Em seus quase três anos como diretora do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), Mabel Medeiros passou metade do período sob a pandemia de Covid-19. Uma situação bastante crítica para quem tinha uma série de planos e objetivos para a gestão, nas mais diversas áreas. Mais crítica ainda considerando o os constantes ataques promovidos pelo governo federal à cultura no país, com um projeto que, mais do que descaso, parece ser de enfraquecimento e desmonte do setor, diz ela.
“O encurtamento do setor cultural vem sendo utilizado, nos últimos anos, como estratégia de dominação e controle de narrativas sociais. (…) Um projeto de retrocesso institucionalizado, que legitima constantes ataques a todos os pilares civilizatórios, desvirtua a motivação, a essência e a urgência da arte”, afirma Medeiros, 46, administradora e especialista em Arte e Educação que assumiu a diretoria do Mamam após as passagens – cronologicamente – de Marcus Lontra, Marco Pólo Guimarães, Moacir dos Anjos, Cristiana Tejo e Beth da Matta.
Ainda assim, a nova gestão conseguiu ter uma atuação destacada no período e, como um dos resultados, recebeu o Prêmio ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte) de 2019/2020 pela potência de sua programação e por sua atividade no campo das artes visuais. Criado em 1997, quando a antiga Galeria Metropolitana de Arte Aloisio Magalhães ganhou status de museu – homenageando este artista plástico, designer e ativista cultural pernambucano – e situado em um em um antigo casarão do século 19, o Mamam (vinculado a Secretaria de Cultura da Prefeitura) se estabeleceu com força na cena pernambucana, criando um diálogo crescente com as artes visuais contemporâneas.
Uma das principais diretrizes atuais, segundo a curadora, foi estabelecer uma equidade de gênero, partindo de um olhar sobre o próprio acervo da instituição – das 1225 obras da coleção apenas 149 são de mulheres – o que está refletido tanto na programação quanto na própria formação interna da equipe. Além disso, a busca por fazer um museu mais propositivo, o foco na atuação virtual, o diálogo com artistas da cidade e região, o fortalecimento do setor de pesquisa e do educativo e as dificuldades financeiras foram alguns dos pontos tratados na entrevista à arte!brasileiros. Leia abaixo a íntegra.

ARTE!✱ – Considerando o momento em que estamos vivendo, acho que poderíamos começar falando um pouco sobre como foi a atuação do Mamam durante a pandemia – que já dura quase um ano e meio – e em que ponto o museu está agora?
Assim como o mundo inteiro, nós fomos pegos de surpresa. Tínhamos projetos para o ano de 2020, uma programação que estava já engatilhada e negociada para acontecer, e quando os museus fecharam aqui em Recife nós estávamos no processo de finalizar a montagem de uma exposição. Uma exposição coletiva que recebemos, intitulada CKD – COMPLETELY KNOCKED DOWN, com nove artistas de Bremen e de Recife, e que não pode ser apresentada. E então fechamos as portas naquele momento. Tudo que tínhamos planejado, além dessa exposição – porque o museu vem investindo em muitas ações de cunho educativo, de formação da equipe e do público, ações que acontecem paralelamente às mostras -, ficou em suspenso.
O que mantivemos, em um primeiro momento, foi um diálogo nas redes sociais, numa tentativa de adaptação, e alguns projetos que já tínhamos prontos. Por sorte, nessa gestão, que começou em novembro de 2018, a gente já tinha se voltado bastante para as redes sociais, para ampliar esse acesso virtual, com uma fala mais informal para que as pessoas chegassem ao museu com mais facilidade. E nesse primeiro ano demos continuidade a alguns projetos como o #artistaindica, onde os artistas fazem sugestões de livros para leitura, o Acervo Mamam, cujas obras da coleção são divulgadas nas nossas redes sociais, a realização de oficinas e cursos virtuais, a divulgação de depoimentos de arte-educadores sobre suas funções nas instituições não formais… E isso seguimos fazendo. Houve também uma demanda de maior diálogo com o público infantil e de ações de interlocução com os artistas na pandemia, com divulgações sobre a LAB e divulgações dos artistas. Para além disso, demos continuidade à nossa demanda administrativa com reuniões com a equipe, o Conselho Curatorial, as articulações com artistas e professores para realização de formações e, principalmente, acompanhamento e solicitações de manutenção física do espaço e preservação do acervo.
Quando passou o turbilhão inicial e conseguimos nos reorganizar, outras ações foram surgindo. Vínhamos também em um processo interno de continuidade da elaboração do Plano Museológico, que está em fase de conclusão, porque o Mamam tinha um Plano da gestão anterior, mas que não estava ainda finalizado. Então passamos a revê-lo com a participação mais ampla de todos os setores da instituição, como é necessário fazer para se pensar as diretrizes.
ARTE!✱ – E teve um fortalecimento do setor de pesquisa…
Tô aqui pensando que seria muito importante citar q está linha e coordenado pelas profas doutoras Carolina Ruoso(UFMG) e Joana D’Arc Lima(UNILAB/CE)
Passamos a fazer parte também de uma rede de pesquisa – Rede de Pesquisa e Formação em Curadoria de Exposição – coordenada pelas professoras doutoras Carolina Ruoso (UFMG) e Joana D’Arc Lima (UNILAB/CE). O Mamam já teve em outras gestões grupos de pesquisa que acabaram não tendo continuidade, então isso é muito importante. E essa rede, que tem em torno de 30 pesquisadores e envolve Pernambuco, Ceará e Minas, foca a pesquisa em curadoria e histórias das exposições. E enquanto museu, acreditamos muito na força da pesquisa, da formação, da educação.
Temos ainda uma segunda linha de pesquisa, coordenada pela Ana Luiza Lima, que trata das questões de gênero, raça e etnia, que se inicia a partir de um olhar sobre o nosso acervo.E nós entramos também em uma rede de gestores de equipamentos culturais de Recife e região metropolitana – que vem se expandindo para outras regiões do Estado -, que foi pensada para, neste momento de pandemia, discutir desde os protocolos que precisaríamos assumir nos retornos, até ações, modos de se mobilizar. Porque a pandemia impacta pela questão óbvia da saúde, mas ela também impacta em relação a outras questões. Até hoje, por exemplo, temos um decreto em Pernambuco que suspendeu qualquer gasto que não fosse para a área da Saúde. Então nós temos a necessidade de nos fortalecermos junto a outros setores.

ARTE!✱ – O Mamam reabriu, para acesso presencial, as portas de uma parte do edifício, notadamente o pátio com obras de Francisco Brennand. Há planos para reabertura completa?
A primeira reabertura ocorreu em outubro, quando todos os equipamentos da cidade reabriram, depois fechou novamente, devido às necessidades impostas pela pandemia. Mas ainda não temos a montagem da exposição que tivemos que suspender. E o que temos aberto agora é a circulação no pátio interno da casa, que tem obras permanentes do Brennand. Estão abertos também os setores administrativos e pontualmente o acervo e a biblioteca. Estamos planejando o retorno gradual dos eventos presenciais que costumamos fazer – as oficinas, cursos e debates estão ainda no campo virtual. A exposição ainda não foi aberta, devido às negociações de patrocínio entre a produção e o município.
ARTE!✱ – Justamente sobre isso, eu queria perguntar como está o aspecto financeiro do museu – que é gerido pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, órgão da prefeitura – e se ele foi afetado pela pandemia. Além disso, foi necessário fazer cortes na equipe?
Sim, tivemos perdas financeiras. Na verdade, o museu já vinha sofrendo com diminuições na parte orçamentária, mas na pandemia nós estamos “em suspenso” até que o decreto no Estado (de verbas apenas para a saúde) seja revogado. Em relação à equipe, ninguém chegou a ser demitido. Trabalham no Mamam ao todo 11 funcionários, 13 estagiários e 8 guardas municipais.
ARTE!✱ – Voltando ao assunto da atuação virtual, queria que você falasse um pouco de como isso se deu e também como você vê esse campo no futuro, mesmo após a pandemia. Há quem diga que as instituições culturais no Brasil estavam muito atrasadas nesse quesito e foram pegas de surpresa pela pandemia… como vê esse ponto?
Sim, eu acredito que o virtual veio para ficar, mas acredito também que vamos precisar repensar um pouco esse virtual. Porque da mesma forma que a gente precisou virtualizar tudo, eu escuto muitas pessoas falando de um esgotamento, de que já não aguentam mais a vida toda online. Claro que esse esgotamento também vai suavizar no futuro, porque não vamos ficar o tempo inteiro na tela quando as coisas melhorarem. Mas enquanto instituição cultural, de fato estávamos defasados neste aspecto e vamos ter que pensar cada vez mais nas programações virtuais. Uma coisa que conseguimos, que na verdade foi anterior a pandemia, na gestão de Beth da Matta, foi fazer um perfil na plataforma do Google Arts and Culture, com uma curadoria de obras do acervo, um pouco da história do museu e uma visita virtual a algumas mostras. Mas ainda assim é algo que fica um pouco parado, porque não conseguimos atualizar sempre. Mas, certamente conseguimos ampliar nossas ações nas redes sociais e plataformas virtuais e, consequentemente, o diálogo com o nosso público. Hoje, nesse formato online, nossas oficinas, debates e cursos possibilitam a participação de pessoas de qualquer lugar, desde que tenham acesso a internet. Conseguimos também possibilitar formações para o público com profissionais – artistas, curadores, professores e arte-educadores de outras regiões do país. Teve também o foco nas redes sociais, porque é necessária essa aproximação, é um lugar onde as pessoas estão com frequência, têm intimidade, que ajuda até a tirar um pouco da formalidade no contato com a instituição. Mas sim, nós vamos continuar investindo e pensando nisso mesmo após a pandemia.

ARTE!✱ – Bom, no balanço que vocês fazem ao fim do primeiro ano da sua gestão, pouco antes do início da pandemia, vocês colocam algumas diretrizes básicas para o museu, que já estavam sendo cumpridas. Uma delas é a equidade de gênero, e isso diz respeito tanto à programação quanto ao próprio corpo de funcionários. Poderia falar um pouco desse caminho escolhido pelo museu, das motivações dessa decisão…
Bom, a gente vem de um processo de séculos de exclusão, não só em relação à questão da mulher. No nosso trabalho no museu, o início partiu de um olhar sobre o próprio acervo. Porque nós temos 1225 obras e desse total apenas 149 são de mulheres. Em termos de artistas, temos cerca de 340 e deles 89 são mulheres. É um percentual que ainda engana um pouco, mas na prática temos, entre muitos dos artistas homens, pequenas coleções, uma representação mais robusta, contra alguns poucos núcleos de obras de mulheres – como Tomie Ohtake, Tarsila do Amaral, Rosana Ricalde, Oriana Duarte e Juliana Notari. A maioria das artistas têm apenas uma ou duas obras no acervo. Há uma clara disparidade nesse sentido. Então partimos desse pensamento porque os dados sinalizavam isso.
E nesse processo vimos também a necessidade de nos debruçarmos sobre uma outra pesquisa, para mapear melhor esses artistas. Porque o que temos nos nossos registros de obras, nas fichas catalográficas, nos documentos de entrada, são dois blocos de informação: os dados dos artistas, com espaço para nome, nome artístico etc.; e os dados da obra em si, com título, materiais, dimensões etc. Mas isso só nos permitiu ler esse dado de gênero binariamente, a partir dos nomes. A partir de agora, portanto, a gente muda essa ficha de entrada, incluindo uma autodeclaração de gênero, de raça, de etnia, para que consigamos ter dados para outras pesquisas.
E esse olhar sobre o acervo nos fez pensar também sobre discussões atuais, que estão aí, dos diversos grupos que estão lutando por espaço, por direitos, pela possibilidade de ter espaço profissional, representação etc.
ARTE!✱ – Há também um trabalho de fortalecimento do acervo? Se sim, ele vai nesse sentido de trazer mais artistas mulheres e de grupos minorizados?
Temos sim. Inclusive os grupos de pesquisa já nos dão também essa base, esse norte para aquisições – mas as ações do museu também. Muita gente questiona como fazer para entrar no museu. O Mamam tem uma comissão curatorial, que foi instituída na gestão anterior à minha, de Beth da Matta, porque a gente acredita que ter uma discussão coletiva, entre várias pessoas, cria uma possibilidade maior de ampliação do acervo, não deixando passar coisas que às vezes fogem à visão de uma única pessoa.
Então a chegada de obras pode passar por essa comissão, mas o Mamam também está aberto para que os artistas entrem em contato e solicitem espaço ao museu. Obviamente a instituição não dá conta de toda uma produção da cidade, que é vasta, com muita gente jovem, mas seguimos atentos a isso, à essa produção contemporânea. Inclusive a galeria nasce, lá na década de 1980, de uma reivindicação de artistas que queriam lugar em que pudessem expor. Hoje a cidade tem diversos outros espaços, mas o Mamam segue sendo um lugar no qual muitas pessoas querem chegar – especialmente nesses últimos anos, no momento em que temos assistido a nossa cultura sofrer golpes de todos os tipos, perdendo financiamentos, editais, possibilidades de circulação, de aquisição de obras etc.
Até por isso, por essa carência de incentivos, desde 2019 o Mamam também organizou a ideia de um projeto inter-linguagens, em que o museu cede espaços – por exemplo, o auditório para ensaios de teatro. Entendendo que não só as linguagens das artes visuais, mas também outras linguagens artísticas perderam espaço, a gente vem se aproximando e fazendo projetos multidisciplinares ou de outras áreas artísticas, mesmo que o foco principal do museu siga sendo as artes visuais.

ARTE!✱ – Pensando nessa produção dos artistas locais, outra coisa que vocês afirmam naquele balanço, que me parece bastante relevante, é a necessidade de tornar o museu mais propositivo, mais capaz de montar exposições e projetos próprios, não apenas de receber coisas prontas. Por que isso não era possível e o que está sendo feito para mudar esse quadro?
A impossibilidade de o museu ser mais propositivo vem basicamente de uma questão financeira, quando a gente vem perdendo – não só localmente, mas nacionalmente – financiamentos. Isso diminui muito a nossa capacidade de proposição. Precisamos de um fortalecimento das instituições de um modo geral, mas claro que o museu também pensa para além de seus recursos próprios, buscando recursos que venham de editais e projetos contemplados nas mais diversas possibilidades.
ARTE!✱ – Por fim, eu queria fazer uma pergunta mais relacionada ao contexto político. Nós temos, já antes da pandemia, um governo federal que tem promovido fortes ataques ao setor cultural, tanto com cortes de recursos quanto com atitudes que beiram mesmo a censura. Enquanto instituição cultural, como é trabalhar neste contexto?
Tem sido bem difícil. A gente vê um projeto de enfraquecimento do setor, porque está muito claro que não é apenas desconhecimento, mas ações que são claramente de enfraquecimento de todos esses lugares. Entendo as diretrizes em relação à cultura e educação – e outras áreas- como parte do atual projeto de poder. O encurtamento do setor cultural vem sendo utilizado, nos últimos anos, como estratégia de dominação e controle de narrativas sociais. Foi extinto o Ministério da Cultura e foram também – e principalmente – enxugados drástica e sistematicamente os orçamentos destinados ao Fundo Nacional de Cultura, entre tantas outras ações de desmonte de iniciativas e conquistas importantes para o povo brasileiro.
A recente notícia do incêndio da Cinemateca Brasileira é um dos tantos exemplos do descaso com que o setor cultural e de como nossos acervos e história vêm sendo negligenciados e destruídos. Um projeto de retrocesso institucionalizado, que legitima constantes ataques a todos os pilares civilizatórios, desvirtua a motivação, a essência e a urgência da arte. É um projeto que está em processo e que tem conseguido, aparentemente, o que está previsto nele. A sensação é muito ruim. E embora a gente não esteja vinculado diretamente ao governo federal, tínhamos diversos mecanismos que faziam chegar recursos nos Estados e nas cidades.

ARTE!✱ – O atual secretário de Cultura, Mario Frias, já deixou claro que a aprovação dos projetos na Lei de Incentivo à Cultura será pautada (e já está sendo) por critérios ideológicos, de acordo com a linha do governo, e não mais através de comissões plurais como era feito até recentemente…
Para nós, fica ainda mais difícil, considerando que temos nos colocado nesse lugar de discutir a elitização dos espaços de arte, com temas que vão totalmente contra o que poderia ser essa visão de cultura do governo atual. E, de fato, a gente perde um pouco a energia, nós que estamos o tempo inteiro pensando em projetos, sonhando, se desdobrando para as coisas acontecerem…
ARTE!✱ – Eu gostaria de voltar para um ponto pelo qual passamos rapidamente, sobre o foco no trabalho educativo, que é nítido através de vários projetos e oficinas do museu. A ideia de participação, não apenas de contemplação, parece ganhar cada vez mais destaque no trabalho de diversas instituições culturais. Ou seja, pensar também não só no número de visitantes, mas na qualidade dessa visitação. Como essa questão é tratada no Mamam?
Sim, o trabalho educativo tem sido muito importante. Inclusive, diversos projetos surgem dos debates no educativo e estamos ampliando a atuação desse setor, no sentido também de se abrir mais para o diálogo com grupos da sociedade. Então tem sido uma construção coletiva que passa tanto pela formação da própria equipe quanto por ações que interessem as pessoas de fora, o público. Nós temos ainda projetos de interiorização, por exemplo, fora dos muros da instituição, tanto em comunidades de Recife quanto fora da cidade. E temos um projeto que está um pouco suspenso por enquanto, dado o contexto, mas é um sonho nosso, de fazer uma escola do museu, em que os projetos todos estejam atrelados de uma forma mais sistemática.
ARTE!✱ – Por fim, indo um pouco mais atrás no tempo, o Mamam é um museu com pouco mais de 20 anos. Não é exatamente novo, mas também não é um museu antigo, estabelecido há décadas. Como você acha que a instituição se inseriu no mapa cultural de Recife e qual a importância da instituição hoje na cidade e até mesmo no país?
Acho que é a própria história da instituição, a partir de outros gestores que passaram e que foram sedimentando o trabalho. O Mamam surgiu, em 1997, já com uma visão de se tornar um local em Recife que abrigaria importantes exposições do circuito nacional e internacional. Então o museu já nasceu como uma instituição que trazia exposições grandes, de Picasso, Rodin etc. É muito comum até hoje que as pessoas cheguem e digam: “Ah, eu vim aqui ver Rodin”. E isso marcou, por ser uma instituição em Recife, no Nordeste do Brasil, que entrou na rota das grandes exposições, e a gestão de Marcus Lontra foi, sem dúvida, bastante relevante nesse sentido, pois é um curador que tinha um acesso à produção internacional.. E se pensarmos na sequência das gestões, do Moacir, por exemplo, começou com um olhar sobre a produção local, mas depois fez circular também uma produção contemporânea nacional. Na sequência também a Beth da Matta voltou para uma produção mais local, até porque havia um apelo dos artistas locais de querer estar presentes ali naquele lugar. Então eu acredito que a forma como as ações foram se realizando, os projetos e programas que vêm sendo criados, os gestores e suas visões, foram criando um reconhecimento do Mamam não só na cidade, mas também internacionalmente.
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A Olho Nu, maior retrospectiva realizada pelo prestigiado artista brasileiro Vik Muniz chega ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia). Com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, A
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A Olho Nu, maior retrospectiva realizada pelo prestigiado artista brasileiro Vik Muniz chega ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia).
Com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, A Olho Nu reúne trabalhos fundamentais de diferentes fases da trajetória de Vik Muniz, reconhecido internacionalmente por sua capacidade de transformar materiais cotidianos em imagens de forte impacto visual e simbólico. Chocolate, açúcar, poeira, lixo, fragmentos de revista e arame são alguns dos elementos que integram seu vocabulário artístico e aproximam sua produção tanto da arte pop quanto da vida cotidiana. O público poderá acompanhar desde seus primeiros experimentos escultóricos até obras que marcam a consolidação da fotografia como eixo central de sua criação.
Entre os destaques, a exposição traz quatro peças inéditas ao MAC_Bahia, que não integraram a etapa de Recife: Queijo (Cheese), Patins (Skates), Ninho de Ouro (Golden Nest) e Suvenir nº 18. A mostra apresenta também obras nunca exibidas no Brasil, como Oklahoma, Menino 2 e Neurônios 2, vistas anteriormente apenas nos Estados Unidos.
A retrospectiva ocupa o MAC_Bahia e se expande para outros dois espaços da cidade: o ateliê do artista, no Santo Antônio Além do Carmo, que receberá encontros e visitas especiais, e a Galeria Lugar Comum, na Feira de São Joaquim, onde será exibida uma instalação inédita inspirada na obra Nail Fetish. Esta é a primeira vez que Vik Muniz apresenta um trabalho no local, reforçando o diálogo entre sua produção e territórios populares de Salvador.
Exposição A Olho Nu, de Vik Muniz, no Museu de Arte Contemporânea. Foto: Vik Muniz
Apontada como fundamental para compreender a transição do artista do objeto para a fotografia, a série Relicário (1989–2025) recebe o visitante logo na entrada do MAC_Bahia. Não exibida desde 2014, ela apresenta esculturas tridimensionais que ajudam a entender a virada conceitual de Muniz, quando o artista percebeu que podia construir cenas pensadas exclusivamente para serem fotografadas, movimento que redefiniu sua carreira internacional.
Para o curador Daniel Rangel, também diretor do MAC_Bahia, a chegada de A Olho Nu tem significado especial. “Essa é a primeira grande retrospectiva dedicada ao trabalho de Vik Muniz, com um recorte pensado para criar um diálogo entre suas obras e a cultura da região”, afirma.
A chegada da retrospectiva a Salvador também fortalece a parceria entre o IPAC e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), responsável pela realização da mostra e em processo avançado de implantação de sua unidade no Palácio da Aclamação, prédio histórico sob gestão do Instituto. Antes mesmo de abrir suas portas oficialmente na Bahia, o CCBB Salvador já vem promovendo ações culturais na capital, entre elas a apresentação da maior exposição dedicada ao artista.
Para receber A Olho nu, o IPAC e o MAC_Bahia mobilizam uma estrutura completa que inclui serviços de manutenção, segurança, limpeza, iluminação museológica e logística operacional, além da atuação da equipe de mediação e das ações educativas voltadas para escolas, universidades, grupos culturais e visitantes em geral. A expectativa é de que o museu receba cerca de 400 pessoas por dia durante o período da mostra, consolidando o MAC_Bahia como um dos principais equipamentos de circulação de arte contemporânea no Nordeste. Não por acaso, o Museu está indicado entre as melhores instituições de 2025 pela Revista Continente.
Com acesso gratuito e programação educativa contínua, A Olho Nu deve movimentar intensamente a agenda cultural de Salvador nos próximos meses. A exposição oferece ao público a oportunidade de mergulhar na obra de um dos artistas brasileiros mais celebrados da atualidade e de experimentar diferentes etapas de seu processo criativo, reafirmando o MAC_Bahia como referência na promoção de grandes mostras nacionais e internacionais.
Serviço
Exposição | A Olho Nu
De 13 de dezembro a 29 de março
Terça a domingo, das 10h às 20h
Período
Local
MAC Bahia
Rua da Graça, 284, Graça – Salvador, BA
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Telúricos, exposição coletiva com curadoria de Ana Carolina Ralston que reúne 16 artistas para investigar a força profunda da matéria terrestre
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Telúricos, exposição coletiva com curadoria de Ana Carolina Ralston que reúne 16 artistas para investigar a força profunda da matéria terrestre e as relações viscerais entre o corpo humano e o corpo da Terra. A mostra fundamenta-se no conceito de imaginação telúrica, inspirado pelo filósofo Gaston Bachelard, para explorar como a arte pode escavar superfícies e tocar o que há de mais denso e vibrante na natureza e na tecnologia. A exposição propõe um deslocamento do olhar ocular-centrista, convidando o público a uma experiência multissensorial que atravessa o olfato, a audição e a tactilidade. Como afirma a curadora, “a imaginação telúrica cava sempre em profundidade, não se contentando com superfícies”. Em Telúricos, a Terra deixa de ser um cenário passivo para tornar-se protagonista e ator político, transformando nossos modos de habitar.
A seleção curatorial estabelece um diálogo entre nomes históricos da Land Art e vozes contemporâneas, onde a matéria deixa de ser suporte para se tornar corpo e voz. Richard Long representa a tradição da intervenção direta no território, enquanto artistas como Brígida Baltar apresentam obras emblemáticas, como Enterrar é plantar, que reforçam o ciclo de vida e renascimento da matéria. A mostra conta ainda com a presença de Isaac Julien, Not Vital e uma obra em ametista de Amelia Toledo, escolhida por sua ressonância mineral e espiritual. A instalação de C. L. Salvaro simula o interior da Terra através de uma passagem experimental de tela e plantio, evocando arqueologia e memória, enquanto a artista Amorí traz pinturas e esculturas que narram a metamorfose de seu corpo e sua história. A dimensão espiritual e a transitoriedade indígena são exploradas por Kuenan Mayu, que utiliza pigmentos naturais, enquanto Alessandro Fracta, aciona mundos ancestrais e ritualísticos ao realizar trabalhos com bordados em fibra de juta.
A experiência sensorial é um dos pilares da mostra, conduzida especialmente pelo trabalho de Karola Braga, cujas esculturas em cera de abelha exalam os aromas da natureza. Na vitrine da galeria, a estrutura dourada Perfumare, libera fumaça, mimetizando os vapores exalados pelos vulcões, expressão radical da capacidade do planeta de alterar-se, de reinventar sua forma e de impor ritmos. A cosmologia e a sonoridade também se fazem presentes com os neons de Felippe Moraes, que desenham constelações de signos terrestres como Touro, Virgem e Capricórnio, e a dimensão sonora de Denise Alves-Rodrigues. O percurso completa-se com os móbiles da série “Organoide” de Lia Chaia, as paisagens imaginativas de Ana Sant’anna, a materialidade de Flávia Ventura e as investigações sobre a natureza de Felipe Góes. Cada obra funciona como um documento de negociação com o planeta, onde o chão que pisamos também protesta e fala.
Serviço
Exposição | Dada Brasilis
De 05 de fevereiro a 12 de março
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Nara Roesler - SP
Avenida Europa, 655, São Paulo - SP
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Primeira exposição individual de Daniel Barreto na Bahia. Nascido no Rio de Janeiro, o artista apresenta pela primeira vez seu trabalho ao público soteropolitano. O título da mostra, inspirado em uma
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Primeira exposição individual de Daniel Barreto na Bahia. Nascido no Rio de Janeiro, o artista apresenta pela primeira vez seu trabalho ao público soteropolitano.
O título da mostra, inspirado em uma frase do romance Capitães de Areia, de Jorge Amado, orienta uma leitura sensível sobre corpo, território e memória, sob curadoria de Victor Gorgulho.
A exposição ocupa o espaço projetado por Lina Bo Bardi como anexo ao Teatro Gregório de Mattos, em diálogo direto com a paisagem urbana da Praça Castro Alves e a Baía de Todos-os-Santos.
Serviço
Exposição | Pinóia
De 13 de janeiro a 28 de fevereiro
Quarta a Domingo, das 14h às 21h
Período
Local
Teatro Gregório Mattos - Galeria da Cidade
Praça Castro Alves, s/n, Centro, Salvador - BA
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Com curadoria de Osmar Paulino, Marlon Amaro expõe Mirongar, mostra reúne obras centrais de sua trajetória, reconhecido por abordar de forma contundente temas como o racismo estrutural, o apagamento da
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Com curadoria de Osmar Paulino, Marlon Amaro expõe Mirongar, mostra reúne obras centrais de sua trajetória, reconhecido por abordar de forma contundente temas como o racismo estrutural, o apagamento da população negra e as dinâmicas históricas de violência e subserviência impostas a corpos negros.
Serviço
Exposição | Mirongar
De 13 de janeiro a 21 de março
Quarta a Domingo, das 14h às 21h
Período
Local
Casa do Benin
Rua Padre Agostinho Gomes, 17 - Pelourinho, Salvador - BA
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A Galeria Zipper, em São Paulo, recebe a 17ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria, promovido pelo portal Mapa das Artes. A exposição com obras de onze artistas, dez
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A Galeria Zipper, em São Paulo, recebe a 17ª edição do Salão dos Artistas Sem Galeria, promovido pelo portal Mapa das Artes. A exposição com obras de onze artistas, dez que foram selecionados e ainda o contemplado com o Prêmio Estímulo Fora do Eixo. Este ano foram 371 inscrições, o que representa um aumento de 22% no número inscrições recebidas para a mostra de 2025.
Nesta edição, foram selecionados Bernardo Liu (RJ), Dani Shirozono (MG/SP), Demir (DF), Isabela Vatavuk (SP), Mariana Riera (RS), Paulo Valeriano (DF), Rafael Santacosta (SP), Romildo Rocha (MA), Shay Marias (RJ/SP) e Timóteo Lopes (BA).
O Salão concedeu, ainda este ano, o Prêmio Estímulo Fora do Eixo, no valor de R$ 1.000,00, direcionado a um artista não selecionado e residente fora do eixo Rio-São Paulo. O premiado foi Pedro Kubitschek (MG). O júri de seleção foi formado pelo produtor e curador independente Alef Bazilio; pelo artista, curador e professor universitário Diogo Santos Bessa e pelo jornalista, crítico e curador independente Mario Gioia. Ao final da exposição, três entre os artistas selecionados serão premiados com valores de R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1 mil.
O Salão dos Artistas Sem Galeria tem como objetivo movimentar e estimular o circuito de arte logo no início do ano. Há 17 anos o evento avalia, exibe, documenta e divulga a produção de artistas plásticos que não tenham contratos verbais ou formais (representação) com qualquer galeria de arte na cidade de São Paulo. O Salão abre o calendário de artes em São Paulo e é uma porta de entrada para esses artistas no concorrido circuito comercial das artes no país.
O Salão dos Artistas Sem Galeria tem concepção e organização de Celso Fioravante, assistência de Lucas Malkut e projeto gráfico de Cláudia Gil (Estúdio Ponto).
Artistas selecionados na 17ª edição (por ordem de inscrição)
Timóteo Lopes – BA: @timoteolopes_
Mariana Riera – RS: @marianariera82
Romildo Rocha – MA: @rocha.abencoado
Isabela Vatavuk – SP: @isabelavatavuk
Rafael Santacosta – SP: @santacosta.art
Paulo Valeriano – DF: @paulovalerianopaulovaleriano
Shay Marias – RJ/SP: @shaymarias
Dani Shirozono – MG/SP: @danishirozono
Demir – DF: @demirartesplastica
Bernardo Liu – RJ: @bernardoliu
Pedro Kubitschek – MG (Prêmio Estímulo Fora do Eixo): @pedrodinizkubitschek
Serviço
Exposição coletiva | 17º Salão dos Artistas sem Galeria
De 17 de janeiro a 28 de fevereiro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h ás 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
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Em sua prática, a artista franco-brasileira Julia Kater investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da
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Em sua prática, a artista franco-brasileira Julia Kater investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da imagem por meio do recorte e da justaposição. Na fotografia, Kater parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas sim, resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe do mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido. Nas colagens, o gesto do recorte ganha corpo. Fragmentos de fotografias são manualmente cortados, sobrepostos e organizados em camadas que criam passagens visuais marcadas por transições sutis de cor. Esses acúmulos evocam variações de luz, atmosferas e a própria passagem do tempo através de gradações cromáticas.
Na individual Duplo, Julia Kater apresenta trabalhos recentes, desenvolvidos a partir da pesquisa realizada durante sua residência artística em Paris. “Minha pesquisa se concentra na paisagem e na forma como a cor participa da construção da imagem – ora como elemento acrescentado à fotografia, ora como algo que emerge da própria superfície. Nas colagens, a paisagem é construída por recortes, justaposições e gradações de cor. Já nos trabalhos em tecido, a cor atua a partir da própria superfície, por meio do tingimento manual, atravessando a fotografia impressa. Esses procedimentos aprofundam a minha investigação sobre a relação entre a paisagem, a cor e a superfície”, explica a artista.
Em destaque, duas obras que serão exibidas na mostra: uma em tecido que faz parte da nova série e um díptico inédito. Corpo de Pedra (Centauro), 2025, impressão digital pigmentária sobre seda tingida à mão com tintas a base de plantas e, Sem Título, 2025, colagem com impressão em pigmento mineral sobre papel matt Hahnemüle 210g, díptico com dimensão de 167 x 144 cm cada.
A artista comenta: “dou continuidade às colagens feitas a partir do recorte de fotografia impressa em papel algodão e passo a trabalhar com a seda também como suporte. O processo envolve o tingimento manual do tecido com plantas naturais, como o índigo, seguido da impressão da imagem fotográfica. Esse procedimento me interessa por sua proximidade com o processo fotográfico analógico, sobretudo a noção de banho, de tempo de imersão e de fixação da cor na superfície”. Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que fica em cartaz até 07 de março de 2026.
Serviço
Exposição | Julia Kater: Duplo
De 22 de janeiro a 07 de março
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Período
Local
Simões de Assis
Al. Lorena, 2050 A, Jardins - São Paulo - SP
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A Galatea tem o prazer de apresentar Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura, primeira individual do artista paulistano Guilherme Gallé (1994, São Paulo), na unidade da galeria na
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A Galatea tem o prazer de apresentar Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura, primeira individual do artista paulistano Guilherme Gallé (1994, São Paulo), na unidade da galeria na rua Padre João Manuel. A mostra reúne mais de 20 pinturas inéditas, realizadas em 2025, e conta com texto crítico do curador e crítico de arte Tadeu Chiarelli e com texto de apresentação do crítico de arte Rodrigo Naves.
A exposição apresenta um conjunto no qual Gallé revela um processo contínuo de depuração: um quadro aciona o seguinte, num movimento em que cor, forma e espaço se reorganizam respondendo uns aos outros. Situadas no limiar entre abstração e sugestão figurativa, suas composições, sempre sem título, convidam à lenta contemplação, dando espaço para que o olhar oscile entre a atenção ao detalhe e ao conjunto.
Partindo sempre de um “lugar” ou pretexto de realidade, como paisagens ou naturezas-mortas, mas sem recorrer ao ponto de fuga renascentista, Gallé mantém a superfície pictórica deliberadamente plana. As cores tonais, construídas em camadas, estruturam o plano com uma matéria espessa, marcado por incisões, apagamentos e pentimentos, que dão indícios do processo da pintura ao mesmo tempo que o impulsionam.
Entre as exposições das quais Guilherme participou ao longo de sua trajetória, destacam-se: Joaquín Torres García – 150 anos, (Coletiva, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, São Paulo / Brasília / Belo Horizonte, 2025–2026); Ponto de mutação (Coletiva, Almeida & Dale, São Paulo, 2025); O silêncio da tradição: pinturas contemporâneas (Coletiva, Centro Cultural Maria Antonia, São Paulo, 2025); Para falar de amor (Coletiva, Noviciado Nossa Senhora das Graças Irmãs Salesianas, São Paulo, 2024); 18º Território da Arte de Araraquara (2021); Arte invisível (Coletiva, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, 2019); e Luiz Sacilotto, o gesto da razão (Coletiva, Centro Cultural do Alumínio, São Paulo, 2018).
Serviço
Exposição | Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura
De 22 de janeiro a 07 de março
Segunda a quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, Sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galatea Padre João Manuel
R. Padre João Manuel, 808, Jardins – São Paulo - SP
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A artista Luiza Sigulem inaugura sua segunda exposição individual, Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro, com abertura marcada para o dia 24 de janeiro de 2026, no Ateliê397, em
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A artista Luiza Sigulem inaugura sua segunda exposição individual, Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro, com abertura marcada para o dia 24 de janeiro de 2026, no Ateliê397, em São Paulo. Reunindo um conjunto inédito de trabalhos, a mostra, com curadoria de Juliana Caffé, tensiona a relação entre corpo, arquitetura e o tempo, propondo o deslocamento como uma operação de ajuste e reflexão crítica.
O projeto toma a instabilidade como condição que reorganiza a relação entre corpo e arquitetura, produzindo um tempo que não coincide com a lógica da eficiência. Em sintonia com a teoria Crip (termo reapropriado de cripple que nomeia práticas que deslocam o “corpo padrão”) e o conceito de crip time — uma temporalidade que acolhe pausas, ritmos variáveis e o não-alinhamento com o relógio produtivista —, o trabalho de Sigulem afirma a diferença não como exceção, mas como método.
“Ao longo do meu processo, a falta de acessibilidade se manifestou no tempo necessário para lidar com pequenos e grandes obstáculos e na atenção exigida por ajustes mínimos que se acumularam de forma quase imperceptível,” declara a artista. “Essa experiência deslocou a ideia de eficiência e aproximou minha produção de uma noção de tempo expandido, no qual o ritmo do corpo não coincide com a expectativa normativa da reprodução capitalista. É nesse descompasso que o meu trabalho se constrói.”
O projeto, que incorpora pela primeira vez vídeo-performances, intervenções e uma escultura em diálogo com a fotografia, marca um momento de expansão na trajetória da artista e coloca a acessibilidade no centro da construção estética e poética. Também tensiona a invisibilidade de uma parcela expressiva da população: segundo dados da PNAD Contínua 2022 (IBGE), o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, das quais aproximadamente 3,4 milhões apresentam deficiência física nos membros inferiores, contingente que enfrenta diariamente as barreiras arquitetônicas discutidas na mostra.
Arquitetura e poética: uma inversão expositiva
O projeto nasce de um dado incontornável do contexto paulistano: a dificuldade estrutural de encontrar espaços expositivos capazes de acolher a investigação da artista de forma coerente com suas questões. Diante da inexistência de alternativas viáveis e dos prazos institucionais, a mostra abraçou esse limite como parte do projeto, transformando-o em campo de reflexão.
“A escolha do Ateliê397 como sede da exposição responde a esse contexto. Enquanto espaço independente, ele oferece uma abertura conceitual e um campo real de negociação para a construção deste projeto,” comenta a curadora Juliana Caffé. “Situado na Travessa Dona Paula, em uma área marcada por importantes equipamentos culturais igualmente limitados em termos de acessibilidade, o espaço é incorporado pela exposição como elemento ativo, deixando de operar como suporte neutro para integrar arquitetura, circulação e entorno ao campo de discussão proposto.”
Diante dos limites arquitetônicos do Ateliê, Sigulem não trata a falta de acessibilidade como obstáculo a ser corrigido, mas como condição a ser trabalhada criticamente. A expografia opera uma inversão deliberada: em vez de adaptar o espaço a um padrão normativo, é o público que se vê levado a recalibrar seu corpo diante de passagens reduzidas e escalas deslocadas.
Nesse sentido, a mostra apresenta uma instalação, desenvolvida pela artista em colaboração com a dupla de arquitetos Francisco Rivas e Rodrigo Messina, que reúne dispositivos de acessibilidade e permanência pensados como parte constitutiva da obra. A intervenção reorganiza a recepção: a porta e o batente foram deslocados para permitir abertura total (180°); bancos e banquinhos foram distribuídos para acolher o repouso; e almofadas nos bancos externos estendem a experiência para o entorno.
A radicalidade da proposta reflete-se na ocupação institucional: a lateral da escada, que conduz a um segundo andar inacessível para pessoas com deficiência, foi convertida em uma pequena biblioteca de teoria Crip. “Durante a mostra, o Ateliê397 aceitou tornar o andar superior inoperável, suspendendo seu uso como sala de projeção para tornar explícito o limite arquitetônico em vez de ocultá-lo. E, como desdobramento externo, o projeto inclui a produção e doação de rampas móveis sob medida para espaços culturais vizinhos na vila, provocando o circuito a pensar coletivamente suas condições de acesso”, pontua Caffé.
O projeto se alinha a debates contemporâneos que buscam a visibilidade sem captura, onde o trabalho opera por sensação, ritmo e microeventos corporais que não se reduzem a uma imagem “explicativa” ou a um conteúdo de fácil consumo. Trata-se de uma abordagem que reconhece o acesso como estética e a deficiência como um diagnóstico do espaço e das normas. Dessa forma, curadoria e expografia tornam-se parte ativa do trabalho. Textos em Braille, audiodescrição e fototátil acompanham a exposição, cujo funcionamento e mediação incorporam a contratação de pessoas PcD, respeitando diferentes tempos de circulação.
Além disso, todos os dispositivos da mostra foram realizados com materiais simples e de baixo custo, afirmando a possibilidade de construir formas de acolhimento mesmo em arquiteturas que não atendem plenamente às normas legais.
Corpo em negociação: vídeo, escultura e fotografia
Se em trabalhos anteriores Sigulem convidava o outro a se ajustar a determinadas escalas, a exemplo da série Jeito de Corpo (2024), nesta individual a artista coloca o próprio corpo no centro da experiência. Diferentes obras exploram esse deslocamento de perspectiva, ora propondo situações em que o público é levado a reorientar sua percepção espacial, ora acompanhando a artista em gestos de negociação contínua com o espaço.
Os vídeos partem de releituras de performances históricas, realizadas a partir do corpo da artista e atravessadas por questões de gênero e potência. As ações não buscam fidelidade ao gesto original, mas operam como tradução situada, na qual cada movimento carrega a marca de um ajuste necessário. A câmera acompanha o processo sem corrigir o desvio, permitindo que a falha e o esforço permaneçam visíveis.
É o caso da série inédita Rampas (2025), um conjunto de vinte fotografias derivadas do vídeo-performance Painting (Retoque) (a partir de Francis Alÿs). No vídeo, a artista marca com tinta amarela pontos das ruas de São Paulo onde deveriam existir rampas de acesso, evidenciando ausências de acessibilidade na paisagem urbana. As fotografias isolam esses gestos e vestígios, transformando a ação performática em imagens que registram a fricção entre corpo, cidade e infraestrutura.
Ao adotar como referência a altura do campo visual de uma pessoa cadeirante, a exposição desloca a escala normativa do espaço expositivo e introduz um regime de percepção em que o corpo não se ajusta à arquitetura, mas a arquitetura se torna índice de seus limites.
Uma escultura pontua o espaço, testando limites entre função e falha e questionando estruturas pensadas para orientar o movimento. Em uma instalação, um vídeo dedicado à imagem da queda articula sua repetição como experiência física e simbólica. Em conjunto, as obras sugerem que toda trajetória é atravessada por desvios, pausas e negociações, e que a menor distância entre dois pontos, raramente se apresenta como linha reta.
A exposição Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro integra o projeto Jeito de Corpo, contemplado no EDITAL FOMENTO CULTSP PNAB Nº 25/2024, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Estado de São Paulo.
Serviço
Exposição | Manual para percorrer a menor distância de um ponto a outro
De 24 de janeiro a 28 de fevereiro
Quarta a sábado, das 14h às 18h
Período
Local
Ateliê397
Travessa Dona Paula, 119A – Higienópolis, São Paulo - SP
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do artista Daniel Buren (1938, Boulogne-Billancourt), realizado em parceria com a Galeria Nara Roesler. Iniciado em 1975, o trabalho transforma velas de barcos em suportes de arte, deslocando o olhar do espectador e ativando o espaço ao redor por meio do movimento, da cor e da forma. Ao longo de cinco décadas, o projeto foi apresentado em cidades como Genebra, Lucerna, Miami e Minneapolis, sempre em diálogo direto com a paisagem e o contexto locais.
Concebida originalmente em Berlim, em 1975, Voile/Toile – Toile/Voile destaca o uso das listras verticais que Daniel Buren define como sua “ferramenta visual”. O próprio título da obra explicita o deslocamento proposto pelo artista ao articular dois campos centrais do modernismo do século 20 — a pintura abstrata e o readymade —, transformando velas de barcos em pinturas e ampliando o campo de ação da obra para além do espaço expositivo.
“Trata-se de um trabalho feito ao ar livre e que conta com fatores externos e imprevisíveis, como clima, vento, visibilidade e posicionamento das velas e barcos, de modo que, ainda que tenha sido uma ação realizada dezenas de vezes, ela nunca é idêntica, tal qual uma peça de teatro ou um ato dramático”, disse Daniel Buren, em conversa com Pavel Pyś, curador do Walker Art Center de Minneapolis, publicada pelo museu em 2018.
No dia 24 de janeiro, a ação tem início com uma regata-performance na Baía de Guanabara. Onze veleiros da classe Optimist partem da Marina da Glória e percorrem o trajeto até a Praia do Flamengo, equipados com velas que incorporam as listras verticais brancas e coloridas criadas por Buren. Em movimento, as velas se convertem em intervenções artísticas vivas, ativando o espaço marítimo e o cenário do Rio como parte constitutiva da obra. O público poderá acompanhar a ação desde a orla, e toda a performance será registrada.
Após a conclusão da regata, as velas serão deslocadas para o foyer do MAM Rio, onde passarão a integrar a exposição derivada da regata, em cartaz de 28 de janeiro a 12 de abril de 2026. Instaladas em estruturas autoportantes, as onze velas – com 2,68 m de altura (2,98 m com a base) – serão dispostas no espaço de acordo com a ordem de chegada da regata, seguindo o protocolo estabelecido por Buren desde as primeiras edições do projeto. O procedimento preserva o vínculo direto entre a performance e a exposição, e evidencia a transformação das velas de objetos utilitários em objetos artísticos. A expografia é assinada pela arquiteta Sol Camacho.
“Desde os anos 1960, Buren desenvolve uma reflexão crítica sobre o espaço e as instituições, sendo um dos pioneiros da arte in situ e da arte conceitual. Embora Voile/Toile – Toile/Voile tenha circulado por diversos países ao longo dos últimos 50 anos, esta é a primeira vez que a obra é apresentada no Brasil. A proximidade do MAM Rio com a Baía de Guanabara, sua história na experimentação e sua arquitetura integrada ao entorno fazem do museu um espaço particularmente privilegiado para a obra do artista”, comenta Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio.
Ao prolongar no museu uma experiência iniciada no mar, Voile/Toile – Toile/Voile estabelece uma continuidade entre a ação na Baía de Guanabara e sua apresentação no espaço expositivo do MAM Rio, integrando paisagem, arquitetura e percurso em uma mesma experiência artística.
“A maneira como Buren tensiona a relação da arte com espaços específicos, principalmente com os espaços públicos, é fundamental para entender a história da arte contemporânea. E essa peça Voile/Toile – Toile/Voile, que começa na Baía de Guanabara e que chega aos espaços internos do museu, é um exemplo perfeito dessa prática”, comenta Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.
Em continuidade ao projeto, a Nara Roesler Books publicará uma edição dedicada à presença de Daniel Buren no Brasil, reunindo ensaios críticos e documentos da realização de Voile/Toile – Toile/Voile no Rio de Janeiro, em 2026.
Serviço
Exposição | Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela)
De 28 de janeiro a 12 de abril
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h
Período
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste, Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste,
Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a coletiva propõe uma interlocução entre os programas das galerias ao explorar as afinidades entre os artistas Montez Magno (1934, Pernambuco), Mari Ra (1996, São Paulo), Zé di Cabeça (1974, Bahia), Fabio Miguez (1962, São Paulo) e Adenor Gondim (1950, Bahia). A mostra propõe um olhar ampliado para as arquiteturas vernaculares que marcam o Nordeste: fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de feiras e festas e estruturas efêmeras que configuram a paisagem social e cultural da região.
Nesse conjunto, Fabio Miguez investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas enquanto Zé di Cabeça transforma registros das platibandas do subúrbio ferroviário soteropolitano em pinturas. Mari Ra reconhece afinidades entre as geometrias que encontrou em Recife e Olinda e aquelas presentes na Zona Leste paulistana, revelando vínculos construídos pela migração nordestina. Já Montez Magno e Adenor Gondim convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste, Magno pela via da abstração geométrica presentes nas séries Barracas do Nordeste (1972-1993) e Fachadas do Nordeste (1996-1997) e Gondim pelo registro fotográfico das barracas que marcaram as festas populares de Salvador.
A parceria entre as galerias se dá no aniversário de 2 anos da Galatea em Salvador e reforça o seu intuito de fazer da sede na capital baiana um ponto de convergência para intercâmbios e trocas entre artistas, agentes culturais, colecionadores, galerias e o público em geral.
Serviço
Exposição | Barracas e fachadas do nordeste
De 30 de janeiro a 30 de maio
Terça – quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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A Pinacoteca de São Bernardo do Campo apresenta, entre os dias 31 de janeiro e 28 de março de 2026, uma exposição individual do artista Daniel Melim (São Bernardo do Campo, SP – 1979). Com curadoria assinada pelo
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A Pinacoteca de São Bernardo do Campo apresenta, entre os dias 31 de janeiro e 28 de março de 2026, uma exposição individual do artista Daniel Melim (São Bernardo do Campo, SP – 1979). Com curadoria assinada pelo pesquisador e especialista em arte pública Baixo Ribeiro e produção da Paradoxa Cultural, a mostra Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim reúne um conjunto de 12 obras – dentre elas oito trabalhos inéditos.
A exposição apresenta uma verdadeira introspectiva do trabalho de Daniel Melim – um mergulho em seu processo criativo a partir do olhar de dentro do ateliê. Ao lado de obras que marcaram sua trajetória, o público encontrará trabalhos inéditos que apontam novos caminhos em sua produção. Entre os destaques, uma pintura em grande formato — 2,5m x 12m — e um mural coletivo que será produzido ao longo da mostra.
Com obras em diferentes formatos e dimensões – pinturas em telas, relevos, instalação, cadernos, elementos do ateliê do artista -, a mostra aborda o papel da arte urbana na construção de identidades coletivas, a ocupação simbólica dos espaços públicos e o desafio de trazer essas linguagens para o contexto institucional, sem perder seu caráter de diálogo com a comunidade.
O recorte proposto pela curadoria de Baixo Ribeiro conecta passado e presente, mas principalmente, evidencia como Melim transforma referências visuais do cotidiano em obras que geram reflexão crítica, possibilitando criar pontes entre o espaço público e o institucional.
A expografia de “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” foi pensada como um ateliê expandido, com o intuito de aproximar o público do processo criativo de Melim. Dentro do espaço expositivo, haverá um mural colaborativo, no qual os visitantes poderão experimentar técnicas como stencil e lambe-lambe. Essa iniciativa integra a proposta educativa da mostra e transforma o visitante em coautor, fortalecendo a relação entre público e obra.
“Sempre me interessei pela relação entre a arte e o espaço urbano. O stencil foi minha primeira linguagem e continua sendo o ponto de partida para criar narrativas visuais que dialogam com a vida cotidiana. Essa mostra é sobre esse diálogo: cidade, obra e público”, explica Daniel Melim.
Artista visual e educador, reconhecido como um dos principais nomes da arte urbana brasileira, Daniel Melim iniciou sua trajetória artística no final dos anos 1990 com grafite e stencil nas ruas do ABC Paulista. Desenvolve uma pesquisa autoral sobre o stencil como meio expressivo, resgatando sua importância histórica na formação da street art no Brasil e expandindo seus potenciais pictóricos para além do espaço público. Sua produção se caracteriza pelo diálogo entre obra, arquitetura e cidade, frequentemente instalada em áreas em processo de transformação urbana.
“Essa exposição individual é uma forma de me reconectar com o lugar onde tudo começou. São Bernardo do Campo foi minha primeira escola de arte – não apenas pela faculdade, mas pela rua, pelos muros, pelas greves que eu vi quando ainda era criança. Essa experiência formou a minha visão de mundo. Trazer esse trabalho de volta, no espaço da Pinacoteca, é como abrir o meu ateliê para a cidade que tanto me acolheu e me fez crescer”, comenta.
Os stencils, o imaginário gráfico da publicidade, críticas à sociedade de consumo e ao cotidiano urbano são marcas do trabalho de Melim. Cores chapadas, sobreposições e composições equilibradas são algumas das características que aparecem tanto nas obras históricas de Daniel Melim, quanto em novos trabalhos que o artista está produzindo para a individual. “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” é um convite para o visitante mergulhar e se aproximar do processo criativo do artista. A mostra fica em cartaz até o dia 28 de março de 2026.
A exposição “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” é realizada com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB); do Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo; do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Serviço
Exposição | Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim
De 31 de janeiro e 28 de março
Terça, das 9h às 20h; quarta a sexta, das 9h às 17h; sábado, das 10h às 16h
Período
Local
Pinacoteca de São Bernardo do Campo
Rua Kara, nº 105 - Jardim do Mar - São Bernardo do Campo - SP
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A Luciana Brito Galeria abre sua programação de 2026 com a exposição Ainda Bem, Atravessei as Nuvens, a segunda da artista Gabriela Machado na galeria. A mostra destaca pinturas inéditas
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A Luciana Brito Galeria abre sua programação de 2026 com a exposição Ainda Bem, Atravessei as Nuvens, a segunda da artista Gabriela Machado na galeria. A mostra destaca pinturas inéditas de maior dimensão – em diálogo com outras menores – realizadas entre 2024 e 2026, ocupando todo o espaço do Pavilhão. O texto crítico é assinado por Amanda Abi Khalil.
As crônicas do cotidiano, os cenários reais e oníricos, a temperatura e o brilho das cores, as sensações do dia a dia. Nada escapa ao crivo de um imaginário sensível que orienta o olhar de Gabriela Machado. A artista seleciona aquilo que lhe é mais atraente e o traduz para a linguagem pictórica. Neste conjunto de pinturas inéditas, produzidas nos últimos anos, ela articula fragmentos de histórias e memórias, além de cenas de paisagens captadas em viagens. Esses pequenos acontecimentos, cenas ou observações da vida, embora banais à primeira vista, ganham sentido, densidade e poesia quando reinterpretados pela artista.
Diferentemente de sua primeira exposição na galeria, realizada em 2024, as pinturas de Ainda Bem, Atravessei as Nuvens apresentam-se agora mais figurativas, revelando um jogo híbrido que articula não apenas a percepção imediata daquilo que o olhar alcança, mas também o imaginário e a memória da artista. O universo fantástico circense, por exemplo, surge em diversas obras, como Marambaia (2026) e Ainda Bem, Atravessei as Nuvens (2026), nas quais a figura do leão é retratada a partir de um repertório infantil compartilhado por sua geração.
Em outras pinturas de menor formato, aparecem paisagens que conjugam céu, vegetação e mar, assim como retratos de objetos e esculturas. Em todas elas, contudo, a artista enfatiza a luminosidade e o brilho, elementos que se impõem de imediato ao olhar do espectador e traduzem uma atmosfera de leveza e mistério deliberadamente construída. Já nas obras Largo do Machado (2026), Luzinhas (2014–2025) e Veronese (2013–2025), as luzes de Natal assumem o papel de protagonistas. Segundo explica a artista, o efeito luminoso é produzido deliberadamente durante o processo de produção: em uma primeira etapa ela trabalha com a tinta acrílica, para então finalizar com a tinta a óleo.
O fundo rosa observado em algumas pinturas, como em Ginger (2026), foi inspirado na tonalidade dos tapumes dos canteiros de obra. Outro detalhe também relevante é a moldura reproduzida pela artista em alguns trabalhos de menor formato, funcionando como uma extensão da pintura e contribuindo para a construção de uma maior profundidade espacial.
Serviço
Exposição | Ainda Bem, Atravessei as Nuvens
De 05 de fevereiro a 21 de março
Segunda, das 10h às 18h, terça a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 11h às 17h
Período
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A Gomide&Co tem o prazer de apresentar ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE, primeira individual de Antonio Dias (1944–2018) na galeria. Organizada em parceria com a Sprovieri, Londres, a partir de obras do artista preservadas
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A Gomide&Co tem o prazer de apresentar ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE, primeira individual de Antonio Dias (1944–2018) na galeria. Organizada em parceria com a Sprovieri, Londres, a partir de obras do artista preservadas por Gió Marconi, a exposição tem organização e texto crítico de Gustavo Motta e expografia de Deyson Gilbert.
A abertura acontece no dia 10 de fevereiro (terça-feira), às 18h, e a exposição segue em cartaz até 21 de março. Entre as obras em exibição, a exposição destaca sete pinturas pertencentes à Gió Marconi realizadas por Antonio Dias entre 1968 e 71, em seus anos iniciais em Milão, demarcando um momento importante na trajetória do artista.
No dia 14 de março (sábado), às 11h, haverá o lançamento de uma publicação que acompanha a mostra. Também com organização e texto de Gustavo Motta, a publicação apresenta o conjunto completo de obras do artista sob a guarda de Gió Marconi, além de documentação complementar sobre seu período de execução. Na ocasião do lançamento, haverá uma mesa redonda com a presença de Gustavo Motta, Sergio Martins e Lara Cristina Casares Rivetti. A mediação será de Deyson Gilbert.
Nascido em Campina Grande (PB) em 1944, Antonio Dias mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1957, onde iniciou sua carreira artística destacando-se com uma produção que logo foi associada à Pop Arte e à Nova Figuração. Em meados da década de 1960, o artista deixou o Brasil – em um contexto marcado pela Ditadura Militar – e seguiu para Paris, após receber uma bolsa do governo francês por sua participação na 4ª Bienal de Paris. Na Europa, o trabalho de Dias passou a apresentar uma configuração mais conceitual, chamando a atenção do galerista Giorgio Marconi (1930–2024), fundador do Studio Marconi (1965–1992) – espaço que desde seu início foi referência para a arte contemporânea de Milão.
Sob a representação da galeria, Dias decidiu fixar-se na cidade, onde manteve uma de suas residências até o final de sua vida. Lá, estabeleceu estreitas relações com artistas como Mario Schifano, Luciano Fabro, Alighiero Boetti e Giulio Paolini. As obras desse período, apresentadas na exposição, refletem a consolidação da linguagem conceitual do artista em seus primeiros anos na Europa, marcada pela precisão formal, com superfícies austeras combinadas a palavras, frases ou diagramas que operam como comentários autorreflexivos sobre o fazer artístico como atividade mental. O período antecipa – e em parte coincide – com a produção da série The Illustration of Art (1971–78), considerada uma das mais emblemáticas do artista.
As obras realizadas por Dias em Milão sintetizam uma virada decisiva na trajetória do artista, na qual a pintura se torna simultaneamente mais sóbria e mais reflexiva. Por meio de grandes campos monocromáticos, palavras isoladas e estruturas rigorosamente diagramadas, o artista reduz a imagem ao essencial e transforma o quadro em um espaço de pensamento. Conforme Motta esclarece, o que se vê é menos importante do que o que falta: a pintura passa a operar como um dispositivo aberto, que convoca o espectador a completar sentidos e a produzir imagens mentais. Ao incorporar procedimentos gráficos oriundos do design e da comunicação de massa, Dias desloca a pintura do terreno da representação para o da problematização, articulando, nas palavras do artista, uma “arte negativa” que reflete sobre o próprio estatuto da imagem e sobre o fazer artístico como atividade intelectual. Nesse conjunto, consolida-se uma linguagem em que a obra não oferece respostas, mas se apresenta como campo de tensão entre palavra, superfície e imaginação.
A mostra em São Paulo dá sequência à exposição apresentada pela Sprovieri, em Londres, em outubro de 2025, composta por obras do mesmo período – todas pertencentes à Gió Marconi, filho de Giorgio. À frente da Galleria Gió Marconi desde 1990, após ter trabalhado com o pai no espaço experimental para jovens artistas chamado Studio Marconi 17 (1987–1990), Gió também é responsável pela Fondazioni Marconi, fundada em 2004 com o propósito de dar sequência ao legado do antigo Studio Marconi.
Entre as obras apresentadas na exposição da Gomide&Co, figuram pinturas que estiveram presentes na individual inaugural de Antonio Dias no Studio Marconi, em 1969, que contou com texto crítico de Tommaso Trini, além da mais recente dedicada ao artista pela fundação, Antonio Dias – Una collezione, 1968–1976 (2017). A seleção também compreende obras que estiveram em outras ocasiões importantes da carreira do artista, como a histórica (e polêmica) Guggenheim International Exhibition de 1971 e a 34ª Bienal de São Paulo (2021).
A exposição na Gomide&Co também se destaca por oferecer um olhar mais contemporâneo para os primeiros anos de Dias em Milão. A galeria reuniu uma equipe jovem de renome no sentido de atualizar as perspectivas sobre a produção do artista no período. A começar pela organização, sob responsabilidade de Gustavo Motta, considerado atualmente um dos intelectuais da nova geração mais reconhecidos quando se trata de Antonio Dias, tendo assinado a curadoria de Antonio Dias / Arquivo / O Lugar do Trabalho no Instituto de Arte Contemporânea (IAC) em 2021, exposição baseada no acervo documental do artista pertencente à instituição. O projeto expográfico é do artista Deyson Gilbert, que foi responsável pela expografia da mostra curada por Motta no IAC. No caso da exposição na galeria, a proposta de Gilbert anseia refletir e dar continuidade ao processo estético próprio da produção de Dias no período.
Além das obras, a exposição apresenta também uma seleção inédita de documentos do Fundo Antonio Dias do acervo do IAC, com materiais que ainda não estavam disponíveis na instituição na época da exposição de 2021. Complementa a equipe o estúdio M-CAU, da artista Maria Cau Levy, responsável pelo projeto gráfico da publicação.
Reunindo obras históricas, documentação inédita e uma equipe que dialoga diretamente com o legado crítico de Antonio Dias, a exposição reafirma a atualidade e a complexidade da produção do artista no contexto internacional. ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE propõe não apenas uma revisão de um momento decisivo da trajetória de Dias, mas também uma leitura renovada de sua contribuição para a arte conceitual, evidenciando como as questões formuladas pelo artista no final dos anos 1960 seguem ressoando de maneira incisiva no debate contemporâneo.
Serviço
Exposição | ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE
De 10 de fevereiro a 21 de março
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Gomide & Co
Avenida Paulista, 2644 01310-300 - São Paulo - SP
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Prestes a completar 95 anos, Augusto de Campos publicou recentemente o livro “pós poemas” (2025), que reúne um conjunto de trabalhos, compreendido como um marco de síntese da evolução de
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Prestes a completar 95 anos, Augusto de Campos publicou recentemente o livro “pós poemas” (2025), que reúne um conjunto de trabalhos, compreendido como um marco de síntese da evolução de sua pesquisa poética. Produzidas ao longo das últimas duas décadas, as obras reunidas no volume deram origem a uma seleção transposta para o espaço da Sala Modernista da galeria, propondo uma experiência não apenas visual, mas também espacial, em diálogo com o ambiente projetado por Rino Levi. No contexto da exposição, os poemas deixam de ser apenas objetos de leitura para se afirmarem como experiências visuais e espaciais: letras tornam-se imagens, cores assumem função semântica, e a disposição gráfica instaura ritmos e tensões que solicitam uma percepção ativa do público.
O poema de Augusto de Campos não se organiza pela linearidade do verso, mas por campos de força visuais e sonoros que desafiam a leitura convencional. Resultantes de um processo iniciado pelo poeta ainda nos anos 1950, essas obras apresentam uma estrutura verbivocovisual, característica do Concretismo, na qual palavra, som, cor e forma se articulam de maneira indissociável. Ao mesmo tempo, incorporam recursos gráficos e digitais próprios do século XXI. Para além do amplo campo tecnológico oferecido pela computação gráfica, utilizada pelo artista desde o início dos anos 1990, Augusto de Campos também experimenta com elementos pontuais de seu contexto, com a ideogramática e a lógica matemática, além de procedimentos de intertextualidade que dialogam com referências como Marcel Duchamp, James Joyce e Fernando Pessoa, entre outros, bem como com estratégias associadas ao conceito de “ready-made”.
Nas obras Esquecer (2017) e Vertade (2021), a leitura deixa de ser linear e torna-se também perceptiva, quase física, exigindo do leitor um acompanhamento atento. Em Vertade, Augusto de Campos engana o olhar por meio da troca das letras D e T nas palavras antônimas verdade e mentira, instaurando um curto-circuito semântico que tensiona a confiança na leitura. Já em Esquecer, o artista promove a perda progressiva das palavras a partir de um poema preexistente, resgatado e inserido sobre a superfície de um céu nublado. À medida que atravessam as nuvens, os vocábulos se esmaecem e se confundem com a imagem, provocando um efeito de apagamento visual que se converte em reflexão sensível sobre memória, esquecimento e tempo. Este último, aliás, é também referência central do título da mostra, pós poemas, em que o termo “pós” carrega uma duplicidade semântica: indica tanto o depois quanto o plural de pó, matéria residual do que foi.
Serviço
Exposição | pós poemas
De 5 de fevereiro a 7 de março
Segunda, das 10 às 18h, terça a sexta, das 10 às 19h, sábado, das 11 às 17h
Período
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A Galeria Alma da Rua, localizada em um dos endereços mais emblemáticos da capital paulista, o Beco do Batman, abre a mostra “Entre Ideias e Quintais” de Enrique Tadeu Alves
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A Galeria Alma da Rua, localizada em um dos endereços mais emblemáticos da capital paulista, o Beco do Batman, abre a mostra “Entre Ideias e Quintais” de Enrique Tadeu Alves Ribeiro, mais conhecido como Rocket. Trata-se de uma exposição que traz dezenas de telas inéditas produzidas a partir da percepção do artista acerca de suas memórias afetivas e de sua vivência cotidiana.
As obras surgem como imagens vivas e recorrentes, que buscam traduzir sentimentos e experiências presentes em cada cena retratada. Dos botecos às ruas movimentadas em dia de jogo no campo da favela, passando pelo banho de tanque das crianças no quintal, como retrata a obra ‘Capitães’ na qual “crianças sozinhas se tornam capitães das brincadeiras”, explica o artista, cada trabalho revela fragmentos de uma memória coletiva marcada pela simplicidade, pela convivência e pela identidade do território.
Serviço
Exposição | Entre Ideias e Quintais
De 22 de fevereiro a 19 de março
Todos os dias das 10h às 18h
Período
Local
Galeria Alma da Rua II
Rua Medeiros de Albuquerque, 188 – Beco do Batman, Vila Madalena, São Paulo - SP
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma investigação estética e proposição política que contesta os modos históricos de construção do corpo negro, questionando paradigmas científicos, anatômicos e normativos que sustentaram, e ainda sustentam, estruturas de dominação racial.
A exposição parte da problematização sobre os processos de subjetividades negras que foram sistematicamente moldados pela exploração do trabalho, pela lógica capitalista de produção de valor e pela violência institucional. Nesse sentido, as obras constroem uma arena crítica que evidencia como essas engrenagens operam na manutenção de desigualdades e na naturalização da precarização da vida negra.
Reunindo desenhos e instalações, Greve Negra Já! tem curadoria de Renato Lopes (SP) e apresenta um conjunto de trabalhos que tensiona modelos hegemônicos de representação, contrapondo com outras formas de leitura do corpo, da existência e da experiência negra. As obras atuam como dispositivos de confronto, instaurando uma perspectiva que recusa padrões impostos e afirma a possibilidade de reorganização política.
A noção de greve, no contexto da exposição, é construída enquanto campo de atuação amplificados e peça-chave para pensarmos mudanças radicais. Mais do que suspensão, trata-se de um posicionamento ativo, um movimento estratégico de anulação das lógicas que transformam a exploração da população negra em norma. A mostra evidencia a centralidade da classe trabalhadora negra na produção de riqueza, ao mesmo tempo em que denuncia sua exclusão sistemática do acesso a essa riqueza.
Ao estabelecer um diálogo direto com os legados da escravização e suas atualizações contemporâneas, Greve Negra Já! se afirma como uma ação direta de afirmação coletiva. Com produção de Elaine Pinheiro, a exposição propõe ao público uma reflexão crítica sobre os vários mecanismos que condicionam a exploração do trabalho estritamente negro e convoca para a construção de uma consciência de classe orientada por uma perspectiva afrocentrada.
Programa educativo
Ao longo da exposição serão realizadas ações educativas para o público espontâneo. Estão previstas oficinas de desenho e uma formação específica para professores do ensino formal e não-formal, conduzida por Karenn Amorim, arte-educadora, graduada em Artes Plásticas e mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo, atualmente doutoranda em Artes pelo Programa de Pós-graduação em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição | Greve Negra Já!
De 24 de fevereiro a 26 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Museu de Arte do Espírito Santo (Maes)
Av. Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória - ES
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A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo.
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A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo. A mostra reúne pinturas íntimas, de pequena escala, sobre linho e latão, ao lado de obras de grandes dimensões sobre tecido, produzidas entre Nova York, onde a artista vive, e São Paulo, onde atualmente realiza uma residência na Casa Onze.
Wasserman investiga questões de intimidade, gênero e metamorfose, entrelaçando referências à pintura clássica e à cultura material com expressões contemporâneas da experiência queer. Trabalhando sobre tecidos e metais, a artista trata o suporte como participante ativo de cada composição. Óleo, silverpoint — traços obtidos pelo atrito da prata sobre uma superfície preparada — e processos químicos são aplicados de modo a permitir que oxidações, manchas e variações tonais emerjam e permaneçam visíveis. Sua abordagem da figuração evita a nitidez corporal ou contornos rigidamente definidos, privilegiando espaços amorfos onde formas flutuam e se dissolvem. Técnicas históricas são reimaginadas para dar origem a corpos e atmosferas mutáveis, ao mesmo tempo luminosos e sombrios, suspensos em um estado de emergência contínua.
Há tempos, Wasserman trabalha a natureza-morta como um modo de pensar visualmente, tratando os objetos como uma composição silenciosa, mais do que como uma exibição simbólica. Ela pinta arranjos florais e cenas de jardim, como em From the garden at the new squat (2026) [Do jardim da nova ocupação], em que o pigmento parece fundir-se à superfície metálica, conferindo às imagens uma profundidade quieta e ambiente. Em Still life with purple apple, empty bowl, lock rake (2026) [Natureza-morta com maçã roxa, tigela vazia, instrumento para destravar fechaduras], o instrumento introduz uma nota de acesso transgressivo, fazendo referência a experiências vividas da identidade trans e a modos de atravessar espaços para além de estruturas normativas.
Serviço
Exposição | Willa Wasserman: Purple apple
De 25 de fevereiro a 18 de abril
Terça a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galpão Fortes D’Aloia & Gabriel Jardins
Rua Barão de Capanema 343, Jardins – São Paulo - SP
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A Olho Nu, maior retrospectiva realizada pelo prestigiado artista brasileiro Vik Muniz chega ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia). Com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, A
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A Olho Nu, maior retrospectiva realizada pelo prestigiado artista brasileiro Vik Muniz chega ao Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia).
Com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, A Olho Nu reúne trabalhos fundamentais de diferentes fases da trajetória de Vik Muniz, reconhecido internacionalmente por sua capacidade de transformar materiais cotidianos em imagens de forte impacto visual e simbólico. Chocolate, açúcar, poeira, lixo, fragmentos de revista e arame são alguns dos elementos que integram seu vocabulário artístico e aproximam sua produção tanto da arte pop quanto da vida cotidiana. O público poderá acompanhar desde seus primeiros experimentos escultóricos até obras que marcam a consolidação da fotografia como eixo central de sua criação.
Entre os destaques, a exposição traz quatro peças inéditas ao MAC_Bahia, que não integraram a etapa de Recife: Queijo (Cheese), Patins (Skates), Ninho de Ouro (Golden Nest) e Suvenir nº 18. A mostra apresenta também obras nunca exibidas no Brasil, como Oklahoma, Menino 2 e Neurônios 2, vistas anteriormente apenas nos Estados Unidos.
A retrospectiva ocupa o MAC_Bahia e se expande para outros dois espaços da cidade: o ateliê do artista, no Santo Antônio Além do Carmo, que receberá encontros e visitas especiais, e a Galeria Lugar Comum, na Feira de São Joaquim, onde será exibida uma instalação inédita inspirada na obra Nail Fetish. Esta é a primeira vez que Vik Muniz apresenta um trabalho no local, reforçando o diálogo entre sua produção e territórios populares de Salvador.
Exposição A Olho Nu, de Vik Muniz, no Museu de Arte Contemporânea. Foto: Vik Muniz
Apontada como fundamental para compreender a transição do artista do objeto para a fotografia, a série Relicário (1989–2025) recebe o visitante logo na entrada do MAC_Bahia. Não exibida desde 2014, ela apresenta esculturas tridimensionais que ajudam a entender a virada conceitual de Muniz, quando o artista percebeu que podia construir cenas pensadas exclusivamente para serem fotografadas, movimento que redefiniu sua carreira internacional.
Para o curador Daniel Rangel, também diretor do MAC_Bahia, a chegada de A Olho Nu tem significado especial. “Essa é a primeira grande retrospectiva dedicada ao trabalho de Vik Muniz, com um recorte pensado para criar um diálogo entre suas obras e a cultura da região”, afirma.
A chegada da retrospectiva a Salvador também fortalece a parceria entre o IPAC e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), responsável pela realização da mostra e em processo avançado de implantação de sua unidade no Palácio da Aclamação, prédio histórico sob gestão do Instituto. Antes mesmo de abrir suas portas oficialmente na Bahia, o CCBB Salvador já vem promovendo ações culturais na capital, entre elas a apresentação da maior exposição dedicada ao artista.
Para receber A Olho nu, o IPAC e o MAC_Bahia mobilizam uma estrutura completa que inclui serviços de manutenção, segurança, limpeza, iluminação museológica e logística operacional, além da atuação da equipe de mediação e das ações educativas voltadas para escolas, universidades, grupos culturais e visitantes em geral. A expectativa é de que o museu receba cerca de 400 pessoas por dia durante o período da mostra, consolidando o MAC_Bahia como um dos principais equipamentos de circulação de arte contemporânea no Nordeste. Não por acaso, o Museu está indicado entre as melhores instituições de 2025 pela Revista Continente.
Com acesso gratuito e programação educativa contínua, A Olho Nu deve movimentar intensamente a agenda cultural de Salvador nos próximos meses. A exposição oferece ao público a oportunidade de mergulhar na obra de um dos artistas brasileiros mais celebrados da atualidade e de experimentar diferentes etapas de seu processo criativo, reafirmando o MAC_Bahia como referência na promoção de grandes mostras nacionais e internacionais.
Serviço
Exposição | A Olho Nu
De 13 de dezembro a 29 de março
Terça a domingo, das 10h às 20h
Período
Local
MAC Bahia
Rua da Graça, 284, Graça – Salvador, BA
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Telúricos, exposição coletiva com curadoria de Ana Carolina Ralston que reúne 16 artistas para investigar a força profunda da matéria terrestre
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Telúricos, exposição coletiva com curadoria de Ana Carolina Ralston que reúne 16 artistas para investigar a força profunda da matéria terrestre e as relações viscerais entre o corpo humano e o corpo da Terra. A mostra fundamenta-se no conceito de imaginação telúrica, inspirado pelo filósofo Gaston Bachelard, para explorar como a arte pode escavar superfícies e tocar o que há de mais denso e vibrante na natureza e na tecnologia. A exposição propõe um deslocamento do olhar ocular-centrista, convidando o público a uma experiência multissensorial que atravessa o olfato, a audição e a tactilidade. Como afirma a curadora, “a imaginação telúrica cava sempre em profundidade, não se contentando com superfícies”. Em Telúricos, a Terra deixa de ser um cenário passivo para tornar-se protagonista e ator político, transformando nossos modos de habitar.
A seleção curatorial estabelece um diálogo entre nomes históricos da Land Art e vozes contemporâneas, onde a matéria deixa de ser suporte para se tornar corpo e voz. Richard Long representa a tradição da intervenção direta no território, enquanto artistas como Brígida Baltar apresentam obras emblemáticas, como Enterrar é plantar, que reforçam o ciclo de vida e renascimento da matéria. A mostra conta ainda com a presença de Isaac Julien, Not Vital e uma obra em ametista de Amelia Toledo, escolhida por sua ressonância mineral e espiritual. A instalação de C. L. Salvaro simula o interior da Terra através de uma passagem experimental de tela e plantio, evocando arqueologia e memória, enquanto a artista Amorí traz pinturas e esculturas que narram a metamorfose de seu corpo e sua história. A dimensão espiritual e a transitoriedade indígena são exploradas por Kuenan Mayu, que utiliza pigmentos naturais, enquanto Alessandro Fracta, aciona mundos ancestrais e ritualísticos ao realizar trabalhos com bordados em fibra de juta.
A experiência sensorial é um dos pilares da mostra, conduzida especialmente pelo trabalho de Karola Braga, cujas esculturas em cera de abelha exalam os aromas da natureza. Na vitrine da galeria, a estrutura dourada Perfumare, libera fumaça, mimetizando os vapores exalados pelos vulcões, expressão radical da capacidade do planeta de alterar-se, de reinventar sua forma e de impor ritmos. A cosmologia e a sonoridade também se fazem presentes com os neons de Felippe Moraes, que desenham constelações de signos terrestres como Touro, Virgem e Capricórnio, e a dimensão sonora de Denise Alves-Rodrigues. O percurso completa-se com os móbiles da série “Organoide” de Lia Chaia, as paisagens imaginativas de Ana Sant’anna, a materialidade de Flávia Ventura e as investigações sobre a natureza de Felipe Góes. Cada obra funciona como um documento de negociação com o planeta, onde o chão que pisamos também protesta e fala.
Serviço
Exposição | Dada Brasilis
De 05 de fevereiro a 12 de março
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Nara Roesler - SP
Avenida Europa, 655, São Paulo - SP
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Com curadoria de Osmar Paulino, Marlon Amaro expõe Mirongar, mostra reúne obras centrais de sua trajetória, reconhecido por abordar de forma contundente temas como o racismo estrutural, o apagamento da
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Com curadoria de Osmar Paulino, Marlon Amaro expõe Mirongar, mostra reúne obras centrais de sua trajetória, reconhecido por abordar de forma contundente temas como o racismo estrutural, o apagamento da população negra e as dinâmicas históricas de violência e subserviência impostas a corpos negros.
Serviço
Exposição | Mirongar
De 13 de janeiro a 21 de março
Quarta a Domingo, das 14h às 21h
Período
Local
Casa do Benin
Rua Padre Agostinho Gomes, 17 - Pelourinho, Salvador - BA
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Em sua prática, a artista franco-brasileira Julia Kater investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da
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Em sua prática, a artista franco-brasileira Julia Kater investiga a relação entre a paisagem, a cor e a superfície. Ela transita pela fotografia e pela colagem, concentrando-se na construção da imagem por meio do recorte e da justaposição. Na fotografia, Kater parte do entendimento de que toda imagem é, por definição, um fragmento – um enquadramento que recorta e isola uma parte da cena. Em sua obra, a imagem não é apenas um registro de um instante, mas sim, resultado de um deslocamento – algo que se desfaz e se recompõe do mesmo gesto. As imagens, muitas vezes próximas, não buscam documentar, mas construir um novo campo de sentido. Nas colagens, o gesto do recorte ganha corpo. Fragmentos de fotografias são manualmente cortados, sobrepostos e organizados em camadas que criam passagens visuais marcadas por transições sutis de cor. Esses acúmulos evocam variações de luz, atmosferas e a própria passagem do tempo através de gradações cromáticas.
Na individual Duplo, Julia Kater apresenta trabalhos recentes, desenvolvidos a partir da pesquisa realizada durante sua residência artística em Paris. “Minha pesquisa se concentra na paisagem e na forma como a cor participa da construção da imagem – ora como elemento acrescentado à fotografia, ora como algo que emerge da própria superfície. Nas colagens, a paisagem é construída por recortes, justaposições e gradações de cor. Já nos trabalhos em tecido, a cor atua a partir da própria superfície, por meio do tingimento manual, atravessando a fotografia impressa. Esses procedimentos aprofundam a minha investigação sobre a relação entre a paisagem, a cor e a superfície”, explica a artista.
Em destaque, duas obras que serão exibidas na mostra: uma em tecido que faz parte da nova série e um díptico inédito. Corpo de Pedra (Centauro), 2025, impressão digital pigmentária sobre seda tingida à mão com tintas a base de plantas e, Sem Título, 2025, colagem com impressão em pigmento mineral sobre papel matt Hahnemüle 210g, díptico com dimensão de 167 x 144 cm cada.
A artista comenta: “dou continuidade às colagens feitas a partir do recorte de fotografia impressa em papel algodão e passo a trabalhar com a seda também como suporte. O processo envolve o tingimento manual do tecido com plantas naturais, como o índigo, seguido da impressão da imagem fotográfica. Esse procedimento me interessa por sua proximidade com o processo fotográfico analógico, sobretudo a noção de banho, de tempo de imersão e de fixação da cor na superfície”. Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que fica em cartaz até 07 de março de 2026.
Serviço
Exposição | Julia Kater: Duplo
De 22 de janeiro a 07 de março
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Período
Local
Simões de Assis
Al. Lorena, 2050 A, Jardins - São Paulo - SP
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A Galatea tem o prazer de apresentar Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura, primeira individual do artista paulistano Guilherme Gallé (1994, São Paulo), na unidade da galeria na
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A Galatea tem o prazer de apresentar Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura, primeira individual do artista paulistano Guilherme Gallé (1994, São Paulo), na unidade da galeria na rua Padre João Manuel. A mostra reúne mais de 20 pinturas inéditas, realizadas em 2025, e conta com texto crítico do curador e crítico de arte Tadeu Chiarelli e com texto de apresentação do crítico de arte Rodrigo Naves.
A exposição apresenta um conjunto no qual Gallé revela um processo contínuo de depuração: um quadro aciona o seguinte, num movimento em que cor, forma e espaço se reorganizam respondendo uns aos outros. Situadas no limiar entre abstração e sugestão figurativa, suas composições, sempre sem título, convidam à lenta contemplação, dando espaço para que o olhar oscile entre a atenção ao detalhe e ao conjunto.
Partindo sempre de um “lugar” ou pretexto de realidade, como paisagens ou naturezas-mortas, mas sem recorrer ao ponto de fuga renascentista, Gallé mantém a superfície pictórica deliberadamente plana. As cores tonais, construídas em camadas, estruturam o plano com uma matéria espessa, marcado por incisões, apagamentos e pentimentos, que dão indícios do processo da pintura ao mesmo tempo que o impulsionam.
Entre as exposições das quais Guilherme participou ao longo de sua trajetória, destacam-se: Joaquín Torres García – 150 anos, (Coletiva, Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, São Paulo / Brasília / Belo Horizonte, 2025–2026); Ponto de mutação (Coletiva, Almeida & Dale, São Paulo, 2025); O silêncio da tradição: pinturas contemporâneas (Coletiva, Centro Cultural Maria Antonia, São Paulo, 2025); Para falar de amor (Coletiva, Noviciado Nossa Senhora das Graças Irmãs Salesianas, São Paulo, 2024); 18º Território da Arte de Araraquara (2021); Arte invisível (Coletiva, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, 2019); e Luiz Sacilotto, o gesto da razão (Coletiva, Centro Cultural do Alumínio, São Paulo, 2018).
Serviço
Exposição | Guilherme Gallé: entre a pintura e a pintura
De 22 de janeiro a 07 de março
Segunda a quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, Sábado, das 11h às 17h
Período
Local
Galatea Padre João Manuel
R. Padre João Manuel, 808, Jardins – São Paulo - SP
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do artista Daniel Buren (1938, Boulogne-Billancourt), realizado em parceria com a Galeria Nara Roesler. Iniciado em 1975, o trabalho transforma velas de barcos em suportes de arte, deslocando o olhar do espectador e ativando o espaço ao redor por meio do movimento, da cor e da forma. Ao longo de cinco décadas, o projeto foi apresentado em cidades como Genebra, Lucerna, Miami e Minneapolis, sempre em diálogo direto com a paisagem e o contexto locais.
Concebida originalmente em Berlim, em 1975, Voile/Toile – Toile/Voile destaca o uso das listras verticais que Daniel Buren define como sua “ferramenta visual”. O próprio título da obra explicita o deslocamento proposto pelo artista ao articular dois campos centrais do modernismo do século 20 — a pintura abstrata e o readymade —, transformando velas de barcos em pinturas e ampliando o campo de ação da obra para além do espaço expositivo.
“Trata-se de um trabalho feito ao ar livre e que conta com fatores externos e imprevisíveis, como clima, vento, visibilidade e posicionamento das velas e barcos, de modo que, ainda que tenha sido uma ação realizada dezenas de vezes, ela nunca é idêntica, tal qual uma peça de teatro ou um ato dramático”, disse Daniel Buren, em conversa com Pavel Pyś, curador do Walker Art Center de Minneapolis, publicada pelo museu em 2018.
No dia 24 de janeiro, a ação tem início com uma regata-performance na Baía de Guanabara. Onze veleiros da classe Optimist partem da Marina da Glória e percorrem o trajeto até a Praia do Flamengo, equipados com velas que incorporam as listras verticais brancas e coloridas criadas por Buren. Em movimento, as velas se convertem em intervenções artísticas vivas, ativando o espaço marítimo e o cenário do Rio como parte constitutiva da obra. O público poderá acompanhar a ação desde a orla, e toda a performance será registrada.
Após a conclusão da regata, as velas serão deslocadas para o foyer do MAM Rio, onde passarão a integrar a exposição derivada da regata, em cartaz de 28 de janeiro a 12 de abril de 2026. Instaladas em estruturas autoportantes, as onze velas – com 2,68 m de altura (2,98 m com a base) – serão dispostas no espaço de acordo com a ordem de chegada da regata, seguindo o protocolo estabelecido por Buren desde as primeiras edições do projeto. O procedimento preserva o vínculo direto entre a performance e a exposição, e evidencia a transformação das velas de objetos utilitários em objetos artísticos. A expografia é assinada pela arquiteta Sol Camacho.
“Desde os anos 1960, Buren desenvolve uma reflexão crítica sobre o espaço e as instituições, sendo um dos pioneiros da arte in situ e da arte conceitual. Embora Voile/Toile – Toile/Voile tenha circulado por diversos países ao longo dos últimos 50 anos, esta é a primeira vez que a obra é apresentada no Brasil. A proximidade do MAM Rio com a Baía de Guanabara, sua história na experimentação e sua arquitetura integrada ao entorno fazem do museu um espaço particularmente privilegiado para a obra do artista”, comenta Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio.
Ao prolongar no museu uma experiência iniciada no mar, Voile/Toile – Toile/Voile estabelece uma continuidade entre a ação na Baía de Guanabara e sua apresentação no espaço expositivo do MAM Rio, integrando paisagem, arquitetura e percurso em uma mesma experiência artística.
“A maneira como Buren tensiona a relação da arte com espaços específicos, principalmente com os espaços públicos, é fundamental para entender a história da arte contemporânea. E essa peça Voile/Toile – Toile/Voile, que começa na Baía de Guanabara e que chega aos espaços internos do museu, é um exemplo perfeito dessa prática”, comenta Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.
Em continuidade ao projeto, a Nara Roesler Books publicará uma edição dedicada à presença de Daniel Buren no Brasil, reunindo ensaios críticos e documentos da realização de Voile/Toile – Toile/Voile no Rio de Janeiro, em 2026.
Serviço
Exposição | Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela)
De 28 de janeiro a 12 de abril
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h
Período
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste, Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste,
Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a coletiva propõe uma interlocução entre os programas das galerias ao explorar as afinidades entre os artistas Montez Magno (1934, Pernambuco), Mari Ra (1996, São Paulo), Zé di Cabeça (1974, Bahia), Fabio Miguez (1962, São Paulo) e Adenor Gondim (1950, Bahia). A mostra propõe um olhar ampliado para as arquiteturas vernaculares que marcam o Nordeste: fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de feiras e festas e estruturas efêmeras que configuram a paisagem social e cultural da região.
Nesse conjunto, Fabio Miguez investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas enquanto Zé di Cabeça transforma registros das platibandas do subúrbio ferroviário soteropolitano em pinturas. Mari Ra reconhece afinidades entre as geometrias que encontrou em Recife e Olinda e aquelas presentes na Zona Leste paulistana, revelando vínculos construídos pela migração nordestina. Já Montez Magno e Adenor Gondim convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste, Magno pela via da abstração geométrica presentes nas séries Barracas do Nordeste (1972-1993) e Fachadas do Nordeste (1996-1997) e Gondim pelo registro fotográfico das barracas que marcaram as festas populares de Salvador.
A parceria entre as galerias se dá no aniversário de 2 anos da Galatea em Salvador e reforça o seu intuito de fazer da sede na capital baiana um ponto de convergência para intercâmbios e trocas entre artistas, agentes culturais, colecionadores, galerias e o público em geral.
Serviço
Exposição | Barracas e fachadas do nordeste
De 30 de janeiro a 30 de maio
Terça – quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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A Pinacoteca de São Bernardo do Campo apresenta, entre os dias 31 de janeiro e 28 de março de 2026, uma exposição individual do artista Daniel Melim (São Bernardo do Campo, SP – 1979). Com curadoria assinada pelo
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A Pinacoteca de São Bernardo do Campo apresenta, entre os dias 31 de janeiro e 28 de março de 2026, uma exposição individual do artista Daniel Melim (São Bernardo do Campo, SP – 1979). Com curadoria assinada pelo pesquisador e especialista em arte pública Baixo Ribeiro e produção da Paradoxa Cultural, a mostra Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim reúne um conjunto de 12 obras – dentre elas oito trabalhos inéditos.
A exposição apresenta uma verdadeira introspectiva do trabalho de Daniel Melim – um mergulho em seu processo criativo a partir do olhar de dentro do ateliê. Ao lado de obras que marcaram sua trajetória, o público encontrará trabalhos inéditos que apontam novos caminhos em sua produção. Entre os destaques, uma pintura em grande formato — 2,5m x 12m — e um mural coletivo que será produzido ao longo da mostra.
Com obras em diferentes formatos e dimensões – pinturas em telas, relevos, instalação, cadernos, elementos do ateliê do artista -, a mostra aborda o papel da arte urbana na construção de identidades coletivas, a ocupação simbólica dos espaços públicos e o desafio de trazer essas linguagens para o contexto institucional, sem perder seu caráter de diálogo com a comunidade.
O recorte proposto pela curadoria de Baixo Ribeiro conecta passado e presente, mas principalmente, evidencia como Melim transforma referências visuais do cotidiano em obras que geram reflexão crítica, possibilitando criar pontes entre o espaço público e o institucional.
A expografia de “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” foi pensada como um ateliê expandido, com o intuito de aproximar o público do processo criativo de Melim. Dentro do espaço expositivo, haverá um mural colaborativo, no qual os visitantes poderão experimentar técnicas como stencil e lambe-lambe. Essa iniciativa integra a proposta educativa da mostra e transforma o visitante em coautor, fortalecendo a relação entre público e obra.
“Sempre me interessei pela relação entre a arte e o espaço urbano. O stencil foi minha primeira linguagem e continua sendo o ponto de partida para criar narrativas visuais que dialogam com a vida cotidiana. Essa mostra é sobre esse diálogo: cidade, obra e público”, explica Daniel Melim.
Artista visual e educador, reconhecido como um dos principais nomes da arte urbana brasileira, Daniel Melim iniciou sua trajetória artística no final dos anos 1990 com grafite e stencil nas ruas do ABC Paulista. Desenvolve uma pesquisa autoral sobre o stencil como meio expressivo, resgatando sua importância histórica na formação da street art no Brasil e expandindo seus potenciais pictóricos para além do espaço público. Sua produção se caracteriza pelo diálogo entre obra, arquitetura e cidade, frequentemente instalada em áreas em processo de transformação urbana.
“Essa exposição individual é uma forma de me reconectar com o lugar onde tudo começou. São Bernardo do Campo foi minha primeira escola de arte – não apenas pela faculdade, mas pela rua, pelos muros, pelas greves que eu vi quando ainda era criança. Essa experiência formou a minha visão de mundo. Trazer esse trabalho de volta, no espaço da Pinacoteca, é como abrir o meu ateliê para a cidade que tanto me acolheu e me fez crescer”, comenta.
Os stencils, o imaginário gráfico da publicidade, críticas à sociedade de consumo e ao cotidiano urbano são marcas do trabalho de Melim. Cores chapadas, sobreposições e composições equilibradas são algumas das características que aparecem tanto nas obras históricas de Daniel Melim, quanto em novos trabalhos que o artista está produzindo para a individual. “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” é um convite para o visitante mergulhar e se aproximar do processo criativo do artista. A mostra fica em cartaz até o dia 28 de março de 2026.
A exposição “Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim” é realizada com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB); do Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo; do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Serviço
Exposição | Reflexos Urbanos: a arte de Daniel Melim
De 31 de janeiro e 28 de março
Terça, das 9h às 20h; quarta a sexta, das 9h às 17h; sábado, das 10h às 16h
Período
Local
Pinacoteca de São Bernardo do Campo
Rua Kara, nº 105 - Jardim do Mar - São Bernardo do Campo - SP
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A Luciana Brito Galeria abre sua programação de 2026 com a exposição Ainda Bem, Atravessei as Nuvens, a segunda da artista Gabriela Machado na galeria. A mostra destaca pinturas inéditas
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A Luciana Brito Galeria abre sua programação de 2026 com a exposição Ainda Bem, Atravessei as Nuvens, a segunda da artista Gabriela Machado na galeria. A mostra destaca pinturas inéditas de maior dimensão – em diálogo com outras menores – realizadas entre 2024 e 2026, ocupando todo o espaço do Pavilhão. O texto crítico é assinado por Amanda Abi Khalil.
As crônicas do cotidiano, os cenários reais e oníricos, a temperatura e o brilho das cores, as sensações do dia a dia. Nada escapa ao crivo de um imaginário sensível que orienta o olhar de Gabriela Machado. A artista seleciona aquilo que lhe é mais atraente e o traduz para a linguagem pictórica. Neste conjunto de pinturas inéditas, produzidas nos últimos anos, ela articula fragmentos de histórias e memórias, além de cenas de paisagens captadas em viagens. Esses pequenos acontecimentos, cenas ou observações da vida, embora banais à primeira vista, ganham sentido, densidade e poesia quando reinterpretados pela artista.
Diferentemente de sua primeira exposição na galeria, realizada em 2024, as pinturas de Ainda Bem, Atravessei as Nuvens apresentam-se agora mais figurativas, revelando um jogo híbrido que articula não apenas a percepção imediata daquilo que o olhar alcança, mas também o imaginário e a memória da artista. O universo fantástico circense, por exemplo, surge em diversas obras, como Marambaia (2026) e Ainda Bem, Atravessei as Nuvens (2026), nas quais a figura do leão é retratada a partir de um repertório infantil compartilhado por sua geração.
Em outras pinturas de menor formato, aparecem paisagens que conjugam céu, vegetação e mar, assim como retratos de objetos e esculturas. Em todas elas, contudo, a artista enfatiza a luminosidade e o brilho, elementos que se impõem de imediato ao olhar do espectador e traduzem uma atmosfera de leveza e mistério deliberadamente construída. Já nas obras Largo do Machado (2026), Luzinhas (2014–2025) e Veronese (2013–2025), as luzes de Natal assumem o papel de protagonistas. Segundo explica a artista, o efeito luminoso é produzido deliberadamente durante o processo de produção: em uma primeira etapa ela trabalha com a tinta acrílica, para então finalizar com a tinta a óleo.
O fundo rosa observado em algumas pinturas, como em Ginger (2026), foi inspirado na tonalidade dos tapumes dos canteiros de obra. Outro detalhe também relevante é a moldura reproduzida pela artista em alguns trabalhos de menor formato, funcionando como uma extensão da pintura e contribuindo para a construção de uma maior profundidade espacial.
Serviço
Exposição | Ainda Bem, Atravessei as Nuvens
De 05 de fevereiro a 21 de março
Segunda, das 10h às 18h, terça a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 11h às 17h
Período
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A Gomide&Co tem o prazer de apresentar ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE, primeira individual de Antonio Dias (1944–2018) na galeria. Organizada em parceria com a Sprovieri, Londres, a partir de obras do artista preservadas
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A Gomide&Co tem o prazer de apresentar ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE, primeira individual de Antonio Dias (1944–2018) na galeria. Organizada em parceria com a Sprovieri, Londres, a partir de obras do artista preservadas por Gió Marconi, a exposição tem organização e texto crítico de Gustavo Motta e expografia de Deyson Gilbert.
A abertura acontece no dia 10 de fevereiro (terça-feira), às 18h, e a exposição segue em cartaz até 21 de março. Entre as obras em exibição, a exposição destaca sete pinturas pertencentes à Gió Marconi realizadas por Antonio Dias entre 1968 e 71, em seus anos iniciais em Milão, demarcando um momento importante na trajetória do artista.
No dia 14 de março (sábado), às 11h, haverá o lançamento de uma publicação que acompanha a mostra. Também com organização e texto de Gustavo Motta, a publicação apresenta o conjunto completo de obras do artista sob a guarda de Gió Marconi, além de documentação complementar sobre seu período de execução. Na ocasião do lançamento, haverá uma mesa redonda com a presença de Gustavo Motta, Sergio Martins e Lara Cristina Casares Rivetti. A mediação será de Deyson Gilbert.
Nascido em Campina Grande (PB) em 1944, Antonio Dias mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1957, onde iniciou sua carreira artística destacando-se com uma produção que logo foi associada à Pop Arte e à Nova Figuração. Em meados da década de 1960, o artista deixou o Brasil – em um contexto marcado pela Ditadura Militar – e seguiu para Paris, após receber uma bolsa do governo francês por sua participação na 4ª Bienal de Paris. Na Europa, o trabalho de Dias passou a apresentar uma configuração mais conceitual, chamando a atenção do galerista Giorgio Marconi (1930–2024), fundador do Studio Marconi (1965–1992) – espaço que desde seu início foi referência para a arte contemporânea de Milão.
Sob a representação da galeria, Dias decidiu fixar-se na cidade, onde manteve uma de suas residências até o final de sua vida. Lá, estabeleceu estreitas relações com artistas como Mario Schifano, Luciano Fabro, Alighiero Boetti e Giulio Paolini. As obras desse período, apresentadas na exposição, refletem a consolidação da linguagem conceitual do artista em seus primeiros anos na Europa, marcada pela precisão formal, com superfícies austeras combinadas a palavras, frases ou diagramas que operam como comentários autorreflexivos sobre o fazer artístico como atividade mental. O período antecipa – e em parte coincide – com a produção da série The Illustration of Art (1971–78), considerada uma das mais emblemáticas do artista.
As obras realizadas por Dias em Milão sintetizam uma virada decisiva na trajetória do artista, na qual a pintura se torna simultaneamente mais sóbria e mais reflexiva. Por meio de grandes campos monocromáticos, palavras isoladas e estruturas rigorosamente diagramadas, o artista reduz a imagem ao essencial e transforma o quadro em um espaço de pensamento. Conforme Motta esclarece, o que se vê é menos importante do que o que falta: a pintura passa a operar como um dispositivo aberto, que convoca o espectador a completar sentidos e a produzir imagens mentais. Ao incorporar procedimentos gráficos oriundos do design e da comunicação de massa, Dias desloca a pintura do terreno da representação para o da problematização, articulando, nas palavras do artista, uma “arte negativa” que reflete sobre o próprio estatuto da imagem e sobre o fazer artístico como atividade intelectual. Nesse conjunto, consolida-se uma linguagem em que a obra não oferece respostas, mas se apresenta como campo de tensão entre palavra, superfície e imaginação.
A mostra em São Paulo dá sequência à exposição apresentada pela Sprovieri, em Londres, em outubro de 2025, composta por obras do mesmo período – todas pertencentes à Gió Marconi, filho de Giorgio. À frente da Galleria Gió Marconi desde 1990, após ter trabalhado com o pai no espaço experimental para jovens artistas chamado Studio Marconi 17 (1987–1990), Gió também é responsável pela Fondazioni Marconi, fundada em 2004 com o propósito de dar sequência ao legado do antigo Studio Marconi.
Entre as obras apresentadas na exposição da Gomide&Co, figuram pinturas que estiveram presentes na individual inaugural de Antonio Dias no Studio Marconi, em 1969, que contou com texto crítico de Tommaso Trini, além da mais recente dedicada ao artista pela fundação, Antonio Dias – Una collezione, 1968–1976 (2017). A seleção também compreende obras que estiveram em outras ocasiões importantes da carreira do artista, como a histórica (e polêmica) Guggenheim International Exhibition de 1971 e a 34ª Bienal de São Paulo (2021).
A exposição na Gomide&Co também se destaca por oferecer um olhar mais contemporâneo para os primeiros anos de Dias em Milão. A galeria reuniu uma equipe jovem de renome no sentido de atualizar as perspectivas sobre a produção do artista no período. A começar pela organização, sob responsabilidade de Gustavo Motta, considerado atualmente um dos intelectuais da nova geração mais reconhecidos quando se trata de Antonio Dias, tendo assinado a curadoria de Antonio Dias / Arquivo / O Lugar do Trabalho no Instituto de Arte Contemporânea (IAC) em 2021, exposição baseada no acervo documental do artista pertencente à instituição. O projeto expográfico é do artista Deyson Gilbert, que foi responsável pela expografia da mostra curada por Motta no IAC. No caso da exposição na galeria, a proposta de Gilbert anseia refletir e dar continuidade ao processo estético próprio da produção de Dias no período.
Além das obras, a exposição apresenta também uma seleção inédita de documentos do Fundo Antonio Dias do acervo do IAC, com materiais que ainda não estavam disponíveis na instituição na época da exposição de 2021. Complementa a equipe o estúdio M-CAU, da artista Maria Cau Levy, responsável pelo projeto gráfico da publicação.
Reunindo obras históricas, documentação inédita e uma equipe que dialoga diretamente com o legado crítico de Antonio Dias, a exposição reafirma a atualidade e a complexidade da produção do artista no contexto internacional. ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE propõe não apenas uma revisão de um momento decisivo da trajetória de Dias, mas também uma leitura renovada de sua contribuição para a arte conceitual, evidenciando como as questões formuladas pelo artista no final dos anos 1960 seguem ressoando de maneira incisiva no debate contemporâneo.
Serviço
Exposição | ANTONIO DIAS / IMAGE + MIRAGE
De 10 de fevereiro a 21 de março
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Gomide & Co
Avenida Paulista, 2644 01310-300 - São Paulo - SP
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Prestes a completar 95 anos, Augusto de Campos publicou recentemente o livro “pós poemas” (2025), que reúne um conjunto de trabalhos, compreendido como um marco de síntese da evolução de
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Prestes a completar 95 anos, Augusto de Campos publicou recentemente o livro “pós poemas” (2025), que reúne um conjunto de trabalhos, compreendido como um marco de síntese da evolução de sua pesquisa poética. Produzidas ao longo das últimas duas décadas, as obras reunidas no volume deram origem a uma seleção transposta para o espaço da Sala Modernista da galeria, propondo uma experiência não apenas visual, mas também espacial, em diálogo com o ambiente projetado por Rino Levi. No contexto da exposição, os poemas deixam de ser apenas objetos de leitura para se afirmarem como experiências visuais e espaciais: letras tornam-se imagens, cores assumem função semântica, e a disposição gráfica instaura ritmos e tensões que solicitam uma percepção ativa do público.
O poema de Augusto de Campos não se organiza pela linearidade do verso, mas por campos de força visuais e sonoros que desafiam a leitura convencional. Resultantes de um processo iniciado pelo poeta ainda nos anos 1950, essas obras apresentam uma estrutura verbivocovisual, característica do Concretismo, na qual palavra, som, cor e forma se articulam de maneira indissociável. Ao mesmo tempo, incorporam recursos gráficos e digitais próprios do século XXI. Para além do amplo campo tecnológico oferecido pela computação gráfica, utilizada pelo artista desde o início dos anos 1990, Augusto de Campos também experimenta com elementos pontuais de seu contexto, com a ideogramática e a lógica matemática, além de procedimentos de intertextualidade que dialogam com referências como Marcel Duchamp, James Joyce e Fernando Pessoa, entre outros, bem como com estratégias associadas ao conceito de “ready-made”.
Nas obras Esquecer (2017) e Vertade (2021), a leitura deixa de ser linear e torna-se também perceptiva, quase física, exigindo do leitor um acompanhamento atento. Em Vertade, Augusto de Campos engana o olhar por meio da troca das letras D e T nas palavras antônimas verdade e mentira, instaurando um curto-circuito semântico que tensiona a confiança na leitura. Já em Esquecer, o artista promove a perda progressiva das palavras a partir de um poema preexistente, resgatado e inserido sobre a superfície de um céu nublado. À medida que atravessam as nuvens, os vocábulos se esmaecem e se confundem com a imagem, provocando um efeito de apagamento visual que se converte em reflexão sensível sobre memória, esquecimento e tempo. Este último, aliás, é também referência central do título da mostra, pós poemas, em que o termo “pós” carrega uma duplicidade semântica: indica tanto o depois quanto o plural de pó, matéria residual do que foi.
Serviço
Exposição | pós poemas
De 5 de fevereiro a 7 de março
Segunda, das 10 às 18h, terça a sexta, das 10 às 19h, sábado, das 11 às 17h
Período
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A Galeria Alma da Rua, localizada em um dos endereços mais emblemáticos da capital paulista, o Beco do Batman, abre a mostra “Entre Ideias e Quintais” de Enrique Tadeu Alves
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A Galeria Alma da Rua, localizada em um dos endereços mais emblemáticos da capital paulista, o Beco do Batman, abre a mostra “Entre Ideias e Quintais” de Enrique Tadeu Alves Ribeiro, mais conhecido como Rocket. Trata-se de uma exposição que traz dezenas de telas inéditas produzidas a partir da percepção do artista acerca de suas memórias afetivas e de sua vivência cotidiana.
As obras surgem como imagens vivas e recorrentes, que buscam traduzir sentimentos e experiências presentes em cada cena retratada. Dos botecos às ruas movimentadas em dia de jogo no campo da favela, passando pelo banho de tanque das crianças no quintal, como retrata a obra ‘Capitães’ na qual “crianças sozinhas se tornam capitães das brincadeiras”, explica o artista, cada trabalho revela fragmentos de uma memória coletiva marcada pela simplicidade, pela convivência e pela identidade do território.
Serviço
Exposição | Entre Ideias e Quintais
De 22 de fevereiro a 19 de março
Todos os dias das 10h às 18h
Período
Local
Galeria Alma da Rua II
Rua Medeiros de Albuquerque, 188 – Beco do Batman, Vila Madalena, São Paulo - SP
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma investigação estética e proposição política que contesta os modos históricos de construção do corpo negro, questionando paradigmas científicos, anatômicos e normativos que sustentaram, e ainda sustentam, estruturas de dominação racial.
A exposição parte da problematização sobre os processos de subjetividades negras que foram sistematicamente moldados pela exploração do trabalho, pela lógica capitalista de produção de valor e pela violência institucional. Nesse sentido, as obras constroem uma arena crítica que evidencia como essas engrenagens operam na manutenção de desigualdades e na naturalização da precarização da vida negra.
Reunindo desenhos e instalações, Greve Negra Já! tem curadoria de Renato Lopes (SP) e apresenta um conjunto de trabalhos que tensiona modelos hegemônicos de representação, contrapondo com outras formas de leitura do corpo, da existência e da experiência negra. As obras atuam como dispositivos de confronto, instaurando uma perspectiva que recusa padrões impostos e afirma a possibilidade de reorganização política.
A noção de greve, no contexto da exposição, é construída enquanto campo de atuação amplificados e peça-chave para pensarmos mudanças radicais. Mais do que suspensão, trata-se de um posicionamento ativo, um movimento estratégico de anulação das lógicas que transformam a exploração da população negra em norma. A mostra evidencia a centralidade da classe trabalhadora negra na produção de riqueza, ao mesmo tempo em que denuncia sua exclusão sistemática do acesso a essa riqueza.
Ao estabelecer um diálogo direto com os legados da escravização e suas atualizações contemporâneas, Greve Negra Já! se afirma como uma ação direta de afirmação coletiva. Com produção de Elaine Pinheiro, a exposição propõe ao público uma reflexão crítica sobre os vários mecanismos que condicionam a exploração do trabalho estritamente negro e convoca para a construção de uma consciência de classe orientada por uma perspectiva afrocentrada.
Programa educativo
Ao longo da exposição serão realizadas ações educativas para o público espontâneo. Estão previstas oficinas de desenho e uma formação específica para professores do ensino formal e não-formal, conduzida por Karenn Amorim, arte-educadora, graduada em Artes Plásticas e mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo, atualmente doutoranda em Artes pelo Programa de Pós-graduação em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição | Greve Negra Já!
De 24 de fevereiro a 26 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Museu de Arte do Espírito Santo (Maes)
Av. Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória - ES
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A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo.
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A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo. A mostra reúne pinturas íntimas, de pequena escala, sobre linho e latão, ao lado de obras de grandes dimensões sobre tecido, produzidas entre Nova York, onde a artista vive, e São Paulo, onde atualmente realiza uma residência na Casa Onze.
Wasserman investiga questões de intimidade, gênero e metamorfose, entrelaçando referências à pintura clássica e à cultura material com expressões contemporâneas da experiência queer. Trabalhando sobre tecidos e metais, a artista trata o suporte como participante ativo de cada composição. Óleo, silverpoint — traços obtidos pelo atrito da prata sobre uma superfície preparada — e processos químicos são aplicados de modo a permitir que oxidações, manchas e variações tonais emerjam e permaneçam visíveis. Sua abordagem da figuração evita a nitidez corporal ou contornos rigidamente definidos, privilegiando espaços amorfos onde formas flutuam e se dissolvem. Técnicas históricas são reimaginadas para dar origem a corpos e atmosferas mutáveis, ao mesmo tempo luminosos e sombrios, suspensos em um estado de emergência contínua.
Há tempos, Wasserman trabalha a natureza-morta como um modo de pensar visualmente, tratando os objetos como uma composição silenciosa, mais do que como uma exibição simbólica. Ela pinta arranjos florais e cenas de jardim, como em From the garden at the new squat (2026) [Do jardim da nova ocupação], em que o pigmento parece fundir-se à superfície metálica, conferindo às imagens uma profundidade quieta e ambiente. Em Still life with purple apple, empty bowl, lock rake (2026) [Natureza-morta com maçã roxa, tigela vazia, instrumento para destravar fechaduras], o instrumento introduz uma nota de acesso transgressivo, fazendo referência a experiências vividas da identidade trans e a modos de atravessar espaços para além de estruturas normativas.
Serviço
Exposição | Willa Wasserman: Purple apple
De 25 de fevereiro a 18 de abril
Terça a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galpão Fortes D’Aloia & Gabriel Jardins
Rua Barão de Capanema 343, Jardins – São Paulo - SP
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A escultora e artista visual Mylene Costa realiza sua primeira exposição individual no Brasil com a mostra Forma e Permanência, no Espaço Heróis de 32, na Assembleia Legislativa de São Paulo. A exposição
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A escultora e artista visual Mylene Costa realiza sua primeira exposição individual no Brasil com a mostra Forma e Permanência, no Espaço Heróis de 32, na Assembleia Legislativa de São Paulo. A exposição reúne dez esculturas, incluindo trabalhos inéditos, que investigam o silêncio, a permanência e a feminilidade como estrutura da forma. Com curadoria de Paco de Assis, a mostra propõe ao visitante uma experiência marcada por densidade, gravidade e presença.
Na prática artística de Mylene Costa, a forma precede o discurso. A matéria não ilustra um tema – ela sustenta uma experiência de percepção direta, marcada por contenção, densidade e tensão interna.
Trabalhando com bronze, resina e mármore, a artista investiga a forma como presença e pensamento: o silêncio como estrutura, o tempo como permanência e o corpo como matriz da linguagem.
A feminilidade também atravessa sua poética, não como tema ilustrativo, mas como princípio estrutural de forma e tensão, que organiza a matéria, combinando resistência, fluidez e tensão. Cada obra propõe ao espectador uma relação íntima como o corpo, o tempo e o espaço.
Um dos destaques da mostra “Forma e Permanência”, em cartaz na Assembleia Legislativa de São Paulo, é a série “Nebra”, que reforça a ideia de silêncio como força ativa e de permanência como linguagem escultórica, sem recorrer a gestos explícitos ou a movimentos coreográficos, mas por se tratarem de esculturas com gesto, movimento interno, peso, compressão e gravidade.
“Na exposição, o silêncio não aparece como ausência, mas como um espaço ativo que intensifica a presença da obra. O tempo é tratado como permanência e ao privilegiar o silêncio, pausa e densidade, eu proponho ao visitante um contraponto à aceleração do nosso cotidiano e reafirmo a experiência física do corpo e da matéria”, comenta a artista.
Realizada em março, mês dedicado às mulheres, a exposição também amplia o debate sobre a presença feminina na construção simbólica do espaço público-institucional. Segundo o curador Paco de Assis:
“A feminilidade aqui não é adorno nem discurso. É estrutura. Como dobras e fendas que organizam a matéria sem fazê-la ceder, o feminino se manifesta como inteligência da flexibilidade: capacidade de acolher tensão, mudar de direção e, ainda assim, permanecer”.
Serviço
Exposição | Forma e Permanência
De 3 a 13 março
Segunda a sexta, das 8h30 às 18h. Fechado aos sábados e domingos
Período
Local
Assembleia Legislativa de São Paulo - Espaço Heróis de 32
Av. Pedro Álvares Cabral, nº 201, Ibirapuera, São Paulo - SP





