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Ayán, princípio vibrante, Inaicyra Falcão, s/d
Xica Manicongo foi uma pessoa escravizada que viveu Seu refúgio no inferno psiquiátrico era a arte. Ela pintou
cerca de 200 quadros, hoje reconhecidos como um
em Salvador, na Bahia, e trabalhou como sapateira na
TAKE DE VÍDEO RESPLANDESCENTE | FOTO: ROBERTO BERTON feiticeiros sodomitas”, Xica foi condenada pelo Santo Paulo e na Bienal de Berlim, Alemanha.
tesouro da pintura e já exibidos em mostras no Museu
Cidade Baixa, conforme registros de documentos oficiais
portugueses. Acusada de pertencer a uma “quadrilha de
de Arte de São Paulo (Masp), na própria Bienal de São
Stella do Patrocínio (1941-1992) foi uma poeta
Ofício a ser queimada viva em praça pública e ter seus
carioca que trabalhou como empregada doméstica e,
descendentes desonrados até a terceira geração. Como
ao morrer, foi enterrada como indigente. Sua saga é
Galileu, viu-se obrigada a negar a condição trans e vestir-se
e comportar-se como um homem da época para sobreviver. assombrosa: aos 21 anos, quando vivia em Botafogo,
Rio de Janeiro, foi abordada por uma viatura policial
A pintora Aurora Cursino dos Santos (1896-1959)
ao tentar embarcar em um ônibus rumo à Central do
trabalhou como prostituta e viveu 15 anos internada
no Complexo Psiquiátrico do Juquery, em São Paulo. Brasil. A polícia a levou a um pronto socorro, de onde
Nesse manicômio, Aurora foi submetida a eletrochoques
ela foi enviada para o Centro Psiquiátrico Pedro II, no
e, pouco antes de morrer, em 1955, foi lobotomizada. Engenho de Dentro. Diagnosticada com esquizofrenia,
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