Koyo Kouoh
Koyo Kouoh, curadora oficial da 61ª Bienal que, antes do seu falecimento

As eleições nacionais estão aí e isso obriga os estados e as secretarias de cultura a frear e tomar decisões sobre a aprovação de exposições e projetos, já que não se tem muito claro o que nos espera depois de outubro. Não que o Brasil seja uma exceção à regra. Vários dos países latino-americanos sofrem disputas eleitorais muito acirradas e a divisão entre a direita e a esquerda abriu uma fenda, que vai além das crises ideológicas. Hoje, o mal-estar social não encontra claras referências em antigas lideranças. Vivemos um momento de extrema convulsão e desde o confronto entre Hamas e Israel, a desmedida resposta deste último – que destruiu a Faixa de Gaza, matando milhares de palestinos – agudizou e espalhou o conflito pelo Oriente Médio.

As repercussões destes conflitos chegaram inevitavelmente à Bienal de Veneza. Esta edição é uma homenagem à camaronesa Koyo Kouoh, curadora oficial da 61ª Bienal que, antes do seu falecimento, participou do debate em que o júri por ela selecionado se mostrou contrário à participação de pavilhões cujos representantes orgulhavam-se das suas políticas fascistas e genocidas. O debate junto à direção da mostra teve como desenlace a renúncia de todo o comitê de seleção e a retirada de cerca de 160 artistas da premiação. O professor e crítico Fabio Cypriano esteve posteriormente em Veneza, onde acompanhou o debate, viu a exposição e trouxe uma análise de momentos importantes da mostra apresentada tanto no Arsenale quanto no Giardini e, inclusive, nas mostras paralelas.

No Brasil, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba Limiares, sob a tutela das curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, optou por ocupar vários espaços da cidade, com quase 300 artistas e vários curadores. O tema propõe uma reflexão sobre zonas de transição, o impacto da tecnologia na arte e novas formas de pensar e fazer. “Nos interessa discutir a necessidade de reconstruir vínculos coletivos em um cenário global marcado por polarizações, conflitos e isolamento social”, diz Tereza de Arruda.

São Paulo, por outro lado, ganhou um novo espaço de exposições e encontros com a abertura da sede paulista da Pinakotheke, inaugurada com uma mostra inédita dedicada aos “Surrealismos”. Idealizada por Max Perlingeiro, fundador da galeria, e por Tadeu Chiarelli, crítico e historiador, a exposição reúne mais de 100 obras de artistas europeus, latino-americanos e estadunidenses. Nesta edição, numa entrevista exclusiva à arte!brasileiros, Chiarelli comenta as preciosidades e diferenças da mostra.

E, para encerrar o semestre, Lara Paiva esteve no MASP, onde fez uma exaustiva reportagem sobre a arte latino-americana por meio das exposições de Damián Ortega, Santiago Yahuarcani, La Chola Poblete, Claudia Alarcón & Silat e o coletivo CADA.

Boa leitura e um bom descanso nas férias de julho e agosto!


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