Exposição "Micélio, entre o fim e o começo de tudo", de Kyria Oliveira

sab04jul(jul 4)12:00dom06set(set 6)18:00Exposição "Micélio, entre o fim e o começo de tudo", de Kyria OliveiraMostra celebra a trajetória da artista com obras que investigam o micélio como metáfora poéticaPaço Imperial, Praça Quinze de Novembro, 48 - Centro - Rio de Janeiro - RJ

Detalhes

O Paço Imperial apresenta a exposição “Micélio, entre o fim e o começo de tudo” da artista Kyria Oliveira. Com curadoria de Clara Pignaton, a mostra reúne esculturas produzidas por meio da técnica da feltragem e desenvolvidas a partir de sua pesquisa poética sobre o micélio — rede subterrânea de fungos capaz de estabelecer conexões, trocas e formas de comunicação invisíveis entre organismos da floresta.

Dona de uma técnica apurada e profundamente sensível, a artista esculpe como quem costura uma vestimenta, estabelecendo uma relação íntima entre matéria e corpo. A lã, sobreposta em delicadas camadas, é feltrada pelo atrito entre água, sabão e gesto, em um processo repetitivo e meditativo, no qual o fazer manual se torna uma espécie de ritual. As esculturas moles e delicadas evocam ninhos, vísceras, fungos, organismos desconhecidos ou fragmentos de paisagens vivas. Em sua maciez, despertam um desejo de aproximação, acolhimento e afeto.

A exposição ocupa a galeria Armazém D’El Rei no Paço Imperial, reunindo obras da série Micélio, que convidam o público a fabular novos mundos a partir de estruturas híbridas que habitam o imaginário da artista, criando uma simbiose entre fungos e ninhos, entre proteção e decomposição, entre fim e reinício. O micélio, ao se expandir sob a terra, cria redes de troca e sobrevivência que permitem à floresta responder coletivamente às ameaças do ambiente. Mais do que uma referência científica, essa imagem torna-se, na exposição, uma metáfora poética e política: a possibilidade de imaginar formas de coexistência baseadas na interdependência, no cuidado e na capacidade de regeneração da vida.

“Assim como a nossa existência está no limiar entre a vida e a morte, eu busco esse momento do “entre”: entre mundos, entre a casa, entre o corpo e entre o tempo. Entre o agora e a eternidade, somos o instante. Acredita-se que o micélio ao se ramificar pela floresta cria um canal de comunicação na floresta, independente de qualquer comprovação científica, é inspirador imaginar que a floresta se protege onde a humanidade falhou”, declara a artista.

“Na série Micélio, interessa à artista pensar as esculturas para além da condição de objeto, propondo reflexões sobre uma ecologia política das coisas e sobre materialidades que resistem. Ninhos e cogumelos aparecem como fios condutores de vidas possíveis em meio às clareiras e aos solos áridos produzidos pelas transformações humanas sobre a paisagem. São formas que sugerem abrigo, regeneração e continuidade, mesmo diante de cenários de exaustão e ruína”, afirma a curadora Clara Pignaton.

Serviço
Exposição | Micélio, entre o fim e o começo de tudo
De 4 de julho a 6 de setembro
Terça a domingo, das 12h às 18h

Período

4 de julho de 2026 12:00 - 6 de setembro de 2026 18:00(GMT-03:00)

Local

Paço Imperial

Praça Quinze de Novembro, 48 - Centro - Rio de Janeiro - RJ

Outros eventos

Como chegar