Exposição "Sala dos espelhos", de Rodrigo Andrade

dom17mai(mai 17)10:00sab20jun(jun 20)19:00Exposição "Sala dos espelhos", de Rodrigo AndradeA exposição articula matéria, espacialidade e atmosfera e opera na fronteira entre abstração e figuração, atravessando quarenta anos de trajetória do artistaAlmeida & Dale Fradique, Rua Fradique Coutinho 1360 | 1430, São Paulo - SP

Detalhes

A Almeida & Dale inaugura Sala dos espelhos, nova exposição individual de Rodrigo Andrade. Com curadoria de Germano Dushá, a mostra reúne cerca de doze pinturas inéditas do artista, em diferentes formatos, realizadas entre 2025 e 2026. Neste novo conjunto de trabalhos, Andrade expande sua investigação sobre a pintura como campo de experimentação material, visual e psicológica.

A partir de camadas espessas de tinta, grandes blocos cromáticos e um embate direto com a materialidade na pintura, o artista cria recintos interiores habitados por formas gráficas – que ele denomina figuras ornamentais – e elementos corriqueiros, como espelhos, mobiliários e outras aparições, formando um vocabulário em permanente renovação. São pinturas que partem de princípios compositivos e regras visuais bem definidas, operando na fronteira entre abstração e figuração, entre estrutura gráfica e sugestão narrativa.

O título faz referência à música Room Full of Mirrors, de Jimi Hendrix, evocando um espaço lúdico, inquietante e um tanto opressor, saturado de reflexos e possibilidades, ou um estado mental de intensa reflexão. Para Andrade, interessa justamente essa conotação dupla: a sala dos espelhos como atração popular, imagem pertencente a uma cultura comum, ou como cenário de um thriller psicológico, um ambiente onde o ordinário se torna perturbador.

“Me interessa que Sala dos espelhos pertença a uma cultura comum, algo pop, quase vulgar — que está bem presente na exposição. Há também uma dimensão lúdica aí que é fundamental: é um jogo de espelhos, um jogo com regras determinadas. Cada pintura parte de um conjunto de princípios claros que depois vão ser confrontados pela própria natureza da matéria, pelo imprevisível do processo. Ao mesmo tempo, soa como título de um filme de gênero, ou um cenário para uma cena de suspense. É algo comum, mas esquisito. A exposição opera nesse limiar entre a matéria bruta e o surgimento de imagens psicológicas… Então são trabalhos que trazem tanto a planaridade da pintura moderna quanto se conectam com o cinema, os quadrinhos, o punk e a cultura de massa”, afirma Andrade.

Entre o familiar e o estranho, a superfície pictórica aparece como lugar de tensão entre corpo, imagem e evocação. A perspectiva, com seus pontos de fuga definidos, arma em cada pintura uma espacialidade quase opressiva — uma convenção que o artista estabelece para depois combater, fazendo irromper materialidades e figuras que desestabilizam a hierarquia espacial e capturam o olhar. Surgem então ambientes metafísicos, que sintetizam sensações e emoções, onde objetos e outras presenças espectrais parecem dotados de agência própria e a transformação se faz iminente.

A escala é parte fundamental da experiência: algumas pinturas atingem quase três metros de altura e trazem enormes massas de tinta, impondo-se como portais no espaço expositivo. Já outras, menores, convidam o espectador a se aproximar para descobrir a densidade da superfície, e as marcas e sutilezas que só se revelam de perto.

A mostra reafirma a posição singular de Andrade no panorama da arte brasileira. Ao longo de mais de quatro décadas, a prática do artista mantém-se em permanente renovação, sem jamais abandonar, entretanto, seus principais fundamentos e o compromisso com a investigação da natureza e do estatuto histórico da pintura, bem como de suas possibilidades como ferramenta contemporânea.

Serviço
Exposição | Sala dos espelhos
De 17 de maio a 20 de junho
Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, sábado, das 11h às 16h

Período

17 de maio de 2026 10:00 - 20 de junho de 2026 19:00(GMT-03:00)

Local

Almeida & Dale Fradique

Rua Fradique Coutinho 1360 | 1430, São Paulo - SP

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