10 encontros: terças-feiras das 19h às 20h30, de 19 de março a 21 de maio Professores: Lisette Lagnado (4 encontros) Com André Pitol (3 encontros) e Yudi Rafael (3 encontros)

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Lisette Lagnado é doutora em Filosofia pela USP, crítica de arte e curadora independente. Em 1995, cofundou o Projeto Leonilson e publicou Leonilson. São tantas as verdades (Sesi, 1996). Dirigiu a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rio de Janeiro, 2014-2017). Entre seus projetos, destacam-se a 27ª Bienal de São Paulo (2006), “Desvíos de la deriva” no Museo Reina Sofía em Madrid (2010) e a 11ª Bienal de Berlim (2019-2020). Foi curadora da exposição “A parábola do Progresso”, com André Pitol e Yudi Rafael (Sesc Pompeia, 2022-23).

André Pitol é pesquisador e curador. Desenvolve prática de pesquisa documental sobre fotografia, arquivos e migrações, a partir de uma perspectiva afrotópica da história da arte. Estudou no Museu do Sol de Penápolis, na Fundação das Artes de São Caetano do Sul e na Universidade de São Paulo. Foi curador adjunto de A parábola do Progresso (Sesc Pompeia, 2022). É curador de Edival Ramosa – Nova Construção Totêmica, na coleção moraes-barbosa (SP, 2024)

Yudi Rafael é pesquisador e curador independente, com mestrado em culturas latino-americanas e ibéricas pela Columbia University. Foi curador, dentre outros projetos, de O curso do sol (Gomide&Co, 2023), curador adjunto de A parábola do Progresso (Sesc Pompeia, 2022) e co-curador da Residência Artística Cambridge (Ocupação Hotel Cambridge, 2016). Atualmente, coordena o programa Perspectivas transoceânicas de exposições e pesquisa sobre arte na diáspora asiática na galeria Almeida & Dale.

Programa

Aula 1: 19 de março – por Lisette Lagnado

Curadoria hoje: por que revisar o mito da hospitalidade brasileira?

Conteúdo:

  • Introdução ao pensamento curatorial e aos desafios de uma disciplina vinculada ao poder. Questões éticas e de cuidados.
  • Considerações temporais: de como narrar histórias coletivas: a “parábola” (Octavia Butler), no contrafluxo de uma história totalizante.
  • Considerações espaciais: análise do programa e projeto da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi para o Sesc Fábrica da Pompeia, inaugurado em 1982.
  • Noções de convivência e território segundo os critérios da modernidade.

 

Aula 2: 26 de março – por Yudi Rafael 

Espectros do modernismo

Conteúdo:

  • Assombrações do modernismo brasileiro: artistas, obras e temas confrontados com questões de raça, classe e gênero.
  • Moderno e contemporâneo em perspectiva: o display na exposição “A parábola do Progresso” (Sesc Pompeia, outubro de 2022 a abril de 2023).
  • Aproximações críticas: Anita Malfatti à luz de Alina Okinaka e Alice Yura; Lasar Segall à luz de Márcia Falcão, Rafael RG e Maria de Jesus; Mário de Andrade à luz de Carmézia Emiliano, Jaider Esbell e Gustavo Caboco; Victor Meirelles e Candido Portinari à luz de Emília Estrada.

 

Aula 3: 02 de abril – por André Pitol 

Matrizes do quilombismo

Conteúdo:

  • Como o espaço expositivo pode acolher contribuições diaspóricas (individuais, coletivas e comunitárias) em termos presenciais e discursivos?
  • Estudo de documentos fundacionais de iniciativas contracoloniais: Afropindorama e a Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil (SECNEB)
  • Racismo religioso e racismo ambiental nos exemplos do Quilombo Santa Rosa dos Pretos e da Mãe Beata de Iemanjá.
  • Interesses bilaterais e a missão “Casa do Benin” na Bahia: Pierre Verger e Arlete Soares.

 

Aula 4: 09 de abril – por Lisette Lagnado

Nossas Senhoras do Brasil

Conteúdo:

  • Desde a terra-mãe, quais outras narrativas constituíram uma utopia comunitária contra o Patriarcado?
  • Princípios na selva: a lenda do Monte Roraima encontra o poeta guatemalteco Mario Payeras.
  • Mães sagradas: Odoyá (Ani Ganzala) e Mãe Stella de Oxóssi (Arlete Soares).
  • Mães ancestrais: de Inaicyra Falcão a Pélagie Gbaguidi (Rumo ao espírito do ventre).
  • Amas de leite: Tarsila do Amaral, Maria Auxiliadora e Elson Júnior.

 

Aula 5: 16 de abril – por André Pitol

Curadorias em diálogo: corpus em exposição

Conteúdo:

  • Como práticas artísticas e curadorias históricas e contemporâneas se retroalimentam no presente?
  • Lina Bo Bardi (“A Mão do Povo Brasileiro”), Alexandre Wollner (“O design no Brasil: história e realidade”) e Emanoel Araújo (“A Mão Afro-brasileira”);
  • Tiago Gualberto (A Cabeça Povo Brasileiro) e Rosângela Rennó (Cabeça, corpus e membros).

 

Aula 6: 23 de abril – por Yudi Rafael

O pacífico no atlântico: trânsitos e transgressões

Conteúdo:

  • Arte no Hospital Psiquiátrico do Juquery: Osório César, Flávio de Carvalho e o “mês das crianças e dos loucos” de 1933; as imagens transoceânicas de Ioitiro Akaba e Masayo Seta no acervo do Museu de Arte Osório César;
  • Seibi-Kai entre o gueto e o palco global;
  • A “arte de guerrilha” de Mario N. Ishikawa: alternância de códigos linguísticos, crítica do nacionalismo e o Brasil como sociedade autoritária.

 

Aula 7: 30 de abril – por André Pitol

Iconografias: o retrato na curadoria

Conteúdo:

  • Como opera a categoria do retrato na tarefa crítica da colonialidade?
  • Visagens: o Almirante negro por Bruno, Anita por Alice, Brasileira por Aurora, Colombo por Ubirajara, Mãe Olga por Madalena, Mario por Flavio, Mestre Abdias por Arlete, a Negra por Tarsila, e as Juradas de morte por Márcio.

 

Aula 8: 07 de maio – por Lisette Lagnado

Uma italiana nos Trópicos para pensar a formação nacional

Conteúdo:

  • O casal Bardi e o imaginário da arquitetura moderna na revista Habitat.
  • O conceito de convivência na análise de quatro exposições de Lina Bo Bardi: “Bahia no Ibirapuera” (1959), “Nordeste” (1963), “A mão do povo brasileiro” (1969) e “África negra” (1988).
  • O “Caixote de arte popular” (1978). Folclore e kitsch.

 

Aula 9: 14 de maio – por Yudi Rafael

Territórios em diálogo: Kalipety, Comalapa e Subúrbio Ferroviário

Conteúdo:

  • Jornada das sementes: cultivos da língua, da agricultura e da culinária guarani na Aldeia Kalipety, Território Indígena Tenondé Porã de São Paulo.
  • Kalipety e Comalapa: a residência artística de Edgar Calel, artista maya kaqchikel da Guatemala, no contexto da exposição “A parábola do Progresso”.
  • A memória do Subúrbio Ferroviário de Salvador no Acervo da Laje: construindo um espaço cultural periférico em termos próprios.

 

Aula 10: 21 de maio – por Lisette Lagnado

O atlântico negro e as diásporas no pós-guerra: identidades, migrações e ditaduras

Conteúdo:

  • Terrorismos de Estado: O exílio do artista argentino León Ferrari no Brasil.
  • Por meio de dois estudos de casos, discute-se como uma exposição pode articular identidades históricas que transcendem as fronteiras do Estado-nação. A experiência judaica (Casa do Povo, Bom Retiro, São Paulo: cultura, comunidade e memória) e espaços de convivência no Ocidente e não-Ocidente (SAVVY Contemporary, Wedding, Berlim).