A exposição “Umbra”, de Gi Monteiro, reúne trabalhos que partem das curvas, torções e movimentos da matéria para investigar processos de transformação, nascimento e continuidade. Na pesquisa
A exposição “Umbra”, de Gi Monteiro, reúne trabalhos que partem das curvas, torções e movimentos da matéria para investigar processos de transformação, nascimento e continuidade. Na pesquisa da artista, a linha reta dá lugar à dobra, entendida não apenas como forma, mas como modo de pensar aquilo que escapa à estabilidade e à precisão. Formas orgânicas, fluxos e movimentos atravessam as obras e estabelecem aproximações entre corpo, natureza e diferentes estados da matéria.
Essa investigação aparece na série “Nevoeiro”, iniciada em 2025, na qual Gi combina desenho e recorte sobre lona negra de algodão. Traços longos e curvilíneos dão origem a formas fechadas e áreas de cores sutis, quase metálicas, que emergem sobre o fundo escuro. A artista parte da própria condição do nevoeiro — matéria visível, mas difícil de apreender — para explorar relações entre presença e desaparecimento, proximidade e distância, materialidade e imaginação.
A ideia de algo que existe em estado de potência também atravessa a série “Sementes”. Nesses trabalhos, a artista se interessa pela semente como forma que contém uma vida ainda por acontecer. Já em “Recém nascida”, sua atenção se desloca para outro momento de passagem: o nascimento e o primeiro contato de um corpo com o espaço exterior. As duas séries aproximam germinação, hereditariedade, mutação e transformação, pensando a vida como um processo que não acontece de maneira linear.
As formas curvas e retorcidas que aparecem nos trabalhos reforçam essas relações. Elas podem remeter tanto às estruturas de plantas e organismos quanto à circulação do sangue, ao DNA, às ondas e às volutas da arquitetura barroca. A dança, prática que também integra o processo criativo de Gi Monteiro, acrescenta a dimensão do corpo e do movimento a essa pesquisa, na qual uma forma parece continuamente se transformar em outra.
Em “Umbra”, sementes, nevoeiros e corpos recém-nascidos se encontram justamente em momentos nos quais algo deixa de ser o que era sem ainda ter assumido uma nova forma. Sobre fundos escuros, as imagens parecem surgir gradualmente, entre aparição e desaparecimento, latência e transformação. Em vez de uma trajetória em linha reta, Gi Monteiro propõe pensar esses processos por meio de desvios, expansões, contrações e dobras, fazendo da instabilidade uma condição para o surgimento de novas formas.
Serviço
Exposição | Umbra
De 06 de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 11h às 15h
CLARABOIA
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2906 Jardim América, São Paulo - SP