
Por cerca de 80 anos, o Templo Beth-El, no centro de São Paulo, serviu à comunidade judaica da cidade. Projetado em estilo bizantino pelo arquiteto russo Samuel Roder, abrigou de 1932 a 2010 a sinagoga da Congregação Beth El – hoje sediada nos Jardins -, fundada por imigrantes vindos do Leste Europeu no período entreguerras. Agora, após uma década fechado para reformas, o edifício se abriu de um outro modo para a capital paulista, direcionado a um público bastante mais amplo: “Desde o início esse projeto foi pensado para não ser um museu voltado para a comunidade judaica, mas um museu para a cidade, para o país, aberto a todos”, conta Felipe Arruda, 41 anos, diretor executivo do Museu Judaico de São Paulo (MUJ).
De algum modo, o edifício passa a fazer jus de modo mais evidente à frase que está grafada em sua fachada, em letras hebraicas: “Que esta seja a casa de oração para todos os povos”. Segundo Arruda, o escrito que lá está desde 1932 continua muito necessário em um mundo que lida com crescente preconceito, intolerância e uma série de violências contra minorias. Só no Brasil, conta o diretor, existem hoje cerca de 530 células nazistas em atividade.
Arruda, que foi Diretor de Cultura e Participação do Instituto Tomie Ohtake por seis anos, faz questão de ressaltar, neste ponto, que o foco do MUJ é a luta contra todos os tipos de preconceito, não só contra judeus: “O Brasil é um país que viveu quase 400 anos de escravidão, um genocídio indígena, algumas décadas de ditadura, e tem uma democracia muito recente e frágil, ainda em formação. Isso exige um fortalecimento das instituições democráticas e uma reparação a todos esses povos que foram oprimidos, subordinados, e que são vítimas de violências sistemáticas”.
Um dos caminhos para o combate aos preconceitos, para ele, é não reduzir as pessoas a uma só identidade, superficial, que cria simplificações e estereótipos. “Não existe ‘o judeu’, mas sim uma espantosa multiplicidade de judeidades. E os depoimentos que mostramos – de idosos, jovens, crianças, pessoas trans, pessoas de origem afrodescendente, de origem asiática, rabinos ortodoxos etc. – mostram como é diversa a expressão dessa judeidade”. E ele completa: “Você não vai sair do MUJ e falar: Ah, então isso é o judaísmo!”.

O visitante não vai deixar de se aprofundar, no entanto, em uma infinidade de aspectos da história e cultura de judeus no Brasil e no mundo. O museu, com cerca de 40 funcionários, inaugurou com duas mostras de longa duração – A Vida Judaica e Judeus no Brasil: histórias trançadas – e duas temporárias – Inquisição e cristãos novos no Brasil, até 31 de maio, e Da letra à palavra, até 10 de abril. Esta última, com a participação de 32 artistas contemporâneos, mostra a vontade do MUJ de trabalhar com os mais diversos tipos de linguagens e suportes – nas exposições estão expostos objetos, documentos, vídeos e depoimentos sonoros, entre outros.
Entre as próximas exposições programadas estão uma da artista e pesquisadora Giselle Beiguelman e uma de fotógrafas mulheres de origem judaica que chegaram ao Brasil na primeira metade do século passado – como Madalena Scwhartz, Hildegard Rosenthal, Alice Brill, Stefania Brill, Lily Sverner, Gertrudes Altschul e Claudia Andujar. Intitulada Modernas! – São Paulo vista por elas, a mostra é uma parceria com o Instituto Moreira Salles.
Em longa conversa com a arte!brasileiros, Arruda falou ainda da importância do setor educativo e do Centro de Memória do MUJ – que acolhe desde 2015 o valioso acervo do arquivo histórico da USP; da busca para desenvolver diálogos com outros espaços da região (da Ocupação 9 de Julho ao Parque Augusta); das dificuldades de captação financeira sob um governo federal que ataca a área cultural; e dos flertes do governo Bolsonaro com um “Israel imaginário” – “que é essa idealização de um povo branco, de um país armamentista e religioso”. Leia a íntegra abaixo:
ARTE!✱ – Podemos começar falando sobre como surge o Museu Judaico de São Paulo, um projeto de quase duas décadas que finalmente abre suas portas em dezembro de 2021…
Felipe Arruda – O museu é fruto de uma iniciativa da sociedade civil. Isso é importante de ser destacado, porque ele não surge nem de uma família com recursos, nem de uma empresa e também não é um museu público. É um museu privado e parte de uma associação de amigos que projeta esse sonho de ter um museu para representar a cultura judaica aqui no Brasil – um país que tem uma comunidade de mais de 120 mil judeus, sendo 80% deles aqui em São Paulo. Voluntariamente, esse grupo constrói um projeto que leva quase duas décadas para ser gestado, com uma mobilização de muitas pessoas. Esse período inclui primeiro a cessão do templo Beth-El, que é antiga sinagoga, para o museu; depois a captação de recursos para fazer o restauro do edifício, que é um patrimônio tombado pela prefeitura em 2013; e a construção do anexo, que está acoplado à sinagoga. Esse processo inclui também o acolhimento do acervo do arquivo histórico da Universidade de São Paulo (USP), que é o maior arquivo judaico no Brasil. Ele é o que chamamos hoje de Centro de Memória (CDM) do museu e virá fisicamente para cá este ano. Depois veio toda a etapa de museologia, expografia etc. E em maio do ano passado, após um processo de seleção, me fizeram o convite para vir para cá, quando, na verdade, ainda não havia nem uma equipe inteiramente formada. Aí começamos todo o processo de finalizar a implantação, as exposições, um plano de inauguração, um planejamento estratégico do museu, uma renovação do Conselho, fazer o site e a comunicação visual e assim por diante. Toda essa parte estrutural para poder inaugurar.

ARTE!✱ – O valor investido nesse processo todo foi de cerca de R$ 60 milhões de reais. Como se deu o processo de captação para um projeto desse porte?
Basicamente empresas, via Lei Rouanet ou doação direta, e doações de pessoas físicas (que representa um percentual menor). O interessante é que grande parte das doações vieram de pessoas de fora da comunidade judaica. Isso é importante de se dizer porque desde o inicio esse projeto foi pensado para não ser um museu voltado para a comunidade judaica, mas um museu para a cidade, para o país, aberto a todos. Na fachada do templo está escrito: “Que esta seja a casa de oração para todos os povos”, uma frase escrita em hebraico em 1932 e que continua muito necessária. Até mesmo a minha escolha como diretor executivo mostra essa abertura, sendo alguém que não é judeu na diretoria. Obviamente poderia ter sido uma pessoa judia, esse não é ponto essencial, mas me parece que o projeto já nasce com esse espírito, essa disposição para a conexão.
ARTE!✱ – Entrando então neste aspecto do pensamento que move o museu, é notável nas exposições a busca por um diálogo com o passado, mas também com o contemporâneo, com um judaísmo que não é estático, que se transforma junto com a sociedade, e que também tem peculiaridades no contexto brasileiro. Faz sentido?
O MUJ é um museu secular, não um museu religioso, e ele busca apresentar as múltiplas expressões da cultura judaica. Ele tem essa missão de cultivar as expressões da cultura judaica e mantê-las vivas – não como algo que está no passado e que pode ser entendido como algo fixo, monolítico. Pensamos a memória como algo que pertence ao presente, que está em movimento. E nós fazemos isso em diálogo com o contexto brasileiro, em diálogo com o debate contemporâneo e com as aspirações dos diferentes públicos, através da ideia de que um museu se constrói com as pessoas, com a participação de seus públicos. Isso é fundamental para qualquer instituição cultural hoje.
Então aqui, na mostra de longa duração, buscamos apresentar aspectos basilares da cultura judaica, que tem a ver com tradições, festas, valores… Mas é interessante que antes disso, logo na entrada, o visitante se depara com vídeos em que pessoas respondem sobre o que é ser judeu. E essa é uma pergunta fundamental para o MUJ, porque não existe “o judeu”, mas sim uma espantosa multiplicidade de judeidades. E os depoimentos – de idosos, jovens, crianças, pessoas trans, pessoas de origem afrodescendente, de origem asiática, rabinos ortodoxos etc. – mostram como é diversa a expressão dessa judeidade, ela não pode ser reduzida a uma só coisa. O próprio [Emmanuel] Levinas fala que o judeu é sempre um ser inacabado, que tem a ver com o devir, com o vir a ser judeu, com a impossibilidade de ser sempre o mesmo, com uma constante busca. E é fundamental destacar que o judaísmo não é apenas uma religião. Ele é também um religião, mas é antes um povo, uma cultura e uma gama de expressões – algo milenar, mas em transformação. Então esse não é um museu que busca afirmar uma identidade, mas sim cultivar uma cultura.

ARTE!✱ – Esse aspecto da multiplicidade e da alteridade está muito presente nas mostras…
No depoimento que colhemos da Deborah Colker, ela diz: “Quanto mais eu me misturo, mais judia eu sou”. Ou seja, que quanto mais se aproxima da cultura afrobrasileira, da cultura árabe, da cultura japonesa, mas judia ela se sente. Porque segundo vários teóricos a identidade judaica é fundada na ideia da alteridade. E nós acreditamos que essa pode ser uma contribuição do MUJ para o debate identitário hoje: que é menos uma propensão à afirmação isolada de uma determinada identidade – de um povo que é historicamente alvo de perseguições e opressões -, mas mais uma perspectiva de alteridade de alguém que está interessado em fazer relações, diálogos, que seja porosa e interessada no outro. Um museu que se insere no mundo com seus desafios e temas importantes a serem debatidos – e acreditamos que existem valores e experiências dentro da cultura judaica que podem contribuir para o debate contemporâneo.
Então, falando sobre nossos eixos, há essa dimensão mais ligada às festas e tradições; a dimensão mais histórica, sobre a presença judaica no Brasil nestes mais de 500 anos; e nas exposições temporárias temos mostras de caráter mais documental, que vão beber muito no Centro de Memória, e também um espaço voltado à produções contemporâneas. Este último é um espaço que vai movimentar bastante o MUJ, porque traz debates atuais em produções principalmente de arte, mas não só. Temos a ideia, por exemplo, de fazer uma mostra ligada à psicanálise. Existe uma autora, Betty Fuks, que defende que o nascimento da psicanálise está intrinsecamente ligado à judeidade do Freud – porque se a judeidade é essa relação com a alteridade, a busca por tornar-se alguém a partir da relação com o outro, a psicanálise também nasce dessa procura, de se precisar do outro para se reconhecer.
ARTE!✱ – Você falou anteriormente que um museu se constrói com a participação de seus públicos. Eu queria que você falasse um pouco mais desse aspecto e de como entram aí o trabalho educativo, o acervo e o espaço para pesquisa.
O Centro de Memória do Museu é um arquivo riquíssimo de pesquisa: tem 1 milhão de páginas de documentos, 100 mil fotografias, 20 mil livros – sendo 8 mil em ídiche -, discos, objetos e depoimentos de história oral de famílias que migraram para o Brasil. O arquivo do rabino Henry Sobel também está com a gente e o da professora Anita Novinsky – uma das maiores especialistas em Inquisição no mundo – está vindo para o MUJ. Temos esse tesouro que já é hoje acessível, mas o MUJ vai abrir um edital para pesquisadores do Brasil inteiro poderem realizar suas pesquisas no arquivo com apoio e bolsas. E não só pesquisas de interesse judaico, porque você pode, por exemplo, pesquisar a história da indústria têxtil no Brasil ou em São Paulo a partir de uma série de documentos que tratam dessas indústrias, lojas etc. Existem muitos caminhos possíveis para esse arquivo, com o qual inclusive já fizemos exposições itinerantes em bibliotecas e escolas.

E na parte educativa já temos uma equipe formada que atende diariamente os visitantes e os grupos de escolas e instituições. Temos visitas mediadas, visitas em libras, visitas teatralizadas, contação de histórias e mediação de leitura para crianças pequenas. E para essas visitas todas a nossa ideia de mediação não é de uma explicação, ela é sempre crítica, reflexiva, inclui o visitante, seu repertório, e mantém um campo de diálogo aberto. E o próximo passo do museu é fortalecer essa dimensão participativa, estabelecendo mais vínculos com o território: com a Ocupação 9 de Julho, com o Parque Augusta, com os coletivos de artistas da região e assim por diante. Então estamos começando essas costuras, porque na nossa visão é fundamental um museu inserido e com vínculos bem estabelecidos com o seu território, que esteja a serviço dele e onde o público tenha a possibilidade de criar, de produzir, de se expressar.
Temos que criar instâncias de participação e sair de uma posição hierarquizante que um museu pode ter, como se fosse uma autoridade máxima. O museu tem que praticar muito a escuta, aprender também com as pessoas de fora. Existiu um debate grande nas últimas décadas sobre a democratização do acesso aos equipamentos culturais, para que mais pessoas os frequentem. Isso é importante, ainda mais em um país como o Brasil – onde existe grande carência na área cultural -, mas é insuficiente. A ideia da participação está ligada a uma outra perspectiva, que é chamada de democracia cultural, que é quando as pessoas não só têm a possibilidade de ter acesso aos equipamentos, mas também à própria produção e à circulação de suas expressões. E é isso que queremos desenvolver melhor este ano, já que o MUJ ainda é muito novo. Então já estão nos planos de 2022, entre outras coisas, a realização de um festival literário, de debates, a exibição de filmes, o lançamento de livros; e já temos uma parceria iniciada com a São Paulo Companhia de Dança para fazer workshops de Gaga [técnica de dança criada pelo israelense Ohad Naharin].
ARTE!✱ – Pensando neste aspecto do diálogo com o território, com o entorno, muitos dos espaços ligados à comunidade judaica em São Paulo (e em outras cidades) têm uma dificuldade de se abrir para cidade, em geral por preocupações com a segurança. No MUJ percebe-se que as portas estão abertas para a rua, mas há também paredes de vidro blindado no entorno do museu e detector de metais na entrada para as exposições. Esses tipos de mecanismos criam um distanciamento do museu com a cidade e o espaço público?
Acho que a palavra aí é “equilíbrio”. Nós somos reconhecidamente uma instituição judaica, dentro de uma antiga sinagoga, e com o crescimento do antissemitismo no Brasil e no mundo é responsabilidade nossa garantir a segurança dos visitantes e dos colaboradores. Isso é premissa. E embora no Brasil não haja um histórico de atentados a instituições judaicas, não estamos imunes à isso, já ocorreu na Argentina, por exemplo. Hoje existem, mapeadas pela pesquisadora Adriana Dias, da USP, cerca de 530 células nazistas em atividade no Brasil, e claro que isso é motivo de preocupação. Por outro lado, somos um museu, que deve ser um espaço amigável, de acolhimento, o mais aberto possível. Então a gente busca equilibrar essas duas questões. As portas do museu estão sempre abertas e temos uma recepção acolhedora; o aparato de segurança, que é o detector de metal e o raio-x, é hoje bastante comum em várias instituições culturais da cidade, e está ali da forma menos intimidadora possível; e passando por ela temos um espaço como qualquer outro, inclusive com uma grande lateral de vidro que favorece a transparência com a cidade. E posso dizer que a conversa com a equipe de segurança vai nesse sentido, de que aqui é um lugar humanizador, onde as relações têm que ser cordiais e acolhedoras.

ARTE!✱ – Já tratamos aqui de educação, pesquisa e diversidade cultural, ou seja, ideias que vão em direção oposta ao que propõe o atual governo federal. Temos, entre outras coisas, ataques claros a instituições culturais, uma paralisação e controle inéditos da Lei Rouanet. Como enxerga o contexto e como se dá o financiamento do MUJ a partir de agora, dado esse quadro tão complexo?
Complexo, para dizer o mínimo. Porque estamos vivendo a sobreposição de várias crises no país: uma crise econômica, uma crise sanitária, uma crise institucional e vivemos também um momento emocionalmente desafiador, com um luto da pandemia e muitas vidas perdidas, principalmente de pessoas mais vulneráveis. E vemos o desemprego, pessoas na rua, um momento socialmente dramático. E no nosso setor a crise também é aguda, com a área cultural sendo muito fragilizada nas suas políticas públicas. Para o MUJ, uma instituição que nem é pública nem pertencente a empresas, é fundamental essa resiliência da sociedade civil, uma vez que não temos políticas públicas que possam sustentar ou apoiar a vida da instituição. Fazemos um esforço enorme para apresentar o projeto para pessoas e empresas que possam apoiar via Lei de Incentivo ou verba direta, mas nesse momento está especialmente desafiador, até por essa instabilidade no funcionamento da Lei de Incentivo.
ARTE!✱ – Um dos temas tratados na nova edição da arte!brasileiros (número 58) é o conceito de reparação, no sentido de que só é possível haver uma democracia verdadeira se houver algum tipo de reparação histórica em relação às violências perpetuadas contra os povos historicamente oprimidos. No Brasil isso se refere especialmente aos indígenas e afrodescendentes, mas a reparação é um tema que perpassa muito a história dos judeus. O caso judaico pode servir como algum tipo de exemplo, trazer ensinamentos nesse debate?
O Brasil é um país que viveu quase 400 anos de escravidão, um genocídio indígena, algumas décadas de ditadura, e tem uma democracia muito recente e frágil, ainda em formação. Isso exige um fortalecimento das instituições democráticas e uma reparação a todos esses povos que foram oprimidos, subordinados, e são vítimas de violências sistemáticas. Então esse é um compromisso nosso como sociedade, seja de museus, cidadãos, instituições, empresas ou governo. Precisamos criar um novo paradigma de país que entenda o tamanho da sua dívida e crie políticas de reparação. Nesse sentido, existe um conceito judaico que chama Tikun Olam, que é a “reparação do mundo”, uma melhoria, um aprimoramento. Porque as coisas não estão bem, não estão confortáveis, tem muito a ser feito. Então, do ponto de vista do MUJ, defendemos não só a reparação e a salvaguarda dos direitos do povo judeu e da cultura judaica, mas de todos os povos. Uma perspectiva de uma sociedade mais igualitária, mais solidária, menos violenta.

ARTE!✱ – Em uma das paredes da exposição, próxima à parte sobre o Holocausto, está grafado em letras grandes: “lembrar e não esquecer”…
Sim, e a gente fez questão ali neste ponto da exposição de lembrar de outras violências também, perpetuadas contra pessoas indígenas, negras, transsexuais… Porque isso é uma realidade, nós vivemos em um país muito violento, muito desigual, e não se trata aqui de excepcionalizar a questão judaica. Pelo contrário, entendemos muito mais numa perspectiva de aliança, de unir forças para que todo mundo possa existir com seus plenos direitos. Então antes de entrar na seção do Holocausto há esse destaque, para ressaltar que assim como aconteceu com o povo judeu, isso acontece com muitas outras identidades. Mas vale ressaltar que não se trata aqui de hierarquizar as dores, não se pode entrar num sistema de medida sobre isso.
ARTE!✱ – Tivemos recentemente o caso em que o então apresentador do Flow Podcast, Monark, falou que deveria ser permitida a existência de um partido nazista no Brasil. Em entrevista recente você afirmou que o nazismo não é um problema só dos judeus e que estamos vendo um crescimento do preconceito, de violências e opressões no mundo. Poderia falar um pouco sobre isso?
Eu acho que existe uma tendência da nossa sociedade a reduzir o outro a uma versão muito simplificada. As pessoas não podem ser reduzidas a uma só identidade, todos nós temos muitas camadas identitárias e elas estão sempre em movimento, são por vezes até contraditórias. E quando se reduz a pessoa a uma só faceta, anula-se várias de suas dimensões humanas, e isso é inclusive motivo de violência. O MUJ quer mostrar isso, que as identidades são complexas e multifacetadas. Espaços de educação e de cultura são fundamentais para se formar uma consciência de uma sociedade mais tolerante, que valorize a diversidade. E nós discutimos no museu que se alguma coisa pode ser tirada deste episódio tão lamentável do Monark é a oportunidade pedagógica. Foi importante que as instituições tenham se manifestado, que essa pessoa tenha sido criticada e que isso crie uma consciência de que a comunicação pública exige responsabilidade – não se pode permitir esse tipo de discurso, que acaba chegando a milhares de pessoas e que influencia a formação de uma cultura violenta. E, claro, onde houver crime é preciso que os encaminhamentos corretos sejam dados, mas não acreditamos apenas na punição, mas na necessidade de educação.

ARTE!✱ – Neste sentido, temos um governo que de um lado se utiliza de símbolos do judaísmo – através de uma relação que passa pela comunidade evangélica e por uma suposta irmandade com Israel -, mas que por outro lado flerta com pensamentos fascistas, até nazistas. Tivemos o caso do Roberto Alvim, a visita de representantes neonazistas alemães e assim por diante. Como vê a situação e que papel o MUJ pode ter neste contexto?
É um assunto amplo e complexo. O que nós entendemos é que existe uma série de imaginários equivocados a respeito do que seria o judeu e também sobre o que seria a relação entre os judeus que vivem aqui no Brasil e o governo de Israel. Existem judeus em várias partes do mundo, uma grande parte em Israel, mas as políticas de um governo em Israel é uma outra coisa. O nosso governo buscou uma aproximação com o governo de Israel também motivado por um entendimento de um “Israel imaginário” e um “judeu imaginário” – como diz o professor Michel Gherman -, que é essa idealização de um povo branco, de um país armamentista e religioso. E isso é uma apropriação indevida de imaginários que não correspondem necessariamente à realidade e que servem para cooptar símbolos para um projeto político. E esse é um processo que vem acontecendo e que deixa tudo muito turvo… porque é um governo que não apoia minorias e ao mesmo tempo tem essa relação de admiração ou flerte com Israel. Pode parecer tudo muito confuso.
No caso do MUJ, trabalhamos muito mais com uma perspectiva cultural. Acho que existem outras instituições do país muito bem preparadas e que estão discutindo mais profundamente essa questão de ordem política, que passa também por Israel. E na nossa mediação e no educativo nós procuramos colocar as coisas nos seus lugares, porque é mesmo bastante complexo. Por fim, sobre os flertes que você falou do atual governo com o fascismo ou nazismo, isso é simplesmente inadmissível. Ainda mais, como no caso do Alvim, de um setor que se ocupa da cultura. Então é nosso papel fazer frente a esse tipo de manifestação.
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste, Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste,
Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a coletiva propõe uma interlocução entre os programas das galerias ao explorar as afinidades entre os artistas Montez Magno (1934, Pernambuco), Mari Ra (1996, São Paulo), Zé di Cabeça (1974, Bahia), Fabio Miguez (1962, São Paulo) e Adenor Gondim (1950, Bahia). A mostra propõe um olhar ampliado para as arquiteturas vernaculares que marcam o Nordeste: fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de feiras e festas e estruturas efêmeras que configuram a paisagem social e cultural da região.
Nesse conjunto, Fabio Miguez investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas enquanto Zé di Cabeça transforma registros das platibandas do subúrbio ferroviário soteropolitano em pinturas. Mari Ra reconhece afinidades entre as geometrias que encontrou em Recife e Olinda e aquelas presentes na Zona Leste paulistana, revelando vínculos construídos pela migração nordestina. Já Montez Magno e Adenor Gondim convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste, Magno pela via da abstração geométrica presentes nas séries Barracas do Nordeste (1972-1993) e Fachadas do Nordeste (1996-1997) e Gondim pelo registro fotográfico das barracas que marcaram as festas populares de Salvador.
A parceria entre as galerias se dá no aniversário de 2 anos da Galatea em Salvador e reforça o seu intuito de fazer da sede na capital baiana um ponto de convergência para intercâmbios e trocas entre artistas, agentes culturais, colecionadores, galerias e o público em geral.
Serviço
Exposição | Barracas e fachadas do nordeste
De 30 de janeiro a 30 de maio
Terça – quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma investigação estética e proposição política que contesta os modos históricos de construção do corpo negro, questionando paradigmas científicos, anatômicos e normativos que sustentaram, e ainda sustentam, estruturas de dominação racial.
A exposição parte da problematização sobre os processos de subjetividades negras que foram sistematicamente moldados pela exploração do trabalho, pela lógica capitalista de produção de valor e pela violência institucional. Nesse sentido, as obras constroem uma arena crítica que evidencia como essas engrenagens operam na manutenção de desigualdades e na naturalização da precarização da vida negra.
Reunindo desenhos e instalações, Greve Negra Já! tem curadoria de Renato Lopes (SP) e apresenta um conjunto de trabalhos que tensiona modelos hegemônicos de representação, contrapondo com outras formas de leitura do corpo, da existência e da experiência negra. As obras atuam como dispositivos de confronto, instaurando uma perspectiva que recusa padrões impostos e afirma a possibilidade de reorganização política.
A noção de greve, no contexto da exposição, é construída enquanto campo de atuação amplificados e peça-chave para pensarmos mudanças radicais. Mais do que suspensão, trata-se de um posicionamento ativo, um movimento estratégico de anulação das lógicas que transformam a exploração da população negra em norma. A mostra evidencia a centralidade da classe trabalhadora negra na produção de riqueza, ao mesmo tempo em que denuncia sua exclusão sistemática do acesso a essa riqueza.
Ao estabelecer um diálogo direto com os legados da escravização e suas atualizações contemporâneas, Greve Negra Já! se afirma como uma ação direta de afirmação coletiva. Com produção de Elaine Pinheiro, a exposição propõe ao público uma reflexão crítica sobre os vários mecanismos que condicionam a exploração do trabalho estritamente negro e convoca para a construção de uma consciência de classe orientada por uma perspectiva afrocentrada.
Programa educativo
Ao longo da exposição serão realizadas ações educativas para o público espontâneo. Estão previstas oficinas de desenho e uma formação específica para professores do ensino formal e não-formal, conduzida por Karenn Amorim, arte-educadora, graduada em Artes Plásticas e mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo, atualmente doutoranda em Artes pelo Programa de Pós-graduação em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição | Greve Negra Já!
De 24 de fevereiro a 26 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Museu de Arte do Espírito Santo (Maes)
Av. Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória - ES
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Parte de um acervo de arte particular ficará disponível para o grande público entre os dias 24 de fevereiro a 26 de abril no Museu de Arte do Espírito Santo
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Parte de um acervo de arte particular ficará disponível para o grande público entre os dias 24 de fevereiro a 26 de abril no Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES). É a mostra “Arte em todos os sentidos”, que vai reunir obras contemporâneas de 36 artistas capixabas e nacionais.
A mostra integra o projeto Acervo RDA – Preservação e Difusão do Acervo Ronaldo Domingues de Almeida na Midiateca Capixaba, cujo objetivo é contribuir para a democratização do acesso à arte e salvaguardar a memória do patrimônio artístico capixaba, em especial.
O projeto foi aprovado no Edital nº 18, lançado pela Secretaria da Cultura (Secultes) em 2024, e foi contemplado com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espirito Santo (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MINC).
41 obras
Com um olhar direcionado à contemporaneidade, o diretor do MAES, Nicolas Soares, fez a curadoria da exposição e selecionou 41 pinturas, gravuras, desenhos, fotografias e esculturas entre as obras que integram o acervo do colecionador de arte Ronaldo Domingues de Almeida.
“Nunca planejei formar um acervo. Queria apenas conviver com a arte no cotidiano. A coleção cresceu de forma espontânea, movida pelo interesse estético e pela experiência proporcionada por cada obra. Com o tempo, fiquei me perguntando qual o sentido de manter tantas obras restritas a poucos”, descreve o colecionador e curador adjunto da mostra.
A exposição permitirá que os visitantes apreciem criações de artistas nacionais que nunca ou raríssimas vezes expuseram em Vitória.
“Quanto aos artistas capixabas escolhidos, na impossibilidade de apresentar a totalidade, o curador selecionou nomes representativos de períodos diversos, buscando obras cujas temáticas fogem daquelas pelas quais habitualmente são reconhecidos”, completa a jornalista Adriana Machado, coordenadora do projeto e produtora executiva da exposição.
O nome “Arte em todos os sentidos” é uma referência a um detalhe de uma obra do artista Paulo Bruscky, uma arte postal, cujo título é “Hoje a Arte é este Comunicado”. A peça faz parte do acervo e a escolha do título dialoga com o projeto.
Projeto Acervo RDA
A mostra é uma das ações formativas integradas ao projeto Acervo RDA, que está em execução. Obras do acervo estão sendo catalogadas e digitalizadas para inserção na plataforma online do Governo do Estado, Midiateca Capixaba.
A realização da exposição no MAES se deve ao convite feito pela instituição, por reconhecer a relevância do projeto tanto em relação à preservação da memória dessas obras quanto pelo propósito de buscar a democratização do acesso à arte.
“Foi dessa reflexão que nasceu o desejo de compartilhar. A digitalização e a inserção do acervo na Midiateca Capixaba transformam o que era privado em acesso público, ampliando a experiência da arte e sua função social. E, agora, estamos levando parte desse acervo fisicamente durante a exposição”, acrescenta Adriana Machado.
Serviço
Exposição | Arte em todos os sentidos
De 24 de Fevereiro a 26 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES)
Avenida Jerônimo Monteiro, 631, Centro de Vitória - ES
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A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo.
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A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo. A mostra reúne pinturas íntimas, de pequena escala, sobre linho e latão, ao lado de obras de grandes dimensões sobre tecido, produzidas entre Nova York, onde a artista vive, e São Paulo, onde atualmente realiza uma residência na Casa Onze.
Wasserman investiga questões de intimidade, gênero e metamorfose, entrelaçando referências à pintura clássica e à cultura material com expressões contemporâneas da experiência queer. Trabalhando sobre tecidos e metais, a artista trata o suporte como participante ativo de cada composição. Óleo, silverpoint — traços obtidos pelo atrito da prata sobre uma superfície preparada — e processos químicos são aplicados de modo a permitir que oxidações, manchas e variações tonais emerjam e permaneçam visíveis. Sua abordagem da figuração evita a nitidez corporal ou contornos rigidamente definidos, privilegiando espaços amorfos onde formas flutuam e se dissolvem. Técnicas históricas são reimaginadas para dar origem a corpos e atmosferas mutáveis, ao mesmo tempo luminosos e sombrios, suspensos em um estado de emergência contínua.
Há tempos, Wasserman trabalha a natureza-morta como um modo de pensar visualmente, tratando os objetos como uma composição silenciosa, mais do que como uma exibição simbólica. Ela pinta arranjos florais e cenas de jardim, como em From the garden at the new squat (2026) [Do jardim da nova ocupação], em que o pigmento parece fundir-se à superfície metálica, conferindo às imagens uma profundidade quieta e ambiente. Em Still life with purple apple, empty bowl, lock rake (2026) [Natureza-morta com maçã roxa, tigela vazia, instrumento para destravar fechaduras], o instrumento introduz uma nota de acesso transgressivo, fazendo referência a experiências vividas da identidade trans e a modos de atravessar espaços para além de estruturas normativas.
Serviço
Exposição | Willa Wasserman: Purple apple
De 25 de fevereiro a 18 de abril
Terça a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galpão Fortes D’Aloia & Gabriel Jardins
Rua Barão de Capanema 343, Jardins – São Paulo - SP
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de construção de conhecimento, aproximando práticas artísticas, educativas e comunitárias.
Com a curadoria de Luciara Ribeiro, Naine Terena e Khadyg Fares, a Trienal propõe uma escuta atenta ao território sorocabano, atravessando suas camadas históricas, visuais e sociais.
O título do caminho um rezo une o conceito de “caminho como rezo”, difundido pelo professor e artista Tadeu Kaingang, à noção andina de “Thaki”, descrita pela socióloga Silvia Rivera Cusicanqui, e à ideia de “confluências afropindorâmicas”, do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), orientando uma reconexão com experiências culturais, educacionais e de memória que articulam corpo, território e vida social.
São, ao todo, 188 obras (das quais 26 foram comissionadas) desenvolvidas a partir de experiências negras, indígenas, periféricas e dissidentes, que ocupam tanto a unidade, quanto espaços da cidade, como a Capela João de Camargo, o Clube 28 de Setembro, o Monumento Pelourinho e o Monumento à Mãe Preta.
Assim como nas edições anteriores, Frestas se afirma como uma iniciativa que descentraliza o circuito de arte contemporânea, reconhecendo Sorocaba e o interior paulista como território de confluência entre relações artísticas e comunitárias.
Serviço
Exposição | do caminho um rezo
De 27 de fevereiro a 16 de agosto
Terças a sextas, 9h às 21h30. Sábados, 10h às 20h. Domingos e feriados, 10h às 18h30. Exceto dia 3/4
Período
Local
Sesc Sorocaba
R. Barão de Piratininga, 555 - Jardim Faculdade, Sorocaba - SP
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Solidão Coletiva, individual inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre as contradições da sociedade contemporânea e os modos de
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Solidão Coletiva, individual inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre as contradições da sociedade contemporânea e os modos de existência em um mundo cada vez mais povoado, acelerado e regulado. Com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia assinada por Daniela Thomas, a mostra reúne oito séries fotográficas realizadas entre 2016 e 2023, resultado de um extenso trabalho de observação em grandes centros urbanos como São Paulo, Nova York, Tóquio, Mumbai, Pequim e Jacarta.
O título da exposição dialoga com o pensamento da filósofa Hannah Arendt, para quem a sociedade moderna, estruturada em torno do trabalho, tende a suprimir a possibilidade de ação e a reduzir o indivíduo à condição de agente funcional. “As imagens de Bittencourt observam grupos humanos imersos em rotinas produtivas, fluxos incessantes de informação e espaços que impõem contenção física e simbólica. O confinamento surge como eixo recorrente, mesmo quando os mecanismos de controle não se apresentam de forma explícita”, conta Wisnik.
Em suas fotografias, Julio Bittencourt busca registrar não acontecimentos extraordinários, mas estados de suspensão. São, para o artista, corpos anônimos, captados em situações de espera, repetição ou adaptação a ambientes que os condicionam. De empregados isolados em escritórios a trabalhadores alojados em hotéis cápsula, a privação deixa de ser exceção para se tornar parte estrutural do cotidiano urbano. “Há, nesse gesto, uma dimensão política que não se baseia na denúncia direta, mas na insistência em tornar visível aquilo que costuma passar despercebido”, diz o curador.
As séries se articulam como capítulos de uma narrativa aberta, marcada por tensão e ressonância. Transitando entre o documental e o conceitual, Julio Bittencourt explora a fotografia como linguagem crítica, livre do compromisso jornalístico com o fato imediato, mas atenta às possibilidades poéticas do olhar.
Solidão Coletiva – Júlio Bittencourt é uma exposição apresentada pela CAIXA Cultural, com realização da Phi Projetos e Cinnamon e patrocínio da CAIXA e Governo do Brasil.
Serviço
Exposição | Solidão Coletiva
De 03 de março a 12 de julho
Terça a domingo, das 9h às 18h
Período
Local
CAIXA Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111 – Centro – SP
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O CCBB BH recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, com obras em escultura, crochê e bordado da artista maranhense Marlene Barros, propondo uma reflexão sobre o corpo feminino, a desvalorização histórica
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O CCBB BH recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, com obras em escultura, crochê e bordado da artista maranhense Marlene Barros, propondo uma reflexão sobre o corpo feminino, a desvalorização histórica das mulheres e a invisibilização de seus fazeres no campo da arte. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a mostra transforma o gesto íntimo do costurar em narrativa pública de resistência, pertencimento e reinvenção, transformando agulha e linha em instrumentos de denúncia, memória e elaboração simbólica.
A exposição conta com instalações como “Eu tenho a tua cara”, com 49 rostos de mulheres que trocam olhos e bocas costurados, tensionando identidade e alteridade; “Caixa Preta”, que constrói um autorretrato expandido a partir de fotografias, intervenções têxteis e escritos; “Coso porque está roto”, que apresenta um casaco cujo avesso revela órgãos bordados que simbolizam sentimentos e acionam a ideia de reparo; “Entre nós”, que mergulha em objetos de crochê para problematizar tarefas naturalizadas no âmbito doméstico; e “Quem pariu, que embale”, que questiona a atribuição quase exclusiva do cuidado dos filhos às mulheres. A montagem do percurso expositivo, coordenada por Fábio Nunes, com produção executiva de Júlia Martins, propõe uma trajetória não cronológica, permitindo que o público construa sua própria experiência entre matéria, gesto e memória.
Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros consolidou-se como referência no cenário artístico maranhense, articulando produção, formação e redes culturais por meio do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM. A exposição tem origem em pesquisa desenvolvida durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, quando propôs costurar simbolicamente uma casa em ruínas no campus Santiago, em Portugal, em um gesto de remendar fissuras do tempo. A casa, convertida em metáfora do corpo, permitiu expandir a reflexão para o universo feminino em suas dimensões sociais, políticas e afetivas, compreendendo a tecelagem como metáfora dos vínculos, da memória e do fluxo da vida.
Serviço
Exposição | Marlene Barros: Tecitura do Feminino
De 04 de março a 01 de junho
Quarta a segunda, das 10h às 22h
Período
Local
Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)
Praça da Liberdade, 450 - Funcionários, Belo Horizonte - MG
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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Para marcar o início das celebrações de sua primeira década de atuação no mercado da arte contemporânea brasileiro e internacional, a Janaina Torres Galeria apresenta a exposição individual Deborah Paiva (1950–2022): Uma Antologia,
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Para marcar o início das celebrações de sua primeira década de atuação no mercado da arte contemporânea brasileiro e internacional, a Janaina Torres Galeria apresenta a exposição individual Deborah Paiva (1950–2022): Uma Antologia, com curadoria de Tadeu Chiarelli. A mostra tem abertura prevista para 7 de março, das 14h às 18h, e permanece em cartaz até 30 de abril, em São Paulo.
A exposição reúne um conjunto inédito de obras que atravessa diferentes momentos da trajetória de Deborah Paiva (Campo Grande, 1950), artista cuja produção se consolidou a partir de uma investigação rigorosa da pintura como linguagem e campo de reflexão. A sul-mato-grossense, radicada em São Paulo, construiu uma obra com forte senso de liberdade, mantendo-se fiel à experimentação e à margem de tendências e modismos do circuito artístico.
Seus primeiros trabalhos surgem tridimensionais, a maioria deles em grandes dimensões e com caráter quase instalativo. Ao longo do tempo, sua pesquisa vai, gradualmente, voltando-se para a linguagem pictórica, passando por investigações fortemente matéricas – com procedimentos próximos à arte povera, utilizando elementos como areia, palha, encáustica e diferentes densidades de tinta – e, posteriormente, se concentra na depuração da pintura, com formatos mais reduzidos e obras menos matéricas, mais silenciosas e introspectivas.
Essa inflexão, no entanto, não se reduz exclusivamente como reflexo de um movimento biográfico ou psicológico, mas muito mais como uma tomada de posição frente à própria condição da pintura no fim do século XX e início do século XXI. Embora a obra de Deborah Paiva opere, frequentemente, no território do hibridismo entre abstração e figuração, recusando a dicotomia tradicional entre esses campos – o que vemos refletido em suas telas, com figura e fundo se contaminando, dissolvendo-se mutuamente reafirmando o compromisso com a investigação pictórica como condição primeira de seu trabalho – Deborah insistiu em voltar-se para a pintura, em um momento histórico no qual tal linguagem via seu statement ser progressivamente questionado e deslocado por expressões mais espetacularizadas.
Ao longo de sua trajetória, a artista não se limita a um estilo fixo, nem com um programa estético fechado e, definitivamente, não opta pela combatividade como era tendência naquele momento. A pintura da artista pode ser narrativa ou formal, planar ou matérica, figurativa ou não figurativa, assumindo-se sempre como um campo aberto de possibilidades. Outro ponto que chama a atenção em sua obra é que a artista rejeitava a noção linear da evolução de sua poética, quando evitava a datação rigorosa de suas obras, entendendo o tempo da pintura como o tempo do próprio fazer: o ritmo do gesto e a duração do trabalho.
Grande parte de sua iconografia, que conferiu assinatura às suas obras, a partir de 2010, integra a abstração às figuras humanas — em sua maioria femininas — apresentadas de costas, de perfil ou com o rosto encoberto, além de interiores e paisagens. Essas imagens se recusam, no entanto, à redução da representação da solidão existencial do sujeito, e acabam por operar como metáfora da solidão da própria pintura enquanto linguagem artística à época, voltada para si mesma e relativamente afastada do debate contemporâneo mais amplo.
Nesse sentido, como observado pelo curador da exposição, Tadeu Chiarelli, em seu texto crítico que acompanha a exposição, a produção de Deborah Paiva se aproxima do que Walter Benjamin definiu como “valor de culto” da obra de arte. Ao consolidar sua linguagem e assinatura, a artista privilegiava o caráter íntimo da pintura, afastando-se deliberadamente da monumentalidade e da lógica do espetáculo. Sua obra se afirma na presença silenciosa, que exige do observador uma fruição atenta e desacelerada, em oposição à lógica do valor de exibição que passou a dominar a arte contemporânea, a partir do advento da reprodutibilidade técnica.
Como também pontua Chiarelli, a obra de Paiva, se relaciona estruturalmente com artistas como Iberê Camargo, Jasper Johns, Henri Matisse e Marie Laurencin, esse diálogo não se dá por meio da citação ou da apropriação pós-moderna, mas por afinidades profundas relacionadas às questões da linguagem pictórica, especialmente no que diz respeito à diluição das fronteiras entre abstração e figuração e à fisicalidade da pintura.
A revisão crítica de Tadeu Chiarelli
Para compor essa exposição, Tadeu Chiarelli propõe também uma revisão crítica de sua própria leitura anterior sobre a obra de Deborah Paiva. Em texto escrito em 1997, o curador havia interpretado sua produção como resultado direto da suposta “liberação” da pintura ocorrida nos anos 1980. Hoje, ele reconhece essa leitura como equivocada ao rever a noção de que teria havido uma “volta à pintura” naquele período. Tadeu reconhece a falácia dessa premissa – entendida naquele momento por ele e muitos do meio –, quando afirma que a pintura nunca desapareceu, mas perdeu protagonismo frente a outras modalidades artísticas. Ao constatar a limitação de tal premissa, Chiarelli reconhece que essa visão impediu o entendimento da real complexidade das pinturas de Deborah Paiva. A partir de então, para o crítico e curador, a obra de Deborah passa a ser compreendida não como efeito de uma liberdade recém-conquistada, mas como resposta à condição de isolamento da pintura contemporânea, que, após perder sua centralidade no debate artístico, voltou-se para si mesma como forma de sobrevivência enquanto linguagem. Em última análise, para o curador:
Serviço
Exposição | Deborah Paiva (1950-2022): Uma Antologia
De 7 de março a 30 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h e sábados, das 10h às 16h.
Período
Local
Janaina Torres Galeria
Rua Vitorino Carmilo, 427 Barra Funda, São Paulo-SP
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O trabalho das Irmãs Gelli se organiza a partir da insistência do fazer diário. Um tempo feito de repetição e presença cotidiana, no
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O trabalho das Irmãs Gelli se organiza a partir da insistência do fazer diário. Um tempo feito de repetição e presença cotidiana, no qual o processo não é meio para um fim, mas matéria do próprio trabalho. Ao longo de cinco anos de prática conjunta, Alice e Gabi desenvolveram uma metodologia baseada na experimentação, na paciência e no acolhimento do acaso. É nesse regime de tempo dilatado que a cera, material geralmente associado à transitoriedade e ao descarte, ganha centralidade em sua pesquisa, capaz de reter camadas e incursões.
O novo conjunto de obras apresentado na Casa Seva marca uma inflexão na trajetória das artistas. Se antes a cera aparecia em placas maciças e lisas, orientadas por maior controle e rigor geométrico, agora o trabalho se constrói pela sobreposição orgânica de camadas, por despejo ou submersão, formando uma estratigrafia quase pictórica que acolhe ao inesperado. Como os anéis do tronco de uma árvore, essas camadas são testemunho do tempo depositado na feitura da obra. Revelam também os acasos do percurso, por vezes acolhidos e incorporados, por vezes recobertos e adiados. Ao atingirem um limite satisfatório de camadas, iniciam um movimento inverso. As artistas desbastam, abrem fendas, revelam estratos inferiores, cores e texturas antes ocultas. O tempo se dilata para trás e para frente.
Essas obras encontram na Casa Seva um espaço de ressonância. Inserida em uma vila modernista projetada por Flávio de Carvalho, a casa parece também viver esse tempo dilatado, acumulando camadas de uso, sentido e memória. Arte e sustentabilidade constituem, de forma inseparável, os pilares da Casa Seva. É nesse cruzamento que o trabalho das Irmãs Gelli se insere, em afinidade com uma programação que articula prática artística e responsabilidade ambiental.
A sustentabilidade, aqui, não se limita à escolha de materiais — como a cera vegetal, o plástico reciclado ou a possibilidade constante de derretimento e reúso —, mas se manifesta sobretudo como sustentabilidade das relações. Uma preocupação fundamental quando se trabalha em duo, mas que as artistas estendem à relação entre as obras, com o espaço que as abriga, com o mundo ao redor e, de forma generosa, com o público. Dessa maneira, muitos dos trabalhos aqui expostos convidam ao toque, à interação, à permanência como exercício de presença.
A instalação performática que nomeia a exposição torna isso particularmente evidente. Localizada ao fundo do espaço, a obra é ativada pelas artistas através do derretimento da cera que, ao gotejar, constrói uma espécie de estalactite. Na natureza, essa estrutura é capaz de esperar pacientemente um derramamento de gota que a faz crescer 1 cm a cada 100 anos, lembrando-nos mais uma vez de um tempo que nos excede.
Leva tempo, mas vai dar tempo funciona como mantra e convite. Se para as artistas, a frase reafirma a paciência e a confiança na feitura das obras, para o público ela é um chamado a desacelerar e permanecer, em um tempo que se constrói camada por camada.
Catalina Bergues – Curadora
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 07 de março a 18 de abril
Terça a sexta, das 11h às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Casa Seva
Al. Lorena, 1257 - Casa 1, Jardins, São Paulo - SP
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres,
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999 reúne 106 livros do acervo da Biblioteca de Fotografia, incluindo títulos recém-incorporados a partir da aquisição de uma coleção junto à 10×10 Photobooks, organização fundada em 2012 por Russet Lederman e Olga Yatskevich. Sediada em Nova York, a 10×10 Photobooks se dedica à pesquisa e ao compartilhamento de fotolivros, promovendo exibições, publicando livros a respeito e incentivando sua apreciação e compreensão.
Russet e Olga, que assinam a curadoria da mostra, comentam o projeto: “Embora os estudos sobre a história dos fotolivros tenham começado há apenas 37 anos, eles foram escritos majoritariamente por homens e têm focado em publicações de autoria masculina. Como organização sem fins lucrativos cuja missão é compartilhar fotolivros de forma global e incentivar sua apreciação e compreensão, a equipe da 10×10 discute com frequência como a história do fotolivro foi – e continua sendo – escrita a partir de uma perspectiva enviesada, e que uma ‘nova’ história precisa emergir.”
No dia da abertura, haverá uma conversa aberta ao público na Biblioteca de Fotografia do IMS, às 18h30, com a participação de Russet. A entrada é grátis, com retirada de senhas 60 minutos antes.
“A exposição reforça o papel do IMS como centro de referência para o estudo dos fotolivros e para a circulação de projetos de relevância internacional. Ao trazer ao público brasileiro obras que atravessam mais de um século e meio de produção, O que elas viram amplifica o debate sobre a contribuição das mulheres na história da fotografia e cria novas oportunidades de pesquisa”, diz Miguel Del Castillo, coordenador da Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles.
Todos os livros em exibição poderão ser manuseados pelos visitantes da mostra, que está dividida em dez seções – elas funcionam como marcadores cronológicos, mas principalmente ressaltam o momento histórico, sociopolítico e de conquistas de gênero em que essas mulheres produziram suas obras: “1843-1919: Pioneiras”; “1920-1935: A nova mulher”; “1936-1945: Levantando suas vozes”; “1946-1955: Das cinzas à família”; “1956-1964: Livros como bombas”; “1965-1969: Nostalgia, pop e revolução”; “1970-1975: Sororidade em florescimento”; “1976-1979: Políticas sexuais”; “1980-1989: Um despertar global”; e “1990-1999: Em busca de uma fotodemocracia”.
“Pioneiras”, por exemplo, inclui o trabalho da inglesa Anna Atkins, que, em 1843, publicou por conta própria Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, originalmente escrito à mão e ilustrado com 307 cianotipias das mais diversas algas britânicas. Na mostra, ela está presente em uma edição contemporânea da publicação. Também nesta seção se encontra o mais antigo exemplar em exibição, Dream Children (1901), da norte-americana Elizabeth B. Brownell (1860-1909), em que textos em prosa e poesia de 28 autores são ilustrados com cenas cuidadosamente compostas no estilo de tableaux vivant, popular na fotografia do fim do século XIX e início do século XX.
Nas seções seguintes, aparecem obras como African Journey [Jornada africana] (1945), da antropóloga Eslanda Cardozo Goode Robeson (1895-1965). Parte do segmento “Levantando suas vozes”, a publicação é um dos primeiros livros sobre a África produzido por uma pesquisadora negra norte-americana – e sucesso à época de seu lançamento, devido ao crescente interesse de pessoas afro-americanas pela política e pela cultura africanas durante a década de 1940, quando pan-africanistas defendiam um vínculo inquebrantável entre a diáspora africana e o continente.
Já na seção “Sororidade em florescimento”, chama atenção o fotolivro Les Tortures volontaires [As torturas voluntárias] (1974), da francesa Annette Messager (1943), uma coleção de imagens recortadas de revistas e anúncios que mostram mulheres submetendo-se a diversos procedimentos cosméticos ou rotinas de beleza, pontuando como os corpos das mulheres são um lugar de violência.
Entre os numerosos destaques, o público poderá também ver Passion [Paixão] (1989), da camaronense Angèle Etoundi Essamba (1962), no segmento “Um despertar global”. Essamba subverte as representações estereotipadas produzidas por fotógrafos ocidentais dos corpos femininos negros com poderosos retratos em que sobressaem orgulho, força e consciência. A seleção inclui ainda Hiromix (1998), da japonesa Hiromix (1976), um retrato profundamente pessoal da cultura jovem japonesa dos anos 1990, com fotografias estreladas, em sua maioria, pela própria autora, que busca capturar a beleza juvenil, a exuberância e os prazeres sem amarras da experiência urbana de uma jovem mulher. Hiromix está na seção “Em busca de uma fotodemocracia”, que fecha a exposição.
Três brasileiras já estavam na seleção original das curadoras: Claudia Andujar (1931) com Amazônia (1979), livro que registra o período que ela passou com os Yanomami, fotografando suas cerimônias culturais, ritos xamânicos e tradições; Maureen Bisilliat (1931) comparece com o livro A João Guimarães Rosa (1969), em que fotografa o sertão mineiro inspirada pelo romance Grande sertão: veredas; e Gretta Sarfaty (1947), que rompeu padrões nos anos 1970 ao ironizar a própria imagem, com Autophotos (1978), reunindo três séries fotográficas da pioneira da body art e do feminismo no Brasil.
“Mas, como estamos no Brasil, achamos interessante ampliar um pouco a quantidade de fotógrafas brasileiras contempladas na seleção”, diz Miguel Del Castillo. “Fiz uma sugestão a partir do acervo do IMS, de livros importantes, publicados nesse período de tempo”. Foi assim que outros quatro volumes foram incorporados à versão brasileira da exposição: Dor (1998), de Vilma Slomp (1952); Quem você pensa que ela é? (1995), de Claudia Jaguaribe (1955); Pinturas e platibandas (1987), de Anna Mariani (1935-2022); e Entre (1974), de Stefania Bril (1922-1992).
O IMS recebe uma exposição que já teve versões em formatos variados exibidas em instituições de prestígio em todo o mundo, como o Getty Research Institute, em Los Angeles (2025), o Museo Reina Sofía, em Madri (2024), o Rijksmuseum, em Amsterdã (2022) e a New York Public Library (2022). O catálogo da mostra (no original, What They Saw: Historical Photobooks by Women, 1843–1999), de autoria das duas curadoras, recebeu em 2021 o PhotoBook Award de melhor catálogo do ano, prêmio concedido durante a feira Paris Photo, e estará disponível para consulta na exposição e para venda na Livraria da Travessa do IMS Paulista.
Em cartaz até 2 de agosto, a exposição convida o público a refletir sobre os processos de construção da história e as possibilidades de constantemente reescrevê-la, como pontuam as curadoras: “O que elas viram buscou incluir um grupo diverso de publicações ilustradas com fotografias feitas por mulheres. Para que a história do fotolivro se torne mais inclusiva, é necessário que todas as pessoas (homens, mulheres, não binárias, brancas, negras, asiáticas, africanas, latinas, indígenas, ocidentais, orientais etc.) contribuam. Vemos esta sala de leitura sobre o papel das mulheres na produção, disseminação e autoria de fotolivros como um passo necessário para desescrever a atual história do fotolivro e reescrever uma história do fotolivro que seja mais equitativa e inclusiva.”
Serviço
Exposição | O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999
De 17 de março a 02 de agosto
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
Detalhes
A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Corpo de Vento”, individual da artista Thalita Hamaoui, com texto crítico assinado pela socióloga, professora e pesquisadora brasileira Ana Paula
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A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Corpo de Vento”, individual da artista Thalita Hamaoui, com texto crítico assinado pela socióloga, professora e pesquisadora brasileira Ana Paula Cavalcanti Simioni. A mostra apresenta onze pinturas inéditas, realizadas em tinta a óleo e pastel oleoso sobre tela e linho, em dimensões variadas. Entre os destaques estão “Corpo de Vento” (2026), pintura de grande formato que se estende por mais de cinco metros; e “Acontecimento Memorável” (2026).
Com trajetória iniciada na estamparia têxtil, onde aprofundou seus estudos sobre cor e forma, Hamaoui dedica-se integralmente à pintura desde 2013. Suas pinturas constroem paisagens de caráter fantástico, nas quais formas orgânicas se expandem por superfícies luminosas e figura e fundo se misturam. Elementos botânicos, como folhagens, flores e frutos, aparecem em sobreposições que combinam cores saturadas e tonalidades mais suaves. Esses arranjos não buscam o realismo, mas se organizam em ritmos que aproximam matéria vegetal e construções fictícias, sugerindo um modo de habitar próximo do onírico.
Em “Corpo de Vento”, a artista apresenta obras desenvolvidas a partir de um aprofundamento no uso do óleo e do pastel oleoso, em que amplia a escala das obras e experimenta diferentes formatos, incluindo pinturas compostas por duas ou três telas articuladas e suportes de contorno orgânico, como em “Vento Correnteza” (2026). Produzidas simultaneamente, as pinturas foram concebidas em diálogo umas com as outras, estabelecendo continuidades cromáticas e formais no espaço expositivo.
Sobre a produção da artista, Ana Paula Cavalcanti Simioni comenta: “A pintura de Thalita se apresenta como sugestiva, sem nos impor um sentido prévio. É um convite ao encantamento, ao prazer por saborear opticamente cada tela devagar, com encanto. É nas grandes telas que Thalita afirma sentir-se mais à vontade, pois nelas pode explorar com maior liberdade e fluidez o caráter gestual de sua prática”.
Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que permanece em cartaz até 09 de maio de 2026. Thalita Hamaoui também participa de “A World Far Away, Nearby and Invisible”, mostra coletiva com trabalhos selecionados pela Coleção Jorge M. Pérez, que acontece até agosto deste ano, no El Espacio 23, em Miami, EUA.
Serviço
Exposição | Corpo de Vento
De 19 de março a 09 de maio
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Período
Local
Simões de Assis (Lorena)
Alameda Lorena, nº 2050 - Jardim Paulista
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A Galeria Estúdio Reverso inaugura a exposição “Cada hora faz sua sombra”, individual do artista Rogério Medeiros, com curadoria de Catalina Bergues. Sem intenção de se configurar como uma retrospectiva,
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A Galeria Estúdio Reverso inaugura a exposição “Cada hora faz sua sombra”, individual do artista Rogério Medeiros, com curadoria de Catalina Bergues. Sem intenção de se configurar como uma retrospectiva, mas reunindo obras de mais de duas décadas e trabalhos inéditos, a mostra revela como Medeiros tensiona linguagens artísticas e investiga a fotografia não como registro, mas como matéria plástica capaz de gerar novas imagens e sentidos.
Com cerca de trinta obras, a exposição aproxima séries produzidas ao longo da trajetória do artista, criando novos diálogos entre trabalhos realizados em momentos distintos e sublinhando a produção atual de Medeiros.
A mostra busca, acima de tudo, revelar a continuidade presente no trabalho de Medeiros ao longo dos anos. Estão expostas desde as primeiras fotografias produzidas pelo artista,
colagens fotográficas e obras que, apesar de ainda usarem a fotografia como núcleo, são marcadas pela desconstrução da linguagem fotográfica ao utilizar apenas a cor ampliada.
Sobre a produção do artista, Catalina Bergues comenta: “Olhando a produção de Medeiros dos últimos 30 anos, é possível notar como aspectos do seu trabalho atual já estavam presentes lá atrás, e é justamente isso que esta nova exposição faz: mescla e reorganiza as séries, criando aproximações a partir de elementos e cores que retornam ao longo de sua trajetória. Rogério começou usando a fotografia para enquadrar o fora. Agora, ao chegar à sua série atual, ele se vale da imagem exterior, para olhar para o dentro.”
A trajetória do artista ajuda a compreender esse deslocamento da fotografia como registro para a fotografia como matéria para um novo tipo de construção visual.
Como ele mesmo diz: “sou fotógrafo desde sempre”. Mas foi só em 2003 que partiu para a produção autoral. Desde então, a natureza tornou-se sua principal fonte de estímulos visuais e estéticos. Na busca pela essência visual das cenas, Medeiros passou a desenvolver uma linguagem abstrata aplicada à fotografia, característica comumente relacionada a seu trabalho. “Minhas referências, que antes eram fotógrafos e pintores clássicos, passaram a ser os expressionistas abstratos do pós-guerra, principalmente os da Escola de Nova York”, compartilhou.
Após a publicação de seu livro, “Ritmo e Gesto”, o desenvolvimento do trabalho de Medeiros o levou a adicionar o gesto manual ao processo e passou a produzir colagens que desconstroem paisagens capturadas por meio de uma recombinação livre. O resultado são imagens únicas e imaginárias criadas a partir de registros reais, em uma abordagem que questiona o signo da fotografia e a própria denominação de fotógrafo.
“A busca por novos elementos para trabalhar as colagens me levou a fotografar o céu e sua rica paleta de cores. Passei a me interessar por uma simplificação visual, afinal estava lidando com a manifestação e o registro da luz pura e única, conforme hora, latitude e as condições climáticas. Relacionar isso com o tempo e suas implicações para cada indivíduo foi uma sequência natural. Daí surgiram reflexões sobre a influência do tempo e das vivências em questões da psique e dos sentimentos”, explica Medeiros.
Na constituição de sua poética, o artista utiliza papeis de algodão, arroz e perolado, para impressões com pigmentos minerais, assim como cartões, placas, cola, fitas adesivas livres de ácido e pasta de papel para modelar superfícies.
Essa investigação visual da luz e cor a partir do céu também orienta a organização espacial da exposição.
“Cada hora faz sua sombra” se apresenta cromaticamente, com a proposta de seguir do amanhecer ao entardecer e à noite. Começa no branco, passa pelo azul claro, segue para os laranjas e violetas até o azul escuro e, por fim, os pretos. A primeira sala da exposição recebe o visitante com uma obra branca. “Além de ser uma obra dessa fase atual da produção de Rogério, ela representa a grande síntese à qual o trabalho do artista chegou, criando um branco que, somente ao se manter o olhar atento, percebe-se que ele não é homogêneo”, conclui a curadora da exposição.
Ao aproximar séries, materiais e tempos distintos, a exposição evidencia uma investigação contínua sobre a luz, o tempo e a capacidade da fotografia de reinventar suas próprias formas.
Serviço
Exposição | Cada hora faz sua sombra
De 21 de março a 25 de abril
Quarta a sábado, das 11h às 19h; segunda, terça e domingo mediante agendamento prévio pelo Instagram [@galeriaestudioreverso]
Período
Local
Galeria Estúdio Reverso
Rua Domingos Fernandes, nº 88 - Vila Nova Conceição - São Paulo - SP
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A sede paulistana da NND|Azeco inaugura sua programação anual com “A Coragem para Ficar”, primeira exposição individual de Rafael Hayashi na galeria. A mostra reúne trabalhos que refletem a relação
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Serviço
Exposição | A Coragem para Ficar
De 26 de março a 23 de maio
Terça a Sexta, das 11 às 18hs, sábado, das 11 às 15hs
Período
Local
NONADA SP
Praça da Bandeira,53 – Centro, São Paulo - SP
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O Instituto Moreira Salles Paulista (IMS Paulista) apresenta a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, primeira retrospectiva de Lázaro Roberto na instituição. A mostra reúne cerca de 400 imagens do acervo
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O Instituto Moreira Salles Paulista (IMS Paulista) apresenta a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, primeira retrospectiva de Lázaro Roberto na instituição. A mostra reúne cerca de 400 imagens do acervo criado em Salvador nos anos 1990, que hoje soma aproximadamente 50 mil fotografias e documentos dedicados a registrar a vida e as lutas da população negra a partir de uma perspectiva própria. Com curadoria de Hélio Menezes, a exposição ocupa dois andares do IMS e destaca o caráter político e histórico do Zumví, consolidando a presença do artista, representado pela NND|Azeco, em um dos principais espaços culturais do país.
Serviço
Exposição | Zumví Arquivo Afro Fotográfico
De 28 de março a 23 de agosto
Terça a domingo e feriados das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato no fim da década de 1990 e as coloca em diálogo com máscaras africanas preservadas nas coleções de Christian-Jack Heymès e da família Mastrobuono. A abertura acontece em São Paulo e se conecta à agenda da 22º edição da SP-Arte.
A exposição parte de um dado central para a leitura da trajetória de Ivald Granato. Durante décadas, sua presença pública, suas ações performáticas e sua energia irreverente ocuparam lugar decisivo na recepção de sua obra. Esse aspecto é incontornável, mas não a resume.
Granato foi também um pintor de grande domínio técnico, um desenhista excepcional e um conhecedor profundo da história da arte. Transitava entre linguagens e repertórios com intimidade rara, não para repetir estilos, mas para tensioná-los a partir de uma inteligência visual muito própria. Maria Alice Milliet lembra que, ao chegar à maturidade, depois de mais de três décadas de exposições, premiações e reconhecimento, Granato já ocupava um lugar de destaque na cena artística brasileira. Talentoso desenhista e pintor, havia atravessado os “ismos” e a Pop Art em estreita sintonia com seu tempo.
Essa mostra ajuda a recolocar esse ponto em evidência, situando-o como parte de uma investigação consistente, em que pintura, memória, teatralidade e identidade se entrelaçam. No fim dos anos 1990, Granato se afasta, por um momento, do embate mais imediato com a contemporaneidade e volta o olhar para dimensões profundas de sua própria formação. É desse movimento que nasce a série ligada às máscaras. Segundo a curadora, essa passagem corresponde a uma inflexão em sua carreira, quando o artista procura valores ligados ao passado, à ancestralidade e à memória cultural brasileira. Em 1998, Granato realiza uma série de pinturas sobre papel chamada The Mask. Na sequência, desenvolve obras de maior fôlego reunidas sob o título Quem é você – The Mask. Para o artista, essas máscaras eram anotações visuais de rostos que povoavam seu imaginário.
Ao tratar dessa produção, Maria Alice Milliet desloca a leitura habitual que costuma aproximar esse tipo de repertório apenas da tradição europeia do moderno. No caso de Granato, ela está ligada à busca de raízes culturais e ao desejo de afirmação identitária. A curadora recupera sua origem miscigenada, com ascendência negra e indígena, e inscreve essa série num campo de pertencimento, reconhecimento simbólico e reverência, marcado por uma aproximação que nasce de dentro. Esse aspecto é decisivo para a compreensão da mostra. A ancestralidade africana aparece como força estrutural na cultura brasileira e como chave para reler uma parte importante de sua obra.
Milliet observa que, depois de uma primeira incursão em figuras mais próximas de um universo popular e carnavalesco, Granato volta-se para as máscaras tribais. Na série cuja pergunta organiza o título da exposição, vemos uma sucessão de caras estranhas emergirem de fundos escuros, em composições que condensam intensidade gráfica, energia cromática e forte carga simbólica. A representação tem, nesse conjunto, um peso particular. Ela é figura de passagem, condensação de gesto, invenção de persona e presença ritual. Dez anos após sua morte, Máscaras, Ivald Granato – Quem é você? nos faz compreender com mais nitidez a complexidade do artista.
Serviço
Exposição | Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?
De 28 de março a 25 de junho
Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira das 10:00h às 19:00h, sábados das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria
Rua Estados Unidos, 1638 01427-002 São Paulo - SP
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Calendário”, de Felipe Rezende, como parte de seu I Ciclo Expositivo. A mostra, instalada no Projeto 280X1020, tem curadoria de Claudio
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Calendário”, de Felipe Rezende, como parte de seu I Ciclo Expositivo. A mostra, instalada no Projeto 280X1020, tem curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Guilherme Teixeira.
Felipe Rezende (Salvador, 1994) emprega técnicas como o patchwork para construir um imaginário sobre o mundo do trabalho. O método utilizado no reparo de lonas de caminhão — marcadas pela sujeira e poluição das estradas — é deslocado para um outdoor de seis metros de comprimento. A obra propõe uma reflexão sobre a representação da realidade operária e a invenção de ficções relativas a elementos do cotidiano laboral.
A pesquisa nasce da observação direta de contextos de trabalho situados, com frequência, às margens das rodovias e em oficinas improvisadas junto a postos de gasolina, cuja presença é ao mesmo tempo transitória e marcada por vestígios. Ao incorporar esses procedimentos ao espaço institucional, o artista reconfigura também o suporte.
Como aponta Guilherme Teixeira: “É um movimento de apropriação: trazer para dentro do museu essa estrutura de comunicação pública, o outdoor que normalmente anuncia, vende, promete. Aqui, porém, o outdoor não diz nada. Ou diz tudo o que não cabe em propaganda”.
Além da individual de Rezende, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Calendário
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa,
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Ana Avelar, a mostra reúne trabalhos marcados pela geometrização e a reconfiguração visual da arquitetura vernacular.
A trajetória de Andrea Brazil (São Paulo, 1972) entre Salvador e a Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, fundamenta sua visualidade funcional. A artista cresceu em contato com uma arquitetura litorânea marcada por intervenções anônimas – feitas com cacos de telha e sobras de material – que configuram o que ela chama de “desenho no espaço”.
Nesse processo, fachadas de casas e estabelecimentos, grades e outros elementos urbanos, se reorganizam como linhas, cores e vazios. “Trata-se de uma produção coletiva e vernacular que condensa história, clima, técnica e desejo estético em um mesmo gesto construtivo”, afirma Avelar.
O olhar de Brazil para a arquitetura vernacular de sua infância se aprofundou durante uma viagem à região do Algarve, em Portugal. Lá, a influência moura, reconhecível nos cantos arredondados e padrões geométricos, ressoou com o que a artista conhecia da Bahia.
Para Avelar, a conexão não é casual: Brazil observa que os negros malês, protagonistas da revolta de 1835 em Salvador, eram em sua maioria de origem muçulmana e portadores de uma tradição visual que se infiltrou na cultura material da cidade. O ornamento, nesse sentido, guarda estratos históricos que a superfície das fachadas não revela explicitamente.
Uma das séries apresentadas é construída sobre chapas de madeira com camadas de massa corrida sobrepostas em duas etapas. O desenho das grades — fruto de uma memória visual internalizada — é entalhado na superfície até revelar a cor subjacente. Quando o trabalho aposta na cor, destaca-se pela vibração óptica, transitando entre a estridência da Pop Art e o silêncio das superfícies opacas.
Além da individual de Brazil, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Calendário”, de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Badauê
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de José
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de José Augusto Ribeiro, a coletiva reúne trabalhos de Darks Miranda (Fortaleza, 1985), Flávia Metzler (Rio de Janeiro, 1974), Ivan Cardoso (Rio de Janeiro, 1952) e Yuli Yamagata (São Paulo, 1989) para refletir sobre uma produção contemporânea marcada pelos aspectos imaginativo e ambíguo.
Entre filmes, pinturas e esculturas, as obras propõem experiências de saturação visual e contrassenso, nas quais a irregularidade e a monstruosidade operam como estratégias para desafiar a realidade. “A ideia é examinar como a junção de terror e comicidade produz resultados com força de insubordinação: tanto no enfrentamento das normas que parecem reger o estado das coisas no mundo, quanto na elaboração de linguagens que ultrapassam limites entre gêneros e manifestações artísticas”, afirma o curador.
A mostra conta com filmes de Ivan Cardoso — o “mestre do terrir”, termo cunhado por ele nos anos 1970. O cineasta reúne referências contrastantes em colagens quadro a quadro que articulam a tropicália, o cinema expressionista alemão, Hélio Oiticica, Zé do Caixão, o cinema marginal brasileiro, os enredos dos gibis, o jornalismo sensacionalista, a poesia concreta, entre outros elementos, sem atribuir um sentido fixo aos diálogos criados.
Darks Miranda incorpora as linguagens do cinema e da colagem em “Uma noite perigosa na ilha de Vulcano” (2022) , editado a partir de trechos de ficções científicas produzidas entre 1950 e 1980, auge da Guerra Fria. O trabalho articula sua trajetória como montadora na construção de um “cinema de segunda mão”.
As pinturas de Flávia Metzler constroem cenas em fricção com a história da arte, utilizando fragmentos de imagens, objetos, arquitetura, e conceitos científicos ou filosóficos. Na montagem das imagens, Metzler se apropria dos saberes do enquadramento e da organização dos acontecimentos no espaço para a geração de suspense.
Já Yuli Yamagata — que recentemente deu início a uma produção de vídeos curtos — internaliza em suas peças referências do cinema de horror, das animações e das histórias em quadrinho japonesas, além da lógica dos ultraprocessados. Esse campo de interesse se concentra nas fórmulas de produção industrial de baixo custo (para as fábricas) e alto risco (para os consumidores), baseada em aditivos químicos, estabelecendo assim, uma espécie de “realidade transgênica”.
Além da coletiva, o ciclo inclui as individuais “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), e “Calendário” de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). Segundo Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a programação busca “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | O horror, o humor e o absurdo
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Em meio ao agravamento da crise climática, ao avanço do desmatamento e às crescentes disputas em torno dos territórios tradicionais, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos
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Em meio ao agravamento da crise climática, ao avanço do desmatamento e às crescentes disputas em torno dos territórios tradicionais, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois lança uma pergunta incontornável: o que foi feito do Brasil percorrido e documentado há dois séculos? Ao marcar o bicentenário da partida da histórica viagem fluvial do Tietê ao Amazonas, a iniciativa transforma uma das mais importantes viagens científicas do século XIX em ponto de partida para refletir sobre os impasses ambientais — e civilizatórios — que definem o século XXI.
O projeto estreia no dia 31 de março com a abertura da exposição Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP (BBM-USP). Realizada pelo Instituto Hercule Florence e pela Documenta Pantanal, em parceria com a BBM-USP, o Instituto Moreira Salles (IMS) e o Centro Maria Antônia da USP, a iniciativa se estende até junho deste ano, contemplando também uma mostra de cinema e o lançamento de publicações sobre o tema.
Chefiada por Georg Heinrich von Langsdorff e financiada pelo Império Russo do czar Alexandre I, a expedição que partiu de Porto Feliz (SP) em 22 de junho de 1826 foi uma das mais ambiciosas incursões científicas já realizadas pelo interior do Brasil no século XIX. Mais do que mapear rios, coletar e catalogar espécies, a missão buscava compreender um território ainda pouco conhecido pelos centros europeus.
A travessia fluvial entre 1826 e 1829, do Tietê ao Amazonas, passando pelas províncias de São Paulo, Mato Grosso e Grão-Pará, tinha entre seus integrantes o botânico Ludwig Riedel, o astrônomo Néster Rubtsov, o pintor Aimé-Adrien Taunay, o desenhista e inventor Hercule Florence, que se estabeleceria no Brasil, tornando-se a principal testemunha desta jornada, e Wilhelmine von Langsdorff, esposa de Langsdorff e única mulher a viajar com o grupo .
Os diários, desenhos e registros de Hercule constituem hoje uma das mais importantes documentações visuais e científicas do Brasil oitocentista, fundamentais para a construção da imagem do país no exterior e para a compreensão histórica de sua biodiversidade.
A exposição Eixo central do projeto, a mostra realizada na BBM-USP tem curadoria do Instituto Hercule Florence. A exposição se divide entre a Sala Multiuso e a Sala BNDES, estabelecendo um diálogo direto entre passado e presente. Os trabalhos apresentados são oriundos dos acervos do próprio IHF, da BBM-USP, da Bibliothèque nationale de France (BnF) e, ainda, da coleção Cyrillo Hercules Florence, hoje sob a guarda do IMS. Reunindo mais de uma centena de obras, a mostra justapõe imagens, relatos de viagens, publicações e documentos do século XIX com produções contemporâneas realizadas nas mesmas regiões atravessadas pela expedição.
Na Sala Multiuso estão registros históricos e reproduções de materiais de Hercule Florence e de outros viajantes e naturalistas dos séculos XIX e XX. Já a Sala BNDES mescla trabalhos históricos com fotografias de nomes como Lalo de Almeida, Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e João Pompeu, que investigam temas como ocupação desordenada, assoreamento, desmatamento, queimadas, conflitos territoriais e a resistência de comunidades tradicionais nas regiões da Amazônia e do Pantanal.
Mais que atualizar as paisagens do passado, as imagens recentes criam um contraponto crítico que convida o público a perceber que a crise ambiental não é um fenômeno abstrato, mas uma transformação concreta e acelerada da paisagem brasileira.
“A expedição não é apresentada como uma façanha heroica, mas quase como um memento mori. Em apenas dois séculos, um intervalo ínfimo na história da humanidade, alteramos profundamente os ecossistemas que aqueles viajantes conheceram”, pontua Antonio Florence, tetraneto de Hercule Florence e fundador do instituto que celebra sua trajetória, o IHF. “O século XIX construiu o mundo em que vivemos hoje, inclusive o modelo de exploração que levou à devastação que vemos. Revisitar essa travessia é uma forma de entender como chegamos até aqui e de nos questionarmos quanto ao futuro que estamos construindo.”
Para Francis Melvin Lee, curadora do IHF, a iconografia da expedição não é apenas memória visual e maravilhada da natureza ali presente, mas o testemunho de um momento em que as consequências da intervenção humana ainda eram circunscritas. “Ao revisitarmos esses mesmos territórios hoje, o que emerge é uma paisagem atravessada por devastação e conflitos. A mostra tensiona esses dois polos para que possamos perceber a dimensão histórica da transformação que ocorreu nesse curtíssimo intervalo de tempo.”
Além da exposição na BBM-USP, o projeto inclui ainda uma mostra de filmes dedicada ao cinema ambiental brasileiro. Com curadoria de Mônica Guimarães, da Documenta Pantanal, a iniciativa ocorre entre maio e junho. Por fim, marcando exatamente 200 anos do início da expedição fluvial, o projeto será encerrado com o lançamento de publicações nos dias 22 e 23 de junho. Os trabalhos nascem dos manuscritos originais de Hercule Florence e reúnem textos críticos, ensaios visuais e pesquisas recentes que expandem o legado do artista para o século XXI. Mais detalhes dessas programações serão divulgados em breve.
Serviço
Exposição | Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois
De 31 de março até 26 de junho
Segunda a sexta, das 8h30 às 20h30; sábado das 9h às 13h; domingos e feriados, fechado
Entrada gratuita
Período
Local
Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP
Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, São Paulo - SP
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Festa das falas. Com curadoria de Moacir dos Anjos, esta é a primeira exposição de um ciclo de mostras que
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Festa das falas. Com curadoria de Moacir dos Anjos, esta é a primeira exposição de um ciclo de mostras que celebra os 50 anos de atuação de Nara Roesler como galerista e que se estenderá pelos próximos meses nos três espaços da instituição, São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York.
Em Festa das Falas, o curador reúne obras emblemáticas de artistas que pontuam o percurso de Nara Roesler desde 1976 até o momento. Apresentando obras de artistas “que provêm da mesma região de Nara, o Nordeste, em particular do Recife”, o curador, também nascido na capital de Pernambuco. Ele observa que “esta exposição busca resgatar uma forma de falar, uma inflexão nessa linguagem, nesse repertório, de artistas que independentemente de trazerem ou não referências visuais de um determinado território, fazem isso com certo jeito, uma afirmação de um pertencimento”. “Na fala de Nara, na voz de Nara, há esse sotaque, como há na minha fala também, e na fala de outros artistas que vêm dessa região”.
Além de obras provenientes do acervo da galeria, a mostra apresenta trabalhos oriundos de coleções particulares, como o raríssimo painel de cerâmica Sem título (1976), com quase oito metros de comprimento por dois de altura, de Francisco Brennand (11 de junho de 1927, Recife – 19 de dezembro de 2019, Recife), pouco visto pelo público. A presença de trabalhos de José Cláudio (1932, Ipojuca, Pernambuco – 2023, Recife) é marcante por ele ter sido o primeiro artista com que Nara Roesler trabalhou, antes de ter sua própria galeria, e em 2022 ganhou uma mostra retrospectiva com curadoria de Aracy Amaral, na Nara Roesler São Paulo.
Frequentador de exposições de arte contemporânea muito antes de se dedicar à área, Moacir dos Anjos conheceu Nara Roesler ainda nos anos 1980 e depois fez duas curadorias para a galeria. A primeira foi em 2013, Cães Sem Plumas [Prólogo] – na edição #24 do Roesler Hotel, projeto criado em 2002 para promover o diálogo entre as comunidades artísticas nacional e internacional, com curadores e artistas convidados a fazer experimentos no espaço da galeria em São Paulo. Em 2016, Moacir dos Anjos foi o curador de Deriva, individual de Cao Guimarães na Nara Roesler Nova York, e, no mesmo espaço, em 2022, da mostra Hotel Solidão, individual de Marcelo Silveira.
Sobre esta exposição agora, na Nara Roesler São Paulo, Moacir dos Anjos diz que “é como uma festa de falas”. “Estamos reunidos aqui ouvindo esses artistas, o modo deles estarem no mundo. É celebrar esse cinquentenário da atividade de Nara como galerista convocando essas vozes, convocando essas falas, convocando esses sotaques que foram tão importantes na formação dela e ainda hoje são importantes no fato dessa galeria ter algo que é diferente de outras”, salienta.
O curador lembra que há 50 anos a cena artística
Serviço
Exposição | Festa das falas
De 31 de março a 9 de maio
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Nara Roesler - SP
Avenida Europa, 655, São Paulo - SP
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A artista Flavia Renault celebra 30 anos de trajetória com a exposição individual “Casa Corpo”, em cartaz de 1º a 25 de abril no Fonte, em São Paulo. Com curadoria de Paula Borghi, a mostra
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A artista Flavia Renault celebra 30 anos de trajetória com a exposição individual “Casa Corpo”, em cartaz de 1º a 25 de abril no Fonte, em São Paulo. Com curadoria de Paula Borghi, a mostra reúne cerca de 50 obras, incluindo trabalhos inéditos, que abordam temas como vida, morte e renascimento a partir de objetos cotidianos e memórias pessoais.
Influenciada pelo Barroco Mineiro e por sua história familiar, a produção da artista se caracteriza pelo forte caráter simbólico e espiritual. Em suas obras, resíduos e objetos colecionados são reorganizados em sobreposições que revisitam memórias pessoais, familiares e ficcionais. Renault transita entre desenho, pintura, costura e bordado, incorporando documentos, livros antigos, móveis, fotografias e outros elementos de sua coleção pessoal.
Entre os destaques está a instalação “Sapatinho de Cristal” (1999), remontada com cerca de 3 mil copos de vidro para a exposição. O vidro, presente desde a infância da artista – filha de vidreiro -, aparece como um dos elementos centrais da mostra, pois reúne transparência, alquimia e elementos da casa em si. A obra também dialoga com sua história biográfica, uma vez que seus bisavós trouxeram a cultura do vidro para a família ao fundarem uma fábrica de vidros em São Paulo no início do século XX. “A instalação é uma homenagem a essa ancestralidade, trazendo o vidro como elemento moldado pelo sopro e pelo fogo”, explica a curadora Paula Borghi.
Renault apresenta ainda “Coluna” (2026), trabalho inédito composto por copos de vidro empilhados do piso ao teto. “Erguida na intenção de conectar dois planos, a instalação atua como uma ponte entre o céu (espiritual) e a terra (físico), a fim de trazer as essências espirituais para a realidade terrena e de levar a potência terrena para o cosmos”, comenta Borghi.
No dia da abertura (1º de abril), o público poderá experimentar uma pintura comestível: um bolo de pão de ló com recheio de doce de leite, pensado como uma forma de vivenciar a obra pelo corpo, por meio da digestão. “O processo da digestão é o mais difícil para o ser humano. É como se fosse uma guerra – muitas forças atuam para separar o que é essencial do que é descartável. A arte deve ser vivida dessa forma, intrinsecamente”, afirma a artista.
“Casa Corpo: Flavia Renault 30 anos de produção” reúne desenhos, colagens, fotografias, vídeo, bordados e instalações, propondo ao visitante uma reflexão sobre corpo, memória e espiritualidade por meio da materialidade dos objetos. Uma produção artística que liberta o objeto de arte de seu caráter formalista e dissolve as fronteiras entre arte e vida.
Sobre a produção da artista, Paula Borghi comenta: “É quase inevitável olhar o trabalho de Flavia Renault e não perceber a energia dos elementos, a função das coisas no mundo e as trocas físicas e energéticas que se tem com os materiais. Aqui, toda experiência física é corporal e toda experiência artística é espiritual”.
Serviço
Exposição | Casa Corpo
De 1º a 25 de abril
Quinta a sábado, das 14h às 19h
Período
Local
Fonte
Rua Mourato Coelho 751, Vila Madalena, São Paulo - SP
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A Carmo Johnson Projects convida você para a abertura da exposição individual “Alma terra” da artista Belony Ferreira, com curadoria de Paula Ramos. No trabalho de Belony Ferreira, a terra deixa
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A Carmo Johnson Projects convida você para a abertura da exposição individual “Alma terra” da artista Belony Ferreira, com curadoria de Paula Ramos.
No trabalho de Belony Ferreira, a terra deixa de ser apenas matéria para afirmar-se como linguagem. A partir de argilas e pigmentos naturais coletados do solo, a artista constrói obras que carregam em si marcas do tempo e da história. Ao evocar a Terra como força poética, Belony estabelece um diálogo sensível com questões que atravessam a memória do campo, engajamento social e as urgências ambientais.
Nascida em Santo Antônio da Patrulha (RS), em 1935, Belony iniciou sua trajetória artística aos 53 anos, após uma vida dedicada à agricultura. É justamente dessa vivência profunda com a terra que emerge o núcleo de sua obra. Mais do que matéria, a terra se torna linguagem: um meio de expressão carregado de memória, tempo e pertencimento.
Utilizando argilas e pigmentos naturais coletados do solo, Belony constrói trabalhos que preservam as marcas do território e transformam gestos cotidianos em potência poética. Sua prática articula experiência sensível e consciência política, evocando questões ligadas à vida no campo, ao engajamento social e às urgências ambientais.
Nesta exposição, a artista afirma a terra como corpo vivo e narrativo — um espaço onde memória e matéria se entrelaçam, revelando uma obra de força silenciosa e profunda ressonância.
Serviço
Exposição | Alma terra
De 07 de abril a 07 de maio
Terça a Sexta, 11h às 17h, sábados sob agendamento
Período
Local
Carmo Johnson Projects
Rua Anunze, 249 - Boaçava / Alto de Pinheiros, São Paulo - SP
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto para o alargamento dos horizontes do mundo das artes quanto para a evolução da luta contra o racismo.
Em sua trajetória, o baiano Mestre Didi (1917-2013) percorreu e distendeu os domínios das artes e da religiosidade. As muitas habilidades artísticas e artesanais de Didi lhe conferiram o lugar de mestre, assim como sua vocação e sua atuação religiosa o colocaram em cargos de destaque nos cultos. E é esse itinerário que ganha o Itaú Cultural (IC) no período de 8 de abril a 5 de julho de 2026.
Além das criações de Didi no campo das artes visuais, a individual aborda sua produção textual/literária e sua participação no desenvolvimento de relevantes organizações e eventos, no Brasil e em outros países, voltados para a pesquisa e a promoção das culturas africanas e afrodiaspóricas. O espaço expositivo também explora as conexões entre Didi e outros criadores, como o seu contemporâneo Abdias Nascimento – tema de mostra do projeto Ocupação Itaú Cultural em 2016.
No dia 7 de abril, às 19h, acontece a abertura de Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira. Para celebrar esse momento, o terreiro Ilê Asipá apresenta Oro Ojés, cerimônia tradicional realizada em todas as festividades do espaço fundado pelo próprio Didi, em Salvador.
Serviço
Exposição | Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira
De 8 de abril a 5 de julho
Terça a sábado, das 11h às 20h, domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos sociais, de ritos da umbanda e paisagens rurais, e cuja vida reflete diversos aspectos da modernidade no país.
A mostra Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro.
Paulo Pedro Leal passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século 20, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, Afogamento de mendigos (1965) Naufrágio (1953) ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra.
Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, Jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
Serviço
Exposição | Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio
De 11 de abril a 08 de novembro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
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Por meio de uma reflexão crítica acerca do sistema de produção, consumo e circulação de fotografias de pessoas negras no Brasil do século XIX, a palestra aborda os usos coloniais
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Por meio de uma reflexão crítica acerca do sistema de produção, consumo e circulação de fotografias de pessoas negras no Brasil do século XIX, a palestra aborda os usos coloniais e decoloniais do retrato no passado e na contemporaneidade. Para tanto, são apresentados alguns dos resultados da tese de doutorado da pesquisadora Mônica Cardim “Retratos Transatlânticos: a diáspora africana na fotografia de Alberto Henschel” (PGHEA-MAC/USP, 2023), com ênfase nas possíveis relações de convivialidade/desigualdade entre as pessoas envolvidas na fatura dos retratos no estúdio fotográficos de Alberto Henschel; na circulação das imagens por meio de coleções etnoantropológicas na Europa; e na presença das imagens na coleção de um dos retratados, o pai de santo Juca Rosa.
A palestra tem como objetivo apresentar uma discussão sobre o papel dos agentes (retratistas, retratados, colecionadores) envolvidos na produção e circulação de retratos fotográficos de pessoas negras, considerando as relações desiguais de poder e a violência implícita na prática fotográfica de caráter etnoantropológica oitocentista. Ao trazer a reflexão para a atualidade, a pesquisadora associa o estúdio fotográfico a espaços de experimentação com o sagrado de cosmologia afrodiaspórica. Desse modo, propõe a criação fotográfica para a construção de contranarrativas acerca de histórias invisibilizadas a partir da experiência de quem viveu a violência na pele.
As inscrições podem ser feitas a partir das 14h do dia 26/3 no site do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc ou através do nosso app.
Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. O cadastro é pessoal e intransferível.
O pagamento pode ser feito através do cartão de crédito, débito ou em dinheiro. Trabalhamos com as bandeiras Visa, Mastercard, Elo e Hipercard.
Ao término do curso, você poderá solicitar sua declaração de participação pelo e-mail declaracao.cpf@sescsp.org.br
A declaração será encaminhada em até 30 dias
O cancelamento poderá ser realizado com até 48 horas antes do início da atividade, por email: atendimento.cpf@sescsp.org.br
Serviço
Palestra | Retratos Transatlânticos: a diáspora africana na fotografia de Alberto Henschel
Dia 23 de abril
Das 19h às 21h – evento gratuito
Período
Local
Centro de Pesquisa e Formação do Sesc
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar, Bela Vista - São Paulo - SP
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste, Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste,
Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a coletiva propõe uma interlocução entre os programas das galerias ao explorar as afinidades entre os artistas Montez Magno (1934, Pernambuco), Mari Ra (1996, São Paulo), Zé di Cabeça (1974, Bahia), Fabio Miguez (1962, São Paulo) e Adenor Gondim (1950, Bahia). A mostra propõe um olhar ampliado para as arquiteturas vernaculares que marcam o Nordeste: fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de feiras e festas e estruturas efêmeras que configuram a paisagem social e cultural da região.
Nesse conjunto, Fabio Miguez investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas enquanto Zé di Cabeça transforma registros das platibandas do subúrbio ferroviário soteropolitano em pinturas. Mari Ra reconhece afinidades entre as geometrias que encontrou em Recife e Olinda e aquelas presentes na Zona Leste paulistana, revelando vínculos construídos pela migração nordestina. Já Montez Magno e Adenor Gondim convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste, Magno pela via da abstração geométrica presentes nas séries Barracas do Nordeste (1972-1993) e Fachadas do Nordeste (1996-1997) e Gondim pelo registro fotográfico das barracas que marcaram as festas populares de Salvador.
A parceria entre as galerias se dá no aniversário de 2 anos da Galatea em Salvador e reforça o seu intuito de fazer da sede na capital baiana um ponto de convergência para intercâmbios e trocas entre artistas, agentes culturais, colecionadores, galerias e o público em geral.
Serviço
Exposição | Barracas e fachadas do nordeste
De 30 de janeiro a 30 de maio
Terça – quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de construção de conhecimento, aproximando práticas artísticas, educativas e comunitárias.
Com a curadoria de Luciara Ribeiro, Naine Terena e Khadyg Fares, a Trienal propõe uma escuta atenta ao território sorocabano, atravessando suas camadas históricas, visuais e sociais.
O título do caminho um rezo une o conceito de “caminho como rezo”, difundido pelo professor e artista Tadeu Kaingang, à noção andina de “Thaki”, descrita pela socióloga Silvia Rivera Cusicanqui, e à ideia de “confluências afropindorâmicas”, do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), orientando uma reconexão com experiências culturais, educacionais e de memória que articulam corpo, território e vida social.
São, ao todo, 188 obras (das quais 26 foram comissionadas) desenvolvidas a partir de experiências negras, indígenas, periféricas e dissidentes, que ocupam tanto a unidade, quanto espaços da cidade, como a Capela João de Camargo, o Clube 28 de Setembro, o Monumento Pelourinho e o Monumento à Mãe Preta.
Assim como nas edições anteriores, Frestas se afirma como uma iniciativa que descentraliza o circuito de arte contemporânea, reconhecendo Sorocaba e o interior paulista como território de confluência entre relações artísticas e comunitárias.
Serviço
Exposição | do caminho um rezo
De 27 de fevereiro a 16 de agosto
Terças a sextas, 9h às 21h30. Sábados, 10h às 20h. Domingos e feriados, 10h às 18h30. Exceto dia 3/4
Período
Local
Sesc Sorocaba
R. Barão de Piratininga, 555 - Jardim Faculdade, Sorocaba - SP
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Solidão Coletiva, individual inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre as contradições da sociedade contemporânea e os modos de
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Solidão Coletiva, individual inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre as contradições da sociedade contemporânea e os modos de existência em um mundo cada vez mais povoado, acelerado e regulado. Com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia assinada por Daniela Thomas, a mostra reúne oito séries fotográficas realizadas entre 2016 e 2023, resultado de um extenso trabalho de observação em grandes centros urbanos como São Paulo, Nova York, Tóquio, Mumbai, Pequim e Jacarta.
O título da exposição dialoga com o pensamento da filósofa Hannah Arendt, para quem a sociedade moderna, estruturada em torno do trabalho, tende a suprimir a possibilidade de ação e a reduzir o indivíduo à condição de agente funcional. “As imagens de Bittencourt observam grupos humanos imersos em rotinas produtivas, fluxos incessantes de informação e espaços que impõem contenção física e simbólica. O confinamento surge como eixo recorrente, mesmo quando os mecanismos de controle não se apresentam de forma explícita”, conta Wisnik.
Em suas fotografias, Julio Bittencourt busca registrar não acontecimentos extraordinários, mas estados de suspensão. São, para o artista, corpos anônimos, captados em situações de espera, repetição ou adaptação a ambientes que os condicionam. De empregados isolados em escritórios a trabalhadores alojados em hotéis cápsula, a privação deixa de ser exceção para se tornar parte estrutural do cotidiano urbano. “Há, nesse gesto, uma dimensão política que não se baseia na denúncia direta, mas na insistência em tornar visível aquilo que costuma passar despercebido”, diz o curador.
As séries se articulam como capítulos de uma narrativa aberta, marcada por tensão e ressonância. Transitando entre o documental e o conceitual, Julio Bittencourt explora a fotografia como linguagem crítica, livre do compromisso jornalístico com o fato imediato, mas atenta às possibilidades poéticas do olhar.
Solidão Coletiva – Júlio Bittencourt é uma exposição apresentada pela CAIXA Cultural, com realização da Phi Projetos e Cinnamon e patrocínio da CAIXA e Governo do Brasil.
Serviço
Exposição | Solidão Coletiva
De 03 de março a 12 de julho
Terça a domingo, das 9h às 18h
Período
Local
CAIXA Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111 – Centro – SP
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O CCBB BH recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, com obras em escultura, crochê e bordado da artista maranhense Marlene Barros, propondo uma reflexão sobre o corpo feminino, a desvalorização histórica
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O CCBB BH recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, com obras em escultura, crochê e bordado da artista maranhense Marlene Barros, propondo uma reflexão sobre o corpo feminino, a desvalorização histórica das mulheres e a invisibilização de seus fazeres no campo da arte. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a mostra transforma o gesto íntimo do costurar em narrativa pública de resistência, pertencimento e reinvenção, transformando agulha e linha em instrumentos de denúncia, memória e elaboração simbólica.
A exposição conta com instalações como “Eu tenho a tua cara”, com 49 rostos de mulheres que trocam olhos e bocas costurados, tensionando identidade e alteridade; “Caixa Preta”, que constrói um autorretrato expandido a partir de fotografias, intervenções têxteis e escritos; “Coso porque está roto”, que apresenta um casaco cujo avesso revela órgãos bordados que simbolizam sentimentos e acionam a ideia de reparo; “Entre nós”, que mergulha em objetos de crochê para problematizar tarefas naturalizadas no âmbito doméstico; e “Quem pariu, que embale”, que questiona a atribuição quase exclusiva do cuidado dos filhos às mulheres. A montagem do percurso expositivo, coordenada por Fábio Nunes, com produção executiva de Júlia Martins, propõe uma trajetória não cronológica, permitindo que o público construa sua própria experiência entre matéria, gesto e memória.
Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros consolidou-se como referência no cenário artístico maranhense, articulando produção, formação e redes culturais por meio do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM. A exposição tem origem em pesquisa desenvolvida durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, quando propôs costurar simbolicamente uma casa em ruínas no campus Santiago, em Portugal, em um gesto de remendar fissuras do tempo. A casa, convertida em metáfora do corpo, permitiu expandir a reflexão para o universo feminino em suas dimensões sociais, políticas e afetivas, compreendendo a tecelagem como metáfora dos vínculos, da memória e do fluxo da vida.
Serviço
Exposição | Marlene Barros: Tecitura do Feminino
De 04 de março a 01 de junho
Quarta a segunda, das 10h às 22h
Período
Local
Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)
Praça da Liberdade, 450 - Funcionários, Belo Horizonte - MG
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres,
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999 reúne 106 livros do acervo da Biblioteca de Fotografia, incluindo títulos recém-incorporados a partir da aquisição de uma coleção junto à 10×10 Photobooks, organização fundada em 2012 por Russet Lederman e Olga Yatskevich. Sediada em Nova York, a 10×10 Photobooks se dedica à pesquisa e ao compartilhamento de fotolivros, promovendo exibições, publicando livros a respeito e incentivando sua apreciação e compreensão.
Russet e Olga, que assinam a curadoria da mostra, comentam o projeto: “Embora os estudos sobre a história dos fotolivros tenham começado há apenas 37 anos, eles foram escritos majoritariamente por homens e têm focado em publicações de autoria masculina. Como organização sem fins lucrativos cuja missão é compartilhar fotolivros de forma global e incentivar sua apreciação e compreensão, a equipe da 10×10 discute com frequência como a história do fotolivro foi – e continua sendo – escrita a partir de uma perspectiva enviesada, e que uma ‘nova’ história precisa emergir.”
No dia da abertura, haverá uma conversa aberta ao público na Biblioteca de Fotografia do IMS, às 18h30, com a participação de Russet. A entrada é grátis, com retirada de senhas 60 minutos antes.
“A exposição reforça o papel do IMS como centro de referência para o estudo dos fotolivros e para a circulação de projetos de relevância internacional. Ao trazer ao público brasileiro obras que atravessam mais de um século e meio de produção, O que elas viram amplifica o debate sobre a contribuição das mulheres na história da fotografia e cria novas oportunidades de pesquisa”, diz Miguel Del Castillo, coordenador da Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles.
Todos os livros em exibição poderão ser manuseados pelos visitantes da mostra, que está dividida em dez seções – elas funcionam como marcadores cronológicos, mas principalmente ressaltam o momento histórico, sociopolítico e de conquistas de gênero em que essas mulheres produziram suas obras: “1843-1919: Pioneiras”; “1920-1935: A nova mulher”; “1936-1945: Levantando suas vozes”; “1946-1955: Das cinzas à família”; “1956-1964: Livros como bombas”; “1965-1969: Nostalgia, pop e revolução”; “1970-1975: Sororidade em florescimento”; “1976-1979: Políticas sexuais”; “1980-1989: Um despertar global”; e “1990-1999: Em busca de uma fotodemocracia”.
“Pioneiras”, por exemplo, inclui o trabalho da inglesa Anna Atkins, que, em 1843, publicou por conta própria Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, originalmente escrito à mão e ilustrado com 307 cianotipias das mais diversas algas britânicas. Na mostra, ela está presente em uma edição contemporânea da publicação. Também nesta seção se encontra o mais antigo exemplar em exibição, Dream Children (1901), da norte-americana Elizabeth B. Brownell (1860-1909), em que textos em prosa e poesia de 28 autores são ilustrados com cenas cuidadosamente compostas no estilo de tableaux vivant, popular na fotografia do fim do século XIX e início do século XX.
Nas seções seguintes, aparecem obras como African Journey [Jornada africana] (1945), da antropóloga Eslanda Cardozo Goode Robeson (1895-1965). Parte do segmento “Levantando suas vozes”, a publicação é um dos primeiros livros sobre a África produzido por uma pesquisadora negra norte-americana – e sucesso à época de seu lançamento, devido ao crescente interesse de pessoas afro-americanas pela política e pela cultura africanas durante a década de 1940, quando pan-africanistas defendiam um vínculo inquebrantável entre a diáspora africana e o continente.
Já na seção “Sororidade em florescimento”, chama atenção o fotolivro Les Tortures volontaires [As torturas voluntárias] (1974), da francesa Annette Messager (1943), uma coleção de imagens recortadas de revistas e anúncios que mostram mulheres submetendo-se a diversos procedimentos cosméticos ou rotinas de beleza, pontuando como os corpos das mulheres são um lugar de violência.
Entre os numerosos destaques, o público poderá também ver Passion [Paixão] (1989), da camaronense Angèle Etoundi Essamba (1962), no segmento “Um despertar global”. Essamba subverte as representações estereotipadas produzidas por fotógrafos ocidentais dos corpos femininos negros com poderosos retratos em que sobressaem orgulho, força e consciência. A seleção inclui ainda Hiromix (1998), da japonesa Hiromix (1976), um retrato profundamente pessoal da cultura jovem japonesa dos anos 1990, com fotografias estreladas, em sua maioria, pela própria autora, que busca capturar a beleza juvenil, a exuberância e os prazeres sem amarras da experiência urbana de uma jovem mulher. Hiromix está na seção “Em busca de uma fotodemocracia”, que fecha a exposição.
Três brasileiras já estavam na seleção original das curadoras: Claudia Andujar (1931) com Amazônia (1979), livro que registra o período que ela passou com os Yanomami, fotografando suas cerimônias culturais, ritos xamânicos e tradições; Maureen Bisilliat (1931) comparece com o livro A João Guimarães Rosa (1969), em que fotografa o sertão mineiro inspirada pelo romance Grande sertão: veredas; e Gretta Sarfaty (1947), que rompeu padrões nos anos 1970 ao ironizar a própria imagem, com Autophotos (1978), reunindo três séries fotográficas da pioneira da body art e do feminismo no Brasil.
“Mas, como estamos no Brasil, achamos interessante ampliar um pouco a quantidade de fotógrafas brasileiras contempladas na seleção”, diz Miguel Del Castillo. “Fiz uma sugestão a partir do acervo do IMS, de livros importantes, publicados nesse período de tempo”. Foi assim que outros quatro volumes foram incorporados à versão brasileira da exposição: Dor (1998), de Vilma Slomp (1952); Quem você pensa que ela é? (1995), de Claudia Jaguaribe (1955); Pinturas e platibandas (1987), de Anna Mariani (1935-2022); e Entre (1974), de Stefania Bril (1922-1992).
O IMS recebe uma exposição que já teve versões em formatos variados exibidas em instituições de prestígio em todo o mundo, como o Getty Research Institute, em Los Angeles (2025), o Museo Reina Sofía, em Madri (2024), o Rijksmuseum, em Amsterdã (2022) e a New York Public Library (2022). O catálogo da mostra (no original, What They Saw: Historical Photobooks by Women, 1843–1999), de autoria das duas curadoras, recebeu em 2021 o PhotoBook Award de melhor catálogo do ano, prêmio concedido durante a feira Paris Photo, e estará disponível para consulta na exposição e para venda na Livraria da Travessa do IMS Paulista.
Em cartaz até 2 de agosto, a exposição convida o público a refletir sobre os processos de construção da história e as possibilidades de constantemente reescrevê-la, como pontuam as curadoras: “O que elas viram buscou incluir um grupo diverso de publicações ilustradas com fotografias feitas por mulheres. Para que a história do fotolivro se torne mais inclusiva, é necessário que todas as pessoas (homens, mulheres, não binárias, brancas, negras, asiáticas, africanas, latinas, indígenas, ocidentais, orientais etc.) contribuam. Vemos esta sala de leitura sobre o papel das mulheres na produção, disseminação e autoria de fotolivros como um passo necessário para desescrever a atual história do fotolivro e reescrever uma história do fotolivro que seja mais equitativa e inclusiva.”
Serviço
Exposição | O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999
De 17 de março a 02 de agosto
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Corpo de Vento”, individual da artista Thalita Hamaoui, com texto crítico assinado pela socióloga, professora e pesquisadora brasileira Ana Paula
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A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Corpo de Vento”, individual da artista Thalita Hamaoui, com texto crítico assinado pela socióloga, professora e pesquisadora brasileira Ana Paula Cavalcanti Simioni. A mostra apresenta onze pinturas inéditas, realizadas em tinta a óleo e pastel oleoso sobre tela e linho, em dimensões variadas. Entre os destaques estão “Corpo de Vento” (2026), pintura de grande formato que se estende por mais de cinco metros; e “Acontecimento Memorável” (2026).
Com trajetória iniciada na estamparia têxtil, onde aprofundou seus estudos sobre cor e forma, Hamaoui dedica-se integralmente à pintura desde 2013. Suas pinturas constroem paisagens de caráter fantástico, nas quais formas orgânicas se expandem por superfícies luminosas e figura e fundo se misturam. Elementos botânicos, como folhagens, flores e frutos, aparecem em sobreposições que combinam cores saturadas e tonalidades mais suaves. Esses arranjos não buscam o realismo, mas se organizam em ritmos que aproximam matéria vegetal e construções fictícias, sugerindo um modo de habitar próximo do onírico.
Em “Corpo de Vento”, a artista apresenta obras desenvolvidas a partir de um aprofundamento no uso do óleo e do pastel oleoso, em que amplia a escala das obras e experimenta diferentes formatos, incluindo pinturas compostas por duas ou três telas articuladas e suportes de contorno orgânico, como em “Vento Correnteza” (2026). Produzidas simultaneamente, as pinturas foram concebidas em diálogo umas com as outras, estabelecendo continuidades cromáticas e formais no espaço expositivo.
Sobre a produção da artista, Ana Paula Cavalcanti Simioni comenta: “A pintura de Thalita se apresenta como sugestiva, sem nos impor um sentido prévio. É um convite ao encantamento, ao prazer por saborear opticamente cada tela devagar, com encanto. É nas grandes telas que Thalita afirma sentir-se mais à vontade, pois nelas pode explorar com maior liberdade e fluidez o caráter gestual de sua prática”.
Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que permanece em cartaz até 09 de maio de 2026. Thalita Hamaoui também participa de “A World Far Away, Nearby and Invisible”, mostra coletiva com trabalhos selecionados pela Coleção Jorge M. Pérez, que acontece até agosto deste ano, no El Espacio 23, em Miami, EUA.
Serviço
Exposição | Corpo de Vento
De 19 de março a 09 de maio
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Período
Local
Simões de Assis (Lorena)
Alameda Lorena, nº 2050 - Jardim Paulista
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A sede paulistana da NND|Azeco inaugura sua programação anual com “A Coragem para Ficar”, primeira exposição individual de Rafael Hayashi na galeria. A mostra reúne trabalhos que refletem a relação
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Serviço
Exposição | A Coragem para Ficar
De 26 de março a 23 de maio
Terça a Sexta, das 11 às 18hs, sábado, das 11 às 15hs
Período
Local
NONADA SP
Praça da Bandeira,53 – Centro, São Paulo - SP
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O Instituto Moreira Salles Paulista (IMS Paulista) apresenta a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, primeira retrospectiva de Lázaro Roberto na instituição. A mostra reúne cerca de 400 imagens do acervo
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O Instituto Moreira Salles Paulista (IMS Paulista) apresenta a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, primeira retrospectiva de Lázaro Roberto na instituição. A mostra reúne cerca de 400 imagens do acervo criado em Salvador nos anos 1990, que hoje soma aproximadamente 50 mil fotografias e documentos dedicados a registrar a vida e as lutas da população negra a partir de uma perspectiva própria. Com curadoria de Hélio Menezes, a exposição ocupa dois andares do IMS e destaca o caráter político e histórico do Zumví, consolidando a presença do artista, representado pela NND|Azeco, em um dos principais espaços culturais do país.
Serviço
Exposição | Zumví Arquivo Afro Fotográfico
De 28 de março a 23 de agosto
Terça a domingo e feriados das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato no fim da década de 1990 e as coloca em diálogo com máscaras africanas preservadas nas coleções de Christian-Jack Heymès e da família Mastrobuono. A abertura acontece em São Paulo e se conecta à agenda da 22º edição da SP-Arte.
A exposição parte de um dado central para a leitura da trajetória de Ivald Granato. Durante décadas, sua presença pública, suas ações performáticas e sua energia irreverente ocuparam lugar decisivo na recepção de sua obra. Esse aspecto é incontornável, mas não a resume.
Granato foi também um pintor de grande domínio técnico, um desenhista excepcional e um conhecedor profundo da história da arte. Transitava entre linguagens e repertórios com intimidade rara, não para repetir estilos, mas para tensioná-los a partir de uma inteligência visual muito própria. Maria Alice Milliet lembra que, ao chegar à maturidade, depois de mais de três décadas de exposições, premiações e reconhecimento, Granato já ocupava um lugar de destaque na cena artística brasileira. Talentoso desenhista e pintor, havia atravessado os “ismos” e a Pop Art em estreita sintonia com seu tempo.
Essa mostra ajuda a recolocar esse ponto em evidência, situando-o como parte de uma investigação consistente, em que pintura, memória, teatralidade e identidade se entrelaçam. No fim dos anos 1990, Granato se afasta, por um momento, do embate mais imediato com a contemporaneidade e volta o olhar para dimensões profundas de sua própria formação. É desse movimento que nasce a série ligada às máscaras. Segundo a curadora, essa passagem corresponde a uma inflexão em sua carreira, quando o artista procura valores ligados ao passado, à ancestralidade e à memória cultural brasileira. Em 1998, Granato realiza uma série de pinturas sobre papel chamada The Mask. Na sequência, desenvolve obras de maior fôlego reunidas sob o título Quem é você – The Mask. Para o artista, essas máscaras eram anotações visuais de rostos que povoavam seu imaginário.
Ao tratar dessa produção, Maria Alice Milliet desloca a leitura habitual que costuma aproximar esse tipo de repertório apenas da tradição europeia do moderno. No caso de Granato, ela está ligada à busca de raízes culturais e ao desejo de afirmação identitária. A curadora recupera sua origem miscigenada, com ascendência negra e indígena, e inscreve essa série num campo de pertencimento, reconhecimento simbólico e reverência, marcado por uma aproximação que nasce de dentro. Esse aspecto é decisivo para a compreensão da mostra. A ancestralidade africana aparece como força estrutural na cultura brasileira e como chave para reler uma parte importante de sua obra.
Milliet observa que, depois de uma primeira incursão em figuras mais próximas de um universo popular e carnavalesco, Granato volta-se para as máscaras tribais. Na série cuja pergunta organiza o título da exposição, vemos uma sucessão de caras estranhas emergirem de fundos escuros, em composições que condensam intensidade gráfica, energia cromática e forte carga simbólica. A representação tem, nesse conjunto, um peso particular. Ela é figura de passagem, condensação de gesto, invenção de persona e presença ritual. Dez anos após sua morte, Máscaras, Ivald Granato – Quem é você? nos faz compreender com mais nitidez a complexidade do artista.
Serviço
Exposição | Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?
De 28 de março a 25 de junho
Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira das 10:00h às 19:00h, sábados das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria
Rua Estados Unidos, 1638 01427-002 São Paulo - SP
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Calendário”, de Felipe Rezende, como parte de seu I Ciclo Expositivo. A mostra, instalada no Projeto 280X1020, tem curadoria de Claudio
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Calendário”, de Felipe Rezende, como parte de seu I Ciclo Expositivo. A mostra, instalada no Projeto 280X1020, tem curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Guilherme Teixeira.
Felipe Rezende (Salvador, 1994) emprega técnicas como o patchwork para construir um imaginário sobre o mundo do trabalho. O método utilizado no reparo de lonas de caminhão — marcadas pela sujeira e poluição das estradas — é deslocado para um outdoor de seis metros de comprimento. A obra propõe uma reflexão sobre a representação da realidade operária e a invenção de ficções relativas a elementos do cotidiano laboral.
A pesquisa nasce da observação direta de contextos de trabalho situados, com frequência, às margens das rodovias e em oficinas improvisadas junto a postos de gasolina, cuja presença é ao mesmo tempo transitória e marcada por vestígios. Ao incorporar esses procedimentos ao espaço institucional, o artista reconfigura também o suporte.
Como aponta Guilherme Teixeira: “É um movimento de apropriação: trazer para dentro do museu essa estrutura de comunicação pública, o outdoor que normalmente anuncia, vende, promete. Aqui, porém, o outdoor não diz nada. Ou diz tudo o que não cabe em propaganda”.
Além da individual de Rezende, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Calendário
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa,
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Ana Avelar, a mostra reúne trabalhos marcados pela geometrização e a reconfiguração visual da arquitetura vernacular.
A trajetória de Andrea Brazil (São Paulo, 1972) entre Salvador e a Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, fundamenta sua visualidade funcional. A artista cresceu em contato com uma arquitetura litorânea marcada por intervenções anônimas – feitas com cacos de telha e sobras de material – que configuram o que ela chama de “desenho no espaço”.
Nesse processo, fachadas de casas e estabelecimentos, grades e outros elementos urbanos, se reorganizam como linhas, cores e vazios. “Trata-se de uma produção coletiva e vernacular que condensa história, clima, técnica e desejo estético em um mesmo gesto construtivo”, afirma Avelar.
O olhar de Brazil para a arquitetura vernacular de sua infância se aprofundou durante uma viagem à região do Algarve, em Portugal. Lá, a influência moura, reconhecível nos cantos arredondados e padrões geométricos, ressoou com o que a artista conhecia da Bahia.
Para Avelar, a conexão não é casual: Brazil observa que os negros malês, protagonistas da revolta de 1835 em Salvador, eram em sua maioria de origem muçulmana e portadores de uma tradição visual que se infiltrou na cultura material da cidade. O ornamento, nesse sentido, guarda estratos históricos que a superfície das fachadas não revela explicitamente.
Uma das séries apresentadas é construída sobre chapas de madeira com camadas de massa corrida sobrepostas em duas etapas. O desenho das grades — fruto de uma memória visual internalizada — é entalhado na superfície até revelar a cor subjacente. Quando o trabalho aposta na cor, destaca-se pela vibração óptica, transitando entre a estridência da Pop Art e o silêncio das superfícies opacas.
Além da individual de Brazil, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Calendário”, de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Badauê
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de José
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de José Augusto Ribeiro, a coletiva reúne trabalhos de Darks Miranda (Fortaleza, 1985), Flávia Metzler (Rio de Janeiro, 1974), Ivan Cardoso (Rio de Janeiro, 1952) e Yuli Yamagata (São Paulo, 1989) para refletir sobre uma produção contemporânea marcada pelos aspectos imaginativo e ambíguo.
Entre filmes, pinturas e esculturas, as obras propõem experiências de saturação visual e contrassenso, nas quais a irregularidade e a monstruosidade operam como estratégias para desafiar a realidade. “A ideia é examinar como a junção de terror e comicidade produz resultados com força de insubordinação: tanto no enfrentamento das normas que parecem reger o estado das coisas no mundo, quanto na elaboração de linguagens que ultrapassam limites entre gêneros e manifestações artísticas”, afirma o curador.
A mostra conta com filmes de Ivan Cardoso — o “mestre do terrir”, termo cunhado por ele nos anos 1970. O cineasta reúne referências contrastantes em colagens quadro a quadro que articulam a tropicália, o cinema expressionista alemão, Hélio Oiticica, Zé do Caixão, o cinema marginal brasileiro, os enredos dos gibis, o jornalismo sensacionalista, a poesia concreta, entre outros elementos, sem atribuir um sentido fixo aos diálogos criados.
Darks Miranda incorpora as linguagens do cinema e da colagem em “Uma noite perigosa na ilha de Vulcano” (2022) , editado a partir de trechos de ficções científicas produzidas entre 1950 e 1980, auge da Guerra Fria. O trabalho articula sua trajetória como montadora na construção de um “cinema de segunda mão”.
As pinturas de Flávia Metzler constroem cenas em fricção com a história da arte, utilizando fragmentos de imagens, objetos, arquitetura, e conceitos científicos ou filosóficos. Na montagem das imagens, Metzler se apropria dos saberes do enquadramento e da organização dos acontecimentos no espaço para a geração de suspense.
Já Yuli Yamagata — que recentemente deu início a uma produção de vídeos curtos — internaliza em suas peças referências do cinema de horror, das animações e das histórias em quadrinho japonesas, além da lógica dos ultraprocessados. Esse campo de interesse se concentra nas fórmulas de produção industrial de baixo custo (para as fábricas) e alto risco (para os consumidores), baseada em aditivos químicos, estabelecendo assim, uma espécie de “realidade transgênica”.
Além da coletiva, o ciclo inclui as individuais “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), e “Calendário” de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). Segundo Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a programação busca “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | O horror, o humor e o absurdo
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Em meio ao agravamento da crise climática, ao avanço do desmatamento e às crescentes disputas em torno dos territórios tradicionais, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos
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Em meio ao agravamento da crise climática, ao avanço do desmatamento e às crescentes disputas em torno dos territórios tradicionais, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois lança uma pergunta incontornável: o que foi feito do Brasil percorrido e documentado há dois séculos? Ao marcar o bicentenário da partida da histórica viagem fluvial do Tietê ao Amazonas, a iniciativa transforma uma das mais importantes viagens científicas do século XIX em ponto de partida para refletir sobre os impasses ambientais — e civilizatórios — que definem o século XXI.
O projeto estreia no dia 31 de março com a abertura da exposição Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP (BBM-USP). Realizada pelo Instituto Hercule Florence e pela Documenta Pantanal, em parceria com a BBM-USP, o Instituto Moreira Salles (IMS) e o Centro Maria Antônia da USP, a iniciativa se estende até junho deste ano, contemplando também uma mostra de cinema e o lançamento de publicações sobre o tema.
Chefiada por Georg Heinrich von Langsdorff e financiada pelo Império Russo do czar Alexandre I, a expedição que partiu de Porto Feliz (SP) em 22 de junho de 1826 foi uma das mais ambiciosas incursões científicas já realizadas pelo interior do Brasil no século XIX. Mais do que mapear rios, coletar e catalogar espécies, a missão buscava compreender um território ainda pouco conhecido pelos centros europeus.
A travessia fluvial entre 1826 e 1829, do Tietê ao Amazonas, passando pelas províncias de São Paulo, Mato Grosso e Grão-Pará, tinha entre seus integrantes o botânico Ludwig Riedel, o astrônomo Néster Rubtsov, o pintor Aimé-Adrien Taunay, o desenhista e inventor Hercule Florence, que se estabeleceria no Brasil, tornando-se a principal testemunha desta jornada, e Wilhelmine von Langsdorff, esposa de Langsdorff e única mulher a viajar com o grupo .
Os diários, desenhos e registros de Hercule constituem hoje uma das mais importantes documentações visuais e científicas do Brasil oitocentista, fundamentais para a construção da imagem do país no exterior e para a compreensão histórica de sua biodiversidade.
A exposição Eixo central do projeto, a mostra realizada na BBM-USP tem curadoria do Instituto Hercule Florence. A exposição se divide entre a Sala Multiuso e a Sala BNDES, estabelecendo um diálogo direto entre passado e presente. Os trabalhos apresentados são oriundos dos acervos do próprio IHF, da BBM-USP, da Bibliothèque nationale de France (BnF) e, ainda, da coleção Cyrillo Hercules Florence, hoje sob a guarda do IMS. Reunindo mais de uma centena de obras, a mostra justapõe imagens, relatos de viagens, publicações e documentos do século XIX com produções contemporâneas realizadas nas mesmas regiões atravessadas pela expedição.
Na Sala Multiuso estão registros históricos e reproduções de materiais de Hercule Florence e de outros viajantes e naturalistas dos séculos XIX e XX. Já a Sala BNDES mescla trabalhos históricos com fotografias de nomes como Lalo de Almeida, Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e João Pompeu, que investigam temas como ocupação desordenada, assoreamento, desmatamento, queimadas, conflitos territoriais e a resistência de comunidades tradicionais nas regiões da Amazônia e do Pantanal.
Mais que atualizar as paisagens do passado, as imagens recentes criam um contraponto crítico que convida o público a perceber que a crise ambiental não é um fenômeno abstrato, mas uma transformação concreta e acelerada da paisagem brasileira.
“A expedição não é apresentada como uma façanha heroica, mas quase como um memento mori. Em apenas dois séculos, um intervalo ínfimo na história da humanidade, alteramos profundamente os ecossistemas que aqueles viajantes conheceram”, pontua Antonio Florence, tetraneto de Hercule Florence e fundador do instituto que celebra sua trajetória, o IHF. “O século XIX construiu o mundo em que vivemos hoje, inclusive o modelo de exploração que levou à devastação que vemos. Revisitar essa travessia é uma forma de entender como chegamos até aqui e de nos questionarmos quanto ao futuro que estamos construindo.”
Para Francis Melvin Lee, curadora do IHF, a iconografia da expedição não é apenas memória visual e maravilhada da natureza ali presente, mas o testemunho de um momento em que as consequências da intervenção humana ainda eram circunscritas. “Ao revisitarmos esses mesmos territórios hoje, o que emerge é uma paisagem atravessada por devastação e conflitos. A mostra tensiona esses dois polos para que possamos perceber a dimensão histórica da transformação que ocorreu nesse curtíssimo intervalo de tempo.”
Além da exposição na BBM-USP, o projeto inclui ainda uma mostra de filmes dedicada ao cinema ambiental brasileiro. Com curadoria de Mônica Guimarães, da Documenta Pantanal, a iniciativa ocorre entre maio e junho. Por fim, marcando exatamente 200 anos do início da expedição fluvial, o projeto será encerrado com o lançamento de publicações nos dias 22 e 23 de junho. Os trabalhos nascem dos manuscritos originais de Hercule Florence e reúnem textos críticos, ensaios visuais e pesquisas recentes que expandem o legado do artista para o século XXI. Mais detalhes dessas programações serão divulgados em breve.
Serviço
Exposição | Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois
De 31 de março até 26 de junho
Segunda a sexta, das 8h30 às 20h30; sábado das 9h às 13h; domingos e feriados, fechado
Entrada gratuita
Período
Local
Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP
Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, São Paulo - SP
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Festa das falas. Com curadoria de Moacir dos Anjos, esta é a primeira exposição de um ciclo de mostras que
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Festa das falas. Com curadoria de Moacir dos Anjos, esta é a primeira exposição de um ciclo de mostras que celebra os 50 anos de atuação de Nara Roesler como galerista e que se estenderá pelos próximos meses nos três espaços da instituição, São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York.
Em Festa das Falas, o curador reúne obras emblemáticas de artistas que pontuam o percurso de Nara Roesler desde 1976 até o momento. Apresentando obras de artistas “que provêm da mesma região de Nara, o Nordeste, em particular do Recife”, o curador, também nascido na capital de Pernambuco. Ele observa que “esta exposição busca resgatar uma forma de falar, uma inflexão nessa linguagem, nesse repertório, de artistas que independentemente de trazerem ou não referências visuais de um determinado território, fazem isso com certo jeito, uma afirmação de um pertencimento”. “Na fala de Nara, na voz de Nara, há esse sotaque, como há na minha fala também, e na fala de outros artistas que vêm dessa região”.
Além de obras provenientes do acervo da galeria, a mostra apresenta trabalhos oriundos de coleções particulares, como o raríssimo painel de cerâmica Sem título (1976), com quase oito metros de comprimento por dois de altura, de Francisco Brennand (11 de junho de 1927, Recife – 19 de dezembro de 2019, Recife), pouco visto pelo público. A presença de trabalhos de José Cláudio (1932, Ipojuca, Pernambuco – 2023, Recife) é marcante por ele ter sido o primeiro artista com que Nara Roesler trabalhou, antes de ter sua própria galeria, e em 2022 ganhou uma mostra retrospectiva com curadoria de Aracy Amaral, na Nara Roesler São Paulo.
Frequentador de exposições de arte contemporânea muito antes de se dedicar à área, Moacir dos Anjos conheceu Nara Roesler ainda nos anos 1980 e depois fez duas curadorias para a galeria. A primeira foi em 2013, Cães Sem Plumas [Prólogo] – na edição #24 do Roesler Hotel, projeto criado em 2002 para promover o diálogo entre as comunidades artísticas nacional e internacional, com curadores e artistas convidados a fazer experimentos no espaço da galeria em São Paulo. Em 2016, Moacir dos Anjos foi o curador de Deriva, individual de Cao Guimarães na Nara Roesler Nova York, e, no mesmo espaço, em 2022, da mostra Hotel Solidão, individual de Marcelo Silveira.
Sobre esta exposição agora, na Nara Roesler São Paulo, Moacir dos Anjos diz que “é como uma festa de falas”. “Estamos reunidos aqui ouvindo esses artistas, o modo deles estarem no mundo. É celebrar esse cinquentenário da atividade de Nara como galerista convocando essas vozes, convocando essas falas, convocando esses sotaques que foram tão importantes na formação dela e ainda hoje são importantes no fato dessa galeria ter algo que é diferente de outras”, salienta.
O curador lembra que há 50 anos a cena artística
Serviço
Exposição | Festa das falas
De 31 de março a 9 de maio
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Nara Roesler - SP
Avenida Europa, 655, São Paulo - SP
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A Carmo Johnson Projects convida você para a abertura da exposição individual “Alma terra” da artista Belony Ferreira, com curadoria de Paula Ramos. No trabalho de Belony Ferreira, a terra deixa
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A Carmo Johnson Projects convida você para a abertura da exposição individual “Alma terra” da artista Belony Ferreira, com curadoria de Paula Ramos.
No trabalho de Belony Ferreira, a terra deixa de ser apenas matéria para afirmar-se como linguagem. A partir de argilas e pigmentos naturais coletados do solo, a artista constrói obras que carregam em si marcas do tempo e da história. Ao evocar a Terra como força poética, Belony estabelece um diálogo sensível com questões que atravessam a memória do campo, engajamento social e as urgências ambientais.
Nascida em Santo Antônio da Patrulha (RS), em 1935, Belony iniciou sua trajetória artística aos 53 anos, após uma vida dedicada à agricultura. É justamente dessa vivência profunda com a terra que emerge o núcleo de sua obra. Mais do que matéria, a terra se torna linguagem: um meio de expressão carregado de memória, tempo e pertencimento.
Utilizando argilas e pigmentos naturais coletados do solo, Belony constrói trabalhos que preservam as marcas do território e transformam gestos cotidianos em potência poética. Sua prática articula experiência sensível e consciência política, evocando questões ligadas à vida no campo, ao engajamento social e às urgências ambientais.
Nesta exposição, a artista afirma a terra como corpo vivo e narrativo — um espaço onde memória e matéria se entrelaçam, revelando uma obra de força silenciosa e profunda ressonância.
Serviço
Exposição | Alma terra
De 07 de abril a 07 de maio
Terça a Sexta, 11h às 17h, sábados sob agendamento
Período
Local
Carmo Johnson Projects
Rua Anunze, 249 - Boaçava / Alto de Pinheiros, São Paulo - SP
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto para o alargamento dos horizontes do mundo das artes quanto para a evolução da luta contra o racismo.
Em sua trajetória, o baiano Mestre Didi (1917-2013) percorreu e distendeu os domínios das artes e da religiosidade. As muitas habilidades artísticas e artesanais de Didi lhe conferiram o lugar de mestre, assim como sua vocação e sua atuação religiosa o colocaram em cargos de destaque nos cultos. E é esse itinerário que ganha o Itaú Cultural (IC) no período de 8 de abril a 5 de julho de 2026.
Além das criações de Didi no campo das artes visuais, a individual aborda sua produção textual/literária e sua participação no desenvolvimento de relevantes organizações e eventos, no Brasil e em outros países, voltados para a pesquisa e a promoção das culturas africanas e afrodiaspóricas. O espaço expositivo também explora as conexões entre Didi e outros criadores, como o seu contemporâneo Abdias Nascimento – tema de mostra do projeto Ocupação Itaú Cultural em 2016.
No dia 7 de abril, às 19h, acontece a abertura de Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira. Para celebrar esse momento, o terreiro Ilê Asipá apresenta Oro Ojés, cerimônia tradicional realizada em todas as festividades do espaço fundado pelo próprio Didi, em Salvador.
Serviço
Exposição | Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira
De 8 de abril a 5 de julho
Terça a sábado, das 11h às 20h, domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos
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A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos sociais, de ritos da umbanda e paisagens rurais, e cuja vida reflete diversos aspectos da modernidade no país.
A mostra Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro.
Paulo Pedro Leal passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século 20, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, Afogamento de mendigos (1965) Naufrágio (1953) ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra.
Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, Jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
Serviço
Exposição | Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio
De 11 de abril a 08 de novembro
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP




