Foto: Jean Paz

O Centro de Pesquisa e Formação do Sesc desenvolveu painéis de discussão sobre a gestão cultural no país e atividades práticas. O evento foi uma parceria entre Sesc São Paulo, Santa Marcelina Cultura e Consulado Geral dos Estados Unidos da América, com consultoria de Cláudia Toni.

A arte enquanto transformação

Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo, iniciou o painel apontando para o momento político e econômico brasileiro em que evidenciam-se questões sobre cultura e gestão. Ainda que hajam intenções, formulações, ativismo global atuações do campo da cultura, Danilo explica que não há um projeto claro para a cultura na pauta de discussão. “Os recentes candidatos raramente abordaram o tema ou deram a ênfase necessária”, lamenta.

Para ele, é preciso observar como transformar os ímpetos em estratégias de ação no dia a dia, além de colocar a união das instituições enquanto fundamental para que os agentes sociais percebam a potência que há na cultura.

De acordo com a última pesquisa BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), 20% do investimento social das empresas vai para Arte e Cultura. O Censo Gife, aponta que mais da metade de seus associados (51%) mantém ou apoia projetos na área de Arte e Cultura. Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) comenta que os percentuais de origem empresarial ou de institutos e fundações se mantém estáveis.

Entretanto, os doadores individuais brasileiros, como mostra a Pesquisa Doação Brasil, preocupam-se com questões que pareçam mais concretas e ligadas ao seu dia-a-dia. Saúde, crianças, idosos, fome e pobreza, por exemplo, têm mais apoiadores. Isso significa que a cultura brasileira não estabelece a relação direta entre tais questões e a influência direta da arte e cultura.

Os participantes da mesa colocaram a cultura como elemento vital na transformação social. “Para mim, são duas faces da mesma moeda”, disse Danilo.

Envolvidas para além de uma relação de afinidade eletiva, o debate pautou a independência e comunhão das duas áreas interdependentes. “Educação e cultura estão na base de quaisquer medidas que busquem prover suporte infraestrutural e quadros especializados para transformar o país em regime de crescimento socialmente responsável e devidamente sustentável. Ninguém faz nada sozinho”, finaliza.

O cenário ideal reúne as instituições com o intuito de viabilizar projetos e sustentar a cultura na agenda brasileira.

Questões e estratégias para a mudança da visão popular

Para Fabiani, embora pareça uma má notícia, há um

Imagem: Paula Fabiani / Por Jean Paz

grande espaço a ser conquistado. “É preciso fazer com que o doador individual compreenda a importância da Arte e da Cultura na sua vida e na sociedade”, explica.

Os participantes da mesa buscaram levantar as estratégias utilizadas fora do país. Acima de tudo, a aplicabilidade e necessidade do advocacy – termo que implica na reivindicação de direitos -, enquanto ferramenta indispensável para o engajamento cultural. “No Brasil, a melhor possibilidade é executá-lo e reunir instituições em torno de um objetivo comum em defesa própria”, colocou Pedro Hartung, do Instituto ALANA.

Para isso, Fabiani conta que pesquisas evidenciam a existência de um desafio de comunicação entre doadores, potenciais doadores e instituições. “Não conseguimos traduzir do setor para fora os problemas sociais mais profundos que podem despontar pela ausência do terceiro setor”, explica.

Como exemplo efetivo de comunicação, a profissional cita a campanha internacional do programa Médicos Sem Fronteiras, que utiliza-se de linguagem objetiva. Ao apresentar os os passos dados com o dinheiro investido, explica, torna o apelo mais visual e inteligível.

Além disso, o crescimento do PIB não deve ser o único fator considerado. O índice de progresso social — que observa cultura, desigualdade social, entre outros —pode ser uma ferramenta na hora de mostrar os impactos cruzados das ações culturais, econômicas e políticas.

“Trazer números facilita o diálogo pelas questões de caráter profundo e importante”, explica Samuel Figueiredo, fundador da Instituição Baía dos Vermelhos. “Além do ponto de vista econômico, medir o bem estar populacional amplia o debate”, finaliza.

 

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