Essa é uma postagem em constante atualização pela redação ARTE!Brasileiros sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus. Assim, à medida que as notícias são anunciadas – em relação à postergação ou mantimento de eventos e feiras, criação de fundos estatais para ajuda às instituições culturais e artistas etc. – esse post será modificado para manter nosso leitor informado.

Fechamentos e suspensões

No dia 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Antes disso, o estado de emergência sanitária no Brasil já havia sido decretado, anterior até ao primeiro caso confirmado, no dia 26 de fevereiro. No Brasil, até o dia seis de abril, eram contabilizados 11.340 casos confirmados por coronavírus – o Ministério da Saúde está liberando diariamente um balanço com números atualizados. Visto o aumento dos casos, as medidas de quarentena estão programadas para continuarem por tempo maior, estimando que até o dia 22 de abril seja indicado ficar em casa. No estado de São Paulo, por exemplo, a quarentena – que havia sido estabelecida no dia 24 de março – foi prolongada até o dia 22 de abril para enfrentar a aceleração descontrolada de covid-19.

Sem exceção, o mundo da arte também está sendo afetado; algumas instituições culturais brasileiras já tomaram medidas ágeis como forma de responder seriamente à crise, no estado de São Paulo a abertura da exposição Tarsila: estudos e anotações, marcada para o dia 14 de março, no FAMA Museu – Fábrica de Arte Marcos Amaro, em Itu, foi adiada. A nova data para abertura da mostra será decidida em breve, com base nas orientações das autoridades de saúde.

A SP-Arte confirmou, na noite de 12 de março, a sua suspensão. O evento aconteceria em São Paulo entre 1 e 5 de abril. A organização lançou nota na qual afirma que é seu “compromisso garantir a segurança e saúde de expositores e visitantes” e que, por isso, a suspensão até que haja condições adequadas para a realização é necessária. No período da manhã, outra importante feira de arte da América Latina também adiou o evento: a arteBA, que iria ocorrer entre 16 e 19 de abril. A nova data deve ser anunciada quando tiver condições seguras, segundo nota oficial. 

No Sul do país, o Festival de teatro de Curitiba foi reagendado para setembro, entre os dias
1º e 13, em virtude da confirmação dos casos de coronavírus no Paraná, visando o cuidado com a saúde do público, dos artistas e de toda a equipe.

No dia 16 de março, o primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou uma mudança na estratégia do governo para abordar a transmissão do coronavírus. Johnson pediu para que fossem fechados todos os teatros e pubs, especialmente na região londrina. Embora nenhuma direção tenha sido dada claramente no que remete às instituições artísticas, o grupo Tate anunciou que não mais abriria suas 4 galerias – Tate Modern, Tate Britain, Tate Liverpool, e Tate St Ives – até o dia 1º de maio, como uma medida de precaução tomada de forma unilateral entre o conselho e a diretora do grupo Maria Balshaw.

Pouco tempo depois do anúncio, o Victoria & Albert Museum e as Galerias Serpentine seguiram o exemplo. Há pouco, o Tate havia aberto exposições de peso em suas galerias, como retrospectiva de Andy Warhol, esperada para ser um blockbuster; uma grande individual por Theaster Gates; e a obra Fons Americanus comissionada a Kara Walker para o Turbine Hall do Tate Modern.

Em Nova Iorque, seguindo a declaração de emergência feita pelo prefeito Bill de Blasio em uma coletiva de imprensa na tarde de 12 de março, instituições de arte da metrópole anunciaram um fechamento coletivo para ajudar na contenção da transmissão do coronavírus e assegurar a saúde e segurança de sua equipe e visitantes. O movimento liderado pelo Metropolitan Museum of Art – MET englobou também a Frick Collection, a Neue Galerie, o Museu Judeu e o Museu do Queens.

Reagindo!

Por outro lado, instituições culturais da Europa e China estão tomando iniciativas virtuais para contornar a crise e levar arte a um público que se encontra atualmente isolado.

Na Alemanha, a Ministra de Cultura, Monika Grütters prometeu ajuda financeira estatal para instituições culturais e artistas cuja sobrevivência econômica pode ser ameaçada pela epidemia. A rogativa de Grütters foi reverberada pela Chanceler Angela Merkel, e menos de duas semanas depois, um comunicado de imprensa divulgado pelo ministério da cultura anuncia o apoio de € 50 bilhões fornecido, através do banco de desenvolvimento estatal Kreditanstalt für Wiederaufbau, especificamente para pequenas empresas e freelancers, incluindo os dos setores cultural, criativo e de mídia.

No Reino Unido, o Conselho da Inglaterra para as Artes (ACE)  anunciou um plano de ação para ajudar o setor cultural a suportar a crise do coronavírus, incluindo artistas e freelancers que podem sofrer danos econômicos devido à pandemia. O pacote completo do Conselho inclui 90 milhões de libras destinadas para as mais de 800 organizações que apoia em seu portfólio nacional, e mais 50 milhões de libras que serão disponibilizadas para organizações que não recebem financiamento regular do conselho. Já para oferecer um alívio para os artistas individuais e freelancers da indústria criativa – que não estavam suficientemente cobertos pelo pacote de resgate já existente – foi disponibilizado também um resgate de 20 milhões de libras. O Conselho é um órgão público que investe dinheiro do governo e do Fundo Nacional de Loteria em iniciativas e instituições de artes e cultura em toda a Inglaterra.

Na Itália – onde medidas como o fechamento de “serviços não essenciais” para conter a propagação do vírus foram anunciadas pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte no dia 11 de março -, a diretora do Castello di Rivoli, Carolyn Christov-Bakargiev, entrou em uma maratona para tornar virtuais as exibições e coleções do museu, que fica próximo a Turim. Ela comentou, à Artnet News, isso é  “dever público” do museu –  que abriu 3 exposições especiais recentemente -, já que 60 milhões de italianos foram colocados em isolamento. Ela complementou que “é importante para o estado de espírito das pessoas”, servindo como uma alternativa à correnteza de anúncios de saúde pública que acaba criando um estado psicológico estressante. Para tal, a equipe do museu tem criado “tours virtuais” de arte moderna e contemporânea do museu que estão sendo disponibilizados na plataforma Digital Cosmos

Em Hong Kong, a ART Power HK, uma plataforma online reunindo galerias, museus e casas de leilão, foi lançada para servir como um espaço alternativo para exibições, manter momentum da cena artística local e prevenir maiores desestabilizações no mundo da arte, tendo em vista que a epidemia já causou cancelamentos de eventos culturais como feiras e aberturas de museus. Seguindo esses passos, a Art Basel Hong Kong criou salas de exibição virtual contando com quatro galerias brasileiras, tal iniciativa será continuada em edições futuras da feira.

Atualizando a agenda

Confira abaixo os eventos culturais que ainda estão programados para ocorrer, segundo o Artnet News:

14 de março a 8 de junho: Bienal de Sidney (permanece mas será movida para ambiente digital)

28 de maio a 31 de maio: Art Paris

15 a 21 de junho: Feira de Arte Liste em Basel

25 de junho a 28 de junho: Art Brussels

25 de junho a 1º de julho: Masterpiece London

29 de agosto a 29 de novembro: Bienal de Arquitetura de Veneza

1º de setembro a 3 de setembro: Gallery Weekend Berlim

15 a 20 de setembro: Art Basel

3 de outubro a 13 de dezembro: Abertura da exposição principal da Bienal de São Paulo

31 de outubro a 4 de novembro: TEFAF de Nova Iorque, edição da primavera

19 de novembro a 26 de novembro: Art Cologne

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