Mural de Marcelo Eco no NaLata Festival Internacional de Arte Urbana. Foto: Divulgação/NaLata

No dia 20 de agosto, 3689m² de arte serão entregues à cidade de São Paulo. A ação é parte da 1ª edição do NaLata Festival Internacional de Arte Urbana. Quinze artistas consagrados nacional e internacionalmente se dedicam à produção de murais na região do Largo da Batata. Os grafiteiros realizarão doze obras de diferentes estilos e correntes culturais.

Em respeito ao isolamento social, parte da programação presencial do festival foi adiada para 2021, mas a organização optou por não cancelar o evento. “Percebemos que não teria um momento mais importante para essas obras estarem na rua do que logo após o período de isolamento social”, explica o curador Luan Barbosa. Com isso, adaptaram-se para, neste ano, difundir arte pelas empenas, trazendo mais vida à cidade.

Obras de Gleo e Pri Barbosa. Foto: Divulgação/NaLata

“Somos seres sociais, constantemente moldados por nosso ambiente. Num momento como esse, em que os nossos espaços são limitados, parece-me muito importante que alguma expressão domine as ruas – esse espaço que por lei pertence a todos, mas não é propriedade de ninguém”, compartilha a artista colombiana Gleo.

Ela é uma das muralistas que participa do evento, e uma das poucas estrangeiras que conseguiu entrar no país em meio à pandemia e o fechamento das fronteiras. Junto à Gleo, a mexicana Paola Delfín ocupa a cidade com mais uma de suas obras, conhecidas pelo caráter social. Já o time de artistas nacionais é composto por Marcelo Eco, Alex Senna, Pri Barbosa, Pri Barbosa, Enivo, Evol, Mari Mats, Mateus Bailon e Rafael Sliks; além de cinco grafiteiros selecionados pelo concurso “Novos Talentos Murais SP”.

Com realização da Agência InHaus e curadoria de Luan Cardoso, o evento propõe a criação de um momento democrático, dando acesso irrestrito às obras, que podem ser vistas gratuitamente por quem passa pela cidade. “Essa arte é para todo mundo. Ela é para os trabalhadores que não puderam parar durante a pandemia, é para quem está no ônibus, ou na moto fazendo uma entrega, e é também para quem está ainda em casa, em quarentena, e pode acompanhar pelo digital”, explica Luan.

Obra de Alex Senna em andamento na Rua Artur de Azevedo. Foto: Divulgação/NaLata

Mais do que apenas grafite

Nesta edição, o NaLata pretende criar o maior museu brasileiro de grafite a céu aberto. Mas, como explica o curador, “não queremos ser taxados como um festival de grafite, apenas. Nossa proposta é um festival de arte pública”.

Para isso, o NaLata realizaria workshops, debates, esculturas e projeções que também ocupariam o espaço urbano. “Teríamos também uma grande escultura de contêineres, que receberia intervenções de dois artistas. Seria uma obra escultórica com pinturas e com projeções a noite”, conta Luan Barbosa. Porém, para evitar aglomerações durante a pandemia, as atividades tiveram que ser adiadas para 2021.

Mural do artista urbano Enivo. Foto: Divulgação/NaLata

“A arte tem o poder de transformar a vida das pessoas e o nosso objetivo é trazer um pouco de esperança e cores depois de tantos momentos difíceis que passamos coletivamente”, comenta Luan Cardoso. Ao que o artista Enivo complementa: “A sensação que tive enquanto pintava, era de estar reinterpretando o pós-apocalípse que estamos vivendo. No meu mural tem a bandeira do Brasil, mas ao invés de ‘ordem e progresso’, está escrito ‘tempo novo’, porque é o que eu acredito: que essas artes são um portal para um novo tempo”.

As obras podem ser conferidas nos seguintes endereços:

  • Rua dos Pinheiros, 1474 (Artistas: Mateus Bailon, Paola Delfin, Gleo e Pri Barbosa)
  • Av Faria Lima, 1134 (Artistas: Selon e Marcelo Eco)
  • Rua Artur de Azevedo, 985 (Artistas: Alex Senna e Selon)
  • Rua Capitão Prudente, 151 (Artistas: Mari Mats)
  • Rua Campo Alegre, 60 (Artistas: Enivo)
  • Rua Dos Pinheiros 2767 (Artistas: Thiago Nevs)
  • Largo da Batata (Artistas: Sliks e Evol)

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