Traço de Giz, de Miguelanxo Prado

Capa de "Traço de Giz", de Miguelanxo Prado, publicado no Brasil pela Editora Pipoca e Naquim
Capa de “Traço de Giz”, de Miguelanxo Prado, publicado no Brasil pela Editora Pipoca e Naquim. Foto: Divulgação.

O que é: o quadrinho mais premiado da história da Espanha. Lançada originalmente em 1992, Traço de Giz é uma das realizações mais representativas de Miguelanxo Prado e um clássico das HQs europeias. Foi agraciada com o prêmio de Melhor Álbum Estrangeiro no Festival de Angoulême, Melhor Álbum no Salão de Quadrinhos de Barcelona e indicado aos prêmios Eisner e Harvey. Agora, a Editora Pipoca & Nanquim traz Traço de Giz para o Brasil.

Sinopse: “Raul navegava em alto-mar quando foi atingido por uma tempestade, o que deixou seu barco à deriva e o levou para uma ilhota que não consta em nenhum mapa. Um cenário pacato com apenas dois habitantes, uma estalagem, um velho farol desativado e um muro com estranhas mensagens. Mas a embarcação de Raul não é a única atracada no cais e logo ele conhece a bela e misteriosa Ana, por quem se sente imediatamente atraído. No entanto, conforme os dias avançam, Raul se vê incomodado em suas tentativas de compreender alguns absurdos locais: qual o propósito de uma estalagem sem clientes no meio do nada? Por que há tantas gaivotas mortas? Quem é Ana? E por que dizem que a chegada de uma terceira embarcação à ilha significa o prenúncio de uma tragédia?”

Comentário: “Ele tem um encanto danado pela luz, pelo efeito que a luz causa sobre os corpos, sobre as superfícies, os materiais. Mas não só sobre esse tipo de efeito como também como as pessoas se impressionam, como elas se sentem. Uma coisa que ele é muito delicado, que ele é muito bom, é nas trocas de olhares, nos pequenos gestos.”, comenta Alexandre Linck, do canal Quadrinhos na Sarjeta.

 

Sunny, de Taiyo Matsumoto

Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos. Capa de "Sunny", de Taiyo Matsumoto, publicado no Brasil pela Editora Devir
Capa do primeiro volume de “Sunny”, de Taiyo Matsumoto, publicado no Brasil pela Editora Devir. Foto: Divulgação.

O que é: Sunny é um dos trabalhos mais pessoais de Taiyo Matsumoto. Retrata a vida de um grupo de adolescentes órfãos, as suas inseguranças, revoltas e sentimentos de abandono. O estilo utilizado por Matsumoto nessa série marca uma nova fase para o artista. Sunny, no Brasil, terá 3 volumes. Em 2021 a editora Devir – pelo selo Tsuru – publicará o segundo deles, sendo que o primeiro já está disponível.

Sinopse: “Os personagens desta história sonham e dão asas à sua imaginação dentro de um velho carro cor de mostarda, ao qual dão o nome de Sunny. O otimismo inocente e a camaradagem dos garotos contrariam a melancolia subjacente à narrativa, refletindo a própria experiência pessoal do autor, que cresceu em famílias de acolhimento”.

Comentário: “Além do fato de que ele representa um ponto muito fora da curva do tradicional estilo mangá, um raro caso de desenhista e narrador japonês que sofreu forte contaminação das escolas europeias, ele tem uma capacidade muito impressionante de criar relações afetivas entre personagens”, analisa Rafael Coutinho, autor de Mensur e O Beijo Adolescente, em conversa com Ramon Vitral.

 

A Guerra do Deserto, de Enrique Breccia

Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos. Capa de "A Guerra do Deserto", de Enrique Breccia, publicado no Brasil pela Editora Veneta. Foto: Divulgação.
Capa de “A Guerra do Deserto”, de Enrique Breccia, publicado no Brasil pela Editora Veneta. Foto: Divulgação.

O que é: um quadrinho sobre o extermínio dos povos indígenas na Argentina do século 19; a Veneta lança a obra em janeiro de 2021. Nele, Enrique Breccia reúne narrativas sobre um momento definidor em seu país: o surgimento de Martín Fierro, um herói nacional, e o desenrolar da guerra de extermínio contra a população indígena que fez da Argentina um país “branco”. Enrique Breccia é filho do também quadrinista Alberto Breccia; ele começou sua carreira na década de 1960 ao colaborar com seu pai nos desenhos do livro Che – os últimos dias de um herói nacional, com roteiro de Héctor Germán Oesterheld.

Sinopse: “O livro é um mergulho na Argentina do século XIX, quando o governo empreendeu uma cruzada contra populações indígenas a fim de liberar terras para o pasto – a exportação de carne já se tornava uma importante atividade econômica no país. Publicadas originalmente nos anos 70, na revista italiana Linus, as histórias reunidas neste livro abordam os embates entre gaúchos e indígenas na disputa pelos pampas argentinos, mas retratam também dramas humanos no México de Emiliano Zapata, e a luta do povo argelina contra a colonização francesa.”

O prefácio do livro foi liberado pela Editora Veneta, confira aqui como ele complementa os desenhos de Breccia.

 

Menção Honrosa

Guardiões do Louvre, de Jiro Taniguchi

O que é: a partir de encomenda do Louvre, Taniguchi trabalhou no mangá depois de passar um mês no museu em maio de 2013. Antes disso, em 2011, Jiro foi nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, uma condecoração concedida pelo Ministério da Cultura da França. Quatro anos depois, foi homenageado no Festival de Angoulême com uma exposição de escala inédita na Europa. Taniguchi faleceu em 2017, deixando um legado que compreende quase quatro décadas de produções da nona arte. Embora Guardiões do Louvre não seja um lançamento, é uma boa dica para quem gosta dos quadrinhos e está saudoso para viajar e visitar os museus de fora.

Sinopse: “Depois de uma excursão pela Europa, um artista japonês faz uma parada em Paris sozinho, com a intenção de visitar os museus da cidade. Mas, acamado em seu hotel devido a febre, ele enfrenta o sofrimento da solidão absoluta em uma terra estrangeira, privado de qualquer recurso ou apoio familiar. Quando a febre baixa um pouco, ele inicia seus passeios e logo se perde nos monumentais salões do Louvre. Lá, descobre muitas facetas do mundo das artes, em uma jornada que oscila entre alucinações febris e realidade. Ele se vê conversando com pintores famosos de diversos períodos da história, sempre guiado pelos… Guardiões do Louvre”.

Comentário: “É uma história para ser consumida aos poucos, para ser degustada, prestando atenção nas nuances”, nota Thiago Ferreira, do canal Comix Zone.

 

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