A relação entre corpo, movimento e ancestralidade conduz Coreografias do corpo, exposição que reúne obras da artista brasileira Diambe e do britânico Tunji Adeniyi-Jones na Simões de Assis Curitiba. Por
A relação entre corpo, movimento e ancestralidade conduz Coreografias do corpo, exposição que reúne obras da artista brasileira Diambe e do britânico Tunji Adeniyi-Jones na Simões de Assis Curitiba. Por meio da escultura e da pintura, os artistas investigam como referências culturais, memórias e experiências da diáspora africana se desdobram em formas de presença, identidade e pertencimento. Esta é a segunda vez que Adeniyi-Jones tem seu trabalho apresentado no Brasil, após participar da coletiva The Speed of Grace, com curadoria de Larry Ossei-Mensah, na Simões de Assis, em São Paulo.
Nas esculturas de Diambe, a matéria participa ativamente da construção de corpos e ambientes. Trabalha com materiais como raízes alimentares, tecidos e cera de abelha, além de processos que culminam em obras de bronze, para criar formas que remetem a organismos e elementos naturais em constante transformação. Em trabalhos recentes, referências a corpos de povos diaspóricos são reorganizadas em configurações que mimetizam outros seres, dando origem a criaturas de uma natureza fabulativa e autônoma. Sua prática transita entre escultura, pintura, instalação e vídeo. Em vez de se apresentarem como objetos isolados, as obras estabelecem relações com o espaço e com a percepção do público, incorporando o movimento tanto à criação quanto à experiência da exposição.
Nas pinturas de Tunji Adeniyi-Jones, figuras humanas e folhagens estilizadas se entrelaçam em composições de cores intensas, nas quais ritmo, repetição e relação entre figura e ambiente estruturam as cenas. Inspirado na história antiga da África Ocidental, em sua mitologia e na herança iorubá, o artista desenvolve composições de múltiplos painéis nas quais personagens e gestos reaparecem sob diferentes configurações. Essa recorrência evoca movimentos ritualísticos e destaca a dança e a linguagem corporal como formas fundamentais de comunicação. Adeniyi-Jones também busca ampliar a visibilidade das narrativas e dos símbolos da África Ocidental, historicamente sujeitos a interpretações redutoras, como as associadas ao primitivismo.
Em Coreografias do corpo, o encontro entre os artistas se dá pela compreensão do gesto como força de transformação. A exposição segue em cartaz até 15 de janeiro de 2027, em Curitiba, e articula ancestralidade, memória e fabulação para refletir sobre como a arte pode reelaborar heranças culturais e imaginar possibilidades de futuro..
Serviço
Exposição | Coreografias do corpo
De 10 de novembro de 15 de janeiro
Segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h
Simoes de Assis Curitiba
Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 2173a - Batel Curitiba - PR