Paulo Miyada, curador-adjunto, Carla Zaccagnini, curadora convidada, Jacopo Crivelli Visconti, curador-geral, Ruth Estévez, curadora convidada e Francesco Stocchi, curador convidado. Equipe curatorial da 34a Bienal de São Paulo. 13/03/2019 © Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo

A Bienal de São Paulo não começará apenas em setembro do próximo ano. A edição de 2020, com curadoria de Jacopo Crivelli Visconti, terá mostras antecipatórias no Pavilhão a partir de março e uma programação integrada com instituições ao redor da cidade de São Paulo em setembro, com a intenção de criar diálogos com o diferente, pensando em fomentar relações. Esse projeto, anunciado nesta quinta-feira (2/4), também tem a intenção de colocar a cidade no fluxo da bienal.

À ARTE!Brasileiros, o curador conta que partir dessa proposição curatorial da criação de relações também é uma forma do evento responder às questões que cercam o país hoje, mas de um ponto de vista que fuja à polarização de ideias: “Essa é uma questão fundamental do que estamos vivendo nesses tempos, não só no Brasil, mas no mundo. Eu diria que o Brasil chegou nisso até um pouco mais tarde do que já vinha ocorrendo nos EUA e na Europa”, comenta.

Jacopo pretende trabalhar, junto a Paulo Miyada (curador-adjunto), Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Estévez (curadores convidados), uma ideia que possa conversar de forma coerente com todas as instâncias, “na instância institucional mas também, e principalmente, na artística, curatorial, nos diferentes públicos. Todos esses diferentes níveis do projeto tentam lidar com essa questão da polarização, mostrar como é possível criar diálogos com instituições diferentes, obras de arte diferentes, públicos diferentes, etc. Então é uma Bienal que de uma maneira não literal, mas muito mais poética e simbólica, está claramente pensada a partir do momento que estamos vivendo”, explica.

A pluralidade buscada pelo projeto também será trabalhada no conjunto de obra mostradas, que transitarão entre mídias tradicionais (como pinturas e esculturas) e mídias mais atuais (como performances e instalações). Jacopo conta também que isso será desenvolvido na linha do tempo das obras, que serão tanto históricas quanto contemporâneas.

“O desafio para lidar com todos esses públicos é não ser nem hermético, nem excessivamente simples e, ao mesmo tempo, falar de uma maneira direta e honesta com todos eles” (Jacopo Crivelli Visconti)

Em um movimento de expansão, a Bienal terá uma rede de instituições que irão sediar simultaneamente exposições e apresentações performáticas de artistas que estarão na mostra principal. Isso vai de encontro com o conceito de relação que Jacopo chama de “mote metodológico” que irá definir a arquitetura curatorial do evento.

Essa vontade de estender a Bienal surge também por querer incluir ainda mais o público dentro da experiência: “O desafio para lidar com todos esses públicos é não ser nem hermético, nem excessivamente simples e, ao mesmo tempo, falar de uma maneira direta e honesta com todos eles”. A aproximação do público será dada de forma com que, de acordo com o curador, o evento seja grande, “se expandindo no tempo e no espaço”, mas que consiga ser muito íntimo: “Queremos que na Bienal em si as obras e as relações que se criam entre elas sejam numa escala muito mais reduzida do que a gente está acostumado a ver em bienais. Ou seja, não vai ter nada daquela ‘biennial art’, digamos, ou seja, grandes instalações, lúdicas e divertidas ou interativas. Não é o foco, o foco é mais em criar exposições nas quais as pessoas consigam entender e mostras relações entre obras de uma maneira que seja compreensível para esse público que é tão diversificado”.

Animado com o projeto, o novo presidente da Fundação Bienal de São Paulo, o banqueiro e colecionador José Olympio Pereira, vê esta próxima Bienal como algo que toma uma outra dimensão com a proposta curatorial que não se limita a um espaço só da cidade e que convida as pessoas e as instituições a “se relacionar sem necessariamente ter que compartilhar das mesmas ideias”. Para ele, tudo é muito atual “para um mundo tão dividido, um mundo tão radicalizado em posições”. “A gente tem que ser capaz, embora com ideias diferentes, de se relacionar com o outro para atingir um bem comum”.

As instituições parceiras da Bienal são Associação Cultural Videobrasil, Casa do Povo, Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural São Paulo, Centros Culturais da Cidade de São Paulo, Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Instituto Bardi / Casa de Vidro, Instituto Moreira Salles, Instituto Tomie Ohtake, Itaú Cultural, Japan House São Paulo, Museu Afro Brasil, Museu da Cidade de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo), Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), Museu Lasar Segall, Pinacoteca de São Paulo, Pivô e Sesc São Paulo.

A criação desta rede que se estende pela cidade de São Paulo ganhou apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, com conversas com os secretários, respectivamente Alê Youssef e Sérgio Sá Leitão: “É algo coletivo. Todo mundo trabalhando para esse grande evento no ano que vem”, finaliza Olympio.

 

 

 

Deixe um comentário

Por favor, escreva um comentário
Por favor, escreva seu nome