
Escritora, jornalista e ilustradora brasileira, Elvira Vigna foi diagnosticada com um câncer agressivo em 2012 e acabou falecendo em julho de 2017. Deixou, porém, inéditos a serem publicados, entre texto e artes. Agora, a editora todavia lança o livro de contos Kafkianas, com apresentação de Carolina Vigna Prado e posfácio de André Conti.
Leia uma das últimas entrevistas dadas por Elvira, concedida a Daniel de Mesquita Benevides e publicada na edição 9 da CULTURA!Brasileiros, em março de 2017:
Há muitos e muitos anos, Bob Dylan concedeu uma entrevista a um repórter brasileiro. Com uma condição: que fossem feitas cinco perguntas apenas. O pobre jornalista, que conhecia a fundo a obra do bardo, caprichou. Ao se ver diante do hoje Prêmio Nobel de Literatura, o que ouviu como respostas foram apenas dois no, dois yes e um perhaps. Elvira Vigna não é Bob Dylan, evidentemente. Mas o humor talvez se assemelhe. Sua exigência para dar entrevista é que ela fosse feita por e-mail. Explicou que não gosta muito de falar. Justo. Mandadas as perguntas, suas respostas foram gentilmente imediatas. Mas capciosamente curtas. Este jornalista viu-se, então, de calças não menos curtas. Sorte estarmos no verão.
É fato que a fama de mal-humorada a persegue. Mas quem a conhece melhor diz que Elvira no fundo é doce. E realmente arredia, por timidez ou por não lidar bem com protocolos, diplomacias e que tais. “Acho que ela é única em vários sentidos. Como pessoa, ela não transige, não faz concessões, é muito coerente com o que acredita, é muito feminista, muito de esquerda, é firme na ideia de uma literatura literária, não feita para venda, mas para transformar. E ela age assim. Não aceita convites para eventos em que não acredita. As pessoas têm de se adaptar a ela, ela não se adapta às pessoas. Como escritora é a mesma coisa. O texto dela tem uma potência, diz exatamente aquilo que pensa”, afirma a escritora e crítica Noemi Jaffe.
Um prólogo faz-se necessário. Vigna é uma das vozes mais interessantes da nossa literatura. Seus livros, como ela mesma diz, “são todos iguais. Falam sempre de morte, vazio e solidão. Mas são muito engraçados.” É discutível, porém, se são mesmo todos iguais. Há sempre uma nova experiência com o narrador ou narradores. A questão de como contar uma história é central em sua obra e surge das maneiras mais diversas. Mudam cenários, cenas e motivações. Já a graça a que ela se refere existe, de fato, mas é muito peculiar, não para todos os gostos. O leitor precisa entrar na dela, sintonizar em seu canal, seguir o fluxo no mesmo diapasão. Vale o esforço.
Sua trajetória é também peculiar. Foi tarifeira da Air France em Paris, tem diploma da Universidade de Nancy em Literatura, curso feito num convênio com a UFRJ, e trabalhou em todos os principais jornais brasileiros, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo. Ilustrou e escreveu vários livros infantis, pelos quais ganhou alguns prêmios, incluindo um Jabuti e um APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Fez duas exposições com suas gravuras. Teve algumas editoras, todas falidas. Por uma delas publicou, entre 1970 e 1972, uma pérola do desbunde jornalístico, A Pomba, algo como uma versão mais erotizada de O Pasquim. Tem também uma novela em quadrinhos, algumas peças não encenadas, roteiros não filmados e crônicas (na falta de uma palavra melhor). De 1988 para cá, escreveu dez romances adultos, todos bastante elogiados pela crítica. Nada a Dizer, de 2010, ganhou o prêmio da Academia Brasileira de Letras; Por Escrito, de 2014, foi segundo lugar no Oceanos (antigo Portugal Telecom); e o mais recente, Como se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas, venceu o prêmio da APCA.

Putas, apelido já aceito, é, talvez, o livro mais acessível que já escreveu. Não que sua escrita seja exatamente difícil. É… idiossincrática. Num dos textos da série Morrendo de Rir, publicados pela revista Pessoa, que podem ser lidos em seu site, vigna.com.br, Elvira conta o seguinte episódio, que explica, em parte, e de forma muito direta, o que foi dito até agora: “Minha agente, a Anja, um amor de alemoa, é categórica: Não faço mais sucesso porque: 1) sou mulher, feminista e velha; 2) escrevo esquisito; 3) não sorrio pras pessoas pra quem devia sorrir. Sendo que, acrescenta, desiludida, se eu sorrisse, os dois primeiros itens não teriam tanta importância”.
Uma das chaves para a compreensão do livro está no título: o formato lembra, realmente, um palimpsesto. Personagens e histórias se acumulam em camadas que parecem se repetir, mas a cada órbita narrativa ganham novos significados e, antes de serem cobertos por outros fatos e palavras, deixam vestígios de sua passagem. O enredo é simples (suas implicações é que são complexas): João, sujeito razoavelmente rico, egoísta, casado com Lola, gosta de sair com putas. Talvez seja um vício, que se retroalimenta porque sempre insatisfatório. Ficamos sabendo de suas desventuras sexuais através da narradora. É para ela que ele conta, com seu jeito meio autista, de sua prospecção pela rua Augusta, o que inclui o velho castelinho kitsch da boate Kilt, e das explorações por inferninhos em Brasília ou Rio. As conversas de mão única se dão numa editora prestes a falir. Ambos tomam uísque caubói em copinhos de plástico, ela no sofá, ele em sua mesa. Xerazade invertida, João parece querer evitar algum destino ruim ao relatar suas dezenas e uma noites. Ouvinte calada, ela talvez tente seduzi-lo com seu silêncio. É, reiterando o vaticínio da autora, um encontro de solidões, numa situação de vacuidade, com a morte rondando. Dito assim, parece leitura para cortar os pulsos, mas Elvira tem razão: é muito engraçado também. A ideia de palimpsesto ainda está em sua gênese: ela jogou fora toda uma versão anterior do livro, insatisfeita com o tom.
“João e a moça no sofá (eu) eram reais, e são mais reais agora.” Tudo o que escreve é baseado em coisas “vividas, vistas ou ouvidas.” No site Estudos Lusófonos, do professor Leonardo Tonus, há um ótimo depoimento seu: “Tenho muita clareza sobre o motivo de eu fazer literatura. Pretendo, com ela, tornar minhas as histórias que fui obrigada a viver. Só tem um jeito de elas se tornarem minhas: é passarem pelos outros. Essa tentativa se dá no ‘mundo comum’, um termo da Hanna Arendt que designa o espaço das diferenças que me separam e me aproximam desse outro. É, portanto, um espaço da intersubjetividade, esse, onde minha literatura existe. Ou seja, para que ela se dê, é preciso que haja um outro, uma outra maneira, que não a minha, de viver a vida. Aí reconheço a minha como sendo minha. (…) A má notícia é que essa literatura – minha e de outros colegas do contemporâneo – é árdua. Não só para nós, os escritores que a propomos, mas também para esse outro, o leitor, que é convidado a participar daquilo que ainda não está pronto, que nunca fica pronto, daquilo que não só não tem um significado a oferecer como, pelo contrário, se declara falho, necessitado de sócios para sua ressignificação contínua. Esse compartilhar, esse admitir insuficiências e necessidades, a admissão de que precisamos da alteridade para viver, isso exige esforço. Alteridade vem de alterar. E alterar, principalmente alterar a si mesmo, dá um enorme trabalho”.
A dívida com o jornalismo e as madeleines da vida é evidente. O famoso gatilho de Proust também dispara suas narrativas no aspecto mais fugidio, subjetivo. Mas não se pense em autoficção. À minha pergunta, “Narradora e autora… qual a distância?”, sua resposta é caracteristicamente ambígua e concreta: “Bem medida ou, pelo menos, bem procurada. O narrador nunca é eu, nem foi. É alguém que tem uma distância precisa de mim hoje, de mim em qualquer outra época. Uma proximidade afetiva: sabe de mim, gosta de mim. Mas consegue me ver. O narrador é um lugar de onde aquilo que quero compartilhar pode existir. É muito difícil de achar, pelo menos por esta que vos fala”. Continuo: “Achei especialmente interessante o que escreveu sobre as imagens serem mais incompletas, porém mais polissêmicas. As palavras e mesmo a memória parecem insuficientes também. A literatura seria uma tentativa de dar algum sentido a tudo isso?”. A resposta surge na tela como névoa passageira. E estranhamente precisa: “É, exatamente. Mundos incompletos, polissêmicos. A insuficiência como medida de convivência”. Em outra situação, pontuou, como se temesse ser mal compreendida e sentisse a necessidade de deixar mais clara essa “insuficiência” de que fala: “A literatura serve para te desestabilizar, para te botar mal, com dúvida”.

Para Cristhiano Aguiar, jornalista, editor, crítico literário e professor do Centro de Comunicação e Letras do Mackenzie, “ela tenta escrever contra a literatura”. E acrescenta, concordando com Noemi: “Acho que ela também questiona uma posição social ‘careta’ – tradicional e formal – do escritor. Ela retira a formalidade, retira a idealização. Acho que ela também quer retirar, na escrita e na postura dela, uma aura de intensa legitimidade. Ela quer ‘desgourmetizar’ a literatura, eu acho”. Já o crítico Manuel da Costa Pinto tem opinião semelhante, mas num sentido menos positivo: “Ela tem o pessimismo de um Graciliano Ramos, de um Dalton Trevisan, embora seja mais urbana. Sua obsessão feminista com a questão das diferenças de gênero, com a brutalidade das relações sociais, beira às vezes o caricatural. É mais uma postura do que algo com autenticidade. Ela quer épater le bourgeois, só que o burguês não se choca mais”. Às aproximações de Manuel, que, não obstante, vê grandes méritos nos livros de Vigna, se poderia acrescentar o nome de Raduan Nassar, em especial aquele de Um Copo de Cólera, cuja virulência, ora seca, ora lírica, combina com os descaminhos amorosos e sexuais nas tramas vignianas.
A publicação A Pomba pode ter feito, em menor escala, esse papel de épater os burgueses. Momento único da chamada imprensa nanica, era bastante subversiva para a época, ainda que os censores, pouco espertos, não percebessem. Numa entrevista para o blog português Som À Letra, ela conta: “A censura liberava as edições para a gráfica sem notar que quando falávamos do nazifascismo alemão estávamos falando deles”. A redação ficava em seu apartamento, no Rio. Elvira, à época com 20 e poucos anos, cuidava mais da produção, e seu então companheiro, Eduardo Prado, da edição. O ambiente era de descontração total, com muita risada e jogatinas de pôquer rolando soltas: “Ninguém fechava a porta. O edifício estava em construção e, na verdade, ainda não tínhamos licença da prefeitura para habitar o apartamento em obras. Então era um movimento constante o dia inteiro, e não só de jornalistas, mas também de pedreiros e operários. Não tinha nada que pudesse ser chamado de rotina”. O cartunista Quino uma vez passou por lá. Joel Silveira, Domingos Oliveira e Ziraldo eram alguns dos colaboradores. As capas sempre traziam nus, que também ocupavam as páginas internas. Era uma provocação aos tempos conservadores da ditadura e também à revista masculina Fairplay, que tinha demitido o casal. Nada convencional, claro. Havia também nus masculinos, “o que era um escândalo”, e os modelos eram muitas vezes negros ou pessoas comuns, bem distantes do padrão das revistas comerciais. Os textos falavam de psicanálise a literatura, entre mil temas, sempre com humor e inteligência.
Começou a escrever por causa de uma de suas editoras, a Bonde, que cometia a “imprudência” de só publicar autores novos. Escolheu de início a literatura infantil, porque queria se comunicar com os dois filhos, a quem “não entendia”. No fim das contas, eles a entenderam tanto que hoje também encararam o sonho das pequenas editoras: David Nicolau fundou a Estado da Arte e Carolina acaba de abrir a Uva e Limão. Quando cresceram, abandonou seu monstrinho Adrúbal (personagem criado por ela) e, em 1988, lançou um primeiro livro de temática adulta. Sete Anos e um Dia, disponível na íntegra em seu site, trata de quatro amigos no período pós-abertura. Um entrevero com a editora, José Olympio, fez com que abandonasse a literatura pelo jornalismo por quase uma década. A volta se deu pela Companhia das Letras, onde está até hoje. Ela mandou vários originais pelo correio e Maria Emília Bender, que viria a editar todos os seus livros a partir dali, se interessou: “Seus livros não são exatamente fáceis. Ela sempre encobre as coisas, tem sempre um mistério, um segredo, e um segredo que às vezes é tão secreto que fica quase criptografado. É uma voz muito particular, diferente de tudo o que eu já tinha lido. Tem zero pieguice. Muitas vezes ela é cruel, o que eu acho bem interessante. É uma literatura áspera, que morde. E ela não é nada óbvia. Sua opção preferencial é pelas mulheres e pelos losers urbanos, ex-strippers, transexuais de subúrbio, jornalistas do terceiro escalão. Há uma indefinição nas coisas, pode ter acontecido algo criminoso ou não. É cerebral e visceral ao mesmo tempo, e esse é o ouro dela”, diz Bender.
Grande parte da crítica considera o Putas seu melhor livro. Noemi Jaffe, que ainda não o leu, fica por ora com Por Escrito: “Gosto muito da polifonia no Por Escrito. Cada personagem tem uma voz muito própria. É difícil ser polifônico e manter a individualidade dos personagens. Ela é fera. É impressionante como ela vai passando de uma situação para outra sem que a gente perceba as passagens”. Já a própria escritora – e também Costa Pinto – prefere uma cria menos beneficiada pelos pequenos holofotes da mídia. Como declarou em conversa pública com Manuel: “A um Passoé um livro único, e é o melhor que eu fiz. É um comentário sobre a peça A Tempestade, de Shakespeare, em que a ficção se desmancha em pleno palco. Um personagem conta a história do outro, mentindo. Quero reeditar no ano que vem, não sei se vou conseguir, é um livro de não venda, acadêmico, para estudioso de literatura.” Ao contrário, parece promissor.
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato no fim da década de 1990 e as coloca em diálogo com máscaras africanas preservadas nas coleções de Christian-Jack Heymès e da família Mastrobuono. A abertura acontece em São Paulo e se conecta à agenda da 22º edição da SP-Arte.
A exposição parte de um dado central para a leitura da trajetória de Ivald Granato. Durante décadas, sua presença pública, suas ações performáticas e sua energia irreverente ocuparam lugar decisivo na recepção de sua obra. Esse aspecto é incontornável, mas não a resume.
Granato foi também um pintor de grande domínio técnico, um desenhista excepcional e um conhecedor profundo da história da arte. Transitava entre linguagens e repertórios com intimidade rara, não para repetir estilos, mas para tensioná-los a partir de uma inteligência visual muito própria. Maria Alice Milliet lembra que, ao chegar à maturidade, depois de mais de três décadas de exposições, premiações e reconhecimento, Granato já ocupava um lugar de destaque na cena artística brasileira. Talentoso desenhista e pintor, havia atravessado os “ismos” e a Pop Art em estreita sintonia com seu tempo.
Essa mostra ajuda a recolocar esse ponto em evidência, situando-o como parte de uma investigação consistente, em que pintura, memória, teatralidade e identidade se entrelaçam. No fim dos anos 1990, Granato se afasta, por um momento, do embate mais imediato com a contemporaneidade e volta o olhar para dimensões profundas de sua própria formação. É desse movimento que nasce a série ligada às máscaras. Segundo a curadora, essa passagem corresponde a uma inflexão em sua carreira, quando o artista procura valores ligados ao passado, à ancestralidade e à memória cultural brasileira. Em 1998, Granato realiza uma série de pinturas sobre papel chamada The Mask. Na sequência, desenvolve obras de maior fôlego reunidas sob o título Quem é você – The Mask. Para o artista, essas máscaras eram anotações visuais de rostos que povoavam seu imaginário.
Ao tratar dessa produção, Maria Alice Milliet desloca a leitura habitual que costuma aproximar esse tipo de repertório apenas da tradição europeia do moderno. No caso de Granato, ela está ligada à busca de raízes culturais e ao desejo de afirmação identitária. A curadora recupera sua origem miscigenada, com ascendência negra e indígena, e inscreve essa série num campo de pertencimento, reconhecimento simbólico e reverência, marcado por uma aproximação que nasce de dentro. Esse aspecto é decisivo para a compreensão da mostra. A ancestralidade africana aparece como força estrutural na cultura brasileira e como chave para reler uma parte importante de sua obra.
Milliet observa que, depois de uma primeira incursão em figuras mais próximas de um universo popular e carnavalesco, Granato volta-se para as máscaras tribais. Na série cuja pergunta organiza o título da exposição, vemos uma sucessão de caras estranhas emergirem de fundos escuros, em composições que condensam intensidade gráfica, energia cromática e forte carga simbólica. A representação tem, nesse conjunto, um peso particular. Ela é figura de passagem, condensação de gesto, invenção de persona e presença ritual. Dez anos após sua morte, Máscaras, Ivald Granato – Quem é você? nos faz compreender com mais nitidez a complexidade do artista.
Serviço
Exposição | Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?
De 28 de março a 25 de junho
Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira das 10:00h às 19:00h, sábados das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria
Rua Estados Unidos, 1638 01427-002 São Paulo - SP
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa,
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Ana Avelar, a mostra reúne trabalhos marcados pela geometrização e a reconfiguração visual da arquitetura vernacular.
A trajetória de Andrea Brazil (São Paulo, 1972) entre Salvador e a Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, fundamenta sua visualidade funcional. A artista cresceu em contato com uma arquitetura litorânea marcada por intervenções anônimas – feitas com cacos de telha e sobras de material – que configuram o que ela chama de “desenho no espaço”.
Nesse processo, fachadas de casas e estabelecimentos, grades e outros elementos urbanos, se reorganizam como linhas, cores e vazios. “Trata-se de uma produção coletiva e vernacular que condensa história, clima, técnica e desejo estético em um mesmo gesto construtivo”, afirma Avelar.
O olhar de Brazil para a arquitetura vernacular de sua infância se aprofundou durante uma viagem à região do Algarve, em Portugal. Lá, a influência moura, reconhecível nos cantos arredondados e padrões geométricos, ressoou com o que a artista conhecia da Bahia.
Para Avelar, a conexão não é casual: Brazil observa que os negros malês, protagonistas da revolta de 1835 em Salvador, eram em sua maioria de origem muçulmana e portadores de uma tradição visual que se infiltrou na cultura material da cidade. O ornamento, nesse sentido, guarda estratos históricos que a superfície das fachadas não revela explicitamente.
Uma das séries apresentadas é construída sobre chapas de madeira com camadas de massa corrida sobrepostas em duas etapas. O desenho das grades — fruto de uma memória visual internalizada — é entalhado na superfície até revelar a cor subjacente. Quando o trabalho aposta na cor, destaca-se pela vibração óptica, transitando entre a estridência da Pop Art e o silêncio das superfícies opacas.
Além da individual de Brazil, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Calendário”, de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Badauê
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto para o alargamento dos horizontes do mundo das artes quanto para a evolução da luta contra o racismo.
Em sua trajetória, o baiano Mestre Didi (1917-2013) percorreu e distendeu os domínios das artes e da religiosidade. As muitas habilidades artísticas e artesanais de Didi lhe conferiram o lugar de mestre, assim como sua vocação e sua atuação religiosa o colocaram em cargos de destaque nos cultos. E é esse itinerário que ganha o Itaú Cultural (IC) no período de 8 de abril a 5 de julho de 2026.
Além das criações de Didi no campo das artes visuais, a individual aborda sua produção textual/literária e sua participação no desenvolvimento de relevantes organizações e eventos, no Brasil e em outros países, voltados para a pesquisa e a promoção das culturas africanas e afrodiaspóricas. O espaço expositivo também explora as conexões entre Didi e outros criadores, como o seu contemporâneo Abdias Nascimento – tema de mostra do projeto Ocupação Itaú Cultural em 2016.
No dia 7 de abril, às 19h, acontece a abertura de Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira. Para celebrar esse momento, o terreiro Ilê Asipá apresenta Oro Ojés, cerimônia tradicional realizada em todas as festividades do espaço fundado pelo próprio Didi, em Salvador.
Serviço
Exposição | Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira
De 8 de abril a 5 de julho
Terça a sábado, das 11h às 20h, domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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Maxwell Alexandre transforma completamente o espaço da Almeida & Dale Fradique em Pintor preto, figuração branca., sua primeira individual na galeria. A exposição resulta de desdobramentos conceituais e plásticos de dois
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Maxwell Alexandre transforma completamente o espaço da Almeida & Dale Fradique em Pintor preto, figuração branca., sua primeira individual na galeria. A exposição resulta de desdobramentos conceituais e plásticos de dois conjuntos de trabalho célebres: Clube, apresentado pela primeira vez no Museu Histórico da Cidade, no Rio de Janeiro (2024), e Cubo Branco, conhecido pela obra Galeria n.2, concebida para a 36ª Bienal de São Paulo (2025).
O início da série Clube se deu em 2020, quando Maxwell passou a frequentar o Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea, bairro nobre do Rio de Janeiro e vizinho à Rocinha, favela onde o artista nasceu e cresceu. Foi nos pátios do clube que Maxwell voltou sua observação aos corpos brancos, criando um ponto de inflexão em sua obra — até então marcada pela representação exclusiva de pessoas pretas — que culmina na elaboração do conceito de “figuração branca”, marco dessa nova exposição.
Os altos muros do clube oferecem a seus membros e frequentadores um “oásis” — aparentemente apartado das contradições e complexidades do entorno, mas que, ao mesmo tempo, explicita as estruturas de poder presentes em cenas pacíficas de banhos de Sol e brincadeiras em piscinas.
O clube torna-se metáfora na obra de Maxwell para abordar todos os espaços “de bem-estar, lazer, fartura, segurança, tranquilidade, boa arquitetura, bom design, boa arte, boa comida”, como o artista escreve; e o gênero pictórico “figuração branca” passa a ser uma operação conceitual para destacar a branquitude no campo da pintura e da história da arte. Maxwell destaca: “Se existe figuração preta, há de haver uma figuração branca”.
Com esse movimento, Maxwell Alexandre aborda o próprio papel como artista. Tendo conquistado reconhecimento internacional com as séries Pardo é Papel e Novo Poder, nas quais retratava, respectivamente, cenas cotidianas da favela e pessoas pretas em espaços de poder, com esses novos trabalhos Maxwell desloca os corpos brancos do local de neutralidade, pondo em questão uma relação de séculos da história da arte entre o pintor preto e o objeto da pintura, a figuração branca.
A série Clube desnaturaliza a representação do homem branco em pintura, estabelecendo uma nova configuração na relação de alteridade das imagens. E é por meio da suposta neutralidade do Cubo Branco que Maxwell nos aponta certos valores centrais dentro do sistema das artes.
Ninguém chama a representação do homem branco de figuração branca. Todo mundo conhece a representação do homem branco, em pintura, apenas como figuração. O gênero mais exaurido e canonizado da história da arte é neutro, ainda não recebeu uma classificação. Uma vez que a representação do homem branco é entendida como o avatar da humanidade, ela não poderia ter sido classificada e racializada.
Maxwell Alexandre
Serviço
Exposição | Pintor preto, figuração branca
De 11 de abril a 30 de maio
Segunda a sexta-feira, das: 10h às 19h, sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Almeida & Dale Fradique
Rua Fradique Coutinho 1360 | 1430, São Paulo - SP
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Peter Halley apresenta uma nova exposição na Almeida & Dale Fradique. The American Connection, primeira exposição do estadunidense no Brasil em cinco anos, apresenta um conjunto de pinturas recentes, com suas
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Peter Halley apresenta uma nova exposição na Almeida & Dale Fradique. The American Connection, primeira exposição do estadunidense no Brasil em cinco anos, apresenta um conjunto de pinturas recentes, com suas icônicas cores fluorescentes e estruturas de células que expandem o quadro.
Halley despontou como um dos principais nomes do pós-conceitualismo na década de 1980, e é reconhecido por suas pinturas geométricas fluorescentes que enfatizam cores e sistemas. Suas obras empregam a linguagem da abstração geométrica para explorar a organização do espaço social na era digital.
“As obras da exposição The American Connection assumem a representação metafórica dos dispositivos eletrônicos ligados por condutores. São células que remetem aos sistemas neuronais ou de terminais informáticos, mas poderiam ser celas de uma prisão, como sugerem os títulos de algumas das pinturas recentes aqui expostas”, escreve Antonio Gonçalves Filho, diretor cultural da Almeida & Dale.
Com títulos como Cell (célula ou cela) e Prision (prisão), as pinturas refletem sobre as estruturas da organização social em uma produção artística que se identifica com o pensamento estruturalista e de filósofos franceses como Foucault, Baudrillard e Lyotard. Igualmente, as formas de sua obra parecem responder ao isolamento e individualização do momento atual. Como completa Gonçaves Filho: “o pintor mostra como a sedução da fluorescência e o antinaturalismo das luzes de computadores e celulares acabam por aprisionar o indivíduo contemporâneo”.
Serviço
Exposição | The American Connection
De 11 de abril a 30 de maio
Segunda a sexta-feira, das: 10h às 19h, sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Almeida & Dale Fradique
Rua Fradique Coutinho 1360 | 1430, São Paulo - SP
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O artista e arquiteto Edo Rocha ganha uma grande exposição retrospectiva na Oca do Ibirapuera, em São Paulo. Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra “Edo Rocha: Arte e Arquitetura”,
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O artista e arquiteto Edo Rocha ganha uma grande exposição retrospectiva na Oca do Ibirapuera, em São Paulo. Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra “Edo Rocha: Arte e Arquitetura”, que abre ao público em 6 de maio, reúne mais de 400 trabalhos e apresenta um amplo panorama de mais de 60 anos de trajetória, evidenciando as conexões entre sua produção artística e seus projetos arquitetônicos.
Distribuída pelos quatro andares do edifício projetado por Oscar Niemeyer, a exposição reúne desenhos, pinturas, esculturas, fotografias e instalações, além de maquetes, plantas e diferentes formas de representação de projetos arquitetônicos e urbanísticos, revelando como as investigações visuais do artista se desdobram também em sua prática como arquiteto.
“Essa exposição é um resumo da minha produção. Mostra a interferência entre arte e arquitetura e como, aos poucos, essas duas partes criativas se conectam. Só foi possível reunir um trabalho desse tipo em um espaço como o da Oca, onde é viável mostrar essas várias atividades artísticas e de criação”, afirma Edo Rocha.
A expografia evita hierarquias entre as diferentes linguagens e modos de representação, propondo um percurso que atravessa distintos momentos da carreira do artista — desde os primeiros desenhos, realizados ainda na adolescência, passando pelas investigações com cor e abstração e pela produção gráfica, até chegar a projetos arquitetônicos e instalações recentes. O trajeto culmina em uma obra inédita, de caráter educativo, que reflete sobre o futuro do planeta e as respostas da natureza às ações humanas.
Arte e arquitetura em diálogo
Reconhecido como um dos nomes inventivos da arquitetura brasileira contemporânea, Edo Rocha desenvolveu uma trajetória singular em que prática artística e atividade projetual caminham lado a lado. Ao longo da exposição, torna-se evidente como experimentações visuais presentes em esculturas e desenhos reverberam em edifícios e projetos urbanos, revelando um pensamento criativo que atravessa disciplinas.
Logo no piso térreo, o visitante encontra esculturas em granito, peças metálicas e espelhadas da série Os três mosqueteiros. Projetos arquitetônicos são apresentados em banners acompanhados por vídeos, enquanto um conjunto de maquetes compõe uma espécie de cidade imaginada, reunindo tanto edificações construídas quanto propostas conceituais.
Entre os trabalhos históricos, estão também obras exibidas na X Bienal de São Paulo, em 1969, período em que o artista consolidava sua atuação no campo das artes visuais. Um dos projetos arquitetônicos mais conhecidos de Edo Rocha, o Allianz Parque, também ocupa espaço central na exposição com uma instalação dedicada ao estádio, que dialoga com as obras Onda Verde e Palmeiras.
“Segundo o Paul McCartney, essa é a melhor arena do mundo, e não é o único a dizer. Isso acontece porque Edo é um amante da tecnologia acústica e tem um conhecimento profundo desse campo”, comenta Agnaldo Farias. “É um caso impressionante, fora do esquadro, de alguém que trafega com naturalidade por diversas disciplinas.”
Fotografia, natureza e percepção
No segundo andar, a mostra apresenta três séries fotográficas produzidas neste ano: Japão, Wabi Sabi e O Cosmo. Em Japão, Rocha registra paisagens do país — lagos, jardins e árvores com folhagens vibrantes do outono — destacando espécies simbólicas da cultura japonesa, como a katsura.
Já em Wabi Sabi, o artista explora a estética japonesa que valoriza a imperfeição, a impermanência e a simplicidade. Folhas caídas, fissuras em troncos e marcas do tempo revelam uma beleza associada à passagem natural dos anos.
A série O Cosmo é apresentada tanto em fotografias quanto em uma instalação formada por 80 monitores suspensos, com espelhos na parte traseira, criando um efeito visual que remete a um caleidoscópio.
Música, tecnologia e sustentabilidade
Outra dimensão importante na trajetória de Rocha — sua relação com a música — aparece no térreo baixo da Oca. Ali, um piano de cauda capaz de reproduzir performances de pianistas renomados sincronizadas com projeções em vídeo, integra um espaço concebido como lounge para descanso e contemplação dos visitantes.
Conhecido por integrar design, tecnologia e sustentabilidade em seus projetos, o artista também incorporou à exposição painéis acústicos produzidos com Ecoshapes, placas feitas de PET reciclado instaladas ao longo do percurso expositivo.
A preocupação ambiental, presente na obra de Rocha desde o início de sua carreira, aparece ainda em uma instalação audiovisual que aborda temas como crise hídrica, aumento das emissões de dióxido de carbono e intensificação de catástrofes naturais.
A exposição conta com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
Edo Rocha: Natural de São Paulo, Edo Rocha nasceu em 1949. Ainda jovem iniciou sua formação artística, realizando aos 16 anos sua primeira exposição individual na galeria Ars Mobile.
Durante a adolescência viveu em Salvador (BA), onde estudou pintura no Instituto Cultural Brasil Alemanha e participou de exposições coletivas ligadas ao curso experimental de pintura. De volta a São Paulo, integrou a IX Bienal de São Paulo, em 1967, e retornou à mostra dois anos depois, na X Bienal, em 1969.
Ao longo da década de 1970, recebeu duas vezes o Prêmio de Aquisição Jovem Arte Contemporânea, concedido pelo Museu de Arte Contemporânea da USP. Desde então, construiu uma trajetória que transita entre artes visuais, arquitetura e urbanismo, consolidando-se como uma figura singular no panorama cultural brasileiro.
Serviço
Exposição | Edo Rocha: Arte e Arquitetura
De 06 de maio a 20 de julho
Terça a domingo, das 10h às 19h (entrada até 18h)
Período
Local
OCA
Pavilhão Lucas Nogueira Garcez, Parque Ibirapuera – São Paulo, SP
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical – Recanto no Sesc Pinheiros, com curadoria de Orlando Maneschy e curadoria adjunta de Keyla Sobral. Com cerca de 280 obras, a mostra propõe uma imersão no imaginário de um Brasil plural, múltiplo e em constante reinvenção, compondo um mosaico que vai de imagens históricas a produções contemporâneas e que se voltam às experiências singulares em territórios distintos e entendimentos de mundo.
Delírio Tropical – Recanto constrói uma narrativa que articula diferentes manifestações visuais artísticas — da fotografia ao vídeo, passando por cartazes, lambes, revistas, esculturas, pinturas e objetos. A mostra propõe uma reflexão sobre o papel das imagens na construção do entendimento do país e de suas múltiplas identidades, a partir de uma curadoria que reúne artistas comprometidos com suas experiências, territórios e modos de existência, incluindo perspectivas culturais das várias regiões do país, ao lado de uma diversidade de vozes contemporâneas.
O conjunto expositivo inclui obras de artistas como Anna Maria Maiolino, Ayrson Heráclito, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Hal Wildson, Índigo Braga, Rosângela Rennó e Karim Aïnouz.
“Buscamos reunir artistas que olham para o Brasil a partir de seus territórios, que usam a imagem como elemento decisivo na construção de discursos, ressaltando uma ideia de país diverso”, afirma o curador Orlando Maneschy. “A exposição é um convite a romper com olhares estereotipados e a se abrir para experiências que nos deslocam e nos transformam”, completa Maneschy.
Originalmente apresentada na Pinacoteca do Ceará como parte do Fotofestival Solar, a exposição chega ao Sesc Pinheiros como itinerância, ampliando o acesso a um conjunto de obras que tensionam estereótipos e revelam um Brasil marcado por disputas simbólicas, afetos, violências, resistências e desejos. Na capital paulista, a mostra conta com uma obra inédita de Keyla Sobral e expografia pensada para as especificidades do Sesc Pinheiros.
Um caminho visual por múltiplos Brasis
A mostra parte da ideia de que a imagem, em suas múltiplas formas de circulação — do das capas de discos ao GIF, da fotografia ao impresso que atravessa o cotidiano — é um elemento central na construção do imaginário brasileiro. Com artistas de diferentes contextos, a seleção de obras apresenta um país em construção e diverso, atravessado por tensões entre memória e atualidade, sem buscar um discurso fechado, mas aberto à reflexão. Nesse percurso, imagens históricas e contemporâneas se aproximam para retomar questões que seguem latentes, sugerindo continuidades entre passado e presente.
Mais do que um recorte autoral, Delírio Tropical – Recanto sugere um campo de escuta em que os trabalhos dialogam entre si e constroem, coletivamente, uma leitura possível do Brasil, entre tantas outras plausíveis, que não quer ser totalizante e, inclusive, assume ausências e lacunas. A curadoria se organiza como uma articulação desses olhares, e o resultado é um caminho por um Brasil em que diferentes corpos, identidades e narrativas emergem não como representação, mas como presença, ativando outras formas de ver, imaginar e se relacionar com o país.
A expografia conduz o visitante por um fluxo imersivo que começa em um ambiente de caráter quase ritualístico, evocando a ruptura com visões cristalizadas, e avança por núcleos que abordam temas como identidade, memória, mídia, território e poder. Ao longo do trajeto, obras de distintas épocas e contextos entram em diálogo, criando conexões inesperadas e ativando novas leituras sobre o Brasil.
A relação entre imagem e circulação também está em destaque na montagem, incorporando elementos da cultura visual cotidiana, como capas de revistas, de discos e registros documentais, que ajudam a construir o imaginário coletivo brasileiro. Nesse sentido, Delírio Tropical – Recanto propõe não apenas observar imagens, mas refletir sobre como elas moldam percepções, narrativas e sentidos.
A realização da mostra integra o compromisso institucional do Sesc São Paulo de ampliar o acesso à produção artística contemporânea e promover o encontro entre diferentes públicos e repertórios culturais. É um convite ao público para reimaginar o Brasil a partir de sua diversidade, de seus contrastes e de sua riqueza simbólica. A programação inclui ainda ações educativas, visitas mediadas e atividades formativas, ampliando as possibilidades de diálogo com os públicos.
Serviço
Exposição | Delírio Tropical – Recanto
De 6 de maio a 13 de outubro
Terça a sábado, das 10h30 às 21h, domingos e feriados, das 10h30 às 18h
Período
Local
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo - SP
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, o Anexo Galeria Marília Razuk apresenta a mostra coletiva Quarto. Dando continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, o Anexo Galeria Marília Razuk apresenta a mostra coletiva Quarto. Dando continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e suas dimensões simbólicas e afetivas.
Partindo da ideia do cômodo como um ambiente íntimo e privado, a exposição propõe uma aproximação sensível com esse território onde o indivíduo se encontra consigo mesmo e, ocasionalmente, com o outro. As obras reunidas refletem sobre estados de solidão, relações de companhia amorosa e/ou sexual, além de explorar o universo onírico, os devaneios e as construções subjetivas que emergem nesse espaço.
Quarto desdobra questões já abordadas na coletiva Sala de Jantar, realizada em maio de 2025, que teve como ponto de partida o emblemático trabalho Hôtel du Pavot, Chambre 202, de Dorothea Tanning, estabelecendo conexões com o surrealismo e suas investigações sobre o inconsciente e o espaço doméstico.
A exposição será realizada no Anexo Galeria Marilia Razuk, número 62 da Rua Jerônimo da Veiga, um espaço destinado a projetos especiais cuja arquitetura foi originalmente concebida por Lina Bo Bardi e posteriormente adaptada por Isay Weinfeld. O local reforça o diálogo entre arquitetura e proposta curatorial, ampliando a experiência do visitante.
Reunindo os artistas Ana Dias Batista, Ana Sant’Anna, A Transälien, Bruno Faria, Carolina Colichio, Débora Bolzsoni, Estúdio Rain, João Loureiro, Karola Braga, Lyz Parayzo, Maria Tereza Bomfim, Marcus Deusdedit, Mónica Heller, Patricia Faragone, Regina Vater, Rodrigo Bueno, Rose Afefé, Seba Calfuqueo, Thiago Honório, Quarto propõe um percurso imersivo por diferentes abordagens contemporâneas que investigam a intimidade, o corpo, o desejo e os espaços de recolhimento.
A coletiva convida o público a atravessar um território sensível onde o privado se torna compartilhável, e onde o quarto, mais do que um espaço físico, se revela como um campo de projeção subjetiva, memória e imaginação.
Artistas que integram a mostra:
Ana Dias Batista, A Transälien, Carolina Colichio, Débora Bolzsoni, Estúdio Rain, Karola Braga, Lyz Parayso, Maria Tereza Bomfim, Marcus Deusdedit, Monica Heller, Patrica Faragone, Regina Vater, Rose Afefé, Seba Calfuqueo e Thiago Honório.
Serviço
Exposição | Quarto
De 09 de Maio a 06 de Junho
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Anexo Galeria Marília Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 131 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A Galeria Marilia Razuk apresenta a exposição corpo assentado, cabeça voando, com curadoria de Camila Bechelany e Leo Felipe. A mostra reúne um conjunto de obras do acervo da galeria
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A Galeria Marilia Razuk apresenta a exposição corpo assentado, cabeça voando, com curadoria de Camila Bechelany e Leo Felipe. A mostra reúne um conjunto de obras do acervo da galeria que têm no desenho não apenas uma técnica, mas uma prática expandida, um campo de pensamento, gesto e inscrição no mundo.
A linguagem surge como um impulso espontâneo, quase coreográfico, próximo à dança. Embora muitas vezes percebido como uma habilidade inata, ele se constrói no tempo, no exercício contínuo de situar o corpo e experimentar o espaço. Tem a ver com querer se inscrever no mundo, assentar-se, situar-se. Ao mesmo tempo, o desenho é uma prática para se perder, para deixar-se levar com ou sem rumo, alternando o ritmo sobre as superfícies à volta.
A exposição propõe pensar a linha em sua natureza ambígua, entre imagem e escrita, entre registro e invenção. Trata-se de uma linguagem elementar e, ao mesmo tempo, ilimitada em suas possibilidades.
corpo assentado, cabeça voando convida o público a percorrer essas diferentes formas de desenhar, entendendo o traço não como ponto de partida ou etapa preparatória, mas como expressão autônoma, capaz de sustentar, por si só, a complexidade do fazer artístico.
Reunindo artistas de diferentes gerações e abordagens, a mostra evidencia o desenho como um território de experimentação contínua, no qual pensamento e matéria se encontram.
Participam da exposição: Amilcar de Castro, Ana Dias Batista, Ana Matheus Abbade, André Dahmer, Cabelo, Claudio Cretti, Débora, Bolzsoni, Flora Rebollo e Flavushh, Jaider Esbell, João Loureiro, Johanna Calle, José Leonilson, Luiza Sigulem, Manuel Brandazza, Maria Laet, Mariana Serri, Marilá Dardot, Paulo Nazareth, Renata Haar, Thiago Barbalho e Waldomiro Mugrelise.
Serviço
Exposição | corpo assentado, cabeça voando
De 09 de maio a 06 de junho
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Anexo Galeria Marília Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 131 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A exposição Com.Fiar reúne as artistas Cyra Moreira e Cecilia Tilkian em um trabalho desenvolvido a partir de um processo colaborativo. Foram 480 dias, 58 encontros de confiança e compartilhamento para
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A exposição Com.Fiar reúne as artistas Cyra Moreira e Cecilia Tilkian em um trabalho desenvolvido a partir de um processo colaborativo.
Foram 480 dias, 58 encontros de confiança e compartilhamento para chegar em 125 metros contínuos, fiando tramas com sensibilidade, trocando e somando, porque Com.Fiar pressupõe o outro, lado a lado, como deve ser na vida.
Resultado desse percurso, a obra propõe uma reflexão sobre criação, compartilhamento e construção conjunta no campo das artes visuais.
Serviço
Exposição | Com.Fiar
De 10 de maio a 07 de junho
Quarta a domingo, das 10h às 17h
Período
Local
Galeria Marta Traba | Memorial da América Latina
Av. Mário de Andrade, 664 Barra Funda, São Paulo, SP
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli,
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, a mostra reúne cerca de 100 obras de 60 artistas de diferentes partes do mundo, propondo um amplo panorama do Surrealismo e de seus desdobramentos na arte moderna e contemporânea. A entrada é gratuita.
Instalada em uma ampla casa na Rua Minas Gerais, esquina com a Praça Marechal Cordeiro de Farias, a nova sede da Pinakotheke conta com 700 m² de terreno, sendo 180 m² dedicados às áreas expositivas e 370 m² de espaço externo. O novo endereço marca uma importante reorganização institucional da Pinakotheke, fundada no Rio de Janeiro em 1979 por Max Perlingeiro, além de consolidar uma nova identidade visual e um projeto de expansão nacional e internacional.
A exposição é organizada em núcleos dedicados a artistas europeus, latino-americanos, norte-americanos e caribenhos, reunindo nomes históricos como Salvador Dalí, René Magritte, Pablo Picasso, Giorgio de Chirico, Joan Miró, Louise Bourgeois, Marcel Duchamp, Leonora Carrington, Roberto Matta e Diego Rivera. Entre os brasileiros, destacam-se obras de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Flávio de Carvalho, Cícero Dias, Farnese de Andrade, Tunga e Erika Verzutti.
Além das pinturas, esculturas, gravuras e fotografias, a mostra contará com salas especiais dedicadas a Maria Martins e Louise Bourgeois, além da exibição de vídeos de artistas contemporâneas como Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. O percurso inclui ainda trechos de filmes clássicos ligados ao imaginário surrealista, como “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí, e “Le Sang d’un poète”, de Jean Cocteau.
Ao longo da exposição, será lançado o livro bilíngue “Surrealismos: arte para além da razão”, publicado pela Pinakotheke Editora, com mais de 300 páginas e textos de pesquisadores e críticos convidados. A Pinakotheke São Paulo fica na Rua Minas Gerais, 246, em Higienópolis, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h.
Serviço
Exposição | Surrealismos: arte para além da razão
De 18 de maio a 15 de agosto
Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Pinakotheke São Paulo Higienópolis
Rua Minas Gerais, 246, Higienópolis, São Paulo - SP
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado,
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.
“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press — estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos.
A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.
Complexidade e beleza
Visitantes poderão apreciar obras de múltiplas cores, estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos; as gravuras de Beatriz desenvolvidas ao lado de Jean-Paul Rusell.
A produção da artista é marcada por uma linguagem de complexidade e beleza, e pela coerência no modo como consegue transitar entre diferentes técnicas, partindo sempre da pintura até chegar nas gravuras.
Em suas obras aparecem também formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas, incrementando a tradição geométrica brasileira. Na exposição é possível também perceber o modo como Milhazes monta e remonta as formas, as cores e os espaços aparentemente vazios, como os que aparecem em O pato (1996) e Noite de verão (2006).
Serviço
Exposição | Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo
De 16 de maio a 14 de março de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Estação
Lg. General Osório, 66, São Paulo - SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato no fim da década de 1990 e as coloca em diálogo com máscaras africanas preservadas nas coleções de Christian-Jack Heymès e da família Mastrobuono. A abertura acontece em São Paulo e se conecta à agenda da 22º edição da SP-Arte.
A exposição parte de um dado central para a leitura da trajetória de Ivald Granato. Durante décadas, sua presença pública, suas ações performáticas e sua energia irreverente ocuparam lugar decisivo na recepção de sua obra. Esse aspecto é incontornável, mas não a resume.
Granato foi também um pintor de grande domínio técnico, um desenhista excepcional e um conhecedor profundo da história da arte. Transitava entre linguagens e repertórios com intimidade rara, não para repetir estilos, mas para tensioná-los a partir de uma inteligência visual muito própria. Maria Alice Milliet lembra que, ao chegar à maturidade, depois de mais de três décadas de exposições, premiações e reconhecimento, Granato já ocupava um lugar de destaque na cena artística brasileira. Talentoso desenhista e pintor, havia atravessado os “ismos” e a Pop Art em estreita sintonia com seu tempo.
Essa mostra ajuda a recolocar esse ponto em evidência, situando-o como parte de uma investigação consistente, em que pintura, memória, teatralidade e identidade se entrelaçam. No fim dos anos 1990, Granato se afasta, por um momento, do embate mais imediato com a contemporaneidade e volta o olhar para dimensões profundas de sua própria formação. É desse movimento que nasce a série ligada às máscaras. Segundo a curadora, essa passagem corresponde a uma inflexão em sua carreira, quando o artista procura valores ligados ao passado, à ancestralidade e à memória cultural brasileira. Em 1998, Granato realiza uma série de pinturas sobre papel chamada The Mask. Na sequência, desenvolve obras de maior fôlego reunidas sob o título Quem é você – The Mask. Para o artista, essas máscaras eram anotações visuais de rostos que povoavam seu imaginário.
Ao tratar dessa produção, Maria Alice Milliet desloca a leitura habitual que costuma aproximar esse tipo de repertório apenas da tradição europeia do moderno. No caso de Granato, ela está ligada à busca de raízes culturais e ao desejo de afirmação identitária. A curadora recupera sua origem miscigenada, com ascendência negra e indígena, e inscreve essa série num campo de pertencimento, reconhecimento simbólico e reverência, marcado por uma aproximação que nasce de dentro. Esse aspecto é decisivo para a compreensão da mostra. A ancestralidade africana aparece como força estrutural na cultura brasileira e como chave para reler uma parte importante de sua obra.
Milliet observa que, depois de uma primeira incursão em figuras mais próximas de um universo popular e carnavalesco, Granato volta-se para as máscaras tribais. Na série cuja pergunta organiza o título da exposição, vemos uma sucessão de caras estranhas emergirem de fundos escuros, em composições que condensam intensidade gráfica, energia cromática e forte carga simbólica. A representação tem, nesse conjunto, um peso particular. Ela é figura de passagem, condensação de gesto, invenção de persona e presença ritual. Dez anos após sua morte, Máscaras, Ivald Granato – Quem é você? nos faz compreender com mais nitidez a complexidade do artista.
Serviço
Exposição | Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?
De 28 de março a 25 de junho
Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira das 10:00h às 19:00h, sábados das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria
Rua Estados Unidos, 1638 01427-002 São Paulo - SP
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa,
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Ana Avelar, a mostra reúne trabalhos marcados pela geometrização e a reconfiguração visual da arquitetura vernacular.
A trajetória de Andrea Brazil (São Paulo, 1972) entre Salvador e a Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, fundamenta sua visualidade funcional. A artista cresceu em contato com uma arquitetura litorânea marcada por intervenções anônimas – feitas com cacos de telha e sobras de material – que configuram o que ela chama de “desenho no espaço”.
Nesse processo, fachadas de casas e estabelecimentos, grades e outros elementos urbanos, se reorganizam como linhas, cores e vazios. “Trata-se de uma produção coletiva e vernacular que condensa história, clima, técnica e desejo estético em um mesmo gesto construtivo”, afirma Avelar.
O olhar de Brazil para a arquitetura vernacular de sua infância se aprofundou durante uma viagem à região do Algarve, em Portugal. Lá, a influência moura, reconhecível nos cantos arredondados e padrões geométricos, ressoou com o que a artista conhecia da Bahia.
Para Avelar, a conexão não é casual: Brazil observa que os negros malês, protagonistas da revolta de 1835 em Salvador, eram em sua maioria de origem muçulmana e portadores de uma tradição visual que se infiltrou na cultura material da cidade. O ornamento, nesse sentido, guarda estratos históricos que a superfície das fachadas não revela explicitamente.
Uma das séries apresentadas é construída sobre chapas de madeira com camadas de massa corrida sobrepostas em duas etapas. O desenho das grades — fruto de uma memória visual internalizada — é entalhado na superfície até revelar a cor subjacente. Quando o trabalho aposta na cor, destaca-se pela vibração óptica, transitando entre a estridência da Pop Art e o silêncio das superfícies opacas.
Além da individual de Brazil, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Calendário”, de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Badauê
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto
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Com curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura, a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, no Itaú Cultural, engloba todo o percurso do sacerdote-artista, evidenciando sua importância tanto para o alargamento dos horizontes do mundo das artes quanto para a evolução da luta contra o racismo.
Em sua trajetória, o baiano Mestre Didi (1917-2013) percorreu e distendeu os domínios das artes e da religiosidade. As muitas habilidades artísticas e artesanais de Didi lhe conferiram o lugar de mestre, assim como sua vocação e sua atuação religiosa o colocaram em cargos de destaque nos cultos. E é esse itinerário que ganha o Itaú Cultural (IC) no período de 8 de abril a 5 de julho de 2026.
Além das criações de Didi no campo das artes visuais, a individual aborda sua produção textual/literária e sua participação no desenvolvimento de relevantes organizações e eventos, no Brasil e em outros países, voltados para a pesquisa e a promoção das culturas africanas e afrodiaspóricas. O espaço expositivo também explora as conexões entre Didi e outros criadores, como o seu contemporâneo Abdias Nascimento – tema de mostra do projeto Ocupação Itaú Cultural em 2016.
No dia 7 de abril, às 19h, acontece a abertura de Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira. Para celebrar esse momento, o terreiro Ilê Asipá apresenta Oro Ojés, cerimônia tradicional realizada em todas as festividades do espaço fundado pelo próprio Didi, em Salvador.
Serviço
Exposição | Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira
De 8 de abril a 5 de julho
Terça a sábado, das 11h às 20h, domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
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O artista e arquiteto Edo Rocha ganha uma grande exposição retrospectiva na Oca do Ibirapuera, em São Paulo. Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra “Edo Rocha: Arte e Arquitetura”,
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O artista e arquiteto Edo Rocha ganha uma grande exposição retrospectiva na Oca do Ibirapuera, em São Paulo. Com curadoria de Agnaldo Farias, a mostra “Edo Rocha: Arte e Arquitetura”, que abre ao público em 6 de maio, reúne mais de 400 trabalhos e apresenta um amplo panorama de mais de 60 anos de trajetória, evidenciando as conexões entre sua produção artística e seus projetos arquitetônicos.
Distribuída pelos quatro andares do edifício projetado por Oscar Niemeyer, a exposição reúne desenhos, pinturas, esculturas, fotografias e instalações, além de maquetes, plantas e diferentes formas de representação de projetos arquitetônicos e urbanísticos, revelando como as investigações visuais do artista se desdobram também em sua prática como arquiteto.
“Essa exposição é um resumo da minha produção. Mostra a interferência entre arte e arquitetura e como, aos poucos, essas duas partes criativas se conectam. Só foi possível reunir um trabalho desse tipo em um espaço como o da Oca, onde é viável mostrar essas várias atividades artísticas e de criação”, afirma Edo Rocha.
A expografia evita hierarquias entre as diferentes linguagens e modos de representação, propondo um percurso que atravessa distintos momentos da carreira do artista — desde os primeiros desenhos, realizados ainda na adolescência, passando pelas investigações com cor e abstração e pela produção gráfica, até chegar a projetos arquitetônicos e instalações recentes. O trajeto culmina em uma obra inédita, de caráter educativo, que reflete sobre o futuro do planeta e as respostas da natureza às ações humanas.
Arte e arquitetura em diálogo
Reconhecido como um dos nomes inventivos da arquitetura brasileira contemporânea, Edo Rocha desenvolveu uma trajetória singular em que prática artística e atividade projetual caminham lado a lado. Ao longo da exposição, torna-se evidente como experimentações visuais presentes em esculturas e desenhos reverberam em edifícios e projetos urbanos, revelando um pensamento criativo que atravessa disciplinas.
Logo no piso térreo, o visitante encontra esculturas em granito, peças metálicas e espelhadas da série Os três mosqueteiros. Projetos arquitetônicos são apresentados em banners acompanhados por vídeos, enquanto um conjunto de maquetes compõe uma espécie de cidade imaginada, reunindo tanto edificações construídas quanto propostas conceituais.
Entre os trabalhos históricos, estão também obras exibidas na X Bienal de São Paulo, em 1969, período em que o artista consolidava sua atuação no campo das artes visuais. Um dos projetos arquitetônicos mais conhecidos de Edo Rocha, o Allianz Parque, também ocupa espaço central na exposição com uma instalação dedicada ao estádio, que dialoga com as obras Onda Verde e Palmeiras.
“Segundo o Paul McCartney, essa é a melhor arena do mundo, e não é o único a dizer. Isso acontece porque Edo é um amante da tecnologia acústica e tem um conhecimento profundo desse campo”, comenta Agnaldo Farias. “É um caso impressionante, fora do esquadro, de alguém que trafega com naturalidade por diversas disciplinas.”
Fotografia, natureza e percepção
No segundo andar, a mostra apresenta três séries fotográficas produzidas neste ano: Japão, Wabi Sabi e O Cosmo. Em Japão, Rocha registra paisagens do país — lagos, jardins e árvores com folhagens vibrantes do outono — destacando espécies simbólicas da cultura japonesa, como a katsura.
Já em Wabi Sabi, o artista explora a estética japonesa que valoriza a imperfeição, a impermanência e a simplicidade. Folhas caídas, fissuras em troncos e marcas do tempo revelam uma beleza associada à passagem natural dos anos.
A série O Cosmo é apresentada tanto em fotografias quanto em uma instalação formada por 80 monitores suspensos, com espelhos na parte traseira, criando um efeito visual que remete a um caleidoscópio.
Música, tecnologia e sustentabilidade
Outra dimensão importante na trajetória de Rocha — sua relação com a música — aparece no térreo baixo da Oca. Ali, um piano de cauda capaz de reproduzir performances de pianistas renomados sincronizadas com projeções em vídeo, integra um espaço concebido como lounge para descanso e contemplação dos visitantes.
Conhecido por integrar design, tecnologia e sustentabilidade em seus projetos, o artista também incorporou à exposição painéis acústicos produzidos com Ecoshapes, placas feitas de PET reciclado instaladas ao longo do percurso expositivo.
A preocupação ambiental, presente na obra de Rocha desde o início de sua carreira, aparece ainda em uma instalação audiovisual que aborda temas como crise hídrica, aumento das emissões de dióxido de carbono e intensificação de catástrofes naturais.
A exposição conta com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
Edo Rocha: Natural de São Paulo, Edo Rocha nasceu em 1949. Ainda jovem iniciou sua formação artística, realizando aos 16 anos sua primeira exposição individual na galeria Ars Mobile.
Durante a adolescência viveu em Salvador (BA), onde estudou pintura no Instituto Cultural Brasil Alemanha e participou de exposições coletivas ligadas ao curso experimental de pintura. De volta a São Paulo, integrou a IX Bienal de São Paulo, em 1967, e retornou à mostra dois anos depois, na X Bienal, em 1969.
Ao longo da década de 1970, recebeu duas vezes o Prêmio de Aquisição Jovem Arte Contemporânea, concedido pelo Museu de Arte Contemporânea da USP. Desde então, construiu uma trajetória que transita entre artes visuais, arquitetura e urbanismo, consolidando-se como uma figura singular no panorama cultural brasileiro.
Serviço
Exposição | Edo Rocha: Arte e Arquitetura
De 06 de maio a 20 de julho
Terça a domingo, das 10h às 19h (entrada até 18h)
Período
Local
OCA
Pavilhão Lucas Nogueira Garcez, Parque Ibirapuera – São Paulo, SP
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical
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Um amplo mapeamento da produção visual brasileira contemporânea, que articula diferentes linguagens e traz cerca de 130 artistas de todas as regiões do país, ganha forma na exposição Delírio Tropical – Recanto no Sesc Pinheiros, com curadoria de Orlando Maneschy e curadoria adjunta de Keyla Sobral. Com cerca de 280 obras, a mostra propõe uma imersão no imaginário de um Brasil plural, múltiplo e em constante reinvenção, compondo um mosaico que vai de imagens históricas a produções contemporâneas e que se voltam às experiências singulares em territórios distintos e entendimentos de mundo.
Delírio Tropical – Recanto constrói uma narrativa que articula diferentes manifestações visuais artísticas — da fotografia ao vídeo, passando por cartazes, lambes, revistas, esculturas, pinturas e objetos. A mostra propõe uma reflexão sobre o papel das imagens na construção do entendimento do país e de suas múltiplas identidades, a partir de uma curadoria que reúne artistas comprometidos com suas experiências, territórios e modos de existência, incluindo perspectivas culturais das várias regiões do país, ao lado de uma diversidade de vozes contemporâneas.
O conjunto expositivo inclui obras de artistas como Anna Maria Maiolino, Ayrson Heráclito, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Hal Wildson, Índigo Braga, Rosângela Rennó e Karim Aïnouz.
“Buscamos reunir artistas que olham para o Brasil a partir de seus territórios, que usam a imagem como elemento decisivo na construção de discursos, ressaltando uma ideia de país diverso”, afirma o curador Orlando Maneschy. “A exposição é um convite a romper com olhares estereotipados e a se abrir para experiências que nos deslocam e nos transformam”, completa Maneschy.
Originalmente apresentada na Pinacoteca do Ceará como parte do Fotofestival Solar, a exposição chega ao Sesc Pinheiros como itinerância, ampliando o acesso a um conjunto de obras que tensionam estereótipos e revelam um Brasil marcado por disputas simbólicas, afetos, violências, resistências e desejos. Na capital paulista, a mostra conta com uma obra inédita de Keyla Sobral e expografia pensada para as especificidades do Sesc Pinheiros.
Um caminho visual por múltiplos Brasis
A mostra parte da ideia de que a imagem, em suas múltiplas formas de circulação — do das capas de discos ao GIF, da fotografia ao impresso que atravessa o cotidiano — é um elemento central na construção do imaginário brasileiro. Com artistas de diferentes contextos, a seleção de obras apresenta um país em construção e diverso, atravessado por tensões entre memória e atualidade, sem buscar um discurso fechado, mas aberto à reflexão. Nesse percurso, imagens históricas e contemporâneas se aproximam para retomar questões que seguem latentes, sugerindo continuidades entre passado e presente.
Mais do que um recorte autoral, Delírio Tropical – Recanto sugere um campo de escuta em que os trabalhos dialogam entre si e constroem, coletivamente, uma leitura possível do Brasil, entre tantas outras plausíveis, que não quer ser totalizante e, inclusive, assume ausências e lacunas. A curadoria se organiza como uma articulação desses olhares, e o resultado é um caminho por um Brasil em que diferentes corpos, identidades e narrativas emergem não como representação, mas como presença, ativando outras formas de ver, imaginar e se relacionar com o país.
A expografia conduz o visitante por um fluxo imersivo que começa em um ambiente de caráter quase ritualístico, evocando a ruptura com visões cristalizadas, e avança por núcleos que abordam temas como identidade, memória, mídia, território e poder. Ao longo do trajeto, obras de distintas épocas e contextos entram em diálogo, criando conexões inesperadas e ativando novas leituras sobre o Brasil.
A relação entre imagem e circulação também está em destaque na montagem, incorporando elementos da cultura visual cotidiana, como capas de revistas, de discos e registros documentais, que ajudam a construir o imaginário coletivo brasileiro. Nesse sentido, Delírio Tropical – Recanto propõe não apenas observar imagens, mas refletir sobre como elas moldam percepções, narrativas e sentidos.
A realização da mostra integra o compromisso institucional do Sesc São Paulo de ampliar o acesso à produção artística contemporânea e promover o encontro entre diferentes públicos e repertórios culturais. É um convite ao público para reimaginar o Brasil a partir de sua diversidade, de seus contrastes e de sua riqueza simbólica. A programação inclui ainda ações educativas, visitas mediadas e atividades formativas, ampliando as possibilidades de diálogo com os públicos.
Serviço
Exposição | Delírio Tropical – Recanto
De 6 de maio a 13 de outubro
Terça a sábado, das 10h30 às 21h, domingos e feriados, das 10h30 às 18h
Período
Local
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo - SP
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, o Anexo Galeria Marília Razuk apresenta a mostra coletiva Quarto. Dando continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e
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Em colaboração com Cristina Tolovi e Luana Fortes, o Anexo Galeria Marília Razuk apresenta a mostra coletiva Quarto. Dando continuidade a uma investigação curatorial que articula espaços domésticos e suas dimensões simbólicas e afetivas.
Partindo da ideia do cômodo como um ambiente íntimo e privado, a exposição propõe uma aproximação sensível com esse território onde o indivíduo se encontra consigo mesmo e, ocasionalmente, com o outro. As obras reunidas refletem sobre estados de solidão, relações de companhia amorosa e/ou sexual, além de explorar o universo onírico, os devaneios e as construções subjetivas que emergem nesse espaço.
Quarto desdobra questões já abordadas na coletiva Sala de Jantar, realizada em maio de 2025, que teve como ponto de partida o emblemático trabalho Hôtel du Pavot, Chambre 202, de Dorothea Tanning, estabelecendo conexões com o surrealismo e suas investigações sobre o inconsciente e o espaço doméstico.
A exposição será realizada no Anexo Galeria Marilia Razuk, número 62 da Rua Jerônimo da Veiga, um espaço destinado a projetos especiais cuja arquitetura foi originalmente concebida por Lina Bo Bardi e posteriormente adaptada por Isay Weinfeld. O local reforça o diálogo entre arquitetura e proposta curatorial, ampliando a experiência do visitante.
Reunindo os artistas Ana Dias Batista, Ana Sant’Anna, A Transälien, Bruno Faria, Carolina Colichio, Débora Bolzsoni, Estúdio Rain, João Loureiro, Karola Braga, Lyz Parayzo, Maria Tereza Bomfim, Marcus Deusdedit, Mónica Heller, Patricia Faragone, Regina Vater, Rodrigo Bueno, Rose Afefé, Seba Calfuqueo, Thiago Honório, Quarto propõe um percurso imersivo por diferentes abordagens contemporâneas que investigam a intimidade, o corpo, o desejo e os espaços de recolhimento.
A coletiva convida o público a atravessar um território sensível onde o privado se torna compartilhável, e onde o quarto, mais do que um espaço físico, se revela como um campo de projeção subjetiva, memória e imaginação.
Artistas que integram a mostra:
Ana Dias Batista, A Transälien, Carolina Colichio, Débora Bolzsoni, Estúdio Rain, Karola Braga, Lyz Parayso, Maria Tereza Bomfim, Marcus Deusdedit, Monica Heller, Patrica Faragone, Regina Vater, Rose Afefé, Seba Calfuqueo e Thiago Honório.
Serviço
Exposição | Quarto
De 09 de Maio a 06 de Junho
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Anexo Galeria Marília Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 131 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A Galeria Marilia Razuk apresenta a exposição corpo assentado, cabeça voando, com curadoria de Camila Bechelany e Leo Felipe. A mostra reúne um conjunto de obras do acervo da galeria
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A Galeria Marilia Razuk apresenta a exposição corpo assentado, cabeça voando, com curadoria de Camila Bechelany e Leo Felipe. A mostra reúne um conjunto de obras do acervo da galeria que têm no desenho não apenas uma técnica, mas uma prática expandida, um campo de pensamento, gesto e inscrição no mundo.
A linguagem surge como um impulso espontâneo, quase coreográfico, próximo à dança. Embora muitas vezes percebido como uma habilidade inata, ele se constrói no tempo, no exercício contínuo de situar o corpo e experimentar o espaço. Tem a ver com querer se inscrever no mundo, assentar-se, situar-se. Ao mesmo tempo, o desenho é uma prática para se perder, para deixar-se levar com ou sem rumo, alternando o ritmo sobre as superfícies à volta.
A exposição propõe pensar a linha em sua natureza ambígua, entre imagem e escrita, entre registro e invenção. Trata-se de uma linguagem elementar e, ao mesmo tempo, ilimitada em suas possibilidades.
corpo assentado, cabeça voando convida o público a percorrer essas diferentes formas de desenhar, entendendo o traço não como ponto de partida ou etapa preparatória, mas como expressão autônoma, capaz de sustentar, por si só, a complexidade do fazer artístico.
Reunindo artistas de diferentes gerações e abordagens, a mostra evidencia o desenho como um território de experimentação contínua, no qual pensamento e matéria se encontram.
Participam da exposição: Amilcar de Castro, Ana Dias Batista, Ana Matheus Abbade, André Dahmer, Cabelo, Claudio Cretti, Débora, Bolzsoni, Flora Rebollo e Flavushh, Jaider Esbell, João Loureiro, Johanna Calle, José Leonilson, Luiza Sigulem, Manuel Brandazza, Maria Laet, Mariana Serri, Marilá Dardot, Paulo Nazareth, Renata Haar, Thiago Barbalho e Waldomiro Mugrelise.
Serviço
Exposição | corpo assentado, cabeça voando
De 09 de maio a 06 de junho
Segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, das 11h às 16h
Período
Local
Anexo Galeria Marília Razuk
Rua Jerônimo da Veiga, 131 – Itaim Bibi, São Paulo - SP
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A exposição Com.Fiar reúne as artistas Cyra Moreira e Cecilia Tilkian em um trabalho desenvolvido a partir de um processo colaborativo. Foram 480 dias, 58 encontros de confiança e compartilhamento para
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A exposição Com.Fiar reúne as artistas Cyra Moreira e Cecilia Tilkian em um trabalho desenvolvido a partir de um processo colaborativo.
Foram 480 dias, 58 encontros de confiança e compartilhamento para chegar em 125 metros contínuos, fiando tramas com sensibilidade, trocando e somando, porque Com.Fiar pressupõe o outro, lado a lado, como deve ser na vida.
Resultado desse percurso, a obra propõe uma reflexão sobre criação, compartilhamento e construção conjunta no campo das artes visuais.
Serviço
Exposição | Com.Fiar
De 10 de maio a 07 de junho
Quarta a domingo, das 10h às 17h
Período
Local
Galeria Marta Traba | Memorial da América Latina
Av. Mário de Andrade, 664 Barra Funda, São Paulo, SP
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli,
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A Pinakotheke inaugura sua nova sede em Higienópolis, em São Paulo, com a exposição “Surrealismos: arte para além da razão”. Com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, a mostra reúne cerca de 100 obras de 60 artistas de diferentes partes do mundo, propondo um amplo panorama do Surrealismo e de seus desdobramentos na arte moderna e contemporânea. A entrada é gratuita.
Instalada em uma ampla casa na Rua Minas Gerais, esquina com a Praça Marechal Cordeiro de Farias, a nova sede da Pinakotheke conta com 700 m² de terreno, sendo 180 m² dedicados às áreas expositivas e 370 m² de espaço externo. O novo endereço marca uma importante reorganização institucional da Pinakotheke, fundada no Rio de Janeiro em 1979 por Max Perlingeiro, além de consolidar uma nova identidade visual e um projeto de expansão nacional e internacional.
A exposição é organizada em núcleos dedicados a artistas europeus, latino-americanos, norte-americanos e caribenhos, reunindo nomes históricos como Salvador Dalí, René Magritte, Pablo Picasso, Giorgio de Chirico, Joan Miró, Louise Bourgeois, Marcel Duchamp, Leonora Carrington, Roberto Matta e Diego Rivera. Entre os brasileiros, destacam-se obras de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Flávio de Carvalho, Cícero Dias, Farnese de Andrade, Tunga e Erika Verzutti.
Além das pinturas, esculturas, gravuras e fotografias, a mostra contará com salas especiais dedicadas a Maria Martins e Louise Bourgeois, além da exibição de vídeos de artistas contemporâneas como Letícia Parente, Lenora de Barros, Kátia Maciel e Lia Chaia. O percurso inclui ainda trechos de filmes clássicos ligados ao imaginário surrealista, como “Un chien andalou”, de Luis Buñuel e Salvador Dalí, e “Le Sang d’un poète”, de Jean Cocteau.
Ao longo da exposição, será lançado o livro bilíngue “Surrealismos: arte para além da razão”, publicado pela Pinakotheke Editora, com mais de 300 páginas e textos de pesquisadores e críticos convidados. A Pinakotheke São Paulo fica na Rua Minas Gerais, 246, em Higienópolis, com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h.
Serviço
Exposição | Surrealismos: arte para além da razão
De 18 de maio a 15 de agosto
Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Pinakotheke São Paulo Higienópolis
Rua Minas Gerais, 246, Higienópolis, São Paulo - SP
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado,
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Beatriz Milhazes, grande nome da arte brasileira, é conhecida por seu trabalho que alia rigor geométrico a uma atmosfera sempre festiva, fruto de sua paleta exuberante. Arte têxtil, chita, bordado, tecelagem tipicamente brasileira e grafismos indígenas são referências das quais ela se alimenta, transformando tudo isso em uma linguagem própria.
“Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo” reúne pela primeira vez um conjunto de 27 gravuras produzidas entre 1996 e 2019, resultado da colaboração de Beatriz com Jean-Paul Rusell, fundador da Durham Press — estúdio de edição de gravuras, livros de artista e obras únicas sediado na Pensilvânia, Estados Unidos.
A Pinacoteca é o único museu do mundo que possui esse conjunto de trabalhos.
Complexidade e beleza
Visitantes poderão apreciar obras de múltiplas cores, estampas florais formando portais, guirlandas e ramos frondosos; as gravuras de Beatriz desenvolvidas ao lado de Jean-Paul Rusell.
A produção da artista é marcada por uma linguagem de complexidade e beleza, e pela coerência no modo como consegue transitar entre diferentes técnicas, partindo sempre da pintura até chegar nas gravuras.
Em suas obras aparecem também formas sinuosas, discos, mandalas e colares de contas, incrementando a tradição geométrica brasileira. Na exposição é possível também perceber o modo como Milhazes monta e remonta as formas, as cores e os espaços aparentemente vazios, como os que aparecem em O pato (1996) e Noite de verão (2006).
Serviço
Exposição | Gravuras do acervo da Pinacoteca de São Paulo
De 16 de maio a 14 de março de 2027
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h), sábados e segundos domingos do mês gratuitos
Período
Local
Pina Estação
Lg. General Osório, 66, São Paulo - SP




