Agenda de arte contemporânea da ARTE!Brasileiros reúne exposições, eventos culturais, mostras, feiras, cursos e atividades em museus, galerias e centros culturais de todo o Brasil.
Agenda de Arte, Exposições e Eventos Culturais
outubro
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre o que se observa de um certo cenário e o que se mostra em imagem como fragmento dessa escolha, pode-se divisar o que a memória cria de maneira consciente e também quase sem querer. A exposição Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, na Cerrado Cultural apresenta um conjunto da produção desse artista que construiu um modo particular de visualizar seus motivos de pintura. Em sua trajetória, esteve comprometido com o olhar para um mundo próximo, vivencial e corriqueiro, encontrando nesse universo diferentes possibilidades para a pintura.
O recorte dessa mostra reúne obras realizadas entre os anos 1920 e 1980 e busca evidenciar características fundamentais de seu processo, que, colocadas em relação, permitem acompanhar as transformações no modo como Volpi construía suas imagens. Primeiro a partir daquilo que observava diretamente, depois a partir do que guardava na memória e, gradualmente, reelaborava imaginativamente. Com isso, o percurso da exposição possibilita perceber as diferentes dimensões que sua produção revela e que, ao longo do tempo, foram sendo reconhecidas e nomeadas pelos valores associados a uma arte modernista, colorista, abstrata e de caráter genuinamente brasileiro e popular.
Os lugares do olhar de Volpi que trazemos aqui dizem respeito, em um primeiro momento, a uma atenção dada por ele ao ofício prático em sua história de vida. Nascido em Lucca, na Itália, em 1896, chega com cerca de dois anos ao Brasil e desenvolve na juventude um aprendizado profissionalizante que o leva a exercer atividades como entalhador, marceneiro, encadernador e sobretudo como pintor decorativo. Nesta atividade, realiza painéis e murais residenciais na cidade de São Paulo, onde viveu praticamente toda sua vida, até falecer aos 92 anos. É instigante perceber, portanto, o princípio autodidata na pintura artística que desenvolve a partir de 1920, levando-o por uma experimentação figurativa e a interesses também na representação de marinhas, paisagens e cenas corriqueiras que realizava, naquele momento, por meio da prática de observação direta e sensibilidade na exploração de materiais e técnicas.
Uma transformação na pintura de Volpi irá ocorrer a partir de uma experiência do lugar da luz da pequena cidade. E é nesse momento que a paisagem de Itanhaém se torna uma referência nesse percurso de construção de si mesmo como artista da pintura. Ao frequentar a região, para onde sua esposa havia se mudado por questões de saúde, Volpi encontra uma antiga cidade do litoral paulista, fundada no século XVI, ainda pouco urbanizada e inserida em uma área costeira marcada por rios, praias, morros, vegetação diversa, atividades rurais e artísticas locais de caráter popular.
Mais do que registrar lugares ou situações, Volpi construiu diferentes horizontes da linguagem pictórica. Nessa produção, experimenta tanto a pintura a óleo, na qual explora o brilho, a transparência e a fusão entre os tons, quanto as obras em têmpera, que integram sua produção madura, e nas quais produz uma superfície mais seca e opaca, em que a textura do material se torna também uma característica marcante em seus trabalhos.
É o que se pode perceber em obras aqui apresentadas como Cidade do interior e Bandeirinhas estruturadas com mastro. É na relação com a matéria que se evidencia também um aspecto fundamental de seu olhar para as maneiras de fazer. Trata-se do vestígio do trabalho manual, que permanece na superfície e registra os movimentos da pincelada, a partir dos quais Volpi passou a compor campos de cor, criar contornos irregulares e explorar relações entre equilíbrio, contraste e ritmo. Na preparação artesanal da têmpera que ele mesmo desenvolvia, passou a estabelecer uma relação direta com os processos da matéria da pintura, desenvolvendo, por meio desses procedimentos, uma autonomia cada vez maior na construção de sua própria linguagem.
Assim, casarios, figuras em contraluz, relevos enviesados e frontões triangulares são redimensionados em relações de luz e, depois, em problemas de cor, forma, linha, ritmo e superfície. A curadoria parte, portanto, da intenção de pontuar aspectos desse percurso, entre a experiência do mundo visível e a elaboração da pintura. Mais do que acompanhar uma passagem da representação à abstração, interessa perceber como esses motivos se transformam e adquirem novos sentidos pelo lugar da reimaginação, quando a vivência passa a responder às questões da arte. É nessa dinâmica que o entendemos como o artista da complexidade do simples, de uma elaboração sofisticada a partir de elementos singelos, por meio dos quais se revelam, nas bandeirinhas, as festas populares, e, nas fachadas, a experiência das cidades e dos povoados do interior brasileiro.
Ao reunir obras provenientes de diferentes coleções, a exposição incorpora também trabalhos realizados em variadas técnicas de gravura e impressão. Esse movimento se articula ao interesse cultural da mostra em promover a pesquisa, aproximar acervos e ampliar sua visibilidade, abrindo espaço para novos encontros com a obra de artistas fundamentais para a história da arte brasileira. Em Brasília, esse reencontro com Volpi ganha um sentido particular, tendo em vista que sua obra esteve presente na história da cidade desde os primeiros anos de sua construção, por meio do mural realizado para a Capela Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, apagado em 1962, em um contexto de incompreensão quanto à sua relevância. Mais de quatro décadas depois de sua última exposição individual na cidade, esta mostra propõe uma nova aproximação com seu trabalho, oferecendo ao público, nos diferentes lugares que atravessam sua produção, também os caminhos de construção de seu olhar.
Cinara Barbosa
Curadora
Serviço
Exposição | Alfredo Volpi – Os lugares do olhar
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é a partir deste tempo que Kuenan Mayu, artista Magüta (Tikuna) e Tariana, às margens do rio Ta’tü, aprendeu a pensar o mundo, não como uma narrativa fechada, mas como um ciclo contínuo de nascimento, transformação e encantamento.
Partindo de uma observação demorada sobre as séries “Eware” e “Pu’tchi”, o ritmo poético desta exposição deságua em um terceiro momento, preciosamente no diálogo entre as duas séries e na retroalimentação que nelas ocorre antes mesmo de serem nomeadas. Eware fundamenta a visão de mundo Magüta, ao passo que Pu’tchi dá continuidade ao percurso e abre novas questões. Eware é o lugar aonde se retorna após o encantamento, e carrega em sua cosmovisão a coexistência entre seres vegetais, humanos, não humanos e espirituais.
Se em Eware mergulhamos na origem, na história de Ngutapa e Mapana, dos joelhos que ao explodirem geram dois filhos e de Yo’í que pesca um povo inteiro das águas sagradas do rio, a série Pu’tchi se desloca para outro território: o das subjetividades e das corporalidades nomeadas como “dois espíritos”, para as quais não há palavra equivalente em português, embora, com muita desconfiança em relação à tradução, se possa dizer bicha.
Em Tawemücü Pu’tchi, com trabalhos inéditos apresentados pela primeira vez em Brasília, território de importância para sua formação, Kuenan reúne dezesseis obras em formatos variados, nos quais signos, elementos e perguntas se entrelaçam para pensar relações entre desejo, espírito e uma ancestralidade que não se restringe à espécie humana, mas que atravessa corpos, árvores, peixes e encantados. Seres organizados não pelo regime da separabilidade, mas pela transformação infinita e interespecífica.
Sobre a entrecasca sagrada do Ngõ’e (tururi), com pigmentos como urucum, jenipapo e pacová, a artista aplica a técnica aprendida através da observação de suas anciãs, uma materialidade que é, ela mesma, receptáculo espiritual, e cujas cores se modificam com o tempo, em um processo similar ao corpo em permanente mutação. A lua ocupa lugar inefável na série, assim como orienta a extração do tururi, que deve ser retirado apenas em sua fase cheia. De início apresentada de forma separada, logo depois se unindo ao sol, culminando em uma espécie de eclipse, em correspondência a toda criatura que se permite viver o mistério da transformação. Uma lua bicha, Tawemücü Pu’tchi na língua materna. A junção dos elementos, a intersecção entre o divino e o sexual, em que as imagens de transição são, assim, naturais e espirituais, em uma reconfiguração e estado de passagem, um modo de existir sem fixação, que se move entre tempos e mundos, em constância.
Mandú
Curador
Serviço
Exposição | Kuenan Mayu – Tawemücü Pu’tchi
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
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A Galeria Karla Osorio apresenta a exposição individual de Daisy Xavier, com curadoria de Victor Gorgulho. A mostra “Magic and Murder” apresenta cerca de
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A Galeria Karla Osorio apresenta a exposição individual de Daisy Xavier, com curadoria de Victor Gorgulho. A mostra “Magic and Murder” apresenta cerca de 20 obras da artista carioca, entre inéditas e históricas. Com trajetória extensa e consolidada desde os anos 80 no cenário da arte contemporânea brasileira, Daisy reforça sua versatilidade poética em obras recentes Segundo o curador, telas da artista “nos colocam defronte a formas que fluem pelo tecido como se percorressem um delicado campo entre a figuração e a abstração – onde aquilo que observamos, à primeira vista, logo ganha outros contornos em uma experiência que dilata a expectação”.
Sobre a exposição – por Victor Gorgulho
Esta é a segunda exposição individual de Daisy Xavier (Rio de Janeiro, 1952) em Brasília, que junta obras inéditas com outras históricas, realizadas sobre a superfície da tela, do linho e do papel, apresenta a pesquisa da artista em torno de espécies botânicas com seivas capazes de tanto matar quanto curar. Em uma mesma dose, cura e morte se disfarçam na exuberância destas espécies de distintas e variadas origens. O título MAGIC & MURDER se refere ao livro homônimo que batiza o atual grupo de trabalhos de Xavier, artista que transita com destreza pelo campo da pintura, da escultura, do desenho e mais. Integram também a mostra esculturas em madeira que estabelecem um vívido diálogo com as telas da artista.
Lançando mão de materiais como tinta à óleo, a acrílica, o Ecoline e o nanquim, o presente grupo de obras de Xavier inicia-se em composições densamente ocupadas por flores, vegetais, plantas, partículas, seres naturais, micro-organismos e criaturas-não-humanas que nos conduzem ao universo que Daisy procura instaurar. Suas telas, no entanto, passam por uma espécie de depuração, que vem tanto do olhar da própria artista quanto dos materiais que parecem ceder à superfície em que esses seres são representados.
Por vezes, Xavier utiliza folhas coletadas em viagens como as próprias matérias da pintura em si, inscritas, seladas em suas telas. Em outros trabalhos, as mesmas folhas aparecem como matrizes para a transferência de suas formas em si, demarcando um território visual no perímetro pictórico em que vemos a explosão de cores, formas e linhas – estas últimas capazes de formarem um labirinto infindo de conexões sob as formas vegetais que saltam destes trabalhos.
De repente, instaura-se também a escuridão, a trama, o risco e as formas que, mesmo entrelaçadas em insuspeitadas torções, revelam-se vítimas e algozes da pré e da pós-história. O que veio antes? A cura ou o veneno, a exuberância ou a escuridão? Xavier não nos dá respostas mas, a seu modo, nos aponta caminhos possíveis: formas que se pretendem naturais, orgânicas feito troncos, são esculpidas em madeiras provenientes de restos de móveis antigos.
Serviço
Exposição | Magic and Murder
De 12 de setembro a 31 outubro
segunda a sexta, das 9h às 18h, sábados, das 9h às 14h
Período
Local
Galeria Karla Osorio
SMDB Conjunto 31 Lote 1B - Lago Sul / Brasília – DF
novembro
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre
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O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre o que se observa de um certo cenário e o que se mostra em imagem como fragmento dessa escolha, pode-se divisar o que a memória cria de maneira consciente e também quase sem querer. A exposição Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, na Cerrado Cultural apresenta um conjunto da produção desse artista que construiu um modo particular de visualizar seus motivos de pintura. Em sua trajetória, esteve comprometido com o olhar para um mundo próximo, vivencial e corriqueiro, encontrando nesse universo diferentes possibilidades para a pintura.
O recorte dessa mostra reúne obras realizadas entre os anos 1920 e 1980 e busca evidenciar características fundamentais de seu processo, que, colocadas em relação, permitem acompanhar as transformações no modo como Volpi construía suas imagens. Primeiro a partir daquilo que observava diretamente, depois a partir do que guardava na memória e, gradualmente, reelaborava imaginativamente. Com isso, o percurso da exposição possibilita perceber as diferentes dimensões que sua produção revela e que, ao longo do tempo, foram sendo reconhecidas e nomeadas pelos valores associados a uma arte modernista, colorista, abstrata e de caráter genuinamente brasileiro e popular.
Os lugares do olhar de Volpi que trazemos aqui dizem respeito, em um primeiro momento, a uma atenção dada por ele ao ofício prático em sua história de vida. Nascido em Lucca, na Itália, em 1896, chega com cerca de dois anos ao Brasil e desenvolve na juventude um aprendizado profissionalizante que o leva a exercer atividades como entalhador, marceneiro, encadernador e sobretudo como pintor decorativo. Nesta atividade, realiza painéis e murais residenciais na cidade de São Paulo, onde viveu praticamente toda sua vida, até falecer aos 92 anos. É instigante perceber, portanto, o princípio autodidata na pintura artística que desenvolve a partir de 1920, levando-o por uma experimentação figurativa e a interesses também na representação de marinhas, paisagens e cenas corriqueiras que realizava, naquele momento, por meio da prática de observação direta e sensibilidade na exploração de materiais e técnicas.
Uma transformação na pintura de Volpi irá ocorrer a partir de uma experiência do lugar da luz da pequena cidade. E é nesse momento que a paisagem de Itanhaém se torna uma referência nesse percurso de construção de si mesmo como artista da pintura. Ao frequentar a região, para onde sua esposa havia se mudado por questões de saúde, Volpi encontra uma antiga cidade do litoral paulista, fundada no século XVI, ainda pouco urbanizada e inserida em uma área costeira marcada por rios, praias, morros, vegetação diversa, atividades rurais e artísticas locais de caráter popular.
Mais do que registrar lugares ou situações, Volpi construiu diferentes horizontes da linguagem pictórica. Nessa produção, experimenta tanto a pintura a óleo, na qual explora o brilho, a transparência e a fusão entre os tons, quanto as obras em têmpera, que integram sua produção madura, e nas quais produz uma superfície mais seca e opaca, em que a textura do material se torna também uma característica marcante em seus trabalhos.
É o que se pode perceber em obras aqui apresentadas como Cidade do interior e Bandeirinhas estruturadas com mastro. É na relação com a matéria que se evidencia também um aspecto fundamental de seu olhar para as maneiras de fazer. Trata-se do vestígio do trabalho manual, que permanece na superfície e registra os movimentos da pincelada, a partir dos quais Volpi passou a compor campos de cor, criar contornos irregulares e explorar relações entre equilíbrio, contraste e ritmo. Na preparação artesanal da têmpera que ele mesmo desenvolvia, passou a estabelecer uma relação direta com os processos da matéria da pintura, desenvolvendo, por meio desses procedimentos, uma autonomia cada vez maior na construção de sua própria linguagem.
Assim, casarios, figuras em contraluz, relevos enviesados e frontões triangulares são redimensionados em relações de luz e, depois, em problemas de cor, forma, linha, ritmo e superfície. A curadoria parte, portanto, da intenção de pontuar aspectos desse percurso, entre a experiência do mundo visível e a elaboração da pintura. Mais do que acompanhar uma passagem da representação à abstração, interessa perceber como esses motivos se transformam e adquirem novos sentidos pelo lugar da reimaginação, quando a vivência passa a responder às questões da arte. É nessa dinâmica que o entendemos como o artista da complexidade do simples, de uma elaboração sofisticada a partir de elementos singelos, por meio dos quais se revelam, nas bandeirinhas, as festas populares, e, nas fachadas, a experiência das cidades e dos povoados do interior brasileiro.
Ao reunir obras provenientes de diferentes coleções, a exposição incorpora também trabalhos realizados em variadas técnicas de gravura e impressão. Esse movimento se articula ao interesse cultural da mostra em promover a pesquisa, aproximar acervos e ampliar sua visibilidade, abrindo espaço para novos encontros com a obra de artistas fundamentais para a história da arte brasileira. Em Brasília, esse reencontro com Volpi ganha um sentido particular, tendo em vista que sua obra esteve presente na história da cidade desde os primeiros anos de sua construção, por meio do mural realizado para a Capela Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, apagado em 1962, em um contexto de incompreensão quanto à sua relevância. Mais de quatro décadas depois de sua última exposição individual na cidade, esta mostra propõe uma nova aproximação com seu trabalho, oferecendo ao público, nos diferentes lugares que atravessam sua produção, também os caminhos de construção de seu olhar.
Cinara Barbosa
Curadora
Serviço
Exposição | Alfredo Volpi – Os lugares do olhar
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é
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Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é a partir deste tempo que Kuenan Mayu, artista Magüta (Tikuna) e Tariana, às margens do rio Ta’tü, aprendeu a pensar o mundo, não como uma narrativa fechada, mas como um ciclo contínuo de nascimento, transformação e encantamento.
Partindo de uma observação demorada sobre as séries “Eware” e “Pu’tchi”, o ritmo poético desta exposição deságua em um terceiro momento, preciosamente no diálogo entre as duas séries e na retroalimentação que nelas ocorre antes mesmo de serem nomeadas. Eware fundamenta a visão de mundo Magüta, ao passo que Pu’tchi dá continuidade ao percurso e abre novas questões. Eware é o lugar aonde se retorna após o encantamento, e carrega em sua cosmovisão a coexistência entre seres vegetais, humanos, não humanos e espirituais.
Se em Eware mergulhamos na origem, na história de Ngutapa e Mapana, dos joelhos que ao explodirem geram dois filhos e de Yo’í que pesca um povo inteiro das águas sagradas do rio, a série Pu’tchi se desloca para outro território: o das subjetividades e das corporalidades nomeadas como “dois espíritos”, para as quais não há palavra equivalente em português, embora, com muita desconfiança em relação à tradução, se possa dizer bicha.
Em Tawemücü Pu’tchi, com trabalhos inéditos apresentados pela primeira vez em Brasília, território de importância para sua formação, Kuenan reúne dezesseis obras em formatos variados, nos quais signos, elementos e perguntas se entrelaçam para pensar relações entre desejo, espírito e uma ancestralidade que não se restringe à espécie humana, mas que atravessa corpos, árvores, peixes e encantados. Seres organizados não pelo regime da separabilidade, mas pela transformação infinita e interespecífica.
Sobre a entrecasca sagrada do Ngõ’e (tururi), com pigmentos como urucum, jenipapo e pacová, a artista aplica a técnica aprendida através da observação de suas anciãs, uma materialidade que é, ela mesma, receptáculo espiritual, e cujas cores se modificam com o tempo, em um processo similar ao corpo em permanente mutação. A lua ocupa lugar inefável na série, assim como orienta a extração do tururi, que deve ser retirado apenas em sua fase cheia. De início apresentada de forma separada, logo depois se unindo ao sol, culminando em uma espécie de eclipse, em correspondência a toda criatura que se permite viver o mistério da transformação. Uma lua bicha, Tawemücü Pu’tchi na língua materna. A junção dos elementos, a intersecção entre o divino e o sexual, em que as imagens de transição são, assim, naturais e espirituais, em uma reconfiguração e estado de passagem, um modo de existir sem fixação, que se move entre tempos e mundos, em constância.
Mandú
Curador
Serviço
Exposição | Kuenan Mayu – Tawemücü Pu’tchi
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
