A itinerância da 36ª Bienal de São Paulo, que pode ser vista até dezembro na Haus der Kulturen der Welt (HKW), em Berlim, parece ir além do título da mostra original. Se “Nem todo viandante anda estradas” foi o mote escolhido para nomear a exposição paulistana, buscando causar certo estranhamento e abrir possibilidades de novos caminhos, a versão berlinense adota a continuidade do poema. O verso seguinte, escrito por Conceição Evaristo em “Da calma e do silêncio”, tem relação mais potente com o recorte e a montagem propostos por Alya Sebti: “Há mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra.” “Peguei a continuidade do poema”, diz ela para explicar a presença de obras sutis, que remetem a coisas que não vemos. Essa sensação é reforçada pela menor escala do espaço expositivo, que permite uma conexão mais íntima com as obras.

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