A Luisa Strina apresenta nome ar, nova exposição de Jarbas Lopes. Acompanhados de ensaios críticos de Érica Burini e Luiz Villares, os trabalhos inéditos articulam a sensibilidade
A Luisa Strina apresenta nome ar, nova exposição de Jarbas Lopes. Acompanhados de ensaios críticos de Érica Burini e Luiz Villares, os trabalhos inéditos articulam a sensibilidade ecológica do artista em uma investigação das relações entre corpo,
natureza e cultura.
Desde os anos 1990, Jarbas Lopes desenvolve uma produção que valoriza o fazer manual e colaborativo, aproximando escalas, materiais e linguagens distintas. nome ar propõe uma atenção renovada a esses processos, estimulando uma maior consciência do próprio corpo, do entorno e da experiência sensorial da natureza.
Essa investigação se manifesta tanto nos materiais orgânicos empregados nos novos trabalhos quanto nas formas de relação que eles estabelecem com o público. Colchões feitos de juta e folhas de bambu convidam os visitantes a se deitar, enquanto telhas de papel e goma de tapioca revestem as paredes da galeria.
Em uma nova série de desenhos, Lopes mastiga o carvão antes de lançá-lo sobre o papel, fazendo do próprio corpo parte da produção das imagens. A dimensão corporal se estende também à performance que o artista realiza na abertura da exposição, composta por uma série de movimentos que ativam o espaço expositivo e introduzem um caráter teatral à mostra. “Somos parte da natureza; logo, já somos cultura”, afirma Luiz Villares em seu ensaio, citando Mário Pedrosa. “A arte de Jarbas Lopes reconhece essa inspiração e conexão contínua e fluida entre a arte e a natureza.”
Outros trabalhos ampliam esse trânsito entre materiais, técnicas e formas de conhecimento: livros encapsulados e tensionados por elásticos, telas tramadas, cavaletes de madeira e desenhos com caneta esferográfica. Segundo Érica Burini, Lopes entende a técnica como uma tática da vida humana que se sobrepõe ao natural: “Em sua obra, produz proximidades entre polos que parecem, a princípio, distantes: como a sabedoria da multiplicidade da mandioca, que é unida à técnica de construção civil industrial e à sensibilidade construtiva; assim como o saber fazer colchões de fibras naturais é combinado ao saber descansar e ao cubo branco.”
Serviço
Exposição | nome ar
De 1º de outubro a 14 de novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; Sábado, das 10h às 17h
Galeria Luisa Strina
ua Padre João Manuel 755, Cerqueira César, São Paulo