Foto horizintal, colorida. Vista da exposição ZONA DA MATA no MAM São Paulo. Em primeiro plano, uma obra em um aquário de vidro suspenso e um pequeno canteiro no chão, em formato de pentágono. Ao fundo, as paredes de vidro do espaço expositivo trazem o ambiente do Ibirapuera para imagem, é possível ver vegetação e a Oca ao fundo.
Vista da exposição “Zona da Mata” no MAM São Paulo. Foto: Karina Bacci

A faixa litorânea da região nordeste do Brasil, que se estende do Rio Grande do Norte até a Bahia, recebe o nome de Zona da Mata. Porta de entrada para a colonização, é historicamente um território de conflito, teve seu solo fértil explorado de modo predatório e foi palco da destituição dos povos originários e da diáspora africana no país. Com curadoria de Ana Magalhães, Marta Bogéa e Cauê Alves, a nova exposição adota o termo Zona da Mata como metáfora simbólica para tratar das relações entre cultura e natureza e lança luz às problemáticas latentes do Brasil atual. Em cartaz até março de 2022, ela acontece simultaneamente no Museu de Arte Contemporânea (MAC USP) e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP).

Apesar de partir de uma questão geográfica, a exposição se debruça sobre as mudanças da paisagem que esses encontros entre colonizadores e povos originários trouxeram ao país e reflete como elas se desdobram e nos afetam até os dias de hoje. “Diante do Brasil em febril convulsão, violentamente retrógrado, Zona da Mata é hoje todo o país. Alinhados ao desafio mundial, precisamos mais do que nunca nos reposicionarmos frente ao nosso pacto de país e sociedade, a começar por reconhecer saberes ancestrais que não soubemos acalentar, sem aprisioná-los em um passado histórico, mas como parte fundamental de nosso desejável presente”, afirma o trio no texto curatorial da mostra.

Organizada em quatro partes, em diferentes espaços e com diferentes temporalidades, a exposição nunca nos é apresentada em sua totalidade, mas de forma fragmentada. No quinto andar e no térreo do MAC USP nos deparamos com duas de suas faces. Já a Sala de Vidro do MAM-SP abriga as outras duas, não de forma simultânea, mas em dois tempos distintos. De 19 de junho a 17 de outubro, o espaço recebe obras de Marcius Galan, Guto Lacaz e Gustavo Utrabo; e de 23 de outubro a 6 de março de 2022, será apresentado o trabalho do artista Rodrigo Bueno feito especialmente para o local. A mostra no MAC USP, exibida em uma única montagem, traz trabalhos de Brasil Arquitetura (Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci), Claudia Andujar, Fernando Limberger, Gabriela Albergaria, Gustavo Utrabo, Guto Lacaz, Jaime Lauriano, Julio Plaza, Leandro Lima, Gisela Motta em uma das áreas expositivas e Claudia Andujar, Marcius Galan, Paulo Nazareth e Rodrigo Bueno na outra.

É por essa fragmentação que Zona da Mata propõe uma condição de atravessamento, articulando os dois museus vizinhos. “Intenta um ir-e-vir aderente ao chão da cidade, endereçada ao presente e ao porvir, no pacto indissociável de uma paisagem compartilhada e simultaneamente desviada, a partir da singularidade vibrante de cada obra convidada e do acervo de ambas as instituições que integram essa mostra-paisagem”, sugerem os curadores.

Para eles, essa conexão entre MAM e MAC é crucial. “Há uma ligação histórica entre essas duas instituições que integram o eixo cultural do Ibirapuera. É essencial somarmos esforços, nos reposicionarmos a partir de parcerias e refletirmos sobre o modo como arte e arquitetura abordam a transformação da paisagem e seus vínculos com questões socioambientais”, diz Cauê Alves, curador-chefe do MAM-SP.

ZONA DA MATA
ONDE: MAM São Paulo – Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portões 1 e 3 – Vila Mariana – São Paulo, SP)
QUANDO: terça à domingo, das 12h às 18h
Agende sua visita através do site da instituição

ONDE: MAC USP (Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 – Vila Mariana – São Paulo, SP).
QUANDO: terça à quinta, das 11h às 19h, sexta a domingo das 11 às 21 horas.
Agende sua visita através do site da instituição

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