Em 11 de setembro, a 36ª Bienal de São Paulo abriu as portas novamente, desta vez em Berlim. A versão reduzida, que traz 32 das 125 participações da edição original, realiza um duplo movimento: expande seus horizontes de forma inédita e, ao mesmo tempo, retorna àquela que é uma de suas casas de origem, já que foi em paralelo ao projeto desenvolvido na Haus der Kulturen der Welt, conhecida como HKW (Casa das Culturas do Mundo), instituição que dirige desde 2023, que Bonaventure Soh Bejeng Ndikung comandou a concepção e execução da exposição. Mostrar na capital alemã o resultado desse processo curatorial é, para Bonaventure, um gesto político. “Nós, que viemos do Sul, temos muitos complexos”, afirma ele, enfatizando a potência e a estrutura da Bienal de São Paulo, capaz de convidar e oferecer uma estrutura de fato para mais de uma centena de artistas, enquanto uma Bienal como a de Veneza não oferece nenhum apoio (remuneração, agenciamento de produção) aos artistas convidados. “O Brasil, que para mim faz parte da África, mostra aqui, mesmo com apenas um terço da exposição original, algo que nenhuma bienal na Alemanha é capaz de fazer”, acrescenta.
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