A arte contemporânea sempre estabeleceu vínculos com outras áreas, é só se lembrar de Beuys e a questão ecológica, nos anos 1970, por exemplo, ou mesmo as práticas terapêuticas desenvolvidas por Lygia Clark, no mesmo período.

Nos últimos anos, contudo, essa aproximação criou de fato relações muito estreitas, como ocorre com a agência de pesquisa Forensic Architecture, baseada na Universidade de Londres, e que é uma das candidatas ao Turner Prize, organizada pela Tate neste ano.

O grupo tem desenvolvido métodos pioneiros de investigações espaciais de violações tanto públicas quanto de corporações em todo mundo. No Brasil, o artista e cur`ador Paulo Tavares fez parte da agência inglesa, mas desde o ano passado ele criou a agência Autônoma, uma plataforma dedicada à pesquisa e à intervenção espacial.

A quinta edição do seminário internacional ARTE!Brasileiros tem como tema ARTE ALÉM DA ARTE para mapear obras, projetos, instituições e mesmo exposições que trabalham em um campo limítrofe entre arte e não arte. Tavares será um dos participantes segunda mesa da tarde, tocando na dimensão de advocacia da arquitetura/culturas visuais no contexto Latino Americano. Atualmente, ele também é cocurador da Bienal de Arquitetura de Chicago, que ocorre em 2019.

Na mesma mesa, estarão presentes o curador da 33a Bienal de São Paulo, Gabriel Pérez-Barreiro, para apresentar sua proposta; a diretora do Museu de Antioquia, Nydia Gutierrez, que desenvolveu uma aguerrida defesa da programação do Museu durante anos de luta entre as FARC e o governo e, Anneliek Sijbrandij, fundadora do projeto The Verbier Art Summit, na Suíça, criado para juntar anualmente artistas e acadêmicos e fazer reflexões críticas sobre a responsabilidade política e social do mundo da arte.

 

De novo

O seminário será aberto com a exibição da obra “Again/Noch einmal” (De Novo), do alemão Mario Pfeifer, comissionada pela 10ª Bienal de Berlim, atualmente em cartaz na Alemanha. O vídeo utiliza estratégias próximas às desenvolvidas pelo Forensic Architecture ao reencenar um caso de extrema violência e preconceito contra imigrantes ocorrido na Alemanha, há dois anos, recriando um júri popular que analisa o caso. Pfeifer vem a São Paulo e vai falar sobre sua obra no início do seminário.

No primeiro painel da manhã, vão debater Geopolítica e Arte o sociólogo e diretor da Universidade 3 de Febrero de Buenos Aires e diretor de BIENALSUR, Aníbal Jozami; o diretor adjunto do Museu Reina Sofia, João Fernandes; a artista chilena Voluspa Jarpa e a historiadora de arte, diretora diretora artística da BIENALSUR e diretora da área cultural da UNTREF, Diana Weschler.

Em cartaz em Palermo, na Itália, a 12ª edição da Manifesta, a bienal itinerante europeia (leia matéria na página xx), ocorre a partir do convite do prefeito da cidade, Leoluca Orlando, que vem marcando sua atual gestão pelo apoio à arte como forma de transformação social. Palermo é agora, em 2018, a capital cultural da Itália. “Há uma década, eu tenho certeza que não seria possível organizar um evento cultural do porte da Manifesta aqui em Palermo. A violência e a máfia não tolerariam”, afirmou Orlando na abertura da mostra há dois meses. Em seu quinto mandato não consecutivo na cidade, ele é um dos responsáveis pela transformação da capital da Sicília. Impossibilitado de comparecer pessoalmente ao Seminário, ele envia um depoimento exclusivo que será exibido durante o painel Geopolítica e Arte.

Para encerrar o Seminário, curadores e Chairmen da Montblanc Cultural Foundation fazem entrega do Prêmio Montblanc de la Culture Arts Patronage ao JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube) e à artista responsável pela sua criação e gerenciamento, Mônica Nador.

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