Christo
Christo por Tim P. Whitby. Foto: Getty Images para as Serpentine Galleries.

Faleceu hoje, 31 de maio, aos 84 anos, o emblemático artista Christo. De acordo com um comunicado de imprensa divulgado pelo escritório do artista, Christo morreu por causas naturais.

Nascido na Bulgária como Christo Vladimirov Javacheff, ele conheceu sua parceira Jeanne-Claude em 1958, em Paris, depois de receber a encomenda de fazer um quadro da mãe de Jeanne-Claude. Juntos eles ajudaram a questionar percepções sobre a arte. O casal incluía, junto com suas esculturas de proporção maciça – muitas vezes invólucros de tecido ao redor de construções históricas -, as documentações relacionadas à burocracia necessária para a realização da obra; os relatórios de impacto ambiental; os desenhos e diagramas feitos nas etapas de planejamento desses trabalhos. Propunham, dessa forma, uma nova forma para a arte pública ser compreendida, onde o trabalho é mais que o próprio objeto final realizado. 

Entre suas empreitadas mais famosas estão os embrulhos da ponte Pont Neuf, em Paris, do Reichstag, em Berlim; as ilhas de tecido na Baía Biscayne, em Miami; a Mastaba colorida no Hyde Park, em Londres; e o Floating Piers, entre Sulzano, Monte Isola e a ilha de San Paolo, na Itália.

Em 1978, o processo de sua obra Running Fence foi documentado por Albert e David Maysles. O filme mostra a longa luta do casal de artistas para construir uma cerca de 40 quilômetros de tecido branco sobre as colinas da Califórnia – desaparecendo no Pacífico. 

Christo
“Christo e Jeanne-Claude:
Running Fence, Sonoma e Marin Counties, California, 1972-76″. Foto: Cortesia do artista.

A cerca, como os outros projetos de Christo e Jeanne-Claude, acabaria sendo derrubada depois de um tempo pré-determinado, persistindo graças ao documentário dos irmãos Maysles. Uma cena chama atenção para o impacto de seu trabalho. Durante as audiências públicas para aprovar ou não o início do projeto (que enfrentava grave rejeição e empecilhos burocráticos) uma mulher identificada como Sra. George Michelson se aproxima do microfone, oferendo a seguinte visão: “Algumas das refeições que preparo não são muito… Às vezes eu trabalho bastante para preparar uma refeição que eu acho que é arte. É uma obra-prima. E o que acontece? É devorada e desaparece, e todo mundo a esquece”. 

A fala da fazendeira mostra como – através de seus próprios quadros de referência – as pessoas conseguiam se relacionar com o processo do trabalho de Christo e Jeanne-Claude. Quando a cerca foi finalmente erguida, a comunidade se uniu em admiração pela beleza da obra. No comunicado emitido pelo escritório do artista isso é reafirmado: “As obras de arte de Christo e Jeanne-Claude reuniram pessoas em experiências compartilhadas em todo o mundo e seu trabalho continua em nossos corações e memórias”.

A notícia de sua morte chega quando Christo havia assumido um de seus projetos mais ambiciosos, uma escultura que veria o Arco do Triunfo, em Paris, envolto em 269.097 pés quadrados de tecido. A obra foi concebida pela primeira vez com Jeanne-Claude, em 1962. O projeto ainda deve ser executado em setembro de 2021, como explica o escritório do artista da nota de sua morte.

RELEMBRE: Em 2016, projeto elaborado por Christo e Jeanne-Claude (antes do falecimento da artista) fez surgir sobre o Lago Iseo, no norte da Itália, plataformas flutuantes que ligavam elementos da natureza separados por processos que levaram milhões de anos. Confira aqui.

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