Início Site Página 130

CCSP apresenta mostra sobre o coletivo baiano Etsedron

Foto de trabalho do grupo, presente na mostra no CCSP. FOTO: Divulgação

Em mais uma mostra realizada com seu acervo documental, o CCSP apresenta, a partir de 16 de maio, a exposição Passagem ETSEDRON, uma seleção de fotos e documentos sobre o coletivo de mesmo nome, atuante na década de 1970. A primeira exposição do acervo foi sobre a 1ª Bienal Latino Americana, de 1978.

Etsedrom (anagrama de Nordeste), foi um grupo baiano formado por mais de 20 integrantes e liderado pelo artista Edson da Luz. De caráter multidisciplinar, seus Projetos Ambientais reuniam dançarinos, médicos, antropólogos, atores, engenheiros, artistas e discutiam arte, terra e homem, apontando possíveis caminhos para a arte latino-americana.

O coletivo apresentou ao mundo uma visão particular e radical da realidade nordestina e participou de três edições da Bienal Internacional de São Paulo, em 1973, 1975 e 1977.  As proposições do grupo, ao escancarar uma região nordestina miserável e sofrida, trabalhando com materiais precários, mostram um forte caráter regionalista.

Passagem ETSEDRON

Centro Cultural São Paulo – rua Vergueiro, 1000.

De 16/5 a 7/7

Entrada gratuita

 

‘À Nordeste’ leva 275 obras ao Sesc 24 de Maio

Juliana Notari, Frames da videoperformance Mimosa, (vídeo projeção em três telas), 2014.

Bitu Cassundé, Clarissa Diniz e Marcelo Campos são os curadores da exposição À Nordeste, que reunirá 275 trabalhos de artistas que problematizam os imaginários acerca do Nordeste brasileiro, questionando as visões do que é “estar à Nordeste”. Artistas como Almandrade, Ayrson Heráclito, Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, Bispo do Rosário, Glauber Rocha, Jonathas de Andrade, Juliana Notari, Leonilson, Marepe, Mestre Vitalino, o coletivo Saquinho de Lixo e Véio são alguns destaques, evidenciando o caráter multidisciplinar das variadas linguagens e suportes das obras que compõem a mostra, de esculturas a ‘memes’. A exposição pode ser conferida a partir de 16 de maio.

Artistas de contextos, linguagens e interesses diversos dialogam horizontalmente: em comum, uma produção pulsante, que problematiza os imaginários que se têm acerca do Nordeste e questiona os lugares tradicionais — físicos e metafóricos — de se estar no mundo. A crase em À Nordeste surge como elemento desafiador do estereótipo regionalista, pois evita o artigo definido — e, com ele, uma identidade unívoca — de “o Nordeste”.

A fim de atualizar suas pesquisas já voltadas para a região, conhecer novos artistas e projetos e, de alguma forma, moldar a curadoria da exposição, os curadores revisitaram as nove capitais nordestinas, além de interiores significativos para alguns desses Estados — ora em trio, em dupla ou, raras vezes, individualmente, ainda que na companhia de representantes do Sesc. Na prática, as viagens de pesquisa aconteceram de agosto de 2018 a janeiro de 2019.

“Iniciamos essas viagens e visitas a campo no segundo semestre do último ano, em pleno processo eleitoral. Neste período, o Nordeste vivenciou um momento um tanto quanto singular, revigorante, de contraposição a uma ideia de Brasil que acabou prevalecendo naquele contexto”, pontua Diniz. “Pudemos ver um Brasil em transformação, a partir de um Nordeste de muitas lutas, mobilizações e reivindicações em torno de suas questões”, completa Bitu Cassundé.

 

Curitiba recebe duas mostras de Ai Weiwei

"Forever (Bicycles)" no Museu Oscar Niemeyer. FOTO: Divulgação

O artista chinês Ai Weiwei provocou ainda mais curiosidade entre os brasileiros após a mostra Raiz ter sido exibida na Oca do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, no último trimestre do ano passado, se estendendo até o janeiro deste ano. A individual, que tem curadoria de Marcello Dantas, agora ocupa o Museu Oscar Niemeyer (MON) em Curitiba. Além de receber Raiz, a cidade também hospeda a primeira mostra comercial e individual do artista da América Latina, na Galeria SIM/Simões de Assis.

No museu, a exposição abriu em 1º de maio e deve se estender até o dia 4 de agosto. Nela, as grandes obras que estiveram no Ibirapuera também chamam a atenção do público do Sul, como o grande barco que reflete sobre a crise dos refugiados (Law of the journey) e a grande escultura com bicicletas (Forever/Bicycles), esta última na parte externa do MON.

A união entre as galerias SIM e Simões de Assis, pai e filhos, para a individual, homônima, do artista evidenciam a importância de uma primeira vez do artista em galeria na América Latina. Na exposição, que vai de 14 de maio a 29 de junho, Ai Weiwei apresenta alguns trabalhos mais antigos, como esculturas de bambu e porcelana produzidas em 2009, mas também leva peças que produziu durante o processo de Raiz, mas que não figuram na exposição institucional: “O convite para Ai Weiwei vir ao Brasil era também um convite para uma interpretação e para a realização de novos trabalhos“, diz o texto das galerias.

Conhecido pelo teor polêmico de seus trabalhos, que trazem conteúdos sociais e políticos bem marcados, Weiwei não tem nenhum receio de unir seu trabalho como artista ao que desempenha também como ativista. Os trabalhos em couro que figuram nas duas exposições, por exemplo, possuem citações em inglês de autores que trabalhavam ou trabalham com essas temáticas.

Tendo produzido alguns dos trabalhos expostos em um período que passou no Brasil organizando a mostra, o artista entrou em contato com artesanatos regionais, como ex-votos feitos em Juazeiro do Norte. Ele solicitou para que os artesãos criassem bonecos em formas que remetem ao seu trabalho, como figas, zodíaco chinês e refugiados.

Confira texto de Maria Hirszman sobre Raiz, publicado na ARTE!Brasileiros 45. Clique aqui.

Lituânia ganha Leão de Ouro na Bienal de Veneza

A obra "Sun & Sea". FOTO: Andrej Vasilenko

Em uma Bienal de Veneza marcada por inédita paridade de gêneros, com número semelhante de artistas homens e mulheres na mostra principal, o pavilhão da Lituânia levou o Leão de Ouro ao apresentar uma grande obra – misto de ópera, instalação e performance – criada pelas artistas Lina Lapelyte, Vaiva Grainyte e Rugile Barzdziukaite.

Intitulado Sun & Sea, o trabalho transformou o pavilhão situado na Marina Militar, fora do recinto tradicional da bienal e dos trajetos mais habituais, em uma praia artificial, numa crítica às formas de lazer atuais e à pressão exercida sobre o meio ambiente. Enquanto o júri destacou “o uso inventivo do local”, as artistas explicaram que o trabalho desenha um paralelo entre a fragilidade do corpo humano e a do planeta terra.

Na cerimônia de premiação realizada no sábado foi ainda atribuída uma menção especial ao pavilhão da Bélgica, por fornecer em sua exposição “uma visão alternativa de aspetos pouco reconhecidos das relações sociais na Europa” e o Leão de Ouro para melhor participação na mostra principal ao artista norte-americano Arthur Jafa. Com o filme The White Álbum, o artista levanta questões sobre racismo e preconceito de uma forma inesperada.

Veja aqui fotos do pavilhão da Lituânia e das artistas vencedoras:

 

Rivane Neuenschwander usa filtro de Machado de Assis para ver Brasil atual

Obra O Alienista é composta por vários bonecos, como o Juiz de Fora, o Criacionista e o Terraplanista. (FOTO: Divulgação)

Os limites entre sanidade e loucura, repressão e sublevação, são dois dos temais centrais de O Alienista, o famoso conto de Machado de Assis, publicado em 1882, antes sequer da Proclamação da República, foram transpostos para a 2019, na mostra de mesmo título de Rivane Neuenschwander, em cartaz até o próximo sábado, dia 18 de maio, na galeria Fortes D’Aloia & Gabriel.

No texto clássico, o médico Simão Bacamarte funda em Itaguaí a Casa Verde, um retiro para loucos (é o termo usado pelo escritor), onde acaba internando, de forma intempestiva e autoritária, a maioria de sua população, para depois soltá-la, em parte por conta de revoltas populares. Ele então desconfia que os mais loucos seriam os mais sãos, e os recolhe. Mas o alienista acaba concluindo que o único louco de fato é ele, e se torna o único morador da Casa Verde, para morrer meses depois.

Não há dúvida que, nos últimos anos, o Brasil se tornou uma Itaguaí, dado o nível de insanidade no país, e a comparação que Neuenschwander empreende em sua mostra é notável por atualizar o momento atual pelo filtro machadiano: quem é louco? Afinal, a ascensão de figuras como Olavo de Carvalho e Damares Alves no governo brasileiro deixa dúvidas sobre a sanidade do próprio país.

Assim, para tratar das figuras exageradas e caricatas em circulação, a artista usa esse mesmo tipo de recurso: os vinte bonecos que compõem o conjunto O Alienista são caricaturas tridimensionais. Como tais, são engraçadas e esquisitas, evitando aí um tom judicativo ou mesmo raivoso. É como olhar o presente sob uma ótica até ingênua, quase infantil, de bonecos feitos em papel machê, garrafas de vidro e outros materiais, em uma colaboração com seus filhos, Theo e Hannah, mantendo a parceria como estratégia permanente sua poética.

O conjunto não é totalmente literal. Há representações mais universais, como “O Militar”, encarnado como um dragão verde, e outras mais explícitas, como “O juiz de fora”, um rato de terno preto com a bandeira dos Estados Unidos em uma manga e limpadores de garrafa em outra, alusão clara a Sergio Moro.

Mas fazer rir em um momento de desgraça é uma benção e é por essa chave que a mostra escapa de se reduzir a uma crônica do momento atual. Ela acaba sendo tão estranha como o Brasil perversamente caricato de 2019.

Essas deformações reverberam nos outros dois grupos de trabalhos que completam a mostra no primeiro andar da galeria. O conjunto Trópicos Malditos, Gozosos e Devotos reúne quatro pinturas sobre madeiras que mesclam um estilo de xilogravura erótica japonesa, a shunga, com elementos da literatura de cordel. São trabalhos de um colorido pop _ outra das marcas da artista é essa referência a cores fortes_ para falar de um assunto delicado: o estupro como marca inaugural da miscigenação do Brasil. O espaço que reúne essa série é a antessala dos bonecos de O Alienista, o que serve como uma espécie arqueologia da loucura, afinal, que sociedade criada sob o signo da violência pode manter-se sã.

Já na sala com os bonecos, está o conjunto Assombrados, cinco pinturas sobre tecido, em estilo colcha de retalhos, onde ela mistura imagens e palavras dadas por crianças que participaram de oficinas preparatórias para a mostra O nome do medo, no Museu de Arte do Rio, em 2017. Novamente, Neuenschwander acrescenta outra camada à loucura, já que os medos aqui abordados são os menos infantis possíveis: bala perdida, fome, estupro, apontando novamente para uma sociedade absolutamente enferma.

Em O Alienista, Neuenschwander parece usar a leveza, a beleza e a diversão como uma porta de entrada para revelar a cultura enferma que se instalou no país: fascista, violenta e ignorante.

João Fernandes, novo diretor artístico do IMS, e a descolonização da história da arte

Após Lorenzo Mammi deixar o cargo de diretor artístico do Instituto Moreira Salles para voltar às atividades acadêmicas na Universidade de São Paulo, a instituição anuncia para ocupar a função o curador português João Fernandes. Até então, Fernandes era vice-diretor do Museu Reina Sofía, de Madri. Ao lado do diretor do museu espanhol, Manuel Borja-Villel, foi eleito o 51º lugar de uma lista de 100 personalidades mais influentes da arte pela ArtReview no ano passado. Também em 2018, ele foi convidado para participar do V Seminário ARTE!Brasileiros, cujo tema foi a ‘ARTE além da ARTE’.

João começou sua fala apontando como a arte tem expressado, de muitas formas, “como o mundo não está bonito, como o mundo não é bonito e não foi bonito ao longo de sua História”. Ele ressaltou que muitas vezes os artistas de manifestaram por estiveram sensíveis à manifestações de sistemas de desigualdade, de opressão, da exploração humana, por exemplo.

Citando as intervenções dos artistas e os trabalhos de Mario Pfeifer (Alemanha) e Voluspa Jarpa (Chile), que também participaram do seminário, João refletiu: “Tantas obras nos trazem esse território amplo que é arte hoje oferece para as evidências e problemas do mundo, que existem, dos quais o mundo revela pouca consciência”. O curador acredita que a arte, é uma grande aliada para enfrentar o chamado “problema de Orwell”, trabalhado pelo linguista Noam Chomsky, que ele sintetiza na seguinte questão: “Como é que com uma evidência tão grande dos fatos que temos no mundo temos um conhecimento tão pequeno deles e reagimos tão pouco em relação a eles?”. O papel da arte nesse sentido seria ajudar a problematizar discursos dominantes que transformam histórias particulares em algo invisível.

Citando Helio Oiticica (“da diversidade vivemos”), João levantou apontou  “globalização articula-se com algo que na Teoria da Informação sempre foi uma lei de entropia muito cruel: quanto mais informação, menos informação. Quanto mais informação, menos conhecimento”. E completou: “Hoje até a própria proliferação dos sistemas de informação, nos sistemas de comunicação artística, contribuem para anestesiar socialmente muitas das próprias situações que denunciam”.

Fernandes ainda comentou sobre modelos curatoriais no mundo e também sobre como conhecer a arte feita no Brasil e na América Latina em geral é importante para se descolonizar a História da Arte. Ele citou a Bienal de Veneza como um exemplo de exposição criada nos moldes de uma sociedade capitalista industrial: “Foi criada para um mundo estruturado de acordo com a lógica dominante no seu tempo”. Em seguida, aponta a Bienal de São Paulo como a antítese disso: “É criada neste Parque do Ibirapuera dentro de uma perspectiva em que o modernismo, de certo modo, construiu um espaço para a utopia e para uma revelação do novo nesse confronto que seria aquilo que trazia ao Brasil muito da arte que no Brasil não era conhecida e, ao mesmo tempo, revelava ao mundo muito da arte que se fazia aqui no Brasil”.

Para ele, nas últimas duas décadas, a expansão da arte produzida aqui e na América do Sul é importante porque mostra uma história “fundamental para se descolonizar criticamente realidades que ainda hoje sobrevivem em razão a todo esse passado colonial, eurocêntrico, falocêntrico, etc, que faz parte de um passado”. Em sua opinião “é aqui” que se começa uma quebra dos modelos dominantes da arte ocidental, “que começa uma consciência crítica de que esses modelos correspondiam a uma história colonial”.

Assista ao vídeo e confira a íntegra da fala de João Fernandes em nosso seminário!

Casa do Povo reabre sua biblioteca após 40 anos

Biblioteca da Casa do Povo
Livros do acervo da Biblioteca da Casa do Povo. FOTO: Divulgação

Após uma crise de cerca de 30 anos, com o encerramento da maior parte de suas atividades, a Casa do Povo – centro cultural fundado em 1946 por judeus progressistas no bairro do Bom Retiro – vivenciou uma intensa e vigorosa retomada a partir do início desta década. Em poucos anos se consolidou como espaço cultural prolífico, palco para vivências e práticas artísticas nas mais variadas áreas, voltado tanto para a produção experimental e contemporânea quanto para a preservação da memória.

Com a reabertura de sua biblioteca no último sábado, 11 de maio, a Casa do Povo dá mais um importante passo no sentido de retomar sua história e, ao mesmo tempo, se abrir à sociedade como polo de convivência e produção de conhecimento. Com cerca de 8 mil livros (metade deles escritos em ídiche) e um vasto arquivo de documentos, fotos e publicações, a biblioteca reabre após quase 40 anos fechada – desde o encerramento das atividades do Ginásio Israelita Scholem Aleichem, que funcionou no edifício dos anos 1950 até 1981.

“Já passaram por aqui várias gerações, inclusive muitas pessoas que já morreram, mas a gente tem esse acervo, esse arquivo, que é o núcleo duro da Casa. É o que conta a história”, afirma Marilia Loureiro, curadora e programadora da Casa do Povo. A partir dos anos 1980, com a crise, a biblioteca foi preservada pelo trabalho voluntário de duas associadas, Marina Sendacz e Leda Tronca, que, mesmo sem recursos, conseguiram manter o acervo. “Se não foi possível tornar isso público antes, elas conseguiram não deixar entrar em decadência. Então eu diria que elas são as heroínas invisíveis dessa história”, diz Loureiro.

Livros do acervo durante trabalho de triagem realizado na Casa. Foto: Divulgação

A biblioteca reúne acervos de diferentes instituições que já passaram por ali, como o Clube Cultura e Progresso, o Clubinho I. L. Peretz e o colégio Scholem Aleichem, além de livros trazidos por imigrante judeus fugidos da Segunda Guerra Mundial e coleções pessoais doadas por intelectuais como, por exemplo, o arquiteto Ernest Mange, que projetou o prédio modernista em que está a Casa, inaugurado em 1953. Agora, se somam ainda os acervos de alguns dos mais de 20 grupos e coletivos que habitam o espaço atualmente: as modelagens do Ateliê Vivo, as tipografias do Ocupeacidade, os pôsteres e publicações do Parquinho Gráfico e as partituras do Coral Tradição, entre outros.

A reformulação e reabertura da biblioteca foi possibilitada pela aprovação do projeto “Arquivo Vivo” no PROAC-ICMS, em 2016, que resultou na captação de 160 mil reais entre empresas e pessoas físicas principalmente no bairro do Bom Retiro. A aprovação desencadeou também um intenso debate entre diretores, associados e os grupos que utilizam a Casa, como conta Loureiro: “Nossa proposta é lidar com os espaços de modo flexível, coletivo, sem que ninguém seja dono de nenhum espaço e todos possam transitar entre eles. Então alguns grupos ficaram incomodados e colocaram perguntas muito pertinentes, que fizeram a gente aprofundar a reflexão: onde vai ficar essa biblioteca? Ela vai trancar o espaço? Algum grupo vai ter que sair do lugar que costuma usar? Quem vai ler esses livros em ídiche? Qual o sentido de reabrir esse acervo hoje?”.

Móvel da biblioteca projetado pelo Grupo Inteiro. FOTO: Marcos Ferraz

Depois de quase seis meses de discussões internas, ficou clara a necessidade de ouvir pessoas com maior expertise na área. Um seminário que havia sido pensado para marcar a abertura da biblioteca foi antecipado, e representantes das bibliotecas do Centro Cultural São Paulo, do Centro de Memória do Museu Judaico, do Assentamento Povo Sem Medo (MTST) e do Sesc Bom Retiro foram convidados para falar sobre suas experiências. Diversos debates foram levantados, entre eles discussões sobre como atrair leitores; qual o perfil do público do Bom Retiro; como trabalhar com livros em ídiche; como fazer uma biblioteca móvel – que possa ser facilmente montada e desmontada; e como fazer a biblioteca ser não só um espaço de silêncio, mas também de realização de leituras e atividades abertas.

Segundo Loureiro, o seminário resultou em alguns insights importantes. Primeiro, a percepção de que os acervos dos coletivos que habitam o espaço também deveriam ser parte da biblioteca, de modo que ela não ficasse “imobilizada” e desconectada do que é a Casa hoje. Além disso, ficou claro que para formar público – “já que uma biblioteca sem leitores é um depósito” – era importante envolver as pessoas já no processo de realização da biblioteca, como foi feito. E, por fim, a constatação de que o acervo não precisaria estar todo em um só lugar, fisicamente estático.

Vozes ancestrais/Como ler uma biblioteca
Imagem de simulação do projeto “Vozes ancestrais/Como ler uma biblioteca”, da artista Mariana Lanari. FOTO: Divulgação

Para concretizar essa ideia, o Grupo Inteiro – coletivo que atua nos campos da arquitetura, design e artes visuais – foi chamado para pensar os móveis da nova biblioteca. Uma configuração que pode ser expandida por todo o andar ou retraída em apenas um canto do salão foi concebida, de modo que a biblioteca não se tornasse um obstáculo para o funcionamento flexível da Casa.

A abertura da biblioteca contou com uma conversa com Gita Guinsburg, diretora da Editora Perspectiva. Em julho, uma grande atividade de ativação da biblioteca – que se soma a outras que já foram realizadas, como uma primeira triagem dos livros – acontecerá a partir da instalação Voz Ativa: Biblioteca Social, da artista Mariana Lanari. Os 8 mil livros do acervo serão distribuídos no maior salão do prédio, replicando o mapa de alguns quarteirões do Bom Retiro e, durante um mês, os visitantes poderão participar de um grande “mutirão de leitura”. “Vamos chamar pessoas e grupos para lerem esses livros e o áudio das leituras será mixado ao vivo pela artista, fazendo disso uma performance coletiva que mapeia os assuntos da biblioteca, forma público e ao mesmo tempo funciona como motor que coloca em movimento esse acervo,” diz Loureiro.

 

Reabertura da Biblioteca da Casa do Povo

Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro, São Paulo

Dia 11 de maio, a partir das 10h.

 

 

Brasileiros participam da coletiva GLASSTRESS em Murano

Obra de Denise Milan na exposição Glasstress.

Estabelecida desde 2009 como um dos eventos que acontecem simultaneamente à Bienal de Veneza, a exposição GLASSTRESS chega a sua sexta edição este ano. A iniciativa é uma realização da Fondazione Berengo, em Murano, dirigida por Adriano Berengo, e fica em cartaz até o dia 24 de novembro. Edições esporádicas foram realizadas também em outras cidades do mundo, como Nova Iorque, Londres e Beirute.

GLASSTRESS é um projeto que visa valorizar a arte contemporânea produzida com vidro, especialmente pelo fato de que a ilha veneziana de Murano é conhecida por sua técnica ancestral da produção de cristais, artesanalmente e artisticamente. As mostras são sempre resultados de encontros de artistas com artesãos da região no Berengo Studio, com obras produzidas a partir dessa experiência. A edição de 2019 da mostra tem curadoria do belga Koen Vanmechelen e do brasileiro Vik Muniz, este último convidou os artistas a pensarem em “como o vidro redefine nossa percepção de espaço”.

Dentre dezenas de artistas participantes figuram nomes conhecidos como Ai Weiwei, Tony Cragg e Monica Bonvicini, e também de obras dos próprios curadores. Além de Muniz, a exposição deste ano traz uma série de artistas brasileiros que estreiam na coletiva, são eles: Denise Milan, Artur Lescher, Saint Clair Cemin e Valeska Soares. Além deles, a germano-brasileira Janaina Tschäpe.

Esta GLASSTRESS também convida os visitantes a assistirem mestres da artesania com vidro de Murano trabalhando em estúdio e entender os esforços da instituição em preservar essa arte dos antepassados.

Rafael Pagatini abre exposição “contra o colapso da memória” em Berlim

Rafael Pagatini, Bem-vindo, presidente!, 2015-2016

Após passar pela SP-Arte, mostrando seus trabalhos no setor Solo, com a Galeria OÁ, Rafael Pagatini desembarca em Berlim para uma exposição individual no European Center for Constitutional and Human Rights, a partir do dia 18 de maio. Na abertura da mostra, o artista conversa com Renata Campos Motta (Freie Universität Berlin) e Wolfgang Kaleck (diretor do ECCHR).

Natural de Caxias do Sul, mas vivendo e trabalhando em Vitória, no Espírito Santo, Pagatini traz em sua obra uma pesquisa que se debruça sobre Rafael arquivos, investigando e levantando questões sobre a violenta história política do Brasil. Ele mostra as manipulações e estratégias de poder da ditadura militar brasileira (1964 – 85) e revela as continuidades das antigas estruturas.

Nesta exposição no ECCHR, Pagatini destaca o papel problemático dos atores corporativos, uma questão de “relevância duradoura hoje em tempos de Jair Bolsonaro”. Para o curador Diego Mattos, que assina o texto de crítico da exposição, “contra o colapso da memória que está e marchadiante da pulverização de notícias falsas e da vontade de reescrita da história por parte da extrema direita e dos setores reacionários da sociedade, a escolha das imagens que são ponto de partida dos trabalhos não é meramente arbitrária, trata-se de um gesto político”.

 

Solar dos Abacaxis, um modo de pensar

Fachada do imóvel onde está sediada a instituição.(FOTO: Renato Mangolin)

Importante casarão no bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, o Solar dos Abacaxis despertou, em meados de 2016, a atenção de um grupo muito interessado em revitalizar o espaço para fomentar um projeto cultural. De lá para cá, surgiu e cresceu o Solar dos Abacaxis que, segundo Bernardo Mosqueira, curador e um dos fundadores do espaço, “é um modo de pensar e fazer cultura, relações”.

Já passaram pela programação do Solar artistas como Adriana Varejão, Cinthia Marcelle, Ernesto Neto, Antonio Dias e Anna Bella Geiger, mas também nomes que vêm despontando em tempos mais atuais, como Jaime Lauriano, Maxwell Alexandre, Juliana Santos e Anna Costa e Silva.

Em entrevista à ARTE!Brasileiros, Mosqueira conta sobre o espaço, a proposta institucional e financiamento do projeto, dentre outras coisas. Confira abaixo:

ARTE!Brasileiros: Como surgiu a ideia do Solar dos Abacaxis? Qual seria a “missão” do Solar?

Bernardo Mosqueira: Havia algum tempo que eu tinha o desejo de criar um espaço independente aqui no Rio. Eu não sabia se seria um espaço para exposições ou residências, nem onde seria, nem como se daria. Então, fui apresentado ao arquiteto Adriano Carneiro de Mendonça pela artista Marina Simão. Adriano era um dos filhos de um dos 13 proprietários de um tal imóvel vazio e tinha vontade de ocupa-lo de alguma maneira, talvez com ateliês. Anteriormente, já havia desenhado um projeto de hotel para o lugar, mas naquele momento desejava ateliês ou residências. Fomos visitar o espaço que estava quase em ruínas, e eu fiquei encantado. Sonhamos juntos, passamos meses desenhando o projeto e viajando para apresentar aos proprietários. No final das contas, conseguimos um acordo com a família e começamos a negociar um contrato. Os proprietários são tantos e tão dispersos, que mesmo o Adriano sendo parte da próxima geração da família, nunca teve nenhum privilégio por isso em relação ao uso da casa. Pelo contrário. Sempre fomos um pouco alienígenas para a família. Logo no início Adriano convidou a produtora Maria Duarte e eu convidei o educador Bruno Balthazar (mestre e amigo de longa data) e o curador Ulisses Carrilho (que havia trabalhado comigo em outras ocasiões como a exposição Encruzilhada, no Parque Lage). A Maria tinha a vontade de abrir uma escola e vinha de uma experiência à frente do Projeto Portinari. O Bruno era educador havia 20 anos e tinha vivência e pesquisa enorme sobre cultura e pensamento afro-brasileiro, além de ter sido DJ e produtor. O Ulisses era curador e super pesquisador de arte, cultura e ativismo. Essa formação com nós 5 durou por muito tempo. Depois, os três se desligaram em momentos diferentes e entrou a produtora Duda Medeiros. Podemos dizer que o Solar (como ele é hoje) é fruto do encontro lindo entre esses 5 membros iniciais. Fizemos tudo juntos e a partir do nada, do espaço vazio e caixa zero. O Solar robusto em gestação reflete em muito o pensamento e a força da Duda. Devemos dizer também que o Solar é fruto da colaboração de todos os artistas, mestres, interlocutores, músicos, curadores, advogados, dançantes, visitantes, parceiros de todo tipo que entregaram um pouco de si para a construção do Solar. É o resultado do encontro de lutas, desejos, reflexões e trabalhos de muitxs.

Passamos um tempo pesquisando a história da casa. Ela era chamada de “Casarão do Cosme Velho”, “Mansão do Cosme Velho”, “Casa dos Abacaxis” e muitos outros nomes. Escolhemos então a expressão “Solar dos Abacaxis” para batizar o projeto, pois nos interessava a ideia de uma instituição solar e nos inspiravam os múltiplos sentidos e simbologias do abacaxi. Abacaxi poderia ser sinônimo de problema ou desafio, mas para os britânicos é sinal de abundância e hospitalidade radical. Por ser uma infrutescência, poderia ser símbolo da coletividade. É certamente uma marca da tropicalidade, uma bromélia estranha, com origem aqui no Brasil, na América Latina, e que conquistou o planeta sendo espinhosa por fora e doce por dentro. Nos interessava ser uma casa solar desses abacaxis. Então surgiu o Solar dos Abacaxis com a missão de catalizar o encontro entre indivíduos e coletivos comprometidos em pensar e experimentar novas formas de estar no mundo, mais justas, saudáveis e afetuosas. Entendemos e construímos o Solar como um espaço de convergência para artistas, criadores, pensadores e todos os tipos de agentes que vêem o novo Sol nascer no horizonte das margens. É um espaço para liberdade. Mas não só liberdade na arte. Entendemos que há outros lugares do exercício experimental da liberdade – cultivamos todos eles. 

A!B: Existe alguma história por trás do prédio?

BM: O Solar dos Abacaxis tem como sede atual esse imóvel. É uma casa de 1000m² de 1843, com 1000m² de jardim e área externa e mais de 4000m² de floresta, mata atlântica preservada. O edifício é um chalé neoclássico que alguns dizem ser o primeiro edifício neoclássico desenhado por um arquiteto brasileiro, o Jacintho Rebello, um dos principais discípulos do Grandjean de Montigny. Projetou a casa com 22 anos. A casa foi encomendada pelo comendador Borges da Costa que, não se sabe como, perdeu o imóvel que se tornou uma casa de cômodos. Sua neta, Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça, conseguiu recomprar a casa e fez uma grande reforma (em que foram adicionados os abacaxis de ferro nas sacadas). Ela e seu marido Marcos habitaram o espaço como um centro de encontro para intelectuais, artistas e políticos naquele começo da segunda metade do século XX. Com o falecimento dos dois, o tempo e por brigas familiares, a casa ficou abandonada. Quando chegamos, tinha mais de 40 goteiras desfazendo a casa. Fizemos muitas e muitas obras para conseguir manter a casa em pé. Obras caríssimas e praticamente invisíveis. Telhado, vigas, escoramentos, pisos, proteções, testes, laudos. Mas valeu muito a pena. Aquela antiga proprietária, Anna Amélia, foi uma importante feminista e defensora dos direitos das mulheres e dos estudantes. Ela escreveu um poema nos anos 50 sobre a casa chamado “Utopia” em que começava dizendo “Essa casa vai ser algum dia / um centro de ciência e de arte / um refúgio da história e da poesia / aqui os jovens virão sonhar (…) e eu não verei, e eu não verei “. Durante esses 3 anos, nós pudemos ver.

 

A!B:  Quais são as principais atividades do espaço? É uma instituição?

BM: O Solar é um modo de pensar e fazer cultura, relações. Não sei se é um “espaço”, pois poderia estar em outro lugar, em nenhum lugar, se manifestar em outra coisa. Não sei se é “independe”, pois ninguém o é – e nos interessa mais a liberdade do que a independência. Não chamaria de “instituição”, pois temos muita consciência de nossa constante mutação e de nossa perenidade. Nos últimos 3 anos, fizemos mais de 40 ações. 30 delas foram exposições. Um dos grandes interesses do Solar recai sobre a criação de outros modelos de atividade cultural para além dos entendidos como “tradicionais”. Há, por exemplo, o FuzuErê (que é um programa para crianças e famílias, com atividades propostas por artistas), o ÀRoda (que é um programa de debates, lançamentos de livro etc. que parte do modelo relacional da roda para gerar interações), a Grandiosa Junina de Santo Antonio do Abacaxi (uma exposição em que todas as obras são inspiradas nos elementos tradicionais da festa de São João), o Baile da Aurora Sincera (uma exposição em que todos os trabalhos dos artistas são ao mesmo tempo peças de Carnaval) etc. O mais famoso desses modelos é o MANJAR, uma forma de criar reflexão para a qual convidamos colaboradores artistas, músicos e chefs de cozinha. O resultado é uma exposição, que é ao mesmo tempo mostra, celebração e jantar, com todos mirando a construção de uma experiência de pensamento. O Solar sempre foi muito interessado em conseguir atrair e reunir públicos que não fossem o público específico das artes visuais. Nosso desafio e desejo sempre foi misturar os públicos. Por isso, a diversidade dos colaboradores (em suas práticas e próprias vidas) sempre foi importante misturar públicos no Solar. Essas mostras duram apenas um dia (ou 2 ou 3 no máximo). Essa temporalidade específica do Manjar faz com que todos os públicos tenham de fato de estar no Solar quase que ao mesmo tempo. Além disso, se normalmente as pessoas têm experiências nas exposições de poucos minutos, no MANJAR as pessoas ficam 3, 4, 6, 10 horas na exposição. Dá tempo de ver, rever, conversar, mudar de opinião, mudar de estado de consciência, sentir novamente, repensar. Os resultados disso são muito poderosos. As formas de montar exposições e iluminar e sinalizar no Solar são muito incomuns (usamos a mata, os banheiros, as alturas, os cantos de todas as maneiras, com as luzes mais loucas), mas a operação na temporalidade das exposições talvez seja nosso gesto mais radical e de efeitos mais profundos. Nos Manjares, participaram mais de 100 artistas. 80% das obras foram inéditas. A gente tem noção das potências e dos problemas da efemeridade e, por isso, pensamos muito em memória e legado. Se 80% dessas obras inéditas foram parcial ou completamente comissionadas, algumas dessas obras oferecemos como doações às coleções públicas do MAR e do MAC. Somos obcecados com registro das mostras.

A!B: Como é o financiamento para viabilizar a proposta?

BM: Todas as mostras e todas as obras de estrutura da casa foram custeadas com pequenas doações na entrada e com venda de bebida nos nossos eventos. Nos nossos eventos, na entrada informamos quanto foi o custo de produção de cada exposição e, a partir de nossa média de visitação, dizemos quanto cada um deveria pagar para cobrir os custos da ação. Quem não pode pagar, entra sem pagar nada. Quem pode pagar por dois, paga por uma pessoa que não pode pagar. Quem pode pagar mais e quer apoiar o projeto, paga mais. Foi dessa forma e com venda de bebidas que custeamos tudo o que fizemos. Nos interessa muito o estudo de novas economias, novas formas de troca e organização. No início nós mesmos (e os amigos) éramos todas as equipes (de limpeza, montagem, produção, segurança, montávamos o som, vendíamos as bebidas). Hoje em dia, são quase 50 pessoas trabalhando para cada Manjar acontecer, por exemplo.

A!B: Quais são as principais atividades que ocorreram até então? Pode citar nomes de artistas que passaram por lá?

BM: Passaram pelo Solar desde artistas mais estabelecidos (como Adriana Varejão, Anna Bella Geiger, Antonio Dias, Carlos Vergara, Cinthia Marcelle, Ernesto Neto, Helio Oiticica, Laura Lima, Lucia Laguna, Marcos Chaves, Rivane Neuenschwander), muitos brasileiros de fora do sudeste (como o gaúcho Fernando Lindote, o paraense Armando Queiroz, o maranhense Thiago Martins de Melo, o baiano Tiago Sant’Ana), estrangeiros do Sul Global (como o colombiano Carlos Motta, o cubano Carlos Martiel, o dominicano Engel Leonardo, a Nigeriana Karima Ashadu) além de inúmeros artistas jovens (como Jaime Lauriano, Maxwell Alexandre, o coletivo Opavivará, Vivian Caccuri, o coletivo Mariwo, Rafael Bqueer, Lais Myrrha, Barbara Wagner, Jonathas de Andrade, Juliana Santos, Ivan Grilo, Ismael David, Anna Costa e Silva etc.). São muitos e muitos artistas responsáveis pela construção do Solar. Entre as pessoas que já vieram participar de rodas ou aulas, estão Suely Rolnik, Eduardo Viveiros de Castro, Peter Pal Pelbart, Tatiana Roque, Mariama Bah (do Gâmbia), Charly Kongo (Congo) e muitos outros. Entre os curadores, colaboramos com Catarina Duncan, Pollyana Quintella e Bernardo de Souza.

A!B:Existe uma equipe principal responsável pelo Solar? Quem faz parte?

BM: Eu, o arquiteto Adriano Carneiro de Mendonça e a produtora Duda Medeiros. Ana Clara Simões Lopes é nossa curadora assistente e Clara Reis nossa comunicação. Ainda como colaborador o educador Bruno Balthazar e a curadora Beatriz Lemos. Cada uma das atividades no Solar tem suas equipes extras. Há ainda muitos profissionais voluntários como advogados, arquitetos e administradores.

A!B:Existe uma programação para este ano? Se sim, qual?

BM: De hoje até o final do ano, teremos uma regularidade um pouco menor de exposições no Solar. O principal motivo é o fato de que o atual modelo de relação com os proprietários do imóvel chegou a seu limite, e nós entendemos que o Solar vai ter de se tornar, em pouco tempo, o proprietário de sua sede. Por isso, nós estamos ao lado de alguns colaboradores desenhando estratégias e buscando investidores ou apoiadores para adquirirem o imóvel, de forma que o Solar possa se expandir, se aprimorar e sobretudo se tornar um espaço de liberdade de forma mais perene na cidade. Ou seja, há mudanças bastante radicais no horizonte do Solar e vamos precisar de toda a ajuda!