Exposição "Horizontes do Solo"
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O Ateliê397 inaugura, em 8 de outubro, a exposição Horizontes do Solo, com trabalhos de Bárbara Banida, Cláudio Cretti e
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O Ateliê397 inaugura, em 8 de outubro, a exposição Horizontes do Solo, com trabalhos de Bárbara Banida, Cláudio Cretti e Pedro França e curadoria de Érica Burini. A mostra é fruto da primeira edição da Residência Instituto Olho d’Água (IOD’A), realizada em fevereiro de 2026, em Coronel José Dias, no Piauí. As obras investigam as relações entre o passado arqueológico, as memórias das comunidades e a vida contemporânea no território do Parque Nacional Serra da Capivara e em suas imediações.
Concebida por Márcia Lerro Pimenta e Marian Rodrigues e realizada em parceria com o Instituto Olho d’Água, a residência reuniu os três artistas e a curadora em uma experiência de pesquisa e convivência. O programa incluiu visitas aos sítios arqueológicos e a instituições como o Museu do Homem Americano, além do contato com moradores e com as atividades do instituto, dedicado ao fortalecimento da identidade cultural dos povos da região.
A exposição parte da ideia do solo como um espaço no qual diferentes tempos se encontram. Em diálogo com o pensamento do antropólogo Tim Ingold, o texto crítico de Burini propõe olhar para esse chão como uma superfície em transformação, marcada por vestígios e pela interpenetração entre passado e presente. Nesse contexto, os artistas desenvolveram trabalhos que aproximam as pinturas rupestres, a fauna e a flora da Caatinga, a pesquisa científica e os saberes das comunidades locais.
Esse encontro também envolve os conflitos decorrentes da criação do parque, em 1979. A proteção do patrimônio arqueológico e ambiental foi acompanhada pela desapropriação de famílias tradicionais, que perderam suas casas e o acesso às áreas de cultivo e coleta. Reaproximar essas comunidades do território é uma das frentes de atuação do Instituto Olho d’Água, que oferece espaços de convivência, leitura e criação, com atividades de cerâmica, bordado, arqueologia, capoeira e teatro, entre outras.
Cláudio Cretti apresenta um trabalho escultórico com objetos coletados em conversas com a população, além desenhos inspirados pela experiência na residência. Pedro França produziu, em colaboração com Gilvonete Paes, professor no IOD’A, e alunos atendidos pelo Instituto, um painel de cerâmica em forma circular, como uma grande panela ou cratera, que reúne ossos, aviões, bolos, dinossauros, videogames e outros sonhos, modelados em um processo coletivo. Já Bárbara Banida investigou as memórias das mulheres atendidas pelo IOD’A através de canções e memórias relatadas, que foram gravadas e unidas em uma instalação montada com gavetas e objetos guardados — um altar de miudezas. Ela também traz pinturas feitas com óxidos de ferro, componente principal das tintas utilizadas nas pinturas rupestres.
Dois conjuntos de vídeos ampliam o contexto das obras. O filme Dez mil anos de arte rupestre no Piauí, dirigido por Anne-Marie Pessis e filmado em 16 mm em 1984, apresenta pinturas e gravuras rupestres da Serra da Capivara. Com texto de Niède Guidon, narração de Catherine Railliet e trilha sonora de Bernadette Arnaud, a produção examina diferentes tradições gráficas e suas sobreposições nos sítios arqueológicos.
Já os vídeos do projeto Cabine de Memórias, realizado pelo Instituto Olho d’Água, apresentam depoimentos de moradores tradicionais do território. As lembranças de infância, do cultivo, das brincadeiras, das canções e das festas registram modos de vida ligados à região e contribuem para a preservação de seu patrimônio material e imaterial.
Ao reunir produção artística, registros arqueológicos e histórias de vida, Horizontes do Solo propõe imaginar um futuro que reconheça os diferentes saberes e experiências de quem compartilha um mesmo chão.
Serviço
Exposição | Horizontes do Solo
De 8 de outubro a 21 de novembro
Quarta a sábado, das 14h às 18h
Período
Local
Ateliê397
Travessa Dona Paula, 119A – Higienópolis, São Paulo - SP
