Em razão da Cúpula do Clima 2021, relembramos seu trabalho
Bangladesh. Padmapukur. 2009. No 'char' (ilha de silte) de Padmapukur, no delta do Ganges. O furacão Aila destruiu os diques, causando inundações diárias nas comunidades. Legenda e foto de Jonas Bendiksen. Todos os direitos reservados a ele e à revista National Geographic.

Na ocorrência da Reunião de Chefes de Estado da Cúpula do Clima (o Leaders Summit on Climate, que começa hoje, 22, e termina na sexta-feira, 23) e do Dia da Terra, revisitamos o trabalho fotográfico A tempestade que se aproxima, de Jonas Bendiksen, publicado junto a reportagem do jornalista Don Belt na revista National Geographic, em maio de 2011. Dois anos antes da publicação, em 2009, a vila de Munshiganj (com 35 mil habitantes na costa sudoeste da capital Dhaka) havia sido atingida pelo Ciclone Aila. Seus ventos de 70 milhas por hora enviaram uma onda de tempestade em direção à costa e pegou os moradores daquela área completamente desavisados. A recuperação desse desastre também é mostrada por Bendiksen em alguns dos seus registros.

Bangladesh é uma das nações mais densamente povoadas do planeta. “Ela tem mais habitantes do que a grande Rússia geograficamente”, indica Belt. “Então imagine Bangladesh no ano de 2050. A população provavelmente terá aumentado para 220 milhões e uma boa parte de sua massa de terra atual poderá estar permanentemente debaixo d’água”, sugere o jornalista. O cenário ao qual ele se refere é baseado em duas projeções convergentes: o crescimento populacional que, apesar de uma queda acentuada na fertilidade, continuará a produzir milhões de bebês nas próximas décadas, e um possível aumento no nível do mar até 2100, como resultado da mudança climática. “Tal cenário poderia significar que 10 a 30 milhões de pessoas ao longo da costa sul seriam deslocadas, forçando Bangladesh a se aglomerar ainda mais ou então a fugir do país como refugiados do clima – um grupo previsto para aumentar para cerca de 250 milhões em todo o mundo em meados do século 21, muitos de países pobres e de baixa altitude”, ele explica.

Desde o Ciclone Aila, em Bangladesh, diversas adaptações com tecnologias de baixo custo foram experimentadas. Tal movimento foi apoiado pelos governos dos países industrializados que participam nesta Cúpula do Clima, dez anos depois, e cujas emissões de gases de efeito estufa são, em grande parte, responsáveis pela mudança climática que está causando a elevação dos mares.

Cúpula do Clima 2021 e presença brasileira

A Cúpula do Clima age como preliminar à COP26; ao reunir representantes de 40 países em reuniões virtuais, a intenção da Cúpula é instigar os países a traçarem metas mais ambiciosas em tempo para a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontece em novembro deste ano, no Reino Unido.

Tendo saído do status de referência nas negociações climáticas para o de pária, o Brasil participa do evento em uma situação desconfortável, agravada pela gestão de Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente. Um dia antes da Cúpula dar a largada, nas redes sociais houve uma manifestação numerosa que pedia a retirada de Salles de seu cargo utilizando a hashtag #ForaSalles.

Como lembra Guilherme Castellar em reportagem para o portal UOL, em 2020, o desmatamento na Amazônia foi três vezes superior à meta proposta pelo Brasil para a Convenção do Clima de 2009. “Sob comando de Salles, o Ministério do Meio Ambiente perdeu poder fiscalizador para evitar desmatamento, invasões de áreas indígenas e mineração ilegal”, escreve. E ele lembra que “há uma semana da Cúpula, a Polícia Federal levantou suspeitas de que Salles pode ter prejudicado uma investigação que terminou com a maior apreensão de madeira na Amazônia, no final de 2020. Um dia depois de enviar a notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal, no dia 14, o superintendente da PF no Amazonas, o delegado Alexandre Saraiva, foi afastado do cargo”.

Em seu discurso na manhã do primeiro dia da Cúpula, o presidente Jair Bolsonaro, contrariando seu próprio modus operandi e histórico, prometeu: “Determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em 10 anos a sinalização anterior. Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030”.

 

Leia também: Fotógrafo sul-africano Gideon Mendel produz, ao redor do mundo, séries que denunciam as mudanças climáticas e seus impactos na sobrevivência humana, oferecendo uma espécie de testemunho aos seus retratados (clique aqui).

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