Still de "O Espírito da TV", de Vincent Carelli. Foto: Divulgação.

No novo episódio do Acervo Comentado Videobrasil, o curador e pesquisador Moacir dos Anjos [1] fala sobre O Espírito da TV, de Vincent Carelli, apresentado no 9º Festival Videobrasil, em 1990.

O documentário foi realizado pelo projeto Vídeo nas Aldeias e mostra reações do grupo indígena Waiãpi (contatado em 1973, durante a construção da rodovia Perimetral-Norte no Amapá) ao ver a própria imagem e a de índios Gavião, Nhambiquara, Krahô, Guarani e Kaiapó na TV.

Sem repórter ou narrador, o filme é realizado de modo a interferir o mínimo possível nos depoimentos. O título da obra refere-se à declaração do pajé que se sentiu afetado ao ver na tela imagens de um ritual de evocação de espíritos. O reconhecimento de tribos semelhantes; a imagem de sua tribo perante os brancos e garimpeiros que lhes ameaçam; e a conservação da imagem e da memória por meio do vídeo fascinam e preocupam os índios que reconhecem não apenas os efeitos e ameaças do vídeo, mas sobretudo a sua eficácia e o seu poder.

Acervo Comentado Videobrasil é uma nova parceria entre arte!brasileiros e a Associação Cultural Videobrasil. A cada 15 dias publicaremos, em nossa plataforma e em nossas redes sociais, uma parte de seu importante acervo de obras, reunido em mais de 30 anos de trajetória. 

A instituição foi criada em 1991, por Solange Farkas, fruto do desejo de acolher um acervo crescente de obras e publicações, que vem sendo reunido a partir da primeira edição do Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (ainda Festival Videobrasil, em 1983). Desde sua criação, a associação trabalha sistematicamente no sentido de ativar essa coleção, que reúne obras do chamado Sul geopolítico do mundo – América Latina, África, Leste Europeu, Ásia e Oriente Médio –, especialmente clássicos da videoarte, produções próprias e uma vasta coleção de publicações sobre arte.

O novo projeto contribui para “redescobrir e relacionar obras do acervo Videobrasil, e vertentes temáticas, na voz de críticos, curadores e pensadores iluminando questões contemporâneas urgentes”, afirma Farkas.


[1] Moacir dos Anjos é pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco desde 1990, onde coordena o projeto de exposições Política da Arte. Foi diretor geral do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), em Recife entre 2001 e 2006. Foi curador da 29ª Bienal de São Paulo (2010). Atualmente é Conselheiro da Fundação Iberê Camargo. Em Um país esgotado – artigo publicado na edição #51 de arte!brasileiros -, o pesquisador fala sobre como, para aqueles que reconhecem e sentem em seus corpos a gravidade da crise vivida no Brasil, é cada vez mais frequente sentir-se esgotado.

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