Agenda de arte contemporânea da ARTE!Brasileiros reúne exposições, eventos culturais, mostras, feiras, cursos e atividades em museus, galerias e centros culturais de todo o Brasil.
Agenda de Arte, Exposições e Eventos Culturais
setembro
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da cidade e do estado do Paraná, dentre eles o Museu Oscar Niemeyer, o maior museu de arte da América Latina.
Vivemos um momento de transformação, em que as fronteiras entre o humano e suas tecnologias, o natural e o artificial, tornam-se cada vez mais fluidas. Diante desse cenário, a edição deste ano apresenta o título LIMIARES, propondo um espaço de passagem e reflexão sobre as mudanças que atravessam o presente e apontam para novos modos de existir e de criar. A edição será conduzida pelas curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, bem como por uma equipe multicultural de curadores convidados.
O conceito curatorial entende este momento limiar em que vivemos também como um espaço fértil no qual a arte atua como mediadora entre mundos. Habitar essa fronteira e criar a partir da incerteza orientam uma proposta que se assume como um espaço de troca entre diferentes áreas do conhecimento e culturas. Para as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, “mais do que um conceito, LIMIARES é uma atitude curatorial: habitar a fronteira, permanecer no entre, criar a partir da incerteza, gerando novos caminhos”.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba promove o diálogo entre artistas, pesquisadores, cientistas e estudantes, convidando o público a refletir sobre como estar presente em um mundo em fluxo acelerado e a imaginar novas formas de coexistência. Acesse o statement curatorial aqui.
Marcando o aguardado retorno ao formato presencial após a edição totalmente online de 2021, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba apresentará exposições de grandes artistas de diferentes origens e que atuam em múltiplos suportes, do material ao virtual. É um retorno necessário ao circuito mundial da arte, que reforça o posicionamento da América Latina como uma potência cultural. Na sua última edição presencial, em 2019, a Bienal Internacional de Curitiba atraiu mais de um milhão de visitantes.
Serviço
Exposição | 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba
De 14 de junho a 15 de novembro
Locais
Museu Oscar Niemeyer, Museu Paranaense, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu da Imagem e do Som, Museu Alfredo Andersen, Museu da Fotografia, Museu da Gravura/Memorial de Curitiba, Museu Municipal de Arte, terminais de ônibus e outros espaços de Curitiba.
Período
Local
16ª Bienal Internacional de Curitiba - Sede Principal
Rua Marechal Hermes, 999 — Centro Cívico, Curitiba - PR
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A exposição propõe um encontro inédito entre obras do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e obras do acervo do Sesc Bom Retiro, a partir do deslocamento
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A exposição propõe um encontro inédito entre obras do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo e obras do acervo do Sesc Bom Retiro, a partir do deslocamento das obras do MAM São Paulo para visitarem um edifício inteiramente ocupado por um acervo que se apresenta de múltiplas maneiras. Ao levar as obras do MAM São Paulo para esse contexto, a curadoria evidencia diferentes formas de mostrar, organizar e tornar públicos os acervos, colocando em relação práticas institucionais, regimes de visibilidade e modos de mediação.
A proposta se estrutura em torno de duas perguntas centrais: o que acontece quando se decide guardar, cuidar e tornar público um conjunto de obras? E o que há para perceber e conhecer em uma obra de arte? Essas questões orientam o percurso expositivo e atravessam as decisões espaciais, narrativas e educativas do projeto. O acervo é compreendido como uma construção histórica e social, cuja existência se realiza plenamente no encontro com o público, quando as obras circulam, são recontextualizadas e ativam novas leituras.
Ao colocar acervos em diálogo, a exposição propõe uma reflexão sobre a função social das instituições culturais e sobre a fruição estética como experiência em relação. A materialidade das obras, os contextos de produção e os dispositivos de mediação e acessibilidade ampliam as possibilidades de percepção e conhecimento. Mire Veja convida o público a experimentar os acervos como um campo vivo, em constante atualização, a partir de seu corpo, de sua linguagem e de suas próprias experiências de vida.
Artistas
Alberto da Veiga Guignard
Alfredo Ceschiatti
Amelia Toledo
Antonio Henrique Amaral
Artur Barrio
Brígida Baltar
Cao Guimarães
Carlos Zilio
Cássio Vasconcellos
Claudio Tozzi
Cleber Machado
Eduardo Coimbra
Emanoel Araujo
Franz Weissmann
German Lorca
Giuliana Giorgi
Heitor dos Prazeres
Iran do Espírito Santo Labö & Rafaela Kennedy
Laura Vinci
Lenora de Barros
Lothar Charoux
Motta & Lima
Nelson Leirner
Paulo Bruscky
Paulo Nenflidio
Pedro Motta
Rodrigo Andrade
Rodrigo Braga
Rosângela Rennó
Rubens Gerchman
Sara Ramo
Xadalu Tupã Jekupé
Zimar
Mirela Estelles é mediadora cultural e investiga os desdobramentos da narração de histórias na educação em museus e exposições de arte. Estudou Comunicação das Artes do Corpo na PUC-SP e especializou-se em Linguagens da Arte no Centro Universitário MariAntonia, onde iniciou as pesquisas e atividades do projeto Histórias para Ver e Ouvir (2011–). Com experiência em arte contemporânea, educação, livro e leitura, culturas da infância, patrimônio imaterial e públicos de museus, realiza a curadoria de exposições e projetos educativos em escolas, livrarias, bibliotecas, museus e outras instituições culturais, com atenção aos aspectos de acessibilidade e diversidade na gestão cultural de equipes multidisciplinares. Atualmente, coordena a área de educação do Museu de Arte Moderna de São Paulo, onde atua desde 2009.
Valquíria Prates investiga a mediação cultural das artes visuais e da literatura em diálogo com pesquisa, escrita, curadoria e educação. É graduada em Letras e Pedagogia, mestre em Políticas Públicas de Acessibilidade pela USP e doutora em Artes pela Unesp, com a tese Como Fazer Junto: a Arte e a Educação na Mediação Cultural. Seu trabalho articula saberes acadêmicos e práticas colaborativas em diferentes territórios e contextos sociais. Atualmente, desenvolve projetos com o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Instituto Moreira Salles, a Fundação Roberto Marinho, Inhotim, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará e o Instituto de Arte Contemporânea de Ouro Preto.
O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo) é uma instituição dedicada à arte moderna e contemporânea. Fundado em 1948, mantém um acervo voltado à produção brasileira dos séculos XX e XXI. Além de exposições, atua em pesquisa, conservação e ações educativas.
Serviço
Exposição | Mire e Veja – MAM São Paulo Visita o Sesc Bom Retiro
De 01 de julho a 27 de setembro
Terça a sexta, das 9h às 20h sábado, das 10h às 20h, domingo e feriados, das 10h às 18h
Período
Local
Sesc Bom Retiro
Alameda Nothmann, 185 – Bom Retiro – São Paulo - SP
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O Museu do Ipiranga apresenta a exposição inédita Liberdade: bairro plural. A mostra propõe um novo olhar sobre um dos bairros mais conhecidos de São Paulo e convida o público
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O Museu do Ipiranga apresenta a exposição inédita Liberdade: bairro plural. A mostra propõe um novo olhar sobre um dos bairros mais conhecidos de São Paulo e convida o público a refletir sobre O que é um bairro? O que é um bairro étnico? E o que torna um bairro plural?
Ao longo de mais de dois séculos, a região foi ocupada e transformada por diferentes grupos sociais e étnicos, tornando-se um território marcado por encontros, trocas culturais, permanências, deslocamentos e disputas de memória.
Com curadoria dos historiadores Paulo Garcez Marins, Mônica Raisa Schpun, Aline Montenegro Magalhães, Francisco Andrade e David Ribeiro, a exposição está organizada em três módulos e apresenta a Liberdade como um território em constante transformação.
Durante a visita mediada, o público é convidado a percorrer a exposição com educadores do Museu, aprofundando temas, contextos históricos e questões apresentadas pela mostra.
Serviço
Exposição | Liberdade: bairro plural
De 7 de julho a 31 de janeiro
Terça a domingo, das 10h às 17h
Duração: 1 hora
Período
Local
Museu do Ipiranga
R. dos Patriotas, 100 - IpirangaSão Paulo - SP
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra grandiosa que atravessa gerações e ocupa um lugar singular na cultura do país.
Idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), a exposição chega ao Museu das Favelas em sua primeira itinerância, reunindo mais de 650 itens do acervo pessoal de Alcione — entre fotografias raras, vídeos, prêmios, figurinos e objetos marcantes. Com Amor, Alcione convida o público a percorrer momentos da trajetória artística e biográfica da cantora, percorrendo temas como família, fé, carnaval, migração e identidades negra e nordestina, evidenciando como a trajetória de Alcione dialoga com experiências coletivas e processos históricos que constituem a cultura brasileira.
Serviço
Exposição | Com Amor, Alcione
De 10 de julho a 06 de dezembro
Terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h
Período
Local
Museu das Favelas
Largo Páteo do Colégio, 148 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a habitam. A afirmação sintetiza aspectos centrais de sua produção, marcada pela observação da natureza, do corpo e dos ciclos da vida, em diálogo com materiais naturais e referências da paisagem mineira. Esse universo poderá ser visto nessa mostra que o Itaú Cultural (IC) apresenta em três andares do espaço expositivo.
Com curadoria de Franklin Espath Pedroso, a exposição reúne cerca de 150 desenhos inéditos, 10 filmes experimentais e uma instalação derivada de Campos peregrinos, trabalho apresentado por ela em Glasgow, na Escócia, em 2025. É a primeira vez que a artista reúne sua produção audiovisual em uma exposição. A concepção, realização e projeto de acessibilidade são da equipe do Itaú Cultural. O curador também assina o projeto expográfico ao lado de Leila Scaf Rodrigues.
Solange nasceu em Ferros (MG), em 1961, e desenvolve há mais de quatro décadas uma obra que articula desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo. Ela é reconhecida por pesquisas que incorporam materiais naturais e procedimentos ligados à observação da paisagem e dos processos de transformação da matéria.
Nos últimos anos, o seu trabalho tem alcançado ampla presença internacional. Atualmente, Solange se prepara para participar da Bienal de Toronto, no Canadá, em setembro. Ainda monta uma exposição individual, que abrirá em outubro na Fundación Botín, na Espanha. A artista também foi convidada pela Fondation Cartier, na França, para realizar uma grande mostra de sua obra em 2027. No Brasil, ao reunir obras inéditas, trabalhos recentes e uma seleção significativa de filmes, a exposição no IC oferece um panorama de aspectos centrais de sua produção e de seu percurso artístico.
A Exposição
Um dos destaques de Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação ocupa quase todo o primeiro andar do espaço expositivo do Itaú Cultural. Trata-se da instalação Campos peregrinos, um desdobramento da obra criada para o centro de arte contemporânea Tramway, em Glasgow – um espaço instalado em um antigo depósito de bondes, que se tornou referência cultural europeia, oferecendo exposições visuais e apresentações de dança e teatro.
A versão apresentada no Itaú Cultural reúne peças em bronze e cerâmica a materiais como capim-membeca, paina, camomila, macela, folhas secas, algodão, folhas e fubá, elementos recorrentes na investigação desenvolvida por Solange a partir de referências dos cerrados e das matas brasileiras. A obra propõe uma experiência sensorial que ultrapassa o olhar, envolvendo cheiros, texturas, dimensões e sons emanados pelos materiais que compõem a instalação.
Neste mesmo piso, é apresentado o seu novo filme, Desjardim, realizado especialmente para a mostra. Parceria de Solange com o cineasta João Vargas Penna e com o músico Livio Tragtenberg, a produção cria conexões sensíveis em obras, com melhores condições técnicas e de produção.
Em contraste com as instalações e os desenhos de grandes dimensões realizados pela artista nos últimos anos, o piso -1 do Itaú Cultural apresenta trabalhos que evidenciam uma dimensão mais íntima de sua obra ao reunir aproximadamente 150 desenhos inéditos feitos em escalas menores. Realizados desde os anos 1990 até a atualidade, eles revelam animais, vegetação, corpos, paisagens e seres imaginários em trabalhos produzidos com materiais diversos, como pigmentos, carvão, óleo, jenipapo, argila, urucum, Merthiolate e gordura.
Ao longo do tempo, esses materiais passaram por seus próprios processos de transformação, incorporando à obra questões centrais para a pesquisa da autora: a matéria, a passagem do tempo e os ciclos da natureza. Entre o animal, o vegetal e o mineral, os desenhos apresentam formas híbridas e paisagens em permanente mutação, sintetizando temas que atravessam mais de quatro décadas de produção.
Por sua vez, o piso -2 apresenta uma cronologia da vida e obra da artista e tem como destaque uma seleção de 9 filmes experimentais produzidos ao longo de sua trajetória, reunidos pela primeira vez em uma mostra dedicada a ela. Embora menos conhecidos do público do que suas esculturas, desenhos e instalações, os trabalhos evidenciam uma investigação constante da imagem em movimento como extensão de sua pesquisa artística.
As obras acompanham processos de transformação da matéria e a ação do tempo sobre elementos como minerais, metais, água e fogo. Corpos, paisagens naturais, jardins, cavernas, espaços domésticos e sítios históricos aparecem com frequência, não apenas como cenários, mas como agentes que participam da construção das imagens. Em alguns trabalhos, registros de ações e performances também destacam a dimensão corporal presente em sua produção.
Serviço
Exposição | Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação
De 4 de agosto a 1º de novembro
Terça a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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Há um instante do dia em que as cores começam a desaparecer. A luz deixa de pertencer às coisas e passa a habitar o espaço entre elas.
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Há um instante do dia em que as cores começam a desaparecer. A luz deixa de pertencer às coisas e passa a habitar o espaço entre elas. É nesse intervalo — quando a matéria parece vacilar e o vazio ganha espessura — que Diogo Gonçalves constrói sua obra. Suas esculturas procuram escutar o ambiente. Entre a presença mínima da linha luminosa e a vastidão do vazio que a circunda, surge um poema silencioso, feito de intervalos, hesitações e aparições. A luz passa de instrumento de visibilidade para tornar-se linguagem — uma linguagem que não descreve o mundo, mas cria as condições para que ele possa ser sentido.
Se o poema se faz de palavras e silêncios, as obras, reunidas agora na Galleria Continua — São Paulo, constituem-se pela delicada tensão entre presença e ausência. Cada trajeto de lâmpadas parece carregar a memória de diversas outras formas possíveis, como se o artista trabalhasse menos pela adição do que pela retirada. O gesto consiste em subtrair, condensar, aproximar-se do essencial. Não se trata de reduzir o mundo, mas de criar as condições para que suas camadas invisíveis possam emergir. Cada traço reluzente conserva a potência de muitos outros. A forma que se apresenta não surge como afirmação definitiva, mas como a consequência provisória de inúmeras possibilidades latentes.
Há, em sua prática, uma rara confiança no vazio. O espaço negativo deixa de ser aquilo que sobra entre os objetos para tornar-se matéria sensível, campo de imaginação e de experiência. A linha luminosa torna perceptível aquilo que escapa ao olhar apressado. O espectador é convidado a habitar um estado de atenção. Talvez seja por isso que Diogo aproxime sua obra da poesia. Não porque elas traduzam algo em palavras, mas, sim, compartilham com ela uma mesma condição: a de insinuar mais do que afirmar. Como escreveu a filósofa Maria Zambrano, a poesia encontra aquilo que não pode ser completamente dito. Também as esculturas do artista parecem surgir desse limiar, desse território fronteiriço em que a matéria se torna quase imaterial e a luz, em vez de dissipar o mistério, encarna uma presença provisória.
Para o filósofo Gaston Bachelard, toda imagem poética inaugura uma emergência da linguagem e também uma forma de habitar o mundo. Na produção de Diogo Gonçalves, esse habitar nasce do gesto. Ainda que suas obras assumam a forma de vídeo, instalação ou animação tridimensional, permanece nelas a memória da mão: empurrar, recolher e elevar a matéria. A tecnologia não substitui a experiência escultórica; torna-se sua continuação. Entre o espaço físico e o digital, o artista não estabelece hierarquias. Ambos constituem campos de investigação, superfícies nas quais a escultura pode manifestar-se. O que importa não é o meio, mas a possibilidade de instaurar relações, tensionar limites e fazer aparecer aquilo que até então permanecia latente. Esta linha luminosa, recorrente em sua produção, carrega a simplicidade dos gestos elementares e, ao mesmo tempo, a complexidade de um pensamento que se constrói por acercamentos sucessivos.
Há algo de profundamente ético nessa economia de meios. Ao invés de saturar o espaço, suas obras oferecem escuta: revelam a densidade do ar, a vibração quase imperceptível da luz, a espessura dos intervalos. Cada trabalho parece recordar que o espaço não é vazio, mas um campo de forças, memórias e possibilidades. Talvez seja essa a singularidade do poema silencioso que Diogo Gonçalves persegue. Não um poema escrito sobre a luz, mas um poema escrito com ela. Uma linguagem mínima, feita de aparições e suspensões, em que cada linha parece afirmar que o mundo ainda guarda regiões invisíveis.
Serviço
Exposição | Matéria do silêncio
De 08 de agosto a 19 de setembro
Terça – sexta das 10h às 18h e sábado das 10h às 15h
Período
Local
Galleria Continua
Rua Piauí, 844, Higienópolis - São Paulo, SP
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá uma exposição à altura de sua trajetória: ‘O Brasil de Tarsila’ inaugura, em agosto, um novo espaço expositivo em São Paulo, o Nubank Arte Lab, o maior e mais moderno local de exposições e experiências imersivas do Brasil, com uma estrutura altamente tecnológica, sensorial e interativa.
Localizado no Conjunto Nacional, o empreendimento foi concebido pela Aventura — sob a liderança dos co-CEOs Aniela Jordan, Luiz Calainho e Giulia Jordan — e pela Deeplab Project, de Felipe Reif, com o Nubank, que assume o naming rights do espaço, com inauguração prevista para 15 de agosto.
Já ‘O Brasil de Tarsila‘ é apresentado pelo Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio master da EMS, apoio da Alelo, IRB(Re) e BNY. O projeto é uma realização da Tarsila S.A., liderada por Paola do Amaral Montenegro, e a Live Idea, de João Giani, em coprodução com a Deeplab e a Aventura.
Sobre a exposição
Ao longo de mais de dez salas, o universo visual de Tarsila será revisitado por meio de projeções monumentais de 360 graus, cenografia imersiva, trilha sonora e dispositivos interativos com direito a efeitos especiais e até aromas que vão guiar o visitante em uma jornada sensorial de grande escala por cerca de 40 obras da artista, entre pinturas icônicas, desenhos, esboços e ilustrações.
Mais do que contemplar suas obras, o público será convidado a interagir, explorar e mergulhar em ambientes que revelam suas referências, sua trajetória e o contexto artístico que marcou sua produção.
A proposta dialoga com uma linguagem contemporânea já consagrada internacionalmente por exposições imersivas dedicadas a artistas como Monet e Van Gogh, que transformaram a interação entre o público e as artes visuais. Agora, é a vez de uma artista brasileira ocupar esse espaço.
Todo o conteúdo audiovisual da mostra foi desenvolvido por artistas visuais e não por inteligência artificial, garantindo consistência estética e respeito às obras originais. A proposta é utilizar a tecnologia como meio de ampliação da experiência artística, e não como substituição da criação.
‘O Brasil de Tarsila’ busca aproximar novos públicos da arte e formar futuros visitantes de museus e apreciadores das artes visuais. A exposição foi concebida para receber famílias, despertar a curiosidade de crianças e jovens e abrir portas para pessoas que talvez nunca tenham tido contato direto com a obra de Tarsila.
A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro e Juliana Miraldi. Paola, gestora da Tarsila do Amaral S.A., atuou diretamente na construção dos enquadramentos narrativos da exposição, assegurando fidelidade à trajetória e ao legado da artista. Já Juliana Miraldi, pesquisadora e curadora de exposições imersivas, estrutura a dimensão conceitual da mostra ao integrar pesquisa acadêmica em artes visuais com as linguagens contemporâneas da arte digital.
A mostra reunirá releituras imersivas de trabalhos emblemáticos como Abaporu, Antropofagia, A Cuca, Operários e O Sono, além de outras obras importantes como São Paulo, Religiões Brasileiras, Figura só e Autorretrato (Le Manteau Rouge). Também integram o percurso desenhos e registros de viagens realizados pela artista, revelando paisagens e referências que marcaram profundamente sua produção.
‘O Brasil de Tarsila’ realizará um grande mergulho no imaginário da artista, recheado por cores vibrantes, paisagens e personagens brasileiros, convidando o público a atravessar suas formas dentro de uma experiência sensorial que conecta Arte e Tecnologia.
Serviço
Exposição | O Brasil de Tarsila
De 15 de agosto a 15 de fevereiro
Quarta a segunda e feriados, das 10h às 22h
Ingressos
De sexta a domingo e feriados – Inteira: R$ 100,00 | Meia-entrada: R$ 50,00
Segundas, quarta e quintas – Inteira: R$ 80,00 | Meia-entrada: R$ 40,00
Período
Local
Nubank Arte Lab
Conjunto Nacional, Avenida Paulista 2.073 – São Paulo, SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a exposição reúne 187 trabalhos de 148 artistas provenientes de 20 países. A mostra analisa como colonização, migração, movimentos de resistência e projetos de nação contribuíram para a criação de diferentes narrativas sobre a América Latina.
Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, obras do período pré-colonial ao contemporâneo dialogam a partir de problemas compartilhados, como a colonização, o extrativismo, os projetos de progresso, as formas de organização coletiva, as migrações, as diásporas e as aspirações de futuro. Pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, instalações, têxteis e vídeos revelam o uso de imaginários e símbolos para inventar, governar e disputar a região ao longo do tempo.
“A América Latina está interligada por múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense. Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas e ritmos complexos que respondem a muitos intercâmbios. A região é uma zona de conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, diz Amanda Carneiro.
A exposição está organizada em cinco núcleos: O mundo ao revés, Retórica do progresso, Sociedades americanas, Estamos em salsa e A queda do céu.
O mundo ao revés parte do conceito andino pachakuti, que nomeia uma inversão radical da ordem do mundo. Para inúmeros povos indígenas, a invasão europeia das Américas produziu uma ruptura dessa natureza, alterando relações com o território, o tempo e o conhecimento. O conjunto de obras reflete como a colonização inventou um mito de paraíso tropical repleto de riquezas naturais que estaria à disposição para ser explorado pela Europa, e a versão latino-americana do Barroco.
Já Retórica do progresso examina como projetos de urbanização e industrialização moldaram uma narrativa latino-americana do século 20, revelando promessas e contradições. A cidade, a fábrica, a rodovia, a arquitetura e o planejamento urbano despontam como uma vitrine de uma modernidade anunciada, mas também como instrumentos de controle, desigualdade e devastação ambiental. A expografia permite que uma das janelas do Edifício Pietro Maria Bardi revele a vista da Avenida Paulista, estabelecendo um diálogo entre a capital paulista e a exposição. Nesse núcleo, a obra comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da artista mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa parte do piso do espaço expositivo. A instalação reproduz em grande escala um dos primeiros mapas europeus feitos de Tenochtitlan — então capital do Império Asteca e atual Cidade do México. Deball evidencia como a cartografia colaborou para classificar, administrar e dominar o território indígena. A mostra apresenta ainda outras obras comissionadas de JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado.
Em Sociedades americanas, a exposição olha para formas de organização comunitárias, como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares, que pensam a construção de alternativas concretas às promessas não cumpridas do desenvolvimento.
Estamos em salsa faz referência à canção homônima lançada em 1978 pelo músico nova-iorquino de origem porto-riquenha Wayne Gorbea. Formada por matrizes afro-caribenhas, o estilo musical surge do encontro entre migrantes, gravadoras, bailes e comunidades latinas, consolidando-se em Nova York. Obras como Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, abordam as relações entre dependência econômica e repertório cultural por meio de produtos como Coca-Cola, petróleo, banana, dendê, milho e taco. Meireles grava mensagens políticas sobre garrafas retornáveis e as devolve às prateleiras, infiltrando sua crítica na logística do varejo. Caro, por sua vez, subverte a logomarca do refrigerante, forçando a identidade de seu país a se moldar aos signos de uma mercadoria global.
O último núcleo, A queda do céu, é nomeado em referência ao livro escrito por Davi Kopenawa e Bruce Albert. No livro, publicado em 2010, os autores revelam como a destruição da floresta amazônica pela invasão garimpeira desencadeia uma catástrofe que ultrapassa a noção de crise ambiental e nomeia o colapso concreto das relações que mantêm a vida de pé. O núcleo articula o sonho e o mito, compreendidos como formas de conhecimento alternativas às utopias de progresso. A coexistência e a sobreposição de territórios e linhas do tempo também orientaram a expografia da mostra. O público pode seguir a sequência proposta para percorrer a exposição ou pode estabelecer seus próprios caminhos, criando associações e leituras diversas. A pintura Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio Oiticica, foi uma referência para painéis, blocos de cores e cortes diagonais que evitam uma separação rígida entre as seções, favorecendo a continuidade e o diálogo entre diferentes trabalhos.
Histórias latino-americanas é o tema do ciclo curatorial de 2026. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.
A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).
Acessibilidade
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail [email protected], além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
Catálogo
Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial e textos de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro e Julieta González.
Loja MASP
Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.
Realização
Histórias latino-americanas é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio master de Nubank e patrocínio Vivo.
Serviço
Exposição | Histórias latino-americanas
De 4 de setembro até 31 de janeiro
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Período
Local
Edifício Pietro Maria Bardi - MASP
Av. Paulista, 1500 - Bela Vista, São Paulo - SP
Detalhes
A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual
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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual Luana Vitra, no Projeto Octógono, espaço central do edifício Pina Luz. Com curadoria de Pollyana Quintella, a mostra exibe uma instalação monumental concebida especialmente para o local.
Em Bandeira Branca, Luana Vitra parte das terras-raras, conjunto de dezessete elementos químicos decisivos para as tecnologias que organizam o mundo contemporâneo, da transição energética às comunicações, para refletir sobre as continuidades entre extrativismo, colonialismo e as formas de vida que deles emergem.
“Aqui, a matéria mineral funciona como registro de processos que costumam se manter invisíveis, nos levando a observar o que sustenta a cadeia produtiva da tecnologia contemporânea. Ao suspender um arco sobre uma bandeira que nunca se rende de fato, a artista parece recusar tanto a solução quanto a derrota; a obra permanece em estado de uma espécie de trégua provisória, como esse presente que habitamos. Afinal, quem controla a matéria, controla o tempo por vir”, analisa Pollyana Quintella, curadora da Pinacoteca.
A obra Bandeira Branca conta com o patrocínio da CHANEL. Desde 2025, Pinacoteca e CHANEL desenvolvem em parceria um programa anual de residência dedicado a capacitar e impulsionar a trajetória criativa de mulheres artistas. A cada ano, a residência seleciona uma artista mulher de destaque — trabalhando em qualquer disciplina ou linguagem —, oferecendo a ela mentoria dedicada por meio dos Art Partners da CHANEL e uma plataforma para aprofundar sua prática.
A residência conta com uma exposição individual dedicada na Pinacoteca, proporcionando visibilidade e suporte fundamentais para as vozes criativas femininas. O projeto estreou no ano passado com a artista Juliana dos Santos (1987, São Paulo), que expôs Temporã na Pina Contemporânea.
Nascida em um estado atravessado por séculos de economias mineradoras e extrativismo, Vitra se interessa pelas propriedades concretas dos minerais, sua capacidade de conduzir, pesar, proteger, contaminar ou resistir, e pelas histórias que essas matérias condensam. Ferro, cobre e chumbo são, ao mesmo tempo, elementos físicos e signos de processos extrativos, industriais, coloniais e espirituais. Ao mobilizá-los, Luana Vitra aproxima corpo e território, sugerindo que a exposição humana está inscrita em uma matéria mineral mais ampla, feita de memória, violência, energia e transformação.
“Bandeira Branca é uma obra onde penso sobre as guerras que foram travadas no passado, as que estamos vivendo agora e as que ainda estão por vir. Elas são essencialmente materialistas: a matéria é o objeto de desejo, é através das matérias que se conquista, e a matéria é o prêmio do vencedor. Se pensarmos nos conflitos coloniais, foi o domínio da pólvora que nos levou a esse desenho de mundo que temos hoje, ao mesmo tempo é o desejo pelas matérias que desenha os maiores desastres do nosso futuro. Nessa instalação, me relaciono especificamente com as terras-raras, esse conjunto de dezessete elementos que condensa o tempo de tudo que vivemos e nos lança a uma malha de reflexão do por vir. Ter uma bomba-relógio nas mãos é também ter uma máquina do tempo, que pode nos ajudar a imaginar qual a trégua possível para essa luta que a tanto tempo travamos entre nós e contra a terra”, explica Luana Vitra.
Serviço
Exposição | Bandeira Branca
De 05 de setembro a 31 de janeiro
Quarta a segunda, das 10h às 18h
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
Detalhes
O IMS Paulista abre a exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, dedicada à trajetória do artista luso-brasileiro Fernando Lemos. O artista integrou o movimento
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O IMS Paulista abre a exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, dedicada à trajetória do artista luso-brasileiro Fernando Lemos. O artista integrou o movimento surrealista português no final dos anos 1940 e, em 1953, emigrou para o Brasil, onde viveu até 2019, ano de sua morte. “O Brasil deu-me tudo que me foi roubado e não me devolveram”, afirmou em entrevista ao jornal português Expresso. Em celebração ao centenário de nascimento de Fernando Lemos, a mostra percorre mais de 70 anos de sua produção e apresenta ao público o arquivo do artista, sob a guarda do IMS desde 2019, somado ao material conservado com a família. São cerca de 400 itens, entre fotografias, desenhos, projetos e documentos — muitos inéditos —, que permitem acompanhar a trajetória de Lemos e a maneira como desdobrou as ideias surrealistas ao longo da vida. “Sempre procurei criar imagens que trouxessem à superfície minha reflexão sobre a desocultação. […] Só me interessei pelo surrealismo porque o sonho era exatamente o único território em que não havia nada oculto. O sonho era para revelar, para despertar, não para esconder. A fotografia é uma desocultação. Toda a nossa ação na arte é desocultamento, ou seja, a procura daquilo que não existe, que está invisível, sob a forma de palimpsesto”, resumiu.
A abertura acontece no dia 19 de setembro, às 10h, e contará com uma conversa com o curador e convidados, além do lançamento do catálogo da exposição.
Com curadoria de Thyago Nogueira, a mostra revê a obra do artista a partir da ideia de “desocultação”, conceito-chave para unir sua produção em fotografia, desenho e poesia. “Lemos pensou a desocultação surrealista como uma forma de acessar os mistérios da alma humana, mas também de driblar a arte burguesa e a repressão portuguesa de Salazar. O estudo de seu arquivo mostrou que, ao longo da vida, ele desdobrou essa ideia numa forma de ética e de prática artística, a fim de dar clareza às linguagens, expondo suas estruturas sintáticas ou aproximando elementos semelhantes e contrastantes a fim de construir novos sentidos”, avalia o curador. “Essa prática uniu sua fotografia, seu desenho e sua poesia de uma forma ainda pouco estudada”, conclui. O título da exposição é uma estrofe do poema “Quanto mais desejo”, de Fernando Lemos, que fez da poesia uma forma de narrar a própria vida. O poema trata da importância do desejo na criação artística e em sua relação com o mundo e é um exemplo legível de como Lemos manipulou elementos simples de cada linguagem em busca de ampliar os sentidos.
Quanto mais desejo
mais invento o que vejo
Quanto mais vejo
mais invento o que desejo
Quanto mais invento
mais desejo o que vejo.
Lemos fez da arte uma prática cotidiana, trabalhando dia e noite em projetos independentes e comissionados. “Recolhia objetos na rua, pintava guardanapos e expunha ideias como quem desenha no espaço. Produziu uma quantidade imensa de desenhos e esboços, que guardou consigo. Apresentar essa dimensão íntima e informal da arte é também um dos desafios deste projeto”, afirma o curador. A expografia da exposição, toda feita em vitrines, foi pensada para expor a variedade de objetos e realçar a diversidade material das obras que integram o acervo
do artista, além de sugerir a ideia de um ateliê de trabalho.
Ao longo da vida, Lemos atravessou duas ditaduras: uma em Portugal, outra no Brasil. O medo da repressão, que o obrigou a fugir de Portugal, fez nascer uma personalidade combativa, que lutava por direitos e se manifestava diante de injustiças. Além do trabalho de ateliê, Lemos integrou organizações de resistência, participou de campanhas políticas e atuou em instituições culturais para ampliar o acesso à arte e à cultura como passos fundamentais no fortalecimento das democracias.
Núcleos expositivos
As mais de 400 obras da exposição estão agrupadas em diferentes núcleos, que se cruzam e se complementam. Em “Desocultações”, estão reunidas as fotografias da juventude de Lemos, realizadas entre 1949 e 1952, ainda em Lisboa. Nesse período, o artista se aproximou do Partido Comunista e do movimento surrealista, integrando um grupo de jovens que promovia ações de oposição ao conservadorismo crescente da arte burguesa e à repressão do Estado Novo, instaurado em 1933.
Desde jovem, Fernando Lemos encontrou no surrealismo francês um campo fértil para sua arte, interessando-se pelas imagens do inconsciente, pela escrita automática e pelos princípios de ocultação e desocultação. Desdobrou essas ideias em dezenas de retratos de múltipla exposição, em preto e branco e médio formato, registrando uma geração de artistas e pensadores que tentavam resistir ao avanço da ditadura portuguesa. “Quando fotografamos uma pessoa, não estamos fotografando uma coisa fixa, uma máscara. Afinal, numa fração de segundo, tudo muda. Mudamos nossa expressão a todo instante, subitamente, várias vezes. Então o retrato deve ser múltiplo para dar mais vida à imagem. Nós não somos uma máscara”, declarou em entrevista à revista ZUM (disponível AQUI).
Exilado no Brasil a partir de 1953, Lemos ainda fotografou as escritoras Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles e os artistas Wyllis de Castro e Hércules Barsotti, mas aos poucos se afastou da fotografia. As imagens surrealistas foram retomadas apenas nos anos 1990, depois de uma grande exposição na Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Lisboa. “Os retratos que fiz tornaram-se uma galeria de figuras importantes que àquela altura não podiam fazer nada. Não era só arte, era uma luta antifascista, antissalazarista, que custou a vida de muitos”, relembrou.
A produção de desenhos é um dos destaques da exposição e aparece em núcleos como “Coreografias”, “Ritmos & melodias” e “Caligrafias”. Ao longo dos anos 1950 e 1960, Lemos se inseriu na cena artística brasileira graças a participações em salões e bienais. Sua atuação se desdobrou em diferentes linguagens, como a pintura, a moda e o design, mas foram o desenho e a poesia que ocuparam lugar central em sua vida.
No núcleo “Coreografias”, destaca-se um conjunto de desenhos que explora o corpo e o retrato. Ao chegar ao Rio de Janeiro, em 1953, Lemos retomou o interesse pela figuração e produziu um conjunto notável, chamado Desenhos inocentes, em que examina a anatomia humana em cenas repletas de humor e sensualidade. “Ritmos & melodias”, também centrado no desenho, reúne trabalhos que se afastam da figuração para construir modulações rítmicas e melódicas a partir de traços e pinceladas. O interesse pela construção modular e sintética também se desdobrou em trabalhos de design gráfico e estamparia, incluindo logotipos, como o do Memorial da América Latina, e tecidos para a Rhodia.
Em “Caligrafias”, Lemos se debruça sobre a fronteira que separa a escrita e o desenho, explorando elementos sígnicos que sugerem alfabetos misteriosos e cifrados. O interesse pela autonomia do desenho deu origem a uma de suas séries mais importantes, conhecida como Memórias (1984). Impressa em chapas de alumínio, a série é uma autobiografia gráfica, que reúne fragmentos do alfabeto visual de Lemos em uma composição com temas militares, orientais, eróticos e musicais.
Em um conjunto conhecido como Desenhos deficientes (s/d), Lemos desmonta o símbolo internacional de deficiência para inseri-lo em ações e atividades. Por trás do exercício despretensioso, surge um estudo crítico e provocador sobre a experiência do cadeirante a partir de sua própria vivência, tratando de sexo e morte, medo e delírio, vigilância e perseguição, sem qualquer dose de moralismo, condescendência ou autocomiseração.
O núcleo “Arte no front” apresenta a atuação política e social do artista. Desde sua chegada ao Brasil, Lemos conciliou a produção individual com uma intensa participação em projetos coletivos.
Nos anos 1950, Lemos trabalhou na exposição do Quarto Centenário de São Paulo (1954) e colaborou com ilustrações em revistas como Manchete e jornais como O Estado de S. Paulo. Em 1956, integrou a equipe do jornal Portugal Democrático, editado por exilados políticos portugueses radicados no Brasil. Lemos produziu caricaturas e charges para a publicação, que foi um órgão fundamental na resistência à ditadura e às ocupações coloniais portuguesas.
A atuação de Lemos também se estendeu à produção editorial e à educação infantil. Com o escritor Sidónio Muralha, fundou a editora Giroflé, que se dedicou à publicação de livros para crianças, elaborados por grandes artistas e escritores, como Cecília Meirelles e Maria Bonomi. Lemos defendia a alfabetização visual das crianças e a produção de material didático que estimulasse o interesse por desenho. O projeto pioneiro contava com apoio de empresários e intelectuais, como Max Feffer, Fanny Abramovich e Darcy Ribeiro, mas foi encerrado em 1964, logo após o golpe militar que instalou a ditadura no Brasil.
O próprio Lemos ilustrou diversos livros infantis, entre eles Sexo e educação é natural, escrito por Sabá Gervásio e destinado a crianças de 4 a 8 anos. O livro foi publicado em 1969, logo após a promulgação do AI-5. A atenção do artista ao universo infantil é destaque da exposição, revelando uma parte menos conhecida de seu trabalho e o interesse em aproximar a arte das novas gerações.
Nos anos 1960, Lemos dirigiu o estúdio de criação Maitiry e codirigiu a fotografia do filme Compasso de espera (1969/1973), de Antunes Filho, marco da luta antirracista. Com o avanço da luta democrática, sua atuação se tornou ainda mais engajada. Em 1978, produziu um cartaz em favor da anistia de presos políticos. Em 1985, juntou-se a artistas na campanha de Fernando Henrique Cardoso para a prefeitura de São Paulo, na primeira eleição municipal direta no período pós-ditadura. Ao lado de artistas e intelectuais, estruturou as pesquisas do Idart e dirigiu o Centro Cultural São Paulo (1983).
Mais tarde, colaborou com a campanha para a sensibilização sobre a aids, promovida pelo Sesc São Paulo (1995); com a exposição 50 anos de Hiroshima, organizada pelo Greenpeace no Sesc Pompeia, para homenagear as vítimas da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos contra o Japão (1995); e, em 1997, criou o slogan “Por amor a ti, Timor amordaçado” para o Movimento 25 de Abril pela Libertação do Timor-Leste, mobilizando políticos, artistas e intelectuais pelo fim da ocupação da Indonésia na ex-colônia portuguesa, entre muitas outras iniciativas.
“A exposição se baseia no arquivo íntimo do artista, o material que estava com ele quando partiu. É uma rara oportunidade de entender a gênese de seu pensamento através do trânsito fértil que une esboços e obras prontas, sem a necessidade de estabelecer fronteiras precisas”, afirma o curador.
A exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo faz parte das comemorações do centenário de nascimento de Fernando Lemos no Brasil e em Portugal, um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o Instituto Moreira Salles.
A exposição conta com assistência curatorial de Laura Sapucaia, pesquisa adicional de Ângelo Manjabosco e Carolina Natividade da Cruz, consultoria do acervo da família por Rosely Nakagawa e depoimentos inéditos de Ana Maria Belluzzo, Chico Homem de Melo, Rui Moreira Leite e Beatrix Overmeer.
Serviço
Exposição | Quanto mais desejo
De 19 de setembro a 7 de fevereiro
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores ícones da música brasileira, oferece uma visão detalhada sobre os 12 LPs que marcaram a carreira solo do maestro, gravados entre 1963 e 1994, desde o primeiro álbum, The Composer of Desafinado Plays, até Antonio Brasileiro, passando por marcos como Wave, Matita Perê, Urubu e outros.
A exposição, que promete ser uma experiência imersiva, convida os visitantes a explorarem a trajetória artística de Tom Jobim por meio de documentos, fotos, gravações, partituras e objetos pessoais pertencentes ao acervo do Instituto. O conceito da exposição surgiu em 2020, durante a pandemia, a partir de uma série de entrevistas virtuais entre Paulo Jobim, filho do maestro e morto recentemente, e Aluísio Didier, curador da mostra e amigo de Tom, que assumiu a direção do instituto neste mesmo ano. Essas conversas, realizadas via Zoom, revelaram detalhes inéditos sobre o processo criativo do compositor e agora se transformaram em documentários, que revelam o processo por trás de cada álbum, oferecendo uma perspectiva íntima e pessoal sobre o legado musical de Jobim. Os vídeos com as conversas foram editados pelo cineasta Cayo Oliveira, também produtor da exposição, e serão apresentados pela primeira vez.
A curadoria de Didier ilumina momentos importantes da carreira do compositor como seu encontro com Vinícius de Moraes, que resultou em clássicos eternos da Bossa Nova e sua colaboração com João Gilberto no LP Chega de Saudade.
Tom Jobim: Discos Solo é uma homenagem a um artista que não apenas transcendeu fronteiras, mas que continua a influenciar gerações de músicos e fãs ao redor do mundo. A exposição não só celebra a obra solo do maestro, como também convida o público a revisitar e redescobrir a profundidade e a beleza de sua música.
Histórias inusitadas
Na exposição, histórias inusitadas do maestro irão divertir os visitantes. Entre elas, duas bastante icônicas, lembradas por Paulo Jobim e Didier nos documentários.
Autor de várias canções com nomes de mulheres, Tom foi procurado por um pesquisador com um projeto de livro sobre as músicas e suas musas inspiradoras: Luiza, personagem interpretada por Vera Fischer na novela Brilhante; Gabriela, personagem de Jorge Amado; O samba de Maria Luiza, a filha caçula, entre outras.
No entanto, o tal pesquisador também pergunta pela “musa” Carla que inspirara a canção do mesmo nome. Tom se surpreende e questiona: “Que Carla?” O pesquisador insiste: “Ora, a da música dos anos 50, “Carla, meu amor”, responde o rapaz. Acontece que a canção se chamava “Cala, meu amor”.
“O pesquisador já havia até se encontrado com a mulher que tinha sido a fonte de inspiração”, diverte -se Paulinho, em um dos bate-papo com Didier.
***
Músicos são sempre cobrados pela crítica ou pelos fãs por novidades, novas músicas, por uma atualização de sua arte, um diálogo com influências, novas tecnologias. Com Tom, sempre fiel ao “velho” piano acústico ou ao violão, não foi diferente. No disco Tide, podemos ouvi-lo no piano elétrico Fender Rhodes, hoje um clássico, mas na época, um som diferente, um passo à frente dos instrumentos acústicos. Na época as pessoas se perguntaram: “O que houve, Tom cedendo a um som mais pop?” Sim e não. Se o resultado ficou ótimo na faixa “Takatanga”, o fato se deveu a um copo de uísque derrubado dentro do piano acústico do estúdio, que impossibilitou o instrumento para a gravação. “Jobim, sem opção, aceita arriscar-se no Fender Rhodes e parece que gostou, pois no LP seguinte, Stone Flower, repete a experiência em várias faixas”, conta Didier.
Serviço
Exposição | Tom Jobim: Discos Solo
De 09 de outubro (exposição permanete)
Diariamente (exceto na quarta-feira), de 9h às 17h
Período
Local
Instituto Antonio Carlos Jobim
Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro - RJ
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O MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da USP) possui um importante conjunto de 561 desenhos de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Reunidos pelo próprio artista, abarcando sua produção de 1920
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O MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da USP) possui um importante conjunto de 561 desenhos de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Reunidos pelo próprio artista, abarcando sua produção de 1920 a 1950. A exposição Di Cavalcanti: militante, boêmio, brasileiro, que o Museu apresenta a partir de 8 de novembro, traz 115 desenhos desse conjunto.
A curadoria de Helouise Costa e Marcelo Bortoloti observa que, embora mais conhecido como pintor “, Di Cavalcanti iniciou-se na arte por meio do desenho e fez dele um espaço de liberdade temática e estilística, de diálogo com outros artistas e rica experimentação”.
Em uma projeção audiovisual, todos os 561 desenhos serão apresentados ao público. Além dos desenhos pertencentes ao MAC USP serão apresentadas obras vindas do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB USP), Museu de Arte Brasileira (FAAP), Biblioteca Mário de Andrade, Pinacoteca de São Paulo e coleções particulares.
Serviço
Exposição | DI CAVALCANTI: militante, boêmio, brasileiro
De 08 de novembro a 18 de outubro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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A Portas Vilaseca inaugura Fogo Corredor, exposição coletiva que reúne 20 artistas de diferentes gerações e linguagens, marcando o encerramento da programação de 2025. Com curadoria de Lucas Albuquerque, a
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A Portas Vilaseca inaugura Fogo Corredor, exposição coletiva que reúne 20 artistas de diferentes gerações e linguagens, marcando o encerramento da programação de 2025. Com curadoria de Lucas Albuquerque, a mostra apresenta artistas representados pela galeria e convidados de diversas regiões do país, incluindo Guerreiro do Divino Amor, Rayana Rayo, Thiago Martins de Melo, entre outros.
Em uma expografia provocante, Fogo Corredor nasce da reflexão em torno de histórias populares e encantarias associadas ao fogo. É o caso da lenda que dá título à mostra: um ser sobrenatural feito de fogo, integrante de crenças populares do Norte e Nordeste do Brasil, cujas narrativas o associam a almas de pessoas mortas que retornam para assustar, queimar ou perseguir suas vítimas.
Dividida em dois andares, a mostra propõe dois percursos expositivos que se complementam. O térreo agrupa trabalhos que sugerem ou derivam de relações com o sagrado, seja ele de ordem profana ou não. André Griffo, Thiago Martins de Melo e Manuela Costa Lima abordam as conotações ora punitivas, ora purificadoras do fogo em tradições cristãs e pagãs, enquanto Paloma Bosquê, Ayla Tavares e Alex Cerveny propõem narrativas em torno de rituais, seres fantásticos e deambulações sincréticas, explorando as formas e materialidades de seus trabalhos.
No terceiro andar da galeria, as narrativas fantasmagóricas do fogo aparecem como elemento pop, apresentadas em obras que o tratam como pastiche, derivação ou virtualidade. O grupo reúne artistas como Guerreiro do Divino Amor, biarritzzz e Randolpho Lamonier, em cujos trabalhos o fogo se manifesta em narrativas que entrelaçam história e política, evocando sujeitos historicamente localizáveis — vivos ou mortos. Já Mateus Moreira e Luiza Lukah mergulham em fabulações sobre seres incandescentes.
Em uma proposição que combina arte, história popular, literatura e ficção, o curador fluminense Lucas Albuquerque sugere uma narrativa sobrenatural, na qual cada obra atua como uma entidade de uma história compartilhada: “Conduzido nos fios de ficção de vinte artistas – por vezes ancorados em ecos da realidade, principalmente nas obras de maior teor político – Fogo Corredor apresenta dois pequenos universos cósmicos, tramados entre a força vital do artista e a espiritual daqueles que são convocados e/ou imaginados”.
Esperamos a sua visita!
Serviço
Exposição | Fogo Corredor
De 13 de novembro a 10 de outubro 2026
Terça a sexta, das 11h às 19h, sábados, das 11h às 17h.
Período
Local
Portas Vilaseca Galeria
Rua Dona Mariana, 137, casa 2, Botafogo, Rio de Janeiro - RJ
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos sociais, de ritos da umbanda e paisagens rurais, e cuja vida reflete diversos aspectos da modernidade no país.
A mostra Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro.
Paulo Pedro Leal passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século 20, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, Afogamento de mendigos (1965) Naufrágio (1953) ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra.
Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, Jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
Serviço
Exposição | Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio
De 11 de abril a 08 de novembro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical – Recanto no Sesc Pinheiros, com curadoria de Orlando Maneschy e curadoria adjunta de Keyla Sobral. Com cerca de 280 obras, a mostra propõe uma imersão no imaginário de um Brasil plural, múltiplo e em constante reinvenção, compondo um mosaico que vai de imagens históricas a produções contemporâneas e que se voltam às experiências singulares em territórios distintos e entendimentos de mundo.
Delírio Tropical – Recanto constrói uma narrativa que articula diferentes manifestações visuais artísticas — da fotografia ao vídeo, passando por cartazes, lambes, revistas, esculturas, pinturas e objetos. A mostra propõe uma reflexão sobre o papel das imagens na construção do entendimento do país e de suas múltiplas identidades, a partir de uma curadoria que reúne artistas comprometidos com suas experiências, territórios e modos de existência, incluindo perspectivas culturais das várias regiões do país, ao lado de uma diversidade de vozes contemporâneas.
O conjunto expositivo inclui obras de artistas como Anna Maria Maiolino, Ayrson Heráclito, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Hal Wildson, Índigo Braga, Rosângela Rennó e Karim Aïnouz.
“Buscamos reunir artistas que olham para o Brasil a partir de seus territórios, que usam a imagem como elemento decisivo na construção de discursos, ressaltando uma ideia de país diverso”, afirma o curador Orlando Maneschy. “A exposição é um convite a romper com olhares estereotipados e a se abrir para experiências que nos deslocam e nos transformam”, completa Maneschy.
Originalmente apresentada na Pinacoteca do Ceará como parte do Fotofestival Solar, a exposição chega ao Sesc Pinheiros como itinerância, ampliando o acesso a um conjunto de obras que tensionam estereótipos e revelam um Brasil marcado por disputas simbólicas, afetos, violências, resistências e desejos. Na capital paulista, a mostra conta com uma obra inédita de Keyla Sobral e expografia pensada para as especificidades do Sesc Pinheiros.
Um caminho visual por múltiplos Brasis
A mostra parte da ideia de que a imagem, em suas múltiplas formas de circulação — do das capas de discos ao GIF, da fotografia ao impresso que atravessa o cotidiano — é um elemento central na construção do imaginário brasileiro. Com artistas de diferentes contextos, a seleção de obras apresenta um país em construção e diverso, atravessado por tensões entre memória e atualidade, sem buscar um discurso fechado, mas aberto à reflexão. Nesse percurso, imagens históricas e contemporâneas se aproximam para retomar questões que seguem latentes, sugerindo continuidades entre passado e presente.
Mais do que um recorte autoral, Delírio Tropical – Recanto sugere um campo de escuta em que os trabalhos dialogam entre si e constroem, coletivamente, uma leitura possível do Brasil, entre tantas outras plausíveis, que não quer ser totalizante e, inclusive, assume ausências e lacunas. A curadoria se organiza como uma articulação desses olhares, e o resultado é um caminho por um Brasil em que diferentes corpos, identidades e narrativas emergem não como representação, mas como presença, ativando outras formas de ver, imaginar e se relacionar com o país.
A expografia conduz o visitante por um fluxo imersivo que começa em um ambiente de caráter quase ritualístico, evocando a ruptura com visões cristalizadas, e avança por núcleos que abordam temas como identidade, memória, mídia, território e poder. Ao longo do trajeto, obras de distintas épocas e contextos entram em diálogo, criando conexões inesperadas e ativando novas leituras sobre o Brasil.
A relação entre imagem e circulação também está em destaque na montagem, incorporando elementos da cultura visual cotidiana, como capas de revistas, de discos e registros documentais, que ajudam a construir o imaginário coletivo brasileiro. Nesse sentido, Delírio Tropical – Recanto propõe não apenas observar imagens, mas refletir sobre como elas moldam percepções, narrativas e sentidos.
A realização da mostra integra o compromisso institucional do Sesc São Paulo de ampliar o acesso à produção artística contemporânea e promover o encontro entre diferentes públicos e repertórios culturais. É um convite ao público para reimaginar o Brasil a partir de sua diversidade, de seus contrastes e de sua riqueza simbólica. A programação inclui ainda ações educativas, visitas mediadas e atividades formativas, ampliando as possibilidades de diálogo com os públicos.
Serviço
Exposição | Delírio Tropical – Recanto
De 6 de maio a 13 de outubro
Terça a sábado, das 10h30 às 21h, domingos e feriados, das 10h30 às 18h
Período
Local
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo - SP
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A mostra O espaço e o lugar, na DAN Galeria Interior, reúne 75 obras e propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa
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A mostra O espaço e o lugar, na DAN Galeria Interior, reúne 75 obras e propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa pelo corpo e pela memória, com curadoria de Fábio Magalhães e expografia do Fernando Poles Arquitetos. A cadeira, presente em diferentes trabalhos, conduz essa investigação: objeto cotidiano, medida humana, ponto de repouso, marca de intimidade e também abertura para uma dimensão mais ampla, ligada ao tempo e ao espaço.
A partir desse eixo, Fábio Magalhães aproxima obras de Adolfo Estrada, Almir Mavignier, Dionísio Del Santo, Ferreira Gullar, Gonçalo Ivo, José Roberto Aguilar, José Spaniol, Sergio Fingermann e Valentino Fialdini. O percurso articula pinturas, objetos, obras geométricas e abstratas em torno de uma pergunta central: como uma situação privada pode conter uma ideia de mundo?
Serviço
Exposição | O espaço e o lugar
De 09 de maio a 10 de outubro
Segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria Interior
Av. Ireno da Silva Venâncio, 199 - Protestantes, Votorantim - SP
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado,
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.
“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press — estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos.
A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.
Complexidade e beleza
Visitantes poderão apreciar obras de múltiplas cores, estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos; as gravuras de Beatriz desenvolvidas ao lado de Jean-Paul Rusell.
A produção da artista é marcada por uma linguagem de complexidade e beleza, e pela coerência no modo como consegue transitar entre diferentes técnicas, partindo sempre da pintura até chegar nas gravuras.
Em suas obras aparecem também formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas, incrementando a tradição geométrica brasileira. Na exposição é possível também perceber o modo como Milhazes monta e remonta as formas, as cores e os espaços aparentemente vazios, como os que aparecem em O pato (1996) e Noite de verão (2006).
Serviço
Exposição | Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo
De 16 de maio a 14 de março de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Estação
Lg. General Osório, 66, São Paulo - SP
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O Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, administrado pela Organização Social de
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O Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, administrado pela Organização Social de Cultura SAMAS, apresenta a exposição “Elementares”, da artista Denise Milan, que apresenta um conjunto de obras que articulam arte, ciência e pensamento contemporâneo a partir da investigação da matéria. A mostra, com curadoria de Naomi Moniz, destaca a produção recente da artista em diálogo com sua trajetória consolidada, marcada pelo uso de geodos e cristais como elementos centrais de sua pesquisa.
Reunindo um conjunto significativo de obras, a exposição investiga os sistemas dinâmicos da matéria em nível molecular, articulando conceitos como caos, criatividade, sobrevivência, adaptação e transformação. No centro desse percurso está o que a artista define como o “drama da matéria” — uma narrativa que compreende a Terra como organismo vivo, portador de memória e energia.
Ao tratar a pedra como um banco de dados, Denise Milan propõe uma leitura da matéria como arquivo de processos que atravessam o tempo profundo do planeta, revelando histórias formadas ao longo de milhões de anos. Os trabalhos apresentados evidenciam os ciclos de criação e destruição que estruturam a vida na Terra e apontam para uma mudança de perspectiva: antigas metanarrativas cedem espaço a uma fabulação especulativa que inclui toda a natureza como agente ativo.
Nesse contexto, animais, florestas, microrganismos e minerais assumem protagonismo, ressaltando a interdependência entre os diferentes sistemas de vida e a delicada sintonia que sustenta o universo. Combinando rigor conceitual e força visual, a exposição aproxima arte e ciência para refletir sobre o papel da matéria como potência criativa e narrativa.
Com “Elementares”, Denise Milan convida o público a repensar as relações entre humanidade e natureza, em um momento em que compreender os ciclos e a energia do planeta se torna cada vez mais urgente. A mostra reafirma a relevância de sua trajetória no cenário contemporâneo e propõe uma experiência que conecta estética, conhecimento e imaginação sobre os futuros possíveis da Terra.
A exposição se organiza em cinco núcleos que funcionam como uma travessia entre matéria, origem, transformação e percepção. Cada conjunto ocupa uma etapa desse percurso e ajuda a orientar o visitante dentro da pesquisa de Denise Milan sobre arte, ciência, natureza e espiritualidade.
Elementares I reúne imagens derivadas de geodos e cristais em que surgem figuras humanas, organismos e formas híbridas inscritas na própria matéria mineral. As obras partem da observação de basaltos e quartzos cristalizados ao longo de milhões de anos. Denise Milan trata essas formações como “enunciações de vidas eternas” e associa o núcleo às origens da matéria e aos processos de coexistência entre diferentes estruturas minerais.
Elementares II amplia essa investigação e desloca as figuras minerais para uma dimensão mais corporal e escultórica. O núcleo apresenta peças em alumínio fundido derivadas das formas observadas nos cristais, transformando desenhos minerais em presenças físicas. Aqui, a exposição aproxima geologia, corpo e memória, propondo uma leitura da matéria como organismo em transformação contínua.
Imaginários da Terra articula pedra, metal e quartzito em obras que aproximam ciência, imaginação e paisagem. Denise Milan trata a natureza como linguagem e constrói composições em que minerais, superfícies e vazios funcionam como mapas simbólicos da formação terrestre. O núcleo dialoga diretamente com a ideia de escutar a natureza “em sua própria linguagem”, citada no catálogo a partir do físico Frank Wilczek.
Explosões concentra trabalhos ligados à expansão, ruptura e energia interna dos cristais. As obras partem de estruturas geométricas e simétricas encontradas na natureza para discutir instabilidade, transformação e imprevisibilidade. O catálogo relaciona esse núcleo à complexidade do universo e às formas de organização da matéria.
Origens funciona como eixo conceitual da mostra e conecta todos os núcleos anteriores. A ideia de origem aparece tanto no sentido geológico quanto espiritual: origem da matéria, da vida, da consciência e das imagens. Ao longo do percurso, a exposição aproxima ciência, mineralogia e imaginação para construir uma narrativa em que o ser humano deixa de ocupar o centro e passa a ser entendido como parte de um processo cósmico, biológico e terrestre mais amplo.
“Denise tece fábulas como metáfora para sugerir uma revolução nos padrões de comportamento humano e uma nova conduta, centrada na conexão, cooperação e cura, em vez de polarização, cobiça e rivalidade. Elementares não apenas expande os limites artísticos que Milan vem explorando ao longo de toda a sua carreira, mas também nos incita a questionar não apenas a maneira como nós, humanos, pensamos que devemos interagir e nos comportar uns com os outros, mas nos vermos como parte da Natureza e da rede da vida. É um convite para uma jornada além de nós mesmos: um “transumanar” como diria Dante Alighieri, adquirir mais conhecimentos para evoluir e acompanhar a “Estrela Guia” às cavernas escuras e profundas do ventre da terra. Nelas, as figuras estranhamente familiares despertam lembranças perdidas de estados inconscientes da memória ao nos reconhecermos– seres flutuando em lugares do “antes “ e “depois”, suspensos na simetria do tempo e do espaço que revela o centro, lugar de origem e do futuro.”
Naomi Moniz, curadora
Serviço
Exposição | Elementares
De 29 de maio a 27 de setembro
Terça a domingo, das 09h às 17h (entrada até às 16h30)
Período
Local
Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS / SP
Avenida Tiradentes, 676 Luz - São Paulo - SP
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A iniciativa, concebida pela Haus der Kunst (Munique, Alemanha) e realizada em colaboração com a Pinacoteca, visa colocar a infância no centro da experiência artística. Mais do que uma exposição,
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A iniciativa, concebida pela Haus der Kunst (Munique, Alemanha) e realizada em colaboração com a Pinacoteca, visa colocar a infância no centro da experiência artística. Mais do que uma exposição, trata-se de uma rede de trocas culturais que convida crianças a pensarem, viverem e intervirem no mundo por meio da arte.
“Para crianças: experiências com a arte desde 1968” é focada no público infantil, embora se estenda a visitantes de todas as idades. Inaugurada na Haus der Kunst, em Munique, na Alemanha, em 2025. Agora na Pinacoteca, ela reúne trabalhos de onze artistas de vários países, todos, a seu modo, atravessados por materiais, brincadeiras, perguntas, pesquisas e histórias tão característicos do universo das crianças.
A obra mais antiga é de 1968 e essa não é uma data qualquer. Nesse período histórico, os movimentos de contracultura questionaram as estruturas sociais e saíram em defesa de liberdade de pensamento e expressão para todas as pessoas.
Desde então, ficou evidente que a infância inspira uma sensibilidade e um conjunto de atitudes imprescindíveis para as mudanças individuais e coletivas. A vida em sociedade, a arte e o museu não são os mesmos na presença de uma criança.
Curadoria de Ana Maria Maia e Lorraine Mendes.
A exposição tem patrocínio de Mattos Filho, Acrilex, Ateliê Quero Quero. Apoio institucional: Unicef, para cada criança. Realização: Haus der Kuns, APAC, Pinacoteca de São Paulo, CULTSP, Secretaria da Cultura, Economia e Industria Criativas, Ministério da cultura Governo do Brasil do lado do povo brasileiro
Uma exposição de Haus der Kuns e da Pinacoteca de São Paulo.
Serviço
Exposição | Para crianças: experiências com a arte desde 1968
De 30 de maio a 18 de outubro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias e um vídeo. A curadoria é de Fernanda Pitta, docente do MAC USP. A ideia da exposição nasceu em 1978, quando Nelson Felix, visitando a região andina, percebeu uma coincidência entre as línguas Aimara (falada na região) e o Aramaico (da tradição semítica, do oriente médio): escritas em espanhol elas se tornam palíndromos (Aemara e Aramea). Felix passou a carregar esse pensamento por décadas, até encontrar em Beijo de Língua, a forma para materializá-la como uma das maiores exposições já realizadas pelo artista. “É uma exposição de esculturas, principalmente”, diz Nelson.
No núcleo central da mostra, Felix apresenta três esculturas criadas a partir de chapas de mármore. Escultura para Homero, Escultura para Santa Teresa e Escultura para Bertrand articulam três campos centrais em seu trabalho: sacrifício, tolerância e amor. O artista escolheu textos de três autores – Bertrand Russel, Homero e Santa Teresa D’Ávila, e alguns trechos são escritos nas línguas Aimara e Aramaico nas chapas de mármore, criando uma superfície rendada na pedra. Beijo de Língua tem três esculturas, formadas por duas chapas de mármore cada uma. As duas chapas, coladas, têm o mesmo texto, em duas versões: de um lado em Aimara e do outro, em Aramaico.
– Colo estas duas chapas com os textos, aliás, é a primeira vez que uso cola em meu trabalho. Aqui a cola é material tão importante como o próprio mármore, ou o bronze ou mesmo os elementos vegetais que uso. Assim, nos caracteres, surgem vazamentos mútuos, as línguas se tocam, é para mim, um beijo – afirma o artista.
“As superfícies se tocam, mas mantêm intervalos onde os idiomas não coincidem. A cola evidencia a operação que sustenta a união sem eliminar a diferença. O texto passa a atuar como matéria, inscrita e articulada na estrutura da obra”, observa a curadora Fernanda Pitta.
Já Carta de amor, trabalho apresentado em 2022 em forma contínua, como um projeto, agora ganha duas novas versões, escultóricas: Pétala e Caule. As obras apresentam diversos materiais: mármore, bronze, ferro, cabo de aço, cacto e fio de seda. As séries de desenhos revelam diferentes facetas do trabalho de Felix, com referências de obras anteriores, e estudos do trabalho atual. Na série 7 noites vazias e 21 dias como 21 anos (2024) podemos ver um mesmo gesto, feito com bastão de óleo, que nunca é igual a si mesmo. A obra gráfica Tartaruga de Homero (2024), série com três trabalhos, traz referências do verso de Homero (Hino Homérico a Hermes), em que Hermes mata uma tartaruga e cria a primeira cítara. Para Felix, na criação deste instrumento, acontece o nascimento da música.
Para a curadora da exposição, “a partir do movimento de retomada e rearticulação contínua de ideias, materiais e procedimentos, as obras de Nelson Felix deixam de operar de forma isolada e passam a constituir um conjunto de relações, formando um conjunto aberto, em que as obras se relacionam por aproximações e distâncias, entre línguas e sistemas de pensamento, como o Aramaico e o Aimara, eixo central da exposição.”
Exposição | Beijo de Língua
De 30 de maio a 20 de novembro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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A Casa Museu Ema Klabin apresenta a exposição Habitar São Paulo: relatos femininos, com idealização do curador da casa museu, Paulo de Freitas Costa, e curadoria do núcleo educativo. A
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A Casa Museu Ema Klabin apresenta a exposição Habitar São Paulo: relatos femininos, com idealização do curador da casa museu, Paulo de Freitas Costa, e curadoria do núcleo educativo. A mostra convida o público a percorrer a cidade a partir de narrativas de dez escritoras, reunindo trechos de suas obras que atravessam o cotidiano, a memória e o espaço de suas casas em São Paulo. Ao transitar entre o íntimo e o coletivo, os relatos revelam diferentes formas de viver e perceber a cidade. Os trechos selecionados estarão expostos ao lado de fotografias raras dos ambientes de suas casas, que remetem aos contextos descritos pelas autoras.
A exposição busca apresentar a cidade a partir de narrativas femininas que atravessam diferentes épocas, contextos sociais e territórios. Gilda de Mello e Souza, Zélia Gattai, Rita Lee, Giovana Madalosso, Paula Fábrio, Adriele Oliveira, Helena Silvestre, Lilia Guerra, Luísa Marilac e Prudence Kalambay partem da memória íntima, familiar e coletiva para construir retratos de diferentes formas de habitar a cidade.
“São Paulo guarda muitas memórias, muitas histórias. A exposição Habitar São Paulo: relatos femininos toma emprestado o olhar e a perspectiva dessas escritoras que descreveram realidades e histórias tão particulares quanto universais, nos trazendo relatos sensíveis, trágicos, íntimos ou até engraçados. A mostra busca, assim, ampliar o olhar para uma pluralidade de vivências em uma cidade marcada por intensos contrastes”, explica Cristiane Alves, coordenadora do educativo e uma das curadoras da exposição.
Esses relatos serão apresentados a partir de cinco eixos narrativos: família, trabalho e convívio; memória de objetos e espaços; da janela para fora; percepções sensoriais; e a cidade sonhada. Organizada a partir desses percursos, a exposição se distribui pelos ambientes da casa museu e propõe um diálogo entre literatura e memória. O público também terá acesso a gravações em áudio com vozes femininas que narram os textos selecionados e a um espaço de leitura com livros das escritoras participantes, possibilitando uma maior aproximação com as obras e narrativas presentes na mostra.
“Quando realizamos a exposição Tempos de uma casa no ano passado, percebemos a importância dos relatos de Ema Klabin e de suas amigas e funcionárias na construção de uma memória mais abrangente, com uma sensibilidade especial. Para esta exposição, pensamos em expandir a experiência, trazendo histórias potentes que nos permitem enxergar toda a cidade de outra forma”, afirma Paulo Costa, curador da casa museu e idealizador da mostra.
Exposição | Habitar São Paulo: relatos femininos
De 30 de maio a 27 de setembro
Quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até as 18h; visitas mediadas de quarta a sexta, às 11h, 14h, 15h e 16h; sábado, domingo e feriado, às 14h
Período
Local
Casa Museu Ema Klabin
Rua Portugal, 43 Jardim Europa São Paulo, SP
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade dos japoneses, refletindo diversas percepções evocadas no imaginário como paz, purificação, leveza, silêncio e até precisão. É esta cor que assume o papel de fio condutor da exposição “Shiro: uma escala de nuances” (shiro significa “branco”, em tradução do japonês), que estreia no dia 2 de junho na Japan House São Paulo (JHSP). A mostra inédita segue em cartaz no andar térreo da instituição até 25 de outubro, com entrada gratuita.
Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão, passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata, durante o Clube de Leitura JHSP + Quatro Cinco Um em junho do ano passado, que descreve as vastas paisagens brancas do norte do país e o processo de alvejamento de um tecido na neve. “Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”, afirma Natasha.
Dividida em quatro grandes núcleos temáticos correspondentes a cada elemento, a expografia convida os visitantes a um mergulho pelas nuances simbólicas da cor. Logo na entrada, uma tabela cromática com uma seleção de 19 tons de branco catalogados no Japão representa as diversas nuances que uma única cor pode ter, a partir das centenas de cores tradicionais do Japão.
No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo. A obra de aproximadamente três metros de altura também trabalha a relação do papel com luz e sombra a partir de um espelho em sua base. Neste núcleo, o público também poderá conhecer o processo de produção do Kurotani Washi (papel japonês tradicional feito à mão), desde a colheita dos ramos de Kōzo (amoreira) – base para a fabricação deste elemento – até sua finalização. Amostras de três tipos de fibras que dão origem ao washi: Kōzo, Mitsumata e Gampi também estarão em exibição.
Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação “untitled-grandmother”. A delicada obra site-specific de quase 4 metros de diâmetro reflete sobre memória afetiva e os laços construídos (e desconstruídos) dentro dessa relação familiar. Amostras de casulos do bicho-da-seda, fios e tecido da província japonesa de Gunma, referência na produção de seda, também serão apresentados neste núcleo, acompanhados por uma breve introdução em vídeo dessa confecção no Japão.
Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Para representar essa vastidão, foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama, além de um vídeo demonstrando o processo de criação. Nesses trabalhos, é possível ver como o artista compreende a paisagem tomada pela neve como uma tela em branco, para ir caminhando instintivamente sobre ela com um par de pequenos esquis, guiado apenas pelas imagens em sua mente sem o uso de ferramentas de medição. Desse processo, resultam quilômetros de linhas que formam desenhos complexos, possíveis de serem contemplados em sua magnitude apenas do alto. Efêmeras, as “Snow Art” de Kajiyama costumam ocupar áreas de aproximadamente 100m² cada. “Suas criações ocorrem desde antes do amanhecer, no silêncio congelante, enquanto o céu começa a mudar de cor e continuam pela tarde, às vezes estendendo-se por vários dias. Segundo o artista, cada passo que ele dá para compactar a neve representa sua filosofia de esculpir a própria vida com uma mentalidade positiva, mesmo diante das adversidades”, explica a curadora.
A neve é um elemento tão presente no dia a dia do Japão, que os japoneses até desenvolveram um glossário dedicado a descrever suas diversas formas – seja a neve fina que parece pó, seja a neve macia que se assemelha a um mochi (bolinho de arroz glutinoso).
Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Por isso, desde tempos antigos, a produção de sal é feita por um método que consiste em duas etapas: a concentração da água do mar em salinas, e o processo de evaporação por meio da fervura. Esse método permanece em prática até hoje, mesmo que a produção seja feita majoritariamente de forma industrializada. Além de ser utilizado como tempero e conservante, o sal também é um objeto ritualístico na tradição xintoísta. A prática popular de criar pequenos montes de sal e deixá-los perto das entradas das casas, estabelecimentos ou santuários, como forma de atrair boa sorte e afastar os maus espíritos é chamada de morishio ou morijio. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.
A exposição também integra o programa JHSP Acessível, oferecendo WebApp com conteúdos acessíveis e textos traduzidos em inglês, espanhol e japonês, bem como recursos táteis, audiodescrição e vídeos em Libras para proporcionar acessibilidade a todos os visitantes.
Exposição | Shiro: uma escala de nuances
De 02 de junho a 25 de outubro
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Período
Local
Japan House São Paulo
Avenida Paulista, 52 – Bela Vista, São Paulo - SP
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Com trabalhos que incluem fotografia, instalação, vídeo, performance e desenho, a produção de Carolina Caycedo (colombiana nascida em Londres, Reino Unido,1978) se constitui como um ponto de encontro entre saberes
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Com trabalhos que incluem fotografia, instalação, vídeo, performance e desenho, a produção de Carolina Caycedo (colombiana nascida em Londres, Reino Unido,1978) se constitui como um ponto de encontro entre saberes e práticas que vão da arte contemporânea aos saberes ancestrais ribeirinhos e às estratégias de resistência de movimentos sociais latino-americanos.
A trajetória de Caycedo foi marcada por múltiplos processos migratórios que informam sua prática, refletindo as relações simbólicas e culturais que estabelecemos com o mundo. Trabalhando frequentemente de forma colaborativa, a artista busca reconstruir uma memória comunitária dos bens comuns, que englobam desde o espaço público urbano até rios e montanhas.
Com curadoria de Isabella Rjeille, a exposição confluências apresenta um panorama abrangente de sua obra e conta com criações recentes desenvolvidas no contexto brasileiro em diálogo com outros contextos latino-americanos e suas diásporas. O título se refere tanto à convergência de cursos de água quanto ao encontro de pessoas, ideias e culturas.
As paredes da exposição Carolina Caycedo: confluências foram pintadas com a cor Porcelana da Tintas Coral, uma marca da AkzoNobel.
Serviço
Exposição | confluências
De 03 de julho a 04 de outubro
Terças e sextas das 10h às 22h; quartas, sábados e domingos das 10h às 18h
Período
Local
Edifício Pietro Maria Bardi - MASP
Av. Paulista, 1500 - Bela Vista, São Paulo - SP
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O que resta de um lugar quando ele é atravessado pela memória? Como a paisagem continua a se transformar quando passa a existir também no campo da imaginação? Essas questões
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O que resta de um lugar quando ele é atravessado pela memória? Como a paisagem continua a se transformar quando passa a existir também no campo da imaginação? Essas questões atravessam A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin, exposição que coloca em diálogo, pela primeira vez, os dois artistas nos espaços principais da Galatea Salvador. A abertura acontece durante as celebrações da Independência da Bahia, período em que a cidade revisita sua história e reafirma sua potência cultural.
Tomando a ideia de paraíso como construção simbólica, provisóriae subjetiva, a mostra coloca em diálogo duas pesquisas que investigam as relações entre matéria e transformação. Embora partam de linguagens distintas, Melzer e Landarin compartilham o interesse por elementos do mundo visível, como formações geológicas, organismos marinhos, relevos, arquiteturas e vestígios materiais, que são continuamente reelaborados em suas obras.
Gabriela Melzer dá continuidade à investigação que vem desenvolvendo nos últimos anos em torno da abstração, da cor e da percepção. Em suas pinturas, referências observadas na natureza e na paisagem construída são transformadas em composições marcadas por contornos orgânicos e pela construção de paisagens interiores.
Parte das obras nasce da observação da arquitetura de Salvador e dos desgastes provocados pela ação do clima sobre suas superfícies. Em vez de representação direta, Melzer converte essas referências em estruturas pictóricas nas quais formas orgânicas, campos cromáticos e sistemas lineares coexistem em negociação constante. Linhas sinuosas atravessam áreas de cor organizadas por divisões modulares, produzindo composições que equilibram controle e improvisação, estabilidade e mudança.
Suas pinturas são construídas por meio da sobreposição de sucessivas camadas de tinta, às quais se somam gestos realizados com bastões oleosos que registram movimentos e ritmos sobre a superfície. Em Desenhos (2026), série realizada com bastão de óleo sobre painel telado, Melzer intensifica a presença do desenho e aprofunda uma investigação voltada a aspectos que escapam à observação imediata. Linhas e campos de cor organizam-se em composições que convidam a uma observação prolongada.
Sobre seu processo criativo, Gabriela Melzer declara: “Nas obras, o meu objetivo não é meramente representar o mundo, mas explorar essas brechas — lugares onde o físico e o não físico se tocam, criando uma realidade que sentimos, mas não vemos. Essa é uma busca por abrir espaços que todos podem acessar, mesmo que não estejam claramente delineados. Trata-se de nos permitir sentir além do que estamos acostumados, juntos, e encontrar uma maneira de dar forma ao que normalmente passaria despercebido.”
Já Ygor Landarin apresenta obras que nascem de seu interesse pelos lugares que atravessam sua trajetória e pelos vestígios que permanecem neles. Bordado, escultura e materiais como areia, porcelana fria e cimento aparecem como ferramentas para investigar relações entre matéria, tempo e memória. Em muitos de seus trabalhos, referências arqueológicas, concheiros e sambaquis servem como ponto de partida.
Parte dessa produção foi desenvolvida para a exposição após uma temporada de pesquisa em Salvador, quando Landarin realizou coletas em praias da cidade e ampliou seu contato com referências locais. A obra de Juarez Paraíso torna-se referência central na construção de Paraízo (2026), que reúne areia, conchas, ouriços e pedras. O trabalho transforma esses elementos em uma espécie de cartografia afetiva da cidade, construída a partir de vestígios, deslocamentos e das marcas deixadas pela passagem do tempo na paisagem soteropolitana.
A mostra também marca o início da representação de Ygor Landarin pela Galatea. Em um momento de crescente projeção institucional, o artista integra, em 2026, a exposição 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e foi indicado ao Prêmio Pipa. Sua produção artística também integra a coleção do Museu de Arte do Rio.
Mesmo partindo de práticas distintas, Melzer e Landarin compartilham interesses estéticos que se cruzam. Na pesquisa artística de ambos, a matéria está sempre em transformação, entre acumulação e modificação ao longo do tempo e dos territórios. O Paraíso, aqui, transita entre o real e o imaginado, não como um lugar idealizado, mas como uma experiência em permanente mudança, onde imagens emergem como resultado de operações que articulam memória, observação e imaginação.
A programação da mostra inclui ainda uma conversa com Camila Yunes Guarita – fundadora da Kura e uma das principais art advisors do Brasil – ao lado de Gabriela Melzer e Ygor Landarin. O encontro será uma oportunidade para conhecer os caminhos que deram origem à exposição, destacando as aproximações entre as pesquisas dos artistas e a maneira como suas experiências em Salvador aparecem nos trabalhos apresentados. A atividade acontece no dia 3 de julho, às 16h30, pouco antes da abertura, no espaço principal da galeria.
Serviço
Exposição | A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin
De 03 de julho a 10 de outubro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, das 10:00h às 19:00h; Sexta, das 10h às 18h, das Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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Na exposição Alegorias ancestrais apresentamos um conjunto de desenhos produzidos por Elias Santos em 2004, pertencentes à série iniciada em 1995. A presença das máscaras dos Zambiapungas abre
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Na exposição Alegorias ancestrais apresentamos um conjunto de desenhos produzidos por Elias Santos em 2004, pertencentes à série iniciada em 1995. A presença das máscaras dos Zambiapungas abre espaço para uma leitura que articula as marcas de sofrimento presentes nesses corpos à violência histórica exercida contra populações africanas e afrodescendentes no Brasil. Nessa perspectiva, a deformação das figuras deixa de remeter apenas a experiências individuais e passa a evocar os processos de repressão que incidiram sobre essas práticas culturais e religiosas.
Paralelamente ao desenho, Elias desenvolve uma investigação escultórica ligada ao reaproveitamento de materiais cotidianos. Suas primeiras esculturas revelam o interesse por caixas de papelão, tecidos e materiais comuns encontrados no cotidiano urbano, como lixas adquiridas em lojas de construção civil e retalhos de tecidos. As esculturas apresentadas nesta exposição pertencem a dois momentos distintos de uma mesma pesquisa, compreendendo peças produzidas entre 2010 e 2013 e, posteriormente, entre 2024 e 2026. Em ambos os períodos, o papelão ocupa um lugar central em sua prática: um material simultaneamente frágil e resistente é utilizado tanto como estrutura prototípica quanto como parte constitutiva das peças. Após a modelagem dos volumes, as esculturas passam por sucessivas etapas de emassamento, lixamento e revestimento com tecidos preparados pelo próprio artista. O processo evidencia uma relação cuidadosa com a matéria, na qual cada etapa de elaboração contribui para a transformação de materiais ordinários em formas de grande sofisticação formal. Apesar de transitar por diferentes materialidades, suas esculturas encontram unidade na atenção dedicada aos processos construtivos, ao trabalho paciente de execução e à transformação dos materiais.
Na série mais antiga de esculturas geométricas aqui apresentada, predominam tonalidades sóbrias, como preto, branco e cinza, reforçando a dimensão estrutural e quase arquitetônica das peças. Suas formas pontiagudas e rigorosamente construídas evocam uma reflexão sobre a própria natureza da geometria, entendida não apenas como um sistema abstrato, mas como um princípio presente na constituição do mundo. Como observa o próprio artista, a forma geométrica está na base das formações minerais e das moléculas que compõem os organismos vivos e, consequentemente, as formas orgânicas.
À medida que essas esculturas se desenvolvem, seu geometrismo vai se complexificando, remetendo a repertórios simbólicos associados às religiões afro-brasileiras. Entre essas referências, destaca-se a relação que Elias Santos desenvolve com Exu, orixá responsável pela comunicação entre os mundos material e espiritual, cuja presença se manifesta de maneira recorrente em seu imaginário formal e simbólico. Em uma de suas peças, por exemplo, o tridente surge de forma explícita, tensionando a fronteira entre abstração geométrica e signo ritual. Esses elementos do universo das religiões afro-brasileiras atravessam o repertório visual do artista e se incorporam ao seu vocabulário formal. Embora não tenha sido iniciado na religião, Elias passou a conviver com esses universos, a frequentá-los e pesquisá-los após mudar-se para Salvador, onde ingressou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Entre terreiros, festas populares, feiras e manifestações culturais afro-brasileiras, esse conjunto de referências sedimentou-se em seu imaginário, tornando-se parte constitutiva das estruturas simbólicas e formais que atravessam sua produção.
A série mais recente de esculturas inaugura um novo momento em sua pesquisa. Nos últimos anos, a partir do convite da Galatea para participar da exposição coletiva Cais (Galatea Salvador, 2024) e dar continuidade à apresentação de suas obras na galeria, Elias retoma sua produção escultórica, incorporando formas mais curvas, camadas cromáticas intensas e materiais brilhantes, especialmente o lamê, tecido amplamente utilizado tanto nas vestimentas do candomblé quanto nas fantasias carnavalescas afro-baianas. Apesar da produção recente, a investigação desses materiais é anterior e remonta à sua experiência como assistente na confecção de adornos para o bloco afro Olodum, entre 2009 e 2010, quando teve contato direto com tecidos, brilhos e estampas, preservando as sobras desses materiais para futuras experimentações.
É nessa nova fase, apresentada nesta exposição por meio de esculturas inéditas, que suas obras se tornam mais sensuais, vibrantes e luminosas, intensificando suas dimensões performáticas. Os tecidos metálicos, brilhos e superfícies cintilantes projetam signos afro-brasileiros em um horizonte futurista, unindo ancestralidade e imaginação. As formas evocam memórias e cosmologias herdadas, refletindo um brilho do passado como forma de iluminar novas fabulações para o futuro.
Ao longo de sua trajetória, Elias Santos transforma a geometria em um campo de investigação no qual rigor formal, observação da natureza e repertórios afro-brasileiros se entrelaçam. Em suas esculturas, ritmos simétricos, estruturas modulares e volumes cuidadosamente construídos evocam tanto princípios presentes na constituição do mundo natural quanto símbolos e cosmologias associados às tradições afro-diaspóricas. Nesse sentido, sua produção aproxima-se de uma linhagem de escultores afro-brasileiros, como Rubem Valentim, José Adário dos Santos e Ayrson Heráclito.
Seja nos desenhos inspirados pelas formas híbridas das orquídeas, nos corpos mascarados que evocam os Zambiapungas ou nas esculturas construídas a partir de materiais reaproveitados, a obra de Elias revela um interesse contínuo pelos processos de transformação, nos quais natureza, corpo e ancestralidade se conectam em uma mesma investigação. Entre a precisão construtiva e a exuberância sensorial, suas obras articulam passado e presente, permanência e reinvenção, afirmando sua prática como forma de atualização de memórias e cosmologias que permanecem vivas e em constante transformação.
ALANA SILVEIRA é produtora cultural, curadora e diretora da Galatea Salvador
Serviço
Exposição | Alegorias ancestrais
De 03 de julho a 10 de outubro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, das 10:00h às 19:00h; Sexta, das 10h às 18h, das Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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Integrando a programação da 16ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARES, a exposição “Outras Paisagens“, com curadoria de Juliana Crispe e produção executiva de Corina Ishikura, reúne 35 artistas de
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Integrando a programação da 16ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARES, a exposição “Outras Paisagens“, com curadoria de Juliana Crispe e produção executiva de Corina Ishikura, reúne 35 artistas de diferentes gerações e territórios para refletir sobre as transformações urgentes do presente por meio da arte contemporânea. A mostra terá abertura no dia 1º de julho, às 19h, no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), no Centro Integrado de Cultura (CIC), e seguirá com visitação gratuita até o dia 4 de outubro de 2026.
A mostra propõe uma ampliação da ideia tradicional de paisagem. Mais do que representação do mundo natural, a paisagem é apresentada como experiência, memória, corpo, território e imaginação. As obras colocam em diálogo questões relacionadas às cosmologias ancestrais, aos arquivos, às expedições científicas, aos corpos dissidentes e aos imaginários especulativos, revelando tensões entre o humano e o tecnológico, o ancestral e o contemporâneo, o natural e o artificial.
Em sintonia com o tema LIMIARES, concebido pelas curadoras da Bienal Adriana Almada e Tereza de Arruda, a exposição habita espaços de transição e deslocamento, convidando o público a perceber o mundo como um campo em permanente transformação. Inspirada na noção de tempo espiralar, desenvolvida por Leda Maria Martins, a mostra compreende o passado, o presente e o futuro como temporalidades que se entrelaçam, abrindo caminhos para outras formas de existência, pertencimento e cuidado.
Ao reunir artistas na cena contemporânea, “Outras Paisagens” convida o visitante a deslocar o olhar e imaginar novas cartografias afetivas, políticas e sensíveis para o nosso tempo.
Participam da exposição os artistas: Aline Mararú, Aline Moreno, Amanda Melo da Mota, Ana Nitzan, Antonio Pulquério, Auá Mendes, bruCa teiXeira, Carlos Asp, Cássio Markowski, Corina Ishikura, Dani Shirozono, Desirée Feldmann, Elias Muradi, Fayga Ostrower, Franzoi, Jaider Esbell, Linda Poll, Lorena Galeri, Lucimar Bello, Marcella Moraes, Marcia Gadioli, Marina Uieara, Mauricio Igor, Milla Jung, Moara Tupinambá, Nilton Campos, Nita Monteiro, Rafaela Jemmene, Renata Felinto, Sandra Correia Favero, Sérgio Adriano H, Sheyla Ayo, Silvana Macêdo, Thatiana Cardoso e Tuca Chicalé.
Serviço
Exposição | Outras Paisagens
De 01 de julho a 04 de outubro
Terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Período
Local
Museu de Arte de Santa Catarina (MASC)
Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica – Florianópolis, SC
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Espaços de convivência e troca, as ruas revelam um Brasil plural, vibrante e em movimento, onde tradição e inovação caminham lado a lado, moldando formas de viver e de imaginar
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Espaços de convivência e troca, as ruas revelam um Brasil plural, vibrante e em movimento, onde tradição e inovação caminham lado a lado, moldando formas de viver e de imaginar o futuro. É dessa atmosfera que nasce a exposição inédita Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura, uma experiência que convida o público a mergulhar na essência da nossa cultura e na força criativa que transforma o cotidiano em arte.
Com curadoria de Yuri Quevedo, Peter Fassbender e Marcos Rozen, além da curadoria de moda de Mercedes Tristão, a mostra ocupa todos os espaços da instituição com mais de 250 peças, entre obras de arte, fotografias históricas, looks de moda, automóveis que marcaram gerações, além de vídeos, instalações imersivas e obras site-specific.
Para os apaixonados por automóveis, o lendário Fiat 147, primeiro carro movido a álcool produzido em série no mundo, ganhou protagonismo na exposição, mostrando como a ousadia e a inovação redefiniram a indústria nacional nas últimas cinco décadas. Para retratar o espírito transformador dos anos 1970, a exposição apresenta registros históricos de grande impacto, como a visita do então presidente Juscelino Kubitschek à fábrica da Fiat, em Betim (MG), um momento que ajudou a consolidar a marca como parte da história do país.
A exposição conduz o visitante por uma narrativa envolvente, que se desdobra em múltiplas linguagens e convida tanto à interação lúdica quanto à reflexão sobre o futuro. Ao longo do percurso, surgem obras de grandes nomes da arte brasileira, como Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Guignard, Di Cavalcanti, Djanira da Motta e Silva, Cláudio Tozzi e Beatriz Milhazes, que ajudam a contar a história da arte nacional em diálogo com o presente.
A mostra também destaca criações de ícones da moda brasileira, como Clodovil Hernandes e Ronaldo Fraga, além de carros-conceito que revelam a força criativa do país e provocam novos olhares sobre legado, inovação e futuro. As ruas, nesse contexto, aparecem como palco de transformações e experiências coletivas, reafirmando sua potência como espaço de cultura e identidade.
Ao celebrar 50 anos de história no Brasil, a Fiat reafirma seu papel como protagonista na vida e na cultura do país. Mais do que veículos, seus modelos se tornaram símbolos de progresso e inovação, acompanhando de perto a evolução da sociedade por meio de design arrojado, tecnologia de ponta e funcionalidade que dialogam com o cotidiano do brasileiro. Em um país de dimensões continentais, o automóvel vai muito além da mobilidade: transforma-se em uma poderosa expressão cultural, tão presente e apaixonante quanto o futebol, a moda, o Carnaval e a religiosidade. Mais do que meios de transporte, os carros da Fiat consolidam-se como ícones de pertencimento e emoção, parte essencial da identidade brasileira e da forma como o país se reconhece, celebra sua história e projeta o futuro.
Serviço
Exposição | Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura
De 07 de julho a 11 de outubro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira das 10:00h às 21:00h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)
Período
Local
Casa Fiat de Cultura
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH - MG
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O Museu da Imigração inaugura a exposição temporária “Assim bordei meus sonhos: Margarida L. Kanciukaitis Pandolfo”, que integra a programação comemorativa do centenário da imigração lituana no Brasil e a 7ª edição do Festival Labas, realizado pelo Consulado-Geral da República da Lituânia em São Paulo e dedicado à divulgação da cultura lituana.
Com curadoria de OSGEMEOS (Otavio e Gustavo Pandolfo), Adriana P. Alves e Arnaldo Pandolfo, a mostra apresenta a trajetória e a produção artística de Margarida Pandolfo, reunindo bordados, crochês, pinturas e trabalhos confeccionados a partir de retalhos de tecido. A exposição propõe reflexões sobre os sonhos que acompanham as experiências migratórias e sobre os legados culturais transmitidos entre gerações, estabelecendo diálogos entre a história da artista e as múltiplas origens que compõem a formação da sociedade brasileira.
Nascida em São Paulo, Margarida desenvolveu sua prática artística a partir da combinação entre a formação em educação artística e os saberes aprendidos no ambiente familiar. Sua obra evidencia influências ligadas às suas origens lituanas, às memórias familiares e ao contexto brasileiro em que viveu, revelando um percurso marcado por afetos, criatividade e transmissão de conhecimentos.
Ao reunir memórias, processos criativos e referências culturais diversas, “Assim bordei meus sonhos” convida o público a refletir sobre as relações entre arte, identidade e migração, destacando como histórias individuais podem dialogar com experiências coletivas de deslocamento, pertencimento e construção de novos caminhos.
Serviço
Exposição | Assim Bordei Meus Sonhos: Margarida L. Kanciukaitis Pandolfo
De 10 de julho a 6 de outubro
Terça a sábado, das 9h às 18h, e domingo, das 10h às 18h (fechamento da bilheteria às 17h)
Período
Local
Museu da Imigração do Estado de São Paulo
R. Visc. de Parnaíba, 1316 - Mooca, São Paulo - SP
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Observação de elementos simples do cotidiano e um olhar sensível dos ciclos da natureza estão presentes nos trabalhos da artista Clara Fernandes a exposição “O Jardim também sonha”. Com curadoria
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Observação de elementos simples do cotidiano e um olhar sensível dos ciclos da natureza estão presentes nos trabalhos da artista Clara Fernandes a exposição “O Jardim também sonha”. Com curadoria de Victoria Beatriz, a mostra inédita abre no Espaço Jardim da Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis.
Formada por objetos tridimensionais, compostos na maioria por tramas de ferro e gesso, como suporte para plantas, a mostra inédita apresenta 16 obras, com dimensões e densidades bem variadas, que foram desenvolvidas pela artista a partir de 2001. Entre os trabalhos apresentados estão a instalação ‘Efêmera’, que foi inspirada nas flores brancas que surgem da árvore Embiruçu, planta presente no jardim da casa e ateliê da artista no bairro Ratones, em Florianópolis.
“Essas flores, que aparecem à noite e permanecem pouco tempo, se destacam na escala cromática de todo ambiente. E as obras trazem um contraste entre cheio e vazio, leve e pesado, mesmo se tratando dos mesmos elementos”, explica Clara.
A curadora destaca que a artista está sempre percebendo como as árvores crescem, como precisam de água, como todo o sistema precisa funcionar para que aquilo aconteça. “Clara observa como os organismos criam condições para que outras vidas existam. Mais do que representar a natureza, interessa-lhe compreender seus modos de agir, uma tecnologia da própria vida. Por isso, acho bonita essa sensibilidade da Clara em relação à ecologia. A gente consegue perceber certas formas, certos movimentos, que depois vão contribuir para a própria trama das obras”, compartilha Victoria.
Essa será a quarta vez que a artista participa de exposições na Fundação Cultural Badesc. Foram duas individuais, “LUME”, em 2009, e “Epifânicas”, em 2015, e a coletiva “Exaptações – Jardim”, em 2024.
Para Clara Fernandes, ocupar o Jardim da Fundação Cultural Badesc é um exercício que envolve tanto os desafios do espaço e das condições climáticas quanto as possibilidades de ampliar o alcance da exposição. “Ao ser convidada para essa mostra, no Jardim, senti o desafio, no tempo do inverno, sujeito a ventos e chuvas, numa época pessoal onde busco estabilidade e permanência, dada minha juventude. Mas ao sair no espaço externo do atelier, percebi toda essa criação que mantenho, uma verdadeira vida expandida, pensei em fazer ao Jardim da Fundação uma visita do meu jardim”, completa a artista.
A exposição “O Jardim também sonha” poderá ser visitada até 15 de outubro de 2026, de segunda a sexta, das 13h às 19h. A Fundação Cultural Badesc fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis/SC.
Serviço
Exposição | O Jardim também sonha
De 16 de julho a 15 de outubro
Segunda a sexta, das 13h às 19h
Período
Local
Fundação Cultural Badesc
Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis - SC
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“Nazareth Pacheco: Jogos de Contaminação” reúne trabalhos realizados pela artista desde o fim dos anos 1980, acompanhando sua produção e suas pesquisas ao longo de quatro décadas, além de incluir duas obras na área externa feitas para esta exposição.
Na fortuna crítica sobre a produção da artista, é recorrente a menção à influência inicial do pós-minimalismo, à serialização como procedimento operacional e ao interesse pela experimentação de materiais e pelo confronto com suas propriedades e usos. Destaca-se, igualmente, o modo como sua obra se vincula à sua biografia, à investigação do próprio corpo e do feminino, desde sua dimensão íntima à política.
Sua produção é também frequentemente associada a relações de contraste e reflexo entre beleza e violência, sedução e repulsa, prazer e dor, proteção e aprisionamento, controle e vulnerabilidade, intimidade e exposição, fragilidade e resistência.
Para Nazareth Pacheco, esses binômios não operam como opostos. Eles evidenciam o caráter simultâneo e indissociável de seus dois polos, dando a ver a tensão e as inversões que mantêm a partida em movimento e o corpo-jogador no páreo. Como no Ping-Pong, a atenção é capturada pela dinâmica do bater e rebater, que aqui se instaura entre artista, matéria, assunto, espaço e público. Em interação, fazem suas apostas, instauram suas regras e, volta e meia, as transgridem.
Nesse sentido, o jogo, para a artista, funciona como procedimento crítico: operação capaz de converter signos culturalmente estabilizados em experiências ambíguas e perturbadoras, revelando as violências sutis inscritas nos dispositivos de normalização e captura do corpo e do desejo.
O que se compreende, com a partida já em curso, é que tornar o corpo mulher talvez seja a jogada mais arriscada: a grande aposta. Em um território marcado pela intimidade, esse corpo, fragmentado e sempre em formação, é constantemente atravessado por mecanismos de normatização, captura e resistência. Já ao redor do Quarto, impenetrável, aquilo que antes parecia restrito ao espaço privado nos lembra que os jogos de poder contaminam-se e proliferam na esfera social e coletiva.
Essas tensões são visíveis também nos materiais que a artista mobiliza e na maneira como subverte seus usos habituais: da borracha, do bronze e do latão à cera, ao acrílico, às miçangas, às agulhas, lâminas e outros objetos cortantes, cirúrgicos, além do próprio sangue. Suas superfícies sedutoras e reluzentes devolvem ao espectador uma imagem invertida e instável de si mesmo e do entorno. Materiais, corpos, sentidos e posições transformam-se mutuamente ao longo da partida. Entre parceiros e adversários, atração e confronto, cada aproximação revela que a experiência com a obra é sempre também uma experiência de contaminação.
Amanda Tavares, curadora
Serviço
Exposição | Jogos de Contaminação
De 18 de julho a 31 de outubro
Terça a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia - MuBE
Rua Alemanha, 221 - Jardim Europa, São Paulo - SP
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A Casa Roberto Marinho amplia a programação da exposição o (tempo), individual de Waltercio Caldas, com uma mostra de cinema concebida pelo próprio artista. Reunindo 20 clássicos, a seleção estabelece
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A Casa Roberto Marinho amplia a programação da exposição o (tempo), individual de Waltercio Caldas, com uma mostra de cinema concebida pelo próprio artista. Reunindo 20 clássicos, a seleção estabelece um diálogo com temas centrais de sua produção, como tempo, espaço, percepção, linguagem e construção das imagens.
“Jean-Luc Godard disse que se o cinema não for capaz de nos falar de algo que não existe, ele será apenas uma indústria”, comenta Waltercio. “Os filmes aqui selecionados nos dão uma nova perspectiva para essa ideia quase absurda que chamamos de realidade. Estar diante dos fatos inventados nos redime de um cotidiano implacável que insiste em nos fazer desacreditar das múltiplas maneiras de ver os fatos. Nestes casos a ficção nos liberta.”
Ao longo de dez semanas, a mostra convida o público a estabelecer novas relações com a exposição a partir de produções realizadas entre as décadas de 1930 e 2020, por nomes fundamentais do cinema mundial como Andrei Tarkovsky, Jean-Luc Godard, Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni, Orson Welles, Stanley Kubrick e Wim Wenders. Entre os títulos brasileiros estão Terra em Transe, de Glauber Rocha, e Limite, de Mario Peixoto.
As sessões acontecem às terças e quintas-feiras, sempre às 15h, até 22 de setembro, sem cobrança adicional de ingresso. As senhas serão distribuídas por ordem de chegada, com retirada trinta minutos antes de cada exibição. O auditório da Casa Roberto Marinho é acessível a pessoas com deficiência física e tem capacidade para 34 espectadores.
Programação completa:
Julho (sessões às 15h)
21/07 – O Amigo Americano (Wim Wenders)
23/07 – Asas do Desejo (Wim Wenders)
28/07 – Limite (Mario Peixoto)
30/07 – Terra em Transe (Glauber Rocha)
Agosto (sessões às 15h)
04/08 – Rocco e Seus Irmãos (Luchino Visconti)
06/08 – O Leopardo (Luchino Visconti)
11/08 – No Tempo das Diligências (John Ford)
13/08 – Era uma Vez no Oeste (Sergio Leone)
18/08 – Adeus à Linguagem (Jean-Luc Godard)
20/08 – Acossado (Jean-Luc Godard)
25/08 – A Pista (Chris Marker) + Um Condenado à Morte Escapou (Robert Bresson)
27/08 – Solaris (Andrei Tarkovsky)
Setembro (sessões às 15h)
01/09 – Dr. Fantástico (Stanley Kubrick)
03/09 – Barry Lyndon (Stanley Kubrick)
08/09 – A Marca da Maldade (Orson Welles)
10/09 – Verdades e Mentiras (Orson Welles)
15/09 – O Olhar de Michelangelo (Michelangelo Antonioni) + Profissão: Repórter (Michelangelo Antonioni)
17/09 – A Biblioteca do Mundo de Umberto Eco (Davide Ferrario)
22/09 – Um Condenado à Morte Escapou (Robert Bresson)
Serviço
Exposição | o (tempo)
De 21 de julho a 22 de setembro
Terça a domingo, das 12h às 18h
(Aos sábados, domingos e feriados, a Casa Roberto Marinho abre a área verde e a cafeteria a partir das 9h.)
Período
Local
Casa Roberto Marinho
Rua Cosme Velho, 1105 Rio de Janeiro - RJ
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Exposição “Entre o Instante e a Eternidade” reúne alguns trabalhos do artista que ninguém nunca viu. A segunda exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos será aberta no Museu Histórico
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Exposição “Entre o Instante e a Eternidade” reúne alguns trabalhos do artista que ninguém nunca viu.
A segunda exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos será aberta no Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis. Com curadoria de Luciana Paulo Corrêa e Monique Fonseca, “Entre o Instante e a Eternidade” vai reunir algumas obras do artista que nunca foram expostas ao público. A abertura será às 10h30, e a entrada é gratuita.
Realizadas em suportes como tela, papel kraft e plástico, as 18 obras pictóricas pertencentes ao acervo da Fundação Hassis evidenciam a diversidade de materiais explorados pelo artista. As pinturas revelam diferentes momentos da produção de Hassis e ampliam as possibilidades de leitura da obra.
Segundo a curadora Monique Fonseca, cerca de 80% das obras nunca foram exibidas antes e são resultado de pesquisa aprofundada no acervo da Fundação. “O processo de seleção das obras envolveu uma ampla pesquisa com o propósito de revelar trabalhos pouco conhecidos e oferecer novas leituras sobre a produção do artista. Esta é uma oportunidade singular de conhecer facetas ainda pouco exploradas de Hassis”, compartilha.
Embora marcada pelo ineditismo, a exposição também contempla temas emblemáticos da trajetória do artista. Entre eles, obras dedicadas a Florianópolis e à sua paisagem, como “Vento Sul e Chuva”, pintada em 1957 e considerada uma obra símbolo. Também estão presentes séries que abordam Carnaval, religiosidade e outros temas recorrentes.
Ao propor o título “Entre o Instante e a Eternidade”, a curadoria reconhece o lugar singular que Hassis ocupa: uma obra que não pertence apenas ao passado, mas que continua a alcançar o presente com a mesma força. Para Monique Fonseca, a expectativa é que o público se surpreenda ao visitar a mostra. “A exposição não foi concebida como retrospectiva, mas como experiência que mostra a atualidade de Hassis. E se ao final da visita o público sentir que esteve diante de um artista cuja obra permanece viva, capaz de emocionar, provocar e encantar cem anos depois de seu nascimento, teremos alcançado nosso principal objetivo”, afirma.
Essa não será a primeira vez que obras de Hassis serão apresentadas no Museu Histórico de Santa Catarina. O artista já participou de duas individuais no local, em 1990, com “Contestado – Terra Contestada”, e em 1991, com “Farra do Boi”.
Serviço
Exposição | Entre o Instante e a Eternidade
De 25 de julho a 28 de março de 2027
Terça a sexta, das 10h às 18h, e aos sábados e domingos, das 10h às 17h
Período
Local
Museu Histórico de Santa Catarina
Palácio Cruz e Sousa - Praça XV de Novembro, 227 - Centro, Florianópolis - SC
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição coletiva “Rajada encarnada”, como parte de seu II Ciclo Expositivo do ano. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a coletiva reúne trabalhos
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição coletiva “Rajada encarnada”, como parte de seu II Ciclo Expositivo do ano. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a coletiva reúne trabalhos de Ana Prata, Anderson Borba, Maria Andrade, Pedro França e Rodrigo Andrade.
A mostra propõe uma reflexão sobre procedimentos e operações que constituem a prática artística e a obra de arte, destacando diferentes linguagens, modos de construção e materialidades que reverberam intensidades. No texto crítico, Thais Rivitti aponta que não cabe formular uma ideia geral ou um endereçamento conceitual capaz de dar conta do conjunto apresentado, uma vez que a exposição convida o público a observar de perto como os artistas trabalham e constroem sua pesquisa ao longo do tempo.
“Deixar um pouco de lado as referências circunstanciais que cada trabalho inevitavelmente guarda e atentar para seus modos de construção. Acompanhar o olhar, deslizando entre as obras, percorrendo superfícies, enroscando em emaranhados nodosos, dando de cara com materialidades mais duras e opacas, oscilando junto às vibrações mais frenéticas. Assim, é possível ver os trabalhos conversando entre si”, descreve a crítica de arte e curadora.
A exposição conta com dois grandes trabalhos de Pedro França (Rio de Janeiro, 1984) que partem de um suporte fragmentado, composto pela colagem de pedaços menores de papel. Sua estratégia de construção é a do acúmulo, na qual os desenhos do artista, transferidos para a tela por meio da técnica da monotipia, vão se sobrepondo, criando densidade e peso pela insistência e abundância das linhas e marcas importantes do labor do artista: áreas rasgadas, sobreposições, colagens.
Nos trabalhos de Anderson Borba (Santos, 1972), em oposição ao acúmulo, a ação muitas vezes começa com a subtração de matéria, por meio do desbaste da madeira, o gesto de entalhar, perfurar e escavar. Suas esculturas também evidenciam uma atenção especial às superfícies, aproximando-se de questões da própria pintura: além do volume e peso, sua obra investiga as formas de percepção da matéria.
No campo da pintura — embora os artistas entrelaçem linguagens a todo momento — as pinturas leves e atmosféricas de Maria Andrade (São Paulo, 1967) são conduzidas pela cor. Na série escolhida para a exposição, ela instala pequenas asas de metal nos trabalhos, criando um território em suspensão que oscila entre a ideia de tornar os objetos flutuantes e presos no espaço.
Já Ana Prata (Sete Lagoas, 1980) aproxima-se do mundo cotidiano — com fragmentos da arquitetura, revestimentos, móveis e objetos domésticos — para deslocar suas condições habituais e ampliar não somente sua presença no campo visual, mas também a condição de isolamento dos objetos no vazio. Também utilizando o mundo como um repertório plástico, Rodrigo Andrade (São Paulo, 1962) dá atenção à tinta como matéria. Em sua longa trajetória no campo da pintura, a tinta se torna um material quase escultórico, com densidade e peso, criando superfícies ásperas ou lisas, que se apresentam de formas diferentes ao espectador.
Além da coletiva, o II Ciclo Expositivo inclui as individuais “Política da superfície”, de Ana Raylander Mártis dos Anjos (Gabinete) e “Mitologias do mistério”, de Omep (Projeto 280X1020). Para o curador Claudio Cretti, “este ciclo propõe tensionar as dimensões constitutivas da prática artística contemporânea, ampliando as possibilidades de leitura do mundo e evidenciando, nessas fricções, a potência da oposição”.
Ainda no dia 25 de julho, o programa de Performances da Casa apresenta “O amor é floresta”, uma performance instalativa de Rodrigo Munhoz a.k.a. Amor Experimental em que plantas urbanas, conectadas a captadores, convertem o toque em som.
O II Ciclo Expositivo é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú, apoio de Casal Garcia e Interfood e apoio de mídia de Catraca Livre.
Serviço
Exposição | Rajada encarnada
De 25 de julho a 25 de outubro
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, a Galeria Marília Razuk apresenta Quarto, mostra coletiva que dá continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e suas
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, a Galeria Marília Razuk apresenta Quarto, mostra coletiva que dá continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e suas dimensões simbólicas e afetivas A exposição será realizada no Anexo Galeria Marilia Razuk, número 62 da Rua Jerônimo da Veiga, um espaço destinado a projetos especiais.
Partindo da ideia deste quarto como um ambiente íntimo e privado, a exposição propõe uma aproximação sensível com esse território onde o indivíduo se encontra consigo mesmo e, ocasionalmente, com o outro. As obras reunidas refletem sobre estados de solidão, relações de companhia amorosa e/ou sexual, além de explorar o universo onírico, os devaneios e as construções subjetivas que emergem nesse espaço.
Cristina Tolovi pontua: “Quarto parte de um espaço que todos conhecemos, mas que raramente pensamos: o lugar onde a subjetividade se forma. A exposição reúne obras que abordam esse território íntimo como refúgio, mas também como um campo ativo de construção, onde desejos, memórias e tensões ganham forma.”
A mostra desdobra questões já abordadas na coletiva Sala de Jantar, também realizada no Anexo Galeria Marilia Razuk, em maio de 2025, e que teve como ponto de partida o emblemático trabalho Hôtel du Pavot, Chambre 202, de Dorothea Tanning, estabelecendo conexões entre o surrealismo e suas investigações sobre o inconsciente e o espaço doméstico.
Reunindo artistas como Alan Chu, Ana Dias Batista, Ana Sant´Anna, A Transälien, Bruno Faria, Carolina Colichio, Débora Bolzsoni, Estúdio Rain, Juliana Sedó, Karola Braga, Lyz Parayzo, Marcus Deusdedit, Maria Tereza Bomfim, Mónica Heller, Patricia Faragone, Regina Vater, Rodrigo Bueno, Rose Afefé, Seba Calfuqueo e Thiago Honório, a coletiva propõe um percurso imersivo por diferentes abordagens contemporâneas que investigam a intimidade, o corpo, o desejo e os espaços de recolhimento.
“Passada a sala de jantar, uma caminhada por um corredor escuro leva até o quarto. Se, antes, procuramos dar o primeiro passo dentro da intimidade associada ao espaço doméstico, agora, damos os outros. Chegamos ao espaço que mais pode revelar sobre seu dono ou dona. Na sala de jantar, havia pequenas revelações, mas elas eram controladas, e se misturavam frequentemente a estratégias exibicionistas relativas a como alguém gostaria de ser visto”, conta Luana Fortes. Ainda segundo Luana, no quarto, há pouco espaço para estratégia. Por isso, esta exposição se aproxima sobre aspectos mais sutis do momento em que as pessoas se recolhem nos quartos onde dormem.
Quarto convida o público a atravessar um território sensível onde o privado se torna compartilhável e onde o quarto, mais do que um espaço físico, se revela como um campo de projeção subjetiva, memória e imaginação.
Serviço
Exposição | Quarto
De 09 de Maio a 08 de Agosto
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Anexo Galeria Marília Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 131 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Política da superfície”, de Ana Raylander Mártis dos Anjos, como parte do II Ciclo Expositivo da Casa. Instalada no Gabinete, a mostra tem curadoria de Claudio
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Política da superfície”, de Ana Raylander Mártis dos Anjos, como parte do II Ciclo Expositivo da Casa. Instalada no Gabinete, a mostra tem curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e investiga a influência do maestro Heitor Villa-Lobos na implementação do ensino musical escolar no Brasil.
A artista visual Ana Raylander Mártis dos Anjos (Minas Gerais, 1995) desenvolve projetos a longo prazo com foco em pesquisa. Ela procura estabelecer um diálogo entre a história coletiva e sua biografia, recorrendo com frequência aos saberes da educação e escrita. Após participar da 36ª Bienal de São Paulo e do 59th Carnegie International, na Pensilvânia, EUA, a artista apresenta na Casa de Cultura do Parque um novo desdobramento de sua investigação sobre os cantos orfeônicos, prática coral amplamente difundida no Brasil ao longo do século 20.
Ao tomar como ponto de partida a atuação de Heitor Villa-Lobos na implementação do ensino musical escolar durante a Era Vargas, a exposição recupera um momento em que a música foi incorporada como ferramenta de promoção da ideologia nacionalista do regime vigente. Os cantos orfeônicos — realizados em escolas, praças e estádios — reuniam grandes grupos sob regência unificada, compondo uma massa sonora que participava da construção simbólica de uma identidade nacional.
“Neste período, a ideia de Brasil emergia como um mito de unidade, sustentado pela promessa de uma voz coletiva que, ao mesmo tempo em que incluía grupos, também acabava por suprimir aquilo que desviava”, reflete a artista. Em “Política da superfície”, ela utiliza o rodapé do Gabinete como um operador semelhante, em diálogo com a localização da instituição, às margens do Parque Villa-Lobos. Situado entre a parede e o chão, esse elemento arquitetônico ocupa uma região limiar: embora associado ao acabamento do espaço doméstico, também atua como uma tecnologia discreta de normalização, capaz de mascarar irregularidades e produzir continuidade onde há fraturas — um tipo de verniz social, como aponta Raylander.
Em “Política da Superfície”, a artista retoma o seu interesse pelos cantos orfeônicos e corais amadores, iniciado com o projeto Coral de Choros [Choratório] em 2018, para aprofundar a pesquisa sobre as contradições que atravessam a educação musical brasileira, a construção da ideia de povo e as narrativas de brasilidade cristalizadas no imaginário da nação. “Procuro observar com precisão aquilo que permanece junto ao chão, aquilo que se acumula nas bordas, as evidências que a história empurra para a porção mais rasteira do estrato social. Talvez seja justamente nessa região inferior, vizinha ao rodapé, onde as promessas de unidade começam a mostrar suas fissuras”, completa Raylander. Neste contexto, o silêncio assume um papel central para a artista no projeto, onde deixa de ser ausência de som e opera como um campo político.
Além da individual de Raylander, o II Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “Rajada encarnada” (Galeria do Parque) e a individual “Mitologias do mistério”, de Omep (Projeto 280X1020). Para o curador Claudio Cretti, “este ciclo propõe tensionar as dimensões constitutivas da prática artística contemporânea, ampliando as possibilidades de leitura do mundo e evidenciando, nessas fricções, a potência da oposição”.
Ainda no dia 25 de julho, o programa de Performances da Casa apresenta “O amor é floresta”, uma performance instalativa de Rodrigo Munhoz a.k.a. Amor Experimental em que plantas urbanas, conectadas a captadores, convertem o toque em som.
O II Ciclo Expositivo é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú, apoio de Casal Garcia e Interfood e apoio de mídia de Catraca Livre.
Serviço
Exposição | Política da superfície
De 25 de julho a 25 de outubro
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Florianópolis recebe uma mostra totalmente interativa pensada para aproximar o público do universo poético de Hassis. “Hassis Brincante“, exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos e celebra o centenário
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Florianópolis recebe uma mostra totalmente interativa pensada para aproximar o público do universo poético de Hassis. “Hassis Brincante“, exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos e celebra o centenário do artista, abre para visitação na Fundação Hassis, localizada no bairro Itaguaçu, região continental da Capital de SC. A entrada é gratuita.
Idealizada pela curadora Monique Fonseca, a exposição propõe um percurso sensorial que convida visitantes de todas as idades a experimentar, imaginar e criar. Segundo ela, a proposta nasceu do desejo de transformar a relação do público com a obra do artista por meio de uma experiência que refletisse o próprio universo de Hassis. “Em vez de uma exposição apenas contemplativa, propus um percurso que pudesse ser vivido com o corpo, a imaginação e a curiosidade”, compartilha.
A partir dessa perspectiva, a curadora definiu núcleos temáticos que atravessam a produção do artista: o mar, o circo, os heróis, as brincadeiras, os mistérios do cotidiano e “A Porta”, obra permanente da Fundação Hassis. Esses temas se tornaram o ponto de partida para a criação de sete estações interativas, concebidas como interpretações sensíveis do universo de Hassis.
“Mais do que observar referências à obra de Hassis, o visitante é convidado a explorar, brincar, imaginar e criar. A exposição propõe uma relação ativa com o universo do artista, transformando a visita em uma experiência de descoberta, participação e construção de novas memórias”, explica a curadora que começou a concepção da mostra há mais de um ano, durante o planejamento das celebrações do centenário de Hassis.
Entre as obras que dialogam com os núcleos da mostra estão “O Pescador” (1988), “A Porta” (1967), a Série “O Circo” (1989), a Série “HQ” (1988) e a coletânea “Hassis Mar”, que inspiram as estações da exposição.
Interatividade e sustentabilidade
A escolha dos materiais também reforça o caráter educativo e sustentável da mostra. Todas as instalações foram confeccionadas em papelão, além de adesivos, peças magnéticas e suportes interativos. “O papelão foi escolhido por sua versatilidade e por reforçar o compromisso da mostra com a sustentabilidade. É um material que desperta a criatividade e demonstra que experiências artísticas significativas podem nascer da simplicidade”, destaca a curadora.
Para Monique, os suportes da mostra fazem parte da narrativa curatorial. Pois, ao utilizar materiais recicláveis e elementos interativos, a exposição convida cada visitante a assumir uma postura ativa, explorando, imaginando e criando. Essa escolha também dialoga com o título da exposição, “Hassis Brincante”. “O termo ‘brincante’, sintetiza a relação de Hassis com o circo, as brincadeiras de rua, o cotidiano da cidade e os personagens que povoam sua obra”, completa a curadora.
Serviço
Exposição | Hassis Brincante
De 25 de julho a 30 de janeiro de 2027
Segunda a sexta das 13h30 às 17h30 e aos sábados das 10h às 15h
Período
Local
Fundação Hassis
Luiz da Costa Freysleben, 87 - Itaguaçu, Florianópolis - SC
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Enquanto especialistas discutem os impactos do uso excessivo de telas por crianças, uma exposição no Recife leva esse debate para dentro da arte.
A mostra “Telas Roubam Infâncias“, que será aberta no dia 25 de julho, na Galeria RAIZ, reúne 28 artistas que transformam um dos temas mais debatidos da atualidade em uma experiência visual aberta ao público.
Sem condenar a tecnologia, a exposição propõe uma reflexão sobre o equilíbrio entre o universo digital e experiências fundamentais da infância, como brincar, imaginar, conviver e descobrir o mundo para além das telas.
Com pinturas, esculturas, fotografias e outras linguagens, a mostra convida pais, educadores, jovens e crianças a refletirem sobre uma pergunta que atravessa o cotidiano de milhões de famílias: que espaço ainda resta para a infância em um mundo cada vez mais conectado?
A pauta une arte, comportamento, educação e tecnologia, oferecendo uma abordagem diferente para um tema que ocupa espaço permanente nas discussões sobre infância e desenvolvimento.
Participam da mostra os artistas Ana Maria Veras, André Luiz Santana, Antônio Henrique, Báv Pernambuco, Ceça Nunes, Clélia Barqueta, Clériston, Déborah Freitas, Diogo Alves, Dirce Camargo, Elielce Soares, Gileno Gomes, Heleno Neves, Inês Castro, Kati Gama, Leniée Campos, Murilo Maia, Musta, Pedro Lapa, Pollyanna Queiroz, Rachel Rangel, Robertson Rodrigues, Sandra Buarque, Valdson Silva, Valéria Vital, Victor Dreyer, Virgínia Lucas e Zélito Passavante.
Serviço
Exposição | Estrelas Escolhidas
De 25 de julho a 20 de setembro
De quarta-feira a Domingo das 14h às 17h
Período
Local
Galeria RAIZ
Rua da Moeda, 71, Térreo – Recife Antigo - PE
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A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta a exposição individual de Yamamoto Masao (Gamagori – Japão, 1957). A mostra se organiza ao redor da ideia de Ma (間), um conceito estético e filosófico japonês que descreve a pausa e o intervalo significativo entre espaços, objetos, sons, movimentos e acontecimentos e que entende o vazio como um elemento ativo que dá forma, ritmo e significado a experiência. A expografia conta com o apoio da arquiteta e paisagista Sakae Ishii.
A exposição reúne fotografias, fotolivros e caixas-poemas produzidos ao longo de mais de três décadas de trajetória de Yamamoto Masao, contemplando trabalhos das séries A Box of Ku, Nakazora, Kawa=Flow, Shizuka=Cleanse e Bonsai – Microcosms Macrocosms, desenvolvidas entre o início da década de 1990 e os anos recentes. É a partir da poética de Yamamoto que Sakae Ishii concebe sua colaboração, trazendo ao espaço da galeria bancos de pedra e placas de granito rosa, remetendo o espectador a um espaço de descanso. “O silêncio, o intervalo e o vazio servem também para criar distâncias entre as coisas, tornando-as mais nítidas ao olhar”, afirma Ishii.
Em Shizuka = Cleanse (2012), Yamamoto se afasta da ideia de fotografar paisagens e passa a concentrar seu olhar em pequenos elementos encontrados durante suas caminhadas pela floresta. Pedras, raízes, galhos e outros fragmentos da natureza são fotografados isoladamente sobre um fundo negro profundo, transformando-se em presenças quase escultóricas.
Em Bonsai – Microcosms Macrocosms, iniciada em 2018 a partir dos registros dos bonsais cultivados por Minoru Akiyama, o mais jovem mestre da arte do bonsai a receber o Prêmio do Primeiro-Ministro do Japão, Yamamoto busca compreender o simbolismo dessa prática secular, concebida como uma colaboração entre a ação humana e a vegetal. Em suas imagens, os bonsais deixam de ser plantas em miniatura para se tornarem paisagens condensadas, capazes de transformar a atmosfera do espaço ao seu redor e despertar uma experiência contemplativa.
Além das fotografias, a exposição apresenta diferentes formatos editoriais desenvolvidos pelo artista ao longo de sua carreira, como os livros em sanfona e as caixas-poemas da série Ryokan. Cada uma dessas caixas abriga cerca de seis pequenas fotografias acompanhadas por um haiku do poeta e monge zen-budista Ryōkan (1758–1831). Dispostas em vitrines, elas revelam um diálogo íntimo entre palavra e imagem, propondo ao visitante uma leitura pausada e fragmentária. Os livros, por sua vez, são apresentados abertos, permitindo que todas as fotografias sejam vistas simultaneamente.
Para Yamamoto, esses suportes constituem também espaços expositivos, nos quais a experiência da fotografia envolve não apenas a imagem, mas sua materialidade: as bordas desgastadas do papel, as marcas do tempo, a textura da impressão e a escala reduzida reforçam o caráter íntimo de sua produção. Muitas fotografias são manipuladas manualmente, tingidas, desgastadas ou marcadas pelas mãos do artista, adquirindo uma aparência próxima à de pequenos relicários. Yamamoto enfatiza o envelhecimento e a impermanência como qualidades inerentes tanto às imagens quanto à própria experiência da vida.
Ao aproximar as fotografias de Yamamoto da intervenção concebida por Ishii, a exposição evidencia o Ma (間) como um princípio que organiza tanto a composição visual quanto a experiência espacial do visitante, fazendo com que os intervalos, as pausas e os vazios assumam um papel estruturante na percepção da obra.
A Galeria Marcelo Guarnieri agradece a colaboração de Sakae Ishii, cuja generosidade transcende esta exposição e se insere em uma relação de amizade, diálogo e troca cultivada ao longo de anos.
Serviço
Exposição | Yamamoto Masao
De 01 de agosto a 19 de setembro
Segunda a sexta, das 10h às 19hs, sábado, das 10h às 17hs
Período
Local
Galeria Marcelo Guarnieri
Alameda Franca, 1054 São Paulo – SP
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A Marli Matsumoto Arte Contemporânea inaugura primeira exposição Irracional, individual de Frederico Filippi na galeria. Com curadoria de Germano Dushá, a mostra reúne diferentes grupos de trabalhos inéditos nos quais
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A Marli Matsumoto Arte Contemporânea inaugura primeira exposição Irracional, individual de Frederico Filippi na galeria. Com curadoria de Germano Dushá, a mostra reúne diferentes grupos de trabalhos inéditos nos quais o acaso, o descontrole e o gesto errático surgem como motores de criação.
Em Irracional, Filippi articula procedimentos digitais, materiais orgânicos e objetos encontrados para investigar os limites da racionalidade e do controle. Entre o fabricado e o apropriado, a vitalidade e a destruição, suas obras tomam o caos não como ausência de ordem, mas como uma força capaz de produzir formas, imagens e significados.
Na série Uma cabeça dentro da outra, objetos de madeira são esculpidos a partir de modelos digitais gerados por processos aleatórios de extrusão. Suspensas no espaço, as formas indefinidas funcionam também como apiários reais: durante o período da exposição, abrigam abelhas vivas, incorporando-as ao ecossistema da galeria.
As obras colocam em contato duas lógicas distintas. Do lado de fora, a aleatoriedade e a imprecisão das formas artificiais; no interior, os códigos organizados e inteligíveis do enxame. A convivência entre o processo digital, a matéria esculpida e a atividade das abelhas torna a transformação parte constitutiva do trabalho.
Já nas pinturas da série Notas perecíveis, colagens produzidas com imagens extraídas do vocabulário científico são sobrepostas a camadas de cera de abelha e manchas de piche. A combinação de materiais faz emergir composições densas e instáveis, nas quais a desordem natural parece solapar a tentativa humana de compreender e organizar o mundo por meio de sistemas racionais.
Completa a exposição um conjunto de ready-mades formado por fragmentos de tratores incinerados pela Polícia Federal durante operações contra garimpos ilegais. Retiradas de seu contexto original, essas peças assumem uma presença espectral: são, ao mesmo tempo, figuras disformes produzidas pela ação imprevisível do fogo e vestígios concretos da exploração e da destruição ambiental.
Em todos os trabalhos, prevalece a recusa do cálculo e da racionalidade científica em favor de uma ininteligibilidade produtiva. “Há um aspecto de descontrole, algo que dispara uma forma quase autônoma. No lugar de uma organização rígida, há sempre uma viscosidade: que está nos materiais empregados e no tempo em que os trabalhos são feitos, mas que também dá forma à especulação mental e aparece como linguagem”, afirma Filippi.
Ao aproximar o orgânico e o digital, a criação e a aniquilação, Irracional apresenta cada obra como a consequência visível de um pensamento que persegue o caos como princípio definidor do mundo.
Serviço
Exposição | Irracional
De 01 de agosto a 10 de outubro
Terça a sexta das 11h às 19h, sábado das 12h às 17h
Período
Local
Marli Matsumoto Arte Contemporânea
Rua João Alberto Moreira, 128, Vila Madalena, São Paulo - SP
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O artista chileno Alfredo Jaar, um dos grandes nomes da atual Bienal de Veneza, da qual participa pela quinta vez, volta a expor no Brasil após cinco anos. A galeria Luisa Strina abre e exposição O lado escuro da lua com 48 obras criadas nas décadas de 1970 e 1980, durante o período da ditadura de Augusto Pinochet, no Chile. No título, o artista faz referência ao emblemático álbum Dark side of the moon, da banda inglesa de rock progressivo Pink Floyd, lançado meses antes do Golpe de Estado, em 1973, e que virou sua obsessão musical até deixar o país.
A exposição ocupa a Sala 1 da Luisa Strina e reúne obras que têm como ponto de partida o impacto da ditadura chilena na trajetória de Jaar. Mais do que registrar a violência do período, os trabalhos investigam as transformações políticas, sociais, econômicas e culturais provocadas pelo regime militar, temas que atravessam sua produção até hoje.
Entre as obras apresentadas estão a série September 11, 1973, que enfatiza a data e o horário do bombardeio ao Palácio de La Moneda, e Buscando a Kissinger, composta por intervenções sobre fotografias e documentos desclassificados que confrontam o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger por seu papel na articulação do golpe.
A exposição também apresenta trabalhos da série Studies on Happiness, na qual Jaar reflete sobre a ilusão de prosperidade prometida pelo modelo neoliberal imposto durante a ditadura, incluindo suas intervenções urbanas com a pergunta “¿Es usted feliz?”.
“Por meio da linguagem austera da arte conceitual e de seus usos da informação, dos dados e da apropriação, a produção inicial de Alfredo Jaar é uma resposta sensível e enraizada em seu contexto ao cataclismo provocado pelo Golpe Militar de 1973”, afirma Edward A. Vazquez, que assina o texto crítico da mostra e é autor do livro Alfredo Jaar: Studies on Happiness (Afterall/MIT Press, 2023). “Essa produção permanece essencial para compreender a prática do artista como um todo, ao mesmo tempo que oferece uma janela para um momento histórico fundamental, cuja ressonância permanece cada vez mais presente.”
Serviço
Exposição | O lado escuro da lua
De 08 de agosto a 19 de setembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h
Período
Local
Galeria Luisa Strina
ua Padre João Manuel 755, Cerqueira César, São Paulo
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A Casa Triângulo tem o enorme prazer de apresentar Sem Palavras, nova exposição individual de Vânia Mignone, celebrando 30 anos de parceria entre a artista e a galeria. Vânia Mignone constrói
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A Casa Triângulo tem o enorme prazer de apresentar Sem Palavras, nova exposição individual de Vânia Mignone, celebrando 30 anos de parceria entre a artista e a galeria.
Vânia Mignone constrói imagens que parecem surgir de um lugar ao mesmo tempo íntimo e impessoal, como se viessem de uma memória que não pertence inteiramente a ninguém e, justamente por isso, pudesse pertencer a todos. Em sua obra, o mundo é feito de fragmentos: árvores, estradas, pássaros, figuras humanas, postes, torres, horizontes e palavras. Nada se oferece como narrativa fechada. Cada pintura é antes um foco de tensão, onde o banal, o onírico, o afetivo e o inquietante passam a coexistir com uma naturalidade perturbadora.
Há algo de profundamente singular na maneira como Mignone transforma a pintura em acontecimento psíquico. Suas cenas têm a nitidez de um flagrante e, ao mesmo tempo, a instabilidade de uma lembrança em formação. São imagens que parecem ter sido arrancadas do fluxo da vida, mas que, ao serem pintadas, deixam de registrar o mundo para revelar sua zona mais ambígua: aquela em que o familiar se torna estranho, em que a ternura convive com a ameaça, em que o humor e o desconforto ocupam o mesmo espaço. Sua obra não descreve o real; ela o desloca, abrindo fendas por onde escapam desejo, medo, vertigem, silêncio e vigília.
As palavras não funcionam como legenda, mas como matéria emocional da imagem: “NOITE”, “SOLIDÃO”, “UM PERIGO SEMPRE”, “NA CURVA DA ESTRADA”, “PAIS DO FUTURO”, “O ABISMO”, “ESPERAMOS”, “NUVEM” e “ACONTECIMENTOS”. Elas não explicam o que vemos; elas contaminam o que vemos. Ao mesmo tempo, árvores, estradas, pássaros, torres e figuras humanas aparecem como emblemas de estados interiores, quase como se cada elemento tivesse sido depurado até se tornar signo de uma experiência mental ou afetiva. Há nessa operação uma rara precisão: Vânia não ilustra sentimentos, ela inventa para eles uma forma.
Também é muito forte o modo como esses trabalhos afirmam sua presença. O uso do MDF e da colagem faz com que cada pintura possua uma materialidade muito própria, reforçando a sensação de que estamos diante de imagens densas, compactas, quase encapsuladas, como se cada uma guardasse um pequeno teatro interior. Vê-las é menos decifrá-las do que entrar em sua atmosfera. E talvez seja justamente aí que esteja a força da obra de Vânia Mignone: na capacidade de fazer da pintura um lugar onde o visível nunca se esgota no que mostra, porque está sempre vibrando com aquilo que mal consegue dizer.
Serviço
Exposição | Sem Palavras
De 11 de agosto a 19 de setembro
Terça a sexta das 10h às 19h, sábado das 10h às 17h
Período
Local
Casa Triângulo
Rua Estados Unidos, 1324, São Paulo - SP
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A artista visual Ana Leal apresenta no Museu da Imagem e do Som (MIS), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do
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A artista visual Ana Leal apresenta no Museu da Imagem e do Som (MIS), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a exposição “Chão de Histórias”, com abertura em 11 de agosto e visitação até 20 de setembro. A mostra – que integra o Programa Nova Fotografia do MIS – marca sua primeira exposição individual em uma instituição museológica brasileira, reunindo um conjunto majoritariamente inédito de obras e apresentando, pela primeira vez, o projeto “Chão de Histórias” em sua forma integral.
Concebida especificamente para o espaço do MIS, a exposição reúne 21 obras entre fotografias, colagens, videoprojeção e intervenção espacial. Organizada como um percurso expositivo, apresenta as séries “Dobra do Tempo”, “Encontro” e “Álbum de Família”, além da videoprojeção “Aquilo que fica” e da intervenção textual “O Chão também tem pele“. A concepção artística e expográfica é de Ana Leal, desenvolvida em diálogo com a artista Sylvia Sanchez, responsável pelo acompanhamento artístico da pesquisa, com texto crítico de Éder Chiodetto.
Resultado de uma investigação iniciada em 2022, “Chão de Histórias” nasceu da primeira viagem da artista ao sertão pernambucano, região de origem de sua família paterna. A partir desse encontro com o território, Ana Leal desenvolveu uma pesquisa sobre memória, paisagem e ancestralidade que amplia a linguagem fotográfica por meio da colagem, do vídeo, da renda renascença, da argila e de arquivos familiares.
“Receber a notícia de que Chão de Histórias havia sido selecionado para o Programa Nova Fotografia foi motivo de alegria e uma enorme honra. Acompanho o programa há muitos anos e sempre admirei a qualidade dos artistas e das pesquisas apresentadas pelo MIS. Depois de diferentes candidaturas ao programa e de uma primeira submissão de Chão de Histórias, ainda em uma etapa inicial de desenvolvimento, poder apresentar agora a versão integral dessa pesquisa no MIS tem um significado muito especial. Vejo essa seleção como o reconhecimento de um percurso construído com estudo, experimentação, amadurecimento e continuidade. Sinto-me profundamente honrada por integrar o Programa Nova Fotografia do MIS e por compartilhar esse projeto com o público”, afirma Ana Leal.
Serviço
Exposição | Chão de Histórias
De 11 de agosto a 20 de setembro
Terças a sextas, das 10h às 19h, sábados, das 10h às 20h e domingos e feriados, das 10h às 18h
*Permanência até 1h após o último horário
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
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A Galeria Gravura Brasileira abre a exposição Gravura Quimérica, individual de Natali Tubenchlak, com curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli. Com obras produzidas entre 2011 e
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A Galeria Gravura Brasileira abre a exposição Gravura Quimérica, individual de Natali Tubenchlak, com curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli. Com obras produzidas entre 2011 e 2026, a mostra traça um panorama de quinze anos da trajetória da artista na gravura e marca a primeira vez que uma seleção desta amplitude da produção gráfica da artista é apresentada em São Paulo. A exposição fica em cartaz até 26 de setembro, com entrada gratuita.
Com uma produção híbrida por natureza, a prática artística de Natali Tubenchlak, em uma perspectiva feminista, evidencia que o corpo feminino nunca é apenas um corpo, supostamente neutro, mas sim um espaço de tensionamentos de linguagens e desejos, e que muitas vezes sequer chega a ser humano. São imagens em que mulheres se tornam plantas, animais e mesmo órgãos paralelos à sua corporeidade, e que materializam possibilidades outras de vivenciar a existência feminina no mundo.”É um desejo talvez de fazer mais parte da natureza do que das questões humanas”, conta a artista em entrevista no livro “Natali Tubenchlak: Ecofeminismo e pornopolítica”.
Não à toa, é pela gravura, técnica pela qual a artista demonstra plena familiaridade e domínio, que é possível compreender a operação compositiva e lógica que rege a formação desses híbridos, essas quimeras contemporâneas em que o corpo feminino é matriz, eixo central, mas também terreno de mutações, desdobramentos e subversões. A justaposição necessária de diferentes matrizes para a obtenção de uma imagem, ou quando não as diversas camadas de intervenção em uma única matriz de gravura, permitem uma correlação com a interpolação de partes animais, vegetais e humanas na construção dessas entidades quase monstruosas nas gravuras da artista.
A exposição percorre diferentes técnicas da gravura em metal. Da água-tinta e da água-forte, ponto de partida quando Natali retorna à Oficina de Gravura do Museu do Ingá, em Niterói, onde havia tido seus primeiros contatos com a linguagem ainda nos anos 1990, passando pela ponta seca e pela cologravura, técnica à qual tem se dedicado com mais afinco recentemente.
Donna Haraway retoma e aprofunda a pergunta espinosana sobre os corpos a partir de um lugar mais situado, em “Ficar com o Problema – Fazer Parentes no Chthuluceno”, a autora desenvolve a noção de devir-com, que prolonga o devir-animal de Deleuze e Guattari ao levar a sério não apenas a potência abstrata da transformação, mas as relações singulares e específicas entre espécies reais e seus encontros, suas histórias, suas interdependências cotidianas. Ela propõe que o individualismo delimitado, a ideia de um ser humano autossuficiente e separado do mundo natural, se tornou verdadeiramente impensável.
O que Haraway chama de simpoiese (fazer-com), em oposição à autopoiese (fazer-sozinho), descreve a condição fundamental de todos os seres vivos, na qual nada existe nem se constitui isoladamente. Os corpos, em Haraway, são sempre resultado de encontros, emaranhamentos e contágios entre espécies. Nesse vocabulário, as figuras de Natali Tubenchlak se tornam reconhecíveis. As mulheres na obra da artista crescem para fora de si mesmas e se infundem com o que não são, construindo parentescos com o vegetal e o animal.
Entre as séries apresentadas estão, Dá-se assim desde menina, que aprofunda esse território, somando ao corpo a memória acumulada do que o mundo impõe às mulheres desde a infância. Já a série Montaria coloca em cena a longa história de representações do corpo feminino oscilando entre objeto e sujeito, em obras que transitam entre o erótico e o político, registradas com olho clínico e sarcástico. Nos trabalhos mais recentes, como as cologravuras das séries Desvairada e Mata Atlântica Dramática, a artista radicaliza a síntese entre corpo e mundo natural. As figuras se tornam mais densas e entregues à fusão. O dilema de onde termina o humano e onde começa o vegetal deixa de ser formulado, pois os corpos encontraram finalmente sua forma.
Identificar-se com o animal, com a planta, com aquilo que excede a forma humana dita hegemônica é uma forma de escapar e de tornar visível as normatizações de poder impostas aos corpos – e os corpos híbridos de Natali Tubenchlak não são meras metáforas de um pensamento sobre a natureza, mas sim um pensamento propriamente matérico, encarnado e impresso. A curadoria de Ana Carla Soler e Talita Trizoli apresenta um percurso histórico e temático sobre a produção da artista, ampliando a pergunta que move o seu corpo de obra: o que é e pode ser um corpo?
Ana Carla Soler e Talita Trizoli
julho 2026
Serviço
Exposição | Gravura Quimérica
De 15 de agosto a 29 de setembro
Terça a sexta das 14h às 18h, sábado das 11h às 13h
Período
Local
Galeria Gravura Brasileira
Rua Asia, 219, Cerqueira César São Paulo - SP
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A galeria ORA tem o prazer de apresentar a exposição individual “Nina Horikawa: as horas de trégua”, com obras inéditas sobre voil translúcido e desdobramentos da série de pequenas pinturas
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A galeria ORA tem o prazer de apresentar a exposição individual “Nina Horikawa: as horas de trégua”, com obras inéditas sobre voil translúcido e desdobramentos da série de pequenas pinturas iniciada em 2022. Na exposição, a artista investiga as relações do corpo e dos encontros como um campo complexo, contraditório e psicologicamente carregado.
Segundo a curadora Mariana Leme, “nas horas de trégua — em que estão suspensas as tarefas cotidianas, semiautomáticas — pode haver espaço ao estranhamento. A artista nos convida a dar um passo atrás e a desconfiar de tudo o que se apresenta em sua completude, seja uma cena, uma pintura, um enunciado”.
“A transparência do voil”, nas palavras da curadora, “faz com que uma pintura seja contaminada por aquilo que a cerca: o concreto da parede ao fundo, os pilares da sala, o piso, as outras pinturas; sobretudo o corpo das pessoas que caminham, sobrepondo-se às imagens”. Ao implicar o espectador em suas obras, Horikawa entrelaça os estados de pausa e contemplação, comuns a quem vê uma pintura, com a sensação de alerta; iminência de um acontecimento transformador.
Serviço
Exposição | Nina Horikawa: as horas de trégua
De 15 de agosto a 30 de setembro
Terça à Sábado, das 11h às 18h
Período
Local
ORA
Rua Bento Freitas 306 - subsolo, República, São Paulo - SP
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A artista portuguesa Dalila Gonçalves inaugura a exposição Pata quebrada com gesso liso, no Marli Matsumoto Arte Contemporânea Anexo, na Travessa Dona Paula, em São Paulo.
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A artista portuguesa Dalila Gonçalves inaugura a exposição Pata quebrada com gesso liso, no Marli Matsumoto Arte Contemporânea Anexo, na Travessa Dona Paula, em São Paulo. Com curadoria de Sérgio Fazenda Rodrigues, a mostra é composta por um site-specific que ocupa todas as paredes do espaço com impressões em gesso produzidas a partir de moedas de diferentes partes do mundo.
Em vez de exibidas como objetos, as moedas aparecem como marcas discretas, enterradas sob uma camada branca, frágil e provisória. As imagens gravadas em suas superfícies — animais que habitam diferentes geografias — são parcialmente veladas pelo gesso e revelam-se por meio das texturas, profundidades e sombras.
As figuras seguem uma organização vertical a partir dos habitas de cada animal: seres marinhos ficam junto ao chão; os que habitam a terra estão na altura do corpo do visitante; e aqueles que voam ocupam a parte superior das paredes. A sala converte-se, assim, em uma espécie de paisagem simbólica, na qual mar, terra e céu se constroem a partir da aproximação entre espécies e territórios distintos.
Ao transpor as moedas para um material quebradiço, Dalila Gonçalves desloca também os sentidos tradicionalmente associados a esses objetos. Antes submetidas à circulação cotidiana e à lógica do valor financeiro, elas assumem uma presença quase fantasmática. A troca monetária dá lugar à descoberta, à composição e à experiência sensível.
No campo contínuo de marcas, a parede deixa de funcionar apenas como suporte e passa a constituir um território em formação. “Na totalidade dessa nova camada de gesso, na descoberta das figuras que aí se acolhem, a obra ensaia um novo território. Um território de sobreposições, composto por seres de diferentes geografias, que não surge como coisa fixa, mas antes como algo em construção. Algo que, delicadamente, ensaia um exercício de contiguidade, abertura e descoberta”, escreve Sérgio Fazenda Rodrigues no texto que acompanha a exposição.
Pata quebrada com gesso liso tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, DGArtes e República Portuguesa – Cultura. A exposição fica em cartaz até 8 de outubro.
Serviço
Exposição | Pata quebrada com gesso liso
De 15 de Agosto a 15 de Outubro
Terça à sexta, das 11h às 19h; sábados, das 12h às 17h
Período
Local
Marli Matsumoto Arte Contemporânea
Rua João Alberto Moreira, 128, Vila Madalena, São Paulo - SP
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A Casa Seva inaugura, em parceria com a Janaina Torres Galeria, a exposição individual Invenção da Paisagem-Memória, da artista visual mineira Jeane Terra
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A Casa Seva inaugura, em parceria com a Janaina Torres Galeria, a exposição individual Invenção da Paisagem-Memória, da artista visual mineira Jeane Terra. Em cartaz até 26 de setembro, a mostra apresenta pela primeira vez a pesquisa inédita “Memória da Ecologia”, dedicada à investigação dos mecanismos de resiliência da natureza diante da devastação provocada pela ação humana.
Reunindo cerca de 12 obras entre pinturas, esculturas em vidro soprado, videoinstalação e uma instalação inédita, a exposição tem curadoria assinada por Heloísa Amaral Peixoto e marca o início desse novo ciclo de investigação da artista.
A pesquisa dá continuidade ao percurso que Jeane desenvolve em torno da memória e do apagamento de territórios. Após dedicar seus trabalhos recentes a cidades destruídas ou submersas, como em “Escombros, Peles e Resíduos” (2021), sobre Atafona, e “Territórios, Rupturas e suas Memórias” (2022), inspirada pelas cidades baianas inundadas pela construção da barragem de Sobradinho, a artista passa a investigar a própria natureza e as estratégias que plantas e paisagens desenvolvem para sobreviver e se regenerar diante da degradação ambiental.
“É a regeneração da natureza através da memória da destruição”, resume Jeane Terra sobre a nova pesquisa, que parte da observação de espécies que rebrotam após queimadas ou colonizam em áreas alagadas, carregando em si uma memória de sobrevivência.
Na Casa Seva, espaço dedicado à sustentabilidade, à arte e à cultura, Jeane apresenta pinturas em “pele de tinta”, esculturas em vidro soprado manualmente e uma videoinstalação. Desenvolvida e patenteada pela artista, a técnica “pele de tinta” combina tinta acrílica, aglutinante e pó de mármore. Após a secagem, as superfícies recebem bordados em ponto cruz, técnica aprendida com sua avó e incorporada à sua prática artística.
Entre os trabalhos inéditos estão três grandes pinturas pixeladas em “pele de tinta”, dedicadas ao aguapé e ao mangue, espécies que se fortalecem e se multiplicam em condições extremas de alagamento. Completa esse núcleo a instalação “Floresta de peles”, composta por moldes em látex retirados diretamente da casca de árvores. As peças preservam as texturas da vegetação como uma espécie de impressão digital da paisagem, propondo uma reflexão sobre memória, permanência e transformação.
A exposição também reúne obras de pesquisas anteriores, evidenciando a continuidade entre os diferentes momentos da produção da artista. Entre eles está uma pintura em grande formato dedicada a uma igreja do século XVIII, submersa após a construção da barragem de Sobradinho, além de duas obras inspiradas nas ruínas de Atafona.
Outro destaque é a série de esculturas em vidro soprado “Cápsulas de Memória”. Duas delas, uma de parede e uma de pedestal, recebem monotipias aplicadas sobre o vidro. Outras duas encapsulam moldes de cerâmica produzidos a partir de escombros recolhidos pela artista nas cidades de Remanso e Sento Sé, na Bahia.
“O vidro nasce da areia do rio aquecida. Os materiais que utilizo também contam histórias: há uma circularidade neles, nada está ali por acaso”, explica Jeane Terra. Algumas esculturas incorporam água do Rio São Francisco, levada pela artista do sertão baiano para seu ateliê. Uma videoinstalação complementa esse conjunto. Projetada sobre uma escultura de vidro que incorpora água do Rio São Francisco, a obra apresenta imagens registradas pela artista no interior de uma caixa d’água em ruínas na antiga cidade de Remanso, local normalmente submerso e visível apenas durante os períodos de seca.
Sobre apresentar seu trabalho na Casa Seva, Jeane destaca a afinidade entre sua pesquisa e a proposta do espaço. “Estar na Casa Seva é muito importante porque encontro um lugar comprometido com as questões ambientais e que dialoga diretamente com o que venho investigando”.
Heloísa Amaral Peixoto, em seu texto curatorial, pontua: “Uma paisagem a salvo. No desaparecimento e no reaparecimento, nos apagamentos e nos ressurgimentos, nas aproximações e distâncias, no mistério e na claridade. O olhar ora se detém ora vaga na geometria, que por vezes, se contrapõe no carácter fluído e impreciso que a sua superfície exibe. Memória que transcorre em um ritmo de tempo ordenado quanto à forma de expressão da imagem e impregnado quanto a sua forma e conteúdo”.
Serviço
Exposição | Invenção da Paisagem-Memória
De 19 de agosto a 26 de setembro
Terça a sexta, das 11h às 18h; sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Casa Seva
Al. Lorena, 1257 - Casa 1, Jardins, São Paulo - SP
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Vonta de vi dada dada, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. Reunindo
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Vonta de vi dada dada, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo.
Reunindo um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, a mostra amplia a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos. Distribuídas entre os dois espaços, esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila assumem configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas, florestas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuos.
No centro da exposição está uma nova série de esculturas murais que Neto denomina InsePás: estruturas tensionadas e celulares que se expandem pelas paredes, tetos e cantos da arquitetura como organismos vivos ou fluxos de energia atravessando o espaço. Desenvolvidos a partir de pesquisas anteriores sobre suspensão, equilíbrio e estruturas relacionais, esses trabalhos aprofundam a compreensão do artista da escultura como algo ativado pelo encontro, e não como forma estática. Em diálogo com eles, a exposição inclui uma escultura de grande escala em aço corten cuja estrutura ramificada evoca simultaneamente uma paisagem montanhosa e um corpo vivo sustentado por relações de equilíbrio e apoio mútuo.
Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado. Em vez de estabelecer separações entre natureza e cultura, ou entre arquitetura e corpo, a exposição propõe um ambiente em que formas humanas e não humanas coexistem em constante intercâmbio, reafirmando a compreensão de Neto de que a vida se sustenta por meio das relações, da reciprocidade e da vitalidade compartilhada entre todos os seres.
Serviço
Exposição | Vonta de vi dada dada
De 22 de agosto a 24 de outubro
Terça a sexta das 10h às 19h, sábado das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta O homem nu, a primeira mostra panorâmica da obra de Efrain Almeida (1964 – 2024) na galeria desde seu falecimento. Reunindo trabalhos produzidos entre
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A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta O homem nu, a primeira mostra panorâmica da obra de Efrain Almeida (1964 – 2024) na galeria desde seu falecimento. Reunindo trabalhos produzidos entre 1995 e 2024, a exposição oferece uma vista ampla de sua trajetória e propõe uma leitura de sua produção a partir das relações entre corpo, espiritualidade e desejo. Nascido em Boa Viagem, Ceará, o artista desenvolveu uma obra profundamente marcada pelos materiais, pelos saberes e pelas tradições culturais da região do Cariri, transitando entre escultura, instalação, pintura, bordado e aquarela. Ao longo de quase três décadas, articulou diferentes geografias, crenças, identidades e tradições materiais por meio de uma linguagem visual na qual madeira, tecido, bronze e papel tornam-se suportes para experiências ao mesmo tempo íntimas e universais.
A exposição é centrada nas esculturas de Almeida, ao lado de aquarelas, pinturas a óleo e bordados. Entre os motivos recorrentes estão corpos e fragmentos do corpo, vestimentas, autorretratos e animais nativos do Nordeste brasileiro, especialmente aves. Em sua obra, referências ao imaginário católico convivem com a sensualidade do corpo nu, que adquire dimensões tanto eróticas quanto sagradas. Em O Outsider (2017), um autorretrato bordado surge sobre uma camisa de seda translúcida, cuja transparência e aparente leveza reforçam uma recorrente sensação de transitoriedade, onde o rosto aparece como um emblema num suporte esvoaçante.
Embora profundamente enraizada nas experiências, paisagens e tradições do interior do Ceará, a obra de Almeida nunca se restringe ao registro autobiográfico ou regional. Sua produção transforma referências locais em imagens capazes de evocar experiências universais, fazendo da memória, da espiritualidade, da fragilidade do corpo e do desejo questões compartilhadas. Essa passagem entre o íntimo e o coletivo, entre o local e o universal, encontra paralelo na própria escala de suas esculturas: executadas com notável precisão e frequentemente em pequenas dimensões, elas estabelecem uma relação expansiva com o espaço expositivo, reorganizando a percepção do ambiente e exigindo do espectador uma aproximação atenta. Uma atenção semelhante se estende às representações de animais, observadas com delicadeza e frequentemente apresentadas de modo deslocado na arquitetura. Entre elas, Lázaro (2005), escultura em madeira de um cão que estende a língua em direção à parede da galeria, faz referência à figura bíblica do mendigo cujas feridas eram lambidas apenas por cães, condensando em um único gesto dimensões de cuidado, abandono e ternura que atravessam toda a obra do artista.
A exposição se desdobra em uma ocupação na casa 29, espaço para projetos especiais da galeria Sardenberg
Serviço
Exposição | O homem nu
De 22 de agosto a 24 de outubro
Terça a sexta das 10h às 19h, sábado das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Cantaria, primeira exposição individual de Daniel Jorge em São Paulo. Ocupando o galpão da Barra Funda, a mostra
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Cantaria, primeira exposição individual de Daniel Jorge em São Paulo. Ocupando o galpão da Barra Funda, a mostra reúne obras inéditas entre esculturas, relevos de parede, instalação e performance, e é acompanhada por um ensaio inédito docurador e pesquisador Carlos Quijon Jr.
O título da exposição nomeia o ofício do canteiro, o saber técnico da pedra talhada, que o artista aprendeu. A palavra guarda também o canto, som de ritual e de trabalho que acompanha quem talha. É desse cruzamento entre mão e voz, precisão e improviso, que a prática de Jorge se forma. Nas obras, a matéria não chega sozinha, mas acompanhada do trabalho, das trocas e das histórias que a trouxeram até ali.
Nascido em Recreio, no interior de Minas Gerais, criado na Curumau, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e radicado em Salvador, Jorge trabalha com o que essas três geografias lhe deram. A pedra-sabão, rocha densa e macia que serviu ao Barroco mineiro, chega ao ateliê por relações de trocacom trabalhadores e pequenas comunidades de Minas Gerais. “Cada pedra carrega uma cadeia de corpos dentro da obra”, diz o artista.
Para Jorge a obra se dá em, “testar até onde a matéria pode ir, e deixá-la responder”.A resposta está, por exemplo, no processo de pigmentação que o artista desenvolveu. O carvão, produzido no ateliê a partir de madeiras coletadas na cidade e ali queimadas, é veículo e reagente ao mesmo tempo; o pigmento azul é feito de resíduo gráfico adquirido em trocas com as gráficas da cidade. Misturado ao carvão e depositado sobre a pedra-sabão, o azul torna aparentes os quartzitos que a atravessam, e a superfície ganha pontos brilhantes que nenhum gesto poderia planejar. O piche, emulsão asfáltica que pavimenta as estradas e impermeabiliza as lajes das casas da periferia, entra como camada de negro profundo que pigmenta e adiciona uma fina camada de pele sobre a pedra.
O ferro coletado pelo artista ora carrega um processo natural de oxidação, ora é oxidado com sal, água e vinagre, técnica que pessoas escravizadas em fuga usavam para escurecer as ferramentas e camuflá-las na mata durante as travessias para os quilombos. Incrustadas na pedra entalhada, aspontas de ferro se erguem como torres, lanças, pregos. Não são ornamento: guardam a memória dafuga e organizam o trabalho, naquilo que o artista chama de “vingança simbólica”, exercida no gesto.
Sobre a pedra, Jorge realiza o gesto da escarificação: talhos, incisões, arranhões. Sua pesquisa reúneos muitos sentidos desse gesto, da marca corporal que, entre povos como Mursi, Iorubá e Nuba, inscreve pertencimento na pele, à quebra da casca da semente para que ela germine, até a incisão médica que vacina e cura. Nas superfícies escultóricas, o motivo reaparece em campos de perfurações, sulcos ordenados e protuberâncias. É o que conduz o artista ao quelóide, a pele que insiste em retornar ao seu plano original: a matéria que até então era subtraída passa a seraglutinada, criando pequenos relevos antropomórficos em algumas das peças.
Na exposição, as obras pendem do teto, encostam na parede, pousam direto no chão. Em Balanced Manumission (2024), esferas de pedra e correntes de ferro não estão presas a nada: apenas se equilibram, o peso de uma segurando o da outra. Em Boiar é entregar o peso à correnteza (2026), um bloco de pedra-sabão atravessado por grandes orifícios repousa no chão, circundado por uma corrente que carrega na ponta um cavalo marinho; o título ensina o gesto: boiar não é esforço, é entrega. E em Orifício (2024), uma pedra cinza e escarificada se incrusta numa parede em U que organiza o percurso da primeira sala: é como se a obra se tornasse um hospedeiro na parede do espaço, nos confundindo em torno da equação da matéria que se perde entre adição e subtração atornando parte. O movimento se repete em diversos trabalhos da mostra: o artista borra o caminhoque nos permitiria dizer se a forma resulta de uma subtração ou de uma adição de matéria.
A mostra culmina na instalação-performanceCondição de Assentamento(2026), em que quarenta enove pedras-sabão se distribuem pelo chão, ocupando uma sala inteira da galeria. Realizada antes daabertura da exposição, a performance faz do próprio trabalho do artista um modo de ocupar oespaço: Jorge divide as pedras com cunhas, pigmenta-as com carvão, piche e resíduo gráfico azul,escarifica-as. Encerrado o gesto, o artista se retira, e as pedras permanecem como constelaçãodurante todo o período expositivo.
Para o artista, “o direito à subjetividade, ao deslocamento, à abstração, à ambiguidade, direitos sistematicamente cooptados de certos corpos no Brasil, são reivindicados aqui como infraestrutura material da obra, não como pauta”. O que se revela em Cantaria é uma prática sustentada por mais-velhos, trabalhadores e amizades, ou, nas palavras de Quijon, “uma ecologia que prospera em chão irregular”.
Serviço
Exposição | Cantaria
De 22 de agosto a 6 de novembro
Terça a sexta, das 11h às 19h; sábado, das das 10h às 17h
Período
Local
Mendes Wood DM
Rua Barra Funda, 216, São Paulo – SP
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O Espaço Porto inaugura a exposição inédita “Meio Visível“, de P.O. Almeida. Predominantemente em preto e branco, suas fotografias constroem uma leitura autoral da paisagem urbana, distante
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O Espaço Porto inaugura a exposição inédita “Meio Visível“, de P.O. Almeida. Predominantemente em preto e branco, suas fotografias constroem uma leitura autoral da paisagem urbana, distante do registro turístico.
Fragmentando cenários e reorganizando seus elementos por meio da composição, P.O. cria fotos que convidam o espectador a desacelerar o olhar e descobrir novas relações entre pessoas, objetos e espaços. O trabalho poderá ser visitado até 3 de outubro. Informações no Instagram @portodecultura.
A produção fotográfica de Paulo Octavio Pereira de Almeida, ou P.O. Almeida, como assina seus trabalhos, nasce da experiência do deslocamento. Ao longo de uma trajetória como profissional da área de marketing, percorreu dezenas de cidades em diferentes continentes, transformando o tempo entre compromissos de trabalho e viagens em família em oportunidades para caminhar, observar e fotografar. “O Meio Visível” é um dos resultados alcançados pelo artista.
“Sempre procuro criar imagens a partir do que eu vejo das imagens dos meus mestres”, explica o artista. Seu foco são o que chama de personagens urbanos: objetos, estátuas e cartazes em arranjos que se unem a sombras. “As composições refletem o olhar desses mestres e as minhas caminhadas pelo mundo, sempre com a máquina na mão, tentando fazer com que essas imagens tenham algum sentido. Lee Friedlander, André Kertész, Manuel Alvares Bravo estão entre suas referências.
O interesse de P.O. Almeida reside menos nos lugares em si do que nas relações que neles se estabelecem: sobreposições de planos, jogos de luz e sombra, reflexos, geometrias, gestos e encontros fortuitos revelam uma cidade que se reorganiza continuamente diante do olhar. É autor do livro que leva o mesmo nome da exposição, “Meio Visível” (Fotô Editorial, 2021, 74 pgs.), que dialoga com uma tradição da fotografia moderna que compreende a rua como espaço de invenção visual.
Serviço
Exposição | Meio Visível
De 22 de agosto a 3 de outubro
Quarta à sábado, 14h às 18h, mediante agendamento prévio
Período
Local
Espaço PORTO
Rua Harmonia, 925 - Sumarezinho, São Paulo - SP
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A fotografia catarinense ganha novos encontros, diálogos e possibilidades de circulação com a 11ª edição da Feira Arte Foto na Helena Fretta Galeria de Arte, em Florianópolis.
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A fotografia catarinense ganha novos encontros, diálogos e possibilidades de circulação com a 11ª edição da Feira Arte Foto na Helena Fretta Galeria de Arte, em Florianópolis. Com curadoria de Lucila Horn e Isabela Cisne, a feira reúne trabalhos de 38 artistas que desenvolvem pesquisas autorais e recebe, como convidada especial, a artista cubana Yanahara Mauri Villarreal.
Realizada pelo Núcleo de Estudos em Fotografia e Arte (NEFA), em parceria com a Helena Fretta Galeria de Arte, a feira tem o objetivo de estimular o colecionismo de fotografia e fortalecer a inserção da produção fotográfica catarinense no circuito das artes visuais. Ao longo das edições, a iniciativa se consolidou como um espaço de difusão, aproximação com colecionadores e circulação da fotografia autoral.
Diferente de uma exposição temática, a Feira Arte Foto não parte de um tema específico. A curadoria é constituída a partir do diálogo entre as pesquisas autorais dos artistas participantes, buscando estabelecer relações entre diferentes poéticas e investigações na fotografia contemporânea. Participam artistas integrantes do NEFA e artistas representados pela Helena Fretta Galeria de Arte.
Para a curadora Lucila Horn, a diversidade de pesquisas e trajetórias reunidas na feira permite apresentar um panorama da produção fotográfica contemporânea em Santa Catarina em diálogo com outros lugares. “O diferencial está justamente na possibilidade de aproximar trabalhos que aliam qualidade poética e museológica, em diferentes formatos e linguagens”, destaca a curadora.
Nesta edição, o público encontrará fotografias documentais, fotoperformances, fotocolagens, trabalhos que estabelecem interfaces com a pintura e propostas engajadas social e politicamente, além de prints, fotolivros latino-americanos, fotozines e pequenos objetos, ampliando as possibilidades de acesso e aproximação do público com a fotografia.
Segundo a galerista Helena Becke Machado Fretta, a parceria com o NEFA tem papel fundamental para a consolidação do entendimento da fotografia no campo da arte em Santa Catarina e na criação de um intercâmbio com a produção no Brasil e no exterior. “Uma das características do evento é a exposição simultânea de jovens e promissores artistas e àqueles com trajetórias consolidadas, estimulando a troca entre gerações e apresentando uma visão atual do campo”, compartilha a galerista.
Os artistas participantes da 11ª edição da Feira Arte Foto são: Adriana Füchter, Amanda Loch, Annete Owatari, Betinha Trevisan, Bianca Cargnin, Boris Kossoy, Catarina Rüdiger, Cezinha Dias, Cleusa Berardi, Daniel Machado, Dirce Körbes, Eduarda Winckler, Eduardo Beltrame, Enrico Casagrande, Fernanda Ruy, Geisiani Bontorin, Glauria Penalber, Heloisa Oliveira, Isabela Cisne, Iuri Mesan, Janaína Corá, Joyce Mussi, Julia Perosa, Lais Mazzucco, Lu Renata, Lucas Flygare, Lucila Horn, Lui Le Blanc, Marau, Paloma Gomide, Patricia Lens, Priscila Anversa, Ricardo Faion, Sergio Manara, Vania Oliveira, Yanahara Mauri Villarreal, Zé Paiva e Zeila Sardá.
Programação
Além de promover a visibilidade para a cadeia produtiva da fotografia, a Feira Arte Foto busca proporcionar o diálogo entre artistas e visitantes. Para isso, a edição de 2026 contará com uma programação paralela. No dia 5, às 11h, e no 10 de setembro, às 18h, haverá conversa com artistas, com mediação de Lucila Horn e Isabela Cisne. Já nos dias 12 e 19 de setembro, das 10h às 13h, será realizada a Mostra de Fotolivros Latino-Americanos, nas mesmas datas, às 10h30, acontecem visitas mediadas com as curadoras.
Outro destaque desta edição é a experiência “Retratos de Identidade e Presença”, com o fotógrafo Ricardo Faion, integrante do NEFA. A proposta transforma memória e afeto em imagem e convida os participantes a levar para a sessão um objeto de valor afetivo, que será utilizado na composição de um retrato em preto e branco, de atmosfera onírica e introspectiva.
Os interessados em realizar o retrato precisam fazer inscrição previamente pelo WhatsApp 48 98408-2345. Ao final da sessão, poderão escolher uma fotografia para receber impressa em fine art, assinada e acompanhada de certificado de autenticidade. A proposta é criar, mais do que um retrato, uma imagem sobre aquilo que permanece em cada pessoa.
A feira poderá ser visitada até o dia 19 de setembro, de segunda a sexta, das 10hs às 18h30 e aos sábados das 10h às 13h, na Helena Fretta Galeria de Arte, que fica na Rua Presidente Coutinho, 532, no Centro de Florianópolis/SC. Realizada pela Helena Fretta Galeria de Arte e Núcleo de Estudos em Fotografia e Arte (NEFA), a Feira Arte Foto – 11ª edição conta com apoio da Primex Molduras e da Multicor Atelier de Impressão.
Artista convidada
A participação da artista cubana Yanahara Mauri Villarreal amplia o diálogo da feira para além da produção catarinense. Natural de La Salud, província de Havana, Cuba, Yanahara é graduada em História da Arte e possui pós-graduação em “Arte da Performance”. A artista possui diversas publicações e exposições internacionais.
Em sua trajetória, recebeu a Bolsa de Criação Raúl Corrales da Fototeca de Cuba, em 2018. Em 2010, conquistou o Primeiro Prêmio e o Prêmio Fototeca de Cuba na 9ª Bienal de Fotografia de Havana, realizada em San Antonio de los Baños, e recebeu o Grande Prêmio Fototeca de Cuba no 1º Festival de Fotografia de Pequeno Formato 5×7, organizado pelo Centro Cultural Pablo de la Torriente Brau.
Para a Feira Arte Foto, a artista apresenta dois trabalhos da série “Hijos de Onán”, na qual trabalha a partir de cânones de composições conhecidas da história da arte para abordar temas como sexualidade, heteronormalidade, pecado, heresia, contracepção e marginalização. O ensaio fotográfico oscila entre ficção e realidade e se torna uma metáfora para oferecer um panorama repleto de artistas que incorporam um reino do ser frequentemente proibido e oculto.
Serviço
Feira | Pinochiette dans les Alpes
De 27 de agosto a 19 de setembro
Segunda a sexta das 10h às 18h30 e sábados das 10h às 13h
Período
Local
Helena Fretta Galeria de Arte
Rua presidente Coutinho, Centro, Florianópolis - SC
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A Superfície tem o prazer de anunciar a inauguração de sua nova sede, marcada pela abertura da exposição coletiva Gestos, com texto de Paulo Venancio Filho e
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A Superfície tem o prazer de anunciar a inauguração de sua nova sede, marcada pela abertura da exposição coletiva Gestos, com texto de Paulo Venancio Filho e curadoria assinada por ele em parceria com Gustavo Nóbrega. A mostra inaugura um novo momento na trajetória da galeria, que passa a reunir, em um único endereço, as atividades antes distribuídas entre seus dois espaços nos Jardins.
A partir de agora, a Superfície ocupa um edifício de mais de 625 m², na Vila Madalena, com dois espaços expositivos, livraria e café, concebido para acolher exposições, encontros e diferentes iniciativas ligadas à arte contemporânea. A mudança reflete o desejo da galeria e de seu diretor e idealizador, Gustavo Nóbrega, de ampliar o alcance de sua atuação, fortalecendo seu compromisso com a pesquisa, o mercado e a difusão das artes visuais.
Inaugurando o salão principal desse novo espaço, Gestos reúne um conjunto expressivo de artistas de diferentes gerações, aproximando figuras fundamentais da arte brasileira e internacional, nomes cuja produção ajudou a definir a história da arte contemporânea e artistas em plena atividade, cujas pesquisas continuam expandindo esse legado. Tomando como ponto de partida o livro homônimo do filósofo Vilém Flusser, a mostra investiga o gesto como um movimento carregado de intenção, liberdade e pensamento.
“Gesto é o movimento no qual se articula uma liberdade, a fim de se revelar ou de se velar o outro.” — Vilém Flusser
Se expor é um gesto. Toda exposição revela e vela simultaneamente: torna algo visível ao mesmo tempo em que preserva zonas de opacidade, abrindo espaço para a imaginação, a interpretação e o encontro. Cada obra nasce de um gesto singular — um movimento que não apenas produz uma forma, mas afirma uma maneira de estar no mundo.
Para Flusser, o gesto é a expressão de uma liberdade que produz sentido. Pintar, desenhar, fotografar, gravar, modelar, escrever, performar ou instalar são diferentes modos de pensamento em ação. Cada linguagem inventa seu próprio gesto; cada artista transforma um procedimento em forma.
Com a apresentação de uma obra de Waltercio Caldas concebida especialmente para a exposição, Gestos reúne trabalhos de Andréa Hygino, Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Carlos Vergara, Celeida Tostes, Christo, Cildo Meireles, Clóvis Dariano, Dominique Gonzalez-Foerster, Fernando Lemos, Iberê Camargo, José Resende, Letícia Parente, Luiz Alphonsus, Márcia X, Mara Alvares, Maria Laet, Mira Schendel, Neide Sá, Sonia Andrade, Tunga, Thereza Simões, Vera Chaves Barcellos, Wanda Pimentel, Gestos propõe um percurso em que diferentes gerações e contextos históricos se encontram sem hierarquias. Em comum, cada obra evidencia o gesto como operação estética, pensamento materializado e forma de relação com o mundo.
Se as obras são resultado de gestos, o olhar também o é. Aproximar-se, deslocar-se, demorar o tempo diante de uma imagem, estabelecer relações entre trabalhos e construir sentidos são ações que completam a experiência da exposição. Gestos realiza-se justamente nesse espaço de reciprocidade, onde o gesto de quem cria encontra o gesto de quem observa, dando início também ao novo momento da Superfície.
Gestos acontece por ocasião da inauguração da nova sede da Superfície, localizada na Rua Mourato Coelho 790a, na Vila Madalena. O novo espaço reúne, em um único endereço, as atividades da galeria — espaços expositivos, acervo e Arquivo Superfície —, bem como uma livraria e um café abertos ao público.
Artistas
Andréa Hygino
Anna Maria Maiolino
Artur Barrio
Carlos Vergara
Celeida Tostes
Christo
Cildo Meireles
Clóvis Dariano
Dominique Gonzalez-Foerster
Fernando Lemos
Iberê Camargo
José Resende
Letícia Parente
Luiz Alphonsus
Márcia X
Mara Alvares
Maria Laet
Mira Schendel
Neide Sá
Sonia Andrade
Tunga
Thereza Simões
Vera Chaves Barcellos
Waltercio Caldas
Wanda Pimentel
Serviço
Exposição | Gestos
De 29 de agosto a 17 de outubro
Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Superfície
Rua Mourato Coelho, 790 A - São Paulo - SP
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A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900–1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos
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A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900–1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos artistas mais inquietantes do modernismo brasileiro.
Nery apropriou-se de linguagens como a ilustração, o cubismo e o surrealismo, alterando-as a partir de suas próprias inquietações. Em pinturas, desenhos e poemas, o corpo tornou-se o lugar onde ele investigou a instabilidade da identidade, a fusão entre os gêneros, a corrupção da matéria e o desejo religioso de superar os limites do espaço e do tempo.
A mostra reúne cerca de 230 obras, entre desenhos, pinturas, retratos, autorretratos e composições com figuras humanas sensuais, muitas vezes andróginas, algumas ameaçadoras, que operam na fronteira entre o afeto e a violência, o desejo carnal e o trauma da finitude.
Desde sempre compreendido como uma das vozes mais singulares da arte brasileira, Nery tem sua trajetória revista pela Pinacoteca nessa mostra panorâmica que apresenta suas contradições, sua densidade teórica e a radicalidade de suas invenções.
Serviço
Exposição | Ismael Nery: armadilha moderna
De 5 de setembro a 31 de janeiro de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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O que acontece com aquilo que sentimos, mas não conseguimos dizer? É a partir dessa inquietação que nasce a exposição “Antropomórfico: Cavernas de Sentimentos Omitidos”, do artista
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O que acontece com aquilo que sentimos, mas não conseguimos dizer? É a partir dessa inquietação que nasce a exposição “Antropomórfico: Cavernas de Sentimentos Omitidos”, do artista visual Saturno Talavera.
O projeto, que reúne 21 obras produzidas ao longo de seis anos, propõe a caverna como metáfora dos territórios internos onde se ocultam traumas, dores e emoções silenciadas. Composta por 12 pinturas, seis cerâmicas e três xilogravuras, a exposição investiga o sublime a partir da legitimação do grotesco e da intensidade afetiva na arte, tendo a pintura intuitiva como eixo central de criação das obras. O fazer artístico é compreendido como mediação entre essas experiências subjetivas e a materialização sensível.
O conjunto de obras apresenta fragmentos emocionais que atravessam o tempo, o espaço e a matéria, articulando pintura, gravura e presença escultórica como campos de ressonância entre objetividade e subjetividade. A exposição, com curadoria da artista visual Sil Lucas, na primeira experiência como curadora, também propõe um percurso de escuta e confronto com as camadas ocultas do sentir, onde o corpo e a percepção são convocados a lidar com o que usualmente permanece à margem da visibilidade.
Para Saturno, apresentar esse conjunto de trabalhos ao público representa também um momento de vulnerabilidade. “A galeria comporta um ótimo espaço para os trabalhos, estou muito empolgado para minha primeira exposição, mas também muito ansioso por ser um momento muito vulnerável de expor esses trabalhos que venho fazendo há muitos anos e muito íntimos meus”, compartilha Saturno.
A mostra marca a primeira exposição do artista na Galeria Lama e fica em cartaz até sábado, dia 3 de outubro. Como parte da programação de encerramento da mostra, será realizada uma oficina de pintura intuitiva, das 13h às 17h.
Serviço
Exposição | Antropomórfico: Cavernas de Sentimentos Omitidos
De 8 de setembro a 3 de outubro
Terça a sábado, das 18h às 00h
Período
Local
Galeria Lama
Calçadão João Pinto, 198 Centro, Florianópolis - SC
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Pinochiette dans les Alpes reúne 19 vozes artísticas distintas em uma investigação rica e variada sobre a pintura contemporânea. O título da exposição parte
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Pinochiette dans les Alpes reúne 19 vozes artísticas distintas em uma investigação rica e variada sobre a pintura contemporânea. O título da exposição parte de uma pintura de Valérie Favre apresentada na mostra e também presta homenagem às origens da galeria e aos seus vínculos duradouros com a Suíça.
Formado principalmente por artistas que integram o programa da galeria, o conjunto oferece uma perspectiva mais ampla sobre a diversidade e a orientação artística do espaço. A exposição é uma oportunidade de conhecer uma seleção mais abrangente de artistas representados pela galeria, ao lado de convidados, incluindo vários nomes que nunca haviam exposto anteriormente na França.
A mostra reúne trabalhos de Francis Alÿs, Hernan Bas, Armin Boehm, Travis Boyer, Andriu Deplazes, Valérie Favre, Beatriz González, Christoph Hänsli, Chris Huen, Leiko Ikemura, Sea Hyun Lee, Eva Nielsen, Amol K Patil, Bernd Ribbeck, Valentin Rilliet, Dagoberto Rodríguez, Tobias Spichtig, Christine Streuli e Didier William.
A exposição permanece em cartaz até 10 de outubro de 2026.
A abertura da mostra coletiva também marcará o lançamento da publicação Tout près, si loin (Tão perto, tão longe) – Entretiens avec Axel Ruoff, edição francesa do livro de conversas de Valérie Favre com o historiador da arte Axel Ruoff, com a presença da artista em 9 de setembro de 2026.
A publicação Tout près, si loin surgiu a partir de uma série de encontros entre o escritor Axel Ruoff, radicado em Berlim, e Valérie Favre, realizados no ateliê da artista. Juntos, eles discutem sua produção pictórica desde 1990, além de refletirem sobre arte de modo mais amplo. O livro logo se transforma em uma viagem pela trajetória da artista, passando por sua infância na Suíça, os anos vividos em Paris, sua mudança para Berlim em 1999 e o período que se seguiu.
O texto é acompanhado por reproduções das pinturas de Favre abordadas nas conversas, além de fotografias inéditas que documentam os primeiros anos da trajetória da artista.
Serviço
Exposição | Pinochiette dans les Alpes
De 10 de setembro a 10 de outubro
Terça a sexta. das 11h às 19h; sábado, das 11h às 19h
Período
Local
Galerie Peter Kilchmann SAS
11-13, rue des Arquebusiers, 75003 Paris, France
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Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar
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Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar os limites da representação estética por meio de um exercício radical de imaginação. O partido curatorial examina de que modo a reviravolta epistemológica das últimas décadas — impulsionada pelas demandas por reparação racial e pelas conquistas das políticas afirmativas — reconfigurou a arte brasileira, a ponto de estas não apenas inscreverem os debates raciais no campo da linguagem e da estética, como também serem expressivamente influenciadas e expandidas por eles. Tal formulação destaca a vocação deste Panorama como uma plataforma de pensamento crítico que especula sobre o futuro, ao mesmo tempo em que cria uma experiência histórica de lugar: onde estamos, onde chegamos e para onde queremos ir, além de tudo o que já foi dito, feito, visto, escrito e imaginado
Inspirado no título e questão filosófica formulada por Denise Ferreira da Silva, uma das principais teóricas feministas negras da contemporaneidade, a exposição convida a imaginar “se seria possível lançar mão de uma sensibilidade que presuma e antecipe o que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global”. A partir deste diálogo com a filósofa, Diane Lima desenvolve um projeto que, ao “ler a arte como confronto”, reflete sobre como os artistas têm performado em seus procedimentos poéticos e composicionais, exercícios radicais de imaginação e experimentação, que evidenciam um movimento contínuo e coletivo de liberação. A exposição busca complexificar o regime racial estético e, portanto, a própria definição de arte brasileira: aquilo que sabemos sobre ela, seu passado, nossos modos de olhá-la, descrevê-la e, sobretudo, as práticas artísticas das próximas gerações.
Serviço
Exposição | Depois que Tudo Foi Dito
De 12 de Setembro a 24 de janeiro
Terça a sexta, das 9h às 20h sábado, das 10h às 20h, domingo e feriados, das 10h às 18h
Período
Local
Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM SP)
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Vila Mariana, São Paulo – SP
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A Galeria 18 abre “Desculpe, Rafael“, exposição individual de Felipe Scandelari. A mostra reúne cerca de 15 pinturas a óleo nas quais o artista aproxima imagens clássicas
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A Galeria 18 abre “Desculpe, Rafael“, exposição individual de Felipe Scandelari. A mostra reúne cerca de 15 pinturas a óleo nas quais o artista aproxima imagens clássicas da vida contemporânea para refletir sobre tradição, permanência e transformação.
Scandelari parte de obras de grandes mestres e de diferentes momentos da história da arte europeia, com atenção especial ao Renascimento. Em vez de simplesmente reproduzir essas referências, o artista preserva suas estruturas, composições e narrativas, atualizando personagens, cenários e símbolos. Santos, deuses e heróis dão lugar a amigos e familiares, armaduras são substituídas por bermudas e a vegetação tropical invade paisagens originalmente europeias.
A exposição reúne trabalhos que dialogam com artistas como Botticelli, Artemisia Gentileschi e Paolo Uccello, entre outros. Nestas obras, o contraste entre o rigor técnico e a irreverência dos elementos contemporâneos ocupam um lugar central. O domínio do desenho, da hierarquia de planos, da anatomia, da luz e cor dá forma a cenas nas quais o banal se torna sublime e o cotidiano assume o lugar do sagrado.
Muitas das imagens hoje consideradas ícones da história da arte, em suas épocas, faziam parte da vida cotidiana. Elas transmitiam narrativas, valores e modelos de representação a diferentes públicos. Ao substituir seus signos por elementos de seu próprio universo, Scandelari recupera essa dimensão comunicativa e aproxima do presente um repertório que, para muitos, parece distante e erudito.
“Desculpe, Rafael” parte de uma questão central: como uma tradição permanece viva? As pinturas de Scandelari sugerem que sua continuidade não depende da repetição fiel de modelos, mas da capacidade de transformá-los, adaptá-los e fazê-los produzir sentido em um novo contexto. Aqui, a tradição não é destruída pela mudança: é justamente por meio dela que continua existindo.
Serviço
Exposição | Desculpe, Rafael
De 12 de setembro a 24 de outubro
Terça a Sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galeria 18
Rua Simpatia 23, Vila Madalena – São Paulo - SP
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São Paulo será sede da 15ª Mostra 3M de Arte, que estreia no Parque Villa-Lobos com o tema “A Cidade das Crianças” em uma edição histórica. Pela primeira
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São Paulo será sede da 15ª Mostra 3M de Arte, que estreia no Parque Villa-Lobos com o tema “A Cidade das Crianças” em uma edição histórica. Pela primeira vez em sua trajetória, o evento apresentará o universo infantil como eixo central, revelando a potência do imaginário criativo como ferramenta de construção social. O conceito propõe uma inversão de perspectiva: olhar para a infância não como uma etapa preparatória, mas como uma força política e criativa capaz de renovar o convívio urbano.
As obras da 15ª Mostra 3M de Arte não foram pensadas apenas para serem observadas. Elas convidam crianças e adultos a participarem, ocuparem e transformarem os espaços. Balançar, escorregar, atravessar, pular, tocar, negociar e imaginar são algumas das ações que fazem parte das experiências propostas pelos artistas com suas criações.
A exposição apresentará o brincar como uma forma de pensar a cidade e as relações entre as pessoas. Cada obra criará uma situação de encontro, na qual as crianças e os adultos poderão experimentar outras maneiras de compartilhar espaços, tomar decisões, escutar e construir coletivamente.
Obras em fase final de preparação e os artistas
Em “Aula Suspensa”, Andréa Hygino, do Rio de Janeiro, apresentará carteiras escolares penduradas como balanços e dispostas em círculo. O objeto associado à educação e disciplina se transformará em convite ao movimento, à conversa e à experimentação coletiva.
Na obra inédita “Arcyria vulpicida amanita favolaschia”, assinada por AVAF, de São Paulo, três escorregadores conectados por redes criam uma situação em que as crianças precisam negociar entre si a ordem e a forma de brincar, transformando o jogo em experiência de convivência.
A artista Castiel Vitorino Brasileiro, de Vitória, Espírito Santo, assina a obra “A cor do sol, do segredo e da descoberta”, na qual dois grandes meios círculos revestidos de pinturas e mosaicos de espelhos formam um espaço para brincar, esconder-se e reaparecer. Os reflexos dos visitantes passam a integrar a própria obra.
De Belo Horizonte, a artista Isabela Prado cria para a exposição em São Paulo a obra “Sonhar é preciso”, com manilhas de concreto atravessadas por formas azuis remetem às águas escondidas sob as ruas da capital paulista. A instalação convida as crianças a imaginar os rios que continuam correndo sob a cidade.
Já o artista Juca Fiis, do Rio de Janeiro, assina a arte “Que Onda”, com duas estruturas que acionam coletivamente uma corda de pular, enquanto caixas percussivas permitem que outros participantes criem o ritmo. Para a brincadeira acontecer, é preciso sincronizar movimentos, escutar e negociar com o outro.
Diretamente de Salvador, Rommulo Vieira Conceição prepara para a exposição a obra “Junta”, uma casa suspensa inspirada nas casas na árvore é construída a partir de desenhos de árvores feitos por crianças. No interior, uma mesa redonda transforma o espaço em lugar de encontro, conversa e deliberação.
Consolidada como um dos marcos mais relevantes da arte contemporânea em espaços públicos no Brasil, a Mostra 3M de Arte está sob a curadoria de Bernardo Mosqueira e curadoria assistente de Ana Clara Simões Lopes neste ano. E a proposta é ressaltar as crianças como grande fonte de reavaliação e renovação, expressando a força transformadora do brincar como a prazerosa arte de experimentar ordenações alternativas da vida.
A brincadeira cria um território onde o real e o imaginário se entrelaçam, produzindo uma forma provisória de ordem que ensina sobre o arbitrário no mundo e a possibilidade de transformá-lo. Cada regra compartilhada, cada rodada e cada negociação inerente a uma brincadeira ensinam o respeito, o pacto, o comum, o desejo de vencer, a desimportância das derrotas e a importância da cooperação e do convívio.
Ao centralizar as infâncias, a exposição defende a urgência de ouvir as crianças na reinvenção, reconhecendo que a vida urbana excede seus contornos planejados e pode ser recriada constantemente pela imaginação, sem conceitos limitantes e projeções exclusivamente de futuro. A tônica é enaltecer que muitas habilidades infantis podem agregar no presente, a partir de interpretações e adaptações de brincadeiras para a vida real.
“A Mostra 3M de Arte é reconhecida por sua experimentação artística, promovendo acesso gratuito à arte contemporânea em espaços públicos e de grande circulação. Tornou-se instrumento educacional para grupos de jovens que visitam o evento e tem envolvido parcerias estratégicas com escolas públicas em prol do fomento à cultura democrática. Ao longo de suas edições, já reuniu nomes consagrados e emergentes do cenário nacional, sempre pautada por temas urgentes e relevantes”, comenta Marcela Ribeiro, diretora da Elo3, empresa idealizadora e produtora do projeto. A exposição tem o patrocínio da 3M via lei de incentivo à cultura.
15 Anos de Arte Pública: Uma Trajetória de Transformação
Criada em 2010 com o propósito de democratizar o acesso à cultura, a Mostra 3M de Arte iniciou sua jornada focada na arte digital, ocupando espaços como a Universidade Mackenzie e o Memorial da América Latina. Entre 2012 e 2014, consolidou sua relevância em uma temporada de três anos no Instituto Tomie Ohtake, sob curadorias de nomes como Giselle Beiguelman e Paulo Miyada.
Em 2017, o projeto realizou uma transição histórica: retirou o “digital” do nome e levou as obras de arte contemporânea diretamente para as ruas, ocupando o Largo da Batata. Desde então, a mostra transformou-se em um marco de intervenção urbana, passando por cartões-postais como o Parque Ibirapuera, o Parque Augusta e o bicentenário Parque da Luz.
Ao longo de uma década e meia, o evento já comissionou dezenas de obras de artistas nacionais e internacionais, promovendo o diálogo direto entre a população e a arte contemporânea de forma totalmente gratuita.
Serviço
Exposição | A Cidade das Crianças
De 13 de setembro a 12 de outubro
Segunda a domingo das 5h30 às 19h
Período
Local
Parque Villa-Lobos
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2001 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP
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É com júbilo que a Galeria de Arte André sedia a nova individual de Philip Hallawell, artista tão ligado à história do espaço. A mostra pode servir de festejo pelos
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É com júbilo que a Galeria de Arte André sedia a nova individual de Philip Hallawell, artista tão ligado à história do espaço. A mostra pode servir de festejo pelos 50 anos da primeira individual do artista, na própria André, no final dos anos 1970. No entanto, o evento pode marcar as razões pelas quais Hallawell inscreve sua importância na arte brasileira.
Desenvolvendo sua teoria de image ID e lançando um livro sobre o assunto, isso revela o forte caráter didático que a carreira do artista abriga. Já se tornou um clássico o seu programa na TV Cultura. Mesmo com o avanço enorme da tecnologia, Hallawell sabe bem o valor do grafite sobre o papel.
Outra faceta relevante de Hallawell é a contribuição para a documentação das exposições de artes visuais. Para a primeira individual, o artista concebeu e veiculou um pequeno folder, em cores, que servia de registro das telas presentes e 5 textos críticos, inclusive um de Pietro Maria Bardi (1900-1999). Não era usual tal espécie de catálogo e o sucesso da empreitada fez com que a galeria continuasse tal expediente, também feito em outros espaços e fundamental para o patrimônio visual da arte brasileira
E talvez o aspecto mais importante da mostra de agora é a relevante produção ligada ao onírico, simbólico e imaginário de Hallawell na arte nacional. Ao virmos os óleos de escala avantajada, por exemplo, exibidos hoje percebemos a qualidade tanto visual quanto conceitual de Hallawell, também presente nos desenhos e pasteis do artista.
Serviço
Exposição | Individual de Philip Hallawell
De 14 de setembro a 10 de outubro
Segunda a sexta das 9h às 19h, sábado das 10h às 14h
Período
Local
Galeria de Arte André
Rua Estados Unidos, 2.280 Jardim Paulistano – São Paulo – SP
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Como parte integrante da Semana de Arte do Rio, que acontece entre 16 e 27 de setembro, durante 12 dias, Flavia Fabbriziani abre no dia 15, na
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Como parte integrante da Semana de Arte do Rio, que acontece entre 16 e 27 de setembro, durante 12 dias, Flavia Fabbriziani abre no dia 15, na Cidade das Artes, a mostra individual “Geografia das memórias“, com curadoria de Christiane Laclau, reunindo cerca de 13 obras que partem da relação entre a natureza e a memória.
Flavia parte da paisagem como lugar de experiência, unindo percepção e matéria para construir uma cartografia afetiva. Transformando em imagens certos vestígios do mundo que detêm seu olhar, suas pinturas não buscam reproduzir exatamente aquilo que foi visto, mas registrar como essas experiências se transformam com o passar do tempo.
Diferentemente de uma pintura de paisagem voltada à representação pictórica, o trabalho de Flavia busca capturar o que existe entre o que foi visto e o sentimento que foi despertado. Assim como a memória, essa composição é construída por camadas e sedimentações de cores e formas, fazendo com que alguns elementos permaneçam visíveis enquanto outros se diluem e reaparecem.
Seu trabalho parte de experiências vividas, como a paisagem de um sítio da infância, onde a vegetação é transformada pela passagem do tempo e pela lembrança do lugar. Assim como a artista, ao pintar a lembrança dos jardins internos e pátios da Itália, mescla a paisagem italiana com a vegetação carioca, representando a forma com que o relembrar é transformado pelo acumular do presente e o passado.
As obras da mostra não procuram fixar uma paisagem, mas sim, buscar o que permanece dela depois que a experiência termina, convertendo o que foi vivido em imagem e, nesse processo, observação e sensação se misturam.
Em “Geografia das memórias”, a paisagem se apresenta como território da lembrança: um espaço onde experiências, lugares e tempos diferentes se encontram.
Nas palavras da curadora, Christiane Laclau, ao percorrer essas obras, o espectador é convidado a perceber que a geografia proposta é mais do um lugar no mapa, é uma topografia de camadas sensoriais e internas, sobrepostas ao longo do tempo.
Serviço
Exposição | Geografia das memórias
De 16 a 27 de setembro
Quarta a Domingo, das 12h às 20h
Período
Local
Cidade das Artes
Av. das Américas, 5.300 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ
outubro
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da
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A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da cidade e do estado do Paraná, dentre eles o Museu Oscar Niemeyer, o maior museu de arte da América Latina.
Vivemos um momento de transformação, em que as fronteiras entre o humano e suas tecnologias, o natural e o artificial, tornam-se cada vez mais fluidas. Diante desse cenário, a edição deste ano apresenta o título LIMIARES, propondo um espaço de passagem e reflexão sobre as mudanças que atravessam o presente e apontam para novos modos de existir e de criar. A edição será conduzida pelas curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, bem como por uma equipe multicultural de curadores convidados.
O conceito curatorial entende este momento limiar em que vivemos também como um espaço fértil no qual a arte atua como mediadora entre mundos. Habitar essa fronteira e criar a partir da incerteza orientam uma proposta que se assume como um espaço de troca entre diferentes áreas do conhecimento e culturas. Para as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, “mais do que um conceito, LIMIARES é uma atitude curatorial: habitar a fronteira, permanecer no entre, criar a partir da incerteza, gerando novos caminhos”.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba promove o diálogo entre artistas, pesquisadores, cientistas e estudantes, convidando o público a refletir sobre como estar presente em um mundo em fluxo acelerado e a imaginar novas formas de coexistência. Acesse o statement curatorial aqui.
Marcando o aguardado retorno ao formato presencial após a edição totalmente online de 2021, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba apresentará exposições de grandes artistas de diferentes origens e que atuam em múltiplos suportes, do material ao virtual. É um retorno necessário ao circuito mundial da arte, que reforça o posicionamento da América Latina como uma potência cultural. Na sua última edição presencial, em 2019, a Bienal Internacional de Curitiba atraiu mais de um milhão de visitantes.
Serviço
Exposição | 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba
De 14 de junho a 15 de novembro
Locais
Museu Oscar Niemeyer, Museu Paranaense, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu da Imagem e do Som, Museu Alfredo Andersen, Museu da Fotografia, Museu da Gravura/Memorial de Curitiba, Museu Municipal de Arte, terminais de ônibus e outros espaços de Curitiba.
Período
Local
16ª Bienal Internacional de Curitiba - Sede Principal
Rua Marechal Hermes, 999 — Centro Cívico, Curitiba - PR
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O Museu do Ipiranga apresenta a exposição inédita Liberdade: bairro plural. A mostra propõe um novo olhar sobre um dos bairros mais conhecidos de São Paulo e convida o público
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O Museu do Ipiranga apresenta a exposição inédita Liberdade: bairro plural. A mostra propõe um novo olhar sobre um dos bairros mais conhecidos de São Paulo e convida o público a refletir sobre O que é um bairro? O que é um bairro étnico? E o que torna um bairro plural?
Ao longo de mais de dois séculos, a região foi ocupada e transformada por diferentes grupos sociais e étnicos, tornando-se um território marcado por encontros, trocas culturais, permanências, deslocamentos e disputas de memória.
Com curadoria dos historiadores Paulo Garcez Marins, Mônica Raisa Schpun, Aline Montenegro Magalhães, Francisco Andrade e David Ribeiro, a exposição está organizada em três módulos e apresenta a Liberdade como um território em constante transformação.
Durante a visita mediada, o público é convidado a percorrer a exposição com educadores do Museu, aprofundando temas, contextos históricos e questões apresentadas pela mostra.
Serviço
Exposição | Liberdade: bairro plural
De 7 de julho a 31 de janeiro
Terça a domingo, das 10h às 17h
Duração: 1 hora
Período
Local
Museu do Ipiranga
R. dos Patriotas, 100 - IpirangaSão Paulo - SP
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra
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A exposição Com Amor, Alcione celebra a trajetória extraordinária de uma das maiores artistas da música brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alcione consolidou uma obra grandiosa que atravessa gerações e ocupa um lugar singular na cultura do país.
Idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), a exposição chega ao Museu das Favelas em sua primeira itinerância, reunindo mais de 650 itens do acervo pessoal de Alcione — entre fotografias raras, vídeos, prêmios, figurinos e objetos marcantes. Com Amor, Alcione convida o público a percorrer momentos da trajetória artística e biográfica da cantora, percorrendo temas como família, fé, carnaval, migração e identidades negra e nordestina, evidenciando como a trajetória de Alcione dialoga com experiências coletivas e processos históricos que constituem a cultura brasileira.
Serviço
Exposição | Com Amor, Alcione
De 10 de julho a 06 de dezembro
Terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h
Período
Local
Museu das Favelas
Largo Páteo do Colégio, 148 - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo - SP
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a
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Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a habitam. A afirmação sintetiza aspectos centrais de sua produção, marcada pela observação da natureza, do corpo e dos ciclos da vida, em diálogo com materiais naturais e referências da paisagem mineira. Esse universo poderá ser visto nessa mostra que o Itaú Cultural (IC) apresenta em três andares do espaço expositivo.
Com curadoria de Franklin Espath Pedroso, a exposição reúne cerca de 150 desenhos inéditos, 10 filmes experimentais e uma instalação derivada de Campos peregrinos, trabalho apresentado por ela em Glasgow, na Escócia, em 2025. É a primeira vez que a artista reúne sua produção audiovisual em uma exposição. A concepção, realização e projeto de acessibilidade são da equipe do Itaú Cultural. O curador também assina o projeto expográfico ao lado de Leila Scaf Rodrigues.
Solange nasceu em Ferros (MG), em 1961, e desenvolve há mais de quatro décadas uma obra que articula desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo. Ela é reconhecida por pesquisas que incorporam materiais naturais e procedimentos ligados à observação da paisagem e dos processos de transformação da matéria.
Nos últimos anos, o seu trabalho tem alcançado ampla presença internacional. Atualmente, Solange se prepara para participar da Bienal de Toronto, no Canadá, em setembro. Ainda monta uma exposição individual, que abrirá em outubro na Fundación Botín, na Espanha. A artista também foi convidada pela Fondation Cartier, na França, para realizar uma grande mostra de sua obra em 2027. No Brasil, ao reunir obras inéditas, trabalhos recentes e uma seleção significativa de filmes, a exposição no IC oferece um panorama de aspectos centrais de sua produção e de seu percurso artístico.
A Exposição
Um dos destaques de Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação ocupa quase todo o primeiro andar do espaço expositivo do Itaú Cultural. Trata-se da instalação Campos peregrinos, um desdobramento da obra criada para o centro de arte contemporânea Tramway, em Glasgow – um espaço instalado em um antigo depósito de bondes, que se tornou referência cultural europeia, oferecendo exposições visuais e apresentações de dança e teatro.
A versão apresentada no Itaú Cultural reúne peças em bronze e cerâmica a materiais como capim-membeca, paina, camomila, macela, folhas secas, algodão, folhas e fubá, elementos recorrentes na investigação desenvolvida por Solange a partir de referências dos cerrados e das matas brasileiras. A obra propõe uma experiência sensorial que ultrapassa o olhar, envolvendo cheiros, texturas, dimensões e sons emanados pelos materiais que compõem a instalação.
Neste mesmo piso, é apresentado o seu novo filme, Desjardim, realizado especialmente para a mostra. Parceria de Solange com o cineasta João Vargas Penna e com o músico Livio Tragtenberg, a produção cria conexões sensíveis em obras, com melhores condições técnicas e de produção.
Em contraste com as instalações e os desenhos de grandes dimensões realizados pela artista nos últimos anos, o piso -1 do Itaú Cultural apresenta trabalhos que evidenciam uma dimensão mais íntima de sua obra ao reunir aproximadamente 150 desenhos inéditos feitos em escalas menores. Realizados desde os anos 1990 até a atualidade, eles revelam animais, vegetação, corpos, paisagens e seres imaginários em trabalhos produzidos com materiais diversos, como pigmentos, carvão, óleo, jenipapo, argila, urucum, Merthiolate e gordura.
Ao longo do tempo, esses materiais passaram por seus próprios processos de transformação, incorporando à obra questões centrais para a pesquisa da autora: a matéria, a passagem do tempo e os ciclos da natureza. Entre o animal, o vegetal e o mineral, os desenhos apresentam formas híbridas e paisagens em permanente mutação, sintetizando temas que atravessam mais de quatro décadas de produção.
Por sua vez, o piso -2 apresenta uma cronologia da vida e obra da artista e tem como destaque uma seleção de 9 filmes experimentais produzidos ao longo de sua trajetória, reunidos pela primeira vez em uma mostra dedicada a ela. Embora menos conhecidos do público do que suas esculturas, desenhos e instalações, os trabalhos evidenciam uma investigação constante da imagem em movimento como extensão de sua pesquisa artística.
As obras acompanham processos de transformação da matéria e a ação do tempo sobre elementos como minerais, metais, água e fogo. Corpos, paisagens naturais, jardins, cavernas, espaços domésticos e sítios históricos aparecem com frequência, não apenas como cenários, mas como agentes que participam da construção das imagens. Em alguns trabalhos, registros de ações e performances também destacam a dimensão corporal presente em sua produção.
Serviço
Exposição | Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação
De 4 de agosto a 1º de novembro
Terça a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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Há um instante do dia em que as cores começam a desaparecer. A luz deixa de pertencer às coisas e passa a habitar o espaço entre elas.
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Há um instante do dia em que as cores começam a desaparecer. A luz deixa de pertencer às coisas e passa a habitar o espaço entre elas. É nesse intervalo — quando a matéria parece vacilar e o vazio ganha espessura — que Diogo Gonçalves constrói sua obra. Suas esculturas procuram escutar o ambiente. Entre a presença mínima da linha luminosa e a vastidão do vazio que a circunda, surge um poema silencioso, feito de intervalos, hesitações e aparições. A luz passa de instrumento de visibilidade para tornar-se linguagem — uma linguagem que não descreve o mundo, mas cria as condições para que ele possa ser sentido.
Se o poema se faz de palavras e silêncios, as obras, reunidas agora na Galleria Continua — São Paulo, constituem-se pela delicada tensão entre presença e ausência. Cada trajeto de lâmpadas parece carregar a memória de diversas outras formas possíveis, como se o artista trabalhasse menos pela adição do que pela retirada. O gesto consiste em subtrair, condensar, aproximar-se do essencial. Não se trata de reduzir o mundo, mas de criar as condições para que suas camadas invisíveis possam emergir. Cada traço reluzente conserva a potência de muitos outros. A forma que se apresenta não surge como afirmação definitiva, mas como a consequência provisória de inúmeras possibilidades latentes.
Há, em sua prática, uma rara confiança no vazio. O espaço negativo deixa de ser aquilo que sobra entre os objetos para tornar-se matéria sensível, campo de imaginação e de experiência. A linha luminosa torna perceptível aquilo que escapa ao olhar apressado. O espectador é convidado a habitar um estado de atenção. Talvez seja por isso que Diogo aproxime sua obra da poesia. Não porque elas traduzam algo em palavras, mas, sim, compartilham com ela uma mesma condição: a de insinuar mais do que afirmar. Como escreveu a filósofa Maria Zambrano, a poesia encontra aquilo que não pode ser completamente dito. Também as esculturas do artista parecem surgir desse limiar, desse território fronteiriço em que a matéria se torna quase imaterial e a luz, em vez de dissipar o mistério, encarna uma presença provisória.
Para o filósofo Gaston Bachelard, toda imagem poética inaugura uma emergência da linguagem e também uma forma de habitar o mundo. Na produção de Diogo Gonçalves, esse habitar nasce do gesto. Ainda que suas obras assumam a forma de vídeo, instalação ou animação tridimensional, permanece nelas a memória da mão: empurrar, recolher e elevar a matéria. A tecnologia não substitui a experiência escultórica; torna-se sua continuação. Entre o espaço físico e o digital, o artista não estabelece hierarquias. Ambos constituem campos de investigação, superfícies nas quais a escultura pode manifestar-se. O que importa não é o meio, mas a possibilidade de instaurar relações, tensionar limites e fazer aparecer aquilo que até então permanecia latente. Esta linha luminosa, recorrente em sua produção, carrega a simplicidade dos gestos elementares e, ao mesmo tempo, a complexidade de um pensamento que se constrói por acercamentos sucessivos.
Há algo de profundamente ético nessa economia de meios. Ao invés de saturar o espaço, suas obras oferecem escuta: revelam a densidade do ar, a vibração quase imperceptível da luz, a espessura dos intervalos. Cada trabalho parece recordar que o espaço não é vazio, mas um campo de forças, memórias e possibilidades. Talvez seja essa a singularidade do poema silencioso que Diogo Gonçalves persegue. Não um poema escrito sobre a luz, mas um poema escrito com ela. Uma linguagem mínima, feita de aparições e suspensões, em que cada linha parece afirmar que o mundo ainda guarda regiões invisíveis.
Serviço
Exposição | Matéria do silêncio
De 08 de agosto a 19 de setembro
Terça – sexta das 10h às 18h e sábado das 10h às 15h
Período
Local
Galleria Continua
Rua Piauí, 844, Higienópolis - São Paulo, SP
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá
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Tarsila do Amaral é uma figura central do modernismo brasileiro e um dos maiores ícones das artes visuais do país. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a artista terá uma exposição à altura de sua trajetória: ‘O Brasil de Tarsila’ inaugura, em agosto, um novo espaço expositivo em São Paulo, o Nubank Arte Lab, o maior e mais moderno local de exposições e experiências imersivas do Brasil, com uma estrutura altamente tecnológica, sensorial e interativa.
Localizado no Conjunto Nacional, o empreendimento foi concebido pela Aventura — sob a liderança dos co-CEOs Aniela Jordan, Luiz Calainho e Giulia Jordan — e pela Deeplab Project, de Felipe Reif, com o Nubank, que assume o naming rights do espaço, com inauguração prevista para 15 de agosto.
Já ‘O Brasil de Tarsila‘ é apresentado pelo Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio master da EMS, apoio da Alelo, IRB(Re) e BNY. O projeto é uma realização da Tarsila S.A., liderada por Paola do Amaral Montenegro, e a Live Idea, de João Giani, em coprodução com a Deeplab e a Aventura.
Sobre a exposição
Ao longo de mais de dez salas, o universo visual de Tarsila será revisitado por meio de projeções monumentais de 360 graus, cenografia imersiva, trilha sonora e dispositivos interativos com direito a efeitos especiais e até aromas que vão guiar o visitante em uma jornada sensorial de grande escala por cerca de 40 obras da artista, entre pinturas icônicas, desenhos, esboços e ilustrações.
Mais do que contemplar suas obras, o público será convidado a interagir, explorar e mergulhar em ambientes que revelam suas referências, sua trajetória e o contexto artístico que marcou sua produção.
A proposta dialoga com uma linguagem contemporânea já consagrada internacionalmente por exposições imersivas dedicadas a artistas como Monet e Van Gogh, que transformaram a interação entre o público e as artes visuais. Agora, é a vez de uma artista brasileira ocupar esse espaço.
Todo o conteúdo audiovisual da mostra foi desenvolvido por artistas visuais e não por inteligência artificial, garantindo consistência estética e respeito às obras originais. A proposta é utilizar a tecnologia como meio de ampliação da experiência artística, e não como substituição da criação.
‘O Brasil de Tarsila’ busca aproximar novos públicos da arte e formar futuros visitantes de museus e apreciadores das artes visuais. A exposição foi concebida para receber famílias, despertar a curiosidade de crianças e jovens e abrir portas para pessoas que talvez nunca tenham tido contato direto com a obra de Tarsila.
A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro e Juliana Miraldi. Paola, gestora da Tarsila do Amaral S.A., atuou diretamente na construção dos enquadramentos narrativos da exposição, assegurando fidelidade à trajetória e ao legado da artista. Já Juliana Miraldi, pesquisadora e curadora de exposições imersivas, estrutura a dimensão conceitual da mostra ao integrar pesquisa acadêmica em artes visuais com as linguagens contemporâneas da arte digital.
A mostra reunirá releituras imersivas de trabalhos emblemáticos como Abaporu, Antropofagia, A Cuca, Operários e O Sono, além de outras obras importantes como São Paulo, Religiões Brasileiras, Figura só e Autorretrato (Le Manteau Rouge). Também integram o percurso desenhos e registros de viagens realizados pela artista, revelando paisagens e referências que marcaram profundamente sua produção.
‘O Brasil de Tarsila’ realizará um grande mergulho no imaginário da artista, recheado por cores vibrantes, paisagens e personagens brasileiros, convidando o público a atravessar suas formas dentro de uma experiência sensorial que conecta Arte e Tecnologia.
Serviço
Exposição | O Brasil de Tarsila
De 15 de agosto a 15 de fevereiro
Quarta a segunda e feriados, das 10h às 22h
Ingressos
De sexta a domingo e feriados – Inteira: R$ 100,00 | Meia-entrada: R$ 50,00
Segundas, quarta e quintas – Inteira: R$ 80,00 | Meia-entrada: R$ 40,00
Período
Local
Nubank Arte Lab
Conjunto Nacional, Avenida Paulista 2.073 – São Paulo, SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura a coletiva internacional Histórias latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi, a exposição reúne 187 trabalhos de 148 artistas provenientes de 20 países. A mostra analisa como colonização, migração, movimentos de resistência e projetos de nação contribuíram para a criação de diferentes narrativas sobre a América Latina.
Com curadoria de Amanda Carneiro, curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, obras do período pré-colonial ao contemporâneo dialogam a partir de problemas compartilhados, como a colonização, o extrativismo, os projetos de progresso, as formas de organização coletiva, as migrações, as diásporas e as aspirações de futuro. Pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, instalações, têxteis e vídeos revelam o uso de imaginários e símbolos para inventar, governar e disputar a região ao longo do tempo.
“A América Latina está interligada por múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense. Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas e ritmos complexos que respondem a muitos intercâmbios. A região é uma zona de conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, diz Amanda Carneiro.
A exposição está organizada em cinco núcleos: O mundo ao revés, Retórica do progresso, Sociedades americanas, Estamos em salsa e A queda do céu.
O mundo ao revés parte do conceito andino pachakuti, que nomeia uma inversão radical da ordem do mundo. Para inúmeros povos indígenas, a invasão europeia das Américas produziu uma ruptura dessa natureza, alterando relações com o território, o tempo e o conhecimento. O conjunto de obras reflete como a colonização inventou um mito de paraíso tropical repleto de riquezas naturais que estaria à disposição para ser explorado pela Europa, e a versão latino-americana do Barroco.
Já Retórica do progresso examina como projetos de urbanização e industrialização moldaram uma narrativa latino-americana do século 20, revelando promessas e contradições. A cidade, a fábrica, a rodovia, a arquitetura e o planejamento urbano despontam como uma vitrine de uma modernidade anunciada, mas também como instrumentos de controle, desigualdade e devastação ambiental. A expografia permite que uma das janelas do Edifício Pietro Maria Bardi revele a vista da Avenida Paulista, estabelecendo um diálogo entre a capital paulista e a exposição. Nesse núcleo, a obra comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da artista mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa parte do piso do espaço expositivo. A instalação reproduz em grande escala um dos primeiros mapas europeus feitos de Tenochtitlan — então capital do Império Asteca e atual Cidade do México. Deball evidencia como a cartografia colaborou para classificar, administrar e dominar o território indígena. A mostra apresenta ainda outras obras comissionadas de JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado.
Em Sociedades americanas, a exposição olha para formas de organização comunitárias, como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares, que pensam a construção de alternativas concretas às promessas não cumpridas do desenvolvimento.
Estamos em salsa faz referência à canção homônima lançada em 1978 pelo músico nova-iorquino de origem porto-riquenha Wayne Gorbea. Formada por matrizes afro-caribenhas, o estilo musical surge do encontro entre migrantes, gravadoras, bailes e comunidades latinas, consolidando-se em Nova York. Obras como Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, abordam as relações entre dependência econômica e repertório cultural por meio de produtos como Coca-Cola, petróleo, banana, dendê, milho e taco. Meireles grava mensagens políticas sobre garrafas retornáveis e as devolve às prateleiras, infiltrando sua crítica na logística do varejo. Caro, por sua vez, subverte a logomarca do refrigerante, forçando a identidade de seu país a se moldar aos signos de uma mercadoria global.
O último núcleo, A queda do céu, é nomeado em referência ao livro escrito por Davi Kopenawa e Bruce Albert. No livro, publicado em 2010, os autores revelam como a destruição da floresta amazônica pela invasão garimpeira desencadeia uma catástrofe que ultrapassa a noção de crise ambiental e nomeia o colapso concreto das relações que mantêm a vida de pé. O núcleo articula o sonho e o mito, compreendidos como formas de conhecimento alternativas às utopias de progresso. A coexistência e a sobreposição de territórios e linhas do tempo também orientaram a expografia da mostra. O público pode seguir a sequência proposta para percorrer a exposição ou pode estabelecer seus próprios caminhos, criando associações e leituras diversas. A pintura Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio Oiticica, foi uma referência para painéis, blocos de cores e cortes diagonais que evitam uma separação rígida entre as seções, favorecendo a continuidade e o diálogo entre diferentes trabalhos.
Histórias latino-americanas é o tema do ciclo curatorial de 2026. A programação do ano também inclui as mostras de Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.
A mostra faz parte de uma série de projetos em torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção, relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).
Acessibilidade
Todas as exposições temporárias do MASP possuem recursos de acessibilidade, com entrada gratuita para pessoas com deficiência e seu acompanhante. São oferecidas visitas em Libras ou descritivas, mediante solicitação pelo e-mail [email protected], além de textos e legendas em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais com audiodescrição, legendagem e interpretação em Libras. Todos os materiais estão disponíveis no site e canal do YouTube do museu e podem ser utilizados por pessoas com ou sem deficiência, públicos escolares, professores, pessoas não alfabetizadas e interessadas em geral, em visitas espontâneas ou acompanhadas pela equipe MASP.
Catálogo
Será publicado um catálogo bilíngue, em inglês e português, reunindo imagens e textos sobre a exposição. O livro tem organização editorial e textos de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro e Julieta González.
Loja MASP
Em diálogo com a exposição, a Loja MASP apresenta produtos especiais, que incluem cadernos, blocos, postais, ímãs e marca-páginas.
Realização
Histórias latino-americanas é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio master de Nubank e patrocínio Vivo.
Serviço
Exposição | Histórias latino-americanas
De 4 de setembro até 31 de janeiro
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Período
Local
Edifício Pietro Maria Bardi - MASP
Av. Paulista, 1500 - Bela Vista, São Paulo - SP
Detalhes
A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual
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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a obra Bandeira Branca, da artista visual Luana Vitra, no Projeto Octógono, espaço central do edifício Pina Luz. Com curadoria de Pollyana Quintella, a mostra exibe uma instalação monumental concebida especialmente para o local.
Em Bandeira Branca, Luana Vitra parte das terras-raras, conjunto de dezessete elementos químicos decisivos para as tecnologias que organizam o mundo contemporâneo, da transição energética às comunicações, para refletir sobre as continuidades entre extrativismo, colonialismo e as formas de vida que deles emergem.
“Aqui, a matéria mineral funciona como registro de processos que costumam se manter invisíveis, nos levando a observar o que sustenta a cadeia produtiva da tecnologia contemporânea. Ao suspender um arco sobre uma bandeira que nunca se rende de fato, a artista parece recusar tanto a solução quanto a derrota; a obra permanece em estado de uma espécie de trégua provisória, como esse presente que habitamos. Afinal, quem controla a matéria, controla o tempo por vir”, analisa Pollyana Quintella, curadora da Pinacoteca.
A obra Bandeira Branca conta com o patrocínio da CHANEL. Desde 2025, Pinacoteca e CHANEL desenvolvem em parceria um programa anual de residência dedicado a capacitar e impulsionar a trajetória criativa de mulheres artistas. A cada ano, a residência seleciona uma artista mulher de destaque — trabalhando em qualquer disciplina ou linguagem —, oferecendo a ela mentoria dedicada por meio dos Art Partners da CHANEL e uma plataforma para aprofundar sua prática.
A residência conta com uma exposição individual dedicada na Pinacoteca, proporcionando visibilidade e suporte fundamentais para as vozes criativas femininas. O projeto estreou no ano passado com a artista Juliana dos Santos (1987, São Paulo), que expôs Temporã na Pina Contemporânea.
Nascida em um estado atravessado por séculos de economias mineradoras e extrativismo, Vitra se interessa pelas propriedades concretas dos minerais, sua capacidade de conduzir, pesar, proteger, contaminar ou resistir, e pelas histórias que essas matérias condensam. Ferro, cobre e chumbo são, ao mesmo tempo, elementos físicos e signos de processos extrativos, industriais, coloniais e espirituais. Ao mobilizá-los, Luana Vitra aproxima corpo e território, sugerindo que a exposição humana está inscrita em uma matéria mineral mais ampla, feita de memória, violência, energia e transformação.
“Bandeira Branca é uma obra onde penso sobre as guerras que foram travadas no passado, as que estamos vivendo agora e as que ainda estão por vir. Elas são essencialmente materialistas: a matéria é o objeto de desejo, é através das matérias que se conquista, e a matéria é o prêmio do vencedor. Se pensarmos nos conflitos coloniais, foi o domínio da pólvora que nos levou a esse desenho de mundo que temos hoje, ao mesmo tempo é o desejo pelas matérias que desenha os maiores desastres do nosso futuro. Nessa instalação, me relaciono especificamente com as terras-raras, esse conjunto de dezessete elementos que condensa o tempo de tudo que vivemos e nos lança a uma malha de reflexão do por vir. Ter uma bomba-relógio nas mãos é também ter uma máquina do tempo, que pode nos ajudar a imaginar qual a trégua possível para essa luta que a tanto tempo travamos entre nós e contra a terra”, explica Luana Vitra.
Serviço
Exposição | Bandeira Branca
De 05 de setembro a 31 de janeiro
Quarta a segunda, das 10h às 18h
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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O IMS Paulista abre a exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, dedicada à trajetória do artista luso-brasileiro Fernando Lemos. O artista integrou o movimento
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O IMS Paulista abre a exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo, dedicada à trajetória do artista luso-brasileiro Fernando Lemos. O artista integrou o movimento surrealista português no final dos anos 1940 e, em 1953, emigrou para o Brasil, onde viveu até 2019, ano de sua morte. “O Brasil deu-me tudo que me foi roubado e não me devolveram”, afirmou em entrevista ao jornal português Expresso. Em celebração ao centenário de nascimento de Fernando Lemos, a mostra percorre mais de 70 anos de sua produção e apresenta ao público o arquivo do artista, sob a guarda do IMS desde 2019, somado ao material conservado com a família. São cerca de 400 itens, entre fotografias, desenhos, projetos e documentos — muitos inéditos —, que permitem acompanhar a trajetória de Lemos e a maneira como desdobrou as ideias surrealistas ao longo da vida. “Sempre procurei criar imagens que trouxessem à superfície minha reflexão sobre a desocultação. […] Só me interessei pelo surrealismo porque o sonho era exatamente o único território em que não havia nada oculto. O sonho era para revelar, para despertar, não para esconder. A fotografia é uma desocultação. Toda a nossa ação na arte é desocultamento, ou seja, a procura daquilo que não existe, que está invisível, sob a forma de palimpsesto”, resumiu.
A abertura acontece no dia 19 de setembro, às 10h, e contará com uma conversa com o curador e convidados, além do lançamento do catálogo da exposição.
Com curadoria de Thyago Nogueira, a mostra revê a obra do artista a partir da ideia de “desocultação”, conceito-chave para unir sua produção em fotografia, desenho e poesia. “Lemos pensou a desocultação surrealista como uma forma de acessar os mistérios da alma humana, mas também de driblar a arte burguesa e a repressão portuguesa de Salazar. O estudo de seu arquivo mostrou que, ao longo da vida, ele desdobrou essa ideia numa forma de ética e de prática artística, a fim de dar clareza às linguagens, expondo suas estruturas sintáticas ou aproximando elementos semelhantes e contrastantes a fim de construir novos sentidos”, avalia o curador. “Essa prática uniu sua fotografia, seu desenho e sua poesia de uma forma ainda pouco estudada”, conclui. O título da exposição é uma estrofe do poema “Quanto mais desejo”, de Fernando Lemos, que fez da poesia uma forma de narrar a própria vida. O poema trata da importância do desejo na criação artística e em sua relação com o mundo e é um exemplo legível de como Lemos manipulou elementos simples de cada linguagem em busca de ampliar os sentidos.
Quanto mais desejo
mais invento o que vejo
Quanto mais vejo
mais invento o que desejo
Quanto mais invento
mais desejo o que vejo.
Lemos fez da arte uma prática cotidiana, trabalhando dia e noite em projetos independentes e comissionados. “Recolhia objetos na rua, pintava guardanapos e expunha ideias como quem desenha no espaço. Produziu uma quantidade imensa de desenhos e esboços, que guardou consigo. Apresentar essa dimensão íntima e informal da arte é também um dos desafios deste projeto”, afirma o curador. A expografia da exposição, toda feita em vitrines, foi pensada para expor a variedade de objetos e realçar a diversidade material das obras que integram o acervo
do artista, além de sugerir a ideia de um ateliê de trabalho.
Ao longo da vida, Lemos atravessou duas ditaduras: uma em Portugal, outra no Brasil. O medo da repressão, que o obrigou a fugir de Portugal, fez nascer uma personalidade combativa, que lutava por direitos e se manifestava diante de injustiças. Além do trabalho de ateliê, Lemos integrou organizações de resistência, participou de campanhas políticas e atuou em instituições culturais para ampliar o acesso à arte e à cultura como passos fundamentais no fortalecimento das democracias.
Núcleos expositivos
As mais de 400 obras da exposição estão agrupadas em diferentes núcleos, que se cruzam e se complementam. Em “Desocultações”, estão reunidas as fotografias da juventude de Lemos, realizadas entre 1949 e 1952, ainda em Lisboa. Nesse período, o artista se aproximou do Partido Comunista e do movimento surrealista, integrando um grupo de jovens que promovia ações de oposição ao conservadorismo crescente da arte burguesa e à repressão do Estado Novo, instaurado em 1933.
Desde jovem, Fernando Lemos encontrou no surrealismo francês um campo fértil para sua arte, interessando-se pelas imagens do inconsciente, pela escrita automática e pelos princípios de ocultação e desocultação. Desdobrou essas ideias em dezenas de retratos de múltipla exposição, em preto e branco e médio formato, registrando uma geração de artistas e pensadores que tentavam resistir ao avanço da ditadura portuguesa. “Quando fotografamos uma pessoa, não estamos fotografando uma coisa fixa, uma máscara. Afinal, numa fração de segundo, tudo muda. Mudamos nossa expressão a todo instante, subitamente, várias vezes. Então o retrato deve ser múltiplo para dar mais vida à imagem. Nós não somos uma máscara”, declarou em entrevista à revista ZUM (disponível AQUI).
Exilado no Brasil a partir de 1953, Lemos ainda fotografou as escritoras Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles e os artistas Wyllis de Castro e Hércules Barsotti, mas aos poucos se afastou da fotografia. As imagens surrealistas foram retomadas apenas nos anos 1990, depois de uma grande exposição na Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Lisboa. “Os retratos que fiz tornaram-se uma galeria de figuras importantes que àquela altura não podiam fazer nada. Não era só arte, era uma luta antifascista, antissalazarista, que custou a vida de muitos”, relembrou.
A produção de desenhos é um dos destaques da exposição e aparece em núcleos como “Coreografias”, “Ritmos & melodias” e “Caligrafias”. Ao longo dos anos 1950 e 1960, Lemos se inseriu na cena artística brasileira graças a participações em salões e bienais. Sua atuação se desdobrou em diferentes linguagens, como a pintura, a moda e o design, mas foram o desenho e a poesia que ocuparam lugar central em sua vida.
No núcleo “Coreografias”, destaca-se um conjunto de desenhos que explora o corpo e o retrato. Ao chegar ao Rio de Janeiro, em 1953, Lemos retomou o interesse pela figuração e produziu um conjunto notável, chamado Desenhos inocentes, em que examina a anatomia humana em cenas repletas de humor e sensualidade. “Ritmos & melodias”, também centrado no desenho, reúne trabalhos que se afastam da figuração para construir modulações rítmicas e melódicas a partir de traços e pinceladas. O interesse pela construção modular e sintética também se desdobrou em trabalhos de design gráfico e estamparia, incluindo logotipos, como o do Memorial da América Latina, e tecidos para a Rhodia.
Em “Caligrafias”, Lemos se debruça sobre a fronteira que separa a escrita e o desenho, explorando elementos sígnicos que sugerem alfabetos misteriosos e cifrados. O interesse pela autonomia do desenho deu origem a uma de suas séries mais importantes, conhecida como Memórias (1984). Impressa em chapas de alumínio, a série é uma autobiografia gráfica, que reúne fragmentos do alfabeto visual de Lemos em uma composição com temas militares, orientais, eróticos e musicais.
Em um conjunto conhecido como Desenhos deficientes (s/d), Lemos desmonta o símbolo internacional de deficiência para inseri-lo em ações e atividades. Por trás do exercício despretensioso, surge um estudo crítico e provocador sobre a experiência do cadeirante a partir de sua própria vivência, tratando de sexo e morte, medo e delírio, vigilância e perseguição, sem qualquer dose de moralismo, condescendência ou autocomiseração.
O núcleo “Arte no front” apresenta a atuação política e social do artista. Desde sua chegada ao Brasil, Lemos conciliou a produção individual com uma intensa participação em projetos coletivos.
Nos anos 1950, Lemos trabalhou na exposição do Quarto Centenário de São Paulo (1954) e colaborou com ilustrações em revistas como Manchete e jornais como O Estado de S. Paulo. Em 1956, integrou a equipe do jornal Portugal Democrático, editado por exilados políticos portugueses radicados no Brasil. Lemos produziu caricaturas e charges para a publicação, que foi um órgão fundamental na resistência à ditadura e às ocupações coloniais portuguesas.
A atuação de Lemos também se estendeu à produção editorial e à educação infantil. Com o escritor Sidónio Muralha, fundou a editora Giroflé, que se dedicou à publicação de livros para crianças, elaborados por grandes artistas e escritores, como Cecília Meirelles e Maria Bonomi. Lemos defendia a alfabetização visual das crianças e a produção de material didático que estimulasse o interesse por desenho. O projeto pioneiro contava com apoio de empresários e intelectuais, como Max Feffer, Fanny Abramovich e Darcy Ribeiro, mas foi encerrado em 1964, logo após o golpe militar que instalou a ditadura no Brasil.
O próprio Lemos ilustrou diversos livros infantis, entre eles Sexo e educação é natural, escrito por Sabá Gervásio e destinado a crianças de 4 a 8 anos. O livro foi publicado em 1969, logo após a promulgação do AI-5. A atenção do artista ao universo infantil é destaque da exposição, revelando uma parte menos conhecida de seu trabalho e o interesse em aproximar a arte das novas gerações.
Nos anos 1960, Lemos dirigiu o estúdio de criação Maitiry e codirigiu a fotografia do filme Compasso de espera (1969/1973), de Antunes Filho, marco da luta antirracista. Com o avanço da luta democrática, sua atuação se tornou ainda mais engajada. Em 1978, produziu um cartaz em favor da anistia de presos políticos. Em 1985, juntou-se a artistas na campanha de Fernando Henrique Cardoso para a prefeitura de São Paulo, na primeira eleição municipal direta no período pós-ditadura. Ao lado de artistas e intelectuais, estruturou as pesquisas do Idart e dirigiu o Centro Cultural São Paulo (1983).
Mais tarde, colaborou com a campanha para a sensibilização sobre a aids, promovida pelo Sesc São Paulo (1995); com a exposição 50 anos de Hiroshima, organizada pelo Greenpeace no Sesc Pompeia, para homenagear as vítimas da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos contra o Japão (1995); e, em 1997, criou o slogan “Por amor a ti, Timor amordaçado” para o Movimento 25 de Abril pela Libertação do Timor-Leste, mobilizando políticos, artistas e intelectuais pelo fim da ocupação da Indonésia na ex-colônia portuguesa, entre muitas outras iniciativas.
“A exposição se baseia no arquivo íntimo do artista, o material que estava com ele quando partiu. É uma rara oportunidade de entender a gênese de seu pensamento através do trânsito fértil que une esboços e obras prontas, sem a necessidade de estabelecer fronteiras precisas”, afirma o curador.
A exposição Quanto mais desejo, mais invento o que vejo faz parte das comemorações do centenário de nascimento de Fernando Lemos no Brasil e em Portugal, um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o Instituto Moreira Salles.
A exposição conta com assistência curatorial de Laura Sapucaia, pesquisa adicional de Ângelo Manjabosco e Carolina Natividade da Cruz, consultoria do acervo da família por Rosely Nakagawa e depoimentos inéditos de Ana Maria Belluzzo, Chico Homem de Melo, Rui Moreira Leite e Beatrix Overmeer.
Serviço
Exposição | Quanto mais desejo
De 19 de setembro a 7 de fevereiro
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
Detalhes
O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores
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O Instituto Antonio Carlos Jobim, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, abre as portas para a exposição Tom Jobim: Discos Solo. A mostra, dedicada a um dos maiores ícones da música brasileira, oferece uma visão detalhada sobre os 12 LPs que marcaram a carreira solo do maestro, gravados entre 1963 e 1994, desde o primeiro álbum, The Composer of Desafinado Plays, até Antonio Brasileiro, passando por marcos como Wave, Matita Perê, Urubu e outros.
A exposição, que promete ser uma experiência imersiva, convida os visitantes a explorarem a trajetória artística de Tom Jobim por meio de documentos, fotos, gravações, partituras e objetos pessoais pertencentes ao acervo do Instituto. O conceito da exposição surgiu em 2020, durante a pandemia, a partir de uma série de entrevistas virtuais entre Paulo Jobim, filho do maestro e morto recentemente, e Aluísio Didier, curador da mostra e amigo de Tom, que assumiu a direção do instituto neste mesmo ano. Essas conversas, realizadas via Zoom, revelaram detalhes inéditos sobre o processo criativo do compositor e agora se transformaram em documentários, que revelam o processo por trás de cada álbum, oferecendo uma perspectiva íntima e pessoal sobre o legado musical de Jobim. Os vídeos com as conversas foram editados pelo cineasta Cayo Oliveira, também produtor da exposição, e serão apresentados pela primeira vez.
A curadoria de Didier ilumina momentos importantes da carreira do compositor como seu encontro com Vinícius de Moraes, que resultou em clássicos eternos da Bossa Nova e sua colaboração com João Gilberto no LP Chega de Saudade.
Tom Jobim: Discos Solo é uma homenagem a um artista que não apenas transcendeu fronteiras, mas que continua a influenciar gerações de músicos e fãs ao redor do mundo. A exposição não só celebra a obra solo do maestro, como também convida o público a revisitar e redescobrir a profundidade e a beleza de sua música.
Histórias inusitadas
Na exposição, histórias inusitadas do maestro irão divertir os visitantes. Entre elas, duas bastante icônicas, lembradas por Paulo Jobim e Didier nos documentários.
Autor de várias canções com nomes de mulheres, Tom foi procurado por um pesquisador com um projeto de livro sobre as músicas e suas musas inspiradoras: Luiza, personagem interpretada por Vera Fischer na novela Brilhante; Gabriela, personagem de Jorge Amado; O samba de Maria Luiza, a filha caçula, entre outras.
No entanto, o tal pesquisador também pergunta pela “musa” Carla que inspirara a canção do mesmo nome. Tom se surpreende e questiona: “Que Carla?” O pesquisador insiste: “Ora, a da música dos anos 50, “Carla, meu amor”, responde o rapaz. Acontece que a canção se chamava “Cala, meu amor”.
“O pesquisador já havia até se encontrado com a mulher que tinha sido a fonte de inspiração”, diverte -se Paulinho, em um dos bate-papo com Didier.
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Músicos são sempre cobrados pela crítica ou pelos fãs por novidades, novas músicas, por uma atualização de sua arte, um diálogo com influências, novas tecnologias. Com Tom, sempre fiel ao “velho” piano acústico ou ao violão, não foi diferente. No disco Tide, podemos ouvi-lo no piano elétrico Fender Rhodes, hoje um clássico, mas na época, um som diferente, um passo à frente dos instrumentos acústicos. Na época as pessoas se perguntaram: “O que houve, Tom cedendo a um som mais pop?” Sim e não. Se o resultado ficou ótimo na faixa “Takatanga”, o fato se deveu a um copo de uísque derrubado dentro do piano acústico do estúdio, que impossibilitou o instrumento para a gravação. “Jobim, sem opção, aceita arriscar-se no Fender Rhodes e parece que gostou, pois no LP seguinte, Stone Flower, repete a experiência em várias faixas”, conta Didier.
Serviço
Exposição | Tom Jobim: Discos Solo
De 09 de outubro (exposição permanete)
Diariamente (exceto na quarta-feira), de 9h às 17h
Período
Local
Instituto Antonio Carlos Jobim
Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro - RJ
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O MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da USP) possui um importante conjunto de 561 desenhos de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Reunidos pelo próprio artista, abarcando sua produção de 1920
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O MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da USP) possui um importante conjunto de 561 desenhos de Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Reunidos pelo próprio artista, abarcando sua produção de 1920 a 1950. A exposição Di Cavalcanti: militante, boêmio, brasileiro, que o Museu apresenta a partir de 8 de novembro, traz 115 desenhos desse conjunto.
A curadoria de Helouise Costa e Marcelo Bortoloti observa que, embora mais conhecido como pintor “, Di Cavalcanti iniciou-se na arte por meio do desenho e fez dele um espaço de liberdade temática e estilística, de diálogo com outros artistas e rica experimentação”.
Em uma projeção audiovisual, todos os 561 desenhos serão apresentados ao público. Além dos desenhos pertencentes ao MAC USP serão apresentadas obras vindas do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB USP), Museu de Arte Brasileira (FAAP), Biblioteca Mário de Andrade, Pinacoteca de São Paulo e coleções particulares.
Serviço
Exposição | DI CAVALCANTI: militante, boêmio, brasileiro
De 08 de novembro a 18 de outubro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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A Portas Vilaseca inaugura Fogo Corredor, exposição coletiva que reúne 20 artistas de diferentes gerações e linguagens, marcando o encerramento da programação de 2025. Com curadoria de Lucas Albuquerque, a
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A Portas Vilaseca inaugura Fogo Corredor, exposição coletiva que reúne 20 artistas de diferentes gerações e linguagens, marcando o encerramento da programação de 2025. Com curadoria de Lucas Albuquerque, a mostra apresenta artistas representados pela galeria e convidados de diversas regiões do país, incluindo Guerreiro do Divino Amor, Rayana Rayo, Thiago Martins de Melo, entre outros.
Em uma expografia provocante, Fogo Corredor nasce da reflexão em torno de histórias populares e encantarias associadas ao fogo. É o caso da lenda que dá título à mostra: um ser sobrenatural feito de fogo, integrante de crenças populares do Norte e Nordeste do Brasil, cujas narrativas o associam a almas de pessoas mortas que retornam para assustar, queimar ou perseguir suas vítimas.
Dividida em dois andares, a mostra propõe dois percursos expositivos que se complementam. O térreo agrupa trabalhos que sugerem ou derivam de relações com o sagrado, seja ele de ordem profana ou não. André Griffo, Thiago Martins de Melo e Manuela Costa Lima abordam as conotações ora punitivas, ora purificadoras do fogo em tradições cristãs e pagãs, enquanto Paloma Bosquê, Ayla Tavares e Alex Cerveny propõem narrativas em torno de rituais, seres fantásticos e deambulações sincréticas, explorando as formas e materialidades de seus trabalhos.
No terceiro andar da galeria, as narrativas fantasmagóricas do fogo aparecem como elemento pop, apresentadas em obras que o tratam como pastiche, derivação ou virtualidade. O grupo reúne artistas como Guerreiro do Divino Amor, biarritzzz e Randolpho Lamonier, em cujos trabalhos o fogo se manifesta em narrativas que entrelaçam história e política, evocando sujeitos historicamente localizáveis — vivos ou mortos. Já Mateus Moreira e Luiza Lukah mergulham em fabulações sobre seres incandescentes.
Em uma proposição que combina arte, história popular, literatura e ficção, o curador fluminense Lucas Albuquerque sugere uma narrativa sobrenatural, na qual cada obra atua como uma entidade de uma história compartilhada: “Conduzido nos fios de ficção de vinte artistas – por vezes ancorados em ecos da realidade, principalmente nas obras de maior teor político – Fogo Corredor apresenta dois pequenos universos cósmicos, tramados entre a força vital do artista e a espiritual daqueles que são convocados e/ou imaginados”.
Esperamos a sua visita!
Serviço
Exposição | Fogo Corredor
De 13 de novembro a 10 de outubro 2026
Terça a sexta, das 11h às 19h, sábados, das 11h às 17h.
Período
Local
Portas Vilaseca Galeria
Rua Dona Mariana, 137, casa 2, Botafogo, Rio de Janeiro - RJ
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos sociais, de ritos da umbanda e paisagens rurais, e cuja vida reflete diversos aspectos da modernidade no país.
A mostra Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro.
Paulo Pedro Leal passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século 20, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, Afogamento de mendigos (1965) Naufrágio (1953) ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra.
Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, Jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
Serviço
Exposição | Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio
De 11 de abril a 08 de novembro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical – Recanto no Sesc Pinheiros, com curadoria de Orlando Maneschy e curadoria adjunta de Keyla Sobral. Com cerca de 280 obras, a mostra propõe uma imersão no imaginário de um Brasil plural, múltiplo e em constante reinvenção, compondo um mosaico que vai de imagens históricas a produções contemporâneas e que se voltam às experiências singulares em territórios distintos e entendimentos de mundo.
Delírio Tropical – Recanto constrói uma narrativa que articula diferentes manifestações visuais artísticas — da fotografia ao vídeo, passando por cartazes, lambes, revistas, esculturas, pinturas e objetos. A mostra propõe uma reflexão sobre o papel das imagens na construção do entendimento do país e de suas múltiplas identidades, a partir de uma curadoria que reúne artistas comprometidos com suas experiências, territórios e modos de existência, incluindo perspectivas culturais das várias regiões do país, ao lado de uma diversidade de vozes contemporâneas.
O conjunto expositivo inclui obras de artistas como Anna Maria Maiolino, Ayrson Heráclito, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Hal Wildson, Índigo Braga, Rosângela Rennó e Karim Aïnouz.
“Buscamos reunir artistas que olham para o Brasil a partir de seus territórios, que usam a imagem como elemento decisivo na construção de discursos, ressaltando uma ideia de país diverso”, afirma o curador Orlando Maneschy. “A exposição é um convite a romper com olhares estereotipados e a se abrir para experiências que nos deslocam e nos transformam”, completa Maneschy.
Originalmente apresentada na Pinacoteca do Ceará como parte do Fotofestival Solar, a exposição chega ao Sesc Pinheiros como itinerância, ampliando o acesso a um conjunto de obras que tensionam estereótipos e revelam um Brasil marcado por disputas simbólicas, afetos, violências, resistências e desejos. Na capital paulista, a mostra conta com uma obra inédita de Keyla Sobral e expografia pensada para as especificidades do Sesc Pinheiros.
Um caminho visual por múltiplos Brasis
A mostra parte da ideia de que a imagem, em suas múltiplas formas de circulação — do das capas de discos ao GIF, da fotografia ao impresso que atravessa o cotidiano — é um elemento central na construção do imaginário brasileiro. Com artistas de diferentes contextos, a seleção de obras apresenta um país em construção e diverso, atravessado por tensões entre memória e atualidade, sem buscar um discurso fechado, mas aberto à reflexão. Nesse percurso, imagens históricas e contemporâneas se aproximam para retomar questões que seguem latentes, sugerindo continuidades entre passado e presente.
Mais do que um recorte autoral, Delírio Tropical – Recanto sugere um campo de escuta em que os trabalhos dialogam entre si e constroem, coletivamente, uma leitura possível do Brasil, entre tantas outras plausíveis, que não quer ser totalizante e, inclusive, assume ausências e lacunas. A curadoria se organiza como uma articulação desses olhares, e o resultado é um caminho por um Brasil em que diferentes corpos, identidades e narrativas emergem não como representação, mas como presença, ativando outras formas de ver, imaginar e se relacionar com o país.
A expografia conduz o visitante por um fluxo imersivo que começa em um ambiente de caráter quase ritualístico, evocando a ruptura com visões cristalizadas, e avança por núcleos que abordam temas como identidade, memória, mídia, território e poder. Ao longo do trajeto, obras de distintas épocas e contextos entram em diálogo, criando conexões inesperadas e ativando novas leituras sobre o Brasil.
A relação entre imagem e circulação também está em destaque na montagem, incorporando elementos da cultura visual cotidiana, como capas de revistas, de discos e registros documentais, que ajudam a construir o imaginário coletivo brasileiro. Nesse sentido, Delírio Tropical – Recanto propõe não apenas observar imagens, mas refletir sobre como elas moldam percepções, narrativas e sentidos.
A realização da mostra integra o compromisso institucional do Sesc São Paulo de ampliar o acesso à produção artística contemporânea e promover o encontro entre diferentes públicos e repertórios culturais. É um convite ao público para reimaginar o Brasil a partir de sua diversidade, de seus contrastes e de sua riqueza simbólica. A programação inclui ainda ações educativas, visitas mediadas e atividades formativas, ampliando as possibilidades de diálogo com os públicos.
Serviço
Exposição | Delírio Tropical – Recanto
De 6 de maio a 13 de outubro
Terça a sábado, das 10h30 às 21h, domingos e feriados, das 10h30 às 18h
Período
Local
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo - SP
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A mostra O espaço e o lugar, na DAN Galeria Interior, reúne 75 obras e propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa
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A mostra O espaço e o lugar, na DAN Galeria Interior, reúne 75 obras e propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa pelo corpo e pela memória, com curadoria de Fábio Magalhães e expografia do Fernando Poles Arquitetos. A cadeira, presente em diferentes trabalhos, conduz essa investigação: objeto cotidiano, medida humana, ponto de repouso, marca de intimidade e também abertura para uma dimensão mais ampla, ligada ao tempo e ao espaço.
A partir desse eixo, Fábio Magalhães aproxima obras de Adolfo Estrada, Almir Mavignier, Dionísio Del Santo, Ferreira Gullar, Gonçalo Ivo, José Roberto Aguilar, José Spaniol, Sergio Fingermann e Valentino Fialdini. O percurso articula pinturas, objetos, obras geométricas e abstratas em torno de uma pergunta central: como uma situação privada pode conter uma ideia de mundo?
Serviço
Exposição | O espaço e o lugar
De 09 de maio a 10 de outubro
Segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria Interior
Av. Ireno da Silva Venâncio, 199 - Protestantes, Votorantim - SP
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado,
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.
“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press — estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos.
A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.
Complexidade e beleza
Visitantes poderão apreciar obras de múltiplas cores, estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos; as gravuras de Beatriz desenvolvidas ao lado de Jean-Paul Rusell.
A produção da artista é marcada por uma linguagem de complexidade e beleza, e pela coerência no modo como consegue transitar entre diferentes técnicas, partindo sempre da pintura até chegar nas gravuras.
Em suas obras aparecem também formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas, incrementando a tradição geométrica brasileira. Na exposição é possível também perceber o modo como Milhazes monta e remonta as formas, as cores e os espaços aparentemente vazios, como os que aparecem em O pato (1996) e Noite de verão (2006).
Serviço
Exposição | Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo
De 16 de maio a 14 de março de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Estação
Lg. General Osório, 66, São Paulo - SP
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A iniciativa, concebida pela Haus der Kunst (Munique, Alemanha) e realizada em colaboração com a Pinacoteca, visa colocar a infância no centro da experiência artística. Mais do que uma exposição,
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A iniciativa, concebida pela Haus der Kunst (Munique, Alemanha) e realizada em colaboração com a Pinacoteca, visa colocar a infância no centro da experiência artística. Mais do que uma exposição, trata-se de uma rede de trocas culturais que convida crianças a pensarem, viverem e intervirem no mundo por meio da arte.
“Para crianças: experiências com a arte desde 1968” é focada no público infantil, embora se estenda a visitantes de todas as idades. Inaugurada na Haus der Kunst, em Munique, na Alemanha, em 2025. Agora na Pinacoteca, ela reúne trabalhos de onze artistas de vários países, todos, a seu modo, atravessados por materiais, brincadeiras, perguntas, pesquisas e histórias tão característicos do universo das crianças.
A obra mais antiga é de 1968 e essa não é uma data qualquer. Nesse período histórico, os movimentos de contracultura questionaram as estruturas sociais e saíram em defesa de liberdade de pensamento e expressão para todas as pessoas.
Desde então, ficou evidente que a infância inspira uma sensibilidade e um conjunto de atitudes imprescindíveis para as mudanças individuais e coletivas. A vida em sociedade, a arte e o museu não são os mesmos na presença de uma criança.
Curadoria de Ana Maria Maia e Lorraine Mendes.
A exposição tem patrocínio de Mattos Filho, Acrilex, Ateliê Quero Quero. Apoio institucional: Unicef, para cada criança. Realização: Haus der Kuns, APAC, Pinacoteca de São Paulo, CULTSP, Secretaria da Cultura, Economia e Industria Criativas, Ministério da cultura Governo do Brasil do lado do povo brasileiro
Uma exposição de Haus der Kuns e da Pinacoteca de São Paulo.
Serviço
Exposição | Para crianças: experiências com a arte desde 1968
De 30 de maio a 18 de outubro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias
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O MAC USP apresenta a exposição Beijo de Língua, individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos, fotografias e um vídeo. A curadoria é de Fernanda Pitta, docente do MAC USP. A ideia da exposição nasceu em 1978, quando Nelson Felix, visitando a região andina, percebeu uma coincidência entre as línguas Aimara (falada na região) e o Aramaico (da tradição semítica, do oriente médio): escritas em espanhol elas se tornam palíndromos (Aemara e Aramea). Felix passou a carregar esse pensamento por décadas, até encontrar em Beijo de Língua, a forma para materializá-la como uma das maiores exposições já realizadas pelo artista. “É uma exposição de esculturas, principalmente”, diz Nelson.
No núcleo central da mostra, Felix apresenta três esculturas criadas a partir de chapas de mármore. Escultura para Homero, Escultura para Santa Teresa e Escultura para Bertrand articulam três campos centrais em seu trabalho: sacrifício, tolerância e amor. O artista escolheu textos de três autores – Bertrand Russel, Homero e Santa Teresa D’Ávila, e alguns trechos são escritos nas línguas Aimara e Aramaico nas chapas de mármore, criando uma superfície rendada na pedra. Beijo de Língua tem três esculturas, formadas por duas chapas de mármore cada uma. As duas chapas, coladas, têm o mesmo texto, em duas versões: de um lado em Aimara e do outro, em Aramaico.
– Colo estas duas chapas com os textos, aliás, é a primeira vez que uso cola em meu trabalho. Aqui a cola é material tão importante como o próprio mármore, ou o bronze ou mesmo os elementos vegetais que uso. Assim, nos caracteres, surgem vazamentos mútuos, as línguas se tocam, é para mim, um beijo – afirma o artista.
“As superfícies se tocam, mas mantêm intervalos onde os idiomas não coincidem. A cola evidencia a operação que sustenta a união sem eliminar a diferença. O texto passa a atuar como matéria, inscrita e articulada na estrutura da obra”, observa a curadora Fernanda Pitta.
Já Carta de amor, trabalho apresentado em 2022 em forma contínua, como um projeto, agora ganha duas novas versões, escultóricas: Pétala e Caule. As obras apresentam diversos materiais: mármore, bronze, ferro, cabo de aço, cacto e fio de seda. As séries de desenhos revelam diferentes facetas do trabalho de Felix, com referências de obras anteriores, e estudos do trabalho atual. Na série 7 noites vazias e 21 dias como 21 anos (2024) podemos ver um mesmo gesto, feito com bastão de óleo, que nunca é igual a si mesmo. A obra gráfica Tartaruga de Homero (2024), série com três trabalhos, traz referências do verso de Homero (Hino Homérico a Hermes), em que Hermes mata uma tartaruga e cria a primeira cítara. Para Felix, na criação deste instrumento, acontece o nascimento da música.
Para a curadora da exposição, “a partir do movimento de retomada e rearticulação contínua de ideias, materiais e procedimentos, as obras de Nelson Felix deixam de operar de forma isolada e passam a constituir um conjunto de relações, formando um conjunto aberto, em que as obras se relacionam por aproximações e distâncias, entre línguas e sistemas de pensamento, como o Aramaico e o Aimara, eixo central da exposição.”
Exposição | Beijo de Língua
De 30 de maio a 20 de novembro
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Período
Local
MAC USP
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera - São Paulo - SP
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade
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No Japão, existe uma cultura cromática única – conhecida como Nihon no dentōshoku (“cores tradicionais do Japão”, em tradução livre) – e dentre essas cores, o branco envolve a sensibilidade dos japoneses, refletindo diversas percepções evocadas no imaginário como paz, purificação, leveza, silêncio e até precisão. É esta cor que assume o papel de fio condutor da exposição “Shiro: uma escala de nuances” (shiro significa “branco”, em tradução do japonês), que estreia no dia 2 de junho na Japan House São Paulo (JHSP). A mostra inédita segue em cartaz no andar térreo da instituição até 25 de outubro, com entrada gratuita.
Com curadoria da diretora cultural da instituição, Natasha Barzaghi Geenen, a mostra introduz diversas tonalidades da cor branca no Japão, passando por quatro elementos: papel, seda, neve e sal, revelando as suas relações com a cultura japonesa. A inspiração para o recorte veio da leitura da obra “O País das Neves” (1948), de Yasunari Kawabata, durante o Clube de Leitura JHSP + Quatro Cinco Um em junho do ano passado, que descreve as vastas paisagens brancas do norte do país e o processo de alvejamento de um tecido na neve. “Shiro não é fruto de um conceito específico, tem uma inspiração poética e abstrata. O branco, enquanto junção de todas as demais cores, serve aqui como ponto de partida simbólico para pensar como o Japão carrega tantas nuances e sutilezas, como é um país de muitas gamas, que podem passar despercebidas, mas não para o povo japonês, cujo olhar é apurado até para essas mínimas diferenças do branco”, afirma Natasha.
Dividida em quatro grandes núcleos temáticos correspondentes a cada elemento, a expografia convida os visitantes a um mergulho pelas nuances simbólicas da cor. Logo na entrada, uma tabela cromática com uma seleção de 19 tons de branco catalogados no Japão representa as diversas nuances que uma única cor pode ter, a partir das centenas de cores tradicionais do Japão.
No núcleo de Papel, a instalação “Poem of life”, da artista Ayumi Shibata, é feita de inúmeras folhas de papel cortadas como na técnica de kiri-ê e amarradas entre si, simbolizando o desejo da artista pela paz e harmonia do mundo. A obra de aproximadamente três metros de altura também trabalha a relação do papel com luz e sombra a partir de um espelho em sua base. Neste núcleo, o público também poderá conhecer o processo de produção do Kurotani Washi (papel japonês tradicional feito à mão), desde a colheita dos ramos de Kōzo (amoreira) – base para a fabricação deste elemento – até sua finalização. Amostras de três tipos de fibras que dão origem ao washi: Kōzo, Mitsumata e Gampi também estarão em exibição.
Para o núcleo de Seda, a artista Kaoru Hirano apresenta uma obra produzida especialmente para a exposição. Conhecida por desconstruir peças de roupa em suas criações, Hirano escolheu trabalhar com um juban branco de seda (peça de vestuário tradicional japonesa usada por baixo do quimono), de sua avó paterna, falecida em 2018, para criar uma espécie de teia suspensa na instalação “untitled-grandmother”. A delicada obra site-specific de quase 4 metros de diâmetro reflete sobre memória afetiva e os laços construídos (e desconstruídos) dentro dessa relação familiar. Amostras de casulos do bicho-da-seda, fios e tecido da província japonesa de Gunma, referência na produção de seda, também serão apresentados neste núcleo, acompanhados por uma breve introdução em vídeo dessa confecção no Japão.
Já o núcleo Neve, aborda as paisagens do Norte do Japão, com seus invernos rigorosos, que evocam uma sensação de branco infinito, como descrito no livro de Kawabata. Para representar essa vastidão, foram selecionadas três fotografias de Land Art (intervenções feitas diretamente na paisagem natural), do artista Tomohiro Kajiyama, além de um vídeo demonstrando o processo de criação. Nesses trabalhos, é possível ver como o artista compreende a paisagem tomada pela neve como uma tela em branco, para ir caminhando instintivamente sobre ela com um par de pequenos esquis, guiado apenas pelas imagens em sua mente sem o uso de ferramentas de medição. Desse processo, resultam quilômetros de linhas que formam desenhos complexos, possíveis de serem contemplados em sua magnitude apenas do alto. Efêmeras, as “Snow Art” de Kajiyama costumam ocupar áreas de aproximadamente 100m² cada. “Suas criações ocorrem desde antes do amanhecer, no silêncio congelante, enquanto o céu começa a mudar de cor e continuam pela tarde, às vezes estendendo-se por vários dias. Segundo o artista, cada passo que ele dá para compactar a neve representa sua filosofia de esculpir a própria vida com uma mentalidade positiva, mesmo diante das adversidades”, explica a curadora.
A neve é um elemento tão presente no dia a dia do Japão, que os japoneses até desenvolveram um glossário dedicado a descrever suas diversas formas – seja a neve fina que parece pó, seja a neve macia que se assemelha a um mochi (bolinho de arroz glutinoso).
Assim como a neve, o sal também é especial no dia a dia dos japoneses. Embora o Japão seja um país cercado por mar, o seu ambiente não é propício à produção de sal. Por isso, desde tempos antigos, a produção de sal é feita por um método que consiste em duas etapas: a concentração da água do mar em salinas, e o processo de evaporação por meio da fervura. Esse método permanece em prática até hoje, mesmo que a produção seja feita majoritariamente de forma industrializada. Além de ser utilizado como tempero e conservante, o sal também é um objeto ritualístico na tradição xintoísta. A prática popular de criar pequenos montes de sal e deixá-los perto das entradas das casas, estabelecimentos ou santuários, como forma de atrair boa sorte e afastar os maus espíritos é chamada de morishio ou morijio. Dentre as inúmeras variações de sais encontradas no mundo, a mostra apresenta cinco tipos, originários de diversas regiões do Japão, evidenciando suas diferentes características e granulações.
A exposição também integra o programa JHSP Acessível, oferecendo WebApp com conteúdos acessíveis e textos traduzidos em inglês, espanhol e japonês, bem como recursos táteis, audiodescrição e vídeos em Libras para proporcionar acessibilidade a todos os visitantes.
Exposição | Shiro: uma escala de nuances
De 02 de junho a 25 de outubro
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Período
Local
Japan House São Paulo
Avenida Paulista, 52 – Bela Vista, São Paulo - SP
Detalhes
Com trabalhos que incluem fotografia, instalação, vídeo, performance e desenho, a produção de Carolina Caycedo (colombiana nascida em Londres, Reino Unido,1978) se constitui como um ponto de encontro entre saberes
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Com trabalhos que incluem fotografia, instalação, vídeo, performance e desenho, a produção de Carolina Caycedo (colombiana nascida em Londres, Reino Unido,1978) se constitui como um ponto de encontro entre saberes e práticas que vão da arte contemporânea aos saberes ancestrais ribeirinhos e às estratégias de resistência de movimentos sociais latino-americanos.
A trajetória de Caycedo foi marcada por múltiplos processos migratórios que informam sua prática, refletindo as relações simbólicas e culturais que estabelecemos com o mundo. Trabalhando frequentemente de forma colaborativa, a artista busca reconstruir uma memória comunitária dos bens comuns, que englobam desde o espaço público urbano até rios e montanhas.
Com curadoria de Isabella Rjeille, a exposição confluências apresenta um panorama abrangente de sua obra e conta com criações recentes desenvolvidas no contexto brasileiro em diálogo com outros contextos latino-americanos e suas diásporas. O título se refere tanto à convergência de cursos de água quanto ao encontro de pessoas, ideias e culturas.
As paredes da exposição Carolina Caycedo: confluências foram pintadas com a cor Porcelana da Tintas Coral, uma marca da AkzoNobel.
Serviço
Exposição | confluências
De 03 de julho a 04 de outubro
Terças e sextas das 10h às 22h; quartas, sábados e domingos das 10h às 18h
Período
Local
Edifício Pietro Maria Bardi - MASP
Av. Paulista, 1500 - Bela Vista, São Paulo - SP
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O que resta de um lugar quando ele é atravessado pela memória? Como a paisagem continua a se transformar quando passa a existir também no campo da imaginação? Essas questões
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O que resta de um lugar quando ele é atravessado pela memória? Como a paisagem continua a se transformar quando passa a existir também no campo da imaginação? Essas questões atravessam A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin, exposição que coloca em diálogo, pela primeira vez, os dois artistas nos espaços principais da Galatea Salvador. A abertura acontece durante as celebrações da Independência da Bahia, período em que a cidade revisita sua história e reafirma sua potência cultural.
Tomando a ideia de paraíso como construção simbólica, provisóriae subjetiva, a mostra coloca em diálogo duas pesquisas que investigam as relações entre matéria e transformação. Embora partam de linguagens distintas, Melzer e Landarin compartilham o interesse por elementos do mundo visível, como formações geológicas, organismos marinhos, relevos, arquiteturas e vestígios materiais, que são continuamente reelaborados em suas obras.
Gabriela Melzer dá continuidade à investigação que vem desenvolvendo nos últimos anos em torno da abstração, da cor e da percepção. Em suas pinturas, referências observadas na natureza e na paisagem construída são transformadas em composições marcadas por contornos orgânicos e pela construção de paisagens interiores.
Parte das obras nasce da observação da arquitetura de Salvador e dos desgastes provocados pela ação do clima sobre suas superfícies. Em vez de representação direta, Melzer converte essas referências em estruturas pictóricas nas quais formas orgânicas, campos cromáticos e sistemas lineares coexistem em negociação constante. Linhas sinuosas atravessam áreas de cor organizadas por divisões modulares, produzindo composições que equilibram controle e improvisação, estabilidade e mudança.
Suas pinturas são construídas por meio da sobreposição de sucessivas camadas de tinta, às quais se somam gestos realizados com bastões oleosos que registram movimentos e ritmos sobre a superfície. Em Desenhos (2026), série realizada com bastão de óleo sobre painel telado, Melzer intensifica a presença do desenho e aprofunda uma investigação voltada a aspectos que escapam à observação imediata. Linhas e campos de cor organizam-se em composições que convidam a uma observação prolongada.
Sobre seu processo criativo, Gabriela Melzer declara: “Nas obras, o meu objetivo não é meramente representar o mundo, mas explorar essas brechas — lugares onde o físico e o não físico se tocam, criando uma realidade que sentimos, mas não vemos. Essa é uma busca por abrir espaços que todos podem acessar, mesmo que não estejam claramente delineados. Trata-se de nos permitir sentir além do que estamos acostumados, juntos, e encontrar uma maneira de dar forma ao que normalmente passaria despercebido.”
Já Ygor Landarin apresenta obras que nascem de seu interesse pelos lugares que atravessam sua trajetória e pelos vestígios que permanecem neles. Bordado, escultura e materiais como areia, porcelana fria e cimento aparecem como ferramentas para investigar relações entre matéria, tempo e memória. Em muitos de seus trabalhos, referências arqueológicas, concheiros e sambaquis servem como ponto de partida.
Parte dessa produção foi desenvolvida para a exposição após uma temporada de pesquisa em Salvador, quando Landarin realizou coletas em praias da cidade e ampliou seu contato com referências locais. A obra de Juarez Paraíso torna-se referência central na construção de Paraízo (2026), que reúne areia, conchas, ouriços e pedras. O trabalho transforma esses elementos em uma espécie de cartografia afetiva da cidade, construída a partir de vestígios, deslocamentos e das marcas deixadas pela passagem do tempo na paisagem soteropolitana.
A mostra também marca o início da representação de Ygor Landarin pela Galatea. Em um momento de crescente projeção institucional, o artista integra, em 2026, a exposição 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, e foi indicado ao Prêmio Pipa. Sua produção artística também integra a coleção do Museu de Arte do Rio.
Mesmo partindo de práticas distintas, Melzer e Landarin compartilham interesses estéticos que se cruzam. Na pesquisa artística de ambos, a matéria está sempre em transformação, entre acumulação e modificação ao longo do tempo e dos territórios. O Paraíso, aqui, transita entre o real e o imaginado, não como um lugar idealizado, mas como uma experiência em permanente mudança, onde imagens emergem como resultado de operações que articulam memória, observação e imaginação.
A programação da mostra inclui ainda uma conversa com Camila Yunes Guarita – fundadora da Kura e uma das principais art advisors do Brasil – ao lado de Gabriela Melzer e Ygor Landarin. O encontro será uma oportunidade para conhecer os caminhos que deram origem à exposição, destacando as aproximações entre as pesquisas dos artistas e a maneira como suas experiências em Salvador aparecem nos trabalhos apresentados. A atividade acontece no dia 3 de julho, às 16h30, pouco antes da abertura, no espaço principal da galeria.
Serviço
Exposição | A invenção do Paraíso: Gabriela Melzer & Ygor Landarin
De 03 de julho a 10 de outubro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, das 10:00h às 19:00h; Sexta, das 10h às 18h, das Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
Detalhes
Na exposição Alegorias ancestrais apresentamos um conjunto de desenhos produzidos por Elias Santos em 2004, pertencentes à série iniciada em 1995. A presença das máscaras dos Zambiapungas abre
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Na exposição Alegorias ancestrais apresentamos um conjunto de desenhos produzidos por Elias Santos em 2004, pertencentes à série iniciada em 1995. A presença das máscaras dos Zambiapungas abre espaço para uma leitura que articula as marcas de sofrimento presentes nesses corpos à violência histórica exercida contra populações africanas e afrodescendentes no Brasil. Nessa perspectiva, a deformação das figuras deixa de remeter apenas a experiências individuais e passa a evocar os processos de repressão que incidiram sobre essas práticas culturais e religiosas.
Paralelamente ao desenho, Elias desenvolve uma investigação escultórica ligada ao reaproveitamento de materiais cotidianos. Suas primeiras esculturas revelam o interesse por caixas de papelão, tecidos e materiais comuns encontrados no cotidiano urbano, como lixas adquiridas em lojas de construção civil e retalhos de tecidos. As esculturas apresentadas nesta exposição pertencem a dois momentos distintos de uma mesma pesquisa, compreendendo peças produzidas entre 2010 e 2013 e, posteriormente, entre 2024 e 2026. Em ambos os períodos, o papelão ocupa um lugar central em sua prática: um material simultaneamente frágil e resistente é utilizado tanto como estrutura prototípica quanto como parte constitutiva das peças. Após a modelagem dos volumes, as esculturas passam por sucessivas etapas de emassamento, lixamento e revestimento com tecidos preparados pelo próprio artista. O processo evidencia uma relação cuidadosa com a matéria, na qual cada etapa de elaboração contribui para a transformação de materiais ordinários em formas de grande sofisticação formal. Apesar de transitar por diferentes materialidades, suas esculturas encontram unidade na atenção dedicada aos processos construtivos, ao trabalho paciente de execução e à transformação dos materiais.
Na série mais antiga de esculturas geométricas aqui apresentada, predominam tonalidades sóbrias, como preto, branco e cinza, reforçando a dimensão estrutural e quase arquitetônica das peças. Suas formas pontiagudas e rigorosamente construídas evocam uma reflexão sobre a própria natureza da geometria, entendida não apenas como um sistema abstrato, mas como um princípio presente na constituição do mundo. Como observa o próprio artista, a forma geométrica está na base das formações minerais e das moléculas que compõem os organismos vivos e, consequentemente, as formas orgânicas.
À medida que essas esculturas se desenvolvem, seu geometrismo vai se complexificando, remetendo a repertórios simbólicos associados às religiões afro-brasileiras. Entre essas referências, destaca-se a relação que Elias Santos desenvolve com Exu, orixá responsável pela comunicação entre os mundos material e espiritual, cuja presença se manifesta de maneira recorrente em seu imaginário formal e simbólico. Em uma de suas peças, por exemplo, o tridente surge de forma explícita, tensionando a fronteira entre abstração geométrica e signo ritual. Esses elementos do universo das religiões afro-brasileiras atravessam o repertório visual do artista e se incorporam ao seu vocabulário formal. Embora não tenha sido iniciado na religião, Elias passou a conviver com esses universos, a frequentá-los e pesquisá-los após mudar-se para Salvador, onde ingressou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Entre terreiros, festas populares, feiras e manifestações culturais afro-brasileiras, esse conjunto de referências sedimentou-se em seu imaginário, tornando-se parte constitutiva das estruturas simbólicas e formais que atravessam sua produção.
A série mais recente de esculturas inaugura um novo momento em sua pesquisa. Nos últimos anos, a partir do convite da Galatea para participar da exposição coletiva Cais (Galatea Salvador, 2024) e dar continuidade à apresentação de suas obras na galeria, Elias retoma sua produção escultórica, incorporando formas mais curvas, camadas cromáticas intensas e materiais brilhantes, especialmente o lamê, tecido amplamente utilizado tanto nas vestimentas do candomblé quanto nas fantasias carnavalescas afro-baianas. Apesar da produção recente, a investigação desses materiais é anterior e remonta à sua experiência como assistente na confecção de adornos para o bloco afro Olodum, entre 2009 e 2010, quando teve contato direto com tecidos, brilhos e estampas, preservando as sobras desses materiais para futuras experimentações.
É nessa nova fase, apresentada nesta exposição por meio de esculturas inéditas, que suas obras se tornam mais sensuais, vibrantes e luminosas, intensificando suas dimensões performáticas. Os tecidos metálicos, brilhos e superfícies cintilantes projetam signos afro-brasileiros em um horizonte futurista, unindo ancestralidade e imaginação. As formas evocam memórias e cosmologias herdadas, refletindo um brilho do passado como forma de iluminar novas fabulações para o futuro.
Ao longo de sua trajetória, Elias Santos transforma a geometria em um campo de investigação no qual rigor formal, observação da natureza e repertórios afro-brasileiros se entrelaçam. Em suas esculturas, ritmos simétricos, estruturas modulares e volumes cuidadosamente construídos evocam tanto princípios presentes na constituição do mundo natural quanto símbolos e cosmologias associados às tradições afro-diaspóricas. Nesse sentido, sua produção aproxima-se de uma linhagem de escultores afro-brasileiros, como Rubem Valentim, José Adário dos Santos e Ayrson Heráclito.
Seja nos desenhos inspirados pelas formas híbridas das orquídeas, nos corpos mascarados que evocam os Zambiapungas ou nas esculturas construídas a partir de materiais reaproveitados, a obra de Elias revela um interesse contínuo pelos processos de transformação, nos quais natureza, corpo e ancestralidade se conectam em uma mesma investigação. Entre a precisão construtiva e a exuberância sensorial, suas obras articulam passado e presente, permanência e reinvenção, afirmando sua prática como forma de atualização de memórias e cosmologias que permanecem vivas e em constante transformação.
ALANA SILVEIRA é produtora cultural, curadora e diretora da Galatea Salvador
Serviço
Exposição | Alegorias ancestrais
De 03 de julho a 10 de outubro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, das 10:00h às 19:00h; Sexta, das 10h às 18h, das Sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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Integrando a programação da 16ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARES, a exposição “Outras Paisagens“, com curadoria de Juliana Crispe e produção executiva de Corina Ishikura, reúne 35 artistas de
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Integrando a programação da 16ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARES, a exposição “Outras Paisagens“, com curadoria de Juliana Crispe e produção executiva de Corina Ishikura, reúne 35 artistas de diferentes gerações e territórios para refletir sobre as transformações urgentes do presente por meio da arte contemporânea. A mostra terá abertura no dia 1º de julho, às 19h, no Museu de Arte de Santa Catarina (MASC), no Centro Integrado de Cultura (CIC), e seguirá com visitação gratuita até o dia 4 de outubro de 2026.
A mostra propõe uma ampliação da ideia tradicional de paisagem. Mais do que representação do mundo natural, a paisagem é apresentada como experiência, memória, corpo, território e imaginação. As obras colocam em diálogo questões relacionadas às cosmologias ancestrais, aos arquivos, às expedições científicas, aos corpos dissidentes e aos imaginários especulativos, revelando tensões entre o humano e o tecnológico, o ancestral e o contemporâneo, o natural e o artificial.
Em sintonia com o tema LIMIARES, concebido pelas curadoras da Bienal Adriana Almada e Tereza de Arruda, a exposição habita espaços de transição e deslocamento, convidando o público a perceber o mundo como um campo em permanente transformação. Inspirada na noção de tempo espiralar, desenvolvida por Leda Maria Martins, a mostra compreende o passado, o presente e o futuro como temporalidades que se entrelaçam, abrindo caminhos para outras formas de existência, pertencimento e cuidado.
Ao reunir artistas na cena contemporânea, “Outras Paisagens” convida o visitante a deslocar o olhar e imaginar novas cartografias afetivas, políticas e sensíveis para o nosso tempo.
Participam da exposição os artistas: Aline Mararú, Aline Moreno, Amanda Melo da Mota, Ana Nitzan, Antonio Pulquério, Auá Mendes, bruCa teiXeira, Carlos Asp, Cássio Markowski, Corina Ishikura, Dani Shirozono, Desirée Feldmann, Elias Muradi, Fayga Ostrower, Franzoi, Jaider Esbell, Linda Poll, Lorena Galeri, Lucimar Bello, Marcella Moraes, Marcia Gadioli, Marina Uieara, Mauricio Igor, Milla Jung, Moara Tupinambá, Nilton Campos, Nita Monteiro, Rafaela Jemmene, Renata Felinto, Sandra Correia Favero, Sérgio Adriano H, Sheyla Ayo, Silvana Macêdo, Thatiana Cardoso e Tuca Chicalé.
Serviço
Exposição | Outras Paisagens
De 01 de julho a 04 de outubro
Terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Período
Local
Museu de Arte de Santa Catarina (MASC)
Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica – Florianópolis, SC
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Espaços de convivência e troca, as ruas revelam um Brasil plural, vibrante e em movimento, onde tradição e inovação caminham lado a lado, moldando formas de viver e de imaginar
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Espaços de convivência e troca, as ruas revelam um Brasil plural, vibrante e em movimento, onde tradição e inovação caminham lado a lado, moldando formas de viver e de imaginar o futuro. É dessa atmosfera que nasce a exposição inédita Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura, uma experiência que convida o público a mergulhar na essência da nossa cultura e na força criativa que transforma o cotidiano em arte.
Com curadoria de Yuri Quevedo, Peter Fassbender e Marcos Rozen, além da curadoria de moda de Mercedes Tristão, a mostra ocupa todos os espaços da instituição com mais de 250 peças, entre obras de arte, fotografias históricas, looks de moda, automóveis que marcaram gerações, além de vídeos, instalações imersivas e obras site-specific.
Para os apaixonados por automóveis, o lendário Fiat 147, primeiro carro movido a álcool produzido em série no mundo, ganhou protagonismo na exposição, mostrando como a ousadia e a inovação redefiniram a indústria nacional nas últimas cinco décadas. Para retratar o espírito transformador dos anos 1970, a exposição apresenta registros históricos de grande impacto, como a visita do então presidente Juscelino Kubitschek à fábrica da Fiat, em Betim (MG), um momento que ajudou a consolidar a marca como parte da história do país.
A exposição conduz o visitante por uma narrativa envolvente, que se desdobra em múltiplas linguagens e convida tanto à interação lúdica quanto à reflexão sobre o futuro. Ao longo do percurso, surgem obras de grandes nomes da arte brasileira, como Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Guignard, Di Cavalcanti, Djanira da Motta e Silva, Cláudio Tozzi e Beatriz Milhazes, que ajudam a contar a história da arte nacional em diálogo com o presente.
A mostra também destaca criações de ícones da moda brasileira, como Clodovil Hernandes e Ronaldo Fraga, além de carros-conceito que revelam a força criativa do país e provocam novos olhares sobre legado, inovação e futuro. As ruas, nesse contexto, aparecem como palco de transformações e experiências coletivas, reafirmando sua potência como espaço de cultura e identidade.
Ao celebrar 50 anos de história no Brasil, a Fiat reafirma seu papel como protagonista na vida e na cultura do país. Mais do que veículos, seus modelos se tornaram símbolos de progresso e inovação, acompanhando de perto a evolução da sociedade por meio de design arrojado, tecnologia de ponta e funcionalidade que dialogam com o cotidiano do brasileiro. Em um país de dimensões continentais, o automóvel vai muito além da mobilidade: transforma-se em uma poderosa expressão cultural, tão presente e apaixonante quanto o futebol, a moda, o Carnaval e a religiosidade. Mais do que meios de transporte, os carros da Fiat consolidam-se como ícones de pertencimento e emoção, parte essencial da identidade brasileira e da forma como o país se reconhece, celebra sua história e projeta o futuro.
Serviço
Exposição | Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura
De 07 de julho a 11 de outubro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira das 10:00h às 21:00h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)
Período
Local
Casa Fiat de Cultura
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH - MG
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O Museu da Imigração inaugura a exposição temporária “Assim bordei meus sonhos: Margarida L. Kanciukaitis Pandolfo”, que integra a programação comemorativa do centenário da imigração lituana no Brasil e a 7ª edição do Festival Labas, realizado pelo Consulado-Geral da República da Lituânia em São Paulo e dedicado à divulgação da cultura lituana.
Com curadoria de OSGEMEOS (Otavio e Gustavo Pandolfo), Adriana P. Alves e Arnaldo Pandolfo, a mostra apresenta a trajetória e a produção artística de Margarida Pandolfo, reunindo bordados, crochês, pinturas e trabalhos confeccionados a partir de retalhos de tecido. A exposição propõe reflexões sobre os sonhos que acompanham as experiências migratórias e sobre os legados culturais transmitidos entre gerações, estabelecendo diálogos entre a história da artista e as múltiplas origens que compõem a formação da sociedade brasileira.
Nascida em São Paulo, Margarida desenvolveu sua prática artística a partir da combinação entre a formação em educação artística e os saberes aprendidos no ambiente familiar. Sua obra evidencia influências ligadas às suas origens lituanas, às memórias familiares e ao contexto brasileiro em que viveu, revelando um percurso marcado por afetos, criatividade e transmissão de conhecimentos.
Ao reunir memórias, processos criativos e referências culturais diversas, “Assim bordei meus sonhos” convida o público a refletir sobre as relações entre arte, identidade e migração, destacando como histórias individuais podem dialogar com experiências coletivas de deslocamento, pertencimento e construção de novos caminhos.
Serviço
Exposição | Assim Bordei Meus Sonhos: Margarida L. Kanciukaitis Pandolfo
De 10 de julho a 6 de outubro
Terça a sábado, das 9h às 18h, e domingo, das 10h às 18h (fechamento da bilheteria às 17h)
Período
Local
Museu da Imigração do Estado de São Paulo
R. Visc. de Parnaíba, 1316 - Mooca, São Paulo - SP
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Observação de elementos simples do cotidiano e um olhar sensível dos ciclos da natureza estão presentes nos trabalhos da artista Clara Fernandes a exposição “O Jardim também sonha”. Com curadoria
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Observação de elementos simples do cotidiano e um olhar sensível dos ciclos da natureza estão presentes nos trabalhos da artista Clara Fernandes a exposição “O Jardim também sonha”. Com curadoria de Victoria Beatriz, a mostra inédita abre no Espaço Jardim da Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis.
Formada por objetos tridimensionais, compostos na maioria por tramas de ferro e gesso, como suporte para plantas, a mostra inédita apresenta 16 obras, com dimensões e densidades bem variadas, que foram desenvolvidas pela artista a partir de 2001. Entre os trabalhos apresentados estão a instalação ‘Efêmera’, que foi inspirada nas flores brancas que surgem da árvore Embiruçu, planta presente no jardim da casa e ateliê da artista no bairro Ratones, em Florianópolis.
“Essas flores, que aparecem à noite e permanecem pouco tempo, se destacam na escala cromática de todo ambiente. E as obras trazem um contraste entre cheio e vazio, leve e pesado, mesmo se tratando dos mesmos elementos”, explica Clara.
A curadora destaca que a artista está sempre percebendo como as árvores crescem, como precisam de água, como todo o sistema precisa funcionar para que aquilo aconteça. “Clara observa como os organismos criam condições para que outras vidas existam. Mais do que representar a natureza, interessa-lhe compreender seus modos de agir, uma tecnologia da própria vida. Por isso, acho bonita essa sensibilidade da Clara em relação à ecologia. A gente consegue perceber certas formas, certos movimentos, que depois vão contribuir para a própria trama das obras”, compartilha Victoria.
Essa será a quarta vez que a artista participa de exposições na Fundação Cultural Badesc. Foram duas individuais, “LUME”, em 2009, e “Epifânicas”, em 2015, e a coletiva “Exaptações – Jardim”, em 2024.
Para Clara Fernandes, ocupar o Jardim da Fundação Cultural Badesc é um exercício que envolve tanto os desafios do espaço e das condições climáticas quanto as possibilidades de ampliar o alcance da exposição. “Ao ser convidada para essa mostra, no Jardim, senti o desafio, no tempo do inverno, sujeito a ventos e chuvas, numa época pessoal onde busco estabilidade e permanência, dada minha juventude. Mas ao sair no espaço externo do atelier, percebi toda essa criação que mantenho, uma verdadeira vida expandida, pensei em fazer ao Jardim da Fundação uma visita do meu jardim”, completa a artista.
A exposição “O Jardim também sonha” poderá ser visitada até 15 de outubro de 2026, de segunda a sexta, das 13h às 19h. A Fundação Cultural Badesc fica na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis/SC.
Serviço
Exposição | O Jardim também sonha
De 16 de julho a 15 de outubro
Segunda a sexta, das 13h às 19h
Período
Local
Fundação Cultural Badesc
Rua Visconde de Ouro Preto, 216, no Centro de Florianópolis - SC
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“Nazareth Pacheco: Jogos de Contaminação” reúne trabalhos realizados pela artista desde o fim dos anos 1980, acompanhando sua produção e suas pesquisas ao longo de quatro décadas, além de incluir duas obras na área externa feitas para esta exposição.
Na fortuna crítica sobre a produção da artista, é recorrente a menção à influência inicial do pós-minimalismo, à serialização como procedimento operacional e ao interesse pela experimentação de materiais e pelo confronto com suas propriedades e usos. Destaca-se, igualmente, o modo como sua obra se vincula à sua biografia, à investigação do próprio corpo e do feminino, desde sua dimensão íntima à política.
Sua produção é também frequentemente associada a relações de contraste e reflexo entre beleza e violência, sedução e repulsa, prazer e dor, proteção e aprisionamento, controle e vulnerabilidade, intimidade e exposição, fragilidade e resistência.
Para Nazareth Pacheco, esses binômios não operam como opostos. Eles evidenciam o caráter simultâneo e indissociável de seus dois polos, dando a ver a tensão e as inversões que mantêm a partida em movimento e o corpo-jogador no páreo. Como no Ping-Pong, a atenção é capturada pela dinâmica do bater e rebater, que aqui se instaura entre artista, matéria, assunto, espaço e público. Em interação, fazem suas apostas, instauram suas regras e, volta e meia, as transgridem.
Nesse sentido, o jogo, para a artista, funciona como procedimento crítico: operação capaz de converter signos culturalmente estabilizados em experiências ambíguas e perturbadoras, revelando as violências sutis inscritas nos dispositivos de normalização e captura do corpo e do desejo.
O que se compreende, com a partida já em curso, é que tornar o corpo mulher talvez seja a jogada mais arriscada: a grande aposta. Em um território marcado pela intimidade, esse corpo, fragmentado e sempre em formação, é constantemente atravessado por mecanismos de normatização, captura e resistência. Já ao redor do Quarto, impenetrável, aquilo que antes parecia restrito ao espaço privado nos lembra que os jogos de poder contaminam-se e proliferam na esfera social e coletiva.
Essas tensões são visíveis também nos materiais que a artista mobiliza e na maneira como subverte seus usos habituais: da borracha, do bronze e do latão à cera, ao acrílico, às miçangas, às agulhas, lâminas e outros objetos cortantes, cirúrgicos, além do próprio sangue. Suas superfícies sedutoras e reluzentes devolvem ao espectador uma imagem invertida e instável de si mesmo e do entorno. Materiais, corpos, sentidos e posições transformam-se mutuamente ao longo da partida. Entre parceiros e adversários, atração e confronto, cada aproximação revela que a experiência com a obra é sempre também uma experiência de contaminação.
Amanda Tavares, curadora
Serviço
Exposição | Jogos de Contaminação
De 18 de julho a 31 de outubro
Terça a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia - MuBE
Rua Alemanha, 221 - Jardim Europa, São Paulo - SP
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Exposição “Entre o Instante e a Eternidade” reúne alguns trabalhos do artista que ninguém nunca viu. A segunda exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos será aberta no Museu Histórico
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Exposição “Entre o Instante e a Eternidade” reúne alguns trabalhos do artista que ninguém nunca viu.
A segunda exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos será aberta no Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis. Com curadoria de Luciana Paulo Corrêa e Monique Fonseca, “Entre o Instante e a Eternidade” vai reunir algumas obras do artista que nunca foram expostas ao público. A abertura será às 10h30, e a entrada é gratuita.
Realizadas em suportes como tela, papel kraft e plástico, as 18 obras pictóricas pertencentes ao acervo da Fundação Hassis evidenciam a diversidade de materiais explorados pelo artista. As pinturas revelam diferentes momentos da produção de Hassis e ampliam as possibilidades de leitura da obra.
Segundo a curadora Monique Fonseca, cerca de 80% das obras nunca foram exibidas antes e são resultado de pesquisa aprofundada no acervo da Fundação. “O processo de seleção das obras envolveu uma ampla pesquisa com o propósito de revelar trabalhos pouco conhecidos e oferecer novas leituras sobre a produção do artista. Esta é uma oportunidade singular de conhecer facetas ainda pouco exploradas de Hassis”, compartilha.
Embora marcada pelo ineditismo, a exposição também contempla temas emblemáticos da trajetória do artista. Entre eles, obras dedicadas a Florianópolis e à sua paisagem, como “Vento Sul e Chuva”, pintada em 1957 e considerada uma obra símbolo. Também estão presentes séries que abordam Carnaval, religiosidade e outros temas recorrentes.
Ao propor o título “Entre o Instante e a Eternidade”, a curadoria reconhece o lugar singular que Hassis ocupa: uma obra que não pertence apenas ao passado, mas que continua a alcançar o presente com a mesma força. Para Monique Fonseca, a expectativa é que o público se surpreenda ao visitar a mostra. “A exposição não foi concebida como retrospectiva, mas como experiência que mostra a atualidade de Hassis. E se ao final da visita o público sentir que esteve diante de um artista cuja obra permanece viva, capaz de emocionar, provocar e encantar cem anos depois de seu nascimento, teremos alcançado nosso principal objetivo”, afirma.
Essa não será a primeira vez que obras de Hassis serão apresentadas no Museu Histórico de Santa Catarina. O artista já participou de duas individuais no local, em 1990, com “Contestado – Terra Contestada”, e em 1991, com “Farra do Boi”.
Serviço
Exposição | Entre o Instante e a Eternidade
De 25 de julho a 28 de março de 2027
Terça a sexta, das 10h às 18h, e aos sábados e domingos, das 10h às 17h
Período
Local
Museu Histórico de Santa Catarina
Palácio Cruz e Sousa - Praça XV de Novembro, 227 - Centro, Florianópolis - SC
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição coletiva “Rajada encarnada”, como parte de seu II Ciclo Expositivo do ano. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a coletiva reúne trabalhos
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição coletiva “Rajada encarnada”, como parte de seu II Ciclo Expositivo do ano. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a coletiva reúne trabalhos de Ana Prata, Anderson Borba, Maria Andrade, Pedro França e Rodrigo Andrade.
A mostra propõe uma reflexão sobre procedimentos e operações que constituem a prática artística e a obra de arte, destacando diferentes linguagens, modos de construção e materialidades que reverberam intensidades. No texto crítico, Thais Rivitti aponta que não cabe formular uma ideia geral ou um endereçamento conceitual capaz de dar conta do conjunto apresentado, uma vez que a exposição convida o público a observar de perto como os artistas trabalham e constroem sua pesquisa ao longo do tempo.
“Deixar um pouco de lado as referências circunstanciais que cada trabalho inevitavelmente guarda e atentar para seus modos de construção. Acompanhar o olhar, deslizando entre as obras, percorrendo superfícies, enroscando em emaranhados nodosos, dando de cara com materialidades mais duras e opacas, oscilando junto às vibrações mais frenéticas. Assim, é possível ver os trabalhos conversando entre si”, descreve a crítica de arte e curadora.
A exposição conta com dois grandes trabalhos de Pedro França (Rio de Janeiro, 1984) que partem de um suporte fragmentado, composto pela colagem de pedaços menores de papel. Sua estratégia de construção é a do acúmulo, na qual os desenhos do artista, transferidos para a tela por meio da técnica da monotipia, vão se sobrepondo, criando densidade e peso pela insistência e abundância das linhas e marcas importantes do labor do artista: áreas rasgadas, sobreposições, colagens.
Nos trabalhos de Anderson Borba (Santos, 1972), em oposição ao acúmulo, a ação muitas vezes começa com a subtração de matéria, por meio do desbaste da madeira, o gesto de entalhar, perfurar e escavar. Suas esculturas também evidenciam uma atenção especial às superfícies, aproximando-se de questões da própria pintura: além do volume e peso, sua obra investiga as formas de percepção da matéria.
No campo da pintura — embora os artistas entrelaçem linguagens a todo momento — as pinturas leves e atmosféricas de Maria Andrade (São Paulo, 1967) são conduzidas pela cor. Na série escolhida para a exposição, ela instala pequenas asas de metal nos trabalhos, criando um território em suspensão que oscila entre a ideia de tornar os objetos flutuantes e presos no espaço.
Já Ana Prata (Sete Lagoas, 1980) aproxima-se do mundo cotidiano — com fragmentos da arquitetura, revestimentos, móveis e objetos domésticos — para deslocar suas condições habituais e ampliar não somente sua presença no campo visual, mas também a condição de isolamento dos objetos no vazio. Também utilizando o mundo como um repertório plástico, Rodrigo Andrade (São Paulo, 1962) dá atenção à tinta como matéria. Em sua longa trajetória no campo da pintura, a tinta se torna um material quase escultórico, com densidade e peso, criando superfícies ásperas ou lisas, que se apresentam de formas diferentes ao espectador.
Além da coletiva, o II Ciclo Expositivo inclui as individuais “Política da superfície”, de Ana Raylander Mártis dos Anjos (Gabinete) e “Mitologias do mistério”, de Omep (Projeto 280X1020). Para o curador Claudio Cretti, “este ciclo propõe tensionar as dimensões constitutivas da prática artística contemporânea, ampliando as possibilidades de leitura do mundo e evidenciando, nessas fricções, a potência da oposição”.
Ainda no dia 25 de julho, o programa de Performances da Casa apresenta “O amor é floresta”, uma performance instalativa de Rodrigo Munhoz a.k.a. Amor Experimental em que plantas urbanas, conectadas a captadores, convertem o toque em som.
O II Ciclo Expositivo é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú, apoio de Casal Garcia e Interfood e apoio de mídia de Catraca Livre.
Serviço
Exposição | Rajada encarnada
De 25 de julho a 25 de outubro
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, a Galeria Marília Razuk apresenta Quarto, mostra coletiva que dá continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e suas
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, a Galeria Marília Razuk apresenta Quarto, mostra coletiva que dá continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e suas dimensões simbólicas e afetivas A exposição será realizada no Anexo Galeria Marilia Razuk, número 62 da Rua Jerônimo da Veiga, um espaço destinado a projetos especiais.
Partindo da ideia deste quarto como um ambiente íntimo e privado, a exposição propõe uma aproximação sensível com esse território onde o indivíduo se encontra consigo mesmo e, ocasionalmente, com o outro. As obras reunidas refletem sobre estados de solidão, relações de companhia amorosa e/ou sexual, além de explorar o universo onírico, os devaneios e as construções subjetivas que emergem nesse espaço.
Cristina Tolovi pontua: “Quarto parte de um espaço que todos conhecemos, mas que raramente pensamos: o lugar onde a subjetividade se forma. A exposição reúne obras que abordam esse território íntimo como refúgio, mas também como um campo ativo de construção, onde desejos, memórias e tensões ganham forma.”
A mostra desdobra questões já abordadas na coletiva Sala de Jantar, também realizada no Anexo Galeria Marilia Razuk, em maio de 2025, e que teve como ponto de partida o emblemático trabalho Hôtel du Pavot, Chambre 202, de Dorothea Tanning, estabelecendo conexões entre o surrealismo e suas investigações sobre o inconsciente e o espaço doméstico.
Reunindo artistas como Alan Chu, Ana Dias Batista, Ana Sant´Anna, A Transälien, Bruno Faria, Carolina Colichio, Débora Bolzsoni, Estúdio Rain, Juliana Sedó, Karola Braga, Lyz Parayzo, Marcus Deusdedit, Maria Tereza Bomfim, Mónica Heller, Patricia Faragone, Regina Vater, Rodrigo Bueno, Rose Afefé, Seba Calfuqueo e Thiago Honório, a coletiva propõe um percurso imersivo por diferentes abordagens contemporâneas que investigam a intimidade, o corpo, o desejo e os espaços de recolhimento.
“Passada a sala de jantar, uma caminhada por um corredor escuro leva até o quarto. Se, antes, procuramos dar o primeiro passo dentro da intimidade associada ao espaço doméstico, agora, damos os outros. Chegamos ao espaço que mais pode revelar sobre seu dono ou dona. Na sala de jantar, havia pequenas revelações, mas elas eram controladas, e se misturavam frequentemente a estratégias exibicionistas relativas a como alguém gostaria de ser visto”, conta Luana Fortes. Ainda segundo Luana, no quarto, há pouco espaço para estratégia. Por isso, esta exposição se aproxima sobre aspectos mais sutis do momento em que as pessoas se recolhem nos quartos onde dormem.
Quarto convida o público a atravessar um território sensível onde o privado se torna compartilhável e onde o quarto, mais do que um espaço físico, se revela como um campo de projeção subjetiva, memória e imaginação.
Serviço
Exposição | Quarto
De 09 de Maio a 08 de Agosto
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Anexo Galeria Marília Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 131 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Política da superfície”, de Ana Raylander Mártis dos Anjos, como parte do II Ciclo Expositivo da Casa. Instalada no Gabinete, a mostra tem curadoria de Claudio
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Política da superfície”, de Ana Raylander Mártis dos Anjos, como parte do II Ciclo Expositivo da Casa. Instalada no Gabinete, a mostra tem curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e investiga a influência do maestro Heitor Villa-Lobos na implementação do ensino musical escolar no Brasil.
A artista visual Ana Raylander Mártis dos Anjos (Minas Gerais, 1995) desenvolve projetos a longo prazo com foco em pesquisa. Ela procura estabelecer um diálogo entre a história coletiva e sua biografia, recorrendo com frequência aos saberes da educação e escrita. Após participar da 36ª Bienal de São Paulo e do 59th Carnegie International, na Pensilvânia, EUA, a artista apresenta na Casa de Cultura do Parque um novo desdobramento de sua investigação sobre os cantos orfeônicos, prática coral amplamente difundida no Brasil ao longo do século 20.
Ao tomar como ponto de partida a atuação de Heitor Villa-Lobos na implementação do ensino musical escolar durante a Era Vargas, a exposição recupera um momento em que a música foi incorporada como ferramenta de promoção da ideologia nacionalista do regime vigente. Os cantos orfeônicos — realizados em escolas, praças e estádios — reuniam grandes grupos sob regência unificada, compondo uma massa sonora que participava da construção simbólica de uma identidade nacional.
“Neste período, a ideia de Brasil emergia como um mito de unidade, sustentado pela promessa de uma voz coletiva que, ao mesmo tempo em que incluía grupos, também acabava por suprimir aquilo que desviava”, reflete a artista. Em “Política da superfície”, ela utiliza o rodapé do Gabinete como um operador semelhante, em diálogo com a localização da instituição, às margens do Parque Villa-Lobos. Situado entre a parede e o chão, esse elemento arquitetônico ocupa uma região limiar: embora associado ao acabamento do espaço doméstico, também atua como uma tecnologia discreta de normalização, capaz de mascarar irregularidades e produzir continuidade onde há fraturas — um tipo de verniz social, como aponta Raylander.
Em “Política da Superfície”, a artista retoma o seu interesse pelos cantos orfeônicos e corais amadores, iniciado com o projeto Coral de Choros [Choratório] em 2018, para aprofundar a pesquisa sobre as contradições que atravessam a educação musical brasileira, a construção da ideia de povo e as narrativas de brasilidade cristalizadas no imaginário da nação. “Procuro observar com precisão aquilo que permanece junto ao chão, aquilo que se acumula nas bordas, as evidências que a história empurra para a porção mais rasteira do estrato social. Talvez seja justamente nessa região inferior, vizinha ao rodapé, onde as promessas de unidade começam a mostrar suas fissuras”, completa Raylander. Neste contexto, o silêncio assume um papel central para a artista no projeto, onde deixa de ser ausência de som e opera como um campo político.
Além da individual de Raylander, o II Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “Rajada encarnada” (Galeria do Parque) e a individual “Mitologias do mistério”, de Omep (Projeto 280X1020). Para o curador Claudio Cretti, “este ciclo propõe tensionar as dimensões constitutivas da prática artística contemporânea, ampliando as possibilidades de leitura do mundo e evidenciando, nessas fricções, a potência da oposição”.
Ainda no dia 25 de julho, o programa de Performances da Casa apresenta “O amor é floresta”, uma performance instalativa de Rodrigo Munhoz a.k.a. Amor Experimental em que plantas urbanas, conectadas a captadores, convertem o toque em som.
O II Ciclo Expositivo é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú, apoio de Casal Garcia e Interfood e apoio de mídia de Catraca Livre.
Serviço
Exposição | Política da superfície
De 25 de julho a 25 de outubro
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Florianópolis recebe uma mostra totalmente interativa pensada para aproximar o público do universo poético de Hassis. “Hassis Brincante“, exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos e celebra o centenário
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Florianópolis recebe uma mostra totalmente interativa pensada para aproximar o público do universo poético de Hassis. “Hassis Brincante“, exposição que integra o projeto Hassis 100 Anos e celebra o centenário do artista, abre para visitação na Fundação Hassis, localizada no bairro Itaguaçu, região continental da Capital de SC. A entrada é gratuita.
Idealizada pela curadora Monique Fonseca, a exposição propõe um percurso sensorial que convida visitantes de todas as idades a experimentar, imaginar e criar. Segundo ela, a proposta nasceu do desejo de transformar a relação do público com a obra do artista por meio de uma experiência que refletisse o próprio universo de Hassis. “Em vez de uma exposição apenas contemplativa, propus um percurso que pudesse ser vivido com o corpo, a imaginação e a curiosidade”, compartilha.
A partir dessa perspectiva, a curadora definiu núcleos temáticos que atravessam a produção do artista: o mar, o circo, os heróis, as brincadeiras, os mistérios do cotidiano e “A Porta”, obra permanente da Fundação Hassis. Esses temas se tornaram o ponto de partida para a criação de sete estações interativas, concebidas como interpretações sensíveis do universo de Hassis.
“Mais do que observar referências à obra de Hassis, o visitante é convidado a explorar, brincar, imaginar e criar. A exposição propõe uma relação ativa com o universo do artista, transformando a visita em uma experiência de descoberta, participação e construção de novas memórias”, explica a curadora que começou a concepção da mostra há mais de um ano, durante o planejamento das celebrações do centenário de Hassis.
Entre as obras que dialogam com os núcleos da mostra estão “O Pescador” (1988), “A Porta” (1967), a Série “O Circo” (1989), a Série “HQ” (1988) e a coletânea “Hassis Mar”, que inspiram as estações da exposição.
Interatividade e sustentabilidade
A escolha dos materiais também reforça o caráter educativo e sustentável da mostra. Todas as instalações foram confeccionadas em papelão, além de adesivos, peças magnéticas e suportes interativos. “O papelão foi escolhido por sua versatilidade e por reforçar o compromisso da mostra com a sustentabilidade. É um material que desperta a criatividade e demonstra que experiências artísticas significativas podem nascer da simplicidade”, destaca a curadora.
Para Monique, os suportes da mostra fazem parte da narrativa curatorial. Pois, ao utilizar materiais recicláveis e elementos interativos, a exposição convida cada visitante a assumir uma postura ativa, explorando, imaginando e criando. Essa escolha também dialoga com o título da exposição, “Hassis Brincante”. “O termo ‘brincante’, sintetiza a relação de Hassis com o circo, as brincadeiras de rua, o cotidiano da cidade e os personagens que povoam sua obra”, completa a curadora.
Serviço
Exposição | Hassis Brincante
De 25 de julho a 30 de janeiro de 2027
Segunda a sexta das 13h30 às 17h30 e aos sábados das 10h às 15h
Período
Local
Fundação Hassis
Luiz da Costa Freysleben, 87 - Itaguaçu, Florianópolis - SC
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A Marli Matsumoto Arte Contemporânea inaugura primeira exposição Irracional, individual de Frederico Filippi na galeria. Com curadoria de Germano Dushá, a mostra reúne diferentes grupos de trabalhos inéditos nos quais
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A Marli Matsumoto Arte Contemporânea inaugura primeira exposição Irracional, individual de Frederico Filippi na galeria. Com curadoria de Germano Dushá, a mostra reúne diferentes grupos de trabalhos inéditos nos quais o acaso, o descontrole e o gesto errático surgem como motores de criação.
Em Irracional, Filippi articula procedimentos digitais, materiais orgânicos e objetos encontrados para investigar os limites da racionalidade e do controle. Entre o fabricado e o apropriado, a vitalidade e a destruição, suas obras tomam o caos não como ausência de ordem, mas como uma força capaz de produzir formas, imagens e significados.
Na série Uma cabeça dentro da outra, objetos de madeira são esculpidos a partir de modelos digitais gerados por processos aleatórios de extrusão. Suspensas no espaço, as formas indefinidas funcionam também como apiários reais: durante o período da exposição, abrigam abelhas vivas, incorporando-as ao ecossistema da galeria.
As obras colocam em contato duas lógicas distintas. Do lado de fora, a aleatoriedade e a imprecisão das formas artificiais; no interior, os códigos organizados e inteligíveis do enxame. A convivência entre o processo digital, a matéria esculpida e a atividade das abelhas torna a transformação parte constitutiva do trabalho.
Já nas pinturas da série Notas perecíveis, colagens produzidas com imagens extraídas do vocabulário científico são sobrepostas a camadas de cera de abelha e manchas de piche. A combinação de materiais faz emergir composições densas e instáveis, nas quais a desordem natural parece solapar a tentativa humana de compreender e organizar o mundo por meio de sistemas racionais.
Completa a exposição um conjunto de ready-mades formado por fragmentos de tratores incinerados pela Polícia Federal durante operações contra garimpos ilegais. Retiradas de seu contexto original, essas peças assumem uma presença espectral: são, ao mesmo tempo, figuras disformes produzidas pela ação imprevisível do fogo e vestígios concretos da exploração e da destruição ambiental.
Em todos os trabalhos, prevalece a recusa do cálculo e da racionalidade científica em favor de uma ininteligibilidade produtiva. “Há um aspecto de descontrole, algo que dispara uma forma quase autônoma. No lugar de uma organização rígida, há sempre uma viscosidade: que está nos materiais empregados e no tempo em que os trabalhos são feitos, mas que também dá forma à especulação mental e aparece como linguagem”, afirma Filippi.
Ao aproximar o orgânico e o digital, a criação e a aniquilação, Irracional apresenta cada obra como a consequência visível de um pensamento que persegue o caos como princípio definidor do mundo.
Serviço
Exposição | Irracional
De 01 de agosto a 10 de outubro
Terça a sexta das 11h às 19h, sábado das 12h às 17h
Período
Local
Marli Matsumoto Arte Contemporânea
Rua João Alberto Moreira, 128, Vila Madalena, São Paulo - SP
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A artista portuguesa Dalila Gonçalves inaugura a exposição Pata quebrada com gesso liso, no Marli Matsumoto Arte Contemporânea Anexo, na Travessa Dona Paula, em São Paulo.
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A artista portuguesa Dalila Gonçalves inaugura a exposição Pata quebrada com gesso liso, no Marli Matsumoto Arte Contemporânea Anexo, na Travessa Dona Paula, em São Paulo. Com curadoria de Sérgio Fazenda Rodrigues, a mostra é composta por um site-specific que ocupa todas as paredes do espaço com impressões em gesso produzidas a partir de moedas de diferentes partes do mundo.
Em vez de exibidas como objetos, as moedas aparecem como marcas discretas, enterradas sob uma camada branca, frágil e provisória. As imagens gravadas em suas superfícies — animais que habitam diferentes geografias — são parcialmente veladas pelo gesso e revelam-se por meio das texturas, profundidades e sombras.
As figuras seguem uma organização vertical a partir dos habitas de cada animal: seres marinhos ficam junto ao chão; os que habitam a terra estão na altura do corpo do visitante; e aqueles que voam ocupam a parte superior das paredes. A sala converte-se, assim, em uma espécie de paisagem simbólica, na qual mar, terra e céu se constroem a partir da aproximação entre espécies e territórios distintos.
Ao transpor as moedas para um material quebradiço, Dalila Gonçalves desloca também os sentidos tradicionalmente associados a esses objetos. Antes submetidas à circulação cotidiana e à lógica do valor financeiro, elas assumem uma presença quase fantasmática. A troca monetária dá lugar à descoberta, à composição e à experiência sensível.
No campo contínuo de marcas, a parede deixa de funcionar apenas como suporte e passa a constituir um território em formação. “Na totalidade dessa nova camada de gesso, na descoberta das figuras que aí se acolhem, a obra ensaia um novo território. Um território de sobreposições, composto por seres de diferentes geografias, que não surge como coisa fixa, mas antes como algo em construção. Algo que, delicadamente, ensaia um exercício de contiguidade, abertura e descoberta”, escreve Sérgio Fazenda Rodrigues no texto que acompanha a exposição.
Pata quebrada com gesso liso tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, DGArtes e República Portuguesa – Cultura. A exposição fica em cartaz até 8 de outubro.
Serviço
Exposição | Pata quebrada com gesso liso
De 15 de Agosto a 15 de Outubro
Terça à sexta, das 11h às 19h; sábados, das 12h às 17h
Período
Local
Marli Matsumoto Arte Contemporânea
Rua João Alberto Moreira, 128, Vila Madalena, São Paulo - SP
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Vonta de vi dada dada, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. Reunindo
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Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Vonta de vi dada dada, uma nova exposição individual de Ernesto Neto, inaugurada simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo.
Reunindo um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, a mostra amplia a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos. Distribuídas entre os dois espaços, esculturas em crochê de algodão, cordas trançadas, bambu, aço corten e argila assumem configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas, florestas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuos.
No centro da exposição está uma nova série de esculturas murais que Neto denomina InsePás: estruturas tensionadas e celulares que se expandem pelas paredes, tetos e cantos da arquitetura como organismos vivos ou fluxos de energia atravessando o espaço. Desenvolvidos a partir de pesquisas anteriores sobre suspensão, equilíbrio e estruturas relacionais, esses trabalhos aprofundam a compreensão do artista da escultura como algo ativado pelo encontro, e não como forma estática. Em diálogo com eles, a exposição inclui uma escultura de grande escala em aço corten cuja estrutura ramificada evoca simultaneamente uma paisagem montanhosa e um corpo vivo sustentado por relações de equilíbrio e apoio mútuo.
Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado. Em vez de estabelecer separações entre natureza e cultura, ou entre arquitetura e corpo, a exposição propõe um ambiente em que formas humanas e não humanas coexistem em constante intercâmbio, reafirmando a compreensão de Neto de que a vida se sustenta por meio das relações, da reciprocidade e da vitalidade compartilhada entre todos os seres.
Serviço
Exposição | Vonta de vi dada dada
De 22 de agosto a 24 de outubro
Terça a sexta das 10h às 19h, sábado das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta O homem nu, a primeira mostra panorâmica da obra de Efrain Almeida (1964 – 2024) na galeria desde seu falecimento. Reunindo trabalhos produzidos entre
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A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta O homem nu, a primeira mostra panorâmica da obra de Efrain Almeida (1964 – 2024) na galeria desde seu falecimento. Reunindo trabalhos produzidos entre 1995 e 2024, a exposição oferece uma vista ampla de sua trajetória e propõe uma leitura de sua produção a partir das relações entre corpo, espiritualidade e desejo. Nascido em Boa Viagem, Ceará, o artista desenvolveu uma obra profundamente marcada pelos materiais, pelos saberes e pelas tradições culturais da região do Cariri, transitando entre escultura, instalação, pintura, bordado e aquarela. Ao longo de quase três décadas, articulou diferentes geografias, crenças, identidades e tradições materiais por meio de uma linguagem visual na qual madeira, tecido, bronze e papel tornam-se suportes para experiências ao mesmo tempo íntimas e universais.
A exposição é centrada nas esculturas de Almeida, ao lado de aquarelas, pinturas a óleo e bordados. Entre os motivos recorrentes estão corpos e fragmentos do corpo, vestimentas, autorretratos e animais nativos do Nordeste brasileiro, especialmente aves. Em sua obra, referências ao imaginário católico convivem com a sensualidade do corpo nu, que adquire dimensões tanto eróticas quanto sagradas. Em O Outsider (2017), um autorretrato bordado surge sobre uma camisa de seda translúcida, cuja transparência e aparente leveza reforçam uma recorrente sensação de transitoriedade, onde o rosto aparece como um emblema num suporte esvoaçante.
Embora profundamente enraizada nas experiências, paisagens e tradições do interior do Ceará, a obra de Almeida nunca se restringe ao registro autobiográfico ou regional. Sua produção transforma referências locais em imagens capazes de evocar experiências universais, fazendo da memória, da espiritualidade, da fragilidade do corpo e do desejo questões compartilhadas. Essa passagem entre o íntimo e o coletivo, entre o local e o universal, encontra paralelo na própria escala de suas esculturas: executadas com notável precisão e frequentemente em pequenas dimensões, elas estabelecem uma relação expansiva com o espaço expositivo, reorganizando a percepção do ambiente e exigindo do espectador uma aproximação atenta. Uma atenção semelhante se estende às representações de animais, observadas com delicadeza e frequentemente apresentadas de modo deslocado na arquitetura. Entre elas, Lázaro (2005), escultura em madeira de um cão que estende a língua em direção à parede da galeria, faz referência à figura bíblica do mendigo cujas feridas eram lambidas apenas por cães, condensando em um único gesto dimensões de cuidado, abandono e ternura que atravessam toda a obra do artista.
A exposição se desdobra em uma ocupação na casa 29, espaço para projetos especiais da galeria Sardenberg
Serviço
Exposição | O homem nu
De 22 de agosto a 24 de outubro
Terça a sexta das 10h às 19h, sábado das 10h às 18h
Período
Local
Fortes D’Aloia & Gabriel - Barra Funda
Rua James Holland 71 - São Paulo - SP
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Cantaria, primeira exposição individual de Daniel Jorge em São Paulo. Ocupando o galpão da Barra Funda, a mostra
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar Cantaria, primeira exposição individual de Daniel Jorge em São Paulo. Ocupando o galpão da Barra Funda, a mostra reúne obras inéditas entre esculturas, relevos de parede, instalação e performance, e é acompanhada por um ensaio inédito docurador e pesquisador Carlos Quijon Jr.
O título da exposição nomeia o ofício do canteiro, o saber técnico da pedra talhada, que o artista aprendeu. A palavra guarda também o canto, som de ritual e de trabalho que acompanha quem talha. É desse cruzamento entre mão e voz, precisão e improviso, que a prática de Jorge se forma. Nas obras, a matéria não chega sozinha, mas acompanhada do trabalho, das trocas e das histórias que a trouxeram até ali.
Nascido em Recreio, no interior de Minas Gerais, criado na Curumau, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e radicado em Salvador, Jorge trabalha com o que essas três geografias lhe deram. A pedra-sabão, rocha densa e macia que serviu ao Barroco mineiro, chega ao ateliê por relações de trocacom trabalhadores e pequenas comunidades de Minas Gerais. “Cada pedra carrega uma cadeia de corpos dentro da obra”, diz o artista.
Para Jorge a obra se dá em, “testar até onde a matéria pode ir, e deixá-la responder”.A resposta está, por exemplo, no processo de pigmentação que o artista desenvolveu. O carvão, produzido no ateliê a partir de madeiras coletadas na cidade e ali queimadas, é veículo e reagente ao mesmo tempo; o pigmento azul é feito de resíduo gráfico adquirido em trocas com as gráficas da cidade. Misturado ao carvão e depositado sobre a pedra-sabão, o azul torna aparentes os quartzitos que a atravessam, e a superfície ganha pontos brilhantes que nenhum gesto poderia planejar. O piche, emulsão asfáltica que pavimenta as estradas e impermeabiliza as lajes das casas da periferia, entra como camada de negro profundo que pigmenta e adiciona uma fina camada de pele sobre a pedra.
O ferro coletado pelo artista ora carrega um processo natural de oxidação, ora é oxidado com sal, água e vinagre, técnica que pessoas escravizadas em fuga usavam para escurecer as ferramentas e camuflá-las na mata durante as travessias para os quilombos. Incrustadas na pedra entalhada, aspontas de ferro se erguem como torres, lanças, pregos. Não são ornamento: guardam a memória dafuga e organizam o trabalho, naquilo que o artista chama de “vingança simbólica”, exercida no gesto.
Sobre a pedra, Jorge realiza o gesto da escarificação: talhos, incisões, arranhões. Sua pesquisa reúneos muitos sentidos desse gesto, da marca corporal que, entre povos como Mursi, Iorubá e Nuba, inscreve pertencimento na pele, à quebra da casca da semente para que ela germine, até a incisão médica que vacina e cura. Nas superfícies escultóricas, o motivo reaparece em campos de perfurações, sulcos ordenados e protuberâncias. É o que conduz o artista ao quelóide, a pele que insiste em retornar ao seu plano original: a matéria que até então era subtraída passa a seraglutinada, criando pequenos relevos antropomórficos em algumas das peças.
Na exposição, as obras pendem do teto, encostam na parede, pousam direto no chão. Em Balanced Manumission (2024), esferas de pedra e correntes de ferro não estão presas a nada: apenas se equilibram, o peso de uma segurando o da outra. Em Boiar é entregar o peso à correnteza (2026), um bloco de pedra-sabão atravessado por grandes orifícios repousa no chão, circundado por uma corrente que carrega na ponta um cavalo marinho; o título ensina o gesto: boiar não é esforço, é entrega. E em Orifício (2024), uma pedra cinza e escarificada se incrusta numa parede em U que organiza o percurso da primeira sala: é como se a obra se tornasse um hospedeiro na parede do espaço, nos confundindo em torno da equação da matéria que se perde entre adição e subtração atornando parte. O movimento se repete em diversos trabalhos da mostra: o artista borra o caminhoque nos permitiria dizer se a forma resulta de uma subtração ou de uma adição de matéria.
A mostra culmina na instalação-performanceCondição de Assentamento(2026), em que quarenta enove pedras-sabão se distribuem pelo chão, ocupando uma sala inteira da galeria. Realizada antes daabertura da exposição, a performance faz do próprio trabalho do artista um modo de ocupar oespaço: Jorge divide as pedras com cunhas, pigmenta-as com carvão, piche e resíduo gráfico azul,escarifica-as. Encerrado o gesto, o artista se retira, e as pedras permanecem como constelaçãodurante todo o período expositivo.
Para o artista, “o direito à subjetividade, ao deslocamento, à abstração, à ambiguidade, direitos sistematicamente cooptados de certos corpos no Brasil, são reivindicados aqui como infraestrutura material da obra, não como pauta”. O que se revela em Cantaria é uma prática sustentada por mais-velhos, trabalhadores e amizades, ou, nas palavras de Quijon, “uma ecologia que prospera em chão irregular”.
Serviço
Exposição | Cantaria
De 22 de agosto a 6 de novembro
Terça a sexta, das 11h às 19h; sábado, das das 10h às 17h
Período
Local
Mendes Wood DM
Rua Barra Funda, 216, São Paulo – SP
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O Espaço Porto inaugura a exposição inédita “Meio Visível“, de P.O. Almeida. Predominantemente em preto e branco, suas fotografias constroem uma leitura autoral da paisagem urbana, distante
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O Espaço Porto inaugura a exposição inédita “Meio Visível“, de P.O. Almeida. Predominantemente em preto e branco, suas fotografias constroem uma leitura autoral da paisagem urbana, distante do registro turístico.
Fragmentando cenários e reorganizando seus elementos por meio da composição, P.O. cria fotos que convidam o espectador a desacelerar o olhar e descobrir novas relações entre pessoas, objetos e espaços. O trabalho poderá ser visitado até 3 de outubro. Informações no Instagram @portodecultura.
A produção fotográfica de Paulo Octavio Pereira de Almeida, ou P.O. Almeida, como assina seus trabalhos, nasce da experiência do deslocamento. Ao longo de uma trajetória como profissional da área de marketing, percorreu dezenas de cidades em diferentes continentes, transformando o tempo entre compromissos de trabalho e viagens em família em oportunidades para caminhar, observar e fotografar. “O Meio Visível” é um dos resultados alcançados pelo artista.
“Sempre procuro criar imagens a partir do que eu vejo das imagens dos meus mestres”, explica o artista. Seu foco são o que chama de personagens urbanos: objetos, estátuas e cartazes em arranjos que se unem a sombras. “As composições refletem o olhar desses mestres e as minhas caminhadas pelo mundo, sempre com a máquina na mão, tentando fazer com que essas imagens tenham algum sentido. Lee Friedlander, André Kertész, Manuel Alvares Bravo estão entre suas referências.
O interesse de P.O. Almeida reside menos nos lugares em si do que nas relações que neles se estabelecem: sobreposições de planos, jogos de luz e sombra, reflexos, geometrias, gestos e encontros fortuitos revelam uma cidade que se reorganiza continuamente diante do olhar. É autor do livro que leva o mesmo nome da exposição, “Meio Visível” (Fotô Editorial, 2021, 74 pgs.), que dialoga com uma tradição da fotografia moderna que compreende a rua como espaço de invenção visual.
Serviço
Exposição | Meio Visível
De 22 de agosto a 3 de outubro
Quarta à sábado, 14h às 18h, mediante agendamento prévio
Período
Local
Espaço PORTO
Rua Harmonia, 925 - Sumarezinho, São Paulo - SP
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A Superfície tem o prazer de anunciar a inauguração de sua nova sede, marcada pela abertura da exposição coletiva Gestos, com texto de Paulo Venancio Filho e
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A Superfície tem o prazer de anunciar a inauguração de sua nova sede, marcada pela abertura da exposição coletiva Gestos, com texto de Paulo Venancio Filho e curadoria assinada por ele em parceria com Gustavo Nóbrega. A mostra inaugura um novo momento na trajetória da galeria, que passa a reunir, em um único endereço, as atividades antes distribuídas entre seus dois espaços nos Jardins.
A partir de agora, a Superfície ocupa um edifício de mais de 625 m², na Vila Madalena, com dois espaços expositivos, livraria e café, concebido para acolher exposições, encontros e diferentes iniciativas ligadas à arte contemporânea. A mudança reflete o desejo da galeria e de seu diretor e idealizador, Gustavo Nóbrega, de ampliar o alcance de sua atuação, fortalecendo seu compromisso com a pesquisa, o mercado e a difusão das artes visuais.
Inaugurando o salão principal desse novo espaço, Gestos reúne um conjunto expressivo de artistas de diferentes gerações, aproximando figuras fundamentais da arte brasileira e internacional, nomes cuja produção ajudou a definir a história da arte contemporânea e artistas em plena atividade, cujas pesquisas continuam expandindo esse legado. Tomando como ponto de partida o livro homônimo do filósofo Vilém Flusser, a mostra investiga o gesto como um movimento carregado de intenção, liberdade e pensamento.
“Gesto é o movimento no qual se articula uma liberdade, a fim de se revelar ou de se velar o outro.” — Vilém Flusser
Se expor é um gesto. Toda exposição revela e vela simultaneamente: torna algo visível ao mesmo tempo em que preserva zonas de opacidade, abrindo espaço para a imaginação, a interpretação e o encontro. Cada obra nasce de um gesto singular — um movimento que não apenas produz uma forma, mas afirma uma maneira de estar no mundo.
Para Flusser, o gesto é a expressão de uma liberdade que produz sentido. Pintar, desenhar, fotografar, gravar, modelar, escrever, performar ou instalar são diferentes modos de pensamento em ação. Cada linguagem inventa seu próprio gesto; cada artista transforma um procedimento em forma.
Com a apresentação de uma obra de Waltercio Caldas concebida especialmente para a exposição, Gestos reúne trabalhos de Andréa Hygino, Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Carlos Vergara, Celeida Tostes, Christo, Cildo Meireles, Clóvis Dariano, Dominique Gonzalez-Foerster, Fernando Lemos, Iberê Camargo, José Resende, Letícia Parente, Luiz Alphonsus, Márcia X, Mara Alvares, Maria Laet, Mira Schendel, Neide Sá, Sonia Andrade, Tunga, Thereza Simões, Vera Chaves Barcellos, Wanda Pimentel, Gestos propõe um percurso em que diferentes gerações e contextos históricos se encontram sem hierarquias. Em comum, cada obra evidencia o gesto como operação estética, pensamento materializado e forma de relação com o mundo.
Se as obras são resultado de gestos, o olhar também o é. Aproximar-se, deslocar-se, demorar o tempo diante de uma imagem, estabelecer relações entre trabalhos e construir sentidos são ações que completam a experiência da exposição. Gestos realiza-se justamente nesse espaço de reciprocidade, onde o gesto de quem cria encontra o gesto de quem observa, dando início também ao novo momento da Superfície.
Gestos acontece por ocasião da inauguração da nova sede da Superfície, localizada na Rua Mourato Coelho 790a, na Vila Madalena. O novo espaço reúne, em um único endereço, as atividades da galeria — espaços expositivos, acervo e Arquivo Superfície —, bem como uma livraria e um café abertos ao público.
Artistas
Andréa Hygino
Anna Maria Maiolino
Artur Barrio
Carlos Vergara
Celeida Tostes
Christo
Cildo Meireles
Clóvis Dariano
Dominique Gonzalez-Foerster
Fernando Lemos
Iberê Camargo
José Resende
Letícia Parente
Luiz Alphonsus
Márcia X
Mara Alvares
Maria Laet
Mira Schendel
Neide Sá
Sonia Andrade
Tunga
Thereza Simões
Vera Chaves Barcellos
Waltercio Caldas
Wanda Pimentel
Serviço
Exposição | Gestos
De 29 de agosto a 17 de outubro
Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Superfície
Rua Mourato Coelho, 790 A - São Paulo - SP
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A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900–1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos
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A exposição “Ismael Nery: armadilha moderna”, dedicada ao trabalho de Ismael Nery (1900–1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta, investiga a trajetória de um dos artistas mais inquietantes do modernismo brasileiro.
Nery apropriou-se de linguagens como a ilustração, o cubismo e o surrealismo, alterando-as a partir de suas próprias inquietações. Em pinturas, desenhos e poemas, o corpo tornou-se o lugar onde ele investigou a instabilidade da identidade, a fusão entre os gêneros, a corrupção da matéria e o desejo religioso de superar os limites do espaço e do tempo.
A mostra reúne cerca de 230 obras, entre desenhos, pinturas, retratos, autorretratos e composições com figuras humanas sensuais, muitas vezes andróginas, algumas ameaçadoras, que operam na fronteira entre o afeto e a violência, o desejo carnal e o trauma da finitude.
Desde sempre compreendido como uma das vozes mais singulares da arte brasileira, Nery tem sua trajetória revista pela Pinacoteca nessa mostra panorâmica que apresenta suas contradições, sua densidade teórica e a radicalidade de suas invenções.
Serviço
Exposição | Ismael Nery: armadilha moderna
De 5 de setembro a 31 de janeiro de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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O que acontece com aquilo que sentimos, mas não conseguimos dizer? É a partir dessa inquietação que nasce a exposição “Antropomórfico: Cavernas de Sentimentos Omitidos”, do artista
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O que acontece com aquilo que sentimos, mas não conseguimos dizer? É a partir dessa inquietação que nasce a exposição “Antropomórfico: Cavernas de Sentimentos Omitidos”, do artista visual Saturno Talavera.
O projeto, que reúne 21 obras produzidas ao longo de seis anos, propõe a caverna como metáfora dos territórios internos onde se ocultam traumas, dores e emoções silenciadas. Composta por 12 pinturas, seis cerâmicas e três xilogravuras, a exposição investiga o sublime a partir da legitimação do grotesco e da intensidade afetiva na arte, tendo a pintura intuitiva como eixo central de criação das obras. O fazer artístico é compreendido como mediação entre essas experiências subjetivas e a materialização sensível.
O conjunto de obras apresenta fragmentos emocionais que atravessam o tempo, o espaço e a matéria, articulando pintura, gravura e presença escultórica como campos de ressonância entre objetividade e subjetividade. A exposição, com curadoria da artista visual Sil Lucas, na primeira experiência como curadora, também propõe um percurso de escuta e confronto com as camadas ocultas do sentir, onde o corpo e a percepção são convocados a lidar com o que usualmente permanece à margem da visibilidade.
Para Saturno, apresentar esse conjunto de trabalhos ao público representa também um momento de vulnerabilidade. “A galeria comporta um ótimo espaço para os trabalhos, estou muito empolgado para minha primeira exposição, mas também muito ansioso por ser um momento muito vulnerável de expor esses trabalhos que venho fazendo há muitos anos e muito íntimos meus”, compartilha Saturno.
A mostra marca a primeira exposição do artista na Galeria Lama e fica em cartaz até sábado, dia 3 de outubro. Como parte da programação de encerramento da mostra, será realizada uma oficina de pintura intuitiva, das 13h às 17h.
Serviço
Exposição | Antropomórfico: Cavernas de Sentimentos Omitidos
De 8 de setembro a 3 de outubro
Terça a sábado, das 18h às 00h
Período
Local
Galeria Lama
Calçadão João Pinto, 198 Centro, Florianópolis - SC
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Pinochiette dans les Alpes reúne 19 vozes artísticas distintas em uma investigação rica e variada sobre a pintura contemporânea. O título da exposição parte
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Pinochiette dans les Alpes reúne 19 vozes artísticas distintas em uma investigação rica e variada sobre a pintura contemporânea. O título da exposição parte de uma pintura de Valérie Favre apresentada na mostra e também presta homenagem às origens da galeria e aos seus vínculos duradouros com a Suíça.
Formado principalmente por artistas que integram o programa da galeria, o conjunto oferece uma perspectiva mais ampla sobre a diversidade e a orientação artística do espaço. A exposição é uma oportunidade de conhecer uma seleção mais abrangente de artistas representados pela galeria, ao lado de convidados, incluindo vários nomes que nunca haviam exposto anteriormente na França.
A mostra reúne trabalhos de Francis Alÿs, Hernan Bas, Armin Boehm, Travis Boyer, Andriu Deplazes, Valérie Favre, Beatriz González, Christoph Hänsli, Chris Huen, Leiko Ikemura, Sea Hyun Lee, Eva Nielsen, Amol K Patil, Bernd Ribbeck, Valentin Rilliet, Dagoberto Rodríguez, Tobias Spichtig, Christine Streuli e Didier William.
A exposição permanece em cartaz até 10 de outubro de 2026.
A abertura da mostra coletiva também marcará o lançamento da publicação Tout près, si loin (Tão perto, tão longe) – Entretiens avec Axel Ruoff, edição francesa do livro de conversas de Valérie Favre com o historiador da arte Axel Ruoff, com a presença da artista em 9 de setembro de 2026.
A publicação Tout près, si loin surgiu a partir de uma série de encontros entre o escritor Axel Ruoff, radicado em Berlim, e Valérie Favre, realizados no ateliê da artista. Juntos, eles discutem sua produção pictórica desde 1990, além de refletirem sobre arte de modo mais amplo. O livro logo se transforma em uma viagem pela trajetória da artista, passando por sua infância na Suíça, os anos vividos em Paris, sua mudança para Berlim em 1999 e o período que se seguiu.
O texto é acompanhado por reproduções das pinturas de Favre abordadas nas conversas, além de fotografias inéditas que documentam os primeiros anos da trajetória da artista.
Serviço
Exposição | Pinochiette dans les Alpes
De 10 de setembro a 10 de outubro
Terça a sexta. das 11h às 19h; sábado, das 11h às 19h
Período
Local
Galerie Peter Kilchmann SAS
11-13, rue des Arquebusiers, 75003 Paris, France
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Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar
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Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar os limites da representação estética por meio de um exercício radical de imaginação. O partido curatorial examina de que modo a reviravolta epistemológica das últimas décadas — impulsionada pelas demandas por reparação racial e pelas conquistas das políticas afirmativas — reconfigurou a arte brasileira, a ponto de estas não apenas inscreverem os debates raciais no campo da linguagem e da estética, como também serem expressivamente influenciadas e expandidas por eles. Tal formulação destaca a vocação deste Panorama como uma plataforma de pensamento crítico que especula sobre o futuro, ao mesmo tempo em que cria uma experiência histórica de lugar: onde estamos, onde chegamos e para onde queremos ir, além de tudo o que já foi dito, feito, visto, escrito e imaginado
Inspirado no título e questão filosófica formulada por Denise Ferreira da Silva, uma das principais teóricas feministas negras da contemporaneidade, a exposição convida a imaginar “se seria possível lançar mão de uma sensibilidade que presuma e antecipe o que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global”. A partir deste diálogo com a filósofa, Diane Lima desenvolve um projeto que, ao “ler a arte como confronto”, reflete sobre como os artistas têm performado em seus procedimentos poéticos e composicionais, exercícios radicais de imaginação e experimentação, que evidenciam um movimento contínuo e coletivo de liberação. A exposição busca complexificar o regime racial estético e, portanto, a própria definição de arte brasileira: aquilo que sabemos sobre ela, seu passado, nossos modos de olhá-la, descrevê-la e, sobretudo, as práticas artísticas das próximas gerações.
Serviço
Exposição | Depois que Tudo Foi Dito
De 12 de Setembro a 24 de janeiro
Terça a sexta, das 9h às 20h sábado, das 10h às 20h, domingo e feriados, das 10h às 18h
Período
Local
Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM SP)
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Vila Mariana, São Paulo – SP
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A Galeria 18 abre “Desculpe, Rafael“, exposição individual de Felipe Scandelari. A mostra reúne cerca de 15 pinturas a óleo nas quais o artista aproxima imagens clássicas
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A Galeria 18 abre “Desculpe, Rafael“, exposição individual de Felipe Scandelari. A mostra reúne cerca de 15 pinturas a óleo nas quais o artista aproxima imagens clássicas da vida contemporânea para refletir sobre tradição, permanência e transformação.
Scandelari parte de obras de grandes mestres e de diferentes momentos da história da arte europeia, com atenção especial ao Renascimento. Em vez de simplesmente reproduzir essas referências, o artista preserva suas estruturas, composições e narrativas, atualizando personagens, cenários e símbolos. Santos, deuses e heróis dão lugar a amigos e familiares, armaduras são substituídas por bermudas e a vegetação tropical invade paisagens originalmente europeias.
A exposição reúne trabalhos que dialogam com artistas como Botticelli, Artemisia Gentileschi e Paolo Uccello, entre outros. Nestas obras, o contraste entre o rigor técnico e a irreverência dos elementos contemporâneos ocupam um lugar central. O domínio do desenho, da hierarquia de planos, da anatomia, da luz e cor dá forma a cenas nas quais o banal se torna sublime e o cotidiano assume o lugar do sagrado.
Muitas das imagens hoje consideradas ícones da história da arte, em suas épocas, faziam parte da vida cotidiana. Elas transmitiam narrativas, valores e modelos de representação a diferentes públicos. Ao substituir seus signos por elementos de seu próprio universo, Scandelari recupera essa dimensão comunicativa e aproxima do presente um repertório que, para muitos, parece distante e erudito.
“Desculpe, Rafael” parte de uma questão central: como uma tradição permanece viva? As pinturas de Scandelari sugerem que sua continuidade não depende da repetição fiel de modelos, mas da capacidade de transformá-los, adaptá-los e fazê-los produzir sentido em um novo contexto. Aqui, a tradição não é destruída pela mudança: é justamente por meio dela que continua existindo.
Serviço
Exposição | Desculpe, Rafael
De 12 de setembro a 24 de outubro
Terça a Sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galeria 18
Rua Simpatia 23, Vila Madalena – São Paulo - SP
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São Paulo será sede da 15ª Mostra 3M de Arte, que estreia no Parque Villa-Lobos com o tema “A Cidade das Crianças” em uma edição histórica. Pela primeira
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São Paulo será sede da 15ª Mostra 3M de Arte, que estreia no Parque Villa-Lobos com o tema “A Cidade das Crianças” em uma edição histórica. Pela primeira vez em sua trajetória, o evento apresentará o universo infantil como eixo central, revelando a potência do imaginário criativo como ferramenta de construção social. O conceito propõe uma inversão de perspectiva: olhar para a infância não como uma etapa preparatória, mas como uma força política e criativa capaz de renovar o convívio urbano.
As obras da 15ª Mostra 3M de Arte não foram pensadas apenas para serem observadas. Elas convidam crianças e adultos a participarem, ocuparem e transformarem os espaços. Balançar, escorregar, atravessar, pular, tocar, negociar e imaginar são algumas das ações que fazem parte das experiências propostas pelos artistas com suas criações.
A exposição apresentará o brincar como uma forma de pensar a cidade e as relações entre as pessoas. Cada obra criará uma situação de encontro, na qual as crianças e os adultos poderão experimentar outras maneiras de compartilhar espaços, tomar decisões, escutar e construir coletivamente.
Obras em fase final de preparação e os artistas
Em “Aula Suspensa”, Andréa Hygino, do Rio de Janeiro, apresentará carteiras escolares penduradas como balanços e dispostas em círculo. O objeto associado à educação e disciplina se transformará em convite ao movimento, à conversa e à experimentação coletiva.
Na obra inédita “Arcyria vulpicida amanita favolaschia”, assinada por AVAF, de São Paulo, três escorregadores conectados por redes criam uma situação em que as crianças precisam negociar entre si a ordem e a forma de brincar, transformando o jogo em experiência de convivência.
A artista Castiel Vitorino Brasileiro, de Vitória, Espírito Santo, assina a obra “A cor do sol, do segredo e da descoberta”, na qual dois grandes meios círculos revestidos de pinturas e mosaicos de espelhos formam um espaço para brincar, esconder-se e reaparecer. Os reflexos dos visitantes passam a integrar a própria obra.
De Belo Horizonte, a artista Isabela Prado cria para a exposição em São Paulo a obra “Sonhar é preciso”, com manilhas de concreto atravessadas por formas azuis remetem às águas escondidas sob as ruas da capital paulista. A instalação convida as crianças a imaginar os rios que continuam correndo sob a cidade.
Já o artista Juca Fiis, do Rio de Janeiro, assina a arte “Que Onda”, com duas estruturas que acionam coletivamente uma corda de pular, enquanto caixas percussivas permitem que outros participantes criem o ritmo. Para a brincadeira acontecer, é preciso sincronizar movimentos, escutar e negociar com o outro.
Diretamente de Salvador, Rommulo Vieira Conceição prepara para a exposição a obra “Junta”, uma casa suspensa inspirada nas casas na árvore é construída a partir de desenhos de árvores feitos por crianças. No interior, uma mesa redonda transforma o espaço em lugar de encontro, conversa e deliberação.
Consolidada como um dos marcos mais relevantes da arte contemporânea em espaços públicos no Brasil, a Mostra 3M de Arte está sob a curadoria de Bernardo Mosqueira e curadoria assistente de Ana Clara Simões Lopes neste ano. E a proposta é ressaltar as crianças como grande fonte de reavaliação e renovação, expressando a força transformadora do brincar como a prazerosa arte de experimentar ordenações alternativas da vida.
A brincadeira cria um território onde o real e o imaginário se entrelaçam, produzindo uma forma provisória de ordem que ensina sobre o arbitrário no mundo e a possibilidade de transformá-lo. Cada regra compartilhada, cada rodada e cada negociação inerente a uma brincadeira ensinam o respeito, o pacto, o comum, o desejo de vencer, a desimportância das derrotas e a importância da cooperação e do convívio.
Ao centralizar as infâncias, a exposição defende a urgência de ouvir as crianças na reinvenção, reconhecendo que a vida urbana excede seus contornos planejados e pode ser recriada constantemente pela imaginação, sem conceitos limitantes e projeções exclusivamente de futuro. A tônica é enaltecer que muitas habilidades infantis podem agregar no presente, a partir de interpretações e adaptações de brincadeiras para a vida real.
“A Mostra 3M de Arte é reconhecida por sua experimentação artística, promovendo acesso gratuito à arte contemporânea em espaços públicos e de grande circulação. Tornou-se instrumento educacional para grupos de jovens que visitam o evento e tem envolvido parcerias estratégicas com escolas públicas em prol do fomento à cultura democrática. Ao longo de suas edições, já reuniu nomes consagrados e emergentes do cenário nacional, sempre pautada por temas urgentes e relevantes”, comenta Marcela Ribeiro, diretora da Elo3, empresa idealizadora e produtora do projeto. A exposição tem o patrocínio da 3M via lei de incentivo à cultura.
15 Anos de Arte Pública: Uma Trajetória de Transformação
Criada em 2010 com o propósito de democratizar o acesso à cultura, a Mostra 3M de Arte iniciou sua jornada focada na arte digital, ocupando espaços como a Universidade Mackenzie e o Memorial da América Latina. Entre 2012 e 2014, consolidou sua relevância em uma temporada de três anos no Instituto Tomie Ohtake, sob curadorias de nomes como Giselle Beiguelman e Paulo Miyada.
Em 2017, o projeto realizou uma transição histórica: retirou o “digital” do nome e levou as obras de arte contemporânea diretamente para as ruas, ocupando o Largo da Batata. Desde então, a mostra transformou-se em um marco de intervenção urbana, passando por cartões-postais como o Parque Ibirapuera, o Parque Augusta e o bicentenário Parque da Luz.
Ao longo de uma década e meia, o evento já comissionou dezenas de obras de artistas nacionais e internacionais, promovendo o diálogo direto entre a população e a arte contemporânea de forma totalmente gratuita.
Serviço
Exposição | A Cidade das Crianças
De 13 de setembro a 12 de outubro
Segunda a domingo das 5h30 às 19h
Período
Local
Parque Villa-Lobos
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2001 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP
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É com júbilo que a Galeria de Arte André sedia a nova individual de Philip Hallawell, artista tão ligado à história do espaço. A mostra pode servir de festejo pelos
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É com júbilo que a Galeria de Arte André sedia a nova individual de Philip Hallawell, artista tão ligado à história do espaço. A mostra pode servir de festejo pelos 50 anos da primeira individual do artista, na própria André, no final dos anos 1970. No entanto, o evento pode marcar as razões pelas quais Hallawell inscreve sua importância na arte brasileira.
Desenvolvendo sua teoria de image ID e lançando um livro sobre o assunto, isso revela o forte caráter didático que a carreira do artista abriga. Já se tornou um clássico o seu programa na TV Cultura. Mesmo com o avanço enorme da tecnologia, Hallawell sabe bem o valor do grafite sobre o papel.
Outra faceta relevante de Hallawell é a contribuição para a documentação das exposições de artes visuais. Para a primeira individual, o artista concebeu e veiculou um pequeno folder, em cores, que servia de registro das telas presentes e 5 textos críticos, inclusive um de Pietro Maria Bardi (1900-1999). Não era usual tal espécie de catálogo e o sucesso da empreitada fez com que a galeria continuasse tal expediente, também feito em outros espaços e fundamental para o patrimônio visual da arte brasileira
E talvez o aspecto mais importante da mostra de agora é a relevante produção ligada ao onírico, simbólico e imaginário de Hallawell na arte nacional. Ao virmos os óleos de escala avantajada, por exemplo, exibidos hoje percebemos a qualidade tanto visual quanto conceitual de Hallawell, também presente nos desenhos e pasteis do artista.
Serviço
Exposição | Individual de Philip Hallawell
De 14 de setembro a 10 de outubro
Segunda a sexta das 9h às 19h, sábado das 10h às 14h
Período
Local
Galeria de Arte André
Rua Estados Unidos, 2.280 Jardim Paulistano – São Paulo – SP
