Ulay, "S’he", 1973. IMAGEM: Courtesy of Ulay Foundation

“Leva muito tempo, talvez uma vida inteira, para entender Ulay”, disse Marina Abramović certa vez sobre Frank Uwe Laysiepen, com quem ela compartilhou uma das mais famosas relações artísticas. Ulay, falecido na última segunda-feira aos 76 anos, nasceu em Solingen, na Alemanha, num bunker do período militar. Em 1969, insatisfeito com cenário burguês de seu país natal e tendo começado a estudar fotografia, ele deixou a Alemanha com destino a Amsterdã, onde seria contratado no ano seguinte como consultor para a Polaroid.

Graças aos equipamentos fornecidos pela companhia, Ulay deu início à série Resnais Sense, sendo essa uma exploração da identidade e das diferenças de gênero através da fotocolagem. Um pioneiro na fotografia, na performance e na arte corporal, ele ganhou notoriedade durante sua colaboração de longo prazo com sua então parceira Marina Abramovic, iniciada em 1976. Antes disso, no mesmo ano, Ulay realizou a singular performance There Is a Criminal Touch to Art, na qual ele roubou a pintura favorita de Adolf Hitler de um museu em Berlim, pendurando-a na parede de uma família de imigrantes turcos empobrecidos e chamando a polícia logo em seguida para virem prendê-lo.

Até 1988, já com Abramovic, conduziu os chamados Relation Works, 14 peças intensamente físicas e seminais para a arte performática. Seu último trabalho em conjunto foi o intitulado The Lovers, uma jornada de meses suportada por ambos – ela partindo do Mar Amarelo, ele do Deserto de Gobi – com fim comum no intermédio da Grande Muralha da China concomitando em seu último adeus até que o antigo casal se encontrasse novamente com uma aparição surpresa de Ulay durante a realização de The Artist is Present, na retrospectiva de Abramović no Museu de Arte Moderna de Nova York, em 2010. O reencontro foi emocionalmente pivotal para os artistas e a gravação do momento já bate milhões de visualizadores no YouTube.

Em novembro de 2020, uma grande retrospectiva de seu trabalho será organizada no Museu Stedelijk, em Amsterdã. Seu legado será mantido pela Fundação ULAY, inaugurada no ano passado em Ljubljana.

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