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BIENAIS SÃO PAULO
ALEJANDRO CESARCO, MUMOK, MUSEU DE ARTE MODERNA DE VIENA
na Bienal, mas alguns de seus trabalhos em vídeo entre um casal gira em torno de uma carta cujo conteúdo os
são repletos de textos. Em uma de suas mostras espectadores não sabem o conteúdo.
escolheu quatro obras, sendo três índices ou gra- Cesarco também atua como editor, foi responsável por livros
des de imagens digitais, representando colunas sobre conversas entre artistas e uma de suas características é a
de texto serifado e, em uma sala separada, uma busca de clareza do conceito. O artista curador cataloga, classi-
projeção de vídeo em preto e branco com legendas. fica, reinterpreta e isso tem a ver com o pensar arte como dejá vu.
No total os trabalhos somavam 29 páginas, mais “ Minha obra é como reformulação do conceitualismo histórico,
sete minutos vídeo gráfico de texto. Para Cesarco, mas a repetição não quer dizer desejo ao retorno”. Na realidade,
a linguagem é a propriedade cultural mais impor- ele quer levar o espectador a pensar, acompanhar os questio-
tante que temos. “Vivemos, lembramos, falamos, namentos propostos dentro de sua arte. Com humor natural
pensamos, trabalhamos, sonhamos, por meio da ele “joga” com outros autores, como fez com Jean-Luc Godard
linguagem”. Para atingir suas metas, o artista ao reproduzir o roteiro de Alphaville, em outdoor no bairro do
desenvolve metodologias, gramáticas, protocolos Queens, em Nova York. Em The Dreams I’ve Left Behind, de 2015,
de leitura, porque, segundo ele, estamos acos- o tempo e o espaço são revisitados enquanto o artista imprime
tumados a ler sobre arte e não a ler como arte. uma imagem quase apagada na parede, atrás de sua cama, dire-
Entre seus vários trabalhos destaca-se Four tamente na parede da galeria. A estratégia que usa não se liga à
Modes, exibido no Museu de Arte Moderno de transmissão de informação, mas à forma de como percebe o sig-
Viena, com discursos visuais ligados aos temas nificado da obra por meio de diferentes construções narrativas.
sigilo, enigma e arrependimento. Um deles inclui O performer e seu público se fundem em círculo tenso e flexível,
Metodologia, mostrado anteriormente no Pavilhão através do qual a concepção se converte em válvula recepta-
do Uruguai, na Bienal de Veneza de 2011, um vídeo dora dos espectadores, onde o possível e o provável jogam sem
ampliado por fotografias, cujo diálogo sussurrado expectativa de solução de continuidade.
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