Page 16 - ARTE!Brasileiros #53
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BIENAIS PIRACICABA

























            que tendem a escancarar as possibilidades
            de humanidades que precisam ser vistas
            também através da arte”, explica.
               Pensando nisso, talvez fique claro que ao
            invés de adiar o fim da arte, o debate seja mais
            sobre expandir a nossa compreensão de arte
            e as narrativas que incluímos nessa história.
            Como coloca Ana Avelar: “Na contempora-
            neidade já não acreditamos mais em apogeu,
            acreditamos que as artes se desenvolvem ao
            longo da história, com suas especificidades e
            seus assuntos. Ou seja, pensar o fim da arte já
            não é mais possível, mas podemos pensar a
            transformação dela e dos sistemas nos quais
            ela opera, e nós buscamos oferecer entradas
            de compreensão para essas narrativas”.
               Mas o que os artistas naïf têm a ver com
            isso? Talvez as suas narrativas sejam justa-
            mente algumas que estavam invisibilizadas até
            então. Para compreender, vale voltar um pouco
            no tempo. “Naïf é um termo de origem fran-
            cesa e sugere algo natural e ingênuo”, explica
            Margarete Regina Chiarella, agente de cultura
            e lazer no Sesc Piracicaba. “Mas visitando a
            Bienal, vocês vão perceber que de ingênuo
            não há nada. Essa arte tem como caracte-
            rística a espontaneidade e a liberdade para
            que os artistas expressem, como se sentem,
            como percebem o mundo sem ficar presos às
            regras da academia ou aos modismos. São
            insubmissos, trabalham com regras próprias.”
               Visando minimizar essa inivisibilização, o
            Sesc optou por dar foco ao artista, e na 15ª
            Bienal, além de mostrar uma pluralidade na
            arte naïf, criou espaços que simulam ateliês
            e trazem relatos em vídeo dos próprios cria-
            dores, contando ao público seus processos   African Rhythms, do artista angolano Chavonga

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