Em pé, ao centro, com cocar, Mapukayaka Yawalapiti. Sentados, da esquerda para a direita, Sariruá Yawalapiti e Orlando Villas-Bôas. c. 1955. Foto: Henri Ballot / Acervo Instituto Moreira Salles/Arquivo Henri Ballot
Em pé, ao centro, com cocar, Mapukayaka Yawalapiti. Sentados, da esquerda para a direita, Sariruá Yawalapiti e Orlando Villas-Bôas. c. 1955. Foto: Henri Ballot / Acervo Instituto Moreira Salles/Arquivo Henri Ballot

*Por Hélio Campos Mello e Simonetta Persichetti

Desde o final do século 19 os povos originários tiveram sua imagem “roubada” e divulgada por não indígenas que criaram uma visão exótica e estereotipadas apresentada ao Brasil e ao mundo por meio de documentários, fotografias e relatos. Uma história criada e que nunca foi a história deles. No século 20, revistas como O Cruzeiro e a Manchete também reforçaram esta ideia. Eles começaram realmente a se autorrepresentar no final do século 20. Apropriaram-se das ferramentas para construção imagética de seus povos, suas culturas.

O confronto destas narrativas pode ser visto na exposição Xingu: Contatos, no Instituto Moreira Salles Paulista. Focada no território do Xingu, no Mato Grosso, onde atualmente vivem 6 mil indígenas de 16 etnias, a mostra expõe lacunas e violências nas representações históricas. Criado em 1961, é a primeira demarcação de terra indígena no Brasil e, como afirma Ailton Krenak, “virou símbolo de luta indígena na região”. Para o curador da mostra, o cineasta Takumã Kuikuro, “a exposição parte do objetivo de evidenciar esse ativismo e também de destacar a importância do audiovisual no território”.

Um diálogo imagético em que documentários históricos são rebatidos por imagens contemporâneas feitas pelos próprios indígenas, que percebem a importância de registrar sua cultura para que ela vire a memória e evite apagamentos futuros. Com uma estética documental, os vídeos discorrem sobre a importância da preservação da memória de suas culturas, de suas tradições. Contam seu espanto sobre a própria demarcação do território. Retomam filmes antigos para apresentar para as novas gerações como sua história foi narrada. E tecendo seus relatos que passaram da oralidade para a imagem. 

O domínio da imagem volta aos povos originários: “Hoje nós somos protagonistas da nossa história. Antes, não conhecíamos o audiovisual. Agora conhecemos. Somos donos da nossa imagem e levamos as lutas dos povos do Xingu para museus, festivais, cinemas, redes sociais, exposições”, relata Takumã Kuikuro.

A exposição é também um resgate museológico para preencher, como explica o cocurador e jornalista Guilherme Freitas, “lacunas existentes nos próprios museus, onde muitas vezes a identificação das imagens nem sempre foi feita de forma adequada. Parte da história do Xingu está registrada em fotografias sob a guarda do Instituto Moreira Salles. A mostra é o marco inicial de um processo de requalificação deste conjunto de imagens, com a colaboração de pesquisadores e lideranças indígenas, por meio da identificação de pessoas, locais e situações retratadas”. 

Cineastas do Coletivo Beture entrevistam o cacique Takakpe em base de vigilância no Rio Xingu, Terra Indigena Kayapó, PA, 2021. Foto: Nhakmô Kayapó / Rede Xingu+
Cineastas do Coletivo Beture entrevistam o cacique Takakpe em base de vigilância no Rio Xingu, Terra Indigena Kayapó, PA, 2021. Foto: Nhakmô Kayapó / Rede Xingu+

E é neste entralaçamento de olhares que a mostra – com 200 itens, pesquisados durante dois anos, pelos curadores Kuikuro e Freitas, com a assistente Marina Frúgoli, em diversos acervos do país – abre um diálogo e uma reflexão sobre a importância dos povos originários no Brasil: “Queremos contar nossa história para que os não indígenas possam reconhecer e ensinar aos seus filhos o protagonismo dos povos indígenas do Xingu e de todo Brasil”, afirma Kiukuro.

Como escreve o filósofo francês Georges Didi-Huberman em seu livro Quando as imagens tomam posição: “Para saber é preciso tomar posição. Gesto nada simples”. 


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