Agenda de arte contemporânea da ARTE!Brasileiros reúne exposições, eventos culturais, mostras, feiras, cursos e atividades em museus, galerias e centros culturais de todo o Brasil.
Agenda de Arte, Exposições e Eventos Culturais
outubro
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores ícones da música brasileira, oferece uma visão detalhada sobre os 12 LPs que marcaram a carreira solo do maestro, gravados entre 1963 e 1994, desde o primeiro álbum, The Composer of Desafinado Plays, até Antonio Brasileiro, passando por marcos como Wave, Matita Perê, Urubu e outros.
A exposição, que promete ser uma experiência imersiva, convida os visitantes a explorarem a trajetória artística de Tom Jobim por meio de documentos, fotos, gravações, partituras e objetos pessoais pertencentes ao acervo do Instituto. O conceito da exposição surgiu em 2020, durante a pandemia, a partir de uma série de entrevistas virtuais entre Paulo Jobim, filho do maestro e morto recentemente, e Aluísio Didier, curador da mostra e amigo de Tom, que assumiu a direção do instituto neste mesmo ano. Essas conversas, realizadas via Zoom, revelaram detalhes inéditos sobre o processo criativo do compositor e agora se transformaram em documentários, que revelam o processo por trás de cada álbum, oferecendo uma perspectiva íntima e pessoal sobre o legado musical de Jobim. Os vídeos com as conversas foram editados pelo cineasta Cayo Oliveira, também produtor da exposição, e serão apresentados pela primeira vez.
A curadoria de Didier ilumina momentos importantes da carreira do compositor como seu encontro com Vinícius de Moraes, que resultou em clássicos eternos da Bossa Nova e sua colaboração com João Gilberto no LP Chega de Saudade.
Tom Jobim: Discos Solo é uma homenagem a um artista que não apenas transcendeu fronteiras, mas que continua a influenciar gerações de músicos e fãs ao redor do mundo. A exposição não só celebra a obra solo do maestro, como também convida o público a revisitar e redescobrir a profundidade e a beleza de sua música.
Histórias inusitadas
Na exposição, histórias inusitadas do maestro irão divertir os visitantes. Entre elas, duas bastante icônicas, lembradas por Paulo Jobim e Didier nos documentários.
Autor de várias canções com nomes de mulheres, Tom foi procurado por um pesquisador com um projeto de livro sobre as músicas e suas musas inspiradoras: Luiza, personagem interpretada por Vera Fischer na novela Brilhante; Gabriela, personagem de Jorge Amado; O samba de Maria Luiza, a filha caçula, entre outras.
No entanto, o tal pesquisador também pergunta pela “musa” Carla que inspirara a canção do mesmo nome. Tom se surpreende e questiona: “Que Carla?” O pesquisador insiste: “Ora, a da música dos anos 50, “Carla, meu amor”, responde o rapaz. Acontece que a canção se chamava “Cala, meu amor”.
“O pesquisador já havia até se encontrado com a mulher que tinha sido a fonte de inspiração”, diverte -se Paulinho, em um dos bate-papo com Didier.
***
Músicos são sempre cobrados pela crítica ou pelos fãs por novidades, novas músicas, por uma atualização de sua arte, um diálogo com influências, novas tecnologias. Com Tom, sempre fiel ao “velho” piano acústico ou ao violão, não foi diferente. No disco Tide, podemos ouvi-lo no piano elétrico Fender Rhodes, hoje um clássico, mas na época, um som diferente, um passo à frente dos instrumentos acústicos. Na época as pessoas se perguntaram: “O que houve, Tom cedendo a um som mais pop?” Sim e não. Se o resultado ficou ótimo na faixa “Takatanga”, o fato se deveu a um copo de uísque derrubado dentro do piano acústico do estúdio, que impossibilitou o instrumento para a gravação. “Jobim, sem opção, aceita arriscar-se no Fender Rhodes e parece que gostou, pois no LP seguinte, Stone Flower, repete a experiência em várias faixas”, conta Didier.
Serviço
Exposição | Tom Jobim: Discos Solo
De 09 de outubro (exposição permanete)
Diariamente (exceto na quarta-feira), de 9h às 17h
Período
Local
Instituto Antonio Carlos Jobim
Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro - RJ
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O teatro do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto recebe a última atividade da Ocupação Curador Negro Studio, em diálogo com a exposição “A cor do samba“, de Bernardo Magina, que
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O teatro do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto recebe a última atividade da Ocupação Curador Negro Studio, em diálogo com a exposição “A cor do samba“, de Bernardo Magina, que traduz letras de samba em cor, em cartaz até o dia 25 de outubro.
O evento “O Samba, Poesia e Filosofia”, comandado por Vanessa Pereira, conversa com Luana Génot, do ID_BR, e Júlio Menezes Silva, do IPEAFRO, sobre samba como inteligência negra na construção do Brasil.
Entre uma fala e outra, cavaquinho e banjo trazem os sambas para a roda. O encontro fecha a programação da Ocupação Curador Negro Studio, com curadoria de Osmar Paulino e Jaqueline Calazans.
Sobre a mostra
A mostra individual de Bernardo Magina inaugura as atividades do projeto Ocupação Curador Negro, de cultura e arte/raça e território, na instituição. Com curadoria de Osmar Paulino-curador negro e assistência de Jack Calazans, a mostra reúne cerca de dez pinturas, intervenções em pandeiros e outros trabalhos desenvolvidos a partir de arquivos e pesquisas do artista sobre as dimensões políticas, sociais, históricas e afetivas do samba.
Bernardo Magina cria uma espécie de analogia cromática, aproximando o repertório popular de questões caras à história da arte e estabelecendo diálogos com períodos e movimentos, como neoconcretismo. Para algumas obras, o artista desenvolveu um alfabeto de cores: sílabas dos refrões foram transformadas em códigos cromáticos e estruturas visuais. Nem todas as pinturas, no entanto, apresentam essas letras de forma explícita: em muitas delas, a investigação se concentra sobretudo na cadência rítmica.
Serviço
Exposição | A cor do samba
De 12 de setembro a 24 de outubro
Quarta a sexta-feira, de 14h às 22h e sábado e domingo, das 15h às 22h
Período
Local
Espaço Municipal Cultural Sérgio Porto
Rua Humaitá, 163 - Humaitá, Rio de Janeiro - RJ
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Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual no quinto andar da Fábrica Bhering. Com
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Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, “Entre a favela, o inferno e o céu” apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma instalação inédita.
A mostra é parte de um projeto mais amplo de Lopes, contemplado com uma bolsa de dois anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais de diferentes favelas e complexos, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e desenvolvidas a partir desses territórios. Além da exposição, o projeto contempla a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento, e passa a se chamar Estúdio Maré.
Percurso de ‘Entre a favela, o inferno e o céu’
Treze fotografias digitais de 150 x 100cm cada, impressas sobre tecido e suspensas por cabos de aço, formam a instalação inédita “Círculo de fogo” (2026). A sobreposição de imagens dos alunos do Núcleo de Formação em Dança do Centro de Arte da Maré faz alusão ao espectro das cores do fogo. O trabalho ocupa o espaço central da galeria e cria um caminho visual a ser percorrido pelos visitantes. “Gosto de brincar com o fogo e da conexão entre a luz do fogo e a fotografia”, conta o artista.
Outro destaque da exposição é a fotografia panorâmica “Dois de janeiro” (2018), de 36 x 110cm, que registra um arco-íris duplo. Captada em 2 de janeiro, em dois anos consecutivos, a imagem cria uma conexão afetiva, porém efêmera, entre duas comunidades cujo controle territorial está nas mãos de grupos rivais. É uma nova forma de se construir narrativas sobre os territórios, para além da violência e das desigualdades sociais.
Em preto e branco, a fotografia digital “Nas águas desta baía há muito tempo” (2024), o artista toma emprestado o título de um livro de Nei Lopes para mostrar a área do antigo Pier Maria Angu, na Favela da Kelson. Antigamente próspero, o espaço segue como uma área de pesca e lazer, apesar da poluição das águas e dos sinais de degradação do espaço. A obra também evidencia como questões sociais e territoriais interferem no acesso à cidade e aos espaços de lazer.
Outra imagem em preto e branco que fala de memória e história é “Itaparica e Vera Cruz” (2022), de 400 x 60 cm, que registra o trajeto que cruza a Baía de Todos-os-Santos, principal palco da Batalha de Itaparica (1823), marco das lutas pela Independência da Bahia e do Brasil. O trabalho amplia a pesquisa do artista para além do território carioca.
Já a fotografia “Beleza extraordinária” (2021) registra uma rua antes movimentada, agora deserta, com lixo acumulado. Lopes destaca texturas e contrastes, a partir de elementos cotidianos como aves, nuvens, luz, asfalto e resíduos.
Em “Tudo que habita é luz” (2025), um tríptico de 150 x 250 cm cada, Lopes reúne paisagens de diferentes favelas em uma composição vertical. A sobreposição e a disposição das imagens fazem referência à própria verticalização das comunidades, ao mesmo tempo fragmentada e conectada. Na imagem central, um menino carrega o bastão do Reisado do Maracatu, introduzindo na composição uma dimensão ligada à cultura popular, à tradição e à continuidade de saberes.
“Yaya” (2016) é uma fotografia que faz parte do conjunto de registros que Lopes fez durante anos no Ceasa, a central de abastecimento do Rio de Janeiro. São caixotes de plástico para peixe, nas cores azul e laranja têm a palavra Yaya, na lateral. O que interessou a Lopes foi a forma de empilhamento, a multiplicidade, o acúmulo de itens. Fotografar a repetição, a aglomeração das coisas com texturas, cores e formas diversas, mas que criam uma unidade escultórica, é um de seus métodos de observação dos gestos cotidianos.
Desde 2014, Douglas Lopes vem construindo sua trajetória de forma independente, buscando inserir sua fotografia em diferentes circuitos de circulação. Em sua pesquisa, ele inverte o olhar da chamada “fotografia antropológica”: com lugar de fala, ele constrói uma narrativa em que os lugares e seus habitantes não aparecem apenas como objetos de observação, mas como protagonistas de suas próprias histórias.
A partir de um olhar atento às contradições da cidade, ele encontra outras narrativas possíveis para lugares frequentemente vistos de fora. A exposição reflete sobre questões sociais e políticas, ao mesmo tempo em que usa a potência da fotografia para imaginar outra vida urbana no Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição | Entre a favela, o inferno e o céu
De 16 de setembro a 18 de fevereiro
Segunda a sábado, 9 às 18h
Período
Local
Fábrica Bhering
R. Orestes, 28 - Santo Cristo, Rio de Janeiro - SP
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Carnaval como método investiga os processos criativos que estruturam os desfiles das escolas de samba, trazendo para o espaço expositivo do MAM Rio estratégias próprias do
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Carnaval como método investiga os processos criativos que estruturam os desfiles das escolas de samba, trazendo para o espaço expositivo do MAM Rio estratégias próprias do trabalho dos artistas na concepção e realização do Carnaval.
A mostra é construída a partir do comissionamento de obras inéditas a seis carnavalescos em atividade, convidados a conceber projetos específicos para o Salão Monumental do museu. A eles, soma-se a apresentação de trabalhos históricos que Maria Augusta Rodrigues, Rosa Magalhães e Joãosinho Trinta realizaram para a avenida. Completando o projeto, uma seleção de pinturas de autoria de compositores, sambistas e outros artistas do carnaval e do universo do samba mostra que os processos de criação são múltiplos e cruzam formatos e disciplinas.
As obras transformam o espaço expositivo em um campo de experimentação inspirado nas dinâmicas criativas do Carnaval, ao mesmo tempo que invertem a lógica do desfile: enquanto na avenida a escola percorre o espaço diante dos públicos, no museu, os públicos se movimentam na exposição, construindo sua experiência no deslocamento entre obras e instalações.
Em vez de transpor o desfile para o museu, os artistas adaptam sua linguagem e metodologia para o contexto expositivo, preservando as dinâmicas coletivas caraterísticas da festa. Assim afirmam o carnaval enquanto prática artística e ampliam os modos de pesquisa e reflexão sobre os processos que lhe dão forma.
Carnaval como método retoma relações históricas que o MAM Rio estabeleceu com o carnaval e as escolas de samba, mas dessa vez reconhecendo explicitamente sua centralidade. E assim propõe um questionamento de distinções, categorias e hierarquias historicamente estabelecidas pelos museus e pelos discursos dominantes da história da arte, contribuindo para o reconhecimento dos carnavalescos como protagonistas da produção artística no Brasil.
Serviço
Exposição | Carnaval como método
De 19 de setembro a 21 de fevereiro
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h; aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual
Período
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Em Reconvexo, Fabiana Preti investiga as relações entre geometria, cor, matéria e espaço a partir de um conjunto de trabalhos que desloca a abstração do plano para
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Em Reconvexo, Fabiana Preti investiga as relações entre geometria, cor, matéria e espaço a partir de um conjunto de trabalhos que desloca a abstração do plano para uma experiência espacial e sensível e em diálogo com a obra do Neoconcreto Hélio Oiticica. Partindo do neologismo criado por Caetano Veloso, o título da exposição anuncia uma lógica de contrastes e complementaridades — côncavo e convexo, frente e verso, plano e volume, rigidez e delicadeza — que atravessa as obras e articula diferentes linguagens, como pintura, escultura, bordado e instalação.
A exposição apresenta uma produção marcada pelo trânsito entre dimensões. Formas que inicialmente se constituem na pintura ganham corpo em estruturas de madeira; módulos se desdobram no espaço; a geometria passa a incorporar torções, ritmos e deslocamentos que dependem também do movimento do olhar e da presença do espectador. Nesse percurso, Fabiana Preti aproxima o rigor da construção abstrata da dimensão sensível do fazer manual, incorporando ao processo a repetição, a imperfeição e a imprevisibilidade próprias do gesto.
Esse procedimento pode ser percebido em séries de Preti como Chorinho e Borboletário, nas quais seções de cor e estruturas modulares estabelecem ritmos visuais que se constroem pela repetição. É nesse campo que a produção de Preti encontra ressonância com questões centrais da obra de Hélio Oiticica. Seu trabalho aproxima-se da investigação neoconcreta sobre a passagem da obra como objeto de contemplação para a obra como experiência. “Se Oiticica expandiu a cor para o ambiente e para a ação do corpo, Preti desloca estruturas pictóricas para a tridimensionalidade, fazendo com que a cor e a geometria adquiram presença física e passem a operar também como matéria e espaço”, menciona o curador.
Em Reconvexo, essa investigação também se articula a uma reflexão sobre materialidade e fazer. A artista aproxima procedimentos tradicionalmente associados ao artesanal de uma pesquisa rigorosa sobre a forma, tensionando categorias como artístico e artesanal, formal e sensível, precisão e acaso. O gesto manual não aparece como elemento secundário, mas como força estruturante da obra, capaz de introduzir variações, ritmos e desvios na construção geométrica.
A exposição revisita, desse modo, questões fundamentais da abstração moderna brasileira a partir de uma perspectiva contemporânea, atenta às relações entre matéria, corpo, espaço e fazer. Nas obras de Fabiana Preti, a geometria não se apresenta como forma estática, mas como organismo em transformação: dobra-se, projeta-se, repete-se, desloca-se e produz diferentes modos de encontro com o espectador.
Reconvexo propõe, portanto, uma experiência na qual a forma não termina em sua superfície. Ao ocupar o espaço e convocar o corpo, as obras fazem da matéria um lugar de passagem entre construção e sensibilidade, ordem e movimento, permanência e transformação. A exposição convida o espectador a perceber a obra não apenas como aquilo que se vê, mas como aquilo que acontece no encontro entre forma, espaço e presença.
Reconvexo é um projeto selecionado na 5ª edição do Programa Hélio Oiticica, com o objetivo de ativar e atualizar o legado artístico e conceitual do artista
Serviço
Exposição | Reconvexo
De 03 de outubro a 01 de novembro
Segunda à Sábado das 10h às 18h
Período
Local
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica
Rua Luís de Camões 68, Praça Tiradentes, Centro, Rio de Janeiro - RJ
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Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não
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Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não representou uma ruptura, muito pelo contrário: a abertura de um novo campo de investigação. Agora, na exposição “Rodrigo de Castro: A Ordem Sensível”, o artista percorre o caminho inverso.
“As esculturas nasceram, num primeiro momento, da observação das telas. A vontade de fazer com que a cor ocupasse o espaço me levou a pesquisar uma maneira de construir essa cor como escultura. Então, as esculturas se alimentavam, vamos dizer assim, do pensamento das pinturas. Eu percebo que agora acontece um diálogo no sentido inverso: a observação das esculturas me levou a trazer para o plano as complexidades que as esculturas criaram no espaço. Complexidades no sentido de que o espectador não consegue observar a escultura apenas com um olhar, é necessário se deslocar ao redor dela. A obra vai se revelando nas suas diferentes formas e incidências de luz que modificam completamente a ocupação da cor naquele espaço. Então, essas observações das esculturas abriram um caminho diferente, um novo caminho de pesquisa para levar como fonte daquela cor no espaço as maneiras de realizar isso na pintura. Há uma convergência maior entre cor, espaço e luz, fazendo fluir um diálogo mais intenso entre o que é pintura e o que é escultura porque na verdade é tudo fruto de um mesmo pensamento”, diz Rodrigo de Castro.
Com curadoria assinada, mais uma vez, por Vanda Klabin, a mostra reúne trabalhos em que Rodrigo de Castro amplia sua pesquisa sobre estrutura, equilíbrio, ritmo e percepção. Se na escultura a pintura encontrou o espaço, agora é a pintura que parece carregar consigo algo da experiência tridimensional, como se planos, linhas, cores e formas passassem a se relacionar a partir de uma nova consciência do espaço.
As pinturas recentes revelam um diálogo diferente da exposição anterior: as linhas que antes criavam novos espaços dividindo as áreas de cor passam a gerar um movimento na tela, um tempo diferente de observação da obra. Percebe-se uma nova maneira de se alcançar o equilíbrio, pela harmonia entre as cores que formam a obra. E como há uma dinâmica maior entre o diálogo das diversas áreas de cor da obra, o tempo de observação também se modifica.
“A exposição de Rodrigo de Castro apresenta uma seleção de sua produção mais recente e explora a articulação espacial da geometria e da cor. A relação fluida entre os campos cromáticos e a ordenação geométrica rigorosa do espaço constitui um campo permanente de investigação do artista. Sua gramática pictórica, construída ao longo de décadas de atividade contínua, transformou-se em um fértil território de pesquisa, no qual a cor não cumpre função descritiva nem decorativa: ela é o próprio agente estruturante da obra. Cada superfície resulta de um jogo rigoroso de derivações geométricas, em que planos, linhas e áreas cromáticas são dispostos segundo uma lógica que se afasta deliberadamente da comodidade da simetria e dos esquemas matemáticos preestabelecidos.
Mineiro de Belo Horizonte e radicado em São Paulo, Rodrigo de Castro formulou um vocabulário visual próprio, herdeiro das tradições construtivas brasileiras, sem jamais se submeter a filiações estritas. Sua obra dialoga com a economia formal do legado construtivista, mas opera de modo autônomo, em uma temporalidade que lhe é peculiar, atenta à manipulação sensível dos meios plásticos que elegeu. Cores e estruturas geométricas constituem o centro gravitacional de sua produção artística. Seus acordes cromáticos irradiam uma singular combinação que inunda o nosso olhar”, explica a curadora, Vanda Klabin.
Serviço
Exposição | A Ordem Sensível
De 15 de outubro a 14 de novembro
Terça-feira a sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galeria Patricia Costa
Av. Atlântica, 4.240/lojas 224 e 225 – Copacabana - Rio de Janeiro - RJ
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Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir
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Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir dessas questões que Ana Calzavara constrói “Desenredo“, sua segunda exposição individual na Maneco Müller | Multiplo Galeria, que abre no dia 8 de outubro, no Leblon. Fruto de uma intensa temporada de trabalho em Lisboa, a série inédita de pinturas a óleo aprofunda a investigação poética da artista sobre a experiência do olhar e a forma como apreendemos as imagens em um cotidiano atravessado por telas e fluxos incessantes de informação. Partindo dessa fragmentação, as pinturas de Calzavara buscam justamente o contrário: captar do espectador um olhar mais duradouro e concentrado, no qual a atenção seja, de alguma forma, recuperada.
“Desenredo” reúne conjuntos de paisagens, cenas que captaram o olhar da artista ao longo de uma temporada de dois meses na capital portuguesa. As pinturas aparecem em grupos, em conjuntos, como padrões, mas fragmentados, em pedaços que se misturam, se mesclam e se contaminam. Nada é linear, nem óbvio. A imagem existe numa espécie de jogo de aparecimento-desaparecimento, presença-ausência, permanência-mudança, clareza-ilegibilidade, continuidade-descontinuidade, que é como vemos o mundo hoje (“estamos cegos de tanto ver”). Outra característica da obra dela, presente nesses trabalhos, é o desejo de reter a imagem efêmera e incontrolável, aquilo que some no instante seguinte, o que é quase impossível de capturar, seja do mundo físico ou virtual. O texto crítico da mostra é de Pedro Duarte.
Em “Substâncias de sombra”, primeiras pinturas da série, raios de sol atravessam os ramos de uma árvore, mas o que vemos são apenas silhuetas. Em “Brilhos”, o que vai para a tela é a bioluminescência das microalgas e plânctons da foz do Tejo, a luz mágica e fugidia na ondulação. Em “Riscos”, é o pisca-pisca dos vagalumes numa floresta em Sintra. “Dados” traz padrões de azulejos do século XVI em combinação com QR Codes, como códigos digitais impregnados de significados, mas sujos, desbotados, desgastados pelo tempo, incompatíveis com a tecnologia de leitura de dados. Em “Estilhaços”, ela reproduz aquelas imagens indecifráveis que surgem nas telas no momento de um curto-circuito de dados, os “glitches”, remetendo ao estado de “burnout” da nossa atenção. Em “Véu e cinzas”, vemos uma floresta calcinada, encoberta de fumaça, numa grande tela de 1,50 X 2,00 m, montada a partir de pequenas telas coladas, como um painel de azulejos.
Segundo a artista, o nome da exposição, “Desenredo”, remete a esse embaralhamento do olhar, a uma narrativa que explodiu, se despedaçou e não é mais linear. “A exposição traz essa experiência da fragmentação, mas numa tentativa de subvertê-la. Quero provocar o espectador para olhar o mundo de uma forma diferente da que estamos acostumados. A exposição nasce do desejo de renovar a experiência do espectador com a imagem, de fazer com que essa imagem se relacione com ele de uma forma mais persistente, que não seja descartada, que traga uma reflexão”, explica a artista.
Segundo Maneco Müller, sócio da galeria, Ana Calzavara é uma artista de raro talento, que não separa a vida da arte e nem se alinha a nenhum modismo ou estilo. “Ela faz uma pintura de alto valor crítico, resultado de uma pesquisa extensa e profunda, aliada a um grande domínio da técnica”, diz ele, lembrando que a artista é bacharel em Artes Visuais pelo Unicamp, pós-graduada em pintura pela Byam Shaw School of Art, Londres; mestre (2006), doutora (2012) e pós-doutora (2018) em Poéticas Visuais pela ECA/USP. “Em termos poéticos, ‘Desenredo’ é, no fundo, uma grande exposição sobre o desconhecido, sobre o momento que estamos vivendo, onde tudo está enevoado e não sabemos como caminhar nesse mundo sem chão”, complementa.
“Ana Calzavara é uma artista cuja produção acompanhamos com muito entusiasmo. A força e a qualidade de seu trabalho nos levaram a realizar essa segunda exposição na galeria em apenas dois anos, o que diz muito sobre a força que vemos em sua obra e sobre o lugar que ela vem conquistando no cenário contemporâneo”, diz Stella Freitas, sócia de Maneco na galeria. A exposição pode ser visitada até 21 de novembro, com entrada gratuita.
Serviço
Exposição | Desenredo
De 08 de outubro a 21 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 18h30 (sábados, sob agendamento)
Período
Local
Galeria Maneco Müller | Mul.ti.plo
Rua Dias Ferreira, 417/206 - Leblon – Rio de Janeiro - RJ
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O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro, apresenta “As Palavras”, exposição individual de Suely Farhi, com curadoria de Luiza Interlenghi. Em cartaz até 22
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O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro, apresenta “As Palavras”, exposição individual de Suely Farhi, com curadoria de Luiza Interlenghi. Em cartaz até 22 de novembro de 2026, a mostra reúne dez instalações realizadas desde 1994, incluindo obras inéditas e trabalhos revisitados. Pela primeira vez, a artista apresenta um conjunto de sua produção dedicado ao universo feminino, explorando as relações entre palavra, imagem, corpo e espaço.
Entre os destaques está a instalação inédita “Elogios às marias-sem-vergonha”, composta por vasos de vidro transparentes, de diferentes formatos e tamanhos, preenchidos com água e marcados por palavras que valorizam características associadas às mulheres. A disposição dos objetos convida o público a se movimentar pelo espaço para descobrir os diferentes adjetivos. Outra obra inédita, “Suspiros alfabéticos”, apresenta 26 desenhos feitos a partir das letras do alfabeto, organizados em um painel de dez metros de comprimento, estabelecendo relações entre escrita, som e corpo feminino.
A exposição também apresenta “O terceiro lado”, obra de 2006 atualizada para a mostra. O trabalho utiliza duas moedas com inscrições que fazem referência aos estigmas e silenciamentos impostos às mulheres, além de um terceiro espaço vazio que sugere novas possibilidades de interpretação. Já em “Geral da Geralda”, uma vassoura de piaçava parece sustentar uma parede, deslocando um objeto doméstico de sua função habitual para provocar reflexões sobre apoio, força e equilíbrio.
Outros trabalhos ampliam a investigação da artista sobre linguagem e percepção. A instalação “A noite dos desejos” (1994), remontada especialmente para a exposição, cria uma atmosfera de escuridão pontuada por pequenas luzes que surgem e desaparecem. O vídeo-poema “Barriga” (2010), apresentado pela primeira vez, explora as transformações das palavras e seus significados por meio de imagens em movimento. A mostra inclui ainda desenhos-escritas e a obra “Encontro dos extremos”, que aproxima as letras A e Z em duas taças de champanhe apoiadas uma na outra.
Formada em arquitetura, Suely Farhi desenvolve uma pesquisa artística que aproxima linguagem, objetos e ambientes. Em “As Palavras”, a artista utiliza a disposição das obras, a iluminação e os vazios dos espaços expositivos para criar experiências que convidam o visitante a refletir sobre os sentidos da linguagem, as relações de poder e as possibilidades de transformação presentes no cotidiano.
Serviço
Exposição | As Palavras
De 23 de outubro a 22 de novembro
Terça a domingo, das 11h às 19h
Período
Local
Centro Cultural Justiça Federal
Avenida Rio Branco 241, Cinelândia - Riod e Janeiro - RJ
novembro
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores ícones da música brasileira, oferece uma visão detalhada sobre os 12 LPs que marcaram a carreira solo do maestro, gravados entre 1963 e 1994, desde o primeiro álbum, The Composer of Desafinado Plays, até Antonio Brasileiro, passando por marcos como Wave, Matita Perê, Urubu e outros.
A exposição, que promete ser uma experiência imersiva, convida os visitantes a explorarem a trajetória artística de Tom Jobim por meio de documentos, fotos, gravações, partituras e objetos pessoais pertencentes ao acervo do Instituto. O conceito da exposição surgiu em 2020, durante a pandemia, a partir de uma série de entrevistas virtuais entre Paulo Jobim, filho do maestro e morto recentemente, e Aluísio Didier, curador da mostra e amigo de Tom, que assumiu a direção do instituto neste mesmo ano. Essas conversas, realizadas via Zoom, revelaram detalhes inéditos sobre o processo criativo do compositor e agora se transformaram em documentários, que revelam o processo por trás de cada álbum, oferecendo uma perspectiva íntima e pessoal sobre o legado musical de Jobim. Os vídeos com as conversas foram editados pelo cineasta Cayo Oliveira, também produtor da exposição, e serão apresentados pela primeira vez.
A curadoria de Didier ilumina momentos importantes da carreira do compositor como seu encontro com Vinícius de Moraes, que resultou em clássicos eternos da Bossa Nova e sua colaboração com João Gilberto no LP Chega de Saudade.
Tom Jobim: Discos Solo é uma homenagem a um artista que não apenas transcendeu fronteiras, mas que continua a influenciar gerações de músicos e fãs ao redor do mundo. A exposição não só celebra a obra solo do maestro, como também convida o público a revisitar e redescobrir a profundidade e a beleza de sua música.
Histórias inusitadas
Na exposição, histórias inusitadas do maestro irão divertir os visitantes. Entre elas, duas bastante icônicas, lembradas por Paulo Jobim e Didier nos documentários.
Autor de várias canções com nomes de mulheres, Tom foi procurado por um pesquisador com um projeto de livro sobre as músicas e suas musas inspiradoras: Luiza, personagem interpretada por Vera Fischer na novela Brilhante; Gabriela, personagem de Jorge Amado; O samba de Maria Luiza, a filha caçula, entre outras.
No entanto, o tal pesquisador também pergunta pela “musa” Carla que inspirara a canção do mesmo nome. Tom se surpreende e questiona: “Que Carla?” O pesquisador insiste: “Ora, a da música dos anos 50, “Carla, meu amor”, responde o rapaz. Acontece que a canção se chamava “Cala, meu amor”.
“O pesquisador já havia até se encontrado com a mulher que tinha sido a fonte de inspiração”, diverte -se Paulinho, em um dos bate-papo com Didier.
***
Músicos são sempre cobrados pela crítica ou pelos fãs por novidades, novas músicas, por uma atualização de sua arte, um diálogo com influências, novas tecnologias. Com Tom, sempre fiel ao “velho” piano acústico ou ao violão, não foi diferente. No disco Tide, podemos ouvi-lo no piano elétrico Fender Rhodes, hoje um clássico, mas na época, um som diferente, um passo à frente dos instrumentos acústicos. Na época as pessoas se perguntaram: “O que houve, Tom cedendo a um som mais pop?” Sim e não. Se o resultado ficou ótimo na faixa “Takatanga”, o fato se deveu a um copo de uísque derrubado dentro do piano acústico do estúdio, que impossibilitou o instrumento para a gravação. “Jobim, sem opção, aceita arriscar-se no Fender Rhodes e parece que gostou, pois no LP seguinte, Stone Flower, repete a experiência em várias faixas”, conta Didier.
Serviço
Exposição | Tom Jobim: Discos Solo
De 09 de outubro (exposição permanete)
Diariamente (exceto na quarta-feira), de 9h às 17h
Período
Local
Instituto Antonio Carlos Jobim
Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro - RJ
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Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual no quinto andar da Fábrica Bhering. Com
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Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, “Entre a favela, o inferno e o céu” apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma instalação inédita.
A mostra é parte de um projeto mais amplo de Lopes, contemplado com uma bolsa de dois anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais de diferentes favelas e complexos, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e desenvolvidas a partir desses territórios. Além da exposição, o projeto contempla a publicação de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento, e passa a se chamar Estúdio Maré.
Percurso de ‘Entre a favela, o inferno e o céu’
Treze fotografias digitais de 150 x 100cm cada, impressas sobre tecido e suspensas por cabos de aço, formam a instalação inédita “Círculo de fogo” (2026). A sobreposição de imagens dos alunos do Núcleo de Formação em Dança do Centro de Arte da Maré faz alusão ao espectro das cores do fogo. O trabalho ocupa o espaço central da galeria e cria um caminho visual a ser percorrido pelos visitantes. “Gosto de brincar com o fogo e da conexão entre a luz do fogo e a fotografia”, conta o artista.
Outro destaque da exposição é a fotografia panorâmica “Dois de janeiro” (2018), de 36 x 110cm, que registra um arco-íris duplo. Captada em 2 de janeiro, em dois anos consecutivos, a imagem cria uma conexão afetiva, porém efêmera, entre duas comunidades cujo controle territorial está nas mãos de grupos rivais. É uma nova forma de se construir narrativas sobre os territórios, para além da violência e das desigualdades sociais.
Em preto e branco, a fotografia digital “Nas águas desta baía há muito tempo” (2024), o artista toma emprestado o título de um livro de Nei Lopes para mostrar a área do antigo Pier Maria Angu, na Favela da Kelson. Antigamente próspero, o espaço segue como uma área de pesca e lazer, apesar da poluição das águas e dos sinais de degradação do espaço. A obra também evidencia como questões sociais e territoriais interferem no acesso à cidade e aos espaços de lazer.
Outra imagem em preto e branco que fala de memória e história é “Itaparica e Vera Cruz” (2022), de 400 x 60 cm, que registra o trajeto que cruza a Baía de Todos-os-Santos, principal palco da Batalha de Itaparica (1823), marco das lutas pela Independência da Bahia e do Brasil. O trabalho amplia a pesquisa do artista para além do território carioca.
Já a fotografia “Beleza extraordinária” (2021) registra uma rua antes movimentada, agora deserta, com lixo acumulado. Lopes destaca texturas e contrastes, a partir de elementos cotidianos como aves, nuvens, luz, asfalto e resíduos.
Em “Tudo que habita é luz” (2025), um tríptico de 150 x 250 cm cada, Lopes reúne paisagens de diferentes favelas em uma composição vertical. A sobreposição e a disposição das imagens fazem referência à própria verticalização das comunidades, ao mesmo tempo fragmentada e conectada. Na imagem central, um menino carrega o bastão do Reisado do Maracatu, introduzindo na composição uma dimensão ligada à cultura popular, à tradição e à continuidade de saberes.
“Yaya” (2016) é uma fotografia que faz parte do conjunto de registros que Lopes fez durante anos no Ceasa, a central de abastecimento do Rio de Janeiro. São caixotes de plástico para peixe, nas cores azul e laranja têm a palavra Yaya, na lateral. O que interessou a Lopes foi a forma de empilhamento, a multiplicidade, o acúmulo de itens. Fotografar a repetição, a aglomeração das coisas com texturas, cores e formas diversas, mas que criam uma unidade escultórica, é um de seus métodos de observação dos gestos cotidianos.
Desde 2014, Douglas Lopes vem construindo sua trajetória de forma independente, buscando inserir sua fotografia em diferentes circuitos de circulação. Em sua pesquisa, ele inverte o olhar da chamada “fotografia antropológica”: com lugar de fala, ele constrói uma narrativa em que os lugares e seus habitantes não aparecem apenas como objetos de observação, mas como protagonistas de suas próprias histórias.
A partir de um olhar atento às contradições da cidade, ele encontra outras narrativas possíveis para lugares frequentemente vistos de fora. A exposição reflete sobre questões sociais e políticas, ao mesmo tempo em que usa a potência da fotografia para imaginar outra vida urbana no Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição | Entre a favela, o inferno e o céu
De 16 de setembro a 18 de fevereiro
Segunda a sábado, 9 às 18h
Período
Local
Fábrica Bhering
R. Orestes, 28 - Santo Cristo, Rio de Janeiro - SP
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Carnaval como método investiga os processos criativos que estruturam os desfiles das escolas de samba, trazendo para o espaço expositivo do MAM Rio estratégias próprias do
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Carnaval como método investiga os processos criativos que estruturam os desfiles das escolas de samba, trazendo para o espaço expositivo do MAM Rio estratégias próprias do trabalho dos artistas na concepção e realização do Carnaval.
A mostra é construída a partir do comissionamento de obras inéditas a seis carnavalescos em atividade, convidados a conceber projetos específicos para o Salão Monumental do museu. A eles, soma-se a apresentação de trabalhos históricos que Maria Augusta Rodrigues, Rosa Magalhães e Joãosinho Trinta realizaram para a avenida. Completando o projeto, uma seleção de pinturas de autoria de compositores, sambistas e outros artistas do carnaval e do universo do samba mostra que os processos de criação são múltiplos e cruzam formatos e disciplinas.
As obras transformam o espaço expositivo em um campo de experimentação inspirado nas dinâmicas criativas do Carnaval, ao mesmo tempo que invertem a lógica do desfile: enquanto na avenida a escola percorre o espaço diante dos públicos, no museu, os públicos se movimentam na exposição, construindo sua experiência no deslocamento entre obras e instalações.
Em vez de transpor o desfile para o museu, os artistas adaptam sua linguagem e metodologia para o contexto expositivo, preservando as dinâmicas coletivas caraterísticas da festa. Assim afirmam o carnaval enquanto prática artística e ampliam os modos de pesquisa e reflexão sobre os processos que lhe dão forma.
Carnaval como método retoma relações históricas que o MAM Rio estabeleceu com o carnaval e as escolas de samba, mas dessa vez reconhecendo explicitamente sua centralidade. E assim propõe um questionamento de distinções, categorias e hierarquias historicamente estabelecidas pelos museus e pelos discursos dominantes da história da arte, contribuindo para o reconhecimento dos carnavalescos como protagonistas da produção artística no Brasil.
Serviço
Exposição | Carnaval como método
De 19 de setembro a 21 de fevereiro
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h; aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual
Período
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Em Reconvexo, Fabiana Preti investiga as relações entre geometria, cor, matéria e espaço a partir de um conjunto de trabalhos que desloca a abstração do plano para
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Em Reconvexo, Fabiana Preti investiga as relações entre geometria, cor, matéria e espaço a partir de um conjunto de trabalhos que desloca a abstração do plano para uma experiência espacial e sensível e em diálogo com a obra do Neoconcreto Hélio Oiticica. Partindo do neologismo criado por Caetano Veloso, o título da exposição anuncia uma lógica de contrastes e complementaridades — côncavo e convexo, frente e verso, plano e volume, rigidez e delicadeza — que atravessa as obras e articula diferentes linguagens, como pintura, escultura, bordado e instalação.
A exposição apresenta uma produção marcada pelo trânsito entre dimensões. Formas que inicialmente se constituem na pintura ganham corpo em estruturas de madeira; módulos se desdobram no espaço; a geometria passa a incorporar torções, ritmos e deslocamentos que dependem também do movimento do olhar e da presença do espectador. Nesse percurso, Fabiana Preti aproxima o rigor da construção abstrata da dimensão sensível do fazer manual, incorporando ao processo a repetição, a imperfeição e a imprevisibilidade próprias do gesto.
Esse procedimento pode ser percebido em séries de Preti como Chorinho e Borboletário, nas quais seções de cor e estruturas modulares estabelecem ritmos visuais que se constroem pela repetição. É nesse campo que a produção de Preti encontra ressonância com questões centrais da obra de Hélio Oiticica. Seu trabalho aproxima-se da investigação neoconcreta sobre a passagem da obra como objeto de contemplação para a obra como experiência. “Se Oiticica expandiu a cor para o ambiente e para a ação do corpo, Preti desloca estruturas pictóricas para a tridimensionalidade, fazendo com que a cor e a geometria adquiram presença física e passem a operar também como matéria e espaço”, menciona o curador.
Em Reconvexo, essa investigação também se articula a uma reflexão sobre materialidade e fazer. A artista aproxima procedimentos tradicionalmente associados ao artesanal de uma pesquisa rigorosa sobre a forma, tensionando categorias como artístico e artesanal, formal e sensível, precisão e acaso. O gesto manual não aparece como elemento secundário, mas como força estruturante da obra, capaz de introduzir variações, ritmos e desvios na construção geométrica.
A exposição revisita, desse modo, questões fundamentais da abstração moderna brasileira a partir de uma perspectiva contemporânea, atenta às relações entre matéria, corpo, espaço e fazer. Nas obras de Fabiana Preti, a geometria não se apresenta como forma estática, mas como organismo em transformação: dobra-se, projeta-se, repete-se, desloca-se e produz diferentes modos de encontro com o espectador.
Reconvexo propõe, portanto, uma experiência na qual a forma não termina em sua superfície. Ao ocupar o espaço e convocar o corpo, as obras fazem da matéria um lugar de passagem entre construção e sensibilidade, ordem e movimento, permanência e transformação. A exposição convida o espectador a perceber a obra não apenas como aquilo que se vê, mas como aquilo que acontece no encontro entre forma, espaço e presença.
Reconvexo é um projeto selecionado na 5ª edição do Programa Hélio Oiticica, com o objetivo de ativar e atualizar o legado artístico e conceitual do artista
Serviço
Exposição | Reconvexo
De 03 de outubro a 01 de novembro
Segunda à Sábado das 10h às 18h
Período
Local
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica
Rua Luís de Camões 68, Praça Tiradentes, Centro, Rio de Janeiro - RJ
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Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não
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Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não representou uma ruptura, muito pelo contrário: a abertura de um novo campo de investigação. Agora, na exposição “Rodrigo de Castro: A Ordem Sensível”, o artista percorre o caminho inverso.
“As esculturas nasceram, num primeiro momento, da observação das telas. A vontade de fazer com que a cor ocupasse o espaço me levou a pesquisar uma maneira de construir essa cor como escultura. Então, as esculturas se alimentavam, vamos dizer assim, do pensamento das pinturas. Eu percebo que agora acontece um diálogo no sentido inverso: a observação das esculturas me levou a trazer para o plano as complexidades que as esculturas criaram no espaço. Complexidades no sentido de que o espectador não consegue observar a escultura apenas com um olhar, é necessário se deslocar ao redor dela. A obra vai se revelando nas suas diferentes formas e incidências de luz que modificam completamente a ocupação da cor naquele espaço. Então, essas observações das esculturas abriram um caminho diferente, um novo caminho de pesquisa para levar como fonte daquela cor no espaço as maneiras de realizar isso na pintura. Há uma convergência maior entre cor, espaço e luz, fazendo fluir um diálogo mais intenso entre o que é pintura e o que é escultura porque na verdade é tudo fruto de um mesmo pensamento”, diz Rodrigo de Castro.
Com curadoria assinada, mais uma vez, por Vanda Klabin, a mostra reúne trabalhos em que Rodrigo de Castro amplia sua pesquisa sobre estrutura, equilíbrio, ritmo e percepção. Se na escultura a pintura encontrou o espaço, agora é a pintura que parece carregar consigo algo da experiência tridimensional, como se planos, linhas, cores e formas passassem a se relacionar a partir de uma nova consciência do espaço.
As pinturas recentes revelam um diálogo diferente da exposição anterior: as linhas que antes criavam novos espaços dividindo as áreas de cor passam a gerar um movimento na tela, um tempo diferente de observação da obra. Percebe-se uma nova maneira de se alcançar o equilíbrio, pela harmonia entre as cores que formam a obra. E como há uma dinâmica maior entre o diálogo das diversas áreas de cor da obra, o tempo de observação também se modifica.
“A exposição de Rodrigo de Castro apresenta uma seleção de sua produção mais recente e explora a articulação espacial da geometria e da cor. A relação fluida entre os campos cromáticos e a ordenação geométrica rigorosa do espaço constitui um campo permanente de investigação do artista. Sua gramática pictórica, construída ao longo de décadas de atividade contínua, transformou-se em um fértil território de pesquisa, no qual a cor não cumpre função descritiva nem decorativa: ela é o próprio agente estruturante da obra. Cada superfície resulta de um jogo rigoroso de derivações geométricas, em que planos, linhas e áreas cromáticas são dispostos segundo uma lógica que se afasta deliberadamente da comodidade da simetria e dos esquemas matemáticos preestabelecidos.
Mineiro de Belo Horizonte e radicado em São Paulo, Rodrigo de Castro formulou um vocabulário visual próprio, herdeiro das tradições construtivas brasileiras, sem jamais se submeter a filiações estritas. Sua obra dialoga com a economia formal do legado construtivista, mas opera de modo autônomo, em uma temporalidade que lhe é peculiar, atenta à manipulação sensível dos meios plásticos que elegeu. Cores e estruturas geométricas constituem o centro gravitacional de sua produção artística. Seus acordes cromáticos irradiam uma singular combinação que inunda o nosso olhar”, explica a curadora, Vanda Klabin.
Serviço
Exposição | A Ordem Sensível
De 15 de outubro a 14 de novembro
Terça-feira a sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galeria Patricia Costa
Av. Atlântica, 4.240/lojas 224 e 225 – Copacabana - Rio de Janeiro - RJ
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Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir
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Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir dessas questões que Ana Calzavara constrói “Desenredo“, sua segunda exposição individual na Maneco Müller | Multiplo Galeria, que abre no dia 8 de outubro, no Leblon. Fruto de uma intensa temporada de trabalho em Lisboa, a série inédita de pinturas a óleo aprofunda a investigação poética da artista sobre a experiência do olhar e a forma como apreendemos as imagens em um cotidiano atravessado por telas e fluxos incessantes de informação. Partindo dessa fragmentação, as pinturas de Calzavara buscam justamente o contrário: captar do espectador um olhar mais duradouro e concentrado, no qual a atenção seja, de alguma forma, recuperada.
“Desenredo” reúne conjuntos de paisagens, cenas que captaram o olhar da artista ao longo de uma temporada de dois meses na capital portuguesa. As pinturas aparecem em grupos, em conjuntos, como padrões, mas fragmentados, em pedaços que se misturam, se mesclam e se contaminam. Nada é linear, nem óbvio. A imagem existe numa espécie de jogo de aparecimento-desaparecimento, presença-ausência, permanência-mudança, clareza-ilegibilidade, continuidade-descontinuidade, que é como vemos o mundo hoje (“estamos cegos de tanto ver”). Outra característica da obra dela, presente nesses trabalhos, é o desejo de reter a imagem efêmera e incontrolável, aquilo que some no instante seguinte, o que é quase impossível de capturar, seja do mundo físico ou virtual. O texto crítico da mostra é de Pedro Duarte.
Em “Substâncias de sombra”, primeiras pinturas da série, raios de sol atravessam os ramos de uma árvore, mas o que vemos são apenas silhuetas. Em “Brilhos”, o que vai para a tela é a bioluminescência das microalgas e plânctons da foz do Tejo, a luz mágica e fugidia na ondulação. Em “Riscos”, é o pisca-pisca dos vagalumes numa floresta em Sintra. “Dados” traz padrões de azulejos do século XVI em combinação com QR Codes, como códigos digitais impregnados de significados, mas sujos, desbotados, desgastados pelo tempo, incompatíveis com a tecnologia de leitura de dados. Em “Estilhaços”, ela reproduz aquelas imagens indecifráveis que surgem nas telas no momento de um curto-circuito de dados, os “glitches”, remetendo ao estado de “burnout” da nossa atenção. Em “Véu e cinzas”, vemos uma floresta calcinada, encoberta de fumaça, numa grande tela de 1,50 X 2,00 m, montada a partir de pequenas telas coladas, como um painel de azulejos.
Segundo a artista, o nome da exposição, “Desenredo”, remete a esse embaralhamento do olhar, a uma narrativa que explodiu, se despedaçou e não é mais linear. “A exposição traz essa experiência da fragmentação, mas numa tentativa de subvertê-la. Quero provocar o espectador para olhar o mundo de uma forma diferente da que estamos acostumados. A exposição nasce do desejo de renovar a experiência do espectador com a imagem, de fazer com que essa imagem se relacione com ele de uma forma mais persistente, que não seja descartada, que traga uma reflexão”, explica a artista.
Segundo Maneco Müller, sócio da galeria, Ana Calzavara é uma artista de raro talento, que não separa a vida da arte e nem se alinha a nenhum modismo ou estilo. “Ela faz uma pintura de alto valor crítico, resultado de uma pesquisa extensa e profunda, aliada a um grande domínio da técnica”, diz ele, lembrando que a artista é bacharel em Artes Visuais pelo Unicamp, pós-graduada em pintura pela Byam Shaw School of Art, Londres; mestre (2006), doutora (2012) e pós-doutora (2018) em Poéticas Visuais pela ECA/USP. “Em termos poéticos, ‘Desenredo’ é, no fundo, uma grande exposição sobre o desconhecido, sobre o momento que estamos vivendo, onde tudo está enevoado e não sabemos como caminhar nesse mundo sem chão”, complementa.
“Ana Calzavara é uma artista cuja produção acompanhamos com muito entusiasmo. A força e a qualidade de seu trabalho nos levaram a realizar essa segunda exposição na galeria em apenas dois anos, o que diz muito sobre a força que vemos em sua obra e sobre o lugar que ela vem conquistando no cenário contemporâneo”, diz Stella Freitas, sócia de Maneco na galeria. A exposição pode ser visitada até 21 de novembro, com entrada gratuita.
Serviço
Exposição | Desenredo
De 08 de outubro a 21 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 18h30 (sábados, sob agendamento)
Período
Local
Galeria Maneco Müller | Mul.ti.plo
Rua Dias Ferreira, 417/206 - Leblon – Rio de Janeiro - RJ
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O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro, apresenta “As Palavras”, exposição individual de Suely Farhi, com curadoria de Luiza Interlenghi. Em cartaz até 22
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O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro, apresenta “As Palavras”, exposição individual de Suely Farhi, com curadoria de Luiza Interlenghi. Em cartaz até 22 de novembro de 2026, a mostra reúne dez instalações realizadas desde 1994, incluindo obras inéditas e trabalhos revisitados. Pela primeira vez, a artista apresenta um conjunto de sua produção dedicado ao universo feminino, explorando as relações entre palavra, imagem, corpo e espaço.
Entre os destaques está a instalação inédita “Elogios às marias-sem-vergonha”, composta por vasos de vidro transparentes, de diferentes formatos e tamanhos, preenchidos com água e marcados por palavras que valorizam características associadas às mulheres. A disposição dos objetos convida o público a se movimentar pelo espaço para descobrir os diferentes adjetivos. Outra obra inédita, “Suspiros alfabéticos”, apresenta 26 desenhos feitos a partir das letras do alfabeto, organizados em um painel de dez metros de comprimento, estabelecendo relações entre escrita, som e corpo feminino.
A exposição também apresenta “O terceiro lado”, obra de 2006 atualizada para a mostra. O trabalho utiliza duas moedas com inscrições que fazem referência aos estigmas e silenciamentos impostos às mulheres, além de um terceiro espaço vazio que sugere novas possibilidades de interpretação. Já em “Geral da Geralda”, uma vassoura de piaçava parece sustentar uma parede, deslocando um objeto doméstico de sua função habitual para provocar reflexões sobre apoio, força e equilíbrio.
Outros trabalhos ampliam a investigação da artista sobre linguagem e percepção. A instalação “A noite dos desejos” (1994), remontada especialmente para a exposição, cria uma atmosfera de escuridão pontuada por pequenas luzes que surgem e desaparecem. O vídeo-poema “Barriga” (2010), apresentado pela primeira vez, explora as transformações das palavras e seus significados por meio de imagens em movimento. A mostra inclui ainda desenhos-escritas e a obra “Encontro dos extremos”, que aproxima as letras A e Z em duas taças de champanhe apoiadas uma na outra.
Formada em arquitetura, Suely Farhi desenvolve uma pesquisa artística que aproxima linguagem, objetos e ambientes. Em “As Palavras”, a artista utiliza a disposição das obras, a iluminação e os vazios dos espaços expositivos para criar experiências que convidam o visitante a refletir sobre os sentidos da linguagem, as relações de poder e as possibilidades de transformação presentes no cotidiano.
Serviço
Exposição | As Palavras
De 23 de outubro a 22 de novembro
Terça a domingo, das 11h às 19h
Período
Local
Centro Cultural Justiça Federal
Avenida Rio Branco 241, Cinelândia - Riod e Janeiro - RJ
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A exposição GUARDAR corresponde a uma fração daquilo que o casal amealhou ao longo de três décadas. A curadoria de Paulo Venancio Filho optou por um recorte privilegiando as raízes
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A exposição GUARDAR corresponde a uma fração daquilo que o casal amealhou ao longo de três décadas. A curadoria de Paulo Venancio Filho optou por um recorte privilegiando as raízes da arte construtiva internacional e seus desdobramentos, assim como livros de artistas, arte cinética e a utilização visual da palavra nas obras de arte.
Ao longo do processo, Chrysostomo nos revelou algo surpreendente: ainda muito jovem, em 1985, a sua primeira percepção da possibilidade de um colecionador privado constituir uma ampla coleção foi ao visitar, por três vezes, no Paço Imperial, a exposição “Seis décadas de arte moderna na Coleção Roberto Marinho”.
O Rio de Janeiro atravessava um período difícil nas artes plásticas pois o Museu de Arte Moderna, recém-restaurado, ainda não estava em pleno vapor, e o Museu Nacional de Belas Artes se dedicava prioritariamente à reforma de suas salas e à conservação de seu acervo. O Paço Imperial veio ocupar um lugar proeminente e a visitação de “Seis décadas (…)”, com uma intensa programação paralela, atingiu a impressionante marca de cerca de 1.000 espectadores por dia.
Outra importante consequência foi a de evidenciar que a vocação principal do antigo palácio deveria ser a de abrigar exposições de artes visuais. A reconstituição criativa de seus espaços, liderada por Glauco Campello, devolveu à cidade, como um centro cultural no coração do Rio de Janeiro, imponentes ambientes no prédio que foi palco de alguns dos mais importantes acontecimentos da história do Brasil.
Hoje, quarenta e um anos depois, no mesmo mês de novembro, na Casa do Cosme Velho, a bela mostra de Marcia e Luiz segue à risca os versos de Antonio Cícero: “Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la”. Tornadas visíveis, as obras poderão iluminar os visitantes e por eles serem iluminadas.
Lauro Cavalcanti
Diretor-Executivo | Casa Roberto Marinho
Serviço
Exposição | GUARDAR
De 19 de novembro a 14 de março
Terça a domingo, das 12h às 18h
Período
Local
Casa Roberto Marinho
Rua Cosme Velho, 1105 Rio de Janeiro - RJ
