Agenda de arte contemporânea da ARTE!Brasileiros reúne exposições, eventos culturais, mostras, feiras, cursos e atividades em museus, galerias e centros culturais de todo o Brasil.
Agenda de Arte, Exposições e Eventos Culturais
julho
Detalhes
Espaços de convivência e troca, as ruas revelam um Brasil plural, vibrante e em movimento, onde tradição e inovação caminham lado a lado, moldando formas de viver e de imaginar
Detalhes
Espaços de convivência e troca, as ruas revelam um Brasil plural, vibrante e em movimento, onde tradição e inovação caminham lado a lado, moldando formas de viver e de imaginar o futuro. É dessa atmosfera que nasce a exposição inédita Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura, uma experiência que convida o público a mergulhar na essência da nossa cultura e na força criativa que transforma o cotidiano em arte.
Com curadoria de Yuri Quevedo, Peter Fassbender e Marcos Rozen, além da curadoria de moda de Mercedes Tristão, a mostra ocupa todos os espaços da instituição com mais de 250 peças, entre obras de arte, fotografias históricas, looks de moda, automóveis que marcaram gerações, além de vídeos, instalações imersivas e obras site-specific.
Para os apaixonados por automóveis, o lendário Fiat 147, primeiro carro movido a álcool produzido em série no mundo, ganhou protagonismo na exposição, mostrando como a ousadia e a inovação redefiniram a indústria nacional nas últimas cinco décadas. Para retratar o espírito transformador dos anos 1970, a exposição apresenta registros históricos de grande impacto, como a visita do então presidente Juscelino Kubitschek à fábrica da Fiat, em Betim (MG), um momento que ajudou a consolidar a marca como parte da história do país.
A exposição conduz o visitante por uma narrativa envolvente, que se desdobra em múltiplas linguagens e convida tanto à interação lúdica quanto à reflexão sobre o futuro. Ao longo do percurso, surgem obras de grandes nomes da arte brasileira, como Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Guignard, Di Cavalcanti, Djanira da Motta e Silva, Cláudio Tozzi e Beatriz Milhazes, que ajudam a contar a história da arte nacional em diálogo com o presente.
A mostra também destaca criações de ícones da moda brasileira, como Clodovil Hernandes e Ronaldo Fraga, além de carros-conceito que revelam a força criativa do país e provocam novos olhares sobre legado, inovação e futuro. As ruas, nesse contexto, aparecem como palco de transformações e experiências coletivas, reafirmando sua potência como espaço de cultura e identidade.
Ao celebrar 50 anos de história no Brasil, a Fiat reafirma seu papel como protagonista na vida e na cultura do país. Mais do que veículos, seus modelos se tornaram símbolos de progresso e inovação, acompanhando de perto a evolução da sociedade por meio de design arrojado, tecnologia de ponta e funcionalidade que dialogam com o cotidiano do brasileiro. Em um país de dimensões continentais, o automóvel vai muito além da mobilidade: transforma-se em uma poderosa expressão cultural, tão presente e apaixonante quanto o futebol, a moda, o Carnaval e a religiosidade. Mais do que meios de transporte, os carros da Fiat consolidam-se como ícones de pertencimento e emoção, parte essencial da identidade brasileira e da forma como o país se reconhece, celebra sua história e projeta o futuro.
Serviço
Exposição | Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura
De 07 de julho a 11 de outubro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira das 10:00h às 21:00h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)
Período
Local
Casa Fiat de Cultura
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH - MG
Detalhes
Detalhes
Ruas, parques, estabelecimentos e outros espaços de São Gonçalo do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, passam a integrar uma exposição de arte contemporânea, a artista, educadora e historiadora Joyce Ribeiro transforma histórias, causos caipiras, objetos do cotidiano e referências da cidade natal em fotografias, vídeos, cerâmicas, escritos, ações urbanas e contações de histórias.
A mostra Rio Que Grita reúne obras distribuídas por diferentes pontos da cidade e uma programação gratuita com oficinas, roda de conversa, mediação cultural, percursos de van e a pé e distribuição de mapas interativos.
Primeira individual de Joyce Ribeiro em São Gonçalo do Sapucaí, a exposição é resultado do Projeto Bageira, pesquisa desenvolvida pela artista durante seis anos sobre os modos de relação, ação e convívio no interior. O trabalho também discute a concentração da formação, da circulação e do reconhecimento da arte contemporânea nas grandes cidades.
“Bageira não é sobre levar arte para o interior, mas afirmar que a arte já está lá – e que ela pode ser um espaço de construção de vínculo, de leitura de mundo e de invenção de outras possibilidades de existência que podem interessar a qualquer pessoa, de qualquer lugar”, destaca Joyce.
Da cidade natal à pesquisa artística
O projeto começou a ganhar forma em 2020, quando Joyce estendeu uma faixa em uma rua da Vila de Fátima, bairro onde nasceu e viveu por 28 anos. Nela estava escrita a frase: “Pensar nela, em oposição a pensar em não pensar nela”.
Naquele período, a artista caminhava pela cidade, anotava as lembranças provocadas pelos lugares e, no dia seguinte, relacionava essas anotações à ficção, à escrita e a novas imagens do território. A faixa integra agora a exposição.
Joyce abriu seu primeiro ateliê aos 14 anos, começou a lecionar aos 17 e, aos 28, mudou-se para São Paulo para estudar artes visuais. O contato com instituições, escolas e espaços de formação modificou também seu olhar sobre São Gonçalo do Sapucaí.
Ao retornar à cidade, passou a aproximar os conhecimentos adquiridos no circuito da arte contemporânea das narrativas, dos hábitos e das referências do interior.
“Não me interessa separar o que é lembrança, invenção ou história, mas compreender como essas dimensões produzem juntas uma forma de conhecimento”, afirma Joyce Ribeiro.
No texto de apresentação da exposição, o artista e analista Enrico Rocha observa que, no movimento entre a pequena cidade e o maior centro urbano do país, Joyce percebeu que migrar também pode tornar alguém estrangeiro no próprio lugar. Essa estranheza transformou-se em matéria para a produção artística.
A árvore que virou canoa
A origem simbólica do projeto está na Bageira, árvore que ocupava a região central de São Gonçalo do Sapucaí, nas proximidades da igreja matriz. Mesmo abatida em 1956, ela permaneceu nas histórias e referências dos moradores.
No projeto, Joyce cria outro destino para a árvore: depois de morrer, a Bageira teria se transformado em uma canoa para tocar o rio Sapucaí. “Bageira representa justamente a permanência intangível da história e da memória, ela guarda o imaginário regional de uma comunidade sobre o seu território”, afirma a artista.
O título Rio Que Grita também se relaciona ao território. De origem tupi-guarani, a palavra Sapucaí pode ser traduzida como “rio que grita” ou “rio que canta”, em referência aos sons produzidos pelas cumbucas da árvore sapucaia ao caírem na água.
A imagem do rio conduz a exposição e se associa a ideias de movimento, fronteira, deslocamento e retorno.
Causos e narrativas orais
Formada em História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e pós-graduada em História, Sociedade e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Joyce utiliza causos, mitos, lendas, boatos e narrativas orais como formas de produzir conhecimento sobre a vida comunitária.
Para o curador da exposição, o arquiteto, artista visual e diretor do Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), Nilton Campos, essa abordagem se relaciona diretamente às questões da arte contemporânea. “A arte contemporânea tem, em sua essência, a proposta de discutir a própria realidade e o cotidiano em que vivemos”, afirma.
Segundo o curador, a combinação entre histórias locais, ficções e diferentes modos de contar amplia a reflexão sobre memória, pertencimento e imaginação. Cada narrativa pode mudar de acordo com quem a conta, o lugar em que é apresentada e as pessoas que a recebem.
Obras construídas com a cidade
Parte dos trabalhos resulta de encontros e acordos estabelecidos durante a pesquisa. Na ação Profundo, realizada no Lago Piscina, antigo local de mineração transformado em parque, Joyce depositou uma boia de mergulho na água.
Moradores que acompanhavam o trabalho disponibilizaram um barco, ensinaram a artista a remar, ajudaram na gravação e permaneceram no local até a conclusão da ação.
Em outro trabalho, Joyce estabeleceu um trato com o caminhoneiro Reinaldo Massei, conhecido como Sr. Branco. Ele emprestou o para-barro do caminhão para que a artista pintasse a frase “Rio Que Grita” e assumiu o compromisso de contar, pelas estradas do país, que Sapucaí significa “rio que grita” ou “rio que canta”.
Para Nilton Campos, a presença das obras em diferentes pontos permite que a exposição mobilize tanto os espaços quanto as pessoas da cidade. “O que mais me chamou a atenção na exposição, é que a Joyce, ao fazer essa proposição artística, ativa a própria cidade, fazendo com que os moradores repensem suas origens e suas referências no espaço urbano”, afirma.
Enrico Rocha sintetiza essa relação no texto de apresentação da mostra: “A cidade participa”.
Serviço
Exposição | Rio Que Grita
De 11 de julho a 9 de agosto
Período
Local
Cidade de São Gonçalo do Sapucaí
São Gonçalo do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais - MG
Detalhes
A Galeria Murilo Castro recebe a exposição Vertido, nova mostra individual de Pedro Varela, com curadoria de Shannon Botelho. Reunindo um conjunto inédito de pinturas, colagens sobre tela e
Detalhes
A Galeria Murilo Castro recebe a exposição Vertido, nova mostra individual de Pedro Varela, com curadoria de Shannon Botelho. Reunindo um conjunto inédito de pinturas, colagens sobre tela e uma instalação, a exposição apresenta uma inflexão recente na trajetória do artista, colocando em diálogo imagens recorrentes de seus mais de vinte anos de produção com novos elementos que surgem em sua pesquisa.
A exposição tem pinturas de grandes e médias dimensões, colagens sobre tela, um conjunto de pinturas de pequenos formatos e uma instalação. Em Vertido, Pedro Varela apresenta obras realizadas com tinta acrílica diluída, explorando diferentes densidades da matéria pictórica. Em alguns momentos, a pintura se aproxima da delicadeza da aquarela; em outros, adquire espessura e intensidade. As imagens conduzem o visitante por paisagens submersas em que memórias, arquitetura, vegetação, figuras humanas e recifes de coral coexistem em um mesmo ambiente poético.
“As imagens mostram paisagens submersas em águas profundas e flores ‘feitas de sangue’, ambos líquidos que criam um diálogo poético. A água do oceano evoca memórias e sentimentos que muitas vezes podem ser mais turvos. Já o sangue, apesar de líquido, traz um princípio ígneo, uma pulsão de vida, um impulso de criação”, explica Pedro Varela.
Ao mesmo tempo em que apresenta trabalhos inéditos, a mostra revisita diferentes momentos da trajetória do artista. Elementos presentes em fases anteriores de sua produção reaparecem transformados pelo ambiente subaquático que estrutura a exposição. Papéis recortados tornam-se colagens sobre telas, cidades e castelos retornam como imagens que oscilam entre memória e ficção, enquanto flores, florestas e, agora, recifes de corais ampliam o repertório visual do artista. A figura humana, incorporada mais recentemente à sua pesquisa, permanece presente em obras como Iara e Jantar, misturando-se à flora aquática.
“Outro ponto interessante é que nessa exposição trarei alguns momentos dos meus últimos 20 anos de produção artística ‘imersos’ nesse ambiente subaquático. Os papéis recortados viram colagens sobre telas feitas com tons aquarelados de tinta acrílica. As cidades e castelos voltam evocando memórias que se confundem com narrativas fictícias. As flores e florestas continuam como paisagem submersa ao lado de recifes de corais, que são uma novidade na minha produção. A figura humana como protagonista, que surgiu na minha última exposição, continua aparecendo em pinturas como Iara e Jantar, mas estes humanos se misturam com a flora subaquática”, afirma o artista.
No texto curatorial, Shannon Botelho destaca que Vertido propõe uma experiência de imersão em que pintura, memória e tempo se entrelaçam continuamente. “A água não conserva as coisas, ela as transforma. Abaixo da superfície, o tempo adquire outra espessura. Os contornos se deslocam, as cores se alteram, as distâncias já não obedecem à mesma medida. Nada permanece exatamente como era, mas tampouco desaparece. Em Vertido, Pedro Varela faz da pintura um ambiente de imersão, onde as imagens atravessam diferentes tempos e reaparecem continuamente, como se a própria matéria da tinta preservasse o movimento incessante das águas”, escreve o curador Shannon Botelho.
Ainda segundo o curador, embora não se trate de uma retrospectiva, a exposição faz coexistirem signos, procedimentos e materiais que atravessam mais de duas décadas da produção de Pedro Varela, convidando o público tanto ao reconhecimento quanto à descoberta. Para Botelho, “a pintura faz do tempo uma matéria sempre disponível à transformação”, enquanto memória e imaginação reinventam continuamente as paisagens apresentadas na mostra.
Serviço
Exposição | Vertido
De 18 de julho a 22 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábados, das 10h às 14h
Período
Local
Galeria Murilo Castro
Rua Saturno, 10 - Santa Lúcia CEP 30360-560 - Belo Horizonte - MG
agosto
Detalhes
Espaços de convivência e troca, as ruas revelam um Brasil plural, vibrante e em movimento, onde tradição e inovação caminham lado a lado, moldando formas de viver e de imaginar
Detalhes
Espaços de convivência e troca, as ruas revelam um Brasil plural, vibrante e em movimento, onde tradição e inovação caminham lado a lado, moldando formas de viver e de imaginar o futuro. É dessa atmosfera que nasce a exposição inédita Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura, uma experiência que convida o público a mergulhar na essência da nossa cultura e na força criativa que transforma o cotidiano em arte.
Com curadoria de Yuri Quevedo, Peter Fassbender e Marcos Rozen, além da curadoria de moda de Mercedes Tristão, a mostra ocupa todos os espaços da instituição com mais de 250 peças, entre obras de arte, fotografias históricas, looks de moda, automóveis que marcaram gerações, além de vídeos, instalações imersivas e obras site-specific.
Para os apaixonados por automóveis, o lendário Fiat 147, primeiro carro movido a álcool produzido em série no mundo, ganhou protagonismo na exposição, mostrando como a ousadia e a inovação redefiniram a indústria nacional nas últimas cinco décadas. Para retratar o espírito transformador dos anos 1970, a exposição apresenta registros históricos de grande impacto, como a visita do então presidente Juscelino Kubitschek à fábrica da Fiat, em Betim (MG), um momento que ajudou a consolidar a marca como parte da história do país.
A exposição conduz o visitante por uma narrativa envolvente, que se desdobra em múltiplas linguagens e convida tanto à interação lúdica quanto à reflexão sobre o futuro. Ao longo do percurso, surgem obras de grandes nomes da arte brasileira, como Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Guignard, Di Cavalcanti, Djanira da Motta e Silva, Cláudio Tozzi e Beatriz Milhazes, que ajudam a contar a história da arte nacional em diálogo com o presente.
A mostra também destaca criações de ícones da moda brasileira, como Clodovil Hernandes e Ronaldo Fraga, além de carros-conceito que revelam a força criativa do país e provocam novos olhares sobre legado, inovação e futuro. As ruas, nesse contexto, aparecem como palco de transformações e experiências coletivas, reafirmando sua potência como espaço de cultura e identidade.
Ao celebrar 50 anos de história no Brasil, a Fiat reafirma seu papel como protagonista na vida e na cultura do país. Mais do que veículos, seus modelos se tornaram símbolos de progresso e inovação, acompanhando de perto a evolução da sociedade por meio de design arrojado, tecnologia de ponta e funcionalidade que dialogam com o cotidiano do brasileiro. Em um país de dimensões continentais, o automóvel vai muito além da mobilidade: transforma-se em uma poderosa expressão cultural, tão presente e apaixonante quanto o futebol, a moda, o Carnaval e a religiosidade. Mais do que meios de transporte, os carros da Fiat consolidam-se como ícones de pertencimento e emoção, parte essencial da identidade brasileira e da forma como o país se reconhece, celebra sua história e projeta o futuro.
Serviço
Exposição | Celebrar as ruas: 50 anos de Fiat e brasilidade na Casa Fiat de Cultura
De 07 de julho a 11 de outubro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira das 10:00h às 21:00h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (exceto segundas-feiras)
Período
Local
Casa Fiat de Cultura
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH - MG
Detalhes
Detalhes
Ruas, parques, estabelecimentos e outros espaços de São Gonçalo do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, passam a integrar uma exposição de arte contemporânea, a artista, educadora e historiadora Joyce Ribeiro transforma histórias, causos caipiras, objetos do cotidiano e referências da cidade natal em fotografias, vídeos, cerâmicas, escritos, ações urbanas e contações de histórias.
A mostra Rio Que Grita reúne obras distribuídas por diferentes pontos da cidade e uma programação gratuita com oficinas, roda de conversa, mediação cultural, percursos de van e a pé e distribuição de mapas interativos.
Primeira individual de Joyce Ribeiro em São Gonçalo do Sapucaí, a exposição é resultado do Projeto Bageira, pesquisa desenvolvida pela artista durante seis anos sobre os modos de relação, ação e convívio no interior. O trabalho também discute a concentração da formação, da circulação e do reconhecimento da arte contemporânea nas grandes cidades.
“Bageira não é sobre levar arte para o interior, mas afirmar que a arte já está lá – e que ela pode ser um espaço de construção de vínculo, de leitura de mundo e de invenção de outras possibilidades de existência que podem interessar a qualquer pessoa, de qualquer lugar”, destaca Joyce.
Da cidade natal à pesquisa artística
O projeto começou a ganhar forma em 2020, quando Joyce estendeu uma faixa em uma rua da Vila de Fátima, bairro onde nasceu e viveu por 28 anos. Nela estava escrita a frase: “Pensar nela, em oposição a pensar em não pensar nela”.
Naquele período, a artista caminhava pela cidade, anotava as lembranças provocadas pelos lugares e, no dia seguinte, relacionava essas anotações à ficção, à escrita e a novas imagens do território. A faixa integra agora a exposição.
Joyce abriu seu primeiro ateliê aos 14 anos, começou a lecionar aos 17 e, aos 28, mudou-se para São Paulo para estudar artes visuais. O contato com instituições, escolas e espaços de formação modificou também seu olhar sobre São Gonçalo do Sapucaí.
Ao retornar à cidade, passou a aproximar os conhecimentos adquiridos no circuito da arte contemporânea das narrativas, dos hábitos e das referências do interior.
“Não me interessa separar o que é lembrança, invenção ou história, mas compreender como essas dimensões produzem juntas uma forma de conhecimento”, afirma Joyce Ribeiro.
No texto de apresentação da exposição, o artista e analista Enrico Rocha observa que, no movimento entre a pequena cidade e o maior centro urbano do país, Joyce percebeu que migrar também pode tornar alguém estrangeiro no próprio lugar. Essa estranheza transformou-se em matéria para a produção artística.
A árvore que virou canoa
A origem simbólica do projeto está na Bageira, árvore que ocupava a região central de São Gonçalo do Sapucaí, nas proximidades da igreja matriz. Mesmo abatida em 1956, ela permaneceu nas histórias e referências dos moradores.
No projeto, Joyce cria outro destino para a árvore: depois de morrer, a Bageira teria se transformado em uma canoa para tocar o rio Sapucaí. “Bageira representa justamente a permanência intangível da história e da memória, ela guarda o imaginário regional de uma comunidade sobre o seu território”, afirma a artista.
O título Rio Que Grita também se relaciona ao território. De origem tupi-guarani, a palavra Sapucaí pode ser traduzida como “rio que grita” ou “rio que canta”, em referência aos sons produzidos pelas cumbucas da árvore sapucaia ao caírem na água.
A imagem do rio conduz a exposição e se associa a ideias de movimento, fronteira, deslocamento e retorno.
Causos e narrativas orais
Formada em História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e pós-graduada em História, Sociedade e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Joyce utiliza causos, mitos, lendas, boatos e narrativas orais como formas de produzir conhecimento sobre a vida comunitária.
Para o curador da exposição, o arquiteto, artista visual e diretor do Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), Nilton Campos, essa abordagem se relaciona diretamente às questões da arte contemporânea. “A arte contemporânea tem, em sua essência, a proposta de discutir a própria realidade e o cotidiano em que vivemos”, afirma.
Segundo o curador, a combinação entre histórias locais, ficções e diferentes modos de contar amplia a reflexão sobre memória, pertencimento e imaginação. Cada narrativa pode mudar de acordo com quem a conta, o lugar em que é apresentada e as pessoas que a recebem.
Obras construídas com a cidade
Parte dos trabalhos resulta de encontros e acordos estabelecidos durante a pesquisa. Na ação Profundo, realizada no Lago Piscina, antigo local de mineração transformado em parque, Joyce depositou uma boia de mergulho na água.
Moradores que acompanhavam o trabalho disponibilizaram um barco, ensinaram a artista a remar, ajudaram na gravação e permaneceram no local até a conclusão da ação.
Em outro trabalho, Joyce estabeleceu um trato com o caminhoneiro Reinaldo Massei, conhecido como Sr. Branco. Ele emprestou o para-barro do caminhão para que a artista pintasse a frase “Rio Que Grita” e assumiu o compromisso de contar, pelas estradas do país, que Sapucaí significa “rio que grita” ou “rio que canta”.
Para Nilton Campos, a presença das obras em diferentes pontos permite que a exposição mobilize tanto os espaços quanto as pessoas da cidade. “O que mais me chamou a atenção na exposição, é que a Joyce, ao fazer essa proposição artística, ativa a própria cidade, fazendo com que os moradores repensem suas origens e suas referências no espaço urbano”, afirma.
Enrico Rocha sintetiza essa relação no texto de apresentação da mostra: “A cidade participa”.
Serviço
Exposição | Rio Que Grita
De 11 de julho a 9 de agosto
Período
Local
Cidade de São Gonçalo do Sapucaí
São Gonçalo do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais - MG
Detalhes
A Galeria Murilo Castro recebe a exposição Vertido, nova mostra individual de Pedro Varela, com curadoria de Shannon Botelho. Reunindo um conjunto inédito de pinturas, colagens sobre tela e
Detalhes
A Galeria Murilo Castro recebe a exposição Vertido, nova mostra individual de Pedro Varela, com curadoria de Shannon Botelho. Reunindo um conjunto inédito de pinturas, colagens sobre tela e uma instalação, a exposição apresenta uma inflexão recente na trajetória do artista, colocando em diálogo imagens recorrentes de seus mais de vinte anos de produção com novos elementos que surgem em sua pesquisa.
A exposição tem pinturas de grandes e médias dimensões, colagens sobre tela, um conjunto de pinturas de pequenos formatos e uma instalação. Em Vertido, Pedro Varela apresenta obras realizadas com tinta acrílica diluída, explorando diferentes densidades da matéria pictórica. Em alguns momentos, a pintura se aproxima da delicadeza da aquarela; em outros, adquire espessura e intensidade. As imagens conduzem o visitante por paisagens submersas em que memórias, arquitetura, vegetação, figuras humanas e recifes de coral coexistem em um mesmo ambiente poético.
“As imagens mostram paisagens submersas em águas profundas e flores ‘feitas de sangue’, ambos líquidos que criam um diálogo poético. A água do oceano evoca memórias e sentimentos que muitas vezes podem ser mais turvos. Já o sangue, apesar de líquido, traz um princípio ígneo, uma pulsão de vida, um impulso de criação”, explica Pedro Varela.
Ao mesmo tempo em que apresenta trabalhos inéditos, a mostra revisita diferentes momentos da trajetória do artista. Elementos presentes em fases anteriores de sua produção reaparecem transformados pelo ambiente subaquático que estrutura a exposição. Papéis recortados tornam-se colagens sobre telas, cidades e castelos retornam como imagens que oscilam entre memória e ficção, enquanto flores, florestas e, agora, recifes de corais ampliam o repertório visual do artista. A figura humana, incorporada mais recentemente à sua pesquisa, permanece presente em obras como Iara e Jantar, misturando-se à flora aquática.
“Outro ponto interessante é que nessa exposição trarei alguns momentos dos meus últimos 20 anos de produção artística ‘imersos’ nesse ambiente subaquático. Os papéis recortados viram colagens sobre telas feitas com tons aquarelados de tinta acrílica. As cidades e castelos voltam evocando memórias que se confundem com narrativas fictícias. As flores e florestas continuam como paisagem submersa ao lado de recifes de corais, que são uma novidade na minha produção. A figura humana como protagonista, que surgiu na minha última exposição, continua aparecendo em pinturas como Iara e Jantar, mas estes humanos se misturam com a flora subaquática”, afirma o artista.
No texto curatorial, Shannon Botelho destaca que Vertido propõe uma experiência de imersão em que pintura, memória e tempo se entrelaçam continuamente. “A água não conserva as coisas, ela as transforma. Abaixo da superfície, o tempo adquire outra espessura. Os contornos se deslocam, as cores se alteram, as distâncias já não obedecem à mesma medida. Nada permanece exatamente como era, mas tampouco desaparece. Em Vertido, Pedro Varela faz da pintura um ambiente de imersão, onde as imagens atravessam diferentes tempos e reaparecem continuamente, como se a própria matéria da tinta preservasse o movimento incessante das águas”, escreve o curador Shannon Botelho.
Ainda segundo o curador, embora não se trate de uma retrospectiva, a exposição faz coexistirem signos, procedimentos e materiais que atravessam mais de duas décadas da produção de Pedro Varela, convidando o público tanto ao reconhecimento quanto à descoberta. Para Botelho, “a pintura faz do tempo uma matéria sempre disponível à transformação”, enquanto memória e imaginação reinventam continuamente as paisagens apresentadas na mostra.
Serviço
Exposição | Vertido
De 18 de julho a 22 de agosto
Segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábados, das 10h às 14h
Período
Local
Galeria Murilo Castro
Rua Saturno, 10 - Santa Lúcia CEP 30360-560 - Belo Horizonte - MG
Detalhes
Detalhes
Criadas no silêncio e na força da Serra da Mantiqueira, as pinturas de Pachamanca pulsam serenidade e, ao mesmo tempo, dinamismo. As composições abstratas de sua produção artística conduzem a um fluxo meditativo que acalma e desperta o observador. “Minhas telas são oráculos silenciosos que se comunicam por meio de sensações, cores e símbolos”, define a artista visionária. Pachamanca nasceu em Salvador (BA), onde se formou em administração e iniciou uma bem-sucedida carreira. Morou nos Estados Unidos e no interior de São Paulo até que, em 2009, encontrou Gonçalves e decidiu abrir mão de um alto e agitado padrão de vida para se conectar à terra, à mata e ao autoconhecimento.
Cozinhar e desenhar são paixões e talentos que Pachamanca herdou da avó paterna e da mãe, também artista. Na cidade mineira, ela empreendeu na gastronomia e no social. Teve um restaurante e, posteriormente, criou um espaço de convivência artística gratuito, no contraturno escolar, para crianças e adolescentes da cidade. Nesta nova fase, em seu estúdio isolado e cercado pela natureza, Pachamanca cria cada obra a partir de pequenos círculos que formam um traçado sinuoso e contínuo e percorrem toda a tela. Os tons telúricos e pulsantes – marrom, ocre, terracota, laranja – preenchem os espaços definidos pelo traço inicial, conferindo novas formas, movimentos e colorido. “Busco um diálogo entre ancestralidade e modernidade, convidando a uma imersão sensorial, provocativa e inspiradora”, afirma.
Com curadoria de Rui Neuenschwander, a exposição “Quando a Alma A cor da” acontece no espaço Gabinete de Curiosidade, no centro de Gonçalves, durante todo o mês de agosto e se soma ao vibrante movimento cultural da cidade. Vários ateliês e galerias foram inaugurados recentemente e, ao lado dos artistas locais, transformaram as poucas ruas do pequeno município mineiro em um interessante itinerário de intervenções artísticas de diferentes estilos, técnicas e materiais.
Serviço
Exposição | Quando a Alma A cor da
De 01 a 30 de agosto
Sextas e sábados das 10h às 18h e domingos das 10h às 14h
Período
Local
Gabinete de Curiosidades
Rua Joaquim Ferreira de Souza, s/n Gonçalves - MG
