Feira "SP-Arte Rotas” amplia diálogos com a América Latina em sua 5ª edição
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Em cartaz até 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo, feira reúne cerca de 70 projetos, com atenção à produção de diferentes
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Em cartaz até 30 de agosto, na ARCA, em São Paulo, feira reúne cerca de 70 projetos, com atenção à produção de diferentes regiões do Brasil e maior presença de galerias latino-americanas
A SP-Arte Rotas chega à sua quinta edição reunindo cerca de 70 projetos e expositores na ARCA, na Vila Leopoldina, em São Paulo. Aberta ao público entre os dias 27 e 30 de agosto, a feira mantém a proposta de apresentar recortes curatoriais desenvolvidos especialmente para o evento, colocando em diálogo artistas de diferentes gerações, regiões e contextos.
Realizada desde 2022, a Rotas surgiu com atenção particular à produção artística brasileira e às cenas que se desenvolvem para além do eixo Rio-São Paulo. Em 2026, esse mapa se expande também em direção à América Latina. Entre os participantes internacionais estão Sur, do Uruguai; Barro, Isla Flotante e W-galería, da Argentina; Casa Zirio, da Colômbia; além da italiana Orma. A presença estrangeira dá continuidade ao movimento de aproximação com outros circuitos iniciado pela feira nas últimas edições.
Ao lado delas aparecem galerias brasileiras de trajetória consolidada, como Almeida & Dale, Casa Triângulo, DAN, Flexa, Galatea, Gomide&Co, Luciana Brito, Marilia Razuk e Vermelho, além de espaços provenientes de diferentes regiões do país. Entre eles estão a Lima, de São Luís; Cave e Leonardo Leal, do Ceará; Marco Zero, de Pernambuco; Paulo Darzé e Midlej, da Bahia; e Cerrado e Karla Osório, do Centro-Oeste.
Nesta edição, a feira recebe ainda quatro projetos convidados que ampliam a discussão sobre outras formas de organização e circulação da arte. O Sertão Negro, ateliê-escola criado pelo artista Dalton Paula em Goiânia, completa cinco anos de atuação em 2026; a Galeria Ocupá trabalha na construção de pontes entre artistas de territórios periféricos do Rio de Janeiro e outros circuitos da cidade; e a Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea, de Boa Vista, concentra-se na produção de artistas indígenas. A Casa do Povo, por sua vez, apresenta trabalhos realizados por artistas maxakali da Aldeia-Escola-Floresta, projeto desenvolvido na região de Itamunheque, em Minas Gerais. Os quatro integram oficialmente a programação especial da edição deste ano.
A direção artística da SP-Arte Rotas 2026 é de Bernardo Mosqueira, curador, escritor e pesquisador brasileiro que vive em Nova York. Fundador e diretor artístico do Solar, no Rio de Janeiro, Mosqueira também passou pelo Institute for Studies on Latin American Art (ISLAA) e pelo New Museum. Ele sucede Rodrigo Moura, que esteve à frente da direção artística da feira nas duas edições anteriores.
Entre território, memória e ancestralidade
Os projetos apresentados nos estandes percorrem questões ligadas à memória, ao território, aos saberes ancestrais e às diferentes formas de compreender a paisagem. A argentina W-galería, por exemplo, aproxima as pesquisas de Mónica Millán, Chonon Bensho e Florencia Sadir, articulando práticas têxteis, conhecimentos indígenas e relações com materiais e tecnologias ancestrais.
A Leme reúne Sandra Gamarra Heshiki, Olinda Silvano Inuma e Jorge Enciso em torno de saberes indígenas latino-americanos, enquanto a Marilia Razuk coloca em diálogo trabalhos de Manuel Brandazza, Lucia Pizzani e Lucélia Maciel, atravessados por questões de natureza, memória e território. Já a carioca Portas Vilaseca propõe uma espécie de cartografia afetiva das regiões Norte e Nordeste com trabalhos de amorí, Marcone Moreira, Samara Paiva e Zé Carlos Garcia.
De Recife, a Marco Zero apresenta um projeto com curadoria de Cristiano Raimondi que parte da ideia de “encantamento” e inclui obras de Chacha Barja, Kuenan Mayu, Rayana Rayo e Tunga. A italiana Orma, em parceria com a brasileira MaPa, aproxima a produção histórica de Sérgio Lima da pesquisa contemporânea de Luciano Maia, estabelecendo relações entre surrealismo, erotismo e imaginários amazônicos.
A Mitre toma a encruzilhada como princípio para reunir nomes como Sandro Ayê, Gê Viana, Luana Vitra e Rafael RG. Já a Galeria de Artistas (GDA) apresenta a individual Canções de liberdade, de Raphael Escobar, que investiga os worksongs, cantos historicamente associados ao trabalho coletivo e utilizados para marcar ritmos, aliviar a exaustão e construir vínculos comunitários.
A edição também abre espaço para encontros entre artistas históricos e produções contemporâneas. A Almeida & Dale reúne obras de Eleonore Koch, Nelson Felix, Elena Damiani e Paulo Pasta, enquanto a Superfície apresenta nomes que atravessam diferentes momentos da arte brasileira e latino-americana, entre eles Mira Schendel, León Ferrari, Antonio Dias e José Leonilson. Na Aura, aparecem trabalhos de artistas como Uýra, Arissana Pataxó, Arivanio Kixelô e Ziel Karapotó.
Entre as apresentações individuais estão Arcangelo Ianelli, na Frente + James Lisboa; Hiram Latorre, na Martins&Montero; Antonio Poteiro, na Errol Flynn; Mariana Tassinari, na Danielian; e Vivi Rosa, na Janaína Torres.
Mirante e programação de conversas
No centro da feira, o setor Mirante, também curado por Bernardo Mosqueira, toma a ideia de paisagem expandida como ponto de partida. Em vez de tratar a paisagem apenas como gênero artístico, o projeto propõe observá-la como campo de relações entre seres humanos, territórios e outras formas de existência. Pintura, escultura e instalação aparecem lado a lado em trabalhos atravessados por memória, ecologia, espiritualidade, história, política e imaginação. A própria ARCA destaca o Mirante como um dos núcleos centrais da edição de 2026.
A programação se estende ainda ao Palco SP-Arte, com conversas de quinta-feira, 27, a sábado, 29 de agosto. Artistas, curadores, colecionadores e outros profissionais do circuito participam dos encontros, que incluem nomes como Ayrson Heráclito, Carmela Gross e Júlia Rebouças. A programação foi organizada por Tamara Perlman e pode ser acompanhada pelo aplicativo da SP-Arte.
Serviço
Feira | SP-Arte Rotas
De 26 a 30 de agosto
Dia 26 para convidados, 27 e 28 das 13h às 20h, 29 das 12h às 20h e 30 das 12h às 19h
Ingressos da SP-Arte Rotas 2026
Período
Local
ARCA
Av. Manuel Bandeira, 360 Vila Leopoldina São Paulo - SP
