A leitura de A virada decolonial na arte brasileira (Editora Mireveja), de Alessandra Simões Paiva[1] –, trouxe várias questões que, embora digam respeito à cultura e à arte produzida no Brasil, são de naturezas distintas e necessitam, portanto, que sejam pensadas separadamente.
As primeiras estariam ligadas à produção de obras de arte que, antes da “virada decolonial”[2], já distanciavam-se de pressupostos artísticos e estéticos estabelecidos na Europa e nos Estados Unidos durante o modernismo. A própria autora atenta para este fato e, portanto, seria importante rememorar aqui algumas obras produzidas após o final da Segunda Grande Guerra no Brasil, pensando-as como “preparadoras” do campo decolonial.
Um segundo conjunto de questões também deve ser debatido: os posicionamentos teóricos contidos no livro de Alessandra Paiva, que propõem estratégias metodológicas para se pensar a recente arte produzida no Brasil, entendida pela autora como fruto de uma “virada decolonial”.
Por último – e antes de nos determos nos dois conjuntos de questões acima mencionados –, acredito ser importante refletirmos sobre a maneira subserviente como alguns intelectuais brasileiros encaravam a arte e a cultura locais, frente à Europa e aos Estados Unidos. A sobrevivência dessa submissão até os dias de hoje torna-se um complicador para pensarmos a questão do decolonial na arte estudada por Paiva.

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Dou início a essas ponderações atentando para os posicionamentos sobre arte e cultura brasileiras defendidos por dois intelectuais aqui nascidos ainda no século 19. Meu objetivo é que elas esclareçam contra quem e contra o que surgiu entre nós a necessidade de se levar adiante a virada decolonial – o tema do livro de Paiva.
O primeiro deles, o escritor e crítico de arte Gonzaga Duque, a certa altura do seu romance Mocidade Morta – e por meio do personagem Camillo (seu alter ego) –, pondera sobre a impossibilidade de uma arte nacional e sobre como nós brasileiros deveríamos atuar como herdeiros da Europa:
[…]Nós outros, americanos, somos produtos de um amontoado de todas as raças, em que predomina mais esta do que aquela e, portanto, a nossa vida espiritual resulta da afinidade da raça predominante que, para nós brasileiros, é a latina, pelo ramo português […]
[…] A nossa preceptora espiritual… é a Europa. Dela recebemos as ideias coordenadas, etiquetadas, prontas para o consumo de seres mentais […][3].
O outro intelectual seria Menotti Del Picchia, atuante como romancista, jornalista e político. No dia 6 de abril de 1924, Del Picchia publica uma síntese do discurso proferido poucos dias antes por Washington Luís[4], por ocasião do banquete que a comunidade italiana de São Paulo lhe oferecera. A síntese produzida por Del Picchia traduziu o que um dos mais importantes políticos brasileiros da época pensava sobre o Brasil e os brasileiros, pensamentos em concordância com aqueles do intelectual:
Deu ele [Washington Luís em seu discurso] uma clara e concisa estrutura orgânica – definida na sua ossatura, especializada nas suas vértebras – a uma complexa série de ideias, cuja confusão trazia como consequência estéreis debates e improfícuos mal-entendidos.
“Somos um país de imigração”. Todo o plasma etnológico que constitui uma nacionalidade – tirante uns minguados extratos indígenas, não amalgamados ou absorvidos – e resultante da deslocação dos excessos de população de outros países. As bases da nossa raça, cuja coluna vertebral é lusa, compõem-se de um babélico complexo de tipos humanos, trazidos a bordo dos navios oriundos de outros céus e de outros climas. Não temos o preclaro orgulho dos gregos, que blasonavam perder-se a origem do seu povo nas brumas lendárias dos autóctones, saídos da Terra como os maravilhados ouvintes da lira orfeônica. Nossa civilização, puramente ocidental, foi de enxerto e veio no bojo das caravelas dos primeiros colonizadores e depois nos navios a vapor dos imigrados.
E a síntese continua:
“Vivemos com a imigração ocidental, nascemos dela, viveremos com ela”.
Se tal é uma verdade, dela decorrem consequências capitais para a apreciação dos fenômenos sociológicos brasileiros. A ausência de um elemento basilar étnico indígena, com longa história, com um caráter milenariamente típico, característicos morfológicos especiais – registrando-se apenas a preponderância latina – afasta a hipótese da aparição do meteco do “estrangeiro”, no sentido do transplantado. Fácil é, pois, no nosso ambiente, a adaptação do imigrado, o qual não pode sentir, de parte dos nativos, essa instintiva hostilidade natural, que se manifesta naqueles povos com um caráter racial típico, plasmado por uma longa elaboração histórica [5].
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Hoje em dia chega a ser constrangedor perceber como nos dois textos – apesar de todas as diferenças[6] – sobressaem o silêncio e o descaso pelos indígenas que aqui viviam, quando chegaram os colonizadores, e pelos africanos que para cá foram trazidos como escravizados. Para Gonzaga Duque e Del Picchia era como se esses dois contingentes simplesmente não existissem.
Para reforçar a importância do lançamento de A virada decolonial, é importante negar que tais preconceitos hoje em dia já tenham sido superados. A presença ainda rarefeita de pessoas negras e indígenas nas mais diversas áreas da sociedade aponta para a permanência de uma estrutura racista que dificulta a todos entenderem que o termo “brasileiro” deve abarcar mais grupos étnicos, do que apenas aqueles que para cá vieram “no bojo das caravelas dos primeiros colonizadores e depois nos navios a vapor dos emigrados”.
Ainda persiste no Brasil a subserviência que a elite branca sempre nutriu pela Europa. Desejosa de ser “herdeira” da civilização europeia, não consegue entender duas questões cruciais: mesmo sendo formada por “brancos e brancas” – e, portanto, euro-descendentes –, não somos europeus; por outro lado, essa elite não entende também que a arte e a cultura aqui produzidas não são – ou não deveriam ser – meras derivações do que foi produzido na Europa e, mais recentemente, nos Estados Unidos.
É por contribuir para o afastamento desta dimensão colonizada da sociedade que considero fundamental o lançamento de A virada decolonial na arte brasileira. O livro tem todas as condições para, pelo menos, diminuir uma lacuna significativa do debate local: se em diversas áreas das ciências humanas a questão decolonial nos últimos anos no Brasil já ganhou visibilidade incontornável, fazia falta entre nós uma publicação que enfrentasse essa questão no campo das artes visuais.
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A virada decolonial reune uma série de artigos publicados por Alessandra Paiva durante os últimos anos e é justamente esta característica que, a meu ver, empresta-lhe uma vivacidade e uma urgência pouco vistas em trabalhos realizados por acadêmicos[7].
O fato de ser uma coletânea de artigos para a imprensa traria uma ou outra reflexão mais superficial da autora? Sim, sem dúvida. Dirigidos a um público diversificado e certamente com limites de espaço etc., percebe-se que a autora nem sempre pôde aprofundar um ou outro argumento. Mas isso não retira o interesse do livro.
A meu ver, este é o preço que A virada decolonial paga por distanciar-se dos paradigmas do “bem escrever” da academia, optando pelo enfrentamento. Alessandra Paiva se vale de um discurso rápido, ativista e engajado na apresentação e valoração das transformações que percebe na cena brasileira. Nos vários textos que compõem a publicação, o objetivo é proclamar e enaltecer a virada decolonial nas artes do país.
A autora discute sobretudo a produção de artistas afro-descendentes, originários e LGBTQIA+ – fato que, como será visto, determina a condição decolonial – confrontando-a com o racismo estrutural e com aquela subserviência à Europa (e aos Estados Unidos), percebida em Gonzaga Duque e Del Picchia, mas que poderia ser encontrada em muitos textos de alguns intelectuais hoje atuantes.
É notório também que Paiva – apesar da urgência presente em todos os seus textos – opera premissas que nunca abandona e que conferem ao livro um interesse ainda maior. Exemplo: ela nota na produção que estuda que esta estaria menos presa às velhas prerrogativas e aos pressupostos estéticos que durante séculos encabeçaram a produção de arte nos países ocidentais. Assim, Paiva acaba atentando para um fato curioso: grande parte dos artistas que são vistos por ela como responsáveis pela “virada decolonial” no Brasil, além (ou por causa) dessa postura, tende a colocar em segundo plano – e, em alguns casos, até mesmo superar – produções ligadas às modalidades artísticas tradicionais (desenho, pintura etc.), optando por soluções distantes desses preceitos estéticos tradicionais.
Agindo de tal forma, esses artistas, em sua maioria, dariam continuidade a uma produção artística que emergiu com força após o término da Segunda Grande Guerra. Os artistas decoloniais lembrados por Paiva em seu livro, deveriam ser percebidos como formadores de novas gerações que, imbuídas de preocupações com explícito cunho político e ideológico, começam a sobrepor àquela produção oponente aos velhos cânones modernos, outras possibilidades de significação
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O protagonismo (talvez excessivo?) que Paiva concede ao circuito da arte não significa que a autora não reconheça que a “virada decolonial” tenha surgido da produção dos artistas[8]. No entanto, na prática, sua abordagem tenderá sempre a privilegiar os mecanismos institucionais que propiciaram ou que incentivaram o fenômeno:
Nos últimos anos, diversos acontecimentos têm confirmado o fenômeno da virada decolonial na arte brasileira: exposições com curadorias indígenas, como a Véxoa: nós sabemos, na Pinacoteca de São Paulo (2020), e a Moquém Surari: arte indígena contemporânea, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (2021); o Pipa, principal prêmio da arte contemporânea, que vem contemplando majoritariamente artistas decoloniais; grandes projetos de intervenção urbana […], em São Paulo […] e […] em Belo Horizonte, com edições sequenciais contando com grande presença de artistas negros/as e indígenas; representação de artistas decoloniais por parte de importantes galerias; inúmeras publicações na imprensa especializada e livros; eventos em instituições de arte diversas, como museus e bienais […] [9]
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Só após a caracterização dessa “insurgência de artistas e teóricos/as […]”[10] – é que a autora irá se deter na definição do termo “decolonial”. De início, ela explicará o porquê do uso “decolonizar” ao invés de “descolonizar”.
O termo “decolonial” teria sido concebido no âmbito de um grupo de estudos chamado Modernidade/Colonialidade/Decolonialidade (MCD), e formado por intelectuais nascidos na América Latina ou aqui residentes, e que – a partir do final dos anos 1990 – discutirá as relações de poder entre os países europeus (e os Estados Unidos) e o restante do mundo.
Para os integrantes do MCD, a “colonialidade” seria “um sistema que sobreviveu ao colonialismo histórico, mantendo-se ainda na contemporaneidade como matriz das relações assimétricas de poder perpetuadas nos últimos séculos”. Ainda segundo Paiva, a teórica norte-americana atuante na América Latina, Catherine Walsh, explica que, retirar o “s” da palavra “descolonialismo” seria introduzir uma diferença ao “des” castelhano:
Assim, a terminologia estaria mais adequada às diretrizes do grupo, que tem como proposta não apenas desarmar ou desfazer o colonial, mas compreendê-lo e combatê-lo como um fenômeno ainda atual. A autora [Walsh] explica que os termos pós-colonial e descolonial também denunciam as assimetrias de poder resultantes do projeto de domínio e opressão colonialista, porém essas nomenclaturas estão mais ligadas às matrizes teóricas surgidas no contexto da luta pela descolonização do período pós-Guerra Fria e relacionadas aos estudos asiáticos e africanos (de autores como Frantz Fanon, Albert Memmi, Aimé Césaire, Edward Said, Stuart Hall e Ranajit Guha) […]
[…] Enfim, o grupo MCD definiu o termo decolonial como o mais pertinente para se analisar a colonização como um evento permanente, mesmo que com determinadas rupturas.[11]
Continuando seu raciocínio, Paiva refletirá sobre o pensamento decolonial no Brasil afirmando que, apesar “da publicação de inúmeros textos sobre o decolonialismo em diversas áreas, há ainda significativa carência de abordagens que articulam de forma profunda, essa ótica no campo das artes.”[12]
Para preencher essa lacuna – criando assim uma direção possível para os estudos decoloniais sobre a arte no Brasil –, Paiva atentará para dois ensaios de Walter D. Mignolo, estudioso argentino radicado nos Estados Unidos, e membro do MCD[13]. Para a autora esses textos seriam fundamentais para os interessados em entenderem o decolonial nas artes:
Publicados com um intervalo de quase dez anos, eles se articulam entre si para tecer importantes considerações sobre as artes visuais e sua relação com o pensamento decolonialista, seja a partir da análise de obras de alguns artistas, seja apoiado na reflexão sobre as possibilidades de uma crítica de arte decolonial […] seus dois artigos fornecem a maior contribuição científica para uma possível teoria decolonial nas artes.[14]
Concordo com Paiva quando ela estabelece os dois ensaios de Mignolo como referências possíveis para se pensar a “virada decolonial”. E tendo a ir além: a meu ver, retomar esses estudos do pesquisador argentino possibilitará refletirmos sobre aquela questão levantada logo acima: Mignolo nos instrumentaliza para entender que – antes da chegada do decolonial na arte –, já havia, sim, uma produção artística desvinculada da estética moderna tradicional, o que reforçaria a ideia de que o decolonial na arte contemporânea seria mais uma camada a se depositar sobre o debate artístico do pós-guerra, uma camada com forte potencial político, mas ainda assim uma camada nova para um todo anterior.
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O ponto que considero fulcral do primeiro ensaio de Mignolo – Aiesthesis decolonial – é a origem de aiesthesis, base do termo “estética” na cultura ocidental[15]. De origem grega, a palavra foi absorvida pelas línguas europeias significando, de início, “sensação”, “processo de percepção”, “sensação gustativa”, “sensação auditiva”[16]. No entanto, a partir do século 17, o conceito de aesthesis começa a se tornar mais restrito, passando a significar apenas a “sensação do belo”: “Nasce assim a estética como teoria e o conceito de arte como prática”[17].
Se aiesthesis é um fenômeno comum a todos os seres vivos – pois relaciona-se com o mundo a partir de todas as suas possibilidades cognitivas –, “estética” significaria uma teoria criada para pensar tão somente as sensações relacionadas à beleza. Ou seja: arbitrária e historicamente circunscrita, não existiria nenhuma lei universal que tornasse necessária a relação apenas entre aesthesis e beleza. Apesar disso, tal situação teria se fortalecido no contexto do século 18 na Europa, e depois se espalhado “naturalmente” pelo restante do planeta, tornando-se “universal”.
Segundo ainda Mignolo: “a mutação de aesthesis em estética assentou as bases para a construção de sua própria história, e para a desvalorização de toda experiência aesthesica que não tivesse sido conceituada nos termos em que a Europa conceitualizou sua própria e regional experiência sensorial”[18].
A partir da recuperação desse sentido primeiro da palavra aesthesis, Mignolo analisará os trabalhos de alguns artistas da cena norte-americana e europeia, cujas produções subvertem a noção de que a arte seria apenas uma demonstração, na prática, do que preconiza a teoria estética [19]; obras que não se conformariam aos preceitos estéticos da pintura ou da escultura, mas que – por meio da instalação de determinados objetos em espaços institucionais (museus históricos, de arte etc.) –, traziam outras possibilidades de interação com o público, levando-o a ampliar sua percepção cognitiva para além da “beleza”.
Um dado incontornável a ser sempre reforçado: seria a presença de temas raciais, étnicos e/ou de gênero acoplados a essas instalações, o que fundamentaria a prática artística decolonial, separando-a da produção modernista da primeira metade do século passado que, durante décadas, procurou banir o assunto da obra de arte, abrindo novos direcionamentos para a arte surgida após a Segunda Grande Guerra[20].
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Se nesse primeiro ensaio Mignolo rompe com os postulados que ligavam a arte à estética, em Reconstitución epistémica/estética: la aesthesis decolonial una década después o argumento volta a ser tratado, agora de maneira mais aprofundada. Para tanto, o estudioso recupera o conceito de gnosis a partir do novo sentido que lhe conferiu o filósofo norte-americano nascido na República do Congo, V.Y. Mudimbe, que o utilizava para “nomear a práxis do pensar na África” – mais ampla e inclusiva, relacionando-se a toda e qualquer forma de conhecimento. Um tipo de saber que teria sido recalcado pelo pensamento europeu colonizador.
Mignolo distinguirá gnoseologia de epistemologia, afirmando que, se a primeira se refere ao conhecimento em geral, a segunda remeteria apenas ao conhecimento científico. Assim, em contraposição à estética (restritiva) teríamos a aesthesis, e em contraposição à epistemologia (também restritiva), teríamos a gnoseologia.
Após fazer referência à produção do artista guatemalteco Benvenuto Chavajay, o estudioso argentino resume seu pensamento: “pensar decolonialmente é um constante desprendimento (deslinking) da epistemologia moderno/colonial e um constante fazer gnoseológico/aesthesico”[21].
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Essa síntese do pensamento de Mignolo é lacunar, sem dúvida, mas creio que ela estabelece uma base para que possamos acompanhar as demais reflexões de Alessandra S. Paiva em seu livro.
No texto em que a autora, a partir dos ensaios citados, debruça-se na constituição de uma visão decolonial das artes visuais no Brasil[22], além da enunciação e análise dos tópicos mais relevantes pensados pelo pesquisador argentino, explicita-se que o que Paiva mais admira nele é sua atitude como um estudioso e crítico atuante fora das amarras do pensamento europeu. A autora afirma: “Mignolo diz que seu próprio texto não é uma análise, mas um fazer decolonial; afinal, despregar-se da matriz colonial é começar pelo vocabulário”[23].
Esse “fazer decolonial”, esse “despregar-se” do passado colonial presente também no texto de Paiva é, de fato, o que lhe confere aquele caráter de urgência e engajamento já sublinhado. E é ele também quem leva a estudiosa a não se deter – ou a se deter pouco –, na produção que acaba por lhe servir apenas como cenário.
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Reiterando o pensamento do estudioso argentino, Paiva explicará que:
[…] Nas últimas décadas, proliferaram, nas ciências sociais e nas humanidades, diversos estudos que produziram críticas às matrizes do pensamento eurocêntrico, como a própria antropologia da arte, que mostra como o belo e o feio são categorias relativas e mutantes, e que se moldam a cada contexto e tempo histórico[24]
E, além das teorias: “[…] a prática artística fornece as chaves para a sua compreensão. Afinal, uma das grandes tarefas dos artistas […] é o questionamento das próprias linguagens”[25]. Se tais transformações já ocorrem há décadas, o que a questão decolonial teria trazido para o debate? Sobre isso, Paiva irá no mesmo sentido de Mignolo:
É a partir do quesito racial e em sua articulação interseccional com outras questões, tais como gênero e etnia, que o pensamento decolonial passou a questionar mais diretamente os cânones da historiografia artística eurocêntrica, refletidos também na historiografia brasileira […]
[…] é importante enfatizar que a corrente decolonialista não propõe, nas artes, a simples destruição do passado, mas o reconhecimento da heterogeneidade cultural e da pluralidade das formas de expressão artística de origem não eurocêntrica […][26]
Mais uma vez a questão racial em suas articulações com outras demandas presentes na contemporaneidade é que se tornarão o marco de distinção entre a produção decolonial e seus “antecedentes”.
Como será impossível nesta resenha dar conta de todos os inúmeros e interessantes aspectos tratados por Paiva em seu livro, caminho para a finalização desses comentários atentando para as conexões possíveis entre a arte decolonial no Brasil e aquela produção que, por antecedê-la em termos cronológicos, pode ter servido como base para o trabalho de seus autores.
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Se observarmos a cena brasileira a partir de 1960, será visto que uma série de artistas locais desenvolve produções em que os esquemas do modernismo tradicional e “internacionalizado” são superados. Artistas que rompem com a pintura, a escultura e outras modalidades tradicionais, em prol de um experimentalismo que busca um envolvimento mais totalizante e totalizador com público.
Os penetráveis de Hélio Oiticica, por exemplo, podem ser pensados como proposições ligadas a uma concepção mais aesthesica (nos moldes propostos por Mignolo) do que propriamente estética. Neles, o antigo espectador é levado a estabelecer uma relação de cunho totalizante com o ambiente, experimentando sensações ligadas não apenas ao interesse pelo belo. Nos penetráveis pode não haver nenhuma conotação política óbvia, mas é inegável o quanto sua proposta é revolucionária, na medida em que se coloca tão distante das premissas modernistas do início do século passado.
Embora explorem a dimensão sensorial do antigo espectador por meio de outros estímulos, também me parece inegável que a instalações como Desvio para o vermelho (1967/1984), de Cildo Meireles, assim como IN ABSENTIA MD, 1983, de Regina Silveira, provocam igualmente sensações aesthesicas no público. Mais recentemente, trabalhos como Doador (1999), de Elida Tessler e Parede Loos (2016/17) de Ana Maria Tavares também exploram uma relação não restrita apenas ao olhar e ao espaço, mas a uma experiência que se dá igualmente no tempo, envolvendo todos os sentidos do observador.
Por outro lado, é difícil não concordar que a dimensão política dessas obras também faz ressoar posicionamentos ideológicos claros que, se não podem ser acoplados diretamente à “virada decolonial”, assumem atitudes que discutem a suposta supremacia de arte ocidental entre nós: o trabalho citado de Regina Silveira, por exemplo, discute criticamente o excessivo “sombreamento” que a obra de Marcel Duchamp[27] exerce sobre a arte latino-americana. Por outro lado, é inegável a crítica ao racismo e ao proto-fascismo introjetado em determinados segmentos do modernismo europeu percebida em Parede Loos, Ana Maria Tavares.
Estou certo de que essas e outras proposições de artistas surgidos na cena brasileira antes dos anos 2000 formaram uma base para as instalações e intervenções que, nos últimos anos, fazem emergir a virada decolonial detectada por Alessandra Paiva. As propostas de Oiticica, Silveira e outros, como que “prepararam” a cena contemporânea brasileira para a chegada contundente de artistas como Denilson Baniwa, Glicéria Tupinambá, o Coletivo Coletores e tantos outros artistas ou grupos.
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Acima atentei para o fato de que nessa virada decolonial, muitos artistas teriam optado pela produção de instalações e intervenções, em detrimento de obras mais convencionais. O que não significa, portanto, que alguns deles não teriam produzidos obras aparentemente mais tradicionais, mas, nem por isso, menos questionadoras do status quo. O know-how relativo às várias modalidades artísticas possibilitou que obras aparentemente convencionais trouxessem um alto grau de subversão de cânones estratificados, passível de ser percebida pelo observador mais atento.
Essas considerações poderiam ser exemplificadas por algumas obras de Rosana Paulino. Com uma sofisticada formação no campo da gráfica (mas não apenas) – a artista estudou com Regina Silveira, Evandro Carlos Jardim, Claudio Mubarac e Marco Buti – Paulino, sobretudo em suas peças bidimensionais, desconstrói os códigos mais caros ao neoconcretismo brasileiro, acoplando antigas imagens fotográficas de pessoas escravizadas às estruturas dos meta-esquemas de Oiticica.
Essa ironia em relação às projeções utópicas percebidas na estética concreta e neoconcreta, também pode ser detectada na obra Experiência concreta #1, de Jaime Lauriano, que ressignifica uma performance de Lygia Clark – Diálogos das mãos, 1966 – acoplando uma imagem fotográfica do trabalho da artista a outras que documentam a situação desvalida de jovens pretos, atormentados pelo racismo vigente no país.
Clark e a estética neoconcreta também é semantizada com as peças tridimensionais concebidas por Lyz Parayzo que se comportam como armas de defesa/ataque pra a comunidade LGBTQIA+, sempre acossada pela homofobia.
Não se trata aqui de relativizar o impacto que significou e significa entre nós a virada decolonial na arte, associando-a ao passado recente da arte brasileira. Trata-se, isso sim, de chamar a atenção para a potência da arte contemporânea brasileira surgida a partir dos anos 1960 que não pode, não deve e que não é ignorada por muitos dos mais destacados artistas decoloniais.
A meu ver, não é gratuito que Paulino, Lauriano e Parayzo, por exemplo – todos ligados ao discurso decolonial – dirijam seus interesses na desconstrução, justamente, do concretismo e do neoconcretismo. Essas vertentes modernistas da arte local que receberam (e continuam recebendo) os créditos como supostamente as principais vertentes da arte contemporânea brasileira – assim como outras vertentes artísticas aqui introduzidas – possuem uma relação problemática com a realidade social e política do Brasil, podendo e devendo ser criticadas. Não é à toa que, a meu ver, é justamente a partir dessa crítica ao (melhor) passado da arte contemporânea, que se localizou até o presente, uma das partes mais significativas da produção decolonial brasileira[28] .
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Finalizada a leitura de A virada decolonial, e tendo estabelecido aqui essas longas considerações, de Gonzaga Duque às produções de Lyz Parayzo e outros, gosto de pensar o seguinte:
Passados quatro anos de obscurantismo cotidiano, creio que tenha chegado finalmente o momento em que essas novas gerações de artistas e críticos poderão continuar dando vazão às suas poéticas, agora em um ambiente mais propício e acolhedor. Não que essa produção deva parar de apelar para o dissenso e mesmo para o confronto. Mas que o façam a partir de um desejável conhecimento do que foi feito antes e, sobretudo, de como foi feito. Afinal, mesmo com demandas políticas e sociais, quando nos referimos à arte decolonial, antes de qualquer coisa, estamos falando de arte. E nada irá retirar, dessa área tão abrangente do conhecimento, a peculiaridade de seu discurso.
Que a virada continue.
[1] – PAIVA, Alessandra Simões. A virada decolonial na arte brasileira. Bauru, SP: Editora Mireveja Ltda, 2022. Publicação lançada com o apoio da Universidade Federal do Sul da Bahia, onde Alessandra Paiva é docente.
[2] – Que, como será visto a seguir, teria ocorrido a partir da segunda metade dos anos 1990.
[3] – GONZAGA DUQUE, Luiz. Mocidade morta. Rio de Janeiro, Oficinas da Livraria Moderna, 1899, pp.41-42. Com o tempo, o crítico oscilará sobre o que pensava a respeito de uma arte nacional para o Brasil[3]. Porém, sobre a superioridade inconteste e sobre o papel matricial que a arte e cultura europeias exerciam na cena brasileira – em detrimento das outras culturas para aqui trazidas ou que aqui se processavam – nada jamais mudou.
[4] – Washington Luís, entre outros cargos políticos no estado de São Paulo, foi prefeito da capital (1914-1919), governador do estado (1920-1924) e presidente do país (1926-1930).
[5] – Menotti Del Picchia. “Ideias orgânicas de um discurso”. Correio paulistano. São Paulo, 6 de abril de 1924, p. 3.
[6] – O primeiro é um romance, o segundo, um artigo de jornal. Entre ambos, um espaço de tempo de quase 25 anos.
[7] – No livro não existem indicações sobre os locais e as datas em que os artigos foram publicados pela primeira vez.
[8] – Logo no início da apresentação do livro, Alessandra Paiva escreve: “Uma verdadeira revolução está em curso nas artes brasileiras. Trata-se da virada decolonial, fenômeno marcado pelo crescimento exponencial de poéticas que expressam questões como raça, etnia, classe, gênero e geopolítica articuladas de forma interseccional”. PAIVA, Alessandra S. op. cit. p.15.
[9] – PAIVA, Alessandra, Idem, p. 23. Seria o caso de nos perguntarmos aqui se foi a oferta de obras decoloniais que gerou esse interesse das instituições brasileiras ou o contrário. Mas não é objetivo deste texto adentrar nesta seara. Ficará para uma outra oportunidade.
[10] – PAIVA, Alessandra, Idem, p. 25.
[11] – PAIVA, Alessandra S. op. cit. p. 27.
[12] – PAIVA, Alessandra S. op. cit. p. 29.
[13] – Respectivamente os textos “Aiesthesis decolonial” (Calle 14. Revista de Investigación em el Campo del Arte, 2010). https://www.academia.edu/13524090/Aesthesis_decolonial e “Reconstitución epistémica/estética: la aeshesis decolonial uma década Después” (Calle 14. Revista de Investigación em el Campo del Arte, 2019) https://revistas.udistrital.edu.co/index.php/c14/article/view/14132
[14] – PAIVA, Alessandra S. Idem.
[15] – Atento para o fato de que em seu primeiro ensaio, o pesquisador grafará aiesthesis para se referir ao termo que dá origem à palavra “estética”. No segundo trabalho, Mignolo se valerá da grafia aesthesis. Esta resenha respeitará a atitude de Mignolo, grafando aiesthesis ou aesthesis conforme a escolha do autor.
[16] – Daqui viria o termo “sinestesia”, tão usado por vários artistas modernos.
[17] – MIGNOLO, Walter. “Aesthesis decolonial”, op. cit. p. 14.
[18] – Idem, p. 14.
[19] – O artista negro norte-americano Fred Wilson; Pedro Lasch, nascido no México e ativo nos Estados Unidos, e Tanja Ostojic, artista nascida na ex-Iugoslávia, residente na Alemanha.
[20] – Wilson apresenta instalações que discutem o passado escravocrata norte-americano; Lasch, o confronto entre a cultura imperialista espanhola e as culturas pré-colombianas; Ostojic discute a migração forçada de mulheres do leste europeu para países da Comunidade Europeia.
[21] – MIGNOLO, Walter. “Reconstitución epistémica/ estética…”. op. cit. p.20.
[22] – PAIVA, Alessandra S. “A visão decolonial nas artes a partir de dois artigos antológicos de Walter Mignolo” IN PAIVA, Alessandra S. A virada decolonial… op. cit. p. 153 e segs.
[23] – Idem, p. 164.
[24] – PAIVA, Alessandra S. “A Virada decolonial na arte Brasileira”. IN PAIVA, Alessandra S. A virada… op. cit. págs. 35-36.
[25] – Idem. P. 36.
[26] – Idem, págs. 36-37.
[27] – E, portanto, toda a arte moderna, mesmo aquela mais “conceitual”.
[28] – Sobre o assunto, consultar um texto desta coluna, publicada em 02 de outubro de 2019, “Concreto, neoconcreto: a semantização continua”. https://artebrasileiros.com.br/opiniao/concreto-neoconcreto-a-semantizacao-continua/
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, de 10 de outubro de 2025 a 11 de janeiro de 2026, a exposição Loli World – Um mundo além da Arte Urbana, de
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta, de 10 de outubro de 2025 a 11 de janeiro de 2026, a exposição Loli World – Um mundo além da Arte Urbana, de Michael Devis. Com entrada gratuita, a mostra reúne 25 obras imersivas, sensoriais e musicais selecionadas entre os trabalhos mais recentes do artista curitibano. Em uma experiência lúdica, o público é convidado a mergulhar no universo recriado por Devis a partir das sensações despertadas em suas viagens pelo mundo.
Nesse espaço mágico e interativo, personagens como As Lolitas, ícones do trabalho de Devis, vivem em um mundo com capivaras rainhas, teclados gigantes, sons, luzes, quadros, colagens. O artista busca estimular o imaginário e aguçar as percepções sensoriais do público, compartilhando fragmentos de suas vivências nas ruas — seja pela representação de culturas regionais, com seus ícones e sonoridades típicas, seja pelas cores vibrantes da nossa brasilidade.
“Loli World é um mix de caos colorido, porém organizado, que reflete o desejo de integrar as pessoas a esse mundo que eu sinto nas ruas e instalado em memórias vividas”, explica Michael Devis. “Reflete a imersão que eu vivo diariamente pintando nas ruas do Brasil. Agora de uma forma organizada, consigo me conectar com as pessoas por outros sentidos e não apenas pelo visual, refletindo em memórias palpáveis e acessíveis a elas. Criar memórias boas nos conecta além daquele momento e isso me motiva na pintura na rua”, conclui.
Para enriquecer a experiência sensorial de todos os visitantes, a mostra oferece uma integração única e personalizada para autistas, pessoas com síndrome de Down, deficiências motoras, cegos e indivíduos em situação de vulnerabilidade social. O objetivo é proporcionar vivências que dialoguem com seus projetos pessoais, valorizando suas singularidades. Trata-se de uma iniciativa que promove diversidade e inclusão por meio de um engajamento sensorial e participativo.
Serviço
Exposição | Loli World – Um mundo além da Arte Urbana
De 10 de outubro a 25 de janeiro
De terça a domingo, das 9h às 19h
Período
Local
CAIXA Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111 – Centro – SP
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A última exposição de 2025 da Pinacoteca, “Trabalho de Carnaval”, é uma coletiva com obras de 70 artistas de diferentes gerações e origens, como Alberto Pitta, Bajado, Bárbara Wagner, Ilu Obá
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A última exposição de 2025 da Pinacoteca, “Trabalho de Carnaval”, é uma coletiva com obras de 70 artistas de diferentes gerações e origens, como Alberto Pitta, Bajado, Bárbara Wagner, Ilu Obá de Min, Heitor dos Prazeres, Juarez Paraíso, Lita Cerqueira, Maria Apparecida Urbano, Rafa Bqueer e Rosa Magalhães.
A mostra no edifício Pina Contemporânea expõe 200 obras dentre adereços, projetos de decoração e documentação histórica em fotografia e vídeo, além de comissionamentos de projetos inéditos dos artistas Adonai, Ana Lira e Ray Vianna.
Dividida em quatro temas – Fantasia, Trabalho, Poder e Cidade, “Trabalho de Carnaval” apresenta a maior festa popular do país como uma cadeia produtiva que envolve o trabalho das muitas mãos desde antes mesmo da festa acontecer, ao mesmo tempo em que alude à precariedade e invisibilidade desses profissionais.
NÚCLEOS TEMÁTICOS
O núcleo Fantasia faz referência a dois elementos característicos do carnaval: o ato de se fantasiar e a força da imaginação. Projetos e croquis integram a parte central da Grande Galeria, como os estudos de J. Cunha para o carnaval de Salvador e Joana Lira para as decorações de rua do Recife.
Discussões sobre as condições de trabalho da festa são apresentadas no núcleo Trabalho, no qual são apresentadas obras que trazem à tona a representatividade dos trabalhadores.
A relação entre carnaval e espaço urbano ou rural aparece no núcleo Cidade por meio de representações de blocos, cordões, afoxés e outras formas de cortejos. O núcleo reúne obras como as fotografias realizadas por Diego Nigro no bloco de carnaval Galo da Madrugada (2025).
Por fim, o núcleo Poder celebra os encontros de trabalhadores dos canaviais em Pernambuco transformando-se em reis e rainhas do maracatu, assim como mulheres negras e grupos periféricos marginalizados se tornando, por alguns dias, as figuras de comando durante a festa na Bahia: Deusas de Ébano, Reis Momos, Rainhas do Carnaval.
Serviço
Exposição | Trabalho de Carnaval
De 8 de novembro de 2025 a 12 de abril de 2026
Quarta a segunda, das 10h às 18h
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) inaugura a exposição “Memória: relatos de uma outra História”, um dos acontecimentos centrais da Temporada França-Brasil 2025. Com curadoria de Nadine Hounkpatin
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O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) inaugura a exposição “Memória: relatos de uma outra História”, um dos acontecimentos centrais da Temporada França-Brasil 2025.
Com curadoria de Nadine Hounkpatin e Jamile Coelho, a mostra reúne 20 artistas negras da diáspora africana e do continente africano, que se apropriam das artes visuais como campo de elaboração da memória e de reconstrução simbólica do mundo. Suas produções instauram um pensamento decolonial, no qual a arte atua como forma de escuta, reescrita e reexistência.
Participam: Amélia Sampaio, Barbara Asei Dantoni, Barbara Portailler, Beya Gille Gacha, Charlotte Yonga, Dalila Dalléas Bouzar, Enam Gbewonyo, Fabiana Ex-Souza, Gosette Lubondo, Josèfa Ntjam, Luana Vitra, Luisa Magaly, Luma Nascimento, Madalena dos Santos Reinbolt, Maria Lídia dos Santos Magliani, Myriam Mihindou, Na Chainkua Reindorf, Selly Raby Kane, Tuli Mekondjo e YêdaMaria.
Após itinerar por Bordeaux, Abidjan, Yaoundé e Antananarivo, a exposição chega a Salvador — cidade em que a herança africana se manifesta como fundamento estético e artístico — para instaurar um novo capítulo do projeto. No MUNCAB, essas artistas constroem um território de enunciação e reparação, no qual imagem, corpo e gesto tornam-se instrumentos de reconfiguração das narrativas históricas e de afirmação das subjetividades negras.
A exposição é uma realização do Ministério da Cultura, Petrobras e Embaixada da França no Brasil, em parceria com o MUNCAB, sob gestão da Amafro.
Serviço
Exposição | Memória: relatos de uma outra História
04 de novembro a 1º de março de 2026
Terça a domingo, das 10h às 16h30, sábado das 10h às 17h
Período
Local
Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira: MUNCAB
R. das Vassouras, 25 - Centro Histórico, Salvador - BA
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar a exposição Nascimento de Antonio Obá, que ocupa todo o espaço da galeria na Barra Funda com obras inéditas e emblemáticas.
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar a exposição Nascimento de Antonio Obá, que ocupa todo o espaço da galeria na Barra Funda com obras inéditas e emblemáticas. Os trabalhos, desenvolvidos com técnicas distintas como pintura, desenho, instalação e filme, dão continuidade à investigação do artista sobre a construção da identidade nacional, e suas contradições e influências, por meio de ícones e símbolos presentes na cultura brasileira.
O título da exposição surge da ideia de nascimento como marco de um momento, de uma nova existência sobre a Terra. Este evento milagroso também carrega a contrapartida da fortuna e da sorte, que nos acompanha desde a concepção. Para Obá, “Estar sujeito a isso não diz a respeito de uma escolha. Estar sujeito a isso diz a respeito de uma irreverência ao inevitável. Então, o que podemos fazer é demarcar essas várias sortes através do rito, da celebração, do símbolo, da linguagem.”
Cada obra que compõe a exposição confere a essa tentativa de situar a ideia de sorte, fortuna, ora como uma prece, ora com um ritual que celebra isso.
Uma instalação inédita, localizada em um espaço fechado, no fundo da galeria, se refere diretamente a ideia de jogo e de sorte. Nela, colunas de búzios se derramam sobre peneiras de bronze douradas, carregando ovos de cerâmica pintados de vermelho. Os búzios representam elementos de tentativa de leitura da sorte, do destino e da sina, e simbolizam a moeda de troca, que também se transforma em oferenda. Na disposição que se encontram no espaço, os búzios formam colunas que estão ascendendo, como um território de elevação espiritual e de ressignificação da vida ante ao que ela propõe de fatal.
Na entrada do espaço expositivo, um caminho de espadas de São Jorge e Iansã, conduzem até um novo objeto instalativo: um altar com dois troncos que simbolizam o pelourinho. Os troncos estão inteiramente cravejados de pregos — em um deles, os pregos estão voltados para fora; no outro, para dentro — simbolizando proteção e punição e a dificuldade de harmonizar tensões. Entre os pelourinhos, cabos suspendem uma cabeça de bronze com um prumo na ponta. Esta instalação é uma oferenda ao senhor do caminho, portanto, tem uma relação com Exu.
A instalação Ka’a porá (2024), apresentada pela primeira vez na mostra itinerante Finca-Pé: Estórias da terra no CCBB Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, ocupa lugar de destaque na exposição. Esculturas de pés, representando tanto o pé humano quanto o de uma árvore, enfatizam a conexão com o solo. A configuração da obra lembra um pequeno jardim, com troncos dispostos de forma aparentemente aleatória, cada um sugerindo uma direção diferente dentro de um labirinto. O título da instalação deriva do termo tupi ka’a porá, que se refere a um indivíduo que se estabelece e se ancora à terra. A expressão também remete à figura mítica da Caipora, protetora das florestas na mitologia indígena brasileira. Outro elemento simbólico da instalação revisita o conceito de poda, entendido aqui como um ato de violência que rompe com a vida e a natureza.
Telas de diferentes tamanhos e técnicas compõem a narrativa visual da mostra. Um conjunto de 22 pinturas de pequeno formato apresenta a leitura de Obá sobre o Tarô. Nas obras, o artista utiliza de uma mistura de técnicas junto a folhas de ouro, conferindo um tom mágico e fantasioso único às cartas do oráculo. Além dessas, a exposição reúne novas pinturas de grandes dimensões, bem como uma obra pintada diretamente sobre uma das paredes do espaço expositivo. Nessas peças, figuras e símbolos que compõem a identidade brasileira sugerem novas interpretações. A mostra também inclui desenhos inéditos feitos com carvão, nanquim, lápis e têmpera e sobre tela.
O filme Encantado (2024) apresenta uma performance do artista que propõe reflexões sobre sistemas simbólicos — especialmente os religiosos. A ação performática evoca uma perspectiva ritualística, centrada na figura do peregrino, que, em seu gesto, sintetiza elementos de crença, cultura e tradição associados ao imaginário do romeiro.
Com esse conjunto de obras, que atravessa diferentes mídias e simbologias, a exposição reafirma a potência da produção de Antonio Obá na construção de uma poética que investiga identidade, território e espiritualidade.
Serviço
Exposição | Nascimento
De 8 de novembro a 14 de março de 2026
Terça a sexta, das 11h às 19h, sábado das 10h às 17h
Período
Local
Mendes Wood DM
Rua Barra Funda, 216, São Paulo – SP
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Na exposição Tania Candiani: Subterrânea, na Vermelho, Tania Candiani, por meio de bordados, desenhos, vídeos, obra sonora e instalação, transforma as redes subterrâneas das raízes em uma cartografia
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Na exposição Tania Candiani: Subterrânea, na Vermelho, Tania Candiani, por meio de bordados, desenhos, vídeos, obra sonora e instalação, transforma as redes subterrâneas das raízes em uma cartografia tátil de emaranhamentos, na qual a matéria se torna sinal das energias que permeiam o solo.
As obras da individual mapeiam essas teias vivas em que sistemas naturais, não humanos e sonoros convergem, revelando as vibrações e ressonâncias invisíveis que atravessam o domínio subterrâneo.
Cada bordado da série Roots Systems é construído em torno de uma linha do horizonte, uma fronteira entre o que vemos e o que permanece oculto, onde estruturas se expandem pelo solo formando redes que ultrapassam a escala da planta visível. O bordado à máquina carrega o som e a vibração dessas redes em constante movimento.
A mesma série se desdobra em dois conjuntos de desenhos, um em tinta spray e outro em nanquim. No primeiro, raízes de diferentes indivíduos da mesma espécie são gravadas em papel de algodão. São dípticos em que cada indivíduo ocupa uma moldura, mas ambos parecem à beira do toque, expandindo-se a partir de um centro comum. O sopro do spray sugere difusão e indefinição, criação e dissolução. O encontro entre os indivíduos se torna uma zona de passagem e de criação, um espaço intermediário onde algo se comunica, se transforma ou nasce. Candiani fala desses desenhos como expressões de uma comunicação celular, emaranhada, que se aproxima das nebulosas, como sinapses cósmicas.
Os desenhos a nanquim se baseiam em raízes superficiais, que são sistemas radiculares que se espalham próximos à superfície do solo, em vez de se desenvolverem em profundidade. São raízes que se expandem horizontalmente em busca de água e nutrientes em ambientes áridos e solos rasos, são redes que buscam sustento na escassez.
Diferentes campos do conhecimento, como a biologia, a filosofia e as artes, aproximam a arquitetura das raízes superficiais das redes neurais. Estruturalmente, essas raízes se expandem em múltiplas direções, formando tramas conectadas semelhantes às sinapses da malha cognitiva.
Assim como os neurônios trocam impulsos elétricos, as raízes comunicam-se por sinais químicos e bioelétricos entre si, e com fungos e bactérias do solo. Essa rede subterrânea atua como um “cérebro ecológico”, que percebe e adapta o organismo vegetal ao ambiente. Tanto a rede neural quanto o sistema radicular superficial configuram formas de vida rizomáticas, baseadas no emaranhamento: expansões laterais que constroem sentido e continuidade por meio da conexão.
A comunicação subterrânea também é o eixo das obras Subterra: Roots, um vídeo circular e uma paisagem sonora multicanal que ampliam a percepção dessa rede viva. O vídeo, circular como uma escotilha, apresenta um fluxo contínuo de raízes, fungos e microrganismos em movimento, em um mergulho gradual pelas camadas do solo. A paisagem sonora, composta por vibrações subsonoras de baixa frequência, cria uma atmosfera imersiva que evoca o zumbido inaudível das redes subterrâneas em movimento, como um campo de ressonância onde as diferentes matérias se comunicam.
Também integra Subterra: Roots um grande rizotron duplo, construído especialmente para a exposição, no qual crescem plantas de milho. O dispositivo — uma caixa com amplas janelas de vidro onde se desenvolvem as plantas — é utilizado em pesquisas científicas para observar o crescimento radicular e permite acompanhar, em tempo contínuo, o que normalmente permanece oculto no solo.
Nesse trabalho, o sistema radicular deixa de ser apenas representação e se apresenta como corpo vivo em transformação. Ao integrar o processo de crescimento vegetal à experiência expositiva, Candiani aproxima ciência e sensibilidade, incorporando o tempo do movimento subterrâneo que atravessa toda a mostra. Com o longo período de duração da exposição, o rizotron transformará a paisagem da montagem a cada visita a Subterrânea.
A exposição fica em cartaz até o dia 19 de dezembro de 2025 e entre 12 de janeiro e 13 de fevereiro de 2026.
Serviço
Exposição | Tania Candiani: Subterrânea
De 13 de novembro a 13 de fevereiro de 2026
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais, 350, São Paulo - SP
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Uma plataforma que transforma a arte em experiência viva para crianças, jovens e famílias. A Caixa Cultural Salvador recebe a exposição interativa “Lugar Nenhum é Logo Ali“, com entrada gratuita
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Uma plataforma que transforma a arte em experiência viva para crianças, jovens e famílias. A Caixa Cultural Salvador recebe a exposição interativa “Lugar Nenhum é Logo Ali“, com entrada gratuita durante o verão na capital baiana. A exposição faz parte do PLAY Festival e reúne obras que podem ser observadas de perto, exploradas com o corpo, investigadas com curiosidade e usadas como ponto de partida para imaginar novas formas de viver e habitar a cidade.
Voltado para infâncias e juventudes, o PLAY propõe um encontro lúdico com a arte contemporânea por meio de atividades que estimulam a descoberta, sensibilidade e criatividade. As crianças e pessoas de todas as idades são convidadas a caminhar pelo espaço e interagir com obras instaladas no chão, nas paredes e no espaço, criando percursos que estimulam o olhar por diferentes ângulos: de cima, de perto, de lado, caminhando ou até se abaixando para descobrir detalhes.
A exposição tem visitação gratuita e foi pensada para que famílias possam viver a arte juntas, criando conexões afetivas enquanto descobrem novos jeitos de olhar para o mundo. O horário de funcionamento da Caixa Cultural Salvador é de terça a domingo, das 9h às 17h30.
Participam da mostra Vik Muniz, Marepe, Milena Ferreira, Mano Penalva, Laís Machado e Maxim Malhado, com obras inéditas criadas especialmente para esta edição ao lado de trabalhos emblemáticos de suas trajetórias. O diálogo entre diferentes gerações e linguagens artísticas amplia o olhar sobre o cotidiano urbano e seus modos de ver o mundo.
A exposição reúne 18 obras, sendo quatro delas inéditas, que convidam o público a percorrer um território sensorial e simbólico em que cada trabalho propõe uma nova forma de habitar o espaço e de pensar a cidade. Vik Muniz, reconhecido mundialmente por transformar materiais ordinários em imagens extraordinárias, recria imagens conhecidas a partir de materiais inusitados, provocando deslocamentos entre o real e a representação. Marepe, por sua vez, parte do cotidiano do interior da Bahia para criar artefatos poéticos que misturam humor, afeto e crítica social. Enquanto Mano Penalva constrói narrativas visuais a partir da cultura material e do comércio popular, reorganizando objetos e símbolos da vida urbana em novas composições.
Milena Ferreira mergulha nas gravuras e ruínas como lugares de memória, criando instalações e esculturas que evocam o tempo e o pertencimento, como espaço de memória e reconstrução da coletividade. Laís Machado, artista transdisciplinar cuja prática atravessa corpo e performance, propõe experiências imersivas de presença e escuta coletiva, convidando o público a participar de pactos poéticos de memória e intimidade. Já Maxim Malhado traz a força simbólica de suas esculturas e objetos feitos de madeira, palha e linha, materiais que carregam rastros de uso e de vida, transformando a simplicidade em potência simbólica.
Como plataforma que articula arte e educação por meio da experimentação e da reflexão, o Play propõe expandir sua atuação para além do espaço expositivo, com uma programação transversal que conecta diferentes territórios da cidade. Oficinas, ações formativas e atividades públicas desdobram as experiências inauguradas pela exposição, ampliando o alcance de suas propostas e encontros.
Com mais de duas décadas de atuação nos campos da arte e da cultura, Tathiana Lopes aprofunda, nesta curadoria, uma pesquisa sobre a cidade educadora, que transita entre arte contemporânea, espaços urbanos e práticas coletivas.
“Convidei artistas de diferentes gerações e com vivências distintas da cidade de Salvador. Suas obras, algumas emblemáticas e outras criadas especialmente para esta edição, convidam a uma interação direta e lúdica com o público. São instalações com diferentes texturas, materiais e objetos cotidianos que propõem que pessoas de todas as idades circulem, interajam e brinquem pelo espaço expositivo. E, como coautores dessa experiência, se sintam provocados pelos questionamentos que esses trabalhos levantam — as tensões entre espaço público e privado, realidade e ilusão, presença e ausência — para refletir e imaginar outras formas de pensar e ocupar a cidade”, afirma a curadora.
Serviço
Exposição coletiva | Lugar Nenhum é Logo Ali
De 14 de novembro a 08 de fevereiro
Terça a domingo, das 9h às 17h30
Período
Local
CAIXA Cultural Salvador
Rua Carlos Gomes, 57 - Centro, Salvador - BA
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Nome central da história do cinema, com filmes que marcaram gerações, Agnès Varda (1928–2019) também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Ao
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Nome central da história do cinema, com filmes que marcaram gerações, Agnès Varda (1928–2019) também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Ao longo dos anos, consolidou-se como cineasta, mas a fotografia continuou presente em sua trajetória, seja em seus filmes, seja nas instalações artísticas que produziu no século 21. Essa faceta de sua obra, ainda menos conhecida pelo público, é apresentada na mostra Fotografia AGNÈS VARDA Cinema, que abre no IMS Paulista, com entrada gratuita.
A exposição Fotografia AGNÈS VARDA Cinema reúne cerca de 200 fotografias tiradas por Varda, principalmente, entre as décadas de 1950 e 1960. O conjunto traz imagens clicadas em viagens, incluindo registros inéditos na China, em 1957, fotos em Cuba, no contexto pós-revolução, e nos EUA, onde a artista documentou os Panteras Negras. Há ainda fotos feitas em Paris, como as de uma peça encenada pelos Griôs, primeira companhia de teatro negro na cidade. Em diálogo, a mostra apresenta trechos de filmes da autora, enfatizando como o comprometimento social, o olhar afetuoso e o humor caracterizam a sua produção.
Serviço
Exposição | Fotografia AGNÈS VARDA Cinema
De 29 de novembro a 12 de abril de 2026
Terça a domingo e feriados das 10h às 20h (fechado às segundas)
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A exposição internacional Joaquín Torres García – 150 anos, inédita no país, celebra a trajetória de um dos pilares da arte moderna na América Latina, com cerca de 500 itens, entres
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A exposição internacional Joaquín Torres García – 150 anos, inédita no país, celebra a trajetória de um dos pilares da arte moderna na América Latina, com cerca de 500 itens, entres obras e documentos, incluindo pinturas, manuscritos inéditos, maquetes, desenhos e os célebres brinquedos de madeira produzidos pela família do artista uruguaio.
É a primeira vez que esse conjunto tão amplo e diversificado do artista é apresentado no Brasil, com peças que deixarão pela primeira vez as reservas técnicas do museu uruguaio, revelando ao público aspectos pouco conhecidos da produção do artista.
Com curadoria de Saulo di Tarso em colaboração com o Museo Torres García, a mostra aprofunda o entendimento sobre o “universalismo construtivo” e apresenta Torres García como um pensador de alcance global. A pedagogia do Taller Torres García, que defendia que os artistas da América Latina desenvolvessem uma arte própria sem depender das influências europeias e norte-americanas, também é explicada na exposição. A proposta era incentivar cada artista a buscar suas raízes, símbolos e referências locais, criando uma produção mais autêntica e conectada com a cultura do continente — algo que dialoga diretamente com a seleção presente na exposição.
Instituições como o Museo Torres García (Uruguai), o Museu d’Art Contemporani de Barcelona (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona), o Institut Valencià d’Art Modern [Instituto de Arte Moderna de Valência], o Museo de la Solidaridad Salvador Allende (Chile), além de coleções brasileiras como o MASP e a Pinacoteca de São Paulo, contribuem com empréstimos essenciais.
Este projeto conta com incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet e patrocínio da BB Asset.
Serviço
Exposição | Joaquín Torres García – 150 anos
De 10 de dezembro a 09 de março de 2026
Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças
Período
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A Olho Nu, maior retrospectiva realizada pelo prestigiado artista brasileiro Vik Muniz chega ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia). Com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, A
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A Olho Nu, maior retrospectiva realizada pelo prestigiado artista brasileiro Vik Muniz chega ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia).
Com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, A Olho Nu reúne trabalhos fundamentais de diferentes fases da trajetória de Vik Muniz, reconhecido internacionalmente por sua capacidade de transformar materiais cotidianos em imagens de forte impacto visual e simbólico. Chocolate, açúcar, poeira, lixo, fragmentos de revista e arame são alguns dos elementos que integram seu vocabulário artístico e aproximam sua produção tanto da arte pop quanto da vida cotidiana. O público poderá acompanhar desde seus primeiros experimentos escultóricos até obras que marcam a consolidação da fotografia como eixo central de sua criação.
Entre os destaques, a exposição traz quatro peças inéditas ao MAC_Bahia, que não integraram a etapa de Recife: Queijo (Cheese), Patins (Skates), Ninho de Ouro (Golden Nest) e Suvenir nº 18. A mostra apresenta também obras nunca exibidas no Brasil, como Oklahoma, Menino 2 e Neurônios 2, vistas anteriormente apenas nos Estados Unidos.
A retrospectiva ocupa o MAC_Bahia e se expande para outros dois espaços da cidade: o ateliê do artista, no Santo Antônio Além do Carmo, que receberá encontros e visitas especiais, e a Galeria Lugar Comum, na Feira de São Joaquim, onde será exibida uma instalação inédita inspirada na obra Nail Fetish. Esta é a primeira vez que Vik Muniz apresenta um trabalho no local, reforçando o diálogo entre sua produção e territórios populares de Salvador.
Exposição A Olho Nu, de Vik Muniz, no Museu de Arte Contemporânea. Foto: Vik Muniz
Apontada como fundamental para compreender a transição do artista do objeto para a fotografia, a série Relicário (1989–2025) recebe o visitante logo na entrada do MAC_Bahia. Não exibida desde 2014, ela apresenta esculturas tridimensionais que ajudam a entender a virada conceitual de Muniz, quando o artista percebeu que podia construir cenas pensadas exclusivamente para serem fotografadas, movimento que redefiniu sua carreira internacional.
Para o curador Daniel Rangel, também diretor do MAC_Bahia, a chegada de A Olho Nu tem significado especial. “Essa é a primeira grande retrospectiva dedicada ao trabalho de Vik Muniz, com um recorte pensado para criar um diálogo entre suas obras e a cultura da região”, afirma.
A chegada da retrospectiva a Salvador também fortalece a parceria entre o IPAC e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), responsável pela realização da mostra e em processo avançado de implantação de sua unidade no Palácio da Aclamação, prédio histórico sob gestão do Instituto. Antes mesmo de abrir suas portas oficialmente na Bahia, o CCBB Salvador já vem promovendo ações culturais na capital, entre elas a apresentação da maior exposição dedicada ao artista.
Para receber A Olho nu, o IPAC e o MAC_Bahia mobilizam uma estrutura completa que inclui serviços de manutenção, segurança, limpeza, iluminação museológica e logística operacional, além da atuação da equipe de mediação e das ações educativas voltadas para escolas, universidades, grupos culturais e visitantes em geral. A expectativa é de que o museu receba cerca de 400 pessoas por dia durante o período da mostra, consolidando o MAC_Bahia como um dos principais equipamentos de circulação de arte contemporânea no Nordeste. Não por acaso, o Museu está indicado entre as melhores instituições de 2025 pela Revista Continente.
Com acesso gratuito e programação educativa contínua, A Olho Nu deve movimentar intensamente a agenda cultural de Salvador nos próximos meses. A exposição oferece ao público a oportunidade de mergulhar na obra de um dos artistas brasileiros mais celebrados da atualidade e de experimentar diferentes etapas de seu processo criativo, reafirmando o MAC_Bahia como referência na promoção de grandes mostras nacionais e internacionais.
Serviço
Exposição | A Olho Nu
De 13 de dezembro a 29 de março
Terça a domingo, das 10h às 20h
Período
Local
MAC Bahia
Rua da Graça, 284, Graça – Salvador, BA
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O MuBE — Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia — celebra seus 30 anos com a exposição “A Terceira Margem da Cidade: Paulo Mendes da Rocha e os Desafios da
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O MuBE — Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia — celebra seus 30 anos com a exposição “A Terceira Margem da Cidade: Paulo Mendes da Rocha e os Desafios da Vida no Planeta”.
Com curadoria de Guilherme Wisnik e Fernando Túlio, a mostra homenageia o legado de Paulo Mendes da Rocha (Pritzker 2006) e a arquitetura icônica do MuBE, um projeto nascido da luta da sociedade civil pela preservação do espaço.
Em sintonia com a COP30, o museu reatualiza sua pauta fundadora de Escultura e Ecologia. A exposição coloca as ideias Paulo Mendes que via a política no urbanismo em debate direto com os desafios climáticos e a urgência de repensar o futuro das cidades.
A entrada no MuBE é livre e gratuita, dentro do horário de funcionamento do museu, e, para seu conforto, sugerimos o agendamento prévio aqui no Sympla para sua visita ao museu. Para visitas de grupos ou visitas guiadas, seja na área interna ou externa, mesmo que organizadas por terceiros, sem ligação com o museu, o agendamento pelo email educativo@mube.art.br é obrigatório.
Para visitar o museu garantindo a sua segurança, dos demais visitantes, funcionários, colaboradores e das obras de arte, é necessário respeitar todas as normas de visitação, descritas abaixo, para ter acesso ao prédio, jardim, exposições em cartaz, restaurante e demais áreas do Museu.
Serviço
Exposição | A Terceira Margem da Cidade: Paulo Mendes da Rocha e os Desafios da Vida no Planeta
De 13 de dezembro a 13 de março
Terça a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia - MuBE
Rua Alemanha, 221 - Jardim Europa, São Paulo - SP
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“O desencaixar das coisas” é a exposição inaugural da Pórtico e apresenta trabalhos de 16 artistas. Com uma seleção que inclui nomes emergentes e consagrados de distintas gerações e geografias,
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“O desencaixar das coisas” é a exposição inaugural da Pórtico e apresenta trabalhos de 16 artistas. Com uma seleção que inclui nomes emergentes e consagrados de distintas gerações e geografias, a mostra serve como um prelúdio para a série de exposições e a programação da galeria no ciclo de 2026, refletindo a amplitude de perspectivas que orientam o projeto.
São eles: Angela Bassan (São Paulo, 1952), Caio Borges (São Paulo, 1974), Edson Chagas (Luanda, 1977), Gege Mbakudi (Luanda, 1999), Giovanna Mitrani (São Paulo, 1997), Hugo Barata (Lisboa, 1978), Inês Moura (Cascais, 1982), José Maçãs de Carvalho (Anadia, 1960), Laerte Ramos (São Paulo, 1978), Lilian Walker (Americana, 1994), Lucimélia Romão (Jacareí, 1988), Manoel Canada (São Paulo, 1966), Neno del Castillo (Rio de Janeiro, 1956 ), Omar Khouri (Pirajuí, 1948), Peter de Brito (Gastão Vidigal, 1967) e Ricardo Coelho (São Paulo, 1974).
A exposição – além de acreditar na força de objetos como as fotografias de artistas como Lucimélia Romão e o artista angolano vencedor do leão de ouro na Bienal de Veneza em 2013, Edson Chagas, e do vídeo do artista português José Maçãs de Carvalho, que acaba de chegar da Bienal Internacional de Arte de Macau 2025 – também esbanja ocaráter interdisciplinar da galeria, no momento que esta representa nomes, que também poderão desempenhar outras pesquisas durante o ciclo que será apresentado em 2026.
Como exemplo, nomes como o de Omar Khouri, poeta intersemiótico cultuado desde os anos 70, e Inês Moura, participante da mostra Atlânticos que esteve este ano no Museu da Língua Portuguesa, são artistas que deverão atuar em investigações curatoriais e educativas em 2026 junto a direção artística de Adolfo Caboclo. O expertese de nomes como do pintor Manoel Canada – artista, restaurador e historiador da arteque desenvolve pinturas sobre a cidade e o território, reunindo a historiografia de construções e o da escultora Angela Bassan – que trabalhou por duas décadas como artista-educadora no Museu Brasileiro da Escultura e na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), ministrando cursos de Escultura, além de atuar no design de objetos- influenciam nas propostas que serão apresentadas pela Pórtico em 2026.
Serviço
Exposição | O desencaixar das coisas
De 16 de dezembro a 14 de fevereiro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira das 10h às 19h, aos sábados, das 10h às 17h
Período
Local
Pórtico
Travessa Dona Paula, 116 – Higienópolis, São Paulo - SP
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Com curadoria de Osmar Paulino, Marlon Amaro expõe Mirongar, mostra reúne obras centrais de sua trajetória, reconhecido por abordar de forma contundente temas como o racismo estrutural, o apagamento da
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Com curadoria de Osmar Paulino, Marlon Amaro expõe Mirongar, mostra reúne obras centrais de sua trajetória, reconhecido por abordar de forma contundente temas como o racismo estrutural, o apagamento da população negra e as dinâmicas históricas de violência e subserviência impostas a corpos negros.
Serviço
Exposição | Mirongar
De 13 de janeiro a 21 de março
Quarta a Domingo, das 14h às 21h
Período
Local
Casa do Benin
Rua Padre Agostinho Gomes, 17 - Pelourinho, Salvador - BA
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Primeira exposição individual de Daniel Barreto na Bahia. Nascido no Rio de Janeiro, o artista apresenta pela primeira vez seu trabalho ao público soteropolitano. O título da mostra, inspirado em uma
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Primeira exposição individual de Daniel Barreto na Bahia. Nascido no Rio de Janeiro, o artista apresenta pela primeira vez seu trabalho ao público soteropolitano.
O título da mostra, inspirado em uma frase do romance Capitães de Areia, de Jorge Amado, orienta uma leitura sensível sobre corpo, território e memória, sob curadoria de Victor Gorgulho.
A exposição ocupa o espaço projetado por Lina Bo Bardi como anexo ao Teatro Gregório de Mattos, em diálogo direto com a paisagem urbana da Praça Castro Alves e a Baía de Todos-os-Santos.
Serviço
Exposição | Pinóia
De 13 de janeiro a 28 de fevereiro
Quarta a Domingo, das 14h às 21h
Período
Local
Teatro Gregório Mattos - Galeria da Cidade
Praça Castro Alves, s/n, Centro, Salvador - BA
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O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) apresenta Festa no Céu – Mirĩ’kʉã ʉmʉhsé’pʉ Bahsa’rã, instalação inédita da artista, curadora e ativista indígena Daiara Tukano. A obra
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O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) apresenta Festa no Céu – Mirĩ’kʉã ʉmʉhsé’pʉ Bahsa’rã, instalação inédita da artista, curadora e ativista indígena Daiara Tukano. A obra ocupa o pátio do centro cultural com um arco composto por mais de 100 pássaros, em sua maioria araras, criado como homenagem à sabedoria ancestral, à preservação da floresta e ao papel das aves como intermediárias entre dimensões espirituais.
O trabalho se estrutura como um grande móbile, no qual os pássaros aparecem em quatro posições distintas, sugerindo movimento contínuo. Feitas em material translúcido e ornamentadas com desenhos de hori em diversos tons, as peças projetam cores no espaço tanto sob a luz do sol quanto à noite, quando recebem iluminação especial. Mais que um conjunto escultórico, a instalação se propõe a funcionar como um portal para a cosmovisão indígena.
Nas narrativas de criação do povo Yepá Mahsã Tukano, antes da multiplicação da humanidade, as Amõ Numiã, as primeiras mulheres, deram à luz os pássaros, que surgiram cantando, voando e espalhando cores pelo mundo. Encantados com esse nascimento, homens e animais passaram a cantar na floresta, cada um em sua própria língua, e a ter mirações, visões coloridas que originaram suas pinturas e desenhos. Assim surgiu a diversidade de povos e percepções que tornou possível a expansão humana. Desde então, os pássaros fazem a festa no céu, levando mensagens e sonhos em seus cantos e revoadas.
“A ‘Festa no Céu’ é um grande móbile de pássaros de acrílico, araras e outros passarinhos voando com as suas asas abertas, desenhadas com Hori, que são os nossos grafismos do povo Ye’pá Mahsã. É uma obra que conta a história da criação dos pássaros, do surgimento das cores, dos desenhos, da arte, das línguas, da beleza, da memória e dos sonhos. São grafismos que nós usamos nas nossas panelas, nas nossas cestarias e nas nossas pinturas corporais, e que fazem parte da nossa cultura. Os pássaros são transparentes e têm reflexos iridescentes, de arco-íris, projetando as suas sombras iluminadas no chão. Eles são transparentes, assim como são transparentes nossos sonhos, nossos pensamentos e nossos sentimentos”, explica Daiara Tukano.
Ao trazer esse símbolo amazônico para um espaço central da cidade como o CCBB BH, a artista reforça a urgência de cuidar da floresta, compreendida por muitos povos como um organismo vivo cujo desequilíbrio manifesta crises espirituais profundas.
Com direção artística e curadoria de Juliana Flores e arquitetura de Camila Schmidt, a instalação integra a ação de final de ano do CCBB BH, fortalecendo a relação do museu com o público que circula diariamente pelo Circuito Liberdade.
Para a gerente geral do centro cultural, Gislane Tanaka, “Festa no Céu nasce em diálogo com a tradicional iluminação de final de ano da Praça da Liberdade, e revela a diversidade de visões que os povos originários guardam como sabedoria, abrindo espaço para um encontro sensível com suas cosmovisões. Nesta travessia entre luz, arte e ancestralidade, o CCBB BH reafirma seu compromisso de aproximar cada vez mais as pessoas da cultura”.
Serviço
Exposição | Festa no Céu – Mirĩ’kʉã ʉmʉhsé’pʉ Bahsa’rã
De 28 de novembro a 28 de fevereiro
Quarta a segunda, das 10h às 22h
Período
Local
Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)
Praça da Liberdade, 450 - Funcionários, Belo Horizonte - MG
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A prática de Antonio Malta Campos circula técnicas pictóricas que flutuam em tintas sobre telas, papéis e assemblages. Sua pincelada, por vezes incisiva, outras deslizantes, caminha também ao sutil e
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A prática de Antonio Malta Campos circula técnicas pictóricas que flutuam em tintas sobre telas, papéis e assemblages. Sua pincelada, por vezes incisiva, outras deslizantes, caminha também ao sutil e airoso, em um traço reconhecível que transita entre a figuração e a abstração. Para Malta, a pintura começa em um pequeno caderno, em esboços aquarelados que virão a se tornar telas tomadas pela cor e a forma. Sua pesquisa segue o caminho que Matisse descrevia como “construção por meio da cor”, é uma investigação plástica do lugar, a criação e ocupação do sensível. Sua abstração é sugestiva, insinua por meio de diferentes traços e formatos que existe um lugar de criação no desconforto visual das preciso?es geome?tricas e das distinc?o?es entre o abstrato e o figurativo. É nesse lugar que Malta habita e é habitado.
Seu universo poético é a expansão da operação pictórica e atinge o exímio manejo da profusão cromática. Suas composições revelam gradações ora sutis, ora hiperbólicas, flutuando em azuis, neons e tons terrosos, na criação de um universo ficcional a partir do contorno, linhas e texturas da pintura.
Sua multiplicidade poética fica ainda evidente se olharmos para outras produções que possuem influência expressionista na cor e no desenho, são pinturas que o próprio apelidou de “pinturas nervosas”. Essa denominação sublinha a natureza mais tensa, dinâmica e de forte impacto emocional dessas obras, onde a cor e a pincelada agem como veículos de uma expressividade mais crua e imediata, revelando a complexidade e o alcance da investigação artística do artista.
Malta convoca nosso olhar à interpretação da paisagem a partir de outros vieses, reverberando a partir da matéria, em que se notam matizes mais opalescentes e etéreos. A materialidade mais recente é sugestiva, diferente de outras fases como as cabeças e personagens, em que a figuração era mais pungente pelas cores saturadas e traços expressionistas.
Na mostra “Opalescente”, na galeria Simões de Assis, que reúne obras recentes e inéditas de Antonio Malta Campos, nos deparamos com um recorte curatorial de sua produção que emerge de cores, linhas, formas geométricas e construções abstracionais. Essa produção delineia caminhos em que a pintura apresenta paletas de cores mais abertas, alegres, por vezes em tons pastéis e amenos, sugerindo uma leveza e uma atmosfera mais serena, essas obras exploram a cor em sua capacidade de construir espaços e formas com suavidade. Na sobreposição cromática em camadas há certa luminescência perolada, derivada da opala, uma gema que reflete cores multifacetadas, emanando uma aparência leitosa e iridescente em acabamentos azulados, avermelhados e alaranjados que se alteram conforme a mudança do ângulo da luz – a fatura de Malta é opalescente.
O semiólogo Roland Barthes certa feita resumiu que “o contemporâneo é o intempestivo”, isto é, aquilo que atinge o tempo presente para fazê-lo pensar sobre si mesmo. Malta projeta em sua pintura uma articulação cromática profundamente intempestiva: sua composição opera sob uma perspectiva provocadora. Ao instaurar uma temporalidade que escapa ao imediato, suas cores e gestos desafiam o espírito da época, abrindo frestas para outros modos de ver e de habitar o presente.
A feitura pictórica de Malta é uma articulação cromática no campo bidimensional, demonstrando o gesto habilidoso de reinvenção na vivência do ateliê, do processo investigativo do empilhamento de cores e da pesquisa formal que evoca novos prismas de sentido de uma poética já reconhecida e fortalecida. Na mostra presenciamos a síntese de sua poética, um ensaio plástico que irrompe ao espaço expositivo e revela singulares vetores de sentido.
Luana Rosiello e Mariane Beline
Serviço
Exposição | Opalescente
De 15 de janeiro a 07 de fevereiro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h ás 17h
Período
Local
Simões de Assis - Balneário Camboriú
3ª Avenida, esquina c/ 3.150, sala 04, centro, Balneário Camboriú - SC
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Cheiro de terra molhada, canto de pássaros, sons da mata e imagens da floresta amazônica e de seus habitantes chegam ao Rio de Janeiro para proporcionar um passeio pela maior
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Cheiro de terra molhada, canto de pássaros, sons da mata e imagens da floresta amazônica e de seus habitantes chegam ao Rio de Janeiro para proporcionar um passeio pela maior floresta tropical do mundo, na exposição “Presenças na Amazônia: um diário visual de Bob Wolfenson“, no lounge do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A mostra fotográfica e multissensorial propõe uma vivência sensível da floresta a partir do olhar artístico do fotógrafo Bob Wolfenson, que completa 55 anos de carreira. Realizada pela Vale, a exposição fica aberta ao público de 15 de janeiro a 10 de fevereiro.
A mostra apresenta as impressões da floresta registradas pelo fotógrafo durante as filmagens da websérie “Amazônia: Juntos Fazemos a Diferença”, conduzida por ele e pela cantora Gaby Amarantos, em 2024. A produção audiovisual, realizada pela Vale, se transformou em uma campanha que apresenta a cultura, a economia, os biomas e o povo da floresta amazônica e se encerra com a estreia da exposição do diário visual de Bob Wolfenson.
“Há quatro décadas a Vale está presente na Amazônia, como um dos principais agentes de desenvolvimento sustentável e de preservação, valorização e difusão da cultura amazônida. Realizamos uma série de iniciativas que fomentam a bioeconomia, protegem a floresta em pé e contribuem com pesquisa e produção de conhecimento em áreas como biodiversidade, genômica e mudanças climáticas. Nesse sentido, a realização dessa exposição no Museu do Amanhã ganha especial propósito, ao propor novas formas de ver e conhecer a região em toda a sua diversidade, provocar reflexões e novas formas de atuarmos, juntos, pelo presente e pelo futuro”, afirma Grazielle Parenti, Vice-Presidente Executiva de Sustentabilidade da Vale.
Organizadas em três eixos – A Floresta, Presenças e Luz Mágica – as fotos revelam a Amazônia por dentro, suas histórias e suas comunidades, em uma narrativa na qual a floresta e as pessoas se misturam e convivem em harmonia.
“Fotografar a Amazônia foi uma experiência profunda e transformadora. Estar diante de uma natureza tão poderosa e, ao mesmo tempo, encontrar pessoas que trabalham para que ela permaneça em pé trouxe um novo sentido ao meu olhar. Levar essas imagens para o Museu do Amanhã, com o patrocínio da Vale, é muito significativo: é uma forma de ampliar esse diálogo e mostrar que preservar a floresta é também preservar histórias, culturas e futuros”, comenta Bob Wolfenson.
“O Museu do Amanhã aposta na força da arte em comunicar o que a ciência hoje demonstra e, com isso, facilitar a reconexão do humano com o oceano”, afirma Fabio Scarano, curador do Museu do Amanhã.
Os espaços são marcados por materiais rústicos e naturais e por uma iluminação que muda ao longo do percurso, remetendo ao ciclo do dia. A experiência ganha profundidade com a presença de elementos sensoriais que transportam os convidados para dentro da Amazônia, como um leve aroma de terra fresca depois da chuva. Também o visitante poderá ouvir sons originais da floresta, fruto de estudo do Instituto Tecnológico Vale (ITV), que reuniu mais de 16 mil minutos da vida na Floresta de Carajás e revelou curiosidades sobre a biodiversidade amazônica por meio do som que ela emite. Além disso, uma área de pausa e contemplação traz frases, trechos de falas e anotações de viagem de Bob Wolfenson, criando uma instalação poética que traduz o processo criativo do artista. A produção é da Tantas Projetos Culturais e TM1 Brand Experience, com curadoria de Cecilia Bedê.
A exposição contará com uma programação educativa e gratuita que conecta as fotografias às memórias, aromas, sons e símbolos da Amazônia. Além da caminhada fotográfica com Bob Wolfenson na Praça Mauá, haverá atividades para todos os públicos, trazendo o DNA amazônico em oficinas de carimbos, aula de dança de carimbó, pintura de brinquedos de miriti e experiências sensoriais como o tradicional banho de cheiro. A programação completa está disponível no site do Museu do Amanhã.
Com atenção especial à acessibilidade e à inclusão, a exposição conta com recursos como obras táteis, dispositivos sonoros e olfativos, mediações, audiodescrição, interpretação em Libras e atividades adaptadas.
Serviço
Exposição | Presenças na Amazônia: um diário visual de Bob Wolfenson
De 15 de janeiro a 10 de fevereiro
Todos os dias, exceto quarta-feira, das 10h às 18h (última entrada às 17h)
Período
Local
Museu do Amanhã
Praça Mauá, 1 - Centro, Rio de Janeiro - RJ
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O MIS, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugura a última exposição do edital Nova Fotografia 2025 com a série “Bororé“, do
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O MIS, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugura a última exposição do edital Nova Fotografia 2025 com a série “Bororé“, do fotógrafo Kaio Quinto. O projeto anual do Museu seleciona, através de convocatória aberta ao público, seis novos fotógrafos para uma exposição individual no Museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação da curadoria geral do MIS. São selecionadas séries fotográficas inéditas, de profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do MIS.
O trabalho de Kaio Quinta retrata a ilha do Bororé, localizada no extremo sul de São Paulo e que concentra muita riqueza e história para a cidade. Pouco conhecida pela maioria da população paulistana, este bairro acaba sendo um contraponto diante da agitada metrópole. Hoje a ilha oferece infraestrutura para lazer, esporte e cultura. O nome Bororé vem da língua tupi, que significa “mato fechado” ou ‘floresta densa”. O local era habitado pela tribo Guarulhos e Guaianás.
Serviço
Exposição | Bororé
De 16 de dezembro a 01 de fevereiro
Terças a sextas, das 10h às 19h, sábados, das 10h às 20h, domingos e feriados, das 10h às 18h
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
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A Galeria Zipper, em São Paulo, recebe a 17ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria, promovido pelo portal Mapa das Artes. A exposição com obras de onze artistas, dez
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A Galeria Zipper, em São Paulo, recebe a 17ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria, promovido pelo portal Mapa das Artes. A exposição com obras de onze artistas, dez que foram selecionados e ainda o contemplado com o Prêmio Estímulo Fora do Eixo. Este ano foram 371 inscrições, o que representa um aumento de 22% no número inscrições recebidas para a mostra de 2025.
Nesta edição, foram selecionados Bernardo Liu (RJ), Dani Shirozono (MG/SP), Demir (DF), Isabela Vatavuk (SP), Mariana Riera (RS), Paulo Valeriano (DF), Rafael Santacosta (SP), Romildo Rocha (MA), Shay Marias (RJ/SP) e Timóteo Lopes (BA).
O Salão concedeu, ainda este ano, o Prêmio Estímulo Fora do Eixo, no valor de R$ 1.000,00, direcionado a um artista não selecionado e residente fora do eixo Rio-São Paulo. O premiado foi Pedro Kubitschek (MG). O júri de seleção foi formado pelo produtor e curador independente Alef Bazilio; pelo artista, curador e professor universitário Diogo Santos Bessa e pelo jornalista, crítico e curador independente Mario Gioia. Ao final da exposição, três entre os artistas selecionados serão premiados com valores de R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1 mil.
O Salão dos Artistas Sem Galeria tem como objetivo movimentar e estimular o circuito de arte logo no início do ano. Há 17 anos o evento avalia, exibe, documenta e divulga a produção de artistas plásticos que não tenham contratos verbais ou formais (representação) com qualquer galeria de arte na cidade de São Paulo. O Salão abre o calendário de artes em São Paulo e é uma porta de entrada para esses artistas no concorrido circuito comercial das artes no país.
O Salão dos Artistas Sem Galeria tem concepção e organização de Celso Fioravante, assistência de Lucas Malkut e projeto gráfico de Cláudia Gil (Estúdio Ponto).
Artistas selecionados na 17ª edição (por ordem de inscrição)
Timóteo Lopes – BA: @timoteolopes_
Mariana Riera – RS: @marianariera82
Romildo Rocha – MA: @rocha.abencoado
Isabela Vatavuk – SP: @isabelavatavuk
Rafael Santacosta – SP: @santacosta.art
Paulo Valeriano – DF: @paulovalerianopaulovaleriano
Shay Marias – RJ/SP: @shaymarias
Dani Shirozono – MG/SP: @danishirozono
Demir – DF: @demirartesplastica
Bernardo Liu – RJ: @bernardoliu
Pedro Kubitschek – MG (Prêmio Estímulo Fora do Eixo): @pedrodinizkubitschek
Serviço
Exposição coletiva | 17º Salão dos Artistas sem Galeria
De 17 de janeiro a 28 de fevereiro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h ás 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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Em sua prática, a artista franco-brasileira Julia Kater investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da
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Em sua prática, a artista franco-brasileira Julia Kater investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da imagem por meio do recorte e da justaposição. Na fotografia, Kater parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas sim, resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe do mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido. Nas colagens, o gesto do recorte ganha corpo. Fragmentos de fotografias são manualmente cortados, sobrepostos e organizados em camadas que criam passagens visuais marcadas por transições sutis de cor. Esses acúmulos evocam variações de luz, atmosferas e a própria passagem do tempo através de gradações cromáticas.
Na individual Duplo, Julia Kater apresenta trabalhos recentes, desenvolvidos a partir da pesquisa realizada durante sua residência artística em Paris. “Minha pesquisa se concentra na paisagem e na forma como a cor participa da construção da imagem – ora como elemento acrescentado à fotografia, ora como algo que emerge da própria superfície. Nas colagens, a paisagem é construída por recortes, justaposições e gradações de cor. Já nos trabalhos em tecido, a cor atua a partir da própria superfície, por meio do tingimento manual, atravessando a fotografia impressa. Esses procedimentos aprofundam a minha investigação sobre a relação entre a paisagem, a cor e a superfície”, explica a artista.
Em destaque, duas obras que serão exibidas na mostra: uma em tecido que faz parte da nova série e um díptico inédito. Corpo de Pedra (Centauro), 2025, impressão digital pigmentária sobre seda tingida à mão com tintas a base de plantas e, Sem Título, 2025, colagem com impressão em pigmento mineral sobre papel matt Hahnemüle 210g, díptico com dimensão de 167 x 144 cm cada.
A artista comenta: “dou continuidade às colagens feitas a partir do recorte de fotografia impressa em papel algodão e passo a trabalhar com a seda também como suporte. O processo envolve o tingimento manual do tecido com plantas naturais, como o índigo, seguido da impressão da imagem fotográfica. Esse procedimento me interessa por sua proximidade com o processo fotográfico analógico, sobretudo a noção de banho, de tempo de imersão e de fixação da cor na superfície”. Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que fica em cartaz até 07 de março de 2026.
Serviço
Exposição | Julia Kater: Duplo
De 22 de janeiro a 07 de março
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Período
Local
Simões de Assis
Al. Lorena, 2050 A, Jardins - São Paulo - SP
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A Galatea tem o prazer de apresentar Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura, primeira individual do artista paulistano Guilherme Gallé (1994, São Paulo), na unidade da galeria na
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A Galatea tem o prazer de apresentar Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura, primeira individual do artista paulistano Guilherme Gallé (1994, São Paulo), na unidade da galeria na rua Padre João Manuel. A mostra reúne mais de 20 pinturas inéditas, realizadas em 2025, e conta com texto crítico do curador e crítico de arte Tadeu Chiarelli e com texto de apresentação do crítico de arte Rodrigo Naves.
A exposição apresenta um conjunto no qual Gallé revela um processo contínuo de depuração: um quadro aciona o seguinte, num movimento em que cor, forma e espaço se reorganizam respondendo uns aos outros. Situadas no limiar entre abstração e sugestão figurativa, suas composições, sempre sem título, convidam à lenta contemplação, dando espaço para que o olhar oscile entre a atenção ao detalhe e ao conjunto.
Partindo sempre de um “lugar” ou pretexto de realidade, como paisagens ou naturezas-mortas, mas sem recorrer ao ponto de fuga renascentista, Gallé mantém a superfície pictórica deliberadamente plana. As cores tonais, construídas em camadas, estruturam o plano com uma matéria espessa, marcado por incisões, apagamentos e pentimentos, que dão indícios do processo da pintura ao mesmo tempo que o impulsionam.
Entre as exposições das quais Guilherme participou ao longo de sua trajetória, destacam-se: Joaquín Torres García – 150 anos, (Coletiva, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, São Paulo / Brasília / Belo Horizonte, 2025–2026); Ponto de mutação (Coletiva, Almeida & Dale, São Paulo, 2025); O silêncio da tradição: pinturas contemporâneas (Coletiva, Centro Cultural Maria Antonia, São Paulo, 2025); Para falar de amor (Coletiva, Noviciado Nossa Senhora das Graças Irmãs Salesianas, São Paulo, 2024); 18º Território da Arte de Araraquara (2021); Arte invisível (Coletiva, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, 2019); e Luiz Sacilotto, o gesto da razão (Coletiva, Centro Cultural do Alumínio, São Paulo, 2018).
Serviço
Exposição | Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura
De 22 de janeiro a 07 de março
Segunda a quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, Sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galatea Padre João Manuel
R. Padre João Manuel, 808, Jardins – São Paulo - SP
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A artista Luiza Sigulem inaugura sua segunda exposição individual, Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro, com abertura marcada para o dia 24 de janeiro de 2026, no Ateliê397, em
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A artista Luiza Sigulem inaugura sua segunda exposição individual, Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro, com abertura marcada para o dia 24 de janeiro de 2026, no Ateliê397, em São Paulo. Reunindo um conjunto inédito de trabalhos, a mostra, com curadoria de Juliana Caffé, tensiona a relação entre corpo, arquitetura e o tempo, propondo o deslocamento como uma operação de ajuste e reflexão crítica.
O projeto toma a instabilidade como condição que reorganiza a relação entre corpo e arquitetura, produzindo um tempo que não coincide com a lógica da eficiência. Em sintonia com a teoria Crip (termo reapropriado de cripple que nomeia práticas que deslocam o “corpo padrão”) e o conceito de crip time — uma temporalidade que acolhe pausas, ritmos variáveis e o não-alinhamento com o relógio produtivista —, o trabalho de Sigulem afirma a diferença não como exceção, mas como método.
“Ao longo do meu processo, a falta de acessibilidade se manifestou no tempo necessário para lidar com pequenos e grandes obstáculos e na atenção exigida por ajustes mínimos que se acumularam de forma quase imperceptível,” declara a artista. “Essa experiência deslocou a ideia de eficiência e aproximou minha produção de uma noção de tempo expandido, no qual o ritmo do corpo não coincide com a expectativa normativa da reprodução capitalista. É nesse descompasso que o meu trabalho se constrói.”
O projeto, que incorpora pela primeira vez vídeo-performances, intervenções e uma escultura em diálogo com a fotografia, marca um momento de expansão na trajetória da artista e coloca a acessibilidade no centro da construção estética e poética. Também tensiona a invisibilidade de uma parcela expressiva da população: segundo dados da PNAD Contínua 2022 (IBGE), o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, das quais aproximadamente 3,4 milhões apresentam deficiência física nos membros inferiores, contingente que enfrenta diariamente as barreiras arquitetônicas discutidas na mostra.
Arquitetura e poética: uma inversão expositiva
O projeto nasce de um dado incontornável do contexto paulistano: a dificuldade estrutural de encontrar espaços expositivos capazes de acolher a investigação da artista de forma coerente com suas questões. Diante da inexistência de alternativas viáveis e dos prazos institucionais, a mostra abraçou esse limite como parte do projeto, transformando-o em campo de reflexão.
“A escolha do Ateliê397 como sede da exposição responde a esse contexto. Enquanto espaço independente, ele oferece uma abertura conceitual e um campo real de negociação para a construção deste projeto,” comenta a curadora Juliana Caffé. “Situado na Travessa Dona Paula, em uma área marcada por importantes equipamentos culturais igualmente limitados em termos de acessibilidade, o espaço é incorporado pela exposição como elemento ativo, deixando de operar como suporte neutro para integrar arquitetura, circulação e entorno ao campo de discussão proposto.”
Diante dos limites arquitetônicos do Ateliê, Sigulem não trata a falta de acessibilidade como obstáculo a ser corrigido, mas como condição a ser trabalhada criticamente. A expografia opera uma inversão deliberada: em vez de adaptar o espaço a um padrão normativo, é o público que se vê levado a recalibrar seu corpo diante de passagens reduzidas e escalas deslocadas.
Nesse sentido, a mostra apresenta uma instalação, desenvolvida pela artista em colaboração com a dupla de arquitetos Francisco Rivas e Rodrigo Messina, que reúne dispositivos de acessibilidade e permanência pensados como parte constitutiva da obra. A intervenção reorganiza a recepção: a porta e o batente foram deslocados para permitir abertura total (180°); bancos e banquinhos foram distribuídos para acolher o repouso; e almofadas nos bancos externos estendem a experiência para o entorno.
A radicalidade da proposta reflete-se na ocupação institucional: a lateral da escada, que conduz a um segundo andar inacessível para pessoas com deficiência, foi convertida em uma pequena biblioteca de teoria Crip. “Durante a mostra, o Ateliê397 aceitou tornar o andar superior inoperável, suspendendo seu uso como sala de projeção para tornar explícito o limite arquitetônico em vez de ocultá-lo. E, como desdobramento externo, o projeto inclui a produção e doação de rampas móveis sob medida para espaços culturais vizinhos na vila, provocando o circuito a pensar coletivamente suas condições de acesso”, pontua Caffé.
O projeto se alinha a debates contemporâneos que buscam a visibilidade sem captura, onde o trabalho opera por sensação, ritmo e microeventos corporais que não se reduzem a uma imagem “explicativa” ou a um conteúdo de fácil consumo. Trata-se de uma abordagem que reconhece o acesso como estética e a deficiência como um diagnóstico do espaço e das normas. Dessa forma, curadoria e expografia tornam-se parte ativa do trabalho. Textos em Braille, audiodescrição e fototátil acompanham a exposição, cujo funcionamento e mediação incorporam a contratação de pessoas PcD, respeitando diferentes tempos de circulação.
Além disso, todos os dispositivos da mostra foram realizados com materiais simples e de baixo custo, afirmando a possibilidade de construir formas de acolhimento mesmo em arquiteturas que não atendem plenamente às normas legais.
Corpo em negociação: vídeo, escultura e fotografia
Se em trabalhos anteriores Sigulem convidava o outro a se ajustar a determinadas escalas, a exemplo da série Jeito de Corpo (2024), nesta individual a artista coloca o próprio corpo no centro da experiência. Diferentes obras exploram esse deslocamento de perspectiva, ora propondo situações em que o público é levado a reorientar sua percepção espacial, ora acompanhando a artista em gestos de negociação contínua com o espaço.
Os vídeos partem de releituras de performances históricas, realizadas a partir do corpo da artista e atravessadas por questões de gênero e potência. As ações não buscam fidelidade ao gesto original, mas operam como tradução situada, na qual cada movimento carrega a marca de um ajuste necessário. A câmera acompanha o processo sem corrigir o desvio, permitindo que a falha e o esforço permaneçam visíveis.
É o caso da série inédita Rampas (2025), um conjunto de vinte fotografias derivadas do vídeo-performance Painting (Retoque) (a partir de Francis Alÿs). No vídeo, a artista marca com tinta amarela pontos das ruas de São Paulo onde deveriam existir rampas de acesso, evidenciando ausências de acessibilidade na paisagem urbana. As fotografias isolam esses gestos e vestígios, transformando a ação performática em imagens que registram a fricção entre corpo, cidade e infraestrutura.
Ao adotar como referência a altura do campo visual de uma pessoa cadeirante, a exposição desloca a escala normativa do espaço expositivo e introduz um regime de percepção em que o corpo não se ajusta à arquitetura, mas a arquitetura se torna índice de seus limites.
Uma escultura pontua o espaço, testando limites entre função e falha e questionando estruturas pensadas para orientar o movimento. Em uma instalação, um vídeo dedicado à imagem da queda articula sua repetição como experiência física e simbólica. Em conjunto, as obras sugerem que toda trajetória é atravessada por desvios, pausas e negociações, e que a menor distância entre dois pontos, raramente se apresenta como linha reta.
A exposição Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro integra o projeto Jeito de Corpo, contemplado no EDITAL FOMENTO CULTSP PNAB Nº 25/2024, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Estado de São Paulo.
Serviço
Exposição | Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro
De 24 de janeiro a 28 de fevereiro
Quarta a sábado, das 14h às 18h
Período
Local
Ateliê397
Travessa Dona Paula, 119A – Higienópolis, São Paulo - SP
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A Galeria Alma da Rua, localizada em um dos endereços mais emblemáticos da capital paulista, o Beco do Batman, abre em 24 de janeiro a mostra “Onírica” de Kelly S.
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A Galeria Alma da Rua, localizada em um dos endereços mais emblemáticos da capital paulista, o Beco do Batman, abre em 24 de janeiro a mostra “Onírica” de Kelly S. Reis em que apresenta dezenas de obras, todas inéditas, com foco no universo simbólico e surreal da artista, que é afro-indígena. Sua produção investiga o hibridismo e os entrelaçamentos culturais e biológicos a partir de um olhar feminino, tendo a miscigenação como eixo central.
O onirismo manifesta-se como um campo sensível ligado aos sonhos, à imaginação, à intuição e ao inconsciente. Nesse território, a mulher negra assume o protagonismo e estabelece uma relação simbiótica com a natureza. Por meio da representação de mulheres afro-indígenas e do uso de uma linguagem simbólica em cenários etéreos, a artista evoca questões concretas, propondo uma reflexão poética sobre ancestralidade, pertencimento e identidade.
As figuras femininas presentes nas obras de Kelly afastam-se de narrativas estereotipadas de vitimização e sofrimento. Assim, Kelly S. Reis constrói imagens de mulheres negras como potência – corpos que afirmam força, presença e imponência.
Serviço
Exposição | Onírica
De 25 de janeiro a 19 de fevereiro
Todos os dias das 10h às 18h
Período
Local
Galeria Alma da Rua
Rua Gonçalo Afonso 96 Beco do Batman, Vila Madalena, São Paulo - SP
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do artista Daniel Buren (1938, Boulogne-Billancourt), realizado em parceria com a Galeria Nara Roesler. Iniciado em 1975, o trabalho transforma velas de barcos em suportes de arte, deslocando o olhar do espectador e ativando o espaço ao redor por meio do movimento, da cor e da forma. Ao longo de cinco décadas, o projeto foi apresentado em cidades como Genebra, Lucerna, Miami e Minneapolis, sempre em diálogo direto com a paisagem e o contexto locais.
Concebida originalmente em Berlim, em 1975, Voile/Toile – Toile/Voile destaca o uso das listras verticais que Daniel Buren define como sua “ferramenta visual”. O próprio título da obra explicita o deslocamento proposto pelo artista ao articular dois campos centrais do modernismo do século 20 — a pintura abstrata e o readymade —, transformando velas de barcos em pinturas e ampliando o campo de ação da obra para além do espaço expositivo.
“Trata-se de um trabalho feito ao ar livre e que conta com fatores externos e imprevisíveis, como clima, vento, visibilidade e posicionamento das velas e barcos, de modo que, ainda que tenha sido uma ação realizada dezenas de vezes, ela nunca é idêntica, tal qual uma peça de teatro ou um ato dramático”, disse Daniel Buren, em conversa com Pavel Pyś, curador do Walker Art Center de Minneapolis, publicada pelo museu em 2018.
No dia 24 de janeiro, a ação tem início com uma regata-performance na Baía de Guanabara. Onze veleiros da classe Optimist partem da Marina da Glória e percorrem o trajeto até a Praia do Flamengo, equipados com velas que incorporam as listras verticais brancas e coloridas criadas por Buren. Em movimento, as velas se convertem em intervenções artísticas vivas, ativando o espaço marítimo e o cenário do Rio como parte constitutiva da obra. O público poderá acompanhar a ação desde a orla, e toda a performance será registrada.
Após a conclusão da regata, as velas serão deslocadas para o foyer do MAM Rio, onde passarão a integrar a exposição derivada da regata, em cartaz de 28 de janeiro a 12 de abril de 2026. Instaladas em estruturas autoportantes, as onze velas – com 2,68 m de altura (2,98 m com a base) – serão dispostas no espaço de acordo com a ordem de chegada da regata, seguindo o protocolo estabelecido por Buren desde as primeiras edições do projeto. O procedimento preserva o vínculo direto entre a performance e a exposição, e evidencia a transformação das velas de objetos utilitários em objetos artísticos. A expografia é assinada pela arquiteta Sol Camacho.
“Desde os anos 1960, Buren desenvolve uma reflexão crítica sobre o espaço e as instituições, sendo um dos pioneiros da arte in situ e da arte conceitual. Embora Voile/Toile – Toile/Voile tenha circulado por diversos países ao longo dos últimos 50 anos, esta é a primeira vez que a obra é apresentada no Brasil. A proximidade do MAM Rio com a Baía de Guanabara, sua história na experimentação e sua arquitetura integrada ao entorno fazem do museu um espaço particularmente privilegiado para a obra do artista”, comenta Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio.
Ao prolongar no museu uma experiência iniciada no mar, Voile/Toile – Toile/Voile estabelece uma continuidade entre a ação na Baía de Guanabara e sua apresentação no espaço expositivo do MAM Rio, integrando paisagem, arquitetura e percurso em uma mesma experiência artística.
“A maneira como Buren tensiona a relação da arte com espaços específicos, principalmente com os espaços públicos, é fundamental para entender a história da arte contemporânea. E essa peça Voile/Toile – Toile/Voile, que começa na Baía de Guanabara e que chega aos espaços internos do museu, é um exemplo perfeito dessa prática”, comenta Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.
Em continuidade ao projeto, a Nara Roesler Books publicará uma edição dedicada à presença de Daniel Buren no Brasil, reunindo ensaios críticos e documentos da realização de Voile/Toile – Toile/Voile no Rio de Janeiro, em 2026.
Serviço
Exposição | Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela)
De 28 de janeiro a 12 de abril
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h
Período
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste, Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste,
Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a coletiva propõe uma interlocução entre os programas das galerias ao explorar as afinidades entre os artistas Montez Magno (1934, Pernambuco), Mari Ra (1996, São Paulo), Zé di Cabeça (1974, Bahia), Fabio Miguez (1962, São Paulo) e Adenor Gondim (1950, Bahia). A mostra propõe um olhar ampliado para as arquiteturas vernaculares que marcam o Nordeste: fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de feiras e festas e estruturas efêmeras que configuram a paisagem social e cultural da região.
Nesse conjunto, Fabio Miguez investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas enquanto Zé di Cabeça transforma registros das platibandas do subúrbio ferroviário soteropolitano em pinturas. Mari Ra reconhece afinidades entre as geometrias que encontrou em Recife e Olinda e aquelas presentes na Zona Leste paulistana, revelando vínculos construídos pela migração nordestina. Já Montez Magno e Adenor Gondim convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste, Magno pela via da abstração geométrica presentes nas séries Barracas do Nordeste (1972-1993) e Fachadas do Nordeste (1996-1997) e Gondim pelo registro fotográfico das barracas que marcaram as festas populares de Salvador.
A parceria entre as galerias se dá no aniversário de 2 anos da Galatea em Salvador e reforça o seu intuito de fazer da sede na capital baiana um ponto de convergência para intercâmbios e trocas entre artistas, agentes culturais, colecionadores, galerias e o público em geral.
Serviço
Exposição | Barracas e fachadas do nordeste
De 30 de janeiro a 30 de maio
Terça – quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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A Pinacoteca de São Bernardo do Campo apresenta, entre os dias 31 de janeiro e 28 de março de 2026, uma exposição individual do artista Daniel Melim (São Bernardo do Campo, SP – 1979). Com curadoria assinada pelo
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A Pinacoteca de São Bernardo do Campo apresenta, entre os dias 31 de janeiro e 28 de março de 2026, uma exposição individual do artista Daniel Melim (São Bernardo do Campo, SP – 1979). Com curadoria assinada pelo pesquisador e especialista em arte pública Baixo Ribeiro e produção da Paradoxa Cultural, a mostra Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim reúne um conjunto de 12 obras – dentre elas oito trabalhos inéditos.
A exposição apresenta uma verdadeira introspectiva do trabalho de Daniel Melim – um mergulho em seu processo criativo a partir do olhar de dentro do ateliê. Ao lado de obras que marcaram sua trajetória, o público encontrará trabalhos inéditos que apontam novos caminhos em sua produção. Entre os destaques, uma pintura em grande formato — 2,5m x 12m — e um mural coletivo que será produzido ao longo da mostra.
Com obras em diferentes formatos e dimensões – pinturas em telas, relevos, instalação, cadernos, elementos do ateliê do artista -, a mostra aborda o papel da arte urbana na construção de identidades coletivas, a ocupação simbólica dos espaços públicos e o desafio de trazer essas linguagens para o contexto institucional, sem perder seu caráter de diálogo com a comunidade.
O recorte proposto pela curadoria de Baixo Ribeiro conecta passado e presente, mas principalmente, evidencia como Melim transforma referências visuais do cotidiano em obras que geram reflexão crítica, possibilitando criar pontes entre o espaço público e o institucional.
A expografia de “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” foi pensada como um ateliê expandido, com o intuito de aproximar o público do processo criativo de Melim. Dentro do espaço expositivo, haverá um mural colaborativo, no qual os visitantes poderão experimentar técnicas como stencil e lambe-lambe. Essa iniciativa integra a proposta educativa da mostra e transforma o visitante em coautor, fortalecendo a relação entre público e obra.
“Sempre me interessei pela relação entre a arte e o espaço urbano. O stencil foi minha primeira linguagem e continua sendo o ponto de partida para criar narrativas visuais que dialogam com a vida cotidiana. Essa mostra é sobre esse diálogo: cidade, obra e público”, explica Daniel Melim.
Artista visual e educador, reconhecido como um dos principais nomes da arte urbana brasileira, Daniel Melim iniciou sua trajetória artística no final dos anos 1990 com grafite e stencil nas ruas do ABC Paulista. Desenvolve uma pesquisa autoral sobre o stencil como meio expressivo, resgatando sua importância histórica na formação da street art no Brasil e expandindo seus potenciais pictóricos para além do espaço público. Sua produção se caracteriza pelo diálogo entre obra, arquitetura e cidade, frequentemente instalada em áreas em processo de transformação urbana.
“Essa exposição individual é uma forma de me reconectar com o lugar onde tudo começou. São Bernardo do Campo foi minha primeira escola de arte – não apenas pela faculdade, mas pela rua, pelos muros, pelas greves que eu vi quando ainda era criança. Essa experiência formou a minha visão de mundo. Trazer esse trabalho de volta, no espaço da Pinacoteca, é como abrir o meu ateliê para a cidade que tanto me acolheu e me fez crescer”, comenta.
Os stencils, o imaginário gráfico da publicidade, críticas à sociedade de consumo e ao cotidiano urbano são marcas do trabalho de Melim. Cores chapadas, sobreposições e composições equilibradas são algumas das características que aparecem tanto nas obras históricas de Daniel Melim, quanto em novos trabalhos que o artista está produzindo para a individual. “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” é um convite para o visitante mergulhar e se aproximar do processo criativo do artista. A mostra fica em cartaz até o dia 28 de março de 2026.
A exposição “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” é realizada com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB); do Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo; do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Serviço
Exposição | Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim
De 31 de janeiro e 28 de março
Terça, das 9h às 20h; quarta a sexta, das 9h às 17h; sábado, das 10h às 16h
Período
Local
Pinacoteca de São Bernardo do Campo
Rua Kara, nº 105 - Jardim do Mar - São Bernardo do Campo - SP
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A última exposição de 2025 da Pinacoteca, “Trabalho de Carnaval”, é uma coletiva com obras de 70 artistas de diferentes gerações e origens, como Alberto Pitta, Bajado, Bárbara Wagner, Ilu Obá
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A última exposição de 2025 da Pinacoteca, “Trabalho de Carnaval”, é uma coletiva com obras de 70 artistas de diferentes gerações e origens, como Alberto Pitta, Bajado, Bárbara Wagner, Ilu Obá de Min, Heitor dos Prazeres, Juarez Paraíso, Lita Cerqueira, Maria Apparecida Urbano, Rafa Bqueer e Rosa Magalhães.
A mostra no edifício Pina Contemporânea expõe 200 obras dentre adereços, projetos de decoração e documentação histórica em fotografia e vídeo, além de comissionamentos de projetos inéditos dos artistas Adonai, Ana Lira e Ray Vianna.
Dividida em quatro temas – Fantasia, Trabalho, Poder e Cidade, “Trabalho de Carnaval” apresenta a maior festa popular do país como uma cadeia produtiva que envolve o trabalho das muitas mãos desde antes mesmo da festa acontecer, ao mesmo tempo em que alude à precariedade e invisibilidade desses profissionais.
NÚCLEOS TEMÁTICOS
O núcleo Fantasia faz referência a dois elementos característicos do carnaval: o ato de se fantasiar e a força da imaginação. Projetos e croquis integram a parte central da Grande Galeria, como os estudos de J. Cunha para o carnaval de Salvador e Joana Lira para as decorações de rua do Recife.
Discussões sobre as condições de trabalho da festa são apresentadas no núcleo Trabalho, no qual são apresentadas obras que trazem à tona a representatividade dos trabalhadores.
A relação entre carnaval e espaço urbano ou rural aparece no núcleo Cidade por meio de representações de blocos, cordões, afoxés e outras formas de cortejos. O núcleo reúne obras como as fotografias realizadas por Diego Nigro no bloco de carnaval Galo da Madrugada (2025).
Por fim, o núcleo Poder celebra os encontros de trabalhadores dos canaviais em Pernambuco transformando-se em reis e rainhas do maracatu, assim como mulheres negras e grupos periféricos marginalizados se tornando, por alguns dias, as figuras de comando durante a festa na Bahia: Deusas de Ébano, Reis Momos, Rainhas do Carnaval.
Serviço
Exposição | Trabalho de Carnaval
De 8 de novembro de 2025 a 12 de abril de 2026
Quarta a segunda, das 10h às 18h
Período
Local
Pinacoteca Contemporânea
Av. Tiradentes, 273, Luz, São Paulo - SP
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O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) inaugura a exposição “Memória: relatos de uma outra História”, um dos acontecimentos centrais da Temporada França-Brasil 2025. Com curadoria de Nadine Hounkpatin
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O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) inaugura a exposição “Memória: relatos de uma outra História”, um dos acontecimentos centrais da Temporada França-Brasil 2025.
Com curadoria de Nadine Hounkpatin e Jamile Coelho, a mostra reúne 20 artistas negras da diáspora africana e do continente africano, que se apropriam das artes visuais como campo de elaboração da memória e de reconstrução simbólica do mundo. Suas produções instauram um pensamento decolonial, no qual a arte atua como forma de escuta, reescrita e reexistência.
Participam: Amélia Sampaio, Barbara Asei Dantoni, Barbara Portailler, Beya Gille Gacha, Charlotte Yonga, Dalila Dalléas Bouzar, Enam Gbewonyo, Fabiana Ex-Souza, Gosette Lubondo, Josèfa Ntjam, Luana Vitra, Luisa Magaly, Luma Nascimento, Madalena dos Santos Reinbolt, Maria Lídia dos Santos Magliani, Myriam Mihindou, Na Chainkua Reindorf, Selly Raby Kane, Tuli Mekondjo e YêdaMaria.
Após itinerar por Bordeaux, Abidjan, Yaoundé e Antananarivo, a exposição chega a Salvador — cidade em que a herança africana se manifesta como fundamento estético e artístico — para instaurar um novo capítulo do projeto. No MUNCAB, essas artistas constroem um território de enunciação e reparação, no qual imagem, corpo e gesto tornam-se instrumentos de reconfiguração das narrativas históricas e de afirmação das subjetividades negras.
A exposição é uma realização do Ministério da Cultura, Petrobras e Embaixada da França no Brasil, em parceria com o MUNCAB, sob gestão da Amafro.
Serviço
Exposição | Memória: relatos de uma outra História
04 de novembro a 1º de março de 2026
Terça a domingo, das 10h às 16h30, sábado das 10h às 17h
Período
Local
Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira: MUNCAB
R. das Vassouras, 25 - Centro Histórico, Salvador - BA
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar a exposição Nascimento de Antonio Obá, que ocupa todo o espaço da galeria na Barra Funda com obras inéditas e emblemáticas.
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A Mendes Wood DM tem o prazer de apresentar a exposição Nascimento de Antonio Obá, que ocupa todo o espaço da galeria na Barra Funda com obras inéditas e emblemáticas. Os trabalhos, desenvolvidos com técnicas distintas como pintura, desenho, instalação e filme, dão continuidade à investigação do artista sobre a construção da identidade nacional, e suas contradições e influências, por meio de ícones e símbolos presentes na cultura brasileira.
O título da exposição surge da ideia de nascimento como marco de um momento, de uma nova existência sobre a Terra. Este evento milagroso também carrega a contrapartida da fortuna e da sorte, que nos acompanha desde a concepção. Para Obá, “Estar sujeito a isso não diz a respeito de uma escolha. Estar sujeito a isso diz a respeito de uma irreverência ao inevitável. Então, o que podemos fazer é demarcar essas várias sortes através do rito, da celebração, do símbolo, da linguagem.”
Cada obra que compõe a exposição confere a essa tentativa de situar a ideia de sorte, fortuna, ora como uma prece, ora com um ritual que celebra isso.
Uma instalação inédita, localizada em um espaço fechado, no fundo da galeria, se refere diretamente a ideia de jogo e de sorte. Nela, colunas de búzios se derramam sobre peneiras de bronze douradas, carregando ovos de cerâmica pintados de vermelho. Os búzios representam elementos de tentativa de leitura da sorte, do destino e da sina, e simbolizam a moeda de troca, que também se transforma em oferenda. Na disposição que se encontram no espaço, os búzios formam colunas que estão ascendendo, como um território de elevação espiritual e de ressignificação da vida ante ao que ela propõe de fatal.
Na entrada do espaço expositivo, um caminho de espadas de São Jorge e Iansã, conduzem até um novo objeto instalativo: um altar com dois troncos que simbolizam o pelourinho. Os troncos estão inteiramente cravejados de pregos — em um deles, os pregos estão voltados para fora; no outro, para dentro — simbolizando proteção e punição e a dificuldade de harmonizar tensões. Entre os pelourinhos, cabos suspendem uma cabeça de bronze com um prumo na ponta. Esta instalação é uma oferenda ao senhor do caminho, portanto, tem uma relação com Exu.
A instalação Ka’a porá (2024), apresentada pela primeira vez na mostra itinerante Finca-Pé: Estórias da terra no CCBB Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, ocupa lugar de destaque na exposição. Esculturas de pés, representando tanto o pé humano quanto o de uma árvore, enfatizam a conexão com o solo. A configuração da obra lembra um pequeno jardim, com troncos dispostos de forma aparentemente aleatória, cada um sugerindo uma direção diferente dentro de um labirinto. O título da instalação deriva do termo tupi ka’a porá, que se refere a um indivíduo que se estabelece e se ancora à terra. A expressão também remete à figura mítica da Caipora, protetora das florestas na mitologia indígena brasileira. Outro elemento simbólico da instalação revisita o conceito de poda, entendido aqui como um ato de violência que rompe com a vida e a natureza.
Telas de diferentes tamanhos e técnicas compõem a narrativa visual da mostra. Um conjunto de 22 pinturas de pequeno formato apresenta a leitura de Obá sobre o Tarô. Nas obras, o artista utiliza de uma mistura de técnicas junto a folhas de ouro, conferindo um tom mágico e fantasioso único às cartas do oráculo. Além dessas, a exposição reúne novas pinturas de grandes dimensões, bem como uma obra pintada diretamente sobre uma das paredes do espaço expositivo. Nessas peças, figuras e símbolos que compõem a identidade brasileira sugerem novas interpretações. A mostra também inclui desenhos inéditos feitos com carvão, nanquim, lápis e têmpera e sobre tela.
O filme Encantado (2024) apresenta uma performance do artista que propõe reflexões sobre sistemas simbólicos — especialmente os religiosos. A ação performática evoca uma perspectiva ritualística, centrada na figura do peregrino, que, em seu gesto, sintetiza elementos de crença, cultura e tradição associados ao imaginário do romeiro.
Com esse conjunto de obras, que atravessa diferentes mídias e simbologias, a exposição reafirma a potência da produção de Antonio Obá na construção de uma poética que investiga identidade, território e espiritualidade.
Serviço
Exposição | Nascimento
De 8 de novembro a 14 de março de 2026
Terça a sexta, das 11h às 19h, sábado das 10h às 17h
Período
Local
Mendes Wood DM
Rua Barra Funda, 216, São Paulo – SP
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Na exposição Tania Candiani: Subterrânea, na Vermelho, Tania Candiani, por meio de bordados, desenhos, vídeos, obra sonora e instalação, transforma as redes subterrâneas das raízes em uma cartografia
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Na exposição Tania Candiani: Subterrânea, na Vermelho, Tania Candiani, por meio de bordados, desenhos, vídeos, obra sonora e instalação, transforma as redes subterrâneas das raízes em uma cartografia tátil de emaranhamentos, na qual a matéria se torna sinal das energias que permeiam o solo.
As obras da individual mapeiam essas teias vivas em que sistemas naturais, não humanos e sonoros convergem, revelando as vibrações e ressonâncias invisíveis que atravessam o domínio subterrâneo.
Cada bordado da série Roots Systems é construído em torno de uma linha do horizonte, uma fronteira entre o que vemos e o que permanece oculto, onde estruturas se expandem pelo solo formando redes que ultrapassam a escala da planta visível. O bordado à máquina carrega o som e a vibração dessas redes em constante movimento.
A mesma série se desdobra em dois conjuntos de desenhos, um em tinta spray e outro em nanquim. No primeiro, raízes de diferentes indivíduos da mesma espécie são gravadas em papel de algodão. São dípticos em que cada indivíduo ocupa uma moldura, mas ambos parecem à beira do toque, expandindo-se a partir de um centro comum. O sopro do spray sugere difusão e indefinição, criação e dissolução. O encontro entre os indivíduos se torna uma zona de passagem e de criação, um espaço intermediário onde algo se comunica, se transforma ou nasce. Candiani fala desses desenhos como expressões de uma comunicação celular, emaranhada, que se aproxima das nebulosas, como sinapses cósmicas.
Os desenhos a nanquim se baseiam em raízes superficiais, que são sistemas radiculares que se espalham próximos à superfície do solo, em vez de se desenvolverem em profundidade. São raízes que se expandem horizontalmente em busca de água e nutrientes em ambientes áridos e solos rasos, são redes que buscam sustento na escassez.
Diferentes campos do conhecimento, como a biologia, a filosofia e as artes, aproximam a arquitetura das raízes superficiais das redes neurais. Estruturalmente, essas raízes se expandem em múltiplas direções, formando tramas conectadas semelhantes às sinapses da malha cognitiva.
Assim como os neurônios trocam impulsos elétricos, as raízes comunicam-se por sinais químicos e bioelétricos entre si, e com fungos e bactérias do solo. Essa rede subterrânea atua como um “cérebro ecológico”, que percebe e adapta o organismo vegetal ao ambiente. Tanto a rede neural quanto o sistema radicular superficial configuram formas de vida rizomáticas, baseadas no emaranhamento: expansões laterais que constroem sentido e continuidade por meio da conexão.
A comunicação subterrânea também é o eixo das obras Subterra: Roots, um vídeo circular e uma paisagem sonora multicanal que ampliam a percepção dessa rede viva. O vídeo, circular como uma escotilha, apresenta um fluxo contínuo de raízes, fungos e microrganismos em movimento, em um mergulho gradual pelas camadas do solo. A paisagem sonora, composta por vibrações subsonoras de baixa frequência, cria uma atmosfera imersiva que evoca o zumbido inaudível das redes subterrâneas em movimento, como um campo de ressonância onde as diferentes matérias se comunicam.
Também integra Subterra: Roots um grande rizotron duplo, construído especialmente para a exposição, no qual crescem plantas de milho. O dispositivo — uma caixa com amplas janelas de vidro onde se desenvolvem as plantas — é utilizado em pesquisas científicas para observar o crescimento radicular e permite acompanhar, em tempo contínuo, o que normalmente permanece oculto no solo.
Nesse trabalho, o sistema radicular deixa de ser apenas representação e se apresenta como corpo vivo em transformação. Ao integrar o processo de crescimento vegetal à experiência expositiva, Candiani aproxima ciência e sensibilidade, incorporando o tempo do movimento subterrâneo que atravessa toda a mostra. Com o longo período de duração da exposição, o rizotron transformará a paisagem da montagem a cada visita a Subterrânea.
A exposição fica em cartaz até o dia 19 de dezembro de 2025 e entre 12 de janeiro e 13 de fevereiro de 2026.
Serviço
Exposição | Tania Candiani: Subterrânea
De 13 de novembro a 13 de fevereiro de 2026
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais, 350, São Paulo - SP
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Uma plataforma que transforma a arte em experiência viva para crianças, jovens e famílias. A Caixa Cultural Salvador recebe a exposição interativa “Lugar Nenhum é Logo Ali“, com entrada gratuita
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Uma plataforma que transforma a arte em experiência viva para crianças, jovens e famílias. A Caixa Cultural Salvador recebe a exposição interativa “Lugar Nenhum é Logo Ali“, com entrada gratuita durante o verão na capital baiana. A exposição faz parte do PLAY Festival e reúne obras que podem ser observadas de perto, exploradas com o corpo, investigadas com curiosidade e usadas como ponto de partida para imaginar novas formas de viver e habitar a cidade.
Voltado para infâncias e juventudes, o PLAY propõe um encontro lúdico com a arte contemporânea por meio de atividades que estimulam a descoberta, sensibilidade e criatividade. As crianças e pessoas de todas as idades são convidadas a caminhar pelo espaço e interagir com obras instaladas no chão, nas paredes e no espaço, criando percursos que estimulam o olhar por diferentes ângulos: de cima, de perto, de lado, caminhando ou até se abaixando para descobrir detalhes.
A exposição tem visitação gratuita e foi pensada para que famílias possam viver a arte juntas, criando conexões afetivas enquanto descobrem novos jeitos de olhar para o mundo. O horário de funcionamento da Caixa Cultural Salvador é de terça a domingo, das 9h às 17h30.
Participam da mostra Vik Muniz, Marepe, Milena Ferreira, Mano Penalva, Laís Machado e Maxim Malhado, com obras inéditas criadas especialmente para esta edição ao lado de trabalhos emblemáticos de suas trajetórias. O diálogo entre diferentes gerações e linguagens artísticas amplia o olhar sobre o cotidiano urbano e seus modos de ver o mundo.
A exposição reúne 18 obras, sendo quatro delas inéditas, que convidam o público a percorrer um território sensorial e simbólico em que cada trabalho propõe uma nova forma de habitar o espaço e de pensar a cidade. Vik Muniz, reconhecido mundialmente por transformar materiais ordinários em imagens extraordinárias, recria imagens conhecidas a partir de materiais inusitados, provocando deslocamentos entre o real e a representação. Marepe, por sua vez, parte do cotidiano do interior da Bahia para criar artefatos poéticos que misturam humor, afeto e crítica social. Enquanto Mano Penalva constrói narrativas visuais a partir da cultura material e do comércio popular, reorganizando objetos e símbolos da vida urbana em novas composições.
Milena Ferreira mergulha nas gravuras e ruínas como lugares de memória, criando instalações e esculturas que evocam o tempo e o pertencimento, como espaço de memória e reconstrução da coletividade. Laís Machado, artista transdisciplinar cuja prática atravessa corpo e performance, propõe experiências imersivas de presença e escuta coletiva, convidando o público a participar de pactos poéticos de memória e intimidade. Já Maxim Malhado traz a força simbólica de suas esculturas e objetos feitos de madeira, palha e linha, materiais que carregam rastros de uso e de vida, transformando a simplicidade em potência simbólica.
Como plataforma que articula arte e educação por meio da experimentação e da reflexão, o Play propõe expandir sua atuação para além do espaço expositivo, com uma programação transversal que conecta diferentes territórios da cidade. Oficinas, ações formativas e atividades públicas desdobram as experiências inauguradas pela exposição, ampliando o alcance de suas propostas e encontros.
Com mais de duas décadas de atuação nos campos da arte e da cultura, Tathiana Lopes aprofunda, nesta curadoria, uma pesquisa sobre a cidade educadora, que transita entre arte contemporânea, espaços urbanos e práticas coletivas.
“Convidei artistas de diferentes gerações e com vivências distintas da cidade de Salvador. Suas obras, algumas emblemáticas e outras criadas especialmente para esta edição, convidam a uma interação direta e lúdica com o público. São instalações com diferentes texturas, materiais e objetos cotidianos que propõem que pessoas de todas as idades circulem, interajam e brinquem pelo espaço expositivo. E, como coautores dessa experiência, se sintam provocados pelos questionamentos que esses trabalhos levantam — as tensões entre espaço público e privado, realidade e ilusão, presença e ausência — para refletir e imaginar outras formas de pensar e ocupar a cidade”, afirma a curadora.
Serviço
Exposição coletiva | Lugar Nenhum é Logo Ali
De 14 de novembro a 08 de fevereiro
Terça a domingo, das 9h às 17h30
Período
Local
CAIXA Cultural Salvador
Rua Carlos Gomes, 57 - Centro, Salvador - BA
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Nome central da história do cinema, com filmes que marcaram gerações, Agnès Varda (1928–2019) também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Ao
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Nome central da história do cinema, com filmes que marcaram gerações, Agnès Varda (1928–2019) também é autora de uma extensa produção fotográfica, tendo inclusive começado sua carreira como fotógrafa. Ao longo dos anos, consolidou-se como cineasta, mas a fotografia continuou presente em sua trajetória, seja em seus filmes, seja nas instalações artísticas que produziu no século 21. Essa faceta de sua obra, ainda menos conhecida pelo público, é apresentada na mostra Fotografia AGNÈS VARDA Cinema, que abre no IMS Paulista, com entrada gratuita.
A exposição Fotografia AGNÈS VARDA Cinema reúne cerca de 200 fotografias tiradas por Varda, principalmente, entre as décadas de 1950 e 1960. O conjunto traz imagens clicadas em viagens, incluindo registros inéditos na China, em 1957, fotos em Cuba, no contexto pós-revolução, e nos EUA, onde a artista documentou os Panteras Negras. Há ainda fotos feitas em Paris, como as de uma peça encenada pelos Griôs, primeira companhia de teatro negro na cidade. Em diálogo, a mostra apresenta trechos de filmes da autora, enfatizando como o comprometimento social, o olhar afetuoso e o humor caracterizam a sua produção.
Serviço
Exposição | Fotografia AGNÈS VARDA Cinema
De 29 de novembro a 12 de abril de 2026
Terça a domingo e feriados das 10h às 20h (fechado às segundas)
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A exposição internacional Joaquín Torres García – 150 anos, inédita no país, celebra a trajetória de um dos pilares da arte moderna na América Latina, com cerca de 500 itens, entres
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A exposição internacional Joaquín Torres García – 150 anos, inédita no país, celebra a trajetória de um dos pilares da arte moderna na América Latina, com cerca de 500 itens, entres obras e documentos, incluindo pinturas, manuscritos inéditos, maquetes, desenhos e os célebres brinquedos de madeira produzidos pela família do artista uruguaio.
É a primeira vez que esse conjunto tão amplo e diversificado do artista é apresentado no Brasil, com peças que deixarão pela primeira vez as reservas técnicas do museu uruguaio, revelando ao público aspectos pouco conhecidos da produção do artista.
Com curadoria de Saulo di Tarso em colaboração com o Museo Torres García, a mostra aprofunda o entendimento sobre o “universalismo construtivo” e apresenta Torres García como um pensador de alcance global. A pedagogia do Taller Torres García, que defendia que os artistas da América Latina desenvolvessem uma arte própria sem depender das influências europeias e norte-americanas, também é explicada na exposição. A proposta era incentivar cada artista a buscar suas raízes, símbolos e referências locais, criando uma produção mais autêntica e conectada com a cultura do continente — algo que dialoga diretamente com a seleção presente na exposição.
Instituições como o Museo Torres García (Uruguai), o Museu d’Art Contemporani de Barcelona (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona), o Institut Valencià d’Art Modern [Instituto de Arte Moderna de Valência], o Museo de la Solidaridad Salvador Allende (Chile), além de coleções brasileiras como o MASP e a Pinacoteca de São Paulo, contribuem com empréstimos essenciais.
Este projeto conta com incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet e patrocínio da BB Asset.
Serviço
Exposição | Joaquín Torres García – 150 anos
De 10 de dezembro a 09 de março de 2026
Aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças
Período
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A Olho Nu, maior retrospectiva realizada pelo prestigiado artista brasileiro Vik Muniz chega ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia). Com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, A
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A Olho Nu, maior retrospectiva realizada pelo prestigiado artista brasileiro Vik Muniz chega ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia).
Com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, A Olho Nu reúne trabalhos fundamentais de diferentes fases da trajetória de Vik Muniz, reconhecido internacionalmente por sua capacidade de transformar materiais cotidianos em imagens de forte impacto visual e simbólico. Chocolate, açúcar, poeira, lixo, fragmentos de revista e arame são alguns dos elementos que integram seu vocabulário artístico e aproximam sua produção tanto da arte pop quanto da vida cotidiana. O público poderá acompanhar desde seus primeiros experimentos escultóricos até obras que marcam a consolidação da fotografia como eixo central de sua criação.
Entre os destaques, a exposição traz quatro peças inéditas ao MAC_Bahia, que não integraram a etapa de Recife: Queijo (Cheese), Patins (Skates), Ninho de Ouro (Golden Nest) e Suvenir nº 18. A mostra apresenta também obras nunca exibidas no Brasil, como Oklahoma, Menino 2 e Neurônios 2, vistas anteriormente apenas nos Estados Unidos.
A retrospectiva ocupa o MAC_Bahia e se expande para outros dois espaços da cidade: o ateliê do artista, no Santo Antônio Além do Carmo, que receberá encontros e visitas especiais, e a Galeria Lugar Comum, na Feira de São Joaquim, onde será exibida uma instalação inédita inspirada na obra Nail Fetish. Esta é a primeira vez que Vik Muniz apresenta um trabalho no local, reforçando o diálogo entre sua produção e territórios populares de Salvador.
Exposição A Olho Nu, de Vik Muniz, no Museu de Arte Contemporânea. Foto: Vik Muniz
Apontada como fundamental para compreender a transição do artista do objeto para a fotografia, a série Relicário (1989–2025) recebe o visitante logo na entrada do MAC_Bahia. Não exibida desde 2014, ela apresenta esculturas tridimensionais que ajudam a entender a virada conceitual de Muniz, quando o artista percebeu que podia construir cenas pensadas exclusivamente para serem fotografadas, movimento que redefiniu sua carreira internacional.
Para o curador Daniel Rangel, também diretor do MAC_Bahia, a chegada de A Olho Nu tem significado especial. “Essa é a primeira grande retrospectiva dedicada ao trabalho de Vik Muniz, com um recorte pensado para criar um diálogo entre suas obras e a cultura da região”, afirma.
A chegada da retrospectiva a Salvador também fortalece a parceria entre o IPAC e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), responsável pela realização da mostra e em processo avançado de implantação de sua unidade no Palácio da Aclamação, prédio histórico sob gestão do Instituto. Antes mesmo de abrir suas portas oficialmente na Bahia, o CCBB Salvador já vem promovendo ações culturais na capital, entre elas a apresentação da maior exposição dedicada ao artista.
Para receber A Olho nu, o IPAC e o MAC_Bahia mobilizam uma estrutura completa que inclui serviços de manutenção, segurança, limpeza, iluminação museológica e logística operacional, além da atuação da equipe de mediação e das ações educativas voltadas para escolas, universidades, grupos culturais e visitantes em geral. A expectativa é de que o museu receba cerca de 400 pessoas por dia durante o período da mostra, consolidando o MAC_Bahia como um dos principais equipamentos de circulação de arte contemporânea no Nordeste. Não por acaso, o Museu está indicado entre as melhores instituições de 2025 pela Revista Continente.
Com acesso gratuito e programação educativa contínua, A Olho Nu deve movimentar intensamente a agenda cultural de Salvador nos próximos meses. A exposição oferece ao público a oportunidade de mergulhar na obra de um dos artistas brasileiros mais celebrados da atualidade e de experimentar diferentes etapas de seu processo criativo, reafirmando o MAC_Bahia como referência na promoção de grandes mostras nacionais e internacionais.
Serviço
Exposição | A Olho Nu
De 13 de dezembro a 29 de março
Terça a domingo, das 10h às 20h
Período
Local
MAC Bahia
Rua da Graça, 284, Graça – Salvador, BA
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O MuBE — Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia — celebra seus 30 anos com a exposição “A Terceira Margem da Cidade: Paulo Mendes da Rocha e os Desafios da
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O MuBE — Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia — celebra seus 30 anos com a exposição “A Terceira Margem da Cidade: Paulo Mendes da Rocha e os Desafios da Vida no Planeta”.
Com curadoria de Guilherme Wisnik e Fernando Túlio, a mostra homenageia o legado de Paulo Mendes da Rocha (Pritzker 2006) e a arquitetura icônica do MuBE, um projeto nascido da luta da sociedade civil pela preservação do espaço.
Em sintonia com a COP30, o museu reatualiza sua pauta fundadora de Escultura e Ecologia. A exposição coloca as ideias Paulo Mendes que via a política no urbanismo em debate direto com os desafios climáticos e a urgência de repensar o futuro das cidades.
A entrada no MuBE é livre e gratuita, dentro do horário de funcionamento do museu, e, para seu conforto, sugerimos o agendamento prévio aqui no Sympla para sua visita ao museu. Para visitas de grupos ou visitas guiadas, seja na área interna ou externa, mesmo que organizadas por terceiros, sem ligação com o museu, o agendamento pelo email educativo@mube.art.br é obrigatório.
Para visitar o museu garantindo a sua segurança, dos demais visitantes, funcionários, colaboradores e das obras de arte, é necessário respeitar todas as normas de visitação, descritas abaixo, para ter acesso ao prédio, jardim, exposições em cartaz, restaurante e demais áreas do Museu.
Serviço
Exposição | A Terceira Margem da Cidade: Paulo Mendes da Rocha e os Desafios da Vida no Planeta
De 13 de dezembro a 13 de março
Terça a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia - MuBE
Rua Alemanha, 221 - Jardim Europa, São Paulo - SP
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“O desencaixar das coisas” é a exposição inaugural da Pórtico e apresenta trabalhos de 16 artistas. Com uma seleção que inclui nomes emergentes e consagrados de distintas gerações e geografias,
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“O desencaixar das coisas” é a exposição inaugural da Pórtico e apresenta trabalhos de 16 artistas. Com uma seleção que inclui nomes emergentes e consagrados de distintas gerações e geografias, a mostra serve como um prelúdio para a série de exposições e a programação da galeria no ciclo de 2026, refletindo a amplitude de perspectivas que orientam o projeto.
São eles: Angela Bassan (São Paulo, 1952), Caio Borges (São Paulo, 1974), Edson Chagas (Luanda, 1977), Gege Mbakudi (Luanda, 1999), Giovanna Mitrani (São Paulo, 1997), Hugo Barata (Lisboa, 1978), Inês Moura (Cascais, 1982), José Maçãs de Carvalho (Anadia, 1960), Laerte Ramos (São Paulo, 1978), Lilian Walker (Americana, 1994), Lucimélia Romão (Jacareí, 1988), Manoel Canada (São Paulo, 1966), Neno del Castillo (Rio de Janeiro, 1956 ), Omar Khouri (Pirajuí, 1948), Peter de Brito (Gastão Vidigal, 1967) e Ricardo Coelho (São Paulo, 1974).
A exposição – além de acreditar na força de objetos como as fotografias de artistas como Lucimélia Romão e o artista angolano vencedor do leão de ouro na Bienal de Veneza em 2013, Edson Chagas, e do vídeo do artista português José Maçãs de Carvalho, que acaba de chegar da Bienal Internacional de Arte de Macau 2025 – também esbanja ocaráter interdisciplinar da galeria, no momento que esta representa nomes, que também poderão desempenhar outras pesquisas durante o ciclo que será apresentado em 2026.
Como exemplo, nomes como o de Omar Khouri, poeta intersemiótico cultuado desde os anos 70, e Inês Moura, participante da mostra Atlânticos que esteve este ano no Museu da Língua Portuguesa, são artistas que deverão atuar em investigações curatoriais e educativas em 2026 junto a direção artística de Adolfo Caboclo. O expertese de nomes como do pintor Manoel Canada – artista, restaurador e historiador da arteque desenvolve pinturas sobre a cidade e o território, reunindo a historiografia de construções e o da escultora Angela Bassan – que trabalhou por duas décadas como artista-educadora no Museu Brasileiro da Escultura e na Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), ministrando cursos de Escultura, além de atuar no design de objetos- influenciam nas propostas que serão apresentadas pela Pórtico em 2026.
Serviço
Exposição | O desencaixar das coisas
De 16 de dezembro a 14 de fevereiro
Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira das 10h às 19h, aos sábados, das 10h às 17h
Período
Local
Pórtico
Travessa Dona Paula, 116 – Higienópolis, São Paulo - SP
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Com curadoria de Osmar Paulino, Marlon Amaro expõe Mirongar, mostra reúne obras centrais de sua trajetória, reconhecido por abordar de forma contundente temas como o racismo estrutural, o apagamento da
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Com curadoria de Osmar Paulino, Marlon Amaro expõe Mirongar, mostra reúne obras centrais de sua trajetória, reconhecido por abordar de forma contundente temas como o racismo estrutural, o apagamento da população negra e as dinâmicas históricas de violência e subserviência impostas a corpos negros.
Serviço
Exposição | Mirongar
De 13 de janeiro a 21 de março
Quarta a Domingo, das 14h às 21h
Período
Local
Casa do Benin
Rua Padre Agostinho Gomes, 17 - Pelourinho, Salvador - BA
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Primeira exposição individual de Daniel Barreto na Bahia. Nascido no Rio de Janeiro, o artista apresenta pela primeira vez seu trabalho ao público soteropolitano. O título da mostra, inspirado em uma
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Primeira exposição individual de Daniel Barreto na Bahia. Nascido no Rio de Janeiro, o artista apresenta pela primeira vez seu trabalho ao público soteropolitano.
O título da mostra, inspirado em uma frase do romance Capitães de Areia, de Jorge Amado, orienta uma leitura sensível sobre corpo, território e memória, sob curadoria de Victor Gorgulho.
A exposição ocupa o espaço projetado por Lina Bo Bardi como anexo ao Teatro Gregório de Mattos, em diálogo direto com a paisagem urbana da Praça Castro Alves e a Baía de Todos-os-Santos.
Serviço
Exposição | Pinóia
De 13 de janeiro a 28 de fevereiro
Quarta a Domingo, das 14h às 21h
Período
Local
Teatro Gregório Mattos - Galeria da Cidade
Praça Castro Alves, s/n, Centro, Salvador - BA
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O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) apresenta Festa no Céu – Mirĩ’kʉã ʉmʉhsé’pʉ Bahsa’rã, instalação inédita da artista, curadora e ativista indígena Daiara Tukano. A obra
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O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) apresenta Festa no Céu – Mirĩ’kʉã ʉmʉhsé’pʉ Bahsa’rã, instalação inédita da artista, curadora e ativista indígena Daiara Tukano. A obra ocupa o pátio do centro cultural com um arco composto por mais de 100 pássaros, em sua maioria araras, criado como homenagem à sabedoria ancestral, à preservação da floresta e ao papel das aves como intermediárias entre dimensões espirituais.
O trabalho se estrutura como um grande móbile, no qual os pássaros aparecem em quatro posições distintas, sugerindo movimento contínuo. Feitas em material translúcido e ornamentadas com desenhos de hori em diversos tons, as peças projetam cores no espaço tanto sob a luz do sol quanto à noite, quando recebem iluminação especial. Mais que um conjunto escultórico, a instalação se propõe a funcionar como um portal para a cosmovisão indígena.
Nas narrativas de criação do povo Yepá Mahsã Tukano, antes da multiplicação da humanidade, as Amõ Numiã, as primeiras mulheres, deram à luz os pássaros, que surgiram cantando, voando e espalhando cores pelo mundo. Encantados com esse nascimento, homens e animais passaram a cantar na floresta, cada um em sua própria língua, e a ter mirações, visões coloridas que originaram suas pinturas e desenhos. Assim surgiu a diversidade de povos e percepções que tornou possível a expansão humana. Desde então, os pássaros fazem a festa no céu, levando mensagens e sonhos em seus cantos e revoadas.
“A ‘Festa no Céu’ é um grande móbile de pássaros de acrílico, araras e outros passarinhos voando com as suas asas abertas, desenhadas com Hori, que são os nossos grafismos do povo Ye’pá Mahsã. É uma obra que conta a história da criação dos pássaros, do surgimento das cores, dos desenhos, da arte, das línguas, da beleza, da memória e dos sonhos. São grafismos que nós usamos nas nossas panelas, nas nossas cestarias e nas nossas pinturas corporais, e que fazem parte da nossa cultura. Os pássaros são transparentes e têm reflexos iridescentes, de arco-íris, projetando as suas sombras iluminadas no chão. Eles são transparentes, assim como são transparentes nossos sonhos, nossos pensamentos e nossos sentimentos”, explica Daiara Tukano.
Ao trazer esse símbolo amazônico para um espaço central da cidade como o CCBB BH, a artista reforça a urgência de cuidar da floresta, compreendida por muitos povos como um organismo vivo cujo desequilíbrio manifesta crises espirituais profundas.
Com direção artística e curadoria de Juliana Flores e arquitetura de Camila Schmidt, a instalação integra a ação de final de ano do CCBB BH, fortalecendo a relação do museu com o público que circula diariamente pelo Circuito Liberdade.
Para a gerente geral do centro cultural, Gislane Tanaka, “Festa no Céu nasce em diálogo com a tradicional iluminação de final de ano da Praça da Liberdade, e revela a diversidade de visões que os povos originários guardam como sabedoria, abrindo espaço para um encontro sensível com suas cosmovisões. Nesta travessia entre luz, arte e ancestralidade, o CCBB BH reafirma seu compromisso de aproximar cada vez mais as pessoas da cultura”.
Serviço
Exposição | Festa no Céu – Mirĩ’kʉã ʉmʉhsé’pʉ Bahsa’rã
De 28 de novembro a 28 de fevereiro
Quarta a segunda, das 10h às 22h
Período
Local
Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)
Praça da Liberdade, 450 - Funcionários, Belo Horizonte - MG
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A prática de Antonio Malta Campos circula técnicas pictóricas que flutuam em tintas sobre telas, papéis e assemblages. Sua pincelada, por vezes incisiva, outras deslizantes, caminha também ao sutil e
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A prática de Antonio Malta Campos circula técnicas pictóricas que flutuam em tintas sobre telas, papéis e assemblages. Sua pincelada, por vezes incisiva, outras deslizantes, caminha também ao sutil e airoso, em um traço reconhecível que transita entre a figuração e a abstração. Para Malta, a pintura começa em um pequeno caderno, em esboços aquarelados que virão a se tornar telas tomadas pela cor e a forma. Sua pesquisa segue o caminho que Matisse descrevia como “construção por meio da cor”, é uma investigação plástica do lugar, a criação e ocupação do sensível. Sua abstração é sugestiva, insinua por meio de diferentes traços e formatos que existe um lugar de criação no desconforto visual das preciso?es geome?tricas e das distinc?o?es entre o abstrato e o figurativo. É nesse lugar que Malta habita e é habitado.
Seu universo poético é a expansão da operação pictórica e atinge o exímio manejo da profusão cromática. Suas composições revelam gradações ora sutis, ora hiperbólicas, flutuando em azuis, neons e tons terrosos, na criação de um universo ficcional a partir do contorno, linhas e texturas da pintura.
Sua multiplicidade poética fica ainda evidente se olharmos para outras produções que possuem influência expressionista na cor e no desenho, são pinturas que o próprio apelidou de “pinturas nervosas”. Essa denominação sublinha a natureza mais tensa, dinâmica e de forte impacto emocional dessas obras, onde a cor e a pincelada agem como veículos de uma expressividade mais crua e imediata, revelando a complexidade e o alcance da investigação artística do artista.
Malta convoca nosso olhar à interpretação da paisagem a partir de outros vieses, reverberando a partir da matéria, em que se notam matizes mais opalescentes e etéreos. A materialidade mais recente é sugestiva, diferente de outras fases como as cabeças e personagens, em que a figuração era mais pungente pelas cores saturadas e traços expressionistas.
Na mostra “Opalescente”, na galeria Simões de Assis, que reúne obras recentes e inéditas de Antonio Malta Campos, nos deparamos com um recorte curatorial de sua produção que emerge de cores, linhas, formas geométricas e construções abstracionais. Essa produção delineia caminhos em que a pintura apresenta paletas de cores mais abertas, alegres, por vezes em tons pastéis e amenos, sugerindo uma leveza e uma atmosfera mais serena, essas obras exploram a cor em sua capacidade de construir espaços e formas com suavidade. Na sobreposição cromática em camadas há certa luminescência perolada, derivada da opala, uma gema que reflete cores multifacetadas, emanando uma aparência leitosa e iridescente em acabamentos azulados, avermelhados e alaranjados que se alteram conforme a mudança do ângulo da luz – a fatura de Malta é opalescente.
O semiólogo Roland Barthes certa feita resumiu que “o contemporâneo é o intempestivo”, isto é, aquilo que atinge o tempo presente para fazê-lo pensar sobre si mesmo. Malta projeta em sua pintura uma articulação cromática profundamente intempestiva: sua composição opera sob uma perspectiva provocadora. Ao instaurar uma temporalidade que escapa ao imediato, suas cores e gestos desafiam o espírito da época, abrindo frestas para outros modos de ver e de habitar o presente.
A feitura pictórica de Malta é uma articulação cromática no campo bidimensional, demonstrando o gesto habilidoso de reinvenção na vivência do ateliê, do processo investigativo do empilhamento de cores e da pesquisa formal que evoca novos prismas de sentido de uma poética já reconhecida e fortalecida. Na mostra presenciamos a síntese de sua poética, um ensaio plástico que irrompe ao espaço expositivo e revela singulares vetores de sentido.
Luana Rosiello e Mariane Beline
Serviço
Exposição | Opalescente
De 15 de janeiro a 07 de fevereiro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h ás 17h
Período
Local
Simões de Assis - Balneário Camboriú
3ª Avenida, esquina c/ 3.150, sala 04, centro, Balneário Camboriú - SC
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Cheiro de terra molhada, canto de pássaros, sons da mata e imagens da floresta amazônica e de seus habitantes chegam ao Rio de Janeiro para proporcionar um passeio pela maior
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Cheiro de terra molhada, canto de pássaros, sons da mata e imagens da floresta amazônica e de seus habitantes chegam ao Rio de Janeiro para proporcionar um passeio pela maior floresta tropical do mundo, na exposição “Presenças na Amazônia: um diário visual de Bob Wolfenson“, no lounge do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A mostra fotográfica e multissensorial propõe uma vivência sensível da floresta a partir do olhar artístico do fotógrafo Bob Wolfenson, que completa 55 anos de carreira. Realizada pela Vale, a exposição fica aberta ao público de 15 de janeiro a 10 de fevereiro.
A mostra apresenta as impressões da floresta registradas pelo fotógrafo durante as filmagens da websérie “Amazônia: Juntos Fazemos a Diferença”, conduzida por ele e pela cantora Gaby Amarantos, em 2024. A produção audiovisual, realizada pela Vale, se transformou em uma campanha que apresenta a cultura, a economia, os biomas e o povo da floresta amazônica e se encerra com a estreia da exposição do diário visual de Bob Wolfenson.
“Há quatro décadas a Vale está presente na Amazônia, como um dos principais agentes de desenvolvimento sustentável e de preservação, valorização e difusão da cultura amazônida. Realizamos uma série de iniciativas que fomentam a bioeconomia, protegem a floresta em pé e contribuem com pesquisa e produção de conhecimento em áreas como biodiversidade, genômica e mudanças climáticas. Nesse sentido, a realização dessa exposição no Museu do Amanhã ganha especial propósito, ao propor novas formas de ver e conhecer a região em toda a sua diversidade, provocar reflexões e novas formas de atuarmos, juntos, pelo presente e pelo futuro”, afirma Grazielle Parenti, Vice-Presidente Executiva de Sustentabilidade da Vale.
Organizadas em três eixos – A Floresta, Presenças e Luz Mágica – as fotos revelam a Amazônia por dentro, suas histórias e suas comunidades, em uma narrativa na qual a floresta e as pessoas se misturam e convivem em harmonia.
“Fotografar a Amazônia foi uma experiência profunda e transformadora. Estar diante de uma natureza tão poderosa e, ao mesmo tempo, encontrar pessoas que trabalham para que ela permaneça em pé trouxe um novo sentido ao meu olhar. Levar essas imagens para o Museu do Amanhã, com o patrocínio da Vale, é muito significativo: é uma forma de ampliar esse diálogo e mostrar que preservar a floresta é também preservar histórias, culturas e futuros”, comenta Bob Wolfenson.
“O Museu do Amanhã aposta na força da arte em comunicar o que a ciência hoje demonstra e, com isso, facilitar a reconexão do humano com o oceano”, afirma Fabio Scarano, curador do Museu do Amanhã.
Os espaços são marcados por materiais rústicos e naturais e por uma iluminação que muda ao longo do percurso, remetendo ao ciclo do dia. A experiência ganha profundidade com a presença de elementos sensoriais que transportam os convidados para dentro da Amazônia, como um leve aroma de terra fresca depois da chuva. Também o visitante poderá ouvir sons originais da floresta, fruto de estudo do Instituto Tecnológico Vale (ITV), que reuniu mais de 16 mil minutos da vida na Floresta de Carajás e revelou curiosidades sobre a biodiversidade amazônica por meio do som que ela emite. Além disso, uma área de pausa e contemplação traz frases, trechos de falas e anotações de viagem de Bob Wolfenson, criando uma instalação poética que traduz o processo criativo do artista. A produção é da Tantas Projetos Culturais e TM1 Brand Experience, com curadoria de Cecilia Bedê.
A exposição contará com uma programação educativa e gratuita que conecta as fotografias às memórias, aromas, sons e símbolos da Amazônia. Além da caminhada fotográfica com Bob Wolfenson na Praça Mauá, haverá atividades para todos os públicos, trazendo o DNA amazônico em oficinas de carimbos, aula de dança de carimbó, pintura de brinquedos de miriti e experiências sensoriais como o tradicional banho de cheiro. A programação completa está disponível no site do Museu do Amanhã.
Com atenção especial à acessibilidade e à inclusão, a exposição conta com recursos como obras táteis, dispositivos sonoros e olfativos, mediações, audiodescrição, interpretação em Libras e atividades adaptadas.
Serviço
Exposição | Presenças na Amazônia: um diário visual de Bob Wolfenson
De 15 de janeiro a 10 de fevereiro
Todos os dias, exceto quarta-feira, das 10h às 18h (última entrada às 17h)
Período
Local
Museu do Amanhã
Praça Mauá, 1 - Centro, Rio de Janeiro - RJ
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O MIS, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugura a última exposição do edital Nova Fotografia 2025 com a série “Bororé“, do
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O MIS, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugura a última exposição do edital Nova Fotografia 2025 com a série “Bororé“, do fotógrafo Kaio Quinto. O projeto anual do Museu seleciona, através de convocatória aberta ao público, seis novos fotógrafos para uma exposição individual no Museu. A seleção fica a cargo do Núcleo de Programação, com supervisão e coordenação da curadoria geral do MIS. São selecionadas séries fotográficas inéditas, de profissionais que se destacam por sua originalidade técnica e estética. Após o período em exposição, as séries escolhidas passam a integrar o acervo do MIS.
O trabalho de Kaio Quinta retrata a ilha do Bororé, localizada no extremo sul de São Paulo e que concentra muita riqueza e história para a cidade. Pouco conhecida pela maioria da população paulistana, este bairro acaba sendo um contraponto diante da agitada metrópole. Hoje a ilha oferece infraestrutura para lazer, esporte e cultura. O nome Bororé vem da língua tupi, que significa “mato fechado” ou ‘floresta densa”. O local era habitado pela tribo Guarulhos e Guaianás.
Serviço
Exposição | Bororé
De 16 de dezembro a 01 de fevereiro
Terças a sextas, das 10h às 19h, sábados, das 10h às 20h, domingos e feriados, das 10h às 18h
Período
Local
Museu da Imagem e do Som - MIS
Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo - SP
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A Galeria Zipper, em São Paulo, recebe a 17ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria, promovido pelo portal Mapa das Artes. A exposição com obras de onze artistas, dez
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A Galeria Zipper, em São Paulo, recebe a 17ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria, promovido pelo portal Mapa das Artes. A exposição com obras de onze artistas, dez que foram selecionados e ainda o contemplado com o Prêmio Estímulo Fora do Eixo. Este ano foram 371 inscrições, o que representa um aumento de 22% no número inscrições recebidas para a mostra de 2025.
Nesta edição, foram selecionados Bernardo Liu (RJ), Dani Shirozono (MG/SP), Demir (DF), Isabela Vatavuk (SP), Mariana Riera (RS), Paulo Valeriano (DF), Rafael Santacosta (SP), Romildo Rocha (MA), Shay Marias (RJ/SP) e Timóteo Lopes (BA).
O Salão concedeu, ainda este ano, o Prêmio Estímulo Fora do Eixo, no valor de R$ 1.000,00, direcionado a um artista não selecionado e residente fora do eixo Rio-São Paulo. O premiado foi Pedro Kubitschek (MG). O júri de seleção foi formado pelo produtor e curador independente Alef Bazilio; pelo artista, curador e professor universitário Diogo Santos Bessa e pelo jornalista, crítico e curador independente Mario Gioia. Ao final da exposição, três entre os artistas selecionados serão premiados com valores de R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1 mil.
O Salão dos Artistas Sem Galeria tem como objetivo movimentar e estimular o circuito de arte logo no início do ano. Há 17 anos o evento avalia, exibe, documenta e divulga a produção de artistas plásticos que não tenham contratos verbais ou formais (representação) com qualquer galeria de arte na cidade de São Paulo. O Salão abre o calendário de artes em São Paulo e é uma porta de entrada para esses artistas no concorrido circuito comercial das artes no país.
O Salão dos Artistas Sem Galeria tem concepção e organização de Celso Fioravante, assistência de Lucas Malkut e projeto gráfico de Cláudia Gil (Estúdio Ponto).
Artistas selecionados na 17ª edição (por ordem de inscrição)
Timóteo Lopes – BA: @timoteolopes_
Mariana Riera – RS: @marianariera82
Romildo Rocha – MA: @rocha.abencoado
Isabela Vatavuk – SP: @isabelavatavuk
Rafael Santacosta – SP: @santacosta.art
Paulo Valeriano – DF: @paulovalerianopaulovaleriano
Shay Marias – RJ/SP: @shaymarias
Dani Shirozono – MG/SP: @danishirozono
Demir – DF: @demirartesplastica
Bernardo Liu – RJ: @bernardoliu
Pedro Kubitschek – MG (Prêmio Estímulo Fora do Eixo): @pedrodinizkubitschek
Serviço
Exposição coletiva | 17º Salão dos Artistas sem Galeria
De 17 de janeiro a 28 de fevereiro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h ás 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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Em sua prática, a artista franco-brasileira Julia Kater investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da
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Em sua prática, a artista franco-brasileira Julia Kater investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da imagem por meio do recorte e da justaposição. Na fotografia, Kater parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas sim, resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe do mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido. Nas colagens, o gesto do recorte ganha corpo. Fragmentos de fotografias são manualmente cortados, sobrepostos e organizados em camadas que criam passagens visuais marcadas por transições sutis de cor. Esses acúmulos evocam variações de luz, atmosferas e a própria passagem do tempo através de gradações cromáticas.
Na individual Duplo, Julia Kater apresenta trabalhos recentes, desenvolvidos a partir da pesquisa realizada durante sua residência artística em Paris. “Minha pesquisa se concentra na paisagem e na forma como a cor participa da construção da imagem – ora como elemento acrescentado à fotografia, ora como algo que emerge da própria superfície. Nas colagens, a paisagem é construída por recortes, justaposições e gradações de cor. Já nos trabalhos em tecido, a cor atua a partir da própria superfície, por meio do tingimento manual, atravessando a fotografia impressa. Esses procedimentos aprofundam a minha investigação sobre a relação entre a paisagem, a cor e a superfície”, explica a artista.
Em destaque, duas obras que serão exibidas na mostra: uma em tecido que faz parte da nova série e um díptico inédito. Corpo de Pedra (Centauro), 2025, impressão digital pigmentária sobre seda tingida à mão com tintas a base de plantas e, Sem Título, 2025, colagem com impressão em pigmento mineral sobre papel matt Hahnemüle 210g, díptico com dimensão de 167 x 144 cm cada.
A artista comenta: “dou continuidade às colagens feitas a partir do recorte de fotografia impressa em papel algodão e passo a trabalhar com a seda também como suporte. O processo envolve o tingimento manual do tecido com plantas naturais, como o índigo, seguido da impressão da imagem fotográfica. Esse procedimento me interessa por sua proximidade com o processo fotográfico analógico, sobretudo a noção de banho, de tempo de imersão e de fixação da cor na superfície”. Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que fica em cartaz até 07 de março de 2026.
Serviço
Exposição | Julia Kater: Duplo
De 22 de janeiro a 07 de março
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Período
Local
Simões de Assis
Al. Lorena, 2050 A, Jardins - São Paulo - SP
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A Galatea tem o prazer de apresentar Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura, primeira individual do artista paulistano Guilherme Gallé (1994, São Paulo), na unidade da galeria na
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A Galatea tem o prazer de apresentar Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura, primeira individual do artista paulistano Guilherme Gallé (1994, São Paulo), na unidade da galeria na rua Padre João Manuel. A mostra reúne mais de 20 pinturas inéditas, realizadas em 2025, e conta com texto crítico do curador e crítico de arte Tadeu Chiarelli e com texto de apresentação do crítico de arte Rodrigo Naves.
A exposição apresenta um conjunto no qual Gallé revela um processo contínuo de depuração: um quadro aciona o seguinte, num movimento em que cor, forma e espaço se reorganizam respondendo uns aos outros. Situadas no limiar entre abstração e sugestão figurativa, suas composições, sempre sem título, convidam à lenta contemplação, dando espaço para que o olhar oscile entre a atenção ao detalhe e ao conjunto.
Partindo sempre de um “lugar” ou pretexto de realidade, como paisagens ou naturezas-mortas, mas sem recorrer ao ponto de fuga renascentista, Gallé mantém a superfície pictórica deliberadamente plana. As cores tonais, construídas em camadas, estruturam o plano com uma matéria espessa, marcado por incisões, apagamentos e pentimentos, que dão indícios do processo da pintura ao mesmo tempo que o impulsionam.
Entre as exposições das quais Guilherme participou ao longo de sua trajetória, destacam-se: Joaquín Torres García – 150 anos, (Coletiva, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, São Paulo / Brasília / Belo Horizonte, 2025–2026); Ponto de mutação (Coletiva, Almeida & Dale, São Paulo, 2025); O silêncio da tradição: pinturas contemporâneas (Coletiva, Centro Cultural Maria Antonia, São Paulo, 2025); Para falar de amor (Coletiva, Noviciado Nossa Senhora das Graças Irmãs Salesianas, São Paulo, 2024); 18º Território da Arte de Araraquara (2021); Arte invisível (Coletiva, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, 2019); e Luiz Sacilotto, o gesto da razão (Coletiva, Centro Cultural do Alumínio, São Paulo, 2018).
Serviço
Exposição | Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura
De 22 de janeiro a 07 de março
Segunda a quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, Sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galatea Padre João Manuel
R. Padre João Manuel, 808, Jardins – São Paulo - SP
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A artista Luiza Sigulem inaugura sua segunda exposição individual, Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro, com abertura marcada para o dia 24 de janeiro de 2026, no Ateliê397, em
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A artista Luiza Sigulem inaugura sua segunda exposição individual, Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro, com abertura marcada para o dia 24 de janeiro de 2026, no Ateliê397, em São Paulo. Reunindo um conjunto inédito de trabalhos, a mostra, com curadoria de Juliana Caffé, tensiona a relação entre corpo, arquitetura e o tempo, propondo o deslocamento como uma operação de ajuste e reflexão crítica.
O projeto toma a instabilidade como condição que reorganiza a relação entre corpo e arquitetura, produzindo um tempo que não coincide com a lógica da eficiência. Em sintonia com a teoria Crip (termo reapropriado de cripple que nomeia práticas que deslocam o “corpo padrão”) e o conceito de crip time — uma temporalidade que acolhe pausas, ritmos variáveis e o não-alinhamento com o relógio produtivista —, o trabalho de Sigulem afirma a diferença não como exceção, mas como método.
“Ao longo do meu processo, a falta de acessibilidade se manifestou no tempo necessário para lidar com pequenos e grandes obstáculos e na atenção exigida por ajustes mínimos que se acumularam de forma quase imperceptível,” declara a artista. “Essa experiência deslocou a ideia de eficiência e aproximou minha produção de uma noção de tempo expandido, no qual o ritmo do corpo não coincide com a expectativa normativa da reprodução capitalista. É nesse descompasso que o meu trabalho se constrói.”
O projeto, que incorpora pela primeira vez vídeo-performances, intervenções e uma escultura em diálogo com a fotografia, marca um momento de expansão na trajetória da artista e coloca a acessibilidade no centro da construção estética e poética. Também tensiona a invisibilidade de uma parcela expressiva da população: segundo dados da PNAD Contínua 2022 (IBGE), o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, das quais aproximadamente 3,4 milhões apresentam deficiência física nos membros inferiores, contingente que enfrenta diariamente as barreiras arquitetônicas discutidas na mostra.
Arquitetura e poética: uma inversão expositiva
O projeto nasce de um dado incontornável do contexto paulistano: a dificuldade estrutural de encontrar espaços expositivos capazes de acolher a investigação da artista de forma coerente com suas questões. Diante da inexistência de alternativas viáveis e dos prazos institucionais, a mostra abraçou esse limite como parte do projeto, transformando-o em campo de reflexão.
“A escolha do Ateliê397 como sede da exposição responde a esse contexto. Enquanto espaço independente, ele oferece uma abertura conceitual e um campo real de negociação para a construção deste projeto,” comenta a curadora Juliana Caffé. “Situado na Travessa Dona Paula, em uma área marcada por importantes equipamentos culturais igualmente limitados em termos de acessibilidade, o espaço é incorporado pela exposição como elemento ativo, deixando de operar como suporte neutro para integrar arquitetura, circulação e entorno ao campo de discussão proposto.”
Diante dos limites arquitetônicos do Ateliê, Sigulem não trata a falta de acessibilidade como obstáculo a ser corrigido, mas como condição a ser trabalhada criticamente. A expografia opera uma inversão deliberada: em vez de adaptar o espaço a um padrão normativo, é o público que se vê levado a recalibrar seu corpo diante de passagens reduzidas e escalas deslocadas.
Nesse sentido, a mostra apresenta uma instalação, desenvolvida pela artista em colaboração com a dupla de arquitetos Francisco Rivas e Rodrigo Messina, que reúne dispositivos de acessibilidade e permanência pensados como parte constitutiva da obra. A intervenção reorganiza a recepção: a porta e o batente foram deslocados para permitir abertura total (180°); bancos e banquinhos foram distribuídos para acolher o repouso; e almofadas nos bancos externos estendem a experiência para o entorno.
A radicalidade da proposta reflete-se na ocupação institucional: a lateral da escada, que conduz a um segundo andar inacessível para pessoas com deficiência, foi convertida em uma pequena biblioteca de teoria Crip. “Durante a mostra, o Ateliê397 aceitou tornar o andar superior inoperável, suspendendo seu uso como sala de projeção para tornar explícito o limite arquitetônico em vez de ocultá-lo. E, como desdobramento externo, o projeto inclui a produção e doação de rampas móveis sob medida para espaços culturais vizinhos na vila, provocando o circuito a pensar coletivamente suas condições de acesso”, pontua Caffé.
O projeto se alinha a debates contemporâneos que buscam a visibilidade sem captura, onde o trabalho opera por sensação, ritmo e microeventos corporais que não se reduzem a uma imagem “explicativa” ou a um conteúdo de fácil consumo. Trata-se de uma abordagem que reconhece o acesso como estética e a deficiência como um diagnóstico do espaço e das normas. Dessa forma, curadoria e expografia tornam-se parte ativa do trabalho. Textos em Braille, audiodescrição e fototátil acompanham a exposição, cujo funcionamento e mediação incorporam a contratação de pessoas PcD, respeitando diferentes tempos de circulação.
Além disso, todos os dispositivos da mostra foram realizados com materiais simples e de baixo custo, afirmando a possibilidade de construir formas de acolhimento mesmo em arquiteturas que não atendem plenamente às normas legais.
Corpo em negociação: vídeo, escultura e fotografia
Se em trabalhos anteriores Sigulem convidava o outro a se ajustar a determinadas escalas, a exemplo da série Jeito de Corpo (2024), nesta individual a artista coloca o próprio corpo no centro da experiência. Diferentes obras exploram esse deslocamento de perspectiva, ora propondo situações em que o público é levado a reorientar sua percepção espacial, ora acompanhando a artista em gestos de negociação contínua com o espaço.
Os vídeos partem de releituras de performances históricas, realizadas a partir do corpo da artista e atravessadas por questões de gênero e potência. As ações não buscam fidelidade ao gesto original, mas operam como tradução situada, na qual cada movimento carrega a marca de um ajuste necessário. A câmera acompanha o processo sem corrigir o desvio, permitindo que a falha e o esforço permaneçam visíveis.
É o caso da série inédita Rampas (2025), um conjunto de vinte fotografias derivadas do vídeo-performance Painting (Retoque) (a partir de Francis Alÿs). No vídeo, a artista marca com tinta amarela pontos das ruas de São Paulo onde deveriam existir rampas de acesso, evidenciando ausências de acessibilidade na paisagem urbana. As fotografias isolam esses gestos e vestígios, transformando a ação performática em imagens que registram a fricção entre corpo, cidade e infraestrutura.
Ao adotar como referência a altura do campo visual de uma pessoa cadeirante, a exposição desloca a escala normativa do espaço expositivo e introduz um regime de percepção em que o corpo não se ajusta à arquitetura, mas a arquitetura se torna índice de seus limites.
Uma escultura pontua o espaço, testando limites entre função e falha e questionando estruturas pensadas para orientar o movimento. Em uma instalação, um vídeo dedicado à imagem da queda articula sua repetição como experiência física e simbólica. Em conjunto, as obras sugerem que toda trajetória é atravessada por desvios, pausas e negociações, e que a menor distância entre dois pontos, raramente se apresenta como linha reta.
A exposição Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro integra o projeto Jeito de Corpo, contemplado no EDITAL FOMENTO CULTSP PNAB Nº 25/2024, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Estado de São Paulo.
Serviço
Exposição | Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro
De 24 de janeiro a 28 de fevereiro
Quarta a sábado, das 14h às 18h
Período
Local
Ateliê397
Travessa Dona Paula, 119A – Higienópolis, São Paulo - SP
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A Galeria Alma da Rua, localizada em um dos endereços mais emblemáticos da capital paulista, o Beco do Batman, abre em 24 de janeiro a mostra “Onírica” de Kelly S.
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A Galeria Alma da Rua, localizada em um dos endereços mais emblemáticos da capital paulista, o Beco do Batman, abre em 24 de janeiro a mostra “Onírica” de Kelly S. Reis em que apresenta dezenas de obras, todas inéditas, com foco no universo simbólico e surreal da artista, que é afro-indígena. Sua produção investiga o hibridismo e os entrelaçamentos culturais e biológicos a partir de um olhar feminino, tendo a miscigenação como eixo central.
O onirismo manifesta-se como um campo sensível ligado aos sonhos, à imaginação, à intuição e ao inconsciente. Nesse território, a mulher negra assume o protagonismo e estabelece uma relação simbiótica com a natureza. Por meio da representação de mulheres afro-indígenas e do uso de uma linguagem simbólica em cenários etéreos, a artista evoca questões concretas, propondo uma reflexão poética sobre ancestralidade, pertencimento e identidade.
As figuras femininas presentes nas obras de Kelly afastam-se de narrativas estereotipadas de vitimização e sofrimento. Assim, Kelly S. Reis constrói imagens de mulheres negras como potência – corpos que afirmam força, presença e imponência.
Serviço
Exposição | Onírica
De 25 de janeiro a 19 de fevereiro
Todos os dias das 10h às 18h
Período
Local
Galeria Alma da Rua
Rua Gonçalo Afonso 96 Beco do Batman, Vila Madalena, São Paulo - SP
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do artista Daniel Buren (1938, Boulogne-Billancourt), realizado em parceria com a Galeria Nara Roesler. Iniciado em 1975, o trabalho transforma velas de barcos em suportes de arte, deslocando o olhar do espectador e ativando o espaço ao redor por meio do movimento, da cor e da forma. Ao longo de cinco décadas, o projeto foi apresentado em cidades como Genebra, Lucerna, Miami e Minneapolis, sempre em diálogo direto com a paisagem e o contexto locais.
Concebida originalmente em Berlim, em 1975, Voile/Toile – Toile/Voile destaca o uso das listras verticais que Daniel Buren define como sua “ferramenta visual”. O próprio título da obra explicita o deslocamento proposto pelo artista ao articular dois campos centrais do modernismo do século 20 — a pintura abstrata e o readymade —, transformando velas de barcos em pinturas e ampliando o campo de ação da obra para além do espaço expositivo.
“Trata-se de um trabalho feito ao ar livre e que conta com fatores externos e imprevisíveis, como clima, vento, visibilidade e posicionamento das velas e barcos, de modo que, ainda que tenha sido uma ação realizada dezenas de vezes, ela nunca é idêntica, tal qual uma peça de teatro ou um ato dramático”, disse Daniel Buren, em conversa com Pavel Pyś, curador do Walker Art Center de Minneapolis, publicada pelo museu em 2018.
No dia 24 de janeiro, a ação tem início com uma regata-performance na Baía de Guanabara. Onze veleiros da classe Optimist partem da Marina da Glória e percorrem o trajeto até a Praia do Flamengo, equipados com velas que incorporam as listras verticais brancas e coloridas criadas por Buren. Em movimento, as velas se convertem em intervenções artísticas vivas, ativando o espaço marítimo e o cenário do Rio como parte constitutiva da obra. O público poderá acompanhar a ação desde a orla, e toda a performance será registrada.
Após a conclusão da regata, as velas serão deslocadas para o foyer do MAM Rio, onde passarão a integrar a exposição derivada da regata, em cartaz de 28 de janeiro a 12 de abril de 2026. Instaladas em estruturas autoportantes, as onze velas – com 2,68 m de altura (2,98 m com a base) – serão dispostas no espaço de acordo com a ordem de chegada da regata, seguindo o protocolo estabelecido por Buren desde as primeiras edições do projeto. O procedimento preserva o vínculo direto entre a performance e a exposição, e evidencia a transformação das velas de objetos utilitários em objetos artísticos. A expografia é assinada pela arquiteta Sol Camacho.
“Desde os anos 1960, Buren desenvolve uma reflexão crítica sobre o espaço e as instituições, sendo um dos pioneiros da arte in situ e da arte conceitual. Embora Voile/Toile – Toile/Voile tenha circulado por diversos países ao longo dos últimos 50 anos, esta é a primeira vez que a obra é apresentada no Brasil. A proximidade do MAM Rio com a Baía de Guanabara, sua história na experimentação e sua arquitetura integrada ao entorno fazem do museu um espaço particularmente privilegiado para a obra do artista”, comenta Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio.
Ao prolongar no museu uma experiência iniciada no mar, Voile/Toile – Toile/Voile estabelece uma continuidade entre a ação na Baía de Guanabara e sua apresentação no espaço expositivo do MAM Rio, integrando paisagem, arquitetura e percurso em uma mesma experiência artística.
“A maneira como Buren tensiona a relação da arte com espaços específicos, principalmente com os espaços públicos, é fundamental para entender a história da arte contemporânea. E essa peça Voile/Toile – Toile/Voile, que começa na Baía de Guanabara e que chega aos espaços internos do museu, é um exemplo perfeito dessa prática”, comenta Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.
Em continuidade ao projeto, a Nara Roesler Books publicará uma edição dedicada à presença de Daniel Buren no Brasil, reunindo ensaios críticos e documentos da realização de Voile/Toile – Toile/Voile no Rio de Janeiro, em 2026.
Serviço
Exposição | Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela)
De 28 de janeiro a 12 de abril
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h
Período
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste, Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste,
Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a coletiva propõe uma interlocução entre os programas das galerias ao explorar as afinidades entre os artistas Montez Magno (1934, Pernambuco), Mari Ra (1996, São Paulo), Zé di Cabeça (1974, Bahia), Fabio Miguez (1962, São Paulo) e Adenor Gondim (1950, Bahia). A mostra propõe um olhar ampliado para as arquiteturas vernaculares que marcam o Nordeste: fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de feiras e festas e estruturas efêmeras que configuram a paisagem social e cultural da região.
Nesse conjunto, Fabio Miguez investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas enquanto Zé di Cabeça transforma registros das platibandas do subúrbio ferroviário soteropolitano em pinturas. Mari Ra reconhece afinidades entre as geometrias que encontrou em Recife e Olinda e aquelas presentes na Zona Leste paulistana, revelando vínculos construídos pela migração nordestina. Já Montez Magno e Adenor Gondim convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste, Magno pela via da abstração geométrica presentes nas séries Barracas do Nordeste (1972-1993) e Fachadas do Nordeste (1996-1997) e Gondim pelo registro fotográfico das barracas que marcaram as festas populares de Salvador.
A parceria entre as galerias se dá no aniversário de 2 anos da Galatea em Salvador e reforça o seu intuito de fazer da sede na capital baiana um ponto de convergência para intercâmbios e trocas entre artistas, agentes culturais, colecionadores, galerias e o público em geral.
Serviço
Exposição | Barracas e fachadas do nordeste
De 30 de janeiro a 30 de maio
Terça – quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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A Pinacoteca de São Bernardo do Campo apresenta, entre os dias 31 de janeiro e 28 de março de 2026, uma exposição individual do artista Daniel Melim (São Bernardo do Campo, SP – 1979). Com curadoria assinada pelo
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A Pinacoteca de São Bernardo do Campo apresenta, entre os dias 31 de janeiro e 28 de março de 2026, uma exposição individual do artista Daniel Melim (São Bernardo do Campo, SP – 1979). Com curadoria assinada pelo pesquisador e especialista em arte pública Baixo Ribeiro e produção da Paradoxa Cultural, a mostra Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim reúne um conjunto de 12 obras – dentre elas oito trabalhos inéditos.
A exposição apresenta uma verdadeira introspectiva do trabalho de Daniel Melim – um mergulho em seu processo criativo a partir do olhar de dentro do ateliê. Ao lado de obras que marcaram sua trajetória, o público encontrará trabalhos inéditos que apontam novos caminhos em sua produção. Entre os destaques, uma pintura em grande formato — 2,5m x 12m — e um mural coletivo que será produzido ao longo da mostra.
Com obras em diferentes formatos e dimensões – pinturas em telas, relevos, instalação, cadernos, elementos do ateliê do artista -, a mostra aborda o papel da arte urbana na construção de identidades coletivas, a ocupação simbólica dos espaços públicos e o desafio de trazer essas linguagens para o contexto institucional, sem perder seu caráter de diálogo com a comunidade.
O recorte proposto pela curadoria de Baixo Ribeiro conecta passado e presente, mas principalmente, evidencia como Melim transforma referências visuais do cotidiano em obras que geram reflexão crítica, possibilitando criar pontes entre o espaço público e o institucional.
A expografia de “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” foi pensada como um ateliê expandido, com o intuito de aproximar o público do processo criativo de Melim. Dentro do espaço expositivo, haverá um mural colaborativo, no qual os visitantes poderão experimentar técnicas como stencil e lambe-lambe. Essa iniciativa integra a proposta educativa da mostra e transforma o visitante em coautor, fortalecendo a relação entre público e obra.
“Sempre me interessei pela relação entre a arte e o espaço urbano. O stencil foi minha primeira linguagem e continua sendo o ponto de partida para criar narrativas visuais que dialogam com a vida cotidiana. Essa mostra é sobre esse diálogo: cidade, obra e público”, explica Daniel Melim.
Artista visual e educador, reconhecido como um dos principais nomes da arte urbana brasileira, Daniel Melim iniciou sua trajetória artística no final dos anos 1990 com grafite e stencil nas ruas do ABC Paulista. Desenvolve uma pesquisa autoral sobre o stencil como meio expressivo, resgatando sua importância histórica na formação da street art no Brasil e expandindo seus potenciais pictóricos para além do espaço público. Sua produção se caracteriza pelo diálogo entre obra, arquitetura e cidade, frequentemente instalada em áreas em processo de transformação urbana.
“Essa exposição individual é uma forma de me reconectar com o lugar onde tudo começou. São Bernardo do Campo foi minha primeira escola de arte – não apenas pela faculdade, mas pela rua, pelos muros, pelas greves que eu vi quando ainda era criança. Essa experiência formou a minha visão de mundo. Trazer esse trabalho de volta, no espaço da Pinacoteca, é como abrir o meu ateliê para a cidade que tanto me acolheu e me fez crescer”, comenta.
Os stencils, o imaginário gráfico da publicidade, críticas à sociedade de consumo e ao cotidiano urbano são marcas do trabalho de Melim. Cores chapadas, sobreposições e composições equilibradas são algumas das características que aparecem tanto nas obras históricas de Daniel Melim, quanto em novos trabalhos que o artista está produzindo para a individual. “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” é um convite para o visitante mergulhar e se aproximar do processo criativo do artista. A mostra fica em cartaz até o dia 28 de março de 2026.
A exposição “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” é realizada com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB); do Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo; do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Serviço
Exposição | Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim
De 31 de janeiro e 28 de março
Terça, das 9h às 20h; quarta a sexta, das 9h às 17h; sábado, das 10h às 16h
Período
Local
Pinacoteca de São Bernardo do Campo
Rua Kara, nº 105 - Jardim do Mar - São Bernardo do Campo - SP







Otima reflexão de Tadeu Chiarelli sobre a Virada Decolonial de Alessandra Paiva. Concordo com Tadeu sobre a importância de pensar a arte contemporãnea dos anos 1960 como potencializadora das propostas da virada decolonial na arte.