ativando novas leituras sobre o Brasil.
A relação entre imagem e circulação também está em destaque na montagem, incorporando elementos da cultura visual cotidiana, como capas de revistas, de discos e registros documentais, que ajudam a construir o imaginário coletivo brasileiro. Nesse sentido, Delírio Tropical – Recanto propõe não apenas observar imagens, mas refletir sobre como elas moldam percepções, narrativas e sentidos.
A realização da mostra integra o compromisso institucional do Sesc São Paulo de ampliar o acesso à produção artística contemporânea e promover o encontro entre diferentes públicos e repertórios culturais. É um convite ao público para reimaginar o Brasil a partir de sua diversidade, de seus contrastes e de sua riqueza simbólica. A programação inclui ainda ações educativas, visitas mediadas e atividades formativas, ampliando as possibilidades de diálogo com os públicos.
Serviço
Exposição | Delírio Tropical – Recanto
De 6 de maio a 13 de outubro
Terça a sábado, das 10h30 às 21h, domingos e feriados, das 10h30 às 18h
Período
Local
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo - SP
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A mostra O espaço e o lugar, na DAN Galeria Interior, reúne 75 obras e propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa
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A mostra O espaço e o lugar, na DAN Galeria Interior, reúne 75 obras e propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa pelo corpo e pela memória, com curadoria de Fábio Magalhães e expografia do Fernando Poles Arquitetos. A cadeira, presente em diferentes trabalhos, conduz essa investigação: objeto cotidiano, medida humana, ponto de repouso, marca de intimidade e também abertura para uma dimensão mais ampla, ligada ao tempo e ao espaço.
A partir desse eixo, Fábio Magalhães aproxima obras de Adolfo Estrada, Almir Mavignier, Dionísio Del Santo, Ferreira Gullar, Gonçalo Ivo, José Roberto Aguilar, José Spaniol, Sergio Fingermann e Valentino Fialdini. O percurso articula pinturas, objetos, obras geométricas e abstratas em torno de uma pergunta central: como uma situação privada pode conter uma ideia de mundo?
Serviço
Exposição | O espaço e o lugar
De 09 de maio a 10 de outubro
Segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria Interior
Av. Ireno da Silva Venâncio, 199 - Protestantes, Votorantim - SP
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“Gostaria de abordar a importância de estarmos atentos ao invisível, porém sensível: a energia. Aquilo que não vemos (e sobre o que não falamos) determina muito do que fazemos e
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“Gostaria de abordar a importância de estarmos atentos ao invisível, porém sensível: a energia. Aquilo que não vemos (e sobre o que não falamos) determina muito do que fazemos e criamos. Gostaria de oferecer às pessoas ferramentas para que possam perceber e melhorar o fluxo de energia.” JV
A obra de Janet Vollebregt assemelha-se a uma força de Coriolis interagindo com a circulação atmosférica global. Com a exposição Fluxos, ela imerge o público numa obra de arte participativa onde nos fala de energia regenerativa. Esta arquiteta de formação sabe como ninguém se apropriar dos espaços, nos quais as instalações e esculturas apresentadas são odes às filosofias orientais, combinadas com o espírito das pedras, ou mesmo com a revolução neoconcreta humanista e sensorial brasileira.
“Nesta exposição, gostaria de me concentrar no trabalho com energia, aprimorando o fluxo energético tanto no espaço quanto nas pessoas que o ocupam, usam ou transitam por ele. Este sempre foi o tema principal do meu trabalho, desde que cursei Arquitetura na Universidade de Tecnologia de Delft. Além da Arquitetura, estudei Feng Shui chinês (funcionamento da energia no espaço) e Jin Shin Jyutsu japonês (funcionamento da energia no corpo e ao seu redor), o que me levou a estudar também filosofia e religiões japonesas. Meus trabalhos carregam e comunicam influências desses estudos.” JV
A visão da artista para essa exposição de tipo museal é uma verdadeira jornada que, além do poder estético das obras apresentadas, oferece uma experiência sensorial, distanciando os visitantes do cotidiano e conduzindo-os ao espiritual. Da entrada da galeria com o “Jin Shin Jyutsu Parlour” (Salão de Jin Shin Jyutsu) aos “Prayer wheels” (Cilindros de Oração) e seus “Energy benders” (Dobradores de Energia), ela nos fala de uma arte que se funde com a vida e o corpo.
“Meu trabalho oferece ferramentas para tomar consciência do mundo energético” JV
Em seu fluxo criativo, permeado por referências filosóficas chinesas e japonesas, sua imersão no Brasil faz com que, apesar de não estar intimamente familiarizada com a obra da grande Lygia Clark (1920-1988), a obra de Janet segue o mesmo espírito. Assim como essa figura fundamental da arte contemporânea brasileira, Janet busca fazer de sua obra um organismo vivo, e não um mero objeto estático. Tanto Lygia quanto Janet redefinem a arte ao transformar o espectador passivo em participante ativo, colocando a interação sensorial e corporal no centro de seus trabalhos. Seus objetos relacionais visam “desmistificar” a arte, conectando-a simultaneamente a uma filosofia civilizacional.
Com a exposição Fluxos Janet desafia as fronteiras artísticas, psicológicas e sociais por meio de experiências sensoriais e relacionais. Ela promove situações que envolvem os participantes em uma relação íntima com seus objetos (Salão Jin Shin Jyutsu, cilindros de oração, João Zen, etc.), incentivando a reconexão consigo mesmo e com os outros. Sua abordagem participativa está enraizada em um contexto político e estético de libertação corporal e expressão individual, libertando a expressão artística para transformar o cotidiano.
Talismã
Janet menciona a palavra talismã ao falar sobre seus cilindros de oração. A filosofia por trás de um talismã reside na canalização de energias benéficas e na materialização de uma intenção ou desejo, atuando como uma ponte entre o mundo material e planos superiores ou sagrados. A exposição de Janet Vollebregt foi concebida, como um talismã, para atrair, proteger e realizar um convite para que o público recarregue as suas energias. Suas esculturas e instalações visam interagir com forças ocultas, como contratos entre humanos e ‘divindades’ (fluxos de energias positivas). As obras que Janet apresenta são ferramentas para a emancipação pessoal, destinadas a ajudar a dissipar certas dúvidas e a forjar proteção psicológica. Fluxos é mais do que uma exposição, é um poderoso manifesto para uma civilização em declínio.
Marc Pottier
Curador
Exposição | Fluxos
De 16 de maio a 08 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 11h às 16h
Período
Local
Galeria Luis Maluf
Rua Peixoto Gomide, 1887 Jardins, São Paulo - SP
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado,
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.
“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press — estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos.
A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.
Complexidade e beleza
Visitantes poderão apreciar obras de múltiplas cores, estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos; as gravuras de Beatriz desenvolvidas ao lado de Jean-Paul Rusell.
A produção da artista é marcada por uma linguagem de complexidade e beleza, e pela coerência no modo como consegue transitar entre diferentes técnicas, partindo sempre da pintura até chegar nas gravuras.
Em suas obras aparecem também formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas, incrementando a tradição geométrica brasileira. Na exposição é possível também perceber o modo como Milhazes monta e remonta as formas, as cores e os espaços aparentemente vazios, como os que aparecem em O pato (1996) e Noite de verão (2006).
Serviço
Exposição | Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo
De 16 de maio a 14 de março de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Estação
Lg. General Osório, 66, São Paulo - SP
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A exposição almir mavignier — acaso determinado, a partir da leitura crítica de Luiz Armando Bagolin, apresenta um percurso em que arte, percepção e existência se encontram. A mostra parte
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A exposição almir mavignier — acaso determinado, a partir da leitura crítica de Luiz Armando Bagolin, apresenta um percurso em que arte, percepção e existência se encontram. A mostra parte da experiência decisiva do ateliê de pintura criado em 1946 no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, a partir do encontro entre Almir Mavignier e Nise da Silveira. Ali, a pintura surgia como espaço de acolhimento, expressão e reorganização interior para artistas como Emygdio de Barros, Raphael Domingues, Carlos Pertuis, Fernando Diniz e Isaac Liberato.
Esse núcleo inicial revela uma dimensão essencial da exposição: a arte como necessidade vital. No ateliê, Mavignier atuava sem interferir na forma dos trabalhos, respeitando a força própria de cada imagem. As obras produzidas naquele contexto não nasciam de um programa estético prévio, mas de uma urgência interna, de uma ordem construída pelo próprio gesto de ver, sentir e pintar.
Ao lado dessas obras, a exposição acompanha a trajetória de Mavignier rumo à construção de uma linguagem rigorosa e investigativa. Sua passagem pela Europa, especialmente pela Escola de Ulm, aprofundou sua pesquisa sobre cor, retícula, repetição, sistema e percepção. Nas pinturas de pontos, nas permutações, nos cartazes e nas séries posteriores, o artista transforma a imagem em um campo de experimentação visual, onde pequenas variações produzem movimento, vibração e surpresa.
A mostra aproxima, assim, dois caminhos distintos: de um lado, a imagem que nasce de uma experiência subjetiva intensa; de outro, a imagem construída por meio de sistemas racionais, cálculo, método e variação. O que une esses dois universos não é uma semelhança formal simples, mas uma pergunta comum: como uma imagem ganha força própria, para além da vontade direta de seu autor?
Entre o ateliê e a espiral, entre a intuição e o sistema, entre o gesto e a regra, a exposição revela a arte como forma de conhecimento e como modo de existência. Como afirmou Mavignier, “a arte é uma solução para existir” — e é justamente essa dimensão vital que atravessa toda a mostra.
Texto elaborado a partir do ensaio crítico de Luiz Armando Bagolin.
Exposição | almir mavignier — acaso determinado
De 21 de maio a 15 de agosto
Segunda a sexta das 10h às 19h e aos sábados das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria Contemporânea
Rua Amauri, 73 01448-000 São Paulo - SP
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A Galeria Frente convida para a exposição “Niobe Xandó: o inusitado“, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra reúne cerca de 70 obras da artista, abrangendo mais de 50 anos
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A Galeria Frente convida para a exposição “Niobe Xandó: o inusitado“, com curadoria de Maria Alice Milliet.
A mostra reúne cerca de 70 obras da artista, abrangendo mais de 50 anos de sua produção. Entre pinturas, esculturas, desenhos, serigrafias, colagens e documentos de época.
Sua produção é marcada por um forte misticismo ancestral, no qual se evidenciam influências das culturas africana e indígena. Destaca-se também sua fase figurativa, que evolui para um universo onírico e fantástico, além do letrismo e o geometrismo lírico.
Serviço
Exposição | Niobe Xandó: o inusitado
De 23 de maio a 22 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 10h às 14h
Período
Local
Galeria Frente
R. Dr. Melo Alves, 400 - Cerqueira César São Paulo - SP
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A Nara Roesler apresenta a exposição coletiva O fascínio e o afeto, com curadoria de Agnaldo Farias. A mostra reúne trabalhos históricos e inéditos de Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Artur Lescher, Brígida Baltar, Julio Le
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A Nara Roesler apresenta a exposição coletiva O fascínio e o afeto, com curadoria de Agnaldo Farias. A mostra reúne trabalhos históricos e inéditos de Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Artur Lescher, Brígida Baltar, Julio Le Parc, Tomie Ohtake, Rodolpho Parigi, Vik Muniz e José Cláudio da Silva, artistas com os quais Nara construiu amizade, articulando contato constante e o desenvolvimento de suas carreiras nos campos artísticos nacional e internacional.
Segunda exposição em comemoração aos 50 anos da trajetória de Nara como galerista, a mostra toma como ponto de partida as relações de amizade e convivência cultivadas por ela ao longo de décadas de atuação no circuito artístico.
O projeto marca também mais um capítulo da longa interlocução entre Nara Roesler e Agnaldo Farias, que além de ter atuado como curador de bienais e importantes mostras institucionais no Brasil e no exterior, também é amigo da galerista há cerca de 30 anos e responsável pela curadoria de mais de 16 exposições realizadas na galeria.
Em seu texto, Agnaldo Farias rememora a formação de Nara em Recife, em uma casa marcada por encontros entre músicos, artistas, arquitetos, escritores e intelectuais. “Foi justamente dessa atmosfera que nasceu seu fascínio permanente pelo extraordinário universo da cultura”, escreve, aproximando a trajetória da galerista de uma ideia de interlocução constante com os artistas, para além da relação profissional.
Entre os destaques da mostra está a série de quebra-cabeças de Vik Muniz, em que o artista subverte a lógica tradicional do objeto ao dissociar a imagem do encaixe de suas peças. “Uma peça de quebra-cabeça é, ao mesmo tempo, imagem e objeto”, afirma Muniz sobre os trabalhos. A exposição inclui ainda uma instalação de 2011 de Brígida Baltar, exibida pela primeira vez em São Paulo nesta década, composta por uma harpa e asas de bronze suspensas no espaço, em uma tensão entre elevação e queda, o angelical e o mundano.
Das experiências cinéticas e lumínicas de Julio Le Parc e Abraham Palatnik às estruturas orgânicas de Amelia Toledo e Tomie Ohtake, passando pelas investigações formais de Artur Lescher e Rodolpho Parigi, a coletiva articula diferentes gerações e linguagens em torno de vínculos de proximidade e acompanhamento mútuo. Logo na entrada da exposição, o retrato de Nara pintado por José Cláudio, artista decisivo em sua aproximação com o meio das artes, recebe o público.
Exposição | O fascínio e o afeto
De 26 de maio a 01 de agosto
Segunda a sexta, das 10 às 19h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Nara Roesler - SP
Avenida Europa, 655, São Paulo - SP
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A Galatea tem o prazer de apresentar Memórias particulares – Oito décadas de arte brasileira, coletiva que reúne obras produzidas entre as décadas de 1880 e 1980, muitas delas raramente
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A Galatea tem o prazer de apresentar Memórias particulares – Oito décadas de arte brasileira, coletiva que reúne obras produzidas entre as décadas de 1880 e 1980, muitas delas raramente exibidas e preservadas por décadas em acervos privados, fora do circuito expositivo. A abertura acontece dia 28 de maio, das 18h às 21h, na unidade da galeria na Padre João Manuel.
Mais do que uma reunião de obras históricas, a mostra revela um imaginário específico do Brasil construído ao longo do século XX. O núcleo principal da exposição atravessa paisagens urbanas, litorâneas e agrárias, com trabalhos que acompanham as transformações do país e os deslocamentos da visualidade diante da modernização.
Das cenas portuárias de Benedito Calixto às composições de Alfredo Volpi, passando pelas marinhas de José Pancetti, pelas paisagens de Di Cavalcanti e Alberto da Veiga Guignard, a seleção aproxima artistas brasileiros de diferentes gerações, com trajetórias de amplitude nacional e internacional, em torno de um mesmo horizonte simbólico.
A exposição reúne ainda obras de Candido Portinari, Lasar Segall, Victor Brecheret, Milton Dacosta, Flávio de Carvalho e Anita Malfatti. Entre os destaques estão duas pinturas raras de Guignard, incluindo a monumental Paisagem Imaginária (1952), além de marinhas de Pancetti e um importante conjunto de obras de Di Cavalcanti produzidas entre as décadas de 1940 e 1960.
Exposição | Memórias particulares – Oito décadas de arte brasileira
De 28 de maio a 25 de julho
Segunda a quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galatea Padre João Manuel
R. Padre João Manuel, 808, Jardins – São Paulo - SP
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O Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, administrado pela Organização Social de
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O Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, administrado pela Organização Social de Cultura SAMAS, apresenta a exposição “Elementares”, da artista Denise Milan, que apresenta um conjunto de obras que articulam arte, ciência e pensamento contemporâneo a partir da investigação da matéria. A mostra, com curadoria de Naomi Moniz, destaca a produção recente da artista em diálogo com sua trajetória consolidada, marcada pelo uso de geodos e cristais como elementos centrais de sua pesquisa.
Reunindo um conjunto significativo de obras, a exposição investiga os sistemas dinâmicos da matéria em nível molecular, articulando conceitos como caos, criatividade, sobrevivência, adaptação e transformação. No centro desse percurso está o que a artista define como o “drama da matéria” — uma narrativa que compreende a Terra como organismo vivo, portador de memória e energia.
Ao tratar a pedra como um banco de dados, Denise Milan propõe uma leitura da matéria como arquivo de processos que atravessam o tempo profundo do planeta, revelando histórias formadas ao longo de milhões de anos. Os trabalhos apresentados evidenciam os ciclos de criação e destruição que estruturam a vida na Terra e apontam para uma mudança de perspectiva: antigas metanarrativas cedem espaço a uma fabulação especulativa que inclui toda a natureza como agente ativo.
Nesse contexto, animais, florestas, microrganismos e minerais assumem protagonismo, ressaltando a interdependência entre os diferentes sistemas de vida e a delicada sintonia que sustenta o universo. Combinando rigor conceitual e força visual, a exposição aproxima arte e ciência para refletir sobre o papel da matéria como potência criativa e narrativa.
Com “Elementares”, Denise Milan convida o público a repensar as relações entre humanidade e natureza, em um momento em que compreender os ciclos e a energia do planeta se torna cada vez mais urgente. A mostra reafirma a relevância de sua trajetória no cenário contemporâneo e propõe uma experiência que conecta estética, conhecimento e imaginação sobre os futuros possíveis da Terra.
A exposição se organiza em cinco núcleos que funcionam como uma travessia entre matéria, origem, transformação e percepção. Cada conjunto ocupa uma etapa desse percurso e ajuda a orientar o visitante dentro da pesquisa de Denise Milan sobre arte, ciência, natureza e espiritualidade.
Elementares I reúne imagens derivadas de geodos e cristais em que surgem figuras humanas, organismos e formas híbridas inscritas na própria matéria mineral. As obras partem da observação de basaltos e quartzos cristalizados ao longo de milhões de anos. Denise Milan trata essas formações como “enunciações de vidas eternas” e associa o núcleo às origens da matéria e aos processos de coexistência entre diferentes estruturas minerais.
Elementares II amplia essa investigação e desloca as figuras minerais para uma dimensão mais corporal e escultórica. O núcleo apresenta peças em alumínio fundido derivadas das formas observadas nos cristais, transformando desenhos minerais em presenças físicas. Aqui, a exposição aproxima geologia, corpo e memória, propondo uma leitura da matéria como organismo em transformação contínua.
Imaginários da Terra articula pedra, metal e quartzito em obras que aproximam ciência, imaginação e paisagem. Denise Milan trata a natureza como linguagem e constrói composições em que minerais, superfícies e vazios funcionam como mapas simbólicos da formação terrestre. O núcleo dialoga diretamente com a ideia de escutar a natureza “em sua própria linguagem”, citada no catálogo a partir do físico Frank Wilczek.
Explosões concentra trabalhos ligados à expansão, ruptura e energia interna dos cristais. As obras partem de estruturas geométricas e simétricas encontradas na natureza para discutir instabilidade, transformação e imprevisibilidade. O catálogo relaciona esse núcleo à complexidade do universo e às formas de organização da matéria.
Origens funciona como eixo conceitual da mostra e conecta todos os núcleos anteriores. A ideia de origem aparece tanto no sentido geológico quanto espiritual: origem da matéria, da vida, da consciência e das imagens. Ao longo do percurso, a exposição aproxima ciência, mineralogia e imaginação para construir uma narrativa em que o ser humano deixa de ocupar o centro e passa a ser entendido como parte de um processo cósmico, biológico e terrestre mais amplo.
“Denise tece fábulas como metáfora para sugerir uma revolução nos padrões de comportamento humano e uma nova conduta, centrada na conexão, cooperação e cura, em vez de polarização, cobiça e rivalidade. Elementares não apenas expande os limites artísticos que Milan vem explorando ao longo de toda a sua carreira, mas também nos incita a questionar não apenas a maneira como nós, humanos, pensamos que devemos interagir e nos comportar uns com os outros, mas nos vermos como parte da Natureza e da rede da vida. É um convite para uma jornada além de nós mesmos: um “transumanar” como diria Dante Alighieri, adquirir mais conhecimentos para evoluir e acompanhar a “Estrela Guia” às cavernas escuras e profundas do ventre da terra. Nelas, as figuras estranhamente familiares despertam lembranças perdidas de estados inconscientes da memória ao nos reconhecermos– seres flutuando em lugares do “antes “ e “depois”, suspensos na simetria do tempo e do espaço que revela o centro, lugar de origem e do futuro.”
Naomi Moniz, curadora
Serviço
Exposição | Elementares
De 29 de maio a 27 de setembro
Terça a domingo, das 09h às 17h (entrada até às 16h30)
Período
Local
Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS / SP
Avenida Tiradentes, 676 Luz - São Paulo - SP
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A iniciativa, concebida pela Haus der Kunst (Munique, Alemanha) e realizada em colaboração com a Pinacoteca, visa colocar a infância no centro da experiência artística. Mais do que uma exposição,
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A iniciativa, concebida pela Haus der Kunst (Munique, Alemanha) e realizada em colaboração com a Pinacoteca, visa colocar a infância no centro da experiência artística. Mais do que uma exposição, trata-se de uma rede de trocas culturais que convida crianças a pensarem, viverem e intervirem no mundo por meio da arte.
“Para crianças: experiências com a arte desde 1968” é focada no público infantil, embora se estenda a visitantes de todas as idades. Inaugurada na Haus der Kunst, em Munique, na Alemanha, em 2025. Agora na Pinacoteca, ela reúne trabalhos de onze artistas de vários países, todos, a seu modo, atravessados por materiais, brincadeiras, perguntas, pesquisas e histórias tão característicos do universo das crianças.
A obra mais antiga é de 1968 e essa não é uma data qualquer. Nesse período histórico, os movimentos de contracultura questionaram as estruturas sociais e saíram em defesa de liberdade de pensamento e expressão para todas as pessoas.
Desde então, ficou evidente que a infância inspira uma sensibilidade e um conjunto de atitudes imprescindíveis para as mudanças individuais e coletivas. A vida em sociedade, a arte e o museu não são os mesmos na presença de uma criança.
Curadoria de Ana Maria Maia e Lorraine Mendes.
A exposição tem patrocínio de Mattos Filho, Acrilex, Ateliê Quero Quero. Apoio institucional: Unicef, para cada criança. Realização: Haus der Kuns, APAC, Pinacoteca de São Paulo, CULTSP, Secretaria da Cultura, Economia e Industria Criativas, Ministério da cultura Governo do Brasil do lado do povo brasileiro
Uma exposição de Haus der Kuns e da Pinacoteca de São Paulo.
Serviço
Exposição | Para crianças: experiências com a arte desde 1968
De 30 de maio a 18 de outubro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias e um vídeo. A curadoria é de Fernanda Pitta, docente do MAC USP. A ideia da exposição nasceu em 1978, quando Nelson Felix, visitando a região andina, percebeu uma coincidência entre as línguas Aimara (falada na região) e o Aramaico (da tradição semítica, do oriente médio): escritas em espanhol elas se tornam palíndromos (Aemara e Aramea). Felix passou a carregar esse pensamento por décadas, até encontrar em Beijo de Língua, a forma para materializá-la como uma das maiores exposições já realizadas pelo artista. “É uma exposição de esculturas, principalmente”, diz Nelson.
No núcleo central da mostra, Felix apresenta três esculturas criadas a partir de chapas de mármore. Escultura para Homero, Escultura para Santa Teresa e Escultura para Bertrand articulam três campos centrais em seu trabalho: sacrifício, tolerância e amor. O artista escolheu textos de três autores – Bertrand Russel, Homero e Santa Teresa D’Ávila, e alguns trechos são escritos nas línguas Aimara e Aramaico nas chapas de mármore, criando uma superfície rendada na pedra. Beijo de Língua tem três esculturas, formadas por duas chapas de mármore cada uma. As duas chapas, coladas, têm o mesmo texto, em duas versões: de um lado em Aimara e do outro, em Aramaico.
– Colo estas duas chapas com os textos, aliás, é a primeira vez que uso cola em meu trabalho. Aqui a cola é material tão importante como o próprio mármore, ou o bronze ou mesmo os elementos vegetais que uso. Assim, nos caracteres, surgem vazamentos mútuos, as línguas se tocam, é para mim, um beijo – afirma o artista.
“As superfícies se tocam, mas mantêm intervalos onde os idiomas não coincidem. A cola evidencia a operação que sustenta a união sem eliminar a diferença. O texto passa a atuar como matéria, inscrita e articulada na estrutura da obra”, observa a curadora Fernanda Pitta.
Já Carta de amor, trabalho apresentado em 2022 em forma contínua, como um projeto, agora ganha duas novas versões, escultóricas: Pétala e Caule. As obras apresentam diversos materiais: mármore, bronze, ferro, cabo de aço, cacto e fio de seda. As séries de desenhos revelam diferentes facetas do trabalho de Felix, com referências de obras anteriores, e estudos do trabalho atual. Na série 7 noites vazias e 21 dias como 21 anos (2024) podemos ver um mesmo gesto, feito com bastão de óleo, que nunca é igual a si mesmo. A obra gráfica Tartaruga de Homero (2024), série com três trabalhos, traz referências do verso de Homero (Hino Homérico a Hermes), em que Hermes mata uma tartaruga e cria a primeira cítara. Para Felix, na criação deste instrumento, acontece o nascimento da música.
Para a curadora da exposição, “a partir do movimento de retomada e rearticulação contínua de ideias, materiais e procedimentos, as obras de Nelson Felix deixam de operar de forma isolada e passam a constituir um conjunto de relações, formando um conjunto aberto, em que as obras se relacionam por aproximações e distâncias, entre línguas e sistemas de pensamento, como o Aramaico e o Aimara, eixo central da exposição.”
Exposição | Beijo de Língua
De 30 de maio a 20 de novembro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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A artista multidisciplinar Dolores Esos inaugura a exposição “Rejunte”, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro (CCCRJ). A mostra apresenta sua mais recente série de pinturas, desenvolvida a partir de
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A artista multidisciplinar Dolores Esos inaugura a exposição “Rejunte”, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro (CCCRJ). A mostra apresenta sua mais recente série de pinturas, desenvolvida a partir de uma observação sensível do cotidiano e das memórias visuais que atravessam o tempo. Dolores propõe um mergulho em fragmentos aparentemente discretos, como azulejos, cerâmicas, fachadas, grades e objetos domésticos, que, reunidos, constroem uma narrativa poética sobre memória afetiva e identidade coletiva. A visitação pode ser feita de 14/5 a 27/6, de terça a sábado, das 12h às 19h. O CCCRJ está localizado na Rua Visconde de Itaboraí, 20, no Centro do Rio. A entrada é gratuita e a classificação é livre.
Com curadoria de Ana Carla Soler e apoio institucional do Instituto Artistas Latinas, em “Rejunte”, Dolores transforma esses elementos do cotidiano em composições que evocam diferentes temporalidades. Suas obras sugerem a coexistência de múltiplos passados no presente, convidando o público a acessar lembranças pessoais e compartilhadas. Em um contexto marcado pela produção massiva de imagens digitais e pela ação de inteligências artificiais, a artista propõe um movimento inverso: o resgate da experiência sensorial e das memórias construídas a partir do contato direto com o mundo.
“A exposição é um convite para que cada visitante reconheça, nas imagens apresentadas, fragmentos de suas próprias vivências, completando os trabalhos com seus repertórios afetivos”, propõe a artista.
Dolores Esos – Com trajetória consolidada nas artes visuais, design, cenografia e muralismo, Dolores Esos iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da UFRJ e graduou-se em Cenografia pela UNIRIO. Ao longo de sua carreira, participou de projetos de destaque no Brasil e no exterior, incluindo exposições na Itália e em Nova Iorque, onde foi indicada ao Cash Prize da Latin American Contemporary Fine Art Competition, promovida pela Agora Gallery.
Sua atuação também se estende ao muralismo e à arte urbana, com trabalhos realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de colaborações com marcas como Adidas, Vogue, Globo, Warner Bros., Granado e Coca-Cola. Em 2025, teve uma obra incorporada ao acervo permanente do STRAAT Museum, em Amsterdã, consolidando sua presença no cenário internacional da arte urbana. A exposição no Centro Cultural Correios marca mais um momento significativo em sua trajetória, reafirmando sua pesquisa artística centrada na memória, na materialidade e na construção coletiva de sentidos.
Exposição | O Tempo e o Pedro
De 30 de maio a 24 de julho
Terça a sexta, das 11h às 18h; aos sábados das 11h às 16h.
Período
Local
Mario Cohen
Rua Capitão Francisco Padilha, 69 - Jardim Europa, São Paulo - SP
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A Casa Museu Ema Klabin apresenta a exposição Habitar São Paulo: relatos femininos, com idealização do curador da casa museu, Paulo de Freitas Costa, e curadoria do núcleo educativo. A
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A Casa Museu Ema Klabin apresenta a exposição Habitar São Paulo: relatos femininos, com idealização do curador da casa museu, Paulo de Freitas Costa, e curadoria do núcleo educativo. A mostra convida o público a percorrer a cidade a partir de narrativas de dez escritoras, reunindo trechos de suas obras que atravessam o cotidiano, a memória e o espaço de suas casas em São Paulo. Ao transitar entre o íntimo e o coletivo, os relatos revelam diferentes formas de viver e perceber a cidade. Os trechos selecionados estarão expostos ao lado de fotografias raras dos ambientes de suas casas, que remetem aos contextos descritos pelas autoras.
A exposição busca apresentar a cidade a partir de narrativas femininas que atravessam diferentes épocas, contextos sociais e territórios. Gilda de Mello e Souza, Zélia Gattai, Rita Lee, Giovana Madalosso, Paula Fábrio, Adriele Oliveira, Helena Silvestre, Lilia Guerra, Luísa Marilac e Prudence Kalambay partem da memória íntima, familiar e coletiva para construir retratos de diferentes formas de habitar a cidade.
“São Paulo guarda muitas memórias, muitas histórias. A exposição Habitar São Paulo: relatos femininos toma emprestado o olhar e a perspectiva dessas escritoras que descreveram realidades e histórias tão particulares quanto universais, nos trazendo relatos sensíveis, trágicos, íntimos ou até engraçados. A mostra busca, assim, ampliar o olhar para uma pluralidade de vivências em uma cidade marcada por intensos contrastes”, explica Cristiane Alves, coordenadora do educativo e uma das curadoras da exposição.
Esses relatos serão apresentados a partir de cinco eixos narrativos: família, trabalho e convívio; memória de objetos e espaços; da janela para fora; percepções sensoriais; e a cidade sonhada. Organizada a partir desses percursos, a exposição se distribui pelos ambientes da casa museu e propõe um diálogo entre literatura e memória. O público também terá acesso a gravações em áudio com vozes femininas que narram os textos selecionados e a um espaço de leitura com livros das escritoras participantes, possibilitando uma maior aproximação com as obras e narrativas presentes na mostra.
“Quando realizamos a exposição Tempos de uma casa no ano passado, percebemos a importância dos relatos de Ema Klabin e de suas amigas e funcionárias na construção de uma memória mais abrangente, com uma sensibilidade especial. Para esta exposição, pensamos em expandir a experiência, trazendo histórias potentes que nos permitem enxergar toda a cidade de outra forma”, afirma Paulo Costa, curador da casa museu e idealizador da mostra.
Exposição | Habitar São Paulo: relatos femininos
De 30 de maio a 27 de setembro
Quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até as 18h; visitas mediadas de quarta a sexta, às 11h, 14h, 15h e 16h; sábado, domingo e feriado, às 14h
Período
Local
Casa Museu Ema Klabin
Rua Portugal, 43 Jardim Europa São Paulo, SP
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A Galeria Base apresenta “Cosmatéria”, exposição coletiva que reúne obras de Arthur Arnold, Lucas Länder, Montez Magno e Natália Guarçoni. “Cada artista ganha uma sala expositiva” acrescenta Daniel Maranhão, diretor
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A Galeria Base apresenta “Cosmatéria”, exposição coletiva que reúne obras de Arthur Arnold, Lucas Länder, Montez Magno e Natália Guarçoni. “Cada artista ganha uma sala expositiva” acrescenta Daniel Maranhão, diretor da galeria.
A mostra parte da investigação da matéria como elemento poético, físico e simbólico, aproximando diferentes práticas artísticas em torno de processos de transformação, desgaste, acúmulo e instabilidade.
Com texto crítico de Marina Câmara, “Cosmatéria” reúne pinturas, objetos, fotografias e assemblagens que exploram materiais como areia, cimento, pigmentos, cera, resina e argamassa. Em comum, os trabalhos compartilham um interesse pela dimensão sensível da matéria, não apenas como suporte, mas como organismo vivo, instável e em constante mutação.
A exposição inclui obras históricas e experimentais de Montez Magno, figura central da arte contemporânea brasileira, ao lado das pesquisas matéricas de Natália Guarçoni, das assemblagens orgânicas de Lucas Länder e das composições densas de Arthur Arnold. Apesar das diferenças formais entre os artistas, a mostra propõe um campo de aproximação entre práticas que tensionam os limites entre construção e erosão, forma e informe, permanência e transformação.
Inspirada em referências que atravessam autores como Georges Bataille e Emanuele Coccia, “Cosmatéria” sugere uma reflexão sobre a relação entre corpo, natureza e matéria, entendendo os materiais como elementos em fluxo, atravessados pelo tempo, pelo acaso e pela memória.
Exposição | Cosmatéria
De 02 de junho a 18 de julho
Terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Período
Local
Galeria BASE
R. Artur de Azevedo, 493 - Cerqueira César, São Paulo - SP
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A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil”, com texto crítico do curador e historiador Gerardo Mosquera. A mostra
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A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil”, com texto crítico do curador e historiador Gerardo Mosquera. A mostra apresenta um conjunto de obras que evidencia o papel singular do artista como precursor de uma linguagem abstrata desenvolvida antes da consolidação do concretismo no país.
A exposição reúne trabalhos produzidos entre as décadas de 1940 e início dos anos 1960, período em que Dias transita da figuração para a abstração. Nas telas dos anos 1940, formas orgânicas começam a dissolver a imagem figurativa; na década seguinte, surgem composições geométricas mais estruturadas. Ao longo desse percurso, sua produção revela-se em constante transformação, articulando elementos líricos e construtivos entre o rigor formal e a memória sensorial de Pernambuco.
Além da mostra
Um dos aspectos centrais da mostra é a coexistência, em uma mesma obra, entre abstração lírica e geometria. Nas pinturas da década de 1940, referências à abstração europeia dialogam com elementos cromáticos e formas que evocam a paisagem pernambucana. Já nas obras dos anos 1950 — núcleo da exposição — as composições exploram movimentos em espiral e diagonal, tensionando a geometria no espaço pictórico.
Essa produção desafia leituras estritamente formais. As obras de Dias são atravessadas por cor, luz e movimento, refletindo uma relação profunda com suas origens culturais. Como pontua Gerardo Mosquera, trata-se de uma obra que convoca “mais um olho-corpo do que um olho-máquina racionalista”.
A exposição também destaca a trajetória independente do artista no contexto latino-americano. Ainda no início dos anos 1940, Dias já desenvolvia experiências abstratas — um movimento que, no Brasil, só se consolidou na década seguinte com o concretismo e o neoconcretismo — antecipando tendências que marcaram gerações posteriores.
Radicado na Europa a partir do final dos anos 1930, o artista integrou o Groupe Espace e a Galeria Denise René, epicentro da arte construtiva na França, mantendo diálogo com relevantes núcleos artísticos internacionais. Ao longo de sua trajetória, manteve um contato contínuo com o Brasil, para onde viajou com frequência e onde realizou obras de grande escala.
Exposição | Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil
De 02 de junho a 18 de julho
Segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h
Período
Local
Simões de Assis (Lorena)
Alameda Lorena, nº 2050 - Jardim Paulista
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O Espaço PORTO de São Paulo (SP) inaugura a exposição Fotoperformance Popular, do artista visual Alex Oliveira. Como parte da programação, Oliveira também realiza um workshop de seis dias que
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O Espaço PORTO de São Paulo (SP) inaugura a exposição Fotoperformance Popular, do artista visual Alex Oliveira. Como parte da programação, Oliveira também realiza um workshop de seis dias que culminará em uma intervenção urbana na favela Monte Azul. Informações no Instagram @portodecultura.
A mostra apresenta um recorte da série desenvolvida pelo artista desde 2019 em diferentes cidades brasileiras. Na obra, transeuntes, ambulantes, trabalhadores autônomos, amigos e o próprio retratista ocupam estúdios improvisados montados em ruas, feiras livres e praças para performar identidades móveis diante da câmera. Natural de Jequié (BA), Alex Oliveira atua como fotógrafo, artista visual e filmmaker, desenvolvendo pesquisas que articulam fotografia, cultura popular e performatividade.
Alex Oliveira constrói retratos frontalizados que dialogam tanto com a fotografia de estúdio quanto com a espontaneidade da rua. A tensão central da série surge justamente do contraste entre a precariedade do dispositivo fotográfico e a formalização rigorosa da imagem, deslocando o estatuto social do retrato produzido no espaço urbano.
O projeto também propõe uma circulação expandida das imagens. Após cada sessão fotográfica, os participantes recebem cópias impressas de seus retratos em formato de postal, enquanto parte das imagens retorna ao território em forma de lambe-lambes instalados nas próprias ruas onde foram realizadas.
Desde 2025, imagens da série Fotoperformance Popular integram a coleção Fonds Brésilien de Photographies Contemporaines, da Bibliothèque nationale de France. E, atualmente, parte das obras podem ser vistas na Sorbonne Art Gallery, em Paris.
Como desdobramento da exposição, Alex Oliveira ministra o workshop Fotoperformance: Corpo, Cidade e Ação, com duração de seis dias e carga horária total de 24 horas. Ao final das atividades, os participantes irão instalar os lambe-lambes produzidos durante as aulas na favela Monte Azul, em uma ação realizada em parceria com a Galeria Sérgio Silva. O valor das inscrições é de R$ 980.
Exposição | Fotoperformance Popular
De 6 de junho a 8 de agosto
Quarta à sexta das 14h às 18h e finais de semana mediante agendamento
Período
Local
Espaço PORTO
Rua Harmonia, 925 - SumarezinhoSão Paulo - SP
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Fugido, exposição de Anderson Borba que reúne esculturas, relevos e colagens produzidos a partir de materiais orgânicos, industriais e encontrados, como madeira, pedra, bronze, argila,
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Fugido, exposição de Anderson Borba que reúne esculturas, relevos e colagens produzidos a partir de materiais orgânicos, industriais e encontrados, como madeira, pedra, bronze, argila, papel e alumínio. Dispostas em cortejo ao longo da galeria, as obras assumem a forma de corpos antropomórficos híbridos, marcados por uma fisicalidade instável e por referências que transitam entre formas ancestrais e imaginários extraterrestres. A montagem confere às esculturas uma dimensão ritualística e conspiratória, como se as figuras estivessem reunidas em cerimônia, procissão ou assembleia secreta. Relacionando-se entre si como partes de um organismo maior, as obras ativam uma potência animista por meio da interação entre matéria, gesto e presença abstrata.
A pesquisa de Borba parte de práticas escultóricas antigas, do modernismo e de tradições vernaculares brasileiras, dissolvendo as fronteiras entre esses campos e condensando referências diversas em uma linguagem visual singular e instável. Suas esculturas evocam tanto artefatos arqueológicos quanto vocabulários da abstração moderna, ao mesmo tempo em que dialogam com a arte popular, as carrancas e práticas ligadas às espiritualidades afro-brasileiras.
Por meio de procedimentos de assemblagem e colagem, as obras conciliam solidez e precariedade em superfícies fragmentadas, vazadas e estratificadas, que sugerem processos contínuos de transformação. Borba também incorpora referências oriundas da moda e da cultura visual contemporânea, introduzindo tecidos, ornamentos, imagens pixelizadas e fragmentos gráficos extraídos de revistas e meios digitais, elementos que ampliam o caráter performativo e sensorial das peças. Esses tratamentos conferem às esculturas uma qualidade marcadamente pictórica, como se imagens tivessem sido incrustadas em suas superfícies. Em certos momentos, as obras oscilam entre objeto e imagem, com texturas, cores e fragmentos gráficos funcionando como composições pictóricas distribuídas pelo corpo escultórico.
Em Fugido, Borba apresenta um conjunto de esculturas e trabalhos de parede que aprofunda seu interesse por formas desviantes, corpos em mutação e narrativas não lineares. O título da exposição evoca deslocamento, fuga e transformação, atravessando questões ligadas à migração, à ancestralidade e à metamorfose da matéria. Entre estruturas de caráter brutalista e composições altamente táteis, as obras constroem um ambiente em que referências históricas, ficcionais e existenciais coexistem em permanente tensão.
Serviço
Exposição | Fugido
De 10 de junho a 01 de agosto
Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar A palavra errada, primeira exposição de Rebecca Watson Horn na galeria. Produzidos integralmente em São Paulo, os trabalhos apresentados resultam de
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Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar A palavra errada, primeira exposição de Rebecca Watson Horn na galeria. Produzidos integralmente em São Paulo, os trabalhos apresentados resultam de um período de permanência da artista na cidade, durante o qual absorveu ritmos, atmosferas e impressões que atravessam o conjunto da mostra. A exposição reúne as maiores pinturas realizadas por Watson Horn até o momento, além de uma série de trabalhos têxteis verticais.
As pinturas de Rebecca Watson Horn são construídas a partir de camadas de tinta a óleo aplicadas sobre juta montada sobre tela, combinação de materiais que produz superfícies densas, marcadas por acidentes, texturas e uma forte dimensão tátil. Em uma paleta que transita entre vermelhos profundos, verdes terrosos, amarelos luminosos, cinzas esverdeados e tons rosados, formas alongadas e campos cromáticos se expandem acompanhando a trama do tecido, incorporando sua estrutura à própria composição.
Cada imagem surge da transformação gradual de palavras, frases ou fragmentos de linguagem, que deixam de operar como signos legíveis para se converter em grafismos abstratos. A artista frequentemente associa esse processo aos sigilos — símbolos utilizados em práticas de encantamento, concebidos como condensações visuais de pensamentos, intenções ou desejos. Ao longo da pintura, o conteúdo verbal original é progressivamente distorcido até se tornar irreconhecível, cedendo lugar a configurações visuais enigmáticas e abertas.
Ao manipular vestígios da linguagem, Watson Horn cria situações em que o sentido se acumula e se desfaz continuamente. O olhar é convidado a vagar pela superfície ou a se deter em determinados trechos, como se acompanhasse oscilações entre pensamento e sensação, entre a fluidez da imaginação e a materialidade da pintura. Suas composições funcionam como registros visuais de estados perceptivos, articulando ritmos, memórias e associações que resistem à interpretação imediata.
Nascida em Boston e radicada em Nova York, Rebecca Watson Horn (1981) desenvolve uma prática centrada na pintura e no têxtil, investigando as relações entre linguagem, abstração e materialidade. Utilizando óleo sobre juta e tela, constrói superfícies espessas e texturizadas nas quais palavras e frases são gradualmente convertidas em gestos, marcas e formas pictóricas. Seus trabalhos são caracterizados por campos cromáticos sobrepostos, formas amorfas e uma atenção constante às qualidades físicas do tecido e da tinta, produzindo composições que oscilam entre escrita e pintura, estrutura e atmosfera. Por meio da repetição, da distorção e da acumulação, a artista trata a linguagem menos como um instrumento de comunicação do que como um campo de ritmo, memória e sensação.
Entre suas exposições individuais recentes estão Sono, na Villa di Geggiano, em Siena, Itália (2025); The Secret Life of Vowels, na Emanuela Campoli, em Paris (2024); Sigils, na Auroras, em São Paulo (2023); Letters as such, na Deli Gallery, em Nova York (2023); Rebecca Watson Horn, na White Columns, em Nova York (2017); e Rub It In, na Soloway, no Brooklyn (2011). Seu trabalho também integrou exposições coletivas como A Study in Form (Chapter Two), com curadoria de Arden Wohl, na James Fuentes, Nova York (2023); Always in my room bc I put effort into it & I love the vibe of my lights, na Starr Suites, Brooklyn (2023); The Practice of Everyday Life, na Derosia, Nova York (2022); JAG Projects at Forland, com curadoria de Jesse Aran Greenberg, em Catskill, Nova York (2022); e Pure Joy, com curadoria de Chella Man, na 1969 Gallery, Nova York (2022).
Serviço
Exposição | A palavra errada
De 10 de junho a 01 de agosto
Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam Viva Viva Escola Viva, exposição dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas. Com curadoria da filósofa e educadora
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam Viva Viva Escola Viva, exposição dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas. Com curadoria da filósofa e educadora Cristine Takuá, em colaboração com os coordenadores das Escolas Vivas, a mostra é uma correalização do Instituto Tomie Ohtake com a Associação Selvagem, uma organização não governamental que envolve o movimento indígena das Escolas Vivas e uma rede colaborativa voltada a aprendizagens e traduções entre mundos. Desde 2024, a direção artística do Instituto Tomie Ohtake acompanha e atua junto ao desenvolvimento do projeto. Viva Viva Escola Viva acontece paralelamente às mostras Quando o museu é rio, realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, e Estrelas escolhidas, individual do artista carioca Luiz Zerbini.
Coordenado por Cristine Takuá, curadora da exposição, o movimento das Escolas Vivas articula cinco núcleos de transmissão de saberes indígenas: Shubu Hiwea, do povo Huni Kuĩ, no Acre; Apne Ixkot Hãmhipak, a Aldeia Escola Floresta do povo Maxakali, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais; Arandu Porã, do povo Guarani Mbya, na Terra Indígena Rio Silveira, em São Paulo; Bahserikowi, Centro de Medicina Indígena, localizado em Manaus (AM), ligada aos povos Tukano, Desana e Tuyuka, todos do Alto Rio Negro, no Amazonas; e Madzerokai, Casa dos Conhecimentos Ancestrais, também no Alto Rio Negro, no Amazonas, ligada ao povo Baniwa, e propõe uma prática de aprendizagem que integra saberes indígenas, científicos e artísticos a partir dos territórios, e das relações entre gerações.
Para a curadora, “as Escolas Vivas se afirmam como um coletivo que busca transformar a relação do ensinar-aprender, a relação do que é realmente útil e necessário na troca constante de saberes que são ancestrais, mas que, por uma arrogância colonial e epistemológica, foram desfigurados numa escola clássica e quadrada”.
Antes de chegar ao Instituto Tomie Ohtake, a primeira exposição das Escolas Vivas foi apresentada na Casa França Brasil, no Rio de Janeiro, entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024. As obras presentes na exposição atual foram produzidas no âmbito de oficinas nos territórios das Escolas Vivas e também na residência Casa Escola Viva, realizada em outubro de 2025 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, reunindo dez artistas indígenas em um processo de criação e troca de saberes.
Para a abertura, são esperados 25 artistas indígenas, que irão realizar uma grande pintura no espaço expositivo, concebida como pano de fundo para boa parte da mostra e integrada a outros trabalhos apresentados no percurso. A exposição reúne ainda cinco bandeiras com grafismos dos povos que compõem as Escolas Vivas. Somados, esses conjuntos totalizam cerca de 300 metros quadrados de pinturas realizadas no Instituto Tomie Ohtake. Além disso, cada uma das Escolas Vivas apresenta um trabalho coletivo de referência.
Do povo Baniwa vem a instalação O umbigo do mundo, com trançados de fibra de tucum produzidos pelas mãos de mulheres Baniwa. Já os Huni Kuĩ apresentam um pano professor com kenes, grafismos tradicionais que orientam o aprendizado e a transmissão de conhecimentos ligados à sua cosmologia. Entre os Maxakali, a instalação coletiva se organiza a partir de mastros — os mīmãnãns — que, segundo sua cosmologia, orientam e tornam possível a presença dos espíritos nos rituais. A instalação Pytü, o Escuro, dos Guarani Mbya, é uma representação do escuro intenso, de onde pode surgir o primeiro suspiro, o primeiro ser, a primeira vida. Completa o conjunto uma farmácia amazônica, com plantas medicinais, elixires e bálsamos trazidos pelos povos Tukano, Desana e Tuyuka.
A exposição reúne ainda um núcleo dedicado aos “avós”, entendidos como referências fundamentais na preservação e transmissão dos conhecimentos indígenas. São eles que sustentam, por meio de histórias, cantos e práticas cotidianas, uma memória que atravessa o tempo e conecta diferentes planos de existência. Ao trazer essas presenças para o espaço expositivo, a mostra propõe uma aproximação com modos de saber baseados na escuta, na experiência e na continuidade entre gerações. Integram esse conjunto Ailton Krenak, Ehuana Yanomami, Tõrãmu Kẽhíri (Luiz Lana) e Moisés Piyãko.
No dia 9 de junho, data da pré-abertura da exposição, o Instituto Tomie Ohtake recebe também o lançamento do livro Tekoypy rã – A origem de nós, do mestre Guarani Carlos Papá, publicado pela Dantes Editora. O livro reúne reflexões sobre a composição do mundo Guarani, narradas a partir da oralidade e acompanhadas por desenhos produzidos ao longo desse processo coletivo de transmissão de saberes.
Como parte do programa público, o Instituto oferece quatro oficinas conduzidas por Veronica Pinheiro, pesquisadora, artista de rua e integrante da Associação Selvagem, propondo experiências de escuta, memória e criação a partir da exposição. No dia 26 de junho de 2026, a atividade Umbigo, memórias que nos ligam ao mundo será realizada para alunos de uma escola pública. No dia 27 de junho, sábado, acontece a formação para professores Tudo na memória. Já no dia 11 de julho, sábado, a oficina Tudo na memória será aberta ao público espontâneo. Encerrando a programação, no dia 8 de agosto, a oficina O sonho do guerreiro, com jovens indígenas Guarani do Jaraguá, marca o fechamento da exposição. Inspiradas nas aprendizagens das Escolas Vivas, as atividades partem da escuta, da presença e das marcas que a experiência deixa no corpo, articulando visita sensível e práticas coletivas. A participação é gratuita, com vagas limitadas, e as inscrições serão feitas no site do Instituto Tomie Ohtake.
Viva Viva Escola Viva é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e do Instituto Tomie Ohtake, em parceria com a Associação Selvagem. A mostra conta com o apoio do mantenedor institucional Nubank e com o patrocínio do Aché Laboratórios Farmacêuticos, na cota Prata.
Exposição | Viva Viva Escola Viva
De 10 de junho a 09 de agosto
Terça a domingo, das 11h às 19h, última entrada até 18h
Período
Local
Instituto Tomie Ohtake
Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros, São Paulo – SP
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A Galeria Raquel Arnaud apresenta a exposição individual nem mais nem menos, pinturas recentes, de Carlos Zilio, onde reúne um conjunto de obras inéditas, que aprofundam questões centrais de sua
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A Galeria Raquel Arnaud apresenta a exposição individual nem mais nem menos, pinturas recentes, de Carlos Zilio, onde reúne um conjunto de obras inéditas, que aprofundam questões centrais de sua trajetória artística. Com curadoria de Tadeu Chiarelli, a mostra evidencia um momento singular da produção do artista, em que a pintura se afirma como um campo de investigação sobre seus próprios limites, tensionando continuamente a relação entre representação, espaço e percepção.
Reconhecido por uma produção que há décadas se dedica a examinar criticamente a história e os códigos da pintura, Zilio apresenta obras que retomam e ampliam discussões desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Se parte significativa de sua trajetória foi marcada por uma abordagem analítica da linguagem de pintura, os trabalhos reunidos nesta exposição revelam uma abertura para novas possibilidades, em que a pintura passa a incorporar uma dimensão mais complexa de presença, memória e construção visual.
Segundo o curador, Tadeu Chiarelli, o conjunto recente de obras permite compreender a pintura de Zilio como uma forma de drama. Não um drama narrativo ou figurativo, associado à representação de acontecimentos e personagens, mas um drama inerente à própria condição da pintura: sua permanente oscilação entre afirmar-se como superfície bidimensional e sugerir a possibilidade de um espaço para além dela.
A exposição é idealizada a partir da obra “Ausência” (2022), apresentada anteriormente na retrospectiva dedicada ao artista pelo Itaú Cultural. Nela, a silhueta de um tamanduá, figura recorrente na produção de Zilio durante a década de 2010, aparece quase completamente absorvida por um campo negro. A pintura marca uma transição importante em sua trajetória e estabelece um elo entre investigações anteriores e os trabalhos mais recentes.
Nas obras apresentadas agora, o artista concentra sua pesquisa na relação entre preto e branco, explorando contrastes, aproximações e tensões que ativam a percepção do observador. Campos monocromáticos rigorosos convivem com composições em que linhas, fendas e interrupções sugerem profundidades possíveis, sem abandonar a consciência da superfície como elemento fundamental da pintura.
Ao limitar sua paleta cromática e reduzir os elementos visuais ao essencial, Zilio cria trabalhos que operam entre presença e ausência, visibilidade e ocultamento. O espaço pictórico deixa de ser apenas um plano para tornar-se um território de disputa entre aquilo que se mostra e aquilo que permanece apenas sugerido. As obras não buscam representar uma realidade externa, mas investigar a própria possibilidade da representação.
Exposição | nem mais nem menos, pinturas recentes
De 10 de junho a 22 de agosto
Segunda à sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Raquel Arnaud
Rua Fidalga, 125 – Vila Madalena, São Paulo - SP
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Não costumamos pegar um guarda-chuva quando o céu acorda limpo, mas convém desconfiar da calma do azul. De repente, mesmo quando o sol ainda brilha, algumas gotas atravessam as nuvens
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Não costumamos pegar um guarda-chuva quando o céu acorda limpo, mas convém desconfiar da calma do azul. De repente, mesmo quando o sol ainda brilha, algumas gotas atravessam as nuvens e caem sobre nós, como se o céu tivesse decidido sussurrar água em meio à luz. Há quem explique o fenômeno: pode ser a chamada chuva solar, ventos de uma tempestade distante que carregam gotas errantes até um lugar onde não havia nuvens. Mas também há quem prefira outra narrativa. Histórias que carregam lendas e mitos de origem popular, frequentemente enraizados em culturas orientais e nas crenças de vilarejos e cidades. Acredita-se que tais expressões tenham surgido como formas de atribuir sentido – muitas vezes por meio do imaginário místico ou sobrenatural – a acontecimentos que pareciam escapar à compreensão cotidiana, como certos fenômenos naturais e casualidades do mundo.
No folclore japonês, diz-se que, quando há chuva com sol, as raposas estão à solta. O kitsune no yomeiri (狐の嫁入り) é uma procissão silenciosa de kitsunes que atravessa o dia, iluminada por uma longa fileira de kitsunebi que se estendem por uma vasta área. A dialética entre o sol e a chuva evoca o encontro de opostos na natureza: forças contrárias que coexistem e se completam, gerando equilíbrio e renovação. Esse fenômeno atravessa imaginários tanto no Ocidente quanto no Oriente, carregando uma rica constelação de significados. É justamente entre essa imbricação que Mika Takahashi opera, traduzindo a tensão da natureza e poética com delicadeza e precisão na mostra Chuva solar.
É entre a impermanência e a fabulação que Mika desenvolve sua mais recente pesquisa pictórica, experimentando o mundo por meio dos sentidos e dos sonhos. A artista parte da ficção como modo de se aproximar de diferentes realidades, entendendo o inconsciente não como fuga, mas como ferramenta de investigação e sensibilidade. Nesse percurso, a fabulação ultrapassa a dimensão da pesquisa literária e se afirma como gesto de criação, uma abertura para mundos possíveis.
Em suas pinturas, imagens, atmosferas e ritmos cromáticos parecem emergir como fragmentos de narrativas em formação, sugerindo paisagens instáveis, organismos em transformação ou fenômenos ainda sem nome. A pintura torna-se, assim, um campo de experimentação onde percepção, memória, sonho e imaginação se entrelaçam. É nesse espaço intermediário, entre o visível e o intuído, que a artista constrói um território poético no qual diferentes camadas de realidade coexistem, expandindo as formas de ver, sentir e fabular o mundo.
Como pessoa nipo-brasileira sansei, sua ancestralidade, constitui um ponto de partida fundamental para sua pesquisa, a partir do qual, nesta fase, investiga como a cultura japonesa encontrou na tradição da contação de histórias uma forma narrativa, poética e mística de dar sentido a fenômenos muitas vezes inexplicáveis. Preservar traços folclóricos e a representação de universos é uma maneira de valorizar uma espécie de essência singular da japonicidade, de enfatizar um lugar isento da modernidade ocidental e é desse lugar que Mika extrai sua força.
Em Ritual (2026), o kitsune no yomeiri aparece de forma nebulosa. O espectador contempla a cena como que de forma proibida, igual ao menino no filme Sonhos (1990), do cineasta japonês Akira Kurosawa. Ele, cheio de curiosidade, vê surgir uma misteriosa bruma e se esconde atrás de uma árvore. Desta névoa sai uma procissão de raposas desconfiadas. Elas andam a passos lentos, sempre olhando para ver se flagram algum incauto curioso. Após ser flagrado, ele precisa conquistar o perdão das raposas, mas tudo não passa de um sonho. Kurosawa mostra que também é capaz de adotar uma perspectiva surrealista para compor sua obra, presenteando o espectador com narrativas que vieram diretamente do seu inconsciente. Da mesma forma, Mika projeta uma camada expandida de comunicação: nela, a fábula emerge como potência criativa e narrativa, operando em diferentes níveis de elaboração e percepção de uma realidade que se revela, simultaneamente, abstrata e sensível.
Mika faz referência ao kakemono (?物), elemento ornamental da tradição japonesa. Historicamente associados à recepção e à hospitalidade, esses elementos compõem ambientes domésticos e cerimoniais como forma de dar boas-vindas aos visitantes. No imaginário oriental, os kakemono também podem apresentar representações de yōkai, cenas do teatro kabuki ou ilustrações de narrativas e contos antigos. Esse tipo de pergaminho – geralmente uma pintura vertical ou caligrafia realizada sobre papel de seda ou tecido – é fixado em um suporte flexível que permite ser enrolado para armazenamento.
Ao dialogar com essa tradição, Mika a ressignifica, operando a partir de um viés contemporâneo e regional, firmando sua identidade ao explorar a ambiguidade entre o passado e o presente, e é nesse deslocamento que sua produção revela um dos tributos mais sensíveis à dimensão ancestral da narrativa, entre herança cultural e reinvenção. A tradição surge, assim, como um repertório fixo e um campo vivo de deslocamentos e traduções, no qual referências se transformam ao atravessar diferentes tempos, territórios e gerações. É nesse movimento que sua produção faz emergir camadas de memória que persistem, ainda que de maneira sutil e abstrata. Seja na atmosfera do sonho ou no uso do estrangeirismo como ferramenta de criação, capaz de tensionar pertencimento e distância, sua prática constrói um espaço onde o imaginário opera de forma quase fabular. Talvez sejam as raposas, afinal, que fazem chover enquanto o sol permanece aceso, articulando uma zona de indeterminação na qual natureza e fabulação deixam de se opor.
Exposição | Mika Takahashi: Chuva Solar
De 11 de junho a 8 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h
Período
Local
Simoes de Assis Curitiba
Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 2173a - Batel Curitiba - PR
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Nascida em Curitiba e radicada em Florianópolis, a artista multimídia Ruchita inaugura, no Museu da Imagem e do Som, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São
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Nascida em Curitiba e radicada em Florianópolis, a artista multimídia Ruchita inaugura, no Museu da Imagem e do Som, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a exposição Território de passagem – sua primeira individual na capital paulista. Com visitação gratuita até 24 de agosto, a mostra, que inclui o lançamento do livro Todo momento de achar é um perder-se a si própria e uma série de ativações, foi concebida especialmente para o MIS e apresenta oito obras produzidas entre 2017 e 2025. São videoartes e séries fotográficas que investigam as relações entre corpo, tempo e memória.
Com curadoria de Brunno Almeida Maia e direção de arte e expografia de Leandro Leão, a individual reafirma a proposta de levar ao público a linguagem da videoarte, articulando elementos performáticos, audiovisuais e fotográficos em uma proposta imersiva e não linear. A exposição inédita estabelece, ainda, um diálogo direto com o acervo de videoarte do MIS, referência nacional e na América Latina, com mais de 5 mil títulos produzidos e catalogados desde os anos 1970. Ao inserir a produção de Ruchita nesse contexto histórico, Território de passagem aproxima a pesquisa e a produção da artista a uma tradição experimental marcada por nomes como Walter Zanini, Letícia Parente, Hélio Oiticica, Lygia Pape e Arthur Omar.
“Existe ainda uma centralização forte na produção do eixo Rio-São Paulo, e artistas do Sul, do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste encontram barreiras de visibilidade. Fazer minha estreia em São Paulo justamente no MIS tem um significado importante para mim – e divido esse sentimento com outros artistas que são sub-representados – sobretudo porque meu trabalho multimídia tem foco no audiovisual”, comemora Ruchita. “O vídeo ainda enfrenta resistência institucional em comparação a outros suportes, como a pintura ou a escultura, mas não há como negar que a tecnologia tem atravessado cada vez mais a produção artística contemporânea. Nesse sentido, o MIS sempre teve um papel relevante de projeção e reconhecimento.”
Partindo de experiências pessoais traduzidas em performances para a câmera, Ruchita coloca seu próprio corpo como campo de experimentação artística e desenvolve trabalhos em fotografia, instalação e vídeo que evidenciam a transitoriedade entre retrato e autorretrato. Em Território de passagem, suas investigações são atravessadas por questões existenciais, psicológicas e simbólicas, articulando aspectos íntimos e coletivos da experiência humana.
Estruturada a partir de dois eixos curatoriais – O Corpo Inacabado e O Corpo é Tempo –, a exposição reúne obras que abordam temas como vulnerabilidade, transcendência, repetição, impermanência e dissolução. No primeiro eixo, a série Não sou finito (2018) documenta a ação performática de uma videoinstalação em duas telas que flagra o corpo da artista amarrado a uma árvore – representando amarras sociais e mentais – e a tentativa de alcançar o infinito puxando uma corda suspensa, gesto repetitivo que aproxima o corpo do intangível.
Já a série inédita Alternar-se (2025/2026) mergulha na experiência de convívio diário da artista com o diabetes. Utilizando mel e sangue como metáforas, Ruchita compõe um ensaio visual e sonoro que explora os altos e baixos de seu cotidiano. Em Limiares, a artista escreve com sangue sobre espelho um gráfico de oscilações de taxas de glicemia; em Compasso, um lenço vermelho traduz essa inconstância; em Abismo, o reflexo em uma poça de mel evoca uma dor corporalizada; em Um corpo que me rodeia, o mel escorre pelo corpo de Ruchita, evidenciando movimentos que escapam de nosso controle e nos atravessam.
“Alternar-se nasce de algo que atravessa meu corpo, minhas emoções e minha rotina. Senti que era importante falar sobre esse tema porque os números seguem crescendo. Hoje, mais de 16 milhões de pessoas convivem com diabetes no Brasil e quase 600 milhões de pessoas no mundo. Então, essa obra funciona também como um convite para a observação do corpo e do cuidado cotidiano”, propõe Ruchita.
As 23 fotografias de Des-continuum – registros de sangue e mel sobre papel, expostas sem moldura – rompem limites físicos e simbólicos. A obra Um estado claro de ambiguidade (2017-2018) completa o primeiro eixo da exposição. Nela, 12 pessoas têm a visão obliterada por um espelho que reflete os olhos da artista. Ao lado da tela de exibição do vídeo, um autoretrato impresso de Ruchita é fixado diretamente sobre a parede, contendo o mesmo pedaço de espelho colado que sobrepõe seu olhar. Assim, os olhos do espectador estarão refletidos no lugar dos olhos da artista – uma reflexão sobre retrato, autorretrato, alteridade e um convite a se conectar à experiência do outro.
No segundo eixo, O Corpo é Tempo, a série Face à impermanência investiga duração e efemeridade em diálogo com a cultura japonesa do Wabi-Sabi (que defende que nada é acabado, permanente ou perfeito). O tríptico é composto de duas obras audiovisuais e uma instalação fotográfica. Em Esse movimento perpétuo (2018), uma videoinstalação registrada na praia de Naoshima e projetada sobre areia real depositada no chão exibe a imagem da artista, que surge e desaparece em sintonia com algas que se decompõem, simbolizando a fusão do indivíduo na natureza e o ciclo eterno de decomposição e reintegração. Já em Estar sem estar (2018), Ruchita permanece imóvel por horas no cruzamento de Shibuya, em Tóquio, enquanto a multidão passa em ritmo frenético – projetado em loop, o vídeo, de 8’09” e dimensões variáveis, foi filmado em câmera lenta para acentuar o paradoxo entre contemplação zen e velocidade urbana, um choque que também ecoa no cotidiano da metrópole paulistana.
“A performance sempre foi a base do meu trabalho. Meu processo criativo parte de experiências internas, de questões que eu tento externalizar por meio da imagem”, explica Ruchita. “Tudo surge dessa investigação pessoal, dessa busca existencial que me acompanha desde muito nova. O corpo acaba se tornando um lugar de percepção, experimentação e transformação. É a partir dele que tento criar conexões com o outro”, conclui a artista.
Serviço
Exposição | Território de passagem
De 11 de julho a 24 de agosto
Terças a sextas, 10h às 19h; sábados, 10h às 20h; domingos e feriados, 10h às 18h
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
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O Centro Cultural FIESP (CCF) recebe, pela primeira vez, a exposição “Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade”. A mostra propõe um novo olhar sobre a
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O Centro Cultural FIESP (CCF) recebe, pela primeira vez, a exposição “Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade”. A mostra propõe um novo olhar sobre a trajetória de um dos principais nomes do modernismo brasileiro, reunindo obras, fotografias e documentos que ajudam a compreender como Brecheret desenvolveu uma linguagem artística própria e como a figura indígena atravessou diferentes momentos de sua produção,?até se tornar um dos principais símbolos de sua fase final.
A exposição aborda a construção da linguagem escultórica do artista, um dos grandes nomes do Modernismo Brasileiro ligado à Semana de Arte Moderna de 1922. Ela destaca a última fase de sua produção, marcada pela influência das culturas indígenas. O percurso reúne esculturas, desenhos, fotografias e documentos que ajudam a contextualizar esse momento de sua trajetória.
Entre os destaques está a escultura “Acalanto de Bartira”, também conhecida como “Mulher Deitada na Rede”, considerada uma das obras mais emblemáticas de Brecheret e uma síntese de sua trajetória artística. A peça reúne elementos centrais de sua produção, especialmente a busca por uma representação mais sensível e humanizada da brasilidade.
“Essa exposição convida o público a revisitar Victor Brecheret a partir de um olhar mais humano e contemporâneo, entendendo como a imagem indígena atravessou sua obra e sua visão sobre a construção da identidade brasileira”, afirma Fernando Brecheret, diretor do Instituto Victor Brecheret.
‘’Para Tais Lara, diretora do Centro Cultural FIESP, a exposição convida o público a revisitar a obra de Victor Brecheret por um olhar contemporâneo e sensível, ressaltando sua contribuição fundamental para o Modernismo Brasileiro e para a construção da identidade cultural do país. Com a mostra, o SESI-SP reafirma seu compromisso com a valorização da arte e a democratização do acesso à cultura para públicos diversos.”
Há obras de Brecheret em coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, além de forte presença de seu trabalho em praças e monumentos da cidade de São Paulo. A proposta da exposição é ampliar o olhar sobre o artista para além de suas esculturas monumentais, e revelar diferentes camadas de sua trajetória.
A curadoria é assinada por Maria Izabel Branco Ribeiro, em parceria com o Instituto Victor Brecheret (IVB), presidido por Victor Brecheret Filho.
Exposição | Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade
De 11 de junho a 30 de agosto
Terça a domingo, 10h às 20h – Entrada gratuita: não é necessário fazer reserva.
Período
Local
Centro Cultural Fiesp
Avenida Paulista, 1313 - São Paulo - SP
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Entretempos, individual de Carolina Martinez estreia na Galeria Marilia Razuk. Com obras inéditas, a artista apresenta pinturas, esculturas e uma instalação de grande formato. Com aproximadamente 2,40 metros de altura,
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Entretempos, individual de Carolina Martinez estreia na Galeria Marilia Razuk. Com obras inéditas, a artista apresenta pinturas, esculturas e uma instalação de grande formato. Com aproximadamente 2,40 metros de altura, “Sete Planos em Companhia” é uma obra tridimensional feita em madeira, a peça recebe camadas de tinta acrílica e verniz e é um convite imersivo “à percepção sobre os espaços em que habitamos”, nas palavras de Catarina Duncan, em seu texto crítico.
“A pesquisa de Carolina parte de estruturas físicas e materiais que, por meio da cor, podem nos fazer perceber que estamos constantemente atravessados por onde habitamos. A arquitetura atua como dispositivo de ampliação da percepção e a cor como uma linguagem estrutural. Os campos cromáticos funcionam como matéria de transformação. Assim, a obra de Carolina explicita que somos constantemente afetados por onde estamos, pelas sensações que não são nomeadas, que são invisíveis e ainda nos escapam”, relata Catarina.
Para essa mostra, o uso de cerâmica em suas criações é outro diferencial. Ao ocupar o lugar das telas, a matéria-prima reforça sua pesquisa por diferentes materialidades. Não é a primeira vez que a cerâmica se transforma em arte pelas mãos de Carolina, mas percebe-se agora um amadurecimento. Com diferentes dimensões e formatos, há que se destacar, ainda, a assimetria, tanto nas obras, quanto na expografia. Não há em Entretempos uma estética linear: as obras estão dispostas de forma alternada entre uma e outra, criando uma espacialidade dinâmica, rompendo com o padrão das exibições tradicionais.
Vale citar, ainda, a série “Perímetros”. Iniciada a partir de 2015 a artista incorpora ripas de madeira que acompanham os limites dos campos de cor, mas extrapolam o plano do suporte. Borrando os limites entre objeto e pintura, as obras da série adentram a superfície da parede através da projeção das sombras, “como se estivesse trazendo a pintura para fora do espaço do quadro”, explica a artista. Em “Pequenos Portais”, por sua vez, Carolina apresenta três obras nas quais óleo e acrílica sobre cerâmica e acrílica sobre compensado fazem jus às suas pesquisas e experimentações artísticas.
Exposição | Entretempos
De 11 de junho a 23 de julho
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Galeria Marilia Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 62 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A NND|AZECO estreia sua nova exposição: Terra e Tempo, que reúne obras de Eleonore Koch (1926–2018) e Evandro César (1987) sob curadoria de Rodrigo Andrade e texto crítico de Bianca
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A NND|AZECO estreia sua nova exposição: Terra e Tempo, que reúne obras de Eleonore Koch (1926–2018) e Evandro César (1987) sob curadoria de Rodrigo Andrade e texto crítico de Bianca Dias. A mostra ocupa o espaço da galeria em São Paulo e propõe um encontro inédito entre duas trajetórias separadas por gerações, contextos históricos e experiências de vida, mas aproximadas por uma mesma atenção à construção silenciosa da imagem, à observação dos espaços cotidianos e à permanência do tempo na pintura.
Radicada no Brasil desde 1936 após deixar a Alemanha em meio à ascensão do facismo, Eleonore, reconhecida como a única aluna de Alfredo Volpi, desenvolveu, ao longo de mais de sessenta anos, uma produção singular marcada por naturezas-mortas, interiores e paisagens. Seus trabalhos revelam ambientes aparentemente simples, organizados por uma geometria precisa, onde objetos, móveis e paisagens tornam-se dispositivos de memória, deslocamento e reflexão sobre a condição humana.
Evandro César, artista visual, pixador e produtor cultural nascido e criado em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, combina referências da história da pintura, da cultura popular e das experiências vividas nos territórios periféricos da cidade.
Utilizando pigmentos minerais e tintas produzidas a partir de terras coletadas em diferentes regiões, Evandro desenvolve composições de tonalidades terrosas e atmosferas suspensas, nas quais fachadas, interiores, mobiliários e naturezas-mortas emergem como vestígios de memória e pertencimento.
Para o curador Rodrigo Andrade a exposição evidencia como a pintura é capaz de estabelecer diálogos que atravessam gerações e contextos sociais distintos. Em Terra e Tempo, as obras de Eleonore Koch e Evandro César revelam aproximações inesperadas na maneira como ambos transformam espaços cotidianos em experiências de contemplação, construindo narrativas silenciosas sobre permanência, deslocamento e afetos.
Os desenhos, estudos e trabalhos em papel de Eleonore ao lado de pinturas recentes de Evandro realizadas com pigmentos de terra criam um campo de aproximação entre diferentes temporalidades da arte brasileira. Enquanto Koch investiga a relação entre interioridade, observação e síntese formal, César atualiza questões ligadas à paisagem, à memória e à experiência urbana contemporânea, reafirmando a potência da pintura como espaço de encontro entre tempos, histórias e territórios.
Serviço
Exposição | Terra e Tempo: Eleonore Koch e Evandro César
De 11 de junho a 22 de agosto
Terça a Sexta: 11 às 18hs, sábado: 11 às 15hs
Período
Local
NONADA SP
Praça da Bandeira,53 – Centro, São Paulo - SP
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam a exposição Quando o museu é rio, mostra coletiva realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi.
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam a exposição Quando o museu é rio, mostra coletiva realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi. Com curadoria de Ana Roman, Sabrina Fontenele e Vânia Leal, e curadoria científica de Nelson Sanjad, Sâmia Batista e Sue Costa, a mostra parte das reflexões desenvolvidas no projeto Um rio não existe sozinho, realizado em 2025 no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, em Belém, e propõe uma investigação sobre o papel contemporâneo das instituições dedicadas à memória, à ciência e à produção de conhecimento sobre a Amazônia. Quando o museu é rio acontece paralelamente às mostras Viva Viva Escola Viva, sobre o movimento indígena das Escolas Vivas, e Estrelas escolhidas, individual do artista Luiz Zerbini.
A exposição reúne artistas convidados e acervos científicos, arqueológicos, etnográficos e biológicos do Museu Goeldi em uma proposta que articula arte contemporânea, ciência e saberes ancestrais. Participam da mostra Déba Tacana, Elaine Arruda, Estúdio Flume, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa.
Assim como em Um rio não existe sozinho, com curadoria de Sabrina Fontenele e Vânia Leal, para as curadoras da exposição, que somam-se a Ana Roman, a imagem do rio também atravessa esta nova mostra como metáfora para pensar deslocamentos, encontros e transformações. “Ao conectar territórios distintos, atravessar fronteiras e reorganizar continuamente a paisagem, o rio produz zonas de encontro, deslocamento e transformação”, afirmam. Sob essa perspectiva, a exposição propõe repensar o museu “não como instituição estável, mas como campo contínuo de relações entre território, ciência, espiritualidade e vida cotidiana”, em que os acervos deixam de operar como registros fixos do passado e passam a ser compreendidos como “matéria viva a partir da qual é possível imaginar e construir outros futuros”.
Entre os conjuntos apresentados, estão materiais ligados ao Acervo Didático Emília Snethlage, utilizado em ações educativas do museu; pesquisas arqueológicas sobre pinturas rupestres amazônicas; o projeto Replicando o Passado, desenvolvido com ceramistas do Pará e do Amapá; estudos sobre a descoberta de fósseis de preguiças-gigantes na Amazônia; além de projetos científicos e ambientais como o Esecaflor, dedicado à investigação dos efeitos das mudanças climáticas sobre a Floresta Amazônica. A mostra também destaca a atuação histórica do Museu Goeldi junto a povos indígenas amazônicos e as discussões contemporâneas em torno da classificação e reorganização de acervos etnográficos e biológicos.
Para Nelson Sanjad, Sue Costa e Sâmia Batista, curadores científicos da exposição, a mostra trata de “conexões entre pessoas; entre campos do conhecimento; entre humanos e não humanos; entre diferentes territórios; entre passado, presente e futuro. Um museu permite, promove e alimenta essas conexões, tal como as raízes de um imenso manguezal, que respiram, amparam, nutrem, protegem e abrigam a vida que flui no entorno, a lama ancestral que nos torna um e tudo. Apenas o museu é capaz de transformar o particular no coletivo, expandir o indivíduo para o todo social, dar um sentido e o horizonte que pode nos unir”.
Paralelamente à abertura da mostra, o Instituto Tomie Ohtake realiza, nos dias 25 e 26 de junho, o seminário Quando o museu é: acervos e futuros, organizado em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. O encontro reúne pesquisadoras(es), artistas, curadoras(es), gestoras(es) e profissionais de museus para discutir os modos como os acervos participam da construção das instituições museológicas contemporâneas. A programação articula debates sobre patrimônio, coleções etnográficas, arqueológicas e científicas, práticas curatoriais, circulação de acervos e processos de criação artística, aproximando experiências desenvolvidas no contexto amazônico e em outras instituições culturais e universitárias do país. A abertura da exposição integra a programação do seminário, que propõe reflexões sobre as relações entre museus, territórios, pesquisa, comunidades e produção de conhecimento. Mais informações em Instituto Tomie Ohtake.
Quando o museu é rio é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de
Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e do Instituto Tomie Ohtake, em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi. A mostra conta com o patrocínio do Nubank, mantenedor institucional do Instituto Tomie Ohtake; da AkzoNobel, na cota Ouro; do Aché Laboratórios Farmacêuticos, na cota Prata; e com apoio da Coral.
Serviço
Exposição | Quando o museu é rio
De 20 de junho a 16 de agosto
terça a domingo, das 11h às 19h (última entrada até 18h)
Período
Local
Instituto Tomie Ohtake
Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros, São Paulo – SP
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A artista e fotógrafa Daniela Dib apresenta, no Museu da Imagem e do Som, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a exposição “Quando o sonho encontra o azul“. Com curadoria de Marcelo Greco, a mostra apresenta cerca de 15 fotografias inéditas, produzidas entre 2021 e 2026, marcadas por atmosferas íntimas, jogos de luz e sombra, reflexos e paisagens suspensas no tempo, construindo uma narrativa visual entre sonho e realidade.
A exposição, que integra o programa Nova Fotografia 2026 do MIS, nasce do fascínio de Dib pela cor azul – não apenas como elemento visual, mas como estado emocional e simbólico. Inspirada em estudos linguísticos que apontam para a ausência da palavra “azul” em diversas civilizações antigas, a artista parte da ideia de que céu e mar eram percebidos como territórios vastos e mutáveis, ainda não nomeados pela linguagem. O azul surge, assim, como uma presença silenciosa e indefinível. Nas fotografias, essa cor aparece menos como representação e mais como atmosfera. Entre sombras, reflexos e gestos sutis, a artista constrói imagens que transitam entre delicadeza e tensão, intimidade e vazio, contemplação e vertigem.
“As fotos apresentadas na exposição representam muito do meu universo interior. Uma busca silenciosa, um olhar através de uma fresta, habitando uma dimensão entre o caos e a magia da vida cotidiana – um delicado equilíbrio entre as pulsões de vida e morte”, afirma a artista. A mostra propõe ao público uma experiência contemplativa em contraponto à velocidade do mundo contemporâneo. A montagem reforça essa sensação: a forma com que as obras serão fixadas, darão a impressão de estarem flutuando, um leve som de água, complementa a imersão, concebida pela artista.
Serviço
Exposição | Quando o sonho encontra o azul
De 23 de junho a 02 de agosto
Terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h.
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
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A Galeria Leme apresenta “Geologia da Forma: obras dos anos 90“, exposição dedicada a um conjunto de pinturas e desenhos de Germana Monte-Mór realizados ao longo da década de 1990,
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A Galeria Leme apresenta “Geologia da Forma: obras dos anos 90“, exposição dedicada a um conjunto de pinturas e desenhos de Germana Monte-Mór realizados ao longo da década de 1990, reunindo 21 pinturas sobre tecido e 15 desenhos sobre papel. Produzidas com asfalto sobre suportes diversos, como lona de algodão, papel-manteiga, papel de arroz e papel de seda, as obras revelam um momento decisivo da trajetória da artista, em que a investigação da matéria, da forma e das relações entre figura e fundo ganha uma formulação singular.
O conjunto, até então inédito, já motivou reflexões de importantes críticos brasileiros, entre eles Lorenzo Mammì, Rodrigo Naves, Paulo Sérgio Duarte, e Nuno Ramos, e agora é revisitado com um texto crítico de Diego Matos. Os trabalhos refletem um capítulo fundamental da pesquisa de Monte-Mór, abordando questões que permanecem presentes em sua produção recente. A exposição destaca a matéria como agente ativo da construção das imagens; em muitas das obras, ocorre uma inversão das funções tradicionalmente atribuídas aos elementos da pintura — em vez do suporte sustentar a matéria, é a massa densa do asfalto que parece sustentar o papel ou o tecido.
Durante os anos 1990, Germana Monte-Mór experimentou com as possibilidades plásticas do asfalto, explorando as tensões entre peso e leveza, opacidade e transparência, permanência e transformação. Aplicado sobre superfícies delicadas e porosas, o material adquire comportamentos inesperados: dilui-se, infiltra-se, acumula-se e solidifica-se, produzindo formas que parecem emergir organicamente dos suportes. Nas pinturas, a densidade mineral contrasta com a trama têxtil, criando oscilações entre presença e desaparecimento. As formas evocam relevos, linhas de horizonte, cadeias montanhosas ou territórios em lenta transformação, como se estivessem submetidas a processos geológicos de decomposição e recomposição contínuas. Suas telas recusam qualquer referência estável, permanecendo suspensas entre abstração e sugestão figurativa.
Os desenhos sobre papel aprofundam essa investigação — a matéria se espalha por superfícies frágeis, revelando tanto sua potência expansiva quanto a capilaridade dos suportes. As formas parecem nascer de dentro para fora, como registros de um movimento anterior à representação. Em alguns trabalhos, aproximam-se de corpos ou silhuetas; em outros, dissolvem-se em manchas e limites imprecisos, examinando as condições de surgimento da própria forma.
A mostra constrói um vocabulário visual marcado por oposições constantes: preto e branco, cheio e vazio, proximidade e distância, densidade e transparência. Para além de um recorte histórico, o conjunto revela a permanência da questão que segue estruturando a obra de Germana Monte-Mór: a relação entre forma e matéria.
Serviço
Exposição | Geologia da Forma: obras dos anos 90
De 25 de junho a 21 de agosto
Segunda a sexta, das 9h às 18h
Período
Local
Galeria Leme
Av. Valdemar Ferreira, 130 - São Paulo - SP
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A primeira exposição individual de Matheus Abu em São Paulo, Oceano-Deserto, segue na Galeria Karla Osorio até dia 28 de julho. Com curadoria de Victor Gorgulho, a mostra apresenta mais
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A primeira exposição individual de Matheus Abu em São Paulo, Oceano-Deserto, segue na Galeria Karla Osorio até dia 28 de julho. Com curadoria de Victor Gorgulho, a mostra apresenta mais de dez pinturas inéditas de nova série criada pelo jovem artista carioca, que se destaca no cenário nacional e internacional. Em síntese, a pesquisa do artista reflete sobre o Oceano Atlântico como espaço simbólico de produção de memória, um meio que carrega e ressoa a ancestralidade afrobrasileira. As obras de Abu buscam resgatar os fragmentos possíveis dessa história viva, que atravessa e se reproduz nos corpos que descendem da diáspora africana.
Nas palavras do artista, “a pintura torna-se, assim, um espaço de escavação sensível, onde o tempo colonial não está no passado, mas em fricção contínua com o presente”.
Sobre a exposição
Segundo o curador Victor Gorgulho, “as obras dão continuidade à pesquisa visual de Abu, conhecido por suas pinturas em diferentes escalas, e que o artista realiza uma espécie de simulação de um corte – ou a edificação de uma fenda, até mesmo de um buraco – no eixo central desses trabalhos.
Estas fissuras, no vocabulário do artista, são materiais e matérias de um infindo léxico visual por ele arquitetado, como evocam, a um só tempo, questões ligadas ao imaginário colonial. O título “OCEANO-DESERTO”, por sua vez, deflagra, sobretudo, justamente esta segunda instância semântica da produção de Matheus: o oceano é tanto o lugar das águas profundas e misteriosas da humanidade como é também uma espécie de terreno desértico, inóspito, em que o encontro com a água resulta em uma matéria terceira, por nós ainda desconhecidas; pelas obras de Matheus Abu ao menos tateadas, experienciadas”.
Serviço
Exposição | Oceano-Deserto
De 26 de maio a 28 de julho
Segunda, das 14h às 19h, terça a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 10h às 17h
Período
Local
Galeria Karla Osorio
Rua França Pinto, 1100 sala 1, Vila Mariana - São Paulo - SP
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O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com gestão da Associação Museu Afro Brasil – Organização Social
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O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com gestão da Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura (AMAB), inaugura a exposição “Afríquia: o artista como colecionador”, com curadoria de Gabrielle Nascimento. A mostra convida o público a conhecer a coleção de arte africana do Museu a partir do olhar de seu fundador, Emanoel Araujo, revelando como suas escolhas artísticas, intelectuais e curatoriais contribuíram para a formação de um dos mais importantes acervos dedicados às culturas africanas no Brasil.
“Esta exposição parte da compreensão de que toda coleção é também uma narrativa. Ao reunir obras, documentos, fotografias e registros da trajetória de Emanoel Araujo, buscamos mostrar como seu olhar ajudou a construir não apenas uma coleção de arte africana, mas uma forma de pensar as relações entre África, diáspora e identidade afro-brasileira“, destaca a curadora Gabrielle Nascimento.
Reunindo mais de 200 obras, a exposição apresenta esculturas, pinturas, máscaras, documentos, fotografias, livros, discos, tecidos e objetos tridimensionais que ajudam a compreender não apenas a construção da coleção africana do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, mas também a trajetória de Emanoel Araujo como artista, colecionador, curador e museólogo.
Composta majoritariamente por peças do próprio acervo do Museu, a mostra reúne obras tradicionais e contemporâneas, com destaque para produções da Nigéria e do Benim. O percurso expositivo evidencia as relações estabelecidas por Emanoel Araujo entre África e Brasil, revelando como referências culturais, religiosas e estéticas presentes no continente africano influenciaram sua produção artística e seu projeto museológico.
O título da exposição faz referência à série de xilogravuras Suíte Afríquia I, II e III, produzida por Emanoel Araujo em 1977 após sua participação no II Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana (FESTAC 77), realizado na Nigéria. A experiência marcou sua primeira viagem ao continente africano e teve impacto significativo tanto em sua produção artística quanto na formação inicial de sua coleção.
Mais do que apresentar objetos, a exposição propõe refletir sobre o colecionismo como uma forma de construção de narrativas. Ao acompanhar documentos, registros de aquisição, fotografias e obras reunidas ao longo de décadas, o público tem acesso a aspectos pouco conhecidos da atuação de Emanoel Araujo e às formas como ele construiu conexões entre memória, arte e diáspora africana.
A mostra também aproxima arte africana tradicional e contemporânea, reunindo desde máscaras Gelede e Egungun e esculturas de matriz iorubana até produções de artistas contemporâneos africanos incorporadas ao acervo em diferentes momentos da trajetória do Museu. A proposta evidencia a diversidade e a complexidade das produções culturais africanas, afastando leituras estereotipadas e destacando seus diálogos com a modernidade e os circuitos globais da arte.
Serviço
Exposição | Afríquia: o artista como colecionador
De 26 de junho a 13 de setembro
Terça a domingo, das 10h às 17h (permanência até às 18h)
Período
Local
Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Portão 10 – Parque Ibirapuera São Paulo - SP
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A Verve apresenta “Cavalo Pálido e os Sanguís-fé“, segunda exposição individual de Igor Vidor na galeria, acompanhada de texto curatorial de Marina Schiesari. Dando continuidade à pesquisa iniciada em sua primeira mostra na Verve, o artista volta seu olhar para a Guerra de Canudos e para os cenários marcados por disputas regionais, ideológicas e territoriais que permanecem reverberando na história brasileira.
Igor Vidor explora mecanismos de poder e opressão através de suas esculturas, performances e vídeos. Seus trabalhos apresentam sinais de violência e injustiça social profundamente enraizadas no cotidiano. O artista reflete como estas condições se repetem, perpetuando símbolos de violência que acabam ganhando novos significados. Permite-nos refletir sobre como este atrito contribui para um cenário de intermitente e aparentemente insolúvel violência que encontra ecos e recorrência na história do Brasil.
Em 2016, ele foi o primeiro brasileiro convidado a participar do Programa de Intercâmbio Internacional pelo Museu Nacional de Arte Moderna e Contemporânea de Seul – MMCA. Vidor desenvolveu residências artísticas no Brasil, na Coréia do Sul e na Alemanha, participando atualmente da Pro Helvetia em Zurique, na Suíça. Seu trabalho tem sido apresentado em inúmeras exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, além de integrar as coleções permanentes do Perez Art Museum (Miami, EUA), do Museu de Arte do Rio (MAR) e do Itaú Cultural.
Serviço
Exposição | Cavalo Pálido e os Sanguís-fé
De 20 de junho a 15 de agosto
terça, das 11h às 18h, sábado, das 12h às 17h
Período
Local
Verve Galeria
Avenida São Luis, 192, Sobreloja 06, República, São Paulo - SP
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam Estrelas Escolhidas, exposição individual de Luiz Zerbini.
A mostra reúne cerca de 230 obras produzidas ao longo dos últimos dez anos, entre monotipias, pinturas, livros de artista e instalações, marcadas pela investigação da monotipia realizada a partir do contato direto com plantas, folhas, galhos, cascas e outras materialidades. O conjunto inclui trabalhos desenvolvidos a partir do acervo botânico do Instituto Inhotim e do Sítio Burle Marx, além de obras que ampliam o diálogo da produção gráfica de Luiz Zerbini com diferentes contextos, como as pesquisas relacionadas à gravura japonesa Ukiyo-e.
Além das obras gráficas, a exposição apresenta núcleos dedicados às publicações produzidas pelo artista, além de um projeto sobre etnobotânica ainda em desenvolvimento. Mesas e instalações concebidas para a exposição aproximam processos, matrizes, referências e obras finalizadas, revelando o caráter experimental e processual da pesquisa de Luiz Zerbini.
Serviço
Exposição | Estrelas Escolhidas
De 26 de junho a 16 de agosto
terça a domingo, das 11h às 19h (última entrada até 18h)
Período
Local
Instituto Tomie Ohtake
Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros, São Paulo – SP
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Peças Frias – O Desenho, nova exposição de Iran do Espírito Santo em sua unidade dos Jardins, em São Paulo, com abertura em 30 de
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Peças Frias – O Desenho, nova exposição de Iran do Espírito Santo em sua unidade dos Jardins, em São Paulo, com abertura em 30 de junho de 2026. A mostra reúne uma seleção concisa de obras, entre desenhos e esculturas, que oferece uma visão precisa de momentos-chave da produção do artista ao longo das últimas duas décadas. Abrangendo o período de 2007 a 2025, a apresentação evidencia as ressonâncias do espaço vazio, a paleta cromática contida e as geometrias rigorosas que ressaltam tanto a continuidade quanto a evolução de sua prática.
Entre os destaques está a pintura de parede Sem título (Alambrado) (2007), concebida originalmente para a apresentação central da 52ª Bienal de Veneza. Também exibida pela primeira vez no Brasil, Linha e Sombra 4 (2013) foi desenvolvida inicialmente para um projeto na Ingleby Gallery e retomada pelo artista para esta ocasião. A nova escultura Compasso (2025), uma ampliação em aço inoxidável de um compasso de desenho técnico, estabelece uma relação direta com os mecanismos e o gesto do desenho, bem como com as dimensões intelectuais e conceituais da construção formal presente na obra de Iran do Espírito Santo.
Por meio de uma linguagem visual marcada pelo rigor geométrico, pela precisão técnica e pela economia de meios, o artista investiga os mecanismos da representação e os limites entre objeto, imagem e percepção. Suas obras abordam formas familiares por meio do paradoxo: embora pareçam descrever a realidade com notável fidelidade, acabam por se revelar construções artificiais, simulacros que deslocam continuamente a experiência do espectador entre presença e representação.
Paralelamente, Iran do Espírito Santo: Recorrência, nova mostra panorâmica com curadoria de Fernanda Lopes, no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, abre em 2 de julho de 2026.
Serviço
Exposição | Peças Frias – O Desenho
De 30 de junho a 08 de agosto
Terça a sexta, das 10h às 19h sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galeria Fortes D’ Aloia & Gabriel RJ
R. Jardim Botânico, 971 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ
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A Galeria 18 abre a edição 2026 da NOT SAMO, a exposição coletiva que reúne cerca de 60 obras de 29 artistas, selecionados por meio do edital anual promovido pela
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A Galeria 18 abre a edição 2026 da NOT SAMO, a exposição coletiva que reúne cerca de 60 obras de 29 artistas, selecionados por meio do edital anual promovido pela galeria.
O título da exposição faz referência à expressão SAMO (“same old shit”), assinatura criada por Jean-Michel Basquiat e Al Diaz, que se popularizou ao ser espalhada pelas ruas de Nova Iorque para criticar o status quo da época. Ao adicionar o termo NOT à frase original, o projeto propõe um deslocamento de sentido, atravessando diferentes linguagens, técnicas e modos de fazer para buscar novas perspectivas.
Cada edição da NOT SAMO funciona como uma oportunidade de observar parte da produção artística que vem sendo desenvolvida fora da bolha dos circuitos mais conhecidos. O projeto reúne artistas de diferentes origens, formações e momentos de carreira, criando um panorama marcado pela diversidade de linguagens, conceitos e modos de produção. Em vez de buscar uma temática comum, a mostra busca a singularidade de pesquisas que apontam para caminhos próprios e potenciais desdobramentos futuros.
A partir de uma seleção realizada entre mais de 530 inscrições, vindas de 9 países, o conjunto de obras traz técnicas como pintura, desenho, escultura e entre outros. Participam desta edição os artistas: Ariane Ventos, Bernardo Alves, Breno de Sant’ana, Cabeza, Cadumen, Cris Marcos, Dhyogo Oliveira, Erly Almanza, Fernando Simões, Gabriela Toral, Guilherme de Carli, Gunga Guerra, Isabel Manini, Isabela Doná Rodrigues, João Paulo, Lina Ferreira, Lucas Mourão, Luiz Breseghello, Luiz Sisinno, Marina Pelli, Murillo Monteolli, Murilo Romeu, Nina Miyamoto, Renato Medeiros, Robson Marques, Sandra Becker, Sofia Ramos, Sonia Gouveia e Vitor Mazon.
Ao longo de suas edições, a NOT SAMO consolidou-se como um espaço dedicado à descoberta e à visibilidade de novas pesquisas artísticas. Em 2026, o projeto reafirma esse compromisso, convidando o público a conhecer trabalhos que ampliam o olhar sobre a produção contemporânea.
Serviço
Exposição | NOT SAMO
De 01 de julho a 01 de agosto
Terça a Sexta, das 10h às 19h. Sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galeria 18
Rua Simpatia 23, Vila Madalena – São Paulo - SP
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Regina José Galindo (Cidade da Guatemala, 1974) é uma artista e poeta que utiliza seu próprio corpo para expor as violências impostas pelas estruturas de poder nas sociedades contemporâneas. Nascida
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Regina José Galindo (Cidade da Guatemala, 1974) é uma artista e poeta que utiliza seu próprio corpo para expor as violências impostas pelas estruturas de poder nas sociedades contemporâneas. Nascida durante a guerra civil na Guatemala (1954-96), conflito que dizimou e causou o desaparecimento de milhares de guatemaltecos, a artista tem sua produção atravessada por preocupações políticas e éticas derivadas desse contexto histórico. Uma pioneira da performance na América Latina, seus trabalhos tensionam os limites físicos de seu corpo e do público para denunciar abusos aos direitos humanos e desigualdades de gênero.
No vídeo Deportada (Todo lo que perdí) [Tudo o que perdi] (2024), Galindo fica de pé, imóvel, em meio aos objetos pessoais de Cristina Cazales Pacheco, mexicana deportada de Nova York para seu país. Vestida com múltiplas camadas de roupas que pertenceram a Cristina, a artista tem essas peças retiradas gradualmente de seu corpo pelo público, em um procedimento que evidencia o apagamento de sua existência por uma sociedade que normaliza as consequências dos deslocamentos forçados, ou mesmo participa dessa destituição física e simbólica. Em um segundo canal, Cristina narra sua história e a angústia causada pela imposição de uma fronteira entre ela, sua família e seus desejos. Galindo já havia tratado da imigração latino-americana para os Estados Unidos em obras anteriores e, neste trabalho recente, evidencia a persistência e a atualidade das violências que permeiam a questão, reforçando a importância de assegurar rosto, voz e presença às suas vítimas.
Sala de Vídeo: Regina José Galindo é curada por Bruna Fernanda, assistente curatorial, MASP.
A exposição integra o ano dedicado às Histórias latino-americanas, que também inclui mostras individuais de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón & Silät, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero, além da coletiva Histórias latino-americanas, bem como mostras na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel e Oscar Muñoz.
Serviço
Exposição | Sala de Vídeo: Regina José Galindo
De 03 de julho a 23 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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A exposição Do Fogo ao Asfalto reúne as artistas Simone Siss e Katia Lombardo, artistas com histórias e pesquisas distintas, mas cujas trajetórias se convergem em um ponto: o feminino.
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A exposição Do Fogo ao Asfalto reúne as artistas Simone Siss e Katia Lombardo, artistas com histórias e pesquisas distintas, mas cujas trajetórias se convergem em um ponto: o feminino. Com ele, ambas as artistas atravessam o fogo e o asfalto nessa exposição que abre em 4 de julho, na Galeria Alma da Rua. A mostra propõe um percurso sobre transformações, pertencimento e as várias versões que habitamos durante a vida.
A obra “Urbana” da série “Asfalto”, de Katia Lombardo, transforma fragmentos da cidade em suporte e linguagem. Fotógrafa e artista urbana, sua pesquisa nasce da observação dos espaços e das pessoas que os habitam. “Como o espaço e as convivências nos atravessam?”, investiga a artista. Seu trabalho dialoga com uma trajetória construída entre quatro países, revelando conexões inesperadas entre territórios, culturas e experiências humanas. As marcas deixadas pelas cidades, pelos deslocamentos e pelo cotidiano tornam-se matéria-prima para obras que aproximam o público de narrativas muitas vezes invisíveis.
Já Simone Siss, destaca “Manual dos Nãos Costumes”, da série “Atravessando o Fogo”, na qual apresenta obras que partem dos vestígios que o silêncio da rotina deixam, que escondem lutas e transformações vividas por mulheres. “O que historicamente foi associado ao cuidado, à rotina e ao ‘papel feminino’ é deslocado e transformado em instrumento de marca, de opressão e de memória”, revela Simone. Sobre tecidos crus, a artista constrói narrativas que atravessam o fogo e emergem transformadas. Suas obras funcionam como testemunhos visuais, registros de um corpo social atravessado de resistência, memória e permanência.
Enquanto Simone investiga as marcas internas e subjetivas da experiência da mulher, Katia evidencia os rastros deixados pelo ambiente, por locais diversos, traçando pontos entre a localização e o ser. Juntas, as artistas constroem um diálogo potente sobre os caminhos percorridos pelas mulheres e sobre as marcas que carregamos na alma e pela estrada.
Serviço
Exposição | Do Fogo ao Asfalto
De 04 a 28 de julho
Todos os dias das 10h às 18h
Período
Local
Galeria Alma da Rua
Rua Gonçalo Afonso 96 Beco do Batman, Vila Madalena, São Paulo - SP
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A Almeida & Dale apresenta Miss Ceilingfan — ad nauseam, primeira exposição no Brasil da artista Joeun Kim Aatchim. Nascida em Seul, na Coreia do Sul, e radicada no Brooklyn,
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A Almeida & Dale apresenta Miss Ceilingfan — ad nauseam, primeira exposição no Brasil da artista Joeun Kim Aatchim. Nascida em Seul, na Coreia do Sul, e radicada no Brooklyn, EUA, a artista reúne 21 obras, entre elas 15 pinturas inéditas em seda, além de esculturas e objetos. Produzidas durante uma estadia prolongada na casa de seus pais, em Seul, as pinturas da série Miss Ceilingfan partem de observações cotidianas, memórias e estados emocionais vividos pela artista longe de seu ateliê em Nova York.
A personagem que dá nome à exposição acompanha a produção de Aatchim desde 2022. De cabelos azul-lápis-lazúli e olhos dourados, Miss Ceilingfan reaparece ao longo da mostra em sucessivas variações. Seu rosto parece sempre próximo de se revelar, mas nunca completamente definido. A cada nova pintura, a personagem muda ligeiramente de feição, como se a artista perseguisse uma imagem que insiste em escapar.
“Com o tempo, a repetição foi ficando semelhante a uma reza. Até agora, Miss Ceilingfan não era um rosto específico nem uma figura fixa, mas sim uma ideia de mulher, ou, mais precisamente, uma infinidade de mulheres. […] Ela é alguém que jamais conheci, mas de algum modo já conheço. Não me lembro dela, mas de algum modo reconheço seu rosto. Ela é eu e você, e alguma mulher que conhecemos”, afirma a artista.
Mais do que conduzir a uma imagem definitiva, a repetição produz pequenas diferenças. Familiar e desconhecida ao mesmo tempo, Miss Ceilingfan deixa de operar como uma personagem específica para assumir contornos mais abertos, reunindo lembranças, experiências e projeções que se acumulam ao longo da série.
“Impedida, a princípio, de produzir novas imagens, Aatchim passou a repetir obsessivamente o mesmo rosto até que a repetição se tornasse, ela própria, o tema e o método da exposição. O subtítulo ad nauseam alude tanto a essa estrutura visual quanto a um estado psicológico e corporal. Conectadas por correntes suspensas e pequenos crucifixos, as pinturas deixam de operar como retratos individuais para constituir uma única estrutura afetiva, atravessada por ideias de devoção, resistência e sobrevivência”, escreve Lucas Goulart no texto da exposição.
Em sua prática, Aatchim dedica-se a registrar sensações, pensamentos e estados emocionais que frequentemente escapam aos ritmos acelerados da vida contemporânea. Fantasias, observações cotidianas e experiências íntimas tornam-se matéria para obras que não procuram representar acontecimentos específicos, mas preservar algo daquilo que está prestes a desaparecer.
Suas obras não se apresentam como registros imediatos ou representações de um evento atual. Pelo contrário, preservam o silêncio de um olhar interior maduro e reflexivo, assim como a velocidade necessária para captar estados passageiros. Surgindo já conjugadas no passado, essas imagens se fixam como memórias à beira do esquecimento.
Serviço
Exposição | Miss Ceilingfan — ad nauseam
De 04 de julho a 01 de agosto
Segunda a sexta-feira: 10h às 19h, sábado: 11h às 16h
Período
Local
Almeida & Dale Fradique
Rua Fradique Coutinho 1360 | 1430, São Paulo - SP
agosto
Detalhes
A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli,
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, a mostra reúne cerca de 100 obras de 60 artistas de diferentes partes do mundo, propondo um amplo panorama do Surrealismo e de seus desdobramentos na arte moderna e contemporânea. A entrada é gratuita.
Instalada em uma ampla casa na Rua Minas Gerais, esquina com a Praça Marechal Cordeiro de Farias, a nova sede da Pinakotheke conta com 700 m² de terreno, sendo 180 m² dedicados às áreas expositivas e 370 m² de espaço externo. O novo endereço marca uma importante reorganização institucional da Pinakotheke, fundada no Rio de Janeiro em 1979 por Max Perlingeiro, além de consolidar uma nova identidade visual e um projeto de expansão nacional e internacional.
A exposição é organizada em núcleos dedicados a artistas europeus, latino-americanos, norte-americanos e caribenhos, reunindo nomes históricos como Salvador Dalí, René Magritte, Pablo Picasso, Giorgio de Chirico, Joan Miró, Louise Bourgeois, Marcel Duchamp, Leonora Carrington, Roberto Matta e Diego Rivera. Entre os brasileiros, destacam-se obras de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Flávio de Carvalho, Cícero Dias, Farnese de Andrade, Tunga e Erika Verzutti.
Além das pinturas, esculturas, gravuras e fotografias, a mostra contará com salas especiais dedicadas a Maria Martins e Louise Bourgeois, além da exibição de vídeos de artistas contemporâneas como Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. O percurso inclui ainda trechos de filmes clássicos ligados ao imaginário surrealista, como “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí, e “Le Sang d’un poète”, de Jean Cocteau.
Ao longo da exposição, será lançado o livro bilíngue “Surrealismos: arte para além da razão”, publicado pela Pinakotheke Editora, com mais de 300 páginas e textos de pesquisadores e críticos convidados. A Pinakotheke São Paulo fica na Rua Minas Gerais, 246, em Higienópolis, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h.
Serviço
Exposição | Surrealismos: arte para além da razão
De 18 de maio a 15 de agosto
Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Pinakotheke São Paulo Higienópolis
Rua Minas Gerais, 246, Higienópolis, São Paulo - SP
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade dos japoneses, refletindo diversas percepções evocadas no imaginário como paz, purificação, leveza, silêncio e até precisão. É esta cor que assume o papel de fio condutor da exposição “Shiro: uma escala de nuances” (shiro significa “branco”, em tradução do japonês), que estreia no dia 2 de junho na Japan House São Paulo (JHSP). A mostra inédita segue em cartaz no andar térreo da instituição até 25 de outubro, com entrada gratuita.
Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão, passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata, durante o Clube de Leitura JHSP + Quatro Cinco Um em junho do ano passado, que descreve as vastas paisagens brancas do norte do país e o processo de alvejamento de um tecido na neve. “Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”, afirma Natasha.
Dividida em quatro grandes núcleos temáticos correspondentes a cada elemento, a expografia convida os visitantes a um mergulho pelas nuances simbólicas da cor. Logo na entrada, uma tabela cromática com uma seleção de 19 tons de branco catalogados no Japão representa as diversas nuances que uma única cor pode ter, a partir das centenas de cores tradicionais do Japão.
No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo. A obra de aproximadamente três metros de altura também trabalha a relação do papel com luz e sombra a partir de um espelho em sua base. Neste núcleo, o público também poderá conhecer o processo de produção do Kurotani Washi (papel japonês tradicional feito à mão), desde a colheita dos ramos de Kōzo (amoreira) – base para a fabricação deste elemento – até sua finalização. Amostras de três tipos de fibras que dão origem ao washi: Kōzo, Mitsumata e Gampi também estarão em exibição.
Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação “untitled-grandmother”. A delicada obra site-specific de quase 4 metros de diâmetro reflete sobre memória afetiva e os laços construídos (e desconstruídos) dentro dessa relação familiar. Amostras de casulos do bicho-da-seda, fios e tecido da província japonesa de Gunma, referência na produção de seda, também serão apresentados neste núcleo, acompanhados por uma breve introdução em vídeo dessa confecção no Japão.
Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Para representar essa vastidão, foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama, além de um vídeo demonstrando o processo de criação. Nesses trabalhos, é possível ver como o artista compreende a paisagem tomada pela neve como uma tela em branco, para ir caminhando instintivamente sobre ela com um par de pequenos esquis, guiado apenas pelas imagens em sua mente sem o uso de ferramentas de medição. Desse processo, resultam quilômetros de linhas que formam desenhos complexos, possíveis de serem contemplados em sua magnitude apenas do alto. Efêmeras, as “Snow Art” de Kajiyama costumam ocupar áreas de aproximadamente 100m² cada. “Suas criações ocorrem desde antes do amanhecer, no silêncio congelante, enquanto o céu começa a mudar de cor e continuam pela tarde, às vezes estendendo-se por vários dias. Segundo o artista, cada passo que ele dá para compactar a neve representa sua filosofia de esculpir a própria vida com uma mentalidade positiva, mesmo diante das adversidades”, explica a curadora.
A neve é um elemento tão presente no dia a dia do Japão, que os japoneses até desenvolveram um glossário dedicado a descrever suas diversas formas – seja a neve fina que parece pó, seja a neve macia que se assemelha a um mochi (bolinho de arroz glutinoso).
Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Por isso, desde tempos antigos, a produção de sal é feita por um método que consiste em duas etapas: a concentração da água do mar em salinas, e o processo de evaporação por meio da fervura. Esse método permanece em prática até hoje, mesmo que a produção seja feita majoritariamente de forma industrializada. Além de ser utilizado como tempero e conservante, o sal também é um objeto ritualístico na tradição xintoísta. A prática popular de criar pequenos montes de sal e deixá-los perto das entradas das casas, estabelecimentos ou santuários, como forma de atrair boa sorte e afastar os maus espíritos é chamada de morishio ou morijio. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.
A exposição também integra o programa JHSP Acessível, oferecendo WebApp com conteúdos acessíveis e textos traduzidos em inglês, espanhol e japonês, bem como recursos táteis, audiodescrição e vídeos em Libras para proporcionar acessibilidade a todos os visitantes.
Exposição | Shiro: uma escala de nuances
De 02 de junho a 25 de outubro
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Período
Local
Japan House São Paulo
Avenida Paulista, 52 – Bela Vista, São Paulo - SP
Detalhes
A exposição propõe um encontro inédito entre obras do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e obras do acervo do Sesc Bom Retiro, a partir do deslocamento
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A exposição propõe um encontro inédito entre obras do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e obras do acervo do Sesc Bom Retiro, a partir do deslocamento das obras do MAM São Paulo para visitarem um edifício inteiramente ocupado por um acervo que se apresenta de múltiplas maneiras. Ao levar as obras do MAM São Paulo para esse contexto, a curadoria evidencia diferentes formas de mostrar, organizar e tornar públicos os acervos, colocando em relação práticas institucionais, regimes de visibilidade e modos de mediação.
A proposta se estrutura em torno de duas perguntas centrais: o que acontece quando se decide guardar, cuidar e tornar público um conjunto de obras? E o que há para perceber e conhecer em uma obra de arte? Essas questões orientam o percurso expositivo e atravessam as decisões espaciais, narrativas e educativas do projeto. O acervo é compreendido como uma construção histórica e social, cuja existência se realiza plenamente no encontro com o público, quando as obras circulam, são recontextualizadas e ativam novas leituras.
Ao colocar acervos em diálogo, a exposição propõe uma reflexão sobre a função social das instituições culturais e sobre a fruição estética como experiência em relação. A materialidade das obras, os contextos de produção e os dispositivos de mediação e acessibilidade ampliam as possibilidades de percepção e conhecimento. Mire Veja convida o público a experimentar os acervos como um campo vivo, em constante atualização, a partir de seu corpo, de sua linguagem e de suas próprias experiências de vida.
Artistas
Alberto da Veiga Guignard
Alfredo Ceschiatti
Amelia Toledo
Antonio Henrique Amaral
Artur Barrio
Brígida Baltar
Cao Guimarães
Carlos Zilio
Cássio Vasconcellos
Claudio Tozzi
Cleber Machado
Eduardo Coimbra
Emanoel Araujo
Franz Weissmann
German Lorca
Giuliana Giorgi
Heitor dos Prazeres
Iran do Espírito Santo Labö & Rafaela Kennedy
Laura Vinci
Lenora de Barros
Lothar Charoux
Motta & Lima
Nelson Leirner
Paulo Bruscky
Paulo Nenflidio
Pedro Motta
Rodrigo Andrade
Rodrigo Braga
Rosângela Rennó
Rubens Gerchman
Sara Ramo
Xadalu Tupã Jekupé
Zimar
Mirela Estelles é mediadora cultural e investiga os desdobramentos da narração de histórias na educação em museus e exposições de arte. Estudou Comunicação das Artes do Corpo na PUC-SP e especializou-se em Linguagens da Arte no Centro Universitário MariAntonia, onde iniciou as pesquisas e atividades do projeto Histórias para Ver e Ouvir (2011–). Com experiência em arte contemporânea, educação, livro e leitura, culturas da infância, patrimônio imaterial e públicos de museus, realiza a curadoria de exposições e projetos educativos em escolas, livrarias, bibliotecas, museus e outras instituições culturais, com atenção aos aspectos de acessibilidade e diversidade na gestão cultural de equipes multidisciplinares. Atualmente, coordena a área de educação do Museu de Arte Moderna de São Paulo, onde atua desde 2009.
Valquíria Prates investiga a mediação cultural das artes visuais e da literatura em diálogo com pesquisa, escrita, curadoria e educação. É graduada em Letras e Pedagogia, mestre em Políticas Públicas de Acessibilidade pela USP e doutora em Artes pela Unesp, com a tese Como Fazer Junto: a Arte e a Educação na Mediação Cultural. Seu trabalho articula saberes acadêmicos e práticas colaborativas em diferentes territórios e contextos sociais. Atualmente, desenvolve projetos com o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Instituto Moreira Salles, a Fundação Roberto Marinho, Inhotim, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará e o Instituto de Arte Contemporânea de Ouro Preto.
O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo) é uma instituição dedicada à arte moderna e contemporânea. Fundado em 1948, mantém um acervo voltado à produção brasileira dos séculos XX e XXI. Além de exposições, atua em pesquisa, conservação e ações educativas.
Serviço
Exposição | Mire e Veja – MAM São Paulo Visita o Sesc Bom Retiro
De 01 de julho a 27 de setembro
Terça a sexta, das 9h às 20h sábado, das 10h às 20h, domingo e feriados, das 10h às 18h
Período
Local
Sesc Bom Retiro
Alameda Nothmann, 185 – Bom Retiro – São Paulo - SP
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A Almeida & Dale inaugura Omẽ Mahsã – Seres invisíveis, nova exposição individual de Daiara Tukano. A mostra apresenta cerca de vinte pinturas inéditas — incluindo uma obra com mais
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A Almeida & Dale inaugura Omẽ Mahsã – Seres invisíveis, nova exposição individual de Daiara Tukano. A mostra apresenta cerca de vinte pinturas inéditas — incluindo uma obra com mais de três metros de comprimento — e um conjunto de trabalhos em nanquim sobre papel que tomam a cosmologia do povo Yepá Mahsã como eixo de investigação, reunindo representações de animais, seres e entidades ligados ao ar.
As obras mostram representações de padrões ritmados, chamados Hori, além de representações de ventos e aves, relacionados a importantes narrativas do povo Yepá Mahsã, também chamado de Tukano. Nelas, Daiara articula um estudo sobre a cultura de seu povo e experimentações com as formas e a luz, buscando compreender a densidade de suas vibrações.
A exposição dá continuidade à pesquisa da artista pelas relações entre imagem, transformação e ancestralidade. Em suas pinturas, formas geométricas, ritmos visuais e campos luminosos tornam visíveis conhecimentos transmitidos entre gerações, ao mesmo tempo em que investigam a densidade e a vibração das imagens. Entre referências às pinturas corporais, cestarias, cerâmicas e outros objetos tradicionais, a artista constrói composições que evocam a história de transformação que estrutura a cosmologia Tukano.
O retorno de Daiara Tukano a São Paulo acontece em um momento de intensa circulação de sua produção artística e curatorial. Nos últimos anos, a artista realizou projetos em cidades como Brasília, Rio de Janeiro, Roma e Paris, consolidando uma atuação que articula arte, pesquisa e ativismo em defesa dos direitos dos povos indígenas.
Recentemente, Daiara recebeu a Medalha Rui Barbosa de 2025, honraria concedida a personalidades e instituições que se destacam pela contribuição à cultura brasileira. Em 2026, realizou um mural em homenagem a Ailton Krenak no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, apresentado durante a Virada da Sustentabilidade. Entre seus projetos mais recentes está a concepção da exposição Ohpeko Dihtara – Travessias da Guanabara, em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Niterói, reunindo obras de artistas indígenas de diferentes povos originários do Brasil.
Pertencente ao clã Erëmiri Hãusiro Parameri do povo Yepá Mahsã, Daiara Tukano é artista, comunicadora, ativista dos direitos indígenas e pesquisadora em direitos humanos. Vencedora do Prêmio PIPA Online em 2021 e do Prêmio Prince Claus em 2022, participou de exposições em instituições como MASP, Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte do Rio, El Museo del Barrio, em Nova York, Hayward Gallery, em Londres, e Centre de Cultura Contemporània de Barcelona. Suas obras integram coleções como Harvard Art Museums, MASP, Pinacoteca de São Paulo, El Museo del Barrio e Museo delle Civiltà.
Serviço
Exposição | Omẽ Mahsã – Seres invisíveis
De 04 de julho a 01 de agosto
Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h Sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Almeida & Dale Fradique
Rua Fradique Coutinho 1360 | 1430, São Paulo - SP
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra grandiosa que atravessa gerações e ocupa um lugar singular na cultura do país.
Idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), a exposição chega ao Museu das Favelas em sua primeira itinerância, reunindo mais de 650 itens do acervo pessoal de Alcione — entre fotografias raras, vídeos, prêmios, figurinos e objetos marcantes. Com Amor, Alcione convida o público a percorrer momentos da trajetória artística e biográfica da cantora, percorrendo temas como família, fé, carnaval, migração e identidades negra e nordestina, evidenciando como a trajetória de Alcione dialoga com experiências coletivas e processos históricos que constituem a cultura brasileira.
Serviço
Exposição | Com Amor, Alcione
De 10 de julho a 06 de dezembro
Terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h
Período
Local
Museu das Favelas
Largo Páteo do Colégio, 148 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá uma exposição à altura de sua trajetória: ‘O Brasil de Tarsila’ inaugura, em agosto, um novo espaço expositivo em São Paulo, o Nubank Arte Lab, o maior e mais moderno local de exposições e experiências imersivas do Brasil, com uma estrutura altamente tecnológica, sensorial e interativa.
Localizado no Conjunto Nacional, o empreendimento foi concebido pela Aventura — sob a liderança dos co-CEOs Aniela Jordan, Luiz Calainho e Giulia Jordan — e pela Deeplab Project, de Felipe Reif, com o Nubank, que assume o naming rights do espaço, com inauguração prevista para 15 de agosto.
Já ‘O Brasil de Tarsila‘ é apresentado pelo Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio master da EMS, apoio da Alelo, IRB(Re) e BNY. O projeto é uma realização da Tarsila S.A., liderada por Paola do Amaral Montenegro, e a Live Idea, de João Giani, em coprodução com a Deeplab e a Aventura.
Sobre a exposição
Ao longo de mais de dez salas, o universo visual de Tarsila será revisitado por meio de projeções monumentais de 360 graus, cenografia imersiva, trilha sonora e dispositivos interativos com direito a efeitos especiais e até aromas que vão guiar o visitante em uma jornada sensorial de grande escala por cerca de 40 obras da artista, entre pinturas icônicas, desenhos, esboços e ilustrações.
Mais do que contemplar suas obras, o público será convidado a interagir, explorar e mergulhar em ambientes que revelam suas referências, sua trajetória e o contexto artístico que marcou sua produção.
A proposta dialoga com uma linguagem contemporânea já consagrada internacionalmente por exposições imersivas dedicadas a artistas como Monet e Van Gogh, que transformaram a interação entre o público e as artes visuais. Agora, é a vez de uma artista brasileira ocupar esse espaço.
Todo o conteúdo audiovisual da mostra foi desenvolvido por artistas visuais e não por inteligência artificial, garantindo consistência estética e respeito às obras originais. A proposta é utilizar a tecnologia como meio de ampliação da experiência artística, e não como substituição da criação.
‘O Brasil de Tarsila’ busca aproximar novos públicos da arte e formar futuros visitantes de museus e apreciadores das artes visuais. A exposição foi concebida para receber famílias, despertar a curiosidade de crianças e jovens e abrir portas para pessoas que talvez nunca tenham tido contato direto com a obra de Tarsila.
A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro e Juliana Miraldi. Paola, gestora da Tarsila do Amaral S.A., atuou diretamente na construção dos enquadramentos narrativos da exposição, assegurando fidelidade à trajetória e ao legado da artista. Já Juliana Miraldi, pesquisadora e curadora de exposições imersivas, estrutura a dimensão conceitual da mostra ao integrar pesquisa acadêmica em artes visuais com as linguagens contemporâneas da arte digital.
A mostra reunirá releituras imersivas de trabalhos emblemáticos como Abaporu, Antropofagia, A Cuca, Operários e O Sono, além de outras obras importantes como São Paulo, Religiões Brasileiras, Figura só e Autorretrato (Le Manteau Rouge). Também integram o percurso desenhos e registros de viagens realizados pela artista, revelando paisagens e referências que marcaram profundamente sua produção.
‘O Brasil de Tarsila’ realizará um grande mergulho no imaginário da artista, recheado por cores vibrantes, paisagens e personagens brasileiros, convidando o público a atravessar suas formas dentro de uma experiência sensorial que conecta Arte e Tecnologia.
Serviço
Exposição | O Brasil de Tarsila
De 15 de agosto a 15 de fevereiro
Quarta a segunda e feriados, das 10h às 22h
Ingressos
De sexta a domingo e feriados – Inteira: R$ 100,00 | Meia-entrada: R$ 50,00
Segundas, quarta e quintas – Inteira: R$ 80,00 | Meia-entrada: R$ 40,00
Período
Local
Nubank Arte Lab
Conjunto Nacional, Avenida Paulista 2.073 – São Paulo, SP
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O MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da USP) possui um importante conjunto de 561 desenhos de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Reunidos pelo próprio artista, abarcando sua produção de 1920
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O MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da USP) possui um importante conjunto de 561 desenhos de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Reunidos pelo próprio artista, abarcando sua produção de 1920 a 1950. A exposição Di Cavalcanti: militante, boêmio, brasileiro, que o Museu apresenta a partir de 8 de novembro, traz 115 desenhos desse conjunto.
A curadoria de Helouise Costa e Marcelo Bortoloti observa que, embora mais conhecido como pintor “, Di Cavalcanti iniciou-se na arte por meio do desenho e fez dele um espaço de liberdade temática e estilística, de diálogo com outros artistas e rica experimentação”.
Em uma projeção audiovisual, todos os 561 desenhos serão apresentados ao público. Além dos desenhos pertencentes ao MAC USP serão apresentadas obras vindas do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB USP), Museu de Arte Brasileira (FAAP), Biblioteca Mário de Andrade, Pinacoteca de São Paulo e coleções particulares.
Serviço
Exposição | DI CAVALCANTI: militante, boêmio, brasileiro
De 08 de novembro a 18 de outubro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de construção de conhecimento, aproximando práticas artísticas, educativas e comunitárias.
Com a curadoria de Luciara Ribeiro, Naine Terena e Khadyg Fares, a Trienal propõe uma escuta atenta ao território sorocabano, atravessando suas camadas históricas, visuais e sociais.
O título do caminho um rezo une o conceito de “caminho como rezo”, difundido pelo professor e artista Tadeu Kaingang, à noção andina de “Thaki”, descrita pela socióloga Silvia Rivera Cusicanqui, e à ideia de “confluências afropindorâmicas”, do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), orientando uma reconexão com experiências culturais, educacionais e de memória que articulam corpo, território e vida social.
São, ao todo, 188 obras (das quais 26 foram comissionadas) desenvolvidas a partir de experiências negras, indígenas, periféricas e dissidentes, que ocupam tanto a unidade, quanto espaços da cidade, como a Capela João de Camargo, o Clube 28 de Setembro, o Monumento Pelourinho e o Monumento à Mãe Preta.
Assim como nas edições anteriores, Frestas se afirma como uma iniciativa que descentraliza o circuito de arte contemporânea, reconhecendo Sorocaba e o interior paulista como território de confluência entre relações artísticas e comunitárias.
Serviço
Exposição | do caminho um rezo
De 27 de fevereiro a 16 de agosto
Terças a sextas, 9h às 21h30. Sábados, 10h às 20h. Domingos e feriados, 10h às 18h30. Exceto dia 3/4
Período
Local
Sesc Sorocaba
R. Barão de Piratininga, 555 - Jardim Faculdade, Sorocaba - SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
Detalhes
O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta La Chola Poblete: Pop andino, primeira exposição individual da artista La Chola Poblete (Guaymallén, Argentina, 1989) no Brasil.
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O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta La Chola Poblete: Pop andino, primeira exposição individual da artista La Chola Poblete (Guaymallén, Argentina, 1989) no Brasil. A mostra reúne trabalhos que partem da arte pop e a ressignificam em um contexto latino-americano, articulando discussões sobre gênero, sexualidade, identidades cholas e os efeitos do colonialismo.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Leandro Muniz, curador assistente, MASP, a exposição “reflete sobre os legados coloniais na América Latina, partindo da biografia da artista para discutir as presenças indígenas, populares e híbridas na Argentina”, como afirma Muniz.
Chola é um termo marcado pelo uso recorrente como injúria racial contra mulheres de ascendência indígena em países da região dos Andes, como Argentina, Peru, Equador e Bolívia. Ao incorporá-lo em seu nome e discuti-lo em sua obra, La Chola Poblete desmonta estigmas e estereótipos por meio de sua reapropriação e rearticulação. Na série de aquarelas Vírgenes cholas [Virgens cholas] (2022 — em processo), a artista une divindades andinas e católicas, referências à música e à moda, frases de protestos políticos e dados autobiográficos. Juntos, esses elementos assumem uma dimensão coletiva ao evidenciar conflitos e potencialidades vividas por artistas oriundos de grupos historicamente marginalizados.
Nos cartazes PAP ART / Pop Andino (2023), dispostos em uma das paredes de abertura da exposição, La Chola Poblete constrói uma persona de cantora em turnê, em diálogo com a cultura pop e a lógica da divulgação musical. Entre suas referências, está a capa do álbum ARTPOP, de Lady Gaga. A narrativa sobre a chola como uma figura a ser admirada também atravessa o Manifesto Pop Andino (2023) — obra sonora que dá título à exposição —, disponível nas principais plataformas de áudio e que se inicia com a frase: “Meu gênero é artista”. Ao mobilizar o formato do manifesto, Poblete reposiciona referências consagradas da história da arte, reinscrevendo-as a partir de sua própria experiência.
Em Il Martirio di Chola, fotoperformance na qual mobiliza códigos do retrato barroco, como a pose em três quartos e o fundo escuro, La Chola Poblete incorpora signos da identidade chola, como a bolsa de aguayo, um tecido tradicional andino, e as tranças, equiparando os sofrimentos das cholas aos de Cristo. O título em italiano remete à tradição clássica da pintura europeia, inserindo a artista no cânone da história da arte ocidental. Ao articular referências do barroco e do pop, dois períodos marcados pela circulação massiva de imagens, a artista se apropria criticamente desses legados para tensionar narrativas canônicas e marginalizadas.
La Chola Poblete: Pop andino integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A programação do ano inclui mostras de Sandra Gamarra Heshiki, Claudia Alarcón & Silät, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e a grande coletiva Histórias latino-americanas, além das Salas de vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel, Oscar Muñoz e Regina José Galindo.
Serviço
Exposição | Chola Poblete: Pop andino
De 06 de março a 02 de agosto
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres,
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999 reúne 106 livros do acervo da Biblioteca de Fotografia, incluindo títulos recém-incorporados a partir da aquisição de uma coleção junto à 10×10 Photobooks, organização fundada em 2012 por Russet Lederman e Olga Yatskevich. Sediada em Nova York, a 10×10 Photobooks se dedica à pesquisa e ao compartilhamento de fotolivros, promovendo exibições, publicando livros a respeito e incentivando sua apreciação e compreensão.
Russet e Olga, que assinam a curadoria da mostra, comentam o projeto: “Embora os estudos sobre a história dos fotolivros tenham começado há apenas 37 anos, eles foram escritos majoritariamente por homens e têm focado em publicações de autoria masculina. Como organização sem fins lucrativos cuja missão é compartilhar fotolivros de forma global e incentivar sua apreciação e compreensão, a equipe da 10×10 discute com frequência como a história do fotolivro foi – e continua sendo – escrita a partir de uma perspectiva enviesada, e que uma ‘nova’ história precisa emergir.”
No dia da abertura, haverá uma conversa aberta ao público na Biblioteca de Fotografia do IMS, às 18h30, com a participação de Russet. A entrada é grátis, com retirada de senhas 60 minutos antes.
“A exposição reforça o papel do IMS como centro de referência para o estudo dos fotolivros e para a circulação de projetos de relevância internacional. Ao trazer ao público brasileiro obras que atravessam mais de um século e meio de produção, O que elas viram amplifica o debate sobre a contribuição das mulheres na história da fotografia e cria novas oportunidades de pesquisa”, diz Miguel Del Castillo, coordenador da Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles.
Todos os livros em exibição poderão ser manuseados pelos visitantes da mostra, que está dividida em dez seções – elas funcionam como marcadores cronológicos, mas principalmente ressaltam o momento histórico, sociopolítico e de conquistas de gênero em que essas mulheres produziram suas obras: “1843-1919: Pioneiras”; “1920-1935: A nova mulher”; “1936-1945: Levantando suas vozes”; “1946-1955: Das cinzas à família”; “1956-1964: Livros como bombas”; “1965-1969: Nostalgia, pop e revolução”; “1970-1975: Sororidade em florescimento”; “1976-1979: Políticas sexuais”; “1980-1989: Um despertar global”; e “1990-1999: Em busca de uma fotodemocracia”.
“Pioneiras”, por exemplo, inclui o trabalho da inglesa Anna Atkins, que, em 1843, publicou por conta própria Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, originalmente escrito à mão e ilustrado com 307 cianotipias das mais diversas algas britânicas. Na mostra, ela está presente em uma edição contemporânea da publicação. Também nesta seção se encontra o mais antigo exemplar em exibição, Dream Children (1901), da norte-americana Elizabeth B. Brownell (1860-1909), em que textos em prosa e poesia de 28 autores são ilustrados com cenas cuidadosamente compostas no estilo de tableaux vivant, popular na fotografia do fim do século XIX e início do século XX.
Nas seções seguintes, aparecem obras como African Journey [Jornada africana] (1945), da antropóloga Eslanda Cardozo Goode Robeson (1895-1965). Parte do segmento “Levantando suas vozes”, a publicação é um dos primeiros livros sobre a África produzido por uma pesquisadora negra norte-americana – e sucesso à época de seu lançamento, devido ao crescente interesse de pessoas afro-americanas pela política e pela cultura africanas durante a década de 1940, quando pan-africanistas defendiam um vínculo inquebrantável entre a diáspora africana e o continente.
Já na seção “Sororidade em florescimento”, chama atenção o fotolivro Les Tortures volontaires [As torturas voluntárias] (1974), da francesa Annette Messager (1943), uma coleção de imagens recortadas de revistas e anúncios que mostram mulheres submetendo-se a diversos procedimentos cosméticos ou rotinas de beleza, pontuando como os corpos das mulheres são um lugar de violência.
Entre os numerosos destaques, o público poderá também ver Passion [Paixão] (1989), da camaronense Angèle Etoundi Essamba (1962), no segmento “Um despertar global”. Essamba subverte as representações estereotipadas produzidas por fotógrafos ocidentais dos corpos femininos negros com poderosos retratos em que sobressaem orgulho, força e consciência. A seleção inclui ainda Hiromix (1998), da japonesa Hiromix (1976), um retrato profundamente pessoal da cultura jovem japonesa dos anos 1990, com fotografias estreladas, em sua maioria, pela própria autora, que busca capturar a beleza juvenil, a exuberância e os prazeres sem amarras da experiência urbana de uma jovem mulher. Hiromix está na seção “Em busca de uma fotodemocracia”, que fecha a exposição.
Três brasileiras já estavam na seleção original das curadoras: Claudia Andujar (1931) com Amazônia (1979), livro que registra o período que ela passou com os Yanomami, fotografando suas cerimônias culturais, ritos xamânicos e tradições; Maureen Bisilliat (1931) comparece com o livro A João Guimarães Rosa (1969), em que fotografa o sertão mineiro inspirada pelo romance Grande sertão: veredas; e Gretta Sarfaty (1947), que rompeu padrões nos anos 1970 ao ironizar a própria imagem, com Autophotos (1978), reunindo três séries fotográficas da pioneira da body art e do feminismo no Brasil.
“Mas, como estamos no Brasil, achamos interessante ampliar um pouco a quantidade de fotógrafas brasileiras contempladas na seleção”, diz Miguel Del Castillo. “Fiz uma sugestão a partir do acervo do IMS, de livros importantes, publicados nesse período de tempo”. Foi assim que outros quatro volumes foram incorporados à versão brasileira da exposição: Dor (1998), de Vilma Slomp (1952); Quem você pensa que ela é? (1995), de Claudia Jaguaribe (1955); Pinturas e platibandas (1987), de Anna Mariani (1935-2022); e Entre (1974), de Stefania Bril (1922-1992).
O IMS recebe uma exposição que já teve versões em formatos variados exibidas em instituições de prestígio em todo o mundo, como o Getty Research Institute, em Los Angeles (2025), o Museo Reina Sofía, em Madri (2024), o Rijksmuseum, em Amsterdã (2022) e a New York Public Library (2022). O catálogo da mostra (no original, What They Saw: Historical Photobooks by Women, 1843–1999), de autoria das duas curadoras, recebeu em 2021 o PhotoBook Award de melhor catálogo do ano, prêmio concedido durante a feira Paris Photo, e estará disponível para consulta na exposição e para venda na Livraria da Travessa do IMS Paulista.
Em cartaz até 2 de agosto, a exposição convida o público a refletir sobre os processos de construção da história e as possibilidades de constantemente reescrevê-la, como pontuam as curadoras: “O que elas viram buscou incluir um grupo diverso de publicações ilustradas com fotografias feitas por mulheres. Para que a história do fotolivro se torne mais inclusiva, é necessário que todas as pessoas (homens, mulheres, não binárias, brancas, negras, asiáticas, africanas, latinas, indígenas, ocidentais, orientais etc.) contribuam. Vemos esta sala de leitura sobre o papel das mulheres na produção, disseminação e autoria de fotolivros como um passo necessário para desescrever a atual história do fotolivro e reescrever uma história do fotolivro que seja mais equitativa e inclusiva.”
Serviço
Exposição | O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999
De 17 de março a 02 de agosto
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos sociais, de ritos da umbanda e paisagens rurais, e cuja vida reflete diversos aspectos da modernidade no país.
A mostra Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro.
Paulo Pedro Leal passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século 20, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, Afogamento de mendigos (1965) Naufrágio (1953) ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra.
Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, Jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
Serviço
Exposição | Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio
De 11 de abril a 08 de novembro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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A exposição apresenta um recorte introdutório da obra paisagística de Roberto Burle Marx e seus colaboradores, com foco no uso de algumas espécies vegetais. Burle Marx se notabilizou por criar
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A exposição apresenta um recorte introdutório da obra paisagística de Roberto Burle Marx e seus colaboradores, com foco no uso de algumas espécies vegetais. Burle Marx se notabilizou por criar um paisagismo tropical a partir das observações que fazia in loco, em expedições pelo Brasil e em viagens internacionais para o reconhecimento da vegetação de cada lugar, sempre acompanhado por um grupo de amigos botânicos, arquitetos, artistas e jardineiros, além da equipe de paisagistas de seu escritório. Assim, utilizou plantas nativas numa época em que a tradição era importar espécies vegetais de fora do país para desenhar áreas verdes segundo modelos tradicionais franceses e ingleses.
No entanto, Burle Marx nunca aplicou esses princípios de forma sectária, incorporando, em muitos de seus jardins, espécies exóticas tropicais que se adaptavam bem a determinados contextos locais. Nesse sentido, o artista-paisagista combinou a reversão dos estigmas de um país colonizado com a incorporação de elementos exógenos, numa atitude claramente cosmopolita, que pode ser associada à recusa de concepções fixas de identidade nacional. Assim, ao estabelecer uma associação entre plantas e seres humanos, ou entre natureza e sociedade, propomos, nesta exposição, a aproximação entre o legado estético e cultural de Burle Marx e certos princípios progressistas da judeidade, ligados à diáspora e à criação de identidades definidas pelo movimento constante.
Nesta mostra, transcendemos a apresentação meramente sequencial das composições paisagísticas de Burle Marx e sua equipe, e procuramos iluminar a relação entre certos projetos — públicos e privados — e a presença recorrente de determinadas espécies vegetais, reconstruindo um léxico básico com o qual o paisagista trabalhou, sempre de forma coletiva.
“A realização desta exposição neste espaço tem o propósito de ampliar a compreensão sobre o legado de Burle Marx, ao propor uma chave de leitura pouco revisitada em seu trabalho: sua herança judaica. A convite do MUJ, o pesquisador e artista Daniel Jablonski investiga como essa relação, transmitida pela via paterna, se inscreve em uma dimensão pouco visível — mas que atravessa sua maneira de estar no mundo. Uma perspectiva que dialoga com o entendimento do museu, que compreende a experiência judaica como parte de uma história mais ampla de migrações, travessias e múltiplas formas de continuidade.”
Marilia Neustein
Diretora-Executiva do Museu Judaico de São Paulo
“Ao longo de sete décadas, Roberto Burle Marx e seus colaboradores constituíram um acervo paisagístico com mais de 150 mil itens, reunindo projetos urbanísticos, estudos, croquis, desenhos, fotografias, documentos, publicações, peças de arte e outros materiais. Fundado 2019 como uma organização da sociedade civil, o BMI é é fruto do compromisso inicial dos atuais sócios do Escritório Burle Marx em preservar, difundir e ressignificar o legado de conceitos e realizações que esse arquivo histórico congrega.”
Isabela Ono
Diretora-Executiva do Instituto Burle Marx
Serviço
Exposição | Burle Marx: plantas em movimento
De 30 de abril a 02 de agosto
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira, Sábado, Domingo das 10:00h às 18:00h
Período
Local
Museu Judaico de São Paulo
Rua Martinho Prado, 128, Centro São Paulo - SP
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical – Recanto no Sesc Pinheiros, com curadoria de Orlando Maneschy e curadoria adjunta de Keyla Sobral. Com cerca de 280 obras, a mostra propõe uma imersão no imaginário de um Brasil plural, múltiplo e em constante reinvenção, compondo um mosaico que vai de imagens históricas a produções contemporâneas e que se voltam às experiências singulares em territórios distintos e entendimentos de mundo.
Delírio Tropical – Recanto constrói uma narrativa que articula diferentes manifestações visuais artísticas — da fotografia ao vídeo, passando por cartazes, lambes, revistas, esculturas, pinturas e objetos. A mostra propõe uma reflexão sobre o papel das imagens na construção do entendimento do país e de suas múltiplas identidades, a partir de uma curadoria que reúne artistas comprometidos com suas experiências, territórios e modos de existência, incluindo perspectivas culturais das várias regiões do país, ao lado de uma diversidade de vozes contemporâneas.
O conjunto expositivo inclui obras de artistas como Anna Maria Maiolino, Ayrson Heráclito, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Hal Wildson, Índigo Braga, Rosângela Rennó e Karim Aïnouz.
“Buscamos reunir artistas que olham para o Brasil a partir de seus territórios, que usam a imagem como elemento decisivo na construção de discursos, ressaltando uma ideia de país diverso”, afirma o curador Orlando Maneschy. “A exposição é um convite a romper com olhares estereotipados e a se abrir para experiências que nos deslocam e nos transformam”, completa Maneschy.
Originalmente apresentada na Pinacoteca do Ceará como parte do Fotofestival Solar, a exposição chega ao Sesc Pinheiros como itinerância, ampliando o acesso a um conjunto de obras que tensionam estereótipos e revelam um Brasil marcado por disputas simbólicas, afetos, violências, resistências e desejos. Na capital paulista, a mostra conta com uma obra inédita de Keyla Sobral e expografia pensada para as especificidades do Sesc Pinheiros.
Um caminho visual por múltiplos Brasis
A mostra parte da ideia de que a imagem, em suas múltiplas formas de circulação — do das capas de discos ao GIF, da fotografia ao impresso que atravessa o cotidiano — é um elemento central na construção do imaginário brasileiro. Com artistas de diferentes contextos, a seleção de obras apresenta um país em construção e diverso, atravessado por tensões entre memória e atualidade, sem buscar um discurso fechado, mas aberto à reflexão. Nesse percurso, imagens históricas e contemporâneas se aproximam para retomar questões que seguem latentes, sugerindo continuidades entre passado e presente.
Mais do que um recorte autoral, Delírio Tropical – Recanto sugere um campo de escuta em que os trabalhos dialogam entre si e constroem, coletivamente, uma leitura possível do Brasil, entre tantas outras plausíveis, que não quer ser totalizante e, inclusive, assume ausências e lacunas. A curadoria se organiza como uma articulação desses olhares, e o resultado é um caminho por um Brasil em que diferentes corpos, identidades e narrativas emergem não como representação, mas como presença, ativando outras formas de ver, imaginar e se relacionar com o país.
A expografia conduz o visitante por um fluxo imersivo que começa em um ambiente de caráter quase ritualístico, evocando a ruptura com visões cristalizadas, e avança por núcleos que abordam temas como identidade, memória, mídia, território e poder. Ao longo do trajeto, obras de distintas épocas e contextos entram em diálogo, criando conexões inesperadas e ativando novas leituras sobre o Brasil.
A relação entre imagem e circulação também está em destaque na montagem, incorporando elementos da cultura visual cotidiana, como capas de revistas, de discos e registros documentais, que ajudam a construir o imaginário coletivo brasileiro. Nesse sentido, Delírio Tropical – Recanto propõe não apenas observar imagens, mas refletir sobre como elas moldam percepções, narrativas e sentidos.
A realização da mostra integra o compromisso institucional do Sesc São Paulo de ampliar o acesso à produção artística contemporânea e promover o encontro entre diferentes públicos e repertórios culturais. É um convite ao público para reimaginar o Brasil a partir de sua diversidade, de seus contrastes e de sua riqueza simbólica. A programação inclui ainda ações educativas, visitas mediadas e atividades formativas, ampliando as possibilidades de diálogo com os públicos.
Serviço
Exposição | Delírio Tropical – Recanto
De 6 de maio a 13 de outubro
Terça a sábado, das 10h30 às 21h, domingos e feriados, das 10h30 às 18h
Período
Local
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo - SP
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A mostra O espaço e o lugar, na DAN Galeria Interior, reúne 75 obras e propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa
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A mostra O espaço e o lugar, na DAN Galeria Interior, reúne 75 obras e propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa pelo corpo e pela memória, com curadoria de Fábio Magalhães e expografia do Fernando Poles Arquitetos. A cadeira, presente em diferentes trabalhos, conduz essa investigação: objeto cotidiano, medida humana, ponto de repouso, marca de intimidade e também abertura para uma dimensão mais ampla, ligada ao tempo e ao espaço.
A partir desse eixo, Fábio Magalhães aproxima obras de Adolfo Estrada, Almir Mavignier, Dionísio Del Santo, Ferreira Gullar, Gonçalo Ivo, José Roberto Aguilar, José Spaniol, Sergio Fingermann e Valentino Fialdini. O percurso articula pinturas, objetos, obras geométricas e abstratas em torno de uma pergunta central: como uma situação privada pode conter uma ideia de mundo?
Serviço
Exposição | O espaço e o lugar
De 09 de maio a 10 de outubro
Segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria Interior
Av. Ireno da Silva Venâncio, 199 - Protestantes, Votorantim - SP
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“Gostaria de abordar a importância de estarmos atentos ao invisível, porém sensível: a energia. Aquilo que não vemos (e sobre o que não falamos) determina muito do que fazemos e
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“Gostaria de abordar a importância de estarmos atentos ao invisível, porém sensível: a energia. Aquilo que não vemos (e sobre o que não falamos) determina muito do que fazemos e criamos. Gostaria de oferecer às pessoas ferramentas para que possam perceber e melhorar o fluxo de energia.” JV
A obra de Janet Vollebregt assemelha-se a uma força de Coriolis interagindo com a circulação atmosférica global. Com a exposição Fluxos, ela imerge o público numa obra de arte participativa onde nos fala de energia regenerativa. Esta arquiteta de formação sabe como ninguém se apropriar dos espaços, nos quais as instalações e esculturas apresentadas são odes às filosofias orientais, combinadas com o espírito das pedras, ou mesmo com a revolução neoconcreta humanista e sensorial brasileira.
“Nesta exposição, gostaria de me concentrar no trabalho com energia, aprimorando o fluxo energético tanto no espaço quanto nas pessoas que o ocupam, usam ou transitam por ele. Este sempre foi o tema principal do meu trabalho, desde que cursei Arquitetura na Universidade de Tecnologia de Delft. Além da Arquitetura, estudei Feng Shui chinês (funcionamento da energia no espaço) e Jin Shin Jyutsu japonês (funcionamento da energia no corpo e ao seu redor), o que me levou a estudar também filosofia e religiões japonesas. Meus trabalhos carregam e comunicam influências desses estudos.” JV
A visão da artista para essa exposição de tipo museal é uma verdadeira jornada que, além do poder estético das obras apresentadas, oferece uma experiência sensorial, distanciando os visitantes do cotidiano e conduzindo-os ao espiritual. Da entrada da galeria com o “Jin Shin Jyutsu Parlour” (Salão de Jin Shin Jyutsu) aos “Prayer wheels” (Cilindros de Oração) e seus “Energy benders” (Dobradores de Energia), ela nos fala de uma arte que se funde com a vida e o corpo.
“Meu trabalho oferece ferramentas para tomar consciência do mundo energético” JV
Em seu fluxo criativo, permeado por referências filosóficas chinesas e japonesas, sua imersão no Brasil faz com que, apesar de não estar intimamente familiarizada com a obra da grande Lygia Clark (1920-1988), a obra de Janet segue o mesmo espírito. Assim como essa figura fundamental da arte contemporânea brasileira, Janet busca fazer de sua obra um organismo vivo, e não um mero objeto estático. Tanto Lygia quanto Janet redefinem a arte ao transformar o espectador passivo em participante ativo, colocando a interação sensorial e corporal no centro de seus trabalhos. Seus objetos relacionais visam “desmistificar” a arte, conectando-a simultaneamente a uma filosofia civilizacional.
Com a exposição Fluxos Janet desafia as fronteiras artísticas, psicológicas e sociais por meio de experiências sensoriais e relacionais. Ela promove situações que envolvem os participantes em uma relação íntima com seus objetos (Salão Jin Shin Jyutsu, cilindros de oração, João Zen, etc.), incentivando a reconexão consigo mesmo e com os outros. Sua abordagem participativa está enraizada em um contexto político e estético de libertação corporal e expressão individual, libertando a expressão artística para transformar o cotidiano.
Talismã
Janet menciona a palavra talismã ao falar sobre seus cilindros de oração. A filosofia por trás de um talismã reside na canalização de energias benéficas e na materialização de uma intenção ou desejo, atuando como uma ponte entre o mundo material e planos superiores ou sagrados. A exposição de Janet Vollebregt foi concebida, como um talismã, para atrair, proteger e realizar um convite para que o público recarregue as suas energias. Suas esculturas e instalações visam interagir com forças ocultas, como contratos entre humanos e ‘divindades’ (fluxos de energias positivas). As obras que Janet apresenta são ferramentas para a emancipação pessoal, destinadas a ajudar a dissipar certas dúvidas e a forjar proteção psicológica. Fluxos é mais do que uma exposição, é um poderoso manifesto para uma civilização em declínio.
Marc Pottier
Curador
Exposição | Fluxos
De 16 de maio a 08 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 11h às 16h
Período
Local
Galeria Luis Maluf
Rua Peixoto Gomide, 1887 Jardins, São Paulo - SP
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado,
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.
“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press — estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos.
A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.
Complexidade e beleza
Visitantes poderão apreciar obras de múltiplas cores, estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos; as gravuras de Beatriz desenvolvidas ao lado de Jean-Paul Rusell.
A produção da artista é marcada por uma linguagem de complexidade e beleza, e pela coerência no modo como consegue transitar entre diferentes técnicas, partindo sempre da pintura até chegar nas gravuras.
Em suas obras aparecem também formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas, incrementando a tradição geométrica brasileira. Na exposição é possível também perceber o modo como Milhazes monta e remonta as formas, as cores e os espaços aparentemente vazios, como os que aparecem em O pato (1996) e Noite de verão (2006).
Serviço
Exposição | Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo
De 16 de maio a 14 de março de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Estação
Lg. General Osório, 66, São Paulo - SP
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A exposição almir mavignier — acaso determinado, a partir da leitura crítica de Luiz Armando Bagolin, apresenta um percurso em que arte, percepção e existência se encontram. A mostra parte
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A exposição almir mavignier — acaso determinado, a partir da leitura crítica de Luiz Armando Bagolin, apresenta um percurso em que arte, percepção e existência se encontram. A mostra parte da experiência decisiva do ateliê de pintura criado em 1946 no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, a partir do encontro entre Almir Mavignier e Nise da Silveira. Ali, a pintura surgia como espaço de acolhimento, expressão e reorganização interior para artistas como Emygdio de Barros, Raphael Domingues, Carlos Pertuis, Fernando Diniz e Isaac Liberato.
Esse núcleo inicial revela uma dimensão essencial da exposição: a arte como necessidade vital. No ateliê, Mavignier atuava sem interferir na forma dos trabalhos, respeitando a força própria de cada imagem. As obras produzidas naquele contexto não nasciam de um programa estético prévio, mas de uma urgência interna, de uma ordem construída pelo próprio gesto de ver, sentir e pintar.
Ao lado dessas obras, a exposição acompanha a trajetória de Mavignier rumo à construção de uma linguagem rigorosa e investigativa. Sua passagem pela Europa, especialmente pela Escola de Ulm, aprofundou sua pesquisa sobre cor, retícula, repetição, sistema e percepção. Nas pinturas de pontos, nas permutações, nos cartazes e nas séries posteriores, o artista transforma a imagem em um campo de experimentação visual, onde pequenas variações produzem movimento, vibração e surpresa.
A mostra aproxima, assim, dois caminhos distintos: de um lado, a imagem que nasce de uma experiência subjetiva intensa; de outro, a imagem construída por meio de sistemas racionais, cálculo, método e variação. O que une esses dois universos não é uma semelhança formal simples, mas uma pergunta comum: como uma imagem ganha força própria, para além da vontade direta de seu autor?
Entre o ateliê e a espiral, entre a intuição e o sistema, entre o gesto e a regra, a exposição revela a arte como forma de conhecimento e como modo de existência. Como afirmou Mavignier, “a arte é uma solução para existir” — e é justamente essa dimensão vital que atravessa toda a mostra.
Texto elaborado a partir do ensaio crítico de Luiz Armando Bagolin.
Exposição | almir mavignier — acaso determinado
De 21 de maio a 15 de agosto
Segunda a sexta das 10h às 19h e aos sábados das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria Contemporânea
Rua Amauri, 73 01448-000 São Paulo - SP
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A Galeria Frente convida para a exposição “Niobe Xandó: o inusitado“, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra reúne cerca de 70 obras da artista, abrangendo mais de 50 anos
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A Galeria Frente convida para a exposição “Niobe Xandó: o inusitado“, com curadoria de Maria Alice Milliet.
A mostra reúne cerca de 70 obras da artista, abrangendo mais de 50 anos de sua produção. Entre pinturas, esculturas, desenhos, serigrafias, colagens e documentos de época.
Sua produção é marcada por um forte misticismo ancestral, no qual se evidenciam influências das culturas africana e indígena. Destaca-se também sua fase figurativa, que evolui para um universo onírico e fantástico, além do letrismo e o geometrismo lírico.
Serviço
Exposição | Niobe Xandó: o inusitado
De 23 de maio a 22 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 10h às 14h
Período
Local
Galeria Frente
R. Dr. Melo Alves, 400 - Cerqueira César São Paulo - SP
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A Nara Roesler apresenta a exposição coletiva O fascínio e o afeto, com curadoria de Agnaldo Farias. A mostra reúne trabalhos históricos e inéditos de Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Artur Lescher, Brígida Baltar, Julio Le
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A Nara Roesler apresenta a exposição coletiva O fascínio e o afeto, com curadoria de Agnaldo Farias. A mostra reúne trabalhos históricos e inéditos de Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Artur Lescher, Brígida Baltar, Julio Le Parc, Tomie Ohtake, Rodolpho Parigi, Vik Muniz e José Cláudio da Silva, artistas com os quais Nara construiu amizade, articulando contato constante e o desenvolvimento de suas carreiras nos campos artísticos nacional e internacional.
Segunda exposição em comemoração aos 50 anos da trajetória de Nara como galerista, a mostra toma como ponto de partida as relações de amizade e convivência cultivadas por ela ao longo de décadas de atuação no circuito artístico.
O projeto marca também mais um capítulo da longa interlocução entre Nara Roesler e Agnaldo Farias, que além de ter atuado como curador de bienais e importantes mostras institucionais no Brasil e no exterior, também é amigo da galerista há cerca de 30 anos e responsável pela curadoria de mais de 16 exposições realizadas na galeria.
Em seu texto, Agnaldo Farias rememora a formação de Nara em Recife, em uma casa marcada por encontros entre músicos, artistas, arquitetos, escritores e intelectuais. “Foi justamente dessa atmosfera que nasceu seu fascínio permanente pelo extraordinário universo da cultura”, escreve, aproximando a trajetória da galerista de uma ideia de interlocução constante com os artistas, para além da relação profissional.
Entre os destaques da mostra está a série de quebra-cabeças de Vik Muniz, em que o artista subverte a lógica tradicional do objeto ao dissociar a imagem do encaixe de suas peças. “Uma peça de quebra-cabeça é, ao mesmo tempo, imagem e objeto”, afirma Muniz sobre os trabalhos. A exposição inclui ainda uma instalação de 2011 de Brígida Baltar, exibida pela primeira vez em São Paulo nesta década, composta por uma harpa e asas de bronze suspensas no espaço, em uma tensão entre elevação e queda, o angelical e o mundano.
Das experiências cinéticas e lumínicas de Julio Le Parc e Abraham Palatnik às estruturas orgânicas de Amelia Toledo e Tomie Ohtake, passando pelas investigações formais de Artur Lescher e Rodolpho Parigi, a coletiva articula diferentes gerações e linguagens em torno de vínculos de proximidade e acompanhamento mútuo. Logo na entrada da exposição, o retrato de Nara pintado por José Cláudio, artista decisivo em sua aproximação com o meio das artes, recebe o público.
Exposição | O fascínio e o afeto
De 26 de maio a 01 de agosto
Segunda a sexta, das 10 às 19h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Nara Roesler - SP
Avenida Europa, 655, São Paulo - SP
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O Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, administrado pela Organização Social de
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O Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, administrado pela Organização Social de Cultura SAMAS, apresenta a exposição “Elementares”, da artista Denise Milan, que apresenta um conjunto de obras que articulam arte, ciência e pensamento contemporâneo a partir da investigação da matéria. A mostra, com curadoria de Naomi Moniz, destaca a produção recente da artista em diálogo com sua trajetória consolidada, marcada pelo uso de geodos e cristais como elementos centrais de sua pesquisa.
Reunindo um conjunto significativo de obras, a exposição investiga os sistemas dinâmicos da matéria em nível molecular, articulando conceitos como caos, criatividade, sobrevivência, adaptação e transformação. No centro desse percurso está o que a artista define como o “drama da matéria” — uma narrativa que compreende a Terra como organismo vivo, portador de memória e energia.
Ao tratar a pedra como um banco de dados, Denise Milan propõe uma leitura da matéria como arquivo de processos que atravessam o tempo profundo do planeta, revelando histórias formadas ao longo de milhões de anos. Os trabalhos apresentados evidenciam os ciclos de criação e destruição que estruturam a vida na Terra e apontam para uma mudança de perspectiva: antigas metanarrativas cedem espaço a uma fabulação especulativa que inclui toda a natureza como agente ativo.
Nesse contexto, animais, florestas, microrganismos e minerais assumem protagonismo, ressaltando a interdependência entre os diferentes sistemas de vida e a delicada sintonia que sustenta o universo. Combinando rigor conceitual e força visual, a exposição aproxima arte e ciência para refletir sobre o papel da matéria como potência criativa e narrativa.
Com “Elementares”, Denise Milan convida o público a repensar as relações entre humanidade e natureza, em um momento em que compreender os ciclos e a energia do planeta se torna cada vez mais urgente. A mostra reafirma a relevância de sua trajetória no cenário contemporâneo e propõe uma experiência que conecta estética, conhecimento e imaginação sobre os futuros possíveis da Terra.
A exposição se organiza em cinco núcleos que funcionam como uma travessia entre matéria, origem, transformação e percepção. Cada conjunto ocupa uma etapa desse percurso e ajuda a orientar o visitante dentro da pesquisa de Denise Milan sobre arte, ciência, natureza e espiritualidade.
Elementares I reúne imagens derivadas de geodos e cristais em que surgem figuras humanas, organismos e formas híbridas inscritas na própria matéria mineral. As obras partem da observação de basaltos e quartzos cristalizados ao longo de milhões de anos. Denise Milan trata essas formações como “enunciações de vidas eternas” e associa o núcleo às origens da matéria e aos processos de coexistência entre diferentes estruturas minerais.
Elementares II amplia essa investigação e desloca as figuras minerais para uma dimensão mais corporal e escultórica. O núcleo apresenta peças em alumínio fundido derivadas das formas observadas nos cristais, transformando desenhos minerais em presenças físicas. Aqui, a exposição aproxima geologia, corpo e memória, propondo uma leitura da matéria como organismo em transformação contínua.
Imaginários da Terra articula pedra, metal e quartzito em obras que aproximam ciência, imaginação e paisagem. Denise Milan trata a natureza como linguagem e constrói composições em que minerais, superfícies e vazios funcionam como mapas simbólicos da formação terrestre. O núcleo dialoga diretamente com a ideia de escutar a natureza “em sua própria linguagem”, citada no catálogo a partir do físico Frank Wilczek.
Explosões concentra trabalhos ligados à expansão, ruptura e energia interna dos cristais. As obras partem de estruturas geométricas e simétricas encontradas na natureza para discutir instabilidade, transformação e imprevisibilidade. O catálogo relaciona esse núcleo à complexidade do universo e às formas de organização da matéria.
Origens funciona como eixo conceitual da mostra e conecta todos os núcleos anteriores. A ideia de origem aparece tanto no sentido geológico quanto espiritual: origem da matéria, da vida, da consciência e das imagens. Ao longo do percurso, a exposição aproxima ciência, mineralogia e imaginação para construir uma narrativa em que o ser humano deixa de ocupar o centro e passa a ser entendido como parte de um processo cósmico, biológico e terrestre mais amplo.
“Denise tece fábulas como metáfora para sugerir uma revolução nos padrões de comportamento humano e uma nova conduta, centrada na conexão, cooperação e cura, em vez de polarização, cobiça e rivalidade. Elementares não apenas expande os limites artísticos que Milan vem explorando ao longo de toda a sua carreira, mas também nos incita a questionar não apenas a maneira como nós, humanos, pensamos que devemos interagir e nos comportar uns com os outros, mas nos vermos como parte da Natureza e da rede da vida. É um convite para uma jornada além de nós mesmos: um “transumanar” como diria Dante Alighieri, adquirir mais conhecimentos para evoluir e acompanhar a “Estrela Guia” às cavernas escuras e profundas do ventre da terra. Nelas, as figuras estranhamente familiares despertam lembranças perdidas de estados inconscientes da memória ao nos reconhecermos– seres flutuando em lugares do “antes “ e “depois”, suspensos na simetria do tempo e do espaço que revela o centro, lugar de origem e do futuro.”
Naomi Moniz, curadora
Serviço
Exposição | Elementares
De 29 de maio a 27 de setembro
Terça a domingo, das 09h às 17h (entrada até às 16h30)
Período
Local
Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS / SP
Avenida Tiradentes, 676 Luz - São Paulo - SP
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A iniciativa, concebida pela Haus der Kunst (Munique, Alemanha) e realizada em colaboração com a Pinacoteca, visa colocar a infância no centro da experiência artística. Mais do que uma exposição,
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A iniciativa, concebida pela Haus der Kunst (Munique, Alemanha) e realizada em colaboração com a Pinacoteca, visa colocar a infância no centro da experiência artística. Mais do que uma exposição, trata-se de uma rede de trocas culturais que convida crianças a pensarem, viverem e intervirem no mundo por meio da arte.
“Para crianças: experiências com a arte desde 1968” é focada no público infantil, embora se estenda a visitantes de todas as idades. Inaugurada na Haus der Kunst, em Munique, na Alemanha, em 2025. Agora na Pinacoteca, ela reúne trabalhos de onze artistas de vários países, todos, a seu modo, atravessados por materiais, brincadeiras, perguntas, pesquisas e histórias tão característicos do universo das crianças.
A obra mais antiga é de 1968 e essa não é uma data qualquer. Nesse período histórico, os movimentos de contracultura questionaram as estruturas sociais e saíram em defesa de liberdade de pensamento e expressão para todas as pessoas.
Desde então, ficou evidente que a infância inspira uma sensibilidade e um conjunto de atitudes imprescindíveis para as mudanças individuais e coletivas. A vida em sociedade, a arte e o museu não são os mesmos na presença de uma criança.
Curadoria de Ana Maria Maia e Lorraine Mendes.
A exposição tem patrocínio de Mattos Filho, Acrilex, Ateliê Quero Quero. Apoio institucional: Unicef, para cada criança. Realização: Haus der Kuns, APAC, Pinacoteca de São Paulo, CULTSP, Secretaria da Cultura, Economia e Industria Criativas, Ministério da cultura Governo do Brasil do lado do povo brasileiro
Uma exposição de Haus der Kuns e da Pinacoteca de São Paulo.
Serviço
Exposição | Para crianças: experiências com a arte desde 1968
De 30 de maio a 18 de outubro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias e um vídeo. A curadoria é de Fernanda Pitta, docente do MAC USP. A ideia da exposição nasceu em 1978, quando Nelson Felix, visitando a região andina, percebeu uma coincidência entre as línguas Aimara (falada na região) e o Aramaico (da tradição semítica, do oriente médio): escritas em espanhol elas se tornam palíndromos (Aemara e Aramea). Felix passou a carregar esse pensamento por décadas, até encontrar em Beijo de Língua, a forma para materializá-la como uma das maiores exposições já realizadas pelo artista. “É uma exposição de esculturas, principalmente”, diz Nelson.
No núcleo central da mostra, Felix apresenta três esculturas criadas a partir de chapas de mármore. Escultura para Homero, Escultura para Santa Teresa e Escultura para Bertrand articulam três campos centrais em seu trabalho: sacrifício, tolerância e amor. O artista escolheu textos de três autores – Bertrand Russel, Homero e Santa Teresa D’Ávila, e alguns trechos são escritos nas línguas Aimara e Aramaico nas chapas de mármore, criando uma superfície rendada na pedra. Beijo de Língua tem três esculturas, formadas por duas chapas de mármore cada uma. As duas chapas, coladas, têm o mesmo texto, em duas versões: de um lado em Aimara e do outro, em Aramaico.
– Colo estas duas chapas com os textos, aliás, é a primeira vez que uso cola em meu trabalho. Aqui a cola é material tão importante como o próprio mármore, ou o bronze ou mesmo os elementos vegetais que uso. Assim, nos caracteres, surgem vazamentos mútuos, as línguas se tocam, é para mim, um beijo – afirma o artista.
“As superfícies se tocam, mas mantêm intervalos onde os idiomas não coincidem. A cola evidencia a operação que sustenta a união sem eliminar a diferença. O texto passa a atuar como matéria, inscrita e articulada na estrutura da obra”, observa a curadora Fernanda Pitta.
Já Carta de amor, trabalho apresentado em 2022 em forma contínua, como um projeto, agora ganha duas novas versões, escultóricas: Pétala e Caule. As obras apresentam diversos materiais: mármore, bronze, ferro, cabo de aço, cacto e fio de seda. As séries de desenhos revelam diferentes facetas do trabalho de Felix, com referências de obras anteriores, e estudos do trabalho atual. Na série 7 noites vazias e 21 dias como 21 anos (2024) podemos ver um mesmo gesto, feito com bastão de óleo, que nunca é igual a si mesmo. A obra gráfica Tartaruga de Homero (2024), série com três trabalhos, traz referências do verso de Homero (Hino Homérico a Hermes), em que Hermes mata uma tartaruga e cria a primeira cítara. Para Felix, na criação deste instrumento, acontece o nascimento da música.
Para a curadora da exposição, “a partir do movimento de retomada e rearticulação contínua de ideias, materiais e procedimentos, as obras de Nelson Felix deixam de operar de forma isolada e passam a constituir um conjunto de relações, formando um conjunto aberto, em que as obras se relacionam por aproximações e distâncias, entre línguas e sistemas de pensamento, como o Aramaico e o Aimara, eixo central da exposição.”
Exposição | Beijo de Língua
De 30 de maio a 20 de novembro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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A Casa Museu Ema Klabin apresenta a exposição Habitar São Paulo: relatos femininos, com idealização do curador da casa museu, Paulo de Freitas Costa, e curadoria do núcleo educativo. A
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A Casa Museu Ema Klabin apresenta a exposição Habitar São Paulo: relatos femininos, com idealização do curador da casa museu, Paulo de Freitas Costa, e curadoria do núcleo educativo. A mostra convida o público a percorrer a cidade a partir de narrativas de dez escritoras, reunindo trechos de suas obras que atravessam o cotidiano, a memória e o espaço de suas casas em São Paulo. Ao transitar entre o íntimo e o coletivo, os relatos revelam diferentes formas de viver e perceber a cidade. Os trechos selecionados estarão expostos ao lado de fotografias raras dos ambientes de suas casas, que remetem aos contextos descritos pelas autoras.
A exposição busca apresentar a cidade a partir de narrativas femininas que atravessam diferentes épocas, contextos sociais e territórios. Gilda de Mello e Souza, Zélia Gattai, Rita Lee, Giovana Madalosso, Paula Fábrio, Adriele Oliveira, Helena Silvestre, Lilia Guerra, Luísa Marilac e Prudence Kalambay partem da memória íntima, familiar e coletiva para construir retratos de diferentes formas de habitar a cidade.
“São Paulo guarda muitas memórias, muitas histórias. A exposição Habitar São Paulo: relatos femininos toma emprestado o olhar e a perspectiva dessas escritoras que descreveram realidades e histórias tão particulares quanto universais, nos trazendo relatos sensíveis, trágicos, íntimos ou até engraçados. A mostra busca, assim, ampliar o olhar para uma pluralidade de vivências em uma cidade marcada por intensos contrastes”, explica Cristiane Alves, coordenadora do educativo e uma das curadoras da exposição.
Esses relatos serão apresentados a partir de cinco eixos narrativos: família, trabalho e convívio; memória de objetos e espaços; da janela para fora; percepções sensoriais; e a cidade sonhada. Organizada a partir desses percursos, a exposição se distribui pelos ambientes da casa museu e propõe um diálogo entre literatura e memória. O público também terá acesso a gravações em áudio com vozes femininas que narram os textos selecionados e a um espaço de leitura com livros das escritoras participantes, possibilitando uma maior aproximação com as obras e narrativas presentes na mostra.
“Quando realizamos a exposição Tempos de uma casa no ano passado, percebemos a importância dos relatos de Ema Klabin e de suas amigas e funcionárias na construção de uma memória mais abrangente, com uma sensibilidade especial. Para esta exposição, pensamos em expandir a experiência, trazendo histórias potentes que nos permitem enxergar toda a cidade de outra forma”, afirma Paulo Costa, curador da casa museu e idealizador da mostra.
Exposição | Habitar São Paulo: relatos femininos
De 30 de maio a 27 de setembro
Quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até as 18h; visitas mediadas de quarta a sexta, às 11h, 14h, 15h e 16h; sábado, domingo e feriado, às 14h
Período
Local
Casa Museu Ema Klabin
Rua Portugal, 43 Jardim Europa São Paulo, SP
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O Espaço PORTO de São Paulo (SP) inaugura a exposição Fotoperformance Popular, do artista visual Alex Oliveira. Como parte da programação, Oliveira também realiza um workshop de seis dias que
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O Espaço PORTO de São Paulo (SP) inaugura a exposição Fotoperformance Popular, do artista visual Alex Oliveira. Como parte da programação, Oliveira também realiza um workshop de seis dias que culminará em uma intervenção urbana na favela Monte Azul. Informações no Instagram @portodecultura.
A mostra apresenta um recorte da série desenvolvida pelo artista desde 2019 em diferentes cidades brasileiras. Na obra, transeuntes, ambulantes, trabalhadores autônomos, amigos e o próprio retratista ocupam estúdios improvisados montados em ruas, feiras livres e praças para performar identidades móveis diante da câmera. Natural de Jequié (BA), Alex Oliveira atua como fotógrafo, artista visual e filmmaker, desenvolvendo pesquisas que articulam fotografia, cultura popular e performatividade.
Alex Oliveira constrói retratos frontalizados que dialogam tanto com a fotografia de estúdio quanto com a espontaneidade da rua. A tensão central da série surge justamente do contraste entre a precariedade do dispositivo fotográfico e a formalização rigorosa da imagem, deslocando o estatuto social do retrato produzido no espaço urbano.
O projeto também propõe uma circulação expandida das imagens. Após cada sessão fotográfica, os participantes recebem cópias impressas de seus retratos em formato de postal, enquanto parte das imagens retorna ao território em forma de lambe-lambes instalados nas próprias ruas onde foram realizadas.
Desde 2025, imagens da série Fotoperformance Popular integram a coleção Fonds Brésilien de Photographies Contemporaines, da Bibliothèque nationale de France. E, atualmente, parte das obras podem ser vistas na Sorbonne Art Gallery, em Paris.
Como desdobramento da exposição, Alex Oliveira ministra o workshop Fotoperformance: Corpo, Cidade e Ação, com duração de seis dias e carga horária total de 24 horas. Ao final das atividades, os participantes irão instalar os lambe-lambes produzidos durante as aulas na favela Monte Azul, em uma ação realizada em parceria com a Galeria Sérgio Silva. O valor das inscrições é de R$ 980.
Exposição | Fotoperformance Popular
De 6 de junho a 8 de agosto
Quarta à sexta das 14h às 18h e finais de semana mediante agendamento
Período
Local
Espaço PORTO
Rua Harmonia, 925 - SumarezinhoSão Paulo - SP
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Fugido, exposição de Anderson Borba que reúne esculturas, relevos e colagens produzidos a partir de materiais orgânicos, industriais e encontrados, como madeira, pedra, bronze, argila,
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Fugido, exposição de Anderson Borba que reúne esculturas, relevos e colagens produzidos a partir de materiais orgânicos, industriais e encontrados, como madeira, pedra, bronze, argila, papel e alumínio. Dispostas em cortejo ao longo da galeria, as obras assumem a forma de corpos antropomórficos híbridos, marcados por uma fisicalidade instável e por referências que transitam entre formas ancestrais e imaginários extraterrestres. A montagem confere às esculturas uma dimensão ritualística e conspiratória, como se as figuras estivessem reunidas em cerimônia, procissão ou assembleia secreta. Relacionando-se entre si como partes de um organismo maior, as obras ativam uma potência animista por meio da interação entre matéria, gesto e presença abstrata.
A pesquisa de Borba parte de práticas escultóricas antigas, do modernismo e de tradições vernaculares brasileiras, dissolvendo as fronteiras entre esses campos e condensando referências diversas em uma linguagem visual singular e instável. Suas esculturas evocam tanto artefatos arqueológicos quanto vocabulários da abstração moderna, ao mesmo tempo em que dialogam com a arte popular, as carrancas e práticas ligadas às espiritualidades afro-brasileiras.
Por meio de procedimentos de assemblagem e colagem, as obras conciliam solidez e precariedade em superfícies fragmentadas, vazadas e estratificadas, que sugerem processos contínuos de transformação. Borba também incorpora referências oriundas da moda e da cultura visual contemporânea, introduzindo tecidos, ornamentos, imagens pixelizadas e fragmentos gráficos extraídos de revistas e meios digitais, elementos que ampliam o caráter performativo e sensorial das peças. Esses tratamentos conferem às esculturas uma qualidade marcadamente pictórica, como se imagens tivessem sido incrustadas em suas superfícies. Em certos momentos, as obras oscilam entre objeto e imagem, com texturas, cores e fragmentos gráficos funcionando como composições pictóricas distribuídas pelo corpo escultórico.
Em Fugido, Borba apresenta um conjunto de esculturas e trabalhos de parede que aprofunda seu interesse por formas desviantes, corpos em mutação e narrativas não lineares. O título da exposição evoca deslocamento, fuga e transformação, atravessando questões ligadas à migração, à ancestralidade e à metamorfose da matéria. Entre estruturas de caráter brutalista e composições altamente táteis, as obras constroem um ambiente em que referências históricas, ficcionais e existenciais coexistem em permanente tensão.
Serviço
Exposição | Fugido
De 10 de junho a 01 de agosto
Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar A palavra errada, primeira exposição de Rebecca Watson Horn na galeria. Produzidos integralmente em São Paulo, os trabalhos apresentados resultam de
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Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar A palavra errada, primeira exposição de Rebecca Watson Horn na galeria. Produzidos integralmente em São Paulo, os trabalhos apresentados resultam de um período de permanência da artista na cidade, durante o qual absorveu ritmos, atmosferas e impressões que atravessam o conjunto da mostra. A exposição reúne as maiores pinturas realizadas por Watson Horn até o momento, além de uma série de trabalhos têxteis verticais.
As pinturas de Rebecca Watson Horn são construídas a partir de camadas de tinta a óleo aplicadas sobre juta montada sobre tela, combinação de materiais que produz superfícies densas, marcadas por acidentes, texturas e uma forte dimensão tátil. Em uma paleta que transita entre vermelhos profundos, verdes terrosos, amarelos luminosos, cinzas esverdeados e tons rosados, formas alongadas e campos cromáticos se expandem acompanhando a trama do tecido, incorporando sua estrutura à própria composição.
Cada imagem surge da transformação gradual de palavras, frases ou fragmentos de linguagem, que deixam de operar como signos legíveis para se converter em grafismos abstratos. A artista frequentemente associa esse processo aos sigilos — símbolos utilizados em práticas de encantamento, concebidos como condensações visuais de pensamentos, intenções ou desejos. Ao longo da pintura, o conteúdo verbal original é progressivamente distorcido até se tornar irreconhecível, cedendo lugar a configurações visuais enigmáticas e abertas.
Ao manipular vestígios da linguagem, Watson Horn cria situações em que o sentido se acumula e se desfaz continuamente. O olhar é convidado a vagar pela superfície ou a se deter em determinados trechos, como se acompanhasse oscilações entre pensamento e sensação, entre a fluidez da imaginação e a materialidade da pintura. Suas composições funcionam como registros visuais de estados perceptivos, articulando ritmos, memórias e associações que resistem à interpretação imediata.
Nascida em Boston e radicada em Nova York, Rebecca Watson Horn (1981) desenvolve uma prática centrada na pintura e no têxtil, investigando as relações entre linguagem, abstração e materialidade. Utilizando óleo sobre juta e tela, constrói superfícies espessas e texturizadas nas quais palavras e frases são gradualmente convertidas em gestos, marcas e formas pictóricas. Seus trabalhos são caracterizados por campos cromáticos sobrepostos, formas amorfas e uma atenção constante às qualidades físicas do tecido e da tinta, produzindo composições que oscilam entre escrita e pintura, estrutura e atmosfera. Por meio da repetição, da distorção e da acumulação, a artista trata a linguagem menos como um instrumento de comunicação do que como um campo de ritmo, memória e sensação.
Entre suas exposições individuais recentes estão Sono, na Villa di Geggiano, em Siena, Itália (2025); The Secret Life of Vowels, na Emanuela Campoli, em Paris (2024); Sigils, na Auroras, em São Paulo (2023); Letters as such, na Deli Gallery, em Nova York (2023); Rebecca Watson Horn, na White Columns, em Nova York (2017); e Rub It In, na Soloway, no Brooklyn (2011). Seu trabalho também integrou exposições coletivas como A Study in Form (Chapter Two), com curadoria de Arden Wohl, na James Fuentes, Nova York (2023); Always in my room bc I put effort into it & I love the vibe of my lights, na Starr Suites, Brooklyn (2023); The Practice of Everyday Life, na Derosia, Nova York (2022); JAG Projects at Forland, com curadoria de Jesse Aran Greenberg, em Catskill, Nova York (2022); e Pure Joy, com curadoria de Chella Man, na 1969 Gallery, Nova York (2022).
Serviço
Exposição | A palavra errada
De 10 de junho a 01 de agosto
Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam Viva Viva Escola Viva, exposição dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas. Com curadoria da filósofa e educadora
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam Viva Viva Escola Viva, exposição dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas. Com curadoria da filósofa e educadora Cristine Takuá, em colaboração com os coordenadores das Escolas Vivas, a mostra é uma correalização do Instituto Tomie Ohtake com a Associação Selvagem, uma organização não governamental que envolve o movimento indígena das Escolas Vivas e uma rede colaborativa voltada a aprendizagens e traduções entre mundos. Desde 2024, a direção artística do Instituto Tomie Ohtake acompanha e atua junto ao desenvolvimento do projeto. Viva Viva Escola Viva acontece paralelamente às mostras Quando o museu é rio, realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi, e Estrelas escolhidas, individual do artista carioca Luiz Zerbini.
Coordenado por Cristine Takuá, curadora da exposição, o movimento das Escolas Vivas articula cinco núcleos de transmissão de saberes indígenas: Shubu Hiwea, do povo Huni Kuĩ, no Acre; Apne Ixkot Hãmhipak, a Aldeia Escola Floresta do povo Maxakali, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais; Arandu Porã, do povo Guarani Mbya, na Terra Indígena Rio Silveira, em São Paulo; Bahserikowi, Centro de Medicina Indígena, localizado em Manaus (AM), ligada aos povos Tukano, Desana e Tuyuka, todos do Alto Rio Negro, no Amazonas; e Madzerokai, Casa dos Conhecimentos Ancestrais, também no Alto Rio Negro, no Amazonas, ligada ao povo Baniwa, e propõe uma prática de aprendizagem que integra saberes indígenas, científicos e artísticos a partir dos territórios, e das relações entre gerações.
Para a curadora, “as Escolas Vivas se afirmam como um coletivo que busca transformar a relação do ensinar-aprender, a relação do que é realmente útil e necessário na troca constante de saberes que são ancestrais, mas que, por uma arrogância colonial e epistemológica, foram desfigurados numa escola clássica e quadrada”.
Antes de chegar ao Instituto Tomie Ohtake, a primeira exposição das Escolas Vivas foi apresentada na Casa França Brasil, no Rio de Janeiro, entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024. As obras presentes na exposição atual foram produzidas no âmbito de oficinas nos territórios das Escolas Vivas e também na residência Casa Escola Viva, realizada em outubro de 2025 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, reunindo dez artistas indígenas em um processo de criação e troca de saberes.
Para a abertura, são esperados 25 artistas indígenas, que irão realizar uma grande pintura no espaço expositivo, concebida como pano de fundo para boa parte da mostra e integrada a outros trabalhos apresentados no percurso. A exposição reúne ainda cinco bandeiras com grafismos dos povos que compõem as Escolas Vivas. Somados, esses conjuntos totalizam cerca de 300 metros quadrados de pinturas realizadas no Instituto Tomie Ohtake. Além disso, cada uma das Escolas Vivas apresenta um trabalho coletivo de referência.
Do povo Baniwa vem a instalação O umbigo do mundo, com trançados de fibra de tucum produzidos pelas mãos de mulheres Baniwa. Já os Huni Kuĩ apresentam um pano professor com kenes, grafismos tradicionais que orientam o aprendizado e a transmissão de conhecimentos ligados à sua cosmologia. Entre os Maxakali, a instalação coletiva se organiza a partir de mastros — os mīmãnãns — que, segundo sua cosmologia, orientam e tornam possível a presença dos espíritos nos rituais. A instalação Pytü, o Escuro, dos Guarani Mbya, é uma representação do escuro intenso, de onde pode surgir o primeiro suspiro, o primeiro ser, a primeira vida. Completa o conjunto uma farmácia amazônica, com plantas medicinais, elixires e bálsamos trazidos pelos povos Tukano, Desana e Tuyuka.
A exposição reúne ainda um núcleo dedicado aos “avós”, entendidos como referências fundamentais na preservação e transmissão dos conhecimentos indígenas. São eles que sustentam, por meio de histórias, cantos e práticas cotidianas, uma memória que atravessa o tempo e conecta diferentes planos de existência. Ao trazer essas presenças para o espaço expositivo, a mostra propõe uma aproximação com modos de saber baseados na escuta, na experiência e na continuidade entre gerações. Integram esse conjunto Ailton Krenak, Ehuana Yanomami, Tõrãmu Kẽhíri (Luiz Lana) e Moisés Piyãko.
No dia 9 de junho, data da pré-abertura da exposição, o Instituto Tomie Ohtake recebe também o lançamento do livro Tekoypy rã – A origem de nós, do mestre Guarani Carlos Papá, publicado pela Dantes Editora. O livro reúne reflexões sobre a composição do mundo Guarani, narradas a partir da oralidade e acompanhadas por desenhos produzidos ao longo desse processo coletivo de transmissão de saberes.
Como parte do programa público, o Instituto oferece quatro oficinas conduzidas por Veronica Pinheiro, pesquisadora, artista de rua e integrante da Associação Selvagem, propondo experiências de escuta, memória e criação a partir da exposição. No dia 26 de junho de 2026, a atividade Umbigo, memórias que nos ligam ao mundo será realizada para alunos de uma escola pública. No dia 27 de junho, sábado, acontece a formação para professores Tudo na memória. Já no dia 11 de julho, sábado, a oficina Tudo na memória será aberta ao público espontâneo. Encerrando a programação, no dia 8 de agosto, a oficina O sonho do guerreiro, com jovens indígenas Guarani do Jaraguá, marca o fechamento da exposição. Inspiradas nas aprendizagens das Escolas Vivas, as atividades partem da escuta, da presença e das marcas que a experiência deixa no corpo, articulando visita sensível e práticas coletivas. A participação é gratuita, com vagas limitadas, e as inscrições serão feitas no site do Instituto Tomie Ohtake.
Viva Viva Escola Viva é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e do Instituto Tomie Ohtake, em parceria com a Associação Selvagem. A mostra conta com o apoio do mantenedor institucional Nubank e com o patrocínio do Aché Laboratórios Farmacêuticos, na cota Prata.
Exposição | Viva Viva Escola Viva
De 10 de junho a 09 de agosto
Terça a domingo, das 11h às 19h, última entrada até 18h
Período
Local
Instituto Tomie Ohtake
Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros, São Paulo – SP
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A Galeria Raquel Arnaud apresenta a exposição individual nem mais nem menos, pinturas recentes, de Carlos Zilio, onde reúne um conjunto de obras inéditas, que aprofundam questões centrais de sua
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A Galeria Raquel Arnaud apresenta a exposição individual nem mais nem menos, pinturas recentes, de Carlos Zilio, onde reúne um conjunto de obras inéditas, que aprofundam questões centrais de sua trajetória artística. Com curadoria de Tadeu Chiarelli, a mostra evidencia um momento singular da produção do artista, em que a pintura se afirma como um campo de investigação sobre seus próprios limites, tensionando continuamente a relação entre representação, espaço e percepção.
Reconhecido por uma produção que há décadas se dedica a examinar criticamente a história e os códigos da pintura, Zilio apresenta obras que retomam e ampliam discussões desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Se parte significativa de sua trajetória foi marcada por uma abordagem analítica da linguagem de pintura, os trabalhos reunidos nesta exposição revelam uma abertura para novas possibilidades, em que a pintura passa a incorporar uma dimensão mais complexa de presença, memória e construção visual.
Segundo o curador, Tadeu Chiarelli, o conjunto recente de obras permite compreender a pintura de Zilio como uma forma de drama. Não um drama narrativo ou figurativo, associado à representação de acontecimentos e personagens, mas um drama inerente à própria condição da pintura: sua permanente oscilação entre afirmar-se como superfície bidimensional e sugerir a possibilidade de um espaço para além dela.
A exposição é idealizada a partir da obra “Ausência” (2022), apresentada anteriormente na retrospectiva dedicada ao artista pelo Itaú Cultural. Nela, a silhueta de um tamanduá, figura recorrente na produção de Zilio durante a década de 2010, aparece quase completamente absorvida por um campo negro. A pintura marca uma transição importante em sua trajetória e estabelece um elo entre investigações anteriores e os trabalhos mais recentes.
Nas obras apresentadas agora, o artista concentra sua pesquisa na relação entre preto e branco, explorando contrastes, aproximações e tensões que ativam a percepção do observador. Campos monocromáticos rigorosos convivem com composições em que linhas, fendas e interrupções sugerem profundidades possíveis, sem abandonar a consciência da superfície como elemento fundamental da pintura.
Ao limitar sua paleta cromática e reduzir os elementos visuais ao essencial, Zilio cria trabalhos que operam entre presença e ausência, visibilidade e ocultamento. O espaço pictórico deixa de ser apenas um plano para tornar-se um território de disputa entre aquilo que se mostra e aquilo que permanece apenas sugerido. As obras não buscam representar uma realidade externa, mas investigar a própria possibilidade da representação.
Exposição | nem mais nem menos, pinturas recentes
De 10 de junho a 22 de agosto
Segunda à sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Raquel Arnaud
Rua Fidalga, 125 – Vila Madalena, São Paulo - SP
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Não costumamos pegar um guarda-chuva quando o céu acorda limpo, mas convém desconfiar da calma do azul. De repente, mesmo quando o sol ainda brilha, algumas gotas atravessam as nuvens
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Não costumamos pegar um guarda-chuva quando o céu acorda limpo, mas convém desconfiar da calma do azul. De repente, mesmo quando o sol ainda brilha, algumas gotas atravessam as nuvens e caem sobre nós, como se o céu tivesse decidido sussurrar água em meio à luz. Há quem explique o fenômeno: pode ser a chamada chuva solar, ventos de uma tempestade distante que carregam gotas errantes até um lugar onde não havia nuvens. Mas também há quem prefira outra narrativa. Histórias que carregam lendas e mitos de origem popular, frequentemente enraizados em culturas orientais e nas crenças de vilarejos e cidades. Acredita-se que tais expressões tenham surgido como formas de atribuir sentido – muitas vezes por meio do imaginário místico ou sobrenatural – a acontecimentos que pareciam escapar à compreensão cotidiana, como certos fenômenos naturais e casualidades do mundo.
No folclore japonês, diz-se que, quando há chuva com sol, as raposas estão à solta. O kitsune no yomeiri (狐の嫁入り) é uma procissão silenciosa de kitsunes que atravessa o dia, iluminada por uma longa fileira de kitsunebi que se estendem por uma vasta área. A dialética entre o sol e a chuva evoca o encontro de opostos na natureza: forças contrárias que coexistem e se completam, gerando equilíbrio e renovação. Esse fenômeno atravessa imaginários tanto no Ocidente quanto no Oriente, carregando uma rica constelação de significados. É justamente entre essa imbricação que Mika Takahashi opera, traduzindo a tensão da natureza e poética com delicadeza e precisão na mostra Chuva solar.
É entre a impermanência e a fabulação que Mika desenvolve sua mais recente pesquisa pictórica, experimentando o mundo por meio dos sentidos e dos sonhos. A artista parte da ficção como modo de se aproximar de diferentes realidades, entendendo o inconsciente não como fuga, mas como ferramenta de investigação e sensibilidade. Nesse percurso, a fabulação ultrapassa a dimensão da pesquisa literária e se afirma como gesto de criação, uma abertura para mundos possíveis.
Em suas pinturas, imagens, atmosferas e ritmos cromáticos parecem emergir como fragmentos de narrativas em formação, sugerindo paisagens instáveis, organismos em transformação ou fenômenos ainda sem nome. A pintura torna-se, assim, um campo de experimentação onde percepção, memória, sonho e imaginação se entrelaçam. É nesse espaço intermediário, entre o visível e o intuído, que a artista constrói um território poético no qual diferentes camadas de realidade coexistem, expandindo as formas de ver, sentir e fabular o mundo.
Como pessoa nipo-brasileira sansei, sua ancestralidade, constitui um ponto de partida fundamental para sua pesquisa, a partir do qual, nesta fase, investiga como a cultura japonesa encontrou na tradição da contação de histórias uma forma narrativa, poética e mística de dar sentido a fenômenos muitas vezes inexplicáveis. Preservar traços folclóricos e a representação de universos é uma maneira de valorizar uma espécie de essência singular da japonicidade, de enfatizar um lugar isento da modernidade ocidental e é desse lugar que Mika extrai sua força.
Em Ritual (2026), o kitsune no yomeiri aparece de forma nebulosa. O espectador contempla a cena como que de forma proibida, igual ao menino no filme Sonhos (1990), do cineasta japonês Akira Kurosawa. Ele, cheio de curiosidade, vê surgir uma misteriosa bruma e se esconde atrás de uma árvore. Desta névoa sai uma procissão de raposas desconfiadas. Elas andam a passos lentos, sempre olhando para ver se flagram algum incauto curioso. Após ser flagrado, ele precisa conquistar o perdão das raposas, mas tudo não passa de um sonho. Kurosawa mostra que também é capaz de adotar uma perspectiva surrealista para compor sua obra, presenteando o espectador com narrativas que vieram diretamente do seu inconsciente. Da mesma forma, Mika projeta uma camada expandida de comunicação: nela, a fábula emerge como potência criativa e narrativa, operando em diferentes níveis de elaboração e percepção de uma realidade que se revela, simultaneamente, abstrata e sensível.
Mika faz referência ao kakemono (?物), elemento ornamental da tradição japonesa. Historicamente associados à recepção e à hospitalidade, esses elementos compõem ambientes domésticos e cerimoniais como forma de dar boas-vindas aos visitantes. No imaginário oriental, os kakemono também podem apresentar representações de yōkai, cenas do teatro kabuki ou ilustrações de narrativas e contos antigos. Esse tipo de pergaminho – geralmente uma pintura vertical ou caligrafia realizada sobre papel de seda ou tecido – é fixado em um suporte flexível que permite ser enrolado para armazenamento.
Ao dialogar com essa tradição, Mika a ressignifica, operando a partir de um viés contemporâneo e regional, firmando sua identidade ao explorar a ambiguidade entre o passado e o presente, e é nesse deslocamento que sua produção revela um dos tributos mais sensíveis à dimensão ancestral da narrativa, entre herança cultural e reinvenção. A tradição surge, assim, como um repertório fixo e um campo vivo de deslocamentos e traduções, no qual referências se transformam ao atravessar diferentes tempos, territórios e gerações. É nesse movimento que sua produção faz emergir camadas de memória que persistem, ainda que de maneira sutil e abstrata. Seja na atmosfera do sonho ou no uso do estrangeirismo como ferramenta de criação, capaz de tensionar pertencimento e distância, sua prática constrói um espaço onde o imaginário opera de forma quase fabular. Talvez sejam as raposas, afinal, que fazem chover enquanto o sol permanece aceso, articulando uma zona de indeterminação na qual natureza e fabulação deixam de se opor.
Exposição | Mika Takahashi: Chuva Solar
De 11 de junho a 8 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h
Período
Local
Simoes de Assis Curitiba
Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 2173a - Batel Curitiba - PR
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Nascida em Curitiba e radicada em Florianópolis, a artista multimídia Ruchita inaugura, no Museu da Imagem e do Som, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São
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Nascida em Curitiba e radicada em Florianópolis, a artista multimídia Ruchita inaugura, no Museu da Imagem e do Som, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a exposição Território de passagem – sua primeira individual na capital paulista. Com visitação gratuita até 24 de agosto, a mostra, que inclui o lançamento do livro Todo momento de achar é um perder-se a si própria e uma série de ativações, foi concebida especialmente para o MIS e apresenta oito obras produzidas entre 2017 e 2025. São videoartes e séries fotográficas que investigam as relações entre corpo, tempo e memória.
Com curadoria de Brunno Almeida Maia e direção de arte e expografia de Leandro Leão, a individual reafirma a proposta de levar ao público a linguagem da videoarte, articulando elementos performáticos, audiovisuais e fotográficos em uma proposta imersiva e não linear. A exposição inédita estabelece, ainda, um diálogo direto com o acervo de videoarte do MIS, referência nacional e na América Latina, com mais de 5 mil títulos produzidos e catalogados desde os anos 1970. Ao inserir a produção de Ruchita nesse contexto histórico, Território de passagem aproxima a pesquisa e a produção da artista a uma tradição experimental marcada por nomes como Walter Zanini, Letícia Parente, Hélio Oiticica, Lygia Pape e Arthur Omar.
“Existe ainda uma centralização forte na produção do eixo Rio-São Paulo, e artistas do Sul, do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste encontram barreiras de visibilidade. Fazer minha estreia em São Paulo justamente no MIS tem um significado importante para mim – e divido esse sentimento com outros artistas que são sub-representados – sobretudo porque meu trabalho multimídia tem foco no audiovisual”, comemora Ruchita. “O vídeo ainda enfrenta resistência institucional em comparação a outros suportes, como a pintura ou a escultura, mas não há como negar que a tecnologia tem atravessado cada vez mais a produção artística contemporânea. Nesse sentido, o MIS sempre teve um papel relevante de projeção e reconhecimento.”
Partindo de experiências pessoais traduzidas em performances para a câmera, Ruchita coloca seu próprio corpo como campo de experimentação artística e desenvolve trabalhos em fotografia, instalação e vídeo que evidenciam a transitoriedade entre retrato e autorretrato. Em Território de passagem, suas investigações são atravessadas por questões existenciais, psicológicas e simbólicas, articulando aspectos íntimos e coletivos da experiência humana.
Estruturada a partir de dois eixos curatoriais – O Corpo Inacabado e O Corpo é Tempo –, a exposição reúne obras que abordam temas como vulnerabilidade, transcendência, repetição, impermanência e dissolução. No primeiro eixo, a série Não sou finito (2018) documenta a ação performática de uma videoinstalação em duas telas que flagra o corpo da artista amarrado a uma árvore – representando amarras sociais e mentais – e a tentativa de alcançar o infinito puxando uma corda suspensa, gesto repetitivo que aproxima o corpo do intangível.
Já a série inédita Alternar-se (2025/2026) mergulha na experiência de convívio diário da artista com o diabetes. Utilizando mel e sangue como metáforas, Ruchita compõe um ensaio visual e sonoro que explora os altos e baixos de seu cotidiano. Em Limiares, a artista escreve com sangue sobre espelho um gráfico de oscilações de taxas de glicemia; em Compasso, um lenço vermelho traduz essa inconstância; em Abismo, o reflexo em uma poça de mel evoca uma dor corporalizada; em Um corpo que me rodeia, o mel escorre pelo corpo de Ruchita, evidenciando movimentos que escapam de nosso controle e nos atravessam.
“Alternar-se nasce de algo que atravessa meu corpo, minhas emoções e minha rotina. Senti que era importante falar sobre esse tema porque os números seguem crescendo. Hoje, mais de 16 milhões de pessoas convivem com diabetes no Brasil e quase 600 milhões de pessoas no mundo. Então, essa obra funciona também como um convite para a observação do corpo e do cuidado cotidiano”, propõe Ruchita.
As 23 fotografias de Des-continuum – registros de sangue e mel sobre papel, expostas sem moldura – rompem limites físicos e simbólicos. A obra Um estado claro de ambiguidade (2017-2018) completa o primeiro eixo da exposição. Nela, 12 pessoas têm a visão obliterada por um espelho que reflete os olhos da artista. Ao lado da tela de exibição do vídeo, um autoretrato impresso de Ruchita é fixado diretamente sobre a parede, contendo o mesmo pedaço de espelho colado que sobrepõe seu olhar. Assim, os olhos do espectador estarão refletidos no lugar dos olhos da artista – uma reflexão sobre retrato, autorretrato, alteridade e um convite a se conectar à experiência do outro.
No segundo eixo, O Corpo é Tempo, a série Face à impermanência investiga duração e efemeridade em diálogo com a cultura japonesa do Wabi-Sabi (que defende que nada é acabado, permanente ou perfeito). O tríptico é composto de duas obras audiovisuais e uma instalação fotográfica. Em Esse movimento perpétuo (2018), uma videoinstalação registrada na praia de Naoshima e projetada sobre areia real depositada no chão exibe a imagem da artista, que surge e desaparece em sintonia com algas que se decompõem, simbolizando a fusão do indivíduo na natureza e o ciclo eterno de decomposição e reintegração. Já em Estar sem estar (2018), Ruchita permanece imóvel por horas no cruzamento de Shibuya, em Tóquio, enquanto a multidão passa em ritmo frenético – projetado em loop, o vídeo, de 8’09” e dimensões variáveis, foi filmado em câmera lenta para acentuar o paradoxo entre contemplação zen e velocidade urbana, um choque que também ecoa no cotidiano da metrópole paulistana.
“A performance sempre foi a base do meu trabalho. Meu processo criativo parte de experiências internas, de questões que eu tento externalizar por meio da imagem”, explica Ruchita. “Tudo surge dessa investigação pessoal, dessa busca existencial que me acompanha desde muito nova. O corpo acaba se tornando um lugar de percepção, experimentação e transformação. É a partir dele que tento criar conexões com o outro”, conclui a artista.
Serviço
Exposição | Território de passagem
De 11 de julho a 24 de agosto
Terças a sextas, 10h às 19h; sábados, 10h às 20h; domingos e feriados, 10h às 18h
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
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O Centro Cultural FIESP (CCF) recebe, pela primeira vez, a exposição “Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade”. A mostra propõe um novo olhar sobre a
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O Centro Cultural FIESP (CCF) recebe, pela primeira vez, a exposição “Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade”. A mostra propõe um novo olhar sobre a trajetória de um dos principais nomes do modernismo brasileiro, reunindo obras, fotografias e documentos que ajudam a compreender como Brecheret desenvolveu uma linguagem artística própria e como a figura indígena atravessou diferentes momentos de sua produção,?até se tornar um dos principais símbolos de sua fase final.
A exposição aborda a construção da linguagem escultórica do artista, um dos grandes nomes do Modernismo Brasileiro ligado à Semana de Arte Moderna de 1922. Ela destaca a última fase de sua produção, marcada pela influência das culturas indígenas. O percurso reúne esculturas, desenhos, fotografias e documentos que ajudam a contextualizar esse momento de sua trajetória.
Entre os destaques está a escultura “Acalanto de Bartira”, também conhecida como “Mulher Deitada na Rede”, considerada uma das obras mais emblemáticas de Brecheret e uma síntese de sua trajetória artística. A peça reúne elementos centrais de sua produção, especialmente a busca por uma representação mais sensível e humanizada da brasilidade.
“Essa exposição convida o público a revisitar Victor Brecheret a partir de um olhar mais humano e contemporâneo, entendendo como a imagem indígena atravessou sua obra e sua visão sobre a construção da identidade brasileira”, afirma Fernando Brecheret, diretor do Instituto Victor Brecheret.
‘’Para Tais Lara, diretora do Centro Cultural FIESP, a exposição convida o público a revisitar a obra de Victor Brecheret por um olhar contemporâneo e sensível, ressaltando sua contribuição fundamental para o Modernismo Brasileiro e para a construção da identidade cultural do país. Com a mostra, o SESI-SP reafirma seu compromisso com a valorização da arte e a democratização do acesso à cultura para públicos diversos.”
Há obras de Brecheret em coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, além de forte presença de seu trabalho em praças e monumentos da cidade de São Paulo. A proposta da exposição é ampliar o olhar sobre o artista para além de suas esculturas monumentais, e revelar diferentes camadas de sua trajetória.
A curadoria é assinada por Maria Izabel Branco Ribeiro, em parceria com o Instituto Victor Brecheret (IVB), presidido por Victor Brecheret Filho.
Exposição | Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade
De 11 de junho a 30 de agosto
Terça a domingo, 10h às 20h – Entrada gratuita: não é necessário fazer reserva.
Período
Local
Centro Cultural Fiesp
Avenida Paulista, 1313 - São Paulo - SP
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A NND|AZECO estreia sua nova exposição: Terra e Tempo, que reúne obras de Eleonore Koch (1926–2018) e Evandro César (1987) sob curadoria de Rodrigo Andrade e texto crítico de Bianca
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A NND|AZECO estreia sua nova exposição: Terra e Tempo, que reúne obras de Eleonore Koch (1926–2018) e Evandro César (1987) sob curadoria de Rodrigo Andrade e texto crítico de Bianca Dias. A mostra ocupa o espaço da galeria em São Paulo e propõe um encontro inédito entre duas trajetórias separadas por gerações, contextos históricos e experiências de vida, mas aproximadas por uma mesma atenção à construção silenciosa da imagem, à observação dos espaços cotidianos e à permanência do tempo na pintura.
Radicada no Brasil desde 1936 após deixar a Alemanha em meio à ascensão do facismo, Eleonore, reconhecida como a única aluna de Alfredo Volpi, desenvolveu, ao longo de mais de sessenta anos, uma produção singular marcada por naturezas-mortas, interiores e paisagens. Seus trabalhos revelam ambientes aparentemente simples, organizados por uma geometria precisa, onde objetos, móveis e paisagens tornam-se dispositivos de memória, deslocamento e reflexão sobre a condição humana.
Evandro César, artista visual, pixador e produtor cultural nascido e criado em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, combina referências da história da pintura, da cultura popular e das experiências vividas nos territórios periféricos da cidade.
Utilizando pigmentos minerais e tintas produzidas a partir de terras coletadas em diferentes regiões, Evandro desenvolve composições de tonalidades terrosas e atmosferas suspensas, nas quais fachadas, interiores, mobiliários e naturezas-mortas emergem como vestígios de memória e pertencimento.
Para o curador Rodrigo Andrade a exposição evidencia como a pintura é capaz de estabelecer diálogos que atravessam gerações e contextos sociais distintos. Em Terra e Tempo, as obras de Eleonore Koch e Evandro César revelam aproximações inesperadas na maneira como ambos transformam espaços cotidianos em experiências de contemplação, construindo narrativas silenciosas sobre permanência, deslocamento e afetos.
Os desenhos, estudos e trabalhos em papel de Eleonore ao lado de pinturas recentes de Evandro realizadas com pigmentos de terra criam um campo de aproximação entre diferentes temporalidades da arte brasileira. Enquanto Koch investiga a relação entre interioridade, observação e síntese formal, César atualiza questões ligadas à paisagem, à memória e à experiência urbana contemporânea, reafirmando a potência da pintura como espaço de encontro entre tempos, histórias e territórios.
Serviço
Exposição | Terra e Tempo: Eleonore Koch e Evandro César
De 11 de junho a 22 de agosto
Terça a Sexta: 11 às 18hs, sábado: 11 às 15hs
Período
Local
NONADA SP
Praça da Bandeira,53 – Centro, São Paulo - SP
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam a exposição Quando o museu é rio, mostra coletiva realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi.
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam a exposição Quando o museu é rio, mostra coletiva realizada em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi. Com curadoria de Ana Roman, Sabrina Fontenele e Vânia Leal, e curadoria científica de Nelson Sanjad, Sâmia Batista e Sue Costa, a mostra parte das reflexões desenvolvidas no projeto Um rio não existe sozinho, realizado em 2025 no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, em Belém, e propõe uma investigação sobre o papel contemporâneo das instituições dedicadas à memória, à ciência e à produção de conhecimento sobre a Amazônia. Quando o museu é rio acontece paralelamente às mostras Viva Viva Escola Viva, sobre o movimento indígena das Escolas Vivas, e Estrelas escolhidas, individual do artista Luiz Zerbini.
A exposição reúne artistas convidados e acervos científicos, arqueológicos, etnográficos e biológicos do Museu Goeldi em uma proposta que articula arte contemporânea, ciência e saberes ancestrais. Participam da mostra Déba Tacana, Elaine Arruda, Estúdio Flume, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa.
Assim como em Um rio não existe sozinho, com curadoria de Sabrina Fontenele e Vânia Leal, para as curadoras da exposição, que somam-se a Ana Roman, a imagem do rio também atravessa esta nova mostra como metáfora para pensar deslocamentos, encontros e transformações. “Ao conectar territórios distintos, atravessar fronteiras e reorganizar continuamente a paisagem, o rio produz zonas de encontro, deslocamento e transformação”, afirmam. Sob essa perspectiva, a exposição propõe repensar o museu “não como instituição estável, mas como campo contínuo de relações entre território, ciência, espiritualidade e vida cotidiana”, em que os acervos deixam de operar como registros fixos do passado e passam a ser compreendidos como “matéria viva a partir da qual é possível imaginar e construir outros futuros”.
Entre os conjuntos apresentados, estão materiais ligados ao Acervo Didático Emília Snethlage, utilizado em ações educativas do museu; pesquisas arqueológicas sobre pinturas rupestres amazônicas; o projeto Replicando o Passado, desenvolvido com ceramistas do Pará e do Amapá; estudos sobre a descoberta de fósseis de preguiças-gigantes na Amazônia; além de projetos científicos e ambientais como o Esecaflor, dedicado à investigação dos efeitos das mudanças climáticas sobre a Floresta Amazônica. A mostra também destaca a atuação histórica do Museu Goeldi junto a povos indígenas amazônicos e as discussões contemporâneas em torno da classificação e reorganização de acervos etnográficos e biológicos.
Para Nelson Sanjad, Sue Costa e Sâmia Batista, curadores científicos da exposição, a mostra trata de “conexões entre pessoas; entre campos do conhecimento; entre humanos e não humanos; entre diferentes territórios; entre passado, presente e futuro. Um museu permite, promove e alimenta essas conexões, tal como as raízes de um imenso manguezal, que respiram, amparam, nutrem, protegem e abrigam a vida que flui no entorno, a lama ancestral que nos torna um e tudo. Apenas o museu é capaz de transformar o particular no coletivo, expandir o indivíduo para o todo social, dar um sentido e o horizonte que pode nos unir”.
Paralelamente à abertura da mostra, o Instituto Tomie Ohtake realiza, nos dias 25 e 26 de junho, o seminário Quando o museu é: acervos e futuros, organizado em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. O encontro reúne pesquisadoras(es), artistas, curadoras(es), gestoras(es) e profissionais de museus para discutir os modos como os acervos participam da construção das instituições museológicas contemporâneas. A programação articula debates sobre patrimônio, coleções etnográficas, arqueológicas e científicas, práticas curatoriais, circulação de acervos e processos de criação artística, aproximando experiências desenvolvidas no contexto amazônico e em outras instituições culturais e universitárias do país. A abertura da exposição integra a programação do seminário, que propõe reflexões sobre as relações entre museus, territórios, pesquisa, comunidades e produção de conhecimento. Mais informações em Instituto Tomie Ohtake.
Quando o museu é rio é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de
Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e do Instituto Tomie Ohtake, em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi. A mostra conta com o patrocínio do Nubank, mantenedor institucional do Instituto Tomie Ohtake; da AkzoNobel, na cota Ouro; do Aché Laboratórios Farmacêuticos, na cota Prata; e com apoio da Coral.
Serviço
Exposição | Quando o museu é rio
De 20 de junho a 16 de agosto
terça a domingo, das 11h às 19h (última entrada até 18h)
Período
Local
Instituto Tomie Ohtake
Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros, São Paulo – SP
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A artista e fotógrafa Daniela Dib apresenta, no Museu da Imagem e do Som, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a exposição “Quando o sonho encontra o azul“. Com curadoria de Marcelo Greco, a mostra apresenta cerca de 15 fotografias inéditas, produzidas entre 2021 e 2026, marcadas por atmosferas íntimas, jogos de luz e sombra, reflexos e paisagens suspensas no tempo, construindo uma narrativa visual entre sonho e realidade.
A exposição, que integra o programa Nova Fotografia 2026 do MIS, nasce do fascínio de Dib pela cor azul – não apenas como elemento visual, mas como estado emocional e simbólico. Inspirada em estudos linguísticos que apontam para a ausência da palavra “azul” em diversas civilizações antigas, a artista parte da ideia de que céu e mar eram percebidos como territórios vastos e mutáveis, ainda não nomeados pela linguagem. O azul surge, assim, como uma presença silenciosa e indefinível. Nas fotografias, essa cor aparece menos como representação e mais como atmosfera. Entre sombras, reflexos e gestos sutis, a artista constrói imagens que transitam entre delicadeza e tensão, intimidade e vazio, contemplação e vertigem.
“As fotos apresentadas na exposição representam muito do meu universo interior. Uma busca silenciosa, um olhar através de uma fresta, habitando uma dimensão entre o caos e a magia da vida cotidiana – um delicado equilíbrio entre as pulsões de vida e morte”, afirma a artista. A mostra propõe ao público uma experiência contemplativa em contraponto à velocidade do mundo contemporâneo. A montagem reforça essa sensação: a forma com que as obras serão fixadas, darão a impressão de estarem flutuando, um leve som de água, complementa a imersão, concebida pela artista.
Serviço
Exposição | Quando o sonho encontra o azul
De 23 de junho a 02 de agosto
Terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h.
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
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A Galeria Leme apresenta “Geologia da Forma: obras dos anos 90“, exposição dedicada a um conjunto de pinturas e desenhos de Germana Monte-Mór realizados ao longo da década de 1990,
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A Galeria Leme apresenta “Geologia da Forma: obras dos anos 90“, exposição dedicada a um conjunto de pinturas e desenhos de Germana Monte-Mór realizados ao longo da década de 1990, reunindo 21 pinturas sobre tecido e 15 desenhos sobre papel. Produzidas com asfalto sobre suportes diversos, como lona de algodão, papel-manteiga, papel de arroz e papel de seda, as obras revelam um momento decisivo da trajetória da artista, em que a investigação da matéria, da forma e das relações entre figura e fundo ganha uma formulação singular.
O conjunto, até então inédito, já motivou reflexões de importantes críticos brasileiros, entre eles Lorenzo Mammì, Rodrigo Naves, Paulo Sérgio Duarte, e Nuno Ramos, e agora é revisitado com um texto crítico de Diego Matos. Os trabalhos refletem um capítulo fundamental da pesquisa de Monte-Mór, abordando questões que permanecem presentes em sua produção recente. A exposição destaca a matéria como agente ativo da construção das imagens; em muitas das obras, ocorre uma inversão das funções tradicionalmente atribuídas aos elementos da pintura — em vez do suporte sustentar a matéria, é a massa densa do asfalto que parece sustentar o papel ou o tecido.
Durante os anos 1990, Germana Monte-Mór experimentou com as possibilidades plásticas do asfalto, explorando as tensões entre peso e leveza, opacidade e transparência, permanência e transformação. Aplicado sobre superfícies delicadas e porosas, o material adquire comportamentos inesperados: dilui-se, infiltra-se, acumula-se e solidifica-se, produzindo formas que parecem emergir organicamente dos suportes. Nas pinturas, a densidade mineral contrasta com a trama têxtil, criando oscilações entre presença e desaparecimento. As formas evocam relevos, linhas de horizonte, cadeias montanhosas ou territórios em lenta transformação, como se estivessem submetidas a processos geológicos de decomposição e recomposição contínuas. Suas telas recusam qualquer referência estável, permanecendo suspensas entre abstração e sugestão figurativa.
Os desenhos sobre papel aprofundam essa investigação — a matéria se espalha por superfícies frágeis, revelando tanto sua potência expansiva quanto a capilaridade dos suportes. As formas parecem nascer de dentro para fora, como registros de um movimento anterior à representação. Em alguns trabalhos, aproximam-se de corpos ou silhuetas; em outros, dissolvem-se em manchas e limites imprecisos, examinando as condições de surgimento da própria forma.
A mostra constrói um vocabulário visual marcado por oposições constantes: preto e branco, cheio e vazio, proximidade e distância, densidade e transparência. Para além de um recorte histórico, o conjunto revela a permanência da questão que segue estruturando a obra de Germana Monte-Mór: a relação entre forma e matéria.
Serviço
Exposição | Geologia da Forma: obras dos anos 90
De 25 de junho a 21 de agosto
Segunda a sexta, das 9h às 18h
Período
Local
Galeria Leme
Av. Valdemar Ferreira, 130 - São Paulo - SP
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O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com gestão da Associação Museu Afro Brasil – Organização Social
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O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com gestão da Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura (AMAB), inaugura a exposição “Afríquia: o artista como colecionador”, com curadoria de Gabrielle Nascimento. A mostra convida o público a conhecer a coleção de arte africana do Museu a partir do olhar de seu fundador, Emanoel Araujo, revelando como suas escolhas artísticas, intelectuais e curatoriais contribuíram para a formação de um dos mais importantes acervos dedicados às culturas africanas no Brasil.
“Esta exposição parte da compreensão de que toda coleção é também uma narrativa. Ao reunir obras, documentos, fotografias e registros da trajetória de Emanoel Araujo, buscamos mostrar como seu olhar ajudou a construir não apenas uma coleção de arte africana, mas uma forma de pensar as relações entre África, diáspora e identidade afro-brasileira“, destaca a curadora Gabrielle Nascimento.
Reunindo mais de 200 obras, a exposição apresenta esculturas, pinturas, máscaras, documentos, fotografias, livros, discos, tecidos e objetos tridimensionais que ajudam a compreender não apenas a construção da coleção africana do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, mas também a trajetória de Emanoel Araujo como artista, colecionador, curador e museólogo.
Composta majoritariamente por peças do próprio acervo do Museu, a mostra reúne obras tradicionais e contemporâneas, com destaque para produções da Nigéria e do Benim. O percurso expositivo evidencia as relações estabelecidas por Emanoel Araujo entre África e Brasil, revelando como referências culturais, religiosas e estéticas presentes no continente africano influenciaram sua produção artística e seu projeto museológico.
O título da exposição faz referência à série de xilogravuras Suíte Afríquia I, II e III, produzida por Emanoel Araujo em 1977 após sua participação no II Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana (FESTAC 77), realizado na Nigéria. A experiência marcou sua primeira viagem ao continente africano e teve impacto significativo tanto em sua produção artística quanto na formação inicial de sua coleção.
Mais do que apresentar objetos, a exposição propõe refletir sobre o colecionismo como uma forma de construção de narrativas. Ao acompanhar documentos, registros de aquisição, fotografias e obras reunidas ao longo de décadas, o público tem acesso a aspectos pouco conhecidos da atuação de Emanoel Araujo e às formas como ele construiu conexões entre memória, arte e diáspora africana.
A mostra também aproxima arte africana tradicional e contemporânea, reunindo desde máscaras Gelede e Egungun e esculturas de matriz iorubana até produções de artistas contemporâneos africanos incorporadas ao acervo em diferentes momentos da trajetória do Museu. A proposta evidencia a diversidade e a complexidade das produções culturais africanas, afastando leituras estereotipadas e destacando seus diálogos com a modernidade e os circuitos globais da arte.
Serviço
Exposição | Afríquia: o artista como colecionador
De 26 de junho a 13 de setembro
Terça a domingo, das 10h às 17h (permanência até às 18h)
Período
Local
Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Portão 10 – Parque Ibirapuera São Paulo - SP
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A Verve apresenta “Cavalo Pálido e os Sanguís-fé“, segunda exposição individual de Igor Vidor na galeria, acompanhada de texto curatorial de Marina Schiesari. Dando continuidade à pesquisa iniciada em sua primeira mostra na Verve, o artista volta seu olhar para a Guerra de Canudos e para os cenários marcados por disputas regionais, ideológicas e territoriais que permanecem reverberando na história brasileira.
Igor Vidor explora mecanismos de poder e opressão através de suas esculturas, performances e vídeos. Seus trabalhos apresentam sinais de violência e injustiça social profundamente enraizadas no cotidiano. O artista reflete como estas condições se repetem, perpetuando símbolos de violência que acabam ganhando novos significados. Permite-nos refletir sobre como este atrito contribui para um cenário de intermitente e aparentemente insolúvel violência que encontra ecos e recorrência na história do Brasil.
Em 2016, ele foi o primeiro brasileiro convidado a participar do Programa de Intercâmbio Internacional pelo Museu Nacional de Arte Moderna e Contemporânea de Seul – MMCA. Vidor desenvolveu residências artísticas no Brasil, na Coréia do Sul e na Alemanha, participando atualmente da Pro Helvetia em Zurique, na Suíça. Seu trabalho tem sido apresentado em inúmeras exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, além de integrar as coleções permanentes do Perez Art Museum (Miami, EUA), do Museu de Arte do Rio (MAR) e do Itaú Cultural.
Serviço
Exposição | Cavalo Pálido e os Sanguís-fé
De 20 de junho a 15 de agosto
terça, das 11h às 18h, sábado, das 12h às 17h
Período
Local
Verve Galeria
Avenida São Luis, 192, Sobreloja 06, República, São Paulo - SP
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O Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake apresentam Estrelas Escolhidas, exposição individual de Luiz Zerbini.
A mostra reúne cerca de 230 obras produzidas ao longo dos últimos dez anos, entre monotipias, pinturas, livros de artista e instalações, marcadas pela investigação da monotipia realizada a partir do contato direto com plantas, folhas, galhos, cascas e outras materialidades. O conjunto inclui trabalhos desenvolvidos a partir do acervo botânico do Instituto Inhotim e do Sítio Burle Marx, além de obras que ampliam o diálogo da produção gráfica de Luiz Zerbini com diferentes contextos, como as pesquisas relacionadas à gravura japonesa Ukiyo-e.
Além das obras gráficas, a exposição apresenta núcleos dedicados às publicações produzidas pelo artista, além de um projeto sobre etnobotânica ainda em desenvolvimento. Mesas e instalações concebidas para a exposição aproximam processos, matrizes, referências e obras finalizadas, revelando o caráter experimental e processual da pesquisa de Luiz Zerbini.
Serviço
Exposição | Estrelas Escolhidas
De 26 de junho a 16 de agosto
terça a domingo, das 11h às 19h (última entrada até 18h)
Período
Local
Instituto Tomie Ohtake
Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros, São Paulo – SP
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Peças Frias – O Desenho, nova exposição de Iran do Espírito Santo em sua unidade dos Jardins, em São Paulo, com abertura em 30 de
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Peças Frias – O Desenho, nova exposição de Iran do Espírito Santo em sua unidade dos Jardins, em São Paulo, com abertura em 30 de junho de 2026. A mostra reúne uma seleção concisa de obras, entre desenhos e esculturas, que oferece uma visão precisa de momentos-chave da produção do artista ao longo das últimas duas décadas. Abrangendo o período de 2007 a 2025, a apresentação evidencia as ressonâncias do espaço vazio, a paleta cromática contida e as geometrias rigorosas que ressaltam tanto a continuidade quanto a evolução de sua prática.
Entre os destaques está a pintura de parede Sem título (Alambrado) (2007), concebida originalmente para a apresentação central da 52ª Bienal de Veneza. Também exibida pela primeira vez no Brasil, Linha e Sombra 4 (2013) foi desenvolvida inicialmente para um projeto na Ingleby Gallery e retomada pelo artista para esta ocasião. A nova escultura Compasso (2025), uma ampliação em aço inoxidável de um compasso de desenho técnico, estabelece uma relação direta com os mecanismos e o gesto do desenho, bem como com as dimensões intelectuais e conceituais da construção formal presente na obra de Iran do Espírito Santo.
Por meio de uma linguagem visual marcada pelo rigor geométrico, pela precisão técnica e pela economia de meios, o artista investiga os mecanismos da representação e os limites entre objeto, imagem e percepção. Suas obras abordam formas familiares por meio do paradoxo: embora pareçam descrever a realidade com notável fidelidade, acabam por se revelar construções artificiais, simulacros que deslocam continuamente a experiência do espectador entre presença e representação.
Paralelamente, Iran do Espírito Santo: Recorrência, nova mostra panorâmica com curadoria de Fernanda Lopes, no Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, abre em 2 de julho de 2026.
Serviço
Exposição | Peças Frias – O Desenho
De 30 de junho a 08 de agosto
Terça a sexta, das 10h às 19h sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galeria Fortes D’ Aloia & Gabriel RJ
R. Jardim Botânico, 971 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ
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A Galeria 18 abre a edição 2026 da NOT SAMO, a exposição coletiva que reúne cerca de 60 obras de 29 artistas, selecionados por meio do edital anual promovido pela
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A Galeria 18 abre a edição 2026 da NOT SAMO, a exposição coletiva que reúne cerca de 60 obras de 29 artistas, selecionados por meio do edital anual promovido pela galeria.
O título da exposição faz referência à expressão SAMO (“same old shit”), assinatura criada por Jean-Michel Basquiat e Al Diaz, que se popularizou ao ser espalhada pelas ruas de Nova Iorque para criticar o status quo da época. Ao adicionar o termo NOT à frase original, o projeto propõe um deslocamento de sentido, atravessando diferentes linguagens, técnicas e modos de fazer para buscar novas perspectivas.
Cada edição da NOT SAMO funciona como uma oportunidade de observar parte da produção artística que vem sendo desenvolvida fora da bolha dos circuitos mais conhecidos. O projeto reúne artistas de diferentes origens, formações e momentos de carreira, criando um panorama marcado pela diversidade de linguagens, conceitos e modos de produção. Em vez de buscar uma temática comum, a mostra busca a singularidade de pesquisas que apontam para caminhos próprios e potenciais desdobramentos futuros.
A partir de uma seleção realizada entre mais de 530 inscrições, vindas de 9 países, o conjunto de obras traz técnicas como pintura, desenho, escultura e entre outros. Participam desta edição os artistas: Ariane Ventos, Bernardo Alves, Breno de Sant’ana, Cabeza, Cadumen, Cris Marcos, Dhyogo Oliveira, Erly Almanza, Fernando Simões, Gabriela Toral, Guilherme de Carli, Gunga Guerra, Isabel Manini, Isabela Doná Rodrigues, João Paulo, Lina Ferreira, Lucas Mourão, Luiz Breseghello, Luiz Sisinno, Marina Pelli, Murillo Monteolli, Murilo Romeu, Nina Miyamoto, Renato Medeiros, Robson Marques, Sandra Becker, Sofia Ramos, Sonia Gouveia e Vitor Mazon.
Ao longo de suas edições, a NOT SAMO consolidou-se como um espaço dedicado à descoberta e à visibilidade de novas pesquisas artísticas. Em 2026, o projeto reafirma esse compromisso, convidando o público a conhecer trabalhos que ampliam o olhar sobre a produção contemporânea.
Serviço
Exposição | NOT SAMO
De 01 de julho a 01 de agosto
Terça a Sexta, das 10h às 19h. Sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galeria 18
Rua Simpatia 23, Vila Madalena – São Paulo - SP
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Regina José Galindo (Cidade da Guatemala, 1974) é uma artista e poeta que utiliza seu próprio corpo para expor as violências impostas pelas estruturas de poder nas sociedades contemporâneas. Nascida
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Regina José Galindo (Cidade da Guatemala, 1974) é uma artista e poeta que utiliza seu próprio corpo para expor as violências impostas pelas estruturas de poder nas sociedades contemporâneas. Nascida durante a guerra civil na Guatemala (1954-96), conflito que dizimou e causou o desaparecimento de milhares de guatemaltecos, a artista tem sua produção atravessada por preocupações políticas e éticas derivadas desse contexto histórico. Uma pioneira da performance na América Latina, seus trabalhos tensionam os limites físicos de seu corpo e do público para denunciar abusos aos direitos humanos e desigualdades de gênero.
No vídeo Deportada (Todo lo que perdí) [Tudo o que perdi] (2024), Galindo fica de pé, imóvel, em meio aos objetos pessoais de Cristina Cazales Pacheco, mexicana deportada de Nova York para seu país. Vestida com múltiplas camadas de roupas que pertenceram a Cristina, a artista tem essas peças retiradas gradualmente de seu corpo pelo público, em um procedimento que evidencia o apagamento de sua existência por uma sociedade que normaliza as consequências dos deslocamentos forçados, ou mesmo participa dessa destituição física e simbólica. Em um segundo canal, Cristina narra sua história e a angústia causada pela imposição de uma fronteira entre ela, sua família e seus desejos. Galindo já havia tratado da imigração latino-americana para os Estados Unidos em obras anteriores e, neste trabalho recente, evidencia a persistência e a atualidade das violências que permeiam a questão, reforçando a importância de assegurar rosto, voz e presença às suas vítimas.
Sala de Vídeo: Regina José Galindo é curada por Bruna Fernanda, assistente curatorial, MASP.
A exposição integra o ano dedicado às Histórias latino-americanas, que também inclui mostras individuais de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón & Silät, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero, além da coletiva Histórias latino-americanas, bem como mostras na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel e Oscar Muñoz.
Serviço
Exposição | Sala de Vídeo: Regina José Galindo
De 03 de julho a 23 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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A Almeida & Dale apresenta Miss Ceilingfan — ad nauseam, primeira exposição no Brasil da artista Joeun Kim Aatchim. Nascida em Seul, na Coreia do Sul, e radicada no Brooklyn,
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A Almeida & Dale apresenta Miss Ceilingfan — ad nauseam, primeira exposição no Brasil da artista Joeun Kim Aatchim. Nascida em Seul, na Coreia do Sul, e radicada no Brooklyn, EUA, a artista reúne 21 obras, entre elas 15 pinturas inéditas em seda, além de esculturas e objetos. Produzidas durante uma estadia prolongada na casa de seus pais, em Seul, as pinturas da série Miss Ceilingfan partem de observações cotidianas, memórias e estados emocionais vividos pela artista longe de seu ateliê em Nova York.
A personagem que dá nome à exposição acompanha a produção de Aatchim desde 2022. De cabelos azul-lápis-lazúli e olhos dourados, Miss Ceilingfan reaparece ao longo da mostra em sucessivas variações. Seu rosto parece sempre próximo de se revelar, mas nunca completamente definido. A cada nova pintura, a personagem muda ligeiramente de feição, como se a artista perseguisse uma imagem que insiste em escapar.
“Com o tempo, a repetição foi ficando semelhante a uma reza. Até agora, Miss Ceilingfan não era um rosto específico nem uma figura fixa, mas sim uma ideia de mulher, ou, mais precisamente, uma infinidade de mulheres. […] Ela é alguém que jamais conheci, mas de algum modo já conheço. Não me lembro dela, mas de algum modo reconheço seu rosto. Ela é eu e você, e alguma mulher que conhecemos”, afirma a artista.
Mais do que conduzir a uma imagem definitiva, a repetição produz pequenas diferenças. Familiar e desconhecida ao mesmo tempo, Miss Ceilingfan deixa de operar como uma personagem específica para assumir contornos mais abertos, reunindo lembranças, experiências e projeções que se acumulam ao longo da série.
“Impedida, a princípio, de produzir novas imagens, Aatchim passou a repetir obsessivamente o mesmo rosto até que a repetição se tornasse, ela própria, o tema e o método da exposição. O subtítulo ad nauseam alude tanto a essa estrutura visual quanto a um estado psicológico e corporal. Conectadas por correntes suspensas e pequenos crucifixos, as pinturas deixam de operar como retratos individuais para constituir uma única estrutura afetiva, atravessada por ideias de devoção, resistência e sobrevivência”, escreve Lucas Goulart no texto da exposição.
Em sua prática, Aatchim dedica-se a registrar sensações, pensamentos e estados emocionais que frequentemente escapam aos ritmos acelerados da vida contemporânea. Fantasias, observações cotidianas e experiências íntimas tornam-se matéria para obras que não procuram representar acontecimentos específicos, mas preservar algo daquilo que está prestes a desaparecer.
Suas obras não se apresentam como registros imediatos ou representações de um evento atual. Pelo contrário, preservam o silêncio de um olhar interior maduro e reflexivo, assim como a velocidade necessária para captar estados passageiros. Surgindo já conjugadas no passado, essas imagens se fixam como memórias à beira do esquecimento.
Serviço
Exposição | Miss Ceilingfan — ad nauseam
De 04 de julho a 01 de agosto
Segunda a sexta-feira: 10h às 19h, sábado: 11h às 16h
Período
Local
Almeida & Dale Fradique
Rua Fradique Coutinho 1360 | 1430, São Paulo - SP
