Rossini Perez em sua residência e ateliê em Copacabana (Rio de Janeiro), 2019. Foto: Arturo Bonhomme.
Rossini Perez em sua residência e ateliê em Copacabana (Rio de Janeiro), 2019. Foto: Arturo Bonhomme.

Em homenagem ao artista Rossini Perez, falecido aos 89 anos, em março de 2020, o Museu Lasar Segall revela a pluralidade de sua obra, conhecida essencialmente pela gravura, na exposição Arqueologia da Criação: Uma imersão no acervo-ateliê de Rossini Perez.

Realizada em formato online, a retrospectiva poderá ser acessada até 1º de julho de 2021 no site www.arqueologiadacriacao.org. Através de um passeio por suas galerias virtuais, a mostra propõe percursos imersivos, com áudios, vídeos e imagens, “para que o visitante se sinta próximo ao artista, como se estivesse manipulando as gavetas de seu ateliê”, como conta a curadora Sabrina Moura. Arqueologia da Criação, aliás, surge como resultado de um intenso trabalho de pesquisa e de convivência com o artista, iniciado em 2017 por Moura. 

“Eu estava estudando a arte senegalesa dos anos 1970 quando descobri que Rossini ajudou a implantar uma oficina de gravura na Escola Nacional de Belas Artes de Dacar naquela época. Na primeira vez em que visitei seu ateliê, queria conhecer as histórias de sua passagem pelo país africano. Mas ele fez questão de me mostrar as colagens que vinha fazendo”, conta a curadora. “Nos encontros seguintes, apresentou outros trabalhos e materiais que guardava em seu acervo. Quando percebi, já tinha sido pega pela armadilha que é o labirinto da memória e da produção artística de Rossini”, relembra.

Rossini Perez em Paris, 1965. Acervo pessoal
Rossini Perez em Paris, 1965. Acervo pessoal

Rossini Quintas Perez nasceu em 1931, na cidade de Macaíba (Rio Grande do Norte). Ele se mudou em 1942 para o Rio de Janeiro, onde testemunhou importantes acontecimentos da cena artística da então capital federal. Em 1951 frequentou a Associação Brasileira de Desenho e teve aulas com o pintor Ado Malagoli. No ano seguinte, foi aluno de Iberê Camargo e, no próximo, de Fayga Ostrower. Ainda em 1953, participou da 1º Exposição Nacional de Arte Abstrata, no Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ). Na década de 1960, mudou-se para Paris onde conviveu com a vanguarda dos artistas brasileiros sediados na França. Entre eles, Lygia Clark, Arthur Luiz Piza, Sérgio Camargo, Antônio Bandeira e Frans Krajcberg. De 1970 e 1990, o artista esteve em Portugal, Senegal, México, entre outros países, realizando exposições e montando oficinas de gravura. De volta ao Brasil, foi professor no Centro de Criatividade da Fundação Cultural do Distrito Federal, em Brasília, em 1978, e no Ateliê de Gravura do MAM/RJ, de 1983 a 1986.

Revisitar sua obra, de acordo com Moura, tem “um valor notável para as instituições, que têm buscado rever seus acervos e coleções, pois coloca em xeque a própria ideia de uma modernidade central”. Além disso, “o artista guardava seus registros como um arquivista. Tudo era minuciosamente identificado e ordenado. Essa espécie de ‘febre arquivística’ levanta um debate crucial sobre os acervos brasileiros, num momento em que nossos espaços de memória têm sido fragilizados”, diz a curadora. 

Esse cuidado permitiu que Rossini realizasse, alguns anos antes de falecer, uma série de doações para diversas instituições, como o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o Museu de Arte do Rio (MAR), a Pinacoteca do Estado de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade, entre outros.

Em 10 de junho será lançada uma publicação criada a partir da organização da mostra que abordará aspectos inéditos sobre a obra de Rossini Perez, com textos de Sabrina Moura, Cláudia Rocha (Museu Nacional de Belas Artes), Maria Luisa Távora (UFRJ), Juliana Maués (Unicamp) e Marisa Ribeiro (UFPB).

Assista aqui ao evento de lançamento da exposição.

Inscreva-se em nossa newsletter

   

Deixe um comentário

Por favor, escreva um comentário
Por favor, escreva seu nome