Vista da exposição COMPOSIÇÕES PARA TEMPOS INSURGENTES no MAM Rio
Vista da exposição "Composições para tempos insurgentes" no MAM Rio; em primeiro plano, balões de Paulo Paes. Foto: Fabio Souza / MAM Rio

“Quais os impulsos que geram levantes em tempos do agora, do ontem ou do amanhã?”. Para Beatriz Lemos, curadora adjunta do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Mam Rio), “essa é uma das questões que evidencia soluções estratégicas e poéticas para múltiplas dinâmicas de sustentação da vida”, e talvez seja um primeiro passo para compreender o título da nova mostra da instituição carioca. Composições para tempos insurgentes, em cartaz até 6 de fevereiro de 2022, propõe uma reflexão sobre processos de articulação de vida, reunindo trabalhos de artistas que imaginam dinâmicas de existência diferentes das hegemônicas e as expressam (ou expressaram) em produções que borram as fronteiras entre natureza e cultura.

Sob curadoria de Beatriz Lemos e dos diretores artísticos do MAM Rio, Keyna Eleison e Pablo Lafuente, a mostra apresenta trabalhos criados por diferentes gerações, em diferentes linguagens e a partir de geografias e saberes diversos – considerando tradições indígenas, afro-brasileiras e populares. “São obras de artistas que pensam a arte como saída de vida. Suas poéticas lidam com diferentes cosmovisões e promovem articulações sociais em coletivo, com reflexões sobre estruturas sustentáveis e de cuidado, a partir de noções de território”, explica Eleison. Ao que Lemos completa: “Muitas dessas dinâmicas são elaboradas por percepções que não se submetem ao escopo limitador de uma definição única e fixa para natureza, priorizando construções de mundo elaboradas em cosmologias diversas”.

Adriana Varejão, Alberta Wittle, Bo Zeng, Brígida Baltar, Castiel Vitorino Brasileiro, Dalton Paula, Daniel Steegmann Mangrané, Frans Krajcberg, Manauara Clandestina, Naomi Rincón Gallardo, Negalê Jones, Regina Vater e Tunga são alguns dentre os tantos nomes que encontramos na seleção de mais de 100 obras – que conta com seis projetos comissionados, seis remontagens, empréstimos de coleções privadas e obras do acervo do MAM Rio. Para Lemos, esse resultado só foi possível por ser fruto de uma conceituação coletiva “que possibilita um desenho de projeto a partir do entremeado de pesquisas e interesses”. 

A curadoria em trio é ponto essencial para compreensão de Composições para tempos insurgentes. “Há um pensamento tríptico que conduz diversas dinâmicas da mostra. Três é o número de Exu, bem como da Santíssima Trindade. É também o número de compassos que compõem as partituras dos ritmos que pressupõem um outro (ou outros) para serem dançados, como a valsa e a polca“, explica Eleison. Para a diretora artística, é assim que a mostra se configura como um convite à imaginação coletiva de novas dinâmicas de vida.

As relações triangulares pautam a expografia, assinada por Juliana Godoy, a fim de fugir de binarismos, e a exposição ocupa três espaços do museu (Salão Monumental, Sala 3.1 e Sala 3.3). Apesar de não ser pré-concebida, a dinâmica tríptica se mostrou presente em todo o processo, inclusive nos estudos que dariam origem à mostra, conforme conta Eleison. “Ao desenvolver nossa pesquisa, falamos muito das perspectivas de ativação da vida e de quais aspectos de desenvolvimento de trabalhos dos artistas percebíamos. Mais uma vez, sem nenhum tipo de condução prévia, estávamos em três linhas de orientação”.

Relações, estratégias e cosmologias se mostraram como eixos que, apesar de não estarem presentes como uma segmentação na mostra, desenham a publicação resultante de Composições para tempos insurgentes – que contará com a participação dos artistas que integram a exposição e de mestras e mestres de diferentes áreas de saberes (como biólogos, mães de santo, cientistas, poetas, rabinos e arquitetos). “Desenvolvemos esta prática para conduzir nossos sonhos e escolhas, sobre como podemos pensar a vida como dinâmica curatorial e prática artística”, completa Eleison.

SERVIÇO

Composições para tempos insurgentes
ONDE: MAM Rio | Av. Infante Dom Henrique, 85 – Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro (RJ)
QUANDO: Em cartaz até 6 de fevereiro de 2022. Quintas e sextas, das 13h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Ingressos online. Contribuição sugerida (R$20 / R$10), com opção de acesso gratuito
Obrigatória a apresentação do comprovante de vacinação contra a Covid-19

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