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MUSEU ENTREVISTA










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           AGUSTIN PÉREZ RUBIO NA SUA ÚLTIMA APRESENTAÇÃO NO MALBA EM CONVERSA COM O ARTISTA GUILLHERMO KUITCA



           organizar programas públicos, educativos. Traba-  Entender que o museu é uma ponte, abrir convênios de cola-
           lhar muito de perto junto a Guadalupe Requena   boração com embaixadas e bienais.
           na importância de firmar um departamento de
           publicações e de comunicação.                A!B Na tua opinião, qual é o momento chave de tua parti-
           Num segundo momento nosso foco foi o conteúdo.   cipação ou, o momento que te permite dizer, bem... agora
           O Malba tinha desenvolvido importantes exibi-  posso ir embora?
           ções mas, em geral, Malba importava mostras.   Esse momento é Verboamérica, a nova apresentação da cole-
           Um museu tem que estar à frente, tem que ter   ção permanente que, Andrea Giunta e eu fazemos para o 15°
           propostas, e não apenas ser o receptor e, obvia-  ano do museu.
           mente, fazer parcerias. Para mim, era fundamental   Verboamérica foi a sedimentação, a sistematização do traba-
           encontrar a forma de viabilizar nossas próprias   lho que vínhamos fazendo. O trabalho se plasmou e deixou-
           exposições. Foi assim que em quatro anos, de   -se ver e apareceu nos módulos da exibição corpos, afetos e
           quase 42 mostras, somente uma foi importada.   emancipação e sobre feminismo, na sala três. Ou com Ximena
           Dentre as grandes e medias. Várias itineraram.   Garrido-Lecca que traz à tona a extração dos minerais, num
           Buscamos sempre criar um equilíbrio, escolhendo   módulo que fala de mapas, geopolítica e extração. Um módulo
           um artista argentino, um latino-americano e um   que fala de multitude, trabalho e resistência. Por isso, aparece
           projeto internacional. Isso também partindo da   Alexander Apóstol com as questões dos trabalhadores. Ou as
           dificuldade que se tem hoje de trazer uma expo-  questões Queer, daí entender porque fizéssemos General Idea.
           sição internacional. No caso de Diane Arbus, só   Quer dizer, entender que Verboamérica, veio para entender
           conseguimos fazer porque tínhamos uma parceria   que americalatina não eh o objeto de estudo e sim o sujeito.
           com o MET - Metropolitam Museum de NY- , que   É o sujeito que estuda o próprio objeto. Quer dizer que pode-
           detém o arquivo. Em termos de conteúdo, esten-  mos nos enxergar desde nós mesmos.
           demos nosso olhar para Chile, México e Peru para   Entender as nomenclaturas já não europeistas ou anglosaxó-
           a ideia de determinar uma sala para exibições de   nicas. Decolonizar o museu.                      FOTOS CORTESIA MALBA
           mulheres históricas latino-americanas, de criar   Onde se narra a história pós-colonial, onde se assume a histó-
           estudos de gênero, de geopolítica e ambiente.   ria colonial e da modernidade tradicional mas onde também


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