Os motoristas que dirigiam na Avenida Paulista na terça-feira à noite se espantaram ao ver carros na contramão. Das janelas dos prédios da movimentada via, as pessoas podiam avistar o trânsito habitual à região. Porém, dessa vez, algo diferia: mais de 100 veículos andavam em marcha à ré.

Foi às dez horas da noite que o Teatro da Vertigem deu início à performance-fílmica MARCHA À RÉ, idealizada em colaboração com o artista visual Nuno Ramos. A carreata ocupava a via emitindo uma sinfonia incomum. Não buzinas, nem músicas, mas o som alto dos respiradores utilizados nas unidades de tratamento de Covid-19. “No Brasil, a gente está assistindo a uma marcha triunfal da violência e do descaso [com o coronavírus], acho que o que propomos com a performance é uma pequena reversão dessa energia”, explica Nuno Ramos. “É como se a performance ajudasse a instaurar um afeto de solidariedade dentro de uma sociedade cada vez mais anestesiada. Me apropriando um pouco do que Judith Butler e Vladimir Safatle tem falado: a solidariedade se torna um afeto revolucionário”, complementa o dramaturgista do processo, Antonio Duran. 

Enquanto ocorria, a performance era filmada por Eryk Rocha. O cineasta a transformara no curta-metragem a ser exibido na Bienal de Berlim, que acontece de 5 de setembro a 1 de novembro de 2020 na Alemanha. 

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