Agenda de arte contemporânea da ARTE!Brasileiros reúne exposições, eventos culturais, mostras, feiras, cursos e atividades em museus, galerias e centros culturais de todo o Brasil.
Agenda de Arte, Exposições e Eventos Culturais
julho
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O Museu do Amanhã – equipamento cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro sob gestão do idg – Instituto de Desenvolvimento e Gestão – recebe a exposição itinerante “Síntese – Arte e Tecnologia na Coleção Itaú“, realizada pelo Itaú Cultural. Exclusivamente para o público carioca, a exposição, que tem curadoria de Leno Veras, tem o acréscimo de três trabalhos de grande impacto: FALA, de Rejane Cantoni; Robotarium, de Leonel Moura; e Odisseia, de Regina Silveira.
A mostra é uma oportunidade para ver de perto como reinventar a ideia de futuro sob a perspectiva de artistas que investigam as relações entre seres humanos, tecnologia e meio ambiente, propondo experiências que atravessam arte, ciência e inovação. Ao todo, o recorte é composto por 12 obras de criadores da Áustria, Austrália, Bélgica, Brasil, Espanha, França e México.
Ao longo do percurso, o público é convidado a interagir com instalações que pedem a presença, a interação e a troca de dados para revelar suas verdadeiras poéticas. Entre os destaques estão Alba, de Eduardo Kac, que apresenta a imagem de uma coelha portadora de proteína fluorescente através de procedimentos de biologia molecular, Eden, de Jon McCormack, um ecossistema virtual onde criaturas evoluem e aprendem comportamentos não previstos por meio de um algoritmo genético, e Life Writer, de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau, que transforma letras digitadas em uma antiga máquina de escrever em espécies artificiais.
Novidades no recorte que chega ao Rio, FALA é uma instalação em que um um microfone capta os sons do ambiente e um “coro” de 40 celulares reproduz e desdobra as palavras identificadas, e conversam entre si em diferentes idiomas; “Robotarium” é uma espécie de zoológico para espécimes robóticas movidas por iluminação ou energia solar; e “Odisseia” é um labirinto digital dentro de um grande cubo, que impede a volta por caminhos já percorridos.
Através destas interações lúdicas e científicas, Síntese é um convite a explorar novas formas de pensar a criatividade, a convivência e a nossa relação com sistemas cada vez mais complexos. Os visitantes são desafiados a refletir sobre os desafios do presente e os futuros que desejam construir coletivamente.
“Embora inédita, a parceria entre o Museu do Amanhã e a Fundação Itaú é algo que já vínhamos desejando e construindo há bastante tempo. Compartilhamos uma mesma causa: relacionar a cultura e a tecnologia como estruturas que nos ajudam a compreender os desafios do nosso tempo e imaginar os futuros que queremos construir”, afirma Cristiano Vasconcelos, diretor executivo do Museu do Amanhã, que ressalta: “É importante destacar que a tecnologia jamais deve ser entendida como um fim em si mesma, mas como um meio para ampliar conhecimento, conexões e possibilidades de transformação social, com pensamento crítico. Por isso, é uma grande alegria ver esse projeto finalmente se concretizar”.
O Rio de Janeiro é a décima cidade a receber um recorte da Coleção de Arte e Tecnologia do Itaú. Sua trajetória de difusão de acervos eletrônicos inclui uma passagem em 2024 por Fortaleza, no Ceará, além de um importante marco internacional com a exibição no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia de Lisboa (MAAT), em Portugal, em 2022.
“Celebramos com grande alegria a abertura da exposição Síntese: Arte e Tecnologia na Coleção Itaú, em parceria com o Museu do Amanhã, reforçando o nosso compromisso de expandir o acesso à arte e à cultura por meio do Acervo Itaú”, comenta Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural. “A convergência entre arte e tecnologia é tema constante no Itaú Cultural, seja em exposições no nosso espaço, em São Paulo, seja em espaços parceiros Brasil afora. As obras presentes nessa mostra exploram diversos níveis de diálogo entre seres humanos, natureza e tecnologia, a fim de revelar outras possibilidades poéticas”, completa.
Serviço
Exposição | Síntese – Arte e Tecnologia
De 02 de julho a 31 de agosto
Quinta a terça, das 10h às 18h (última entrada às 17h)
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores ícones da música brasileira, oferece uma visão detalhada sobre os 12 LPs que marcaram a carreira solo do maestro, gravados entre 1963 e 1994, desde o primeiro álbum, The Composer of Desafinado Plays, até Antonio Brasileiro, passando por marcos como Wave, Matita Perê, Urubu e outros.
A exposição, que promete ser uma experiência imersiva, convida os visitantes a explorarem a trajetória artística de Tom Jobim por meio de documentos, fotos, gravações, partituras e objetos pessoais pertencentes ao acervo do Instituto. O conceito da exposição surgiu em 2020, durante a pandemia, a partir de uma série de entrevistas virtuais entre Paulo Jobim, filho do maestro e morto recentemente, e Aluísio Didier, curador da mostra e amigo de Tom, que assumiu a direção do instituto neste mesmo ano. Essas conversas, realizadas via Zoom, revelaram detalhes inéditos sobre o processo criativo do compositor e agora se transformaram em documentários, que revelam o processo por trás de cada álbum, oferecendo uma perspectiva íntima e pessoal sobre o legado musical de Jobim. Os vídeos com as conversas foram editados pelo cineasta Cayo Oliveira, também produtor da exposição, e serão apresentados pela primeira vez.
A curadoria de Didier ilumina momentos importantes da carreira do compositor como seu encontro com Vinícius de Moraes, que resultou em clássicos eternos da Bossa Nova e sua colaboração com João Gilberto no LP Chega de Saudade.
Tom Jobim: Discos Solo é uma homenagem a um artista que não apenas transcendeu fronteiras, mas que continua a influenciar gerações de músicos e fãs ao redor do mundo. A exposição não só celebra a obra solo do maestro, como também convida o público a revisitar e redescobrir a profundidade e a beleza de sua música.
Histórias inusitadas
Na exposição, histórias inusitadas do maestro irão divertir os visitantes. Entre elas, duas bastante icônicas, lembradas por Paulo Jobim e Didier nos documentários.
Autor de várias canções com nomes de mulheres, Tom foi procurado por um pesquisador com um projeto de livro sobre as músicas e suas musas inspiradoras: Luiza, personagem interpretada por Vera Fischer na novela Brilhante; Gabriela, personagem de Jorge Amado; O samba de Maria Luiza, a filha caçula, entre outras.
No entanto, o tal pesquisador também pergunta pela “musa” Carla que inspirara a canção do mesmo nome. Tom se surpreende e questiona: “Que Carla?” O pesquisador insiste: “Ora, a da música dos anos 50, “Carla, meu amor”, responde o rapaz. Acontece que a canção se chamava “Cala, meu amor”.
“O pesquisador já havia até se encontrado com a mulher que tinha sido a fonte de inspiração”, diverte -se Paulinho, em um dos bate-papo com Didier.
***
Músicos são sempre cobrados pela crítica ou pelos fãs por novidades, novas músicas, por uma atualização de sua arte, um diálogo com influências, novas tecnologias. Com Tom, sempre fiel ao “velho” piano acústico ou ao violão, não foi diferente. No disco Tide, podemos ouvi-lo no piano elétrico Fender Rhodes, hoje um clássico, mas na época, um som diferente, um passo à frente dos instrumentos acústicos. Na época as pessoas se perguntaram: “O que houve, Tom cedendo a um som mais pop?” Sim e não. Se o resultado ficou ótimo na faixa “Takatanga”, o fato se deveu a um copo de uísque derrubado dentro do piano acústico do estúdio, que impossibilitou o instrumento para a gravação. “Jobim, sem opção, aceita arriscar-se no Fender Rhodes e parece que gostou, pois no LP seguinte, Stone Flower, repete a experiência em várias faixas”, conta Didier.
Serviço
Exposição | Tom Jobim: Discos Solo
De 09 de outubro (exposição permanete)
Diariamente (exceto na quarta-feira), de 9h às 17h
Período
Local
Instituto Antonio Carlos Jobim
Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro - RJ
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A Portas Vilaseca inaugura Fogo Corredor, exposição coletiva que reúne 20 artistas de diferentes gerações e linguagens, marcando o encerramento da programação de 2025. Com curadoria de Lucas Albuquerque, a
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A Portas Vilaseca inaugura Fogo Corredor, exposição coletiva que reúne 20 artistas de diferentes gerações e linguagens, marcando o encerramento da programação de 2025. Com curadoria de Lucas Albuquerque, a mostra apresenta artistas representados pela galeria e convidados de diversas regiões do país, incluindo Guerreiro do Divino Amor, Rayana Rayo, Thiago Martins de Melo, entre outros.
Em uma expografia provocante, Fogo Corredor nasce da reflexão em torno de histórias populares e encantarias associadas ao fogo. É o caso da lenda que dá título à mostra: um ser sobrenatural feito de fogo, integrante de crenças populares do Norte e Nordeste do Brasil, cujas narrativas o associam a almas de pessoas mortas que retornam para assustar, queimar ou perseguir suas vítimas.
Dividida em dois andares, a mostra propõe dois percursos expositivos que se complementam. O térreo agrupa trabalhos que sugerem ou derivam de relações com o sagrado, seja ele de ordem profana ou não. André Griffo, Thiago Martins de Melo e Manuela Costa Lima abordam as conotações ora punitivas, ora purificadoras do fogo em tradições cristãs e pagãs, enquanto Paloma Bosquê, Ayla Tavares e Alex Cerveny propõem narrativas em torno de rituais, seres fantásticos e deambulações sincréticas, explorando as formas e materialidades de seus trabalhos.
No terceiro andar da galeria, as narrativas fantasmagóricas do fogo aparecem como elemento pop, apresentadas em obras que o tratam como pastiche, derivação ou virtualidade. O grupo reúne artistas como Guerreiro do Divino Amor, biarritzzz e Randolpho Lamonier, em cujos trabalhos o fogo se manifesta em narrativas que entrelaçam história e política, evocando sujeitos historicamente localizáveis — vivos ou mortos. Já Mateus Moreira e Luiza Lukah mergulham em fabulações sobre seres incandescentes.
Em uma proposição que combina arte, história popular, literatura e ficção, o curador fluminense Lucas Albuquerque sugere uma narrativa sobrenatural, na qual cada obra atua como uma entidade de uma história compartilhada: “Conduzido nos fios de ficção de vinte artistas – por vezes ancorados em ecos da realidade, principalmente nas obras de maior teor político – Fogo Corredor apresenta dois pequenos universos cósmicos, tramados entre a força vital do artista e a espiritual daqueles que são convocados e/ou imaginados”.
Esperamos a sua visita!
Serviço
Exposição | Fogo Corredor
De 13 de novembro a 10 de outubro 2026
Terça a sexta, das 11h às 19h, sábados, das 11h às 17h.
Período
Local
Portas Vilaseca Galeria
Rua Dona Mariana, 137, casa 2, Botafogo, Rio de Janeiro - RJ
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A Flexa tem o prazer de anunciar sua décima exposição, Morar na cor, que integra o programa de 2026 da galeria. A mostra tem curadoria assinada por Luisa Duarte e
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A Flexa tem o prazer de anunciar sua décima exposição, Morar na cor, que integra o programa de 2026 da galeria. A mostra tem curadoria assinada por Luisa Duarte e Daniela Avellar, e é acompanhada de texto crítico de Renato Menezes, curador da Pinacoteca de SP. A coletiva propõe pensar a cor, na arte, para além de sua dimensão estritamente formal.
Partindo da compreensão de que os cromatismos são atravessados pela experiência, pela subjetividade e pelo cotidiano, a exposição coletiva entende toda paleta de cor enquanto um campo ativo, capaz de produzir diferentes afetos e percepções. A cor aparece, nas obras reunidas, como força estruturante dos trabalhos e da experiência proposta ao público, cuja expografia se inspira no trabalho do arquiteto mexicano Luis Barragán, e é assinada por Julio Shalders.
Voltando no tempo, surpreende saber que as estátuas gregas da Antiguidade eram originalmente multicoloridas. Análises com luz ultravioleta, realizadas nos anos 1980, revelaram vestígios de pigmentos sobre os mármores hoje vistos como brancos. As intempéries apagaram essas cores, presentes em detalhes como pele, rostos e ornamentos.
Ao tensionar a tradição ocidental que historicamente relegou a cor a um lugar de excesso ou até mesmo de superficialidade, Morar na cor propõe um deslocamento. Saindo do ornamento para ocupar o lugar do pensamento, a cor é capaz tanto de preencher o espaço expositivo como se presentificar nas distintas obras agrupadas, fazendo com que o espectador reflita sobre os sentidos simbólicos contidos na experiência cromática. O título da exposição se inspira no ensaio homônimo publicado por Lygia Pape em 1988. Nele, a artista reflete sobre a relação da cor com as moradias vernaculares cariocas.
Reunindo artistas de diferentes gerações, a mostra se organiza em três núcleos que exploram distintas aproximações com a cor. Em um deles, a investigação cromática se dá pela observação empírica e pela variação sutil entre tons, aproximando-se de uma experiência quase tátil. Em outro, a cor emerge dos signos do cotidiano e das arquiteturas populares, incorporando referências visuais de contextos urbanos e vernaculares. O terceiro eixo questiona certo pudor diante da cor. Nesse conjunto, cores saturadas e avivadas comparecem nos lembrando da complexidade cromática e sua capacidade de produzir conexões enérgicas.
A exposição propõe, assim, uma aproximação expandida da cor, entendida como experiência viva, situada entre o olhar, o corpo e o mundo.
Fazem parte da mostra Abraham Palatnik, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Aluísio Carvão, Amadeo Luciano Lorenzato, Amelia Toledo, Ana Claudia Almeida, André Ricardo, Antonio Ballester Moreno, Antonio Bandeira, AVAF, Beatriz Milhazes, Carlos Vergara, Cícero Dias, Dudi Maia Rosa, Frank Stella, Ione Saldanha, Jorge Guinle, Judith Lauand, Lucia Koch, Luiz Braga, Luiz Zerbini, Lygia Pape, Marcone Moreira, Maria Leontina, Mariana Palma, Miguel Rio Branco, Milton Dacosta, Montez Magno, Paulo Pasta, Rafael Kamada, Rodrigo Cass, Rubem Valentim, Sol LeWitt, Tomie Ohtake, entre outros.
Serviço
Exposição | Morar na cor
De 18 de abril a 18 de julho
Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado das 12h às 17h
Período
Local
Flexa Galeria
Rua Dias Ferreira, 214, Leblon - RJ
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Como parte da programação prévia do Festival Sesc de Inverno 2026, o Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, inaugura a exposição “Mais belo é o rio que corre“, com visitação gratuita até fevereiro de 2027. Com curadoria de Marcelo Campos e assistência de curadoria de Rodrigo Duarte, a mostra reúne mais de 100 obras de mais de 40 artistas sul-americanos e de outros continentes em diferentes linguagens artísticas para refletir sobre os rios como espaços de encontro, memória, resistência e transformação.
Partindo da imagem do encontro entre rios, “Mais belo é o rio que corre” toma a confluência como conceito central. Quando dois rios se encontram, eles podem correr lado a lado por algum tempo, preservando cores e densidades distintas antes de se combinarem. Mesmo unidos, não deixam de carregar suas origens. A confluência, nesse sentido, é entendida como um encontro que amplia, fortalece e transforma, sem apagar diferenças.
Em diálogo com a poética de Alberto Caeiro e o pensamento de Antônio Bispo dos Santos, a exposição emerge dos meandros das águas e escorre pelos fluxos da confluência entre saberes, pessoas e temporalidades. A proposta dialoga diretamente com o conceito do Festival Sesc de Inverno 2026, que celebra o verbo “afluir” como gesto de encontro. Ao tomar a confluência entre rios como metáfora, a exposição amplia esse debate para pensar as relações entre arte, natureza e sociedade, valorizando a convivência entre diferentes saberes, territórios e modos de existir.
Esse diálogo se expande também para a literatura, com a participação de importantes autores contemporâneos que contribuem com textos inéditos especialmente desenvolvidos para a exposição. Estão presentes textos de Leda Maria Martins, Jeferson Tenório, Itamar Vieira Junior e Marcia Kambeba. Suas escritas aprofundam as reflexões propostas pela mostra, trazendo perspectivas sobre memória, território, ancestralidade e modos de existência.
“Mais belo é o rio que corre” reúne artistas e obras de diferentes territórios, principalmente da América Latina, entre eles Brasil, Paraguai, Peru, Argentina, Guatemala e Guiana Francesa, além de países como Líbano e Lituânia. Em comum, as obras observam lugares fronteiriços e reconhecem os rios como entidades vivas, fundamentais para a manutenção da biodiversidade, dos ecossistemas e dos ciclos da vida.
Entre os destaques está uma instalação inédita do artista chileno Alfredo Jaar, concebida para a cúpula do Centro Cultural Sesc Quitandinha. O percurso inclui ainda experiências imersivas ligadas à arte cinética que dialogam com nomes como Julio Le Parc e Carlos Cruz-Diez, em instalações de luz e movimento que convidam o público a vivenciar experiências sensoriais próximas ao “banzeiro”, termo amazônico associado ao movimento intenso das águas e ao estado de vertigem provocado por elas.
Outro destaque é a instalação Serpentes, de Jaider Esbell, que ocupará, pela primeira vez, o lago do Centro Cultural Sesc Quitandinha. Composta por esculturas infláveis, a obra integra o percurso expositivo e amplia a relação da mostra com a paisagem e com a presença simbólica das águas. Também integram a exposição artistas como Ayrson Heráclito, Caio Reisewitz e Emilija Škarnulytė.
Ao reunir artistas, escritores e diferentes perspectivas sobre as águas, “Mais belo é o rio que corre” convida o público a pensar os rios não apenas como recursos naturais, mas como presenças vivas e indispensáveis. Em tempos de crise climática, a exposição propõe imaginar outras formas de coexistência, mais atentas à diversidade, à interdependência e à continuidade da vida.
Serviço
Exposição | Mais belo é o rio que corre
De 23 de junho a 08 de agosto
Terça a domingo e feriados, das 10h às 17h
Período
Local
Centro Cultural Sesc Quitandinha
Avenida Joaquim Rolla, 2, Petrópolis, Rio de Janeiro - RJ
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A Anita Schwartz Galeria de Arte, na Gávea, Zona Sul do Rio, inaugura a coletiva Marmita, que reúne artistas de diferentes gerações sob a curadoria de Ulisses Carrilho. A mostra elege um objeto coadjuvante do cotidiano brasileiro como fio condutor para examinar as relações entre trabalho, fome e desejo no país. Poucos objetos circularam por tantos territórios da vida nacional.
Companheira do operário no chão de fábrica e do trabalhador em trânsito pelas grandes cidades, a marmita serviu de emblema político já na campanha presidencial de Eurico Gaspar Dutra, em 1945, quando o “marmiteiro” virou personagem de um dos jingles mais lembrados da história eleitoral brasileira. De lá para cá, o recipiente nunca saiu de cena: condensou, ao mesmo tempo, a precariedade e a dignidade do trabalho, a escassez e a garantia do sustento.
Sua trajetória recente revela outras camadas. A marmita migrou do universo fabril para as academias e os aplicativos de dieta, convertida em mercadoria da cultura fitness e da gestão do corpo. Na língua falada, ganhou ainda um sentido inesperado: virou gíria para vínculos amorosos informais e relações não monogâmicas. Entre o alimento e o erotismo, o utensílio se transformou em síntese de fantasias sociais brasileiras.
O ponto de partida da exposição é a coleção de marmitas em porcelana reunida ao longo dos anos pela galerista Anita Schwartz. Diante dessas peças, a curadoria formula as perguntas que organizam a mostra: como um objeto criado pela necessidade atravessa fronteiras de classe? O que acontece quando um instrumento de sobrevivência entra no circuito do colecionismo, do design e da arte?
“Marmita parte da hipótese de que os objetos possuem vida social. Poucos artefatos atravessam tantas escalas da experiência brasileira quanto a marmita: do trabalho ao desejo, da sobrevivência ao colecionismo, da intimidade doméstica à circulação pública. A exposição acompanha os deslocamentos desse objeto para investigar como formas materiais aparentemente banais condensam relações de classe, afeto e imaginação política. Mas esses objetos também pertencem ao campo da fantasia e do fetiche: são suportes de projeção e identificação. Interessa-me justamente tornar visíveis essas camadas, expondo os modos como a cultura brasileira investe seus objetos de valor simbólico e erótico.”
A dimensão histórica da mostra é construída por obras fundamentais da arte brasileira que investigam as relações entre alimento, trabalho e cultura material. Entre elas está Lute [Marmita] (1967), de Carlos Zílio, produzida em um contexto de intensificação da repressão política no país e hoje reconhecida como um marco da arte conceitual. A exposição reúne ainda os desenhos Órgãos na Bacia e Carne na Tábua, de Anna Bella Geiger, nos quais utensílios domésticos e fragmentos do corpo aproximam intimidade, consumo e violência simbólica. “Em Marmita, esse signo atravessa a mostra como um gesto relacionado à história da desigualdade brasileira e ao contexto da Ditadura Militar em que muitas dessas obras foram produzidas”, observa Carrilho.
A presença recorrente do arroz e do feijão em obras históricas de Carlos Vergara remete à alimentação como elemento constitutivo da experiência social brasileira, enquanto Um Sanduíche Muito Branco (1966), de Cildo Meireles, um dos primeiros trabalhos conceituais do artista, desloca o alimento para o campo da linguagem e da crítica.
Artistas como Waltércio Caldas, Lenora de Barros, Farnese de Andrade e Ivens Machado ampliam esse percurso, revelando como objetos cotidianos podem condensar memória, imaginação e relações de poder. Em diálogo com essa genealogia, a produção recente de Andréa Hygino reinscreve palavras como “arroz”, “feijão” e “carne” em debates contemporâneos sobre escassez, valor e fome simbólica.
No campo das referências, a coletiva evoca dois textos fundadores do pensamento brasileiro sobre fome e cultura. Em Estética da Fome (1965), Glauber Rocha defendia que a carência material da América Latina não era apenas um problema econômico, mas uma experiência histórica geradora de linguagem e invenção. Décadas antes, o Manifesto Antropófago (1928), de Oswald de Andrade, já havia proposto o ato de comer e devorar como operação ao mesmo tempo biológica, política e simbólica. Na mostra, a fome se expande para além do prato: fome de reconhecimento, de contato, de prazer, de pertencimento e de futuro.
O tema segue no centro do debate público. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome em 2025, com menos de 2,5% da população em situação de subalimentação no triênio 2022-2024. Os números do IBGE, porém, indicam que a desigualdade persiste: em 2024, cerca de 48,9 milhões de brasileiros viviam abaixo da linha de pobreza, dos quais aproximadamente 7,4 milhões em extrema pobreza. Em 2023, cerca de 64,2 milhões de pessoas moravam em domicílios com algum grau de insegurança alimentar.
É nesse intervalo entre avanço e ameaça que a exposição se situa. A indústria do bem-estar, os regimes de controle do corpo e a exposição permanente dos estilos de vida nas redes transformaram o ato de comer em disputa estética, econômica e afetiva. Ao reunir artistas em torno de um signo aparentemente banal, Marmita propõe um retrato das economias materiais e emocionais do Brasil: entre o recipiente e o corpo, entre a refeição e o desejo, a mostra persegue aquilo que circula, transborda e escapa a qualquer tentativa de contenção.
Serviço
Exposição | Marmita
De 23 de junho a 08 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 12h às 18h
Período
Local
Anita Schwartz Galeria de Arte
Rua José Roberto Macedo Soares, 30, Gávea, 22470-100, Rio de Janeiro - RJ
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Férias para Sempre, exposição individual de Tiago Carneiro da Cunha. Reunindo um novo conjunto de pinturas, a mostra do artista paulistano, radicado no Rio de
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Férias para Sempre, exposição individual de Tiago Carneiro da Cunha. Reunindo um novo conjunto de pinturas, a mostra do artista paulistano, radicado no Rio de Janeiro, se desenvolve por meio de cenas enigmáticas nas quais estados de lazer, prazer e repouso tornam-se cada vez mais difíceis de distinguir de imagens de colapso, desaparecimento ou morte. Corpos reclinados aparecem ao longo das obras, espalhados por praias, jardins, ruas e interiores, sua imobilidade suspensa entre férias e catástrofe. Ao mesmo tempo bem-humoradas, inquietantes e teatrais, as pinturas resistem a narrativas fixas, permitindo que momentos de ócio, vulnerabilidade e absurdo componham um tableau aberto a múltiplas interpretações.
Todas as telas são produzidas em um formato recorrente, compartilhando as mesmas dimensões, como variações dentro de uma mesma estrutura formal e conceitual. As composições se abrem para espaços amplos que oscilam entre paisagem e cenário teatral, conforme os enquadramentos panorâmicos de Carneiro da Cunha criam um campo visual em que primeiro plano e fundo se tornam protagonistas equivalentes. Coqueiros inclinados ecoam as posturas das figuras, enquanto crepúsculos dramáticos, focos concentrados de luz e construções espaciais marcadas conferem a muitas cenas uma qualidade quase autoiluminada. A exposição inclui duas interpretações distintas da Pietà, aproximando um dos motivos centrais da tradição clássica de imagens extraídas da vida contemporânea. Ao longo de Férias para Sempre, ambientes idílicos e urbanos convivem e se contaminam, animados por referências à cultura visual e à atmosfera cotidiana do Rio de Janeiro. Em conjunto, essas pinturas exploram o território incerto onde espetáculo e intimidade, humor e melancolia, férias eternas e descanso final começam a se confundir.
Entre suas exposições individuais recentes destacam-se Maldita Comédia, Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo (2023) e Green Galaxy, Misako & Rosen, Tóquio (2022). Participou também das exposições coletivas Terraphilia: Beyond the Human in the Thyssen-Bornemisza Collections, no Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madri (2025), Estado Bruto, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro (2021) e A iminência das poéticas – 30ª Bienal de São Paulo (2012).O artista possui obras em importantes coleções públicas, entre elas o SFMoMA – San Francisco Museum of Modern Art, em San Francisco; TBA21 Thyssen-Bornemisza Art Contemporary Collection, Madrid; a Saatchi Collection, em Londres; o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio); o Museu de Arte do Rio (MAR); e o Arizona State University Art Museum, em Tempe.
A exposição é acompanhada por um texto de Gabriel Secchin.
Serviço
Exposição | Férias para Sempre
De 27 de junho a 29 de agosto
Terça a sexta, das 10h às 19h sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galeria Fortes D’ Aloia & Gabriel RJ
R. Jardim Botânico, 971 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ
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O Paço Imperial apresenta a exposição “Micélio, entre o fim e o começo de tudo” da artista Kyria Oliveira. Com curadoria de Clara Pignaton, a mostra reúne esculturas produzidas por
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O Paço Imperial apresenta a exposição “Micélio, entre o fim e o começo de tudo” da artista Kyria Oliveira. Com curadoria de Clara Pignaton, a mostra reúne esculturas produzidas por meio da técnica da feltragem e desenvolvidas a partir de sua pesquisa poética sobre o micélio — rede subterrânea de fungos capaz de estabelecer conexões, trocas e formas de comunicação invisíveis entre organismos da floresta.
Dona de uma técnica apurada e profundamente sensível, a artista esculpe como quem costura uma vestimenta, estabelecendo uma relação íntima entre matéria e corpo. A lã, sobreposta em delicadas camadas, é feltrada pelo atrito entre água, sabão e gesto, em um processo repetitivo e meditativo, no qual o fazer manual se torna uma espécie de ritual. As esculturas moles e delicadas evocam ninhos, vísceras, fungos, organismos desconhecidos ou fragmentos de paisagens vivas. Em sua maciez, despertam um desejo de aproximação, acolhimento e afeto.
A exposição ocupa a galeria Armazém D’El Rei no Paço Imperial, reunindo obras da série Micélio, que convidam o público a fabular novos mundos a partir de estruturas híbridas que habitam o imaginário da artista, criando uma simbiose entre fungos e ninhos, entre proteção e decomposição, entre fim e reinício. O micélio, ao se expandir sob a terra, cria redes de troca e sobrevivência que permitem à floresta responder coletivamente às ameaças do ambiente. Mais do que uma referência científica, essa imagem torna-se, na exposição, uma metáfora poética e política: a possibilidade de imaginar formas de coexistência baseadas na interdependência, no cuidado e na capacidade de regeneração da vida.
“Assim como a nossa existência está no limiar entre a vida e a morte, eu busco esse momento do “entre”: entre mundos, entre a casa, entre o corpo e entre o tempo. Entre o agora e a eternidade, somos o instante. Acredita-se que o micélio ao se ramificar pela floresta cria um canal de comunicação na floresta, independente de qualquer comprovação científica, é inspirador imaginar que a floresta se protege onde a humanidade falhou”, declara a artista.
“Na série Micélio, interessa à artista pensar as esculturas para além da condição de objeto, propondo reflexões sobre uma ecologia política das coisas e sobre materialidades que resistem. Ninhos e cogumelos aparecem como fios condutores de vidas possíveis em meio às clareiras e aos solos áridos produzidos pelas transformações humanas sobre a paisagem. São formas que sugerem abrigo, regeneração e continuidade, mesmo diante de cenários de exaustão e ruína”, afirma a curadora Clara Pignaton.
Serviço
Exposição | Micélio, entre o fim e o começo de tudo
De 4 de julho a 6 de setembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Paço Imperial
Praça Quinze de Novembro, 48 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
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O projeto Nordeste expandido: estratégias de (ré)existir volta-se para a produção das artes visuais dos estados que compõem a área de atuação do Banco do Nordeste, buscando evidenciar a potência da
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O projeto Nordeste expandido: estratégias de (ré)existir volta-se para a produção das artes visuais dos estados que compõem a área de atuação do Banco do Nordeste, buscando evidenciar a potência da diversidade e as múltiplas formas de afirmação da vida. A curadoria geral contou com a participação de Jacqueline Medeiros, auxiliada por Cecília Galindo, em parceria com curadores locais, culminando em exposições realizadas em todas as capitais nordestinas, além de Montes Claros (MG) e Vitória (ES).
Propor uma coleção para o BNB significa assumir como princípio a representatividade de toda a sua área de atuação, incluindo uma atenção especial à produção artística das cidades do interior da região. Nesse sentido, o projeto buscou reduzir as diferenças quantitativas de artistas por estado dentro da Coleção. A partir da análise do acervo já existente, foram selecionados tanto artistas históricos quanto nomes da produção contemporânea, reconhecendo a pluralidade da região em contraponto à ideia muitas vezes engessada de uma identidade homogênea. A escolha das obras privilegiou conjuntos capazes de estabelecer diálogos múltiplos e plurais.
Pensar em “Nordestes” é partir, antes de tudo, de um território movente, múltiplo e diverso. À medida que as obras foram incorporadas, novas camadas de realidade também passaram a integrar a coleção do Banco.
O projeto esteve sempre vinculado aos processos curatoriais de cada estado, o que conferiu singularidade a cada etapa e reforçou a complexidade do seu contexto geral.
Não houve preferência por técnicas ou estéticas específicas. Ainda assim, a pintura aparece de forma predominante, como um campo aberto de disputas de visualidades, linguagens, experiências de vida, intimidades e cotidianos, criando léxicos próprios para compreender o mundo a partir de si e, assim, conectar-se a ele. Também se destaca a atuação desses artistas em seus territórios afetivos e simbólicos, ao mesmo tempo em que se apropriam da iconografia clássica da arte e de técnicas tradicionais — como a tinta a óleo e o verniz — ressignificando-as no presente.
Popular e contemporâneo coexistem sem hierarquias, cronologias rígidas ou segmentações sociais, raciais e étnicas. A proposta curatorial busca subverter as persistentes hierarquizações da História da Arte, ainda presentes em diferentes esferas do sistema artístico, aproximando os trabalhos por afinidades poéticas, entre harmonias e tensões.
As obras estão organizadas em quatro núcleos inspirados na poética de músicas de autores da região a saber:. Este coco é feito com palmas de mão, do Coco Raízes de Arcoverde, reúne trabalhos ligados às crenças, culturas, saberes e tradições, evocando uma descendência cuja essência é a coletividade. Tocando em frente o chão da canção, de Gal Costa e Caetano Veloso, aborda os contornos políticos e sociais dos corpos, suas subjetividades, manifestações e rupturas. Galos, Noites e Quintais, do cearense Belchior, atravessa as memórias de quem migrou do campo para a cidade, entre desafios e esperanças. Já De chapéu e sol aberto, do compositor pernambucano Capiba, apresenta os olhares dos artistas sobre as paisagens de um Nordeste expandido, tanto geográfica quanto subjetivamente.
A exposição já percorreu as cidades de São Luís (MA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Natal (RN), João Pessoa (PB) e Aracaju (SE), chegando agora ao Sudeste. Reúne 216 obras de 107 artistas, compondo um circuito de encontros e conversas em torno dos trabalhos expostos e dos principais temas presentes nas produções. Esses encontros contam com a participação de curadores locais, artistas e convidados, reforçando a importância dos espaços de diálogo, da roda de conversa e da troca como forças motrizes do pensamento artístico.
A coleção do Banco do Nordeste foi construída ao longo de sua trajetória institucional. Para uma instituição cuja função é contribuir para o desenvolvimento do Nordeste, do Espírito Santo e do Norte de Minas Gerais, a constituição de um acervo de arte surge como um desdobramento natural. Os caminhos que levaram à formação dessa coleção passaram por diferentes estratégias, nas quais prevaleceram as relações diretas com os artistas.
O público é apresentado, assim, às diferentes dinâmicas de produção locais e à potência dessa diversidade. Sem a pretensão de constituir um mapeamento ou esgotar a pesquisa, o projeto permanece aberto a novos desdobramentos, investigações e encontros que certamente ainda virão.
Serviço
Exposição | Nordeste expandido: estratégias de (ré)existir
De 4 de julho a 6 de setembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Paço Imperial
Praça Quinze de Novembro, 48 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
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“Sempre sonhei com isso. Ter a força das lagartas. Ver asas surgindo do meu corpo de verme. Voar ao invés de arrastar-me pelo chão. Apoiar-me no ar e não sobre
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“Sempre sonhei com isso. Ter a força das lagartas. Ver asas surgindo do meu corpo de verme. Voar ao invés de arrastar-me pelo chão. Apoiar-me no ar e não sobre a pedra. Passar de uma existência a outra sem ter que morrer e renascer e, assim, revirar o mundo sem sequer o tocar. A mais perigosa forma de magia. A existência mais próxima da morte. A metamorfose”
Emanuele Coccia (Metaformoses)
Transmorfos são seres capazes de assumir diferentes contornos por meio da metamorfose e transfiguração, seja esse corpo animal, vegetal, humano ou sobrenatural. Tais criaturas habitam de maneira ampla mitologias africanas, indígenas, nórdicas e populares de distintas regiões, conectando-nos com as milhares de possibilidades vitais de existência, tão discutidas ao longo da história. Mais do que figuras do imaginário, essas formas ecoam cosmologias nas quais o corpo não é uma essência fixa, mas uma posição transitória — como propõe Eduardo Viveiros de Castro, ao pensar o perspectivismo ameríndio, no qual todos os seres compartilham uma condição de sujeito, diferenciando-se apenas pelos corpos que habitam. Não é sobre virar outro, mas revelar que já se é múltiplo.
A mostra coletiva “Ecologias do corpo” visa refletir e ampliar nosso pensamento e nossos horizontes sobre a transhumanidade e as possibilidades do ser a partir da obra de artistas contemporâneos brasileiros que discutem o tema em suas respectivas produções, sejam elas papel, pintura, escultura, vídeo, fotografia ou instalação. São eles Alex Červený, Barrão, Caroline Ricca Lee, Davi de Jesus do Nascimento, Gabriel Massan, Gustavo Caboco, Juno B, Manuela Costa Silva, Marina Woisky, Josi, Saulo Szabó e Selva de Carvalho.
A transhumanidade permeia a maneira como nos comunicamos com o mundo. Porque viver requer experimentar a ideia de ‘contágio’ como medida para nossas relações com outras espécies, culturas e tecnologias. Nesse sentido, como sugere Donna Haraway, não existimos como entidades isoladas, mas como seres que se constituem no “fazer-com” — em alianças e contaminações contínuas com o que nos cerca. Somos permanentemente afetados por diferentes formas de existência, vegetais, animais, minerais, inorgânicas e, inclusive, artificiais. Essa ecologia de corpos e seres, que compreendem humanos e não humanos, envolvem relações biológicas, políticas e de afeto, que nos contaminam e nos modificam constantemente, levando-nos a inúmeras mudanças, em como agimos, sentimos e vemos o mundo ao redor. É quando a transformação deixa de ser metáfora e passa a afetar o modo como o corpo se posiciona no mundo — abrindo fissuras no que antes parecia estável. Todos estamos aptos a nos transfigurarmos. Essa é a beleza da experiência vital compartilhada. Afinal, quem deseja a terrível limitação de viver apenas do que é passível de fazer sentido? É característica do ser animado buscar a profunda desordem orgânica que, no entanto, dá a pressentir uma ordem subjacente.
Discutir o transmorfismo na arte e na vida é falar também sobre liberdade. Liberdade de deixar-se ir para fora, mas principalmente para dentro de nós mesmos. Uma liberdade que não se afirma pela autonomia, mas pela capacidade de atravessar e ser atravessado — de reconhecer-se múltiplo, em relação, em constante metamorfose. É sustentar tal transformação, mesmo quando ela dissolve aquilo que pensávamos ser. Há, nesse gesto, uma ética do descontrole: permitir ao outro — humano ou não — existir em sua alteridade, ao mesmo tempo em que se aceita o risco de não coincidir consigo mesmo. Ser livre, nesse contexto, é abdicar da forma fixa, é consentir com o fluxo, é existir na borda entre o que já foi e o que ainda não tem nome. Como afirma Clarice Lispector em seu clássico Água Viva, “Escuta: eu te deixo ser, deixei-me ser então.”
Serviço
Exposição | Ecologias do corpo
De 4 de julho a 6 de setembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Paço Imperial
Praça Quinze de Novembro, 48 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
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Colecionador de histórias e peças adquiridas ao longo de anos e repletas de valor afetivo, Ricardo Stambowsky constituiu um repertório próprio, que revela agora numa faceta até então conhecida apenas
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Colecionador de histórias e peças adquiridas ao longo de anos e repletas de valor afetivo, Ricardo Stambowsky constituiu um repertório próprio, que revela agora numa faceta até então conhecida apenas pelos mais íntimos em seu círculo de amizades. “Encontros Improváveis” apresentará ao público colagens inéditas, sob curadoria da amiga de longa data Vanda Klabin. Inaugura no dia 22 de julho, na Galeria Patricia Costa, em curta temporada.
Notório em sua trajetória como cerimonialista, Ricardo sempre cultivou uma relação íntima com a imagem, inclusive em incursões pelas artes plásticas: frequentou as aulas de Ivan Serpa no MAM e de modelo vivo com Waldir Damásio. A veia artística, enfim, se manifestou. Inicialmente produzidas para presentear amigos próximos, suas colagens nasceram de maneira espontânea, sem pretensões expositivas. Com o passar do tempo, entretanto, o exercício contínuo de recortar, deslocar e recombinar elementos revelou uma linguagem autoral marcada pela liberdade associativa e pela construção de narrativas visuais inesperadas.
Nas obras reunidas para a mostra, elementos aparentemente desconexos encontram-se em composições surpreendentes. O resultado são imagens que transitam entre memória, poesia e imaginário, propondo ao espectador múltiplas possibilidades de leitura.
“Trabalho bastante com revistas francesas e inglesas antigas, de 30, 40 anos atrás. Costumava comprar publicações semanalmente, algumas sobre aristocracia, outras de interiores. Incialmente vou retirando e faço vídeos antes mesmo de montar um recorte. Escolho uma imagem principal que me atraia mais e vou completando com outras que podem ter relação ou não, mas na maioria das vezes dentro de coisas que eu gosto. Podem ser escolhidas pela cor, pela forma, e vou criando o imaginário. Os nomes nascem depois que as ideias se organizam: Luz do Tempo, La Dona, Majestade, O Cometa, La Reina, O Rubi, Nijinski… Posso ficar elaborando uma composição até tarde para concluir, mesmo de madrugada. É uma atividade inteiramente prazerosa para mim”, diz Ricardo Stambowsky.
Os 25 trabalhos apresentados em caixa acrílica, de pequeno e médio formato, partem do encontro entre universos distintos, como numa bricolagem. Figuras humanas dividem espaço com referências arquitetônicas, símbolos da cultura visual e imagens extraídas de diferentes contextos históricos, com algumas referências à monarquia. Ao serem retirados de seus significados originais e inseridos em novos contextos, esses fragmentos passam a habitar territórios poéticos, onde o acaso e a imaginação desempenham papel fundamental.
Para Vanda Klabin, o conjunto evidencia uma produção que escapa a classificações rígidas. “Ricardo Stambowsky parte de um novo vocabulário estético que orienta e determina as suas escolhas pessoais e também irão compor as suas infinitas colagens. Instaura uma dinâmica de formas e cores, um verdadeiro mosaico de elementos que estão presentes no seu imaginário. Recortar e colar passou a ser um procedimento integrado ao seu cotidiano, ao transformar fragmentos heterogêneos, encontrados em antigas revistas, agora recortados, sobrepostos ou justapostos em uma cartolina tripla, até serem transformados em uma totalidade unitária, criando uma nova iconografia. Existe um tempo de idílio com a imagem recortada, como um objeto de desejo que remetem a lembranças familiares, que vão se alinhar novamente dentro de uma ordem imprevisível ou em desordem com a sua trajetória lógica, pois adquirem uma nova identidade”, afirma a curadora e historiadora.
Ricardo Stambowsky é carioca e tem 78 anos. Por parte de pai, neto de russos que emigraram para Salvador durante a revolução bolchevique. A mãe era pernambucana de família da aristocracia canavieira. Formado em Direito pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas e em Jornalismo pela Faculdade da Cidade, é casado há 53 anos com Sueli Pittigliani. Como advogado trabalhou na companhia construtora da família e como jornalista em diversas revistas, jornais e programas de televisão. Nos anos 80, teve em Juiz de Fora uma danceteria de muito sucesso. Porém, as Artes Plásticas sempre fizeram parte de sua trajetória. Frequentou as aulas do Ivan Serpa no MAM e de modelo vivo com Waldir Damásio. Cerimonialista e organizador de festas e eventos há 40 anos, a veia artística falou mais forte e agora se dedica com paixão a montar colagens utilizando recortes de revistas antigas que colecionou ao longo da vida.
Serviço
Exposição | Encontros Improváveis
De 22 de julho a 01 de agosto
Segunda a sexta, das 11h às 19h; aos sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Galeria Patricia Costa
Av. Atlântica, 4.240/lojas 224 e 225 – Copacabana - Rio de Janeiro - RJ
agosto
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O Museu do Amanhã – equipamento cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro sob gestão do idg – Instituto de Desenvolvimento e Gestão – recebe a exposição itinerante “Síntese – Arte e Tecnologia na Coleção Itaú“, realizada pelo Itaú Cultural. Exclusivamente para o público carioca, a exposição, que tem curadoria de Leno Veras, tem o acréscimo de três trabalhos de grande impacto: FALA, de Rejane Cantoni; Robotarium, de Leonel Moura; e Odisseia, de Regina Silveira.
A mostra é uma oportunidade para ver de perto como reinventar a ideia de futuro sob a perspectiva de artistas que investigam as relações entre seres humanos, tecnologia e meio ambiente, propondo experiências que atravessam arte, ciência e inovação. Ao todo, o recorte é composto por 12 obras de criadores da Áustria, Austrália, Bélgica, Brasil, Espanha, França e México.
Ao longo do percurso, o público é convidado a interagir com instalações que pedem a presença, a interação e a troca de dados para revelar suas verdadeiras poéticas. Entre os destaques estão Alba, de Eduardo Kac, que apresenta a imagem de uma coelha portadora de proteína fluorescente através de procedimentos de biologia molecular, Eden, de Jon McCormack, um ecossistema virtual onde criaturas evoluem e aprendem comportamentos não previstos por meio de um algoritmo genético, e Life Writer, de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau, que transforma letras digitadas em uma antiga máquina de escrever em espécies artificiais.
Novidades no recorte que chega ao Rio, FALA é uma instalação em que um um microfone capta os sons do ambiente e um “coro” de 40 celulares reproduz e desdobra as palavras identificadas, e conversam entre si em diferentes idiomas; “Robotarium” é uma espécie de zoológico para espécimes robóticas movidas por iluminação ou energia solar; e “Odisseia” é um labirinto digital dentro de um grande cubo, que impede a volta por caminhos já percorridos.
Através destas interações lúdicas e científicas, Síntese é um convite a explorar novas formas de pensar a criatividade, a convivência e a nossa relação com sistemas cada vez mais complexos. Os visitantes são desafiados a refletir sobre os desafios do presente e os futuros que desejam construir coletivamente.
“Embora inédita, a parceria entre o Museu do Amanhã e a Fundação Itaú é algo que já vínhamos desejando e construindo há bastante tempo. Compartilhamos uma mesma causa: relacionar a cultura e a tecnologia como estruturas que nos ajudam a compreender os desafios do nosso tempo e imaginar os futuros que queremos construir”, afirma Cristiano Vasconcelos, diretor executivo do Museu do Amanhã, que ressalta: “É importante destacar que a tecnologia jamais deve ser entendida como um fim em si mesma, mas como um meio para ampliar conhecimento, conexões e possibilidades de transformação social, com pensamento crítico. Por isso, é uma grande alegria ver esse projeto finalmente se concretizar”.
O Rio de Janeiro é a décima cidade a receber um recorte da Coleção de Arte e Tecnologia do Itaú. Sua trajetória de difusão de acervos eletrônicos inclui uma passagem em 2024 por Fortaleza, no Ceará, além de um importante marco internacional com a exibição no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia de Lisboa (MAAT), em Portugal, em 2022.
“Celebramos com grande alegria a abertura da exposição Síntese: Arte e Tecnologia na Coleção Itaú, em parceria com o Museu do Amanhã, reforçando o nosso compromisso de expandir o acesso à arte e à cultura por meio do Acervo Itaú”, comenta Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural. “A convergência entre arte e tecnologia é tema constante no Itaú Cultural, seja em exposições no nosso espaço, em São Paulo, seja em espaços parceiros Brasil afora. As obras presentes nessa mostra exploram diversos níveis de diálogo entre seres humanos, natureza e tecnologia, a fim de revelar outras possibilidades poéticas”, completa.
Serviço
Exposição | Síntese – Arte e Tecnologia
De 02 de julho a 31 de agosto
Quinta a terça, das 10h às 18h (última entrada às 17h)
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores ícones da música brasileira, oferece uma visão detalhada sobre os 12 LPs que marcaram a carreira solo do maestro, gravados entre 1963 e 1994, desde o primeiro álbum, The Composer of Desafinado Plays, até Antonio Brasileiro, passando por marcos como Wave, Matita Perê, Urubu e outros.
A exposição, que promete ser uma experiência imersiva, convida os visitantes a explorarem a trajetória artística de Tom Jobim por meio de documentos, fotos, gravações, partituras e objetos pessoais pertencentes ao acervo do Instituto. O conceito da exposição surgiu em 2020, durante a pandemia, a partir de uma série de entrevistas virtuais entre Paulo Jobim, filho do maestro e morto recentemente, e Aluísio Didier, curador da mostra e amigo de Tom, que assumiu a direção do instituto neste mesmo ano. Essas conversas, realizadas via Zoom, revelaram detalhes inéditos sobre o processo criativo do compositor e agora se transformaram em documentários, que revelam o processo por trás de cada álbum, oferecendo uma perspectiva íntima e pessoal sobre o legado musical de Jobim. Os vídeos com as conversas foram editados pelo cineasta Cayo Oliveira, também produtor da exposição, e serão apresentados pela primeira vez.
A curadoria de Didier ilumina momentos importantes da carreira do compositor como seu encontro com Vinícius de Moraes, que resultou em clássicos eternos da Bossa Nova e sua colaboração com João Gilberto no LP Chega de Saudade.
Tom Jobim: Discos Solo é uma homenagem a um artista que não apenas transcendeu fronteiras, mas que continua a influenciar gerações de músicos e fãs ao redor do mundo. A exposição não só celebra a obra solo do maestro, como também convida o público a revisitar e redescobrir a profundidade e a beleza de sua música.
Histórias inusitadas
Na exposição, histórias inusitadas do maestro irão divertir os visitantes. Entre elas, duas bastante icônicas, lembradas por Paulo Jobim e Didier nos documentários.
Autor de várias canções com nomes de mulheres, Tom foi procurado por um pesquisador com um projeto de livro sobre as músicas e suas musas inspiradoras: Luiza, personagem interpretada por Vera Fischer na novela Brilhante; Gabriela, personagem de Jorge Amado; O samba de Maria Luiza, a filha caçula, entre outras.
No entanto, o tal pesquisador também pergunta pela “musa” Carla que inspirara a canção do mesmo nome. Tom se surpreende e questiona: “Que Carla?” O pesquisador insiste: “Ora, a da música dos anos 50, “Carla, meu amor”, responde o rapaz. Acontece que a canção se chamava “Cala, meu amor”.
“O pesquisador já havia até se encontrado com a mulher que tinha sido a fonte de inspiração”, diverte -se Paulinho, em um dos bate-papo com Didier.
***
Músicos são sempre cobrados pela crítica ou pelos fãs por novidades, novas músicas, por uma atualização de sua arte, um diálogo com influências, novas tecnologias. Com Tom, sempre fiel ao “velho” piano acústico ou ao violão, não foi diferente. No disco Tide, podemos ouvi-lo no piano elétrico Fender Rhodes, hoje um clássico, mas na época, um som diferente, um passo à frente dos instrumentos acústicos. Na época as pessoas se perguntaram: “O que houve, Tom cedendo a um som mais pop?” Sim e não. Se o resultado ficou ótimo na faixa “Takatanga”, o fato se deveu a um copo de uísque derrubado dentro do piano acústico do estúdio, que impossibilitou o instrumento para a gravação. “Jobim, sem opção, aceita arriscar-se no Fender Rhodes e parece que gostou, pois no LP seguinte, Stone Flower, repete a experiência em várias faixas”, conta Didier.
Serviço
Exposição | Tom Jobim: Discos Solo
De 09 de outubro (exposição permanete)
Diariamente (exceto na quarta-feira), de 9h às 17h
Período
Local
Instituto Antonio Carlos Jobim
Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro - RJ
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A Portas Vilaseca inaugura Fogo Corredor, exposição coletiva que reúne 20 artistas de diferentes gerações e linguagens, marcando o encerramento da programação de 2025. Com curadoria de Lucas Albuquerque, a
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A Portas Vilaseca inaugura Fogo Corredor, exposição coletiva que reúne 20 artistas de diferentes gerações e linguagens, marcando o encerramento da programação de 2025. Com curadoria de Lucas Albuquerque, a mostra apresenta artistas representados pela galeria e convidados de diversas regiões do país, incluindo Guerreiro do Divino Amor, Rayana Rayo, Thiago Martins de Melo, entre outros.
Em uma expografia provocante, Fogo Corredor nasce da reflexão em torno de histórias populares e encantarias associadas ao fogo. É o caso da lenda que dá título à mostra: um ser sobrenatural feito de fogo, integrante de crenças populares do Norte e Nordeste do Brasil, cujas narrativas o associam a almas de pessoas mortas que retornam para assustar, queimar ou perseguir suas vítimas.
Dividida em dois andares, a mostra propõe dois percursos expositivos que se complementam. O térreo agrupa trabalhos que sugerem ou derivam de relações com o sagrado, seja ele de ordem profana ou não. André Griffo, Thiago Martins de Melo e Manuela Costa Lima abordam as conotações ora punitivas, ora purificadoras do fogo em tradições cristãs e pagãs, enquanto Paloma Bosquê, Ayla Tavares e Alex Cerveny propõem narrativas em torno de rituais, seres fantásticos e deambulações sincréticas, explorando as formas e materialidades de seus trabalhos.
No terceiro andar da galeria, as narrativas fantasmagóricas do fogo aparecem como elemento pop, apresentadas em obras que o tratam como pastiche, derivação ou virtualidade. O grupo reúne artistas como Guerreiro do Divino Amor, biarritzzz e Randolpho Lamonier, em cujos trabalhos o fogo se manifesta em narrativas que entrelaçam história e política, evocando sujeitos historicamente localizáveis — vivos ou mortos. Já Mateus Moreira e Luiza Lukah mergulham em fabulações sobre seres incandescentes.
Em uma proposição que combina arte, história popular, literatura e ficção, o curador fluminense Lucas Albuquerque sugere uma narrativa sobrenatural, na qual cada obra atua como uma entidade de uma história compartilhada: “Conduzido nos fios de ficção de vinte artistas – por vezes ancorados em ecos da realidade, principalmente nas obras de maior teor político – Fogo Corredor apresenta dois pequenos universos cósmicos, tramados entre a força vital do artista e a espiritual daqueles que são convocados e/ou imaginados”.
Esperamos a sua visita!
Serviço
Exposição | Fogo Corredor
De 13 de novembro a 10 de outubro 2026
Terça a sexta, das 11h às 19h, sábados, das 11h às 17h.
Período
Local
Portas Vilaseca Galeria
Rua Dona Mariana, 137, casa 2, Botafogo, Rio de Janeiro - RJ
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Como parte da programação prévia do Festival Sesc de Inverno 2026, o Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, inaugura a exposição “Mais belo é o rio que corre“, com visitação gratuita até fevereiro de 2027. Com curadoria de Marcelo Campos e assistência de curadoria de Rodrigo Duarte, a mostra reúne mais de 100 obras de mais de 40 artistas sul-americanos e de outros continentes em diferentes linguagens artísticas para refletir sobre os rios como espaços de encontro, memória, resistência e transformação.
Partindo da imagem do encontro entre rios, “Mais belo é o rio que corre” toma a confluência como conceito central. Quando dois rios se encontram, eles podem correr lado a lado por algum tempo, preservando cores e densidades distintas antes de se combinarem. Mesmo unidos, não deixam de carregar suas origens. A confluência, nesse sentido, é entendida como um encontro que amplia, fortalece e transforma, sem apagar diferenças.
Em diálogo com a poética de Alberto Caeiro e o pensamento de Antônio Bispo dos Santos, a exposição emerge dos meandros das águas e escorre pelos fluxos da confluência entre saberes, pessoas e temporalidades. A proposta dialoga diretamente com o conceito do Festival Sesc de Inverno 2026, que celebra o verbo “afluir” como gesto de encontro. Ao tomar a confluência entre rios como metáfora, a exposição amplia esse debate para pensar as relações entre arte, natureza e sociedade, valorizando a convivência entre diferentes saberes, territórios e modos de existir.
Esse diálogo se expande também para a literatura, com a participação de importantes autores contemporâneos que contribuem com textos inéditos especialmente desenvolvidos para a exposição. Estão presentes textos de Leda Maria Martins, Jeferson Tenório, Itamar Vieira Junior e Marcia Kambeba. Suas escritas aprofundam as reflexões propostas pela mostra, trazendo perspectivas sobre memória, território, ancestralidade e modos de existência.
“Mais belo é o rio que corre” reúne artistas e obras de diferentes territórios, principalmente da América Latina, entre eles Brasil, Paraguai, Peru, Argentina, Guatemala e Guiana Francesa, além de países como Líbano e Lituânia. Em comum, as obras observam lugares fronteiriços e reconhecem os rios como entidades vivas, fundamentais para a manutenção da biodiversidade, dos ecossistemas e dos ciclos da vida.
Entre os destaques está uma instalação inédita do artista chileno Alfredo Jaar, concebida para a cúpula do Centro Cultural Sesc Quitandinha. O percurso inclui ainda experiências imersivas ligadas à arte cinética que dialogam com nomes como Julio Le Parc e Carlos Cruz-Diez, em instalações de luz e movimento que convidam o público a vivenciar experiências sensoriais próximas ao “banzeiro”, termo amazônico associado ao movimento intenso das águas e ao estado de vertigem provocado por elas.
Outro destaque é a instalação Serpentes, de Jaider Esbell, que ocupará, pela primeira vez, o lago do Centro Cultural Sesc Quitandinha. Composta por esculturas infláveis, a obra integra o percurso expositivo e amplia a relação da mostra com a paisagem e com a presença simbólica das águas. Também integram a exposição artistas como Ayrson Heráclito, Caio Reisewitz e Emilija Škarnulytė.
Ao reunir artistas, escritores e diferentes perspectivas sobre as águas, “Mais belo é o rio que corre” convida o público a pensar os rios não apenas como recursos naturais, mas como presenças vivas e indispensáveis. Em tempos de crise climática, a exposição propõe imaginar outras formas de coexistência, mais atentas à diversidade, à interdependência e à continuidade da vida.
Serviço
Exposição | Mais belo é o rio que corre
De 23 de junho a 08 de agosto
Terça a domingo e feriados, das 10h às 17h
Período
Local
Centro Cultural Sesc Quitandinha
Avenida Joaquim Rolla, 2, Petrópolis, Rio de Janeiro - RJ
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A Anita Schwartz Galeria de Arte, na Gávea, Zona Sul do Rio, inaugura a coletiva Marmita, que reúne artistas de diferentes gerações sob a curadoria de Ulisses Carrilho. A mostra elege um objeto coadjuvante do cotidiano brasileiro como fio condutor para examinar as relações entre trabalho, fome e desejo no país. Poucos objetos circularam por tantos territórios da vida nacional.
Companheira do operário no chão de fábrica e do trabalhador em trânsito pelas grandes cidades, a marmita serviu de emblema político já na campanha presidencial de Eurico Gaspar Dutra, em 1945, quando o “marmiteiro” virou personagem de um dos jingles mais lembrados da história eleitoral brasileira. De lá para cá, o recipiente nunca saiu de cena: condensou, ao mesmo tempo, a precariedade e a dignidade do trabalho, a escassez e a garantia do sustento.
Sua trajetória recente revela outras camadas. A marmita migrou do universo fabril para as academias e os aplicativos de dieta, convertida em mercadoria da cultura fitness e da gestão do corpo. Na língua falada, ganhou ainda um sentido inesperado: virou gíria para vínculos amorosos informais e relações não monogâmicas. Entre o alimento e o erotismo, o utensílio se transformou em síntese de fantasias sociais brasileiras.
O ponto de partida da exposição é a coleção de marmitas em porcelana reunida ao longo dos anos pela galerista Anita Schwartz. Diante dessas peças, a curadoria formula as perguntas que organizam a mostra: como um objeto criado pela necessidade atravessa fronteiras de classe? O que acontece quando um instrumento de sobrevivência entra no circuito do colecionismo, do design e da arte?
“Marmita parte da hipótese de que os objetos possuem vida social. Poucos artefatos atravessam tantas escalas da experiência brasileira quanto a marmita: do trabalho ao desejo, da sobrevivência ao colecionismo, da intimidade doméstica à circulação pública. A exposição acompanha os deslocamentos desse objeto para investigar como formas materiais aparentemente banais condensam relações de classe, afeto e imaginação política. Mas esses objetos também pertencem ao campo da fantasia e do fetiche: são suportes de projeção e identificação. Interessa-me justamente tornar visíveis essas camadas, expondo os modos como a cultura brasileira investe seus objetos de valor simbólico e erótico.”
A dimensão histórica da mostra é construída por obras fundamentais da arte brasileira que investigam as relações entre alimento, trabalho e cultura material. Entre elas está Lute [Marmita] (1967), de Carlos Zílio, produzida em um contexto de intensificação da repressão política no país e hoje reconhecida como um marco da arte conceitual. A exposição reúne ainda os desenhos Órgãos na Bacia e Carne na Tábua, de Anna Bella Geiger, nos quais utensílios domésticos e fragmentos do corpo aproximam intimidade, consumo e violência simbólica. “Em Marmita, esse signo atravessa a mostra como um gesto relacionado à história da desigualdade brasileira e ao contexto da Ditadura Militar em que muitas dessas obras foram produzidas”, observa Carrilho.
A presença recorrente do arroz e do feijão em obras históricas de Carlos Vergara remete à alimentação como elemento constitutivo da experiência social brasileira, enquanto Um Sanduíche Muito Branco (1966), de Cildo Meireles, um dos primeiros trabalhos conceituais do artista, desloca o alimento para o campo da linguagem e da crítica.
Artistas como Waltércio Caldas, Lenora de Barros, Farnese de Andrade e Ivens Machado ampliam esse percurso, revelando como objetos cotidianos podem condensar memória, imaginação e relações de poder. Em diálogo com essa genealogia, a produção recente de Andréa Hygino reinscreve palavras como “arroz”, “feijão” e “carne” em debates contemporâneos sobre escassez, valor e fome simbólica.
No campo das referências, a coletiva evoca dois textos fundadores do pensamento brasileiro sobre fome e cultura. Em Estética da Fome (1965), Glauber Rocha defendia que a carência material da América Latina não era apenas um problema econômico, mas uma experiência histórica geradora de linguagem e invenção. Décadas antes, o Manifesto Antropófago (1928), de Oswald de Andrade, já havia proposto o ato de comer e devorar como operação ao mesmo tempo biológica, política e simbólica. Na mostra, a fome se expande para além do prato: fome de reconhecimento, de contato, de prazer, de pertencimento e de futuro.
O tema segue no centro do debate público. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome em 2025, com menos de 2,5% da população em situação de subalimentação no triênio 2022-2024. Os números do IBGE, porém, indicam que a desigualdade persiste: em 2024, cerca de 48,9 milhões de brasileiros viviam abaixo da linha de pobreza, dos quais aproximadamente 7,4 milhões em extrema pobreza. Em 2023, cerca de 64,2 milhões de pessoas moravam em domicílios com algum grau de insegurança alimentar.
É nesse intervalo entre avanço e ameaça que a exposição se situa. A indústria do bem-estar, os regimes de controle do corpo e a exposição permanente dos estilos de vida nas redes transformaram o ato de comer em disputa estética, econômica e afetiva. Ao reunir artistas em torno de um signo aparentemente banal, Marmita propõe um retrato das economias materiais e emocionais do Brasil: entre o recipiente e o corpo, entre a refeição e o desejo, a mostra persegue aquilo que circula, transborda e escapa a qualquer tentativa de contenção.
Serviço
Exposição | Marmita
De 23 de junho a 08 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 12h às 18h
Período
Local
Anita Schwartz Galeria de Arte
Rua José Roberto Macedo Soares, 30, Gávea, 22470-100, Rio de Janeiro - RJ
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Férias para Sempre, exposição individual de Tiago Carneiro da Cunha. Reunindo um novo conjunto de pinturas, a mostra do artista paulistano, radicado no Rio de
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Férias para Sempre, exposição individual de Tiago Carneiro da Cunha. Reunindo um novo conjunto de pinturas, a mostra do artista paulistano, radicado no Rio de Janeiro, se desenvolve por meio de cenas enigmáticas nas quais estados de lazer, prazer e repouso tornam-se cada vez mais difíceis de distinguir de imagens de colapso, desaparecimento ou morte. Corpos reclinados aparecem ao longo das obras, espalhados por praias, jardins, ruas e interiores, sua imobilidade suspensa entre férias e catástrofe. Ao mesmo tempo bem-humoradas, inquietantes e teatrais, as pinturas resistem a narrativas fixas, permitindo que momentos de ócio, vulnerabilidade e absurdo componham um tableau aberto a múltiplas interpretações.
Todas as telas são produzidas em um formato recorrente, compartilhando as mesmas dimensões, como variações dentro de uma mesma estrutura formal e conceitual. As composições se abrem para espaços amplos que oscilam entre paisagem e cenário teatral, conforme os enquadramentos panorâmicos de Carneiro da Cunha criam um campo visual em que primeiro plano e fundo se tornam protagonistas equivalentes. Coqueiros inclinados ecoam as posturas das figuras, enquanto crepúsculos dramáticos, focos concentrados de luz e construções espaciais marcadas conferem a muitas cenas uma qualidade quase autoiluminada. A exposição inclui duas interpretações distintas da Pietà, aproximando um dos motivos centrais da tradição clássica de imagens extraídas da vida contemporânea. Ao longo de Férias para Sempre, ambientes idílicos e urbanos convivem e se contaminam, animados por referências à cultura visual e à atmosfera cotidiana do Rio de Janeiro. Em conjunto, essas pinturas exploram o território incerto onde espetáculo e intimidade, humor e melancolia, férias eternas e descanso final começam a se confundir.
Entre suas exposições individuais recentes destacam-se Maldita Comédia, Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo (2023) e Green Galaxy, Misako & Rosen, Tóquio (2022). Participou também das exposições coletivas Terraphilia: Beyond the Human in the Thyssen-Bornemisza Collections, no Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, Madri (2025), Estado Bruto, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro (2021) e A iminência das poéticas – 30ª Bienal de São Paulo (2012).O artista possui obras em importantes coleções públicas, entre elas o SFMoMA – San Francisco Museum of Modern Art, em San Francisco; TBA21 Thyssen-Bornemisza Art Contemporary Collection, Madrid; a Saatchi Collection, em Londres; o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio); o Museu de Arte do Rio (MAR); e o Arizona State University Art Museum, em Tempe.
A exposição é acompanhada por um texto de Gabriel Secchin.
Serviço
Exposição | Férias para Sempre
De 27 de junho a 29 de agosto
Terça a sexta, das 10h às 19h sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galeria Fortes D’ Aloia & Gabriel RJ
R. Jardim Botânico, 971 - Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ
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O Paço Imperial apresenta a exposição “Micélio, entre o fim e o começo de tudo” da artista Kyria Oliveira. Com curadoria de Clara Pignaton, a mostra reúne esculturas produzidas por
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O Paço Imperial apresenta a exposição “Micélio, entre o fim e o começo de tudo” da artista Kyria Oliveira. Com curadoria de Clara Pignaton, a mostra reúne esculturas produzidas por meio da técnica da feltragem e desenvolvidas a partir de sua pesquisa poética sobre o micélio — rede subterrânea de fungos capaz de estabelecer conexões, trocas e formas de comunicação invisíveis entre organismos da floresta.
Dona de uma técnica apurada e profundamente sensível, a artista esculpe como quem costura uma vestimenta, estabelecendo uma relação íntima entre matéria e corpo. A lã, sobreposta em delicadas camadas, é feltrada pelo atrito entre água, sabão e gesto, em um processo repetitivo e meditativo, no qual o fazer manual se torna uma espécie de ritual. As esculturas moles e delicadas evocam ninhos, vísceras, fungos, organismos desconhecidos ou fragmentos de paisagens vivas. Em sua maciez, despertam um desejo de aproximação, acolhimento e afeto.
A exposição ocupa a galeria Armazém D’El Rei no Paço Imperial, reunindo obras da série Micélio, que convidam o público a fabular novos mundos a partir de estruturas híbridas que habitam o imaginário da artista, criando uma simbiose entre fungos e ninhos, entre proteção e decomposição, entre fim e reinício. O micélio, ao se expandir sob a terra, cria redes de troca e sobrevivência que permitem à floresta responder coletivamente às ameaças do ambiente. Mais do que uma referência científica, essa imagem torna-se, na exposição, uma metáfora poética e política: a possibilidade de imaginar formas de coexistência baseadas na interdependência, no cuidado e na capacidade de regeneração da vida.
“Assim como a nossa existência está no limiar entre a vida e a morte, eu busco esse momento do “entre”: entre mundos, entre a casa, entre o corpo e entre o tempo. Entre o agora e a eternidade, somos o instante. Acredita-se que o micélio ao se ramificar pela floresta cria um canal de comunicação na floresta, independente de qualquer comprovação científica, é inspirador imaginar que a floresta se protege onde a humanidade falhou”, declara a artista.
“Na série Micélio, interessa à artista pensar as esculturas para além da condição de objeto, propondo reflexões sobre uma ecologia política das coisas e sobre materialidades que resistem. Ninhos e cogumelos aparecem como fios condutores de vidas possíveis em meio às clareiras e aos solos áridos produzidos pelas transformações humanas sobre a paisagem. São formas que sugerem abrigo, regeneração e continuidade, mesmo diante de cenários de exaustão e ruína”, afirma a curadora Clara Pignaton.
Serviço
Exposição | Micélio, entre o fim e o começo de tudo
De 4 de julho a 6 de setembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Paço Imperial
Praça Quinze de Novembro, 48 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
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O projeto Nordeste expandido: estratégias de (ré)existir volta-se para a produção das artes visuais dos estados que compõem a área de atuação do Banco do Nordeste, buscando evidenciar a potência da
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O projeto Nordeste expandido: estratégias de (ré)existir volta-se para a produção das artes visuais dos estados que compõem a área de atuação do Banco do Nordeste, buscando evidenciar a potência da diversidade e as múltiplas formas de afirmação da vida. A curadoria geral contou com a participação de Jacqueline Medeiros, auxiliada por Cecília Galindo, em parceria com curadores locais, culminando em exposições realizadas em todas as capitais nordestinas, além de Montes Claros (MG) e Vitória (ES).
Propor uma coleção para o BNB significa assumir como princípio a representatividade de toda a sua área de atuação, incluindo uma atenção especial à produção artística das cidades do interior da região. Nesse sentido, o projeto buscou reduzir as diferenças quantitativas de artistas por estado dentro da Coleção. A partir da análise do acervo já existente, foram selecionados tanto artistas históricos quanto nomes da produção contemporânea, reconhecendo a pluralidade da região em contraponto à ideia muitas vezes engessada de uma identidade homogênea. A escolha das obras privilegiou conjuntos capazes de estabelecer diálogos múltiplos e plurais.
Pensar em “Nordestes” é partir, antes de tudo, de um território movente, múltiplo e diverso. À medida que as obras foram incorporadas, novas camadas de realidade também passaram a integrar a coleção do Banco.
O projeto esteve sempre vinculado aos processos curatoriais de cada estado, o que conferiu singularidade a cada etapa e reforçou a complexidade do seu contexto geral.
Não houve preferência por técnicas ou estéticas específicas. Ainda assim, a pintura aparece de forma predominante, como um campo aberto de disputas de visualidades, linguagens, experiências de vida, intimidades e cotidianos, criando léxicos próprios para compreender o mundo a partir de si e, assim, conectar-se a ele. Também se destaca a atuação desses artistas em seus territórios afetivos e simbólicos, ao mesmo tempo em que se apropriam da iconografia clássica da arte e de técnicas tradicionais — como a tinta a óleo e o verniz — ressignificando-as no presente.
Popular e contemporâneo coexistem sem hierarquias, cronologias rígidas ou segmentações sociais, raciais e étnicas. A proposta curatorial busca subverter as persistentes hierarquizações da História da Arte, ainda presentes em diferentes esferas do sistema artístico, aproximando os trabalhos por afinidades poéticas, entre harmonias e tensões.
As obras estão organizadas em quatro núcleos inspirados na poética de músicas de autores da região a saber:. Este coco é feito com palmas de mão, do Coco Raízes de Arcoverde, reúne trabalhos ligados às crenças, culturas, saberes e tradições, evocando uma descendência cuja essência é a coletividade. Tocando em frente o chão da canção, de Gal Costa e Caetano Veloso, aborda os contornos políticos e sociais dos corpos, suas subjetividades, manifestações e rupturas. Galos, Noites e Quintais, do cearense Belchior, atravessa as memórias de quem migrou do campo para a cidade, entre desafios e esperanças. Já De chapéu e sol aberto, do compositor pernambucano Capiba, apresenta os olhares dos artistas sobre as paisagens de um Nordeste expandido, tanto geográfica quanto subjetivamente.
A exposição já percorreu as cidades de São Luís (MA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Natal (RN), João Pessoa (PB) e Aracaju (SE), chegando agora ao Sudeste. Reúne 216 obras de 107 artistas, compondo um circuito de encontros e conversas em torno dos trabalhos expostos e dos principais temas presentes nas produções. Esses encontros contam com a participação de curadores locais, artistas e convidados, reforçando a importância dos espaços de diálogo, da roda de conversa e da troca como forças motrizes do pensamento artístico.
A coleção do Banco do Nordeste foi construída ao longo de sua trajetória institucional. Para uma instituição cuja função é contribuir para o desenvolvimento do Nordeste, do Espírito Santo e do Norte de Minas Gerais, a constituição de um acervo de arte surge como um desdobramento natural. Os caminhos que levaram à formação dessa coleção passaram por diferentes estratégias, nas quais prevaleceram as relações diretas com os artistas.
O público é apresentado, assim, às diferentes dinâmicas de produção locais e à potência dessa diversidade. Sem a pretensão de constituir um mapeamento ou esgotar a pesquisa, o projeto permanece aberto a novos desdobramentos, investigações e encontros que certamente ainda virão.
Serviço
Exposição | Nordeste expandido: estratégias de (ré)existir
De 4 de julho a 6 de setembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Paço Imperial
Praça Quinze de Novembro, 48 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
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“Sempre sonhei com isso. Ter a força das lagartas. Ver asas surgindo do meu corpo de verme. Voar ao invés de arrastar-me pelo chão. Apoiar-me no ar e não sobre
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“Sempre sonhei com isso. Ter a força das lagartas. Ver asas surgindo do meu corpo de verme. Voar ao invés de arrastar-me pelo chão. Apoiar-me no ar e não sobre a pedra. Passar de uma existência a outra sem ter que morrer e renascer e, assim, revirar o mundo sem sequer o tocar. A mais perigosa forma de magia. A existência mais próxima da morte. A metamorfose”
Emanuele Coccia (Metaformoses)
Transmorfos são seres capazes de assumir diferentes contornos por meio da metamorfose e transfiguração, seja esse corpo animal, vegetal, humano ou sobrenatural. Tais criaturas habitam de maneira ampla mitologias africanas, indígenas, nórdicas e populares de distintas regiões, conectando-nos com as milhares de possibilidades vitais de existência, tão discutidas ao longo da história. Mais do que figuras do imaginário, essas formas ecoam cosmologias nas quais o corpo não é uma essência fixa, mas uma posição transitória — como propõe Eduardo Viveiros de Castro, ao pensar o perspectivismo ameríndio, no qual todos os seres compartilham uma condição de sujeito, diferenciando-se apenas pelos corpos que habitam. Não é sobre virar outro, mas revelar que já se é múltiplo.
A mostra coletiva “Ecologias do corpo” visa refletir e ampliar nosso pensamento e nossos horizontes sobre a transhumanidade e as possibilidades do ser a partir da obra de artistas contemporâneos brasileiros que discutem o tema em suas respectivas produções, sejam elas papel, pintura, escultura, vídeo, fotografia ou instalação. São eles Alex Červený, Barrão, Caroline Ricca Lee, Davi de Jesus do Nascimento, Gabriel Massan, Gustavo Caboco, Juno B, Manuela Costa Silva, Marina Woisky, Josi, Saulo Szabó e Selva de Carvalho.
A transhumanidade permeia a maneira como nos comunicamos com o mundo. Porque viver requer experimentar a ideia de ‘contágio’ como medida para nossas relações com outras espécies, culturas e tecnologias. Nesse sentido, como sugere Donna Haraway, não existimos como entidades isoladas, mas como seres que se constituem no “fazer-com” — em alianças e contaminações contínuas com o que nos cerca. Somos permanentemente afetados por diferentes formas de existência, vegetais, animais, minerais, inorgânicas e, inclusive, artificiais. Essa ecologia de corpos e seres, que compreendem humanos e não humanos, envolvem relações biológicas, políticas e de afeto, que nos contaminam e nos modificam constantemente, levando-nos a inúmeras mudanças, em como agimos, sentimos e vemos o mundo ao redor. É quando a transformação deixa de ser metáfora e passa a afetar o modo como o corpo se posiciona no mundo — abrindo fissuras no que antes parecia estável. Todos estamos aptos a nos transfigurarmos. Essa é a beleza da experiência vital compartilhada. Afinal, quem deseja a terrível limitação de viver apenas do que é passível de fazer sentido? É característica do ser animado buscar a profunda desordem orgânica que, no entanto, dá a pressentir uma ordem subjacente.
Discutir o transmorfismo na arte e na vida é falar também sobre liberdade. Liberdade de deixar-se ir para fora, mas principalmente para dentro de nós mesmos. Uma liberdade que não se afirma pela autonomia, mas pela capacidade de atravessar e ser atravessado — de reconhecer-se múltiplo, em relação, em constante metamorfose. É sustentar tal transformação, mesmo quando ela dissolve aquilo que pensávamos ser. Há, nesse gesto, uma ética do descontrole: permitir ao outro — humano ou não — existir em sua alteridade, ao mesmo tempo em que se aceita o risco de não coincidir consigo mesmo. Ser livre, nesse contexto, é abdicar da forma fixa, é consentir com o fluxo, é existir na borda entre o que já foi e o que ainda não tem nome. Como afirma Clarice Lispector em seu clássico Água Viva, “Escuta: eu te deixo ser, deixei-me ser então.”
Serviço
Exposição | Ecologias do corpo
De 4 de julho a 6 de setembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Paço Imperial
Praça Quinze de Novembro, 48 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
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Colecionador de histórias e peças adquiridas ao longo de anos e repletas de valor afetivo, Ricardo Stambowsky constituiu um repertório próprio, que revela agora numa faceta até então conhecida apenas
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Colecionador de histórias e peças adquiridas ao longo de anos e repletas de valor afetivo, Ricardo Stambowsky constituiu um repertório próprio, que revela agora numa faceta até então conhecida apenas pelos mais íntimos em seu círculo de amizades. “Encontros Improváveis” apresentará ao público colagens inéditas, sob curadoria da amiga de longa data Vanda Klabin. Inaugura no dia 22 de julho, na Galeria Patricia Costa, em curta temporada.
Notório em sua trajetória como cerimonialista, Ricardo sempre cultivou uma relação íntima com a imagem, inclusive em incursões pelas artes plásticas: frequentou as aulas de Ivan Serpa no MAM e de modelo vivo com Waldir Damásio. A veia artística, enfim, se manifestou. Inicialmente produzidas para presentear amigos próximos, suas colagens nasceram de maneira espontânea, sem pretensões expositivas. Com o passar do tempo, entretanto, o exercício contínuo de recortar, deslocar e recombinar elementos revelou uma linguagem autoral marcada pela liberdade associativa e pela construção de narrativas visuais inesperadas.
Nas obras reunidas para a mostra, elementos aparentemente desconexos encontram-se em composições surpreendentes. O resultado são imagens que transitam entre memória, poesia e imaginário, propondo ao espectador múltiplas possibilidades de leitura.
“Trabalho bastante com revistas francesas e inglesas antigas, de 30, 40 anos atrás. Costumava comprar publicações semanalmente, algumas sobre aristocracia, outras de interiores. Incialmente vou retirando e faço vídeos antes mesmo de montar um recorte. Escolho uma imagem principal que me atraia mais e vou completando com outras que podem ter relação ou não, mas na maioria das vezes dentro de coisas que eu gosto. Podem ser escolhidas pela cor, pela forma, e vou criando o imaginário. Os nomes nascem depois que as ideias se organizam: Luz do Tempo, La Dona, Majestade, O Cometa, La Reina, O Rubi, Nijinski… Posso ficar elaborando uma composição até tarde para concluir, mesmo de madrugada. É uma atividade inteiramente prazerosa para mim”, diz Ricardo Stambowsky.
Os 25 trabalhos apresentados em caixa acrílica, de pequeno e médio formato, partem do encontro entre universos distintos, como numa bricolagem. Figuras humanas dividem espaço com referências arquitetônicas, símbolos da cultura visual e imagens extraídas de diferentes contextos históricos, com algumas referências à monarquia. Ao serem retirados de seus significados originais e inseridos em novos contextos, esses fragmentos passam a habitar territórios poéticos, onde o acaso e a imaginação desempenham papel fundamental.
Para Vanda Klabin, o conjunto evidencia uma produção que escapa a classificações rígidas. “Ricardo Stambowsky parte de um novo vocabulário estético que orienta e determina as suas escolhas pessoais e também irão compor as suas infinitas colagens. Instaura uma dinâmica de formas e cores, um verdadeiro mosaico de elementos que estão presentes no seu imaginário. Recortar e colar passou a ser um procedimento integrado ao seu cotidiano, ao transformar fragmentos heterogêneos, encontrados em antigas revistas, agora recortados, sobrepostos ou justapostos em uma cartolina tripla, até serem transformados em uma totalidade unitária, criando uma nova iconografia. Existe um tempo de idílio com a imagem recortada, como um objeto de desejo que remetem a lembranças familiares, que vão se alinhar novamente dentro de uma ordem imprevisível ou em desordem com a sua trajetória lógica, pois adquirem uma nova identidade”, afirma a curadora e historiadora.
Ricardo Stambowsky é carioca e tem 78 anos. Por parte de pai, neto de russos que emigraram para Salvador durante a revolução bolchevique. A mãe era pernambucana de família da aristocracia canavieira. Formado em Direito pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas e em Jornalismo pela Faculdade da Cidade, é casado há 53 anos com Sueli Pittigliani. Como advogado trabalhou na companhia construtora da família e como jornalista em diversas revistas, jornais e programas de televisão. Nos anos 80, teve em Juiz de Fora uma danceteria de muito sucesso. Porém, as Artes Plásticas sempre fizeram parte de sua trajetória. Frequentou as aulas do Ivan Serpa no MAM e de modelo vivo com Waldir Damásio. Cerimonialista e organizador de festas e eventos há 40 anos, a veia artística falou mais forte e agora se dedica com paixão a montar colagens utilizando recortes de revistas antigas que colecionou ao longo da vida.
Serviço
Exposição | Encontros Improváveis
De 22 de julho a 01 de agosto
Segunda a sexta, das 11h às 19h; aos sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Galeria Patricia Costa
Av. Atlântica, 4.240/lojas 224 e 225 – Copacabana - Rio de Janeiro - RJ
