Sonho Tropical by Beatriz Milhazes, whose work is at the White Cube Bermondsey. Photograph: © Pepe Schettino / © Beatriz Milhazes / Courtesy White Cube
Sonho Tropical de Beatriz Milhazes. Photo: © Pepe Schettino / © Beatriz Milhazes / Cortesia White Cube

Além de lutar na Itália durante a Segunda Grande Guerra, os brasileiros alheios a batalha em campo buscaram outras formas de intervir no conflito. Cerca de 70 artistas decidiram ajudar os aviadores tupiniquins e, ao mesmo tempo, melhorar os ânimos do outro lado do oceano Atlântico.

A história é no mínimo curiosa. Foram 168 fotos enquadradas pelos próprios artistas para baratear os custos e facilitar a vida da Royal Academy. Tudo que pediam os brasileiros eram 25 libras para custear o transporte das obras para o Reino Unido. Entretanto,  a proposta esbarrou na própria Royal Academy, que não gostou das fotos e se recusou a exibi-las.

Segundo reportagem do “The Guardian”, os próprios artistas não haviam gostado dos resultados. Aparentemente gostar ou não das obras “não era o ponto”. Após um ano de negociações, em novembro de 1944 as obras viajaram o país-ilha e em pouco tempo morreram no esquecimento dos acervos em diversas cidades britânicas.

De volta à superficie

Nos anos 40, salvo raras exceções, os europeus não tinham a menor idéia do que fazer com a arte latino-americana. Hoje, a demanda pela arte brasileira contemporânea é outra. Inúmeras galerias inglesas, francesas, espanholas, portuguesas e alemãs participam das feiras latino-americanas, colecionadores e museus estudam o modernismo e varios dos nossos artistas participam de mostras e ganham prêmios na Bienal de Veneza. 

É nesse clima que, funcionários da embaixada brasileira em Londres, decidiram reunir obras de 20 dos artistas do projeto original da Segunda Guerra e, após uma extensa pesquisa, montar neste ano, a exposição A Arte da Diplomacia: Modernismo Brasileiro Pintado para a Guerra. A curadoria é de Adrian Locke, curador oficial da embaixada, responsável pelo intercâmbio e a promoção cultural. A exposição foi montada na Sala Central de Arte Brasileira, espaço integrado a própria embaixada, em Westminster, no centro da cidade.

Isto veio a calhar num momento em que renomados brasileiros contemporâneos abrem na cidade ao longo do ano.

Cinthia Marcelle, cuja obra deu o Prêmio ao Pavilhão do Brasil na 57 Bienal de Veneza está no Modern Art Oxford com a instalação “A família em desordem: verdade ou desafio”. 

Luiz Zerbini que abre em junho na South London Gallery e Paulo Bruscky na Richard Saltoun, até fins de maio, fazem sua primeira individual na UK. O coletivo OPAVIVARÁ! apresentará suas redes coloridas na Tate Liverpool. 

Rio Azul”, da artista plástica fluminense Beatriz Milhazes, está aberta para visitação desde 14 de abril na White Cube Gallery Bermondsey

“Eu quero provocar movimentos ópticos, perturbar a visão”, diz Milhazes. Cada peça foi projetada com múltiplas camadas de cores. Conseguindo um denso processo de estratificação física e conceitual as obras empregam uma abundância de forma e cor para oferecer uma experiência visual vertiginosa.  Milhazes chama essa interação entre as peças e o público de “Diálogo entre Simbolismo e Materialidade”. 

Junto da mostra com esculturas, colagens e pinturas é apresentada sua primeira e única tapeçaria, realizada especialmente para a mostra.

Enfim, não precisamos de uma guerra para estar, agora sim brilhantemente representados.

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