*Por Pollyana Quintella
Segundo a teoria econômica, o neoliberalismo propõe que o bem-estar humano pode ser melhor alcançado pela suspensão das restrições às liberdades e capacidades empreendedoras individuais no âmbito de uma estrutura institucional caracterizada por sólidos direitos à propriedade privada, livres mercados e livre comércio. O neoliberalismo privatiza ativos públicos, libera recursos naturais, desregula a indústria, facilita os investimentos estrangeiros, impacta nossas relações de trabalho e nosso meio profissional. Mas, para afirmar-se plenamente, também se constitui como paradigma cultural, e se reflete nas relações interpessoais, sexuais, afetivas, simbólicas, subjetivas e familiares, como David Harvey já bem notara. O modelo neoliberal está por toda parte, com as contradições e complexidades que isso envolve.
No caso específico da arte, não é tão difícil medir seus efeitos. Há cada vez menos apoio estatal e financiamento público para a produção artística e cada vez mais mercado. Há mais precarização e menos garantias. Mais discurso bem intencionado e menos compromisso social. Mais concorrência e menos articulação coletiva. Mais espetáculo e menos democracia.
A parceria entre arte contemporânea e lógica neoliberal vai desde a pequena escala – como a promessa de liberdade individual, por exemplo, que se aproxima da imagem clichê do artista – até as escalas maiores, com a presença da arte em projetos de “revitalização” de cidades, bem como seu papel de camuflagem refletido em operações que envolvem poluição, gentrificação, lavagem de dinheiro etc e tal. Para além da discussão econômica, podemos interpretar as novas formas de fazer política segundo algumas metodologias artísticas, vide o modo como líderes populistas autoritários têm explorado certa performatividade elástica e espetacular, que sabe disputar (e ganhar) a atenção dos grandes públicos. De modo geral, podemos reconhecer o selo da “arte contemporânea” diretamente implicado na transformação dos padrões globais de poder, sobretudo no que hoje convencionamos chamar de pós-democracia, algo que demanda mais atenção, e talvez um outro texto.
Talvez esteja fresco na cabeça do leitor o recente episódio em torno do estádio Pacaembu, em São Paulo. A gestão de Bruno Covas e o consórcio Allegra Pacaembu fecharam um contrato de concessão do estádio por 35 anos. Antes das reformas começarem, em dezembro passado, o “Paca” realizou uma grande exposição chamada Arte em campo, com a participação de 25 galerias e 54 artistas [1].
Segundo o pronunciamento oficial, a mostra teria o papel de afirmar algo que o consórcio pretende fazer durante toda a sua gestão: diversificar o uso do estádio para além dos jogos de futebol, investindo em atividades de cultura e lazer. Um dos objetivos da reforma, no entanto, é demolir o tobogã – área reconhecida por democratizar o estádio e abrigar torcedores de baixa renda – e, no seu lugar, construir um grande edifício ao modo dos shopping centers, o que já parece nos indicar que a perspectiva de “cultura” do consórcio é a da experiência privada. Ademais, o problema de segurança do local será resolvido com o encarceramento das atividades, ao contrário de investir na relação do estádio com o seu entorno.
Quando li um pouco sobre essa parceria público-privada, me perguntei qual era o papel da exposição coletiva ali, além de maquiar, sofisticar e proporcionar uma fachada cool que justifique interesses que estão longe de favorecer a cidade. Mas apesar do caso Pacaembu nos fornecer material de discussão suficiente, gostaria de concentrar este texto em torno de outro projeto recente, ainda em construção: a Cidade Matarazzo – o primeiro hotel seis estrelas do Brasil.
Em 2011, o grupo francês Allard comprou o antigo e tombado Hospital Umberto I, o “Hospital Matarazzo”, construído em 1904 e localizado numa região de disputa imobiliária próxima à Avenida Paulista, na cidade de São Paulo. O empresário à frente da empreitada, Alexandre Allard, é conhecido por ter criado a companhia Consodata, que já foi líder no mercado de dados de consumidores, e por ter reformado o luxuoso hotel Royal Monceau, em Paris, local de encontro de artistas e celebridades. Em 2008, antes de reformar o hotel, Allard deu uma “festa de despedida”, presenteando seus convidados ilustres com martelos e capacetes para que se divertissem demolindo as antigas paredes, o que lhe rendeu o prêmio Stratégies de melhor evento do ano.

No Brasil, não houve espetáculo de demolição, mas em 2014 o grupo organizou a exposição Made By… Feito por Brasileiros [2], para simbolizar o início do projeto e demarcar seu gesto de criatividade. Com a participação de mais de 100 artistas e curadoria dos franceses Marc Pottier e Pascal Pique e do canadense Simon Watson, a mostra captou R$ 3,2 milhões via Lei Rouanet. Embora majoritariamente endossado pelo meio cultural naquela altura, o caso rendeu algumas controvérsias, como a recusa de Cildo Meireles em participar mesmo depois de ser previamente anunciado. O artista alegou à imprensa que, “se soubesse que seria um projeto imobiliário, teria feito mais perguntas” [3].
Tratava-se apenas de um prenúncio da magnitude do empreendimento, que prevê ainda uma área comercial de luxo e o maior parque privado de São Paulo. Não à toa o título do projeto seja “Cidade Matarazzo”. A promessa é que ali será possível experimentar uma espécie de cidade privada dotada dos melhores serviços e alheia à ruína do mundo. Em fevereiro deste ano, o projeto anunciou uma parceria com o banco Bradesco para inaugurar a “Casa Bradesco de Criatividade”, incluindo um suntuoso espaço expositivo. Com curadoria de Marcello Dantas, a programação pretende trazer os disputados nomes internacionais em projetos comissionados de grande envergadura, a começar por Anish Kapoor [4]. Junto a isso, artistas emergentes e consagrados estão sendo convidados a produzir projetos permanentes para o complexo, de modo a fazer da Cidade uma experiência constante de beleza, inspiração e transcendência.
Numa entrevista à Forbes, o milionário francês se manifestou a respeito da arte: “Não existe nada mais poético do que o processo criativo. Amo quando vejo alguém em um estúdio de música, trabalhando em como agregar as notas, amo a moda, criei algumas marcas fabulosas, amo quando vejo alguém preparando um desfile. Sou um amante do processo criativo porque acredito que isso salvará o mundo.” [5]
Certamente não me cabe aqui duvidar da sua comovente sensibilidade, mas há algo mais em sua fala. Creio que para Allard, o processo criativo não salvará o mundo, salvará o capitalismo. Justamente porque não há nada mais neoliberal do que a premissa da “criatividade”. No caso da Cidade Matarazzo, um dos papéis da arte é produzir um senso de inclusão e representatividade que está longe de refletir a lógica estrutural do empreendimento. Mais uma vez, a equação é simples: a presença da prática artística é recurso publicitário para valorizar e justificar o negócio, “imunizá-lo”, quiçá.
Eu costumava achar que havia um abismo entre acreditar que a arte pode complexificar nossos modos de estar no mundo e simplesmente reduzi-la a um problema de gosto, mas esses discursos se encontram mais do que se imagina. Foi Pierre Bourdieu quem identificou que, segundo a perspectiva das classes dominantes, a maneira “legítima” de compreender uma obra é entendê-la como fim em si mesma. Ela não deve servir a fins políticos e econômicos, mas apenas ao próprio problema da linguagem. Porém, tal maneira “legítima”, como esmiuçou o sociólogo, tem como pressupostos (de classe) a formação de repertório, herança familiar e posição sócio-econômica, embora os iniciados se esforcem para que soe como dom natural e sensibilidade nata. Por isso Allard “ama” o processo criativo, porque parece acessar algo mágico e divino quando vê alguém trabalhando em “como agregar as notas”. E por isso seus empreendimentos também estão permeados de arte – é a aura que os torna legítimos e admiráveis. Acontece que, aqui, a arte está sim a serviço de fins políticos e econômicos, mas soa como se não estivesse. “O espetacular é um substituto suficientemente bom para o democrático”, diria Hal Foster no seu Complexo Arte-Arquitetura (2013).
O início desse casamento é longínquo, mas gostaria de chamar atenção para o fato de que a tal “autonomia” da arte, que nos fez crer que a prática artística está desatrelada de funções morais, científicas e funcionais, hoje é acionada com outras intencionalidades. Afinal, o trabalho “tem autonomia” em relação ao projeto, ao artista cabe fazer a sua arte, ao curador cabe fazer a sua exposição, e nada mais. Tal perspectiva autônoma pôs o trabalho cultural na chave da transcendência, cuja premissa é a de que a criação se dá para além das condições sociais e políticas, então só resta aos agentes envolvidos lavarem muito bem as mãos e seguirem para a próxima aventura. A responsabilidade é uma batata quente.
Mas as noções de autonomia e utilidade são mutuamente intercambiáveis e nada estáveis. Na caracterização acima, seria possível invertê-las, a depender do que esteja sendo enfatizado. Um trabalho supostamente comprometido em relação a determinados temas e questões pode ser apropriado de modo desinteressado. Na via oposta, um trabalho supostamente desinteressado pode ser bastante útil na construção de determinada narrativa social, pode ser instrumentalizado como força simbólica. Os sentidos são construídos sobretudo no modo como o trabalho circula, no modo como se desloca e habita o mundo. Não existe obra desencarnada. Um exemplo claro disso é a relação entre o mercado e as iniciativas independentes “sem fins lucrativos”, que acabam por agregar valor ao artista ou iniciativa por serem reconhecidas por seu propósito crítico e contestatório ao sistema (no caso do Pacaembu, a presença de trabalhos que estavam indiretamente criticando o projeto é evidência disso). No entrelaçamento entre produção artística e infraestrutura neoliberal, é preciso reconhecer cada vez mais curadores, instituições e empreendimentos como peças fundamentais na construção de sentidos que uma obra institui.

Voltemos à Cidade Matarazzo: o negócio é gringo, mas os “valores” são brasileiros. O hotel, com assinatura de Jean Nouvel (sua primeira obra na América Latina), é composto por uma “Torre Mata Atlântica” cuja estrutura é formada por uma série de planos verdes frondosos e terraços com árvores locais que devem simular uma invasão da mata sobre a arquitetura, uma espécie de triunfo da natureza [6]. O projeto também se compromete a usar apenas materiais e fornecedores nacionais e não economizar no plantio de árvores comuns à Mata Atlântica ameaçada no local. Além disso, como é característica do arquiteto, soluções high tech serão conjugadas com efeitos de luz, transparência e leveza, fazendo da estrutura sólida algo translúcido e evanescente. Uma conciliação entre espetáculo e engenharia; imagem e estrutura. Mas sobra aqui, sem dúvida, a famigerada visão do paraíso tropical, o desejo de monumentalidade tão afeito à lógica contemporânea e o anseio de produzir um ícone instantâneo, templo de si mesmo. Nada muito diferente do que seja o olhar estrangeiro quanto às qualidades de um Brasil abundante e exótico.
Quando perguntado sobre como definiria a Cidade Matarazzo, Allard disse: “É uma máquina gigante para celebrar a diversidade brasileira.” [7] Conquanto, se submetermos sua concepção de diversidade sob um raio-X, veremos um conjunto de lugares-comuns que refletem um neoprimitivismo muitas vezes mascarado de “desconstrução de valores hegemônicos”. O turista global da Cidade Matarazzo quer ver palmeiras e espécies exóticas no coração de São Paulo. Não se assuste se, no instagram do empreendimento, você encontrar fotos de indígenas com a hashtag #tribe, #DiscoverMatarazzo, #Diversity, entre outras. A floresta de Allard está mais para monocultura fetichista [8].
Acontece que quando o capital investe em “diversidade”, fica a impressão de que as coisas estão finalmente caminhando rumo à justiça, mas cabe desconfiar. Se quisermos fazer um paralelo com a discussão econômica, podemos reconhecer tal fenômeno como parte integrante do que entendemos por neoliberalismo progressista. No que consiste? Basicamente, uma política econômica regressiva com uma máscara inclusiva. Trata-se do capital que apoia a representatividade, as pautas minoritárias e a reivindicação por direitos dos movimentos sociais, enquanto investe em operações que degradam cada vez mais a condição de vida dos trabalhadores, contornando regulamentações e direitos. É o modelo que defende a diversidade, mas entrega precariedade. Que defende o “empoderamento”, mas o utiliza para devastar a indústria. Que desmonta estruturas sociais para sugar dinheiro de todos os cantos. Ou seja, a emancipação só existe até a segunda página, ou talvez sequer ultrapasse o primeiro parágrafo. Nancy Fraser definiu muito bem esse fenômeno no seu recente livro The old is dying and the new cannot be born (2019), mas o que me interessa aqui é chamar atenção para o fato de que, não coincidentemente, a arte contemporânea é muitas vezes o verniz desse modelo. O verniz que faz operações duvidosas soarem bacanas e descoladas. Como diz Hito Steyerl, “a arte contemporânea é um nome de marca sem uma marca, pronto para ser colado a tapa em quase qualquer coisa, um lifting facial expresso que promove o novo imperativo criativo em lugares que estão precisando de um extreme makeover”[9]
Além do efeito-maquiagem, é preciso falar das condições de trabalho. O meio artístico-cultural já operava segundo a lógica da flexibilidade, da terceirização e da precariedade. Uma avalanche de MEIs e PJs, estagiários voluntários, contratos escusos, abuso de poder, trabalho mal pago ou, mais que isso, trabalho não remunerado “em prol de algo maior”… a misteriosa visibilidade. Agora, esse pacote serve de exemplo para outros setores, e configura um novo modelo trabalhista.
Ao contrário de escandalosa, tal flexibilidade vem sendo qualificada positivamente pelo mercado, pois exige soluções cada vez mais inventivas e competitivas. É preciso ser criativo para sobreviver, eles dizem. Além disso, o trabalho flexível é a promessa da tal liberdade individual, pois seduz com a ideia de que cada um pode gerir sua própria rotina, fazer escolhas, ter autonomia, organizar seu próprio tempo e se “empoderar”. Não há tempo para identificação nem acomodação. A realidade, no entanto, reflete uma auto exploração assombrada pela insegurança e pela instabilidade, o que nos faz reconhecer que o trabalhador cultural é o produtor pós-fordista por excelência. Ou, em outras palavras, o meio da arte se tornou o modelo bem-sucedido da precarização porque, por cima de todas essas porcarias, somos o território do “sensível”, do “pensamento crítico”, da “força criativa” etc. Balela neoliberal.
Tudo isso, é claro, nos coloca numa posição difícil. A não ser que você seja herdeiro ou tenha sido agraciado com um sobrenome importante, pagar as contas te faz ter que jogar com esses esquemas. Daí que muitas vezes utilizamos o argumento de que vamos “ruir o sistema por dentro” para aceitar convites de iniciativas com que não concordamos no todo. Às vezes porque precisamos do dinheiro, às vezes porque desejamos algum prestígio e visibilidade, ou simplesmente porque é através delas que vai ser possível realizar qualquer coisa que seja. Na prática, o “ruir por dentro” tem tornado essas estruturas ainda mais fortalecidas e sofisticadas com os nossos selos politicamente engajados. E não é raro nos sentirmos ridículos.
Isabell Lorey (2015) tem definido a precariedade como forma de regulação do nosso tempo histórico. Mais do que isso: a produção de um regime de precariedade é a forma de governar pessoas no século XXI. A instabilidade produzida pela precarização nos impede inclusive de protestar e exigir direitos. Tememos perder laços de trabalho ao endereçar críticas, tememos fazer reclamações porque elas podem nos fechar portas no futuro. A expressão “rabo preso” vem muito bem a calhar. Ademais, o trabalho precarizado isola e individualiza o trabalhador, além de dificultar os recursos de organização coletiva. Não apenas porque acentua a concorrência, mas também porque fragmenta radicalmente as etapas de trabalho, suprime convivências e reduz encontros. Por tudo isso, a precariedade é uma governabilidade, e isso também é lição da arte.
Nós, trabalhadores do meio cultural, somos todos cúmplices dessa equação, em maior ou menor grau, e não estou isenta disso. Me pergunto, porém, se estamos realmente cientes de como isso integra o nosso trabalho diário. Não haverá vida imune ao mercado e nem redenção, mas ainda vale investir em alguma sobrevida que não se reduza a isso.
Antes de tudo, podemos desconfiar cada vez mais de discursos e propósitos pautados na transcendência da arte, da experiência e do valor. Junto a isso, podemos compreender que assumir uma postura política é agir diante de uma situação concreta, que vai além de rótulos discursivos, e isso significa analisar deliberadamente com quem nos associamos e sob que condições. Além disso, se não nos resta alternativas de trabalho mais saudáveis, talvez possamos negociar melhor os nossos aceites, de forma mais ativa e propositiva. Em todo caso, celebrar a “diversidade brasileira” não basta, cumprir as normas da representatividade tampouco. Precisaremos de articulação e imaginação coletiva e, não custa lembrar, já percebemos que isso não se resolverá nos feeds do instagram.
[1] https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/12/estadio-do-pacaembu-e-invadido-por-obras-de-arte-as-vesperas-de-reforma.shtml
[2] O site da exposição ainda pode ser visitado através de: http://www.feitoporbrasileiros.com.br/
[3] http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/week_2014_09_21.html
[4] https://vejasp.abril.com.br/cidades/anish-kapoor-casa-bradesco-da-criatividade-cidade-matarazzo/
[5] https://www.forbes.com.br/principal/2020/02/a-potencia-de-criacao-da-cidade-matarazzo/
[6] “Não estamos falando de pequenas samambaias num jardim vertical, mas sim de árvores enormes, de 15 a 18 metros, que dialogam com a altura da torre. É a ascensão por meio da natureza.” – Essas são as aspas de Jean Nouvel no site da Cidade Matarazzo.
[7] https://www.forbes.com.br/principal/2020/02/a-potencia-de-criacao-da-cidade-matarazzo/
[8] No site do projeto, o designer Philippe Starck explica suas escolhas: “Utilizamos pedras brasileiras extraordinárias assim como madeiras brasileiras lindíssimas. Todos os quartos do hotel serão equipados com um kit-mural que permite ao hóspede expor ou não obras de arte brasileiras através de um jogo de painéis em lambril de madeira. Há algumas vitrines com estatuetas e outras com arte plumária. É a realização do que associo à imagem e ao objeto.”
[9] https://www.revistaapalavrasolta.com/post/hito-steyerl-na-tradu%C3%A7%C3%A3o-de-julia-de-souza?fbclid=IwAR3sgQmM0cvXwdrXCdNMss5ssOlXY915egj6NAxsCxgd95CIACq3UPQHYG4
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André Taniki Yanomami nasceu por volta de 1945 na aldeia Okorasipëki, nas cabeceiras do rio Lobo d’Almada, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Taniki, além de artista, é xamã, um
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André Taniki Yanomami nasceu por volta de 1945 na aldeia Okorasipëki, nas cabeceiras do rio Lobo d’Almada, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Taniki, além de artista, é xamã, um mediador entre o mundo humano e o mundo espiritual em culturas indígenas e tradicionais, capaz de comunicar-se com espíritos, curar e equilibrar forças visíveis e invisíveis por meio de rituais, cantos e transes. Entre 1976 e 1985, Taniki desenvolveu um conjunto de desenhos em diálogo com uma artista, um antropólogo e missionários. Esta exposição é a primeira dedicada inteiramente à sua obra e reúne 121 desenhos realizados em dois momentos: nas trocas com a fotógrafa suíço-brasileira Claudia Andujar, em 1976–77, e nos encontros com o antropólogo francês Bruce Albert, em 1978, nas aldeias onde o artista-xamã vivia.
Nos desenhos de 1976–77, Taniki criou cenas da visão de mundo yanomami e de rituais funerários que ocorriam na sua comunidade. Esses desenhos, expostos nesta parede, foram realizados em cores já utilizadas pelos Yanomami nas pinturas corporais e cestarias, como preto, roxo e vermelho. No ano seguinte, em diálogo com Albert, Taniki produziu os desenhos expostos na parede oposta a essa, registrando suas visões durante transes xamânicos em composições multicoloridas e vibrantes, com formas abstratas e geométricas. Eles demonstram como Taniki era estimulado espiritual e visualmente pelo poder da yãkoana, pó psicoativo proveniente da casca de uma árvore amazônica. Similar à ayahuasca, é inalado pelos xamãs e alimenta os espíritos.
Na visão de mundo yanomami, a noção de imagem (utupë) não é apenas a compreensão visível, mas também a essência interior que constitui o núcleo vital de todas as coisas. O título da exposição, Ser imagem (Në utupë, em yanomami), refere-se ao movimento espiritual que Taniki faz, nos rituais xamânicos, de deixar de ser apenas humano e conseguir existir em forma de imagem, assim como os espíritos. Até hoje, Taniki exerce em sua comunidade suas responsabilidades xamânicas, mediando relações entre os espíritos ancestrais e os Yanomami não xamãs. Do mesmo modo, embora não desenhe mais, suas obras continuam a atestar seu poder intermediador, tornando o invisível (as imagens-espíritos) visível (as imagens-desenhos).
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Mateus Nunes, curador assistente, MASP
Serviço
Exposição | André Taniki Yanomami: ser imagem
De 05 de dezembro a 05 de abril
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do artista Daniel Buren (1938, Boulogne-Billancourt), realizado em parceria com a Galeria Nara Roesler. Iniciado em 1975, o trabalho transforma velas de barcos em suportes de arte, deslocando o olhar do espectador e ativando o espaço ao redor por meio do movimento, da cor e da forma. Ao longo de cinco décadas, o projeto foi apresentado em cidades como Genebra, Lucerna, Miami e Minneapolis, sempre em diálogo direto com a paisagem e o contexto locais.
Concebida originalmente em Berlim, em 1975, Voile/Toile – Toile/Voile destaca o uso das listras verticais que Daniel Buren define como sua “ferramenta visual”. O próprio título da obra explicita o deslocamento proposto pelo artista ao articular dois campos centrais do modernismo do século 20 — a pintura abstrata e o readymade —, transformando velas de barcos em pinturas e ampliando o campo de ação da obra para além do espaço expositivo.
“Trata-se de um trabalho feito ao ar livre e que conta com fatores externos e imprevisíveis, como clima, vento, visibilidade e posicionamento das velas e barcos, de modo que, ainda que tenha sido uma ação realizada dezenas de vezes, ela nunca é idêntica, tal qual uma peça de teatro ou um ato dramático”, disse Daniel Buren, em conversa com Pavel Pyś, curador do Walker Art Center de Minneapolis, publicada pelo museu em 2018.
No dia 24 de janeiro, a ação tem início com uma regata-performance na Baía de Guanabara. Onze veleiros da classe Optimist partem da Marina da Glória e percorrem o trajeto até a Praia do Flamengo, equipados com velas que incorporam as listras verticais brancas e coloridas criadas por Buren. Em movimento, as velas se convertem em intervenções artísticas vivas, ativando o espaço marítimo e o cenário do Rio como parte constitutiva da obra. O público poderá acompanhar a ação desde a orla, e toda a performance será registrada.
Após a conclusão da regata, as velas serão deslocadas para o foyer do MAM Rio, onde passarão a integrar a exposição derivada da regata, em cartaz de 28 de janeiro a 12 de abril de 2026. Instaladas em estruturas autoportantes, as onze velas – com 2,68 m de altura (2,98 m com a base) – serão dispostas no espaço de acordo com a ordem de chegada da regata, seguindo o protocolo estabelecido por Buren desde as primeiras edições do projeto. O procedimento preserva o vínculo direto entre a performance e a exposição, e evidencia a transformação das velas de objetos utilitários em objetos artísticos. A expografia é assinada pela arquiteta Sol Camacho.
“Desde os anos 1960, Buren desenvolve uma reflexão crítica sobre o espaço e as instituições, sendo um dos pioneiros da arte in situ e da arte conceitual. Embora Voile/Toile – Toile/Voile tenha circulado por diversos países ao longo dos últimos 50 anos, esta é a primeira vez que a obra é apresentada no Brasil. A proximidade do MAM Rio com a Baía de Guanabara, sua história na experimentação e sua arquitetura integrada ao entorno fazem do museu um espaço particularmente privilegiado para a obra do artista”, comenta Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio.
Ao prolongar no museu uma experiência iniciada no mar, Voile/Toile – Toile/Voile estabelece uma continuidade entre a ação na Baía de Guanabara e sua apresentação no espaço expositivo do MAM Rio, integrando paisagem, arquitetura e percurso em uma mesma experiência artística.
“A maneira como Buren tensiona a relação da arte com espaços específicos, principalmente com os espaços públicos, é fundamental para entender a história da arte contemporânea. E essa peça Voile/Toile – Toile/Voile, que começa na Baía de Guanabara e que chega aos espaços internos do museu, é um exemplo perfeito dessa prática”, comenta Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.
Em continuidade ao projeto, a Nara Roesler Books publicará uma edição dedicada à presença de Daniel Buren no Brasil, reunindo ensaios críticos e documentos da realização de Voile/Toile – Toile/Voile no Rio de Janeiro, em 2026.
Serviço
Exposição | Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela)
De 28 de janeiro a 12 de abril
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h
Período
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste, Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste,
Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a coletiva propõe uma interlocução entre os programas das galerias ao explorar as afinidades entre os artistas Montez Magno (1934, Pernambuco), Mari Ra (1996, São Paulo), Zé di Cabeça (1974, Bahia), Fabio Miguez (1962, São Paulo) e Adenor Gondim (1950, Bahia). A mostra propõe um olhar ampliado para as arquiteturas vernaculares que marcam o Nordeste: fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de feiras e festas e estruturas efêmeras que configuram a paisagem social e cultural da região.
Nesse conjunto, Fabio Miguez investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas enquanto Zé di Cabeça transforma registros das platibandas do subúrbio ferroviário soteropolitano em pinturas. Mari Ra reconhece afinidades entre as geometrias que encontrou em Recife e Olinda e aquelas presentes na Zona Leste paulistana, revelando vínculos construídos pela migração nordestina. Já Montez Magno e Adenor Gondim convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste, Magno pela via da abstração geométrica presentes nas séries Barracas do Nordeste (1972-1993) e Fachadas do Nordeste (1996-1997) e Gondim pelo registro fotográfico das barracas que marcaram as festas populares de Salvador.
A parceria entre as galerias se dá no aniversário de 2 anos da Galatea em Salvador e reforça o seu intuito de fazer da sede na capital baiana um ponto de convergência para intercâmbios e trocas entre artistas, agentes culturais, colecionadores, galerias e o público em geral.
Serviço
Exposição | Barracas e fachadas do nordeste
De 30 de janeiro a 30 de maio
Terça – quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma investigação estética e proposição política que contesta os modos históricos de construção do corpo negro, questionando paradigmas científicos, anatômicos e normativos que sustentaram, e ainda sustentam, estruturas de dominação racial.
A exposição parte da problematização sobre os processos de subjetividades negras que foram sistematicamente moldados pela exploração do trabalho, pela lógica capitalista de produção de valor e pela violência institucional. Nesse sentido, as obras constroem uma arena crítica que evidencia como essas engrenagens operam na manutenção de desigualdades e na naturalização da precarização da vida negra.
Reunindo desenhos e instalações, Greve Negra Já! tem curadoria de Renato Lopes (SP) e apresenta um conjunto de trabalhos que tensiona modelos hegemônicos de representação, contrapondo com outras formas de leitura do corpo, da existência e da experiência negra. As obras atuam como dispositivos de confronto, instaurando uma perspectiva que recusa padrões impostos e afirma a possibilidade de reorganização política.
A noção de greve, no contexto da exposição, é construída enquanto campo de atuação amplificados e peça-chave para pensarmos mudanças radicais. Mais do que suspensão, trata-se de um posicionamento ativo, um movimento estratégico de anulação das lógicas que transformam a exploração da população negra em norma. A mostra evidencia a centralidade da classe trabalhadora negra na produção de riqueza, ao mesmo tempo em que denuncia sua exclusão sistemática do acesso a essa riqueza.
Ao estabelecer um diálogo direto com os legados da escravização e suas atualizações contemporâneas, Greve Negra Já! se afirma como uma ação direta de afirmação coletiva. Com produção de Elaine Pinheiro, a exposição propõe ao público uma reflexão crítica sobre os vários mecanismos que condicionam a exploração do trabalho estritamente negro e convoca para a construção de uma consciência de classe orientada por uma perspectiva afrocentrada.
Programa educativo
Ao longo da exposição serão realizadas ações educativas para o público espontâneo. Estão previstas oficinas de desenho e uma formação específica para professores do ensino formal e não-formal, conduzida por Karenn Amorim, arte-educadora, graduada em Artes Plásticas e mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo, atualmente doutoranda em Artes pelo Programa de Pós-graduação em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição | Greve Negra Já!
De 24 de fevereiro a 26 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Museu de Arte do Espírito Santo (Maes)
Av. Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória - ES
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Parte de um acervo de arte particular ficará disponível para o grande público entre os dias 24 de fevereiro a 26 de abril no Museu de Arte do Espírito Santo
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Parte de um acervo de arte particular ficará disponível para o grande público entre os dias 24 de fevereiro a 26 de abril no Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES). É a mostra “Arte em todos os sentidos”, que vai reunir obras contemporâneas de 36 artistas capixabas e nacionais.
A mostra integra o projeto Acervo RDA – Preservação e Difusão do Acervo Ronaldo Domingues de Almeida na Midiateca Capixaba, cujo objetivo é contribuir para a democratização do acesso à arte e salvaguardar a memória do patrimônio artístico capixaba, em especial.
O projeto foi aprovado no Edital nº 18, lançado pela Secretaria da Cultura (Secultes) em 2024, e foi contemplado com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espirito Santo (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MINC).
41 obras
Com um olhar direcionado à contemporaneidade, o diretor do MAES, Nicolas Soares, fez a curadoria da exposição e selecionou 41 pinturas, gravuras, desenhos, fotografias e esculturas entre as obras que integram o acervo do colecionador de arte Ronaldo Domingues de Almeida.
“Nunca planejei formar um acervo. Queria apenas conviver com a arte no cotidiano. A coleção cresceu de forma espontânea, movida pelo interesse estético e pela experiência proporcionada por cada obra. Com o tempo, fiquei me perguntando qual o sentido de manter tantas obras restritas a poucos”, descreve o colecionador e curador adjunto da mostra.
A exposição permitirá que os visitantes apreciem criações de artistas nacionais que nunca ou raríssimas vezes expuseram em Vitória.
“Quanto aos artistas capixabas escolhidos, na impossibilidade de apresentar a totalidade, o curador selecionou nomes representativos de períodos diversos, buscando obras cujas temáticas fogem daquelas pelas quais habitualmente são reconhecidos”, completa a jornalista Adriana Machado, coordenadora do projeto e produtora executiva da exposição.
O nome “Arte em todos os sentidos” é uma referência a um detalhe de uma obra do artista Paulo Bruscky, uma arte postal, cujo título é “Hoje a Arte é este Comunicado”. A peça faz parte do acervo e a escolha do título dialoga com o projeto.
Projeto Acervo RDA
A mostra é uma das ações formativas integradas ao projeto Acervo RDA, que está em execução. Obras do acervo estão sendo catalogadas e digitalizadas para inserção na plataforma online do Governo do Estado, Midiateca Capixaba.
A realização da exposição no MAES se deve ao convite feito pela instituição, por reconhecer a relevância do projeto tanto em relação à preservação da memória dessas obras quanto pelo propósito de buscar a democratização do acesso à arte.
“Foi dessa reflexão que nasceu o desejo de compartilhar. A digitalização e a inserção do acervo na Midiateca Capixaba transformam o que era privado em acesso público, ampliando a experiência da arte e sua função social. E, agora, estamos levando parte desse acervo fisicamente durante a exposição”, acrescenta Adriana Machado.
Serviço
Exposição | Arte em todos os sentidos
De 24 de Fevereiro a 26 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES)
Avenida Jerônimo Monteiro, 631, Centro de Vitória - ES
Detalhes
A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo.
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A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo. A mostra reúne pinturas íntimas, de pequena escala, sobre linho e latão, ao lado de obras de grandes dimensões sobre tecido, produzidas entre Nova York, onde a artista vive, e São Paulo, onde atualmente realiza uma residência na Casa Onze.
Wasserman investiga questões de intimidade, gênero e metamorfose, entrelaçando referências à pintura clássica e à cultura material com expressões contemporâneas da experiência queer. Trabalhando sobre tecidos e metais, a artista trata o suporte como participante ativo de cada composição. Óleo, silverpoint — traços obtidos pelo atrito da prata sobre uma superfície preparada — e processos químicos são aplicados de modo a permitir que oxidações, manchas e variações tonais emerjam e permaneçam visíveis. Sua abordagem da figuração evita a nitidez corporal ou contornos rigidamente definidos, privilegiando espaços amorfos onde formas flutuam e se dissolvem. Técnicas históricas são reimaginadas para dar origem a corpos e atmosferas mutáveis, ao mesmo tempo luminosos e sombrios, suspensos em um estado de emergência contínua.
Há tempos, Wasserman trabalha a natureza-morta como um modo de pensar visualmente, tratando os objetos como uma composição silenciosa, mais do que como uma exibição simbólica. Ela pinta arranjos florais e cenas de jardim, como em From the garden at the new squat (2026) [Do jardim da nova ocupação], em que o pigmento parece fundir-se à superfície metálica, conferindo às imagens uma profundidade quieta e ambiente. Em Still life with purple apple, empty bowl, lock rake (2026) [Natureza-morta com maçã roxa, tigela vazia, instrumento para destravar fechaduras], o instrumento introduz uma nota de acesso transgressivo, fazendo referência a experiências vividas da identidade trans e a modos de atravessar espaços para além de estruturas normativas.
Serviço
Exposição | Willa Wasserman: Purple apple
De 25 de fevereiro a 18 de abril
Terça a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galpão Fortes D’Aloia & Gabriel Jardins
Rua Barão de Capanema 343, Jardins – São Paulo - SP
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de construção de conhecimento, aproximando práticas artísticas, educativas e comunitárias.
Com a curadoria de Luciara Ribeiro, Naine Terena e Khadyg Fares, a Trienal propõe uma escuta atenta ao território sorocabano, atravessando suas camadas históricas, visuais e sociais.
O título do caminho um rezo une o conceito de “caminho como rezo”, difundido pelo professor e artista Tadeu Kaingang, à noção andina de “Thaki”, descrita pela socióloga Silvia Rivera Cusicanqui, e à ideia de “confluências afropindorâmicas”, do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), orientando uma reconexão com experiências culturais, educacionais e de memória que articulam corpo, território e vida social.
São, ao todo, 188 obras (das quais 26 foram comissionadas) desenvolvidas a partir de experiências negras, indígenas, periféricas e dissidentes, que ocupam tanto a unidade, quanto espaços da cidade, como a Capela João de Camargo, o Clube 28 de Setembro, o Monumento Pelourinho e o Monumento à Mãe Preta.
Assim como nas edições anteriores, Frestas se afirma como uma iniciativa que descentraliza o circuito de arte contemporânea, reconhecendo Sorocaba e o interior paulista como território de confluência entre relações artísticas e comunitárias.
Serviço
Exposição | do caminho um rezo
De 27 de fevereiro a 16 de agosto
Terças a sextas, 9h às 21h30. Sábados, 10h às 20h. Domingos e feriados, 10h às 18h30. Exceto dia 3/4
Período
Local
Sesc Sorocaba
R. Barão de Piratininga, 555 - Jardim Faculdade, Sorocaba - SP
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Paisagens com horizontes e formações aparentemente vegetais, possivelmente geológicas. Cenas internas e externas, de interações humanas e animais. Telas veladas por chassis e caixas, cenas reveladas entre molduras teatrais —
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Paisagens com horizontes e formações aparentemente vegetais, possivelmente geológicas. Cenas internas e externas, de interações humanas e animais. Telas veladas por chassis e caixas, cenas reveladas entre molduras teatrais — esses são alguns dos principais motivos que aparecem na produção recente de Thales Pomb. Suas pinturas, desenhos e esculturas produzem imagens que não podem ser facilmente associadas à realidade. Ao confrontar a tensão entre cor e forma na constituição pictórica, essas obras subvertem a figuração para favorecer o gesto. As figuras, cenas e paisagens se tornam aqui, meios metafísicos para a contemplação do imaginar.
Montando e desmontando liminarmente o espaço-tempo, os campos de cores difusas nas pinturas evocam luzes raras, como a luminosidade oblíqua que envolve o entorno do nascer e do pôr do sol, especialmente na natureza. Essas luzes atravessam o espaço em pouco tempo e apesar — ou por causa — disso, depositam momentos de suspensão, em que tudo está por ser revelado ou ocultado, tudo parece prestes a se transformar. Os contrastes e gradações cromáticas esquematizam fases de uma luz fragmentada, estruturando o espaço-tempo de um gerúndio perpétuo, em que há apenas o possível infinito do momento enquanto ele se torna.
Nas pinturas recentes de Thales Pomb, cenas são frequentemente constituídas em séries, como a série de montadores, a série de gatos ao ar livre e a série de bocas de cena. Na primeira, as imagens mobilizam montadores de obras de arte entre formas e espaços liminares, remetendo às dinâmicas misteriosas do próprio mundo da arte: a circulação de obras, sua entrada e saída controlada dos espaços. O conteúdo dessas obras é um dado velado, mas indiferente — os chassis, as caixas e as embalagens integram-se ao ritmo dos campos de cor matizados entre luz e sombra, das horizontais e diagonais que sugerem possíveis horizontes e profundidades, estruturando tempo e espaço. Os movimentos das caixas e dessas obras veladas não geram suspeitas sob a luz solar: atravessam naturalmente os planos por onde essa luz se espreguiça, como se estivesse chegando ou se preparando para se retirar. Os títulos dessas pinturas aludem à dança e à coreografia de movimentos precisos: bailando, tango, passinho, ajustezinho, bolero e puxadinha. O potencial de desprendimento dessas ações está contido na tensão entre cores e formas, que, ao depositar metafisicamente o tempo no espaço pictórico, utiliza a figuração para gesticular a poética de uma incógnita.
Se na pintura sobre tela Thales Pomb trabalha a partir da “queima”, aplicando sobre a tela camadas intensas de tons quentes das quais emerge a imanência formal de suas imagens, nos desenhos em lápis Conté sobre papel Ingres o artista estabelece outra imanência, fundada no branco do papel — o “fundo” material dessas imagens. As manchas e marcas em tons de cinza e preto produzidas pelo Conté reverenciam os efeitos de luz e sombra dos desenhos de Georges Seurat (1859–1891), valendo-se também da textura do papel Ingres para sugerir massas à contraluz. Nesses desenhos, a densidade das formas mais escuras relaciona-se com campos vazios — ou suavemente constituídos —, produzindo o mesmo efeito suspensivo presente nas pinturas.
A produção recente de Thales Pomb, ao criar imagens a partir da cor e da forma, propõe uma reflexão sobre a dificuldade contemporânea de “estar presente”: contemplar o momento exige a capacidade de habitar o inquietante. Isso não significa sucumbir à hiperestimulação sensorial, mas buscar aquilo que ainda não se conforma à imagem do real. Refletindo sobre a filosofia prática de nosso tempo, Vladimir Safatle propõe que, diante do agravamento das crises e da urgência de nos confrontarmos com o real, seria preciso “deixar os fragmentos da experiência falarem, serem expostos no ponto inicial em que colidem com o pensamento”. Safatle sugere que o sublime, como outros conceitos, está submetido à obsessão contemporânea por segurança, motivo da intolerância geral à colisão e à ruptura. O sublime, porém, “enquanto conceito indeterminado da razão”, liga-se às experiências que fazem a imaginação confrontar seus próprios limites, formalizando justamente “o que não se submete à forma da representação”. Se historicamente o sublime esteve na sensação de pequenez ou de terror diante da totalidade imposta pela natureza, na contemporaneidade o sublime está justamente na sensação de fragmentação que um mundo em crise produz.
Essa fragmentação se reflete na pintura de Thales Pomb, em que cada campo de cor pode ser visto individualmente ou separadamente, fazendo e desfazendo a unicidade da imagem. Thales refletiu em seu ateliê: “Antes, eu já sabia a imagem que queria desde o começo. Agora, eu não sei o que vou pintar. Eu pago para ver”. No lugar de uma dependência projetual que assegura a imagem antes mesmo de existir, suas pinturas e desenhos enfrentam a experiência espaço-temporal do momento, sem a pretensão de conhecê-lo como definição. Apenas com a consciência de que o gesto pictórico é capaz de dar forma à liminaridade sublime e transformar cada instante em um momento de contemplação.
Gabriela Gotoda – curadora
Serviço
Exposição | Enquanto se torna
De 28 de fevereiro a 13 de abril
Segunda a sexta-feira, das 10hs às 19hs; sábado, das 10hs às 15hs
Período
Local
Danielian Galeria SP
R. Estados Unidos, 2114 - Jardim Paulista
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Solidão Coletiva, individual inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre as contradições da sociedade contemporânea e os modos de
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Solidão Coletiva, individual inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre as contradições da sociedade contemporânea e os modos de existência em um mundo cada vez mais povoado, acelerado e regulado. Com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia assinada por Daniela Thomas, a mostra reúne oito séries fotográficas realizadas entre 2016 e 2023, resultado de um extenso trabalho de observação em grandes centros urbanos como São Paulo, Nova York, Tóquio, Mumbai, Pequim e Jacarta.
O título da exposição dialoga com o pensamento da filósofa Hannah Arendt, para quem a sociedade moderna, estruturada em torno do trabalho, tende a suprimir a possibilidade de ação e a reduzir o indivíduo à condição de agente funcional. “As imagens de Bittencourt observam grupos humanos imersos em rotinas produtivas, fluxos incessantes de informação e espaços que impõem contenção física e simbólica. O confinamento surge como eixo recorrente, mesmo quando os mecanismos de controle não se apresentam de forma explícita”, conta Wisnik.
Em suas fotografias, Julio Bittencourt busca registrar não acontecimentos extraordinários, mas estados de suspensão. São, para o artista, corpos anônimos, captados em situações de espera, repetição ou adaptação a ambientes que os condicionam. De empregados isolados em escritórios a trabalhadores alojados em hotéis cápsula, a privação deixa de ser exceção para se tornar parte estrutural do cotidiano urbano. “Há, nesse gesto, uma dimensão política que não se baseia na denúncia direta, mas na insistência em tornar visível aquilo que costuma passar despercebido”, diz o curador.
As séries se articulam como capítulos de uma narrativa aberta, marcada por tensão e ressonância. Transitando entre o documental e o conceitual, Julio Bittencourt explora a fotografia como linguagem crítica, livre do compromisso jornalístico com o fato imediato, mas atenta às possibilidades poéticas do olhar.
Solidão Coletiva – Júlio Bittencourt é uma exposição apresentada pela CAIXA Cultural, com realização da Phi Projetos e Cinnamon e patrocínio da CAIXA e Governo do Brasil.
Serviço
Exposição | Solidão Coletiva
De 03 de março a 12 de julho
Terça a domingo, das 9h às 18h
Período
Local
CAIXA Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111 – Centro – SP
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O CCBB BH recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, com obras em escultura, crochê e bordado da artista maranhense Marlene Barros, propondo uma reflexão sobre o corpo feminino, a desvalorização histórica
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O CCBB BH recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, com obras em escultura, crochê e bordado da artista maranhense Marlene Barros, propondo uma reflexão sobre o corpo feminino, a desvalorização histórica das mulheres e a invisibilização de seus fazeres no campo da arte. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a mostra transforma o gesto íntimo do costurar em narrativa pública de resistência, pertencimento e reinvenção, transformando agulha e linha em instrumentos de denúncia, memória e elaboração simbólica.
A exposição conta com instalações como “Eu tenho a tua cara”, com 49 rostos de mulheres que trocam olhos e bocas costurados, tensionando identidade e alteridade; “Caixa Preta”, que constrói um autorretrato expandido a partir de fotografias, intervenções têxteis e escritos; “Coso porque está roto”, que apresenta um casaco cujo avesso revela órgãos bordados que simbolizam sentimentos e acionam a ideia de reparo; “Entre nós”, que mergulha em objetos de crochê para problematizar tarefas naturalizadas no âmbito doméstico; e “Quem pariu, que embale”, que questiona a atribuição quase exclusiva do cuidado dos filhos às mulheres. A montagem do percurso expositivo, coordenada por Fábio Nunes, com produção executiva de Júlia Martins, propõe uma trajetória não cronológica, permitindo que o público construa sua própria experiência entre matéria, gesto e memória.
Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros consolidou-se como referência no cenário artístico maranhense, articulando produção, formação e redes culturais por meio do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM. A exposição tem origem em pesquisa desenvolvida durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, quando propôs costurar simbolicamente uma casa em ruínas no campus Santiago, em Portugal, em um gesto de remendar fissuras do tempo. A casa, convertida em metáfora do corpo, permitiu expandir a reflexão para o universo feminino em suas dimensões sociais, políticas e afetivas, compreendendo a tecelagem como metáfora dos vínculos, da memória e do fluxo da vida.
Serviço
Exposição | Marlene Barros: Tecitura do Feminino
De 04 de março a 01 de junho
Quarta a segunda, das 10h às 22h
Período
Local
Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)
Praça da Liberdade, 450 - Funcionários, Belo Horizonte - MG
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A exposição Rafael Pereira: A Cabeça de Zumbi inaugura a programação de 2026 da Galeria Estação, reafirmando a força poética e a crescente complexidade do trabalho do artista paulistano de
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A exposição Rafael Pereira: A Cabeça de Zumbi inaugura a programação de 2026 da Galeria Estação, reafirmando a força poética e a crescente complexidade do trabalho do artista paulistano de 39 anos. Ao longo de sua trajetória Rafael percorreu diversos Estados do Brasil, viveu por 14 anos decisivos em Teófilo Otoni (MG) e, atualmente, reside em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo.
Desde Lapidar Imagens, sua primeira exposição individual na galeria, realizada em 2023, o artista atravessou um ciclo de amadurecimento que ampliou seu vocabulário visual ao revisitar aspectos estruturantes de sua trajetória — da formação como lapidador de pedras preciosas às experiências de circulação pelo país. Esse percurso se desdobra agora em uma mostra que articula memória, identidade e subjetividade.
“Desde que Rafael entrou na Estação, em 2023, acompanhamos de perto seu processo consistente de amadurecimento. Ele é um artista que cresceu em segurança, em repertório e em consciência do próprio trabalho. Entre Lapidar Imagens e esta nova individual sua obra ganhou densidade. A exposição reflete um salto real em sua trajetória. Quando um artista como ele encontra um espaço institucional que o apoia, ele ganha o mundo. No caso dele, nosso respaldo foi fundamental para que ele se sentisse mais livre para arriscar, aprofundar processos e ampliar sua linguagem”, defende Vilma Eid, sócia-fundadora da Galeria Estação.
Produzidas no biênio 2024 – 2025, as pinturas inéditas incorporam um universo multicolorido de retratos, paisagens e elementos simbólicos que, segundo o artista, emergem de uma escuta profunda de si mesmo, em um processo consciente de desaceleração: “Hoje eu sinto que o meu trabalho acontece em outro tempo. Antes, eu tinha muita urgência, uma necessidade de produzir o tempo todo, quase como se eu precisasse provar alguma coisa. Agora eu entendo que esses processos devem ser mais lentos, que a pintura precisa de tempo para maturar, assim como eu”, explica.
Composta por dois núcleos expositivos, a mostra reúne 22 pinturas no 2º andar da Galeria Estação — sendo 20 retratos e duas naturezas-mortas — e apresenta, no mezanino, a série Nbimda, formada por 16 pinturas de cabeças de dimensões variáveis. Cada obra representa uma divindade (nkisi) cultuada no candomblé de Angola de matriz Bantu. Ao abordar esse conjunto, o historiador da arte Renato Menezes, autor do texto crítico do catálogo da mostra, destaca a centralidade simbólica da cabeça como elo entre o corpo, a ancestralidade e o divino:
“O que para os europeus se apresentou unicamente como fisionomia, isto é, como emanação da personalidade, revela-se, na pintura de Pereira, como elo com o divino: a cabeça, orí para os Iorubá e mutuê para os Bantu. É na cabeça onde reside a força vital do indivíduo; está ali sua conexão com o nkisi, a energia ancestral e destino individual que cada sujeito traz consigo ao nascer. O tema da cabeça ancestral organiza a série Nbimda”, destaca Menezes.
Ao exaltar e ressignificar a ancestralidade afrodiaspórica que constitui parte majoritária da sociedade e da formação cultural brasileira, Rafael também explicita sua intenção de dar maior complexidade às discussões sobre racialidade, afastando-se de leituras reducionistas em favor da construção de uma subjetividade negra.
“Não quero que meu trabalho seja lido só a partir de um corte racial. Não quero que um corpo negro sorrindo seja visto como um acontecimento, enquanto um corpo branco sorrindo é só uma imagem. O que me interessa é construir uma subjetividade negra que seja complexa, íntima e contraditória. Não quero negar a questão racial. Quero ir além dela. Quero que meu trabalho seja visto como imagem e experiência, e que a negritude esteja ali de forma profunda, não como um rótulo”, provoca o artista.
Segundo Menezes, essa produção recente, marcada pela força intuitiva do gesto pictórico, amplia ainda mais as leituras possíveis sobre a obra de Rafael, já insinuadas na interpretação de caráter modernista dos trabalhos presentes em Lapidar Imagens.
“Em um primeiro momento, sua obra parece resultar diretamente da absorção desses códigos da retratística tradicional para, a partir deles, imaginar futuros, reconstituir histórias e inventar identidades, superando o modo como a vida negra foi avaliada. Por outro lado, o artista cria fisionomias a partir de sua imaginação, como em um exercício de ajuste de contas com a história e de acesso a uma dimensão da memória neutralizada pelo trauma: a intuição é uma tecnologia ancestral. Assim, ele faz reexistir, por meio de suas cores, a presença viva de pessoas atravessadas por sentimentos, pensamentos e desejos silenciosos”, observa Menezes no catálogo.
A exposição evidencia, ainda, a ampliação de técnicas experimentadas durante o período formativo de Pereira, como o uso de bastão de giz pastel óleo sobre papel, revelando processos investigativos de um trabalho em transformação. Parte das obras foi produzida em março de 2025, durante a residência artística realizada por ele em Goiânia (GO), no Sertão Negro Ateliê e Escola de Artes, projeto idealizado pelo artista visual e educador Dalton Paula e pela professora e pesquisadora de cinema Ceiça Ferreira. Localizado em um quilombo do bairro conhecido como Setor Shangri-lá, o espaço articula tradições culturais afro-brasileiras e práticas de arte contemporânea, com atividades em cerâmica, gravura, capoeira angola, agroecologia e cineclube.
“A residência no Sertão Negro foi decisiva para o Rafael, não apenas no plano técnico, mas como experiência de troca com outros artistas e abertura de mundo. Ele voltou mais seguro, mais consciente da própria voz — e isso aparece com força nesta exposição, que mostra um Rafael mais amplo com trabalhos diferentes reunidos em dois núcleos distintos. São quase duas exposições que se complementam e ajudam a entender melhor o artista. Abrir a programação de 2026 com o Rafael foi uma decisão muito consciente. Ele tem um público forte, seu trabalho tem ótima circulação e esse é o momento exato para fazermos sua segunda individual”, conclui Vilma Eid.
Serviço
Exposição | A Cabeça de Zumbi
De 5 de março a 11 de abril
Segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 15h; não abre aos domingos
Período
Local
Galeria Estação
Rua Ferreira de Araújo, 625 - São Paulo - SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
Detalhes
Para marcar o início das celebrações de sua primeira década de atuação no mercado da arte contemporânea brasileiro e internacional, a Janaina Torres Galeria apresenta a exposição individual Deborah Paiva (1950–2022): Uma Antologia,
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Para marcar o início das celebrações de sua primeira década de atuação no mercado da arte contemporânea brasileiro e internacional, a Janaina Torres Galeria apresenta a exposição individual Deborah Paiva (1950–2022): Uma Antologia, com curadoria de Tadeu Chiarelli. A mostra tem abertura prevista para 7 de março, das 14h às 18h, e permanece em cartaz até 30 de abril, em São Paulo.
A exposição reúne um conjunto inédito de obras que atravessa diferentes momentos da trajetória de Deborah Paiva (Campo Grande, 1950), artista cuja produção se consolidou a partir de uma investigação rigorosa da pintura como linguagem e campo de reflexão. A sul-mato-grossense, radicada em São Paulo, construiu uma obra com forte senso de liberdade, mantendo-se fiel à experimentação e à margem de tendências e modismos do circuito artístico.
Seus primeiros trabalhos surgem tridimensionais, a maioria deles em grandes dimensões e com caráter quase instalativo. Ao longo do tempo, sua pesquisa vai, gradualmente, voltando-se para a linguagem pictórica, passando por investigações fortemente matéricas – com procedimentos próximos à arte povera, utilizando elementos como areia, palha, encáustica e diferentes densidades de tinta – e, posteriormente, se concentra na depuração da pintura, com formatos mais reduzidos e obras menos matéricas, mais silenciosas e introspectivas.
Essa inflexão, no entanto, não se reduz exclusivamente como reflexo de um movimento biográfico ou psicológico, mas muito mais como uma tomada de posição frente à própria condição da pintura no fim do século XX e início do século XXI. Embora a obra de Deborah Paiva opere, frequentemente, no território do hibridismo entre abstração e figuração, recusando a dicotomia tradicional entre esses campos – o que vemos refletido em suas telas, com figura e fundo se contaminando, dissolvendo-se mutuamente reafirmando o compromisso com a investigação pictórica como condição primeira de seu trabalho – Deborah insistiu em voltar-se para a pintura, em um momento histórico no qual tal linguagem via seu statement ser progressivamente questionado e deslocado por expressões mais espetacularizadas.
Ao longo de sua trajetória, a artista não se limita a um estilo fixo, nem com um programa estético fechado e, definitivamente, não opta pela combatividade como era tendência naquele momento. A pintura da artista pode ser narrativa ou formal, planar ou matérica, figurativa ou não figurativa, assumindo-se sempre como um campo aberto de possibilidades. Outro ponto que chama a atenção em sua obra é que a artista rejeitava a noção linear da evolução de sua poética, quando evitava a datação rigorosa de suas obras, entendendo o tempo da pintura como o tempo do próprio fazer: o ritmo do gesto e a duração do trabalho.
Grande parte de sua iconografia, que conferiu assinatura às suas obras, a partir de 2010, integra a abstração às figuras humanas — em sua maioria femininas — apresentadas de costas, de perfil ou com o rosto encoberto, além de interiores e paisagens. Essas imagens se recusam, no entanto, à redução da representação da solidão existencial do sujeito, e acabam por operar como metáfora da solidão da própria pintura enquanto linguagem artística à época, voltada para si mesma e relativamente afastada do debate contemporâneo mais amplo.
Nesse sentido, como observado pelo curador da exposição, Tadeu Chiarelli, em seu texto crítico que acompanha a exposição, a produção de Deborah Paiva se aproxima do que Walter Benjamin definiu como “valor de culto” da obra de arte. Ao consolidar sua linguagem e assinatura, a artista privilegiava o caráter íntimo da pintura, afastando-se deliberadamente da monumentalidade e da lógica do espetáculo. Sua obra se afirma na presença silenciosa, que exige do observador uma fruição atenta e desacelerada, em oposição à lógica do valor de exibição que passou a dominar a arte contemporânea, a partir do advento da reprodutibilidade técnica.
Como também pontua Chiarelli, a obra de Paiva, se relaciona estruturalmente com artistas como Iberê Camargo, Jasper Johns, Henri Matisse e Marie Laurencin, esse diálogo não se dá por meio da citação ou da apropriação pós-moderna, mas por afinidades profundas relacionadas às questões da linguagem pictórica, especialmente no que diz respeito à diluição das fronteiras entre abstração e figuração e à fisicalidade da pintura.
A revisão crítica de Tadeu Chiarelli
Para compor essa exposição, Tadeu Chiarelli propõe também uma revisão crítica de sua própria leitura anterior sobre a obra de Deborah Paiva. Em texto escrito em 1997, o curador havia interpretado sua produção como resultado direto da suposta “liberação” da pintura ocorrida nos anos 1980. Hoje, ele reconhece essa leitura como equivocada ao rever a noção de que teria havido uma “volta à pintura” naquele período. Tadeu reconhece a falácia dessa premissa – entendida naquele momento por ele e muitos do meio –, quando afirma que a pintura nunca desapareceu, mas perdeu protagonismo frente a outras modalidades artísticas. Ao constatar a limitação de tal premissa, Chiarelli reconhece que essa visão impediu o entendimento da real complexidade das pinturas de Deborah Paiva. A partir de então, para o crítico e curador, a obra de Deborah passa a ser compreendida não como efeito de uma liberdade recém-conquistada, mas como resposta à condição de isolamento da pintura contemporânea, que, após perder sua centralidade no debate artístico, voltou-se para si mesma como forma de sobrevivência enquanto linguagem. Em última análise, para o curador:
Serviço
Exposição | Deborah Paiva (1950-2022): Uma Antologia
De 7 de março a 30 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h e sábados, das 10h às 16h.
Período
Local
Janaina Torres Galeria
Rua Vitorino Carmilo, 427 Barra Funda, São Paulo-SP
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O trabalho das Irmãs Gelli se organiza a partir da insistência do fazer diário. Um tempo feito de repetição e presença cotidiana, no
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O trabalho das Irmãs Gelli se organiza a partir da insistência do fazer diário. Um tempo feito de repetição e presença cotidiana, no qual o processo não é meio para um fim, mas matéria do próprio trabalho. Ao longo de cinco anos de prática conjunta, Alice e Gabi desenvolveram uma metodologia baseada na experimentação, na paciência e no acolhimento do acaso. É nesse regime de tempo dilatado que a cera, material geralmente associado à transitoriedade e ao descarte, ganha centralidade em sua pesquisa, capaz de reter camadas e incursões.
O novo conjunto de obras apresentado na Casa Seva marca uma inflexão na trajetória das artistas. Se antes a cera aparecia em placas maciças e lisas, orientadas por maior controle e rigor geométrico, agora o trabalho se constrói pela sobreposição orgânica de camadas, por despejo ou submersão, formando uma estratigrafia quase pictórica que acolhe ao inesperado. Como os anéis do tronco de uma árvore, essas camadas são testemunho do tempo depositado na feitura da obra. Revelam também os acasos do percurso, por vezes acolhidos e incorporados, por vezes recobertos e adiados. Ao atingirem um limite satisfatório de camadas, iniciam um movimento inverso. As artistas desbastam, abrem fendas, revelam estratos inferiores, cores e texturas antes ocultas. O tempo se dilata para trás e para frente.
Essas obras encontram na Casa Seva um espaço de ressonância. Inserida em uma vila modernista projetada por Flávio de Carvalho, a casa parece também viver esse tempo dilatado, acumulando camadas de uso, sentido e memória. Arte e sustentabilidade constituem, de forma inseparável, os pilares da Casa Seva. É nesse cruzamento que o trabalho das Irmãs Gelli se insere, em afinidade com uma programação que articula prática artística e responsabilidade ambiental.
A sustentabilidade, aqui, não se limita à escolha de materiais — como a cera vegetal, o plástico reciclado ou a possibilidade constante de derretimento e reúso —, mas se manifesta sobretudo como sustentabilidade das relações. Uma preocupação fundamental quando se trabalha em duo, mas que as artistas estendem à relação entre as obras, com o espaço que as abriga, com o mundo ao redor e, de forma generosa, com o público. Dessa maneira, muitos dos trabalhos aqui expostos convidam ao toque, à interação, à permanência como exercício de presença.
A instalação performática que nomeia a exposição torna isso particularmente evidente. Localizada ao fundo do espaço, a obra é ativada pelas artistas através do derretimento da cera que, ao gotejar, constrói uma espécie de estalactite. Na natureza, essa estrutura é capaz de esperar pacientemente um derramamento de gota que a faz crescer 1 cm a cada 100 anos, lembrando-nos mais uma vez de um tempo que nos excede.
Leva tempo, mas vai dar tempo funciona como mantra e convite. Se para as artistas, a frase reafirma a paciência e a confiança na feitura das obras, para o público ela é um chamado a desacelerar e permanecer, em um tempo que se constrói camada por camada.
Catalina Bergues – Curadora
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 07 de março a 18 de abril
Terça a sexta, das 11h às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Casa Seva
Al. Lorena, 1257 - Casa 1, Jardins, São Paulo - SP
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres,
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999 reúne 106 livros do acervo da Biblioteca de Fotografia, incluindo títulos recém-incorporados a partir da aquisição de uma coleção junto à 10×10 Photobooks, organização fundada em 2012 por Russet Lederman e Olga Yatskevich. Sediada em Nova York, a 10×10 Photobooks se dedica à pesquisa e ao compartilhamento de fotolivros, promovendo exibições, publicando livros a respeito e incentivando sua apreciação e compreensão.
Russet e Olga, que assinam a curadoria da mostra, comentam o projeto: “Embora os estudos sobre a história dos fotolivros tenham começado há apenas 37 anos, eles foram escritos majoritariamente por homens e têm focado em publicações de autoria masculina. Como organização sem fins lucrativos cuja missão é compartilhar fotolivros de forma global e incentivar sua apreciação e compreensão, a equipe da 10×10 discute com frequência como a história do fotolivro foi – e continua sendo – escrita a partir de uma perspectiva enviesada, e que uma ‘nova’ história precisa emergir.”
No dia da abertura, haverá uma conversa aberta ao público na Biblioteca de Fotografia do IMS, às 18h30, com a participação de Russet. A entrada é grátis, com retirada de senhas 60 minutos antes.
“A exposição reforça o papel do IMS como centro de referência para o estudo dos fotolivros e para a circulação de projetos de relevância internacional. Ao trazer ao público brasileiro obras que atravessam mais de um século e meio de produção, O que elas viram amplifica o debate sobre a contribuição das mulheres na história da fotografia e cria novas oportunidades de pesquisa”, diz Miguel Del Castillo, coordenador da Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles.
Todos os livros em exibição poderão ser manuseados pelos visitantes da mostra, que está dividida em dez seções – elas funcionam como marcadores cronológicos, mas principalmente ressaltam o momento histórico, sociopolítico e de conquistas de gênero em que essas mulheres produziram suas obras: “1843-1919: Pioneiras”; “1920-1935: A nova mulher”; “1936-1945: Levantando suas vozes”; “1946-1955: Das cinzas à família”; “1956-1964: Livros como bombas”; “1965-1969: Nostalgia, pop e revolução”; “1970-1975: Sororidade em florescimento”; “1976-1979: Políticas sexuais”; “1980-1989: Um despertar global”; e “1990-1999: Em busca de uma fotodemocracia”.
“Pioneiras”, por exemplo, inclui o trabalho da inglesa Anna Atkins, que, em 1843, publicou por conta própria Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, originalmente escrito à mão e ilustrado com 307 cianotipias das mais diversas algas britânicas. Na mostra, ela está presente em uma edição contemporânea da publicação. Também nesta seção se encontra o mais antigo exemplar em exibição, Dream Children (1901), da norte-americana Elizabeth B. Brownell (1860-1909), em que textos em prosa e poesia de 28 autores são ilustrados com cenas cuidadosamente compostas no estilo de tableaux vivant, popular na fotografia do fim do século XIX e início do século XX.
Nas seções seguintes, aparecem obras como African Journey [Jornada africana] (1945), da antropóloga Eslanda Cardozo Goode Robeson (1895-1965). Parte do segmento “Levantando suas vozes”, a publicação é um dos primeiros livros sobre a África produzido por uma pesquisadora negra norte-americana – e sucesso à época de seu lançamento, devido ao crescente interesse de pessoas afro-americanas pela política e pela cultura africanas durante a década de 1940, quando pan-africanistas defendiam um vínculo inquebrantável entre a diáspora africana e o continente.
Já na seção “Sororidade em florescimento”, chama atenção o fotolivro Les Tortures volontaires [As torturas voluntárias] (1974), da francesa Annette Messager (1943), uma coleção de imagens recortadas de revistas e anúncios que mostram mulheres submetendo-se a diversos procedimentos cosméticos ou rotinas de beleza, pontuando como os corpos das mulheres são um lugar de violência.
Entre os numerosos destaques, o público poderá também ver Passion [Paixão] (1989), da camaronense Angèle Etoundi Essamba (1962), no segmento “Um despertar global”. Essamba subverte as representações estereotipadas produzidas por fotógrafos ocidentais dos corpos femininos negros com poderosos retratos em que sobressaem orgulho, força e consciência. A seleção inclui ainda Hiromix (1998), da japonesa Hiromix (1976), um retrato profundamente pessoal da cultura jovem japonesa dos anos 1990, com fotografias estreladas, em sua maioria, pela própria autora, que busca capturar a beleza juvenil, a exuberância e os prazeres sem amarras da experiência urbana de uma jovem mulher. Hiromix está na seção “Em busca de uma fotodemocracia”, que fecha a exposição.
Três brasileiras já estavam na seleção original das curadoras: Claudia Andujar (1931) com Amazônia (1979), livro que registra o período que ela passou com os Yanomami, fotografando suas cerimônias culturais, ritos xamânicos e tradições; Maureen Bisilliat (1931) comparece com o livro A João Guimarães Rosa (1969), em que fotografa o sertão mineiro inspirada pelo romance Grande sertão: veredas; e Gretta Sarfaty (1947), que rompeu padrões nos anos 1970 ao ironizar a própria imagem, com Autophotos (1978), reunindo três séries fotográficas da pioneira da body art e do feminismo no Brasil.
“Mas, como estamos no Brasil, achamos interessante ampliar um pouco a quantidade de fotógrafas brasileiras contempladas na seleção”, diz Miguel Del Castillo. “Fiz uma sugestão a partir do acervo do IMS, de livros importantes, publicados nesse período de tempo”. Foi assim que outros quatro volumes foram incorporados à versão brasileira da exposição: Dor (1998), de Vilma Slomp (1952); Quem você pensa que ela é? (1995), de Claudia Jaguaribe (1955); Pinturas e platibandas (1987), de Anna Mariani (1935-2022); e Entre (1974), de Stefania Bril (1922-1992).
O IMS recebe uma exposição que já teve versões em formatos variados exibidas em instituições de prestígio em todo o mundo, como o Getty Research Institute, em Los Angeles (2025), o Museo Reina Sofía, em Madri (2024), o Rijksmuseum, em Amsterdã (2022) e a New York Public Library (2022). O catálogo da mostra (no original, What They Saw: Historical Photobooks by Women, 1843–1999), de autoria das duas curadoras, recebeu em 2021 o PhotoBook Award de melhor catálogo do ano, prêmio concedido durante a feira Paris Photo, e estará disponível para consulta na exposição e para venda na Livraria da Travessa do IMS Paulista.
Em cartaz até 2 de agosto, a exposição convida o público a refletir sobre os processos de construção da história e as possibilidades de constantemente reescrevê-la, como pontuam as curadoras: “O que elas viram buscou incluir um grupo diverso de publicações ilustradas com fotografias feitas por mulheres. Para que a história do fotolivro se torne mais inclusiva, é necessário que todas as pessoas (homens, mulheres, não binárias, brancas, negras, asiáticas, africanas, latinas, indígenas, ocidentais, orientais etc.) contribuam. Vemos esta sala de leitura sobre o papel das mulheres na produção, disseminação e autoria de fotolivros como um passo necessário para desescrever a atual história do fotolivro e reescrever uma história do fotolivro que seja mais equitativa e inclusiva.”
Serviço
Exposição | O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999
De 17 de março a 02 de agosto
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
Detalhes
A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Corpo de Vento”, individual da artista Thalita Hamaoui, com texto crítico assinado pela socióloga, professora e pesquisadora brasileira Ana Paula
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A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Corpo de Vento”, individual da artista Thalita Hamaoui, com texto crítico assinado pela socióloga, professora e pesquisadora brasileira Ana Paula Cavalcanti Simioni. A mostra apresenta onze pinturas inéditas, realizadas em tinta a óleo e pastel oleoso sobre tela e linho, em dimensões variadas. Entre os destaques estão “Corpo de Vento” (2026), pintura de grande formato que se estende por mais de cinco metros; e “Acontecimento Memorável” (2026).
Com trajetória iniciada na estamparia têxtil, onde aprofundou seus estudos sobre cor e forma, Hamaoui dedica-se integralmente à pintura desde 2013. Suas pinturas constroem paisagens de caráter fantástico, nas quais formas orgânicas se expandem por superfícies luminosas e figura e fundo se misturam. Elementos botânicos, como folhagens, flores e frutos, aparecem em sobreposições que combinam cores saturadas e tonalidades mais suaves. Esses arranjos não buscam o realismo, mas se organizam em ritmos que aproximam matéria vegetal e construções fictícias, sugerindo um modo de habitar próximo do onírico.
Em “Corpo de Vento”, a artista apresenta obras desenvolvidas a partir de um aprofundamento no uso do óleo e do pastel oleoso, em que amplia a escala das obras e experimenta diferentes formatos, incluindo pinturas compostas por duas ou três telas articuladas e suportes de contorno orgânico, como em “Vento Correnteza” (2026). Produzidas simultaneamente, as pinturas foram concebidas em diálogo umas com as outras, estabelecendo continuidades cromáticas e formais no espaço expositivo.
Sobre a produção da artista, Ana Paula Cavalcanti Simioni comenta: “A pintura de Thalita se apresenta como sugestiva, sem nos impor um sentido prévio. É um convite ao encantamento, ao prazer por saborear opticamente cada tela devagar, com encanto. É nas grandes telas que Thalita afirma sentir-se mais à vontade, pois nelas pode explorar com maior liberdade e fluidez o caráter gestual de sua prática”.
Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que permanece em cartaz até 09 de maio de 2026. Thalita Hamaoui também participa de “A World Far Away, Nearby and Invisible”, mostra coletiva com trabalhos selecionados pela Coleção Jorge M. Pérez, que acontece até agosto deste ano, no El Espacio 23, em Miami, EUA.
Serviço
Exposição | Corpo de Vento
De 19 de março a 09 de maio
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Período
Local
Simões de Assis (Lorena)
Alameda Lorena, nº 2050 - Jardim Paulista
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A Galeria Estúdio Reverso inaugura a exposição “Cada hora faz sua sombra”, individual do artista Rogério Medeiros, com curadoria de Catalina Bergues. Sem intenção de se configurar como uma retrospectiva,
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A Galeria Estúdio Reverso inaugura a exposição “Cada hora faz sua sombra”, individual do artista Rogério Medeiros, com curadoria de Catalina Bergues. Sem intenção de se configurar como uma retrospectiva, mas reunindo obras de mais de duas décadas e trabalhos inéditos, a mostra revela como Medeiros tensiona linguagens artísticas e investiga a fotografia não como registro, mas como matéria plástica capaz de gerar novas imagens e sentidos.
Com cerca de trinta obras, a exposição aproxima séries produzidas ao longo da trajetória do artista, criando novos diálogos entre trabalhos realizados em momentos distintos e sublinhando a produção atual de Medeiros.
A mostra busca, acima de tudo, revelar a continuidade presente no trabalho de Medeiros ao longo dos anos. Estão expostas desde as primeiras fotografias produzidas pelo artista,
colagens fotográficas e obras que, apesar de ainda usarem a fotografia como núcleo, são marcadas pela desconstrução da linguagem fotográfica ao utilizar apenas a cor ampliada.
Sobre a produção do artista, Catalina Bergues comenta: “Olhando a produção de Medeiros dos últimos 30 anos, é possível notar como aspectos do seu trabalho atual já estavam presentes lá atrás, e é justamente isso que esta nova exposição faz: mescla e reorganiza as séries, criando aproximações a partir de elementos e cores que retornam ao longo de sua trajetória. Rogério começou usando a fotografia para enquadrar o fora. Agora, ao chegar à sua série atual, ele se vale da imagem exterior, para olhar para o dentro.”
A trajetória do artista ajuda a compreender esse deslocamento da fotografia como registro para a fotografia como matéria para um novo tipo de construção visual.
Como ele mesmo diz: “sou fotógrafo desde sempre”. Mas foi só em 2003 que partiu para a produção autoral. Desde então, a natureza tornou-se sua principal fonte de estímulos visuais e estéticos. Na busca pela essência visual das cenas, Medeiros passou a desenvolver uma linguagem abstrata aplicada à fotografia, característica comumente relacionada a seu trabalho. “Minhas referências, que antes eram fotógrafos e pintores clássicos, passaram a ser os expressionistas abstratos do pós-guerra, principalmente os da Escola de Nova York”, compartilhou.
Após a publicação de seu livro, “Ritmo e Gesto”, o desenvolvimento do trabalho de Medeiros o levou a adicionar o gesto manual ao processo e passou a produzir colagens que desconstroem paisagens capturadas por meio de uma recombinação livre. O resultado são imagens únicas e imaginárias criadas a partir de registros reais, em uma abordagem que questiona o signo da fotografia e a própria denominação de fotógrafo.
“A busca por novos elementos para trabalhar as colagens me levou a fotografar o céu e sua rica paleta de cores. Passei a me interessar por uma simplificação visual, afinal estava lidando com a manifestação e o registro da luz pura e única, conforme hora, latitude e as condições climáticas. Relacionar isso com o tempo e suas implicações para cada indivíduo foi uma sequência natural. Daí surgiram reflexões sobre a influência do tempo e das vivências em questões da psique e dos sentimentos”, explica Medeiros.
Na constituição de sua poética, o artista utiliza papeis de algodão, arroz e perolado, para impressões com pigmentos minerais, assim como cartões, placas, cola, fitas adesivas livres de ácido e pasta de papel para modelar superfícies.
Essa investigação visual da luz e cor a partir do céu também orienta a organização espacial da exposição.
“Cada hora faz sua sombra” se apresenta cromaticamente, com a proposta de seguir do amanhecer ao entardecer e à noite. Começa no branco, passa pelo azul claro, segue para os laranjas e violetas até o azul escuro e, por fim, os pretos. A primeira sala da exposição recebe o visitante com uma obra branca. “Além de ser uma obra dessa fase atual da produção de Rogério, ela representa a grande síntese à qual o trabalho do artista chegou, criando um branco que, somente ao se manter o olhar atento, percebe-se que ele não é homogêneo”, conclui a curadora da exposição.
Ao aproximar séries, materiais e tempos distintos, a exposição evidencia uma investigação contínua sobre a luz, o tempo e a capacidade da fotografia de reinventar suas próprias formas.
Serviço
Exposição | Cada hora faz sua sombra
De 21 de março a 25 de abril
Quarta a sábado, das 11h às 19h; segunda, terça e domingo mediante agendamento prévio pelo Instagram [@galeriaestudioreverso]
Período
Local
Galeria Estúdio Reverso
Rua Domingos Fernandes, nº 88 - Vila Nova Conceição - São Paulo - SP
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A sede paulistana da NND|Azeco inaugura sua programação anual com “A Coragem para Ficar”, primeira exposição individual de Rafael Hayashi na galeria. A mostra reúne trabalhos que refletem a relação
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Serviço
Exposição | A Coragem para Ficar
De 26 de março a 23 de maio
Terça a Sexta, das 11 às 18hs, sábado, das 11 às 15hs
Período
Local
NONADA SP
Praça da Bandeira,53 – Centro, São Paulo - SP
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O Instituto Moreira Salles Paulista (IMS Paulista) apresenta a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, primeira retrospectiva de Lázaro Roberto na instituição. A mostra reúne cerca de 400 imagens do acervo
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O Instituto Moreira Salles Paulista (IMS Paulista) apresenta a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, primeira retrospectiva de Lázaro Roberto na instituição. A mostra reúne cerca de 400 imagens do acervo criado em Salvador nos anos 1990, que hoje soma aproximadamente 50 mil fotografias e documentos dedicados a registrar a vida e as lutas da população negra a partir de uma perspectiva própria. Com curadoria de Hélio Menezes, a exposição ocupa dois andares do IMS e destaca o caráter político e histórico do Zumví, consolidando a presença do artista, representado pela NND|Azeco, em um dos principais espaços culturais do país.
Serviço
Exposição | Zumví Arquivo Afro Fotográfico
De 28 de março a 23 de agosto
Terça a domingo e feriados das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato no fim da década de 1990 e as coloca em diálogo com máscaras africanas preservadas nas coleções de Christian-Jack Heymès e da família Mastrobuono. A abertura acontece em São Paulo e se conecta à agenda da 22º edição da SP-Arte.
A exposição parte de um dado central para a leitura da trajetória de Ivald Granato. Durante décadas, sua presença pública, suas ações performáticas e sua energia irreverente ocuparam lugar decisivo na recepção de sua obra. Esse aspecto é incontornável, mas não a resume.
Granato foi também um pintor de grande domínio técnico, um desenhista excepcional e um conhecedor profundo da história da arte. Transitava entre linguagens e repertórios com intimidade rara, não para repetir estilos, mas para tensioná-los a partir de uma inteligência visual muito própria. Maria Alice Milliet lembra que, ao chegar à maturidade, depois de mais de três décadas de exposições, premiações e reconhecimento, Granato já ocupava um lugar de destaque na cena artística brasileira. Talentoso desenhista e pintor, havia atravessado os “ismos” e a Pop Art em estreita sintonia com seu tempo.
Essa mostra ajuda a recolocar esse ponto em evidência, situando-o como parte de uma investigação consistente, em que pintura, memória, teatralidade e identidade se entrelaçam. No fim dos anos 1990, Granato se afasta, por um momento, do embate mais imediato com a contemporaneidade e volta o olhar para dimensões profundas de sua própria formação. É desse movimento que nasce a série ligada às máscaras. Segundo a curadora, essa passagem corresponde a uma inflexão em sua carreira, quando o artista procura valores ligados ao passado, à ancestralidade e à memória cultural brasileira. Em 1998, Granato realiza uma série de pinturas sobre papel chamada The Mask. Na sequência, desenvolve obras de maior fôlego reunidas sob o título Quem é você – The Mask. Para o artista, essas máscaras eram anotações visuais de rostos que povoavam seu imaginário.
Ao tratar dessa produção, Maria Alice Milliet desloca a leitura habitual que costuma aproximar esse tipo de repertório apenas da tradição europeia do moderno. No caso de Granato, ela está ligada à busca de raízes culturais e ao desejo de afirmação identitária. A curadora recupera sua origem miscigenada, com ascendência negra e indígena, e inscreve essa série num campo de pertencimento, reconhecimento simbólico e reverência, marcado por uma aproximação que nasce de dentro. Esse aspecto é decisivo para a compreensão da mostra. A ancestralidade africana aparece como força estrutural na cultura brasileira e como chave para reler uma parte importante de sua obra.
Milliet observa que, depois de uma primeira incursão em figuras mais próximas de um universo popular e carnavalesco, Granato volta-se para as máscaras tribais. Na série cuja pergunta organiza o título da exposição, vemos uma sucessão de caras estranhas emergirem de fundos escuros, em composições que condensam intensidade gráfica, energia cromática e forte carga simbólica. A representação tem, nesse conjunto, um peso particular. Ela é figura de passagem, condensação de gesto, invenção de persona e presença ritual. Dez anos após sua morte, Máscaras, Ivald Granato – Quem é você? nos faz compreender com mais nitidez a complexidade do artista.
Serviço
Exposição | Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?
De 28 de março a 25 de junho
Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira das 10:00h às 19:00h, sábados das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria
Rua Estados Unidos, 1638 01427-002 São Paulo - SP
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Calendário”, de Felipe Rezende, como parte de seu I Ciclo Expositivo. A mostra, instalada no Projeto 280X1020, tem curadoria de Claudio
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Calendário”, de Felipe Rezende, como parte de seu I Ciclo Expositivo. A mostra, instalada no Projeto 280X1020, tem curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Guilherme Teixeira.
Felipe Rezende (Salvador, 1994) emprega técnicas como o patchwork para construir um imaginário sobre o mundo do trabalho. O método utilizado no reparo de lonas de caminhão — marcadas pela sujeira e poluição das estradas — é deslocado para um outdoor de seis metros de comprimento. A obra propõe uma reflexão sobre a representação da realidade operária e a invenção de ficções relativas a elementos do cotidiano laboral.
A pesquisa nasce da observação direta de contextos de trabalho situados, com frequência, às margens das rodovias e em oficinas improvisadas junto a postos de gasolina, cuja presença é ao mesmo tempo transitória e marcada por vestígios. Ao incorporar esses procedimentos ao espaço institucional, o artista reconfigura também o suporte.
Como aponta Guilherme Teixeira: “É um movimento de apropriação: trazer para dentro do museu essa estrutura de comunicação pública, o outdoor que normalmente anuncia, vende, promete. Aqui, porém, o outdoor não diz nada. Ou diz tudo o que não cabe em propaganda”.
Além da individual de Rezende, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Calendário
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa,
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Ana Avelar, a mostra reúne trabalhos marcados pela geometrização e a reconfiguração visual da arquitetura vernacular.
A trajetória de Andrea Brazil (São Paulo, 1972) entre Salvador e a Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, fundamenta sua visualidade funcional. A artista cresceu em contato com uma arquitetura litorânea marcada por intervenções anônimas – feitas com cacos de telha e sobras de material – que configuram o que ela chama de “desenho no espaço”.
Nesse processo, fachadas de casas e estabelecimentos, grades e outros elementos urbanos, se reorganizam como linhas, cores e vazios. “Trata-se de uma produção coletiva e vernacular que condensa história, clima, técnica e desejo estético em um mesmo gesto construtivo”, afirma Avelar.
O olhar de Brazil para a arquitetura vernacular de sua infância se aprofundou durante uma viagem à região do Algarve, em Portugal. Lá, a influência moura, reconhecível nos cantos arredondados e padrões geométricos, ressoou com o que a artista conhecia da Bahia.
Para Avelar, a conexão não é casual: Brazil observa que os negros malês, protagonistas da revolta de 1835 em Salvador, eram em sua maioria de origem muçulmana e portadores de uma tradição visual que se infiltrou na cultura material da cidade. O ornamento, nesse sentido, guarda estratos históricos que a superfície das fachadas não revela explicitamente.
Uma das séries apresentadas é construída sobre chapas de madeira com camadas de massa corrida sobrepostas em duas etapas. O desenho das grades — fruto de uma memória visual internalizada — é entalhado na superfície até revelar a cor subjacente. Quando o trabalho aposta na cor, destaca-se pela vibração óptica, transitando entre a estridência da Pop Art e o silêncio das superfícies opacas.
Além da individual de Brazil, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Calendário”, de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Badauê
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de José
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de José Augusto Ribeiro, a coletiva reúne trabalhos de Darks Miranda (Fortaleza, 1985), Flávia Metzler (Rio de Janeiro, 1974), Ivan Cardoso (Rio de Janeiro, 1952) e Yuli Yamagata (São Paulo, 1989) para refletir sobre uma produção contemporânea marcada pelos aspectos imaginativo e ambíguo.
Entre filmes, pinturas e esculturas, as obras propõem experiências de saturação visual e contrassenso, nas quais a irregularidade e a monstruosidade operam como estratégias para desafiar a realidade. “A ideia é examinar como a junção de terror e comicidade produz resultados com força de insubordinação: tanto no enfrentamento das normas que parecem reger o estado das coisas no mundo, quanto na elaboração de linguagens que ultrapassam limites entre gêneros e manifestações artísticas”, afirma o curador.
A mostra conta com filmes de Ivan Cardoso — o “mestre do terrir”, termo cunhado por ele nos anos 1970. O cineasta reúne referências contrastantes em colagens quadro a quadro que articulam a tropicália, o cinema expressionista alemão, Hélio Oiticica, Zé do Caixão, o cinema marginal brasileiro, os enredos dos gibis, o jornalismo sensacionalista, a poesia concreta, entre outros elementos, sem atribuir um sentido fixo aos diálogos criados.
Darks Miranda incorpora as linguagens do cinema e da colagem em “Uma noite perigosa na ilha de Vulcano” (2022) , editado a partir de trechos de ficções científicas produzidas entre 1950 e 1980, auge da Guerra Fria. O trabalho articula sua trajetória como montadora na construção de um “cinema de segunda mão”.
As pinturas de Flávia Metzler constroem cenas em fricção com a história da arte, utilizando fragmentos de imagens, objetos, arquitetura, e conceitos científicos ou filosóficos. Na montagem das imagens, Metzler se apropria dos saberes do enquadramento e da organização dos acontecimentos no espaço para a geração de suspense.
Já Yuli Yamagata — que recentemente deu início a uma produção de vídeos curtos — internaliza em suas peças referências do cinema de horror, das animações e das histórias em quadrinho japonesas, além da lógica dos ultraprocessados. Esse campo de interesse se concentra nas fórmulas de produção industrial de baixo custo (para as fábricas) e alto risco (para os consumidores), baseada em aditivos químicos, estabelecendo assim, uma espécie de “realidade transgênica”.
Além da coletiva, o ciclo inclui as individuais “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), e “Calendário” de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). Segundo Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a programação busca “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | O horror, o humor e o absurdo
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Em meio ao agravamento da crise climática, ao avanço do desmatamento e às crescentes disputas em torno dos territórios tradicionais, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos
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Em meio ao agravamento da crise climática, ao avanço do desmatamento e às crescentes disputas em torno dos territórios tradicionais, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois lança uma pergunta incontornável: o que foi feito do Brasil percorrido e documentado há dois séculos? Ao marcar o bicentenário da partida da histórica viagem fluvial do Tietê ao Amazonas, a iniciativa transforma uma das mais importantes viagens científicas do século XIX em ponto de partida para refletir sobre os impasses ambientais — e civilizatórios — que definem o século XXI.
O projeto estreia no dia 31 de março com a abertura da exposição Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP (BBM-USP). Realizada pelo Instituto Hercule Florence e pela Documenta Pantanal, em parceria com a BBM-USP, o Instituto Moreira Salles (IMS) e o Centro Maria Antônia da USP, a iniciativa se estende até junho deste ano, contemplando também uma mostra de cinema e o lançamento de publicações sobre o tema.
Chefiada por Georg Heinrich von Langsdorff e financiada pelo Império Russo do czar Alexandre I, a expedição que partiu de Porto Feliz (SP) em 22 de junho de 1826 foi uma das mais ambiciosas incursões científicas já realizadas pelo interior do Brasil no século XIX. Mais do que mapear rios, coletar e catalogar espécies, a missão buscava compreender um território ainda pouco conhecido pelos centros europeus.
A travessia fluvial entre 1826 e 1829, do Tietê ao Amazonas, passando pelas províncias de São Paulo, Mato Grosso e Grão-Pará, tinha entre seus integrantes o botânico Ludwig Riedel, o astrônomo Néster Rubtsov, o pintor Aimé-Adrien Taunay, o desenhista e inventor Hercule Florence, que se estabeleceria no Brasil, tornando-se a principal testemunha desta jornada, e Wilhelmine von Langsdorff, esposa de Langsdorff e única mulher a viajar com o grupo .
Os diários, desenhos e registros de Hercule constituem hoje uma das mais importantes documentações visuais e científicas do Brasil oitocentista, fundamentais para a construção da imagem do país no exterior e para a compreensão histórica de sua biodiversidade.
A exposição Eixo central do projeto, a mostra realizada na BBM-USP tem curadoria do Instituto Hercule Florence. A exposição se divide entre a Sala Multiuso e a Sala BNDES, estabelecendo um diálogo direto entre passado e presente. Os trabalhos apresentados são oriundos dos acervos do próprio IHF, da BBM-USP, da Bibliothèque nationale de France (BnF) e, ainda, da coleção Cyrillo Hercules Florence, hoje sob a guarda do IMS. Reunindo mais de uma centena de obras, a mostra justapõe imagens, relatos de viagens, publicações e documentos do século XIX com produções contemporâneas realizadas nas mesmas regiões atravessadas pela expedição.
Na Sala Multiuso estão registros históricos e reproduções de materiais de Hercule Florence e de outros viajantes e naturalistas dos séculos XIX e XX. Já a Sala BNDES mescla trabalhos históricos com fotografias de nomes como Lalo de Almeida, Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e João Pompeu, que investigam temas como ocupação desordenada, assoreamento, desmatamento, queimadas, conflitos territoriais e a resistência de comunidades tradicionais nas regiões da Amazônia e do Pantanal.
Mais que atualizar as paisagens do passado, as imagens recentes criam um contraponto crítico que convida o público a perceber que a crise ambiental não é um fenômeno abstrato, mas uma transformação concreta e acelerada da paisagem brasileira.
“A expedição não é apresentada como uma façanha heroica, mas quase como um memento mori. Em apenas dois séculos, um intervalo ínfimo na história da humanidade, alteramos profundamente os ecossistemas que aqueles viajantes conheceram”, pontua Antonio Florence, tetraneto de Hercule Florence e fundador do instituto que celebra sua trajetória, o IHF. “O século XIX construiu o mundo em que vivemos hoje, inclusive o modelo de exploração que levou à devastação que vemos. Revisitar essa travessia é uma forma de entender como chegamos até aqui e de nos questionarmos quanto ao futuro que estamos construindo.”
Para Francis Melvin Lee, curadora do IHF, a iconografia da expedição não é apenas memória visual e maravilhada da natureza ali presente, mas o testemunho de um momento em que as consequências da intervenção humana ainda eram circunscritas. “Ao revisitarmos esses mesmos territórios hoje, o que emerge é uma paisagem atravessada por devastação e conflitos. A mostra tensiona esses dois polos para que possamos perceber a dimensão histórica da transformação que ocorreu nesse curtíssimo intervalo de tempo.”
Além da exposição na BBM-USP, o projeto inclui ainda uma mostra de filmes dedicada ao cinema ambiental brasileiro. Com curadoria de Mônica Guimarães, da Documenta Pantanal, a iniciativa ocorre entre maio e junho. Por fim, marcando exatamente 200 anos do início da expedição fluvial, o projeto será encerrado com o lançamento de publicações nos dias 22 e 23 de junho. Os trabalhos nascem dos manuscritos originais de Hercule Florence e reúnem textos críticos, ensaios visuais e pesquisas recentes que expandem o legado do artista para o século XXI. Mais detalhes dessas programações serão divulgados em breve.
Serviço
Exposição | Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois
De 31 de março até 26 de junho
Segunda a sexta, das 8h30 às 20h30; sábado das 9h às 13h; domingos e feriados, fechado
Entrada gratuita
Período
Local
Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP
Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, São Paulo - SP
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Festa das falas. Com curadoria de Moacir dos Anjos, esta é a primeira exposição de um ciclo de mostras que
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Festa das falas. Com curadoria de Moacir dos Anjos, esta é a primeira exposição de um ciclo de mostras que celebra os 50 anos de atuação de Nara Roesler como galerista e que se estenderá pelos próximos meses nos três espaços da instituição, São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York.
Em Festa das Falas, o curador reúne obras emblemáticas de artistas que pontuam o percurso de Nara Roesler desde 1976 até o momento. Apresentando obras de artistas “que provêm da mesma região de Nara, o Nordeste, em particular do Recife”, o curador, também nascido na capital de Pernambuco. Ele observa que “esta exposição busca resgatar uma forma de falar, uma inflexão nessa linguagem, nesse repertório, de artistas que independentemente de trazerem ou não referências visuais de um determinado território, fazem isso com certo jeito, uma afirmação de um pertencimento”. “Na fala de Nara, na voz de Nara, há esse sotaque, como há na minha fala também, e na fala de outros artistas que vêm dessa região”.
Além de obras provenientes do acervo da galeria, a mostra apresenta trabalhos oriundos de coleções particulares, como o raríssimo painel de cerâmica Sem título (1976), com quase oito metros de comprimento por dois de altura, de Francisco Brennand (11 de junho de 1927, Recife – 19 de dezembro de 2019, Recife), pouco visto pelo público. A presença de trabalhos de José Cláudio (1932, Ipojuca, Pernambuco – 2023, Recife) é marcante por ele ter sido o primeiro artista com que Nara Roesler trabalhou, antes de ter sua própria galeria, e em 2022 ganhou uma mostra retrospectiva com curadoria de Aracy Amaral, na Nara Roesler São Paulo.
Frequentador de exposições de arte contemporânea muito antes de se dedicar à área, Moacir dos Anjos conheceu Nara Roesler ainda nos anos 1980 e depois fez duas curadorias para a galeria. A primeira foi em 2013, Cães Sem Plumas [Prólogo] – na edição #24 do Roesler Hotel, projeto criado em 2002 para promover o diálogo entre as comunidades artísticas nacional e internacional, com curadores e artistas convidados a fazer experimentos no espaço da galeria em São Paulo. Em 2016, Moacir dos Anjos foi o curador de Deriva, individual de Cao Guimarães na Nara Roesler Nova York, e, no mesmo espaço, em 2022, da mostra Hotel Solidão, individual de Marcelo Silveira.
Sobre esta exposição agora, na Nara Roesler São Paulo, Moacir dos Anjos diz que “é como uma festa de falas”. “Estamos reunidos aqui ouvindo esses artistas, o modo deles estarem no mundo. É celebrar esse cinquentenário da atividade de Nara como galerista convocando essas vozes, convocando essas falas, convocando esses sotaques que foram tão importantes na formação dela e ainda hoje são importantes no fato dessa galeria ter algo que é diferente de outras”, salienta.
O curador lembra que há 50 anos a cena artística
Serviço
Exposição | Festa das falas
De 31 de março a 9 de maio
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Nara Roesler - SP
Avenida Europa, 655, São Paulo - SP
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André Taniki Yanomami nasceu por volta de 1945 na aldeia Okorasipëki, nas cabeceiras do rio Lobo d’Almada, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Taniki, além de artista, é xamã, um
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André Taniki Yanomami nasceu por volta de 1945 na aldeia Okorasipëki, nas cabeceiras do rio Lobo d’Almada, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Taniki, além de artista, é xamã, um mediador entre o mundo humano e o mundo espiritual em culturas indígenas e tradicionais, capaz de comunicar-se com espíritos, curar e equilibrar forças visíveis e invisíveis por meio de rituais, cantos e transes. Entre 1976 e 1985, Taniki desenvolveu um conjunto de desenhos em diálogo com uma artista, um antropólogo e missionários. Esta exposição é a primeira dedicada inteiramente à sua obra e reúne 121 desenhos realizados em dois momentos: nas trocas com a fotógrafa suíço-brasileira Claudia Andujar, em 1976–77, e nos encontros com o antropólogo francês Bruce Albert, em 1978, nas aldeias onde o artista-xamã vivia.
Nos desenhos de 1976–77, Taniki criou cenas da visão de mundo yanomami e de rituais funerários que ocorriam na sua comunidade. Esses desenhos, expostos nesta parede, foram realizados em cores já utilizadas pelos Yanomami nas pinturas corporais e cestarias, como preto, roxo e vermelho. No ano seguinte, em diálogo com Albert, Taniki produziu os desenhos expostos na parede oposta a essa, registrando suas visões durante transes xamânicos em composições multicoloridas e vibrantes, com formas abstratas e geométricas. Eles demonstram como Taniki era estimulado espiritual e visualmente pelo poder da yãkoana, pó psicoativo proveniente da casca de uma árvore amazônica. Similar à ayahuasca, é inalado pelos xamãs e alimenta os espíritos.
Na visão de mundo yanomami, a noção de imagem (utupë) não é apenas a compreensão visível, mas também a essência interior que constitui o núcleo vital de todas as coisas. O título da exposição, Ser imagem (Në utupë, em yanomami), refere-se ao movimento espiritual que Taniki faz, nos rituais xamânicos, de deixar de ser apenas humano e conseguir existir em forma de imagem, assim como os espíritos. Até hoje, Taniki exerce em sua comunidade suas responsabilidades xamânicas, mediando relações entre os espíritos ancestrais e os Yanomami não xamãs. Do mesmo modo, embora não desenhe mais, suas obras continuam a atestar seu poder intermediador, tornando o invisível (as imagens-espíritos) visível (as imagens-desenhos).
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Mateus Nunes, curador assistente, MASP
Serviço
Exposição | André Taniki Yanomami: ser imagem
De 05 de dezembro a 05 de abril
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do
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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) recebe, em janeiro de 2026, a primeira edição brasileira de Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela), projeto seminal do artista Daniel Buren (1938, Boulogne-Billancourt), realizado em parceria com a Galeria Nara Roesler. Iniciado em 1975, o trabalho transforma velas de barcos em suportes de arte, deslocando o olhar do espectador e ativando o espaço ao redor por meio do movimento, da cor e da forma. Ao longo de cinco décadas, o projeto foi apresentado em cidades como Genebra, Lucerna, Miami e Minneapolis, sempre em diálogo direto com a paisagem e o contexto locais.
Concebida originalmente em Berlim, em 1975, Voile/Toile – Toile/Voile destaca o uso das listras verticais que Daniel Buren define como sua “ferramenta visual”. O próprio título da obra explicita o deslocamento proposto pelo artista ao articular dois campos centrais do modernismo do século 20 — a pintura abstrata e o readymade —, transformando velas de barcos em pinturas e ampliando o campo de ação da obra para além do espaço expositivo.
“Trata-se de um trabalho feito ao ar livre e que conta com fatores externos e imprevisíveis, como clima, vento, visibilidade e posicionamento das velas e barcos, de modo que, ainda que tenha sido uma ação realizada dezenas de vezes, ela nunca é idêntica, tal qual uma peça de teatro ou um ato dramático”, disse Daniel Buren, em conversa com Pavel Pyś, curador do Walker Art Center de Minneapolis, publicada pelo museu em 2018.
No dia 24 de janeiro, a ação tem início com uma regata-performance na Baía de Guanabara. Onze veleiros da classe Optimist partem da Marina da Glória e percorrem o trajeto até a Praia do Flamengo, equipados com velas que incorporam as listras verticais brancas e coloridas criadas por Buren. Em movimento, as velas se convertem em intervenções artísticas vivas, ativando o espaço marítimo e o cenário do Rio como parte constitutiva da obra. O público poderá acompanhar a ação desde a orla, e toda a performance será registrada.
Após a conclusão da regata, as velas serão deslocadas para o foyer do MAM Rio, onde passarão a integrar a exposição derivada da regata, em cartaz de 28 de janeiro a 12 de abril de 2026. Instaladas em estruturas autoportantes, as onze velas – com 2,68 m de altura (2,98 m com a base) – serão dispostas no espaço de acordo com a ordem de chegada da regata, seguindo o protocolo estabelecido por Buren desde as primeiras edições do projeto. O procedimento preserva o vínculo direto entre a performance e a exposição, e evidencia a transformação das velas de objetos utilitários em objetos artísticos. A expografia é assinada pela arquiteta Sol Camacho.
“Desde os anos 1960, Buren desenvolve uma reflexão crítica sobre o espaço e as instituições, sendo um dos pioneiros da arte in situ e da arte conceitual. Embora Voile/Toile – Toile/Voile tenha circulado por diversos países ao longo dos últimos 50 anos, esta é a primeira vez que a obra é apresentada no Brasil. A proximidade do MAM Rio com a Baía de Guanabara, sua história na experimentação e sua arquitetura integrada ao entorno fazem do museu um espaço particularmente privilegiado para a obra do artista”, comenta Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio.
Ao prolongar no museu uma experiência iniciada no mar, Voile/Toile – Toile/Voile estabelece uma continuidade entre a ação na Baía de Guanabara e sua apresentação no espaço expositivo do MAM Rio, integrando paisagem, arquitetura e percurso em uma mesma experiência artística.
“A maneira como Buren tensiona a relação da arte com espaços específicos, principalmente com os espaços públicos, é fundamental para entender a história da arte contemporânea. E essa peça Voile/Toile – Toile/Voile, que começa na Baía de Guanabara e que chega aos espaços internos do museu, é um exemplo perfeito dessa prática”, comenta Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.
Em continuidade ao projeto, a Nara Roesler Books publicará uma edição dedicada à presença de Daniel Buren no Brasil, reunindo ensaios críticos e documentos da realização de Voile/Toile – Toile/Voile no Rio de Janeiro, em 2026.
Serviço
Exposição | Voile/Toile – Toile/Voile (Vela/Tela – Tela/Vela)
De 28 de janeiro a 12 de abril
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 18h
Período
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste, Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana
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Galatea e Nara Roesler têm a alegria de colaborar pela primeira vez na realização da mostra Barracas e fachadas do nordeste,
Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea e Alana Silveira, diretora da Galatea Salvador, a coletiva propõe uma interlocução entre os programas das galerias ao explorar as afinidades entre os artistas Montez Magno (1934, Pernambuco), Mari Ra (1996, São Paulo), Zé di Cabeça (1974, Bahia), Fabio Miguez (1962, São Paulo) e Adenor Gondim (1950, Bahia). A mostra propõe um olhar ampliado para as arquiteturas vernaculares que marcam o Nordeste: fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de feiras e festas e estruturas efêmeras que configuram a paisagem social e cultural da região.
Nesse conjunto, Fabio Miguez investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas enquanto Zé di Cabeça transforma registros das platibandas do subúrbio ferroviário soteropolitano em pinturas. Mari Ra reconhece afinidades entre as geometrias que encontrou em Recife e Olinda e aquelas presentes na Zona Leste paulistana, revelando vínculos construídos pela migração nordestina. Já Montez Magno e Adenor Gondim convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste, Magno pela via da abstração geométrica presentes nas séries Barracas do Nordeste (1972-1993) e Fachadas do Nordeste (1996-1997) e Gondim pelo registro fotográfico das barracas que marcaram as festas populares de Salvador.
A parceria entre as galerias se dá no aniversário de 2 anos da Galatea em Salvador e reforça o seu intuito de fazer da sede na capital baiana um ponto de convergência para intercâmbios e trocas entre artistas, agentes culturais, colecionadores, galerias e o público em geral.
Serviço
Exposição | Barracas e fachadas do nordeste
De 30 de janeiro a 30 de maio
Terça – quinta, das 10 às 19h, sexta, das 10 às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Galatea Salvador
R. Chile, 22 - Centro, Salvador - BA
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) recebe a exposição Greve Negra Já!, projeto do artista Luciano Feijão, em articulação com o Movimento Grevista Negro. A mostra apresenta uma investigação estética e proposição política que contesta os modos históricos de construção do corpo negro, questionando paradigmas científicos, anatômicos e normativos que sustentaram, e ainda sustentam, estruturas de dominação racial.
A exposição parte da problematização sobre os processos de subjetividades negras que foram sistematicamente moldados pela exploração do trabalho, pela lógica capitalista de produção de valor e pela violência institucional. Nesse sentido, as obras constroem uma arena crítica que evidencia como essas engrenagens operam na manutenção de desigualdades e na naturalização da precarização da vida negra.
Reunindo desenhos e instalações, Greve Negra Já! tem curadoria de Renato Lopes (SP) e apresenta um conjunto de trabalhos que tensiona modelos hegemônicos de representação, contrapondo com outras formas de leitura do corpo, da existência e da experiência negra. As obras atuam como dispositivos de confronto, instaurando uma perspectiva que recusa padrões impostos e afirma a possibilidade de reorganização política.
A noção de greve, no contexto da exposição, é construída enquanto campo de atuação amplificados e peça-chave para pensarmos mudanças radicais. Mais do que suspensão, trata-se de um posicionamento ativo, um movimento estratégico de anulação das lógicas que transformam a exploração da população negra em norma. A mostra evidencia a centralidade da classe trabalhadora negra na produção de riqueza, ao mesmo tempo em que denuncia sua exclusão sistemática do acesso a essa riqueza.
Ao estabelecer um diálogo direto com os legados da escravização e suas atualizações contemporâneas, Greve Negra Já! se afirma como uma ação direta de afirmação coletiva. Com produção de Elaine Pinheiro, a exposição propõe ao público uma reflexão crítica sobre os vários mecanismos que condicionam a exploração do trabalho estritamente negro e convoca para a construção de uma consciência de classe orientada por uma perspectiva afrocentrada.
Programa educativo
Ao longo da exposição serão realizadas ações educativas para o público espontâneo. Estão previstas oficinas de desenho e uma formação específica para professores do ensino formal e não-formal, conduzida por Karenn Amorim, arte-educadora, graduada em Artes Plásticas e mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo, atualmente doutoranda em Artes pelo Programa de Pós-graduação em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Serviço
Exposição | Greve Negra Já!
De 24 de fevereiro a 26 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Museu de Arte do Espírito Santo (Maes)
Av. Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória - ES
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Parte de um acervo de arte particular ficará disponível para o grande público entre os dias 24 de fevereiro a 26 de abril no Museu de Arte do Espírito Santo
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Parte de um acervo de arte particular ficará disponível para o grande público entre os dias 24 de fevereiro a 26 de abril no Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES). É a mostra “Arte em todos os sentidos”, que vai reunir obras contemporâneas de 36 artistas capixabas e nacionais.
A mostra integra o projeto Acervo RDA – Preservação e Difusão do Acervo Ronaldo Domingues de Almeida na Midiateca Capixaba, cujo objetivo é contribuir para a democratização do acesso à arte e salvaguardar a memória do patrimônio artístico capixaba, em especial.
O projeto foi aprovado no Edital nº 18, lançado pela Secretaria da Cultura (Secultes) em 2024, e foi contemplado com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espirito Santo (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MINC).
41 obras
Com um olhar direcionado à contemporaneidade, o diretor do MAES, Nicolas Soares, fez a curadoria da exposição e selecionou 41 pinturas, gravuras, desenhos, fotografias e esculturas entre as obras que integram o acervo do colecionador de arte Ronaldo Domingues de Almeida.
“Nunca planejei formar um acervo. Queria apenas conviver com a arte no cotidiano. A coleção cresceu de forma espontânea, movida pelo interesse estético e pela experiência proporcionada por cada obra. Com o tempo, fiquei me perguntando qual o sentido de manter tantas obras restritas a poucos”, descreve o colecionador e curador adjunto da mostra.
A exposição permitirá que os visitantes apreciem criações de artistas nacionais que nunca ou raríssimas vezes expuseram em Vitória.
“Quanto aos artistas capixabas escolhidos, na impossibilidade de apresentar a totalidade, o curador selecionou nomes representativos de períodos diversos, buscando obras cujas temáticas fogem daquelas pelas quais habitualmente são reconhecidos”, completa a jornalista Adriana Machado, coordenadora do projeto e produtora executiva da exposição.
O nome “Arte em todos os sentidos” é uma referência a um detalhe de uma obra do artista Paulo Bruscky, uma arte postal, cujo título é “Hoje a Arte é este Comunicado”. A peça faz parte do acervo e a escolha do título dialoga com o projeto.
Projeto Acervo RDA
A mostra é uma das ações formativas integradas ao projeto Acervo RDA, que está em execução. Obras do acervo estão sendo catalogadas e digitalizadas para inserção na plataforma online do Governo do Estado, Midiateca Capixaba.
A realização da exposição no MAES se deve ao convite feito pela instituição, por reconhecer a relevância do projeto tanto em relação à preservação da memória dessas obras quanto pelo propósito de buscar a democratização do acesso à arte.
“Foi dessa reflexão que nasceu o desejo de compartilhar. A digitalização e a inserção do acervo na Midiateca Capixaba transformam o que era privado em acesso público, ampliando a experiência da arte e sua função social. E, agora, estamos levando parte desse acervo fisicamente durante a exposição”, acrescenta Adriana Machado.
Serviço
Exposição | Arte em todos os sentidos
De 24 de Fevereiro a 26 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h
Período
Local
Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES)
Avenida Jerônimo Monteiro, 631, Centro de Vitória - ES
Detalhes
A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo.
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A Fortes D’Aloia & Gabriel tem o prazer de apresentar Purple apple, primeira exposição individual de Willa Wasserman no Brasil, na FDAG Jardins, em São Paulo. A mostra reúne pinturas íntimas, de pequena escala, sobre linho e latão, ao lado de obras de grandes dimensões sobre tecido, produzidas entre Nova York, onde a artista vive, e São Paulo, onde atualmente realiza uma residência na Casa Onze.
Wasserman investiga questões de intimidade, gênero e metamorfose, entrelaçando referências à pintura clássica e à cultura material com expressões contemporâneas da experiência queer. Trabalhando sobre tecidos e metais, a artista trata o suporte como participante ativo de cada composição. Óleo, silverpoint — traços obtidos pelo atrito da prata sobre uma superfície preparada — e processos químicos são aplicados de modo a permitir que oxidações, manchas e variações tonais emerjam e permaneçam visíveis. Sua abordagem da figuração evita a nitidez corporal ou contornos rigidamente definidos, privilegiando espaços amorfos onde formas flutuam e se dissolvem. Técnicas históricas são reimaginadas para dar origem a corpos e atmosferas mutáveis, ao mesmo tempo luminosos e sombrios, suspensos em um estado de emergência contínua.
Há tempos, Wasserman trabalha a natureza-morta como um modo de pensar visualmente, tratando os objetos como uma composição silenciosa, mais do que como uma exibição simbólica. Ela pinta arranjos florais e cenas de jardim, como em From the garden at the new squat (2026) [Do jardim da nova ocupação], em que o pigmento parece fundir-se à superfície metálica, conferindo às imagens uma profundidade quieta e ambiente. Em Still life with purple apple, empty bowl, lock rake (2026) [Natureza-morta com maçã roxa, tigela vazia, instrumento para destravar fechaduras], o instrumento introduz uma nota de acesso transgressivo, fazendo referência a experiências vividas da identidade trans e a modos de atravessar espaços para além de estruturas normativas.
Serviço
Exposição | Willa Wasserman: Purple apple
De 25 de fevereiro a 18 de abril
Terça a sexta, das 10h às 19h, sábado, das 10h às 18h
Período
Local
Galpão Fortes D’Aloia & Gabriel Jardins
Rua Barão de Capanema 343, Jardins – São Paulo - SP
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de
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O Sesc Sorocaba recebe a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes. Intitulada do caminho um rezo, a mostra expõe o ato de caminhar como gesto político, espiritual e de construção de conhecimento, aproximando práticas artísticas, educativas e comunitárias.
Com a curadoria de Luciara Ribeiro, Naine Terena e Khadyg Fares, a Trienal propõe uma escuta atenta ao território sorocabano, atravessando suas camadas históricas, visuais e sociais.
O título do caminho um rezo une o conceito de “caminho como rezo”, difundido pelo professor e artista Tadeu Kaingang, à noção andina de “Thaki”, descrita pela socióloga Silvia Rivera Cusicanqui, e à ideia de “confluências afropindorâmicas”, do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), orientando uma reconexão com experiências culturais, educacionais e de memória que articulam corpo, território e vida social.
São, ao todo, 188 obras (das quais 26 foram comissionadas) desenvolvidas a partir de experiências negras, indígenas, periféricas e dissidentes, que ocupam tanto a unidade, quanto espaços da cidade, como a Capela João de Camargo, o Clube 28 de Setembro, o Monumento Pelourinho e o Monumento à Mãe Preta.
Assim como nas edições anteriores, Frestas se afirma como uma iniciativa que descentraliza o circuito de arte contemporânea, reconhecendo Sorocaba e o interior paulista como território de confluência entre relações artísticas e comunitárias.
Serviço
Exposição | do caminho um rezo
De 27 de fevereiro a 16 de agosto
Terças a sextas, 9h às 21h30. Sábados, 10h às 20h. Domingos e feriados, 10h às 18h30. Exceto dia 3/4
Período
Local
Sesc Sorocaba
R. Barão de Piratininga, 555 - Jardim Faculdade, Sorocaba - SP
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Paisagens com horizontes e formações aparentemente vegetais, possivelmente geológicas. Cenas internas e externas, de interações humanas e animais. Telas veladas por chassis e caixas, cenas reveladas entre molduras teatrais —
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Paisagens com horizontes e formações aparentemente vegetais, possivelmente geológicas. Cenas internas e externas, de interações humanas e animais. Telas veladas por chassis e caixas, cenas reveladas entre molduras teatrais — esses são alguns dos principais motivos que aparecem na produção recente de Thales Pomb. Suas pinturas, desenhos e esculturas produzem imagens que não podem ser facilmente associadas à realidade. Ao confrontar a tensão entre cor e forma na constituição pictórica, essas obras subvertem a figuração para favorecer o gesto. As figuras, cenas e paisagens se tornam aqui, meios metafísicos para a contemplação do imaginar.
Montando e desmontando liminarmente o espaço-tempo, os campos de cores difusas nas pinturas evocam luzes raras, como a luminosidade oblíqua que envolve o entorno do nascer e do pôr do sol, especialmente na natureza. Essas luzes atravessam o espaço em pouco tempo e apesar — ou por causa — disso, depositam momentos de suspensão, em que tudo está por ser revelado ou ocultado, tudo parece prestes a se transformar. Os contrastes e gradações cromáticas esquematizam fases de uma luz fragmentada, estruturando o espaço-tempo de um gerúndio perpétuo, em que há apenas o possível infinito do momento enquanto ele se torna.
Nas pinturas recentes de Thales Pomb, cenas são frequentemente constituídas em séries, como a série de montadores, a série de gatos ao ar livre e a série de bocas de cena. Na primeira, as imagens mobilizam montadores de obras de arte entre formas e espaços liminares, remetendo às dinâmicas misteriosas do próprio mundo da arte: a circulação de obras, sua entrada e saída controlada dos espaços. O conteúdo dessas obras é um dado velado, mas indiferente — os chassis, as caixas e as embalagens integram-se ao ritmo dos campos de cor matizados entre luz e sombra, das horizontais e diagonais que sugerem possíveis horizontes e profundidades, estruturando tempo e espaço. Os movimentos das caixas e dessas obras veladas não geram suspeitas sob a luz solar: atravessam naturalmente os planos por onde essa luz se espreguiça, como se estivesse chegando ou se preparando para se retirar. Os títulos dessas pinturas aludem à dança e à coreografia de movimentos precisos: bailando, tango, passinho, ajustezinho, bolero e puxadinha. O potencial de desprendimento dessas ações está contido na tensão entre cores e formas, que, ao depositar metafisicamente o tempo no espaço pictórico, utiliza a figuração para gesticular a poética de uma incógnita.
Se na pintura sobre tela Thales Pomb trabalha a partir da “queima”, aplicando sobre a tela camadas intensas de tons quentes das quais emerge a imanência formal de suas imagens, nos desenhos em lápis Conté sobre papel Ingres o artista estabelece outra imanência, fundada no branco do papel — o “fundo” material dessas imagens. As manchas e marcas em tons de cinza e preto produzidas pelo Conté reverenciam os efeitos de luz e sombra dos desenhos de Georges Seurat (1859–1891), valendo-se também da textura do papel Ingres para sugerir massas à contraluz. Nesses desenhos, a densidade das formas mais escuras relaciona-se com campos vazios — ou suavemente constituídos —, produzindo o mesmo efeito suspensivo presente nas pinturas.
A produção recente de Thales Pomb, ao criar imagens a partir da cor e da forma, propõe uma reflexão sobre a dificuldade contemporânea de “estar presente”: contemplar o momento exige a capacidade de habitar o inquietante. Isso não significa sucumbir à hiperestimulação sensorial, mas buscar aquilo que ainda não se conforma à imagem do real. Refletindo sobre a filosofia prática de nosso tempo, Vladimir Safatle propõe que, diante do agravamento das crises e da urgência de nos confrontarmos com o real, seria preciso “deixar os fragmentos da experiência falarem, serem expostos no ponto inicial em que colidem com o pensamento”. Safatle sugere que o sublime, como outros conceitos, está submetido à obsessão contemporânea por segurança, motivo da intolerância geral à colisão e à ruptura. O sublime, porém, “enquanto conceito indeterminado da razão”, liga-se às experiências que fazem a imaginação confrontar seus próprios limites, formalizando justamente “o que não se submete à forma da representação”. Se historicamente o sublime esteve na sensação de pequenez ou de terror diante da totalidade imposta pela natureza, na contemporaneidade o sublime está justamente na sensação de fragmentação que um mundo em crise produz.
Essa fragmentação se reflete na pintura de Thales Pomb, em que cada campo de cor pode ser visto individualmente ou separadamente, fazendo e desfazendo a unicidade da imagem. Thales refletiu em seu ateliê: “Antes, eu já sabia a imagem que queria desde o começo. Agora, eu não sei o que vou pintar. Eu pago para ver”. No lugar de uma dependência projetual que assegura a imagem antes mesmo de existir, suas pinturas e desenhos enfrentam a experiência espaço-temporal do momento, sem a pretensão de conhecê-lo como definição. Apenas com a consciência de que o gesto pictórico é capaz de dar forma à liminaridade sublime e transformar cada instante em um momento de contemplação.
Gabriela Gotoda – curadora
Serviço
Exposição | Enquanto se torna
De 28 de fevereiro a 13 de abril
Segunda a sexta-feira, das 10hs às 19hs; sábado, das 10hs às 15hs
Período
Local
Danielian Galeria SP
R. Estados Unidos, 2114 - Jardim Paulista
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Solidão Coletiva, individual inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre as contradições da sociedade contemporânea e os modos de
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A CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Solidão Coletiva, individual inédita de Julio Bittencourt que propõe uma reflexão visual sobre as contradições da sociedade contemporânea e os modos de existência em um mundo cada vez mais povoado, acelerado e regulado. Com curadoria de Guilherme Wisnik e expografia assinada por Daniela Thomas, a mostra reúne oito séries fotográficas realizadas entre 2016 e 2023, resultado de um extenso trabalho de observação em grandes centros urbanos como São Paulo, Nova York, Tóquio, Mumbai, Pequim e Jacarta.
O título da exposição dialoga com o pensamento da filósofa Hannah Arendt, para quem a sociedade moderna, estruturada em torno do trabalho, tende a suprimir a possibilidade de ação e a reduzir o indivíduo à condição de agente funcional. “As imagens de Bittencourt observam grupos humanos imersos em rotinas produtivas, fluxos incessantes de informação e espaços que impõem contenção física e simbólica. O confinamento surge como eixo recorrente, mesmo quando os mecanismos de controle não se apresentam de forma explícita”, conta Wisnik.
Em suas fotografias, Julio Bittencourt busca registrar não acontecimentos extraordinários, mas estados de suspensão. São, para o artista, corpos anônimos, captados em situações de espera, repetição ou adaptação a ambientes que os condicionam. De empregados isolados em escritórios a trabalhadores alojados em hotéis cápsula, a privação deixa de ser exceção para se tornar parte estrutural do cotidiano urbano. “Há, nesse gesto, uma dimensão política que não se baseia na denúncia direta, mas na insistência em tornar visível aquilo que costuma passar despercebido”, diz o curador.
As séries se articulam como capítulos de uma narrativa aberta, marcada por tensão e ressonância. Transitando entre o documental e o conceitual, Julio Bittencourt explora a fotografia como linguagem crítica, livre do compromisso jornalístico com o fato imediato, mas atenta às possibilidades poéticas do olhar.
Solidão Coletiva – Júlio Bittencourt é uma exposição apresentada pela CAIXA Cultural, com realização da Phi Projetos e Cinnamon e patrocínio da CAIXA e Governo do Brasil.
Serviço
Exposição | Solidão Coletiva
De 03 de março a 12 de julho
Terça a domingo, das 9h às 18h
Período
Local
CAIXA Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111 – Centro – SP
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O CCBB BH recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, com obras em escultura, crochê e bordado da artista maranhense Marlene Barros, propondo uma reflexão sobre o corpo feminino, a desvalorização histórica
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O CCBB BH recebe a exposição “Marlene Barros: Tecitura do Feminino”, com obras em escultura, crochê e bordado da artista maranhense Marlene Barros, propondo uma reflexão sobre o corpo feminino, a desvalorização histórica das mulheres e a invisibilização de seus fazeres no campo da arte. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a mostra transforma o gesto íntimo do costurar em narrativa pública de resistência, pertencimento e reinvenção, transformando agulha e linha em instrumentos de denúncia, memória e elaboração simbólica.
A exposição conta com instalações como “Eu tenho a tua cara”, com 49 rostos de mulheres que trocam olhos e bocas costurados, tensionando identidade e alteridade; “Caixa Preta”, que constrói um autorretrato expandido a partir de fotografias, intervenções têxteis e escritos; “Coso porque está roto”, que apresenta um casaco cujo avesso revela órgãos bordados que simbolizam sentimentos e acionam a ideia de reparo; “Entre nós”, que mergulha em objetos de crochê para problematizar tarefas naturalizadas no âmbito doméstico; e “Quem pariu, que embale”, que questiona a atribuição quase exclusiva do cuidado dos filhos às mulheres. A montagem do percurso expositivo, coordenada por Fábio Nunes, com produção executiva de Júlia Martins, propõe uma trajetória não cronológica, permitindo que o público construa sua própria experiência entre matéria, gesto e memória.
Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros consolidou-se como referência no cenário artístico maranhense, articulando produção, formação e redes culturais por meio do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM. A exposição tem origem em pesquisa desenvolvida durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, quando propôs costurar simbolicamente uma casa em ruínas no campus Santiago, em Portugal, em um gesto de remendar fissuras do tempo. A casa, convertida em metáfora do corpo, permitiu expandir a reflexão para o universo feminino em suas dimensões sociais, políticas e afetivas, compreendendo a tecelagem como metáfora dos vínculos, da memória e do fluxo da vida.
Serviço
Exposição | Marlene Barros: Tecitura do Feminino
De 04 de março a 01 de junho
Quarta a segunda, das 10h às 22h
Período
Local
Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)
Praça da Liberdade, 450 - Funcionários, Belo Horizonte - MG
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A exposição Rafael Pereira: A Cabeça de Zumbi inaugura a programação de 2026 da Galeria Estação, reafirmando a força poética e a crescente complexidade do trabalho do artista paulistano de
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A exposição Rafael Pereira: A Cabeça de Zumbi inaugura a programação de 2026 da Galeria Estação, reafirmando a força poética e a crescente complexidade do trabalho do artista paulistano de 39 anos. Ao longo de sua trajetória Rafael percorreu diversos Estados do Brasil, viveu por 14 anos decisivos em Teófilo Otoni (MG) e, atualmente, reside em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo.
Desde Lapidar Imagens, sua primeira exposição individual na galeria, realizada em 2023, o artista atravessou um ciclo de amadurecimento que ampliou seu vocabulário visual ao revisitar aspectos estruturantes de sua trajetória — da formação como lapidador de pedras preciosas às experiências de circulação pelo país. Esse percurso se desdobra agora em uma mostra que articula memória, identidade e subjetividade.
“Desde que Rafael entrou na Estação, em 2023, acompanhamos de perto seu processo consistente de amadurecimento. Ele é um artista que cresceu em segurança, em repertório e em consciência do próprio trabalho. Entre Lapidar Imagens e esta nova individual sua obra ganhou densidade. A exposição reflete um salto real em sua trajetória. Quando um artista como ele encontra um espaço institucional que o apoia, ele ganha o mundo. No caso dele, nosso respaldo foi fundamental para que ele se sentisse mais livre para arriscar, aprofundar processos e ampliar sua linguagem”, defende Vilma Eid, sócia-fundadora da Galeria Estação.
Produzidas no biênio 2024 – 2025, as pinturas inéditas incorporam um universo multicolorido de retratos, paisagens e elementos simbólicos que, segundo o artista, emergem de uma escuta profunda de si mesmo, em um processo consciente de desaceleração: “Hoje eu sinto que o meu trabalho acontece em outro tempo. Antes, eu tinha muita urgência, uma necessidade de produzir o tempo todo, quase como se eu precisasse provar alguma coisa. Agora eu entendo que esses processos devem ser mais lentos, que a pintura precisa de tempo para maturar, assim como eu”, explica.
Composta por dois núcleos expositivos, a mostra reúne 22 pinturas no 2º andar da Galeria Estação — sendo 20 retratos e duas naturezas-mortas — e apresenta, no mezanino, a série Nbimda, formada por 16 pinturas de cabeças de dimensões variáveis. Cada obra representa uma divindade (nkisi) cultuada no candomblé de Angola de matriz Bantu. Ao abordar esse conjunto, o historiador da arte Renato Menezes, autor do texto crítico do catálogo da mostra, destaca a centralidade simbólica da cabeça como elo entre o corpo, a ancestralidade e o divino:
“O que para os europeus se apresentou unicamente como fisionomia, isto é, como emanação da personalidade, revela-se, na pintura de Pereira, como elo com o divino: a cabeça, orí para os Iorubá e mutuê para os Bantu. É na cabeça onde reside a força vital do indivíduo; está ali sua conexão com o nkisi, a energia ancestral e destino individual que cada sujeito traz consigo ao nascer. O tema da cabeça ancestral organiza a série Nbimda”, destaca Menezes.
Ao exaltar e ressignificar a ancestralidade afrodiaspórica que constitui parte majoritária da sociedade e da formação cultural brasileira, Rafael também explicita sua intenção de dar maior complexidade às discussões sobre racialidade, afastando-se de leituras reducionistas em favor da construção de uma subjetividade negra.
“Não quero que meu trabalho seja lido só a partir de um corte racial. Não quero que um corpo negro sorrindo seja visto como um acontecimento, enquanto um corpo branco sorrindo é só uma imagem. O que me interessa é construir uma subjetividade negra que seja complexa, íntima e contraditória. Não quero negar a questão racial. Quero ir além dela. Quero que meu trabalho seja visto como imagem e experiência, e que a negritude esteja ali de forma profunda, não como um rótulo”, provoca o artista.
Segundo Menezes, essa produção recente, marcada pela força intuitiva do gesto pictórico, amplia ainda mais as leituras possíveis sobre a obra de Rafael, já insinuadas na interpretação de caráter modernista dos trabalhos presentes em Lapidar Imagens.
“Em um primeiro momento, sua obra parece resultar diretamente da absorção desses códigos da retratística tradicional para, a partir deles, imaginar futuros, reconstituir histórias e inventar identidades, superando o modo como a vida negra foi avaliada. Por outro lado, o artista cria fisionomias a partir de sua imaginação, como em um exercício de ajuste de contas com a história e de acesso a uma dimensão da memória neutralizada pelo trauma: a intuição é uma tecnologia ancestral. Assim, ele faz reexistir, por meio de suas cores, a presença viva de pessoas atravessadas por sentimentos, pensamentos e desejos silenciosos”, observa Menezes no catálogo.
A exposição evidencia, ainda, a ampliação de técnicas experimentadas durante o período formativo de Pereira, como o uso de bastão de giz pastel óleo sobre papel, revelando processos investigativos de um trabalho em transformação. Parte das obras foi produzida em março de 2025, durante a residência artística realizada por ele em Goiânia (GO), no Sertão Negro Ateliê e Escola de Artes, projeto idealizado pelo artista visual e educador Dalton Paula e pela professora e pesquisadora de cinema Ceiça Ferreira. Localizado em um quilombo do bairro conhecido como Setor Shangri-lá, o espaço articula tradições culturais afro-brasileiras e práticas de arte contemporânea, com atividades em cerâmica, gravura, capoeira angola, agroecologia e cineclube.
“A residência no Sertão Negro foi decisiva para o Rafael, não apenas no plano técnico, mas como experiência de troca com outros artistas e abertura de mundo. Ele voltou mais seguro, mais consciente da própria voz — e isso aparece com força nesta exposição, que mostra um Rafael mais amplo com trabalhos diferentes reunidos em dois núcleos distintos. São quase duas exposições que se complementam e ajudam a entender melhor o artista. Abrir a programação de 2026 com o Rafael foi uma decisão muito consciente. Ele tem um público forte, seu trabalho tem ótima circulação e esse é o momento exato para fazermos sua segunda individual”, conclui Vilma Eid.
Serviço
Exposição | A Cabeça de Zumbi
De 5 de março a 11 de abril
Segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 15h; não abre aos domingos
Período
Local
Galeria Estação
Rua Ferreira de Araújo, 625 - São Paulo - SP
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia
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O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand exibe Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo. A mostra reúne 25 trabalhos que contemplam a produção artística de Claudia Alarcón (La Puntana, Argentina, 1989) & Silät, coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichí. Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP, a exposição marca a estreia da artista e do grupo em um museu brasileiro.
As obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia de fibras resilientes nativa do clima semiárido do Gran Chaco, maior bioma da América Latina depois da Amazônia, que ocupa as regiões norte e nordeste da Argentina, chegando até o Paraguai. A preparação do chaguar e a técnica de entrelaçar os fios com as mãos, sem o uso de um tear, provêm da confecção das bolsas yicas, objeto central para a cultura wichí. Tradicionalmente, a yica tem formato quadrado, com padrões geométricos que representam a flora e a fauna de seu território, remetendo a temas como orelhas de tatu, olhos de coruja e cascos de tartaruga. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. A partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, o coletivo Silät se organizou em 2023, passando a produzir tecidos dentro do contexto artístico.
Historicamente, os têxteis produzidos pelos Wichí tinham tons terrosos, avermelhados e azuis acinzentados, mas as artistas passaram a adicionar cores mais intensas com anilinas no processo de preparação dos fios, chegando a matizes exuberantes de tons laranja e fúcsia, por exemplo. Outra importante inovação do trabalho de Alarcón & Silät está no próprio processo de produção dos tecidos: enquanto tradicionalmente as mulheres sempre teceram individualmente, as integrantes do Silät desenvolveram métodos para que várias integrantes pudessem trabalhar simultaneamente em uma mesma peça ou dar continuidade ao trabalho de outra tecedeira.
A mitologia do povo Wichí também compõe os trabalhos de Alarcón & Silät. Em Kates tsinhay — Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], 2023, Claudia Alarcón evoca o mito das mulheres-estrelas. A crença narra que as mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar que elas mesmas haviam tecido. Vinham se alimentar, roubando os peixes que os homens pescavam. Quando os homens descobriram, cortaram esses fios e as mulheres ficaram na Terra. Essa obra e outras inspiradas por esse enredo simbólico mesclam as geometrias ancestrais com elementos figurativos para delinear estrelas, luas, astros e céus estrelados.
“Recupero lendas e histórias do nosso povo, sinto que tem muito trabalho a ser revivido. Penso em como recuperar isso, porque é algo que talvez não possa ser dito oralmente, não podemos gritar isso. Mas o tecido também fala. Há quem possa entender ou sentir isso no tecido. Eu me dei conta de que, embora teçamos em silêncio, tudo está dito no tecido”, comenta Alarcón.
Os wichís chamam seu território de tayhi e o consideram parte fundamental da identidade, tendo uma dimensão espiritual e simbólica. Em espanhol, o nome para a região é monte. Porém, ainda que o nome remeta a montanhas, o relevo local é majoritariamente plano. A experiência cotidiana, o vento, o dia, o entardecer, a noite, as constelações e muitos outros elementos da vivência no monte estão presentes nas cores, formas orgânicas e geométricas dos trabalhos de Alarcón & Silät. O olhar sensível das tecedeiras para os ciclos naturais retrata na abstração Kyelhkyup — El otoño [Outono], 2023, da coleção do MASP, as mudanças de tons, texturas e luz durante a passagem das estações no monte.
Tecer em conjunto, somado às inovações implementadas, possibilitou a elaboração de composições têxteis que trazem uma multiplicidade de vozes e cores, articulando padrões tradicionais com um repertório visual e poético contemporâneo. “Os tecidos tornaram-se bandeiras de luta, estandartes que portam mensagens, histórias, e dão vozes às mulheres da comunidade”, afirma Laura Cosendey.
Tanto a singularidade das artistas quanto a dimensão do coletivo são demonstradas na instalação Hilulis ta llhaiematwek — Un coro de yicas [Um coro de yicas] (2024-25), que reúne mais de cem bolsas, cada uma delas produzida por uma integrante do grupo. As escolhas pessoais de cor e padrão são destacadas quando os trabalhos são exibidos lado a lado, enquanto a apresentação em conjunto reforça o caráter político da articulação do coletivo, que possibilitou criticar questões como a desvalorização do saber ancestral e a precarização do trabalho das tecedeiras.
Na exposição, as obras são apresentadas em molduras ou em estruturas verticais de madeira, que remetem à maneira como esses tecidos são produzidos e, ocasionalmente, apresentados na comunidade onde vivem as tecedeiras. O conjunto N’äyhay wet layikis — Caminos y cicatrizes [Caminhos e cicatrizes] é um dos trabalhos exibidos nesse suporte expográfico proposto pelo MASP. A composição têxtil foi pensada pelo coletivo, em 2025, para o Nove de Julho, dia em que se comemora a independência da Argentina. A criação artística foi tecida pelas mulheres para denunciar a repressão violenta cometida ao longo do tempo pelo Estado argentino contra populações indígenas.
Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.
Serviço
Exposição | Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo
De 06 de março a 02 de agosto
Terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Período
Local
MASP
Avenida Paulista, 1578, São Paulo
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Para marcar o início das celebrações de sua primeira década de atuação no mercado da arte contemporânea brasileiro e internacional, a Janaina Torres Galeria apresenta a exposição individual Deborah Paiva (1950–2022): Uma Antologia,
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Para marcar o início das celebrações de sua primeira década de atuação no mercado da arte contemporânea brasileiro e internacional, a Janaina Torres Galeria apresenta a exposição individual Deborah Paiva (1950–2022): Uma Antologia, com curadoria de Tadeu Chiarelli. A mostra tem abertura prevista para 7 de março, das 14h às 18h, e permanece em cartaz até 30 de abril, em São Paulo.
A exposição reúne um conjunto inédito de obras que atravessa diferentes momentos da trajetória de Deborah Paiva (Campo Grande, 1950), artista cuja produção se consolidou a partir de uma investigação rigorosa da pintura como linguagem e campo de reflexão. A sul-mato-grossense, radicada em São Paulo, construiu uma obra com forte senso de liberdade, mantendo-se fiel à experimentação e à margem de tendências e modismos do circuito artístico.
Seus primeiros trabalhos surgem tridimensionais, a maioria deles em grandes dimensões e com caráter quase instalativo. Ao longo do tempo, sua pesquisa vai, gradualmente, voltando-se para a linguagem pictórica, passando por investigações fortemente matéricas – com procedimentos próximos à arte povera, utilizando elementos como areia, palha, encáustica e diferentes densidades de tinta – e, posteriormente, se concentra na depuração da pintura, com formatos mais reduzidos e obras menos matéricas, mais silenciosas e introspectivas.
Essa inflexão, no entanto, não se reduz exclusivamente como reflexo de um movimento biográfico ou psicológico, mas muito mais como uma tomada de posição frente à própria condição da pintura no fim do século XX e início do século XXI. Embora a obra de Deborah Paiva opere, frequentemente, no território do hibridismo entre abstração e figuração, recusando a dicotomia tradicional entre esses campos – o que vemos refletido em suas telas, com figura e fundo se contaminando, dissolvendo-se mutuamente reafirmando o compromisso com a investigação pictórica como condição primeira de seu trabalho – Deborah insistiu em voltar-se para a pintura, em um momento histórico no qual tal linguagem via seu statement ser progressivamente questionado e deslocado por expressões mais espetacularizadas.
Ao longo de sua trajetória, a artista não se limita a um estilo fixo, nem com um programa estético fechado e, definitivamente, não opta pela combatividade como era tendência naquele momento. A pintura da artista pode ser narrativa ou formal, planar ou matérica, figurativa ou não figurativa, assumindo-se sempre como um campo aberto de possibilidades. Outro ponto que chama a atenção em sua obra é que a artista rejeitava a noção linear da evolução de sua poética, quando evitava a datação rigorosa de suas obras, entendendo o tempo da pintura como o tempo do próprio fazer: o ritmo do gesto e a duração do trabalho.
Grande parte de sua iconografia, que conferiu assinatura às suas obras, a partir de 2010, integra a abstração às figuras humanas — em sua maioria femininas — apresentadas de costas, de perfil ou com o rosto encoberto, além de interiores e paisagens. Essas imagens se recusam, no entanto, à redução da representação da solidão existencial do sujeito, e acabam por operar como metáfora da solidão da própria pintura enquanto linguagem artística à época, voltada para si mesma e relativamente afastada do debate contemporâneo mais amplo.
Nesse sentido, como observado pelo curador da exposição, Tadeu Chiarelli, em seu texto crítico que acompanha a exposição, a produção de Deborah Paiva se aproxima do que Walter Benjamin definiu como “valor de culto” da obra de arte. Ao consolidar sua linguagem e assinatura, a artista privilegiava o caráter íntimo da pintura, afastando-se deliberadamente da monumentalidade e da lógica do espetáculo. Sua obra se afirma na presença silenciosa, que exige do observador uma fruição atenta e desacelerada, em oposição à lógica do valor de exibição que passou a dominar a arte contemporânea, a partir do advento da reprodutibilidade técnica.
Como também pontua Chiarelli, a obra de Paiva, se relaciona estruturalmente com artistas como Iberê Camargo, Jasper Johns, Henri Matisse e Marie Laurencin, esse diálogo não se dá por meio da citação ou da apropriação pós-moderna, mas por afinidades profundas relacionadas às questões da linguagem pictórica, especialmente no que diz respeito à diluição das fronteiras entre abstração e figuração e à fisicalidade da pintura.
A revisão crítica de Tadeu Chiarelli
Para compor essa exposição, Tadeu Chiarelli propõe também uma revisão crítica de sua própria leitura anterior sobre a obra de Deborah Paiva. Em texto escrito em 1997, o curador havia interpretado sua produção como resultado direto da suposta “liberação” da pintura ocorrida nos anos 1980. Hoje, ele reconhece essa leitura como equivocada ao rever a noção de que teria havido uma “volta à pintura” naquele período. Tadeu reconhece a falácia dessa premissa – entendida naquele momento por ele e muitos do meio –, quando afirma que a pintura nunca desapareceu, mas perdeu protagonismo frente a outras modalidades artísticas. Ao constatar a limitação de tal premissa, Chiarelli reconhece que essa visão impediu o entendimento da real complexidade das pinturas de Deborah Paiva. A partir de então, para o crítico e curador, a obra de Deborah passa a ser compreendida não como efeito de uma liberdade recém-conquistada, mas como resposta à condição de isolamento da pintura contemporânea, que, após perder sua centralidade no debate artístico, voltou-se para si mesma como forma de sobrevivência enquanto linguagem. Em última análise, para o curador:
Serviço
Exposição | Deborah Paiva (1950-2022): Uma Antologia
De 7 de março a 30 de abril
Terça a sexta, das 10h às 18h e sábados, das 10h às 16h.
Período
Local
Janaina Torres Galeria
Rua Vitorino Carmilo, 427 Barra Funda, São Paulo-SP
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O trabalho das Irmãs Gelli se organiza a partir da insistência do fazer diário. Um tempo feito de repetição e presença cotidiana, no
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O trabalho das Irmãs Gelli se organiza a partir da insistência do fazer diário. Um tempo feito de repetição e presença cotidiana, no qual o processo não é meio para um fim, mas matéria do próprio trabalho. Ao longo de cinco anos de prática conjunta, Alice e Gabi desenvolveram uma metodologia baseada na experimentação, na paciência e no acolhimento do acaso. É nesse regime de tempo dilatado que a cera, material geralmente associado à transitoriedade e ao descarte, ganha centralidade em sua pesquisa, capaz de reter camadas e incursões.
O novo conjunto de obras apresentado na Casa Seva marca uma inflexão na trajetória das artistas. Se antes a cera aparecia em placas maciças e lisas, orientadas por maior controle e rigor geométrico, agora o trabalho se constrói pela sobreposição orgânica de camadas, por despejo ou submersão, formando uma estratigrafia quase pictórica que acolhe ao inesperado. Como os anéis do tronco de uma árvore, essas camadas são testemunho do tempo depositado na feitura da obra. Revelam também os acasos do percurso, por vezes acolhidos e incorporados, por vezes recobertos e adiados. Ao atingirem um limite satisfatório de camadas, iniciam um movimento inverso. As artistas desbastam, abrem fendas, revelam estratos inferiores, cores e texturas antes ocultas. O tempo se dilata para trás e para frente.
Essas obras encontram na Casa Seva um espaço de ressonância. Inserida em uma vila modernista projetada por Flávio de Carvalho, a casa parece também viver esse tempo dilatado, acumulando camadas de uso, sentido e memória. Arte e sustentabilidade constituem, de forma inseparável, os pilares da Casa Seva. É nesse cruzamento que o trabalho das Irmãs Gelli se insere, em afinidade com uma programação que articula prática artística e responsabilidade ambiental.
A sustentabilidade, aqui, não se limita à escolha de materiais — como a cera vegetal, o plástico reciclado ou a possibilidade constante de derretimento e reúso —, mas se manifesta sobretudo como sustentabilidade das relações. Uma preocupação fundamental quando se trabalha em duo, mas que as artistas estendem à relação entre as obras, com o espaço que as abriga, com o mundo ao redor e, de forma generosa, com o público. Dessa maneira, muitos dos trabalhos aqui expostos convidam ao toque, à interação, à permanência como exercício de presença.
A instalação performática que nomeia a exposição torna isso particularmente evidente. Localizada ao fundo do espaço, a obra é ativada pelas artistas através do derretimento da cera que, ao gotejar, constrói uma espécie de estalactite. Na natureza, essa estrutura é capaz de esperar pacientemente um derramamento de gota que a faz crescer 1 cm a cada 100 anos, lembrando-nos mais uma vez de um tempo que nos excede.
Leva tempo, mas vai dar tempo funciona como mantra e convite. Se para as artistas, a frase reafirma a paciência e a confiança na feitura das obras, para o público ela é um chamado a desacelerar e permanecer, em um tempo que se constrói camada por camada.
Catalina Bergues – Curadora
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 07 de março a 18 de abril
Terça a sexta, das 11h às 18h, sábado, das 11h às 15h
Período
Local
Casa Seva
Al. Lorena, 1257 - Casa 1, Jardins, São Paulo - SP
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força
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Da contemporaneidade que abriga a criatividade e maestria de Nuno Ramos em consonância com o interesse em produzir obras que ressignificam materiais de Marcos Amaro, nasce a mostra A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro, no Museu FAMA, em Itu, São Paulo. Donos de um estética ousada e estilos inconfundíveis, os artistas dialogam nessa mostra com obras que permeiam suas histórias, reveladas na Sala Almeida Jr., no Setor 5.
Trata-se de um diálogo entre criações de diferentes períodos de Nuno e outras que são parte da construção da trajetória de Amaro, “trajetória essa que atravessa e ecoa a dele em muitos aspectos”, nas palavras de Marcos. Nuno Ramos é artista plástico, compositor, dramaturgo, escritor e ensaísta, e há mais de 30 anos trabalha com sobreposição de materiais, que vão de vaselina à cera de abelha, até pigmentos, tinta a óleo, tecidos, plásticos e metais. “O que mais me toca é a pintura, a organização dos materiais e a forma como eles se apresentam ao mundo”, revela Amaro. “Nuno é, para mim, um dos grandes artistas da contemporaneidade. Embora eu pertença a uma geração posterior à sua — como costuma acontecer — foi justamente seu trabalho que abriu caminhos e possibilidades de expansão de linguagem para a minha geração e para a minha própria prática artística”, completa Marcos.
E com base nessa admiração a mostra traz dezenas de obras de ambos os artistas, inclusive, em relação aos trabalhos de Nuno, algumas são parte do acervo pessoal de Amaro que além de empresário e fundador do Museu FAMA, é colecionador. Enquanto artista plástico, Marcos Amaro é conhecido por um estilo peculiar que mistura estética industrial com toques de afeto e nas quais revela seu profundo interesse pela matéria, conferindo-lhes novos sentidos e narrativas.
“A Força do Diálogo: Nuno Ramos e Marcos Amaro” apresenta obras de grandes dimensões, tridimensionais e que se destacam por sua espacialidade e volumetria. Para além da complexidade de execução e plasticidade que as envolvem, as obras que compõem a mostra se conectam diretamente com a generosa escala dos galpões do Museu e ficam em cartaz até 1 de novembro de 2027.
Serviço
Exposição | Leva tempo, mas vai dar tempo
De 14 de março a 01 de novembro
Quartas-feiras, e de sexta a domingo, das 11h às 17h
Período
Local
FAMA Museu
Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9 – Centro – CEP 13300-190 – Itu – SP
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres,
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O IMS Paulista exibirá um conjunto de fotolivros que ressaltam a importância das mulheres na construção do campo da fotografia. A mostra O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999 reúne 106 livros do acervo da Biblioteca de Fotografia, incluindo títulos recém-incorporados a partir da aquisição de uma coleção junto à 10×10 Photobooks, organização fundada em 2012 por Russet Lederman e Olga Yatskevich. Sediada em Nova York, a 10×10 Photobooks se dedica à pesquisa e ao compartilhamento de fotolivros, promovendo exibições, publicando livros a respeito e incentivando sua apreciação e compreensão.
Russet e Olga, que assinam a curadoria da mostra, comentam o projeto: “Embora os estudos sobre a história dos fotolivros tenham começado há apenas 37 anos, eles foram escritos majoritariamente por homens e têm focado em publicações de autoria masculina. Como organização sem fins lucrativos cuja missão é compartilhar fotolivros de forma global e incentivar sua apreciação e compreensão, a equipe da 10×10 discute com frequência como a história do fotolivro foi – e continua sendo – escrita a partir de uma perspectiva enviesada, e que uma ‘nova’ história precisa emergir.”
No dia da abertura, haverá uma conversa aberta ao público na Biblioteca de Fotografia do IMS, às 18h30, com a participação de Russet. A entrada é grátis, com retirada de senhas 60 minutos antes.
“A exposição reforça o papel do IMS como centro de referência para o estudo dos fotolivros e para a circulação de projetos de relevância internacional. Ao trazer ao público brasileiro obras que atravessam mais de um século e meio de produção, O que elas viram amplifica o debate sobre a contribuição das mulheres na história da fotografia e cria novas oportunidades de pesquisa”, diz Miguel Del Castillo, coordenador da Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles.
Todos os livros em exibição poderão ser manuseados pelos visitantes da mostra, que está dividida em dez seções – elas funcionam como marcadores cronológicos, mas principalmente ressaltam o momento histórico, sociopolítico e de conquistas de gênero em que essas mulheres produziram suas obras: “1843-1919: Pioneiras”; “1920-1935: A nova mulher”; “1936-1945: Levantando suas vozes”; “1946-1955: Das cinzas à família”; “1956-1964: Livros como bombas”; “1965-1969: Nostalgia, pop e revolução”; “1970-1975: Sororidade em florescimento”; “1976-1979: Políticas sexuais”; “1980-1989: Um despertar global”; e “1990-1999: Em busca de uma fotodemocracia”.
“Pioneiras”, por exemplo, inclui o trabalho da inglesa Anna Atkins, que, em 1843, publicou por conta própria Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, originalmente escrito à mão e ilustrado com 307 cianotipias das mais diversas algas britânicas. Na mostra, ela está presente em uma edição contemporânea da publicação. Também nesta seção se encontra o mais antigo exemplar em exibição, Dream Children (1901), da norte-americana Elizabeth B. Brownell (1860-1909), em que textos em prosa e poesia de 28 autores são ilustrados com cenas cuidadosamente compostas no estilo de tableaux vivant, popular na fotografia do fim do século XIX e início do século XX.
Nas seções seguintes, aparecem obras como African Journey [Jornada africana] (1945), da antropóloga Eslanda Cardozo Goode Robeson (1895-1965). Parte do segmento “Levantando suas vozes”, a publicação é um dos primeiros livros sobre a África produzido por uma pesquisadora negra norte-americana – e sucesso à época de seu lançamento, devido ao crescente interesse de pessoas afro-americanas pela política e pela cultura africanas durante a década de 1940, quando pan-africanistas defendiam um vínculo inquebrantável entre a diáspora africana e o continente.
Já na seção “Sororidade em florescimento”, chama atenção o fotolivro Les Tortures volontaires [As torturas voluntárias] (1974), da francesa Annette Messager (1943), uma coleção de imagens recortadas de revistas e anúncios que mostram mulheres submetendo-se a diversos procedimentos cosméticos ou rotinas de beleza, pontuando como os corpos das mulheres são um lugar de violência.
Entre os numerosos destaques, o público poderá também ver Passion [Paixão] (1989), da camaronense Angèle Etoundi Essamba (1962), no segmento “Um despertar global”. Essamba subverte as representações estereotipadas produzidas por fotógrafos ocidentais dos corpos femininos negros com poderosos retratos em que sobressaem orgulho, força e consciência. A seleção inclui ainda Hiromix (1998), da japonesa Hiromix (1976), um retrato profundamente pessoal da cultura jovem japonesa dos anos 1990, com fotografias estreladas, em sua maioria, pela própria autora, que busca capturar a beleza juvenil, a exuberância e os prazeres sem amarras da experiência urbana de uma jovem mulher. Hiromix está na seção “Em busca de uma fotodemocracia”, que fecha a exposição.
Três brasileiras já estavam na seleção original das curadoras: Claudia Andujar (1931) com Amazônia (1979), livro que registra o período que ela passou com os Yanomami, fotografando suas cerimônias culturais, ritos xamânicos e tradições; Maureen Bisilliat (1931) comparece com o livro A João Guimarães Rosa (1969), em que fotografa o sertão mineiro inspirada pelo romance Grande sertão: veredas; e Gretta Sarfaty (1947), que rompeu padrões nos anos 1970 ao ironizar a própria imagem, com Autophotos (1978), reunindo três séries fotográficas da pioneira da body art e do feminismo no Brasil.
“Mas, como estamos no Brasil, achamos interessante ampliar um pouco a quantidade de fotógrafas brasileiras contempladas na seleção”, diz Miguel Del Castillo. “Fiz uma sugestão a partir do acervo do IMS, de livros importantes, publicados nesse período de tempo”. Foi assim que outros quatro volumes foram incorporados à versão brasileira da exposição: Dor (1998), de Vilma Slomp (1952); Quem você pensa que ela é? (1995), de Claudia Jaguaribe (1955); Pinturas e platibandas (1987), de Anna Mariani (1935-2022); e Entre (1974), de Stefania Bril (1922-1992).
O IMS recebe uma exposição que já teve versões em formatos variados exibidas em instituições de prestígio em todo o mundo, como o Getty Research Institute, em Los Angeles (2025), o Museo Reina Sofía, em Madri (2024), o Rijksmuseum, em Amsterdã (2022) e a New York Public Library (2022). O catálogo da mostra (no original, What They Saw: Historical Photobooks by Women, 1843–1999), de autoria das duas curadoras, recebeu em 2021 o PhotoBook Award de melhor catálogo do ano, prêmio concedido durante a feira Paris Photo, e estará disponível para consulta na exposição e para venda na Livraria da Travessa do IMS Paulista.
Em cartaz até 2 de agosto, a exposição convida o público a refletir sobre os processos de construção da história e as possibilidades de constantemente reescrevê-la, como pontuam as curadoras: “O que elas viram buscou incluir um grupo diverso de publicações ilustradas com fotografias feitas por mulheres. Para que a história do fotolivro se torne mais inclusiva, é necessário que todas as pessoas (homens, mulheres, não binárias, brancas, negras, asiáticas, africanas, latinas, indígenas, ocidentais, orientais etc.) contribuam. Vemos esta sala de leitura sobre o papel das mulheres na produção, disseminação e autoria de fotolivros como um passo necessário para desescrever a atual história do fotolivro e reescrever uma história do fotolivro que seja mais equitativa e inclusiva.”
Serviço
Exposição | O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999
De 17 de março a 02 de agosto
Terça a domingo e feriados (exceto segundas), das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
Detalhes
A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Corpo de Vento”, individual da artista Thalita Hamaoui, com texto crítico assinado pela socióloga, professora e pesquisadora brasileira Ana Paula
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A Simões de Assis inaugura, em São Paulo, a exposição “Corpo de Vento”, individual da artista Thalita Hamaoui, com texto crítico assinado pela socióloga, professora e pesquisadora brasileira Ana Paula Cavalcanti Simioni. A mostra apresenta onze pinturas inéditas, realizadas em tinta a óleo e pastel oleoso sobre tela e linho, em dimensões variadas. Entre os destaques estão “Corpo de Vento” (2026), pintura de grande formato que se estende por mais de cinco metros; e “Acontecimento Memorável” (2026).
Com trajetória iniciada na estamparia têxtil, onde aprofundou seus estudos sobre cor e forma, Hamaoui dedica-se integralmente à pintura desde 2013. Suas pinturas constroem paisagens de caráter fantástico, nas quais formas orgânicas se expandem por superfícies luminosas e figura e fundo se misturam. Elementos botânicos, como folhagens, flores e frutos, aparecem em sobreposições que combinam cores saturadas e tonalidades mais suaves. Esses arranjos não buscam o realismo, mas se organizam em ritmos que aproximam matéria vegetal e construções fictícias, sugerindo um modo de habitar próximo do onírico.
Em “Corpo de Vento”, a artista apresenta obras desenvolvidas a partir de um aprofundamento no uso do óleo e do pastel oleoso, em que amplia a escala das obras e experimenta diferentes formatos, incluindo pinturas compostas por duas ou três telas articuladas e suportes de contorno orgânico, como em “Vento Correnteza” (2026). Produzidas simultaneamente, as pinturas foram concebidas em diálogo umas com as outras, estabelecendo continuidades cromáticas e formais no espaço expositivo.
Sobre a produção da artista, Ana Paula Cavalcanti Simioni comenta: “A pintura de Thalita se apresenta como sugestiva, sem nos impor um sentido prévio. É um convite ao encantamento, ao prazer por saborear opticamente cada tela devagar, com encanto. É nas grandes telas que Thalita afirma sentir-se mais à vontade, pois nelas pode explorar com maior liberdade e fluidez o caráter gestual de sua prática”.
Todas as obras foram produzidas especialmente para a exposição, que permanece em cartaz até 09 de maio de 2026. Thalita Hamaoui também participa de “A World Far Away, Nearby and Invisible”, mostra coletiva com trabalhos selecionados pela Coleção Jorge M. Pérez, que acontece até agosto deste ano, no El Espacio 23, em Miami, EUA.
Serviço
Exposição | Corpo de Vento
De 19 de março a 09 de maio
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 15h
Período
Local
Simões de Assis (Lorena)
Alameda Lorena, nº 2050 - Jardim Paulista
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A Galeria Estúdio Reverso inaugura a exposição “Cada hora faz sua sombra”, individual do artista Rogério Medeiros, com curadoria de Catalina Bergues. Sem intenção de se configurar como uma retrospectiva,
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A Galeria Estúdio Reverso inaugura a exposição “Cada hora faz sua sombra”, individual do artista Rogério Medeiros, com curadoria de Catalina Bergues. Sem intenção de se configurar como uma retrospectiva, mas reunindo obras de mais de duas décadas e trabalhos inéditos, a mostra revela como Medeiros tensiona linguagens artísticas e investiga a fotografia não como registro, mas como matéria plástica capaz de gerar novas imagens e sentidos.
Com cerca de trinta obras, a exposição aproxima séries produzidas ao longo da trajetória do artista, criando novos diálogos entre trabalhos realizados em momentos distintos e sublinhando a produção atual de Medeiros.
A mostra busca, acima de tudo, revelar a continuidade presente no trabalho de Medeiros ao longo dos anos. Estão expostas desde as primeiras fotografias produzidas pelo artista,
colagens fotográficas e obras que, apesar de ainda usarem a fotografia como núcleo, são marcadas pela desconstrução da linguagem fotográfica ao utilizar apenas a cor ampliada.
Sobre a produção do artista, Catalina Bergues comenta: “Olhando a produção de Medeiros dos últimos 30 anos, é possível notar como aspectos do seu trabalho atual já estavam presentes lá atrás, e é justamente isso que esta nova exposição faz: mescla e reorganiza as séries, criando aproximações a partir de elementos e cores que retornam ao longo de sua trajetória. Rogério começou usando a fotografia para enquadrar o fora. Agora, ao chegar à sua série atual, ele se vale da imagem exterior, para olhar para o dentro.”
A trajetória do artista ajuda a compreender esse deslocamento da fotografia como registro para a fotografia como matéria para um novo tipo de construção visual.
Como ele mesmo diz: “sou fotógrafo desde sempre”. Mas foi só em 2003 que partiu para a produção autoral. Desde então, a natureza tornou-se sua principal fonte de estímulos visuais e estéticos. Na busca pela essência visual das cenas, Medeiros passou a desenvolver uma linguagem abstrata aplicada à fotografia, característica comumente relacionada a seu trabalho. “Minhas referências, que antes eram fotógrafos e pintores clássicos, passaram a ser os expressionistas abstratos do pós-guerra, principalmente os da Escola de Nova York”, compartilhou.
Após a publicação de seu livro, “Ritmo e Gesto”, o desenvolvimento do trabalho de Medeiros o levou a adicionar o gesto manual ao processo e passou a produzir colagens que desconstroem paisagens capturadas por meio de uma recombinação livre. O resultado são imagens únicas e imaginárias criadas a partir de registros reais, em uma abordagem que questiona o signo da fotografia e a própria denominação de fotógrafo.
“A busca por novos elementos para trabalhar as colagens me levou a fotografar o céu e sua rica paleta de cores. Passei a me interessar por uma simplificação visual, afinal estava lidando com a manifestação e o registro da luz pura e única, conforme hora, latitude e as condições climáticas. Relacionar isso com o tempo e suas implicações para cada indivíduo foi uma sequência natural. Daí surgiram reflexões sobre a influência do tempo e das vivências em questões da psique e dos sentimentos”, explica Medeiros.
Na constituição de sua poética, o artista utiliza papeis de algodão, arroz e perolado, para impressões com pigmentos minerais, assim como cartões, placas, cola, fitas adesivas livres de ácido e pasta de papel para modelar superfícies.
Essa investigação visual da luz e cor a partir do céu também orienta a organização espacial da exposição.
“Cada hora faz sua sombra” se apresenta cromaticamente, com a proposta de seguir do amanhecer ao entardecer e à noite. Começa no branco, passa pelo azul claro, segue para os laranjas e violetas até o azul escuro e, por fim, os pretos. A primeira sala da exposição recebe o visitante com uma obra branca. “Além de ser uma obra dessa fase atual da produção de Rogério, ela representa a grande síntese à qual o trabalho do artista chegou, criando um branco que, somente ao se manter o olhar atento, percebe-se que ele não é homogêneo”, conclui a curadora da exposição.
Ao aproximar séries, materiais e tempos distintos, a exposição evidencia uma investigação contínua sobre a luz, o tempo e a capacidade da fotografia de reinventar suas próprias formas.
Serviço
Exposição | Cada hora faz sua sombra
De 21 de março a 25 de abril
Quarta a sábado, das 11h às 19h; segunda, terça e domingo mediante agendamento prévio pelo Instagram [@galeriaestudioreverso]
Período
Local
Galeria Estúdio Reverso
Rua Domingos Fernandes, nº 88 - Vila Nova Conceição - São Paulo - SP
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A sede paulistana da NND|Azeco inaugura sua programação anual com “A Coragem para Ficar”, primeira exposição individual de Rafael Hayashi na galeria. A mostra reúne trabalhos que refletem a relação
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Serviço
Exposição | A Coragem para Ficar
De 26 de março a 23 de maio
Terça a Sexta, das 11 às 18hs, sábado, das 11 às 15hs
Período
Local
NONADA SP
Praça da Bandeira,53 – Centro, São Paulo - SP
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O Instituto Moreira Salles Paulista (IMS Paulista) apresenta a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, primeira retrospectiva de Lázaro Roberto na instituição. A mostra reúne cerca de 400 imagens do acervo
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O Instituto Moreira Salles Paulista (IMS Paulista) apresenta a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, primeira retrospectiva de Lázaro Roberto na instituição. A mostra reúne cerca de 400 imagens do acervo criado em Salvador nos anos 1990, que hoje soma aproximadamente 50 mil fotografias e documentos dedicados a registrar a vida e as lutas da população negra a partir de uma perspectiva própria. Com curadoria de Hélio Menezes, a exposição ocupa dois andares do IMS e destaca o caráter político e histórico do Zumví, consolidando a presença do artista, representado pela NND|Azeco, em um dos principais espaços culturais do país.
Serviço
Exposição | Zumví Arquivo Afro Fotográfico
De 28 de março a 23 de agosto
Terça a domingo e feriados das 10h às 20h
Período
Local
IMS - Instituto Moreira Salles
Avenida Paulista, 2424 São Paulo - SP
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato
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A DAN Galeria inaugura a exposição Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?, com curadoria de Maria Alice Milliet. A mostra inédita reúne um conjunto de pinturas realizadas por Granato no fim da década de 1990 e as coloca em diálogo com máscaras africanas preservadas nas coleções de Christian-Jack Heymès e da família Mastrobuono. A abertura acontece em São Paulo e se conecta à agenda da 22º edição da SP-Arte.
A exposição parte de um dado central para a leitura da trajetória de Ivald Granato. Durante décadas, sua presença pública, suas ações performáticas e sua energia irreverente ocuparam lugar decisivo na recepção de sua obra. Esse aspecto é incontornável, mas não a resume.
Granato foi também um pintor de grande domínio técnico, um desenhista excepcional e um conhecedor profundo da história da arte. Transitava entre linguagens e repertórios com intimidade rara, não para repetir estilos, mas para tensioná-los a partir de uma inteligência visual muito própria. Maria Alice Milliet lembra que, ao chegar à maturidade, depois de mais de três décadas de exposições, premiações e reconhecimento, Granato já ocupava um lugar de destaque na cena artística brasileira. Talentoso desenhista e pintor, havia atravessado os “ismos” e a Pop Art em estreita sintonia com seu tempo.
Essa mostra ajuda a recolocar esse ponto em evidência, situando-o como parte de uma investigação consistente, em que pintura, memória, teatralidade e identidade se entrelaçam. No fim dos anos 1990, Granato se afasta, por um momento, do embate mais imediato com a contemporaneidade e volta o olhar para dimensões profundas de sua própria formação. É desse movimento que nasce a série ligada às máscaras. Segundo a curadora, essa passagem corresponde a uma inflexão em sua carreira, quando o artista procura valores ligados ao passado, à ancestralidade e à memória cultural brasileira. Em 1998, Granato realiza uma série de pinturas sobre papel chamada The Mask. Na sequência, desenvolve obras de maior fôlego reunidas sob o título Quem é você – The Mask. Para o artista, essas máscaras eram anotações visuais de rostos que povoavam seu imaginário.
Ao tratar dessa produção, Maria Alice Milliet desloca a leitura habitual que costuma aproximar esse tipo de repertório apenas da tradição europeia do moderno. No caso de Granato, ela está ligada à busca de raízes culturais e ao desejo de afirmação identitária. A curadora recupera sua origem miscigenada, com ascendência negra e indígena, e inscreve essa série num campo de pertencimento, reconhecimento simbólico e reverência, marcado por uma aproximação que nasce de dentro. Esse aspecto é decisivo para a compreensão da mostra. A ancestralidade africana aparece como força estrutural na cultura brasileira e como chave para reler uma parte importante de sua obra.
Milliet observa que, depois de uma primeira incursão em figuras mais próximas de um universo popular e carnavalesco, Granato volta-se para as máscaras tribais. Na série cuja pergunta organiza o título da exposição, vemos uma sucessão de caras estranhas emergirem de fundos escuros, em composições que condensam intensidade gráfica, energia cromática e forte carga simbólica. A representação tem, nesse conjunto, um peso particular. Ela é figura de passagem, condensação de gesto, invenção de persona e presença ritual. Dez anos após sua morte, Máscaras, Ivald Granato – Quem é você? nos faz compreender com mais nitidez a complexidade do artista.
Serviço
Exposição | Máscaras, Ivald Granato – Quem é você?
De 28 de março a 25 de junho
Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira das 10:00h às 19:00h, sábados das 10h às 13h
Período
Local
DAN Galeria
Rua Estados Unidos, 1638 01427-002 São Paulo - SP
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Calendário”, de Felipe Rezende, como parte de seu I Ciclo Expositivo. A mostra, instalada no Projeto 280X1020, tem curadoria de Claudio
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Calendário”, de Felipe Rezende, como parte de seu I Ciclo Expositivo. A mostra, instalada no Projeto 280X1020, tem curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Guilherme Teixeira.
Felipe Rezende (Salvador, 1994) emprega técnicas como o patchwork para construir um imaginário sobre o mundo do trabalho. O método utilizado no reparo de lonas de caminhão — marcadas pela sujeira e poluição das estradas — é deslocado para um outdoor de seis metros de comprimento. A obra propõe uma reflexão sobre a representação da realidade operária e a invenção de ficções relativas a elementos do cotidiano laboral.
A pesquisa nasce da observação direta de contextos de trabalho situados, com frequência, às margens das rodovias e em oficinas improvisadas junto a postos de gasolina, cuja presença é ao mesmo tempo transitória e marcada por vestígios. Ao incorporar esses procedimentos ao espaço institucional, o artista reconfigura também o suporte.
Como aponta Guilherme Teixeira: “É um movimento de apropriação: trazer para dentro do museu essa estrutura de comunicação pública, o outdoor que normalmente anuncia, vende, promete. Aqui, porém, o outdoor não diz nada. Ou diz tudo o que não cabe em propaganda”.
Além da individual de Rezende, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Calendário
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa,
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, e texto de Ana Avelar, a mostra reúne trabalhos marcados pela geometrização e a reconfiguração visual da arquitetura vernacular.
A trajetória de Andrea Brazil (São Paulo, 1972) entre Salvador e a Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, fundamenta sua visualidade funcional. A artista cresceu em contato com uma arquitetura litorânea marcada por intervenções anônimas – feitas com cacos de telha e sobras de material – que configuram o que ela chama de “desenho no espaço”.
Nesse processo, fachadas de casas e estabelecimentos, grades e outros elementos urbanos, se reorganizam como linhas, cores e vazios. “Trata-se de uma produção coletiva e vernacular que condensa história, clima, técnica e desejo estético em um mesmo gesto construtivo”, afirma Avelar.
O olhar de Brazil para a arquitetura vernacular de sua infância se aprofundou durante uma viagem à região do Algarve, em Portugal. Lá, a influência moura, reconhecível nos cantos arredondados e padrões geométricos, ressoou com o que a artista conhecia da Bahia.
Para Avelar, a conexão não é casual: Brazil observa que os negros malês, protagonistas da revolta de 1835 em Salvador, eram em sua maioria de origem muçulmana e portadores de uma tradição visual que se infiltrou na cultura material da cidade. O ornamento, nesse sentido, guarda estratos históricos que a superfície das fachadas não revela explicitamente.
Uma das séries apresentadas é construída sobre chapas de madeira com camadas de massa corrida sobrepostas em duas etapas. O desenho das grades — fruto de uma memória visual internalizada — é entalhado na superfície até revelar a cor subjacente. Quando o trabalho aposta na cor, destaca-se pela vibração óptica, transitando entre a estridência da Pop Art e o silêncio das superfícies opacas.
Além da individual de Brazil, o I Ciclo Expositivo inclui a mostra coletiva “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque) e “Calendário”, de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). O ciclo transita no limiar entre o real e o imaginário e articula a fabulação como instrumento indispensável para subverter as atuais configurações de mundo. Claudio Cretti afirma que este ciclo busca, através de diferentes linguagens, “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | Badauê
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de José
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A Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “O horror, o humor e o absurdo” (Galeria do Parque), como parte de seu I Ciclo Expositivo. Com curadoria de José Augusto Ribeiro, a coletiva reúne trabalhos de Darks Miranda (Fortaleza, 1985), Flávia Metzler (Rio de Janeiro, 1974), Ivan Cardoso (Rio de Janeiro, 1952) e Yuli Yamagata (São Paulo, 1989) para refletir sobre uma produção contemporânea marcada pelos aspectos imaginativo e ambíguo.
Entre filmes, pinturas e esculturas, as obras propõem experiências de saturação visual e contrassenso, nas quais a irregularidade e a monstruosidade operam como estratégias para desafiar a realidade. “A ideia é examinar como a junção de terror e comicidade produz resultados com força de insubordinação: tanto no enfrentamento das normas que parecem reger o estado das coisas no mundo, quanto na elaboração de linguagens que ultrapassam limites entre gêneros e manifestações artísticas”, afirma o curador.
A mostra conta com filmes de Ivan Cardoso — o “mestre do terrir”, termo cunhado por ele nos anos 1970. O cineasta reúne referências contrastantes em colagens quadro a quadro que articulam a tropicália, o cinema expressionista alemão, Hélio Oiticica, Zé do Caixão, o cinema marginal brasileiro, os enredos dos gibis, o jornalismo sensacionalista, a poesia concreta, entre outros elementos, sem atribuir um sentido fixo aos diálogos criados.
Darks Miranda incorpora as linguagens do cinema e da colagem em “Uma noite perigosa na ilha de Vulcano” (2022) , editado a partir de trechos de ficções científicas produzidas entre 1950 e 1980, auge da Guerra Fria. O trabalho articula sua trajetória como montadora na construção de um “cinema de segunda mão”.
As pinturas de Flávia Metzler constroem cenas em fricção com a história da arte, utilizando fragmentos de imagens, objetos, arquitetura, e conceitos científicos ou filosóficos. Na montagem das imagens, Metzler se apropria dos saberes do enquadramento e da organização dos acontecimentos no espaço para a geração de suspense.
Já Yuli Yamagata — que recentemente deu início a uma produção de vídeos curtos — internaliza em suas peças referências do cinema de horror, das animações e das histórias em quadrinho japonesas, além da lógica dos ultraprocessados. Esse campo de interesse se concentra nas fórmulas de produção industrial de baixo custo (para as fábricas) e alto risco (para os consumidores), baseada em aditivos químicos, estabelecendo assim, uma espécie de “realidade transgênica”.
Além da coletiva, o ciclo inclui as individuais “Badauê”, de Andrea Brazil (Gabinete), e “Calendário” de Felipe Rezende (Projeto 280X1020). Segundo Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a programação busca “tensionar os limites entre o concebível e o inconcebível, ressaltando o potencial da ficção para se pensar criticamente a realidade”.
Por fim, o programa de Performances será aberto no dia 28 de março de 2026, às 17h, pela performer e dançarina Maria Noujaim, com “Lago”. Através da transposição da mitologia em movimento, a artista explora os hibridismos entre animal e humano, tomando como ponto de partida o mito grego de Leda e o Cisne.
O I Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Serviço
Exposição | O horror, o humor e o absurdo
De 28 de março a 28 de junho
Quarta a domingo, das 11h às 18h
Período
Local
Casa de Cultura do Parque
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1300 - Alto de Pinheiros, São Paulo - SP, 05461-010
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Em meio ao agravamento da crise climática, ao avanço do desmatamento e às crescentes disputas em torno dos territórios tradicionais, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos
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Em meio ao agravamento da crise climática, ao avanço do desmatamento e às crescentes disputas em torno dos territórios tradicionais, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois lança uma pergunta incontornável: o que foi feito do Brasil percorrido e documentado há dois séculos? Ao marcar o bicentenário da partida da histórica viagem fluvial do Tietê ao Amazonas, a iniciativa transforma uma das mais importantes viagens científicas do século XIX em ponto de partida para refletir sobre os impasses ambientais — e civilizatórios — que definem o século XXI.
O projeto estreia no dia 31 de março com a abertura da exposição Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP (BBM-USP). Realizada pelo Instituto Hercule Florence e pela Documenta Pantanal, em parceria com a BBM-USP, o Instituto Moreira Salles (IMS) e o Centro Maria Antônia da USP, a iniciativa se estende até junho deste ano, contemplando também uma mostra de cinema e o lançamento de publicações sobre o tema.
Chefiada por Georg Heinrich von Langsdorff e financiada pelo Império Russo do czar Alexandre I, a expedição que partiu de Porto Feliz (SP) em 22 de junho de 1826 foi uma das mais ambiciosas incursões científicas já realizadas pelo interior do Brasil no século XIX. Mais do que mapear rios, coletar e catalogar espécies, a missão buscava compreender um território ainda pouco conhecido pelos centros europeus.
A travessia fluvial entre 1826 e 1829, do Tietê ao Amazonas, passando pelas províncias de São Paulo, Mato Grosso e Grão-Pará, tinha entre seus integrantes o botânico Ludwig Riedel, o astrônomo Néster Rubtsov, o pintor Aimé-Adrien Taunay, o desenhista e inventor Hercule Florence, que se estabeleceria no Brasil, tornando-se a principal testemunha desta jornada, e Wilhelmine von Langsdorff, esposa de Langsdorff e única mulher a viajar com o grupo .
Os diários, desenhos e registros de Hercule constituem hoje uma das mais importantes documentações visuais e científicas do Brasil oitocentista, fundamentais para a construção da imagem do país no exterior e para a compreensão histórica de sua biodiversidade.
A exposição Eixo central do projeto, a mostra realizada na BBM-USP tem curadoria do Instituto Hercule Florence. A exposição se divide entre a Sala Multiuso e a Sala BNDES, estabelecendo um diálogo direto entre passado e presente. Os trabalhos apresentados são oriundos dos acervos do próprio IHF, da BBM-USP, da Bibliothèque nationale de France (BnF) e, ainda, da coleção Cyrillo Hercules Florence, hoje sob a guarda do IMS. Reunindo mais de uma centena de obras, a mostra justapõe imagens, relatos de viagens, publicações e documentos do século XIX com produções contemporâneas realizadas nas mesmas regiões atravessadas pela expedição.
Na Sala Multiuso estão registros históricos e reproduções de materiais de Hercule Florence e de outros viajantes e naturalistas dos séculos XIX e XX. Já a Sala BNDES mescla trabalhos históricos com fotografias de nomes como Lalo de Almeida, Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e João Pompeu, que investigam temas como ocupação desordenada, assoreamento, desmatamento, queimadas, conflitos territoriais e a resistência de comunidades tradicionais nas regiões da Amazônia e do Pantanal.
Mais que atualizar as paisagens do passado, as imagens recentes criam um contraponto crítico que convida o público a perceber que a crise ambiental não é um fenômeno abstrato, mas uma transformação concreta e acelerada da paisagem brasileira.
“A expedição não é apresentada como uma façanha heroica, mas quase como um memento mori. Em apenas dois séculos, um intervalo ínfimo na história da humanidade, alteramos profundamente os ecossistemas que aqueles viajantes conheceram”, pontua Antonio Florence, tetraneto de Hercule Florence e fundador do instituto que celebra sua trajetória, o IHF. “O século XIX construiu o mundo em que vivemos hoje, inclusive o modelo de exploração que levou à devastação que vemos. Revisitar essa travessia é uma forma de entender como chegamos até aqui e de nos questionarmos quanto ao futuro que estamos construindo.”
Para Francis Melvin Lee, curadora do IHF, a iconografia da expedição não é apenas memória visual e maravilhada da natureza ali presente, mas o testemunho de um momento em que as consequências da intervenção humana ainda eram circunscritas. “Ao revisitarmos esses mesmos territórios hoje, o que emerge é uma paisagem atravessada por devastação e conflitos. A mostra tensiona esses dois polos para que possamos perceber a dimensão histórica da transformação que ocorreu nesse curtíssimo intervalo de tempo.”
Além da exposição na BBM-USP, o projeto inclui ainda uma mostra de filmes dedicada ao cinema ambiental brasileiro. Com curadoria de Mônica Guimarães, da Documenta Pantanal, a iniciativa ocorre entre maio e junho. Por fim, marcando exatamente 200 anos do início da expedição fluvial, o projeto será encerrado com o lançamento de publicações nos dias 22 e 23 de junho. Os trabalhos nascem dos manuscritos originais de Hercule Florence e reúnem textos críticos, ensaios visuais e pesquisas recentes que expandem o legado do artista para o século XXI. Mais detalhes dessas programações serão divulgados em breve.
Serviço
Exposição | Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois
De 31 de março até 26 de junho
Segunda a sexta, das 8h30 às 20h30; sábado das 9h às 13h; domingos e feriados, fechado
Entrada gratuita
Período
Local
Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP
Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, São Paulo - SP
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Festa das falas. Com curadoria de Moacir dos Anjos, esta é a primeira exposição de um ciclo de mostras que
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A Nara Roesler São Paulo tem o prazer de apresentar Festa das falas. Com curadoria de Moacir dos Anjos, esta é a primeira exposição de um ciclo de mostras que celebra os 50 anos de atuação de Nara Roesler como galerista e que se estenderá pelos próximos meses nos três espaços da instituição, São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York.
Em Festa das Falas, o curador reúne obras emblemáticas de artistas que pontuam o percurso de Nara Roesler desde 1976 até o momento. Apresentando obras de artistas “que provêm da mesma região de Nara, o Nordeste, em particular do Recife”, o curador, também nascido na capital de Pernambuco. Ele observa que “esta exposição busca resgatar uma forma de falar, uma inflexão nessa linguagem, nesse repertório, de artistas que independentemente de trazerem ou não referências visuais de um determinado território, fazem isso com certo jeito, uma afirmação de um pertencimento”. “Na fala de Nara, na voz de Nara, há esse sotaque, como há na minha fala também, e na fala de outros artistas que vêm dessa região”.
Além de obras provenientes do acervo da galeria, a mostra apresenta trabalhos oriundos de coleções particulares, como o raríssimo painel de cerâmica Sem título (1976), com quase oito metros de comprimento por dois de altura, de Francisco Brennand (11 de junho de 1927, Recife – 19 de dezembro de 2019, Recife), pouco visto pelo público. A presença de trabalhos de José Cláudio (1932, Ipojuca, Pernambuco – 2023, Recife) é marcante por ele ter sido o primeiro artista com que Nara Roesler trabalhou, antes de ter sua própria galeria, e em 2022 ganhou uma mostra retrospectiva com curadoria de Aracy Amaral, na Nara Roesler São Paulo.
Frequentador de exposições de arte contemporânea muito antes de se dedicar à área, Moacir dos Anjos conheceu Nara Roesler ainda nos anos 1980 e depois fez duas curadorias para a galeria. A primeira foi em 2013, Cães Sem Plumas [Prólogo] – na edição #24 do Roesler Hotel, projeto criado em 2002 para promover o diálogo entre as comunidades artísticas nacional e internacional, com curadores e artistas convidados a fazer experimentos no espaço da galeria em São Paulo. Em 2016, Moacir dos Anjos foi o curador de Deriva, individual de Cao Guimarães na Nara Roesler Nova York, e, no mesmo espaço, em 2022, da mostra Hotel Solidão, individual de Marcelo Silveira.
Sobre esta exposição agora, na Nara Roesler São Paulo, Moacir dos Anjos diz que “é como uma festa de falas”. “Estamos reunidos aqui ouvindo esses artistas, o modo deles estarem no mundo. É celebrar esse cinquentenário da atividade de Nara como galerista convocando essas vozes, convocando essas falas, convocando esses sotaques que foram tão importantes na formação dela e ainda hoje são importantes no fato dessa galeria ter algo que é diferente de outras”, salienta.
O curador lembra que há 50 anos a cena artística
Serviço
Exposição | Festa das falas
De 31 de março a 9 de maio
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 15h
Período
Local
Galeria Nara Roesler - SP
Avenida Europa, 655, São Paulo - SP
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A artista Flavia Renault celebra 30 anos de trajetória com a exposição individual “Casa Corpo”, em cartaz de 1º a 25 de abril no Fonte, em São Paulo. Com curadoria de Paula Borghi, a mostra
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A artista Flavia Renault celebra 30 anos de trajetória com a exposição individual “Casa Corpo”, em cartaz de 1º a 25 de abril no Fonte, em São Paulo. Com curadoria de Paula Borghi, a mostra reúne cerca de 50 obras, incluindo trabalhos inéditos, que abordam temas como vida, morte e renascimento a partir de objetos cotidianos e memórias pessoais.
Influenciada pelo Barroco Mineiro e por sua história familiar, a produção da artista se caracteriza pelo forte caráter simbólico e espiritual. Em suas obras, resíduos e objetos colecionados são reorganizados em sobreposições que revisitam memórias pessoais, familiares e ficcionais. Renault transita entre desenho, pintura, costura e bordado, incorporando documentos, livros antigos, móveis, fotografias e outros elementos de sua coleção pessoal.
Entre os destaques está a instalação “Sapatinho de Cristal” (1999), remontada com cerca de 3 mil copos de vidro para a exposição. O vidro, presente desde a infância da artista – filha de vidreiro -, aparece como um dos elementos centrais da mostra, pois reúne transparência, alquimia e elementos da casa em si. A obra também dialoga com sua história biográfica, uma vez que seus bisavós trouxeram a cultura do vidro para a família ao fundarem uma fábrica de vidros em São Paulo no início do século XX. “A instalação é uma homenagem a essa ancestralidade, trazendo o vidro como elemento moldado pelo sopro e pelo fogo”, explica a curadora Paula Borghi.
Renault apresenta ainda “Coluna” (2026), trabalho inédito composto por copos de vidro empilhados do piso ao teto. “Erguida na intenção de conectar dois planos, a instalação atua como uma ponte entre o céu (espiritual) e a terra (físico), a fim de trazer as essências espirituais para a realidade terrena e de levar a potência terrena para o cosmos”, comenta Borghi.
No dia da abertura (1º de abril), o público poderá experimentar uma pintura comestível: um bolo de pão de ló com recheio de doce de leite, pensado como uma forma de vivenciar a obra pelo corpo, por meio da digestão. “O processo da digestão é o mais difícil para o ser humano. É como se fosse uma guerra – muitas forças atuam para separar o que é essencial do que é descartável. A arte deve ser vivida dessa forma, intrinsecamente”, afirma a artista.
“Casa Corpo: Flavia Renault 30 anos de produção” reúne desenhos, colagens, fotografias, vídeo, bordados e instalações, propondo ao visitante uma reflexão sobre corpo, memória e espiritualidade por meio da materialidade dos objetos. Uma produção artística que liberta o objeto de arte de seu caráter formalista e dissolve as fronteiras entre arte e vida.
Sobre a produção da artista, Paula Borghi comenta: “É quase inevitável olhar o trabalho de Flavia Renault e não perceber a energia dos elementos, a função das coisas no mundo e as trocas físicas e energéticas que se tem com os materiais. Aqui, toda experiência física é corporal e toda experiência artística é espiritual”.
Serviço
Exposição | Casa Corpo
De 1º a 25 de abril
Quinta a sábado, das 14h às 19h
Período
Local
Fonte
Rua Mourato Coelho 751, Vila Madalena, São Paulo - SP
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O Círculo dos Antiquários do Brasil, associação sem fins comerciais que reúne profissionais voltados para artes, antiguidades e atividades correlatas, promove III Mostra de arte, antiguidades e joalheria, com exibição
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O Círculo dos Antiquários do Brasil, associação sem fins comerciais que reúne profissionais voltados para artes, antiguidades e atividades correlatas, promove III Mostra de arte, antiguidades e joalheria, com exibição e vendas de itens de antiquariato. A feira, em sua terceira edição, tem entrada gratuita ao público de 8 a 11 de abril, e acontece no Hotel Renaissance, em São Paulo. Artes plásticas, antiguidades de alta qualidade, como mobiliário, esculturas, pinturas, arte sacra e joalheria, são parte dos itens que serão exibidos durante os dias do evento pelos 15 expositores.
Para Luiz Octavio Louro Gomes, idealizador e presidente do Círculo dos Antiquários do Brasil que nasceu em 2002 como Círculo dos Antiquários dos Jardins e depois tornou-se Círculo dos Antiquários de São Paulo, conta que promover a terceira edição da feira de arte é, para além de um desafio, um momento muito especial. “Nossa expectativa é extremamente positiva. Desejamos mostrar ao público apreciador de arte, antiguidades e joalheria que somos capazes de oferecer o melhor da produção nacional e internacional, abrangendo peças do século XVII ao século XXI.” A primeira edição aconteceu em 2004 no espaço Euroart e a segunda aconteceu em 2006, no mesmo lugar, e reuniu 20 expositores.
Entre os destaques desta edição, uma sopeira da Casa Imperial Brasileira e Casa Reinante Inglesa. Em prata inglesa do período georgiano, a sopeira data de 1842/43 e possui traços do ourives William K. Reid, contemporâneo de Paul Storr, sob cuja influência produziu peças excepcionais. A tampa é adornada por alça sobre ajardinado floral e apresenta brasão no bojo com rica decoração predominantemente vegetal. Trata-se de uma peça central de uma baixela recebida em 1843, da Família Real Inglesa, por ocasião do casamento de D. Pedro II e Teresa Cristina e possui procedência do Acervo da Família Imperial Brasileira, sendo ex-Coleção D. Pedro Gastão de Orleans e Bragança.
O óleo sobre tela que retrata o jovem D.Pedro II em sua maioridade, é outro item raro e de relevância histórica, parte dos itens em exibição na feira. A obra, “Pedro II em sua Maioridade”, é assinada Claude Joseph Barandier (Chambéry, 1807 – Brasil, 1877) em que pintou o Pedro II fardado ostentando o Tosão de ouro e placas de Três Ordens, segurando chapéu de pontas à direita e espada cravejada à esquerda. Ao fundo, cena do Rio de Janeiro, tendo no primeiro plano o portal do Palácio de São Cristóvão. A obra é assinada e traz o ano de 1840, data da maioridade do Imperador.
É de Francisco Biquiba dy Lafuente Guarany (1884-1985), conhecido como Mestre Guarany a carranca em madeira esculpida, um item icônico do artista que exaltava a cultura sertaneja e a arte popular. Mestre Guarany foi um renomado escultor brasileiro, considerado o maior “carranqueiro” do Rio São Francisco, conhecido por suas carrancas protetoras de madeira, com características como forte cabeleira e olhos expressivos, tendo seu trabalho descoberto pelo circuito de arte na década de 1950 e hoje presente em museus. Para Luiz, uma peça extraordinária. “Quando se adquire um item de antiguidade, se adquire, também, sua história”, pontua Luiz ao explicar que a grande diversidade de itens dispostos nesta edição é um dos diferenciais e, mais que isso, “uma oportunidade para colecionadores e para quem quer conhecer mais sobre história ou até começar uma coleção.”
Serviço
Exposição | III Mostra de arte, antiguidades e joalheria
De 8 a 11 de abril
Das 14h às 20h
Período
Local
Hotel Renaissance
Al. Santos, 2233 - Jardins, São Paulo - SP
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Por meio de uma reflexão crítica acerca do sistema de produção, consumo e circulação de fotografias de pessoas negras no Brasil do século XIX, a palestra aborda os usos coloniais
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Por meio de uma reflexão crítica acerca do sistema de produção, consumo e circulação de fotografias de pessoas negras no Brasil do século XIX, a palestra aborda os usos coloniais e decoloniais do retrato no passado e na contemporaneidade. Para tanto, são apresentados alguns dos resultados da tese de doutorado da pesquisadora Mônica Cardim “Retratos Transatlânticos: a diáspora africana na fotografia de Alberto Henschel” (PGHEA-MAC/USP, 2023), com ênfase nas possíveis relações de convivialidade/desigualdade entre as pessoas envolvidas na fatura dos retratos no estúdio fotográficos de Alberto Henschel; na circulação das imagens por meio de coleções etnoantropológicas na Europa; e na presença das imagens na coleção de um dos retratados, o pai de santo Juca Rosa.
A palestra tem como objetivo apresentar uma discussão sobre o papel dos agentes (retratistas, retratados, colecionadores) envolvidos na produção e circulação de retratos fotográficos de pessoas negras, considerando as relações desiguais de poder e a violência implícita na prática fotográfica de caráter etnoantropológica oitocentista. Ao trazer a reflexão para a atualidade, a pesquisadora associa o estúdio fotográfico a espaços de experimentação com o sagrado de cosmologia afrodiaspórica. Desse modo, propõe a criação fotográfica para a construção de contranarrativas acerca de histórias invisibilizadas a partir da experiência de quem viveu a violência na pele.
As inscrições podem ser feitas a partir das 14h do dia 26/3 no site do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc ou através do nosso app.
Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. O cadastro é pessoal e intransferível.
O pagamento pode ser feito através do cartão de crédito, débito ou em dinheiro. Trabalhamos com as bandeiras Visa, Mastercard, Elo e Hipercard.
Ao término do curso, você poderá solicitar sua declaração de participação pelo e-mail declaracao.cpf@sescsp.org.br
A declaração será encaminhada em até 30 dias
O cancelamento poderá ser realizado com até 48 horas antes do início da atividade, por email: atendimento.cpf@sescsp.org.br
Serviço
Palestra | Retratos Transatlânticos: a diáspora africana na fotografia de Alberto Henschel
Dia 23 de abril
Das 19h às 21h – evento gratuito
Período
Local
Centro de Pesquisa e Formação do Sesc
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar, Bela Vista - São Paulo - SP





