Imagem: SEVENDE / C Gross / Divulgação

Com a missão de preservar e fomentar a memória e a experiência artística contemporânea na cidade de ITU e região, a Fábrica de Arte Marcos Amaro – FAMA inaugurou mais duas salas de exibição. Em menos de um ano, uma equipe chefiada pela diretora da Fundação, Raquel Fayad, e o curador e organizador, Ricardo Resende, colocou em pé uma seria iniciativa e importante investimento do artista e empresário Marcos Amaro.

Em junho de 2018, a FAMA deu início aos trabalhos abrindo sua primeira exibição, intitulada O Tridimensional na coleção Marcos Amaro: frente, fundo, em cima, embaixo, lados, volume, forma e cor.

“De Aleijadinho, passando por Almeida Júnior à Adriana Varejão, Cildo Meireles, Iole de Freitas e Nelson Leirner, esses são alguns dos nomes que compõem a exposição – que se inicia no século XVIII e alcança a contemporaneidade, permitindo um percurso na História da Arte Brasileira. A mostra apresenta o acervo em formação, que tem como interesse o ato escultórico como categoria artística do tridimensional. Nessa configuração, os trabalhos saem do bidimensional para o tridimensional, entre o que seria uma pintura ou um relevo sobre a parede. Uma instalação ou uma escultura. De pequeno, médio e grande porte, com cor ou sem cor: é como a coleção se constituiu ao longo dos últimos dez anos”, diz Resende.

Os trabalhos selecionados trazem um recorte da Coleção de Arte Marcos Amaro para os galpões da FAMA. Nos jardins que rodeiam a fábrica em restauro, foram instaladas algumas das esculturas da coleção. Ao mesmo tempo, estas farão parte de uma exposição especialmente organizada junto à Prefeitura para serem expostas nas avenidas da cidade.

Estão presentes aí obras de Emanoel Araújo, Gilberto Salvador, Marcos Amaro, Mestre Didi, Mário Cravo Júnior, José Resende, León Ferrari, Caciporé Torres, Sérgio Romagnolo e José Spaniol.

Após meses de visitação, parcerias com instituições da região e o início de relacionamento com escolas, a FAMA já conta com mais dois espaços restaurados
para exibição. A exposição O Tempo e a Gravura no Espaço – Sala Negra apresenta a Coleção Guida e José Mindlin de Matrizes de Gravura, recentemente adquirida pela
Fundação Marcos Amaro.

Organizada pelo bibliófilo José Mindlin (1914-2010), que tinha paixão pelos livros, e sua esposa Guita (1916-2006), é uma coleção única. Essa coleção de 450 matrizes é o núcleo da exposição que reúne uma seleção de xilogravuras que mostram a dramaticidade do gesto de gravadores como Renina Katz (1925), Djanira (1914-1979), Mestre Noza (1897-s.l.1984), Oswaldo Goeldi (1895-1961). Na sequência trabalhos mais lúgubres como O Pássaro (2015-2018), de Laura Lima, com coautoria do artista Zé Carlos Garcia, uma escultura feita de penas negras que simulam um pássaro morto caído no chão. De alta dramaticidade, fantasmagórica, parece ter saído de uma das matrizes vistas na exposição. A textura final das penas e seu posicionamento parecem dar vida a uma xilogravura, agora expandida no espaço. Nuno Ramos (1960) faz uma homenagem ao Oswaldo Goeldi ao gravar em baixo relevo sobre uma “lápide” de mármore branco uma imagem das suas xilogravuras banhada de óleo enegrecido, criando as sombras que caracterizam suas gravuras. Goeldi, como Nuno Ramos, é um artista que irradia uma densidade literária, que pode ser observada também nas pinturas de Rodrigo Andrade, nas gravuras de Wesley Duke Lee, na pintura de Iberê Camargo, de Siron Franco e na instalação de Tunga.
Independentemente de critérios curatoriais ou das escolhas das obras, que costumam ser sempre o alvo de críticas eminentemente estéticas, há um imenso valor ético e estético em colocar este acervo à disposição do público.

Agora, além das reformas arquitetônicas e da finalização das salas de reserva técnica, está na mira o planejamento e capacitação de um educativo capaz de acompanhar, escutar, contar histórias e sistematizar as experiências de visitação.

Na rota contrária ao fechamento de espaços culturais no país como um todo e da censura prévia na construção de projetos, a FAMA se coloca na rota de investir em cultura e arte contemporânea, permitindo que jovens e adultos sejam motivados a perguntar, a pensar e a refletir.

TUNGA E SIRON FRANCO

 

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