arte em isolamento
Alberto da Veiga Guignard Paisagem de Sabará, 1950. Acervo MASP

Em decorrência da pandemia do coronavírus, medidas de prevenção têm sido tomadas em todo o território nacional, como campanhas de higiene, fechamento de estabelecimentos de comércio não essencial, recomendações para evitar grandes aglomerações e, com o decreto de quarentena, o isolamento social.

“Cada pessoa, tomando cuidado com si própria, permitirá que os outros não se infectem”, é o que afirma o professor Paulo Lotufo, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, diretor do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica da USP. Infelizmente, nem todas as parcelas da população podem se isolar em casa, seja por conta do trabalho informal “uberizado”, seja por falta de moradia (neste caso, projetos como da Pastoral do Povo de Rua e Pimp My Carroça estão mobilizando pessoas e fundos), entre outros motivos.

No meio desse rebuliço, a arte é panaceia e fundamental para manter nossa sanidade. Tendo isso em vista, as seguintes instituições culturais e galerias estão contornando a pandemia de diferentes formas utilizando a interface virtual. Confira:

Pintura de Édouard Vuillard, ‘A princesa Bibesco’, terminada em meados dos anos 1920. Na pintura uma mulher senta sozinha em casa à noite, com um abajur ligado e uma janela alta e descoberta às suas costas
Édouard Vuillard, ‘A princesa Bibesco’, circa 1920. Acervo MASP

MASP

Já eram conhecidos o MASP Aúdios e a parceria do MASP com o Google Arts & Culture, que resultou na exibição online de 1.000 dos 8.000 ítens do acervo permanente do museu. Como forma de contornar o isolamento, a instituição começou o MASP em casa que revisita esse acervo e traz o perfil das obras em postagens nas suas redes sociais. A primeira publicação trouxe a história das quatro estações pintadas por Delacroix e adquiridas pelo museu em 1958. Continuando a investir em uma empreitada digital, o MASP lança também o [Curadoria] Em Casa e uma série de lives no Instagram. O primeiro convida a equipe curatorial do museu a escrever, a partir de uma perspectiva pessoal, sobre uma obra ou lembrança de alguma forma relacionada ao MASP. O segundo tem início em seis de abril, com a participação do diretor artístico do museu Adriano Pedrosa e a curadora-adjunta de histórias Lilia Schwarcz para falar sobre “histórias” e como elas são traduzidas de forma plural dentro do museu.

MAM Online

No perfil do MAM no Google Arts & Culture é possível visitar algumas exposições online que foram exibidas no museu ao longo dos anos. Fora isso, com a iniciativa #MAMOnline, o museu tem criado diversas ações para promover conteúdo à distância. Com Histórias do Acervo, a equipe do MAM aborda obras que o museu possui trazendo um pouco da sua trajetória na legenda do registro; em Artista da Semana, a proposta é parecida, mas o foco são os criadores; também têm playlists com o MAM Para Ouvir, e oficinas, contação de histórias e brincadeiras no MAM Educativo, que acontece todas as quartas-feiras. A série Histórias do MAM convida uma pessoa da própria equipe da instituição para escolher e destrinchar uma obra pertencente ao museu ou que fez parte de alguma exposição temporária. No mês de março os trabalhos escolhidos seguem a linha do Mês da Mulher.

Por último, o MAM também dá continuidade aos seus cursos funcionando agora por video conferência. O curso Filosofia e arte contemporânea com a crítica de arte Magnólia Costa teve início no dia dois de abril e segue até nove de julho. A primeira aula, sobre Lucian Freud, foi liberada pelo MAM em seu canal no YouTube, a partir da segunda lição, no dia nove de abril, as aulas são pagas, sendo essa uma das vias do museu conseguir se sustentar durante o período de isolamento.

Apartamentos. Fotografia de German Lorca, 1952. Cortesia do MAM SP

Galeria Superfície

Galeria Superfície iniciou em 24 de março o AO VIVO COM, projeto de bate-papos online que serão realizados durante terças e quintas-feiras às 18h00, durante três semanas; ao todo serão seis conversas. A proposta é reunir duas pessoas do mundo da arte para uma conversa descontraída e virtual – cada convidado participará pelo live de seu respectivo Instagram. Os temas são diversos, abordando desde processo criativo aos desafios paras as instituições culturais e, inevitavelmente, curadoria em tempos de coronavírus. Na página do Instagram da galeria já estão disponíveis os participantes e as respectivas datas.

Kogan Amaro

Desde 19 de março, a Galeria Kogan Amaro faz uma série de takeovers com seus artistas: eles tomam o controle de suas redes sociais por alguns dias, divulgando registros de seus trabalhos, detalhes das obras e curiosidades sobre o processo de criação. Antes de entregar o controle aos artistas, a galeria faz a sua introdução. Já fizeram parte da empreitada Élle de Bernardini, Tangerina Bruno e Fernanda Figueiredo.

Galeria Millan

A partir de 9 de abril, a Galeria Millan começa uma série de lives em seu Instagram. O artista Paulo Pasta é o primeiro convidado, seguido do fotógrafo Bob Wolfenson e Regina Parra.

Pinacoteca 

Em suas redes sociais, a Pinacoteca de São Paulo iniciou o projeto #PinadeCasa, no qual todos os dias pela manhã a instituição publica a foto de uma das obras de seu acervo com uma análise e curiosidades trazidas por um de seus curadores. Algumas revisitações também serão feitas em forma de stories.

Leitura, Almeida Júnior, 1905. Na pintura, uma mulher, com longos cabelos, senta-se à varanda e lê um livro
Almeida Júnior, Leitura, 1905. Foto: Acervo Pinacoteca

SIM Galeria e Simões de Assis

Em conjunto, as duas galerias trazem em suas redes sociais uma série de conteúdos – em português e inglês – sob o chapéu Percursos da Arte, para trilhar as trajetórias dos seus artistas dentro da História da Arte, em especial no Brasil, desde o início do século XX. Entre os artistas já evidenciados estão Cícero Dias, Alfredo Volpi e José Pancetti. Os conteúdos também são adaptados para os stories das galerias.

Instituto Tomie Ohtake

O Instituto liberou acesso ao conteúdo completo da publicação educativa desenvolvida pelo seu Núcleo de Cultura e Participação para a individual de Murakami, cuja exposição física se encerrou há pouco. Nela estão disponíveis tanto os arquivos digitais da publicação quanto narrações em áudio de obras selecionadas. Também foi feito um vídeo em libras para contextualizar a exposição. Ademais, o Tomie Ohtake realizou uma visita virtual guiada por Mariana Palma, cujos trabalhos estariam expostos até o dia 5 de abril. Por último, vale conferir o podcast Amplitudes, que está disponível no site do instituto.

Galeria Estação

A Galeria Estação já vinha compartilhando em seu Instagram obras da exposição Mulheres na Arte Popular que conta com uma seleção de trabalhos de Conceição dos Bugres, Elza de Oliveira Souza, Izabel Mendes da Cunha, Madalena Santos Reinbolt, Maria Auxiliadora, Mirian Inês da Silva Cerqueira, Noemiza Batista dos Santos e Zica Bérgami. Agora, a galeria disponibiliza o catálogo da exposição na internet. Ele pode ser acessado através do Instagram da Estação.

arte em isolamento
Sem título, Mirian Inêz da Silva Cerqueira, 1938. Cortesia da Galeria Estação

CCBB

A exposição Egito Antigo: do Cotidiano à Eternidade foi vista por mais de 1,4 milhão de pessoas no Rio de Janeiro e veio para o CCBB São Paulo há pouco. Ela ficaria exposta até o dia 11 de maio, por conta das recomendações de isolamento o Centro Cultural está fechado, logo resolveram disponibilizar na internet as principais obras presentes na mostra! É com o aplicativo Musea que você pode acessar a exposição que por inteiro conta com 140 peças emprestadas pelo Museu Egípcio de Turim (Itália), casa da segunda maior coleção egiptológica do mundo. Importante destacar que estão disponíveis recursos de audiodescrição, audioguia e Libras; nesse momento é ainda mais necessário falar de acessibilidade digital.

Galeria Lume

A Galeria Lume lançou um concurso em seu Instagram, o Quarentena com Lume incentiva os seguidores da rede social da galeria a tirar uma foto usando a hashtag #isoladosmasnuncasozinhos e marcar a Lume. São seis semanas do concurso e três etapas, cada uma delas terá um tema e um jurado diferente que era escolher os três melhores participantes. Ao final do período, os participantes selecionados serão premiados com uma obra da galeria e suas obras farão parte de uma exposição no Anexo da Galeria Lume. O regulamento e outros detalhes estão disponíveis no Instagram da galeria.

Galeria Jaqueline Martins

A Galeria, que expôs nos online viewing rooms da Art Basel Hong Kong, está dando destaque a um acervo de videoarte que pode ser acessado em seu site e está vindo à público também pelas redes sociais.

Fortes D’Aloia e Gabriel

Nas redes, a galeria está colocando o holofote tanto em artistas quanto em obras, mas as literárias. A Fortes D’Aloia e Gabriel pediu para que artistas como Luiz Zerbini, Leda Catunda e Jac Leirner fizessem recomendações de leitura para a quarentena. Brecht, Haruki Murakami e Anthony Knivet já entraram para a lista. 

Zipper

No site da galeria é possível fazer uma visitação online das duas individuais expostas no momento: Museu de novidades, de Marcelo Tinoco, e Na raiz / Caminho / Pelos laços / Passarinho., de Vitor Mizael. 

Galeria Nara Roesler

No seu Instagram, podemos ver algumas das obras com uma breve porém bem emaranhada descrição; desses trabalhos, já foram publicadas postagens sobre Vik Muniz, Artur Lescher, Daniel Buren e Antonio Dias. Além disso, pode ser encontrado no site da galeria amplo material sobre os artistas. Começado em 28 de março, a galeria lançou o projeto “Ping-Pong: Uma série de conversas com nossos artistas no Instagram Live”, que acontece por meio do seu Instagram. O primeiro episódio contou com a participação do curador Luis Pérez-Oramas e de Vik Muniz.

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