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REVISTA
edição digital #74
Entre a arte e os arenitos, um museu sem limites
Casa Brasil é inaugurada com obras decoloniais e feministas
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto para o alargamento dos horizontes do mundo das artes quanto para a evolução da luta contra o racismo.
Em sua trajetória, o baiano Mestre Didi (1917-2013) percorreu e distendeu os domínios das artes e da religiosidade. As muitas habilidades artísticas e artesanais de Didi lhe conferiram o lugar de mestre, assim como sua vocação e sua atuação religiosa o colocaram em cargos de destaque nos cultos. E é esse itinerário que ganha o Itaú Cultural (IC) no período de 8 de abril a 5 de julho de 2026.
Além das criações de Didi no campo das artes visuais, a individual aborda sua produção textual/literária e sua participação no desenvolvimento de relevantes organizações e eventos, no Brasil e em outros países, voltados para a pesquisa e a promoção das culturas africanas e afrodiaspóricas. O espaço expositivo também explora as conexões entre Didi e outros criadores, como o seu contemporâneo Abdias Nascimento – tema de mostra do projeto Ocupação Itaú Cultural em 2016.
No dia 7 de abril, às 19h, acontece a abertura de Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira. Para celebrar esse momento, o terreiro Ilê Asipá apresenta Oro Ojés, cerimônia tradicional realizada em todas as festividades do espaço fundado pelo próprio Didi, em Salvador.
Serviço
Exposição | Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira
De 8 de abril a 5 de julho
Terça a sábado, das 11h às 20h, domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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A Galeria Marilia Razuk apresenta a exposição corpo assentado, cabeça voando, com curadoria de Camila Bechelany e Leo Felipe. A mostra reúne um conjunto de obras do acervo da galeria
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A Galeria Marilia Razuk apresenta a exposição corpo assentado, cabeça voando, com curadoria de Camila Bechelany e Leo Felipe. A mostra reúne um conjunto de obras do acervo da galeria que têm no desenho não apenas uma técnica, mas uma prática expandida, um campo de pensamento, gesto e inscrição no mundo.
A linguagem surge como um impulso espontâneo, quase coreográfico, próximo à dança. Embora muitas vezes percebido como uma habilidade inata, ele se constrói no tempo, no exercício contínuo de situar o corpo e experimentar o espaço. Tem a ver com querer se inscrever no mundo, assentar-se, situar-se. Ao mesmo tempo, o desenho é uma prática para se perder, para deixar-se levar com ou sem rumo, alternando o ritmo sobre as superfícies à volta.
A exposição propõe pensar a linha em sua natureza ambígua, entre imagem e escrita, entre registro e invenção. Trata-se de uma linguagem elementar e, ao mesmo tempo, ilimitada em suas possibilidades.
corpo assentado, cabeça voando convida o público a percorrer essas diferentes formas de desenhar, entendendo o traço não como ponto de partida ou etapa preparatória, mas como expressão autônoma, capaz de sustentar, por si só, a complexidade do fazer artístico.
Reunindo artistas de diferentes gerações e abordagens, a mostra evidencia o desenho como um território de experimentação contínua, no qual pensamento e matéria se encontram.
Participam da exposição: Amilcar de Castro, Ana Dias Batista, Ana Matheus Abbade, André Dahmer, Cabelo, Claudio Cretti, Débora, Bolzsoni, Flora Rebollo e Flavushh, Jaider Esbell, João Loureiro, Johanna Calle, José Leonilson, Luiza Sigulem, Manuel Brandazza, Maria Laet, Mariana Serri, Marilá Dardot, Paulo Nazareth, Renata Haar, Thiago Barbalho e Waldomiro Mugrelise.
Serviço
Exposição | corpo assentado, cabeça voando
De 09 de maio a 06 de junho
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Anexo Galeria Marília Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 131 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli,
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, a mostra reúne cerca de 100 obras de 60 artistas de diferentes partes do mundo, propondo um amplo panorama do Surrealismo e de seus desdobramentos na arte moderna e contemporânea. A entrada é gratuita.
Instalada em uma ampla casa na Rua Minas Gerais, esquina com a Praça Marechal Cordeiro de Farias, a nova sede da Pinakotheke conta com 700 m² de terreno, sendo 180 m² dedicados às áreas expositivas e 370 m² de espaço externo. O novo endereço marca uma importante reorganização institucional da Pinakotheke, fundada no Rio de Janeiro em 1979 por Max Perlingeiro, além de consolidar uma nova identidade visual e um projeto de expansão nacional e internacional.
A exposição é organizada em núcleos dedicados a artistas europeus, latino-americanos, norte-americanos e caribenhos, reunindo nomes históricos como Salvador Dalí, René Magritte, Pablo Picasso, Giorgio de Chirico, Joan Miró, Louise Bourgeois, Marcel Duchamp, Leonora Carrington, Roberto Matta e Diego Rivera. Entre os brasileiros, destacam-se obras de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Flávio de Carvalho, Cícero Dias, Farnese de Andrade, Tunga e Erika Verzutti.
Além das pinturas, esculturas, gravuras e fotografias, a mostra contará com salas especiais dedicadas a Maria Martins e Louise Bourgeois, além da exibição de vídeos de artistas contemporâneas como Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. O percurso inclui ainda trechos de filmes clássicos ligados ao imaginário surrealista, como “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí, e “Le Sang d’un poète”, de Jean Cocteau.
Ao longo da exposição, será lançado o livro bilíngue “Surrealismos: arte para além da razão”, publicado pela Pinakotheke Editora, com mais de 300 páginas e textos de pesquisadores e críticos convidados. A Pinakotheke São Paulo fica na Rua Minas Gerais, 246, em Higienópolis, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h.
Serviço
Exposição | Surrealismos: arte para além da razão
De 18 de maio a 15 de agosto
Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Pinakotheke São Paulo Higienópolis
Rua Minas Gerais, 246, Higienópolis, São Paulo - SP






















