Artur Lescher, "Rio Máquina", 2010. FOTO: Fernando Laszlo

A edição de Miami Beach da tradicional feira Art Basel começou a aquecer o mercado desde que anunciou o setor Meridians, em outubro, no qual serão exibidas obras de grande escala. A galeria Nara Roesler é a única brasileira que participará dessa estreia, levando uma obra de Artur Lescher. São, ao todo, 34 trabalhos exibidos na seção, que tem curadoria de Magalí Arriola, crítica e curadora, atual diretora do Museo Tamayo, na Cidade do México. Todos os trabalhos poderão ser conferidos durante o período da feira, entre 5 e 8 de dezembro, no Miami Beach Convention Center. Meridians será montado no Grand Ballroom do espaço.

Além de Lescher, obras de artistas como a argentina Luciana Lamothe, os cubanos Flavio Garciandía e Ana Mendieta, o colombiano Antonio Suárez Londoño e os mexicanos Jose Dávila, Miguel Calderón, Pepe Mar e Tercerunquinto poderão ser vistas em Meridians. A curadoria não seguiu um tema específico para a escolha das obras apresentadas. “Dada a singularidade de cada projeto, o Meridians articula uma troca muito orgânica de ideias e posições, revelando sobreposições conceituais, temas e interesses que surgiram da forte seleção de projetos deste ano”, afirmou Arriola durante o anúncio do projeto.

Em entrevista ao site da Art Basel, a curadora disse que ” desafio era não me forçar a organizar um programa clássico com base em um argumento coerente. Em vez disso, eu queria criar uma paisagem que permitisse que os trabalhos dialogassem entre si”. Entre os destaques da exposição está a performance Pinwheel, da estadunidense Tina Girouard, que foi apresentada apenas uma vez em 1977 e será realizada novamente agora na feira.

Na parte de expositores, as galerias brasileiras aparecem como de costume. As casas Jaqueline Martins e Luciana Brito anunciaram que farão uma participação conjunta na feira, levando os artistas Robert Barry, Lydia Okumura, Augusto de Campos e Geraldo de Barros. É a primeira vez na história da feira que duas galerias estão dividindo um estande no espaço principal do evento, provocando diálogos entre artistas que representam: “O projeto conjunto busca criar um espaço onde tanto as intersecções quanto as diferenças entre suas produções possam ser percebidas pelo visitante”, diz o comunicado.

A carioca Anita Schwartz Galeria de Arte irá fazer um estande solo com obras do artista Paulo Vivacqua. As obras Babbling Forms e Corale funcionam como  poemas musicais, conta a galerista. “Eles lidam com o mesmo ponto de partida: os alto-falantes, que estabelecem uma contrapartida entre si”, explica. “Enquanto Corale enfatiza a forma, com uma composição de esculturas feitas a partir de alto-falantes coloridos em nuances de cor, o Babbling Forms está profundamente envolvido com a função da linguagem, onde sons ‘pré-verbais’ conversam”. A interação entre eles se concentra na investigação artística relacionada ao modo como as ideias preconcebidas da escultura desaparecem e mudam para direções inesperadas. O artista considera a transmissão do som e do silêncio como um estado musical que adquire concretude e presença em espaço — música como escultura.

Por sua vez, a Casa Triângulo levará alguns de seus artistas para a feira e aposta em  Ascânio MMM e Mariana Palma. De acordo com a diretora da galeria, Camila Siqueira, serão levadas esculturas de Ascânio produzidas entre as décadas de 60 e 70. “Para reforçar a importância histórica da produção dele nesse período”, afirma. Em 2020, Mariana Palma terá uma individual no Instituto Tomie Ohtake. Assim, a galeria também foca em suas pinturas que exploram uma exuberância de cores.

Nunca, Ai Lovi, 2019.

Nos arredores

A Galeria Kogan Amaro estreia na SCOPE, uma das principais feiras do circuito contemporâneo, que chega a sua 19ª edição em 2019. A diretora da galeria, Marlise Corsato, pesquisou outras feiras em Miami, em ocasião de suas visitas à Art Basel. Por ser uma feira internacional que está há bastante tempo no mercado, já estabelecida, mas com uma pegada mais jovem, leve e despojada, Marlise apostou na SCOPE para a estreia da galeria em uma feira fora do Brasil: “Senti que para nós seria interessante começar numa feira internacional nesse estilo”.

Daniel Mullen, Mundano, Nunca e Samuel de Saboia são os quatro artistas que estarão no estande da Kogan Amaro, a única brasileira a participar dessa feira. Mundano e Nunca ainda realizarão trabalhos ao ar livre em Miami. As ações foram promovidas em razão da participação na feira, incorporando os artistas, que trabalham a linguagem da street art, à cidade.

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