Início Site Página 105

Trabalhar com memória é trabalhar com o presente

João Fernandes fala no V Seminário Internacional ARTE!Brasileiros, intitulado "Arte além da arte". Foto: Marina Malheiros

Destruição da Amazônia, guerra contra as artes. Apesar do clima de catástrofe, o curador João Fernandes chega otimista. “O Brasil no meio de toda dimensão trágica de sua história, sempre conseguiu criar formas de superar esses traumas”, observa de sua nova sala, na avenida Paulista, exatamente do outro lado da sede do Instituto Moreira Salles.

Respeitado no circuito internacional, Fernandes esteve à frente da Fundação Serralves, no Porto, entre 1996 e 2012, hoje uma das mais renomadas em arte contemporânea, e atuou seis anos como diretor artístico do Reina Sofia, em Madri, instituição essencial para a criação de novas narrativas na história da arte.

Conhecedor da arte brasileira em profundidade, visitante regular do país desde 1998, quando indicou a representação portuguesa na bienal que tratou da Antropofagia, Fernandes conta seus novos planos em sua nova função:

ARTE!Brasileiros – Como é chegar em um momento tão dramático no Brasil, que até a noite chega no meio da tarde?
João Fernandes – Eu fiquei admirado, não sabia o que estava passando, imaginei que no inverno São Paulo escurece às 15h da tarde (risos), como ocorre na Alemanha.

Pois é, mas chegar em meio a tudo isso não carrega uma certa urgência, apesar de o IMS ter tido mostras muito relevantes sobre a história e o momento brasileiro como Corpo a Corpo, Conflitos ou mesmo da Claudia Andujar, A luta Yanomami, nos últimos dois anos?
Eu vim para o Brasil porque achei que era importante estar no Brasil. Reconheço que o convite me surpreendeu, estava longe de minha expectativa sair do Reina Sofia tão cedo. Mas quando João [Moreira Salles] e Flávio [Pinheiro] me pediram para pensar na possibilidade de assumir a diretoria artística do instituto, há um ano, confesso que fiquei muito fascinado. Isso porque conhecia uma parte dos acervos do instituto e da sua programação e, ao mesmo tempo, acho que o instituto tem uma condição ideal em sua autonomia com seus acervos e suas práticas para poder trabalhar no Brasil. Sei que não é fácil construir uma instituição no Brasil, mas tampouco é em Portugal, meu país. O museu que trabalhei em Portugal foi o primeiro museu de arte contemporânea do país e foi criado só no final do século 20. Apesar de aqui os museus terem começado antes, sei que a institucionalidade não é fácil.

Por tudo isso, acho que o instituto é uma das instituições mais possíveis para se relacionar com a memória e o presente, porque a memória não pode ser indistinta do presente, como o presente não pode ser indistinto da memória. Isso foi o que me levou ao Reina Sofia, pois me interessava muito como o Manolo [Manuel Borja-Villel] constrói um ponto de vista sobre a história a partir da história da arte e a história da arte a partir da história, o que faz o Guernica não ser apenas uma obra-prima da história da arte, mas também um documento importante de um momento de conflito que revela uma história a partir do ponto de vista dos vencidos e não dos vencedores, que é quem em geral condiciona as narrativas históricas nos museus e nas instituições. Então, trabalhar com os acervos do Moreira Salles é poder trabalhar com o melhor de uma cultura que sempre me fascinou, e na língua que eu falo.

O que também me interessou no convite para meu trabalho curatorial foi não ficar confinado em um tipo de especialização, de uma arte que se constitui por certos estereótipos para se chamar de arte contemporânea, o que é paradoxal com a história da arte no século 20, que sempre teve formas híbridas. Então poder trabalhar com acervos e uma programação que permite cruzar literatura, fotografia, artes visuais, cinema é para mim um desafio fascinante.

Sede do IMS em São Pauloo. Foto: Pedro Vannucchi/Divulgação

Mas e chegar nesse momento tão difícil?
Aí confesso que acho que o Brasil nunca vai deixar morrer a esperança. O país já passou por situações muito difíceis, como todos os países que viveram o mundo colonial. No caso do Brasil, essa experiência bárbara e atroz, que perdura para além do próprio período da escravatura, deixa feridas abertas pelas marcas, traumas e cicatrizes. Mas o Brasil, no meio de toda dimensão trágica de sua história, sempre conseguiu criar formas de superar esses traumas.

O Hélio Oiticica criou a famosa frase…
Da adversidade viemos! E na adversidade encontrar a alegria em meia a tristeza mais profunda. O Brasil sobreviveu a ditaduras terríveis, houve momentos em que a condição humana foi fragilizada em termos das condições políticas e econômicas, das marcas do colonialismo. Em meio a tudo isso, o Brasil constrói uma cultura inacreditável. E me interessa particularmente a forma como a cultura brasileira subverte a distinção entre cultura erudita e popular. Isso acontece na música, nas artes visuais, no cinema. Isso sempre me fascinou muito.

Quando comecei a trabalhar com arte isso se tornou muito claro, porque não havia textos brasileiros lidos em Portugal, seja de Mário Pedrosa, seja de Ferreira Gullar ou mesmo de Hélio Oiticica, nenhum deles era conhecido. Quando descobri que o MoMA pensava em publicar os textos do Mário Pedrosa, disse para eles que quando esses textos fossem traduzidos para inglês os cânones da História da Arte iriam mudar. E de fato, eles traduziram e passaram a dar importância a ele. Precisam ainda descobrir como Walter Zanini constrói um conceito de museu, que é outro capítulo na história dos museus no século 20.

Há tanta coisa por aqui que abre caminhos, que critica os caminhos dominantes nos centros clássicos da construção da modernidade, das vanguardas, da geopolítica do mundo, que fazem a minha presença aqui um grande desafio e uma grande possibilidade de trabalho. Por isso tudo, confesso que nada abala minha crença que o Brasil irá sobreviver e creio que a cultura tem um papel nisso.

E essa é uma das razões que trabalho com arte, que é essa coisa maravilhosa de ninguém pensar ou sentir uma obra de arte da mesma maneira. Todos nós temos impressões distintas diante de uma sinfonia, ninguém vê um quadro da mesma maneira e quando vê da segunda vez já vê de forma diferente. E essa característica da arte, que permite radicalizar sem ao mesmo tempo fragilizar o sentimento de comunidade, é o que eu acredito ser o papel dos museus, das instituições culturais, das salas de concerto e teatro, ou mesmo da rua. A experiência da diferença, de estar juntos sendo diferentes, é muito importante. E a arte é das atividades humanas que estimulam isso, que ensina a construir comunidade e estar juntos a partir das diferenças de sentir e de pensar, mesmo em um país tão crispado como o Brasil é. Afinal, a estruturação desse país se deu com tanto ódio, que se manifestou em formas de ameaça à condição humana — a escravatura tem papel central nisso, é dos holocaustos mais hediondos da história da humanidade. Tudo isso se manifesta ainda, infelizmente, presente na falta de respeito às questões raciais, às culturas ancestrais, à natureza. Mas por isso mesmo a arte e a cultura têm sobrevivido e criado novas formas, erudita ou popular, que fazem do Brasil uma situação única, isso afirmo talvez por ser minha língua, mas tudo isso se tornou um convite irrecusável.

De fato, apesar de tudo que está ocorrendo há a percepção de que as instituições culturais têm tido um crescimento de público.
Eu cheguei há uma semana e vi acontecimentos maravilhosos. A energia que existe nesse momento no Brasil é muito única. O Panorama da Arte Brasileira é uma exposição notável, que foge aos estereótipos da arte contemporânea que se vê nas bienais de arte, não falo aqui de nenhuma em específico, que começam a parecer feiras de arte. Já no Panorama, encontra-se uma brasilidade que não é nacionalista, mas de conexão com as culturas populares, com os temas do presente, com culturas vistas como marginais, e tudo isso conflui de maneira muito original. Tive ainda a felicidade de ver uma mostra do Flávio de Carvalho onde o Teatro Oficina apresentou O Bailado do Deus Morto, feita na década de 1930, um texto que liga diretamente uma experiência pós-colonial com uma cultura universal, de matriz neoclássica e europeia – aquelas máscaras são gregas, de certa forma, conseguem ser gregas e brasileiras. Também assisti à estreia do Bacurau, do Kleber Mendonça, que é um momento único na história do cinema: além de ser o western mais antifascista já feito, é também a possibilidade de um western popular e que reinventa um gênero, sem cair em estereótipos. Tudo isso em uma semana de Brasil.

Sede do IMS. Foto Pedro Vannucchi/Divulgação

E como você pretende trabalhar no Instituto Moreira Salles?
Confesso que por um lado vou aprender muito mais do que até agora conheço, em relação a tudo que aconteceu na arte e na cultura brasileira, e quero aprofundar toda uma série de possibilidades que os acervos do instituto oferecem e mesmo o cruzamento destas áreas, que é uma coisa que sempre gostei de fazer, aproximar artes performativas de artes visuais, da literatura. Há sincronias no tempo de obras de Lygia Clark com Clarice Lispector, e muitas interrogações podem surgir dessas sincronias, desses universos paralelos. Mas também tenho consciência que o Brasil é tão longe de outros lugares do mundo e muita coisa não passou por aqui e pode ser conhecida. Ao mesmo tempo acho importante que esses acervos magníficos do instituto e sua relação com a memória e o conceito de documento sejam levados ao mundo.

Isso é uma missão, eles pediram que você trabalhasse esses acervos no exterior?
Não. Mas conhecendo esses acervos e como são desconhecidos no mundo, não há como não pensar nessa urgência. É preciso conhecer as coisas maravilhosas que existem aqui, até porque o Brasil tem sido visto em muitos estereótipos que foram criados. Se eu puder contribuir para isso é importante. É fantástico compreender como Claudia Andujar, que nem nasceu aqui mas ela chega aqui e percebe que uma das riquezas do Brasil, se encontra nesse tesouro maravilhoso que são as culturas indígenas. E ela vai lá, vive com eles e passa a ser como uma embaixadora. E ela ainda é pouco conhecida. Semelhante a ela tem o Lothar Baumgarten, que a partir da Alemanha e de Humboldt vem também para o Brasil e uma de suas primeiras obras na Europa é Eldorado, prefiro estar lá do que no norte da Westphalia, que é uma frase do Voltaire, até ele já tinha essa consciência. Enfim, estes dois nomes mostram como há uma universalidade no Brasil que é muito fascinante e pode se desdobrar em programações, em momentos.

Então você pretende mostrar o Lothar? Dá para falar sobre algo do que você pretende trazer para a programação?
Eu não estou ainda em condições de apresentar um programa, acabei de chegar, estou a conversar com as equipes. Primeiro quero ouvir muito. E fico feliz em chegar e ter uma ótima programação definida para o primeiro ano, é uma felicidade chegar e ter uma mostra abrindo do Harun Farocki, com quem nunca trabalhei, mas respeito muito. É uma das obras que mais motivam o pensamento entre cinema e sociedade, história política e novas formas de narração.

Minha primeira atitude, então,  é conhecer como trabalha o instituto, como trabalham suas equipes, seus programadores e, pouco a pouco, constituir com eles uma identidade na programação.

Acho que uma instituição tem que ter uma identidade na programação, o instituto tem possibilidades únicas para a interação dos seus arquivos e por uma ação muito particular na integração com o conceito de memória. Quem tem arquivos como o instituto tem uma obrigação, que é de propor preservar uma memória, mas preservar memória é também construir um ponto de vista sobre essa memória e um ponto de vista que se ponha em discussão. Memória é sempre algo coletivo, algo para ser discutido, porque quem trabalha com memória trabalha com o presente. Então, voltando à sua questão inicial, se o instituto fez exposições como Corpo a Corpo e Conflitos, não há como não continuar fazendo exposições assim.

 

CCSP recebe exposição de cartazes retirados da Ancine

O Festival Verão Sem Censura, realizado pela Secretaria Municipal de Cultura de SP, expõe no Centro Cultural São Paulo (CCSP) os cartazes retirados pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), pela nova gestão do órgão, indicada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em dezembro, a ANCINE retirou de suas paredes, em sua sede no Rio de Janeiro, cartazes de filmes brasileiros que estavam expostos desde 2002. Os cartazes retirados estampavam obras nacionais que discutiam temas urgentes e provocadores. A realização da exposição tem o intuito de reafirmar a visibilidade de produções com temáticas LGBTQIA+ e apoiar a liberdade de expressão e a diversidade do cinema brasileiro.

Outros aparelhos da cidade de São Paulo recebem atividades ligadas ao festival, que tem a intenção de acolher manifestações culturais que sofreram algum tipo de censura nos últimos anos, de exposições a peças de teatro. Na programação de mostras, a Biblioteca Mário de Andrade tem, a partir de 17 de janeiro, a exposição Banidos, que apresenta um acervo de livros raros censuradas na história da literatura.


Exposição com cartazes de filmes censurado
de 17 a 31 de janeiro
Centro Cultural São Paulo: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo
Mais infos: (11) 3397-4002

 

Antônio Bandeira, Laura Vinci e Vicente de Mello têm individuais no MAM-SP

Cerca de 60 obras de Antonio Bandeira podem ser visto no MAM São Paulo em exposição individual do artista até 1º de março. Com curadoria de Regina Teixeira de Barros e Giancarlo Hannud, a exposição Antonio Bandeira reúne obras de diferentes fases da produção do artista, desde as primeiras pinturas figurativas até as grandes telas de tramas, criadas nos últimos anos de sua carreira.

Sob curadoria de Felipe Chaimovich, mostra com duas obras de Laura Vinci, na Sala de Vidro do museu, foca na pesquisa da artista em torno da arte e da ecologia. Com a mesma curadoria, o artista Vicente de Mello é o escolhido para o Projeto Parede, no qual apresenta o trabalho intitulado Pli selon pli, inspirado em peça do compositor e maestro francês Pierre Boulez.

Chaimovich também é curador da coletiva de livros de artistas elegeu produzidos de forma artesanal ou que tenham sido publicadas por editoras alternativas. Figuram livros de artistas como Almandrade, Anna Bella Geiger, Antonio Dias, Betty Leirner, Dora Longo Bahia, Julio Plaza, León Ferrari, Marcius Galan, Nuno Ramos, Paulo Bruscky, Regina Silveira e Rosângela Rennó.


Individuais Vicente de Mello e Laura Vinci; coletiva Livros de artistas
até 16 de fevereiro
Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP): Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portões 1 e 3)
Mais infos: (11) 5085-1300

Comitê Internacional para Museus publica carta em defesa do MAR

O MAR, na Praça Mauá, Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

O CIMAM (Comitê Internacional para Museus e Coleções de Arte Moderna e Contemporânea), organização afiliada ao ICOM (Conselho Internacional de Museus) e que reúne mais de 600 diretores e profissionais de museus de arte pelo mundo, publicou esta semana um apelo à Prefeitura do Rio expressando sua preocupação com a situação do MAR (Museu de Arte do Rio).

Em dezembro de 2019, um repasse de R$ 451 mil da Prefeitura garantiu o funcionamento do MAR até o fim do ano e o fim do aviso prévio dado aos funcionários do museu. O repasse, no entanto, não supre as despesas para este ano de 2020 e, no contexto da crise econômica que atinge a cidade, novos repasses ao Instituto Odeon (entidade que administra o MAR) estão ameaçados.

“O CIMAM deseja expressar sua profunda preocupação com a atual capacidade do MAR de assegurar salários e serviços a partir de 2020”. No comunicado, o comitê pede ao prefeito Marcelo Crivella que mantenha o financiamento público ao museu. O MAR, fundado em 2013, segue o texto, “conquistou reconhecimento mundial por combinar uma visão artística internacional com programas educacionais e por focar comunidades de baixa renda”. A perda das verbas públicas resultariam no colapso do museu, afirma o CIMAM.

Por fim, o comitê também reconhece o amplo leque de ações realizadas pelo movimento artístico MAR VIVE, que já reuniu quase 45 assinaturas em carta aberta pedindo proteção ao museu. “Isso mostra o impacto social de longo alcance e a importância deste museu único”, conclui o texto.

Programação especial marca últimas semanas da mostra de Cildo Meireles

“Eureka/Blindhotland” (1970-1975). Foto Carol Mendonça/ Divulgação

Uma das maiores e mais completas exposições já realizadas do artista carioca Cildo Meireles, “Entrevendo” chega à sua reta final com programação especial no Sesc Pompeia. A mostra, que foi tema de uma grande reportagem na edição 49 da ARTE!Brasileiros (leia aqui), reúne cerca de 150 obras, entre instalações, quadros, esculturas e desenhos.

Os curadores Júlia Rebouças e Diego Matos, além de Marília Loureiro, assistente de curadoria, realizam seis visitas guiadas pela exposição, com percursos roteirizados, com o intuito de apresentar a riqueza poética e narrativa da trajetória de Meireles. As visitas são gratuitas e acontecem às 19h dos dias 14 e 28 de janeiro com Júlia Rebouças; 21 e 30 de janeiro com Diego Matos; e 23 de janeiro com Marília Loureiro. Ingressos devem ser retirados na bilheteria uma hora antes de cada atividade, para até 20 pessoas.

Além disso, o Teatro do Sesc Pompeia receberá três sessões de curtas-metragens sobre a obra de Cildo, seguidas de conversas com convidados. No dia 15 de janeiro, serão exibidos Inserções em circuitos ideológicos (1970/2013), dirigido pelo próprio artista, e o curta Cildo Meireles (1979), de Wilson Coutinho. O bate-papo será com a pesquisadora, historiadora e curadora Aracy Amaral e com mediação do curador Diego Matos.

No dia 22 será exibido o filme Gramática do Objeto (2000), de Felipe Sá e Frederico Morais. Após o filme, o crítico e curador Frederico Morais falará ao público com mediação da curadora Júlia Rebouças. Por fim, no dia 29 será apresentado o registro em super-8 da instalação Eureka/Blindhotland (1975) em sua primeira montagem, na Área Experimental do MAM Rio. Júlia Rebouças e Diego Matos comandam a conversa com participação de Cildo Meireles. Os três eventos no Teatro serão realizados às 20h e são gratuitos, com ingressos distribuídos na bilheteria uma hora antes de cada atividade.


Cildo Meireles: Entrevendo

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93, São Paulo
Até 02 de fevereiro
Entrada gratuita

“Leçons de la pierre”, de Ícaro Lira

O texto a seguir é de autoria da curadora francesa Elena Lespes Muñoz, escrito para a mostra Leçons de la pierre, de Ícaro Lira. A exposição está em cartaz na Galeria Salle Principale, em Paris, até 1 de fevereiro de 2020. Esta é a primeira exposição individual do artista na França. A tradução para o português é de Marta Lança.


*Por Elena Lespes Muñoz 

Pacientemente e um pouco ao acaso, porém com uma curiosidade concentrada, ele tira da caixa o conteúdo que vai dispondo no chão. A imagem devota de uma Virgem azulada, um pedaço de pano endurecido que parece cartão costurado, uma carta manuscrita cujas primeiras linhas foram lidas sem as tentar entender e pequenas fotografias amareladas com cantos redondos e acizentados. Espalhados desta forma, montados como um quadro no atrito da areia, o conjunto funciona por afloramentos. Não que esses objetos venham da mesma caixinha de metal para dizer algo comum – o tempo, a costura da história -, mas esse ato de organizar e de montar que Ícaro engendra, tem algo de edição. Documentário ou ficção, não interessa.

Sentada ao seu lado, vejo-o manusear os objetos no sótão da minha bisavó. Sem timidez, mas com a modéstia do estrangeiro em território íntimo, levanta tampas, puxa papéis de uma pilha de documentos, sopra poeira, pára em miniaturas de objetos infantis presas por uma corda áspera -, passa rapidamente para outros, faz perguntas, ouve. Não podemos dizer que está à procura de alguma coisa, mas essa ténue atenção que ele dá aos objetos, histórias que eles podem ou não contar, aos seus eventuais deslizes para outras histórias, reencontraria mais tarde ao caminhar nas ruas de Londres, trocando ideias sobre a exposição que estávamos preparando para a Galeria Salle Principale.

De há uns anos para cá, Ícaro Lira, um artista brasileiro de quem a primeira exposição individual em França foca a questão do deslocamento, controle e isolamento social. Uma história de fissuras e deslocamentos, a história da migração é mais do que uma história de origem – de onde se vem -, é uma história de circulação e de demarcação – onde se vive, onde permanecemos, o que foi preciso para aí ficar. Uma demarcação em relação à terra nativa, é claro, mas também àquela sofrida, implícita ou explicitamente, na terra de recepção. O que é viver em algum lugar? Pertencemos ao lugar onde moramos? O que define a nossa pertença a determinado lugar? A que é que, mas também a quem somos estrangeiros? Dos territórios do nordeste brasileiro de onde ele vem e onde nunca pára de voltar, às ruas de São Paulo, Londres, Paris, Nápoles ou uma pequena vila andaluza, o artista vive em passagem. Não mais viajante do que exilado ou migrante, Ícaro Lira não celebra o nomadismo, mas está interessado nas transfigurações – políticas, económicas, sociais, mas também íntimas – que as circulações engendram. A partir das suas viagens, que são sobretudo encontros, traz objetos de volta: ripas de madeira, pedras, quadros, lixo, documentos administrativos, artigos de imprensa, mas também entrevistas em áudio e notas pessoais. Tantos traços com histórias singulares que, justapostos e em conjunto, formam uma malha de significado frágil aberta à interpretação.

Assim, pela acumulação díspares de detalhes, talvez inicialmente inócuo, algo provém do seu trabalho. Forma-se algo parecido com uma narrativa, ou algo que toma o lugar do rascunho do voluntário. Para silenciar o espaço, avançar nas histórias, deixar surgir as aproximações, como arquivista consciente, Ícaro Lira dedica-se, no entanto, à tarefa que lhe parece ser incumbida. Com as regras de classificação, separação e atribuição, prefere o acumular modesto e discreto de objetos heterogéneos e as linhas de fuga abertas por associações efémeras. Dizer mas preferir não. Procurar contar a história de trajetórias íntimas ou coletivas por agrupamentos frágeis e pouco ruidosos, para dar a ver linhas de significado irredutíveis às grandes narrativas. E com a voz monótona, prefere o arquivo íntimo, forma físsil e não homogénea por excelência. Assim, o deslocamento de um objeto sempre será possível e, com ele, uma escrita que incessantemente não se consegue concluir-se. Talvez seja o que Ícaro está tentando fazer aqui, um cesto de ficção[1]: uma história que seria contada a partir de cacos e papéis enfiados às cegas no bolso da calça Jeans.

Os objetos e documentos coletados e montados por Lira constituem um agenciamento plástico a par de uma dicção poética. Assemelha-se a uma prosa interior na qual o olhar e o pensamento vêm fundir-se aos gestos repetidos de deslocamento, de justaposição, de separação, de recuperação e associação. Os objetos funcionam igualmente como significantes como sinais. Para lá do valor documental que uma fotografia tirada da revista Paris Match ou que uma nota de mil cruzeiros possa ter, parece-me que existem dois modos de se relacionar com o real. O primeiro baseado numa lógica de índice, o documento, como um vestígio, referindo-se a um regime específico de conhecimento e de representação, é um veículo de acesso ao passado. A essas histórias prolongadas no tempo e aos silêncios que, para se tornarem de membranas tão finas, devem a existência ao palimpsesto de vozes e de memórias. Mas, mesmo assim, seria imediatamente devedor na sua função de prova pelas manipulações e deslocamentos que o artista lhe fez passar. O outro, mais precário, revelaria um pensamento: um pensamento como aquilo que resiste precisamente ao inteligível. Neste sentido, com detalhes tais como uma romã seca ou um pedaço de ardósia, Ícaro trabalha mais com conotações do que com certezas, conseguindo, na sua própria insignificância, atingir algo do real. Seria errado conceber esses documentos e objetos como único meio de acesso aos fatos, buscar nos seus pormenores uma linha de sentido que lhe concedesse toda a importância e justificasse a sua presença no dispositivo aqui implantado. Em vez disso, levam-nos a pensar em como aceder os fatos que conseguem contar. Duas edições da imprensa nacional brasileira – A Folha de São Paulo – uma de 8 de abril de 2018, outra de 29 de outubro de 2018, estão dispostas lado a lado, no chão, no papel que serviu para proteger e transportá-las. Uma anuncia a prisão de Lula, outra a nomeação de Bolsonaro para presidente do Brasil. Ícaro transportou consigo esses dois números na mala, por um ano, sem saber o que lhes haveria de fazer. Nem o fazer com aquilo que eles enunciam. Leveza, não tenho certeza – preso / peso (prisioneiro / peso). A sua materialidade resiste ao discurso.

As montagens de Ícaro iludem qualquer forma de integração num discurso excedente, são avessas à linearidade e demonstração. Preferindo a possibilidade de investimento íntimo à síntese de um discurso totalizador. O paradigma de indexação é, portanto, bloqueado. Depositados aqui e ali, objetos como um pedaço da rocha obsidiana, figurinhas de Chiquilin ou um livro, acompanham as obras – elas próprias feitas de outros objetos -, enfatizando a sua dimensão material e irredutível. A obra torna-se, assim, o espaço expositivo de uma coleção pessoal, onde se pode ler trechos de histórias, que giram constantemente em torno dos vestígios que Ícaro vai recolhendo. Nesse conjunto os objetos nunca funcionam em bruto, mas engajados numa lógica de montagem e de exibição. Portanto, é menos a restituição de uma história que se desenrola diante de nossos olhos do que um relacionamento íntimo com ela.

Por essa abordagem que não pretende de todo fechar-se, mas oferecer-se, como escuta, à pluralidade de histórias e vozes, à sua vulnerabilidade, Ícaro Lira dá conta de uma profunda empatia pelas experiências vividas. A exposição na galeria Salle Principale aparece como um nó. Um nó temporário de vozes, encontros e histórias, de territórios atravessados, habitados e carregados em cada um, de temporalidades distintas constantemente reconduzidas por colagens renovadas. Neste sentido, não atua no modo da instituição, mas mais no ato de quebrar e abrir. A enunciação é plural e especular. Faz-se ouvir de repente, nas sequências e articulações da montagem, no eco dos encontros que o viram nascer e que faz suscitar.


Lições de pedra, título da exposição, é extraído do poema A Educação pela Pedra, de João Cabral de Melo Neto, publicado em 1965.

[1] “(…) todos já ouvimos falar de paus, lanças e espadas, de todos esses instrumentos com os qual atacamos, se perfura e se bate, dessas coisas longas e duras. No entanto, não ouvimos nada sobre a coisa em que colocamos outras coisas, o recipiente e as coisas que ele contém.
Esta é uma nova história. ”Ursula Le Guin, em“ Teoria da ficção-cesta ”(título original: The Carrier Bag Theory of Fiction, 1986).


*Elena Lespes Muñoz vive e trabalha em Paris. Historiadora de arte (Universidade de Paris I e Universidade de São Paulo). Coordenou projetos em arte contemporânea na Fundação Kadist. Trabalhou na associação Artesur (dedicada à arte contemporânea na América Latina) e na Galeria Aline Vidal, além de curadora de exposições (Le bruit des choses qui tombent, FRAC-PACA, 2017; Video SUR, Palais de Tokyo, 2018). Atualmente, é gestora de comunicação e mediação da CAC Brétigny.


Leçons de la pierre, de Ícaro Lira
Até 1 de fevereiro
Galeria Salle principale: 28, rue de Thionville 75019 Paris, França
Mais infos: +33 9 72 30 98 70 | gallery@salleprincipale.com
Quarta à sexta | 14:00 às 19:00 sábado | 11h às 19h e mediante agendamento www.salleprincipale.com

A arte da palavra na obra de Ana Teixeira

“O que é pra ser são as palavras”. A frase anterior, que a artista Ana Teixeira atribui a Guimarães Rosa, é para ela muito significativa. Crescida em uma família onde a literatura e o cinema eram essenciais, a construção de uma relação forte com o objeto ‘palavra’ foi, para ela, inevitável e progressiva. Alguns desdobramentos disso estão presentes na exposição É tarde, mas ainda temos tempo, individual da artista no Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo.

A curadoria de Galciani Neves reúne também trabalhos inéditos de Ana, como Cala a boca já morreu, uma outra versão dele foi apresentada também na coletiva referente ao 7º Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça — do qual a artista foi uma das 30 finalistas –, sediada no MAB-FAAP entre setembro e outubro do ano passado. Para a sua individual, ela passou dez dias desenhando mais de 40 mulheres em uma das paredes do espaço expositivo, mulheres essas que seguravam cartazes com falas como “Chega de padrões”, “Eu não sou louca, eu tenho opinião”e “Sua opinião sobre meu corpo é sua”.

“Jogar com as palavras é uma coisa que me atrai. Eu acho que a palavra geram desdobramentos que me interessam muito, porque ela gera provocações”, conta Ana.


É tarde, mas ainda temos tempo, de Ana Teixeira
até 2 de fevereiro de 2020
Centro Universitário Maria Antonia: Rua Maria Antônia, 258/294 – Vila Buarque, São Paulo – SP
Mais informações: (11) 3123-5202

Leonor Antunes e a contaminação do experimentalismo moderno

Detalhe de escultura de Leonor Antunes em foto de Fernando Netto/MASP.

A exposição Leonor Antunes: vazios, intervalos e juntas em cartaz no Museu de Arte de São Paulo – Masp parece configurar à primeira vista um desafio ao erudito, mas vai além com um discurso complexo e provocador. As inúmeras referências às obras de arquitetos, artistas, designers do século 20, contidas na produção da artista portuguesa radicada em Berlim, dão corpo a uma espécie de arquivo sobre a produção de nomes fundamentais do experimentalismo moderno, entre eles Anni Albers, Charlotte Perriand, Franco Albini, Clara Porset, Egle Trincanato, Eileen Grey, Eva Hesse, Franca Helg, Gego, Lygia Clark e Ruth Asawa. Todos refletem a ruptura e criação de novos códigos nas artes e promovem indiretamente um encontro entre as suas produções.

Dentro dessa constelação, Lina Bo Bardi, arquiteta que assina o projeto do Masp, é o eixo central da mostra que se estende para a Casa de Vidro, no Morumbi, também projetada pela arquiteta e onde morou com seu marido, Pietro Maria Bardi. A curadoria é de Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro em uma exposição que se destaca das demais em cartaz no museu por algumas singularidades. Instalada no primeiro subsolo, a mostra se conecta diretamente com o desenho de Lina: Vazios, intervalos e juntas é uma alusão aos espaços criados por ela em sua arquitetura e dá título à mostra. A peça Villa Neufer, uma escultura feita a partir de uma escada de Albini, abre a exposição. De uso cotidiano, mas com particularidades artísticas e de design, que Amanda denomina espaço vernacular e não canônico, a escada exibe cordas vermelhas que se referem aos trepantes de Lygia Clark e ao mesmo tempo dialoga diretamente com a emblemática escada vermelha de Lina que une dois pisos.

Os trabalhos de Leonor Antunes, em sua maioria, são verticais e geométricos e ocupam um espaço todo envidraçado onde as esculturas parecem flutuar. No piso, Planos em Superfície Modulada, 1952, pintura geométrica de Lygia Clark se dilata por todo o território da exposição. Esta obra marca o deslocamento da pintura para fora da moldura e dá início à sua famosa série Bichos. Pesquisadora apaixonada, na busca incessante de associações entre a produção de vários artistas, Leonor Antunes promove descobertas que se revelam ao longo da mostra. Albini, amigo e cúmplice de Lina no conceito do saber ver e fazer, aparece em vários trabalhos da artista. “Ambos são autores de experiências radicais no contexto italiano do pós-Guerra. Quer Albini, quer Lina viveram a idade adulta durante o regime fascista na Itália, o que lhes trouxe muitas oportunidades de experimentação em termos expositivos simbólicos”.

Dentro do repertório desses artistas há trabalhos que espelham uma contaminação que permite trocas e demonstram historicidade. Os biombos da entrada da sala são feitos a partir de detalhes de duas cadeiras: uma desenhada por Lina para o Masp, e outra por Albini para a Villa Neufer, na Itália. Uma das pernas da cadeira de Lina se funde à perna da cadeira de Albini. Há este tipo de associação, mas este é só um exemplo”. Desse recorte parcial, pode-se acompanhar alguns sistemas construtivos inventados pelos artistas. Chama a atenção um elemento ampliado a partir de uma peça que Lina viu na casa da cubana Clara Porset, no México. Leonor Antunes, em 2015, fez uma exposição na Kunsthale Basel, na qual ela associa a figura de Lina com a figura de Clara. Ambas têm percursos semelhantes, são mulheres que emigram para um outro país onde desenvolvem um trabalho extraordinário ligado ao mobiliário e ao desenho, envolvendo a comunidade indígena e a popular mexicana.

Leonor Antunes constrói peças que intervêm na arquitetura onde são mostradas e o recorte no Masp é desafiador. “Expor neste museu é uma das minhas conquistas. Quando o Adriano Pedrosa me convidou fiquei muito feliz, não só porque admiro e trabalho sobre o universo da Lina há anos, mas também porque o Masp respeita a herança da arquiteta, e a revê na contemporaneidade. Ali se faz um trabalho sério”. A montagem privilegiou a relação da arquitetura do museu com o exterior, abriu as cortinas e deixou a cidade entrar com sua luminosidade natural promovendo a articulação do coletivo e privado. “Como o edifício é tombado e não pude furar o teto, inseri umas grelhas de madeira embutidas dentro dos cubos da sala, como se já pertencessem ao local e daí pude suspender alguns trabalhos”.

A artista vive em Berlim desde 2005, cidade que ela considera responsável pela internacionalização de seu trabalho. “Se tivesse permanecido em Portugal teria sido muito difícil, ou mesmo impossível. Essa mudança foi fundamental na reestruturação do modo como geri minhas pesquisas e consegui materializar o meu trabalho”. Ela fala de uma metrópole desejada por artistas de várias áreas e países, onde muitos passam e alguns ficam e trabalham. “Hoje em dia, assim como em muitos outros lugares, é assustador assistir ao `renascimento` da extrema direita”. A artista tem posições ideológicas definidas sem se preocupar como o mercado de arte. Quando representou Portugal na Bienal de Veneza em 2019, chegou a declarar que se os partidos de direita PSD ou CDS estivessem no poder ela se recusaria a participar. “Minha escolha não é partidária e sim ideológica. Hoje Portugal é um dos poucos países que têm governo de esquerda. Não possui pavilhão próprio em Veneza, (como o Brasil), e a iniciativa de participar da bienal é do Ministério da Cultura, com orçamento muito reduzido”. Ela comenta que o pavilhão dos Estados Unidos é privado e caso fosse governamental nenhum artista que ela conhece representaria o governo de Donald Trump. Comento a falta de mobilização dos brasileiros e a discreta participação de artistas e intelectuais na luta por mudanças. “Os artistas são os primeiros a não se calarem diante de governos reacionários. A arte também é uma forma de demonstração de desencanto com o mundo, ou não. É muito triste o que se passa com o Brasil. Infelizmente a onda populista também atinge outros países e todos nós sabemos onde estão as fontes”.

Leonor Antunes: vazios, intervalos e juntas está em cartaz simultaneamente às exposições de Anna Bella Geiger e Gego e fecha o eixo temático Histórias das mulheres, histórias feministas, que ocorreu ao longo de 2019 no Masp.


Leonor Antunes: vazios, intervalos e juntas 
Até 12 de abril de 2020
Masp: Avenida Paulista, 1578

ESTE ARTE abre os trabalhos das feiras em 2020

Oskar Metsavaht, “Arquétipo”, 2019

Até 08 de janeiro, a ESTE ARTE estará com a 6ª edição em Punta del Este, Uruguai. A feira de arte internacional apresenta uma seleção única de galerias regionais e internacionais e artistas modernos e contemporâneos.

Nessa lista, artistas brasileiros figuram em estandes de galerias tanto nacionais quanto estrangeiras. O artista Oskar Metsavaht, por exemplo, tem duas obras expostas na galeria Reginart Collection – especializada em artistas do século XX, como Dalí, Miró, a Escola de Paris, Léger, Matisse, Modigliani, Picasso e os mestres italianos dos anos 60. No estande, a galeria traz ainda Maria Carmen Perlingeiro, Armando Marrocco, Romain Sarrot e Claude Viallat.

Elle de Barnardini, Sem título, da série “Formas contrassexuals”, 2019.

No espaço da Galería Zielinsky (Espanha), há a presença de trabalhos do brasileiro João Farkas junto a obras de artistas argentinos e uruguaios, como Yamandú Canosa e Diego Pujal. Na Piero Atchugarry, de Miami, Tulio Pinto é o brasileiro com obras em destaque.

Três casas brasileiras participam da ESTE ARTE. A Galeria Karla Osório, de Brasília, apresenta obras de Elle de Bernardini, Catalina León, Lucia Tallová, Daisy Xavier e Luca Benites. Na Galeria Aura (São Paulo), podem ser vistas obras de Renato Custodio, Camilla D’Anunziata e Marcelo Macedo. Por sua vez, a Galeria Mario Cohen (São Paulo), leva grandes nomes de seu acervo, como Ellen Von Unwerth, Pierre Verger, Sebastião Salgado, Otto Stupakoff e Elaine Pessoa, dentre outros.

Orun – SESC Carmo

 “Orun” é uma instalação da artista Paula Scamparini originalmente montada para um edital do Oi Futuro, no Rio de Janeiro. A mostra está em cartaz, agora, no Sesc Carmo, em São Paulo, até o dia 10 de janeiro de 2020.

São 63 monitores suspensos, espalhados pela galeria de exposição da unidade, que mostram depoimentos de pessoas de diversas etnias sobre o entendimento do “céu”. De acordo com a produtora executiva de Orun, Raquel Valadares, Paula se preocupou em reunir uma grande diversidade de pessoas na obra, indo para quilombos, aldeias indígenas, interiores: “Com isso, a gente consegue fazer um céu do Brasil bastante diverso”.

Assista à entrevista completa com Raquel no vídeo acima.


Orun

Até 10 de janeiro
Sesc Carmo: Rua do Carmo, 147 – Sé, São Paulo – SP
Mais informações: (11) 3111-7000